Latest / Chá de coragem, com Elisama Santos. / Ep. 39 - O FARDO DE NÃO SER O FILHO SONHADO, Chá de Coragem com Elisama Santos
Transcript
- 0:00Eu queria não me abalar com as coisas que acontecem, sabe?
- 0:04Eu queria transitar pelo mundo assim, com as minhas certezas,
- 0:08sem me me estudar com nada, sem me incomodar com nada.
- 0:11Mas não é assim. O que acontece no mundo me abala
- 0:15e me resta aprender a lidar com isso.
- 0:19Aceito estar de coragem. Olá lizama, tudo bem?
- 0:33Suas falas sempre tem muito a me ajudar.
- 0:36Gratidão. Parabéns pelo seu trabalho, por
- 0:38ser essa mulher forte e inteligente que é obrigada.
- 0:42Hoje eu estou passando por problemas sérios de saúde da
- 0:44minha mãe. Mãe é essa que sei que já que é
- 0:47muito egoísta e manipuladora, mas é minha mãe.
- 0:51Sou fruto de um casamento de 2 crianças, 16 e 19 anos.
- 0:56Onde nasceu um filho por ano, sua segunda filha do casal e a
- 1:00primeira mulher, família machista.
- 1:03Então imagina como foi minha criação?
- 1:05Eu sofri muito pela carência financeira e pelas crises de
- 1:08ciúme e etcetera da minha mãe. Momentos que eu precisava e me
- 1:11causava presenciava e que me causava um extremo desespero.
- 1:15Eu me lembro de dormir chorando escondida e acordar já com medo
- 1:18de como que seria aquele dia com a minha mãe tão nervosa.
- 1:22Sentia que ela descontava tudo em mim.
- 1:24Eu cresci ouvindo que fui a pior filha chorona e manhosa, que por
- 1:28ruindade eu fazia até xixi nas calças e por isso foi a que mais
- 1:32apanhou. Por ser a manhona choro e
- 1:36chorona, era constante os momentos no dia a dia que levava
- 1:39a bronca da minha mãe. Ela exigia de mim que ajudasse
- 1:42nas tarefas de casa com tantos irmãos menores e nunca estava
- 1:45satisfeita. E a culpada Era Eu, porque não
- 1:48fazia nada direito. Isso na fala da minha mãe.
- 1:51Assim, cresci e fui me entendendo com o Patinho Feio da
- 1:54família, principalmente porque discordava de muita coisa da
- 1:59família, muita coisa mesmo, mas não tinha voz e fui sempre
- 2:03criticada. Afinal, eu deveria aceitar
- 2:06crescer, casar e ter filhos para cuidar.
- 2:10Na visão dos meus pais, estudar foi só porque eu insisti e
- 2:13sempre amei muito, mas nunca ouvi um parabéns, minha filha,
- 2:17pela sua Conquista. Mas ouvir muito você é folgada,
- 2:20só pensa em você isso porque sempre contribui com dinheiro,
- 2:24minha sala em casa e de todas as formas possíveis pra ajudar, mas
- 2:27nada tava bom pra minha mãe. Já adulta eu me formei, fui
- 2:30trabalhar com educação, casei e tive 2 filhas e nunca esqueci da
- 2:34minha mãe. Eu sempre procurando levá la pra
- 2:36passeios e coisas que sabia que ela IA gostar e que meu pai não
- 2:39fazia. Ela Foi adoecendo e teimosa não
- 2:41nos escuta, faz o que quer e tem o aval do meu pai.
- 2:45Eles estão juntos há 61 anos. São 2 teimosos e agora ambos
- 2:50doentes. Meu pai estava bem, mas com a
- 2:53doença da minha mãe, ela o suga o quanto pode e ainda diz que a
- 2:57culpa dela está nessa situação, é dele.
- 3:00Está causando no meu pai um desgaste físico e mental que
- 3:03está ficando com vários problemas de saúde.
