Latest / SuinoCast · by PPGVET / Dr. Bruno Silva: Longevidade e Desempenho de Matrizes | Ep. 286
Transcript
- 0:05Está no ar o primeiro podcast da suinocultura brasileira, o
- 0:10Suinocast. O pessoal esquece que o futuro
- 0:12do sistema de produção é barranco.
- 0:13Se eu não desenvolver essa fêmea, se eu não trabalhar essa
- 0:16fêmea de forma adequada, não tem longevidade.
- 0:20Siga-nos nas redes sociais, YouTube e Spotify para ter
- 0:23acesso a conteúdo técnico atual, de qualidade, irreverente e
- 0:28gratuito. O Suinocast só é possível
- 0:33através do apoio de empresas inovadoras e que apoiam a
- 0:37educação continuada na suinocultura brasileira.
- 0:40DSM Firmenich, moldando o futuro dos cuidados com suínos.
- 0:45Polinutri Nutrição Animal, juntos vamos mais longe.
- 0:49SEVA, sempre com você, além da saúde animal.
- 0:59Olá pessoal, vamos para mais um episódio do Suinocast.
- 1:02Meu nome é Vinícius Cantarelli, sou host dessa plataforma e como
- 1:05sempre trazemos convidados especiais.
- 1:07E hoje não é diferente, nós estamos trazendo um convidado
- 1:10muito especial, o professor Bruno Silva, uma figura aí já
- 1:15bastante conhecida no mercado, não só brasileiro,
- 1:17latino-americano, mas mundial. É um prazer entrevistá-lo, tenho
- 1:22certeza que nós vamos fazer um bate-papo bem legal aqui e vocês
- 1:25irão aproveitar bastante. O tema nosso É sobre matriz
- 1:28suínas, o Bruno domina muito esse assunto, estratégias para a
- 1:35gente trabalhar o desafio dessas matrizes, mas de antemão já
- 1:40agradeço o Bruno e vou deixar agora ele se apresentar, apesar
- 1:43que todo mundo já conhece o Bruno, mas simplesmente para a
- 1:46gente dar um pontapé inicial aí. Bruno, se apresenta, de onde
- 1:50você veio, conta um pouco da sua história aí para a gente já
- 1:53começar a abordar o tema técnico.
- 1:55Obrigado mais uma vez. Bom, obrigado a você, Vinícius,
- 1:58é um prazer estar aqui hoje. É sempre um prazer a gente poder
- 2:04estar discutindo, conversando um pouquinho sobre os temas que a
- 2:09gente lida no dia a dia dentro do âmbito da suinocultura.
- 2:14Bom, para quem não me conhece, meu nome é Bruno Silva, sou
- 2:18professor da Universidade Federal de Minas Gerais, alocado
- 2:23aqui no campus do Instituto de Ciências Agrárias, essências
- 2:28sagradas da UFMG, que fica em Montes Claros.
- 2:31Então aqui a gente tem o nosso núcleo de estudos em produção de
- 2:36suínos, onde eu coordeno esse núcleo e coordeno a nossa
- 2:41unidade de produção de suínos. Unidade essa hoje que é talvez
- 2:45uma das unidades mais em termos de desenvolvimento de pesquisa
- 2:51com suínos, a nível de América Latina.
- 2:54Acho até legal a gente mencionar os feitos.
- 2:58Recentemente a gente obteve o selo de certificação em
- 3:00compliance e bem-estar. Então, um pouquinho daquilo que
- 3:03a gente vem trabalhando, buscando entender principalmente
- 3:07os aspectos de interação entre o ambiente, a nutrição e a
- 3:12produção de suínos. Originalmente eu sou
- 3:15zootecnista, formado pela Universidade Federal de Viçosa,
- 3:20tenho mestrado e doutorado em bioclimatologia animal e
- 3:24nutrição de suínos, onde eu tive a oportunidade, antes de virar
- 3:31professor aqui da UFMG, eu tive a oportunidade de trabalhar em
- 3:35uma das maiores empresas genéticas do mundo, fui
- 3:38nutricionista global dessa empresa, morei na Holanda há
- 3:40alguns anos, antes tive a oportunidade de fazer uma grande
- 3:44parte do meu doutorado na França, no INRA, então se a
- 3:46gente voltar um pouquinho para o a gente tem a felicidade de
- 3:53poder rodar o mundo, mostrando um pouquinho daquilo que a gente
- 3:56faz, daquilo que a gente desenvolve, e mostrando também a
- 3:59importância da sua cultura brasileira para o mundo como um
- 4:04todo, que é um pouco o que a gente desenvolve e faz aqui.
- 4:09A DSM Firmeniche pode ajudá-lo a preparar, proteger e apoiar a
- 4:14resiliência dos seus leitões, fornecendo experiência local em
- 4:18suínos e soluções completas e personalizadas para ajudá-lo a
- 4:22concretizar a sua visão. A DSM Firmeniche está moldando o
- 4:26futuro dos cuidados com suínos. Muito bom, Bruno.
- 4:32Antes da gente começar... o assunto técnico que a gente
- 4:36propôs, eu, como professor universitário, também gostaria
- 4:39de parabenizá-lo, porque o feito que você tem, o projeto que você
- 4:47delineou e o que tem realmente acontecido dentro do setor de
- 4:51suinocultura junto com o núcleo de estudo que você orienta, é
- 4:55realmente fantástico, está dando um exemplo para nós de que é
- 4:58possível fazer as coisas. Você sabe dos desafios, nós
- 5:00sabemos dos desafios, mas eu gostaria de, em público aqui,
- 5:04parabenizá-lo, porque realmente é algo que impacta positivamente
- 5:08quem está passando ali, transformando estudantes em
- 5:11profissionais e gerando valor para a cadeia.
- 5:14Então, muito bom mesmo, eu acho que foi muito bom você comentar
- 5:17isso daí. Todo mundo acompanha aí no
- 5:19LinkedIn, nas redes sociais, o movimento que vocês estão
- 5:22fazendo e que continue cada vez melhor.
- 5:24Mas vamos lá, vamos para o nosso assunto técnico.
- 5:27Eu sei que tem muito resultado sendo gerado aí na estrutura de
- 5:31vocês, né? E aí é o que a gente está aqui
- 5:34ansioso para você compartilhar parte desses resultados e tua
- 5:37experiência, tua vivência também, né?
- 5:40O Bruno, como disse, pessoal, teve experiência de campo, é um
- 5:44baita de um pesquisador, é um baita de um consultor, ministra
- 5:46palestra no mundo inteiro. Então, vou tentar fazer minha
- 5:50parte aqui como host, de sugar o máximo de conhecimento aqui e
- 5:55informação do Bruno. Bruno, vamos lá, cara.
- 5:58A suinocultura hoje é uma atividade muito dinâmica e muito
- 6:03dessa dinamicidade que acontece é por conta do melhoramento
- 6:07genético que vem, principalmente nos últimos anos, focado na
- 6:13hiperpolicidade das matrizes. Isso é um resultado fantástico.
- 6:16A gente sabe que não tem volta mais, né?
- 6:21Mas dentro desse contexto existem desafios.
- 6:24E você tem trabalhado muito em cima disso como nutricionista,
- 6:29seja na pesquisa, seja na consultoria.
- 6:32Se a gente for pensar num tripé entre desafios, estratégias e
- 6:38definitivamente soluções, Como é que a gente poderia, queria
- 6:41ouvir de você, fazer um contexto geral para a gente iniciar,
- 6:46quais são os principais desafios, o que a gente tem
- 6:48trabalhado como estratégias e realmente o que tem sido
- 6:51solução? Vamos lá, sem dúvidas.
