Latest / Devaneios de uma Bruxa Solitária / A Marca da Bruxa | Ep01
Transcript
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- 0:06SPEAKER_00: Olá a todas as bruxas do meu jardim,
- 0:08SPEAKER_00: sejam bem-vindos ao primeiro episódio do podcast Uma Bruxa Solitária.
- 0:14SPEAKER_00: Eu sou a Morgana e nós estamos no canal Uma Bruxa Solitária.
- 0:20SPEAKER_00: Hoje eu quero falar-vos um bocadinho sobre a marca da bruxa,
- 0:24SPEAKER_00: porque eu tenho assistido,
- 0:26SPEAKER_00: e anda para aí,
- 0:27SPEAKER_00: há já há muito tempo,
- 0:29SPEAKER_00: um tipo de conteúdo que te diz,
- 0:32SPEAKER_00: que te dá sempre uma dica Se és ou não bruxa
- 0:40SPEAKER_00: e tu vais ser determinada bruxa ou não,
- 0:44SPEAKER_00: consoante uma marca, que é a marca da bruxa.
- 0:49SPEAKER_00: Este tipo de conteúdo
- 0:53SPEAKER_00: Pode responder à pergunta, quando ou como se descobre que somos bruxas?
- 1:00SPEAKER_00: Ou existe algum tipo de marca que vai definir se somos ou não bruxas?
- 1:08SPEAKER_00: Então como é que nós sabemos se somos bruxas?
- 1:12SPEAKER_00: E antes de nós avançarmos para os meus pensamentos,
- 1:19SPEAKER_00: Só há um único teste que te precisas de fazer para saber se és ou não bruxa.
- 1:25SPEAKER_00: E o teste é o seguinte, tu queres praticar bruxaria e ser bruxa?
- 1:32SPEAKER_00: Se sim, parabéns, és bruxa.
- 1:37SPEAKER_00: Eu sei que isto parece um bocadinho contra-intuitivo,
- 1:40SPEAKER_00: porque nós vemos muito nas redes sociais,
- 1:42SPEAKER_00: principalmente,
- 1:44SPEAKER_00: muitos sacerdotes,
- 1:45SPEAKER_00: sacerdotisas,
- 1:46SPEAKER_00: frater disto,
- 1:48SPEAKER_00: soror daquilo,
- 1:49SPEAKER_00: E que parece,
- 1:51SPEAKER_00: pelo menos é a interpretação ou a sensação que eu tenho,
- 1:55SPEAKER_00: parece que é preciso nós termos e sermos reconhecidos por uma sociedade,
- 2:03SPEAKER_00: por um nicho ou por um grupo de bruxas ou de bruxos,
- 2:07SPEAKER_00: de magos, de sacerdotes, sei lá, para sermos de facto bruxos ou bruxas.
- 2:14SPEAKER_00: E não é bem por aí.
- 2:16SPEAKER_00: Então entre os aqui alguns pontos De reflexão relativamente a esta questão da marca da bruxa.
- 2:23SPEAKER_00: Então a primeira coisa é nós não precisamos de ter marca nenhuma.
- 2:27SPEAKER_00: Não existe uma marca, não existe o dom, não existe nada disso.
- 2:33SPEAKER_00: A bruxa é um ofício, portanto nós não nascemos marcadas.
- 2:38SPEAKER_00: Nós tornamos bruxas pela prática.
- 2:41SPEAKER_00: Então quando nós ouvimos dizer que para ser bruxa é preciso ter um dom, não é?
- 2:47SPEAKER_00: Ou um dom ancestral,
- 2:49SPEAKER_00: uma linhagem,
- 2:50SPEAKER_00: é preciso que as nossas mães,
- 2:52SPEAKER_00: avós, bisavós, seja lá quem for, mas da nossa família, tenham sido também bruxas.
- 2:59SPEAKER_00: Ou então ter o tal do sinal especial que,
- 3:02SPEAKER_00: sei lá, vê-se na mão na quiromancia, vê-se não sei aonde.
- 3:07SPEAKER_00: E achamos nós que para fazer e para estarmos na bruxaria precisamos
- 3:13SPEAKER_00: de Essas coisas todas, quando isso não é real.
- 3:19SPEAKER_00: Então é a prática que faz a bruxa e não necessariamente a genética,
- 3:24SPEAKER_00: porque se nós fôssemos pensar,
- 3:26SPEAKER_00: ou melhor,
- 3:26SPEAKER_00: se eu fosse pensar por esse lado,
- 3:28SPEAKER_00: eu jamais poderia ser considerada bruxa porque a minha mãe não é bruxa,
- 3:33SPEAKER_00: a minha avó não é bruxa, a minha bisavó não é bruxa, muito pelo contrário.
- 3:38SPEAKER_00: Eu já vos falei várias vezes que eu venho de uma família e aqui à minha volta
- 3:43SPEAKER_00: na zona onde eu vivo,
- 3:45SPEAKER_00: A maioria das pessoas,
- 3:47SPEAKER_00: obviamente eu não posso falar todas,
- 3:49SPEAKER_00: mas a maioria das pessoas é católica,
- 3:51SPEAKER_00: católica,
- 3:52SPEAKER_00: como eu costumo dizer,
- 3:52SPEAKER_00: rato de sacristia,
- 3:54SPEAKER_00: que vão à missinha,
- 3:55SPEAKER_00: que fazem todas as babusadas e as coisinhas que correspondem ao catolicismo,
- 4:02SPEAKER_00: ao cristianismo,
- 4:03SPEAKER_00: e é um meio muito fechado ao ponto de não existir aqui nada,
- 4:08SPEAKER_00: pelo menos assim, aparente e que se veja, não é?
- 4:14SPEAKER_00: Relacionado com outro tipo de práticas.
- 4:18SPEAKER_00: Então o que é mais aceite é o reiki,
- 4:22SPEAKER_00: porque é mais divino, mais espiritual, mais iluminado e pouco mais.
- 4:28SPEAKER_00: Então não existe assim na zona onde eu vivo,
- 4:30SPEAKER_00: que não é um grande porto,
- 4:32SPEAKER_00: não é uma grande Lisboa,
- 4:34SPEAKER_00: não é uma grande cidade,
- 4:39SPEAKER_00: não é muito comum haver e ou existir Outros tipos de fé, além da católica.
- 4:48SPEAKER_00: Então se nós fossemos olhar por isso, eu não poderia ser bruxa.
- 4:52SPEAKER_00: Eu não poderia praticar bruxaria.
- 4:54SPEAKER_00: E além disso,
- 4:55SPEAKER_00: tem um outro fator aqui que é,
- 4:58SPEAKER_00: eu posso não ter uma linhagem que eu saiba,
- 5:00SPEAKER_00: porque eu só sei até a minha bisavó, eu não sei mais.
- 5:05SPEAKER_00: Eu posso não ter nenhuma linhagem específica que se saiba que foi bruxa.
- 5:13SPEAKER_00: Porém, tive uma vida passada,
- 5:17SPEAKER_00: ou uma experiência,
- 5:18SPEAKER_00: uma outra experiência corpórea, vamos dizer assim, em que eu fui bruxa.
- 5:24SPEAKER_00: Portanto,
- 5:25SPEAKER_00: não é só pela linhagem,
- 5:26SPEAKER_00: entre aspas,
- 5:27SPEAKER_00: nós temos também,
- 5:28SPEAKER_00: e o apreço e a vontade por explorar mais a bruxaria,
- 5:33SPEAKER_00: ou por nos interessarmos por bruxaria,
- 5:36SPEAKER_00: pode vir também de outras experiências corpóreas,
- 5:38SPEAKER_00: ou como nós chamamos normalmente de vidas passadas.
- 5:42SPEAKER_00: Um outro ponto aqui é o tal que eu já falei aqui um bocadinho misturado com este,
- 5:47SPEAKER_00: que é os sinais que a comunidade normalmente utiliza para validar quem é bruxa
- 5:53SPEAKER_00: de verdade.
- 5:55SPEAKER_00: Por exemplo,
- 5:56SPEAKER_00: eu tenho aqui,
- 5:57SPEAKER_00: e isto eu tive que listar porque senão eu perco-me e acabo por não comentar
- 6:02SPEAKER_00: ou não falar todos os sinais.
- 6:04SPEAKER_00: Então existem alguns sinais dentro da comunidade,
- 6:06SPEAKER_00: principalmente nas redes sociais, que nós vemos.
- 6:10SPEAKER_00: E que são um grupinho,
- 6:13SPEAKER_00: uma série de,
- 6:14SPEAKER_00: uma listinha mesmo,
- 6:16SPEAKER_00: ou critérios que podemos chamar,
- 6:19SPEAKER_00: que a comunidade online principalmente utiliza para validar quem é uma bruxa
- 6:25SPEAKER_00: a sério.
- 6:27SPEAKER_00: Então, por exemplo,
- 6:30SPEAKER_00: isto é tóxico porque vai sempre implicar que nós tínhamos isto ou precisamos disto
- 6:35SPEAKER_00: ou daquilo e nunca é perfeito para nós praticarmos.
- 6:40SPEAKER_00: E é tóxico por essa questão da comparação de quem é melhor bruxo,
- 6:48SPEAKER_00: quem faz os feitiços mais fortes,
- 6:50SPEAKER_00: mais não sei o quê, quem tem uma prática mais válida.
- 6:56SPEAKER_00: Então eu tenho aqui a listinha.
- 6:57SPEAKER_00: Nós temos aqui relativamente a ferramentas e materiais,
- 7:01SPEAKER_00: por exemplo,
- 7:02SPEAKER_00: se não temos um grimório físico,
- 7:04SPEAKER_00: ou seja,
- 7:05SPEAKER_00: aquele livrinho todo bonitinho,
- 7:08SPEAKER_00: Com desenhos e se nós também não sabemos desenhar,
- 7:12SPEAKER_00: por exemplo,
- 7:12SPEAKER_00: no meu caso,
- 7:13SPEAKER_00: eu desenho aqui uma boneca com um monte de rabiscos,
- 7:17SPEAKER_00: um monte de traços para aqui e para lá e para mim aquilo é uma boneca, não é?
- 7:20SPEAKER_00: Pronto, é uma pessoa.
- 7:23SPEAKER_00: Então, para mim,
- 7:24SPEAKER_00: desenhar e fazer um grimório todo bonitinho,
- 7:26SPEAKER_00: um livro das sombras todo bonitinho,
- 7:28SPEAKER_00: não é viável,
- 7:29SPEAKER_00: porque eu não tenho ou não desenvolvi essa capacidade ou habilidade de desenho.
- 7:36SPEAKER_00: Então eu não tenho um grimório todo bonitinho,
- 7:39SPEAKER_00: eu tenho,
- 7:39SPEAKER_00: nem tenho feito à mão, nem com uma capa bonitinha, como nós também vemos aí.
- 7:45SPEAKER_00: Além deles serem dispendiosos,
- 7:47SPEAKER_00: porque eu já vi,
- 7:48SPEAKER_00: já tive interesse em pesquisar preços,
- 7:51SPEAKER_00: os grimórios feitos à mão,
- 7:54SPEAKER_00: à mão mesmo do início ao fim,
- 7:57SPEAKER_00: eles são extremamente caros, caros é a palavra, e vão ali por volta dos 100€,
- 8:07SPEAKER_00: Aqui em Portugal, vão ali por volta dos cenheiros, contando já com os portos e tudo mais.
- 8:11SPEAKER_00: Portanto, fica extremamente dispendioso para ter um grimório.
- 8:16SPEAKER_00: Isso não significa que nós não possamos ter.
- 8:18SPEAKER_00: Nós podemos ter, mas não é indispensável.
- 8:23SPEAKER_00: Então, ter um grimório todo bonitinho não faz de nós melhores ou piores bruxas.
- 8:28SPEAKER_00: Outra coisa é,
- 8:29SPEAKER_00: se não temos um altar montado,
- 8:31SPEAKER_00: Com todos os elementos representados, significa que nós também não somos bruxas.
- 8:36SPEAKER_00: Isso é mentira,
- 8:37SPEAKER_00: porque eu já fiz vídeos aqui no canal, aliás,
- 8:41SPEAKER_00: já fiz dois ou três,
- 8:42SPEAKER_00: acho eu,
- 8:43SPEAKER_00: a falar sobre o altar,
- 8:46SPEAKER_00: o mito do altar perfeitinho que nós vemos nas redes sociais,
- 8:52SPEAKER_00: tanto no TikTok como no Instagram e também no Pinterest.
- 8:55SPEAKER_00: Eu não tenho um altar todo bonitinho,
- 8:57SPEAKER_00: a minha prática normalmente No dia a dia o altar está, enfim, está como está, não é?
- 9:06SPEAKER_00: Então não está todo bonitinho e muitas vezes eu faço o ritual,
- 9:12SPEAKER_00: uma ritualista super simples e eu vou deixando ali os materiais para depois arrumar,
- 9:17SPEAKER_00: porque também ninguém fala sobre isso.
- 9:18SPEAKER_00: É que o altar é todo bonitinho, nós fazemos os rituais, mas é preciso limpar depois, não é?
- 9:23SPEAKER_00: Arrumar.
- 9:26SPEAKER_00: Uma outra coisa,
- 9:27SPEAKER_00: isto eu vi muito no início do meu despertar espiritual,
- 9:32SPEAKER_00: que eu acredito que quem me ouve já deve ter,
- 9:34SPEAKER_00: e se estás no ouvir,
- 9:36SPEAKER_00: já deve ter dado conta ou visto isto de alguma forma,
- 9:40SPEAKER_00: é que precisamos de ter cristais,
- 9:42SPEAKER_00: ter tarot, ter ervas específicas para começar, sendo que isso também não é verdade.
- 9:49SPEAKER_00: Na bruxaria principalmente,
- 9:51SPEAKER_00: Eu não estou a falar de quem é cerimonial ou está dentro de uma doutrina,
- 9:56SPEAKER_00: ou seja,
- 9:57SPEAKER_00: dentro de uma prática específica em que tem um passo a passo,
- 10:01SPEAKER_00: tens de fazer isto,
- 10:02SPEAKER_00: aquilo, não estou a falar disso, estou a falar da bruxaria em si.
- 10:07SPEAKER_00: A bruxaria,
- 10:08SPEAKER_00: e isto é que me encanta na bruxaria,
- 10:11SPEAKER_00: é o facto de nos permitir sermos livres de explorar aquilo que mais nos apetece
- 10:19SPEAKER_00: no momento.
- 10:20SPEAKER_00: E aquilo que nós temos à mão.
- 10:24SPEAKER_00: E aqui voltamos à questão,
- 10:25SPEAKER_00: por exemplo,
- 10:26SPEAKER_00: do Paulo Santo ou da sálvia branca,
- 10:30SPEAKER_00: das tochas de sálvia branca,
- 10:33SPEAKER_00: em que eu também já fiz publicação na newsletter, acho eu, sobre isso.
- 10:38SPEAKER_00: E há uma grande exploração,
- 10:41SPEAKER_00: tanto por detrás da sálvia e do Paulo Santo,
- 10:44SPEAKER_00: como também há uma grande exploração por detrás dos cristais.
- 10:48SPEAKER_00: Porque tudo que fica na moda e tudo que fica muito vendável,
- 10:52SPEAKER_00: não sei se essa palavra existe,
- 10:54SPEAKER_00: mas enfim,
- 10:54SPEAKER_00: ou seja,
- 10:55SPEAKER_00: tudo que é muito apetecível para ser vendido,
- 10:59SPEAKER_00: cria-se aqui uma indústria e normalmente quando há esta demanda
- 11:03SPEAKER_00: ou esta grande procura por estas coisinhas ou qualquer coisa, há uma exploração.
- 11:12SPEAKER_00: Então não é que nós não podemos ou não possamos utilizar Mas,
- 11:17SPEAKER_00: com consciência, será que eu preciso de todos os cristais para fazer a prática?
- 11:22SPEAKER_00: Será que um cristal que mais, o corriqueiro que nós podemos ter seria um quartzo transparente?
- 11:31SPEAKER_00: Uma ametista também é o que normalmente nos dizem,
- 11:33SPEAKER_00: a selenita branca,
- 11:34SPEAKER_00: a turmalina negra, são os mais, que se ouve mais a falar, talvez um citrino por ali.
- 11:42SPEAKER_00: Mas será que nós precisamos de todos os cristais e mais alguns?
