Latest / MADTalks | A Partir Pedra / MADTalks #02 | Cinco motivos para NÃO SER maçon
Transcript
- 0:01SPEAKER_00: A Partir Pedra.
- 0:04SPEAKER_00: Isto são as MADTalks.
- 0:05SPEAKER_00: Durante séculos,
- 0:10SPEAKER_02: alguns dos homens mais poderosos e influentes
- 0:12SPEAKER_02: da sociedade têm-se reunido à porta fechada.
- 0:14SPEAKER_01: Sim, a vestir aventais.
- 0:15SPEAKER_02: Exato, a vestir aventais.
- 0:17SPEAKER_02: E submetem-se a uma regra que,
- 0:19SPEAKER_02: à primeira vista,
- 0:19SPEAKER_02: parece um paradoxo absoluto, que é,
- 0:22SPEAKER_02: estão rigorosamente proibidos de discutir política
- 0:25SPEAKER_02: ou negócios dentro daquelas salas.
- 0:27SPEAKER_01: Pois.
- 0:28SPEAKER_02: Quer dizer,
- 0:28SPEAKER_02: por quem observa de fora,
- 0:30SPEAKER_02: a ideia de juntar líderes,
- 0:31SPEAKER_02: pensadores e figuras históricas num sítio fechado para não falar de poder
- 0:36SPEAKER_02: ou dinheiro...
- 0:36SPEAKER_01: Sua à ficção.
- 0:37SPEAKER_02: Sua completamente à ficção.
- 0:38SPEAKER_02: Assumimos quase por defeito que,
- 0:40SPEAKER_02: se há secretismo e pessoas influentes,
- 0:42SPEAKER_02: o objetivo final tem de ser o controle do mundo ou o enriquecimento mútuo.
- 0:47SPEAKER_01: Claro, essa presunção é perfeitamente compreensível.
- 0:50SPEAKER_01: O nosso cérebro procura sempre padrões, não é?
- 0:53SPEAKER_01: E explicações simples para coisas muito complexas da geopolítica ou da economia.
- 0:58SPEAKER_01: No fundo é muito mais reconfortante acreditar que existe ali uma ordem oculta,
- 1:02SPEAKER_01: uma sala onde meia dúzia de pessoas decide o destino das nações,
- 1:06SPEAKER_01: do que aceitar o caos absoluto que é o mundo real.
- 1:09SPEAKER_02: Ora, nem mais.
- 1:10SPEAKER_01: E quando a cultura popular esbarra neste silêncio de uma organização iniciática,
- 1:14SPEAKER_01: preenche logo esse vazio com narrativas de conspiração e de ambição.
- 1:18SPEAKER_02: Pois, e é exatamente essa narrativa que vamos desmontar hoje.
- 1:21SPEAKER_02: Sejam muito bem-vindos às MADTalks.
- 1:23SPEAKER_02: O nosso foco hoje recai sobre um texto que aborda frontalmente
- 1:27SPEAKER_02: as expectativas falhadas de quem bate à porta da ordem Com
- 1:30SPEAKER_02: as motivações completamente erradas.
- 1:32SPEAKER_00: Certo.
- 1:33SPEAKER_02: Vamos debruçar-nos sobre o artigo 5 motivos para não ser maçom,
- 1:37SPEAKER_02: do autor Rui Bandeira,
- 1:38SPEAKER_02: que foi publicado a 10 de abril de 2007 no blog A Partir Pedra,
- 1:42SPEAKER_02: um blog que pertence à respeitável loja Mestre Afonso Domingues nº 5.
- 1:45SPEAKER_01: Exatamente.
- 1:46SPEAKER_02: Mas antes de avançarmos para os argumentos em si, deixo o seguinte aviso institucional.
- 1:50SPEAKER_02: Este episódio foi produzido com recurso à inteligência artificial a partir
- 1:53SPEAKER_02: da análise de fontes documentais.
- 1:56SPEAKER_02: Apesar disso,
- 1:56SPEAKER_02: o áudio só é publicado depois de escutado por obreiros
- 1:59SPEAKER_02: da respeitável Loja Mestre Affonso Domingues nº 5.
- 2:02SPEAKER_01: Bom, e entrando no tema,
- 2:04SPEAKER_01: o que é fascinante aqui neste texto do Rui Bandeira é a forma
- 2:08SPEAKER_01: como ele recusa totalmente qualquer romantização da coisa.
- 2:11SPEAKER_02: Sim, é muito direto.
- 2:13SPEAKER_01: Ele propõe-se a fazer ali uma espécie de triagem filosófica.
- 2:17SPEAKER_01: Ele expõe como a estrutura de pensamento do nosso mundo profano,
- 2:20SPEAKER_01: muito focado na transação,
- 2:22SPEAKER_01: na vantagem pessoal,
- 2:24SPEAKER_01: simplesmente colapsa quando entra em contacto com a metodologia maçónica.
- 2:27SPEAKER_02: Ora bem, vamos lá desembrulhar isto.
- 2:29SPEAKER_02: O primeiro grande equívoco que o artigo aborda é talvez o mais persistente,
- 2:34SPEAKER_02: a procura de poder político e aquela ilusão de controle.
