Latest / ABC Cast / ABC Cast Conexões T02E12: Isidro Sanene | Angola ancestral e o poder do intercâmbio cultural
Transcript
- 0:00ABC cast conexões, um podcast do portal ABC do ABC onde as
- 0:06conversas sobre os mais variados assuntos se conectam com você.
- 0:16Olá, muito bem-vindo a este episódio do ABC cast conexões, é
- 0:20um prazer receber você para mais uma conversa.
- 0:23O nosso desafio é sempre trazer aqui nesse programa um tema, um
- 0:27convidado. Um jornalista convidado que
- 0:30possa também me ajudar a desvendar esse tema.
- 0:33Um tema que possa ser diferente de tudo que você já viu e que
- 0:37tenha de alguma forma conexão com você.
- 0:40Quando a gente apresenta o tema, pode ser que, por mais que você
- 0:43não tenha entendido como isso se conecta, o nosso desafio é que
- 0:47nos próximos 60 minutos a gente consiga fazer esse gancho e
- 0:50conectar essa história contigo. E o nosso desafio de hoje é
- 0:54esse. Na primeira temporada do nosso
- 0:57podcast, nós trouxemos um tema que tem uma certa ligação com o
- 1:01que nós vamos falar hoje, né? Na época, a gente trouxe uma
- 1:03escritora que falava muito sobre educação anti racista e sobre
- 1:08ancestralidade. E a gente talvez vai criar um
- 1:11pouco. É essa história pra falar um
- 1:13pouco mais de cultura, falar de Riqueza cultural, na verdade, de
- 1:16histórias, de superações. É falar de ancestralidade e a
- 1:22ligação entre o Brasil. E o maravilhoso país que é a
- 1:25Angola, nós vamos fazer tudo isso dentro do olhar do nosso
- 1:29convidado, né? E é um artista multifacetado,
- 1:32ele já transitou pelas letras, ele já foi pelas artes visuais,
- 1:36ele faz gestão cultural, é e tem um impacto muito importante aqui
- 1:41na região metropolitana de São Paulo.
- 1:42E vamos inclusive explorar a história de quando este nosso
- 1:46convidado trouxe um rei para o Brasil.
- 1:49Vocês estão interessados em saber sobre isso?
- 1:51A gente já vai apresentá lo. Logo mais, antes de apresentar o
- 1:55nosso convidado, eu quero apresentar a nossa convidada,
- 1:58que é a nossa jornalista convidada.
- 2:00Então eu tenho o prazer de receber aqui hoje nas bancadas
- 2:03do ABC kest conexões a Giovanna baria, que é uma grande amiga
- 2:07minha, uma excelente jornalista e terei o prazer de dividir com
- 2:11ela a bancada Gi bem-vinda ao ABC kest conexões.
- 2:16Thiago, obrigada. É boa tarde a todos e queria
- 2:20agradecer aqui mais uma vez a participação.
- 2:23Hoje eu tenho certeza que o tema vai ser interessantíssimo e que
- 2:26o papo vai ser super rico. Muito bem.
- 2:30Obrigado, Giovana, por ter aceito o convite e o nosso
- 2:32convidado de hoje, né? O nosso convidado é um Farol da
- 2:36cultura. É o que eu é, assim como como eu
- 2:38me sinto. É bem em apresentado, né?
- 2:42Natural de Benguela, na Angola. Pertencente à etnia ovimbundo e
- 2:46hoje é radicado aqui em São Paulo, né?
- 2:48Mora aqui em São Paulo, como eu falei, ele é um artista
- 2:51multimídia, né? Pintor, é um pintor premiado,
- 2:56ator, autor de 9 livros que foram publicados e o idealizador
- 3:01do centro cultural casa Angola é em São Paulo.
- 3:05Nós estamos falando com ele, né? Isidro sanini, então isidro.
- 3:10Seja muito bem-vindo ao nosso programa e vai ser um grande
- 3:13prazer poder discutir alguns temas importantes sobre a
- 3:15cultura angolana, a cultura brasileira e a arte, a cultura
- 3:21de forma geral, então seja muito bem-vindo.
- 3:23Olá, tudo bem? Olha, muito obrigado Thiago,
- 3:26muito obrigado Giovana, né? É por estar com vocês assim, com
- 3:32com grande satisfação de fato. E pra mim é um privilégio.
- 3:35É um privilégio estar aqui nesse podcast.
- 3:38E conversar com vocês a respeito.
- 3:39Aquilo tem sido é o meu trabalho enquanto, digamos assim, 111.
- 3:45Ativista da cultura, da literatura, né?
- 3:48E da promoção da humanidade, né, isidro?
- 3:52Aqui, OABC cast conexões é um programa de perguntas fáceis,
- 3:56né? Então eu vou começar logo com
- 3:58uma primeira pergunta, só pra quebrar o gelo entre nós.
- 4:01E você fica à vontade de responder, às vezes, as
- 4:03perguntas elas são diretas e outras elas são mais
- 4:05filosóficas. Essa que eu vou te fazer é um
- 4:07pouquinho mais filosófica, né? Você transita por diferentes
- 4:12ambientes culturais, né? É contação de histórias, livros,
- 4:18pintura, né? A arte acho que está dentro de
- 4:20você. Mas se você tivesse que
- 4:22descrever a sua jornada usando uma cor e uma palavra apenas,
- 4:28qual seria? Olha só, uma cor e uma palavra.
- 4:33E uma palavra. Uma palavra, humanidade.
- 4:36Uma cor. Ah, você me pegou.
- 4:42É? Poderia ser laranja.
- 4:47Laranja. Sim.
- 4:50O laranja tem um significado especial para você?
- 4:54Sim, é o laranja, né? É uma cor muito forte, não é?
- 4:59É? É, geralmente é a cor africana,
- 5:03não é? Então é são Orange, Orange,
- 5:05African, então, ou seja, é geralmente quando se faz os
- 5:09grandes eventos no continente africano, que era, por exemplo,
- 5:12o campeonato das nações africanas, as cores mais
- 5:16presentes é é a cor laranja, né? Tanto que hoje 111 dos melhores
- 5:23cordos sós, né? A se ver no mundo é o é o cor do
- 5:26Sol, laranja da África, né? Com aquele seu.
- 5:29É cinza, mas o laranja ali muito presente, então o laranja é, é
- 5:36promove vida, né? Então eu vejo vida nessa cor.
- 5:40Eu vejo um algo pulsante, né? E a.
- 5:44É muito interessante a sua resposta, porque de fato resume
- 5:47bem a sua vida, né? Uma vida que é focada na
- 5:50humanidade e uma vida que é focada na vida pulsante, né?
- 5:53Isso é muito, muito interessante.
- 5:55E aí então a gente pode começar de fato a nossa conversa.
- 5:59Com a primeira pergunta oficial desse programa, né, que é assim
- 6:03é, você tem vivido entre os brasileiros já algum tempo, né?
- 6:08Mas tem percebido também que talvez o brasileiro, ou pelo
- 6:12menos esses que estão em volta de você, ainda não entendeu ou
- 6:15ou tem uma certa limitação em compreender a grandiosidade da
- 6:20cultura africana, né? Especialmente AA grandiosidade
- 6:23da cultura da Angola, né? Então a gente.
- 6:27Sofre com estereótipos ou 11 conhecimento talvez limitado
- 6:31daquilo que é culturalmente pode ser muito rico.
- 6:36Então existe quando você olha assim pra Angola contemporânea,
- 6:40né? Essa Angola atual e o seu
- 6:43trabalho que você desenvolve aqui em São Paulo, tem alguma
- 6:46conexão viva que a maioria de nós não estamos ainda
- 6:49enxergando, mas que você gostaria de ressaltar do tipo?
- 6:54Pessoas, olhem para este lado, este lado é o lado Belo que
- 6:58vocês não estão conseguindo enxergar.
- 7:00Bem, muito bem. É uma pergunta muito
- 7:04interessante é, eu começaria por dizer, né?
- 7:07De que quando nós falarmos especialmente sobre a questão é
- 7:13da África no Brasil, ela é reduzida a um país, né?
- 7:17E sendo reduzida a um país, é a cultura africana, é reduzida a
- 7:21uma religião. Né?
- 7:22Então as pessoas chamam de religião de matriz africana.
- 7:24As pessoas não entendem no Brasil que quando nós falamos de
- 7:27cultura, é como se fosse uma pizza, né?
- 7:29Falarmos de política, gosto, enfim, né, múltiplas coisas é, e
- 7:36geralmente o ocidente tem um certo costume de nos diminuir,
- 7:41né? É, é um padrão isso, EEOEO outro
- 7:45ponto que eu percebo de alguma forma.
- 7:48É que eu gostaria muito de poder frisar aqui, né?
- 7:51É é de que é o Brasil. Ele é parece perseguir uma
- 7:57África mítica, uma África dos sonhos, né?
- 8:00Uma África do akanda Forever, que já não existe mais, né?
- 8:03EE, alguns movimentos, especialmente o movimento negro,
- 8:07é, é, persegue isso com uma certa insistência e ao mesmo
- 8:12tempo se nega haver essa África atual.
- 8:15Percebem essa África atual, uma África que não parou com o
- 8:18processo da escravização, né? É.
- 8:21E muitas das vezes isso faz com que muitos negros brasileiros ou
- 8:25até mesmo o Brasil é, é de alguma forma, acaba se perdendo
- 8:29nesse caminho, porque quando fala sobre África, são
- 8:32fragmentos, são vários fragmentos, são vários cacos.