- 11:45SPEAKER_00: Ou será que eu,
- 11:46SPEAKER_00: na minha prática,
- 11:48SPEAKER_00: eu sou apologista de ir atrás de cristais que façam sentido no momento?
- 11:53SPEAKER_00: Então, eu gosto muito da ametista,
- 11:55SPEAKER_00: é o meu cristal predileto,
- 11:58SPEAKER_00: vamos dizer assim,
- 11:59SPEAKER_00: então praticamente eu tenho ametistas por toda a casa, espalhado por toda a casa.
- 12:05SPEAKER_00: Mas, por exemplo, eu só tenho um olho de tigre, pequenininho até.
- 12:09SPEAKER_00: Então eu não tenho uma grande coleção de cristais,
- 12:12SPEAKER_00: porque na minha prática faz sentido eu Ir atrás dos cristais
- 12:16SPEAKER_00: que me vão ajudar naquele momento.
- 12:19SPEAKER_00: Que me vão,
- 12:21SPEAKER_00: ou que eu preciso,
- 12:22SPEAKER_00: ou que eu sinto intuitivamente que preciso daquele cristal,
- 12:25SPEAKER_00: porque aquele cristal tem alguma coisa ou vai me ajudar em alguma coisa,
- 12:29SPEAKER_00: em algum trabalho ou em alguma cura, por exemplo.
- 12:33SPEAKER_00: Então nós não precisamos de comprar tudo e mais alguma coisa para começar,
- 12:39SPEAKER_00: porque a bruxaria também não depende de comprar, do consumismo.
- 12:46SPEAKER_00: Ainda relativamente a esta questão das ferramentas e dos materiais,
- 12:51SPEAKER_00: das posses materiais,
- 12:52SPEAKER_00: nós temos as ferramentas que são caras,
- 12:54SPEAKER_00: ou que são mais autênticas,
- 12:55SPEAKER_00: por exemplo,
- 12:57SPEAKER_00: o que é feito à mão,
- 12:58SPEAKER_00: baralhos raros de coleção,
- 13:01SPEAKER_00: ou as adagas ou os atames para os rituais,
- 13:04SPEAKER_00: como se quanto mais eu compro,
- 13:08SPEAKER_00: quanto mais eu invisto, mais séria eu sou na bruxaria.
- 13:13SPEAKER_00: Isso também não é real.
- 13:15SPEAKER_00: Na bruxaria natural principalmente, na bruxaria mais...
- 13:21SPEAKER_00: Enfim, na bruxaria natural, não é?
- 13:23SPEAKER_00: A nossa ideia é nós conectarmos-nos com a natureza,
- 13:26SPEAKER_00: com os ciclos da natureza e não necessariamente nós comprarmos coisas porque isso
- 13:29SPEAKER_00: até vem um pouquinho contra o propósito de sermos bruxas naturais, não é?
- 13:34SPEAKER_00: É o respeito pela natureza.
- 13:36SPEAKER_00: Pelo menos essa é a minha prática, dentro da nossa possibilidade no momento, obviamente.
- 13:42SPEAKER_00: Agora, relativamente à perceção sensorial e aos dons,
- 13:46SPEAKER_00: dom também é uma palavra que se ouvia muito antigamente e que parece que
- 13:50SPEAKER_00: uma coisa muito lá de Deus e que Deus é que deu o dom e tal coisa e blá blá blá.
- 13:57SPEAKER_00: Dentro disto, que também daria um outro episódio de podcast, falar sobre o dom, não é?
- 14:03SPEAKER_00: Mas dentro desta questão do sentir o de ser mais sensível ou não,
- 14:07SPEAKER_00: ou de ser mais empático ou não,
- 14:08SPEAKER_00: ser mais médium ou não,
- 14:12SPEAKER_00: Também temos algumas questões,
- 14:13SPEAKER_00: por exemplo, se não sentes a energia, o calor ou arrepios, não tens o dom.
- 14:18SPEAKER_00: Se não vês auras ou espíritos, também não és realmente sensível ou bruxa.
- 14:24SPEAKER_00: E então temos também essa ideia de que existe um dom inato que uns têm
- 14:29SPEAKER_00: e outros não têm e que sem ele é só teatro,
- 14:33SPEAKER_00: o que também é mentira,
- 14:34SPEAKER_00: porque quando nós estudamos mais a fundo,
- 14:39SPEAKER_00: Também não é uma obrigação estudarmos sobre todos os temas do mundo,
- 14:43SPEAKER_00: mas quando nós estudamos um bocadinho sobre mediunidades,
- 14:47SPEAKER_00: nós vamos entender que todos nós,
- 14:49SPEAKER_00: isto também parte pela lógica na minha visão, não
- 14:52SPEAKER_00: Então, se nós somos seres espirituais a viver uma experiência imaterial,
- 14:56SPEAKER_00: significa que todas as pessoas e todos os animais e tudo o que existe vem
- 15:01SPEAKER_00: do espiritual.
- 15:01SPEAKER_00: Portanto,
- 15:02SPEAKER_00: todos nós temos essa capacidade de sermos médiums, uns,
- 15:06SPEAKER_00: Tem mais desenvolvido,
- 15:07SPEAKER_00: uns querem desenvolver, outros não querem desenvolver, e está tudo certo.
- 15:11SPEAKER_00: Ninguém é mais bruxa ou bruxo porque tem esta capacidade clarividência,
- 15:18SPEAKER_00: o outro tem a capacidade, sei lá,
- 15:20SPEAKER_00: mais olfativa,
- 15:21SPEAKER_00: ou de ouvir,
- 15:24SPEAKER_00: ou uma clarividência,
- 15:25SPEAKER_00: ou melhor,
- 15:26SPEAKER_00: uma mediunidade X é mais importante,
- 15:29SPEAKER_00: ou mais de incorporação é melhor do que outra mediunidade ou outra faculdade, enfim.
- 15:36SPEAKER_00: Depois nós temos aqui sobre a tal da linhagem e da legitimidade.
- 15:40SPEAKER_00: Ou seja,
- 15:42SPEAKER_00: se a tua avó, mãe,
- 15:45SPEAKER_00: bisavó não era bruxa,
- 15:48SPEAKER_00: então não é hereditário, portanto não é verdade e é só curiosidade.
- 15:54SPEAKER_00: O que é que isto significa?
- 15:55SPEAKER_00: Que muitas vezes dentro da comunidade bruxinha dizem-nos que se não há uma linhagem
- 16:04SPEAKER_00: Que passou de geração em geração,
- 16:07SPEAKER_00: um saber que passou de geração em geração significa que não é real.
- 16:12SPEAKER_00: E por isso é só uma curiosidade.
- 16:15SPEAKER_00: Sendo que eu,
- 16:16SPEAKER_00: quando me comecei a interessar por bruxas,
- 16:19SPEAKER_00: antes da era da internet,
- 16:21SPEAKER_00: portanto no iniciozinho da era da internet aqui em Portugal,
- 16:25SPEAKER_00: eu ia à procura De imagenzinhas,
- 16:28SPEAKER_00: que eram os gifts, enfim,
- 16:31SPEAKER_00: que eram umas imagenzinhas estáticas,
- 16:33SPEAKER_00: mas que tinham uns brilhantezinhos,
- 16:35SPEAKER_00: que tinham uma bonequinha que mexia a perna ou que mexia a varinha mágica,
- 16:41SPEAKER_00: sei lá, assim, uma coisa.
- 16:42SPEAKER_00: E eu guardava isso,
- 16:43SPEAKER_00: eu tinha uma coleção no computador,
- 16:44SPEAKER_00: que era...
- 16:46SPEAKER_00: que eu só poderia utilizar aquele computador naquele lugar,
- 16:50SPEAKER_00: porque antigamente, não é?
- 16:52SPEAKER_00: No início dos anos 2000, a internet...
- 16:55SPEAKER_00: Não tinha na casa toda, era só por cabo naquele sítio específico.
- 17:00SPEAKER_00: Portanto,
- 17:01SPEAKER_00: eu tinha que dispor de um tempo para ir à procura dessas imagens e à procura
- 17:05SPEAKER_00: de blogs que falassem sobre bruxaria.
- 17:10SPEAKER_00: E o meu interesse não veio nem da minha mãe,
- 17:14SPEAKER_00: nem da minha avó,
- 17:15SPEAKER_00: nem de ninguém aqui à minha volta porque,
- 17:19SPEAKER_00: mais uma vez, isto aqui é catolicismo injetado na veia.
- 17:25SPEAKER_00: Portanto, não é por aí.
- 17:28SPEAKER_00: E a curiosidade de nós irmos atrás da bruxaria,
- 17:33SPEAKER_00: ou de estudarmos sobre bruxaria, ou de praticarmos bruxaria, vem da curiosidade.
- 17:38SPEAKER_00: Estão a perceber a coisa?
- 17:39SPEAKER_00: Pronto.
- 17:41SPEAKER_00: Há qualquer coisa aqui,
- 17:43SPEAKER_00: como é que uma criança que nunca tinha ouvido falar sobre bruxaria
- 17:46SPEAKER_00: porque não teve contato com bruxaria,
- 17:50SPEAKER_00: Pode ter interesse em bruxas,
- 17:52SPEAKER_00: sendo que nunca a única forma de ter visto bruxas foi nos desenhos animados.
- 17:59SPEAKER_00: Ou nos filmes.
- 18:01SPEAKER_00: Como é que é possível?
- 18:02SPEAKER_00: Sendo que normalmente são representadas as bruxas nos filmes, são representadas como a bruxa má.
- 18:08SPEAKER_00: Então à partida nós não vamos à procura porque é mau.
- 18:12SPEAKER_00: Não sei.
- 18:13SPEAKER_00: Enfim.
- 18:14SPEAKER_00: Depois outra coisa relativamente à linhagem é Que precisas de uma iniciação formal,
- 18:19SPEAKER_00: isto aqui é um tema que pode ser polémico,
- 18:22SPEAKER_00: da iniciação formal dentro de um coven,
- 18:24SPEAKER_00: de uma tradição, ou um mentor, um guru, para seres reconhecido.
- 18:29SPEAKER_00: E voltamos à questão da sacerdotisa,
- 18:31SPEAKER_00: dos sacerdotes,
- 18:32SPEAKER_00: dos magos, dos bruxos, do frater, da soror, enfim, um monte de coisas.
- 18:40SPEAKER_00: Eu já refleti várias vezes relativamente a isso.
- 18:43SPEAKER_00: Eu acredito que a partir do momento que nós decidimos estar dentro de uma doutrina
- 18:48SPEAKER_00: ou de uma forma, de uma tradição, à partida nós teremos que respeitar essa tradição.
- 18:54SPEAKER_00: E em alguns momentos, por exemplo, no reiki faz sentido a iniciação.
- 18:58SPEAKER_00: Mas nós não precisamos de iniciações para sermos bruxas.
- 19:04SPEAKER_00: Nós não precisamos de passar por nenhum coven para sermos bruxas,
- 19:07SPEAKER_00: até porque,
- 19:08SPEAKER_00: e aqui eu posso introduzir já o facto,
- 19:10SPEAKER_00: De existir bruxas solitárias, que é o meu caso.
- 19:13SPEAKER_00: Se eu pratico a bruxaria e estudo sozinha,
- 19:16SPEAKER_00: maioritariamente sozinha,
- 19:17SPEAKER_00: posso procurar um professor que tenha conhecimento de determinada matéria,
- 19:22SPEAKER_00: mas normalmente eu aprendo,
- 19:26SPEAKER_00: seja em livros, seja em aulas, em informações, em cursos, eu aprendo sozinha.
- 19:35SPEAKER_00: Portanto,
- 19:35SPEAKER_00: eu não gosto daqueles grupos que têm interação,
- 19:39SPEAKER_00: por exemplo, e que obrigam-nos a contar metade da nossa vida.
- 19:43SPEAKER_00: Eu não gosto disso.
- 19:45SPEAKER_00: E eu não gosto que me digam o que eu posso ou não posso fazer.
- 19:50SPEAKER_00: Então, para a minha iniciação,
- 19:52SPEAKER_00: de estar num Coven ou de participar de um Coven, para mim soa-me ridículo.
- 19:57SPEAKER_00: Ok?
- 19:58SPEAKER_00: Isso não significa,
- 19:59SPEAKER_00: isto é diferente de,
- 20:01SPEAKER_00: por exemplo,
- 20:03SPEAKER_00: A iniciação aqui eu estou a falar no sentido de é obrigatório
- 20:08SPEAKER_00: para sermos reconhecidos e não necessariamente.
- 20:11SPEAKER_00: Eu tive uma iniciação de Reiki,
- 20:13SPEAKER_00: aliás tive três iniciações de Reiki,
- 20:15SPEAKER_00: para abrir e para Alinhar a minha energia,
- 20:20SPEAKER_00: a minha antena energética com o Reiki, com a energia de Reiki.
- 20:26SPEAKER_00: E aquela linhagem,
- 20:27SPEAKER_00: lá está,
- 20:28SPEAKER_00: a linhagem daquele professor ou daquela facilitadora que me estava a iniciar.
- 20:36SPEAKER_00: Mas essas iniciações podem ser necessárias neste sentido.
- 20:42SPEAKER_00: Não significa necessariamente que eu tenha que fazer uma iniciação para ser bruxa.
- 20:46SPEAKER_00: Estão a perceber a coisa?
- 20:47SPEAKER_00: Espero que estejam a entender.
- 20:50SPEAKER_00: Ou que tenha que ter a iniciação para ser reconhecida,
- 20:52SPEAKER_00: como havia aqui uma pessoa há uns meses valentes,
- 20:59SPEAKER_00: em que supostamente tinha 20 iniciações e por isso é super reconhecida
- 21:03SPEAKER_00: no mundo ocultista.
- 21:05SPEAKER_00: E depois foi uma treta que aconteceu e que ainda deve estar a acontecer,
- 21:08SPEAKER_00: que eu não tenho contacto e então não sei como é que foi o desfecho,
- 21:12SPEAKER_00: mas pelos vistos essa pessoa estava foragida,
- 21:16SPEAKER_00: não é porque estava, enfim, virou-se para os lados a ser um bocado esquisitos.
- 21:24SPEAKER_00: Outro ponto aqui é a comparação com tradições fechadas,
- 21:27SPEAKER_00: por exemplo,
- 21:28SPEAKER_00: a Ica tradicional e o Houdou,
- 21:31SPEAKER_00: Houdou não, Vudu, mas Houdou, Como sendo válidas, ou sendo mais válidas.
- 21:39SPEAKER_00: Portanto, eu posso dizer que a minha prática é mais eclética.
- 21:43SPEAKER_00: Eclética no sentido de eu vou praticar,
- 21:49SPEAKER_00: vou beber de várias fontes desde que me cheire e que ressoe com aquilo
- 21:53SPEAKER_00: que eu acredito.
- 21:56SPEAKER_00: E eu estou à vontade para desacreditar daquilo que eu acredito.
- 22:00SPEAKER_00: Eu estou à vontade para Hoje me apetecer,
- 22:04SPEAKER_00: porque faz sentido praticar de determinada forma,
- 22:07SPEAKER_00: amanhã já não vai apetecer desta forma,
- 22:11SPEAKER_00: já vai fazer sentido na minha vida praticar de outra forma.
- 22:14SPEAKER_00: Assim como eu vou estudar aquilo que me apetece e que me cheira no momento.
- 22:20SPEAKER_00: Isso para mim é o que é a prática eclética.
- 22:23SPEAKER_00: Então eu considero-me uma bruxa natural,
- 22:25SPEAKER_00: uma bruxa verde,
- 22:26SPEAKER_00: uma bruxa solitária, até porque é o nome do canal, não é bruxa solitária.
- 22:31SPEAKER_00: Mas a minha prática é mais eclética neste sentido.
- 22:34SPEAKER_00: Então, quando nós falamos desta,
- 22:38SPEAKER_00: porque é uma mistureba,
- 22:39SPEAKER_00: não deixa de ser uma mistureba de fundamentos ou de tradições,
- 22:43SPEAKER_00: de várias tradições,
- 22:45SPEAKER_00: e muitas vezes as pessoas vão achar que ser eclética é uma confusão,
- 22:49SPEAKER_00: e não é,
- 22:50SPEAKER_00: porque apesar de eu,
- 22:51SPEAKER_00: eu tenho as minhas regras,
- 22:53SPEAKER_00: vou falar disto um bocadinho mais para a frente,
- 22:55SPEAKER_00: mas eu tenho as minhas regras,
- 22:56SPEAKER_00: ou noutros podcasts, enfim,
- 22:57SPEAKER_00: noutros episódios,
- 22:58SPEAKER_00: eu tenho as minhas regras e Se eu vou estudar,
- 23:03SPEAKER_00: por exemplo, Kabbalah, eu vou respeitar a Kabbalah.