- 6:55Eu acho que do ponto de vista genético, a velocidade com que a
- 7:00genética impõe as alterações é impressionante. se a gente
- 7:06considerar que, eu tenho vinte anos de suinocultura,
- 7:09basicamente há vinte anos atrás a gente estava discutindo aqui
- 7:13índices de produção associados com vinte e seis, vinte e sete
- 7:16desmamados, vinte anos depois a gente já está discutindo
- 7:19quarenta, então a gente está quase batendo quarenta.
- 7:21E é claro que muitas vezes a gente está muito focado em cima
- 7:25de nascidos, em cima de desmamados, mas a fêmea não se
- 7:30limita só a isso. É importante a gente entender
- 7:34que muito mais do que a gente garantir o número de leitões
- 7:38nascidos a mais, ou leitões desmamados, a gente precisa
- 7:41garantir que os animais cheguem até a ponta do sistema de
- 7:47produção. Então, não é só sobre uma
- 7:49questão de número de desmamados, mas uma questão de número de
- 7:52sementes. ciência, que no final é aquilo que você fala muito, o
- 7:59custo, o retorno sobre investimento, ele está no
- 8:03cevado, é o cevado que vai dar esse retorno para a gente lá na
- 8:05frente. Então, a gente não pode deixar
- 8:09de entender que para que a gente alcance esse potencial, a gente
- 8:16precisa primeiramente respeitar os requerimentos desse animal,
- 8:20dessa fêmea de alto mérito, alto potencial produtivo.
- 8:26É importante a gente entender que a surocultura, as etapas de
- 8:32produção estão muito conectadas. Eu dei trabalhos recentes
- 8:35mostrando para a gente que se eu exponho durante a gestação, isso
- 8:41pode impactar em até trinta por cento a quarenta por cento do
- 8:44rendimento de carne magra da progene dela lá no abate.
- 8:48E não só, ou seja, tem mais, por exemplo, leitões de fêmeas que
- 8:53passaram por estresse gestacional são animais mais
- 8:56agressivos na engorda. Agora, os recentes mostram isso
- 8:59pra gente. São animais que têm mais
- 9:00dificuldade de interação social. E se eu tenho mais dificuldade
- 9:03de interação social numa vaia, eu gero mais desigualdade, mais
- 9:07dispersão, mais desafios imunológicos.
- 9:09Então, ou seja, é mostrar que o manejo como um todo, o programa
- 9:16como um todo, ele tem que contemplar essa integração entre
- 9:20as diferentes etapas da vida do animal.
- 9:23E assim, a fêmea hoje está nos mostrando isso.
- 9:25A fêmea está dizendo, olha... eu não consigo seguir produzindo o
- 9:30que eu posso produzir, o que eu tenho que produzir, com esse
- 9:32manejo que vocês estão me adotando.
- 9:35E como a gente sabe disso? Os índices de mortalidade de
- 9:37fêmeas. Nós partimos de patamares de
- 9:40quatro, três por cento, para patamares até vinte, vinte e
- 9:43dois por cento de mortalidade de porcas ao ano.
- 9:45E aí, obviamente, quando a gente fala de mortalidade de fêmeas,
- 9:49se você categorizar isso aí, você tem aproximadamente
- 9:52quarenta por cento dessas mortes são por morte súbita, sem mais
- 9:56nem menos, aproximadamente trinta por cento o problema de
- 9:59abrumos, ou seja, aparelho locomotor, estrutura óssea, e
- 10:05aproximadamente vinte e oito por cento por prolapsos, prolapsos
- 10:08retais ou prolapsos uterinos. E quando a gente analisa o
- 10:12entendimento desses problemas, praticamente quarenta por cento
- 10:16das mortalidades são desconhecidas, ou o pessoal não
- 10:18investiga na grande no dia a dia, e os outros sessenta por
- 10:22cento ali é multifactorial, ou seja, tem uma série de fatores
- 10:25que podem estar envolvidos. do entendimento da exigência dessa
- 10:30fêmea, uma fêmea hoje para produzir aproximadamente
- 10:34quinhentos, sessenta, seiscentos litros de leite ao ano, que uma
- 10:37fêmea dessas é capaz de produzir hoje, no auge da capacidade
- 10:41produtiva dela, equivale praticamente a quase duzentos
- 10:46por cento, ou seja, a demanda de nutrientes para atender isso
- 10:50equivale a duzentos por cento da massa corporal dessa fêmea.
- 10:54Ou seja, a boca tem que se desmanchar duas vezes por ano
- 10:56para produzir. E para entregar também fetos com
- 11:01toda a parte de desenvolvimento gestacional, isso vai girar em
- 11:05torno ali de sessenta por cento. Então, assim, a gente vê que tem
- 11:09uma exigência muito grande. Eu brinco que eu falo sempre que
- 11:13quando a gente discute hoje nutrição de fêmeas ou manejo
- 11:18aplicado a fêmeas, sobra poesia e falta tecnologia.
- 11:24Tem muito poeta no campo aí. Tem um monte, um monte de poetas
- 11:28aí. Não é o que tem que fazer isso,
- 11:30tem que usar aquilo, mas na hora que você entra pra granja, o
- 11:33cara não consegue alimentar a porca.
- 11:35Ele tem uma linha, ele não consegue diferenciar uma fêmea
- 11:38jovem de uma fêmea adulta. Então, assim, recentemente a
- 11:40gente publicou um trabalho com nutrição de precisão, onde a
- 11:42gente aplicou o conceito da dinâmica da exigência da fêmea,
- 11:48ou seja, em cima da exigência diária dela, tanto na gestação
- 11:52como na lactação, o resultado, quando eu permito que a fêmea
- 11:56possa, ou seja, que a fêmea receba a relação ideal de
- 12:00nutrientes diariamente em função do peso metabólico, em função do
- 12:04estágio produtivo dela, isso me deu dois leitões nascidos a
- 12:08mais. E não só dois leitões nascidos a
- 12:11mais, mas reduziu em oito por cento o coeficiente de dispersão
- 12:15da leite agada. Ou seja, vai contra aquilo que
- 12:17todos os números mostram. Todos os gráficos tradicionais
- 12:21indicam. Ah, aumenta o número de leitões,
- 12:23aumenta a dispersão. Na verdade, não.
- 12:26Aumentou o número de leitões e não aumentou a dispersão.
- 12:28Baixou a dispersão. Por quê?
- 12:30Porque você direciona a nutrição de uma forma mais funcional e
- 12:33mais efetiva. A mesma coisa na lactação.
- 12:35Acabamos agora até de doutorar na lactação, onde a gente
- 12:39reduziu em onze por cento o quilo ou custo do quilo do
- 12:44leitão produzido na maternidade. Então, são de onze por cento.
- 12:48com nutrição de precisão. As porcas comeram quinze quilos
- 12:51a vinho de ração para produzir a mesma coisa, sem comprometer
- 12:54aspectos produtivos e reprodutivos.
- 12:55Então, assim, mostra que a fêmea tem um grande potencial, só que
- 13:01a gente precisa investir. A gente precisa trazer novos
- 13:06conceitos, novas abordagens, novas metodologias para poder
- 13:10atender exigências dos animais. E é o que eu falei, o animal
- 13:13está mostrando isso para a gente.
- 13:14Olha, a porca está morrendo. porque ela está subprodutiva em
- 13:18várias situações. Então, assim, por experiência de
- 13:23vivência de campo, visitando vários lugares, várias partes do
- 13:29mundo, Assim, a mentalidade, de certa forma, ela só muda quando
- 13:36há uma pressão muito grande em termos de necessidade de
- 13:42alterações ou de adequações. E a primeira delas é a mão de
- 13:45obra. A hora que começa a faltar a mão
- 13:46de obra, eu tenho que partir para a tecnologia.
- 13:50Mas o cara não passa para a tecnologia porque está pensando
- 13:52em melhorar o aspecto produtivo e reprodutivo da fêmea e a
- 13:54metabolização. Assim, foi Europa, Estados
- 14:00Unidos, e a gente começa a ver também esse perfil de mudança
- 14:04aqui na América Latina e na Ásia também.
