Latest / Rádio Livre com Nonato Lima / Programa Rádio Livre - 10 de setembro de 2024
Transcript
- 0:00A Universitária FM apresenta Rádio Livre, conversando nas
- 0:05ondas do rádio. Sete horas e trinta e cinco
- 0:11minutos. A gente está no ar pra se
- 0:23informar Saber o que é que há pra se ajudar A gente está no ar
- 0:27pra se comunicar A gente está no ar pra se divertir Pra falar e
- 0:33ouvir, pra dançar e rir Pra ficar feliz, pra ser livre Rádio
- 0:35Livre Rádio Livre Os destaques do Rádio Livre
- 1:18desta terça-feira, dez de setembro de dois mil e vinte e
- 1:21quatro. Ministério Público Federal pede
- 1:25a condenação de trinta e sete agentes da ditadura acusados do
- 1:29assassinato do lÃder da oposição, Carlos Marighella.
- 1:35Deputada Estadual Macaé Evaristo, renomeada Ministra dos
- 1:39Direitos Humanos. Vamos conversar no programa
- 1:43Rádio Livre de hoje com a psicóloga, pesquisadora e
- 1:45professora adjunta da Universidade Estadual do Ceará,
- 1:49Laysa Castelo Branco Mendes. Vamos falar sobre a violência
- 1:53contra a mulher na entrevista de hoje, daqui a pouco no Rádio
- 1:57Livre. Rádio Livre, apresentação Nonato
- 2:06Lima. Bom dia a você que nos acompanha
- 2:13aqui ao vivo neste momento nos cento e sete vÃrgula nove
- 2:19megahertz da Rádio Universitária FM.
- 2:22Agradecemos também a você que nos acompanha no podcast Rádio
- 2:26Livre com Nonato Lima. Obrigado pela audiência, pelo
- 2:29apoio, pela companhia e vamos em frente com informações.
- 2:39O Ministério Público Federal ajuizou uma nova ação civil
- 2:44pública para que trinta e sete ex-agentes da ditadura militar
- 2:50sejam responsabilizados na esfera civil pela execução de
- 2:55Carlos Marighella, um dos mais destacados lÃderes da oposição Ã
- 3:00ditadura militar. O assassinato foi em mil
- 3:02novecentos e sessenta e nove. A ação do Ministério Público
- 3:06pede, entre outras condenações, que os envolvidos no episódio
- 3:12percam aposentadorias, restituam gastos do Estado brasileiro com
- 3:17indenizações concedidas a familiares da vÃtima e paguem
- 3:21compensações financeiras por danos morais coletivos que a
- 3:25repressão polÃtica causou à sociedade brasileira.
- 3:29No caso dos réus já falecidos, os herdeiros deverão arcar com
- 3:34as reparações. Vários agentes do regime militar
- 3:38já figuram em duas ações civis públicas anteriores que o
- 3:42Ministério Público Federal ajuizou em março e agosto
- 3:46relacionadas a casos de prisão ilegal, tortura, morte e
- 3:50desaparecimento de trinta e quatro militantes polÃticos
- 3:54perseguidos pela ditadura. Parte dos envolvidos no
- 3:59assassinato do ex-deputado federal baiano Carlos Marighella
- 4:03também foi alvo de uma denúncia protocolada em maio com pedidos
- 4:07de condenação penal por homicÃdio qualificado e
- 4:11falsidade ideológica. A recente ação busca o
- 4:16cumprimento de diversas medidas de preservação do passado e
- 4:20esclarecimento dos fatos ocorridos durante a ditadura.
- 4:24Para isso, o Ministério Público Federal quer que o Estado de São
- 4:27Paulo e a União, também réus do caso, sejam obrigados a realizar
- 4:33um ato público de desagravo à memória de Marighella e a
- 4:37incluir informações sobre o caso em espaços de memória dedicados
- 4:43ao perÃodo da ditadura militar. Marighella dirigia a Aliança
- 4:48Libertadora Nacional, organização de resistência Ã
- 4:51ditadura e era considerado inimigo público número um da
- 4:57ditadura militar de sessenta e quatro.
- 5:00Marighella foi morto na capital paulista em uma operação
- 5:05arquitetada pelo Departamento de Ordem PolÃtica e Social, o DOPS,
- 5:08que era um órgão de repressão e perseguição polÃtica.
- 5:13Fato acontecido em quatro de novembro de mil novecentos e
- 5:15sessenta e nove. Naquela noite do quatro de
- 5:18novembro de meia nove, as equipes da unidade do DOPS
- 5:22armaram uma emboscada para Marighella.
- 5:26Surpreenderam-no, desarmado, e, ainda que pudessem levá-lo
- 5:32preso, executaram. Porque essa era a regra dos
- 5:36ditadores que tomaram o poder em sessenta e quatro, no primeiro
- 5:39de abril de sessenta e quatro. A regra era matar todos os que
- 5:42defendessem a democracia e que fizessem oposição à ditadura.
- 5:48Hoje até se fala em ditadura civil militar.
- 5:51Não precisa. Era militar mesmo com coturnos
- 5:55rodeados de lambibotas corruptos que se associaram a militares
- 5:59autoritários para se apropriar do poder do Estado brasileiro,
- 6:04do paÃs, em proveito próprio, com base em mentiras do tipo
- 6:07ameaça comunista. Muitos ficaram ricos em encher
- 6:12os bolsos e as burras de dólares para fomentar o golpe.
- 6:18Depois continuaram no poder para fazer isso, matar, torturar,
- 6:24fazer desaparecer os corpos e falar em democracia.
- 6:31Sete e quarenta. Nós falamos no assassinato de
- 6:45Marighella, agora vamos falar no assassinato de Marielle.
- 6:49O Supremo Tribunal Federal retomou ontem os depoimentos e
- 6:55testemunhas na ação penal dos acusados de atuarem como
- 6:59mandantes do assassinato da vereadora Marielle Franco em
- 7:03dois mil e dezoito no Rio de Janeiro.
