Latest / Só Mais Uma Coisa / há quanto tempo você odeia o seu corpo?
Transcript
- 0:00Oi, eu sou a Amanda. Oi, eu sou Ana Lu.
- 0:03E esse é o só mais uma coisa. Há quanto tempo você odeia o seu
- 0:08corpo? Esse é o título de um texto do
- 0:10substaque da Laís Pinheiro, que é a nossa primeira convidada do
- 0:14só mais uma coisa. Estamos iniciando uma temporada
- 0:19nova, entendeu? Novas coisas estão surgindo e,
- 0:22às vezes a gente vai trazer alguns convidados para conversar
- 0:25sobre temas muito relevantes. Sim, esse tema.
- 0:28Gente, já falamos várias vezes em alguns episódios sobre esse
- 0:32assunto. É muito importante.
- 0:35O texto da Laís é maravilhoso. A gente recomenda que vocês
- 0:38leiam também. A gente vai estar na descrição,
- 0:40na descrição, exato. Mas enfim, principalmente
- 0:45pensando na cultura da magreza, sobre as redes sociais, enfim,
- 0:49sobre nós, mulheres. Nosso público é majoritariamente
- 0:51feminino. Então, esse episódio é muito
- 0:54para falar sobre a nossa relação com esse mundo Malu que a gente
- 0:57vive também, sobre as nossas memórias.
- 1:00Enfim, a gente compartilha muito sobre isso.
- 1:02A Laís é muito querida, a gente tá muito animado para vocês
- 1:04conhecerem ela também, sim, também querendo fazer 11.
- 1:08Disclaimer aqui inicial para pessoas que esse tipo de
- 1:11conversa foram gatilho. A gente vai falar sobre imagem
- 1:14corporal, a gente vai falar sobre cultura da magreza na
- 1:17entrevista, também sobre as nossas experiências quando a
- 1:19gente era mais nova. Assim, não vamos falar sobre
- 1:22transtornos alimentares, então não é também uma coisa tão
- 1:25aprofundada. Mas, enfim, se de alguma forma
- 1:29isso for prejudicial, enfim. Sensível para você nesse
- 1:33momento, marca aí para escutar depois.
- 1:36Não precisa. Escutar agora?
- 1:37Exato, exato. Mas bom, gente, a gente estava
- 1:39recebendo demanda para falar sobre isso.
- 1:41Só que, enfim, a Laís é uma pessoa que já falou muito sobre
- 1:45isso. Ela é nossa irmã mais velha que
- 1:47adotamos aqui. Foi um episódio muito especial e
- 1:49a gente está muito animada para vocês escutarem.
- 1:51Oi, Laís, seja muito bem-vindo. Então aqui ao nosso episódio do
- 1:54só a mesma coisa. Eu queria enfim agradecer a sua
- 1:58presença. A disponibilidade para conversar
- 2:00aqui com a gente é muito especial.
- 2:02Também queria que você contasse também um pouquinho de você.
- 2:06Se apresentasse aqui para o nosso público.
- 2:08Depois a gente introduz. Já o que que a gente vai falar
- 2:10no episódio? Eu e a Ana Lu, a gente acompanha
- 2:12o seu trabalho, a gente admira muito e é isso, você quiser
- 2:16começar. Aí fiquei nervosa, oi, bom, eu?
- 2:20Sou a Laís. Eu tenho 29 anos.
- 2:22Vou fazer um resumo, é, eu sou natural do Rio Grande do Sul,
- 2:26morei muitos anos em Santa Catarina e faz uns 3 que eu moro
- 2:29em São Paulo. Então eu divido a minha vida
- 2:31entre ser blogueira, CLTE, criadora de conteúdo.
- 2:34E escrevo, posto vídeo, gente, faço tudo ao mesmo tempo, mas é
- 2:39isso. Gente, eu só queria comentar que
- 2:42eu virei fã da Laís, a Amanda que me apresentou para ela.
- 2:45Eu comecei a seguir a Laís, os artigos do substaque.
- 2:48Eu estou lá sempre. AI que.
- 2:50Bom que. A gente chegou no tema de hoje,
- 2:53né? É exato pessoas que estão
- 2:55escutando, que não conhecem a Laís.
- 2:56Por favor, acompanhe o conteúdo dela.
- 2:58É maravilhoso, é super orgânico, é lindo.
- 3:01Assim, o senso estético da laisa assim é bizarro.
- 3:04Me inspiro muito. Um dia vamos chegar lá, mas mas
- 3:11enfim, querendo introduzir aqui um pouquinho.
- 3:13O podcast veio muito de um artigo que a laisa escreveu para
- 3:17o substeck dela, que ela tem uma neslera que ela publica toda
- 3:20semana com vários textos da vida dela, enfim.
- 3:23E esse foi um que mexeu muito comigo e acho que mexe com todas
- 3:27nós mulheres. Que se chama?
- 3:29A quanto tempo você odeia o seu corpo?
- 3:31Então a gente vai fazer algumas perguntas e a gente veio
- 3:34discutir sobre isso também. Queria falar que eu acho que nós
- 3:38mulheres estamos passando por uma fase muito complicada em
- 3:40relação a nossa imagem corporal, a relação que a gente tem com o
- 3:43nosso corpo e com o corpo das outras mulheres também.
- 3:47Então, acho que esse tema está super em alta, está super
- 3:48importante, e assim é para ser um ambiente seguro.
- 3:51De forma alguma a gente vai falar do corpo de alguém.
- 3:53Não é esse Oo intuito do episódio, mas sem falar do tanto
- 3:56que, enfim, nós somos vítimas de uma cultura muito cruel, assim
- 4:00como nós, mulheres. E assim, as palavras brilhantes
- 4:03da Louise nesse artigo são interessantíssimas, aham.
- 4:06Então, se eu puder passar para a primeira pergunta, Laís, no seu
- 4:10artigo no subsec, você disse que não consegue se lembrar do
- 4:14momento em que seu corpo passou ser público assim e.
- 4:17E que todos sentiram no direito de poder fazer comentários e
- 4:20opinar sobre ele, né? E você também afirma que isso
- 4:22talvez não tivesse acontecido se você tivesse nascido como seu
- 4:25irmão, como um homem. O que faz você ter essa
- 4:27percepção? De que seu corpo é público e de
- 4:30que forma você acredita que isso impacta as mulheres hoje em dia?
- 4:33Eu acho que. Eu cresci numa família onde
- 4:36majoritariamente são mulheres. E o meu irmão, ele é o bendito
- 4:40fruto, né? Ele é o único menino entre
- 4:42muitas mulheres e desde sempre assim é por ser a irmã mais
- 4:46velha. Eu acho que eu vim acompanhado
- 4:48de ser meio que um espelho. Então, por ter sido a primeira,
- 4:52ele veio, né? 3 anos depois de mim, 2 anos.
- 4:55Eu acho que eu cresci num espaço onde era só eu e não tinha
- 4:59alguém para me comparar. E depois ele veio e aí começou,
- 5:02né? O nível de comparação.
- 5:04Eu nunca me vi num lugar de não ter comentários da minha
- 5:09família, porque eu acho que sempre foram vindo acompanhado
- 5:12de comentários inofensivos. Sabe aquele tipo de comentário
- 5:15que é, Ah, é visto como um cuidado?
- 5:17Não, eu estou falando só porque eu gosto de você, só estou te
- 5:20dando esse toque porque eu acho que você vai ficar mais bonita
- 5:23desse jeito. E eu não lembro exatamente
- 5:25quando começou esses comentários, eu só lembro que
- 5:28foi de 1 dia para noite, assim que eu comecei a perceber que
- 5:31tinha alguma coisa errada, de certa forma, com meu corpo.
- 5:34Eu falo muito porque o meu irmão, ele sempre foi também
- 5:38muito ativo. Futebol e menino, né?
- 5:41Já tem essa essa característica de ser mais incentivada.
- 5:44Pra esportes, enquanto eu ficava sempre, né?
- 5:47Ah, menina, tem que sentar de tal jeito, ficar de tal jeito,
- 5:50se vestir de tal jeito. Então eu acho que isso já
- 5:53começou a dividir muito nós 2 assim.
- 5:55E aí logo depois veio a minha irmã, que nós somos parecidas,
- 5:59mas muito diferentes fisicamente, e eu acho que
- 6:02começou o nível de comparação. Sabe quando você espelho no
- 6:06outro algo que você não consegue mudar em si mesma?
- 6:08Eu acho que foi mais ou menos assim.
- 6:10As mulheres da minha família, elas nunca foram magras.
- 6:13O nosso, o nosso bibliotipo não é esse, né?
- 6:15Nós somos baixinhas. A gente tem as coxas grossas e
- 6:18tudo mais. Só que eu acho que.
- 6:19Quando você é criança, você não consegue se defender, então meio
- 6:22que o seu corpo já começa a se tornar público.
- 6:24Nesse momento, quando esses comentários começam e você é só
- 6:28uma criança e você não entende. E aí eu lembro que nunca foi um
- 6:32problema eu ir à praia de biquíni e tudo mais.
- 6:35Só que eu comecei a ter uma certa idade, sei lá, acho que a
- 6:38partir dos 10 anos e começou a ser, Ah, você vai comer isso
- 6:41mesmo? Você vai fazer tal coisa,
- 6:43começando esse, esse tipo de comentário.
- 6:45E eu não entendia por que que isso acontecia comigo e não com
- 6:48meu irmão, com a minha irmã. Então eu acho que eles começaram
- 6:51desde cedo, desde muito pequena, mas eu não via como algo
- 6:55afrontoso, para mim era só uma forma de cuidado, sabe?
- 6:59Se eu puder dar aqui, dar os meus 2 centavos assim, com
- 7:02relação a essa pergunta, me identifico muito com a sua
- 7:05história também, porque eu tinha uma irmã mais nova.
- 7:08Que era mais magro que eu. E eu fui uma criança que não era
- 7:11esteticamente magra porque eu era saudável, sabe?