- 8:35E o meu trabalho é ele. Ele vem para de alguma forma
- 8:39consertar, pegar os cacos e, né, e reanimar esses cacos, porque.
- 8:45Eu cheguei no Brasil e eu percebi que no Brasil eu não sou
- 8:48não sou apenas um indivíduo na minha Terra, eu sou uma pessoa
- 8:51na minha Terra eu não sou negro, ninguém me chama de negro na
- 8:53minha Terra, né? EEO branco inventou o negro no
- 8:57Brasil, né? Então Oo negro passou a ser 111
- 9:02histórico ruim, né? Um adjetivo, percebe?
- 9:06Então eu sou um homem negro, tanto que é muito comum, por
- 9:10exemplo, você ouvir pessoas se se identificarem mesmo, né?
- 9:12Eu sou negro. Né?
- 9:14E eu me pergunto hoje, né? É, num tempo tão contemporâneo
- 9:17em que nós estamos a viver qual África voltar?
- 9:20Por isso que quando eu desenvolvi o GPS da
- 9:22ancestralidade, ele tem esse intuito de fazer o quê?
- 9:25De de quebrar esse historiótipo sobre essa África lá do passado,
- 9:30né? EEE de alguma forma, traduzir a
- 9:33África atual, que é a África contemporânea, que o Brasil se
- 9:35nega a ver, né? É e que muitas das vezes alguns
- 9:39irmãos até irmãos meus, né? Brasileiros negros por direitos
- 9:44ancestrais, muitas das vezes é, é, é, acabam meio que permeando,
- 9:48criando um discurso que ainda parece que não alcançaram a sua
- 9:52plenitude enquanto cidadão brasileiro.
- 9:54EE, isso faz com que muitos deles acabam vivendo no não
- 9:57lugar. Por quê?
- 9:58Porque alguns ainda estão é na travessia, percebe?
- 10:02AA ideia da travessia, a ideia do tráfico triangular, a ideia
- 10:06do da escravidão, né? A ideia do negro oprimido, né?
- 10:10Então, um pouco se fala sobre OOA jornada do herói do negro no
- 10:14Brasil, né? Então, se nós olharmos, por
- 10:17exemplo, na nas escolas, o que nós mais vamos perceber o que
- 10:21que é é é o negro sempre, né? Com problemas, digamos, o negro
- 10:26com problema, né? Nós, nós vamos combater o
- 10:28racismo, vamos combater, né? E eu sempre tenho dito,
- 10:31inclusive, eu sempre uso esse discurso de que nós devemos
- 10:34combater. Mas antes de combater, nós temos
- 10:37que começar a prevenir o racismo, porque quem combate
- 10:40está sempre na luta, está sempre na guerra.
- 10:41Não tem caminhos para construir ou para pensar ou para imaginar
- 10:45alguma coisa. Então eu acho que.
- 10:47Tem isidro, desculpa até te interromper.
- 10:49Acho que também existe aquela questão de conquistas, de
- 10:52territórios que e não no numa Conquista no sentido de uma
- 10:56disputa, né? De você tirar alguém e assumir o
- 10:59local como como a colônia, né, como a gente.
- 11:02A história prova isso, mas. De conquistar mesmo, de de se
- 11:05colocar em determinados locais. E aí é onde eu queria até trazer
- 11:10a Giovana para conversa, porque ela ela também tem um pouco
- 11:14disso. Ela entende muito de um de uma
- 11:16determinada cultura e ela se e ela representa uma determinada
- 11:20cultura também, eu acho que é esse é o é um ponto importante,
- 11:24né? A gente assumir espaços ou
- 11:26conquistar espaços por meio da cultura, da arte.
- 11:30Da da inteligência, né? Que a gente acaba conquistando
- 11:34por meio do dos olhos, dos dos sentidos totais que o nosso
- 11:38corpo tem, né? É por mais ou menos por aí
- 11:40também, né, Giovanna? Total.
- 11:43Eu achei muito interessante até o que você tava falando, porque
- 11:48eu sou descendente de lituanos, né?
- 11:50Mas muito diferente de você, eu sou bisneta de lituanos.
- 11:54Então, os meus amigos lituanos, eles falam muito sobre como a
- 11:59gente aqui no Brasil, na comunidade Lituânia que a gente
- 12:02tem em São Paulo, a gente vive uma Lituânia que não existe
- 12:06mais. Eu vivo uma tradição muito
- 12:08antiga da Lituânia, né? É, e você está justamente
- 12:12fazendo um trabalho que EE falando sobre como é preciso
- 12:17mostrar uma África, uma Angola em específico, né?
- 12:21Mais atual 11 África contemporânea.
- 12:24Então eu me identifico muito nessa parte, mas eu nunca parei
- 12:28para ter esse insight de falar, poxa, o que que eu posso trazer
- 12:31de novo da Lituânia, né? Eu sei muitas coisas novas de
- 12:35lá, mas de fato eu ainda vivo uma Lituânia muito provinciana,
- 12:39porque é isso, a gente tem descendentes, é, somos
- 12:43descendentes muito distantes ali.
- 12:45Então a gente reproduz algumas tradições muito antigas e aí eu
- 12:50até te pergunto nesse sentido. Como é que você faz para trazer
- 12:56essa modernidade, como é que você transmite uma nova cultura?
- 13:02Maravilha. Pois bem, então é.
- 13:04É muito interessante isso. E eu inclusive tenho dito várias
- 13:07vezes, né? Em em algumas entrevistas, é de
- 13:10que hoje a arte e a cultura é o único meio que que temos para
- 13:16humanizar a sociedade contemporânea.
- 13:18É o único meio que temos para nos humanizarmos.
- 13:20Né? Porque na arte é ao ao
- 13:23contemplar uma obra de arte, ao apreciar uma música, né?
- 13:28Ou ou ou ou ou qualquer tipo de linguagem artística, né?
- 13:31É, raramente as pessoas olham o tom de pele, né?
- 13:36Raramente as pessoas perguntam de qual país essa pessoa aí as.
- 13:39Pessoas têm tanto as pessoas. Gostam porque, né, o que nos
- 13:43une, né? O que faz com que a gente seja
- 13:45gente é, são esses reflexos, né? Então, Oo que eu tenho
- 13:49trabalhado muito para, de alguma forma é trazer, né?
- 13:53É, é essa realidade contemporânea atual, por
- 13:57exemplo, de Angola em particular, porque Angola é um
- 13:59país com vários grupos étnicos. É um país, né, com várias
- 14:04culturas dentro de um só lugar. Assim, basicamente é como AO
- 14:09continente africano todo, né? Se se nós podemos dizer isso,
- 14:12né? É, é, é.
- 14:15Então eu trago muito, é através da partilha da memória, né?
- 14:18A memória apresenta a memória atual, porque o tempo ela é
- 14:22especialista em apagar memórias. Então, por exemplo, suponhamos é
- 14:26como é que nós podemos começar a compreender a angolaridade na
- 14:29brasilidade? Primeiro começar a pensar em
- 14:31coisas comuns, né? Então é é, quais são as coisas
- 14:35comuns? Eu tenho um livro, né, que é um
- 14:37livro infantil chamado la e aqui coisas em comum é para criança,
- 14:40né? Então toda criança gosta de de
- 14:43pular corda, percebe, né? Então, EE, às vezes é muito
- 14:48interessante que no livro eu começo no livro, por exemplo,
- 14:51fazendo o quê? Eu começo no livro com uma
- 14:53imagem sobre é 111 imagem é de uma cidade, né, de alguns países
- 14:59africanos. E eu faço perguntas, essa cidade
- 15:01que parece o quê? E as crianças geralmente
- 15:03respondem, Ah, aqui parece Nova Iorque, São Paulo, né,
- 15:08Barcelona. Né?
- 15:10Todo mundo fala um lugar incrível, é chique, mas ninguém
- 15:13fala África, ninguém fala isso aqui é um país africano,
- 15:16percebe? Então, uma forma de aproximar é
- 15:20trazer essa realidade atual e dizer que olha apenas um para as
- 15:23nossas crianças, percebe. Às vezes as nossas crianças
- 15:26estão na escola, né? Eu sou psicopedagogo, então
- 15:29trabalho muito com a questão da contação de história, trabalho,
- 15:31trabalho muito com essa questão de reafirmar a memória, essa
- 15:34memória positiva que nós olhamos, por exemplo, no Google,
- 15:38hoje no Google, através do Google.
- 15:39Por exemplo, dá para pegar no mouse, né, do Google EE, é No No
- 15:44mapa, no Google Maps, dá para você ver a cidade, dá para você
- 15:46ver os locais, dá para você ver as pessoas, né?
- 15:50Então é e né, começar com essa aproximação, por exemplo, termos
- 15:55as palavras que tem é cafuné, dengo, moleque, são palavras que
- 16:00vem da língua angolana, especialmente o quimbundo e o
- 16:04umbundo. Então é muito próximo, né,
- 16:06porque vamos falar da Nigéria, a Nigéria está muito longe, está
- 16:08muito distante. Podemos começar a falar, né, de
- 16:11países africanos que compartilham, né, de alguma
- 16:14forma, o mesmo idioma que é a língua portuguesa.
- 16:16Começar pela África dos palops são países africanos de
- 16:19expressão de língua portuguesa, né?
- 16:22Que é uma forma de começar a fazer o capegar esses cargos,
- 16:25porque, afinal de contas, no Brasil é, é, é.
- 16:28Segundo dados do museu da escravatura, nos disse que 45%
- 16:32dos escravizados saíram da região como Angola, então
- 16:35significa, né? Que é, é, é para tirar essa
- 16:38ideia de que é o os negros brasileiros são descendentes de
- 16:42escravizados, né? É que a vida deles começou na
- 16:48travessia. Eu devo dizê Los que não não
- 16:51começou na travessia. Começou muito antes, né?