- 2:37SPEAKER_01: O clássico.
- 2:38SPEAKER_02: O clássico, sim.
- 2:39SPEAKER_02: O texto rejeita categoricamente que a instituição sirva de trampolim para
- 2:43SPEAKER_02: a influência política secular.
- 2:45SPEAKER_02: E para ilustrar como funciona a pirâmide de poder lá dentro,
- 2:48SPEAKER_02: o autor escreve,
- 2:48SPEAKER_02: e passo a citar,
- 2:50SPEAKER_02: a função de venerável mestre é aquela em que, afinal,
- 2:53SPEAKER_02: não se tem mais direitos do que o mais recente aprendiz e se tem mais deveres do que
- 2:56SPEAKER_02: os restantes mestres.
- 2:58SPEAKER_01: Pois, e o mecanismo descrito nessa citação é fascinante,
- 3:01SPEAKER_01: porque inverte por completa lógica de liderança
- 3:04SPEAKER_01: que nós estamos habituados cá fora.
- 3:05SPEAKER_02: Como assim?
- 3:06SPEAKER_01: Repara, numa corporação normal ou num governo,
- 3:10SPEAKER_01: o topo da hierarquia acumula privilégios e delega o esforço aos debaixo.
- 3:15SPEAKER_01: Na estrutura de uma loja,
- 3:16SPEAKER_01: o venerável mestre,
- 3:17SPEAKER_01: que é o presidente eleito,
- 3:19SPEAKER_01: atenção,
- 3:20SPEAKER_01: ele tem autoridade real,
- 3:21SPEAKER_01: ele conduz os trabalhos,
- 3:22SPEAKER_01: toma decisões diretivas, é o responsável último pela disciplina.
- 3:26SPEAKER_02: Mas não é um cargo honorífico apenas?
- 3:28SPEAKER_01: Não, de todo.
- 3:29SPEAKER_01: Mas essa autoridade é desenhada exclusivamente como um ónus, um serviço à loja.
- 3:34SPEAKER_01: Exige-se que ele seja o primeiro a chegar e o último a sair.
- 3:38SPEAKER_01: Ele garante a harmonia do grupo.
- 3:40SPEAKER_01: Não lhe confere de maneira nenhuma um mandato para ditar as convicções políticas
- 3:43SPEAKER_01: dos outros membros.
- 3:44SPEAKER_02: Certo, a teoria do serviço é estruturada.
- 3:47SPEAKER_02: Mas os factos históricos exigem que coloquemos alguma pressão sobre essa ideia.
- 3:52SPEAKER_01: Força.
- 3:53SPEAKER_02: Se olharmos para trás, vemos maçons profundamente envolvidos na Revolução Francesa.
- 3:57SPEAKER_02: Em Portugal temos figuras de peso,
- 3:58SPEAKER_02: como o Marquês de Pombal ou o próprio Hipólito José da Costa, não é?
- 4:02SPEAKER_01: Sim, que veio a Londres negociar a carta patente.
- 4:04SPEAKER_02: Exatamente, em 1802, para fundar o Grande Oriente Lusitano.
- 4:08SPEAKER_02: Ou seja,
- 4:08SPEAKER_02: a presença de maçons nestes grandes eixos de poder político é um facto histórico
- 4:13SPEAKER_02: que ninguém pode negar.
- 4:14SPEAKER_01: Claro.
- 4:15SPEAKER_02: Então dizer a um candidato que não há ambição política na maçonaria não esbarra
- 4:20SPEAKER_02: um bocadinho de frente com a própria história.
- 4:22SPEAKER_01: Percebo a objeção,
- 4:23SPEAKER_01: mas eu acho que essa leitura histórica confunde a parte com o todo e,
- 4:27SPEAKER_01: acima de tudo, ignora a enorme complexidade das diferentes correntes maçónicas.
- 4:31SPEAKER_02: Ok, explica-lá isso.
- 4:33SPEAKER_01: Temos de separar,
- 4:33SPEAKER_01: de forma clara,
- 4:35SPEAKER_01: a ação individual de um homem da ação institucional de uma obediência.
- 4:39SPEAKER_01: Quando o Hipólito José da Costa atuou, vê-lo com base na sua visão cívica.
- 4:44SPEAKER_01: Claro que foi influenciado pelos valores que absorveu,
- 4:46SPEAKER_01: mas a instituição em si não se assumia como um partido político.
- 4:50SPEAKER_02: Ou seja, agem a título pessoal.
- 4:52SPEAKER_01: Exato.
- 4:53SPEAKER_01: E mais importante,
- 4:54SPEAKER_01: há uma diferença estrutural tremenda entre a maçonaria liberal ou continental.
- 4:58SPEAKER_02: Que é aquela que historicamente interveio mais.
- 5:01SPEAKER_01: Sim, interveio abertamente nos debates sociais e políticos em vários países.
- 5:05SPEAKER_01: E por outro lado, a maçonaria regular.
- 5:07SPEAKER_02: Que é a linha metodológica a que este blog e esta loja pertencem.
- 5:10SPEAKER_01: Precisamente.
