Latest / Na Mesa com Well / O Sangue dos Santos Ep. 2: O Beijo das Algemas
Transcript
- 0:00Bem-vindo ao na mesa com Wells e esse é o dossiê sobre o sangue
- 0:06dos Santos. Ah, eu já adianto que o material
- 0:10que a gente tem para analisar hoje é tipo de tirar o fôlego.
- 0:13Nossa, com certeza. E bom, a nossa missão, com essa
- 0:17análise aprofundada de hoje, é adentrar mesmo, sabe?
- 0:21Com um profundo quebrantamento e uma reverência muito Santa nos
- 0:26testemunhos de pessoas que sobreviveram a prisões.
- 0:29Extremas. Exatamente, nós vamos examinar
- 0:32relatos históricos de uma resiliência indomável, de uma fé
- 0:36que simplesmente se recusa a calar, mesmo diante da tortura e
- 0:41da morte iminente. É e para quem está nos ouvindo,
- 0:44a gente vai trabalhar com os relatos autobiográficos de 2
- 0:48figuras bem conhecidas, o Richard World Brandt, que
- 0:52sobreviveu aos horrores nas prisões da Romênia, e o irmão
- 0:55Yun. Que ficou conhecido na China
- 0:58como o homem do céu. São 2 Fontes documentais muito
- 1:02ricas que trazem perspectivas de lugares e épocas diferentes, mas
- 1:07que convergem é num ponto central, muito poderoso.
- 1:11Sim, e eu tava pensando nisso antes da gente começar a gravar,
- 1:15a gente sempre ouve aquela analogia da pressão que cria
- 1:19diamantes, né? Ah, sim, tempo todo.
- 1:22Então, mas lendo esses testemunhos.
- 1:25Parece que vai além disso. Mostra como a Glória se
- 1:29manifesta, tipo na Extrema fraqueza humana.
- 1:33É ali que a gente vê a resiliência verdadeira.
- 1:36É. E o que é fascinante aqui é que
- 1:37a gente não tá lendo só relatos de como o corpo humano sobrevive
- 1:41a condições extremas. Não é um manual de sobrevivência
- 1:45física. O que esses documentos mostram?
- 1:48É o triunfo de corações que foram visceralmente, lavados por
- 1:52uma convicção espiritual inabalável, sabe?
- 1:55Nossa, sim, isso muda tudo. E pra gente entender direito
- 1:59como essa pressão toda forma, esses diamantes, a gente precisa
- 2:04viajar primeiro pra Romênia, de 1948.
- 2:08Um período brutal, documentado historicamente pela repressão
- 2:11severa do estado comunista da época.
- 2:14Contra qualquer tipo de pensamento dissidente ou fé
- 2:17religiosa. Pois é, e o Richard voorn relata
- 2:20que passou 14 anos nesse sistema prisional. 14 anos?
- 2:25É um tempo que desafia a nossa compreensão Moderna de
- 2:30confinamento. E não foi só a prisão comum, ele
- 2:33fala de 2 anos na temida cela da morte.
- 2:36Que era literalmente, uma área de onde os registros indicavam
- 2:40que ninguém voltava vivo. Era o fim da linha.
- 2:43Ninguém voltava. E as táticas de tortura
- 2:45descritas no livro? Eu fiquei chocada quando eu li,
- 2:50tipo, as celas refrigeradoras. As celas refrigeradoras são um
- 2:54exemplo da precisão fria do estado.
- 2:56Naquela época, eles colocavam os prisioneiros lá quase sem roupa
- 3:00nenhuma, iam diminuindo a temperatura.
- 3:03Até a pessoa quase congelar, até a morte, né?
- 3:06Isso os médicos do regime ficavam acompanhando, calculando
- 3:10o limite exato. E quando o prisioneiro estava um
- 3:12fio de morrer por hipotermia, eles tiravam aqueciam só o
- 3:17suficiente para a pessoa recobrar a consciência.
- 3:19Meu Deus. E jogavam de volta no gelo.
- 3:21Era um ciclo de quase morte contínuo, projetado não para
- 3:24matar rápido, mas para quebrar a mente.
- 3:27E não para por aí, tinha aquelas caixas de madeira, é forradas
- 3:32com pregos. Sim, as caixas com pregos
- 3:34afiados em todos os lados. Onde a pessoa era obrigada a
- 3:37ficar em pé? E assim, se a pessoa ficasse
- 3:40totalmente imóvel, os pregos teoricamente não perfuravam, mas
- 3:45o corpo humano não aguenta ficar tenso para sempre.