- 16:54Do processo escravocrata, percebe.
- 16:57E que mesmo sendo antes do processo escravocrata, Angola
- 17:01não parou, não parou no tempo, percebe.
- 17:04Os brancos não foram lá e pegaram os negros e levaram.
- 17:07EE acabou, não percebe, então, ou seja, tem negros hoje, eu
- 17:11particularmente mesmo, por exemplo, eu acabo tendo
- 17:14conversas com com com os brasileiros e dizem, olha, é, eu
- 17:18não tenho nenhum avô, bisavô que foi escravizado, eu nasci livre,
- 17:21os meus avós também nasceram livre, percebe, né?
- 17:24E que lá tem cidade, as pessoas usam computador, as pessoas usam
- 17:28camiseta Nike, a Dida, as pessoas estão no Facebook,
- 17:31entende? Então é eu, eu sempre tenho um
- 17:36tentado trabalhar dessa forma, né?
- 17:38É requeira em termos de palestras, né?
- 17:41Ou mesmo como, por exemplo, fazer uma imersão cultural,
- 17:44porque o brasileiro precisa conhecer a África real, não
- 17:48aquela África do tipo ó, por exemplo, estou indo para Angola.
- 17:51Muitos brasileiros dizem, eu estou indo para África, mas não
- 17:53foram para Angola, mas quando vão para Europa, dizem até o
- 17:56nome da cidade onde estão, eu estou em Paris.
- 17:58Mas não só na França e tem não só na Europa, é?
- 18:02Curioso a forma como nós nós aprendemos.
- 18:06AA se a se referir a África, né? É.
- 18:09EE, parece difícil largar a forma como a gente trata a
- 18:14África, mas eu queria fazer um exercício, talvez é positivo.
- 18:17Nesse.se, a gente olha a história do Brasil.
- 18:20Por mais de 300 anos. AA gente só enxergava a África
- 18:25como uma fonte de mão de obra. Escravizado, né?
- 18:30Então o negro saía da África, vinha para o Brasil somente para
- 18:34trabalhar e para produzir, né? Embora ele não pudesse usufruir
- 18:38daquilo que ele produzisse, ele vinha para produzir.
- 18:42É agora a sua jornada. Ela é semelhante e diferente,
- 18:47né? Então você sai da Angola e vem
- 18:50para o Brasil para produzir. Essa é a semelhança e essa a
- 18:55semelhança para somente aí. Porque você veio produzir
- 18:58cultura, você veio produzir arte e você veio criar coisas que que
- 19:03agradam um olhar, agradam a alma, agradam o espírito humano,
- 19:07né? Que Humaniza, né?
- 19:09A talvez as marcas da sua trajetória são diferentes das
- 19:13marcas da trajetória de ancestrais.
- 19:17Mas a construção de um país você tá fazendo hoje, né, que é a
- 19:20construção de um país, de um Brasil diferente.
- 19:23Que consegue olhar para para trás e olhar talvez para o
- 19:27continente africano e para os países da África de uma forma
- 19:30diferente. Então eu queria talvez que você
- 19:32pudesse falar um pouco dessa sua jornada do herói, né, izido?
- 19:36É. Como como que aquele garotinho
- 19:40lá da Angola vem se tornar Oo fundador de um centro cultural
- 19:45no Brasil, né? É EE.
- 19:47Quais os percalços desse caminho?
- 19:49Aqui consegue. Eu sei que é uma história muito
- 19:51longa, mas você consegue resolver a gente em poucos
- 19:53minutos. Sim, claro, é, veja, eu é quando
- 19:59tu dizes essa questão dos ancestrais, né?
- 20:02E nós aqui presentes é eu, eu, eu tenho dito a muitas pessoas,
- 20:07né, de que nós precisamos observar O Presente, né?
- 20:11Temos que observar O Presente, mas ao mesmo tempo, nós temos
- 20:14que olhar O Presente. Mas é com um olhar um pouco mais
- 20:19amplo, espreitar um pouco o futuro, né, porque OOOO passado,
- 20:25querendo ou não, ele ele é Sombrio, né?
- 20:27Então é, é, é, há muitas dores, né?
- 20:31É, e eu venho de uma família muito pobre, uma família
- 20:35extremamente pobre, né? E desde garoto eu nasci na
- 20:40cidade de Benguela, Benguela inclusive, né?
- 20:43Foi na minha cidade, onde nasceu a capoeira, veja só que coisa.
- 20:47A capoeira nasceu na minha cidade, né?
- 20:50É, e é uma cidade litorânea, né? É num litoral.
- 20:55E desde, desde menino, eu sempre me questionei o que tinha
- 20:59depois, né? Do oceano, depois do do ponto do
- 21:02oceano, né? É, eu sempre me questionei, o
- 21:06que que tem? Lá.
- 21:07Percebe? E a minha infância?
- 21:09Ela Foi marcada pela guerra civil no meu país e eu via os
- 21:12meus irmãos matando, se uns aos outros eu não conseguia entender
- 21:15aquilo. Percebe?
- 21:18Eu via, por exemplo, as tropas da ONU, né, vindo, vindo pra
- 21:23poder pacificar de de alguma forma.
- 21:26EE, eu me lembro muito bem isso era no cubal, era uma região
- 21:29onde estava lá, digamos assim, né?
- 21:32Onde, onde tinha maior contingência, né?
- 21:35Em termos de de de de luta, luta armada, guerra civil, né?
- 21:42EE, eu e eu é comecei AA pensar muito o Brasil e o mundo por
- 21:47conta daqueles soldados de capacete azul, porque alguns
- 21:50eram soldados da ONU, mas eram brasileiros também, né?
- 21:54EE, eu tinha visto uma criança chamada John e essa criança era
- 21:59uma criança branca de olhos azuis, né?
- 22:01EE, sempre estava, né, andando, né, perambulando sempre com um
- 22:07dos soldados. Né?
- 22:09E depois virei, virei amigo desse, desse garoto.
- 22:13Eu eu era menino também, IA é, ele não falava muito bem o
- 22:17português, daí eu comecei a me apaixonar um pouco com esse
- 22:20outro mundo, né? O outro lado percebe, então é,
- 22:26eu confesso, sim, só resumindo aqui pra vocês, é, é.
- 22:31Eu sempre me me acolhi na. Arte, porque desde menino eu fui
- 22:36abandonado aos 4 anos. Pela minha mãe.
- 22:39Né, então eu, eu, eu fui aquele aquela criança é tanto que hoje,
- 22:44né? Hoje eu sou eu sou uma pessoa de
- 22:46de não complicar muito as coisas, entende?
- 22:49Sabe aquela criança que não gosta de complicar muito, sabe,
- 22:51não tem, não há muito poder de decisão, de decidir se quer, se
- 22:55não quer isso e tal, o que vê está tudo bem, aquela criança
- 22:58bem que sabe seu lugar, eu era esse tipo de criança, percebe e
- 23:03a mas ao mesmo tempo muito curioso e eu queria me provar a
- 23:06mim mesmo que eu seria capaz. Na vida, então é teve um momento
- 23:13na minha história, na minha vida, eu criança, né, eu comecei
- 23:16o trabalho muito cedo, vendia né, a água, né, é EEE na praça.
- 23:21Teve um momento em que eu me me me deparei com uma obra de arte
- 23:24chamada Jane. Não sei se vocês já ouviram
- 23:26falar sobre essa obra de arte, chama se Jane, essa obra era uma
- 23:30obra, é bem, na época eu não sabia muito bem, mas eu fiquei
- 23:34muito fixado com esse tipo de obra porque eu cheguei aqui no
- 23:36Brasil. Como artista mesmo, percebe?
- 23:38E eu comecei a ser artista em função dessa obra de arte, né?
- 23:42Jane é uma obra de de um grande pintor judeu chamado amada
- 23:47modediane. Ele é um grande pintor que
- 23:49inclusive hoje conhecemos o Pablo Picasso e por conta dele,
- 23:52era o grande rival de Pablo Picasso, né?
- 23:55E a então eu cheguei aqui no Brasil basicamente com 30 USD no
- 23:59bolso e o que eu tinha era o sonho de.
- 24:03É de trazer uma verdade no Brasil a respeito sobre o meu
- 24:06território e ao mesmo tempo dizer a todos os brasileiros,
- 24:10né, que não importa as circunstâncias.
- 24:13Ou as condições de? Cada um nós temos um presente.
- 24:15Nós temos um dia em branco, percebe?
- 24:19É e viver sem que a gente se cobrando em função, por exemplo,
- 24:25do que, Ah, o eu preciso provar algo, algo, né?
- 24:28Algo pelos meus ancestrais. Mas os meus ancestrais, eles
- 24:31tiveram o tempo dele. Talvez alguns conseguiram e
- 24:33outros não, mas agora é o meu momento, é o meu tempo, que eu
- 24:36vou viver com esse tempo eu não posso viver com remorso, não
- 24:39posso viver com ódio, com raiva do que aconteceu lá atrás, né,
- 24:44porque até então eu não estava lá, mas eu estou aqui hoje, o
- 24:46que eu posso mudar? Essa realidade, a minha
- 24:49realidade, como é que eu posso mudar, percebe?
- 24:51Então as pessoas olham para mim, eu sou preto, sou negro, OK?
- 24:56Mas o que que eu posso mostrar além disso?