- 7:13Eu não. Eu não tinha nenhum problema de
- 7:15saúde ou coisas nesse sentido. E eu também sofri muitos
- 7:18comentários assim. Eu lembro muito também da
- 7:20questão da praia, que pra mim, praia era um lugar que eu me
- 7:22divertia muito, que era um lugar que eu gostava muito.
- 7:25Era meu lugar feliz também é o meu lugar feliz ainda, sabe?
- 7:28Eu também, eu amo até hoje, exata.
- 7:31Mas eu lembro que no começo da adolescência, da pré
- 7:34adolescência principalmente, foi quando eu comecei a esconder o
- 7:36meu corpo. Então eu usava saída de banho o
- 7:40tempo inteiro, só usava biquíni quando eu tava dentro do mar,
- 7:43tipo, não tomava sol, é não gostava de ir pra, sei lá, festa
- 7:47na piscina, sabe? Porque eu me sentia
- 7:49desconfortável, sempre estava enrolada na toalha, porque as
- 7:52pessoas faziam muito comentário, eu sentia muito.
- 7:55Às vezes assim, tinha um lado da minha família que queria cuidar
- 7:57de mim, mas também tinha uma pessoa às vezes que só queriam
- 8:00fazer o comentário malvado assim, sabe?
- 8:02Exato. Eu me sentia muito invadida
- 8:05assim várias vezes e de me sentindo culpada também.
- 8:07E eu não sabia o que que eu podia fazer para mudar o meu
- 8:10corpo. Se eu tinha que mudar o meu
- 8:11corpo, por que que eu tinha que mudar meu corpo?
- 8:14Isso também era uma coisa que assim, a minha irmã era muito
- 8:16mais magra que eu, e a gente comia a mesma coisa, só que os
- 8:19nossos corpos eram diferentes. E eu ficava tipo, gente, que que
- 8:22é isso? Eu tenho uma maldição, eu nunca
- 8:24vou conseguir mudar, sei lá. E eu achava isso tão cruel
- 8:27assim, sabe? Porque cada um tem um corpo,
- 8:30cada um tem um biotipo. Mesmo eu tendo uma irmã, a gente
- 8:32tem biotipos diferentes. Exato.
- 8:35A minha irmã é a mesma coisa que você.
- 8:37Assim, nós sempre fomos muito parecidas intelectualmente, mas
- 8:41de corpo nós somos muito diferentes.
- 8:43O meu cabelo também é mais bonito dela.
- 8:45É, ela tem a pele mais bronzeada que a minha, né?
- 8:48Eu puxo mais pra um branco assim, ela é um pouco mais
- 8:50bronzeada, ela tem mais melanina.
- 8:52Nós somos muito diferentes fisicamente.
- 8:55E eu lembro também que chegou o momento na adolescência dela que
- 8:58esses comentários também começaram a afetar ela, e ela
- 9:01também era uma mulher magra, então eu lembro das fotos da
- 9:03praia, eu tinha menos vergonha do meu corpo do que ela.
- 9:07Ela tava sempre de camisetão. Porque ela não queria, né?
- 9:10Se mostrar vulnerável ali, de biquíni, no meio da minha
- 9:13família, que já começava com os comentários ofensivos também.
- 9:16Eles foram escalando. Começou em mim.
- 9:18Aí eu fui Pra Ela e depois foi pra nós 2 assim.
- 9:21É, eu acho muito importante esse contexto, porque eu acho que é
- 9:24uma coisa que todo mundo se identifica, né?
- 9:26Se nós, mulheres adultas, sentimos que nossos corpos são
- 9:29públicos, na infância eles são ainda mais.
- 9:31Eu não sei o que que dá Na Na cabeça das pessoas, que elas
- 9:34sentem que na criança elas podem opinar tudo.
- 9:36Não sei se é porque. Fase de crescimento.
- 9:39Você acha que seu comentário só pode ter alguma influência?
- 9:41E tem influência, só que não há influência positiva que você
- 9:43acha que você vai ter, não. Eu acho.
- 9:45Uma experiência muito comum. É, e eu acho que também é muito
- 9:49do que você disse. As pessoas, elas aprendem desde
- 9:52cedo que é dessa forma que deve ser.
- 9:55Sabe quando você não quebra o ciclo e aí você segue, porque
- 9:58comigo? Ah, comigo foi assim.
- 9:59Então eu vou fazer a mesma coisa nas crianças da minha família.
- 10:02E aí você vai seguindo com aquele padrão de que, Ah, é
- 10:05normal ficar comentando sobre o corpo dos outros, e não é.
- 10:08Sabe? Então hoje eu pratico muito mais
- 10:11isso com os meus priminhos. Por exemplo, eu não faço nenhum
- 10:14comentário estético sobre o corpo deles, porque eles são 2
- 10:16crianças saudáveis, sabe? Independente do do peso ou,
- 10:19enfim, da aparência física. Também tem formas de você falar
- 10:22com a criança, principalmente com relação se você tá falando
- 10:25de uma criança obesa, isso também pode ser um problema pra
- 10:28saúde dela e tal e exige tratamento.
- 10:30Mas existem formas de falar isso, sabe, sem ter o cunho
- 10:33estético por trás, tipo, Ah, se você emagrecer, as meninas vão
- 10:37gostar mais de você, os meninos vão gostar mais de você, você
- 10:40vai ser mais bonita, tipo, entende?
- 10:42Não pode ter essa carga assim, sei lá.
- 10:44Eu já escutei isso também quando você falou é que, Ah, você IA
- 10:47ficar mais bonita se você emagrecer.
- 10:49Escutei isso da minha mãe, e olha que eu acho que minha mãe é
- 10:51uma pessoa bem desconstruída nesse sentido.
- 10:54Mas foi uma coisa que me marcou muito.
- 10:56Ela falou uma vez, virou pra mim e falou assim, Ah, isso.
- 10:58Isso é tão bonita como tal. Amiga, se você fosse mais magra.
- 11:01Tipo. Gente, uma criança escuta isso,
- 11:05então 2 ideias já vem na cabeça, Hum, eu não sou bonita, 2 eu
- 11:09preciso ser que nem aquela outra pessoa que eu não sou.
- 11:12Como que eu vou fazer isso, sabe?
- 11:14Então é é muito difícil assim pra criança entender esse tipo
- 11:17de comentário, né? É e você meio que acaba se
- 11:20escondendo, sabe? Você acaba criando um padrão.
- 11:24Onde você toda aquela sua espontaneidade de criança, de
- 11:28não se importar muito com o que os outros vão pensar, você já
- 11:32começa a se vetar, então tem alguma coisa de errado no meu
- 11:34corpo, então provavelmente as outras pessoas não vão gostar de
- 11:37mim pelo que eu sou, então eu preciso me esconder.
- 11:39Que foi que eu comecei a fazer? Então, ali, pelos meus 13 anos,
- 11:43eu usava roupas que escondiam o formato do meu corpo, porque eu
- 11:47não queria que isso fosse acessível para as outras pessoas
- 11:50ficarem comentando. Então eu me esforçava, muito
- 11:54provavelmente vocês vão se identificar também.
- 11:55Me esforçava muito para ser aquela amiga, a mais engraçada,
- 11:59a mais divertida, a inteligente, porque daí as pessoas não teriam
- 12:03esse espaço para comentar do meu corpo, porque nossa, ela é tão
- 12:06legal, né? Então tipo assim, não vamos
- 12:08comentar sobre o corpo dela. Essa é da minha cabeça de pré
- 12:11adolescente. Até porque é, as minhas amigas
- 12:14também tinham as questões dela, mas eu sempre achei que se ela
- 12:18Por Ela serem mais magras, então os problemas dela seriam muito
- 12:21diferentes dos meus, sabe? Sim.
- 12:24Laís, eu só queria continuar um pouquinho essa questão bem
- 12:26claro, essa contexterização, você falou do seu artigo que
- 12:29desde a infância a sua alimentação era vigiada.
- 12:31Você já comentou um pouquinho isso agora e você falou de uma
- 12:34fatídica consulta com uma nutricionista que falou que
- 12:37você, diferentemente dos seus seus irmãos, que comiam sempre
- 12:40as mesmas coisas que você, você não poderia comer bolacha
- 12:42recheada. E de que forma você acha que
- 12:44isso, que esse momento específico afetou sua relação
- 12:46com a alimentação e com seu próprio?
- 12:48Corpo eu não tenho certeza se foi exatamente esse momento, mas
- 12:52ele foi um dos principais. Quais causadores de uma possível
- 12:55compulsão alimentar que eu tive alguns anos depois?
- 12:57Porque eu acho que foi a primeira vez que eu fui restrita
- 13:00de comer algo que até então era comum na minha vida.
- 13:04Eu entendo todos os problemas, né?
- 13:06De comer bolacha recheada, ainda mais hoje em dia, né?
- 13:08Tendo quase 30 anos. Mas eu acho que quando você é
- 13:11criança e você não me ensina o porquê, que não pode, o porquê
- 13:15que teve sido usado, você acaba crescendo cheio de padrões e,
- 13:19né, essa compulsão alimentar. Então eu lembro que foi do dia
- 13:24para noite. Assim, a minha alimentação mudou
- 13:26drasticamente. Sem nenhum aviso prévio.
- 13:29E eu já meio que entendi que tá, então eu vou precisar controlar
- 13:33muito mais do que os meus irmãos.
- 13:35E não importava o que eu fizesse de atividade física, de tudo da
- 13:39época, nada era suficiente, porque a minha alimentação ainda
- 13:42precisava ser restrita. Então eu lembro que os meus
- 13:45irmãos, ele principalmente meu irmão, né, homens?
- 13:48Ele não precisava ter 11, como é que eu posso te dizer, os olhos
- 13:52não iam Pra Ele na hora que ele tava comendo.
- 13:54Os meus pais criavam comidas específicas pra mim, então, por
- 13:57exemplo, o meu arroz era integral, é no meu, no meu prato
- 14:01de comida, tipo isso aos 11 anos, sempre tinha uma proteína
- 14:05sempre incentivada a comer salada eSIM, ótimo, é muito
- 14:09saudável, é muito inspirador começar isso.