- 14:07Então, assim, eu acho que nós estamos engatinhando ainda em
- 14:14termos de entendimento do que a fêmea precisa.
- 14:16Aliás, a gente sabe que ela precisa em termos daquilo que a
- 14:19gente tem que aplicar e como a gente tem que aplicar isso no
- 14:21campo, né? Excelente, excelente.
- 14:25Foi bom você ter abordado, Bruno.
- 14:27Não estava um pouco no nosso script a questão de nutrição de
- 14:29precisão, que eu sei que você tem muito resultado.
- 14:32Nós vamos voltar a falar nisso, nesse próximo tópico que eu vou
- 14:37levantar aqui. Você disse, você levantou a
- 14:41questão do desgaste dessas fêmeas.
- 14:43Ou seja, em entre os seiscentos listas, ela se desmancha duas
- 14:47vezes praticamente. por ano, e isso a gente tem visto cada vez
- 14:53mais, principalmente agora com a possibilidade da gente explorar
- 14:57mais nossos experimentos com estudos de processo
- 15:00inflamatório, de biomarcadores, de microbiota.
- 15:04Eu acho muito interessante a gente até mesmo comparar com a
- 15:08saúde humana, com a fêmea, com a mulher, quando está no processo
- 15:12de gestação e vai ter o parto e tal.
- 15:17E o periparto, ele desgasta muito a fêmea.
- 15:21A fêmea já vem num desgaste, ela já é bastante explorada, vamos
- 15:26dizer assim. E dentro disso, você mostrou aí
- 15:31as causas de imortalidade, ou de descarte, melhor dizendo.
- 15:37E a questão óssea. do desgaste ou a saúde óssea dessa fêmea é
- 15:41muito importante por conta da estrutura que ela precisa de
- 15:47sustentar, né? A imunidade dessa fêmea, porque
- 15:54você imagina o processo oxidativo e inflamatório
- 15:57principalmente concentrado ali antes, durante e um pouco após o
- 16:02parto. A gente tem visto estudos com o
- 16:05processo inflamatório bastante acentuado, com a maioria dos
- 16:09casos de desbiose intestinal. Mas nós temos, como você disse,
- 16:13que garantir retorno sobre o investimento.
- 16:16Então, se a gente for pensar nesse... não vou dizer nem entre
- 16:21pé, mas nesses três pilares, entre saúde óssea, imunidade,
- 16:25longevidade, pensando no desgaste dessas fêmeas, no que
- 16:29ela vai trazer, uma qualidade do leitão, na colonização
- 16:32microbiana, de imunidade de colostrum, e de retorno sobre
- 16:37investimento na longevidade dela, Eu gostaria de levantar
- 16:43esses três pontos e a gente explorar alguns nutrientes
- 16:46específicos. Por exemplo, se a gente for
- 16:51pensar na vitamina D, ela está envolvida na questão da
- 16:55estrutura óssea, obviamente. Mais recentemente, a gente tem
- 17:00bastante estudo não só com suínos, mas com várias espécies,
- 17:03inclusive com humanos, para a questão de imunidade. e
- 17:07longevidade dessas fêmeas. Claro que, por favor, fica a
- 17:11vontade de explorar outros nutrientes, outras estratégias,
- 17:14mas como é que vocês têm pensado, quais têm sido os seus
- 17:18estudos nesse sentido, pensando em nutrientes especificamente,
- 17:22nesses três pilares? Bom, eu acho que quando a gente
- 17:27fala de longevidade de fêmeas, tudo começa no desenvolvimento
- 17:30da futura reprodutora, barra. Começa tudo ali.
- 17:35Aí é outra questão. Também, é um mundo à parte.
- 17:39O pessoal esquece que o futuro do sistema de produção é
- 17:42barranco. Se eu não desenvolver essa
- 17:44fêmea, se eu não trabalhar essa fêmea de forma adequada, eu não
- 17:46tenho longevidade. E tudo isso que você citou,
- 17:49problemas de estrutura óssea, problemas locomotores, dano
- 17:54oxidativo, tudo começa lá atrás. inclusive o estabelecimento de
- 17:59uma alfa-diversidade, uma beta-diversidade saudável, nessa
- 18:03lá atrás. Então é interessante, eu fico
- 18:06abismado, é uma coisa que a gente vem trabalhando
- 18:09recentemente da forma bem mais simpática com as granjas, é que
- 18:14quando a gente analisa o manejo adotado com a futura
- 18:17reprodutora, geralmente é a fêmea que é esquecida dentro do
- 18:20galpão, dentro do sistema de produção.
- 18:22Só lembram dela na hora que eles têm que começar a preencher ou
- 18:25fazer reposição. O que acontece?
- 18:27Dizer que eles tratam essa fêmea muitas vezes como uma fêmea de
- 18:30engorda. Submetem aos mesmos sistemas de
- 18:33alimentação de fêmeas de engorda.
- 18:35Qual que é o problema disso? O problema é que do ponto de
- 18:38vista genético, os animais hoje estão selecionados geneticamente
- 18:44para maior eficiência de crescimento muscular.
- 18:46A prioridade hoje nos nutrientes não é para a estrutura óssea.
- 18:51É para crescimento muscular, do ponto de vista genético.
- 18:54Um trabalho muito bacana publicado pelo professor Alisson
- 18:56da Divisosa, mostrando a expressão mitocondrial, a
- 18:59correlação dos difósforos, de vitaminas e tal, e mostra isso,
- 19:03que hoje a prioridade é crescimento muscular.
- 19:17o problema é que ela vai crescer o custo de sacrificar a
- 19:19estrutura óssea. Para para pensar, hoje nós temos
- 19:22um alto índice de fraturas nas linhas de abate, ou seja,
- 19:27principalmente se a gente está indo a pesos mais elevados,
- 19:30entre trinta quilos, cento e cinco quilos, e uma das
- 19:32principais reclamações hoje é que os animais estão fraturando
- 19:34as pernas na descida, no desembarque do caminhão, no
- 19:37caminhar dentro do frigorífico, então, ou seja, isso gera um
- 19:41impacto, isso gera um prejuízo. Então, isso está mostrando para
- 19:43a gente, olha, o animal mudou e, portanto, a gente precisa
- 19:46começar a rever os conceitos. Então, assim, antes, obviamente,
- 19:49da gente abordar propriamente aditivos em si, a gente precisa
- 19:52entender que a formação primária da estrutura corporal do animal
- 19:57é essencial. Então, se eu quero ter
- 20:00longevidade, eu preciso trabalhar o desenvolvimento da
- 20:02estrutura óssea da minha fêmea. Então, para você ter uma ideia,
- 20:04quando a gente fala de relações calcifósforo, se eu quero máxima
- 20:08deposição óssea ou resistência óssea, pensando em longevidade,
- 20:16Calcio fosforo digestível. Se eu quero buscar máximo
- 20:20crescimento muscular, eu vou trabalhar uma relação de um
- 20:23ponto sete. Olha como que são dois mundos
- 20:27completamente distintos quando a gente aborda a relação da
- 20:30exigência para crescimento corporal e para estrutura óssea.
- 20:35Então o que acontece ali? Se eu permito um desenvolvimento
- 20:40adequado, ou seja, um equilíbrio entre idade reprodutiva, idade
- 20:46fisiológica e peso, eu consigo iniciar um processo adequado de
- 20:51formação dessa fêmea. O grande problema hoje nas
- 20:54granjas é que muitas vezes eles focam em uma única variável, ou
- 20:58idade ou peso. O problema é o seguinte, se eu
- 21:02tenho uma fêmea que tem duzentos dias de idade e ela está pesando
- 21:06cento e sessenta quilos, o que significa isso?
- 21:08Enfim, ela cresceu demais. E aí eu vou ter a estrutura
- 21:11óssea dela comprometida. Batata, essa fêmea não chega ao
- 21:15terceiro quarto. Não chega.