- 7:05Foram ouvidas as primeiras testemunhas arroladas pela
- 7:08defesa dos réus. Os depoimentos devem se estender
- 7:11até o fim deste mês e são dirigidos pelo juiz Ayrton
- 7:15Vieira, auxiliar do ministro Alexandre de Moraes, relator do
- 7:19processo. Setenta pessoas foram arroladas
- 7:23como testemunhas. Os réus vão prestar depoimento
- 7:26só depois que as testemunhas forem ouvidas.
- 7:30No processo, são réus o conselheiro do Tribunal de
- 7:34Contas do Rio de Janeiro, continua conselheiro, preso
- 7:38preventivamente, acusado do crime, dentre outros, mas é
- 7:44conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro.
- 7:47Domingos Brazão. O irmão dele, deputado federal
- 7:50Chiquinho Brazão, que não foi cassado ainda não, né?
- 7:54O Conselho de Ãtica disse que é para cassar, mas continua
- 7:57deputado federal. Ah, também está na lista.
- 8:02Ex-chefe de PolÃcia do Rio, Rivaldo Barbosa, o homem que
- 8:05ajudou no crime, depois ajudou a encobrir o crime.
- 8:08E o major da PolÃcia Militar do Rio, Ronald Paulo de Alves
- 8:11Pereira. Todos respondem pelos crimes de
- 8:14homicÃdio, e organização criminosa e estão presos.
- 8:20Entre as pessoas chamadas para prestar depoimento estão as
- 8:22promotoras do Ministério Público do Rio, LetÃcia, Emily e Simone
- 8:26SibÃlio, responsáveis pelas investigações iniciais do caso
- 8:30Marielle. Elas foram indicadas pelos
- 8:33advogados de Chiquinho Brazão. E elas enviaram uma petição ao
- 8:37ministro Alexandre de Moraes pedindo para serem dispensadas
- 8:42dos depoimentos. Sete horas e quarenta e três
- 8:48minutos. Rádio Livre Entrevista.
- 9:44Agora são sete horas e quarenta e quatro minutos.
- 9:52A décima oitava edição do Anuário Brasileiro de Segurança
- 9:55Pública, publicada esta edição este ano, já em dois mil e vinte
- 10:00e quatro, destaca o crescimento de todas as modalidades de
- 10:04violência contra as mulheres no Brasil.
- 10:07Apesar de avanços nos direitos das mulheres e nas polÃticas de
- 10:10enfrentamento à violência de gênero, os dados recentes são
- 10:14alarmantes e precisam ser destacados.
- 10:16E é uma situação que precisa ser enfrentada.
- 10:18Por exemplo, foram registrados mil quatrocentos e sessenta e
- 10:23sete feminicÃdios com uma taxa de crescimento de zero vÃrgula
- 10:26oito por cento em comparação com os anos anteriores.
- 10:29Noventa por cento dos assassinatos são cometidos por
- 10:32homens. Sessenta e três por cento são
- 10:35parceiros Ãntimos, vinte e um por cento ex-parceiros Ãntimos e
- 10:40oito vÃrgula sete por cento algum familiar.
- 10:43Nas vÃtimas, sessenta e três vÃrgula seis por cento são
- 10:46mulheres negras, setenta e um vÃrgula um por cento com idade
- 10:50entre dezoito e quarenta e quatro anos.
- 10:53Sessenta e quatro vÃrgula três por cento das mulheres foram
- 10:57assassinadas na própria residência, segundo os dados do
- 11:00anuário publicado anteriormente. Anual de Segurança Pública
- 11:04Brasileiro, publicado este ano. Vamos conversar agora com a
- 11:07psicóloga, pesquisadora, professora adjunta do Centro de
- 11:10Humanidades da Universidade Estadual do Ceará, Laysa Castelo
- 11:13Branco Mendes, que é doutora em saúde pública e pós-doutora em
- 11:16psicologia clÃnica, coordenadora do Laboratório de Sociedades,
- 11:20Subjetividades e Humanismo, LASO, da Universidade Estadual
- 11:24do Ceará. Professora Laysa, muito obrigado
- 11:26pela sua disponibilidade de conversar com a gente aqui no
- 11:29programa. Bom dia.
- 11:30Bom dia, Nonato. Professora, quais são os
- 11:34principais sinais emocionais e psicológicos que indicam que uma
- 11:39mulher pode estar sofrendo violência em um relacionamento?
- 11:46As mulheres muitas vezes no relacionamento tendem a
- 11:49normalizar essa violência sofrida.
- 11:53Desde crianças elas são ensinadas a ter que cuidar.
- 11:56O papel da mulher na sociedade é muito o papel da cuidadora.
- 11:59Isso há milênios. Então elas...
- 12:04Elas sempre tendem a mascarar inicialmente essa violência,
- 12:07porque entendem... Não, eu tenho que cuidar desse
- 12:11homem, eu tenho que ensinar a ele, eu vou suportar aqui.
- 12:15Então essa mulher fica... Essas representações podem vir a
- 12:20partir do corpo, por exemplo, com adoecimentos, né, com uma
- 12:23fragilidade maior corporal, um desânimo, né, vontade de... uma
- 12:31desesperança e... sintomas como dor de cabeça, sintomas fÃsicos,
- 12:40porque o corpo da gente vai falar, já que ela não consegue
- 12:43falar socialmente, porque às vezes não tem espaço de escuta
- 12:46para isso. Mas também, ao longo do tempo,
- 12:50não tem como essa mulher não ir desenvolvendo algum tipo de
- 12:52psicopatologia. A depender também da
- 12:58intensidade, da frequência dessa violência, ela pode desenvolver
- 13:03um quadro de ansiedade, um quadro de depressão.