- 23:06SPEAKER_00: Eu não vou inventar uma Kabbalah.
- 23:08SPEAKER_00: Estão a entender?
- 23:09SPEAKER_00: Então, quando se fala de estas comparações de tradições fechadas,
- 23:15SPEAKER_00: como a Wicca,
- 23:16SPEAKER_00: por exemplo,
- 23:17SPEAKER_00: ou o Hudu,
- 23:19SPEAKER_00: às vezes descredibiliza-se um pouco a bruxaria mais intuitiva,
- 23:24SPEAKER_00: porque é um bocadinho daquilo que eu faço,
- 23:27SPEAKER_00: Porque não é de um sistema fechado e não tem um passo a passo de ter que fazer
- 23:31SPEAKER_00: de determinada forma sempre.
- 23:33SPEAKER_00: Na Wicca, por exemplo, é suposto nós sempre termos o Deus e a deusa representados no altar.
- 23:39SPEAKER_00: Eu não tenho Deus representado no altar.
- 23:42SPEAKER_00: Eu não tenho.
- 23:44SPEAKER_00: Eu trabalho muito mais com deusas do que com deuses masculinos.
- 23:49SPEAKER_00: E isso não significa que eu não possa trabalhar com deuses masculinos.
- 23:52SPEAKER_00: Significa que eu neste momento não me apetece trabalhar com deuses masculinos.
- 23:56SPEAKER_00: Eu tenho muito mais,
- 24:00SPEAKER_00: sou muito mais voltada para as deusas que se chamam deusas negras do que uma deusa
- 24:05SPEAKER_00: como Afrodite.
- 24:07SPEAKER_00: Não desmercendo, mas é a minha prática.
- 24:10SPEAKER_00: Neste momento não significa que eu não possa ir para outro lado.
- 24:13SPEAKER_00: Então há aqui uma descredibilização relativamente a estas tradições mais fechadas
- 24:19SPEAKER_00: Que tem um formato,
- 24:22SPEAKER_00: uma fórmula mágica para se executar os procedimentos ou para se executar a prática.
- 24:29SPEAKER_00: E eu entendendo-me como uma pessoa cíclica não faz sentido eu estar toda a vida
- 24:37SPEAKER_00: a praticar sempre da mesma forma.
- 24:40SPEAKER_00: Porque eu não sou a mesma pessoa sempre.
- 24:43SPEAKER_00: Agora, avançando um bocadinho para a parte sobre o conhecimento e estudo,
- 24:46SPEAKER_00: que eu acho que também já falei disto, é...
- 24:49SPEAKER_00: Isto vê-se muito nas comparações que se faz da bruxaria,
- 24:55SPEAKER_00: da bruxaria mais terrena,
- 24:56SPEAKER_00: digamos assim, com o que se chama de magia cerimonial ou alta magia.
- 25:03SPEAKER_00: Então há uma distinção entre a baixa magia,
- 25:05SPEAKER_00: que é mais ou menos aquilo que eu pratico, e a alta magia.
- 25:08SPEAKER_00: Sendo que a alta magia,
- 25:10SPEAKER_00: que são nomes um pouco preconceituosos,
- 25:15SPEAKER_00: podemos dizer assim,
- 25:16SPEAKER_00: em que vão diminuir A magia ou a prática de quem não faz toda uma ritualística cheia
- 25:25SPEAKER_00: de pantáculos,
- 25:26SPEAKER_00: cheia de momentos astrológicos e neste lugar assim,
- 25:31SPEAKER_00: assim, porque tem que ir para Machu Picchu para fazer não sei o quê.
- 25:36SPEAKER_00: Entendem?
- 25:37SPEAKER_00: Então há também aqui uma grande...
- 25:42SPEAKER_00: Desmoralização,
- 25:43SPEAKER_00: um grande preconceito entre o que seria a alta magia e a baixa magia,
- 25:47SPEAKER_00: que são termos, como eu já disse, preconceituosos na minha visão.
- 25:50SPEAKER_00: E então,
- 25:51SPEAKER_00: muitas vezes na prática,
- 25:54SPEAKER_00: eles vão falar em latim ou línguas mais antigas,
- 25:58SPEAKER_00: ou em hebraico, por exemplo, coisa que eu não faço porque eu não sei.
- 26:04SPEAKER_00: Não me interessa saber porque a minha língua comum,
- 26:06SPEAKER_00: riqueira,
- 26:07SPEAKER_00: se eu quero praticar e fazer a minha bruxaria no dia a dia,
- 26:10SPEAKER_00: não faz sentido eu estar sempre a falar em latim,
- 26:11SPEAKER_00: senão mais vale aprender latim que falar só latim.
- 26:15SPEAKER_00: Então aqui falam também de,
- 26:16SPEAKER_00: se nós não sabemos latim,
- 26:17SPEAKER_00: línguas antigas,
- 26:18SPEAKER_00: ou não conseguimos fazer magia a sério,
- 26:21SPEAKER_00: se não lermos determinados autores que são considerados clássicos,
- 26:27SPEAKER_00: portanto não estudamos o suficiente,
- 26:29SPEAKER_00: sendo que às vezes não me interessa estudar sobre isso, não me interessa.
- 26:33SPEAKER_00: Estudar sobre isso é a mesma história, vou usar o exemplo da cabala.
- 26:37SPEAKER_00: Eu aqui há uns anos eu tive interesse em entrar no estudo da cabala e eu fui atrás
- 26:44SPEAKER_00: de alguns autores, livros e tal.
- 26:47SPEAKER_00: Acabei por comprar dois livros para começar.
- 26:53SPEAKER_00: Simples, um deles muito simples, muito rápido de ser lido, uma coisa assim muito fácil.
- 26:57SPEAKER_00: Eu comecei a ler aquilo e ouvir pessoas que já trabalham com cabala,
- 27:02SPEAKER_00: portanto já fazem ritualísticas dentro da cabala.
- 27:08SPEAKER_00: Eu não me interessei tanto assim,
- 27:10SPEAKER_00: porque a cabala está relacionada com o judaísmo,
- 27:18SPEAKER_00: mas é uma prática, na minha visão, muito rígida.
- 27:25SPEAKER_00: E vem, está muito conectada com essa parte,
- 27:31SPEAKER_00: portanto,
- 27:31SPEAKER_00: o judaísmo, o islamismo e o catolicismo são as três grandes religiões abrahâmicas.
- 27:37SPEAKER_00: Portanto,
- 27:37SPEAKER_00: elas advêm mais ou menos ali com algumas bastantes diferenças,
- 27:42SPEAKER_00: mas advêm ali de uma mesma fonte, vamos dizer assim.
- 27:47SPEAKER_00: Isso significa que tem uma base muito,
- 27:50SPEAKER_00: ou um fundamento muito parecido nas três, nas três religiões, portanto.
- 27:54SPEAKER_00: Para mim,
- 27:55SPEAKER_00: não fez muito sentido este tipo de...
- 27:58SPEAKER_00: isso não invalida a veracidade, não invalida o poder que tem a cabala e tal coisa.
- 28:06SPEAKER_00: Só não é para mim.
- 28:08SPEAKER_00: Então, não significa que eu tenha que ler todos os livros sobre cabala,
- 28:12SPEAKER_00: os autores que falam sobre cabala,
- 28:14SPEAKER_00: e estou a dar exemplo da cabala, mas tenho outras tradições.
- 28:22SPEAKER_00: E simplesmente não me interessa.
- 28:23SPEAKER_00: Neste momento não me interessa, não significa que não me vai interessar daqui a uns anos.
- 28:30SPEAKER_00: E tenho aqui uma outra questão que é exigir o domínio teórico enciclopédico antes
- 28:36SPEAKER_00: de autorizá-lo a alguém a praticar.
- 28:39SPEAKER_00: Como se nós estivéssemos a fazer um teste,
- 28:40SPEAKER_00: vamos fazer uns testes Para saber se aquela pessoa está apta,
- 28:46SPEAKER_00: porque ela sabe toda a parte teórica e enciclopédica,
- 28:50SPEAKER_00: portanto, ela sabe todos os termos técnicos para dar autorização.
- 28:55SPEAKER_00: E a questão é,
- 28:56SPEAKER_00: o que é que faz dessa pessoa que supostamente vai dar autorização,
- 29:01SPEAKER_00: o que é que faz dessa pessoa melhor ou superior para dar essa autorização,
- 29:05SPEAKER_00: para ter que dar essa autorização?
- 29:07SPEAKER_00: E é necessário autorização para praticar bruxaria?
- 29:10SPEAKER_00: Não.
- 29:12SPEAKER_00: Não, como eu falei,
- 29:13SPEAKER_00: se nós vamos entrar,
- 29:14SPEAKER_00: por exemplo,
- 29:14SPEAKER_00: numa sociedade secreta,
- 29:15SPEAKER_00: obviamente aquilo tem regras, tem níveis e temos que seguir aquilo bonitinho.
- 29:20SPEAKER_00: Agora, não é o caso.
- 29:23SPEAKER_00: A bruxaria é essa conexão com a natureza e por isso é que muitos dizem
- 29:30SPEAKER_00: que é mais fraca,
- 29:32SPEAKER_00: tem muita gente que diz,
- 29:33SPEAKER_00: por exemplo,
- 29:33SPEAKER_00: a Wicca,
- 29:34SPEAKER_00: que ela tem muita conexão com a natureza,
- 29:36SPEAKER_00: com os ciclos da natureza, como a roda do ano e tal.
- 29:41SPEAKER_00: Mas é mais estruturada do que uma bruxaria mais intuitiva,
- 29:46SPEAKER_00: como eu pratico, uma bruxaria, sei lá, natural, enfim, como eu pratico.
- 29:51SPEAKER_00: Então, mesmo a Wicca sendo uma bruxaria mais natural,
- 29:56SPEAKER_00: ou mais conectada com a natureza,
- 29:58SPEAKER_00: ela tem as suas regras, tem os seus requisitos, certo?
- 30:05SPEAKER_00: Muitas vezes ela é tida como uma bruxaria ou uma magia mais simples e menos poderosa
- 30:14SPEAKER_00: porque é feita à partida tudo com paz e amor,
- 30:20SPEAKER_00: que não é a mesma coisa do que os gratilus.
- 30:24SPEAKER_00: E não é que os gratilus também não sejam afiadíssimos ou afinadíssimos
- 30:29SPEAKER_00: para fazer Assim umas coisinhas assim mazinhas, não é?
- 30:33SPEAKER_00: Porque eles parecem muito agradáveis aos olhos e tal,
- 30:38SPEAKER_00: mas depois fazem assim umas coisinhas um bocadinho,
- 30:40SPEAKER_00: enfim, fora do que é suposto, entre aspas, não é?
- 30:45SPEAKER_00: Enfim, mas percebe-se isso de denegrirem ou demonizarem ou inferiorizarem
- 30:54SPEAKER_00: Uma bruxaria mais natural,
- 30:56SPEAKER_00: ou uma bruxaria solitária,
- 30:58SPEAKER_00: ou uma bruxaria que não está dentro de um sistema,
- 31:05SPEAKER_00: de um lugar cheio de regrinhas,
- 31:09SPEAKER_00: diminuírem porque à partida não vai ter essa conexão
- 31:14SPEAKER_00: ou essa elaboração toda ritualística.
- 31:18SPEAKER_00: E isso não é real, porque
- 31:24SPEAKER_00: O que nós utilizamos, seja na cerimonial, seja na do dia a dia, não é?
- 31:31SPEAKER_00: Na bruxaria do dia a dia mais terrena ou mais quotidiana,
- 31:37SPEAKER_00: o que vai dizer aquilo que a força espiritual que nós temos é a nossa conexão
- 31:44SPEAKER_00: e eu sempre digo que Para mim,
- 31:48SPEAKER_00: as ferramentas que nós utilizamos são só isso,
- 31:51SPEAKER_00: ferramentas, e utilizamos porque nós precisamos delas, não a espiritualidade em si.
- 31:58SPEAKER_00: Então, eu posso me conectar com um daimon,
- 32:02SPEAKER_00: por exemplo,
- 32:03SPEAKER_00: se bem que vai ser muita gente que vai dizer que não,
- 32:05SPEAKER_00: mas enfim,
- 32:06SPEAKER_00: eu posso me conectar com um daimon,
- 32:07SPEAKER_00: ou posso me conectar com uma entidade,
- 32:11SPEAKER_00: ou seja, o que for, sem Sem pertencer a uma determinada tradição.
- 32:16SPEAKER_00: Porquê?
- 32:16SPEAKER_00: Porque a espiritualidade não pertence a nenhuma tradição, embora nós acreditemos que sim.
- 32:20SPEAKER_00: E já disse o que disse.
- 32:23SPEAKER_00: Então, nós podemos sim,
- 32:27SPEAKER_00: estando dentro de uma tradição e seguindo uma tradição,
- 32:30SPEAKER_00: faz sentido nós seguirmos essa tradição.
- 32:32SPEAKER_00: No entanto,
- 32:33SPEAKER_00: uma vez que eu não pertenço a nenhuma tradição e que eu não acredito
- 32:38SPEAKER_00: em nenhuma religião, isso significa Embora eu vá a beber de algumas coisas, não é?
- 32:44SPEAKER_00: Pois claro, porque é o que temos.
- 32:47SPEAKER_00: Isso não significa que eu não possa trabalhar com as entidades que me vão aparecendo
- 32:51SPEAKER_00: no meu caminho.
- 32:53SPEAKER_00: E eu sei que vai muita gente dizer, ai não,
- 32:54SPEAKER_00: mas não posso trabalhar com o Exu,
- 32:56SPEAKER_00: não posso trabalhar com uma pomba gira e não sei o quê.
- 32:57SPEAKER_00: Como não se eles me apareceram sem eu sequer saber o que era?
- 33:02SPEAKER_00: Como não?
- 33:04SPEAKER_00: A espiritualidade não pertence a nenhuma religião.
- 33:05SPEAKER_00: A religião é criada aqui na Terra.
- 33:07SPEAKER_00: Não é criada por nenhum Deus.
- 33:08SPEAKER_00: Nenhum Deus criou religião nenhuma.
- 33:11SPEAKER_00: Então não faz sentido nós acharmos que somos superiores só porque eu sou mestre,
- 33:17SPEAKER_00: só porque eu sou um guru,
- 33:19SPEAKER_00: só porque eu sou um sacerdote,
- 33:20SPEAKER_00: só porque eu tenho um nama,
- 33:22SPEAKER_00: um frater atrás,
- 33:23SPEAKER_00: um soror atrás,
- 33:25SPEAKER_00: um rei que parta atrás,
- 33:27SPEAKER_00: para dizer que tu agora podes praticar, tu não podes praticar.
- 33:32SPEAKER_00: Mas como eu falei,
- 33:33SPEAKER_00: dentro de uma tradição,
- 33:34SPEAKER_00: dentro de uma sociedade secreta, isso pode ser diferente, isso vai ser diferente.
- 33:40SPEAKER_00: Mas lá está, por isso é que eu não estou em nenhuma tradição, porque eu não acredito nisso.
- 33:45SPEAKER_00: Eu não acredito que tenha que ter alguém intermediário,
- 33:49SPEAKER_00: senão vamos voltar às religiões grandes,
- 33:53SPEAKER_00: às três grandes religiões que nos dizem que tem que ter uma pessoa que nos vai dizer
- 33:59SPEAKER_00: como é que nós vamos fazer a conexão com a nossa espiritualidade,
- 34:03SPEAKER_00: seja ela ou o que isso for para cada um de nós.
- 34:07SPEAKER_00: E vamos voltar à mesma coisa.
- 34:08SPEAKER_00: Então, por isso é que eu não estou em nenhuma tradição.
- 34:10SPEAKER_00: É justamente por isso.
- 34:12SPEAKER_00: Enfim.
- 34:13SPEAKER_00: Agora, sobre estética e visibilidade.
- 34:16SPEAKER_00: Eu sei que isto está parando para mangas, não é?