- 21:17A probabilidade de ela ser descartada no final do segundo é
- 21:19muito grande. Ao mesmo tempo que eu posso ter
- 21:22uma fêmea que tem duzentos dias e está com cento e vinte quilos.
- 21:26Ou seja, ela não cresceu. Então, ou seja, eu preciso
- 21:29buscar. E o problema é que se o cara
- 21:30bota como meta a idade, ele vai inseminar todo mundo ali.
- 21:34Seja de cento e sessenta, seja cento e vinte.
- 21:36Ou o contrário, se eu boto como meta peso, se eu sei que
- 21:40fisiologicamente o ideal hoje é de duzentos e trinta e duzentos
- 21:43e cinquenta dias, se eu estabeleço ou seja, uma meta de
- 21:49peso, ah, cento e cinquenta quilos, e ela cresceu muito
- 21:52rápido, pode ser que eu estou inseminando ela com cento e
- 21:53noventa dias. Então, fisiologicamente, com a
- 21:56visa reprodutiva, eu vou correr o risco de comprometer a vida
- 21:59reprodutiva subsequente dessa fêmea.
- 22:02Então, ou seja, começa por ali. Tem trabalhos muito legais, tem
- 22:05um trabalho bem bacana desenvolvido na Federal do
- 22:07Paraná, em que eles correlacionaram a incidência de
- 22:11osteocondrose em marrãs com a nutrição na creche.
- 22:17Então, ou seja, mostra que uma subnutrição materna na fase de
- 22:21creche ou uma nutrição mineral e vitamínica inadequada compromete
- 22:28a estrutura óssea lá da marrã lá na frente e que depois vai
- 22:31comprometer a continuidade e mantença desse animal. dentro do
- 22:35sistema. E aí quando a gente fala de
- 22:38nutrientes que estão associados com esse ponto importante, que é
- 22:43a estrutura ósseo e tudo, a gente não pode deixar de falar
- 22:45da relação entre vitamina D, cálcio e fósforo.
- 22:47É que muitas vezes a gente está sempre tiver níveis adequados de
- 22:55vitamina D, eu não tenho solução de cálcio fósforo.
- 22:57Eu não tenho a eficiência no uso desse fósforo dentro do processo
- 23:02de mineralização, assim como o próprio cálcio.
- 23:05Então, o que acontece ali? Eu preciso começar lá atrás.
- 23:09Eu preciso começar entendendo que a futura reprodutora é um
- 23:12animal distinto, é um animal diferente, um animal de engorda
- 23:15e, portanto, eu preciso trabalhar e respeitar a
- 23:17exigência desse animal. Para para pensar, o animal na
- 23:20engorda, o cara é está fazendo, tentando buscar modelar o
- 23:27animal, mais próximo ali da possibilidade logística do
- 23:31sistema. Quando eu analiso o barracão de
- 23:33Mahan, o que o cara faz? Ele trabalha uma ração ou duas.
- 23:36Você força o animal a um desvio e uma tentativa de crescimento
- 23:41compensatório que sempre vai ser incompleto.
- 23:44É importante a gente frisar que o suíno não tem crescimento
- 23:46compensatório efetivo ou eficiente.
- 23:50O animal, do ponto de vista genético e do ponto de vista da
- 23:53modelagem, o suíno segue um padrão de crescimento complexo.
- 23:56Se a gente lembrar da modelagem matemática, todo suíno está
- 23:59programado para seguir uma curva de crescimento sigmoide, onde
- 24:03está programado chegar num platô.
- 24:05Ele pode chegar nesse platô com máxima eficiência ou com muito
- 24:08pouca eficiência, mas ele vai fazer de tudo para chegar lá.
- 24:11É assim com a fêmea. trabalham com dietas que abrangem um
- 24:18período, ou seja, dietas médias que abrangem um período mais
- 24:21longo, eu vou forçar esse animal a esse desvio metabólico.
- 24:25Uma hora ele está recebendo mais do que precisa, uma hora está
- 24:28recebendo menos. E aí quando recebe mais, ela
- 24:30tenta compensar o momento em que ela está recebendo menos.
- 24:33Isso leva a um desvio no padrão metabólico desse animal.
- 24:36E aí como consequência disso, eu passo a ter muitas vezes uma
- 24:40deposição excessiva de gordura. Porque o animal vai crescer, vai
- 24:44tentar buscar o ponto de maturidade dele, metabólica.
- 24:48E muitas vezes é o custo de gordura.
- 24:50Esse é o grande problema. E aí eu sacrifico estrutura
- 24:54óssea, sacrifico aparelho mamário, porque a gordura tem um
- 24:58efeito cumulativo muito grande na linha mamária.
- 25:02E obviamente sacrifico a possibilidade, a longevidade
- 25:04desse animal dentro do sistema. Ou seja, tudo começa ali. com
- 25:12essa futura reprodutora, se eu conseguir desenvolver ela bem, a
- 25:15hora que eu arranco com a gestação dela, aí obviamente vem
- 25:19o entendimento dos diferentes fenômenos metabólicos que
- 25:24ocorrem ao longo da gestação. É o que eu comentei ali da
- 25:27nutrição de precisão que a gente trabalhou.
- 25:29Entendendo que a fêmea, ela passa por diferentes etapas
- 25:35metabólicas, Eu tenho um período de crescimento corporal, eu
- 25:41tenho um período de desenvolvimento de estrutura
- 25:43óssea, eu tenho um período de desenvolvimento de aparelho
- 25:44mamário, eu tenho um período de desenvolvimento de estrutura de
- 25:48crescimento fetal. Então, ou seja, ela passa por
- 25:52etapas muito dinâmicas ali e a gente precisa respeitar.
- 25:56O que acontece no campo é que, é o que eu falei, falta
- 25:59tecnologia. Muitas vezes não tem estrutura
- 26:01para você respeitar essa exigência dinâmica da fêmea.
- 26:05E aí você força a fêmea a buscar alternativas de compensação.
- 26:11Só para você ter uma ideia do quão dinâmico isso é, quando eu
- 26:16falo sobre a relação proteína-energia, no terço
- 26:22inicial da gestação, a relação proteína-energia vai ser em
- 26:25torno de dois ponto um, dois ponto três.
- 26:27Quando eu olho o terço final da gestação, isso vai a três.
- 26:30Então mostra que o momento energia tem um papel importante,
- 26:33Fundamental é o aumento da proteína ter um papel
- 26:35fundamental. O grande problema é que a gente
- 26:37trabalha com uma relação proteína-energia fixa ao longo
- 26:40de toda a gestação e vai tentando, através de volume de
- 26:44ração, compensar. E associado a isso, eu ainda
- 26:47tenho dinâmica de eficiência de aproveitamento de nutrientes
- 26:53distintos. Então, por exemplo, a fase em
- 26:56que a fêmea tem maior eficiência de aproveitamento de lisina é no
- 26:59terço inicial. A fase que ela menos tem a
- 27:02aproveitar o que é eficiente e o aproveitamento é mais baixo é no
- 27:05terço mediano. E o final é um pouco
- 27:08intermediário. Então até nisso você vê que
- 27:10varia. E aí entra outro ponto nessa
- 27:14equação. É o efeito individual.
- 27:17O efeito do indivíduo. A individualidade de cada fêmea.
- 27:20Que agora está cada vez mais clara por causa dos sistemas de
- 27:23gestação coletiva. Quando você parte para a
- 27:25gestação coletiva com máquinas, você começa a entender o efeito
- 27:28da individualidade. Eu trabalho com modelagem.
- 27:31A gente implementa a modelagem nas nossas máquinas de nutrição
- 27:34de precisão aqui na gestação. Teoricamente, através dos
- 27:37modelos matemáticos, considerando o peso dela,
- 27:40considerando aquilo que ela tem que produzir, ela recebe X.