- 14:11Desde criança nunca tive nenhuma questão ou restrição quanto a
- 14:15isso. Mas é que eu acho que o problema
- 14:17começa quando você restringe, não me ensina, sabe?
- 14:20Se lá no começo tiver assim me explicado, ó Laís, então
- 14:24funciona assim, esse daqui é açúcar, açúcar vai pra cá, e
- 14:28isso daqui é gordura, gordura vai pra cá.
- 14:30Por que que é importante você equilibrar?
- 14:32Então, tipo assim, quando você restringe uma criança e de não
- 14:36pode, você acaba influenciando completamente na vida dela a
- 14:41partir dali e nem se dá conta. Então eu lembro que essa
- 14:44nutricionista era muito aquele perfil de nutricionista, que a
- 14:47restrição era chave. Ah, se ela parar de comer tal
- 14:50coisa, então talvez ela consiga emagrecer.
- 14:53E aí os meus pais, né? Imagina isso foi em 2007, 2006,
- 14:57algo que eles levaram ao pé da letra assim, bom, então a gente
- 15:00vai restringir cada vez mais a alimentação dela ao ponto de ela
- 15:04conseguir emagrecer. Como se só desse jeito eu
- 15:06pudesse ser saudável. Como se não pudesse existir
- 15:10corpo saudável de outros formatos, né?
- 15:12Magro é sempre visto como saudável.
- 15:14E outras pessoas acima do peso são consideradas pessoas não
- 15:18saudáveis, então eles já tinham esse comportamento comigo dessa
- 15:22época. É impressionante.
- 15:23Foi uma consulta com um profissional da saúde que
- 15:25engatilhou essa restrição para mim.
- 15:27Aham, vou pensar nisso. Eu espero que hoje em dia a
- 15:30gente esteja numa mentalidade diferente, porque eu sinto que a
- 15:33mentalidade de você é mais velha que nós, eu e a Amanda, que tem
- 15:3523 anos, mas. E na mentalidade, quando a gente
- 15:38cresceu, era de um jeito. E eu sinto que era muito mais
- 15:40atrasado do que hoje. Eu espero, realmente espero que
- 15:43hoje a gente tenha mudado um pouco esse essa visão.
- 15:46Eu passei por muitas consultas também, que meu peso foi uma
- 15:48questão muito grande. Era aquele aquela curva do
- 15:52crescimento e do peso, e aí era sempre tipo, Amanda, no
- 15:55sobrepeso, é preciso emagrecer. E aí comentários, fui
- 15:58nutricionista também, mas eu Era Eu não era que nem você não
- 16:01comia de tudo. Eu era uma criança que gostava
- 16:03de comer só tipo McDonald's assim.
- 16:05E aí tipo, a minha mãe, eu lembro da minha mãe, ela é tipo,
- 16:08pelo amor de Deus, prova uma fruta e eu tipo, não, eu não
- 16:11quero. E eu acho que também vinha de um
- 16:14lado que eu gostava muito de comer.
- 16:16Eu não sei como é que era isso para vocês depois também, se
- 16:18vocês puderem compartilhar. Eu acho que é interessante a
- 16:20gente falar disso, da nossa relação com a comida quando a
- 16:22gente é criança, porque, enfim, eu tenho uma pessoa muito
- 16:25próxima a mim que passou por um tratamento de transtorno
- 16:27alimentar e uma coisa que a psicóloga, a nutricionista
- 16:31falaram, que quando a gente nasce criança, a gente nasce com
- 16:34sinais de fome e saciedade, muito aguçados, uhum, então.
- 16:38Que a gente tem muita noção de quando a gente tá com fome, de
- 16:41quando a gente não tá com fome, do que a gente tá com fome
- 16:44também. Porque o nosso cérebro, enfim,
- 16:46ele tem isso muito bem regulado pra nossa sobrevivência, que
- 16:48ainda não são os bichinhos, né? Eu acho que assim, quando eu era
- 16:52mais nova, eu eu tinha esses sinais de fome e saciedade, mas
- 16:55devido aos comentários das outras pessoas, eu olhava para
- 16:58aquilo. E queria cada vez mais me
- 17:00apropriar e controlar, tipo, Ah, as pessoas estão falando que eu
- 17:03não posso comer, eu vou comer porque eu tinha um lado meu de
- 17:05teimosia assim também, sabe? E aí, conforme o tempo exato,
- 17:10conforme o tempo, eu fui perdendo sinais de fome e
- 17:12saciedade do que que eu queria. E aí era tipo assim, nossa,
- 17:16ninguém está olhando. Então agora eu posso comer o que
- 17:18eu quero com aquele pote de Nutella, sabe?
- 17:21Posso, enfim, comer uma barra de chocolate, almoçar uma barra de
- 17:24chocolate, porque ninguém vai me julgar.
- 17:26E aí acho que daí que vem muitos comportamentos transtornados
- 17:29também que a gente tem com relação a nossa alimentação.
- 17:31Eu não estou falando que são transtornos alimentares, mas que
- 17:34são comportamentos transtornados também, né?
- 17:36E que a gente perde o prazer de comer.
- 17:39Aquela aquele momento que eu eu estou comendo escondido ou eu
- 17:43estou comendo porque agora eu posso.
- 17:46Eu não tô me sentindo prazer, né?
- 17:48Enfim, acho que isso tira muito a graça.
- 17:50Assim, cara, a comida, você falou tudo assim.
- 17:53Comida para mim sempre foi visto de um lugar de muito afeto.
- 17:56Então as minhas melhores lembranças sempre foram
- 17:58acompanhadas de comida. Eram os aniversários, era Natal,
- 18:02eram festas de final de ano. Então, e quando eu me vi nesse
- 18:06lugar de restrição absurda, é a gente mente, veio aqui tentando
- 18:09compensar para outro lado. Então por mais que eu restringia
- 18:13a minha alimentação. É meio que eu tava tentando
- 18:17caber naquele padrão, porque se eu fosse de tal jeito, se meu
- 18:21corpo tivesse tal formato, então os meus pais, os meus familiares
- 18:24gostariam mais de mim, sabe? Então eu lembro até de um
- 18:27comentário que o meu vô, ele era a minha pessoa número 1.
- 18:30Assim, ele era a única pessoa que eu lembro que não falava
- 18:33sobre o meu corpo e nem nada. Mas teve um dia que ele comentou
- 18:37de uma forma muito doce e aí ele falou assim, Ah, eu acho que
- 18:40você tinha que cuidar um pouco mais da sua alimentação, mas é
- 18:42pela sua saúde. Não pra você caber em nenhum
- 18:45formato nenhuma, nenhum padrão estético.
- 18:48Só que isso me magoou de uma forma muito absurda, sabe?
- 18:51Porque eu acho que é isso. Por ter crescido num ambiente
- 18:54onde o cuidado era vista, era visto como algo controlável, eu
- 18:59pensei, bom, meu vô, então é o meu, é a única pessoa segura que
- 19:02eu posso ser eu mesma. Só que aí quando ele também
- 19:05falou isso pra mim, eu fiquei, meu Deus, meu chão caiu assim.
- 19:10Até ele exatamente. Nem nos padrões, né?
- 19:13Pra Ele, eu eu tava no formato ideal assim.
- 19:17E você, amiga? Bom, gente, a minha experiência
- 19:21da infância. Eu acho que vai diferir um
- 19:24pouco, porque a Amanda falou, né?
- 19:25Dessas curvinhas você vê no pediatra do peso da altura, e eu
- 19:30sempre estava nas menores, eu acho.
- 19:32Eu nunca cheguei mal, nutrição, enfim, mas eu sempre fui muito
- 19:34magrinha e eu senti esse lado de a situação não come mais, você
- 19:39tem que comer mais. Eu eu nunca fui fresca com tipos
- 19:43de comida, mas eu não comia em quantidades e isso também foi
- 19:47muito explorado assim. Da minha família.
- 19:49Eu acho que minha educação alimentar no geral foi bem boa,
- 19:52mas tinha essa questão. Eu sempre tava na última
- 19:55Barrinha assim saudável, então isso era uma preocupação, mas
- 20:00mesmo eu fui vítima do culto magreza?
- 20:03Como assim? A criança que tá na última
- 20:05Barrinha saudável, assim antes da mal nutrição, sofre decimal
- 20:09porque eu lembro principalmente na minha pré adolescência.
- 20:12Então eu pensar, não, eu sou magra e eu tenho que manter esse
- 20:15padrão porque isso me faz ter valor.
- 20:19Então tem que manter isso a qualquer custo.
- 20:20Então, até eu sei lá, queria fazer exercício e não sei o que
- 20:25para manter a minha magreza. Até eu às vezes me olhava no
- 20:29espelho e falava, não, eu tenho que emagrecer.
- 20:31Eu acho que eu minha barriga está está crescendo, vamos
- 20:35começar a fazer umas abdominais. Então é impressionante que de
- 20:39todos os lados eu acho que a gente é vítima desse culto à
- 20:41magreza. Exato, eu acho que nunca é o
- 20:43suficiente, né? É isso, eu acho que, tipo o
- 20:46corpo da mulher, ele é muito público de todos os lados, e
- 20:49mesmo quando você ainda tá num num certo padrão, né?
- 20:52Como você comentou, não é o suficiente.
- 20:55Você sempre precisa dar um pouquinho a mais e continuar
- 20:58entregando o seu a mais, sabe? Era o que eu tentava fazer, tá?
- 21:02Já que eu não tenho padrão ideal, eu não tenho altura
- 21:05ideal, então eu vou tentar compensar de um outro lado,
- 21:07então eu vou dar tudo de mim no meu carisma.
- 21:10Mesmo quando eu não estiver nos meus melhores dias.
- 21:13Porque aí eu, as pessoas, eu vou ter um valor, né?
- 21:15As pessoas vão gostar de mim pelo que eu sou.
- 21:17Exato. Eu, eu.
- 21:18Também dizia muito isso. Eu não me achava uma criança
- 21:20bonita. Eu tinha várias questões também.
- 21:22Eu sou baixinha? Ficava tipo, então, ok, vamos
- 21:24ver as coisas do padrão de beleza que eu estou alcançando.