- 3:48É a impossível, a fadiga muscular chega, o corpo cede e
- 3:52os pregos entram na carne. É agoniante só de imaginar, sem
- 3:57falar na tática de soltar ratos famintos nas celas pelos dutos.
- 4:01O World Brandt descreve que os prisioneiros tinham que ficar
- 4:04chutando e lutando a noite toda no escuro, sem dormir, para não
- 4:08serem comidos vivos. E a crueldade do estado não
- 4:11ficava restrita só os muros da prisão.
- 4:13É verdade, a família também entrava na mira.
- 4:16Exato. O documento mostra como a esposa
- 4:19dele a Sabina Word brand. Também foi alvo de perseguição
- 4:23sistemática. Ah, eu li a parte sobre ela e
- 4:26como mulher, foi devastador, Ela Foi forçada a trabalhar em um
- 4:29canal sob condições de escravidão.
- 4:32Trabalhos forçados no rigor do inverno romeno e a fome era tão
- 4:36intensa a desnutrição era tão severa que o relato aponta que
- 4:40ela e outras prisioneiras chegavam ao ponto de comer
- 4:43grama. Comer grama do chão.
- 4:45Como se fossem gado. Sim, mastigando o grama para ter
- 4:48qualquer tipo de volume no estômago para suportar mais 1
- 4:51dia de trabalho forçado. O objetivo claro do estado era
- 4:55rebaixá Los ao nível animal. Para destruir totalmente a
- 4:58dignidade, o que nos leva à imagem mais poderosa de toda
- 5:02essa primeira parte dos relatos. A cena das algemas.
- 5:05Isso a cena das algemas, porque depois de passar por tudo isso,
- 5:09de ser tratado pior que um animal, de ser congelado.
- 5:12O burno burnt conta que quando eles colocavam aquelas algemas
- 5:16pesadas neles, eles não gritavam.
- 5:19Não eles beijavam as algemas. Eles beijavam as algemas e
- 5:24chamavam de joias de noivado com o cordeiro.
- 5:27É um nível de subversão espiritual impressionante.
- 5:31Ok, vamos entender isso direito, porque eu li isso e logo me veio
- 5:34um pensamento mais crítico, tipo, como a gente olha para
- 5:39isso hoje? Abraçar e beijar o próprio
- 5:42instrumento que tá te torturando.
- 5:44Parecia uma total quebra da realidade, não é?
- 5:46Exato. Será que isso não seria uma
- 5:49negação da realidade ou tipo uma síndrome de Estocolmo, onde a
- 5:55pessoa já perdeu tanto a sanidade que começa a delirar?
- 6:00É uma ótima provocação, mas o que a fonte nos explica, a forma
- 6:04como eles mesmos racionalizavam isso.
- 6:07Afasta completamente a ideia de delírio ou de síndrome de
- 6:10Estocolmo. Como assim?
- 6:11A síndrome de Estocolmo acontece quando a pessoa adota a
- 6:14ideologia do captor para se proteger.
- 6:17Eles não estavam fazendo isso. Eles detestavam o que o estado
- 6:20estava fazendo. Mas o vien brain explica isso a
- 6:23partir da premissa de que o espírito é senhor e dominador do
- 6:27corpo. O estado comunista tentava fazer
- 6:29uma lavagem cerebral usando a dor física Extrema para
- 6:33reprogramar a mente deles para fazê Los negar a fé.
- 6:36Entendi e qual era a resposta deles a?
- 6:40Lavagem do coração é o termo que eles vivenciavam.
- 6:44Enquanto o estado achava que a algema era um símbolo de domínio
- 6:48e punição, o espírito dele estava tão embebecido em uma
- 6:52Glória superior que a dor ficava em segundo plano.
- 6:56Eles ressignificaram o objeto de tortura.
- 6:59Ao beijar as algemas, eles retiravam todo o poder
- 7:02psicológico que o estado achava que tinha sobre eles.
- 7:05A algema deixava de ser o ferro do ditador e passou a ser a
- 7:09Aliança de fidelidade a Cristo. Ou seja, eles ganhavam a Batalha
- 7:13mental ali mesmo. Completamente.
- 7:15Era uma transcendência brutal da realidade material que o estado
- 7:18tentava impor que. Loucura e essa transcendência do
- 7:21corpo não foi um fenômeno isolado ali no leste europeu,
- 7:24né? De forma alguma a gente viu o
- 7:26mesmo padrão em cenários completamente diferentes.