- 27:44Só que depois de cinco, dez, quinze dias, o sistema está
- 27:47mostrando que está tendo um desvio.
- 27:49Ela não está chegando aqui onde está programado.
- 27:51E aí o sistema tem que corrigir. Mas por que ela está chegando?
- 27:55Porque é o efeito do indivíduo. Eu tenho porcas, mesmo sendo a
- 27:58mesma genética, mesma ordem de parto, eu tenho porcas que são
- 28:02socialmente mais ativas. Se ela anda mais, ela gasta mais
- 28:06energia. Ela se desgasta mais.
- 28:09Se ela anda menos, ou se ela é a fêmea que é a última na escala
- 28:12hierárquica, ela é que vive mais estressada dentro do negócio.
- 28:15Ela é a última. E o fato dela estar na escala
- 28:19hierárquica, ser a última, o que acontece?
- 28:21Isso induz a fenômenos como dano oxidativo, estresse oxidativo.
- 28:25Você mencionou. Ainda mais se a gente considerar
- 28:27que as fêmeas modernas, as fêmeas atuais, eu não gosto
- 28:30muito do termo modernas, porque daqui a dez anos fica moderno.
- 28:33Não é moderno, mas é daqui a dez anos.
- 28:35Mas as fêmeas de hoje, vamos dizer assim, essas fêmeas, elas
- 28:39vivem em uma condição de estresse oxidativo sistêmico.
- 28:43Por quê? Porque elas produzem muito. além
- 28:45de produzir muito, elas estão sujeitas, obviamente, a fator
- 28:49desafio. Desafio de interação social,
- 28:52desafio ambiental, desafio nutricional.
- 28:54Então, ou seja, quando a gente fala de aditivos nutricionais,
- 28:58eu fiz esse parênteses, todos montaram eu de informação,
- 29:02justamente para justificar um pouquinho essa questão da
- 29:04nutrição funcional, é justamente isso.
- 29:08Como muitas vezes há uma grande dificuldade do sistema se
- 29:12adequar nesse estágio da fêmea, linhas de silos e por aí vai, a
- 29:21nutrição funcional acaba sendo uma ferramenta essencial.
- 29:25E aí entram esses aditivos funcionais, que tem essa
- 29:29funcionalidade, que visam atender a demanda daquela fêmea
- 29:32de forma pontual muitas vezes, mas também corrigir problemas.
- 29:36corrigir problemas em decorrência desse manejo.
- 29:40E aí foi o que a gente falou, entra a vitamina D.
- 29:42Recentemente publicamos um trabalho, acho que foi ano
- 29:45passado, com vitamina D, um trabalho muito legal, porque eu
- 29:49acho que a gente sempre escutou que a exposição à radiação solar
- 29:52é um fator de pré-disposição para ativar a síntese olha, se
- 30:00as porcas hoje estão enclausuradas dentro de galpões
- 30:03e não tem exposição à radiação solar, então provavelmente os
- 30:06índices de produção de vitamina D são mais baixos.
- 30:10Então nós fizemos um trabalho muito legal, que a gente
- 30:12trabalhou um fatorial em que um grupo de fêmeas era o exposto à
- 30:15radiação solar, o outro grupo seguindo a gestação convencional
- 30:20e os dois grupos suplementados ou não com uma fonte de maior
- 30:24biodisponibilidade, que é o vincicidroxicolecalciferol. que
- 30:28no caso ali, o nosso trabalho ali foi com o RAIDI, né, a
- 30:31cinquenta microgramas que é a medida, que aporta mais ou menos
- 30:34mil unidades internacionais. O legal foi ver o seguinte, as
- 30:38porcas que foram expostas à radiação solar, elas tiveram
- 30:41níveis circulantes de vitamina D mais alto do que aquelas que não
- 30:45foram expostas. Funcionalmente é verdade, viu,
- 30:48aquilo que você aprendeu lá na base é verdade, o animal
- 30:50realmente é a produção de vitamina D.
- 30:53Quando eu associei com a fonte adicional, exógena, de vitamina
- 30:59D, potencializou o resultado de desempenho de uma forma
- 31:03fantástica. Então, isso mostra para a gente
- 31:05o quê? Que as nossas fêmeas têm uma
- 31:08exigência mais alta de vitamina D.
- 31:10E quando eu pego e comparo com a NRC, comparo com as tabelas
- 31:13brasileiras, são muito baixos perto daquilo que esses animais
- 31:17precisam. Eu lembro que quando a gente
- 31:18publicou esse trabalho, eu recebi uma ligação do Alan
- 31:22Shinkan, Ele me ligou e falou, eu acabei de ler seu artigo,
- 31:26você está querendo dizer que as porcas precisam de uma tonelada
- 31:28de vitamina? Eu falei, cara, precisa.
- 31:30Precisa. A gente está mostrando que a
- 31:32exigência dessas fêmeas é muito mais alta do que aquilo que a
- 31:34gente está trabalhando hoje. Então, ou seja, não é as duas
- 31:37mil unidades internacionais, é três mil.
- 31:40E isso é uma condição normal. Se eu desafio essa fêmea, se eu
- 31:43estresso ela, se eu tenho problemas sanitários... aí
- 31:47provavelmente as higienes disso vai ser mais alta.
- 31:49Por quê? A gente sabe a importância da
- 31:51vitamina D quando a gente fala de sistema imune.
- 31:54A importância que ela tem, o papel que ela tem dentro da
- 31:57regulação da resposta imunológica do animal.
- 32:00E isso é interessante a gente mencionar isso, mencionou a
- 32:05questão da mortalidade de fêmeas, o que acontece?
- 32:08A gente vem trabalhando, tentando investigar e entender
- 32:10um pouco o que vem acontecendo com essas fêmeas.
- 32:12Acho que todo mundo passou a ser um fator de atenção no mundo
- 32:16inteiro, entender essa mortalidade.
- 32:19Só que, recentemente, nós começamos a correlacionar essa
- 32:23mortalidade de fêmeas com o nível de constipação,
- 32:26principalmente a morte súbita. Por que eu te falo isso?
- 32:30Nós já vimos em alguns trabalhos uma correlação direta, em
- 32:33trabalhos a campo, uma correlação direta entre a
- 32:35temperatura retal da porca na hora do parto com os índices
- 32:40produtivos pós-parto dela. E o que a gente percebe em
- 32:43fêmeas que apresentam um quadro de hipertermia no momento do
- 32:46parto são fêmeas que apresentam um quadro de constipação durante
- 32:50três, quatro tem mais dificuldades.
- 32:55E tem maiores possibilidades de mortalidade, morte súbita no
- 32:58periparto. Então esse é um ponto.
- 33:01Mais recentemente, alguns trabalhos têm mostrado, e a
- 33:04gente também detectou em alguns aspectos, em alguns momentos em
- 33:07grandes comerciais, não só aqui no Brasil, mas afora, uma
- 33:11correlação à prevalência de Clostridium-Nove, a nível
- 33:14hepático, nessas porcas que estão com morte súbita.
- 33:17Por exemplo, os Estados Unidos recentemente conduziram uma
- 33:19pesquisa, um trabalho a campo, e mostraram que positivas para
- 33:27Clostridium-Nove. Na Espanha foi feito um trabalho
- 33:30também similar, recentemente, e demonstraram que setenta e dois
- 33:35por cento das porcas foram positivas para Clostridium-Nove.
- 33:39Como Clostridium-Nove funciona? Clostridium-Nove é uma bactéria
- 33:41que todos os suínos têm. O negócio é que ela se manifesta
- 33:45diante de uma condição de imunossupressão ou de estresse
- 33:47catabólico intenso. O que acontece?
- 33:50O momento do parto é um momento de estresse para a porca, um
- 33:52momento de catabolismo para a fêmea.
- 33:55E aí é o momento que abre para que bactérias oportunistas como
- 34:00o Clostridium nova se manifestem.
