Latest / Chá de coragem, com Elisama Santos. / Ep. 38 - ENCONTRANDO O AMOR ALÉM DAS DORES, Chá de coragem com Elisama Santos
Transcript
- 0:00Como que a gente define o nosso valor?
- 0:03Será que o que a gente escuta sobre as pessoas que parecem com
- 0:05a gente interferem na forma que a gente se relaciona?
- 0:10E como é que a gente lida com os nossos medos?
- 0:13Será que dá para se blindar da opinião alheia?
- 0:18Aceita chá de coragem? Eles amam.
- 0:33Quero começar agradecendo pelos seus conteúdos.
- 0:36Te acompanho desde os 22 anos e eles me ajudam muito.
- 0:40Amo seus livros, sua escrita é cura e sempre presenteio pessoas
- 0:43com eles. Obrigada, sou quase uma
- 0:46pregadora de conversas corajosas.
- 0:48Muito obrigada pelo seu trabalho.
- 0:51Eu tenho 26 anos, sou casada com um homem da mesma idade, estamos
- 0:55juntos há 7 anos. E hoje vivemos uma relação
- 0:58deliciosa de cumplicidade, amor, sinceridade e muito tesão.
- 1:03Ele é autêntico, engraçado, amoroso e corajoso.
- 1:08Eu me sinto sortuda por tê lo ao meu lado.
- 1:11Mas há uma questão que me acompanha, que nos acompanha
- 1:13desde o início. Eu sempre tive muito corpo e
- 1:17desde nova fui sexualizada e assediada.
- 1:20Desde os 14 anos me chamamos de mulata corpuda.
- 1:25Já ele, negro, retinto, de aparência jovial, sempre teve a
- 1:29idade questionada, por isso sempre ouvimos comentários
- 1:33maldosos. Questionava meu caráter por
- 1:35estar com ele, diziam que me imaginava com um homem mais
- 1:38velho e com outra aparência, teve até assédio de um tio dele.
- 1:43Tudo isso não seria muito e por vezes gerou inseguranças.
- 1:46Ele se perguntava se era suficiente pra mim e eu me
- 1:52questionava se não deveria estar com um homem mais velho.
- 1:55Hoje o que mais me assombra é o medo de envelhecer.
- 1:59Eu tenho pavor de ser trocada por alguém mais jovem.
- 2:02Brinco dizendo, eu sei que você vai me trocar pra uma novinha
- 2:04quando eu tiver 50 anos, mas por dentro isso me angustia.
- 2:08Eu quero envelhecer se independer de 1000
- 2:10procedimentos, mas eu já penso em botox.
- 2:12Eu pesquiso sobre estética e eu até cogitei terminar para evitar
- 2:16uma Futura decepção. Me ajuda com seu pitaco, beijos
- 2:20e te adoro. Essa história, ela mexeu muito
- 2:27comigo e eu quero te dizer que eu compreendo, infelizmente,
- 2:33compreendo muito o que você tá falando.
- 2:37É a tua relação com o teu corpo e os teus medos.
- 2:41A primeira coisa que eu quero dizer para vocês é que a nossa
- 2:46noção do que é Belo e do que é feio, ela é construída
- 2:49socialmente. E entre o Belo e o feio, a gente
- 2:53tem um Monte de nuances, tá? A gente tem um Monte de coisa no
- 2:56meio desse caminho. E a mulher, normalmente a mulher
- 3:02negra, principalmente a mulher negra, ela fala, né?
- 3:04A mulher ela é mulata, chamava mulata, essa mulher do corpão
- 3:09centro fino, quadro largo, grandona, ela é vista dentro de
- 3:15um estereótipo. E o homem negro?
- 3:20Como o namorado dela, marido dela, também é visto de um
- 3:24estereótipo. A gente está falando de 2 corpos
- 3:27que são hiperssexualizados na nossa cultura.
- 3:31E aí eu vou falar um pouco de mim, porque eu vivi isso.