- 21:28Que é minha magrela, mas eu? Tinha que começar no carisma
- 21:32também. Exato, não, mas falando.
- 21:36Então, agora que a gente entrou um pouco no assunto de atividade
- 21:38física desse culto a magreza também, uma outra pergunta que a
- 21:42gente queria te fazer é que você falou no seu artigo na substeck
- 21:46que com 12 anos você descobriu a academia?
- 21:49Então a gente enfim queria explorar um pouco isso e também
- 21:52compartilhar um pouco do nosso lado também do que que te levou.
- 21:55Aí ir para uma academia frequentar as aulas de spinning
- 21:58jump. Nossa, tinha uma as aulas muito
- 22:00características dos anos 2000, né?
- 22:02Tipo jump. Nossa, eu amava, me sentia muito
- 22:06icônica. Exato, exato.
- 22:08Eu achava muito legal assim. E então, se eu puder falar um
- 22:11pouquinho, claro como que foi essa essa experiência também IA
- 22:14ser legal. Olha, eu lembro.
- 22:17Do dia em que eu tava andando na rua E meu pai me pegou pela mão
- 22:20e a gente foi no balcão da academia do meu bairro.
- 22:23Pra saber quanto eram os planos e se eu já poderia fazer tendo
- 22:2712 anos. E aí eles falaram, claro, ela
- 22:29pode vim, temos instrutores, temos suporte, pode deixar que
- 22:33ela vem, ela pode fazer uma aula experimental e tudo mais.
- 22:37E aí? Ele sem pensar 2 vezes, ele
- 22:39falou, não, amanhã ela já vem aqui então pra conferir.
- 22:42E aí eu fiz essa aula experimental, gente, não tinha
- 22:44nem roupa pra ir, tipo eu era né pré adolescente, então eu fui de
- 22:48lag all Star usando o meu topzinho, mas não aqueles top de
- 22:52academia, aqueles tops que a gente usava, porque na época né,
- 22:55ali em 2009, 2010, não era top direito de academia né?
- 23:00Adolescente, pré adolescente usava aqueles topzinhos tipo
- 23:03sutiã assim. É exato.
- 23:05De paninho, eu não tinha nem suporte para eu fazer atividade
- 23:08física, e aí eu lembro que eu era meio adolescente emo nessa
- 23:12época, então eu via de lápis de olho assim, e aí eu não, eu não
- 23:17não conseguia me encaixar nesse lugar.
- 23:20Toda vez que eu IA, eu me sentia muito fora, sabe?
- 23:23Era como se realmente não era para eu estar ali, porque eram
- 23:26pessoas muito mais velhas do que eu.
- 23:28Até os adolescentes já tinham tipo 1516 anos e eu era a única
- 23:31que tinha 12. Então foi 11 ambiente que eu
- 23:35acho que eu tive que conquistar e abrir caminho pra estar ali.
- 23:38É, aos poucos, eu fui fazendo amizade, fui conhecendo as
- 23:41pessoas, Ah, vim fazer uma aula de spinning, aí fui fazer uma
- 23:44aula de spinning, virei amiga do professor, Ah, tinha minha
- 23:47bicicleta favorita. E aí eu acho que o esporte, ele
- 23:50entrou na minha vida como uma forma de me salvar, mas ao mesmo
- 23:53tempo eu via ele como uma forma de me punir também, então assim,
- 23:58por eu não caber dentro de um padrão.
- 24:01E pra eu conseguir consumir, comer as coisas que eu gostava
- 24:04de comer, então eu precisava punir o meu corpo fazendo o
- 24:07máximo de atividade física que eu conseguisse fazer, para daí
- 24:11sim eu perder as calorias que eu precisava.
- 24:13Então eu lembro que no início, quando eu comecei a emagrecer,
- 24:16imagina, né? O organismo de alguém que tem 12
- 24:18a 13 anos é muito diferente de um organismo de quem tem 30.
- 24:21E aí na época, nossa, eu emagreci muito rápido porque era
- 24:24era isso, era alimentação saudável e atividade física.
- 24:28E aí eu comecei a emagrecer de uma forma muito.
- 24:31Absurda. E aí sim, os meus pais começaram
- 24:34a fazer comentários de nossa, você tá tão bonita, cara.
- 24:38Foram as primeiras vezes que eu escutei assim, algo relacionado
- 24:41ao meu corpo estético. E aí eu pensei, nossa, então é
- 24:44isso. Então é isso que eu preciso
- 24:45fazer. Então eu preciso fazer muita
- 24:47atividade física. Perder muitas calorias para
- 24:50conseguir compensar as coisas que eu quero comer e aí sim, eu
- 24:53vou estar dentro desse padrão, sabe?
- 24:55Só que ainda assim não era o suficiente, né?
- 24:57Tipo, sempre chega o momento onde você chega no efeito platô
- 25:02onde você não emagrece mais, né, da forma que precisa.
- 25:06E aí eu comecei a pensar, cara, o que mais que eu preciso fazer?
- 25:10Então eu lembro de frequentar academia assim, às vezes eu
- 25:12fazia aula de musculação. Aula de spinning fazia aula de
- 25:16jump e gente, eu saía da academia, tipo assim, 9 da noite
- 25:19eu IA tipo 5 horas. É 6 horas depois do da escola,
- 25:23assim que acabava 5 e meia. E eu ficava até às 9 da noite
- 25:26fazendo academia e os meus pais achavam o máximo, porque aí, né,
- 25:29eu tava mexendo meu corpo. Então assim, foi um período que
- 25:33eu não me arrependo pelas escolhas que eu fiz, até porque
- 25:36eu não tinha direito. Como escolher?
- 25:38Né? Meio que foi assim, você vai.
- 25:40E aí eu fui. Só que chegou o momento ali.
- 25:42Na parte dos meus 20, a gente pode comentar sobre isso.
- 25:44Depois que mudou muito, eu não comecei a ver mais atividade
- 25:48física como punição, né? eSIM como algo saudável.
- 25:52E eu também fui a. Criança que meus pais queriam
- 25:54muito que eu fizesse atividade física.
- 25:55Eu fiz muito por muito tempo também.
- 25:57Quando eu era mais nova, principalmente na natação, eu
- 25:59acho que era o esporte base das crianças.
- 26:02Assim, para não. Minha folga era uma piscina,
- 26:04então eu fiz natação. É grande parte da minha vida,
- 26:08acho que até acho que assim, dos 2 aos 9 anos assim, eu fazia
- 26:11natação e eu odiava. Eu achava muito ruim, eu não
- 26:14gostava de fazer, achava um saco ter que ir, aí tava frio, eu
- 26:18tinha que entrar na piscina e aí quando exato eu achava muito
- 26:22ruim. Aí até teve uma época que minha
- 26:23mãe começou a fazer aula comigo para ver se me incentivava e eu
- 26:26ficava tipo, meu Deus, não quero.
- 26:28E aí eu saí e eu fui fazer aula de dança.
- 26:31E eu gostava muito de fazer aula de dança.
- 26:33Eu fui fazer balé clássico, depois fui fazer dança
- 26:36contemporânea. EE, eu amava, eu achava muito
- 26:39legal, enfim, só que. Dança no menos esporte que
- 26:43gastava tanta caloria quanto a natação.
- 26:45E aí foi uma outra questão, sabe porque eu ganhei peso na época
- 26:49que eu comecei a dançar e aí depois, tipo, que eu fui ficando
- 26:53um pouco mais velha. Um dia eu virei para minha mãe e
- 26:55falei assim, mãe, eu quero emagrecer, tipo eu com 13 anos,
- 26:59porque olhando para ela, tipo, mãe, eu quero emagrecer.
- 27:01Aí ela virou para mim e falou assim.
- 27:02Filha, você estava mais magra quando você fazia natação.
- 27:06E aí eu voltei a fazer natação, depois mais velha, e eu odiava
- 27:10mesmo assim. Então não deu certo.
- 27:13E aí depois eu entrei num colégio que era integral, então
- 27:16que não dava mais pra fazer atividade física, anão ser que
- 27:18eu entrasse naqueles times de handebol, futebol, vôlei.
- 27:22E eu odiava o esporte com bola. Exato, eu odiava o esporte com
- 27:25bola. Então pra mim isso não era uma
- 27:27opção. E aí eu fiquei 100% sedentário.
- 27:29Meu ensino médio inteiro eu não praticava nenhum tipo de
- 27:31esporte, tinha tipo horror a esporte e falava para as pessoas
- 27:35que eu não gostava de me exercitar, enfim, era
- 27:37extremamente sedentária. Só que também aí meio que linkou
- 27:41com as questões, com alimentação, porque porque eu
- 27:44não estava me exercitando, aí eu começava a restringir a minha
- 27:46alimentação. Só que assim, naquela época eu
- 27:50nem sabia o que que era. Caloria, tipo isso é uma coisa
- 27:52que eu acho que querendo ou não, graças a Deus, acho que me
- 27:54protegeu um pouco naquela época. Porque hoje em dia eu acho que a
- 27:57gente tem muito acesso à informação e as meninas da
- 27:59cidade, elas têm muito acesso, tipo, Ah, caloria, déficit
- 28:02calórico, o que que você faz pra emagrecer?
- 28:05Então, na minha cabeça, o que eu fazia, eu ficava tipo, Ah, sei
- 28:07lá, fazia um jejum horroroso, só que depois me acabava no pão de
- 28:11mel e ficava tipo, ué, porque que eu não emagreci, sabe?
- 28:14Então era meio assim, tipo, eu não fiquei muito magra.
- 28:17Mas eu também não. Não engordei tanto assim na
- 28:20época do meu ensino médio, mas era uma questão porque, tipo,
- 28:23comparado com as minhas amigas do ensino médio, eu não era mais
- 28:26magra, eu nunca era mais magra, sempre, e eu me sentia, eu não
- 28:29me sentia bonita, tipo, era hall assim.
- 28:32Eu tinha uma ótima muito frágil nessa época, então, e o esporte
- 28:36para mim era uma coisa assim muito.