- 5:11SPEAKER_01: Na maçonaria regular,
- 5:12SPEAKER_01: que em Portugal é representada pela Grande Loja Legal de Portugal e que segue
- 5:16SPEAKER_01: a linha da Grande Loja Unida de Inglaterra,
- 5:19SPEAKER_01: a proibição de discutir política e religião não é uma mera sugestão de etiqueta para
- 5:24SPEAKER_01: os jantares.
- 5:24SPEAKER_02: Não é para evitar chatices à mesa?
- 5:26SPEAKER_01: Não.
- 5:27SPEAKER_01: É um mecanismo pedagógico central.
- 5:29SPEAKER_01: O grande objetivo ali é colocar na mesma sala homens
- 5:32SPEAKER_01: que têm visões diametralmente opostas sobre a sociedade e impedi-los de usar
- 5:36SPEAKER_01: o confronto ideológico.
- 5:38SPEAKER_02: O que os força a encontrar outro terreno?
- 5:40SPEAKER_01: Um terreno ético comum.
- 5:42SPEAKER_01: A Ordem procura moldar homens de caráter,
- 5:44SPEAKER_01: esperando que depois,
- 5:45SPEAKER_01: nas suas vidas profissionais e políticas lá fora, eles atuem com retidão.
- 5:50SPEAKER_01: Ou seja, influencia a sociedade através do exemplo ético individual.
- 5:54SPEAKER_02: E não através de diretivas de controlo institucional.
- 5:57SPEAKER_01: Exatamente.
- 5:58SPEAKER_02: Ok, acho que ficou claro.
- 5:59SPEAKER_02: Mas se a política está fora da mesa, a suspeita recai quase imediatamente sobre a economia.
- 6:05SPEAKER_01: Pois claro.
- 6:06SPEAKER_02: Que é o segundo motivo rejeitado no artigo.
- 6:08SPEAKER_02: O dinheiro e a expectativa de facilitação de negócios.
- 6:11SPEAKER_02: Aquela ideia feita de que a maçonaria funciona ali como uma agência de networking de elite.
- 6:16SPEAKER_01: O tal clube de negócios.
- 6:18SPEAKER_02: Isso.
- 6:18SPEAKER_02: O Rui Bandeira usa até uma linguagem muito simbólica para cortar esta ideia pela raiz.
- 6:22SPEAKER_02: E cita o texto.
- 6:23SPEAKER_02: Quem deseja entrar no templo tem que deixar os seus metais à porta deste.
- 6:28SPEAKER_01: Sim.
- 6:28SPEAKER_01: E essa metáfora dos metais é muito reveladora de como a psicologia do ritual funciona.
- 6:34SPEAKER_02: Os metais representam o quê na prática?
- 6:36SPEAKER_01: Representam o estatuto socioeconómico,
- 6:38SPEAKER_01: as posses materiais, o cargo que a pessoa ocupa no mundo lá fora.
- 6:42SPEAKER_01: Exigir que se largue esses metais, antes de entrar, não é uma encenação dramática vazia.
- 6:48SPEAKER_02: Pois.
- 6:48SPEAKER_01: É uma técnica de nivelamento cognitivo.
- 6:51SPEAKER_01: Ao tirares as marcas de estatuto, o método cria ali um espaço seguro.
- 6:56SPEAKER_02: Onde um CEO e um funcionário base são apenas homens.
- 6:59SPEAKER_01: Exato.
- 7:00SPEAKER_01: Interagem com base na sua humanidade nua e não no valor que podem extrair um
- 7:04SPEAKER_01: do outro financeiramente.
- 7:05SPEAKER_02: Eu entendo perfeitamente a intenção desse nivelamento,
- 7:08SPEAKER_02: mas vamos lá introduzir aqui a falibilidade da natureza humana, não é?
- 7:12SPEAKER_02: O método assenta muito na construção de relações profundas, de confiança.
- 7:16SPEAKER_02: Se tu passas anos a trabalhar ao lado de alguém,
- 7:19SPEAKER_02: começas a conhecer o caráter ético dessa pessoa de forma muito íntima.
- 7:22SPEAKER_02: Sem dúvida.
- 7:23SPEAKER_02: E de repente, cá fora, tu precisas de um serviço profissional que por acaso essa pessoa presta.
- 7:28SPEAKER_02: A tendência natural e humana é contratá-la a ela, não é?
- 7:32SPEAKER_02: A minha questão é,
- 7:33SPEAKER_02: onde é que se traça a fronteira entre esta fraternidade genuína,
- 7:37SPEAKER_02: que naturalmente acaba por gerar oportunidades,
- 7:39SPEAKER_02: porque confias na pessoa, e o tal favorecimento ilegítimo que o texto condena?
- 7:44SPEAKER_01: É uma ótima questão.
- 7:45SPEAKER_01: A fronteira não se traça na ausência total de interações comerciais fora do tempo.
- 7:49SPEAKER_01: Quer dizer,
- 7:50SPEAKER_01: seria de uma tremenda hipocrisia dizer que pessoas que confiam tanto
- 7:54SPEAKER_01: umas nas outras não acabam de vez em quando a fazer negócios juntas cá fora.
- 7:57SPEAKER_02: Claro, seria irrealista.
- 7:58SPEAKER_01: Totalmente.