- 3:38Não essa questão de dele parecer mais jovem, nada disso, mas da
- 3:43corpuda, da gostosona, da. Daqui tinha dificuldade de se
- 3:49relacionar, da que teve o corpo objetificado, porque era essa
- 3:54mulata e estou aqui usando aspas, tá, gente, porque eu
- 3:58odeio essa palavra, mas eu cresci ouvindo isso com 1112
- 4:03anos. Eu era sediada horrivelmente na
- 4:05rua, porque eu tinha aquele corpo de dançarinas, de de de
- 4:09pagode, sabe? Eu tinha assim, na minha
- 4:11infância, a gente tinha o Tchan e eu tinha o corpo das
- 4:13dançarinas, É O Tchan segura fininha, o quadril bem largo,
- 4:17com 1011 anos. Hoje eu olho e vejo gente, ela é
- 4:20Helena, é Helena, tem 11 anos. Helena ouvia aquelas coisas
- 4:23horríveis que eu ouvia, eu menstruei muito cedo, então eu
- 4:28sempre Pareci muito mais velha, sempre fui muito assediada por
- 4:33homens mais velhos. Me sempre ouvi coisas horríveis
- 4:36sobre o meu corpo, gente assim, nossa, é muita terapia, tá?
- 4:41Não muita terapia. Eu me lembro de um cara que eu
- 4:46fiquei na época da faculdade. Que ele falou comigo com todas
- 4:51as letras. Ele era um homem negro, retinto.
- 4:55Ele falou comigo com todas as letras que ele não tinha coragem
- 4:59de namorar Sério comigo, porque mulher gostosa é igual a
- 5:05melancia, ninguém come sozinho. Ele falou isso na minha cara.
- 5:12A gente não continuou ficando depois disso, mas aquilo me doeu
- 5:15tanto. Como tinha um estereótipo dessa
- 5:20mulher que entendia o que era um estereótipo de uma mulher muito
- 5:25sensual. E como a mulher que se encaixa
- 5:29nesse padrão é a mulher para gozar e não para casar.
- 5:33E o quanto a isso? Não vamos assumir essa mulher,
- 5:36não vamos dar a mão para essa mulher, não vamos namorar com
- 5:39essa mulher, não vamos casar com essa mulher porque Ela é
- 5:41Gostosa, porque o que ela serve é para outra coisa.
- 5:47Ela serve pra um pra estar em um outro lugar, porque a bunda dela
- 5:51é muito grande porque ela chama atenção.
- 5:54Então ela serve pra estar em outro lugar, não serve pra gente
- 5:57dar a mão e levar pra mamãe e pra pro pai conhecerem.
- 6:03A diferença é com que as pessoas chegavam em mim numa festa e
- 6:07chegavam nas minhas amigas baixinhas, magrinhas e
- 6:10branquinhas. Era enorme, era enorme.
- 6:15Ninguém chegava nas minhas amigas baixinhas e magrinhas e
- 6:19branquinhas com gostoso, mas comigo chegavam assim e achavam
- 6:23muito natural, chega assim, achavam muito natural falar que
- 6:26eu era da cor do pecado, que eu até era bonita, mas caramba,
- 6:32como eu era gostosa e o quanto eu ouvia não só do meu corpo,
- 6:38mas o corpo de mulheres parecidas com o meu, que tinha o
- 6:40corpo parecido com o meu e o quanto.
- 6:44O gostosa parecia que era tudo sobre mim, sabe, gente, vocês
- 6:51não estou entendendo. Quantas vezes eu falei de um
- 6:56autor de um livro e as pessoas se surpreenderam porque eu
- 6:59gostava de ler, eu juro por Deus, eu se surpreendi fazer,
- 7:02AI, você gosta de ler, amo por quê?
- 7:07Porque nossa, com a bunda desse tamanho, porque você gosta de
- 7:10ler assim, é, é esse o nível. De preconceito que a gente tem
- 7:16na nossa sociedade, de imagens construídas sem que você conheça
- 7:20alguém. E gente, eu tô aqui falando
- 7:22isso. Mas a maioria de nós tem de
- 7:25diversas formas diferentes. Diversas formas diferentes.