- 34:19SPEAKER_00: Sobre estética e visibilidade.
- 34:21SPEAKER_00: Também já fiz no canal vídeos sobre este assunto.
- 34:27SPEAKER_00: Mas vou falar aqui mais um bocadinho.
- 34:30SPEAKER_00: Bruxas a sério vestem-se de preto ou têm determinado visual.
- 34:35SPEAKER_00: Se a tua prática não é fotogénica ou postável, também não conta.
- 34:42SPEAKER_00: Ou então dizem, se és muito estética, és só uma bruxa de TikTok.
- 34:49SPEAKER_00: Quem é que nunca ouviu falar disto?
- 34:52SPEAKER_00: Vamos lá.
- 34:54SPEAKER_00: Nós temos aqui dois pontos.
- 34:58SPEAKER_00: A prática espiritual,
- 35:00SPEAKER_00: a prática da bruxaria,
- 35:01SPEAKER_00: ela está conectada,
- 35:03SPEAKER_00: tem que estar,
- 35:03SPEAKER_00: a forma como nós nos vestimos e a forma como nós falamos e a forma como nós,
- 35:09SPEAKER_00: a nossa identidade vai estar conectada com a nossa prática,
- 35:12SPEAKER_00: por isso é que eu digo que é um estilo de vida,
- 35:15SPEAKER_00: acaba por ser um estilo de vida e está muito conectada com o dia a dia,
- 35:18SPEAKER_00: portanto não é,
- 35:20SPEAKER_00: eu tenho momentos em que eu faço rituais mais pensados,
- 35:25SPEAKER_00: mais ponderados,
- 35:26SPEAKER_00: alinhados com A lua,
- 35:29SPEAKER_00: alinhados com, sei lá, os sabás, alinhados e pensados de forma mais estruturada.
- 35:40SPEAKER_00: Mas a maioria das ritualísticas que eu faço é no dia a dia.
- 35:48SPEAKER_00: São coisas muito simples.
- 35:49SPEAKER_00: Portanto, isto é uma identidade, é quem eu sou.
- 35:53SPEAKER_00: Tem muito a ver,
- 35:53SPEAKER_00: está muito conectado,
- 35:55SPEAKER_00: a bruxaria está muito conectada com aquilo que eu penso e acredito.
- 35:59SPEAKER_00: Com aquilo que eu sinto.
- 36:02SPEAKER_00: Então, eu visto-me de preto e houve uma altura em que eu pensei,
- 36:05SPEAKER_00: se calhar tenho que me vestir mais de preto para parecer bruxa e eu pensei,
- 36:09SPEAKER_00: mas bruxa tem cara de bruxa?
- 36:11SPEAKER_00: Porque eu misturo-me muito bem,
- 36:13SPEAKER_00: eu tenho essa facilidade de me misturar muito bem na minha cidade.
- 36:18SPEAKER_00: Ninguém sabe que eu sou bruxa,
- 36:20SPEAKER_00: ninguém sabe que eu pratico bruxaria,
- 36:22SPEAKER_00: ninguém sabe que eu Que trabalho com Lilith,
- 36:25SPEAKER_00: que trabalho com Hecat, ninguém sabe, se calhar nem sabem que existe, mas pronto.
- 36:32SPEAKER_00: Portanto, quando quero usar preto, eu uso preto.
- 36:36SPEAKER_00: Mas não significa que nós tínhamos que usar preto, só porque somos bruxas.
- 36:42SPEAKER_00: Então houve aqui uma altura em que eu achei que tinha que ter mais cara de bruxa.
- 36:47SPEAKER_00: Quando, não é real, eu gosto muito, eu adoro cor.
- 36:52SPEAKER_00: Eu gosto de me vestir com cores,
- 36:54SPEAKER_00: portanto,
- 36:54SPEAKER_00: um rosa choque,
- 36:56SPEAKER_00: um amarelo, roxo, azul,
- 36:59SPEAKER_00: aquele azulão à porte,
- 37:01SPEAKER_00: como se diz, aquele azulão assim forte, eu gosto de me vestir com essas cores.
- 37:07SPEAKER_00: E isso não significa que eu não me vista de preto,
- 37:09SPEAKER_00: eu ontem usei,
- 37:10SPEAKER_00: estava toda de preto,
- 37:11SPEAKER_00: com exceção das minhas unhas das mãos, que estão aquele neon vibrante, não é?
- 37:17SPEAKER_00: Mas de resto, estava toda de preto.
- 37:20SPEAKER_00: Uma saia preta,
- 37:21SPEAKER_00: sandálias pretas,
- 37:23SPEAKER_00: camisola preta,
- 37:24SPEAKER_00: o meu cabelo que já é castanho escuro a prender para o preto,
- 37:27SPEAKER_00: portanto estava toda de preto.
- 37:30SPEAKER_00: A minha carteira preta, tudo preto.
- 37:34SPEAKER_00: Mas ontem apeteceu-me preto.
- 37:39SPEAKER_00: Isso não significa que me tenha que vestir sempre de preto ou que tenha
- 37:43SPEAKER_00: que usar determinados acessórios de preto.
- 37:45SPEAKER_00: Portanto,
- 37:46SPEAKER_00: a mesma coisa como A nossa prática,
- 37:50SPEAKER_00: o nosso altar, a nossa casa, ter que estar toda decorada, ter que ter ar de bruxa.
- 37:56SPEAKER_00: Não!
- 37:57SPEAKER_00: Porque nós também temos que nos salvaguardar relativamente à nossa integridade física.
- 38:03SPEAKER_00: Se eu vivo Na minha cidade,
- 38:06SPEAKER_00: já falei,
- 38:07SPEAKER_00: o meio onde eu vivo,
- 38:08SPEAKER_00: as pessoas com quem eu convivo,
- 38:10SPEAKER_00: toda a minha família é católica, fervorosa, fervorosa.
- 38:14SPEAKER_00: Eu não estou aqui a falar de pessoas que dizem-se católicos porque foram batizados
- 38:18SPEAKER_00: e nunca mais fizeram nada.
- 38:20SPEAKER_00: Eu estou a falar de pessoas que vão à missa todos os domingos de manhã,
- 38:24SPEAKER_00: que são acólitos,
- 38:26SPEAKER_00: que fazem todas as ritualísticas,
- 38:28SPEAKER_00: que no Natal,
- 38:30SPEAKER_00: em Maio,
- 38:30SPEAKER_00: há a novena,
- 38:32SPEAKER_00: a novena de Maria,
- 38:33SPEAKER_00: ou sei lá, e fazem todas as Estão escangalhadas relacionado com isso.
- 38:38SPEAKER_00: E está tudo certo, é a fé delas.
- 38:40SPEAKER_00: Mas se eu colocasse determinadas, que talvez possa ser um erro meu, não é?
- 38:50SPEAKER_00: Mas se eu colocasse na porta da minha casa,
- 38:53SPEAKER_00: virado para a rua,
- 38:56SPEAKER_00: alguns símbolos,
- 38:58SPEAKER_00: pode ser que pessoas não entendessem o que era,
- 39:00SPEAKER_00: mas pode ser que alguém entendesse e a minha integridade poderia estar,
- 39:04SPEAKER_00: porque tem pessoas que são intolerantes, não é?
- 39:06SPEAKER_00: Então nós também temos que olhar para a nossa integridade e sim utilizar o sincretismo.
- 39:11SPEAKER_00: Não deveríamos, talvez, mas nós temos que olhar para a nossa integridade física.
- 39:20SPEAKER_00: Então se eu estivesse talvez num meio onde,
- 39:23SPEAKER_00: e em determinados meios,
- 39:25SPEAKER_00: por exemplo,
- 39:25SPEAKER_00: no Brasil,
- 39:26SPEAKER_00: há muita intolerância religiosa,
- 39:28SPEAKER_00: mesmo havendo,
- 39:29SPEAKER_00: e eu vou utilizar aqui a expressão,
- 39:31SPEAKER_00: um terreiro em cada esquina,
- 39:33SPEAKER_00: como há aqui em Portugal uma farmácia, uma padaria em cada esquina.
- 39:37SPEAKER_00: Mas nós temos que prestar atenção a isto também.
- 39:41SPEAKER_00: Porque se eu estou a única aqui e de repente tenho um monte de cristãos fervorosos,
- 39:46SPEAKER_00: católicos aqui fervorosos, eu tenho que prestar atenção a isso.
- 39:49SPEAKER_00: Eu posso usar de vez em quando,
- 39:51SPEAKER_00: que eu uso de vez em quando as minhas proteções, mas passa despercebido.
- 39:55SPEAKER_00: Então eu passo e eu misturo-me muito bem com as pessoas daqui.
- 39:59SPEAKER_00: Não significa, porém, contudo, todavia, que eu não pratique.
- 40:04SPEAKER_00: Ok?
- 40:04SPEAKER_00: Agora, nós não temos que Postar nas redes sociais,
- 40:09SPEAKER_00: nós não temos que,
- 40:09SPEAKER_00: e se postarmos,
- 40:10SPEAKER_00: nós não temos que ter um altar estético,
- 40:14SPEAKER_00: um altar todo bonitinho,
- 40:15SPEAKER_00: todo assim ou assado,
- 40:17SPEAKER_00: porque alguém nos disse que tinha que ser assim ou assado, porque,
- 40:20SPEAKER_00: mais uma vez,
- 40:21SPEAKER_00: na bruxaria,
- 40:21SPEAKER_00: principalmente na bruxaria eclética,
- 40:26SPEAKER_00: natural, solitária, quem manda e quem faz as regras só eu.
- 40:29SPEAKER_00: Ninguém tem que vir mandar nas minhas velas, certo?
- 40:32SPEAKER_00: Portanto, é isto.
- 40:34SPEAKER_00: E a mesma coisa Eu ouvi muitas vezes para quem tem uma estética mais considerada
- 40:44SPEAKER_00: de bruxinha e está no TikTok a publicar essa estética,
- 40:48SPEAKER_00: significa que não é bruxa a sério.
- 40:49SPEAKER_00: Também não é real, porque lá está.
- 40:52SPEAKER_00: Eu não tenho tanto essa aptidão Nunca tive para tirar fotos e
- 40:57SPEAKER_00: para estar muito nas redes sociais,
- 40:59SPEAKER_00: tanto é que eu tive vários perfis,
- 41:01SPEAKER_00: mas eu não me adapto justamente porque eu nunca tive essa aptidão para tirar fotos
- 41:06SPEAKER_00: e mostrar toda a gente.
- 41:07SPEAKER_00: Há quem tenha e que faça todo um cenário para fazer os seus conteúdos nas redes sociais.
- 41:15SPEAKER_00: Há quem tenha essa aptidão e tudo certo.
- 41:18SPEAKER_00: Agora, o que é preciso ter atenção com isto
- 41:23SPEAKER_00: A prática não é a mesma coisa que a estética.
- 41:27SPEAKER_00: A prática não é a mesma coisa que a estética.
- 41:30SPEAKER_00: Nem tudo o que parece é.
- 41:32SPEAKER_00: Então o que é que nós precisamos de ter atenção aqui?
- 41:33SPEAKER_00: É que podemos sentir uma estética toda elaborada e muito bruxinha,
- 41:40SPEAKER_00: muito itchie, Porém, nós precisamos de separar que estética não é prática.
- 41:45SPEAKER_00: Se eu só sou estética,
- 41:47SPEAKER_00: porque eu gosto da estética,
- 41:48SPEAKER_00: também não tem problema,
- 41:49SPEAKER_00: mas eu não posso dizer que sou uma bruxa porque talvez eu não pratique.
- 41:56SPEAKER_00: Então há uma distinção que o facto de ter estética assim ou assado,
- 42:01SPEAKER_00: mais ou menos, não invalida a minha prática.
- 42:07SPEAKER_00: Não significa que eu sou mais ou menos bruxa.
- 42:09SPEAKER_00: Por não ter estética ou por ter estética a mais.
- 42:13SPEAKER_00: Ok?
- 42:14SPEAKER_00: Pronto.
- 42:16SPEAKER_00: Agora, agora eu tenho aqui outra que é um chuchuzinho, que é um mimo.
- 42:22SPEAKER_00: Enfim, sobre resultados,
- 42:24SPEAKER_00: dizem assim,
- 42:25SPEAKER_00: se os teus feitiços não funcionam visivelmente, não sabes o que estás a fazer.
- 42:33SPEAKER_00: E tem uma outra questão aqui que é,
- 42:37SPEAKER_00: Que eu ouvi várias vezes sobre pessoas que estão dentro de algumas práticas.
- 42:41SPEAKER_00: Eu ouvi de uma pessoa que é da Quimbanda,
- 42:44SPEAKER_00: por exemplo,
- 42:45SPEAKER_00: que me disse assim,
- 42:46SPEAKER_00: tu não podes,
- 42:47SPEAKER_00: não diretamente para mim,
- 42:48SPEAKER_00: mas na conversa,
- 42:50SPEAKER_00: que me disse assim,
- 42:51SPEAKER_00: tu não podes fazer rituais coletivos sobre prosperidade ou falar sobre prosperidade
- 42:58SPEAKER_00: se tu não és próspera.
- 43:00SPEAKER_00: Na altura eu fiquei assim, será?
- 43:02SPEAKER_00: Será?
- 43:05SPEAKER_00: Mas não pensei muito mais no assunto.
- 43:08SPEAKER_00: Passados uns tempos, lá fui a refletir sobre o assunto.
- 43:13SPEAKER_00: E isto não é real.
- 43:15SPEAKER_00: Isto não é verdade.
- 43:17SPEAKER_00: Porque eu dou sempre o exemplo,
- 43:18SPEAKER_00: e reparem, não sou católica, mas dou sempre o exemplo da Madre Teresa de Calcutá.
- 43:22SPEAKER_00: A Madre Teresa de Calcutá, ela, de segundo consta, não tinha nada.
- 43:27SPEAKER_00: Ela tinha a roupa de corpo e uma muda de roupa num balde que ela carregava para todo
- 43:33SPEAKER_00: o lado, onde ia.
- 43:35SPEAKER_00: Mas ela conseguia movimentar muito dinheiro.
- 43:41SPEAKER_00: Vão dizer que ela não é próspera?
- 43:44SPEAKER_00: Ela era extremamente próspera.
- 43:45SPEAKER_00: Sendo que prosperidade não é só financeira.
- 43:49SPEAKER_00: O financeiro pode ser uma consequência,
- 43:52SPEAKER_00: mas isso também vai depender daquilo que nós considerarmos como sucesso
- 43:56SPEAKER_00: e prosperidade.
- 43:58SPEAKER_00: Então, se para mim viver uma vida simples numa casinha pequena,
- 44:04SPEAKER_00: com uma horta,
- 44:05SPEAKER_00: E ter o suficiente para eu viver bem,
- 44:08SPEAKER_00: confortavelmente, isso não significa que eu não seja próspera.
- 44:12SPEAKER_00: Porque na minha visão de prosperidade e sucesso,
- 44:17SPEAKER_00: esse modo de vida, esse estilo de vida é sucesso.
- 44:21SPEAKER_00: Eu posso não ter o carro do ano,
- 44:23SPEAKER_00: eu posso não ter a casa de não sei o quê,
- 44:25SPEAKER_00: eu posso não estar milionária ou trilionária ou sei lá o que, milionária.
- 44:31SPEAKER_00: Mas isso não é Prova do meu sucesso enquanto bruxa.
- 44:38SPEAKER_00: Porque também, repara,
- 44:41SPEAKER_00: porque também e a forma como eu pratico a bruxaria pode estar
- 44:49SPEAKER_00: e está intimamente conectada com a minha crença.
- 44:54SPEAKER_00: Seja mais católica, menos católica ou sei lá o quê.
- 44:58SPEAKER_00: Se eu acredito Que a bruxaria que eu pratico e que a forma como eu vivo é mais
- 45:05SPEAKER_00: para mim, eu não vou andar aí a esbanjar e a mostrar que eu comprei o carro do ano.
- 45:15SPEAKER_00: Isso também tem a ver com aquilo e a forma como eu vivo o meu dia.
- 45:20SPEAKER_00: Então se eu sou uma pessoa mais expansiva,
- 45:21SPEAKER_00: que naturalmente eu vou publicar e vou contar tudo a toda a gente e que vou dizer
- 45:25SPEAKER_00: a toda a gente que tenho não sei quantos milhões na conta e não sei o quê.