- 7:29Exato, porque se a gente avançar algumas décadas no tempo e mudar
- 7:34o continente. Lá na China, a mesma convicção
- 7:39gerou um movimento que olha, nenhuma muralha estatal
- 7:43conseguiu conter. Que, aliás, a origem desse
- 7:51apelido já mostra o nível de pressão que eles sofriam pelo
- 7:55governo. Sim, o estado chinês, assim como
- 7:58o romeno, operava através de vigilância constante.
- 8:03Quando o irmão foi capturado, ele estava numa área onde havia
- 8:07outros irmãos escondidos. E os oficiais queriam que ele
- 8:10desse os nomes que ele delatasse a rede inteira.
- 8:13Exatamente, se ele dissesse o próprio nome, os agentes do
- 8:18governo iam cruzar os dados, achar o histórico dele e invadir
- 8:23as casas de todo o mundo. Então, o que ele faz?
- 8:26Ele se recusa a dar o próprio nome.
- 8:28E para não delatar os irmãos e ainda dar um aviso para quem
- 8:32estivesse por perto, ele começa a gritar bem alto.
- 8:35Ele gritava, eu sou um homem do céu, meu lar é o céu.
- 8:40Nossa. E isso serviu como um alarme.
- 8:42Os crentes que estavam nas redondezas ouviram aquilo,
- 8:46entenderam que ele tinha sido pego sem se comprometer e
- 8:49fugiram a tempo. Foi uma estratégia tática
- 8:52brilhante, disfarçada de fervor religioso.
- 8:55Muito inteligente. Mas a jornada dele documentada
- 8:59no livro, também é cheia de momentos que extrapolam qualquer
- 9:02limite do corpo humano. Os testes de resistência dele
- 9:06são chocantes. Demais tem aquele momento
- 9:09inicial onde ele tem uma visão que o leva a receber uma bíblia,
- 9:13mas só depois de chorar e jejuar intensamente por dias e dias.
- 9:18Um jejum de 100 dias focado apenas nisso, orando
- 9:22fervorosamente por um exemplar das escrituras.
- 9:25O que na época era proibido e extremamente raro de se
- 9:27conseguir. É, mas tem outro jejum que ele
- 9:30relata já dentro da prisão de segurança máxima, que é o que
- 9:34mais me deixou de queixo caído. O de 70 em 4 dias.
- 9:38Isso 74 dias sem comida e sem água.
- 9:42Qualquer pessoa que estuda biologia básica sabe que sem
- 9:46água, o corpo entra em falência renal muito rápido.
- 9:50Em menos de uma semana, a pessoa morre.
- 9:52É, biologicamente falando, é incompatível com a vida humana.
- 9:55Então, como os documentos explicam isso?
- 9:58O interessante é que a fonte não tenta dar uma explicação
- 10:01científica ou metabólica pro irmão Jung e pra comunidade da
- 10:06época. Isso é relatado abertamente como
- 10:08uma suspensão divina das leis naturais.
- 10:12Um milagre mesmo. Sim, é descrito com a mesma
- 10:15literalidade dos Milagres antigos.
- 10:18A convicção deles de que Deus sustentou as funções vitais dele
- 10:21no meio daquela cela é absoluta. E logo depois tem a fuga dele,
- 10:25que segue essa mesma linha do impossível, não é a.
- 10:28Fuga da prisão de Jean Zhou. É, ele tinha as pernas
- 10:31arruinadas pelos espancamentos, certo?
- 10:33Completamente mutiladas pelas seções de tortura, ele não
- 10:37conseguia dar um passo sem apoio.
- 10:39E o relato diz que ele simplesmente levanta, passa
- 10:43pelos guardas. E os guardas parece que não
- 10:46enxergam. Ele ele.
- 10:57Escapa. Pulando esse muro e nos
- 11:01inscritos dele, ele atribui esse evento ao que ele chama de o
- 11:05Deus de Pedro. Fazendo aquela referência,
- 11:07quando o apóstolo Pedro é liberto da prisão por um anjo e
- 11:11os portões abrem sozinhos. Exatamente.
- 11:14A narrativa inteira flui sobre essa interferência Sobrenatural
- 11:17direta frente a um estado que tentava sufocar a existência
- 11:21deles, e isso tem tudo a ver com a forma como a igreja se
- 11:24organizava. Lá sim, porque o governo
- 11:26comunista chinês tentou controlar a religião de forma
- 11:30institucional, né? Criaram aquela igreja dos 3
- 11:34poderes. A igreja do movimento patriótico
- 11:37das 3 autonomias era uma igreja controlada, financiada e
- 11:41censurada pelo estado. O governo determinava o que
- 11:44podia e o que não podia ser pregado.