- 3:05Veja tudo isso, ele não dá desespero.
- 3:07Eu volto a ser a menina de 5, 10 anos e também estou ficando sem
- 3:11saber como agir. Eu estou tentando, mas a minha
- 3:13mãe é egoísta, manipuladora e eu sinto que eu não quero estar
- 3:16perto. E por outro lado, ela é uma
- 3:17mulher idosa, doente, sofrendo, que ama e que quer ajudar.
- 3:21Que difícil tá vivendo tudo isso.
- 3:23E eu continuo me sentindo Patinho Feio da família, pois eu
- 3:26penso muito diferente dos meus pais, até dos meus irmãos.
- 3:29Todos se envolveram nessa dinâmica doida de fazer tudo
- 3:31errado e culpar o outro e sofrer e et cetera.
- 3:34Eu aqui tentando ajudar e com medo, porque perto dos meus pais
- 3:38eu me sinto tão impotente, sem voz ativa, mas sou cobrada por
- 3:41toda a família. Afinal, eu sou mulher e filha
- 3:43mais velha e agora eu sou aposentada e separada
- 3:47recentemente por eles. Eu devo ser a cuidadora oficial
- 3:51e eu não quero e não entendo assim.
- 3:54Eu não vou fazer isso, mas eu não estou conseguindo achar o
- 3:57limite entre ajudar que é preciso e não me afetar pela
- 4:01cobrança de todos. A agressividade da minha mãe
- 4:04para comigo, já que já que não sou sendo a filha que ela
- 4:06deseja, criou para ser a mulher que cuide e pronto.
- 4:10Não tem direitos e nem nem desejos.
- 4:12Socorro elisama como achar um jeito de ser filha que cuida e
- 4:15me preservar como ser humano nesse mundo machista?
- 4:20Gente, essa história. Ela resume a história de tanta
- 4:26gente e tem muita coisa pra gente falar sobre isso.
- 4:30A primeira coisa que eu quero te dizer é que você não é o filho
- 4:34que papai e mamãe esperavam que você fosse, não é a filha que
- 4:38papai e mamãe esperavam que você fosse.
- 4:40E é isso aí. A gente lida todos os dias com a
- 4:45frustração de ver que o outro não é a expectativa que a gente
- 4:49tinha dele. Se um filho que seu pai e sua
- 4:52mãe nasceram, sonharam, nasceu a filha que seu pai e sua mãe
- 4:57nasceu, ficou ali morando, residindo na idealização deles.
- 5:01Assim como os filhos que eu sonhei, que ficaram residindo na
- 5:03minha idealização, os filhos que existem, que eu cuido, que seus
- 5:07pais tiveram que cuidar, são seres.
- 5:11Únicos e nunca haverá ninguém igual.
- 5:15Você é um seu único. Seria impossível a tua mãe ou o
- 5:20teu pai desenhar na imaginação que você sabe.
- 5:24Às vezes as pessoas falam AI, meu filho, exatamente o que eu
- 5:27sonhei. E eu penso, como é possível?
- 5:30Porque eu não seria capaz de sonhar.
- 5:31Os meus filhos. Eu não tenho hoje a capacidade
- 5:34imaginativa. E olha, não sei se você assistiu
- 5:37o fantástico mundo de Bob, sou eu.
- 5:40A minha mente é, eu sou muito imaginativa, mas eu não seria
- 5:44capaz de desenhar as crianças que eu educo com quem eu lido,
- 5:48porque elas são tão únicas, elas são misturas tão surpreendentes
- 5:53de características. Então, assim, existe uma parte
- 5:57aí que não é você quem vai lidar.
- 6:00É a sua mãe que vai precisar lidar com a frustração de você.
- 6:02Não sei o que ela espera, pois é, isso aí é o que acontece.
- 6:06O ponto é. O quanto você queria muito ser o
- 6:10que ela espera? O que ela espera?