- 13:07No plantão psicológico que eu coordeno na UES, para mulheres
- 13:11vÃtimas de violência, a gente já chegou a atender mulher que,
- 13:15mesmo depois de ter se afastado do agressor, apresenta sintomas
- 13:21de depressão, inclusive com ideações suicidas. então é muito
- 13:28sutil quando ela não quer falar a percepção fica das pessoas ao
- 13:33redor dela fica um pouco difÃcil mas quem tiver uma atenção mais
- 13:41cuidadosa vai perceber mais tristeza, mais desânimo, mais
- 13:45desesperança, mais isolamento. Um amigo, um familiar chama essa
- 13:50mulher para sair, ela não quer, ela nega.
- 13:54Então, perceber essas nuances delicadas é importante para quem
- 13:59está ao redor da mulher que sofre violências.
- 14:02Agora, como enfrentar essa situação?
- 14:06Que tipo de atitude pode ter por parte da mulher, mas também das
- 14:09pessoas que estão no entorno? Tanto a mulher quanto as pessoas
- 14:13do entorno, eu acho que uma atitude que a gente vê que é Não
- 14:18é cem por cento garantido, mas é uma atitude que a gente vê que
- 14:23cada vez mais socialmente tem sido eficiente.
- 14:26à a denúncia mesmo, né? A gente tem as delegacias
- 14:28especializadas. Aqui em Fortaleza a gente tem a
- 14:31Casa da Mulher Brasileira, que além de ter a delegacia, conta
- 14:34com o Juizado, um núcleo da Defensoria Pública, um núcleo do
- 14:37Ministério Público, né? Acolhimento também com psicóloga
- 14:42existente social. Então...
- 14:45O que acontece? Se essa mulher vai à delegacia,
- 14:48ela imediatamente, no mesmo instante, ela sai com uma medida
- 14:51protetiva. Então, às vezes, essa mulher não
- 14:57consegue ter essa força para denunciar.
- 15:02E é importante as pessoas do entorno poderem dar esse apoio.
- 15:05Dizer, eu vou com você, eu te levo.
- 15:08Isso acontece... com frequência, né?
- 15:11De uma irmã, de uma amiga, né? Vamos, eu vou com você.
- 15:15Essa fala é muito potente, inclusive, né?
- 15:19De dizer, eu vou contigo, eu te levo, né?
- 15:21Dá essa mulher perceber que não tá só.
- 15:24Inclusive, porque esse momento da denúncia é um momento
- 15:27difÃcil. Você sentar, relatar, de frente
- 15:30pra um delegado, de frente pra um escrivão, né?
- 15:31Então, é um momento tenso, é um momento difÃcil.
- 15:34Essa mulher estando com alguém ao lado dela, é... ela tende a
- 15:40ter mais força naquele instante. Certo.
- 15:42Agora, se eu entendi bem, além do impacto na saúde mental, há
- 15:46um impacto nas relações sociais e no corpo, não é isso?
- 15:50Ah, com certeza, com certeza. Essa mulher, ela tende a...
- 15:57Uma mulher que fica um tempo mais longo sofrendo agressões em
- 16:02silêncio, ela tende, inclusive pelas sensações e sentimentos de
- 16:06vergonha e culpa, ela tende a cada vez mais se isolar.
- 16:10Muitas dessas mulheres que sofrem violências, elas terminam
- 16:13o relacionamento sem vÃnculos sociais, muitas vezes... Ã s
- 16:19vezes, afastadas do trabalho. Ã muito comum que o agressor,
- 16:22esse homem que tem um perfil mais controlador, ele,
- 16:26inclusive, peça para a mulher não trabalhar.
- 16:28Então, tem toda uma narrativa sedutora sobre eu vou cuidar de
- 16:33você, você não precisa trabalhar.
- 16:34E essa mulher vai se isolando cada vez mais.
- 16:38Agora, eu vi aqui que, pelos dados do anuário, a maioria,
- 16:45quase a totalidade, poderia-se dizer, dos feminicÃdios, por
- 16:49exemplo, envolve parceiros Ãntimos e ex-parceiros.
- 16:55Ã isso mesmo? O quadro que se apresenta na
- 16:58realidade diária é esse? Ou é um pouco pior?
- 17:03Não é assim, Nonato. São parceiros e ex-parceiros que
- 17:06tendem a não aceitar essa ruptura do vÃnculo.
- 17:14Eles constroem uma relação com essa mulher de objetificação,
- 17:18como se essa mulher fosse um objeto no poder deles.
- 17:22Quando essa mulher decide romper a relação...
- 17:27Eles não aceitam e a maneira de muitas vezes eles solucionar
- 17:32isso é... à com o feminicÃdio, né?
- 17:36Sobre esse assunto, tem algo que eu queria destacar, que é
- 17:41importante, já que a gente está no meio de comunicação, né?
- 17:45Recente eu li pesquisas sobre como os meios de comunicação, à s
- 17:49vezes, tendem a flexibilizar a figura do homem como se ele
- 17:53fosse um ser coitadinho, porque foi abandonado por essa mulher,
- 17:58né? Então... e que por isso ele agiu
- 18:03dessa forma insana. Não.
- 18:06Homens e mulheres, jovens, adultos, idosos, nós somos seres
- 18:12livres. Qualquer mulher tem o direito
- 18:15de, a qualquer instante, estar ou não estar num relacionamento
- 18:19afetivo. Ela não tem que ficar porque o
- 18:21homem quer que ela fique. Não mesmo.
- 18:24Ela não é objeto desse homem. AÃ, num caso desse em que o
- 18:28homem força, impede que ela siga a vida em paz, tem outros
- 18:34mecanismos, né? PolÃcia, por exemplo, né?
- 18:37Exatamente. Justiça, né?
- 18:39Exatamente, né? Recente, eu estava na Casa
- 18:43Brasileira fazendo um trabalho e a gente estava discutindo, a
- 18:49juÃza, a doutora Rosa, do Juizado da Casa Mulher
- 18:52Brasileira, ela estava falando... sobre por que as
- 18:55mulheres desistem das medidas protetivas.
- 18:59Elas vão, denunciam, recebem a medida protetiva e muitas vezes
- 19:03elas desistem. Por que eu estou falando nisso
- 19:06quando você toca na temática da polÃcia?