- 34:01E como o Clostridium nova age? Ele causa paralisação hepática.
- 34:05Você abre o fio da porca e parece que é uma matéria
- 34:08esponjosa, cheia de bolhas de ar.
- 34:11O Clostridium nova causa isso. Então ele causa uma paralisação
- 34:14hepática. E é imediato.
- 34:15Você olha para a porca e ela está fantástica.
- 34:17No dia seguinte ela está morta. O que aconteceu com esse bicho?
- 34:21E aí, quando eles analisam, começam a detectar a prevalência
- 34:24dessa bactéria. É interessante isso porque...
- 34:27Por que a gente está correlacionando isso com
- 34:29constipação e com microbiota? Que aí entra um pouco aquilo que
- 34:32você comentou. A fêmea, quando ela se encontra
- 34:36num quadro de constipação mais aguda, significa que as teses
- 34:39estão presentes por mais tempo no trato intestinal.
- 34:41Então, fermentação, produção de hidrotoxinas, que tem uma
- 34:45permeabilidade a nível de epitélio muito grande, muito
- 34:47alta. levam um quadro de imunossupressão para essa fêmea.
- 34:50A gente não percebe, ela está bem, mas ela está com um quadro
- 34:53de imunossupressão. Aqui é o terceiro sinal da
- 34:55gestação. Na hora que ela entra na
- 34:57lactação, ou no parto, que é o momento de estresse e
- 35:01catabolismo, ela já está imunossuprimida.
- 35:03E aí é o cenário perfeito para bactérias oportunistas pularem e
- 35:10começarem a fazer a festa delas. Então, ou seja, o que a gente
- 35:13está vendo? que o tratamento dessa fêmea,
- 35:19mas eu não estou falando tratamento de medicação.
- 35:22Eu estou falando a prevenção através da modulação da
- 35:24microbiota passa a ter um papel fundamental, mas fundamental
- 35:28para isso. E nós, nessa situação, nós
- 35:31resolvemos o problema, por exemplo, com lignocelulose.
- 35:34Excelente, Bruno, excelente. Nós estamos na segunda etapa,
- 35:37ainda tem a terceira etapa, mas você já adiantou um pouco da
- 35:42terceira etapa. Mas só voltando um pouco, para a
- 35:48gente fazer uma conexão entre nutrição de precisão e a
- 35:53nutrição funcional, vamos dizer assim, desses nutrientes
- 35:55específicos. E aí a gente estava, esses dias,
- 36:00num processo seletivo, nós dois, a gente abordou sobre a questão
- 36:04da cinética, cinética dos nutrientes.
- 36:07E aí eu queria colocar mais um ponto, que é o círculo
- 36:10circadiano. Dentro da nutrição de precisão,
- 36:15é possível a gente explorar o conceito de círculo circadiano
- 36:20para nutrientes específicos, tipo a vitamina D e não só
- 36:23aminoácidos, e pensando realmente nessa oportunidade que
- 36:32nós temos de nutrir a fêmea melhor em horário que ela vai
- 36:36aproveitar melhor. Só para a gente fechar esse
- 36:40assunto e já ir para o terceiro e último ponto.
- 36:43O que você acha sobre isso? É uma oportunidade?
- 36:46Com certeza. Eu acho que a gente precisa
- 36:48entender que a resposta comportamental, falando de
- 36:53ingestão, comportamental alimentar, ela é resultado da
- 36:58interação entre o mecanismo inato e o mecanismo associado
- 37:04com a digestão dos nutrientes, ou seja, o perfil de formulação
- 37:07de dieta. Por que eu te falo isso?
- 37:10Quando nós começamos a trabalhar com a nutrição de precisão,
- 37:13implementando conceitos, primeiro a gente buscou entender
- 37:16o comportamento alimentar inato da fêmea.
- 37:27Mas será que esse oráculo ela quer comer mesmo?
- 37:28Ou seja, se eu der a liberdade para ela escolher a forma, o
- 37:32tamanho da refeição, quantas refeições, como é que ela vai,
- 37:36ou seja, manifestar esse tipo de comportamento, que tem muito com
- 37:39o comportamento inato desse animal.
- 37:42E muda muito, né, Bruno? Muda muito com o período do ano,
- 37:46né? Se a gente for pensar...
- 37:47Não, o período do ano nem tanto. se alimentar no momento em que
- 37:57eu tenho uma amplitude térmica ou quando eu tenho um quadro de
- 38:00temperatura mais baixo dentro da zona de termoatividade dela.
- 38:04Isso principalmente na maternidade.
- 38:06Mas de uma forma geral, o que a gente observou?
- 38:09As fêmeas recebiam uma quantidade programada por dia
- 38:12nas máquinas, na gestação. Ela ia lá, ela tinha um horário
- 38:15específico de consumo. Basicamente, noventa por cento
- 38:18do consumo da porca ocorre entre meia-noite e nove da manhã.
- 38:22Esse é o padrão perfil de consumo dela. ali entre quatro e
- 38:29entre sete horas da manhã. Só que nós começamos a observar
- 38:34no final da tarde, às quatro horas, as porcas visitando as
- 38:36máquinas de novo. Na gestação ou maternidade?
- 38:40Na gestação, na gestação. Visitando as máquinas.
- 38:43Inclusive brigando, porque a gente tem câmeras monitorando
- 38:46elas e tudo, brigando para entrar nas máquinas e batendo as
- 38:49máquinas. Eu comecei a pensar, pera lá, o
- 38:51que está acontecendo aqui? Isso é um comportamento de fome?
- 38:54Se ela comeu tudo que estava programado para ela comer, do
- 38:58ponto de vista matemático, ou seja, a exigência dela foi
- 39:01atendida pelo que ela comeu, a exigência de energia, de
- 39:04proteína para o dia e tudo, por que essa porca está manifestando
- 39:07esse comportamento no final da tarde?
- 39:10Então a gente resolveu fazer uma análise, uma avaliação de
- 39:13glicemia dessas porcas. Para nossa surpresa, todas essas
- 39:17porcas estavam hipoglicêmicas no final da tarde.
- 39:20Todas. E receberam aquilo, elas comeram
- 39:23tudo que elas tinham que comer mais cedo, às quatro da manhã,
- 39:24às cinco da manhã. Só que elas estavam muito com
- 39:26glicêmia desde o final da tarde. Foi então que a gente começou a
- 39:28perceber o seguinte, espera lá. O problema não é atender
- 39:32exigências só de energia e proteína.
- 39:36É atender os níveis metabólicos de glicemia.
- 39:41O que a gente observou? As nossas dietas são a base de
- 39:43milho e soja. Qual que é o problema?
- 39:45Mais de cinquenta por cento da fonte primária de energia de uma
- 39:48dieta base de milho e soja vem de onde?
- 39:50Do amido. O amido tem picos glicêmicos
- 39:53altos, mas curtos. Na Europa isso não passa.
- 39:56Por quê? Porque na Europa a dieta basal
- 39:59dos caras, tudo tem fibra. Tudo é subproduto.
- 40:02Casca, aveia, polpa de beterraba.
- 40:05Então eles têm muito subproduto. É trigo, então o animal não
- 40:09mostra esse comportamento. Mas na hora que a gente passou
- 40:11para o mercado de milho e soja... basicamente a gente não
- 40:14tem fonte de fibra adequada, a gente está muito dependente de
- 40:18casca de soja, que tem, isso aí é tema para discutir em outro
- 40:21evento, em outra reunião, mas a questão toda é que a dieta passa
- 40:27a ser um fator de limitação para a sociedade do animal.
- 40:30Então não é só o comportamento em si, mas também como você
- 40:34formula essa dieta. Uma granja comercial, Se eu
- 40:39puder, se eu trabalho uma dieta a base de milho e soja, a minha
- 40:41recomendação é que você faça duas servidas por dia.