- 7:59SPEAKER_01: A fronteira está na intenção premeditada com que se procura a ordem.
- 8:03SPEAKER_01: O método inverte a direção da seta do interesse.
- 8:06SPEAKER_02: Como assim a direção da seta?
- 8:08SPEAKER_01: Repara, no mundo dos negócios,
- 8:09SPEAKER_01: se vais a um evento de networking,
- 8:11SPEAKER_01: a pergunta central que levas na cabeça é o que é que esta pessoa me pode dar?
- 8:17SPEAKER_02: Sim, o que é que eu ganho com isto?
- 8:18SPEAKER_01: Na lógica iniciática, o exercício exigido é exatamente o oposto.
- 8:22SPEAKER_01: O que é que eu posso dar de mim a este grupo?
- 8:25SPEAKER_02: É a diferença entre ir jantar com um amigo e descobrir que ele,
- 8:28SPEAKER_02: por acaso,
- 8:29SPEAKER_02: trabalha numa área que dá jeito versus ir a uma conferência só
- 8:33SPEAKER_02: para distribuir cartões de visita e aumentar a faturação.
- 8:36SPEAKER_01: A analogia é perfeita.
- 8:37SPEAKER_01: É isso mesmo.
- 8:38SPEAKER_01: Alguém que bate à porta do templo,
- 8:40SPEAKER_01: encapçando uma agenda puramente mercantilista,
- 8:43SPEAKER_01: não só vai subverter a ferramenta toda, como vai bater contra um muro de frustração.
- 8:47SPEAKER_02: Porque não há retorno rápido.
- 8:49SPEAKER_01: Nem rápido nem garantido.
- 8:50SPEAKER_01: O tempo e a exigência do trabalho filosófico lá dentro não justificam
- 8:54SPEAKER_01: o suposto retorno económico.
- 8:55SPEAKER_01: Por natureza, o sistema repele os oportunistas.
- 8:58SPEAKER_02: Bom, o que nos empurra para um aparente paradoxo.
- 9:01SPEAKER_02: Entrando no terceiro tema da nossa análise, que são as honrarias, o ego e o prestígio.
- 9:06SPEAKER_01: Ah, e os títulos.
- 9:07SPEAKER_02: Pois, falámos agora mesmo de nivelamento e de deixar os metais à porta.
- 9:11SPEAKER_02: Mas quem observa de fora vê uma profusão de ritos,
- 9:14SPEAKER_02: dezenas de graus,
- 9:16SPEAKER_02: títulos que são imenso à grandeza,
- 9:18SPEAKER_02: como muito respeitável, e o próprio uso de insígnias cerimoniais.
- 9:22SPEAKER_02: E, no entanto, o autor aponta o dedo a essa ilusão.
- 9:26SPEAKER_02: Lê-se lá textualmente.
- 9:27SPEAKER_02: A única diferença entre o mais rico, bonito,
- 9:30SPEAKER_02: bordado e colorido avental de grande oficial ou de altos graus e
- 9:33SPEAKER_02: o simples avental branco de aprendiz...
- 9:36SPEAKER_02: É que quem usa aquele pagou bem mais caro por ele do que o que usa este.
- 9:40SPEAKER_01: Essa frase é brilhante na sua ironia empírica.
- 9:43SPEAKER_01: Porque contém uma lição duríssima sobre a vaidade.
- 9:45SPEAKER_02: Não tem papas na língua.
- 9:47SPEAKER_01: Nenhuma.
- 9:47SPEAKER_01: Ele reconhece frontalmente que os maçons são seres humanos imperfeitos.
- 9:50SPEAKER_01: E que a atração pelo título,
- 9:52SPEAKER_01: pelo reconhecimento social,
- 9:53SPEAKER_01: existe lá dentro exatamente como existe em qualquer outro lado da sociedade.
- 9:57SPEAKER_02: E é aqui que a coisa fica realmente interessante para mim.
- 10:00SPEAKER_02: Mas a simples existência de toda essa estrutura não contradiz o princípio da igualdade.
- 10:05SPEAKER_02: Faz-me lembrar, imagina, um encenador numa peça-teatro.
- 10:08SPEAKER_02: Durante os ensaios, o encenador tem poder absoluto.
- 10:11SPEAKER_02: Ele movimenta os atores, dito ao ritmo, estrutura a cena toda.
- 10:14SPEAKER_02: E essa hierarquia é necessária para que a peça não seja um caos.
- 10:18SPEAKER_02: Mas quando as luzes se apagam e todos saem do teatro,
- 10:21SPEAKER_02: o encenador não é um ser humano superior aos atores.
- 10:24SPEAKER_02: A questão é,
- 10:24SPEAKER_02: será que na maçonaria os membros compreendem realmente que o cargo é só funcional
- 10:29SPEAKER_02: ou acabam por se deixar consumir pela caça aos títulos?
- 10:33SPEAKER_01: Olha, a tua comparação com a companhia de teatro é muito operatória aqui.
- 10:37SPEAKER_01: É exatamente isso.
- 10:38SPEAKER_01: A arquitetura maçónica desenhou esta hierarquia funcional de forma tão rigorosa
- 10:42SPEAKER_01: porque o método baseia-se num ensino muito gradual.