- 19:08Porque existe uma tendência cÃclica dessa mulher, quando ela
- 19:14chama essa polÃcia, quando ela chama essa justiça, não só a
- 19:17polÃcia, mas... a delegada, a polÃcia, a juÃza, o juiz, todo
- 19:23mundo que está da justiça que está responsável por isso, que
- 19:27está ali cuidando dela. Muitas vezes ela recebe esse
- 19:31cuidado, essa proteção, e aà eles recuam.
- 19:35Quando elas pedem a desistência da medida protetiva, eles voltam
- 19:39a se aproximar. Então, a solução muitas vezes,
- 19:44novamente, é de novo a o pedido novamente da medida protetiva.
- 19:52Agora, o homem que chegou à idade adulta e assume essa
- 19:56relação, vamos chamar assim, criminosa mesmo, com as
- 19:59mulheres, aà tem uma série de etapas no processo, talvez possa
- 20:05ter algum processo educativo no meio.
- 20:08Mas esse problema pode ser preventivamente enfrentado pela
- 20:12sociedade, já desde os primeiros anos de vida, do menino, da
- 20:16menina, da mulher? Pode, Nonato, eu tenho pensado
- 20:19muito sobre isso com os estudos que eu tenho feito nessa
- 20:22temática, que nós precisamos de ações que sejam dentro da esfera
- 20:30já escolar, de ensino fundamental.
- 20:34Então, eu não digo nem só de ensino médio.
- 20:37Eu diria que o ensino médio já seria uma segunda etapa.
- 20:40No ensino fundamental, a gente já pode começar a conversar com
- 20:43crianças sobre isso. Existem ações no paÃs, como, por
- 20:46exemplo, lá em BrasÃlia, hoje tem um decreto ou uma lei, eu
- 20:50não sei dizer bem o que é, mas que obriga nas escolas públicas
- 20:55a serem trabalhadas a temática do combate à violência contra a
- 20:58mulher. Isso hoje é previsto em todas as
- 21:01escolas públicas de BrasÃlia. Então, é com crianças pequenas
- 21:07que a gente começa a ensinar. Outro dia, eu dialogando com uma
- 21:11criança de seis anos e a gente, numa brincadeira, num jogo, ele
- 21:15disse que o pai era mais poderoso do que a mãe.
- 21:18Ele estava falando de uns bonequinhos e eu questionei
- 21:22sobre... Ah, mas nós humanos também temos
- 21:26poder, né? Então, ah, temos sim.
- 21:28E aà a gente foi brincando com quem tinha esse poder e ele
- 21:31disse que o pai tinha um poder maior do que a mãe.
- 21:34Então, isso me chama muita atenção.
- 21:35As crianças de três, quatro, cinco anos, elas já são
- 21:39ensinadas que os homens são supostamente mais poderosos do
- 21:43que as mulheres. Isso tem uma função subjetiva e
- 21:49subliminar dessa criança crescer, o menino crescer
- 21:53achando que é mais poderoso e por isso tem mais... controles
- 22:01sobre a mulher, e a mulher crescer achando que tem que se
- 22:05subjugar a esse poder masculino. Então isso faz parte do sistema
- 22:09do patriarcado, de implantar essa lógica que ainda existe.
- 22:16Então quando a gente ensina de pequeno a probabilidade desse
- 22:21homem aprender e isso fazer parte da constituição de quem
- 22:24ele é, é muito maior. Professor Elisa Castelo Branco,
- 22:29eu estou com pouco tempo aqui, porque tem um intervalo
- 22:31obrigatório daqui a pouquinho, mas eu gostaria ainda que a
- 22:34senhora falasse um pouquinho sobre o laboratório que a
- 22:36senhora coordena na Universidade Estadual do Ceará, o Laboratório
- 22:39Sociedades, Subjetividades e Humanismo.
- 22:43Eu vi no jornal a matéria sobre o laboratório e achei
- 22:48interessante e gostaria que a senhora falasse um pouco sobre o
- 22:51laboratório aqui. Pronto, Nonato.
- 22:54O laboratório, a gente começou há alguns anos com pesquisas que
- 22:59envolvessem qualquer questões sociais, mas na verdade hoje
- 23:02estamos hiperfocados, quem compõe o laboratório, na
- 23:07temática da violência contra a mulher.
- 23:10Quanto mais a gente, na medida em que começamos a estudar, a
- 23:13gente viu que a necessidade social de debater esse tema é
- 23:18gigantesca. à infindável.
- 23:21Por muitas décadas e, quizás, séculos, também ainda temos que
- 23:24estar debatendo isso. Tamanho é... consequências
- 23:30negativas para a nossa sociedade nessa temática.
- 23:32Então, no laboratório hoje, como eu disse, estamos hiperfocados
- 23:35nessa temática. São pesquisas, são ações de
- 23:39extensão, são grupos de estudo, eventos que fazemos nesse
- 23:45sentido, participação social em outros equipamentos da justiça,
- 23:50como a Casa da Mulher Brasileira, E um dos principais
- 23:55trabalhos que nós estamos realizando atualmente é o
- 23:57plantão psicológico voltado para mulheres vÃtimas de violência.
- 24:00Então, qualquer mulher, de qualquer idade, de qualquer
- 24:04condição social, pode nos procurar.
- 24:06Tem um número de WhatsApps. que eu não vou conseguir te dizer
- 24:11agora, eu não sei decorado, mas eu posso passar para você depois
- 24:15de ver. Isso, a gente traz depois aqui
- 24:16no programa, sem problema. Então, qualquer mulher, qualquer
- 24:20idade, qualquer condição social que tenha sofrido violência, que
- 24:24sofra violência atualmente ou que tenha sofrido violência no
- 24:27passado, não importa, ela pode nos procurar, mandando uma
- 24:32mensagem pelo WhatsApp e a gente... marca no plantão
- 24:37psicológico, a gente faz dois ou três acolhimentos a essa mulher
- 24:41e depois desses acolhimentos a gente encaminha ela para algum
- 24:45equipamento da rede de atenção psicossocial do Estado.