- 6:12Que você, alguém que seja como você, sabe onde está esse lugar
- 6:19aí dentro de você que quer atender a mamãe, que quer fazer
- 6:24o que fazer. O que a mamãe espera, que quer
- 6:26receber a palminha da mamãe e falar é que lindo que você fez.
- 6:30De onde vem isso? Olha para dentro de você e
- 6:36talvez seja o momento de assumir.
- 6:39Pra você, pra essa criança que você foi, que ainda é você, que
- 6:44isso não vai chegar. Sabe que esse mamãe tá muito
- 6:48orgulhosa de você? Talvez a sua mãe não tenha pra
- 6:51dar. Aparentemente ele já demonstrou
- 6:53que não tem pra dar, né? Só de casamento de seus pais em
- 6:5561 anos, né? Ela casou com 16, então vamos
- 6:58fazer a conta aí, sua mãe tem 77 anos, se foi ela mais jovem, né?
- 7:03Se não foi ela mais velha? E sua mãe tem no mínimo 77 anos.
- 7:07Hoje, talvez ela não tem isso para te ofertar, talvez não
- 7:10venha. E aí o momento de você olhar
- 7:15para tua história, olhar para você e entender o quem eu não
- 7:19sou, o que ele espera e eu não vou ser o que ele espera.
- 7:23E aqui tem um ponto que é muito importante, que é estranho de
- 7:25falar às vezes. Eu acho que eu já falei aqui um
- 7:27episódio que é o momento que a gente precisa matar a Esperança,
- 7:32sabe? A Esperança chama que morre,
- 7:34então 1 hora. 1 hora, amor, ela precisa morrer.
- 7:38Porque quando a Esperança morre, quando a gente olha para a
- 7:42situação e fala, é, isso não vai mudar.
- 7:44É isso que temos para hoje. A gente mata essa Esperança de
- 7:49que algo diferente aconteça. Quando a gente mata essa
- 7:53Esperança de que algo diferente aconteça, a gente finalmente
- 7:57lida com luto, sabe? A gente finalmente chora o que
- 8:02é? A gente sai do lugar dessa
- 8:04Esperança de que se eu fizer tudo certo, eu vou ter o melhor
- 8:07de papai, de mamãe, porque nós aprendemos isso quando a gente é
- 8:10criança, o adulto que cuida da gente, os adultos que cuidam da
- 8:13gente falam assim, Ah, eu fiz isso porque você eu gritei
- 8:16porque você me deixou nervosa. Eu fiz isso porque você então a
- 8:18gente cresce acreditando que se a gente agisse certinho, fosse
- 8:24super obediente, fosse super comportada ou comportada, fosse
- 8:28o número que papai e mamãe desejam que a gente fosse, que a
- 8:31gente IA ter só o melhor deles. Mas ó, você é uma mulher adulta,
- 8:37né? Você é uma mulher apositada, já
- 8:39você é uma mulher vida. Você já sabe que é impossível
- 8:43alguém ter só o melhor de você, por mais que essa pessoa seja
- 8:47incrível. Por quê?
- 8:49Porque você tem dias ruins, porque você é um ser humano,
- 8:52porque você tem a sua história, porque você tem as suas feridas,
- 8:56porque você tem os seus medos, porque você tem as suas
- 8:58angústias, certo? Então, a sua mãe também.
- 9:02Não existia um comportamento que você criança com 5 e 10 anos,
- 9:06que é o que você falou, que me se sente novamente com 5 ou 10
- 9:08anos. Não existe um comportamento que
- 9:11você, com 5 e 10 anos pudesse ter que tivesse só o melhor da
- 9:15tua mãe. Que você tivesse só o tesourinho
- 9:18da tua mãe. Não existe.
- 9:21Por quê? Porque ele é um ser humano.
- 9:23E agora vamos tirar AO rótulo de mãe da história.