- 7:32A maioria de nós. Olha uma pessoa assim, sei lá,
- 7:35você olha para alguém, um cara super malhado.
- 7:40Quantas vezes eu olhei e falei, ih, deve ser babaca.
- 7:43Não necessariamente. Quem disse que é?
- 7:46É um preconceito. E aí a gente tá falando aqui de
- 7:52uma relação que junta 2 corpos que carregam peso do preconceito
- 7:59muito grande na nossa sociedade. A gente tá falando aqui desse
- 8:05casamento da mulata com o Negão, que por enquanto, como ele tem
- 8:10cara de ser mais nova e pode ser um Neguinho.
- 8:13A gente está juntando esse essas 2 figuras, que tem um peso no
- 8:16próprio corpo enorme. E aí, gente, o que falam sobre
- 8:22quem a gente é fora da nossa relação na vida?
- 8:25O que a gente aprendeu está dentro nas nossas relações,
- 8:28cara, o cara que me falou que ele não IA namorar comigo porque
- 8:31eu era gostosa demais e não conseguia confiar, namorando uma
- 8:35mulher gostosa com meu, era um homem negro retinto, vocês
- 8:40entendem assim? Era alguém que também tinha.
- 8:43Vivia inúmeros preconceitos e não conseguia perceber o quanto
- 8:45ele estava reproduzindo aquilo, o quanto ele estava reproduzindo
- 8:49um estereótipo dessa mulata. Tem 11 Ted da natali Nery, que
- 8:57eu gosto muito, que ela fala a mulata que não veio, ela fala o
- 9:00peso de não ter virado essa mulata, porque ela é magrinha e
- 9:04o corpo nunca virou o corpo dessa mulata e que também
- 9:07sofreu. E eu lembro quando assisti esse
- 9:09prédio da natali. Eu também chorei muito.
- 9:11Eu chorei muito que eu pensei a minha mulata veio, eu virei essa
- 9:14mulata que disseram que eu IA virar e eu sofri muito por conta
- 9:18dela. Então assim é isso, um corpo.
- 9:21Toda mulher sofre muito. E aí quando você bota o corpo
- 9:26negro, quando você bota esse corpão da gostosona, a gente tem
- 9:3211 peso gigantesco. Mas eu não quero ficar aqui só
- 9:38dando nome. Ah, essa mazela social.
- 9:41Eu quero que você consiga enxergar que tenha um peso
- 9:44social em como a gente olha o outro e que esse peso social ele
- 9:48entra na nossa relação. Ele vai para relação com a
- 9:51gente, mas a gente além do corpo e a gente além desse peso.
- 9:57E quando a gente tem um corpo que é muito sexualizado, um
- 10:00corpo que é muito falado, a gente precisa lembrar que a
- 10:04gente é muito maior que ele. E quando?
- 10:08Ela me fala dele, ela me fala do do marido.
- 10:13Ela me fala que ele é carinhoso, que ele é gentil, que é amoroso,
- 10:21que ele tinha uma relação de cumplicidade.
- 10:25Nada disso tem a ver com o corpo, gente.
- 10:28Nenhum dos elogios que você me disse tem a ver com o quanto
- 10:32você pesa. Conta o tamanho, conta o tamanho
- 10:36da tua cintura, do teu quadril ou com o corpo dele.
- 10:41Ninguém fica mais mais carinhosa, mais gentil.
- 10:45A cumplicidade não aumenta com botox, tá?
- 10:49Não tem nenhum tratamento estético que vai aumentar a
- 10:54cumplicidade. A sintonia não tem, não é sobre
- 11:00tratamento estético. Não tem tratamento estético que
- 11:06vai manter acesa a chama do desejo, porque não é sobre o
- 11:09peso. Eu oscilei muito o meu corpo
- 11:13desde que eu me casei. Isaac oscilou muito o corpo dele
- 11:16desde que ele casou e a gente continua tendo um desejo
- 11:18maravilhoso um pelo outro. A pessoa se expondo de novo, né?