- 24:49A gente identifica se ela precisa de atendimento
- 24:51psicológico, se ela precisa de atendimento psiquiátrico, porque
- 24:56muitas a gente recebe já estão adoecidas, então precisa ser
- 25:00cuidado nesse sentido. Então, Esse é um dos principais
- 25:04assuntos que a gente tem feito no laboratório.
- 25:07Professora Laysa Castelo Branco Mendes, muito obrigado pela
- 25:09participação, bom dia e parabéns pelo trabalho.
- 25:12Eu que agradeço, Nonato. Um abraço.
- 25:19Foi entrevista com a professora Laysa Castelo Branco Mendes, ela
- 25:22é professora adjunta da Universidade Estadual do Ceará,
- 25:25psicóloga, e coordena o Laboratório de Sociedades,
- 25:29Subjetividades e Humanismo, Laço, da Universidade Estadual
- 25:32do Ceará. Vamos a um breve intervalo?
- 25:43Rádio Livre, apresentação Nonato Lima.
- 25:56Agora são oito horas e quatro minutos.
- 25:59Há pouco tempo nós entrevistamos a professora Elisa Castelo
- 26:02Branco Mendes, que é coordenadora do Laboratório de
- 26:04Sociedades, Subjetividades e Humanismo, Laço, da Universidade
- 26:08Estadual do Ceará. E ela falou sobre o plantão
- 26:10acolhedor. A gente estava falando da
- 26:12questão da violência contra a mulher. das mulheres que
- 26:14precisam de um atendimento nessa linha aÃ, e o número do contato,
- 26:21que eu fiquei devendo para vocês, é este aqui.
- 26:25Se quiser anotar, é o plantão acolhedor que as mulheres podem
- 26:31procurar na Universidade Estadual do Ceará.
- 26:34Vou repetir o telefone. Ã o telefone de Fortaleza.
- 26:39E o número do contato é um WhatsApp, né?
- 26:44Telefone WhatsApp. Agora são oito horas e cinco
- 26:46minutos. A deputada estadual do Partido
- 27:21dos Trabalhadores de Minas Gerais, Macaé Evaristo, será a
- 27:26sucessora de Silvio Almeida no Ministério dos Direitos Humanos
- 27:30e Cidadania. A posse vai ser na próxima
- 27:35semana. A deputada Macaia Evaristo disse
- 27:39que recebeu um convite muito afetivo do Presidente da
- 27:45República, disse que o Presidente falou que conhecia a
- 27:51trajetória de luta dela pelos direitos humanos e pela luta
- 27:55antirracista. E disse que se sentiu honrada
- 28:03com o convite e vai assumir. A nova ministra, não assumiu
- 28:09ainda, mas vai assumir, Macaia Evaristo, é prima da escritora
- 28:13Conceição Evaristo. à deputado estadual, como eu
- 28:17disse, pelo PT de Minas Gerais. Ã professora desde os dezenove
- 28:20anos, graduada em serviço social, mestre e doutoranda em
- 28:25educação. Foi a primeira mulher negra a
- 28:28ocupar cargos de secretaria, de secretaria, né?
- 28:33lá em Belo Horizonte, de dois mil e cinco a dois mil e doze.
- 28:38Depois ela foi Secretária de Educação, Secretária Estadual de
- 28:42Educação, de dois mil e quinze a dois mil e dezoito, em Minas
- 28:46Gerais. Vamos desejar boa sorte para a
- 28:49ministra, que ela receba o que precisa receber no Ministério
- 28:54para executar as polÃticas públicas de direitos humanos e
- 29:00cidadania, para além dos limites que normalmente cercam essas
- 29:08áreas. à um Ministério muito
- 29:10importante, com certeza precisa ter mais e mais apoio, à só você
- 29:18conectar direitos humanos com a entrevista que nós acabamos de
- 29:23fazer. Como é importante a pasta dos
- 29:27direitos humanos. Agora estará nas mãos de uma
- 29:31mulher com uma tradição de luta antirracista, com experiência de
- 29:37secretário de educação. E vamos esperar que o Ministério
- 29:42não... não tenha mais restrições do que eu já tenho.
- 29:48No atual governo, essas áreas são muito importantes.
- 29:51Direito humano, cidadania, mulheres, combate ao racismo,
- 29:55etc. Mas, quando chega na hora do
- 29:58orçamento, aà o negócio fica difÃcil.
- 30:02Então vamos ver se também o orçamento, as condições de
- 30:06aplicação das polÃticas públicas, de fato, sejam
- 30:11compatÃveis para que ela possa fazer o trabalho.
- 30:17Boa sorte, então, para agora a ministra, daqui a pouco, será
- 30:22impostada, daqui a pouco, semana que vem vai ser impostada, Macaé
- 30:26Evaristo. Oito e nove.
- 30:36Olha, um grande volume de queimadas no paÃs está
- 30:39pressionando o sistema de saúde e preocupa, principalmente em
- 30:44relação a idosos e crianças com problemas respiratórios.
- 30:49Quem falou isso? A ministra da Saúde, NÃzia
- 30:52Trindade. Ela disse que há um impacto
- 30:55forte no sistema de saúde, nas unidades de saúde e há uma maior
- 31:00procura, principalmente com a preocupação com o efeito de
- 31:05curto prazo. e de médio prazo na saúde das pessoas.
- 31:11Se trata de ataque ao sistema respiratório.
- 31:14Nise Trindade ressaltou que, neste momento, não há falta de
- 31:18leito acentuado. Há leito para atendimento.
- 31:23As declarações da ministra foram feitas durante a participação
- 31:28dela na abertura de conferência com institutos nacionais de
- 31:31saúde pública no Rio de Janeiro. O encontro aconteceu... no
- 31:35âmbito do G-Vinte, que é o grupo que reúne as maiores economias
- 31:38do mundo. De acordo com o programa
- 31:41Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, o INPE,
- 31:45o Brasil iniciou o mês de setembro com mais de cento e
- 31:49cinquenta e quatro mil focos de calor registrados no paÃs.