- 9:31Enxergar essa mulher que casou aos 16 anos, que teve um filho
- 9:36por ano com esse homem, essa mulher que muito provavelmente
- 9:43mesmo egoísta, mesmo manipuladora, foi quem foi a
- 9:47responsável pelo banho, pela comida, pela casa, pela
- 9:51alimentação, pelo estudo, pelo muito quanto essas crianças
- 9:53todas, que provavelmente viu vários sonhos morrerem e que se
- 9:59tornou alguém. Extremamente amargurado e
- 10:02amargurada. Veja, a nossa sociedade é uma
- 10:06fábrica de mulheres loucas. Ela é uma maquininha que
- 10:10funciona perfeitamente para loucas.
- 10:12Ser mulheres funciona muito bem com as cobranças estéticas, com
- 10:16as cobranças de cuidado, com as cobranças de performance do que
- 10:20é o feminino. A gente está o tempo inteiro
- 10:22sendo muito, muito, muito cobrada.
- 10:26E aí, quem paga o preço em regra?
- 10:30É a criança, porque esse amargor, essa dor, essa
- 10:36submissão, esses nãos que a mulher recebe fora de casa, ela
- 10:41entende que dentro de casa ela pode tudo.
- 10:44Fizeram um quadradinho pra gente, assim a casa e falaram
- 10:47pronto, dentro desse quadradinho aí, amiga, pode mandar esse
- 10:50quadradinho. É um lugar, é o único lugar no
- 10:51mundo que você é poderosa. Pilote o seu fogão e a gente
- 10:56acreditou que esse é o nosso lugar de domínio e de poder.
- 10:59E muitas mulheres encontram nesse lugar o único lugar de
- 11:03domínio de poder. E aí descontam se nos filhos e
- 11:08as crianças que não têm nada a ver com a história, sofre e
- 11:13alguns filhos vivem o que você viveu?
- 11:17Alguns filhos que não conseguem se encaixar no que os pais
- 11:21desejam que eles sejam, ainda bem.
- 11:26E aí, querem fazer diferente? E não são vistos e não são
- 11:31cuidados. Mas tem na sua conversa, no seu,
- 11:34na sua carta, no seu e-mail, o tempo inteiro em justificar, ela
- 11:39fala que eu não fiz nada, mas eu pagava as contas.
- 11:42Ela me chama de egoísta, mas eu cresci, eu saí, eu levava ela
- 11:45para viajar. Cada coisinha que você fala eu
- 11:49ouço aqui a criança falando mamãe, e agora você gosta de
- 11:53mim, mamãe? E agora eu fui à cama.
- 11:59Você gosta de mim? Você está feliz comigo, mamãe?
- 12:03Eu, eu fiz um presente para você.
- 12:05Você está feliz comigo, você gosta de mim?
- 12:07Eu te vejo essa mulher adulta ainda na expectativa de que vai
- 12:11ter alguma coisa que você vai fazer, vai ter uma atitude que
- 12:14você vai ter, que é essa mãe que você sonhou, essa mãe que vai te
- 12:19olhar e falar, que orgulho de você.
- 12:20Ela vai vir. E sinto muito pela frase
- 12:24desmotivacional, mas provavelmente ela não vai vir.
- 12:29Provavelmente ela não tem isso para te dar e você precisa viver
- 12:34o luto de que esta mulher, ela não tem isso para te dar.
- 12:39Eu quero só te chamar atenção para uma coisa, você fala que
- 12:43ela está adoecendo o seu pai será o quanto esse encontro
- 12:51adoeceu também? Ela não dá para saber, sabe?
- 12:57É. É muito fácil a gente olhar para
- 13:02o homem e falar, nossa, meu pai é leve, meu pai é divertido, meu
- 13:05pai é legal. Mas quando outra pessoa assume a
- 13:07responsabilidade por manter seu pai leve, ilegável e divertido,
- 13:11sabe? Eu não sei como é na casa da tua
- 13:14casa, eu não posso afirmar, eu não conheço.