- 24:58Eu como preto, e é justamente por isso que é é quando algumas
- 25:02pessoas me perguntam o isigro tu, tu, tu te consideras um
- 25:07artista, um escritor, um produtor cultural negro, e eu
- 25:10sempre digo, não, eu sou apenas um produtor cultural, eu sou
- 25:14apenas um, eu sou apenas um escritor, porque é assim que eu
- 25:17quero que vocês me enxergam, percebe?
- 25:19Ah, mas o mundo é separado, o mundo é isso sim, mas é uma
- 25:23expressão, é um é, é. É, é, é uma questão, é um, é um,
- 25:27é um problema que eu não vou conseguir resolver porque o
- 25:30mundo segue o seu próprio curso, mas eu tenho que ser o
- 25:34presidente da minha própria República, percebe, né?
- 25:37Porque se eu enxergar os problemas que acontecem no
- 25:40entorno, eu não vou viver, não vou respirar, então eu preciso
- 25:43viver, eu preciso respirar, percebe?
- 25:45Se eu olhar é é para cada vídeo, para cada expressão, para cada
- 25:50racista, eu não vou viver, então foda se o branco não me
- 25:53interesso o branco. Não importa quantos tem na minha
- 25:56frente, mas o que eu quero aqui apresentar é o fato de que eu
- 26:00tenho uma história, percebe? Então os meus ancestrais vieram
- 26:03aqui, forçados, vieram aqui à força no navio, mas eu vim aqui
- 26:09de uma Boeing, eu vim aqui de voo, percebe?
- 26:12Eles demoraram meses e meses para chegar aqui.
- 26:15Eu demorei só 8 horas de voo para chegar aqui, entende?
- 26:18E. E esmigo, foi com esse ímpeto
- 26:20que você decidiu criar OOO centro cultural?
- 26:24Sim, sim, porque porque eu vi 11 problema no Brasil o problema no
- 26:29Brasil é o não reconhecimento de sua própria identidade, percebe?
- 26:34É o não reconhecimento de sua própria identidade.
- 26:36Isso faz, muitas das vezes, com que os negros continuem
- 26:39permanecendo sempre no lugar da África mítica, né?
- 26:45Porque, por exemplo, os brancos brasileiros, eles têm um lugar
- 26:48na Europa. Qual o lugar na Europa?
- 26:50Percebe, né? Então.
- 26:52Eles conseguem. Se não existir o Brasil, por
- 26:55exemplo, a Giovana, a Lituânia está ali, a Lituânia você
- 26:57percebe se não existir Brasil para os brancos brasileiros, tem
- 27:01tem a Europa e tem a Espanha, tem Portugal.
- 27:04Mas para os negros, se não existir o Brasil, eles só têm
- 27:08apenas uma ideia de África uhum. Então, quando eu trago uma
- 27:13angonalidade na brasilidade, é como que eu quisesse de alguma
- 27:17forma reforçar, né? AA.
- 27:22AAA identidade, né? Plural cultural, de um lugar
- 27:27que, por exemplo, o brasileiro desconhece, mas que ele se
- 27:30aproprie. Só que antes do do negro
- 27:33brasileiro se apropriar dessa angolaridade, ele precisa se
- 27:37despir do, do, do. Contexto plural sobre África,
- 27:42ele precisa primeiro vestir a sua nacionalidade plena.
- 27:45O que que é o negro brasileiro precisa primeiramente, deixar de
- 27:48pensar África, começar a pensar Brasil.
- 27:51É o seu território, né? Porque se ele não fizer isso, o
- 27:55branco ele faz, por isso que o branco ocupa no Brasil, por isso
- 27:58que o branco ele vai nos lugares, por isso que o branco
- 28:01não pergunta se aí é o lugar dele.
- 28:03O negro ele pergunta por quê? Porque ele ainda está no não
- 28:07lugar, ele acha que é africano, mas não é africano, percebe?
- 28:11É uma África que está por ali, ele busca uma ancestralidade que
- 28:17já não consegue mais, então, ou seja.
- 28:19Antes que ele se reforce como um cidadão pleno brasileiro, ele
- 28:23precisa primeiramente se despir dessa África plural e começar a
- 28:29trabalhar em uma África mais pontual, né?
- 28:33E só assim ele consegue garantir a sua cidadania plena
- 28:35brasileira. Isidro, e eu tenho uma pergunta
- 28:38no meio de tudo isso, né? É de todas essas, de todas essas
- 28:44barbaridades que o brasileiro acaba fazendo sobre a África.
- 28:48Quando você chegou aqui, qual foi a que mais te chocou assim?
- 28:54Bem, quando eu cheguei aqui, o que mais me chocou foi o fato de
- 28:57que é primeiro quando eu falava, quando eu falava os brasileiros,
- 29:03que eu era angolano. E os brasileiros diziam pra mim,
- 29:06puxa, caramba, você aprendeu falar português muito rápido?
- 29:12Puxado. Isso.
- 29:15Então eu ficava, puxa, caramba, mas você não sabe que na África
- 29:19tem países africanos que falam português?
- 29:21Tu não sabes que Angola, por exemplo, é o segundo país,
- 29:25depois do Brasil e de maior expressão de língua portuguesa?
- 29:29Perfeito, ou seja, OOO. Desconhecer faz com que a
- 29:33ignorância se aproprie. Muito curioso isso, isidro, e
- 29:37sabe que. Eu tenho uma.
- 29:39Eu sou casado com uma geógrafa, né?
- 29:41Uma professora de Geografia, e uma das aulas que ela mais gosta
- 29:45de dar é sobre que é uma aula especial, né?
- 29:49É sobre África e africanidades, né?
- 29:51Onde ela tenta derrubar esse muro, né?
- 29:55Justamente para que as pessoas entendam África como o que a
- 29:59África realmente é e não resumir a África em um grande país
- 30:02territorial, né? Produtor de poucas coisas, na
- 30:06verdade, ela tenta ampliar a mente das pessoas.
- 30:09E eu acho que ela dentro do cenário dela como professora em
- 30:13uma escola específica, e você dentro do seu, do seu cenário,
- 30:17né? Nesse, nesse ambiente mais
- 30:21cultural, né? Das artes, da da literatura,
- 30:24enfim, vocês tentam atingir talvez o mesmo objetivo, né?
- 30:27Trazer mais conhecimento para as pessoas.
- 30:31Que ao vencer a ignorância, a gente acaba promovendo algo
- 30:34daquilo que é bom. E aí eu me lembrei um tempo
- 30:38atrás, eu estava vendo TV e eu vi 11 manchete que me chamou
- 30:42muita atenção, que falava um rei africano visitando São Paulo e
- 30:46eu pensando, rei africano? Eu não sei, talvez isso tá tá
- 30:49errado. Daí depois, durante a
- 30:50reportagem, falava, não, o rei da Angola está no Brasil.
- 30:55E eu pensando, mas Angola não tem rei, né?
- 30:57Talvez seria, talvez fosse de uma etnia.
- 31:00E aí quando eu fui pesquisar a respeito, eu vi que os meus
- 31:03amigos jornalistas da televisão estavam dando a notícia errada,
- 31:06né? Mas pra minha surpresa, você era
- 31:08a pessoa por trás dessa visita é, vamos dizer, de um soberano
- 31:13da nação ovimbundo estando no Brasil, né?
- 31:17Consegue falar pra gente um pouquinho desse bastidor?
- 31:20E talvez a pergunta que eu te faço pra complementar e a gente
- 31:23fechar esse bloco é. Qual foi o resultado, o impacto
- 31:27real desse encontro? Você traz uma autoridade
- 31:29africana ou uma autoridade angolana para o Brasil?
- 31:33E qual o impacto disso no seu trabalho e no conhecimento que
- 31:37nós, paulistanos, temos a respeito da Angola, a respeito
- 31:41da da cultura africana? Bem, é para mim é muito
- 31:46importante, né, que o brasileiro.
- 31:49Ele, ele, é por isso que eu falo da questão do GPS, da
- 31:53ancestralidade, a questão da Geografia, né, porque Oo
- 31:57brasileiro, ele tem um pouco dessa síndrome do esquecimento,
- 31:59como Os Americanos, né? É, parece que o mundo circula só
- 32:04o brasileiro. Ele pensa Brasil, depois ele
- 32:07pensa Europa, depois ele pensa Estados Unidos, né?
- 32:10Então é, é, eles não têm a dimensão geográfica das coisas,
- 32:13tanto que é muito raro, por exemplo, ir em casas de
- 32:16brasileiros e ver brasileiro, por exemplo, assistir uma
- 32:18televisão. Do Peru, por exemplo, né?
- 32:21É ouvir 11 rádio da Bolívia, é, é muito raro na África, em
- 32:28países africanos isso não acontece, é muito comum, por
- 32:30exemplo, por estar em Angola, e você ouviu o noticiário, uma TV
- 32:34de Zimbabwe de outro país, percebe, né?
- 32:37Ver como é que eles são, né? Então é por conta dessa falta de
- 32:44de comunicação, dessa ideia, né, mais geográfica da coisa.
- 32:48É eu ao trazer o rei, é o rei de chambunga, né?
- 32:52Eu fiz o convite a ele de poder vir aqui no Brasil, aliás, ele
- 32:55foi o primeiro rei de tradição quanto né, a pisar no Brasil.
- 33:01É, é claro que os jornalistas, eles acabam trazendo uma pauta
- 33:04que vende, né, a África vende, percebe do que tipo região da
- 33:08África, região da África não vende o que vende África, vamos
- 33:11falar de África, né? Vamos falar porque AA ideia é
- 33:14justamente isso, é, é, é, é, é tentar embaralhar a informação.