- 28:38Eu tinha medo de falar que eu queria praticar porque eu sabia
- 28:40que eu não IA ser boa, porque eu não me sentia confortável nesses
- 28:42ambientes. Tipo, para mim, academia era um
- 28:44lugar muito hostil. Então eu só fui conseguir me
- 28:49conectar com isso depois da pandemia.
- 28:51Assim, eu acho que na pandemia principalmente, porque, enfim,
- 28:54eu perdi familiares muito próximos.
- 28:56E aí eu ficava só dentro de casa.
- 28:57Eu falei, meu Deus, eu preciso fazer alguma coisa?
- 29:00E aí foi quando eu comecei AA correr, e aí era bom porque eu
- 29:03corria sozinha, então ninguém me via correndo.
- 29:05Então se eu tivesse correndo, porque eu já ouvi esse tipo de
- 29:07coisa, as pessoas falavam pra mim que eu corria feio, tipo
- 29:10umas coisas meio absurdas, até isso.
- 29:13E o meu professor de educação física uma vez falou isso pra
- 29:16mim, que eu corria muito feio, que eu corria estranho, e aí até
- 29:19isso pra mim era uma insegurança praticar esporte.
- 29:21Eu falava tipo gente, não, então vou ser sedentária.
- 29:24Porque pelo menos ninguém me enche o saco, entendeu?
- 29:27E aí eu comecei a correr na pandemia, no na perto da minha
- 29:30casa. Não tinha ninguém na rua E eu
- 29:32corria sozinha. E eu fiz isso.
- 29:34Por tipo, toda a pandemia 2020, 2021 que a gente ficou
- 29:37enclausurado. Eu corria tipo, sei lá, não era
- 29:40todo dia, mas era meio que tipo, Ah, o momento que eu comecei a
- 29:44ver com mais prazer, atividade física assim.
- 29:46E aí depois eu conto um pouco mais, enfim, do da minha
- 29:49história, tipo hoje em dia e como que o esporte é presente na
- 29:52minha vida? Mas o tanto que foi difícil
- 29:54assim pra mim é primeiro mudar o meu estilo de vida é ser uma
- 29:58pessoa mais ativa, e hoje em dia eu sou uma pessoa mais ativa da
- 30:00minha família. Todo mundo fala aqui, não
- 30:02acredita até hoje o tanto que eu sou ativa, mas porque eu tive
- 30:06muito esse, esse período assim, de vergonha, e eu, e eu acho que
- 30:09isso também é uma coisa muito comum para as meninas, tipo
- 30:12aulas de educação física. Não era um lugar muito
- 30:14inclusivo, sabe? Era muito voltado pros outros.
- 30:22É, eu sou. Exatamente assim.
- 30:24Eu acho que além de não ser boa, eu não é incentivada a tentar.
- 30:30Então, tipo assim, e aí teve um momento que eu pensei, não.
- 30:35Então então eu vou tentar, porque eu acho que eu posso ser
- 30:38boa nisso, ou pelo menos eu vou me divertir.
- 30:39E aí eu lembro que eu jogava muito vôlei no horário do almoço
- 30:43e gente, eu tenho. Para quem tá escutando, eu tenho
- 30:451 m e 51. Eu sou tipo desse tamanho.
- 30:49Então, assim, cada vez que eu ficava na rede era um sufoco,
- 30:52né? Porque alguém levanta o braço,
- 30:54não tem nem comparação. Mas eu lembro que era muito
- 30:56divertido. De certa forma, eu não.
- 30:59Agora, falando para vocês, eu lembro que era tão divertido
- 31:03fazer isso, porque eu acho que de alguma forma liberava,
- 31:05endorfina. Né?
- 31:06E nessa época a gente não sabia direito, né?
- 31:09Os hormônios ali, então era por isso, tipo, eu me me divertia
- 31:13tanto naquele processo, ficava com o cabelo todo suado, mas era
- 31:17divertido. Eu não via naquele momento ali,
- 31:19eu não me via como preciso emagrecer, não estou no padrão,
- 31:22eu só estava me divertindo, mas eu também fui adolescente, que
- 31:24ficava com meu livro. Num cantinho assim tipo AI não,
- 31:27eu não vou nem correr porque eu não chego nem No No como eles
- 31:31estão correndo AI não vou nem me esforçar.
- 31:33Então eu ficava no cantinho da Quadra assim lendo AI tô com
- 31:35cólica, tava sempre lá dando pra não pra não fazer parte não.
- 31:40E eu era. Sempre a última a ser escolhida
- 31:42em todos os times, de todos os jogos, era sempre eu que
- 31:45sobrava. E aí, e aí foi meio que assim,
- 31:47eu olhava e falava tipo, tá, então eu não sou bom.
- 31:49Então eu meio que abraçava isso, sabe?
- 31:51Tipo, Ah, eu não sou bom mesmo, mas é porque eu não quero.
- 31:54E começava no carisma. É.
- 31:56Isso aí, bom, gente, eu queria muito.
- 32:00Ouvir de vocês, porque eu sou amiga da Amanda, vejo ela, a
- 32:03vida ativa dela, e eu estou acompanhando a Laís agora.
- 32:05Eu também super ativa. Aí eu queria muito saber, enfim,
- 32:08disso, da história de vocês. Vou contar brevemente da minha
- 32:10que foi um pouquinho. É uma experiência um pouquinho
- 32:12diferente, mas é ótimo que é nelo.
- 32:15Contrasta com a gente, entendeu? Mas.
- 32:17Não muito amiga, não. Muito não, porque eu acho que de
- 32:20criação, minha família sempre foi muito ativa.
- 32:23Meu pai, gente, ele não para quieto, para é é uma loucura.
- 32:26Teve uma vez que ele se machucou, machucou as costas,
- 32:28ele não podia fazer exercício, não podia jogar o tênis dele,
- 32:30ele ficou grilei da cabeça, mas enfim, de criação.
- 32:34Eu e minha irmã sempre fui muito incentivada AA fazer esporte,
- 32:37meu irmão sempre jogou bola, eu não fui sem da bola também, eu
- 32:41sou que nem vocês, não tenho muita habilidade, mas na minha
- 32:44escola a gente era muito incentivado a fazer esporte e eu
- 32:47sinto que o ambiente da minha escola era muito saudável nesse
- 32:50quesito. Não sei porque a aula de
- 32:52educação física, gente, era aula favorita de todo mundo.
- 32:55Eu vejo vocês falando de tipo AI meu Deus, eu não, não gostava.
- 32:58Enfim, não sei se isso mudou depois eu mudei de escola no
- 33:01ensino médio e nessa escola nem tinha educação física, mas
- 33:05enfim, é, não sei se isso mudou, mas até o fundamental assim, a
- 33:08gente adorava aula de educação física, era queimada e não era
- 33:12só futebol, as mulheres se sentiam incluídas, eu acho, pelo
- 33:16menos eu me sentia, enfim, era uma cultura maravilhosa, todo
- 33:19fazia capoeira. É, era um momento de integração,
- 33:23entendeu? Do esporte, todo mundo fazia
- 33:25capoeira, depois todo mundo foi fazer vôlei, eu amava, eu fazia
- 33:28sempre esses esportes, é na escola, só que a minha
- 33:31experiência do ensino médio, eu me identifiquei muito com vocês.
- 33:34Eu era uma adolescente muito retraída, eu não gente, eu não
- 33:36mexia meu corpo um dia da semana no meu ensino médio.
- 33:39Isso foi em parte pela rotina e eu acho que isso eu percebi
- 33:43muito isso, porque eu acho que como a minha formação principal
- 33:46aconteceu na minha época de ensino médio, por muito tempo eu
- 33:48me vi como uma pessoa sedentária, sendo que toda a
- 33:51minha infância eu tinha sido uma criança muito ativa.
- 33:53Então porque agora eu me vejo como uma pessoa sedentária,
- 33:55porque nos meus anos formativos eu tava sendo muito sedentária.
- 33:58Só que foram anos muito infelizes, assim eu era muito
- 34:01foi, foi difícil, foi uma época difícil e eu associo em parte
- 34:05como esporte que eu não mexi no corpo e.
- 34:09E isso também teve um impacto na minha imagem corporal, porque
- 34:12foi na época que eu comecei a associar a minha, digamos, boa
- 34:15forma com um corpo ideal. Então eu não estava mexendo no
- 34:19meu corpo. Aí eu começava a me andar no
- 34:21espelho. Gente, eu lembro de, sei lá, 10
- 34:23horas da noite, estava fazendo abdominal no meu quarto para
- 34:25tentar fazer alguma coisa, entendeu?
- 34:27Tipo, aí mexeu no meu corpo e depois teve a pandemia.
- 34:31Eu comecei a fazer umas Exercícios em casa.
- 34:33E agora eu acho que eu finalmente cheguei num lugar bom
- 34:36de novo com relação a esse de exercício de ok, eu sei que me
- 34:40traz Felicidade, relacionou me a época muito triste da vida com
- 34:43uma época que eu não fazia exercício.
- 34:45Mas eu queria perguntar de vocês, Laís, você fala sobre
- 34:48isso no seu artigo do sotaque que dos seus 25 anos virou uma
- 34:51chavinha? Você falou que você via
- 34:53exercício como punição. Só que você começou a ver o
- 34:56exercício como algo para mostrar o seu corpo, que você ama ele e
- 35:00não que você odeia ele e. Como?
- 35:03Como que foi? Essa mudança de chavinha, olha.
- 35:06Dos meus 9 até os meus 14, eu realmente odiava o meu corpo
- 35:15assim. Mas eu tenho clara certeza que
- 35:18eu só odiava porque os meus familiares faziam comentários
- 35:22inofensivos que faziam com que eu odiasse ele.
- 35:25A partir do momento que eu comecei a emagrecer, por conta
- 35:27da atividade física e da minha alimentação, eu me senti muito
- 35:30mais poderosa e confiante, porque eu acho que foi pela
- 35:33primeira vez que eu comecei a me sentir bonita, sabe?
- 35:37É bizarro isso porque, além de compensar no carisma, eu me via
- 35:41contar, agora eu tenho um corpo talvez aceito para as pessoas, e
- 35:45aí a atividade física me ajuda. Ajudou muito nesse lugar.