- 40:45Uma de manhã cedo e a outra no final da tarde.
- 40:48Para que o animal, obviamente, consiga quebrar esse ciclo de
- 40:51jejum mais prolongado. Agora, se eu tenho possibilidade
- 40:56de trabalhar com um perfil de formulação distinto, com
- 40:59ingredientes que são... Imagina que trinta por cento da
- 41:03energia ou do requerimento de energia da fêmea diário vem da
- 41:07fermentação do intestino no grosso.
- 41:10Vem da produção de ácidos graxos voláteis.
- 41:12Então olha a importância que isso tem para esse animal.
- 41:15Se eu estou tendo hipoglicemia, porque eu não estou conseguindo
- 41:17produzir essa quantidade que essa fêmea precisa, desses
- 41:21ácidos graxos. Então assim, a cinética de
- 41:23comportamento alimentar da fêmea nos mostrou isso.
- 41:26Ela nos mostrou que se eu tenho ingredientes que tem uma
- 41:29cinética de digestão rápida e absorção rápida, afeta também a
- 41:33minha cinética de comportamento alimentar.
- 41:35Então, está tudo interligado. Mesma coisa na lactação.
- 41:39A lactação, oitenta, oitenta e cinco por cento do consumo, ele
- 41:42ocorre entre quatro e seis da manhã.
- 41:46Natural, o comportamento inato da fêmea.
- 41:49Ela apresenta um pico intenso ali e um segundo pico por volta
- 41:53ali das seis, sete horas da noite.
- 41:55Sem interferência do ser humano. A gente registra a cinética aqui
- 41:58com as nossas máquinas, a gente tem as máquinas de nutrição de
- 42:00precisão na maternidade. Então assim, a fêmea ela escolhe
- 42:03como é que vai comer e ela nos mostra isso.
- 42:05Ela conserva aquele mecanismo inato de comportamento.
- 42:10E aí a pergunta é, mas de onde que vem isso?
- 42:12De onde que vem essa modulação, que obviamente tem relação com o
- 42:16ritmo circadiano? Isso tem relação direta com a
- 42:20ancestralidade do animal. Que horas que o javali sai para
- 42:24comer? Que horas que o suscrofa sai
- 42:27para comer? Sai para comer às quatro da
- 42:28manhã, cinco da manhã, porque é a hora que o predador não está
- 42:31ali. Até que o pessoal que é adepto
- 42:34da moda de caçar javali, ele sai para caçar javali às quatro
- 42:38horas da manhã, é a hora que o bicho aparece.
- 42:40Ou seja, é a hora que esses animais comem também.
- 42:42Então é muito interessante como que isso muda muito.
- 42:45E aí o que acontece? Na granja comercial, o
- 42:47funcionário vai impor o manejo dele.
- 42:51E qual é o manejo dele? Ah, eu tenho que tomar café, eu
- 42:55tenho que almoçar, eu tenho que jantar.
- 42:56Ele alimenta a porra no café da manhã, na almoça e na janta.
- 42:59O problema é que ela come sessenta por cento daquilo que
- 43:01ela deveria comer, porque naturalmente ela não tem aptidão
- 43:05para consumir fora daqueles horários.
- 43:07Mas aí você fala, mas ela come, ela come para não passar fome.
- 43:10Já pensou em estar no top um por cento da suinocultura?
- 43:13Acesse academiasuina.com.br e invista no seu conhecimento.
- 43:20O Suinocast só é possível através do apoio de empresas
- 43:23inovadoras e que apoiam a educação continuada na
- 43:27suinocultura brasileira. Alga Prime DHA da Corbyn, o
- 43:31ômega-three de algas para a nutrição suína.
- 43:33Topgen, onde você encontra as matrizes mais completas do
- 43:37mercado. A excelência está no nosso DNA.
- 43:41para a gente ir para uma fase final, eu queria te explorar um
- 43:44pouco agora, pelo menos explorar não, mas te provocar de
- 43:48compartilhar com a gente dois pontos.
- 43:51Recomendação de um livro e um hobby.
- 43:54Apesar que eu sei que você gosta de ler muito, a gente estava
- 43:56falando disso no início da nossa conversa aqui, pessoal, antes,
- 43:59nos bastidores. Compartilha com a gente a
- 44:03recomendação de um livro e um hobby que você, dentro dessa...
- 44:09loucura que é a nossa vida, né, dessa agenda louca, como é que a
- 44:12gente consegue às vezes dar uma pitadinha aí de algumas coisas
- 44:15que não seja essencialmente trabalho?
- 44:18Então, vamos lá, em termos de leitura, né, eu sou bem eclético
- 44:23em termos de escolha de livro, né, minha esposa que fala isso,
- 44:25eu gosto de ler de tudo. E assim, eu chamo atenção para
- 44:30os quatro últimos, né, dois que já terminei, né, Então assim,
- 44:42tem dois livros que me chamam a atenção, eu acho que um deles é
- 44:47de um autor que chama John Carlin, é um livro de dois mil e
- 44:49nove, é um livro que chama Playing the Enemy, ou seja,
- 44:54conquistando o inimigo. É um livro muito bacana, muito
- 44:57legal, remete a um acontecimento na história da África do Sul,
- 45:01que foi o campeonato, a Copa do Mundo de Rugby, em noventa e
- 45:05cinco, a África do Sul recém saindo do apartheid. quando
- 45:09então Nelson Mandela utilizou o evento como uma forma de unir o
- 45:13país. Então eu achei muito legal
- 45:15porque você aprende muito a lidar com o entendimento da
- 45:20diversidade de pensamento, de conceitos, de ideologias.
- 45:26E nessa mesma linha... Tem um que eu li recentemente
- 45:31que chama Rebel Ideas. Chama Power Diverse Thinking,
- 45:35que é um livro de Matthew Seid. Acho que é um livro muito legal
- 45:38porque ele mostra para a gente que ninguém consegue evoluir em
- 45:44todos os aspectos. Se não houver, ou seja, nenhuma
- 45:48sociedade evolui se não houver diversidade.
- 45:52Ninguém consegue evoluir, nenhuma equipe consegue evoluir,
- 45:54nenhuma teoria consegue evoluir se não houver diversidade.
- 45:57Eu acho que é justamente isso que ele prega.
- 45:59Eu acho muito interessante porque a pandemia nos mostrou
- 46:03que o ser humano é o pior dela. Mais egoísta, mais egocêntrico,
- 46:09mais individualista. E o que a gente percebe é que
- 46:12esse retrocesso está impactando na forma e nas coisas, nos
- 46:16acontecimentos globais. A gente vê isso claramente.
- 46:19O mundo hoje... tendendo muito mais a um patamar de guerras, de
- 46:24disputas, de egos, de brilhos, do que propriamente pensando na
- 46:28sociedade como um todo. Deixou-se de lado a consciência
- 46:31social e o bem-estar do próximo para pensar nos aspectos
- 46:36nacionalistas, nas ideias, nos interesses de cada um.
- 46:40E acho que o livro é legal porque, na verdade, ele mostra
- 46:42isso para a gente. E o legal é que ele se
- 46:54dieta, conceitos de nutrição para humanos, que traz um caso
- 46:58muito interessante sobre acidentes com caças
- 47:02norte-americanos. Na década de sessenta, setenta,
- 47:06o nível de acidentes com caças era exponencial em treinamento.
- 47:10E foram descobrir o seguinte, que o cockpit era padrão
- 47:14independente do tamanho do piloto.