- 31:54Foco de calor em tese de incêndio.
- 31:56A Amazônia tem quarenta e dois por cento desses focos.
- 32:00Embora a Amazônia seja o bioma mais atingido, o municÃpio mais
- 32:04afetado no paÃs é Corumbá, Mato Grosso do Sul, onde o bioma
- 32:09predominante é o Pantanal. Foram detectados em Corumbá
- 32:14quatro mil duzentos e quarenta e cinco focos de incêndio, né?
- 32:22Foco de calor, incêndio. Por causa das queimadas, cidades
- 32:26em diversas partes do paÃs foram atingidas por nuvens de fumaça,
- 32:30o que prejudica a qualidade do ar.
- 32:33A ministra da Saúde, NÃzia Trindade, disse que essa
- 32:36condição causa uma situação muito preocupante em um perÃodo
- 32:39que já tende ao aumento de casos de sÃndrome respiratória aguda
- 32:43grave. O ministro da Trindade disse
- 32:45que, liderado pelo Ministério da Saúde, Meio Ambiente e Mudança
- 32:50Climática, todo o governo está empenhado no esforço de
- 32:53enfrentar a situação. Ela lembrou, o ministro da Saúde
- 32:57lembrou, que alguns incêndios têm origem criminosa, segundo as
- 33:01denúncias que tem até este momento.
- 33:05Lembrou também a Ministra da Saúde que a Força Nacional do
- 33:09Sistema Ãnico de Saúde, o SUS, está em atuação para auxiliar
- 33:12estados e municÃpios a lidar com os efeitos das queimadas na
- 33:17saúde humana. O Ministério da Saúde orienta as
- 33:20pessoas, atenção, é importante essa orientação, de todas as
- 33:22regiões, porque é o paÃs inteiro, a maior parte do
- 33:26território nacional está afetado por queimadas e por fumaça,
- 33:31Portanto, o ar que estamos respirando em boa parte do paÃs
- 33:35não é o ideal. Muitas cidades estão com
- 33:39visibilidade reduzida. Há situações em que as pessoas
- 33:44têm que parar, por exemplo, de dirigir.
- 33:47Na região de Santos, por exemplo, ontem estava assim.
- 33:51Sim, mas as orientações fundamentais.
- 33:54Evitar o máximo exposição ao ar livre. principalmente nesse
- 33:59momento que tem nivoeiro de fumaça, e evitar também a
- 34:05prática de atividade fÃsica nessas situações, porque aà vai
- 34:08ser prejudicial. Não tem oxigênio suficiente para
- 34:12respirar. Hidratação, importantÃssima
- 34:16hidratação. Dentre outras orientações que
- 34:20são dadas pelo Ministério da Saúde, pelas autoridades
- 34:22médicas, pelas autoridades da área ambiental, para enfrentar
- 34:28essa situação aà e torcer para chegar já ao fim desse perÃodo
- 34:33de queimadas. Ã um perÃodo que normalmente
- 34:35ocorre, queimadas, porém, há um componente novo que é exatamente
- 34:42esse. Queimadas, incêndios criminosos.
- 34:46Que é objeto de investigação policial em todo o paÃs.
- 34:50Onde tem um com indÃcios de crime, há investigação.
- 34:54Todos os casos são investigados, né?
- 34:57Porém, quando há sinais de atuação criminosa, a
- 35:02investigação vai mais fundo ainda, né?
- 35:07Olha, hoje, duzentas cidades do Brasil...
- 35:12Estão numa situação, de ontem para hoje, essa semana, né?
- 35:15Não é uma coisa assim localizada numa única data, não.
- 35:19Mas duzentas cidades do Brasil, segundo o Instituto Nacional de
- 35:23Meteorologia, estão com umidade relativa do ar menor ou igual Ã
- 35:28do deserto de Saara. Os dados são do domingo, né?
- 35:35Porque a umidade relativa do ar vai diminuindo ao longo do dia.
- 35:39Conforme as temperaturas vão subindo à tarde...
- 35:42Aà vai diminuir a umidade do ar. Segundo a análise das estações
- 35:47do IMET, os piores Ãndices de umidade do ar foram registrados
- 35:52em Mato Grosso do Sul, São Paulo, Distrito Federal, Goiás e
- 35:57Minas Gerais. Ao todo, nove cidades
- 36:01registraram Ãndices menores de que dez por cento.
- 36:04Com isso, as cidades chegaram perto de registrar a umidade do
- 36:08ar, como a do Atacama, no Chile, que é considerado o deserto mais
- 36:12seco do mundo. A taxa de umidade do ar no
- 36:16Atacama é de cinco por cento. Outras dezenas de cidades
- 36:19registraram Ãndices de até vinte por cento. o que já é
- 36:23considerado muito abaixo do recomendado para a saúde.
- 36:27Então, hidratação, hidratação, hidratação, se proteger do sol,
- 36:34evitar situações mais agudas de calor, enfim, fazer o que se
- 36:39pode fazer. E, por outro lado...
- 36:42Evitar queimadas. Há muitas situações em que são
- 36:47atitudes criminosas, mas há também situações em que são
- 36:50atitudes, como poderia dizer, de descuido mesmo, de falta de
- 36:57prevenção. Isso também é problemático.
- 37:01Ã evitar. Ã evitar fogo de qualquer forma.
- 37:09Você lembra daquele sujeito que apareceu no dia oito de janeiro
- 37:12do ano passado sentado na cadeira do ministro Alexandre de
- 37:15Moraes, xingando? chamando o ministro de Xandão,
- 37:20que eles adoram, chama Alexandre de Moraes de Xandão, apareceu
- 37:24xingando e sentado lá na cadeira.
- 37:28Pior, o cara apareceu falando em nome do povo brasileiro.