- 45:29SPEAKER_00: Obviamente que as pessoas vão ver que a bruxaria está a fazer sentido porque
- 45:33SPEAKER_00: na cabeça das pessoas só faz sentido quem tem coisas, quem tem.
- 45:39SPEAKER_00: Mas a minha prática pode estar muito conectada com a minha própria evolução espiritual.
- 45:46SPEAKER_00: Por exemplo,
- 45:46SPEAKER_00: eu conseguir fazer uma projeção astral
- 45:48SPEAKER_00: e conseguir relembrar-me dessa projeção astral.
- 45:53SPEAKER_00: Pode ter a ver com eu melhorar o meu relacionamento amoroso,
- 45:57SPEAKER_00: eu ter momentos mais picantes que o meu parceiro e coisas do género
- 46:01SPEAKER_00: e não necessariamente eu ter coisas.
- 46:05SPEAKER_00: Pode ser eu,
- 46:07SPEAKER_00: por exemplo,
- 46:09SPEAKER_00: fazer práticas que me ajudam a ser mais tranquila e menos ansiosa,
- 46:14SPEAKER_00: fazer práticas em que me ajudam,
- 46:16SPEAKER_00: por exemplo, a estudar melhor, a estudar uma língua.
- 46:22SPEAKER_00: Que ninguém vai dizer que são coisas de bruxa,
- 46:26SPEAKER_00: porque supostamente o que é que é bruxa hoje em dia?
- 46:28SPEAKER_00: É quem consegue ter muito dinheiro,
- 46:30SPEAKER_00: é quem consegue pagar uma casa,
- 46:33SPEAKER_00: é quem consegue comprar uma casa,
- 46:35SPEAKER_00: é quem consegue ter coisas e mostrar ter essas coisas.
- 46:42SPEAKER_00: Mas isso,
- 46:42SPEAKER_00: novamente,
- 46:43SPEAKER_00: está muito conectado com a nossa prática,
- 46:47SPEAKER_00: quem nós somos, a nossa identidade, as nossas crenças.
- 46:51SPEAKER_00: E além disto,
- 46:52SPEAKER_00: isto tudo traz aqui uma pressão para mostrar provas e resultados como forma
- 46:57SPEAKER_00: de legitimar a prática publicamente, sendo que a prática é individual.
- 47:03SPEAKER_00: Não podemos jamais dizer que a pessoa é mais bruxa ou tem mais poder,
- 47:08SPEAKER_00: porque parece que hoje em dia toda a gente quer ter poder.
- 47:12SPEAKER_00: E toda a gente quer mostrar que tem poder sobre determinada pessoa
- 47:15SPEAKER_00: que consegue fazer o feitiço mais forte.
- 47:17SPEAKER_00: Não é?
- 47:18SPEAKER_00: Pronto.
- 47:19SPEAKER_00: E nós não podemos atrelar a nossa prática àquilo que é mostrado publicamente.
- 47:27SPEAKER_00: Novamente nós estamos a cair.
- 47:29SPEAKER_00: Ser bruxas é uma forma de sair do sistema, de ser contra o sistema.
- 47:32SPEAKER_00: Pronto.
- 47:33SPEAKER_00: Um sistema instaurado.
- 47:36SPEAKER_00: Mas o facto de nós publicarmos e termos que publicar e termos que estes resultados
- 47:44SPEAKER_00: como prova de legitimar a nossa prática
- 47:49SPEAKER_00: Nós estamos a cair novamente na conta do vigário.
- 47:52SPEAKER_00: Nós estamos a cair novamente no sistema.
- 47:56SPEAKER_00: Então, se nós queremos sair do sistema,
- 47:58SPEAKER_00: porque não faz sentido a forma como se vive,
- 48:02SPEAKER_00: como está planeada a vida,
- 48:05SPEAKER_00: como é que nós vamos continuar a perpetuar,
- 48:07SPEAKER_00: até na prática mágica,
- 48:09SPEAKER_00: na prática da bruxaria,
- 48:12SPEAKER_00: vamos perpetuar este tipo de narrativa, este tipo de comportamento.
- 48:18SPEAKER_00: E para finalizar aqui este bloco, também nós falamos sobre frequência e disciplina.
- 48:25SPEAKER_00: Porque eu fiz até um vídeo aqui para o canal que dizia assim,
- 48:29SPEAKER_00: será que uma bruxa pratica feitiços todos os dias?
- 48:33SPEAKER_00: E é isto, nós falamos sobre isto.
- 48:36SPEAKER_00: Portanto,
- 48:36SPEAKER_00: só se é bruxa quem pratica todos os dias,
- 48:39SPEAKER_00: ou quem segue todos os sabás,
- 48:40SPEAKER_00: ou quem marca todas as luas e segue o calendário lunar todo certinho.
- 48:43SPEAKER_00: Não.
- 48:45SPEAKER_00: Porque a prática...
- 48:49SPEAKER_00: Vai depender de cada um.
- 48:52SPEAKER_00: Seguir ou não o estabas, por exemplo, quando eu me dei conta de que era bruxa, não é?
- 49:01SPEAKER_00: Quando eu me dei conta que estava a entrar numa bruxaria mais cíclica,
- 49:07SPEAKER_00: que seguia mais a natureza, eu comecei pelo estabas.
- 49:12SPEAKER_00: A lua já praticava,
- 49:14SPEAKER_00: mas comecei pelos sabais,
- 49:15SPEAKER_00: quando eu tive assim uma consciência mais, ok,
- 49:17SPEAKER_00: eu estou a praticar uma coisa,
- 49:18SPEAKER_00: a praticar bruxaria,
- 49:20SPEAKER_00: agora sou bruxa, na minha cabeça, portanto, tive que desconstruir isso também.
- 49:26SPEAKER_00: Mas quando eu tive essa consciência de que, ok,
- 49:29SPEAKER_00: isto é bruxaria,
- 49:31SPEAKER_00: eu não preciso de iniciação nenhuma porque isto é bruxaria também,
- 49:35SPEAKER_00: eu não comecei a seguir os sabais todos.
- 49:38SPEAKER_00: Porque os sabás,
- 49:39SPEAKER_00: a roda do ano que nós a conhecemos hoje em dia estruturada,
- 49:42SPEAKER_00: ela foi estruturada pela wicca, ela foi trazida e popularizada pela wicca.
- 49:48SPEAKER_00: Porque numa bruxaria,
- 49:50SPEAKER_00: numa prática mais tradicional,
- 49:52SPEAKER_00: nós seguimos os ciclos sem termos essa obrigatoriedade de seguir todos os sabás.
- 49:57SPEAKER_00: E eu comecei por não seguir os sabás todos.
- 49:59SPEAKER_00: Então houve um ano que eu Que eu quis praticar ou quis celebrar Beltane,
- 50:06SPEAKER_00: então fiz toda uma coroa de flores e nananã, pronto.
- 50:11SPEAKER_00: Houve outro ano que eu quis celebrar Ostara,
- 50:13SPEAKER_00: houve outro ano que quis celebrar especificamente o Sawin,
- 50:18SPEAKER_00: que maioritariamente dos anos eu pratico o Sawin,
- 50:21SPEAKER_00: porque é o ano novo das bruxas, não é?
- 50:23SPEAKER_00: Pronto.
- 50:24SPEAKER_00: Para nós.
- 50:25SPEAKER_00: E coisas do género, e para quem segue o calendário lunar celta, não é?
- 50:29SPEAKER_00: É o ano novo das bruxas.
- 50:31SPEAKER_00: E há aqui um julgamento sobre quem pratica de uma forma mais espaçada e intuitiva
- 50:36SPEAKER_00: que é o meu caso.
- 50:36SPEAKER_00: Portanto, lá está.
- 50:38SPEAKER_00: Eu posso não ter essas regrinhas todas que têm as tradições.
- 50:44SPEAKER_00: Mas eu tenho as minhas próprias regras.
- 50:46SPEAKER_00: Eu sigo a minha espiritualidade,
- 50:48SPEAKER_00: aquilo que eu estudo sobre espiritualidade de uma forma geral,
- 50:51SPEAKER_00: porque eu não estudo só sobre uma coisa.
- 50:55SPEAKER_00: Eu estudo sobre várias tradições e eu interesso-me por estudar também outras tradições.
- 51:03SPEAKER_00: É muito intuitiva, então vai sempre ao encontro daquilo que eu estou a precisar neste momento.
- 51:10SPEAKER_00: E quando comecei,
- 51:12SPEAKER_00: portanto eu fui tirar a iniciação do Reiki e fiquei só com isso,
- 51:17SPEAKER_00: sobre estudar chakras, energia e Reiki.
- 51:20SPEAKER_00: E passado aí dois anos talvez eu comecei a ter interesse por entender,
- 51:25SPEAKER_00: porque dentro do Reiki tinham-me dito que eu ia desenvolver muito
- 51:28SPEAKER_00: a minha mediunidade.
- 51:30SPEAKER_00: Eu já tinha,
- 51:31SPEAKER_00: mas a gente não trabalha no catolicismo, mas nós não trabalhamos com a mediunidade.
- 51:38SPEAKER_00: Ou neste catolicismo mais conhecido.
- 51:43SPEAKER_00: E então,
- 51:44SPEAKER_00: quando eu comecei a ter interesse por estudar outras coisas,
- 51:50SPEAKER_00: foi por causa da projeção astral.
- 51:53SPEAKER_00: Porque isso era um fenómeno que me acontecia desde criança, desde que eu me lembro.
- 51:59SPEAKER_00: Porque eu sempre tive projeções astrais, sempre tive a catelapsia, não é?
- 52:04SPEAKER_00: E ninguém me explicava o que é que isso era mesmo no Reiki.
- 52:08SPEAKER_00: Então eu comecei aí perceber que há várias tradições e
- 52:13SPEAKER_00: que muitas tradições não vão ter capacidade para nos explicar tudo sobre tudo
- 52:18SPEAKER_00: da espiritualidade.
- 52:18SPEAKER_00: Não vão conseguir explicar tudo sobre tudo relativamente à espiritualidade.
- 52:23SPEAKER_00: E que a espiritualidade não é exclusiva de uma tradição.
- 52:29SPEAKER_00: Então, eu entendi que em determinados lugares,
- 52:32SPEAKER_00: por exemplo,
- 52:32SPEAKER_00: no sítio e no lugar que eu fui iniciada no Reiki,
- 52:37SPEAKER_00: eu não falo sobre determinadas coisas, porque não é divino para eles.
- 52:43SPEAKER_00: E, por exemplo,
- 52:44SPEAKER_00: num Espiritismo que também tive contacto,
- 52:47SPEAKER_00: não posso falar de Exu ou Pomba Gira, porque é o demónio.
- 52:52SPEAKER_00: Então, eu ali,
- 52:54SPEAKER_00: rapidamente,
- 52:55SPEAKER_00: eu aprendi Que a minha espiritualidade era muito mais intuitiva e é muito mais
- 53:04SPEAKER_00: de eu faço consoante a necessidade que eu tenho e vou à procura
- 53:09SPEAKER_00: dos assuntos consoante a necessidade que eu tenho porque eu não tenho que saber
- 53:13SPEAKER_00: sobre tudo.
- 53:15SPEAKER_00: Ok?
- 53:15SPEAKER_00: Eu não tenho, e voltamos àquele ponto do conhecimento do estudo, não é?
- 53:18SPEAKER_00: Eu não tenho que saber sobre tudo,
- 53:19SPEAKER_00: eu não tenho que ler sobre todos os autores,
- 53:21SPEAKER_00: eu não tenho que ler porque houve-se muita gente a dizer ah,
- 53:24SPEAKER_00: só é ocultista a sério quem lê sobre Dionne Fortuny, só quem lê Do Elefans Levy.
- 53:31SPEAKER_00: Só lê, ou só é quem lê não sei o quê,
- 53:35SPEAKER_00: ou quem lê não sei quem, ou quem vai estudar sobre o Crowley.
- 53:40SPEAKER_00: Será?
- 53:41SPEAKER_00: Se eu não tiver interesse,
- 53:42SPEAKER_00: se eu começar a estudar e vir,
- 53:43SPEAKER_00: oh, isto não é para mim, então sou menos ocultista por isso?
- 53:47SPEAKER_00: Que seja, então.
- 53:48SPEAKER_00: Enfim.
- 53:50SPEAKER_00: Fechando este bloco dos sinais,
- 53:52SPEAKER_00: vamos agora passar,
- 53:53SPEAKER_00: e agora vou tentar desenvolver um bocadinho mais,
- 53:57SPEAKER_00: vou desenvolver ou andar um bocadinho mais,
- 54:01SPEAKER_00: a diferença entre o que seria identidade e estética,
- 54:03SPEAKER_00: é que nós já falamos um bocadinho aqui nos sinais.
- 54:06SPEAKER_00: Portanto, nós temos, quem trabalha com as redes sociais, que é o meu caso, não é?
- 54:13SPEAKER_00: Portanto,
- 54:14SPEAKER_00: quem faz e quem trabalha especificamente com espiritualidade de uma forma geral,
- 54:20SPEAKER_00: Praticamente vai estar,
- 54:22SPEAKER_00: e não são todas as pessoas, mas uma boa parte, vão estar nas redes sociais.
- 54:26SPEAKER_00: Então, nós vamos sempre ter que criar aqui uma persona ou uma personagem,
- 54:33SPEAKER_00: no meu caso é a Morgana, não é?
- 54:35SPEAKER_00: Para estar nas redes sociais.
- 54:38SPEAKER_00: Então,
- 54:38SPEAKER_00: existe aqui uma diferença entre o que eu sou de identidade e a minha estética,
- 54:43SPEAKER_00: que é a forma como eu me apresento nas redes sociais, por acamparem.
- 54:48SPEAKER_00: Tem a prática, nós já falamos sobre isto, tem a prática e tem a estética.
- 54:52SPEAKER_00: A forma como eu pratico está diretamente ligada à minha identidade.
- 54:57SPEAKER_00: Ok?
- 54:57SPEAKER_00: Pronto.
- 55:00SPEAKER_00: E a estética tem a ver muito mais com o marketing e infelizmente nós não podemos mostrar tudo.
- 55:10SPEAKER_00: Então nós temos que criar uma barreira, nós temos que criar um filtro e não podemos falar tudo.
- 55:16SPEAKER_00: Não se pode mostrar tudo.
- 55:18SPEAKER_00: De qualquer prática não se pode mostrar tudo.
- 55:22SPEAKER_00: Por diversos motivos.
- 55:24SPEAKER_00: Mas tem que haver aqui uma distinção entre a identidade, a minha identidade e a estética.
- 55:31SPEAKER_00: Aquilo que eu quero e escolho apresentar-vos.
- 55:36SPEAKER_00: Tem que haver.
- 55:37SPEAKER_00: O problema está quando Eu vou misturar e eu não consigo,
- 55:42SPEAKER_00: e eu acredito que a estética ou que a minha prática está e tem que ser a estética
- 55:47SPEAKER_00: que eu apresento,
- 55:48SPEAKER_00: ou tem que estar tudo perfeitinho para eu praticar, quando isso não é real.
- 55:55SPEAKER_00: Então nós não precisamos de ter velas bonitas,
- 55:57SPEAKER_00: principalmente se nós não conseguirmos arranjar,
- 55:58SPEAKER_00: não precisamos de ter cristais este e aquele,
- 56:01SPEAKER_00: ou usar roupa preta, ou outra roupa qualquer.
- 56:05SPEAKER_00: Para aquilo que realmente vai definir a nossa prática,
- 56:08SPEAKER_00: que é a disciplina, que é o critério e que é a prática continuada.
- 56:12SPEAKER_00: Portanto,
- 56:12SPEAKER_00: a disciplina dentro da nossa realidade e possibilidade,
- 56:16SPEAKER_00: nós vamos ter uma prática, nós vamos ter uma disciplina, certo?
- 56:20SPEAKER_00: Nós vamos ter ali coisas que fazemos e que não fazemos.
- 56:23SPEAKER_00: Isso vai depender de cada um, lá está a identidade de cada um.
- 56:27SPEAKER_00: Então,
- 56:30SPEAKER_00: A nossa estética,
- 56:32SPEAKER_00: nós já falamos sobre isso,
- 56:33SPEAKER_00: a prática e a estética,
- 56:36SPEAKER_00: ou a estética pode ser complementar à prática,
- 56:40SPEAKER_00: mas a estética nunca pode ser mais importante do que a própria prática.