- 35:47Eu acho que a atividade física me salvou de tantas formas ao
- 35:50longo dos meus 29 anos que eu não consigo nem numerar.
- 35:53Porque, por mais que eu fui colocado ali, a força pros meus
- 35:56pais, é com uma forma de me controlar desde o início.
- 36:01Ao mesmo tempo, esse lugar me salvou muitas vezes porque.
- 36:05Sendo uma adolescente ativa desde sempre, fez com que eu
- 36:09conseguisse controlar um pouco a minha ansiedade que eu me visse,
- 36:12que eu visse que o meu corpo era capaz de fazer, então sem querer
- 36:16eu me sentia muito mais forte e resistente pra.
- 36:19Todo, todo o resto sabe, isso da chavinha dos 25 anos, foi
- 36:22exatamente na pandemia também parecido com vocês, mas eu acho
- 36:26que por ter sido uma adolescente jovem, adulta, muito ativa, o
- 36:30período pandêmico foi absurdo pra todo mundo, eu acho, mas
- 36:33assim, foi horrível. Eu acho que eu ficava muito
- 36:36tempo dentro de casa e gente, era um caos, era um caos dentro
- 36:39da minha cabeça. Eu não conseguia pensar direito,
- 36:42todos os livros que eu abria pra ler não eram suficientes e
- 36:45ficava entediada, foi péssimo. E aí eu percebi o.
- 36:49Quanto a atividade física fazia parte da minha vida.
- 36:52E aí o primeiro momento depois que eu comecei, né?
- 36:56Comecei a fazer caminhadas pelo bairro de máscara.
- 36:59Depois eu já já tomei as vacinas e tudo mais.
- 37:02Primeira coisa que eu fiz foi voltar pra academia.
- 37:04Só que a diferença é a Laís do início dos 16.
- 37:08É completamente da Laís do início dos 24 pra 25.
- 37:12Eu não era mais a pessoa que gostava tanto assim de
- 37:14musculação. Eu até gostava de spinning, mas
- 37:17a academia que eu me inscrevi era mais perto da da minha nova
- 37:20casa, não tinha spinning, então eu tive que fazer escolhas.
- 37:24Aí eu voltei pra musculação e me sentia muito fora daquele lugar.
- 37:28Eu ficava tipo, não, não, só eu. Eu preciso de um cardio, eu
- 37:32preciso me movimentar, eu preciso suar, eu preciso ficar
- 37:34Chapadinha de investida. De alguma forma, a musculação
- 37:37não é o suficiente. E aí eu lembro que uma amiga na
- 37:40época falou assim, Ah, eu faço aula de crossfit funcional, é,
- 37:43quem sabe você não faz uma aula experimental?
- 37:45Eu fiquei, nossa, será eu numa aula de grupo, logo eu aqui não
- 37:49era escolhida, tipo assim, não, não, acho que não.
- 37:52E aí eu vi os stories dela nessas aulas de funcionário
- 37:55crossfit e falei, meu Deus, que legal, que legal, que legal.
- 37:58Gente, eu fiz uma aula experimental e eu nunca mais
- 38:00saí. Foi incrível.
- 38:02Eu acho que a comunidade de crossfit assim, muito parecida
- 38:05com a comunidade da corrida, depois que eu percebi que eu
- 38:08preciso fazer parte de uma comunidade para me sentir
- 38:10querida pelas pessoas, então isso também virou a chavinha
- 38:13para mim. Por mais que eu ame correr
- 38:15sozinha, é muito bom. Quando se você está em
- 38:17comunidade também sabe que você consegue trocar figurinha e as
- 38:21pessoas não vamos, eu te acompanho, eu vou no seu ritmo.
- 38:23Acho que isso faz toda a diferença para te incentivar.
- 38:26E aí foi nesse momento a minha virada de chave, de passar do
- 38:30período de odiar o meu corpo e punir ele e querer me esconder
- 38:34para expandir ele. Porque eu gostava do que eu tava
- 38:37vendo. Eu gostava que eu era forte, que
- 38:39eu era capaz. Então eu acho que ter me visto
- 38:41nesse outro lugar fez toda a diferença.
- 38:43Mas para isso eu precisei fazer muitos anos de terapia, entender
- 38:47que punição não era uma forma de amor ao meu corpo, que toda vez
- 38:52que eu fazia isso. Alguma coisa dentro de mim
- 38:54ficava ainda, sabe? Repercutia da minha
- 38:57adolescência, então eu não queria mais ser aquela pessoa.
- 39:00Eu queria mudar isso, porque é o que eu comentei no texto do do
- 39:04substeck, onde é o meu corpo por muitos anos.
- 39:06É tempo demais, sabe? Eu não queria mais me ver nesse
- 39:09lugar. Então eu acho que essa chavinha
- 39:11começou a mudar quando eu comecei a me sentir mais
- 39:13confiante e comecei a explorar outros esportes além dos
- 39:17clássicos que todo mundo fala, não vai, faz musculação, faz
- 39:21natação, sabendo que tem tipo muitas modalidades.
- 39:23Para você escolher e ser boa em alguma delas, sabe?
- 39:27Sim, eu, eu acho muito. Forte.
- 39:29Isso que você falou é saber. A vida é muito curta para a
- 39:32gente passar muito tempo odiando nosso corpo, sabe, cara?
- 39:36Assim, que energia que você tem que gastar para odiar o seu
- 39:40corpo, para se preocupar em como manter um corpo ideal assim,
- 39:43acho que isso ainda é uma coisa muito recente para mim, assim de
- 39:47conseguir me desgarrar um pouco. Dessa, desse controle, sabe
- 39:51sobre o meu corpo e o tanto que é libertador isso, sabe?
- 39:54E aí falando um pouquinho sobre a minha experiência com o
- 39:57esporte, tanto que, enfim, eu já falei várias vezes no podcast,
- 40:01mas a Laís também é da da minha assessoria de corrida.
- 40:05E a corrida Ela Foi muito importante para mim, porque foi
- 40:09o primeiro lugar em que eu me encontrei assim.
- 40:12Eu falei, caraca, eu gosto muito de fazer isso, eu sou boa.
- 40:16Também teve esse lado de tipo, porque eu consegui correr
- 40:18rápido. Depois é que assim corri muito
- 40:20tempo antes de fazer assessoria, porque eu corria daquele jeito
- 40:22que eu falei lá na pandemia. Então quando eu entrei na
- 40:25assessoria de corrida, que eu já corri uns 23 anos, eu já tinha
- 40:28experiência, sabe? E aí eu comecei a ver que tipo,
- 40:32eu IA ter um treinamento especializado, que IA ter alguém
- 40:34se preocupando com o que que eu IA fazer, que eu IA fazer um
- 40:36treino de tiro, IA fazer um treino longo.
- 40:39Eu nem sabia o que que era isso. Aí comprei um relógio.
- 40:42Foi todo aquele momento assim, comoção, e acho que foi muito
- 40:46importante para mim. Todas as conquistas que eu tive
- 40:49na corrida, assim, as distâncias que eu consegui percorrer, eu
- 40:52corri até 16 maratona. Laís, também Diva, arrasou.
- 40:56EE. Isso para mim foi uma coisa
- 40:58muito grande assim. Eu lembro que na minha primeira
- 41:01meia maratona é, eu tava correndo, né, no começo, e aí
- 41:05teve uma pessoa, 11 corredor, que parou do meu lado e ele
- 41:08olhou e ele falou assim. É, essa é sua primeira prova.
- 41:12E aí eu falei Pra Ele assim, de meia maratona, é porque era uma
- 41:15prova, era SPCT, que é uma prova em São Paulo que ela tem ou 42
- 41:18ou 21. Aí ele falou, que distância que
- 41:21você tá fazendo? Eu tô fazendo 21 km.
- 41:23Aí ele olhou pra mim e falou assim, cara, de todas as pessoas
- 41:26que eu tô vendo aqui, você é a pessoa mais feliz da corrida
- 41:30assim. Tipo, transparece muito pelo seu
- 41:32rosto que você está muito feliz. É muito engraçado isso, porque
- 41:36você está tipo sorridente e eu nem percebia, sabe?
- 41:38Mas é porque eu estava muito feliz mesmo, porque eu eu olhei
- 41:41para aquilo, eu falei, cara, eu estou fazendo uma coisa muito
- 41:43grande assim, que eu nunca achei que eu IA ser capaz de fazer 21
- 41:46km. Para mim, é uma distância
- 41:47absurda. Eu ainda acho uma distância
- 41:49enorme. Mas assim, poder percorrer
- 41:51aquilo, poder correr tipo uma coisa é você caminhar a 21 km.
- 41:55Agora você correr durante 21 km, é muita pouco assim ficar no.
- 41:59Período de restrição ano passado fez uma cirurgia, eu fiquei 2
- 42:02meses sem correr. Gente, nossa, realmente 1 km,
- 42:06muita coisa, dona, muita coisa. Eu fiquei tipo, exato, aprendi a
- 42:10isso de novo, porque a gente acaba no mundo na corrida que
- 42:13você Ah, 10 km é de boa. Ah gente, 1 hora correndo é
- 42:16tranquilo. Mas na hora que você fica
- 42:18totalmente restrita, EE volta nossa é completamente diferente,
- 42:23não? E eu tive um começo na corrida,
- 42:25não sei como é que foi pra vocês.
- 42:27AI gente, desculpa, agora vai virar um papo de corrida, mas
- 42:29daqui a pouco a volta. Mas é que.
- 42:31Quando eu comecei, é, não tinha blogueira de corrida, não era
- 42:36forte, tipo, eu não tinha o boom da corrida, sabe?
- 42:38Porque foi 2020. Então pra mim, tipo, 1 km era
- 42:42coisa pra caramba, tipo, eu olhava pra 1 km, eu falava,
- 42:46gente, isso é uma distância assustadora.
- 42:47Eu não conseguia correr 1 km. Eu corria com aquele aplicativo
- 42:51da Nike no celular e eu lembro que tipo, os meus total exato
- 42:56com aquele, com aquele aplicativo que pausava, que
- 42:58marcava tudo errado e tal, e aí eu corria com aquilo.