- 33:18Né? E é dali que vem a
- 33:20desinformação. Pois é.
- 33:23Porque então é é Oo rei de Angola?
- 33:27Tiangonga, ele é Oo rei do maior grupo étnico de Angola.
- 33:31Angola é um país com a conotação de vários reinos.
- 33:35OK, então algumas pessoas pensam que em Angola não tem reis,
- 33:38assim como na Europa ainda tem reis na Europa, né?
- 33:41No, no, no, no, na África também existe também tem, só que os
- 33:45reis, atualmente, eles eles não, não desempenham um papel
- 33:48político, geralmente é mais um papel simbólico, percebem.
- 33:52Então é Angola, por exemplo, Oo nome verdadeiro de Angola é
- 33:57Angola, não com a letra a, né? É, e é claro que o nome que está
- 34:02lá é a letra a, tá Angola. Por que Angola?
- 34:04Porque Angola foi colocado pelos portugueses, porque Angola
- 34:08significa reinos. EE, Angola significa sem reinos,
- 34:12OA é uma preposição. Aliás, desculpa, OA é é um, é
- 34:15um, é um, é um, é um, é um, é um, é prefixo de negação, né?
- 34:21Então por isso quando eles dizem, Ah, povo, é histórico,
- 34:23né? Ah, Angola, então África frita
- 34:27né, frio África sem frio, né? Então eles tinham muito essa
- 34:33mania de sempre colocar a letra a para tirar algo a letra a.
- 34:38Né? Para diminuir alguma coisa.
- 34:40Percebe? Então é e.
- 34:43Até isso os portugueses tentaram tirar, né?
- 34:45Que incrível. Sim, sim, sim, sim.
- 34:47E assim, e eles tiveram, eles tiveram, digamos, dentro da da
- 34:51política portuguesa, eles tiveram êxitos, né?
- 34:54Porque eles conseguiram de fato, né?
- 34:56É permear a sua cultura, o seu, o seu, o seu querer, né,
- 35:01enquanto nação, né? É como uma imposição entre
- 35:05outros povos, né? Então.
- 35:07É ao trazer o rei aqui no Brasil, foi?
- 35:10O uma proposta. De de poder trabalhar esse GPS
- 35:13da ancestralidade, dizer, ó, Brasil, escuta um pouco aqui,
- 35:16olha um pouco aqui, tanto que inclusive o rei, ele não podia
- 35:19sair daquele lugar, mas eu fui pra lá, eu fiz um convite, é uma
- 35:22pessoa próxima, é um, é um eu, eu sou amigo dele, pessoalmente,
- 35:25sou um, sou amigo pessoal, né, do rei é e pronto.
- 35:28E eu fiz o convite, né, tendo em conta que pronto, o rei ele ele
- 35:32tem, né? Um dos filhos, eu sou o padrinho
- 35:34de um dos filhos do rei. Então, meio que de alguma forma,
- 35:38ele veio aqui a um convite de amigo, só que ele chegando aqui
- 35:42a um convite de amigo, acabou ser algo oficial porque, né, tem
- 35:46a questão da embaixada do, portanto, que isso me me deu
- 35:49alguns problemas, né, tem a questão da embaixada, os
- 35:54ministros, enfim, né? E tinha que passar por cima de
- 35:57várias situações, né? Teve um momento que eu peguei o
- 35:59rei pra passearmos na Avenida Paulista, né?
- 36:02Nós andamos de médio, de metrô, tivemos que que.
- 36:06É que simular ali alguma coisa e deixar o segurança não deixa só
- 36:11ouvir nada, né? Porque para poder mostrar para
- 36:15ele, porque eu quis mostrar para ele.
- 36:16O Brasil teve uma foto que depois viralizou porque pronto,
- 36:22quem fez uma reportagem inteira do da avenida do rei foi ATV
- 36:25Globo, né? Que acompanhou em todas as
- 36:27fizeram a reportagem em todos, em todos os momentos, a
- 36:29imprensa, a CNN também, mas foi muito interessante ter uma foto
- 36:33que viralizou, que foi quando ele leu.
- 36:35Ele estava com um livro de Conceição Evaristo.
- 36:39Uhum, né? Então EE foi muito interessante
- 36:43porque para ele é é uma é. Uma questão muito.
- 36:45Distante, né? EE entender essa cultura
- 36:48brasileira e faz também, de alguma forma, com que ele
- 36:51entenda que que que havia um vazio.
- 36:54Ainda há um vazio. Há um distanciamento muito
- 36:57grande entre os africanos que ficaram lá, que não foram
- 37:00escravizados, com os com os africanos que vieram.
- 37:03Né, EEE pronto e criou se esse Brasil, né, que é o que nós
- 37:06conhecemos, o Brasil é fruto de de estupro, né?
- 37:08Se eu posso dizer desculpa, com todo o respeito, né, mas mas a
- 37:12sociedade brasileira veio, veio através de de abusos, né?
- 37:16Então, então, EEE, é justamente por isso que é uma sociedade
- 37:19mista, né? Em que hoje, quando você diz
- 37:22que, Ah, eu tenho orgulho de ser preto, de ser negro, bem o
- 37:27branco pode dizer, tem orgulho de ser branco e o mestiço, aonde
- 37:31fica o mestiço, por que que? É, se você, por exemplo, o seu
- 37:36pai é negro e a sua mãe é negra, por que que você tem que ser
- 37:39negro? Ah, não por conta do dos traços
- 37:44e tudo, mas os seus traços, né? Tem, tem, tem partes, tem
- 37:49partes, né, negro e tem partes branco.
- 37:52Mas por que que você tem que ser negro?
- 37:53Por quê? Porque o sistema insiste em te
- 37:56inferiorizar, insiste em dizer que você.
- 37:59Vem de uma geração fracassada. Você vem de um povo fracassado,
- 38:03perfeito. Isso faz com que você vive com
- 38:06onde? Com raiva, porque a sua mente
- 38:08fica atrelada nisso. Então é, é, teve assim, teve um
- 38:13saldo muito positivo porque eu consegui de alguma forma levar o
- 38:18hate. Um golo na tom gonda pra.
- 38:19Visitar é. É vários quilombos, né?
- 38:23Movimentos negros, escolas, crianças que choravam, uau,
- 38:27aquela coisa toda. Tem rei em Angola, assim tem,
- 38:31né, com aquela tradição, todo mundo saudando, então mais para
- 38:34valorizar e veja que é uma realidade, por exemplo, que as
- 38:37pessoas. Aqui no Brasil não sabiam.
- 38:39Teve de fato assim, né um. Um.
- 38:42Um saldo muito positivo, né? É, até porque, de alguma forma,
- 38:46tirou um pouco aquela ideia. De que, né?
- 38:50Daquela África é meio como se fosse um país parado, né?
- 38:55Inclusive teve uma reportagem da Globo, da TV Globo, que eles
- 38:59tinham. Quando eles se referem em
- 39:00Angola, geralmente é Angola dos anos de 1900, de 1000, 9707275,
- 39:04sabe? Então sempre falam sobre a
- 39:06guerra civil, mas é aí eu vi que já mudou, porque teve uma imagem
- 39:11que trazia um pouco a respeito, por exemplo, sobre a margem de
- 39:14Luanda. Né, é falando um pouco sobre a
- 39:18questão política de como é que funciona, porque as pessoas
- 39:20achavam, Angola não tem presidente, tem rei, então, ou
- 39:23seja, a Globo teve um trabalho para explicar agora a sociedade
- 39:26brasileira para entender como funciona o que, como é que é
- 39:30essa, essa Angola nova, né? É tanto que Oo rei, o João gato,
- 39:34tanggonga, ele é o 37º rei, veja só que coisa, 37º rei, né?
- 39:41Então é tem uma história, né, por trás disso.
- 39:45EE, trazer essa verdade na sociedade brasileira
- 39:48contemporânea faz com que, de alguma forma, também possamos
- 39:53dar a eles o uma luz, percebe? Dar a eles uma clareza, porque
- 39:58quanto mais o homem tem clareza de si, né?
- 40:02Mas estará falando mais sobre sua própria humanidade, percebe?
- 40:08Então não vai estar nas caixinhas, porque Oo Brasil.
- 40:12É que nem americano. Desculpa, estou sempre aqui,
- 40:13mesmo comparando. Eu, eu acho que eu acho que é
- 40:15injusto, não sei. Mas o Brasil tem um certo
- 40:18costume de colocar as pessoas em caixinhas, né?
- 40:22Né? Então você é desse grupo, você é
- 40:25daquele grupo E tal. Mas eu, que sou africano, que eu
- 40:28venho de um lugar, nós geralmente, ou seja, nós somos
- 40:32nós. É por isso que as línguas
- 40:33africanas, elas são elas, elas são plural.
- 40:36Como vocês podem ver, a conversa está rendendo bem e temos muito
- 40:39assunto ainda para tratar. Mas antes você precisa ouvir um
- 40:42recado, então não saia daí. Presta atenção nesse recado que
- 40:46é muito Importante Pra Mim, pra você e para todos.
- 40:48E a gente já volta um minutinho só.
- 40:50Olá, essa é pra vocês que estão assistindo OABC conexões?
- 40:55Sim, vocês, nossos ouvintes. Eu sou o João Pedro Melo e agora
- 41:00eu estou na bancada do ABC Quest.
- 41:02Sala pessoal, você já deve ter ouvido a minha voz, se você não
- 41:05ouviu, eu sou a Susana Rezende, a apresentadora do ABC Quest.
- 41:09E eu venho aqui pra gente fazer um convite muito especial.