- 13:17Mas eu duvido muito, muito que teu pai saiba o CPF da tua mãe
- 13:20decorada, mas provavelmente ela saiba o dele.
- 13:24Eu duvido muito que teu pai tenha anotado os telefones dos
- 13:27médicos da sua mãe, anão ser agora que ela está doente.
- 13:30Mas normalmente a mulher sabe, os médicos da família inteira,
- 13:35inclusive o deles, horário de remédio, tudo.
- 13:38Ela fica magra, ela fala brigando, ela fala reclamando,
- 13:40ela fala enchendo o saco. Ela está cansada de falar isso,
- 13:44mas ela sabe e ela cuida, sabe? Então assim, não estou querendo
- 13:49te falar AI, mas o seu pai não é só para que?
- 13:52A relação do seu pai e da sua mãe fica sendo a relação do seu
- 13:55pai e da sua mãe. Sabe esses 61 anos juntos aí os
- 14:012 têm influência um na vida do outro.
- 14:05E aí você fala assim, eu ainda vou me influenciar pelo que se
- 14:09minha mãe fala? Eu queria não me importar com o
- 14:13que os meus irmãos dizem, eu não vou.
- 14:15Eu vou pensar diferente. Tem um exercício que eu aprendi
- 14:21a fazer. Depois de um tempo, depois que
- 14:24eu tive filhos, que foi de olhar para as pessoas que criticavam
- 14:27meu jeito de educar, os meus filhos criticavam meu jeito de
- 14:30conversar e de falar com eles, eu comecei a olhar para essas
- 14:33pessoas e pensar, essa pessoa que tá falando que eu tô fazendo
- 14:37tudo errado com meu filho? Ela é um exemplo de algo que eu
- 14:41quero seguir. A relação dela com os filhos é
- 14:44uma relação que eu olho e falo, caramba, quero sentar aqui,
- 14:47pegar um caderninho e aprender com essa pessoa.
- 14:50Essa pessoa é uma pessoa feliz, uma pessoa que eu acho que é
- 14:53muito animada, uma pessoa que é para cima, uma pessoa que eu
- 14:55olho e faço, meu Deus, eu quero um pouco disso na minha vida.
- 14:59Eu quero aprender com essa pessoa, porque quando eu faço a
- 15:04reflexão e aí eu penso, não, eu não aceitaria com ela no Recreio
- 15:11não, não seria minha coleguinha no Recreio, não.
- 15:15Aí eu me pergunto, então, por quê?
- 15:17Que eu quero tanto que ela admire o que eu faço.
- 15:20Se a gente nitidamente pensa de formas muito diferentes,
- 15:26diferentes, deseja coisas muito diferentes, vivem em mundos
- 15:30muito diferentes. Você me disse que você é muito
- 15:33diferente da sua família, que você é muito diferente.
- 15:37Você pensa de uma forma muito diferente de todos eles, olha
- 15:41para cada um deles, você quer ser igual.
- 15:46É um modelo que você quer seguir.
- 15:48Então aceita que está tudo bem ser diferente dos seus irmãos?
- 15:51Pensar diferente assim é, eles são diferentes e isso não é
- 15:55necessariamente ruim. E aí você me fala do equilíbrio
- 16:00entre o cuidar, o não abandonar essa mulher idosa, mas o ser uma
- 16:07boa filha. Talvez você precise
- 16:10ressignificar o que é ser uma boa filha para você.
- 16:12Sim, sua mãe precisa de cuidados.
- 16:14Que não necessariamente precisam ser prestados por você,
- 16:18compreende? Existem muitas formas de cuidar,
- 16:21existe forma de cuidar auxiliando financeiramente,
- 16:24existe forma de cuidar, procurando uma pessoa que vai
- 16:26dar esse esse cuidado. Existe forma de cuidar chamando
- 16:29todo o resto da responsabilidade e dividindo a responsabilidade.