- 43:01Aí eu não aguentava correr, tipo assim, 100 m, porque eu já
- 43:04ficava super ofegante e eu começava a caminhar.
- 43:06Só que aí eu fui começando correr, corriando, corriando,
- 43:08vou conseguir, vou conseguir. E eu lembro que as minhas
- 43:10conquistas, elas não eram por tempo, não era por nada, mas era
- 43:13tipo, caraca, hoje eu corri 4 km, tipo, eu caminhei, tipo, eu
- 43:18percorri essa distância no meu dia, sabe, 4 km, isso é muito
- 43:22grande assim. Então eu acho que eu tive muito
- 43:24essa relação com o início da corrida, de tipo realmente
- 43:27celebrar as minhas conquistas, porque eu chegava em casa suado
- 43:30e falava, gente, 4 km, tá? Ninguém da minha família corria,
- 43:33então pra eles era tipo, uau, você fez 4 km aqui?
- 43:37Eu tipo aham, tipo, minha família nem sabia que.
- 43:40Ator era 42 km, entendeu? Então era uma coisa meio muito
- 43:44intangível, assim pra minha família.
- 43:46Então acho que a corrida ela veio muito desse lugar de eu
- 43:49conseguir enxergar força em mim assim, sabe, de de tipo, putz,
- 43:53Mano, eu consigo e isso o esporte.
- 43:56Ele teve um papel muito importante na minha vida
- 43:58profissional, na minha vida como estudante, como pessoa, como,
- 44:02enfim, mais confiante. Porque foi quando eu vi que
- 44:06cara, eu me propus a um desafio e eu consegui cumprir esse
- 44:09desafio e isso foi muito forte pra mim.
- 44:12Tipo, eu não desisti, eu dei conta, eu dou conta, eu sou
- 44:16forte. Então foram muitos ensinamentos
- 44:18assim. A corrida me ensinou muita coisa
- 44:20nesse sentido e eu amo, eu sou apaixonada, eu corro sempre, é
- 44:24tipo, minha prioridade semanal é os meus treinos de corrida.
- 44:28E eu tenho muito respeito a esse esporte assim, mas é uma coisa
- 44:31que também eu acho que encaixa para mim, porque eu também não
- 44:33acho que todo mundo tem que gostar de correr, sabe?
- 44:35Tipo, pode ser muito chato para muitas pessoas, mas eu me
- 44:38encontrei num esporte e isso fez muita diferença para mim.
- 44:41Mas isso foi assim já na faculdade, depois, tipo, já sabe
- 44:46mais velha que eu fui realmente. Encontrar alguma coisa que eu
- 44:49gostasse, enfim, e que realmente me orgulhei pela primeira vez de
- 44:53falar, que cara, não, eu sou esportista.
- 44:54Eu sou esportiva, tipo eu, eu pratico esportes com frequência.
- 44:58Eu não sou sedentária, sabe? Mas, Ana Lúcia, se você quiser
- 45:01contar um pouco da sua trajetória no esporte, também em
- 45:02ciência da corrida, gente. É que eu estou entre 2
- 45:06corredoras e eu não sou corredora.
- 45:08Eu já fiz atletismo quando eu era criança.
- 45:10Eu fiz tipo por bastante tempo. Mas eu odiava longa distância.
- 45:15Para mim, era o tiro. Eu gostava do Salto.
- 45:18E eu também não sei, não acho que AI muito meu perfil, mas eu
- 45:20faço musculação, só queria. Fazer um só.
- 45:22Queria fazer um disclaimer que o Ana Lu, a gente foi para a praia
- 45:25e a gente foi apostar a corrida até o mar.
- 45:27A analu me deu um banho, tipo assim, juro.
- 45:30Ela correu muito rápido. Tipo, eu era rápido, juro.
- 45:33Assim. Foi um foi um negócio aí, gente,
- 45:35eu sou uma corredora experiente, sabe?
- 45:37Tipo, eu corro rápido. Até meu ela correu muito mais
- 45:40rápido que ela é muito Diva. Não sei o que.
- 45:44Que era. Eu era muito rápida quando eu
- 45:45era criança e tipo, hoje em dia, gente, eu não corro, tá?
- 45:48Não nem na academia, exato, são apenas eu fiquei impressionada,
- 45:52tô orgulhosa de mim demais, Diva.
- 45:55Meu objetivo era ser saudável, entendeu?
- 45:57Eu saí de uma fase muito ruim na tipo pré pandemia, ensino médio,
- 46:02que eu não mexia meu corpo pra ok pessoas mexer no nosso corpo
- 46:06e eu comecei a fazer personal. EE tipo que é um privilégio que
- 46:10muita gente não tem, mas eles sempre perguntam, né, qual é a
- 46:12sua prioridade? E eu sempre falava, gente, eu
- 46:14quero ter um corpo saudável, porque isso também vou falar e a
- 46:17gente vai fazer alerta de gatilho antes do episódio.
- 46:20Mas eu sou uma pessoa que eu reconheço que eu sou muito
- 46:22obsessiva, entendeu? Então, se eu entro numa Noia,
- 46:25sair dessa Noia, vai ser muito difícil, entendeu?
- 46:27Então eu sempre me me policiei muito em relação a isso de.
- 46:31Comer de enfim, do meu corpo, porque se eu entrasse em
- 46:35qualquer buraco, IA ser muito difícil sair.
- 46:37Então, até de falar para mim mesma, de falar para as outras
- 46:40pessoas, entendeu? Eu sempre me policiei muito.
- 46:42Tipo, não, eu não estou fazendo academia para ficar com o corpo
- 46:44da Bruna Marquezine. Tipo, eu estou fazendo academia
- 46:46porque eu quero ser saudável. E eu acho que isso de
- 46:50afirmações, para mim mesmo, ajudou muito eu anão entrar num
- 46:55num ciclo vicioso assim em relação ao meu corpo.
- 46:57Então é, é mais isso. Eu faço esporte ainda hoje pra
- 47:01me manter saudável e eu acho que eu estou num lugar bom assim.
- 47:04E eu comecei a fazer musculação mais a Sério recentemente e eu
- 47:07estou gostando de ver meus músculos crescerem, tipo, eu
- 47:09estou numa fase bem boa. Mas falando sobre isso, eu acho
- 47:13que seria legal a gente falar um pouco sobre esse momento
- 47:15cultural que a gente está vivendo, que todo mundo está
- 47:18vendo, que está todo mundo praticando esporte.
- 47:19E eu, gente, eu sinto que não era assim, mas eu eu sinto
- 47:24também que apesar. De eu ver vários impactos
- 47:27positivos dessa cultura, fitness, wellness.
- 47:30Eu também vejo um lado muito negativo que eu não acho
- 47:33necessariamente que essa cultura vem desse lado que a gente
- 47:35acabou de falar, de amar o seu corpo e fazer o esporte porque
- 47:38você quer, enfim, seu corpo um tempo você quer, enfim, mas
- 47:42principalmente anúncio que eu vejo muito No No Instagram, no
- 47:44Tik talk, que é de tipo. Ó o Carnaval.
- 47:47Tá chegando em cadê o shape do seu corpo?
- 47:49Não vem de um lado bom assim de vamos fazer seu corpo só da
- 47:52veia. Olha esse corpo ideal, você não
- 47:54quer ter esse corpo? Até aparece até AI de um
- 47:57guaxinim eu não estou criticando necessariamente, mas é um
- 48:00anúncio que apareceu muito para mim, o TikTok, que é o
- 48:02aplicativo de um guaxinim que ajuda você a controlar sua
- 48:05alimentação. Enfim, vários anúncios realmente
- 48:07que essas plataformas impulsionam, que fazem parte
- 48:10dessa cultura wellness. E eu não sei necessariamente se
- 48:13vem de um lado bom, eu não tenho necessariamente uma opinião
- 48:15formada. Eu queria realmente ouvir de
- 48:16vocês. Laís é nosso especialista no
- 48:18tema, que já falou várias vezes. Eu quero muito ouvir de você.
- 48:22O que você acha desse momento cultural que a gente tá vivendo?
- 48:25Olha, eu acho. Que.
- 48:27É muito estranho quando a gente sai de um momento onde na
- 48:33verdade não sai, né? A gente maquia aquele momento de
- 48:36que nossa, vamos o corpo, corpos positivos.
- 48:40A gente vê esse momento em todos os lugares.
- 48:44Para voltar para um outro momento de novo, de canetas
- 48:47emagrecedoras pessoas, Ah, tome esse suplemento aqui para você
- 48:50emagrecer, pare de comer isso. Esse daqui é um inibidor de
- 48:53apetite, AI é muito cansativo. As as lojas tipo departamento
- 48:59começam a diminuir o tamanho das roupas para que você consiga
- 49:02emagrecer e caiba naquelas roupas.
- 49:04Eu acho que é um movimento que eu gostaria de ter uma visão
- 49:07muito positiva sobre, Ah, não futuramente as novas gerações,
- 49:11mas eu acho que é algo que sempre vai estar meio que.
- 49:13Acompanhado ou maquiado por um tempo e vai estar sempre
- 49:17intrínseco. Eu acho que nessa, nesse
- 49:20momento, assim, AO que eu mais faço é me proteger.
- 49:23De que forma eu me protejo nas minhas redes sociais?
- 49:27Eu acompanho pessoas que eu realmente me identifico.
- 49:30Eu acho que ser uma pessoa que não tem um corpo padrão, e
- 49:34compartilhei isso com uma, sendo uma pessoa que abriu o caminho,
- 49:38facilita também para outras pessoas identificarem, inclusive
- 49:42hoje mesmo quando antes de. Gravar o episódio, eu fui num
- 49:45evento de corrida e aí vieram 2 pessoas falar comigo, que
- 49:48acompanha o meu trabalho, que começaram a correr por conta de
- 49:51mim. E eu sou tipo gente, eu sou uma
- 49:53corredora, que assim eu sou uma corredora lenta, eu vou no meu,
- 49:57eu queria as minhas playlists, o meu momento é outra, é outra
- 50:00coisa, sabe? Eu acho que é muito mais a ver
- 50:02com a minha saúde mental do que com a estética do meu corpo.