- 10:45SPEAKER_01: Há uma disciplina ritualística.
- 10:47SPEAKER_02: Senão era uma anarquia.
- 10:48SPEAKER_01: Completamente anárquico.
- 10:49SPEAKER_01: Sem graus ou sem funções de gestão, ninguém se entendia.
- 10:53SPEAKER_01: A distorção só acontece quando o indivíduo confunde essa hierarquia de função com
- 10:57SPEAKER_01: uma superioridade moral ou pessoal.
- 11:00SPEAKER_01: Pois.
- 11:00SPEAKER_02: E é aí que entra o tal avental de aprendiz.
- 11:03SPEAKER_01: Exatamente.
- 11:05SPEAKER_01: O simples avental branco em pele de ovelha.
- 11:07SPEAKER_01: Ele é entregue no momento da iniciação.
- 11:10SPEAKER_01: E representa o trabalho contínuo, a pureza das intenções.
- 11:14SPEAKER_01: Conceptualmente, é a única coisa que importa.
- 11:17SPEAKER_02: Os outros são, digamos, adereços do cargo.
- 11:20SPEAKER_01: Todos os outros colares, bordados, insígnias.
- 11:23SPEAKER_01: Não pertencem à pessoa.
- 11:24SPEAKER_01: Pertencem à função que aquela pessoa aceitou servir temporariamente.
- 11:28SPEAKER_02: Acaba por ser um teste ao ego constante.
- 11:31SPEAKER_01: Um teste permanente.
- 11:32SPEAKER_01: Quando um homem é investido num cargo pomposo,
- 11:35SPEAKER_01: a verdadeira prova iniciática é observar se ele mantém a humildade e a noção
- 11:40SPEAKER_01: de serviço, ou sucumbe logo ali à vaidade.
- 11:44SPEAKER_01: O autor avisa aos curiosos que o foco do método é precisamente o desapego dessas honrarias.
- 11:49SPEAKER_02: Essa clarificação sobre a hierarquia ser utilitária permite-nos passar para
- 11:53SPEAKER_02: o quarto motivo,
- 11:54SPEAKER_02: e que é para mim provavelmente o ponto de maior tensão neste artigo todo.
- 11:58SPEAKER_02: A beneficência e a ação filantrópica.
- 12:01SPEAKER_01: Ui, isso dá muito pano para megas.
- 12:05SPEAKER_02: Dá, porque o autor contraria completamente a ideia feita de que a maçonaria é,
- 12:09SPEAKER_02: na essência, uma organização de caridade.
- 12:11SPEAKER_02: A citação é super taxativa.
- 12:13SPEAKER_02: A solidariedade e a beneficência são simples consequências de se ser maçom.
- 12:18SPEAKER_01: E mais,
- 12:19SPEAKER_01: ele chega a aconselhar quem só quer ajudar os mais necessitados a ir voluntariar-se
- 12:23SPEAKER_01: para a Cruz Vermelha.
- 12:24SPEAKER_02: Exato.
- 12:25SPEAKER_02: E isto choca um bocado de frente com a imagem de benfeitoria que
- 12:29SPEAKER_02: a própria instituição por vezes faz questão de projetar.
- 12:32SPEAKER_01: Choca-se.
- 12:32SPEAKER_02: Mas é estruturalmente fundamental para definir qual é afinal o core business da maçonaria.
- 12:37SPEAKER_02: O Rui Bandeira usa aqui a premissa da árvore e do fruto.
- 12:40SPEAKER_01: Como é que funciona isso?
- 12:41SPEAKER_02: A tese é, o propósito central do método maçónico é trabalhar sobre o indivíduo.
- 12:46SPEAKER_02: O indivíduo é a árvore.
- 12:48SPEAKER_02: Se este homem interiorizar a ética,
- 12:50SPEAKER_02: a empatia,
- 12:51SPEAKER_02: a justiça, o fruto natural da vida dele vai ser a solidariedade e a ação cívica.
- 12:56SPEAKER_02: Mas se a instituição mudasse o foco central apenas para a logística
- 13:00SPEAKER_02: de distribuir donativos,
- 13:01SPEAKER_02: transformar-se-ia numa ONG e perderia a capacidade de focar-se no sistema
- 13:05SPEAKER_02: de transformação pessoal que é demorado.
- 13:07SPEAKER_01: Bom, eu entendo perfeitamente a teoria da causa e efeito.
- 13:10SPEAKER_01: O homem melhorado gera uma sociedade melhorada.
- 13:13SPEAKER_01: Sim.
- 13:13SPEAKER_01: O que me parece excessivo,
- 13:14SPEAKER_01: e é aqui que eu levanto uma objeção séria,
- 13:16SPEAKER_01: é reduzir uma coisa com tanto impacto a um mero subproduto ou consequência.
- 13:22SPEAKER_01: Reparando nas fontes,
- 13:23SPEAKER_01: se formos ver a realidade operacional da Grande Loja Unida de Inglaterra,
- 13:27SPEAKER_01: temos milhões e milhões movidos para causas sociais.
- 13:30SPEAKER_01: Ambulâncias, estruturas enormes de apoio médico sustentadas pelas lojas.