- 11:47Eles proibiam coisas absurdas, tipo, não podia pregar sobre
- 11:51curas, não podia evangelizar crianças.
- 11:54Tudo que pudesse criar uma lealdade acima do partido
- 11:57comunista era banido. O que fez com que crentes como o
- 12:01irmão e um rejeitassem totalmente esse modelo e
- 12:04fundassem a igreja doméstica. A famosa igreja subterrânea e
- 12:09tem uma analogia nos textos que eu queria trazer pra cá.
- 12:13A dos pássaros. Essa mesma a fonte faz a
- 12:16comparação entre os pássaros engaiolados e os pássaros
- 12:20livres. É uma imagem muito forte.
- 12:22O pássaro na gaiola tem comida, tem segurança, não passa frio,
- 12:27mas ele só pode voar até onde as grades permitem.
- 12:30Já o pássaro livre enfrenta tempestades, Gaviões, falta de
- 12:34comida, mas o céu inteiro é dele.
- 12:37Então, o que tudo isso significa?
- 12:39Nessa sua visão, o controle estatal descaracteriza a fé
- 12:44autêntica. É isso que eles estão dizendo.
- 12:46Se conectarmos isso a um Panorama maior, a gente percebe
- 12:50como a repressão documentada acabou gerando um efeito
- 12:53reverso. Como assim?
- 12:55Quando o estado proibiu reuniões públicas e tentou
- 12:57institucionalizar a fé, ele tirou todo o conforto material
- 13:01dos crentes. Eles não tinham mais templos
- 13:04luxuosos, salários clericais ou status social, né?
- 13:08Mas essa ausência de conforto forjou uma comunidade indomável.
- 13:14Empurrar os crentes para a clandestinidade fez com que a
- 13:17igreja subterrânea se multiplicasse de forma orgânica
- 13:21nas casas, nos Campos fora do radar.
- 13:24A perseguição fortaleceu o músculo espiritual deles.
- 13:27Nossa, é muito aquela coisa de que o fogo que tenta queimar é o
- 13:31mesmo que espalha a semente, né? Perfeito, eles não dependiam
- 13:35mais de estruturas físicas, o que os tornava, aos olhos do
- 13:38estado, incontroláveis. E é justamente nessa ausência
- 13:42total de conforto material que a gente vê as coisas mais absurdas
- 13:48acontecendo, porque quando a fome Extrema é usada como arma
- 13:51pelo estado. É aí que a gente encontra a
- 13:54expressão mais pura de comunhão cristã já documentada nesses
- 13:58arquivos. Voltamos para as prisões
- 13:59momenas, né? Isso a gente retorna para
- 14:02Romênia para analisar um exemplo prático que me deixou sem dormir
- 14:06de verdade. O cenário da alimentação nessas
- 14:09prisões é algo que desafia a compreensão humana.
- 14:12Para dar o contexto de inanição. Os documentos apontam que os
- 14:16prisioneiros recebiam apenas uma sopa nojenta por dia.
- 14:21Que muitas vezes era só água rala, com alguns pedaços de
- 14:24vegetais podres ou grama fervida.
- 14:26Água suja e de alimento sólido mesmo, eles ganhavam uma única
- 14:32fatia de pão. Por semana.
- 14:33Uma fatia de pão para suportar 7 dias inteiros de trabalhos
- 14:37forçados, tortura e frio extremo.
- 14:39O déficit calórico era absurdo. E é aí que entra a decisão deles
- 14:43de separar o dízimo. O famoso dízimo do pão.
- 14:46Gente, não era dinheiro. Eles estavam literalmente
- 14:50morrendo de fome. Esquálidos e decidiram que.
- 14:53A cada 10 semanas, eles pegariam a sua única fatia de pão daquela
- 14:58semana. A única fonte real de
- 14:59sobrevivência. E entregariam para salvar um
- 15:02irmão que estivesse mais fraco, quase morrendo na cela.
- 15:05É o relato de uma empatia Extrema e aqui é onde a coisa
- 15:10fica realmente interessante para mim, porque abrir mão da única
- 15:16fonte de alimento que você tem quando se está definindo?
- 15:20Isso vai contra o instinto biológico mais básico da
- 15:24evolução humana, que é a autopreservação.