- 11:21É impressionante, mas, enfim, não é sobre essa oscilação, é
- 11:26sobre sintonia, entende? E que você falou que você tem?
- 11:32E aí você me diz algo que você já pensou em terminar para se
- 11:41livrar da frustração e da decepção?
- 11:44O medo de uma dor Futura. Já tava te fazendo querer
- 11:48adiantar essa dor. E isso me lembra a algo que a
- 11:54brene Brown chama de armadura diante da vulnerabilidade.
- 11:58Ela ela diz que a gente tenta se proteger da vulnerabilidade de
- 12:02diversas formas. Não tem muitas formas que a
- 12:05gente tenta se proteger da sensação de que a gente não tem
- 12:07garantias na vida. Tem muitas formas que a gente
- 12:09tenta se proteger desse coração acelerado, dessa coisa que dá na
- 12:15gente. Quando a gente está vulnerável,
- 12:17o que que a gente precisa entender que a gente fica
- 12:20vulnerável. A gente está vivendo a
- 12:23vulnerabilidade nos momentos difíceis da vida.
- 12:26Mas também nos melhores momentos da vida, quando você está muito
- 12:30feliz, quando você está vendo algo muito incrível, também é
- 12:34muito vulnerável. Também não tem garantias e
- 12:38existem muitas armaduras para vulnerabilidade.
- 12:41É o controle. É um tipo de armadura, né?
- 12:44Você querer controlar as coisas. E tem uma em específico que
- 12:48essa, esse e-mail me lembrou, que é a gente antecipar as
- 12:54tragédias. Pra a gente se defender do
- 12:57tamanho dessa Alegria, a Alegria é tão assustadora, a
- 13:01vulnerabilidade é tão assustadora que a gente começa a
- 13:04pensar coisas ruins que podem acontecer, gente daquilo que tá
- 13:07bom demais pra ser verdade, sabe?
- 13:10Tá muito gostoso pra ser verdade.
- 13:12Então assim, o que é que pode acontecer de ruim?
- 13:15Muitos de nós já vivemos isso, acho que que todos nós já
- 13:17vivemos isso. Sabe aquele momento que as
- 13:19coisas estão dando tão certo, você tem até medo de falar.
- 13:23Você tem medo de falar não, tá tudo ótimo, tá tudo lindo.
- 13:25Eu até tenho medo de falar porque isso vai acabar, eu não
- 13:28quero acabar é tão bom, é tão bom, é tão bom que você fala
- 13:32assim e se acabar eu não posso me entregar tanto, porque se
- 13:35acabar eu vou ficar sem isso e o que que você, o que que faz de
- 13:38mim sem isso? Você tá feliz?
- 13:42Você tá num relacionamento que é raro, você tendo um
- 13:45relacionamento que você diz que você tem cumplicidade, amor,
- 13:49entregue a tesão. 7 anos juntos, está viríssimo, que delícia, que
- 13:56delícia. E aí, parece delicioso demais,
- 13:59né? Tem um de errado, pode ser
- 14:02delicioso assim. Será que pode ser tão bom?
- 14:05Aí a gente começa a pensar, não pode ser tão bom, então ele vai
- 14:10me trocar, tá bom agora, mas daqui a um ano não vai, tá bom
- 14:13não, daqui a 2 anos não vai, tá bom não, ele vai me trocar por
- 14:16uma novinha. Porque como a gente é diferente,
- 14:19eu sou gostosona agora. Mas aí a tendência da gostosona
- 14:22é de explicar as coisas. E ele tem cara de não ansiedade.
- 14:26Ansiedade. Ansiedade é um jeito que a gente
- 14:30tem de se proteger, um nível de vulnerabilidade que a Alegria
- 14:36traz, sabe? É, é como assim, você olha uma
- 14:40coisa e pensa, nossa, deixa eu me preparar para perder isso.
- 14:42Isso é tão bom que eu tenho que me preparar para perder isso,
- 14:45porque. Se eu me entregar de vez e ficar
- 14:48curtindo isso aqui, quando eu perder, eu vou me desesperar.