- 13:34SPEAKER_02: É um facto.
- 13:35SPEAKER_01: Nós vivemos numa sociedade obcecada com o marketing da caridade.
- 13:39SPEAKER_01: As empresas usam a filantropia para limpar a imagem.
- 13:41SPEAKER_01: O famoso greenwashing, ou neste caso, charity washing.
- 13:45SPEAKER_02: Exatamente.
- 13:46SPEAKER_02: A maçonaria,
- 13:46SPEAKER_02: ao fazer isto de forma estruturada e quase sempre anónima,
- 13:50SPEAKER_02: opõe-se a essa cultura de relações públicas.
- 13:52SPEAKER_02: Então, a minha pergunta é,
- 13:54SPEAKER_02: será possível separar assim tão rigidamente o aperfeiçoamento pessoal do ato
- 13:59SPEAKER_02: da caridade em si?
- 14:01SPEAKER_02: O próprio ato de ajudar o outro não é uma ferramenta que aperfeiçoa a árvore?
- 14:06SPEAKER_01: Olha, isso levanta uma questão importantíssima e não tem uma resposta simples.
- 14:10SPEAKER_01: E acho que tu tens razão num ponto.
- 14:12SPEAKER_01: A ação e a reflexão são indissociáveis.
- 14:15SPEAKER_01: A prática ativa da solidariedade molda a pessoa de formas que
- 14:18SPEAKER_01: o mero estudo intelectual lá dentro do templo nunca conseguiria.
- 14:22SPEAKER_02: Pois, era aí que eu queria chegar.
- 14:23SPEAKER_01: Mas a perspectiva doutrinária do texto não quer desvalorizar a caridade.
- 14:27SPEAKER_01: O que ele procura é proteger o método.
- 14:29SPEAKER_02: Proteger de quê?
- 14:31SPEAKER_01: Do ativismo desenfreado.
- 14:32SPEAKER_01: Há um risco real de atribuir os candidatos cujo único objetivo seja a ação do terreno.
- 14:37SPEAKER_01: E aí a loja começa a perder a paciência e a disponibilidade
- 14:40SPEAKER_01: para aquele trabalho mais lento, abstrato e introspectivo dos símbolos.
- 14:44SPEAKER_02: Ok.
- 14:44SPEAKER_02: É um debate muito vivo entre o impacto prático na rua e
- 14:48SPEAKER_02: a preservação daquele núcleo filosófico de reflexão.
- 14:51SPEAKER_01: Exato.
- 14:52SPEAKER_01: E talvez seja saudável que essa tensão exista e que nós não a resolvamos aqui hoje.
- 14:56SPEAKER_01: É um equilíbrio muito difícil.
- 14:59SPEAKER_02: Concordo em discordar de que a caridade é só um fruto,
- 15:02SPEAKER_02: mas aceito a premissa de que a árvore precisa do seu espaço
- 15:05SPEAKER_02: de crescimento solitário.
- 15:06SPEAKER_01: Boa analogia.
- 15:08SPEAKER_02: E por falar em isolamento e espaço,
- 15:09SPEAKER_02: entramos no quinto e último falso motivo analisado no texto,
- 15:12SPEAKER_02: a mera curiosidade intelectual pelo segredo maçónico.
- 15:16SPEAKER_02: Quer dizer, estamos no século XXI.
- 15:17SPEAKER_02: A internet escancarou aquilo que durante séculos foi protegido a sete chaves.
- 15:22SPEAKER_01: Sim, é verdade.
- 15:23SPEAKER_01: E, no entanto,
- 15:23SPEAKER_01: o fascínio pelos sinais,
- 15:25SPEAKER_01: pelos apertos de mão,
- 15:26SPEAKER_01: pelas senhas e pela ordem dos rituais continua a alimentar imensa imaginação
- 15:31SPEAKER_01: das pessoas.
- 15:32SPEAKER_02: E o artigo devisa que procurar a ordem só para descobrir esses factos históricos é
- 15:36SPEAKER_02: um erro gigante, não é?
- 15:38SPEAKER_01: Porque, lá está,
- 15:38SPEAKER_01: uma rápida pesquisa num motor de busca ou na Wikipédia mata essa sede intelectual,
- 15:43SPEAKER_01: sem precisar de fazer qualquer compromisso ético.
- 15:46SPEAKER_02: Ora,
- 15:46SPEAKER_02: a provocação óbvia perante isto é questionar a própria utilidade prática de manter
- 15:49SPEAKER_02: um juramento de silêncio na era digital.
- 15:52SPEAKER_02: Claro.
- 15:53SPEAKER_02: Se não há esconderijo possível para as palavras e para os toques,
- 15:55SPEAKER_02: se qualquer pessoa pode ler o guião integral do que se passa lá dentro,
- 15:59SPEAKER_02: porquê é que mantém o sigilo?
- 16:00SPEAKER_02: O que é que justifica não abrir logo as portas e transmitir as sessões no YouTube?
- 16:04SPEAKER_01: A resposta a isso reside na diferença brutal que existe entre conhecer
- 16:08SPEAKER_01: uma informação e viver uma experiência transformadora.