- 56:44SPEAKER_00: Ok?
- 56:46SPEAKER_00: E agora vou voltar aqui a um assunto que eu já abri,
- 56:48SPEAKER_00: que tem a ver com o facto de eu ter escolhido ser solitária.
- 56:52SPEAKER_00: Porquê que eu auto-rutulo-me?
- 56:56SPEAKER_00: Porque isto tudo aqui que nós estamos a discutir são só Rótulos.
- 57:02SPEAKER_00: Ok?
- 57:02SPEAKER_00: São só rótulos.
- 57:03SPEAKER_00: E rótulos são criados por humanos.
- 57:07SPEAKER_00: Então, o facto de eu ter escolhido ser uma bruxa solitária tem a ver com aquilo
- 57:13SPEAKER_00: que eu já vos disse,
- 57:14SPEAKER_00: que é eu não acredito na religião,
- 57:18SPEAKER_00: eu não acredito na religião,
- 57:19SPEAKER_00: portanto,
- 57:20SPEAKER_00: porque a religião não é criada por Deus ou nem por nenhuma divindade,
- 57:28SPEAKER_00: A religião é criada pelas crenças que determinado homem ou grupo tem.
- 57:36SPEAKER_00: E vão criar ali, lá está, um coven, um grupo, uma comunidade.
- 57:41SPEAKER_00: E a comunidade pode ou não expandir,
- 57:44SPEAKER_00: como o caso do catolicismo,
- 57:45SPEAKER_00: que inicialmente era até ilegal, e que depois se tornou aquilo que é hoje.
- 57:54SPEAKER_00: Teve que começar sempre por um grupo,
- 57:56SPEAKER_00: uma pessoa que tem determinadas crenças,
- 57:59SPEAKER_00: que depois fala e comunica com outra pessoa que vai concordar ou não,
- 58:02SPEAKER_00: mas que à partida vai concordar e vão começar a formar um grupo de duas,
- 58:08SPEAKER_00: três, quatro, cinco pessoas e vão começar a expandir.
- 58:14SPEAKER_00: A partida,
- 58:15SPEAKER_00: todas as religiões,
- 58:16SPEAKER_00: qualquer religião que seja,
- 58:17SPEAKER_00: por mais afinidade que eu possa ter ou não com essa religião,
- 58:21SPEAKER_00: todas elas vão ter uma série de regras, de critérios que eu tenho que seguir.
- 58:26SPEAKER_00: Então, a religião não é individual, ela é coletiva.
- 58:32SPEAKER_00: E ela está feita para uma massa de pessoas que têm...
- 58:37SPEAKER_00: Isso é que...
- 58:39SPEAKER_00: A religião não deixa margem e não dá margem para erro.
- 58:43SPEAKER_00: Não dá margem para tu seres tu.
- 58:45SPEAKER_00: Para a adaptação,
- 58:46SPEAKER_00: para a flexibilidade,
- 58:49SPEAKER_00: para a adaptabilidade,
- 58:50SPEAKER_00: a religião tem que ser estruturada e tem que ser forma com este passo 1,
- 58:55SPEAKER_00: aquele passo 2,
- 58:56SPEAKER_00: tens que ser isto,
- 58:57SPEAKER_00: tens que fazer aquilo, para tu estares e seres considerada naquela religião.
- 59:02SPEAKER_00: Se tu, e tem muitas religiões,
- 59:04SPEAKER_00: há religiões que são mais flexíveis neste sentido,
- 59:07SPEAKER_00: por exemplo,
- 59:07SPEAKER_00: a católica, nós temos o que se chama de praticante e não praticante, certo?
- 59:13SPEAKER_00: Então há quem tenha sido batizado, que se considera católico, mas não tem práticas.
- 59:19SPEAKER_00: Acredita ele, não é?
- 59:21SPEAKER_00: Enfim, a maioria das vezes nós temos aqui um monte de práticas embutidas
- 59:26SPEAKER_00: na própria cultura, entranhadas e injetadas na veia.
- 59:29SPEAKER_00: Os feriados nacionais que nós temos no nosso calendário aqui em Portugal,
- 59:36SPEAKER_00: todos eles, os religiosos, são os católicos.
- 59:39SPEAKER_00: Não tem um feriado que seja Da Umbanda, do Candomblé, que seja dos judeus.
- 59:47SPEAKER_00: Não tem.
- 59:48SPEAKER_00: Só temos católicos.
- 59:50SPEAKER_00: Os feriados religiosos que estão no nosso calendário são católicos.
- 59:55SPEAKER_00: Embora o Estado português seja e se denomine laico.
- 59:59SPEAKER_00: Então, supostamente,
- 1:00:01SPEAKER_00: não deveria nunca estar associado todo o processo político,
- 1:00:06SPEAKER_00: e não vou abrir mais sobre este assunto, com religião.
- 1:00:10SPEAKER_00: Mas está.
- 1:00:11SPEAKER_00: Então, Tudo aquilo que nós fazemos,
- 1:00:14SPEAKER_00: mesmo para quem não é católico, vai ter injetado na sua prática o catolicismo.
- 1:00:23SPEAKER_00: Mesmo quem se diz não praticante vai ter coisas que fazem que tenha a ver com
- 1:00:27SPEAKER_00: o catolicismo, porque foi imposto.
- 1:00:31SPEAKER_00: Isto é imposto, isto é entranhado na nossa cultura, assim como no islamismo é a mesma coisa.
- 1:00:35SPEAKER_00: Quem nasce Num país onde a religião seja muçulmana, é muçulmana.
- 1:00:46SPEAKER_00: Não vou entrar mais por aí.
- 1:00:49SPEAKER_00: Mas o que acontece é que eu não me identifiquei por causa disto.
- 1:00:54SPEAKER_00: Porque as religiões são feitas para que todas
- 1:00:57SPEAKER_00: as pessoas sigam esses passos Independentemente da tua realidade,
- 1:01:04SPEAKER_00: independentemente da tua crença,
- 1:01:06SPEAKER_00: independentemente se tu concordas ou não,
- 1:01:08SPEAKER_00: independentemente da tua vida, independentemente de qualquer coisa.
- 1:01:13SPEAKER_00: Tu sempre vais levar com a culpa,
- 1:01:17SPEAKER_00: todas as religiões trazem essa culpa,
- 1:01:19SPEAKER_00: se tu não fizeres isto vais ser punido e eu não me identifiquei com isso.
- 1:01:25SPEAKER_00: Então qualquer prática Tradicional mais religiosa no sentido de religião como
- 1:01:31SPEAKER_00: uma religião católica ou uma prática mais ocultista como uma Rosa Cruz ou como
- 1:01:41SPEAKER_00: uma Golden Dawn ou seja lá o que for,
- 1:01:44SPEAKER_00: eu não me identifiquei
- 1:01:46SPEAKER_00: porque vai ter sempre Esse nível vai ter sempre essa estrutura de
- 1:01:53SPEAKER_00: que podes fazer isto, não podes fazer aquilo, independentemente de quem tu sejas.
- 1:01:59SPEAKER_00: Então, eu praticamente não consigo adaptar, embora,
- 1:02:03SPEAKER_00: obviamente,
- 1:02:03SPEAKER_00: cada um vai fazer as suas adaptações,
- 1:02:05SPEAKER_00: mas à partida eu não vou conseguir adaptar porque eu tenho
- 1:02:07SPEAKER_00: que corresponder àquelas regras.
- 1:02:12SPEAKER_00: E eu não acredito em intermediários para a conexão divina.
- 1:02:16SPEAKER_00: Eu acredito que cada um de nós pode se conectar Com a sua própria espiritualidade,
- 1:02:21SPEAKER_00: independentemente da espiritualidade.
- 1:02:23SPEAKER_00: Porque a espiritualidade, como eu já falei, é e pertence à espiritualidade.
- 1:02:27SPEAKER_00: Não é de uma religião específica.
- 1:02:30SPEAKER_00: Então nenhuma está certa ou errada.
- 1:02:33SPEAKER_00: E eu escolhi também ser solitária.
- 1:02:36SPEAKER_00: Porque eu já pertenci a alguns grupos,
- 1:02:38SPEAKER_00: eu pertenci a grupos de estudo espiritualistas,
- 1:02:43SPEAKER_00: eu pertenci a dois grupos de ocultismo e pertenci,
- 1:02:49SPEAKER_00: neste caso ainda estou,
- 1:02:51SPEAKER_00: mas aqui eu adapto-me mais porque é mais livre, que é um grupo de magia do caos.
- 1:02:58SPEAKER_00: Entretanto,
- 1:02:59SPEAKER_00: eu participei na Conscienciologia,
- 1:03:02SPEAKER_00: não sei se vocês já ouviram falar,
- 1:03:03SPEAKER_00: mas foi criada pelo Valde Vieira,
- 1:03:06SPEAKER_00: E eu detestei,
- 1:03:08SPEAKER_00: pertencia ao Espiritismo,
- 1:03:09SPEAKER_00: não frequentei nenhum centro espírita porque eu não conhecia aqui nenhuma
- 1:03:13SPEAKER_00: na minha zona, não conheço aqui nenhuma na minha zona.
- 1:03:16SPEAKER_00: E obviamente que eu não ia fazer 300 quilómetros para ir a um centro espírita, né?
- 1:03:20SPEAKER_00: Pelo amor da santa.
- 1:03:21SPEAKER_00: Mesma coisa como terreiros.
- 1:03:22SPEAKER_00: Os terreiros que eu já tive curiosidade para ir conhecer.
- 1:03:25SPEAKER_00: Mas os terreiros têm muitas dúvidas,
- 1:03:28SPEAKER_00: depois têm esta questão de ter alguém que é responsável pela tua coroa,
- 1:03:34SPEAKER_00: pelo chakra coronário.
- 1:03:36SPEAKER_00: Ter alguém que vai editar,
- 1:03:37SPEAKER_00: que vai trabalhar com as tuas entidades,
- 1:03:39SPEAKER_00: que vai trabalhar com não sei o quê e que vai estar responsável pela tua energia.
- 1:03:43SPEAKER_00: Eu não gosto disso, porque lá está.
- 1:03:46SPEAKER_00: Eu não sei o que é que as pessoas fazem.
- 1:03:48SPEAKER_00: É, são dúvidas.
- 1:03:49SPEAKER_00: Eu tenho realmente dúvidas.
- 1:03:51SPEAKER_00: Eu tenho realmente dúvidas em relação a... E mesmo a pertencer em grupos é a mesma coisa.
- 1:03:56SPEAKER_00: Porque quando nós pertencemos em grupos,
- 1:03:58SPEAKER_00: a partir do momento que se faz parte de um grupo,
- 1:04:01SPEAKER_00: a pessoa que está à frente daquele grupo,
- 1:04:05SPEAKER_00: Que é o líder daquele grupo,
- 1:04:08SPEAKER_00: vai estar responsável pela tua energia, pela nossa energia.
- 1:04:13SPEAKER_00: Então automaticamente nós precisamos ter certeza quem
- 1:04:16SPEAKER_00: que está atrás daquele grupo,
- 1:04:17SPEAKER_00: quem é que faz parte, quem é que está a liderar aquele grupo.
- 1:04:21SPEAKER_00: Porque muita gente vai dizer que vai consagrar um objeto e vai te enviar para casa
- 1:04:28SPEAKER_00: e tu não sabes o que é que foi feito.
- 1:04:32SPEAKER_00: Porque as pessoas não contam tudo.
- 1:04:34SPEAKER_00: As pessoas simplesmente não contam tudo, têm uma prática que é muito individual.
- 1:04:40SPEAKER_00: Então vocês veem-me como solitária por causa disto.
- 1:04:45SPEAKER_00: Porque, por exemplo,
- 1:04:47SPEAKER_00: na Conscienciologia,
- 1:04:49SPEAKER_00: eu achei aquilo tão repetido, exatamente igual ao Espiritismo, com outros nomes.
- 1:04:57SPEAKER_00: E eu, se há uma coisa que eu detesto,
- 1:05:00SPEAKER_00: eu detesto isso, que é, tem a ver com a minha personalidade, não é?
- 1:05:04SPEAKER_00: Eu gosto de observar, eu gosto de ver, eu gosto de ouvir as pessoas.
- 1:05:11SPEAKER_00: Principalmente quando eu estou a estudar, eu gosto de ouvir.
- 1:05:13SPEAKER_00: Eu não gosto que me estejam sempre a pedir para dar opinião,
- 1:05:19SPEAKER_00: porque eu nem sempre quero dar opinião.
- 1:05:22SPEAKER_00: Ou a dizer, olha, tens alguma dúvida?
- 1:05:24SPEAKER_00: Fala, que dúvidas é que tu tens?
- 1:05:25SPEAKER_00: Sendo que às vezes eu não tenho dúvida nenhuma e não queria sequer falar naquele momento.
- 1:05:28SPEAKER_00: Então, no grupo que eu pertenci da Conscienciologia, era exatamente isto que faziam.
- 1:05:34SPEAKER_00: Eu tinha que estar constantemente,
- 1:05:37SPEAKER_00: portanto,
- 1:05:37SPEAKER_00: a pessoa estava sempre a dizer e a pedir para eu falar,
- 1:05:43SPEAKER_00: sendo que às vezes eu não queria falar.
- 1:05:45SPEAKER_00: E muitas vezes,
- 1:05:46SPEAKER_00: e quando eu falava,
- 1:05:47SPEAKER_00: a pessoa,
- 1:05:48SPEAKER_00: porque era cara chapada do espiritismo, com uma roupagem nova, que era os nomes.
- 1:05:57SPEAKER_00: Então tem nomes, portanto, é toda a mesma coisa, só que tinha nomes novos.
- 1:06:04SPEAKER_00: Então tinha nomes como Holopensene e coisas assim,
- 1:06:09SPEAKER_00: que é exatamente igual ao que o Espiritismo fala,
- 1:06:12SPEAKER_00: ao que o Articismo fala, só que com outro nome.
- 1:06:14SPEAKER_00: Então eu fiquei... Então,
- 1:06:18SPEAKER_00: é a mesma coisa do que aquilo que eu já sei,
- 1:06:19SPEAKER_00: portanto eu não estou a aprender propriamente nada novo.
- 1:06:22SPEAKER_00: As dinâmicas que se faziam,
- 1:06:24SPEAKER_00: portanto fazia-se muitos exercícios de projeção astral,
- 1:06:27SPEAKER_00: mas ninguém me explicava sobre o exercício em si.
- 1:06:31SPEAKER_00: Então só diziam assim, o exercício, nós vamos a tal sítio.
- 1:06:35SPEAKER_00: Na projeção astral.
- 1:06:37SPEAKER_00: Para uma pessoa que entra naquele grupo novo,
- 1:06:40SPEAKER_00: que não sabe as dinâmicas, não havia explicação sobre nada.
- 1:06:46SPEAKER_00: Nada sobre nada.
- 1:06:47SPEAKER_00: Então, o que é que acontecia?
- 1:06:50SPEAKER_00: Eu estava a fazer o exercício e para mim aquilo era o momento em que eu ia dormir.
- 1:06:57SPEAKER_00: Era o momento em que eu ia dormir.
- 1:06:58SPEAKER_00: E depois obrigavam, portanto isto foi na época do... não posso dizer o nome... em 2020.
- 1:07:05SPEAKER_00: Portanto,
- 1:07:05SPEAKER_00: nós tínhamos saído,
- 1:07:08SPEAKER_00: não foi bem em 2020, mas nós estávamos ainda com essa coisa, com as restrições.
- 1:07:13SPEAKER_00: E então houve uma altura em que se colocou,
- 1:07:17SPEAKER_00: nós começámos a fazer as coisas online,
- 1:07:18SPEAKER_00: começou-se a fazer as coisas online, vocês sabem disso.
- 1:07:21SPEAKER_00: Entretanto...
- 1:07:23SPEAKER_00: Aos poucos foi-se outra vez.
- 1:07:26SPEAKER_00: Ficou muito prático para todas as pessoas fazer online,
- 1:07:30SPEAKER_00: mas estavam a obrigar a ir ao sítio, à presencial.