- 16:33Existem muitas formas de cuidar. A minha pergunta pra você é, se
- 16:39você está procurando a forma de cuidar.
- 16:43Que vai fazer com que ela finalmente te veja como uma
- 16:46excelente filha com que seus irmãos te admirem.
- 16:49É porque se você está procurando essa forma de cuidar, não está
- 16:53disponível, senhora. Não vai acontecer nada que você
- 17:00faça. Provavelmente nada que você faça
- 17:03vai mudar a peça, o teu papel desse teatro, sabe?
- 17:06Dessa, dessa interpretação que a família pensa no na família como
- 17:10uma peça teatral quando você nasce.
- 17:14O diretor é diretora, te dão normalmente um personagem, não,
- 17:19ela é a reclamona, ela é a chata, ela é a chorona e eles
- 17:23passam anos te falando que você é aquilo e você vai se
- 17:26encaixando naquele papel, e aí chega um outro irmão e aí eles
- 17:30vão falar para o irmão, ó, você é o legal, você é o divertido,
- 17:34você é engraçado ou você é o atrapalhado?
- 17:36Não, chorando você não é não, porque a chorona já é aquela
- 17:38dali. Não temos 2 chorona nessa peça,
- 17:41então você é outra coisa. E cada um na família vai atuando
- 17:47de um jeito. E quando você fala, quando me
- 17:49aproximo deles, eu me sinto impotente.
- 17:52Parece que eu voltei a ser uma criança.
- 17:54É porque quando você volta pra dinâmica, cada um tá ocupando o
- 17:58seu papel no teatro da família e te convida a ocupar o papel que
- 18:02você sempre ocupou, entende? E se você se recusa a dançar
- 18:06dança que você sempre fez com todo mundo, você fica sem papel.
- 18:12Tá, então se você não é mais essa e você é o que você vai
- 18:14fazer o que aqui? E aí tem a sensação que você tem
- 18:17tido de que que eu estou fazendo aqui eu não me encaixo, pois é,
- 18:21você está negando o papel que te deram, mas eles não vão te dar
- 18:24um papel novo. O que eles têm para você é esse
- 18:27personagem aqui, você pode chegar e falar, eu não quero
- 18:30atuar desse jeito na peça, gente, me dá uma outra coisa ou
- 18:33então vou só assistir, vou ficar aqui por perto, posso ajudar
- 18:38vocês em alguma coisa aqui, mas eu não quero estar.
- 18:41Atuando com vocês, talvez a gente precisa agora você precise
- 18:47fazer o exercício de se enxergar fora desse papel e de aceitar
- 18:53que os papéis que você quer desempenhar não estão
- 18:57disponíveis nessa peça. Sabe?
- 19:00Às vezes você quer ser o astronauta, mas a peça da tua
- 19:04família é uma peça de pirata. No fundo do mar.
- 19:07Não tem astronauta. Não vai ter astronauta.
- 19:12E aí você pode se encaixar e virar um piratinha para poder
- 19:15fazer parte da família. Você pode entender que nossa,
- 19:19então o espetáculo da minha vida, ele precisa de um outro,
- 19:22de outros palcos. Esse palco aqui é um palco que
- 19:25eu venho só para assistir de vez em quando e posso assistir.
- 19:30Posso dar risada, posso achar divertidinho, dar um beijo e
- 19:34seguir minha vida. Eu não tenho que voltar a atuar.
- 19:38Do jeito que esperam que eu atue dentro desse teatro.
- 19:42Sabe o cuidado com a tua mãe idosa?
- 19:47Ele é 11. Desafio é um desafio para a
- 19:52maioria de nós hoje. Sabe como que a gente cuida sem
- 19:58ser aquele cuidado que reduz a gente a somente o cuidador, a
- 20:04cuidadora, como que a gente cuida?