- 16:12SPEAKER_01: O verdadeiro segredo da maçonaria não é um documento.
- 16:15SPEAKER_01: É algo inefável.
- 16:16SPEAKER_02: Escapa às palavras.
- 16:17SPEAKER_01: Escapa à capacidade de ser traduzido.
- 16:20SPEAKER_01: O silêncio que eles exigem não é para esconder um mistério da humanidade.
- 16:24SPEAKER_01: Serve como ferramenta pedagógica.
- 16:26SPEAKER_02: Para criar confiança.
- 16:28SPEAKER_01: Confiança, contenção.
- 16:30SPEAKER_01: É um treino, digamos assim, na virtude da descrição emocional.
- 16:34SPEAKER_02: Sabes que isso lembra-me uma analogia no campo das artes que encaixa aí na perfeição.
- 16:38SPEAKER_00: Qual?
- 16:38SPEAKER_02: Imagina que eu vou à internet descarregar o PDF com a partitura integral
- 16:42SPEAKER_02: da Nona Sinfonia do Beethoven.
- 16:44SPEAKER_02: Eu posso memorizar cada nota, saber os andamentos todos, ler ensaios teóricos sobre aquilo.
- 16:49SPEAKER_01: Certo.
- 16:50SPEAKER_02: Mas esse conhecimento intelectual,
- 16:51SPEAKER_02: por muito exaustivo que seja,
- 16:53SPEAKER_02: não me prepara minimamente para o choque visceral de estar sentada na primeira fila
- 16:58SPEAKER_02: de um auditório,
- 16:59SPEAKER_02: a ver dezenas de músicos a tocar aquilo ao vivo, a sentir aquela vibração no peito.
- 17:03SPEAKER_02: Percebes?
- 17:04SPEAKER_01: Ora, nem mais.
- 17:04SPEAKER_01: O PDF não contei a experiência.
- 17:06SPEAKER_01: A partitura não é a música.
- 17:08SPEAKER_02: Exatamente.
- 17:09SPEAKER_01: É uma ilustração notável, porque capta de forma perfeita a mecânica da vivência ritualística.
- 17:15SPEAKER_01: Os rituais maçónicos estão desenhados para atuar sobre os sentidos das pessoas,
- 17:19SPEAKER_01: num ambiente de altíssima carga simbólica.
- 17:22SPEAKER_01: Envolvem o movimento na sala, as luzes, a repetição, a presença física dos outros membros.
- 17:29SPEAKER_01: Criam um espaço delimitado.
- 17:31SPEAKER_02: E é aí que entra a necessidade da privacidade.
- 17:33SPEAKER_01: Exato.
- 17:34SPEAKER_01: O espaço consagrado de uma loja precisa de um grau de confiança extrema.
- 17:39SPEAKER_01: Sem essa barreira de silêncio a proteger a privacidade emocional de quem ali está,
- 17:44SPEAKER_01: os indivíduos nunca se sentiriam seguros para trabalhar
- 17:46SPEAKER_01: as suas próprias vulnerabilidades éticas.
- 17:48SPEAKER_02: Ficaria uma coisa estéril, não é?
- 17:50SPEAKER_02: Uma performance.
- 17:51SPEAKER_01: A exposição tornaria o ritual meramente performativo.
- 17:54SPEAKER_01: O segredo é um espaço seguro.
- 17:57SPEAKER_02: Bom, esta nossa viagem pelos motivos falhados deixa-nos assim perante um aparente vazio.
- 18:02SPEAKER_01: Parece que limpamos tudo da mesa.
- 18:04SPEAKER_02: Pois, se nós eliminamos metodicamente a busca pela alavancagem política,
- 18:09SPEAKER_02: o interesse no dinheiro,
- 18:10SPEAKER_02: a vaidade alimentada pela coleção de títulos...
- 18:13SPEAKER_01: Sim, a ideia da ONG de caridade e o desvendar de segredos ocultos.
- 18:17SPEAKER_02: O que é que sobra?
- 18:19SPEAKER_02: Porquê ser maçom, então?
- 18:21SPEAKER_02: Para comentar isto,
- 18:21SPEAKER_02: nós fomos olhar para o artigo complementar que o Rui Bandeira publicou logo
- 18:25SPEAKER_02: no dia seguinte,
- 18:25SPEAKER_02: ao 11 de abril de 2007, e que se chama, curiosamente, Um Motivo para Ser Maçom.
- 18:30SPEAKER_01: E é aí que ele, depois de destruir aquelas falsas premissas todas, constrói uma tese singular.
- 18:36SPEAKER_01: O único motivo estruturalmente válido para suportar o sacrifício e
- 18:40SPEAKER_01: a exigência desta via é a vontade autêntica de procurar o aperfeiçoamento moral,
- 18:45SPEAKER_01: ético e espiritual contínuo.
- 18:47SPEAKER_02: Que é o que a tradição costuma designar pelo trabalho da pedra bruta.
- 18:51SPEAKER_01: Exatamente.
- 18:53SPEAKER_02: Uma metáfora que convém dissecar para não soar àqueles clichês da autoajuda moderna.
- 18:57SPEAKER_01: Absolutamente.