- 41:12O nosso encontro está marcado de segunda a sexta às 18:00 lá no
- 41:16ABC Quest. E lá nós falamos sobre tudo que
- 41:19impacta o seu dia a dia, desde o grande ABC até a região
- 41:23metropolitana de São Paulo. A gente fala sobre o Brasil,
- 41:25sobre o mundo, pra te manter sempre bem informado.
- 41:28Sem Rodeio, sem drama e sem perder mais o seu tempo bom,
- 41:33talvez só um pouquinho de drama. Então não tem desculpa, nos siga
- 41:38na sua plataforma preferida. Então tem o Deezer, o Spotify, o
- 41:41Apple boot fashion, o Amazon Music, até o YouTube.
- 41:44É só escolher sobre preferida no seguir e dar o play.
- 41:47Então já nem perde tempo. E segue a gente lá no Instagram,
- 41:51é arroba ABC do ABC, underline oficial, porque é lá que a gente
- 41:56avisa, provoca, comenta, ri e chora e às vezes até descola uma
- 42:02treta. Então Bora lá.
- 42:05Então, pode dar o play. Obrigado por ter é prestado
- 42:09atenção a esse recado. Vamos direto para o Nosso Quadro
- 42:12especial, começando com o contraponto.
- 42:16Contraponto. Para o nosso convidado, eu
- 42:20explico o contraponto. Funciona assim, nós não
- 42:24roteirizamos este quadro. Trazemos a nossa genuência
- 42:26convidada para fazer a pergunta, que ela quiser, como ela quiser.
- 42:30Então eu só peço um favor, Giovana.
- 42:33Deixe o nosso convidado vivo para que depois eu posso
- 42:36continuar a encerrar o programa, mas o tempo é todo seu, pode
- 42:39fazer as suas perguntas. Isidro, até aproveitando um
- 42:43pouco o gancho da vinda do do rei de Angola aqui para o
- 42:46Brasil, eu queria perguntar para você é sobre a mídia brasileira,
- 42:52qual é o assunto que você acha que ela tem que deixar de vez de
- 42:57falar sobre a África ou sobre Angola especificamente?
- 43:01Bem, é. Primeiro é é abandonar, né?
- 43:07AA pauta é da África ou oprimida.
- 43:13Esse aqui é um ponto, porque há muita potencialidade no
- 43:17continente africano, né? Então, quando fala abandona a
- 43:20pauta da África ou oprimida, é no sentido de de sempre terem
- 43:24que é falar da África com com com aquele lugar da miséria, da
- 43:28pobreza, da fome. Percebe, né?
- 43:32Quando, por exemplo, a ou quando dentro africano tem mais de 54
- 43:35países. Então, e se você olhar a questão
- 43:38dos problemas de guerra, vamos ver isso em 5 países africanos e
- 43:43então Ruanda, por exemplo, que é conhecida a Suíça africana.
- 43:47Percebe, né? Que trabalha se como tecnologia,
- 43:50né? Um dos primeiros países AA banir
- 43:52a sacola plástica, por exemplo, né?
- 43:5411 dos 20 países mais limpos do mundo estamos a falar.
- 43:58Né, de um país muito bom e tecnológico.
- 44:02É Lesoto, por exemplo, lacai neve.
- 44:05Tem brasileiros que não sabem que na África nevea, entende?
- 44:09Então vamos falar sobre sobre essa África contemporânea atual,
- 44:12que tem grandes edifícios, né? Grandes propósitos, percebe?
- 44:16É, podemos falar da África, por exemplo.
- 44:20É, é, podemos falar do de, de Gana, né, né, Burkina Faso, que
- 44:26agora se tornou como líder, né, de de carros elétricos no
- 44:31continente africano, percebe? Então, Eu Acredito que é é o que
- 44:36a mídia precisa começar a falar mais, é, é de um lugar sobre o
- 44:41planeta africano de forma mais, mais pontual, percebe, então,
- 44:46tirar um pouco a expressão de África e começar a nomear as
- 44:48coisas. Né?
- 44:50Há uma dificuldade muito grande da mídia nomear problemas no
- 44:53planeta africano, percebe? Então tudo se resume, a África,
- 44:56a miséria e fome, não nomeia as coisas.
- 44:59Isso faz com que a sociedade brasileira também perca esse
- 45:02senso de nomear as coisas. Então quando é que se nomeia as
- 45:05coisas, se nomeia as coisas mais do ocidente?
- 45:08Ah, eu estou em Nova Iorque, mas não se diz se você está nos
- 45:11Estados Unidos, você está em Nova Iorque, você está numa
- 45:13cidade. Agora, por que que quando eu
- 45:15estou em Benguela, estou em Luanda, né?
- 45:18Eu estou em nairóbi, eu vou dizer, estou na África, se você
- 45:21quando vai pra Europa, você disse que está em Lisboa, você
- 45:24disse que está em Frankfurt, você disse que está em Amsterdã,
- 45:27entende? Então, ou seja, é a mídia
- 45:31brasileira precisa começar a nomear, nomear as coisas, nomear
- 45:34os lugares, né? É, IA nomear os problemas
- 45:37também, porque muitas das vezes o que acontece, a mídia
- 45:40brasileira, ela está a serviço da mídia ocidental.
- 45:43Isso, isso, isso. Isso é um fato, né?
- 45:46Notícias que de fato acabam, né? Mas é, é, é.
- 45:52Está muito mais presente na mídia ocidental e a mídia
- 45:54ocidental, ela é uma mídia um pouco hostil, AAA, outros
- 45:59lugares que não fazem parte da mesma cultura.
- 46:01Percebe? Então, por exemplo, quando
- 46:03existe um presidente que que que ele decreta uma lei para banir,
- 46:07por exemplo, os homossexuais, a mídia brasileira, como é que ela
- 46:11diz? Né?
- 46:13Entendo então. Ou seja, país africano, né?
- 46:17Criou uma lei contra os homossexuais.
- 46:19Percebe então contra os homossexuais, mas como?
- 46:22Com base na perceção do que que é o homossexual no ocidente,
- 46:26percebem? Mas lá as pessoas não matam
- 46:28homo, homo, homossexuais percebem então, ou seja, o
- 46:32homossexual. Ele consegue conviver, ele
- 46:35convive, mas ninguém se apresenta, porque a os povos
- 46:38africanos são povos muito tradicionalistas.
- 46:41Ou seja, até eu mesmo com a minha esposa, nós não podemos
- 46:44nos beijar na rua. Quanto mais eu, como homem,
- 46:48beijar o meu amigo na rua, percebe?
- 46:52Então, ou seja, é, é, é precisa um pouco, porque Eu Acredito que
- 46:57a mídia brasileira tende sempre meio que forçar a barra,
- 47:00entende? Então é um líder africano, tá
- 47:03ali, geralmente é chamado de ditador, né?
- 47:06Como se AO continente africano, Oo continente africano, todos os
- 47:09países africanos fossem obrigados, por exemplo.
- 47:12AA seguir políticas, né? É como a democracia é vista, por
- 47:17exemplo, no ocidente, quando lá nós somos.
- 47:19Liderados muitas das vezes, né? Por quem tem mais força, por
- 47:23quem realmente lidera, pelo mais velho.
- 47:25Então, ou seja, não necessariamente que a democracia
- 47:27funcione mesmo na África. E isso não significa dizer que
- 47:31que somos ditadores, somos ruins com isso de como lidamos com as
- 47:35coisas, percebem? Então Eu Acredito que é é a
- 47:39mídia precisa começar a abandonar isso.
- 47:40E a mídia precisa também, de alguma forma, abandonar a África
- 47:44da guerra. A África da guerra EEE começar a
- 47:50nomear essa África da guerra. A guerra, por quê?
- 47:53Do problema da guerra no Congo, por exemplo, percebe.
- 47:56Vários países africanos estão em guerra.
- 47:57Por quê? Porque são países que têm mais
- 48:00de de desde de 5 grupos étnicos naquele lugar e até então,
- 48:04antigamente não eram países, eram eram micronações, assim
- 48:08como a Europa, por exemplo. Percebe, né AA Úrsula, ela, ela.
- 48:13Não consegue governar a Europa, por exemplo.
- 48:15Ela não pode dizer que agora sou presidente da Europa, não existe
- 48:18isso, percebe, porque a Europa, cada país é um país, cada país
- 48:23tem uma cultura EEE, cada cultura, né?
- 48:27Por exemplo, o francês, o francês é francês, é o grupo
- 48:29dele, étnico é francês, eles não tem um outro grupo étnico,
- 48:34percebe, é francês, português é português, né, então.
- 48:38É, é, é se se vocês perceberem, por exemplo, coisa que a mídia
- 48:42brasileira não traz, né? Vamos ver aqui o problema do
- 48:45continente africano, o que que é a imposição do ocidente, forçar
- 48:48a barra política de governança aqui não funciona lá, que é o
- 48:52que, por exemplo, se você olhar os países de sucesso no
- 48:55continente africano, são países, por exemplo, de menos grupos
- 48:58étnicos. Por exemplo, Ruanda, quantos
- 49:00grupos étnicos tem em Ruanda? Antes tinha 2 grupos, hoje é só
- 49:05um único grupo em Ruanda. Né?
- 49:07E é, e é um país tecnológico, é um país limpo, lindo, percebe?
- 49:13Mas olha só aonde que Ruanda está, Ruanda é vizinho de um
- 49:16país que está em guerra há anos anos, que é o Congo, que
- 49:19inclusive é um país tão pequeno, que está agora em conflito com o
- 49:22Congo, onde tem AA maior força armada.