- 20:07Sem abrir mão de quem a gente é, do que é importante para gente,
- 20:10como que a gente cuida, ainda existindo, como que a gente faz
- 20:14isso? Sua mãe, pelo jeito, nunca soube
- 20:16fazer. E se ela nunca soube fazer,
- 20:20dificilmente ela vai reconhecer a tua capacidade de fazer e
- 20:22admirar a tua capacidade de fazer isso.
- 20:25E provavelmente você não tem referência de como faz isso.
- 20:29E agora? Mulher adulta com filhas
- 20:33adultas. Com a carreira construída
- 20:35aposentada, você vai precisar finalmente descobrir.
- 20:41Finalmente entender que seus papéis são outros.
- 20:47Entender que sim, as suas convicções são uma troca sua com
- 20:52o mundo. Te abalam?
- 20:56Você vai chegar vestida de astronauta da pecinha lá do
- 20:58fundo do mar. E vai se sentir deslocada
- 21:01porque, caramba, você é um astro nosso da pecinha do fundo do
- 21:04mar, gata, você vai se sentir deslocada, entendeu?
- 21:08Vai ser estranho, mas se você conseguir da sua pecinha não
- 21:12sair da sua pecinha no fundo do mar, lá é estranha.
- 21:16E de vez em quando conviver com a galera do espaço Sideral, da
- 21:20sua pecinha mais astronautas, você vai perceber que o problema
- 21:24não está em você, não está em no fato de você querer atuar como
- 21:27astronauta, sabe? É só um lugar errado.
- 21:32É só um lugar que não faz sentido.
- 21:35É só 11 personagem que você não quer mais desempenhar.
- 21:41Talvez nessa tua conversa inteira que o problema não
- 21:45esteja em como você cuida da sua mãe.
- 21:50Talvez esteja finalmente a aceitar que você vai cuidar da
- 21:56sua mãe sem receber. AA valorização por isso.
- 22:05E aí se receber a valorização não for uma opção que que você
- 22:10está disponível para dar pelo cuidado pelo cuidado saiba seu
- 22:15cuidado pelo cuidado, cuidado como meio e fim o fim deixar de
- 22:20ser a tua mãe te agradecer o fim seja.
- 22:26Você com você mesmo. Eu estou fazendo isso cuidando
- 22:29dessa pessoa, porque é importante para mim cuidar dessa
- 22:32pessoa, sabe? Assim é, eu já vi, eu tenho uma
- 22:37conhecida que tem um pai super, super, super difícil, que foi um
- 22:41homem violento de diversas formas na vida, que se afastou
- 22:44dela e ficou doente, idoso, e ela pagou a cirurgia dele.
- 22:52Ela volta e meia vai lá levar o remédio, não é porque.
- 22:56Nossa, ele vai falar que ama? Não.
- 22:58Ele continua sendo um babaca com ela, mas aquilo é importante
- 23:02para ela. Então ela vai lá, faz essa
- 23:04parte, entende que aquela é só uma parte da vida dela e vai
- 23:08embora em paz por saber que ela fez aquilo Por Ela, não por
- 23:13esperar que um dia ele reconheça a filha, aquele tempo que ele
- 23:15nunca vai reconhecer. Então, precisa de um momento de
- 23:20deixar a Esperança aí nomear o outro.
- 23:27Construir uma nova forma de lidar com esse desencaixe e
- 23:33ficar feliz com seu roup. Ele é astronauta.
- 23:36Entendendo que, pois é, esse astronauta não vai caber no
- 23:41fundo de uma paciência, tá bom? Que é isso, meu amor?
- 23:46Se você quer o meu pitaco na tua história, manda OE mail.
- 23:50OE mail está aqui na descrição, tá?
- 23:53Encaminha este áudio, este vídeo, não sei como você está
- 23:57assistindo, ouvindo nos grupos que você faz parte e caminha no
- 24:02grupo da família, dá uma esquentada lá, está parada esses
- 24:05dias, dá uma esquentada por lá, está bom, um beijo e até o
- 24:09próximo episódio.