- 1:07:37SPEAKER_00: Para mim,
- 1:07:38SPEAKER_00: para fazer um exercício com uma projeção astral que envolve um relaxamento e
- 1:07:43SPEAKER_00: que eu tenho alguma dificuldade nesse requisito,
- 1:07:47SPEAKER_00: isso já é meu,
- 1:07:48SPEAKER_00: é da minha personalidade,
- 1:07:50SPEAKER_00: Eu chegando lá eu não consegui fazer,
- 1:07:52SPEAKER_00: eu não consigo fazer os exercícios,
- 1:07:54SPEAKER_00: porque eu tenho dificuldade de estar um monte de gente na sala,
- 1:07:57SPEAKER_00: uns a ressonar e eu tenho uma certa dificuldade com esses ruídos.
- 1:08:01SPEAKER_00: Então eu não me senti à vontade e portanto também não consegui fazer propriamente o exercício.
- 1:08:06SPEAKER_00: E eles estavam a começar a obrigar-me a irmos presencialmente fazer os exercícios.
- 1:08:12SPEAKER_00: Fora o facto de eu comentar uma coisa,
- 1:08:17SPEAKER_00: um assunto teórico,
- 1:08:20SPEAKER_00: Que não concordava com isso ou que o questionava,
- 1:08:24SPEAKER_00: mais filosoficamente falando, e a pessoa desviava o assunto.
- 1:08:27SPEAKER_00: Portanto, não te dá uma...
- 1:08:30SPEAKER_00: Exatamente como fazem no catolicismo.
- 1:08:32SPEAKER_00: Se nós questionamos o mito de Adão e Eva, não é?
- 1:08:38SPEAKER_00: Desviam.
- 1:08:39SPEAKER_00: E vão dizer que, ah,
- 1:08:41SPEAKER_00: porque é divino, ah,
- 1:08:42SPEAKER_00: porque são coisas que nós não podemos entender,
- 1:08:44SPEAKER_00: ah, porque Deus fez assim, ah, porque não sei o quê.
- 1:08:49SPEAKER_00: Assim como também nos dizem que as dores menstruais,
- 1:08:52SPEAKER_00: as cólicas menstruais ou até a dor do parto,
- 1:08:57SPEAKER_00: a culpa da própria mulher,
- 1:09:00SPEAKER_00: isso apaga o castigo,
- 1:09:03SPEAKER_00: a punição, porque Eva foi comida da maçã, da árvore do conhecimento.
- 1:09:10SPEAKER_00: Então, isto faz-me não querer estar nos grupos.
- 1:09:15SPEAKER_00: Isto faz-me querer,
- 1:09:16SPEAKER_00: e mesmo que eu obtenha um grupo,
- 1:09:17SPEAKER_00: que no caso o Círculo da Lua aqui é um grupo, não é?
- 1:09:21SPEAKER_00: A minha prática não é, de forma alguma, obrigar as pessoas a fazerem tudo certinho.
- 1:09:29SPEAKER_00: De forma alguma.
- 1:09:30SPEAKER_00: A minha ideia é que sim haja um grupo.
- 1:09:34SPEAKER_00: Porquê?
- 1:09:34SPEAKER_00: Porque eu,
- 1:09:34SPEAKER_00: enquanto isto são coisas que não se falam na prática da bruxaria solitária,
- 1:09:39SPEAKER_00: mas eu tenho obviamente facilidade para estudar o que eu quero,
- 1:09:42SPEAKER_00: ter as minhas regras, mas tenho aqui uma outra questão.
- 1:09:45SPEAKER_00: Depois talvez eu faça um episódio só sobre isto.
- 1:09:48SPEAKER_00: Que é o facto de haver a dificuldade de encontrar pessoas para se falar sobre espiritualidade.
- 1:09:57SPEAKER_00: Não necessariamente para ser mestre, mas pessoas.
- 1:10:01SPEAKER_00: Uma pessoa que seja uma pessoa que também esteja dentro da prática espiritual,
- 1:10:06SPEAKER_00: seja ela qual for,
- 1:10:07SPEAKER_00: mas que nós tínhamos um à vontade suficiente para conversar sobre os assuntos.
- 1:10:12SPEAKER_00: Assim como eu estou a fazer agora com o podcast.
- 1:10:14SPEAKER_00: É que eu estou a falar...
- 1:10:15SPEAKER_00: E agora faltava aqui alguém para debater comigo as questões, não é?
- 1:10:20SPEAKER_00: Filosoficamente falando, mas dá para perceber.
- 1:10:23SPEAKER_00: Então este é um dos problemas de ser bruxa solitária.
- 1:10:26SPEAKER_00: E por isso é que eu também comecei o canal no YouTube,
- 1:10:30SPEAKER_00: por isso é que eu também quis fazer aqui o podcast e por isso
- 1:10:33SPEAKER_00: que eu também quis começar o Círculo da Lua,
- 1:10:36SPEAKER_00: que é um grupo à partida, não é bem como um cover, mas pode ser que é vivo.
- 1:10:44SPEAKER_00: E que traz esta ideia de nós nos reunirmos de vez em quando para discutirmos
- 1:10:49SPEAKER_00: ou debatermos sobre espiritualidade de uma forma geral,
- 1:10:53SPEAKER_00: sem ninguém ter que impor a sua prática ou sem ninguém ter que dizer,
- 1:10:57SPEAKER_00: tens de fazer assim.
- 1:10:59SPEAKER_00: Ok?
- 1:11:00SPEAKER_00: Pronto.
- 1:11:00SPEAKER_00: É isso.
- 1:11:01SPEAKER_00: E daí eu ter escolhido o ser bruxa solitário.
- 1:11:06SPEAKER_00: Portanto,
- 1:11:08SPEAKER_00: agora para finalizarmos aqui o podcast,
- 1:11:09SPEAKER_00: que ele já está bem longo, mas por isso mesmo é que é um podcast.
- 1:11:14SPEAKER_00: Que eu costumo dizer,
- 1:11:16SPEAKER_00: às vezes,
- 1:11:16SPEAKER_00: quando eu estou a preparar,
- 1:11:19SPEAKER_00: estou a...
- 1:11:22SPEAKER_00: coisas mais técnicas,
- 1:11:24SPEAKER_00: de estrutura, como funciona determinada plataforma, e vou ao chatas GPT, não é?
- 1:11:30SPEAKER_00: Perguntar como é que se estrutura,
- 1:11:32SPEAKER_00: ou como é que se faz isto,
- 1:11:34SPEAKER_00: ou como é que se faz isto dentro de uma plataforma, ou coisas assim.
- 1:11:38SPEAKER_00: E muitas vezes,
- 1:11:41SPEAKER_00: o chatas GPT diz-me assim,
- 1:11:44SPEAKER_00: Que eu tenho que diminuir a explicação que eu dou relativamente,
- 1:11:51SPEAKER_00: por exemplo, a uma ferramenta.
- 1:11:53SPEAKER_00: Porque as pessoas gostam de coisas rápidas e eu penso assim,
- 1:11:58SPEAKER_00: que é o que eu vos vou dizer agora,
- 1:11:59SPEAKER_00: relativamente ao podcast estar comprido ou já mais profundo.
- 1:12:06SPEAKER_00: Quem, numa pessoa que entra na bruxaria e só quer ver vídeos rápidos de um minuto,
- 1:12:11SPEAKER_00: que vá para o TikTok, porque o TikTok tem vários vídeos assim, que fica no TikTok.
- 1:12:16SPEAKER_00: Agora,
- 1:12:16SPEAKER_00: uma pessoa que entra num vídeo do YouTube que acredita-se que 15 minutos de vídeo é
- 1:12:22SPEAKER_00: um vídeo longo,
- 1:12:23SPEAKER_00: sendo que para mim não é,
- 1:12:24SPEAKER_00: porque eu praticamente não consigo explanar nada, mas pronto.
- 1:12:29SPEAKER_00: Se a pessoa não consegue estar dois minutos a ouvir um disclaimer ou a ouvir
- 1:12:35SPEAKER_00: um aviso que eu dê relativamente ao assunto que eu vou conversar a seguir, à aula,
- 1:12:42SPEAKER_00: ao assunto que eu vou conversar a seguir,
- 1:12:43SPEAKER_00: então como é que vai ler um livro de 500 páginas?
- 1:12:46SPEAKER_00: Ou como é que me vai ler um livro da Helena Blavatsky?
- 1:12:49SPEAKER_00: Como é que me vai ler um livro de bruxaria mais antigo que aquilo só
- 1:12:54SPEAKER_00: com dois palitos enfiados nos olhos?
- 1:12:57SPEAKER_00: Não é para abrir bem os olhos.
- 1:12:59SPEAKER_00: Porque até a forma como se escreve a estrutura do livro é completamente diferente.
- 1:13:04SPEAKER_00: Como é que me vai ler um Eli Fazlevi que temos que estar sempre com
- 1:13:08SPEAKER_00: o pensamento bem afiado para tentar perceber a coisa.
- 1:13:12SPEAKER_00: Porque não é um livrinho e não é uma coisinha simples toda mastigadinha.
- 1:13:17SPEAKER_00: Nós temos que interpretar e pensar sobre os assuntos e reler e reler
- 1:13:21SPEAKER_00: e reler não sei quantas mil vezes para interpretar sobre os assuntos.
- 1:13:24SPEAKER_00: Então como é que uma pessoa Que não consegue assistir a um vídeo de 15 minutos,
- 1:13:30SPEAKER_00: onde tem 2 ou 3 minutos de um disclaimer,
- 1:13:33SPEAKER_00: uma explicação,
- 1:13:34SPEAKER_00: qualquer coisa,
- 1:13:35SPEAKER_00: um aviso qualquer,
- 1:13:36SPEAKER_00: vai-me conseguir ler e vai estar dentro da bruxaria para ler livros mais complexos.
- 1:13:41SPEAKER_00: Dá para perceber?
- 1:13:42SPEAKER_00: Pronto, enfim, é isso.
- 1:13:44SPEAKER_00: Agora, dentro da bruxaria existem algumas marcas que fazem parte do caminho.
- 1:13:50SPEAKER_00: Eu digo da bruxaria, mas acredito que dentro da prática espiritual de cada pessoa.
- 1:13:55SPEAKER_00: Nós temos aqui algumas coisas,
- 1:13:56SPEAKER_00: tem a ver com os erros,
- 1:13:57SPEAKER_00: que nós não mostramos nas redes sociais,
- 1:13:59SPEAKER_00: a maioria não mostra, fases de dúvida, crises de fé no próprio caminho.
- 1:14:06SPEAKER_00: E isto também faz a bruxa, faz a própria bruxa, cria a própria bruxa.
- 1:14:11SPEAKER_00: Porquê?
- 1:14:12SPEAKER_00: Porque a bruxaria não é só o lado bonito da coisa.
- 1:14:16SPEAKER_00: Foi como eu falei, então,
- 1:14:17SPEAKER_00: tenho o meu altar,
- 1:14:20SPEAKER_00: Que quando eu faço os rituais ou quando se faz um ritual mais elaborado e tem
- 1:14:24SPEAKER_00: as coisas no chão ou coisas do tipo,
- 1:14:27SPEAKER_00: nós podemos até mostrar o ritual montado a acontecer e o limpar,
- 1:14:35SPEAKER_00: o organizar, o preparar.
- 1:14:37SPEAKER_00: Há rituais que se preparam durante semanas.
- 1:14:40SPEAKER_00: Há rituais que nós preparamos,
- 1:14:44SPEAKER_00: quando eu digo os rituais estruturados,
- 1:14:46SPEAKER_00: que nós preparamos de uma forma De semanas, que envolve muita coisa.
- 1:14:53SPEAKER_00: Não é só,
- 1:14:54SPEAKER_00: por exemplo,
- 1:14:54SPEAKER_00: eu fiz hoje agora um ritual antes de começar a gravar aqui para vocês,
- 1:14:57SPEAKER_00: que foi só pegar nas cartas do tarot que me cheiravam no momento,
- 1:15:03SPEAKER_00: uma vela, um incenso, o meu sino, fazer ali um conjuro e está feito.
- 1:15:09SPEAKER_00: Simples, porque eu senti isso necessário agora.
- 1:15:12SPEAKER_00: Não olhei para o dia, talvez fosse melhor fazer numa...
- 1:15:16SPEAKER_00: Num domingo fosse melhor fazer numa lua crescente ou numa lua cheia,
- 1:15:20SPEAKER_00: eu não olhei nada para isso.
- 1:15:21SPEAKER_00: Eu senti que tinha que fazer isso agora, fui fazer agora, acabou.
- 1:15:24SPEAKER_00: Está ali feito.
- 1:15:25SPEAKER_00: Está no meu altar.
- 1:15:26SPEAKER_00: O altar não está limpo, o altar não está arrumado, ou arrumado como é suposto, está ali feito.
- 1:15:32SPEAKER_00: Porque é prática do dia a dia.
- 1:15:34SPEAKER_00: Quando eu vou fazer um chá, eu estou a fazer um chá, isso é a bruxaria também.
- 1:15:39SPEAKER_00: Então não é só o lado bonito da coisa.
- 1:15:41SPEAKER_00: Também ninguém nos conta Porque muitas vezes quando nós trabalhamos,
- 1:15:45SPEAKER_00: por exemplo, eu,
- 1:15:48SPEAKER_00: isto não foi um atendimento particular,
- 1:15:49SPEAKER_00: um atendimento privado,
- 1:15:51SPEAKER_00: nem de tarô,
- 1:15:52SPEAKER_00: nem de nada,
- 1:15:53SPEAKER_00: foi simplesmente uma pessoa que queria falar comigo,
- 1:15:57SPEAKER_00: quis falar comigo,
- 1:15:57SPEAKER_00: perguntou se eu tinha disponibilidade para falar com ela,
- 1:16:00SPEAKER_00: que ela tinha um assunto para falar comigo,
- 1:16:02SPEAKER_00: e eu disse,
- 1:16:02SPEAKER_00: olha só mais ao final do dia, porque eu estou a trabalhar até às 6 horas.
- 1:16:06SPEAKER_00: Ok.
- 1:16:08SPEAKER_00: Eu toda a tarde,
- 1:16:09SPEAKER_00: enquanto eu não falei com a criatura,
- 1:16:12SPEAKER_00: com a mulher, Toda a tarde eu estive mal energeticamente.
- 1:16:18SPEAKER_00: Eu obriguei-me a trabalhar e eu obriguei-me a fazer a minha caminhada e tudo mais
- 1:16:25SPEAKER_00: na força do ódio.
- 1:16:27SPEAKER_00: Porque eu mal conseguia manter os olhos abertos.
- 1:16:30SPEAKER_00: O que é que aconteceu aqui?
- 1:16:32SPEAKER_00: Eu estava a captar a energia que depois já fui entender qual era a energia,
- 1:16:37SPEAKER_00: porque tem a ver com o assunto que ela queria falar comigo.
- 1:16:40SPEAKER_00: Eu sabia que era por ela.
- 1:16:42SPEAKER_00: E por mais que eu fizesse coisinhas,
- 1:16:45SPEAKER_00: mesinhas e não sei o quê,
- 1:16:46SPEAKER_00: estava muito complicado de eu conseguir, eu só queria me deitar para dormir.
- 1:16:51SPEAKER_00: Isto também faz parte da bruxaria, ok?
- 1:16:54SPEAKER_00: Isto também faz parte da bruxaria.
- 1:16:57SPEAKER_00: Coisas que ninguém conta, não é?
- 1:17:00SPEAKER_00: Quando nos dá,
- 1:17:00SPEAKER_00: quando nós apanhamos ou quando temos sobrecarga energética,
- 1:17:03SPEAKER_00: quando fazemos um atendimento e temos sobrecarga energética,
- 1:17:06SPEAKER_00: quando alguém Quando nós fazemos um ritual para alguém ou fazemos uma leitura
- 1:17:11SPEAKER_00: para alguém e a pessoa está carregada,
- 1:17:13SPEAKER_00: isso acontece e as pessoas não falam sobre isso,
- 1:17:16SPEAKER_00: não falam sobre os momentos em que nós também apanhamos com a bosta dos outros,
- 1:17:21SPEAKER_00: ninguém fala sobre isso,
- 1:17:22SPEAKER_00: nem dos erros dos rituais que nós fazemos e os erros que acontecem.
- 1:17:26SPEAKER_00: Por exemplo,
- 1:17:27SPEAKER_00: houve um ritual,
- 1:17:28SPEAKER_00: isto tem para ir uns dois ou três anos,
- 1:17:30SPEAKER_00: que eu fiz,
- 1:17:31SPEAKER_00: não foi aqui na minha casa,
- 1:17:32SPEAKER_00: eu tinha uma sala alugada Para fazer os rituais também,
- 1:17:37SPEAKER_00: mas para fazer o meu trabalho, não é?