- 18:57SPEAKER_01: A pedra bruta representa o homem no seu estado natural,
- 19:01SPEAKER_01: com todas as suas falhas,
- 19:02SPEAKER_01: os seus preconceitos,
- 19:03SPEAKER_01: aquela arrogância básica e a falta de empatia que às vezes temos.
- 19:07SPEAKER_01: O trabalho do maçom não é submeter a sociedade à sua vontade,
- 19:10SPEAKER_01: é virar as ferramentas simbólicas da razão,
- 19:13SPEAKER_01: o cabartelo, o cinzel, contra si próprio.
- 19:16SPEAKER_01: É um processo doloroso, longo, interminável, de desbastar as próprias arestas.
- 19:22SPEAKER_02: Para tentar atingir uma certa maestria sobre a própria consciência.
- 19:25SPEAKER_01: É isso, sobre a própria consciência e não sobre o mundo exterior.
- 19:30SPEAKER_02: Mas, baseando-nos aqui nas fontes que mantêm sempre um tom muito ponderado,
- 19:34SPEAKER_02: importa introduzir também uma nota de humildade.
- 19:37SPEAKER_01: Claro.
- 19:37SPEAKER_02: Nem o próprio autor,
- 19:38SPEAKER_02: nem a instituição afirmam que a maçonaria tem o monopólio exclusivo
- 19:41SPEAKER_02: do aprimoramento humano.
- 19:42SPEAKER_01: Não, não, de todo.
- 19:43SPEAKER_01: A excelência ética e a busca espiritual desenvolvem-se por infinitos caminhos
- 19:48SPEAKER_01: na nossa sociedade.
- 19:50SPEAKER_01: Caminhos religiosos, laicos, filosóficos.
- 19:53SPEAKER_01: A maçonaria é apenas uma técnica.
- 19:55SPEAKER_01: É um método operativo milenar que exige repetição.
- 19:59SPEAKER_02: E, como depende de seres humanos falíveis, não está imune a contradições e erros de percurso.
- 20:05SPEAKER_02: Não os torna logo infalíveis quando entram.
- 20:07SPEAKER_01: Longe disso.
- 20:08SPEAKER_01: O que a instituição fornece é um laboratório.
- 20:11SPEAKER_01: Um laboratório fechado ao ruído externo, onde podes fazer as perguntas essenciais.
- 20:16SPEAKER_02: Chegamos assim ao fim desta exploração.
- 20:18SPEAKER_02: A pesada porta do templo que imaginamos de fora,
- 20:21SPEAKER_02: afinal, não guarda as chaves da economia mundial, nem os segredos do poder?
- 20:25SPEAKER_01: Não.
- 20:26SPEAKER_02: É uma passagem que conduz, na verdade, ao escrutínio interno.
- 20:30SPEAKER_02: Que pode ser muito ingrato.
- 20:32SPEAKER_02: Para finalizar a nossa conversa de hoje, tens algum pensamento aberto para nos deixar?
- 20:36SPEAKER_01: Olha, sim.
- 20:37SPEAKER_01: A nossa sociedade moderna tornou-se profundamente transacional.
- 20:41SPEAKER_01: Nós passamos a vida a fazer cálculos de custo-benefício.
- 20:45SPEAKER_01: Queremos saber,
- 20:45SPEAKER_01: à partida,
- 20:46SPEAKER_01: qual é a taxa de retorno imediato que tiramos de um emprego,
- 20:49SPEAKER_01: de uma amizade ou de uma afiliação num clube.
- 20:52SPEAKER_02: Na verdade, o tal O que é que eu ganho com isto?
- 20:54SPEAKER_01: Exato.
- 20:55SPEAKER_01: E a verdadeira disrupção provocada por este método maçónico,
- 20:59SPEAKER_01: e pelo texto que analisamos hoje,
- 21:02SPEAKER_01: pode estar precisamente aí,
- 21:03SPEAKER_01: na recusa de aplicar essa lógica mercantilista ao caráter humano.
- 21:08SPEAKER_01: Talvez o grande desafio,
- 21:09SPEAKER_01: para quem nos ouve,
- 21:11SPEAKER_01: não seja questionar o que as instituições nos podem dar,
- 21:14SPEAKER_01: mas ter a coragem silenciosa de perguntar em que espécie
- 21:18SPEAKER_01: de pessoa me posso transformar, se eu me comprometer profundamente.
- 21:22SPEAKER_02: Uma excelente perspectiva para deixar o intelecto a trabalhar.
- 21:25SPEAKER_02: Muito obrigada por nos acompanhar nesta análise minuciosa.
- 21:29SPEAKER_02: Convidamos todos a lerem os textos originais,
- 21:31SPEAKER_02: na íntegra,
- 21:32SPEAKER_02: e a explorarem toda a biblioteca de ensaios que está disponível no blog
- 21:35SPEAKER_02: A Partir Pedra.
- 21:37SPEAKER_02: Voltaremos a encontrar-nos na próxima conversa.
- 21:39SPEAKER_02: Um abraço e até breve.
- 21:41SPEAKER_00: A Partir Pedra.
- 21:43SPEAKER_00: Isto são as MADTalks
- 21:44[music]