- 15:26Totalmente. A biologia dita que você lute
- 15:29por aquela fatia de pão até a morte.
- 15:31Sim, o cérebro límbico, grita para você comer.
- 15:35Como eles conseguiram reescrever a própria biologia para fazer
- 15:38isso? Isso levanta a uma questão
- 15:41importante sobre a própria essência do ser humano sob
- 15:44tortura, quando os seres humanos são destituídos de tudo?
- 15:48As máscaras caem e se revela a verdadeira natureza do que o
- 15:51sustenta. E o estado queria justamente
- 15:54provar que eles eram animais lutando por migalhas, né?
- 15:58Era esse objetivo, o regime queria que eles brigassem entre
- 16:02si, como cães famintos, para provar que a fé não valia nada
- 16:06diante do instinto de sobrevivência.
- 16:08Uau mas no caso desses prisioneiros, o sofrimento
- 16:12extremo os elevou. Entregar aquele pedaço de pão?
- 16:16Era o ato supremo de resistência, dizia o estado.
- 16:19Vocês tiraram tudo, mas não podem tirar a nossa capacidade
- 16:23de amar de forma sacrificial. A verdadeira solidariedade foi
- 16:27redefinida ali. E tem mais, né?
- 16:30O amor radical deles não era só para os amigos de cela.
- 16:33Não atingiu até os inimigos declarados.
- 16:36Ah, eu li que o sistema político lá era tão instável que muitos
- 16:40guardas comunistas. Os mesmos caras que torturavam
- 16:43os cristãos acabavam caindo em desgraça com o partido e iam
- 16:47parar nas mesmas celas presos junto com as vítimas deles.
- 16:51E os cristãos que tinham sido torturados por esses homens viam
- 16:54seus captores agora apanhando e sangrando no chão da cela.
- 16:57E o que eles faziam? Eles iam lá rasgavam farrapos de
- 17:01tecido e lavavam as feridas dos comunistas.
- 17:04Cuidavam de quem tentou matar eles.
- 17:07É o grau mais puro e documentado do mandamento de amar os
- 17:11inimigos. Na teoria, é muito poético.
- 17:15Na prática, limpar o sangue de quem te arrancou as unhas dias
- 17:19antes é algo que a racionalidade humana mal consegue processar.
- 17:24É de uma grandeza indescritível e sintetizando todos os pontos
- 17:28principais que a gente trouxe hoje.
- 17:31A grandeza desses testemunhos todos, o worn brand beijando, as
- 17:35algemas de tortura, o irmão Jung pulando muros impensáveis pela
- 17:39fé, os prisioneiros romenos doando o pão da própria
- 17:43sobrevivência. Tudo isso serve como um espelho
- 17:45enorme para nossa geração, não é?
- 17:48Um espelho que nos confronta duramente porque há um chamado
- 17:52muito claro nessas Fontes para que a gente olhe para o nosso
- 17:56próprio comodismo. Para abandonar a nossa mornidão?
- 17:59É um contraste inevitável. Total é um chamado para abraçar
- 18:03uma fé viva, despojada de regalias e profundamente fiel,
- 18:08custe o que custar, porque essas pessoas pagaram o preço máximo.
- 18:12Isso me leva a uma reflexão final que ecoa todos esses temas
- 18:18que a gente cobriu, mas que avança um passo para os nossos
- 18:21dias. Por favor.
- 18:22Se hoje, de repente, todas as nossas comodidades modernas.
- 18:27As nossas estruturas organizadas, o ar-condicionado,
- 18:30os nossos recursos financeiros e a Liberdade plena fossem
- 18:34retiradas abruptamente, qual seria a essência que sobraria de
- 18:39nós? Que pergunta pesada.
- 18:41Teríamos nós a memória muscular e espiritual para suportar o que
- 18:44eles suportaram, ou a Extrema conveniência da nossa época nos
- 18:49tornou frágeis demais para o verdadeiro sacrifício?
- 18:52Nossa. Essa é aquela pergunta que fica
- 18:54martelando na nossa cabeça muito tempo depois de terminar a
- 18:57leitura. É pra gente refletir se temos
- 19:00mesmo a substância é ou se somos só a casca?
- 19:04Fica o desafio. Com certeza.
- 19:06E olha, muito obrigada a quem nos acompanhou até aqui nessa
- 19:10análise tão intensa que esses relatos mexam conosco tanto
- 19:14quanto mexeram com a gente gravando hoje até o próximo
- 19:18dossiê.