- 37:31Imagina, me tira dessa lista aÃ, o Assis também está pedindo para
- 37:33sair da lista dele. Pois bem, o ministro Alexandre
- 37:36de Moraes do Supremo Tribunal Federal determinou que Fábio
- 37:40Alexandre de Oliveira seja notificado seja notificado para
- 37:47apresentar em cinco dias a defesa prévia na ação penal
- 37:51aberta no Supremo por participação no outro de
- 37:54janeiro, quando foram invadidas e destruÃdas as sedes dos três
- 37:59poderes do Brasil. Na época da depredação,
- 38:03Alexandre de Oliveira apareceu em imagens, como eu disse,
- 38:06sentado numa cadeira do Supremo Tribunal Federal.
- 38:09Na gravação, ele dizia que estava sentado na cadeira do
- 38:12Xandão, E xingava o ministro. Agora, ele tem cinco dias para
- 38:18responder pelo que fez. Aà depois se queixa do Xandão.
- 38:26Mas podia não ter ido invadir o Supremo, quebrar, tocar fogo,
- 38:30usar a cadeira, xingar o ministro.
- 38:32Tudo isso aà podia não ter acontecido, não podia?
- 38:34Então, fez, responde. à isso.
- 38:39Não vem algum negócio de liberdade de expressão, não.
- 38:41Não existe liberdade de expressão para você xingar
- 38:44qualquer pessoa, né? E usando do espaço público dela,
- 38:49onde ela atua profissionalmente. Não existe esse negócio.
- 38:53Não é liberdade de expressão, não.
- 38:54Isso é outra coisa que o ministro Alexandre de Moraes vai
- 38:57dizer depois no julgamento. Quando ele apresentar direito de
- 39:00defesa, porque tem, viu, direito de defesa.
- 39:03Alexandre e o cara se chama Alexandre também.
- 39:05Fábio Alexandre de Oliveira, olha lá.
- 39:08à o Xandão e o Xandinho. Mas não dá uma dupla, porque um
- 39:13está no lado dos opostos. Pois esse Fábio Alexandre de
- 39:16Oliveira tem essa semana para se defender do que ele fez.
- 39:22Filmou, botou o vÃdeo na internet.
- 39:25à muita inteligência, né? Os aprendizes de golpistas.
- 39:31As lideranças deles não deram as orientações, né?
- 39:36As orientações suficientes, né? Passaram aquele tempo todo
- 39:39usando lá o espaço em frente ao quartel general do exército,
- 39:44espaço onde eles não poderiam estar, mas gentilmente
- 39:51permitiram que eles ficassem lá e não aprenderam nada, né?
- 39:57Deviam estar aprendendo sobre democracia, sobre como não fazer
- 40:01O que fizeram... Agora...
- 40:04Responde... Responde...
- 40:06Receba... Ã responder...
- 40:11Tem uma novidade aqui hoje... Eu tenho o computador travado
- 40:15aqui também... Perto de mim...
- 40:17De novo... Mas tem outro aqui que não está
- 40:20travado... Então eu vou esquecer o...
- 40:25O travado aqui... E vou trazer a outra
- 40:27informação... Que é a seguinte...
- 40:29A Advocacia Geral da União, a AGU, recorreu de uma decisão do
- 40:33Tribunal de Contas da União, o TCU, que reconheceu que
- 40:38presentes recebidos durante os mandatos de presidente da
- 40:41República não podem ser considerados bens públicos.
- 40:46Olha, não está errada a leitura não, vou ler para você de novo,
- 40:48só para você pensar que eu estou lendo errado.
- 40:52O TCU reconheceu que os presentes recebidos durante os
- 40:56mandatos de Presidente da República não podem ser
- 41:00considerados bens públicos. Surprise!
- 41:05Pois bem, então o que aconteceu? A Advocacia Geral da União
- 41:13recorreu ao próprio tribunal e citou leis e decretos para
- 41:22sustentar uma posição da AGU, que é o seguinte, segundo o
- 41:26recurso da AGU, a Constituição definiu que são bens da União os
- 41:32que pertencem atualmente ao governo federal e os que forem
- 41:37incorporados no futuro. Para a AGU, a interpretação
- 41:42permite o entendimento de que os presentes recebidos por
- 41:45presidentes da República durante eventos diplomáticos ou visitas
- 41:50oficiais não são privados e devem ser incorporados ao
- 41:54patrimônio público. A proposta da Advocacia da União
- 42:00se fundamenta na tese de que a nova compreensão do Tribunal de
- 42:04Contas em sentido oposto a essa posição da AGU, viola o
- 42:15interesse público. O oposto, na verdade, a AGU se
- 42:20baseia na legislação em vigor. Inclusive, tem dois acordos
- 42:25citados aqui, de dois mil duzentos e cinquenta e cinco, de
- 42:28dois mil dezesseis, e trezentos e vinte e seis de dois mil e
- 42:31vinte e três. Dois acordos do TCU, que segundo
- 42:35a AGU, são violados. nessa nova posição do TCU.
- 42:43Por quê? Porque, segundo a AGU, afrontam
- 42:47os princÃpios da razoabilidade e da moralidade administrativa e
- 42:53causam danos ao patrimônio cultural da União, afirma a AGU
- 42:57no recurso ao TCU, no dia sete de agosto.
- 43:01No dia sete de agosto, nós lemos aqui essa informação, eu vou
- 43:03repetir. No dia sete de agosto, o
- 43:04Tribunal de Contas da União rejeitou o pedido feito pelo
- 43:07deputado federal Sarraderson, do PL do Rio Grande do Sul, que é
- 43:12da oposição, para obrigar o presidente Lula a devolver o
- 43:16relógio que recebeu de presente em dois mil e cinco do então
- 43:20presidente francês Jacques Chirac, em razão das
- 43:23comemorações do Ano do Brasil na França.
- 43:26Para a maioria dos ministros do Tribunal de Contas da União, não
- 43:29há lei especÃfica para disciplinar essa matéria.
- 43:35Dessa forma, o TCU disse que não pode determinar a devolução do
- 43:41relógio ao acervo público da Presidência da República.
- 43:46Mas Lula disse que devolveria. E pode devolver, devolve logo.
- 43:51O Assis pode levar esse negócio lá para o TCU.