- 14:51Então eu já vou me preparar para perder isso.
- 14:53Agora isso é você querendo fugir da vulnerabilidade, mas essa
- 15:00armadura da vulnerabilidade, ela tem uma consequência muito
- 15:03danosa para nossa vida. É que você deixa de viver a
- 15:07Alegria na sua plenitude. Você deixa de experimentar a
- 15:13Alegria com. Todo o seu corpo, porque você
- 15:19quer se proteger da vulnerabilidade que a Alegria te
- 15:23traz, que aí você fica com tanto medo que você começa a ver algo
- 15:28de errado na Alegria. Olha como a gente, a gente tem
- 15:31uma cabecinha bem dodói. Eu, eu brinco sempre com a
- 15:33minha, com a minha terapeuta, falo, não é dodóizinha a pessoa
- 15:36não é porque é isso. Olha a cabecinha bem dodói, é a
- 15:40variadinha, variadinha. Você tá vivendo uma coisa muito
- 15:44boa. Uma coisa muito incrível.
- 15:46Você está feliz e você está com medo de estar tão feliz.
- 15:54E você começa a ficar assustada com tanta Felicidade.
- 15:57Você começa a pensar no que pode dar errado para você se preparar
- 16:02para coisa ruim. A mundo te pegar de surpresa,
- 16:04vai te pegar desarmada, vai te pegar despreparada.
- 16:07Aí não, você dá, ó, alerta na Alegria.
- 16:12A moça, tu não pode se entregar na Alegria.
- 16:14Tu vai se entregar com o quê? Quando, quando, como tudo bem
- 16:23que você curtir seu relacionamento.
- 16:27Vocês estão com 26 anos. Você sabe Deus que vai acontecer
- 16:32daqui a 24. Sabe Deus que vai acontecer
- 16:36quando vocês tiverem 50? Quem disse que a gente precisa
- 16:40tá pensando no que vai acontecer quando tiver 50 e tá deixando de
- 16:45curtir o hoje porque o que vai acontecer quando tiver 50?
- 16:48Sabe? A gente não consegue se blindar
- 16:51totalmente da opinião ali. Quando a gente junta 2 pessoas
- 16:58que vivem questões sociais difíceis, 2 corpos que são
- 17:04marcados. Por violências de diversas
- 17:08formas, a gente tem cicatrizes e marcas que elas não desaparecem.
- 17:15Como é que a gente lida com elas?
- 17:16É que faz toda a diferença. E esse relacionamento cheio de
- 17:20cumplicidade, cheio de amor. Como vocês têm conversado sobre
- 17:26esse peso, sobre o que vocês já ouviram assim?
- 17:32Gente, eu quando eu falei que eu entendia, meu marido é mais
- 17:35velho do que eu. Meu marido é um cara alto,
- 17:38grande e ainda assim as pessoas brincavam com ele, tá aqui essa
- 17:42daí, tu tem que dar umas 2 ou 3 viagens, Hein?
- 17:45É muito Areia pro teu carrinho de mão, Hein.
- 17:47Como é que se dá a conta de elisama?
- 17:51Gente, eu já ouvi isso. Eu já vi as pessoas brincando
- 17:53com ele na minha frente e sem perceber deixava sendo super
- 18:00racistas. Sabe que estavam sendo violentas
- 18:05com a gente e isso já pesou na nossa relação algumas vezes.
- 18:12Não isso necessariamente da da da gostosona, não isso.
- 18:15Mas assim, de quando a carreira começou a crescer, das pessoas
- 18:18voltarem ainda de outro jeito para falar, Hum, eles vão, não
- 18:21tá famosa. E aí, tu vai fazer o quê?
- 18:26Vai ter sempre alguém sabe, projetando.
- 18:30Os próprios medos em vocês, vai ter sempre alguém, você não
- 18:36violento com vocês. E aí não dá para se blindar
- 18:41totalmente da opinião do outro, a opinião do outro mesh.
- 18:44O que pode ajudar muito é vocês conversarem sobre isso.