- 1:17:41SPEAKER_00: E nessa sala eu precisei de sair à rua e eu nem sequer me passou pela cabeça que,
- 1:17:48SPEAKER_00: como eu tinha estruturado a vela, que quando a vela chegasse ao fim, não é?
- 1:17:55SPEAKER_00: Portanto,
- 1:17:55SPEAKER_00: queimasse e chegasse ali ao fim,
- 1:17:56SPEAKER_00: ela iria queimar o que estava ali à volta,
- 1:17:58SPEAKER_00: porque o que estava ali à volta era muito fácil de queimar.
- 1:18:02SPEAKER_00: Eu nem sequer me lembrei disso.
- 1:18:04SPEAKER_00: E não era o primeiro ritual que eu fazia, não
- 1:18:06SPEAKER_00: Mas eu nem sequer me lembrei disso.
- 1:18:07SPEAKER_00: Eu só montei o ritual e isso escapou-se-me.
- 1:18:12SPEAKER_00: O que é que aconteceu?
- 1:18:13SPEAKER_00: Quando eu lá cheguei, não pegou fogo a coisa, não é?
- 1:18:17SPEAKER_00: Mas era uma fumarada, que vocês não estão a perceber.
- 1:18:21SPEAKER_00: Mas uma fumarada,
- 1:18:22SPEAKER_00: portanto,
- 1:18:23SPEAKER_00: a base que eu tinha ali,
- 1:18:24SPEAKER_00: ainda bem que eu não pus diretamente no chão,
- 1:18:26SPEAKER_00: mas a base que eu tinha ali, ficou toda estragada.
- 1:18:30SPEAKER_00: Foi para o lixo.
- 1:18:31SPEAKER_00: Tive que descartar porque já não servia para nada.
- 1:18:35SPEAKER_00: E a fumarada que lá ficou.
- 1:18:39SPEAKER_00: A fumarada que lá ficou.
- 1:18:41SPEAKER_00: E isto ninguém conta.
- 1:18:42SPEAKER_00: Mas o ritual é muito certo.
- 1:18:44SPEAKER_00: O ritual em si, portanto, foi para um coletivo, deu muito certo.
- 1:18:49SPEAKER_00: Que eu tive depois quem me dissesse que deu muito certo.
- 1:18:51SPEAKER_00: Mas, fumarada, tivemos a fartazana.
- 1:18:55SPEAKER_00: E são pequenos erros que vão acontecendo e até que vão acontecendo ao longo
- 1:18:59SPEAKER_00: da nossa prática e erros que nós temos ao longo do caminho.
- 1:19:06SPEAKER_00: Erros não, dúvidas que nós vamos tendo ao longo do caminho.
- 1:19:10SPEAKER_00: Fases de dúvidas,
- 1:19:11SPEAKER_00: de perguntar se estamos no caminho certo,
- 1:19:13SPEAKER_00: por exemplo,
- 1:19:17SPEAKER_00: se é isto de facto, se esta crença continua a fazer sentido.
- 1:19:23SPEAKER_00: Nós temos muitas fases e crises,
- 1:19:26SPEAKER_00: momentos de cansaço,
- 1:19:27SPEAKER_00: de termos que estar sempre,
- 1:19:29SPEAKER_00: sempre nesta vida,
- 1:19:30SPEAKER_00: porque apanhamos tudo, porque não sei o quê, porque temos que isto, temos aquilo.
- 1:19:35SPEAKER_00: É cansativo,
- 1:19:36SPEAKER_00: então muitas vezes nós precisamos de descansar e ninguém fala sobre isso,
- 1:19:41SPEAKER_00: ninguém conta sobre isso.
- 1:19:43SPEAKER_00: Enfim, agora para finalizarmos aqui o nosso podcast,
- 1:19:46SPEAKER_00: que a partida era só para 40 minutos, não é?
- 1:19:48SPEAKER_00: Mas pronto, já vamos quase uma hora em 20.
- 1:19:52SPEAKER_00: A pergunta que eu tenho aqui é, será que é preciso sairmos do armário como bruxas?
- 1:20:01SPEAKER_00: Porquê?
- 1:20:02SPEAKER_00: Isto aqui envolve muitas questões,
- 1:20:04SPEAKER_00: eu vou só pinçar aqui um bocadinho,
- 1:20:07SPEAKER_00: mas tem a ver também com o facto que eu conversei há pouco sobre
- 1:20:11SPEAKER_00: a identidade estética.
- 1:20:12SPEAKER_00: Nós não revelamos tudo,
- 1:20:14SPEAKER_00: nós não revelamos quem nós somos,
- 1:20:18SPEAKER_00: tudo aquilo que nós fazemos,
- 1:20:19SPEAKER_00: porque as pessoas,
- 1:20:22SPEAKER_00: portanto,
- 1:20:22SPEAKER_00: nós utilizamos o sincretismo,
- 1:20:24SPEAKER_00: mas sim,
- 1:20:25SPEAKER_00: Nós precisamos sair do armário enquanto bruxas e de nos assumirmos enquanto bruxas.
- 1:20:30SPEAKER_00: Porquê?
- 1:20:30SPEAKER_00: Nós estamos a entrar numa fase, numa era complicada.
- 1:20:36SPEAKER_00: E eu não querendo falar sobre política, mas uma pessoa quando é bruxa é política.
- 1:20:43SPEAKER_00: Mas nós estamos a entrar aqui numa fase e eu não estou a falar aqui de partidos políticos.
- 1:20:46SPEAKER_00: Vocês, enquanto bruxas ou enquanto bruxos ou enquanto espiritualistas,
- 1:20:51SPEAKER_00: prestem atenção que Existe a polarização para tudo e que
- 1:20:56SPEAKER_00: a polarização não é interessante.
- 1:21:01SPEAKER_00: É a polarização, seja para o que for, não é interessante.
- 1:21:07SPEAKER_00: Então, quando eu falar aqui de política, nós estamos a falar daquilo que está a acontecer.
- 1:21:13SPEAKER_00: Ok?
- 1:21:13SPEAKER_00: E nunca sobre determinados partidos ou de nenhum partido específico.
- 1:21:19SPEAKER_00: Certo?
- 1:21:21SPEAKER_00: Então, mediante aquilo que está a acontecer no mundo,
- 1:21:24SPEAKER_00: porque não é só num país,
- 1:21:26SPEAKER_00: é no mundo,
- 1:21:27SPEAKER_00: eu sinto que,
- 1:21:32SPEAKER_00: e eu falei-vos há pouco,
- 1:21:33SPEAKER_00: que pela nossa integridade física nós não podemos escancarar que somos bruxas,
- 1:21:39SPEAKER_00: mas nós precisamos de nos assumir bruxas.
- 1:21:42SPEAKER_00: Ou seja,
- 1:21:43SPEAKER_00: se eu quero,
- 1:21:44SPEAKER_00: e se eu escolhi esta vida,
- 1:21:46SPEAKER_00: porque isto é um estilo de vida, Isso significa que eu vou me assumir quanto bruxa.
- 1:21:54SPEAKER_00: Portanto,
- 1:21:54SPEAKER_00: eu vou ter determinadas formas de pensar,
- 1:21:58SPEAKER_00: comportamentos, formas de vestir, a estética que eu vou ter que assumir.
- 1:22:04SPEAKER_00: E eu posso não andar escancaradamente aí na testa escrito bruxa,
- 1:22:10SPEAKER_00: eu sou bruxa, mas eu tenho que me impor.
- 1:22:14SPEAKER_00: E sim, nós precisamos sair do armário.
- 1:22:16SPEAKER_00: Porquê?
- 1:22:17SPEAKER_00: Porque senão nós vamos continuar a fazer as coisas todas muito em segredo
- 1:22:20SPEAKER_00: e eu sinto, eu,
- 1:22:22SPEAKER_00: na minha experiência,
- 1:22:24SPEAKER_00: que já aqui isto aconteceu e que me acontece,
- 1:22:29SPEAKER_00: uma vez que nós temos que utilizar muito do sincretismo e uma vez que nós temos
- 1:22:33SPEAKER_00: que passar despercebidas, não é?
- 1:22:38SPEAKER_00: Ou tentar passar despercebidas, isto afeta muito a nossa prática.
- 1:22:42SPEAKER_00: Porque nós,
- 1:22:43SPEAKER_00: mesmo para quem está,
- 1:22:44SPEAKER_00: quem convive connosco,
- 1:22:48SPEAKER_00: É muito complicado nós sermos inteiras,
- 1:22:51SPEAKER_00: ou sermos inteiramente bruxas ou bruxos,
- 1:22:53SPEAKER_00: ou termos determinada prática,
- 1:22:56SPEAKER_00: porque nós vamos sempre pensar que a outra pessoa sempre vai pensar, não é?
- 1:23:02SPEAKER_00: A outra pessoa sempre vai achar isto ou aquilo.
- 1:23:06SPEAKER_00: E da forma como as pessoas estão,
- 1:23:12SPEAKER_00: Muito agressivas,
- 1:23:13SPEAKER_00: muito politizadas,
- 1:23:15SPEAKER_00: muito polarizadas,
- 1:23:17SPEAKER_00: qualquer coisa, eu sinto isto para todos os lados, não é só para um.
- 1:23:23SPEAKER_00: Se eu falo de uma coisa,
- 1:23:25SPEAKER_00: para um lado,
- 1:23:28SPEAKER_00: é bruxaria, é satanás, é... Se eu falo para o outro lado, É ridículo.
- 1:23:38SPEAKER_00: Ou então não é científico.
- 1:23:40SPEAKER_00: Ou então é não sei o quê.
- 1:23:43SPEAKER_00: Né?
- 1:23:44SPEAKER_00: Pronto.
- 1:23:45SPEAKER_00: Mas dos dois lados eu sinto que há uma... como se tivéssemos que esconder quem nós somos.
- 1:23:51SPEAKER_00: E eu sinto que atrapalha muito a nossa prática quando nós estamos
- 1:24:00SPEAKER_00: no armário.
- 1:24:01SPEAKER_00: E vocês podem pensar isto também para quem é gay, que é gay da comunidade arco-íris, não é?
- 1:24:08SPEAKER_00: Porque é que nós dizemos que eles têm que sair do armário,
- 1:24:10SPEAKER_00: ou antigamente,
- 1:24:11SPEAKER_00: eu não sei se isso ainda se utiliza, mas dizia-se, que é necessário sair do armário.
- 1:24:16SPEAKER_00: Porquê?
- 1:24:17SPEAKER_00: Porque nós fazemos a vida escondidas, não é?
- 1:24:20SPEAKER_00: Nós fazemos a vida sem que as pessoas saibam.
- 1:24:25SPEAKER_00: Isto atrapalha muito a nossa prática, porque,
- 1:24:28SPEAKER_00: por exemplo,
- 1:24:28SPEAKER_00: às vezes faz sentido eu fazer uma prática no quintal,
- 1:24:31SPEAKER_00: no campo,
- 1:24:33SPEAKER_00: faz sentido fazer no meu jardim,
- 1:24:34SPEAKER_00: faz sentido eu fazer algumas coisas,
- 1:24:36SPEAKER_00: por exemplo, apetecia-me fazer na rua, tenho espaço, não é?
- 1:24:39SPEAKER_00: Tenho espaço.
- 1:24:40SPEAKER_00: Eu não consigo fechar a rua,
- 1:24:42SPEAKER_00: embora quem faça uma procissão católica feche a rua para passar a procissão,
- 1:24:48SPEAKER_00: mas eu não consigo fechar a rua para pôr uma vela preta no meio da estrada.
- 1:24:51SPEAKER_00: Estão a perceber?
- 1:24:52SPEAKER_00: Então isto vai dificultar, eu não consigo.
- 1:24:55SPEAKER_00: Podem fazer uma prática numa encruzilhada,
- 1:25:00SPEAKER_00: por exemplo,
- 1:25:01SPEAKER_00: ou aqui na capela,
- 1:25:02SPEAKER_00: porque há pessoas que utilizam do catolicismo,
- 1:25:04SPEAKER_00: do cristianismo,
- 1:25:05SPEAKER_00: porque é a realidade aqui,
- 1:25:08SPEAKER_00: e que vão fazer os rituais nas capelas, nas igrejas, e eu não consigo aqui.
- 1:25:16SPEAKER_00: Eu tenho uma capela aqui,
- 1:25:17SPEAKER_00: vocês devem ouvir às vezes os sinos,
- 1:25:18SPEAKER_00: o sino da capela, E eu não consigo ir à capela e deixar lá uma ofrenda.
- 1:25:24SPEAKER_00: Não consigo.
- 1:25:26SPEAKER_00: Porquê?
- 1:25:27SPEAKER_00: Vocês já sabem.
- 1:25:28SPEAKER_00: Então isso vai atrapalhar muito.
- 1:25:30SPEAKER_00: Não é necessariamente que isso seja impeditivo da nossa prática espiritual para
- 1:25:35SPEAKER_00: a espiritualidade em si ou para as entidades em si,
- 1:25:38SPEAKER_00: mas para nós,
- 1:25:38SPEAKER_00: enquanto humanos,
- 1:25:40SPEAKER_00: limita-nos muito e carrega essa culpa que vem do catolicismo ou das religiões.
- 1:25:48SPEAKER_00: Então sim,
- 1:25:50SPEAKER_00: Nós temos,
- 1:25:51SPEAKER_00: e mesmo nas redes sociais,
- 1:25:52SPEAKER_00: nós temos aqui vários riscos à nossa integridade física,
- 1:25:56SPEAKER_00: já vos disse isso,
- 1:25:57SPEAKER_00: e por isso é que nós precisamos sim de assumirmos-nos como bruxas,
- 1:26:01SPEAKER_00: mas nós precisamos de ter cuidados também pela realidade que nós estamos
- 1:26:06SPEAKER_00: a viver hoje em dia.
- 1:26:07SPEAKER_00: Então não podemos ignorar isso também, ok?
- 1:26:11SPEAKER_00: E nós não precisamos de forma alguma
- 1:26:18SPEAKER_00: De ter redes sociais para sair do armário.
- 1:26:23SPEAKER_00: Quando eu falo em sair do armário,
- 1:26:26SPEAKER_00: eu identifico-me como bruxa e a minha vida vai ser vivida
- 1:26:33SPEAKER_00: em prol dessa prática mais witchy, não é mais bruxinha.
- 1:26:39SPEAKER_00: Então é nesse sentido,
- 1:26:39SPEAKER_00: não necessariamente que eu tenha que pegar num megafone ou num altifalante e dizer
- 1:26:45SPEAKER_00: a todo mundo que eu agora sou bruxa.
- 1:26:46SPEAKER_00: Mas eu assumir-me,
- 1:26:48SPEAKER_00: e obviamente quem está à nossa volta,
- 1:26:51SPEAKER_00: eventualmente vai ter que saber, vai saber, não é?
- 1:26:53SPEAKER_00: Pronto, enfim.
- 1:26:54SPEAKER_00: Eu vou ficando por aqui no nosso podcast,
- 1:26:56SPEAKER_00: eu espero ter o vosso feedback relacionado ao podcast,
- 1:27:00SPEAKER_00: que ficou muito mais comprido do que aquilo que eu tinha pensado, mas pronto.
- 1:27:04SPEAKER_00: E deixem nos comentários,
- 1:27:06SPEAKER_00: porque eu não falo tudo,
- 1:27:07SPEAKER_00: pois claro, eu não vou falar tudo, mas podem deixar nos comentários.
- 1:27:11SPEAKER_00: Eu vejo-me no nosso próximo episódio do podcast que vai ser sobre o desistir
- 1:27:19SPEAKER_00: do caminho espiritual.
- 1:27:21SPEAKER_00: E vou falar aqui especificamente de uma polémica que aconteceu no TikTok e
- 1:27:27SPEAKER_00: que eu quero trazer para aqui e falar um bocadinho sobre essa vontade de desistir
- 1:27:31SPEAKER_00: do caminho espiritual.
- 1:27:32SPEAKER_00: Ok?
- 1:27:33SPEAKER_00: Mas por hoje ficamos por aqui.
- 1:27:34SPEAKER_00: Vejo-te ou vejo-vos no próximo episódio.
- 1:27:39SPEAKER_00: Beijinhos!