- 47:15E aí o que acontece? Pilotos maiores tinham
- 47:17dificuldade para manobrar e estavam mais sujeitos a
- 47:19acidentes. Ou seja, quando eu tenho mais
- 47:22diversidade, eu preciso entender que essa diversidade vem para
- 47:25melhorar, ela vem para trazer novos conceitos, novas formas de
- 47:30enxergar. O Silicon Valley foi isso, por
- 47:33exemplo. O Silicon Valley é resultado de
- 47:35diversidade. Tem um bar, um boteco lá em
- 47:38Silicon Valley, onde todos os dias as grandes mentes
- 47:40pensantes, as grandes empresas se juntavam para tomar cerveja e
- 47:42trocar ideias. Então ali sentava o Steve Jobs
- 47:46com não sei quem, com não sei o quê, os caras trocavam ideias
- 47:48entre eles e eram concorrentes. Então, ou seja, é o poder da
- 47:52diversidade. E é fundamental para qualquer
- 47:54crescimento como um todo. Então, assim, esse de fato eu
- 47:59recomendo, esses dois são livros que eu gosto muito, adorei.
- 48:02Hoje eu estou lendo dois, um que chama Uma Terra Prometida, que é
- 48:07de autoria de Barack Obama. Então, para quem gosta de ler, é
- 48:11um livro de oitocentas páginas, viu?
- 48:15Então, é um livro meio legal, porque ele traz bastante, traz
- 48:20muito da história dele à frente dos Estados Unidos, é o primeiro
- 48:24volume, os desafios, entendimento de sociedade,
- 48:29enfim, eu acho que é muito legal, traz uma visão muito
- 48:33abrangente de mundo, de alguém que teve um papel fundamental
- 48:37durante os anos que ele teve no poder.
- 48:39Eu acho bem legal o livro. É...
- 48:43Tem um que eu estou lendo simultaneamente com esse, que
- 48:46chama Assim Nasceu Uma Língua. Esse já é um pouco diferente, um
- 48:50pouco distinto, mas eu acho que é a base, e eu recomendaria que
- 48:54todo mundo lesse esse livro, Assim Nasceu Uma Língua, é de um
- 48:58escritor renomado, um investigador, um pesquisador que
- 49:02foi professor renomado na Universidade de Amsterdã de
- 49:05Linguística, chama Fernando Vedâncio.
- 49:08Ele conta a história da origem da língua portuguesa.
- 49:11Como é que surgiu o português? E o legal é que ele desmistifica
- 49:15e desmonta as teorias de que o português tem origem no latim
- 49:19romano. Nada a ver.
- 49:22O português vem do galego, da antiga Galécia, que era uma
- 49:28extensão braço da comunidade romana.
- 49:31Então ali falava-se o galego, o galego, em espanhol, na região
- 49:34da Galícia hoje. Então o português vem de lá.
- 49:37Quem conhece a região e escuta, parece que É um brasileiro e um
- 49:41paraguaio falando, é um portunhol misturado.
- 49:44Então é muito legal o livro porque ele traz essa visão de
- 49:50quem somos culturalmente, de como se formou o nosso idioma.
- 49:54E mostra a grande tendência de diversificação dos idiomas, do
- 49:58idioma português. Em breve, nós não vamos falar
- 50:02mais português, nosso idioma vai se chamar brasileiro.
- 50:05Essa hoje já é um tratado que está sendo discutido a nível
- 50:09internacional entre as academias de língua positiva e portuguesa.
- 50:13É que o nosso idioma não vai ser português.
- 50:14Português é Portugal. Nós vamos falar brasileiro.
- 50:18Assim como moçambicano, assim como angolano.
- 50:20Porque houve essa diversidade. Por mais que tenha unido os
- 50:25dicionários em determinado momento, ainda assim é muito
- 50:27diferente. Então, eu acho que é bem legal.
- 50:29É um livro que, para quem quer conhecer um pouco mais da nossa
- 50:33história, eu acho que é um livro bem interessante.
- 50:38Tem um último que eu lembrei aqui agora, que eu acho que,
- 50:41para quem aí entra um pouco dentro do âmbito também,
- 50:46entendendo um pouco o aspecto da geopolítica latino-americana,
- 50:49que chama Uma Ovelha Negra no Poder.
- 50:51Que é um livro que conta, é uma autobiografia de José Mojica,
- 50:56que foi o presidente do Uruguai. Bem legal, bem bacana, tem todo
- 51:00o contexto político, entendimento, as relações com
- 51:05países, com governos latino-americanos, inclusive até
- 51:09com países na Europa. Mas eu acho que o Mungica traz
- 51:13uma visão de mundo e de vida muito interessante.
- 51:15É um conceito de como a gente tem que enxergar, ou pelo menos
- 51:20a gente deveria valorizar as coisas, né?
- 51:23Eu gosto sempre de apontar algumas coisas que eu aprendi
- 51:27com ele, em que ele fala que a gente só é livre se a gente faz
- 51:32aquilo que a gente gosta. Se você se dedicar a trabalhar e
- 51:37fazer aquilo que você gosta, você tem liberdade.
- 51:40Se você foca em cima do trabalho, obrigar o trabalho a
- 51:43uma coisa que você não gosta, você é prisioneiro daquele
- 51:45sistema. não adianta. E outra coisa que ele comenta,
- 51:50que eu gosto muito, que ele sempre coloca, é que, na
- 51:52realidade, o impacto que o consumismo tem nas nossas vidas.
- 51:56Tudo aquilo que a gente compra, a gente não compra com dinheiro,
- 51:59a gente compra com tempo de vida.
- 52:01Ou seja, é só a vida que você está gastando para comprar as
- 52:05coisas. Então, acho que é uma questão, é
- 52:07uma chamada para valores, para aquilo que você realmente tem
- 52:13como importante para a vida. Então, assim, nem tudo é
- 52:16trabalho. Acho que a gente tem que buscar
- 52:18também guardar um capítulo das nossas vidas para ser louco.
- 52:24Eu acho que é isso. Para explorar um pouquinho a
- 52:27loucura. Gostei do termo.
- 52:31A gente fala muito mais recentemente nessas novas
- 52:34gerações, Bruno, sobre os investimentos.
- 52:37Quando a gente pensa em investimento, é investimento
- 52:39financeiro para ter dividendos. Financeiros.
- 52:45Mas e os dividendos de experiência de vida?
- 52:47A gente precisa de nosso tempo de vida que se transforma em
- 52:51dinheiro para ter dividendos de experiência de vida.
- 52:55Bruno, cara, excelente, excelente mesmo.
- 52:58Adorei. Ter esse bate-papo contigo,
- 53:01bastante dinâmico. Pessoal, espero que vocês
- 53:04gostem. Nós tratamos aqui do tema
- 53:06central de nutrição de fêmeas com o Bruno, que é um grande
- 53:09especialista, reconhecido globalmente.
- 53:11A gente tratou os desafios das fêmeas, mas trouxemos aqui, o
- 53:16Bruno trouxe direções de soluções baseadas em nutrição
- 53:20funcional principalmente, nutrição de precisão, falamos de
- 53:23vitamina D, falamos das fibras, tratamos do assunto imunidade,
- 53:27microbiota. Mas uma mensagem importante que
- 53:31eu acho que o Bruno deixou aqui é a gente manter, estar atento à
- 53:34visão holística do sistema. Não adianta ter, nós não vamos
- 53:39ter um aditivo ou um nutriente milagroso que vai resolver o
- 53:43problema. Então nós temos que estar
- 53:44atentos, a equipe, o time como um todo.
- 53:48É lógico que um sistema tem os seus inputs e as tecnologias
- 53:51estão aí para isso, mas nós temos que fazer o dever de casa.
- 53:53Bruno, muito obrigado e espero que vocês gostem.
- 53:57Então, eu que agradeço o prazer de estar com vocês aqui hoje.
- 54:00Bom, a gente está aqui na UFMG, precisando de qualquer coisa, a
- 54:03gente está à disposição, é sempre um prazer poder colaborar
- 54:06e poder ajudar. Um abraço e até a próxima.
- 54:09Lembrando mais uma vez, parabéns por tudo que você está fazendo.
- 54:13Obrigado, agradeço. Até a próxima, pessoal.