- 18:49É vocês entenderem o que é que funciona entre vocês.
- 18:55É vocês entenderem. O quanto a sintonia de vocês
- 18:59está é boa e é única e especial, sabe?
- 19:03É vocês entenderem e falar em da mágoa, da dor, da tristeza, de
- 19:07ouvir alguns comentários. Vocês começarem a escolher como
- 19:11vocês vão responder se vocês acharem que devem responder
- 19:14juntos, sabem? Mas lembrar que o que as pessoas
- 19:20estão falando não é sobre você e ele.
- 19:26É sobre uma história enorme de corpos como o de vocês.
- 19:32É sobre algo que vai muito além de você e dele.
- 19:36E se você tivesse com um cara mais velho, provavelmente iam
- 19:40falar também. No final das contas, é o amor.
- 19:51Ele não está socialmente destinado para nós, sabe?
- 19:57Vai ter sempre algo de errado com quem tá com a gente, porque
- 20:00como assim você tá com ela? Como assim você tá casado com
- 20:04ela? Tem algo na lógica da estrutura
- 20:09da sociedade que quando vocês ficam juntos, alguém tá dando a
- 20:13mão Pra Ela e falando que ela é companheira?
- 20:16Não, ela não é culpa dela, é gostosa.
- 20:19Tá errado, a classificação tá errada.
- 20:23Você tem que se encaixar no que a sociedade diz que você tem que
- 20:26se encaixar, entende? Não é sobre o relacionamento de
- 20:31vocês e talvez seja um esforço que vocês vão precisar fazer
- 20:35juntos. O de lembrar que não é sobre o
- 20:37relacionamento de vocês, o de lembrar que mulheres como você,
- 20:43como eu, ouvem coisas absurdas, desde muito novas.
- 20:49A gente não devia ouvir do que a gente já ouviu na vida.
- 20:54A gente não devia achar que o nosso corpo errado e a gente não
- 21:03devia carregar esse peso dos assédios, medo do desrespeito,
- 21:11da rotulação, da objetificação, da sexualização.
- 21:15A gente não devia. E aí todo dia a gente vai
- 21:19precisar olhar. Pra ver quando é que esse peso
- 21:22tá tá aqui e tirar ele sabe e falar, não, não vou carregar
- 21:27esse peso, não tô ó, tô carregando isso aqui, mas eu não
- 21:30quero carregar isso aqui. Isso aqui não é meu, não é meu
- 21:35vai viver esse teu amor gata, vai aproveitar, vai curtir teu
- 21:43preto lindo aí bem feliz, independente do que os outros
- 21:47falam ou pensam. Independente do que os outros
- 21:50dizem. E se um dia você precisar fazer
- 21:55botox, você quiser fazer botox precisar?
- 21:57Não, porque ninguém precisa. Mentira, eu já precisei, mas foi
- 21:59porque foi 2 ou menos voluntários da fase.
- 22:02Mas assim, se você quiser fazer, deixa esse problema pra tua eu
- 22:07do futuro, sabe? Não deixa essa armadura da
- 22:10vulnerabilidade te pedir de viver hoje, não viver O Presente
- 22:15de ver o que você tem, não vê o que você tem, vive com.
- 22:20Com gosto, com energia, com entrega, não tens não, tá bom, é
- 22:25isso meu amor, se você quer o meu pitaco na tua história, Ah,
- 22:28manda o teu e-mail, tá, manda aqui, quem sabe eu leio, não
- 22:32posso garantir, mas vou tentar, tá certo?
- 22:34E manda esse episódio pra todo mundo que você conhece, Ah, mas
- 22:39essa pessoa não tá vivendo nenhum problema parecido, manda
- 22:42Pra Ela prestar atenção, quem sabe ela já fez uma piada assim
- 22:44com alguém e não sabia nem quem era uma piada horrorosa, manda.
- 22:49Ah, mas minha minha amiga é magrinha, pequenininha, manda
- 22:51também. Hum, serve para todo mundo, tá
- 22:54bom, é isso? Beijo e até o próximo episódio.