- 49:26Veja só, de um país tão grande, que é o coração da África, do
- 49:28que o Congo, por quê? Porque o Congo tem vários grupos
- 49:32étnicos, né? O ganda.
- 49:33Né, assim como Angola, por exemplo, os portugueses
- 49:36colocaram uma governança em Angola, né, que que até hoje,
- 49:40inclusive, nós temos uma, digamos assim, uma ditadura, né,
- 49:44com com foco nas nos ideais ocidentais, né?
- 49:49Então é a mídia precisa, a mídia brasileira precisa começar a
- 49:52entender um pouco mais essa África today, né?
- 49:54O que que é essa África hoje, o que, o que que eles pensam
- 49:58politicamente, socialmente, como é que eles se comunicam hoje,
- 50:01percebe? Isidro, uma coisa me chamou
- 50:05atenção na sua fala é, a gente conversou muito aqui sobre falar
- 50:10de uma África contemporânea, de trazer a modernidade como vive.
- 50:15E aí quando você me fala, você comentou aqui que, por exemplo,
- 50:19casais homoafetivos é ou é? Não é afeto em si.
- 50:25Não é visto bem não somente por casais homoafetivos, mas por
- 50:30qualquer tipo de casal ou de amigos.
- 50:32Porque é ainda se tem uma tradição muito forte ali, ainda
- 50:37é muito tradicionalista. Mas você não acha que talvez
- 50:41nesse ponto precise um pouco de modernização?
- 50:44Você acha que é esse tradicionalismo?
- 50:47Justifica não avançar nesse sentido como sociedade?
- 50:51Muito bem, muito bem, muito bem. Uma pergunta muito profunda e
- 50:54muito interessante. Sim, claro, né?
- 50:57Inclusive a Namíbia é um dos países africanos, né?
- 51:00Que tem uma presidente. É mulher, né?
- 51:03EE, ela tem sido assim, muito voraz, tem trabalhado, né, com
- 51:08muita força na questão da diversidade, mas é, é, é.
- 51:13Por exemplo, há casos hoje, né? Você tá.
- 51:16Vocês estão percebendo que a África do Sul meio que criou uma
- 51:19política parecida com os Estados Unidos, né?
- 51:22Estão expulsando os imigrantes africanos de lá, né?
- 51:25Então assim é, é a discussão sobre diversidade, que é o que
- 51:30que é que AAA visão, né? Da diversidade que o ocidente
- 51:34traz, né? É, é muitas das vezes não vai de
- 51:38encontro àquilo que a sociedade no seu todo, né, digamos ali,
- 51:436070 por cento das pessoas lá pensam, percebe então o que, o
- 51:48que, o que que Eu Acredito, eu como isidro, por exemplo, né?
- 51:50Que faço parte de um grupo étnico, que faço parte ali,
- 51:54digamos, de 44% da sociedade angolana, por exemplo, né?
- 51:59Nós temos a nossa cultura, mas antes que eu trabalhe a
- 52:02diversidade, eu preciso trabalhar primeiro o meu espaço,
- 52:07o meu espaço, né? Há uma filosofia, há uma
- 52:10filosofia, é africana que diz o seguinte, né?
- 52:14É, é muito interessante, né? Vejam só esta frase.
- 52:20É quando você tem um inimigo interno, você não tem espaço
- 52:30para a vida. Então resolva primeiro o seu
- 52:33inimigo interno, porque quando você tem o seu, quando se
- 52:36resolve o seu inimigo interno, então você tem espaço para
- 52:39viver, percebe? Então, o que, o que, o que que
- 52:43eu estou tentando dizer com isso, por exemplo, é nós sim,
- 52:46nós podemos de alguma forma aceitar.
- 52:49Esses avanços da sociedade contemporânea ocidental, mas ao
- 52:54mesmo tempo, por exemplo, o que que eu posso dizer?
- 52:56Olha, Oo ocidente, por exemplo, não aceita os nossos avanços
- 53:01como africanos como cultura, né? Porque, vejamos, eu vou trazer
- 53:05aqui um ponto, OK, é, suponhamos a é eu chego, por exemplo, em um
- 53:10país africano e eu diz, olha, vocês me aceitam com meu sol,
- 53:14OK? Eu estou com meu parceiro aqui.
- 53:16EE, nós somos um casal, tudo bem?
- 53:18OK? Todo mundo disse, OK, tudo bem,
- 53:20isso, isso lá não é um problema, isso não é um problema na
- 53:22África, não é? Quando é que passa a ser um
- 53:24problema? Quando eu estou com esse meu
- 53:27parceiro e eu começo a beijá lo na frente de todo mundo, porque,
- 53:31porque, porque AAA aquela sociedade ela teve já essa
- 53:34geração nova que está um pouco mais ali, percebendo como são as
- 53:38coisas, por exemplo, é estranha ver aquilo como uma estranheza
- 53:40do tipo, aí ele pode, eu não posso.
- 53:44Percebe? Ele pode e eu não posso.
- 53:46E acontece que esse que esse mesmo jovem, que ele é
- 53:49contemporâneo, é novo, aceita a modernidade.
- 53:52Ele chega no ocidente, na diáspora, né?
- 53:55EE, se ele, por exemplo, tentar. Trazer a os?
- 53:59Costumes dele não ser aceitável aqui no Brasil, por exemplo.
- 54:03Vou dar aqui um exemplo. A poligamia é muito presente no
- 54:07condenente africano. Percebe, imagina, por exemplo,
- 54:10uma herero, herero. Herero é um grupo étnico de
- 54:13Angola, onde as mulheres têm marido, mas têm vários
- 54:15namorados. Isso é muito normal lá.
- 54:17Imagina, por exemplo, Do Nada, essa mesma mulher que herero
- 54:20chega aqui, ela casa com um brasileiro e ela gente assim,
- 54:25né, vamos lá, sabe como é que fica a ideia da família e né,
- 54:31que querendo ou não, que também, isso nós lá temos.
- 54:33Imagina eu chegar aqui, por exemplo, o meu grupo étnico, as
- 54:35mulheres, por exemplo, elas andam dizendo isso pra fora.
- 54:37Para nós, isso não é um problema, nós estamos, né?
- 54:41Teve uma vez até postei, eu né, EEE uma parte da minha família
- 54:46ali, né? E tinha algumas meninas de ser
- 54:49isso para fora. Eu fui banido pelo pelo
- 54:51Facebook, pelo Instagram, né, né EE assim, e nós olhamos aquilo
- 54:56com uma certa normalidade, não é tipo aqui, por exemplo, no.
- 55:00É no ocidente assim, né? É que as pessoas sempre tentam
- 55:04trazer essas questões como algo, né?
- 55:06Promíscuo, né? E olha aqui é muito interessante
- 55:09porque, por exemplo, é, é, é o fato de ter a poligamia.
- 55:14Não faz, por exemplo, com que os africanos sejam promíscuo,
- 55:16inclusive. Tanto que é muito raro vocês
- 55:19verem, por exemplo, site porno africanos.
- 55:21Então, ou seja, a é, é. Há há vários contrapontos e há
- 55:25várias incoerências, até mesmo dentro da própria sociedade
- 55:28ocidental, porque reprovam a questão da poligamia, por
- 55:31exemplo, mas vivem cercados de motéis, vivem cercados de de
- 55:35prostíbulos, percebem? Então é, é a conversa é mais ou
- 55:40menos essa, ok, nós aceitamos vocês, mas vocês nos aceitam.
- 55:47Perfeito, muito bem colocado. É eu.
- 55:51Eu sou uma pessoa. Eu gosto muito de cozinhar, né?
- 55:54E eu realmente acho que a comida é uma forma de conhecer culturas
- 55:59que é acessível para qualquer pessoa.
- 56:02Então, partindo desse princípio, eu queria que você falasse um
- 56:05pouco da gente, se eu quero conhecer Angola, que prato eu
- 56:09devo provar? Que tipo de comida eu tenho que
- 56:11esperar da Angola? Maravilha.
- 56:15Muito, sim, sim, sim, sim, realmente.
- 56:17E olhem só que falar de comida é falar de cultura, é falar de
- 56:23cultura, percebe? Então é, é começamos por ali,
- 56:26né? A questão Oo sentir, porque é, a
- 56:29partir do momento em que você, por exemplo, sente o paladar, o
- 56:32paladar brasileiro é um é um pouco parecido com o paladar
- 56:35nosso, porque querendo ou não, eu brinco, né?
- 56:37Eu digo que eu digo que a África colonizou o Brasil com a sua
- 56:39cultura. Que bom.
- 56:43Né? Então é, é moqueca, por exemplo,
- 56:46o brasileiro gosta de de uma boa moqueca, pirão, por exemplo, né?
- 56:50É, é geralmente a nossa comida, ela é muito a base da Terra,
- 56:53batata, banana, né, banana da Terra, mandioca, mandioca frita,
- 56:59por exemplo, né? É o brasileiro gosta de uma boa
- 57:02mandioca frita com Areia, com orégano, né, vai comendo ali.
- 57:06É um prato típico de Angola que nós temos, é o mufette, chama se
- 57:10mufette. Né?
- 57:11E mufete se come com com vinagrete, veja só, vinagrete,
- 57:15vinagrete mesmo que o brasileiro faz é vinagrete, né?
- 57:19É banana da banana da Terra fervida, né?
- 57:23É EE, batata, batata doce, fervido, né?
- 57:29EE, um peixe grelhado é, pode ser o carapau ou então o peixe
- 57:35brasileiro, né, que é o anchova, né?
- 57:37Ah, que bacana. Muito interessante.