- 43:53Vai lá, Assis, entregar esse relógio, acabar essa confusão.
- 43:57Pois bem, o recebedor pode entregar.
- 44:00O problema é que quando chega a esse nÃvel, tem que haver uma
- 44:03decisão também do ponto de vista legal.
- 44:07Não pode ser, eu estou brincando aqui, mas não pode ser uma coisa
- 44:09aleatória, não. Tem que ser uma coisa dentro da
- 44:11lei. O problema também, e aà fica
- 44:15claro isso, é que esse novo entendimento do TCU... que não é
- 44:21patrimônio da União, o presente recebido pelo presidente, ele
- 44:27vai favorecer, por exemplo, alguém que pode ter recebido um
- 44:31presente valioso, levado para um outro paÃs e acabou vendendo num
- 44:40boteco norte-americano. O problema está aÃ.
- 44:45Esse parecer, essa nova posição do TCU tem essa possibilidade.
- 44:52Aà a Advocacia Geral da União recorreu dessa decisão e quer
- 44:54que o TCU mantenha o entendimento anterior, que é
- 44:59patrimônio público e que, portanto, incorpora-se ao
- 45:04patrimônio público. Senão, vai se jogar no lixo todo
- 45:09o trabalho de investigação feito em alguns casos aÃ, né?
- 45:13De joias que pegaram um bonde e foram embora, né?
- 45:19Se venderam por aà afora. Elas foram sozinhas.
- 45:24Joias hoje são inteligentes, né? Joias inteligentes.
- 45:27Foram embora e se venderam por aÃ.
- 45:30Esse é um problema, né? O computador voltou.
- 45:52Pode cantar, né? O computador voltou.
- 45:55Olha, é o seguinte. A matéria que eu queria divulgar
- 45:59aqui é sobre o DENOX. Departamento Nacional de Obras
- 46:03Contra Secas. E também a favor das águas, né?
- 46:07Tem muito a ver com a água, né? Com reservatórios de água,
- 46:12sobretudo no Nordeste brasileiro e parte de Minas Gerais.
- 46:16Então é o seguinte. No próximo dia, dia vinte e um
- 46:17de outubro, o DENOX vai completar cento e quinze anos de
- 46:19existência. Mas...
- 46:22Quase sem motivo para comemoração, pelo menos
- 46:25atualmente. Tem uma história todinha de
- 46:27contribuição, mas tem um problema aÃ.
- 46:30O Denox sempre foi uma instituição fundamental,
- 46:33desempenhou um papel fundamental no desenvolvimento da
- 46:36infraestrutura hÃdrica no semiárido brasileiro e enfrenta
- 46:40hoje uma grave crise estrutural. Com um quadro de servidores
- 46:46insuficiente, falta de recursos públicos e cortes orçamentários,
- 46:49o Denox não tem condições de implementar as suas ações.
- 46:54As principais barragens da região semiárida estão sem
- 46:58pessoal adequado para a gerência e monitoramento e várias delas
- 47:02operam com vigilância e conservação reduzidas.
- 47:06Além disso, contratos com empresas terceirizadas estão Ã
- 47:11beira do cancelamento por falta de pagamento.
- 47:16Apesar de cerca de Rp. novecentos milhões em restos a
- 47:20pagar, esses recursos são destinados a ações que fogem da
- 47:26missão central do Denox, como, por exemplo, compra de tratores
- 47:31ou obras de pavimentação, em vez de projetos essenciais de
- 47:35infraestrutura hÃdrica e irrigação.
- 47:37A situação também é crÃtica na área de piscicultura, que sofre
- 47:43com a falta de técnicos e pesquisadores, levando ao
- 47:47abandono de estações e à perda de matrizes de peixes,
- 47:51comprometendo a produção de alevinos.
- 47:55O futuro também é incerto para o Denox.
- 47:57O Ministério da Gestão e Inovação não autorizou novos
- 48:00concursos e a maior parte dos servidores está próxima da
- 48:05aposentadoria, o que pode agravar ainda mais a escassez de
- 48:08pessoal no Denox. A insatisfação dos servidores no
- 48:12Denox cresce em especial devido à conversão de uma gratificação
- 48:18que bloqueia recomposição salarial.
- 48:23Diante desse cenário, o Sindicef, que sempre esteve Ã
- 48:27frente dessas lutas, dentre outras, está presente nessa luta
- 48:32agora com os servidores do Denox e apela para que a sociedade, as
- 48:37autoridades reconheçam a importância do Denox e para
- 48:42rever essa situação. Sem apoio, o Denox, que já foi
- 48:46referência em desenvolvimento regional, corre o risco de
- 48:53paralisar as atividades. Eu falei aqui um dia desse, eu
- 48:58não citei o nome, mas eu soube de um escritório do Lenox, no
- 49:02Nordeste brasileiro, no estado vizinho aqui do Ceará, que só
- 49:06sobrou o motorista. As pessoas se aposentaram, foram
- 49:10se aposentando e não houve concurso, e só sobrou o
- 49:12motorista. Então o motorista passou a ser,
- 49:14ele é a única pessoa responsável por tudo o que está lá.
- 49:19E é muita coisa, é um patrimônio imenso.
- 49:23Então isso precisa mudar. Trabalho para os polÃticos.
- 49:30Em situação de oposição, na Assembleia Legislativa, na
- 49:35Câmara dos Deputados, no Senado Federal, os poderes são
- 49:39responsáveis por uma solução para o denúncia. reconhecer a
- 49:43história do Denox e fazer o que tem que ser feito, apoiá-lo.
- 49:48Sete horas e vinte e sete minutos, chegamos ao final do
- 49:50Rádio Livre. Bom dia, um abraço, obrigado
- 49:52pela companhia. Amanhã a gente se encontra de
- 49:53novo aqui às sete e meia ao vivo e a qualquer hora você nos
- 49:59acessa no podcast Rádio Livre com Nonato Lima.
- 50:02Assis Lima e eu voltamos amanhã. Obrigado.
- 50:06A Universitária FM apresentou Rádio Livre.