- 57:43Isso. E aí tem a farofinha, geralmente
- 57:45a farofa é, é, né? Nós temos lá que é uma farofa
- 57:49muito, muito especial. É um pouco diferente daqui e
- 57:53olha que é muito, porque AAA culinária brasileira tem um
- 57:56pouco da culinária africana, né, especialmente a de Angola.
- 58:00O pé de moleque, por exemplo, que vocês comem, não sei se
- 58:03vocês gostam de pé de moleque, vocês gostam de pé de moleque,
- 58:06né, paçoca, paçoca. Olha só.
- 58:14Selo é de verdade? Bom, antes de tudo eu preciso
- 58:20salientar que tem conversas que a gente checa dados,
- 58:23estatísticas, números e que também tem conversas que a gente
- 58:27simplesmente se deixa a ser atravessado por elas.
- 58:30E essa com certeza foi uma delas.
- 58:32Hoje a gente falou sobre Angola, sobre oralidade, a arte,
- 58:37educação, intercâmbio cultural. Sobre racismo.
- 58:41Mas, sinceramente, eu acho que o mais importante aqui hoje não
- 58:44ficou nos dados eSIM na capacidade que vocês hidro tem
- 58:48de nos lembrar que existe uma história anterior a nossa
- 58:51própria história, que muitos dos nossos costumes, da nossa forma
- 58:55de falar, de celebrar e até de existir, não começaram aqui.
- 59:00E a partir disso, a gente tem uma responsabilidade própria de
- 59:03saudar o passado, mas também de trabalhar por um presente.
- 59:07Por um futuro. Cada vez melhor.
- 59:09Então, hoje você não é de verdade, está garantido.
- 59:13E é que eu sempre utilizo esse momento para trazer também um
- 59:16questionamento meu sobre a conversa.
- 59:18E eu não pude deixar de pensar no quanto você fala sobre
- 59:22legado, né? Você já escreveu livros, já
- 59:25fundou o espaço cultural e ajuda a preservar essas histórias,
- 59:29construir narrativas. Mas quando o isidro não estiver
- 59:33mais aqui, qual história você gostaria que as pessoas
- 59:36continuassem contando sobre você?
- 59:38Bem, é, puxa, é muito forte isso porque eu tenho, é, é, é eu.
- 59:47Eu Acredito muito Na Na energia, né?
- 59:49Na força do universo, porque é é o que o que, o que nos faz ser o
- 59:55ser humano que somos. O que faz com que eu perceba que
- 59:59eu não estou louco é o fato de eu ver vocês.
- 1:00:02Isso me dá um entendimento de que eu estou vivo, entende?
- 1:00:05Então, não estar aqui, eu penso muito.
- 1:00:08É nessa ideia, né? Sabe da é é como eu tenho dito,
- 1:00:13né, que há há mais energia no corpo humano do que estrelas
- 1:00:17numa galáxia. Então é é entender um pouco esse
- 1:00:21esse universo. Eu é eu, eu vou vou entrar na
- 1:00:26questão ali da espiritualidade, porque é a última vez que eu.
- 1:00:32Que que eu comecei AAA falar muito sobre essa essa questão de
- 1:00:34de né, de lidar com com o corpo, com a Terra.
- 1:00:37O outro o olhar foi foi quando eu é, é, eu fui convidado a um,
- 1:00:44a um grande evento, a um festival na Índia.
- 1:00:47A Índia mudou a minha percepção de de vida sobre o outro.
- 1:00:52Percebe, né? É então não estar aqui e fazer o
- 1:00:58que eu faço de alguma forma. É como se puxa, caramba, é uma
- 1:01:03semente. Porque Eu Acredito que amanhã
- 1:01:05haverá crianças que estarão sendo adultos e que poderão
- 1:01:09perceber que estarão na sala de aula e que amanhã ninguém mais
- 1:01:12precisará falar sobre racismo. Ninguém mais vai ter que dizer
- 1:01:15que eu sou negro, porque o negro é negro, branco é branco, mas
- 1:01:19pessoa é só pessoa. Quem constrói esses termos é
- 1:01:23quem quer nos dividir para conquistar, para criar um
- 1:01:27espaço. Percebe?
- 1:01:28Então você que é preto, você que é negro, eu gostaria de dizer a
- 1:01:33você, né, que não importa o seu histórico de negro, você é uma
- 1:01:38pessoa e o que você faz com a sua pessoalidade e a sua
- 1:01:42memória, a construir o seu papel?
- 1:01:44Agora entende, né, diante de tantos esses bombardeios, né?
- 1:01:49É esses porque o mundo é contraditório, percebe?
- 1:01:53Então é, é. É por isso que Eu Acredito muito
- 1:01:57nessa ideia do tipo, olha, o mundo vai acabar.
- 1:02:00Se o mundo vai acabar, percebe. Ah, mas você não está preocupado
- 1:02:03com Trump, não. O que você está fazendo?
- 1:02:06Eu falo para as pessoas, não. Porque não há muito o que fazer,
- 1:02:11o mundo segue o seu curso normal e natural.
- 1:02:14O que eu devo fazer é, é o meu papel, o que que eu posso mudar,
- 1:02:17o que está no entorno. Então, por que me preocupar com
- 1:02:21Trump, com Bolsonaro, com Lula ou com qualquer outra outro tipo
- 1:02:24de pauta? Se eu tenho ar, se eu consigo
- 1:02:27viver, tenho hoje para poder transformar a vida de alguém
- 1:02:30agora, entende? Então Eu Acredito que é isso é
- 1:02:34um sopro, não estar aqui é um sopro.
- 1:02:40Obrigada, maravilha, eu quero agradecer Giovanna baria baria a
- 1:02:48empate seu Giovanna baria, eu quero te agradecer pela
- 1:02:53companhia, pelas perguntas, né. É muito importantes, né, para
- 1:02:58discutirmos e eu acho que é é o mundo precisa disso, né?
- 1:03:02Nós precisamos. E pelo fato de saber que tu.
- 1:03:05Né? Tens ali a sua descendência da
- 1:03:07na Lituânia. Muito interessante isso, né?
- 1:03:10É? Thiago Quirino, muito obrigado
- 1:03:14por esse momento EEA. Mensagem que eu quero deixar
- 1:03:17aqui, especialmente para quem está nos vendo nos assistindo, é
- 1:03:21de que não não percamos a Esperança na nossa, na nossa
- 1:03:24humanidade, o mundo. Ele está tentando nos colocar em
- 1:03:27caixinhas. Eles vão fazer isso mesmo.
- 1:03:30Mas olha, eu quero dizer aqui a todos vocês que.
- 1:03:34É, não, não importam as caixinhas.
- 1:03:36Tá tudo bem você fazer parte de uma caixinha, mas eu quero que
- 1:03:39você enxergue que é mesmo estando tudo bem, você ser
- 1:03:44diferente é muito mais, muito mais importante dentro da sua
- 1:03:49diferença, do seu lugar de fala, do seu tom de pele que não
- 1:03:55importa, mas que de alguma forma consiga enxergar esse outro.
- 1:04:01Além das suas concepções ideológicas, porque esse outro é
- 1:04:05alguém que também chora, é alguém que também sonha, né?
- 1:04:09É alguém que também quer paz, é alguém que também quer ser
- 1:04:13ouvido, né? Então que tenhamos todos a
- 1:04:17sensibilidade de chegar o outro, além de nossas próprias
- 1:04:21convicções ideológicas. Obrigada Thiago.
- 1:04:27Eu queria agradecer isidro por esse papo, foi muito bacana, de
- 1:04:30verdade. Acho que você é uma pessoa, é
- 1:04:33com muita coisa pra ensinar muita coisa pra gente de fato
- 1:04:38absorver com você e agradecer você também, Thiago, por esse
- 1:04:43convite. Espero voltar outras vezes,
- 1:04:45gostei muito de participar. E as pessoas podem me encontrar
- 1:04:49direto no LinkedIn. Ali eu faço algumas reflexões
- 1:04:53também sobre meu trabalho, sobre a nossa área.
- 1:04:56Mas eu espero, de verdade, voltar mais vezes aqui também.
- 1:05:00Obrigada, gente. Muito bem.
- 1:05:03Com isso a gente se despede. Sobrou alguma dúvida?
- 1:05:05Você ficou curioso com mais alguma coisa?
- 1:05:07Quer saber mais? Entre em contato conosco daquele
- 1:05:10jeito mais arcaico possível. Você vai mandar um e-mail para
- 1:05:14contato@abcdoabc.com.br e nós vamos poder discutir mais e
- 1:05:20entrar em mais profundidade no assunto.
- 1:05:22É, eu me despeço de vocês também e espero encontrá Los na próxima
- 1:05:25semana. Eu sou o Thiago Quirino, IA
- 1:05:27conduzir essa conversa hoje e espero que na semana que vem
- 1:05:32consigamos trazer mais uma história, mais um caso diferente
- 1:05:36para trazer impacto para sua vida.
- 1:05:37Muito obrigado e até a próxima. Apresentação, Thiago Quirino
- 1:05:41jornalista convidada, Giovanna baria entrevistado, isidro
- 1:05:45sanini edição de áudio e vídeo, Rodrigo Rodrigues produção, Ed
- 1:05:50baroni direção, Thiago Quirino direção geral, Alex faria.
- 1:05:55Este programa é um produto do portal ABC do ABC.
- 1:05:58As opiniões manifestadas pelo entrevistado não refletem
- 1:06:02necessariamente o posicionamento do portal ABC do ABC para se
- 1:06:06manter informado sobre tudo o que acontece.
- 1:06:08Na região, acesse abcdoabc.com.br.