- 50:06Eu acho que o corpo meio que ventra como segundo plano e
- 50:09consequência. Essa semana que eu que eu
- 50:12comentei com vocês que foi meio estressante.
- 50:13Meu trabalho é a corrida. Eu tava me sentindo tanta falta
- 50:17da corrida das minhas músicas assim, eu fechava o olho e eu
- 50:20podia quase sentir o pós corrida em hoje na pós corrida, porque
- 50:24eu sabia que esse momento IA me deixar um pouco mais leve, sabe?
- 50:28Eu acho que é isso. Assim, por mais que a gente
- 50:30tenha um movimento de magras, magras, magras em todos os
- 50:33lugares, eu acho que a gente precisa ser auto consciente,
- 50:36sabe do tipo, tá, por que que isso tá me influenciando?
- 50:40Isso tem alguma coisa a ver comigo.
- 50:41Por que que me toca nesse lugar e de qualquer forma, se
- 50:45proteger? O máximo que você consegue sendo
- 50:47com as suas, com as suas amigas, é falando sobre isso em terapia,
- 50:52seguindo pessoas com corpos normais e outra coisa, saindo de
- 50:56casa. Eu acho que quando você sai de
- 50:58casa, as pessoas ao seu redor. Elas têm aquele corpo do
- 51:02Instagram, quando você vai na praia, as pessoas são iguais as
- 51:05as do Instagram. Eu acho que esse exercício me
- 51:07ajuda muito, principalmente quando eu tô em fase de TPM, que
- 51:11eu fujo dos espelhos aqui de casa eu fico tipo assim, não,
- 51:14não tá, vou deixar o seu lado em casa, eu vou dar uma volta aqui
- 51:16na Quadra pra respirar um pouco e isso me ajuda muito, sabe?
- 51:20Então, por mais que seja um movimento que tá em todos os
- 51:23lugares, eu acho que a gente precisa se proteger de alguma
- 51:26forma pra não cair nesse limbo de.
- 51:28Nossa, será que eu deveria emagrecer também, já que tá todo
- 51:30mundo emagrecendo, sabe? Se questionar mais, eu tenho uma
- 51:33relação. Assim também um pouco diferente.
- 51:36Mas eu quando começaram a surgir as blogueiras fitness, eu era
- 51:40sedentária. Então era uma época que eu ainda
- 51:41não eu não praticava muito esporte.
- 51:43E aí foi quando eu comecei a correr e tal usei.
- 51:46Eu me inscrevi numa academia. Aí eu falei, putz, vou começar a
- 51:49seguir. Eu não acompanhava esse nicho.
- 51:50Se não era para mim algo que eu acompanhava, eu falei, eu vou
- 51:52começar a seguir blogueiras fitness para elas me
- 51:55incentivarem. E aí eu segui a manucite na.
- 51:59Época e ela era Diva. Ela era a Diva que acordava 4
- 52:03horas da manhã para treinar, então era um negócio que tipo
- 52:06assim, eu acordava de manhã para treinar e eu estava querendo não
- 52:08querendo ir. E eu já vi que ela já tinha
- 52:10acordado. Eu abri o meu Instagram e aí eu
- 52:12vi que ela já tinha acordado, que ela já tinha treinado e eu
- 52:14falava, não está bom, preciso ir.
- 52:16Então teve uma época que isso foi bom pra mim.
- 52:19Assim, vou vou ser bem sincera, que me trouxe muita disciplina
- 52:22assim, porque antes eu era uma pessoa que treinava uma vez por
- 52:25mês e depois eu largava e não IA de novo na academia, enfim.
- 52:28Então eu comecei a treinar, só que ainda naquela época do
- 52:32começo dela, ainda era um pouco mais saudável, porque tinha
- 52:36aquela estética cavalona, sabe? Que todo mundo queria crescer,
- 52:39música, ser forte, aí que tem que comer não sei o que.
- 52:43E eu também. Eu tava tipo, nossa, meu Deus,
- 52:45quero pegar 200 kg no leg dress, tipo, era outra, outra Vibe
- 52:50assim, outra relação. E aí com o passar do tempo, até
- 52:52com o crescimento da corrida, que eu acho que a corrida ela
- 52:55veio muito, como o esporte também emagrecedor.
- 52:58É por isso que teve esse boom tão grande, que é um esporte que
- 53:01gasta muita caloria. Não vou mentir aqui para vocês,
- 53:03tipo assim, você vai fazer um longo, você gasta muito mais
- 53:05caloria fazendo isso do que musculação.
- 53:07E aí ainda era uma coisa meio saudável.
- 53:09Só que depois de um tempo, os conteúdos começaram a mudar, as
- 53:12blogueiras começaram a mudar e todos começaram a emagrecer
- 53:14muito. E começou uma outra dinâmica
- 53:17assim, e eu já corria, só que aí eu comecei meio que entrar na
- 53:20pilha delas também, sabe? Tipo, Ah, não precisa comer
- 53:23tanto, sabe? Você tá tipo, correndo, gente,
- 53:26desculpa se você corre, você tem que comer muito.
- 53:28Todos os meus amigos sabem que, tipo, eu sou uma pessoa que eu
- 53:30como muito, porque eu gasto muita energia e eu preciso repor
- 53:34essa energia. Mas eu comecei a acompanhar
- 53:36meninas que não repunham essa energia e isso começou a ser uma
- 53:40coisa que eu comecei a levar para mim também, tipo, Ah.
- 53:43Não vou comer tanto, vou comer normal, só que não, gente, se eu
- 53:46corri, sei lá, por exemplo, 15 km, eu preciso comer muito mais
- 53:50do que eu, como quando não corri nada, sabe?
- 53:52E aí isso começou a ter uma influência muito negativa pra
- 53:55mim, até um ponto que eu cheguei e falei assim, cara, não, eu vou
- 53:57parar de seguir todo mundo, eu vou parar de seguir todas as
- 54:00influências fitness que me dão qualquer tipo de gatilho, ou
- 54:03porque elas têm um corpo diferente do meu, que é um corpo
- 54:06mais magro, ou porque elas fazem comentários que eu acho que são
- 54:09comentários transtornados. Ou porque elas têm uma rotina
- 54:12muito diferente da minha, que não trabalham e que não têm uma
- 54:15vida com vivem? Disso exato que tem uma.
- 54:19Disponibilidade muito maior para poder fazer o esporte.
- 54:22E aí eu parei de seguir todo mundo, tipo, eu só continuei
- 54:24seguindo as divas, por exemplo, a Laís, que é uma Diva aham, que
- 54:28não é tóxica, entendeu? Então, se você quer ter uma
- 54:31inspiração de lifestyle, ela eu indico de olhos fechados.
- 54:34É, mas também tem outras pessoas também que eu acho que tem uma
- 54:37vida mais equilibrada e que mostram muito como conciliar
- 54:40também, porque eu acho importante assim, eu nunca vou
- 54:42voltar a ser sedentária. Eu vou fazer esporte para
- 54:44sempre, mas eu quero que isso seja leve e eu quero que eu veja
- 54:47prazer nisso e que não tenha só um fim estético.
- 54:49Porque, gente, pelo amor de Deus, tipo, eu faço atividade
- 54:52física porque eu quero. Meu poder levantar da privada
- 54:55quando eu for idosa, sabe? Carregar minhas compras no
- 54:57mercado, tipo exato, eu quero ter um.
- 54:59Coração saudável. Você foi para no Monte também,
- 55:02sabe? Eu acho que é isso, tipo assim,
- 55:05nossa, como é que você consegue, sei lá, ficar 3 dias num
- 55:08festival de música? Gente, porque o meu corpo está
- 55:10forte, porque eu tenho resistência, porque eu tenho
- 55:13constância com atividade física. Exato, eu acho que atividade
- 55:16física. Eu gosto muito quando ela sai
- 55:18desse lugar. Só para pessoas Maromba e ela
- 55:21expande isso para outras pessoas, no sentido de saúde e
- 55:25tudo mais. Eu acho que a funcionalidade,
- 55:27né? Exato aquela influenciadora Mari
- 55:28krigger. Nossa, ela é ótima, ela sempre
- 55:31fala do poder da da musculação, o quando isso é importante, o
- 55:35quanto a partir de de uma certa idade, você começa a perder 2%
- 55:40de se eu não me engano, são 2% de músculo por ano, e aí você
- 55:43precisa repor e tudo mais. Então, tipo assim, é um lugar
- 55:46onde a atividade física ela deveria muito ser vista como pra
- 55:50longevidade. Sabe o corpo que você quer, o
- 55:53corpo que você está construindo agora é o que você vai ter
- 55:55quando você tiver 60 anos, sabe? Nossa, muito interessante.
- 55:58Mas eu queria. Chegar um pouquinho mais isso
- 56:00que a gente falou de comparação, que eu acho que na internet tem
- 56:02muito isso e você fala disso um pouco no seu artigo do suvsteck
- 56:05também. E você falou que você tem que se
- 56:08vigiar até hoje nesse sentido de Ah, eu vou me comparar com os
- 56:12outros. E daí surge uma desafia
- 56:14corporal, eu queria saber, você já comentou um pouco que você
- 56:17parou de seguir algumas pessoas? Quais são os métodos assim que
- 56:20você usa? Tem mais alguma coisa que você
- 56:22usa para se policiar, enfim, para não entrar nesse ciclo
- 56:25vicioso? Olha, eu acho.
- 56:26Que hoje? Eu tento não ser tão crítica
- 56:30comigo mesma. Provavelmente vocês também
- 56:33passam por isso, ainda mais nós mulheres.
- 56:35Eu tento acolher todas as fases que eu tô passando.
- 56:38Então, por exemplo, no ano passado, eu fiz uma cirurgia e
- 56:41eu precisei ficar 2 meses sem me movimentar da forma que eu me
- 56:44mexia antes. E foi um processo muito do tipo
- 56:48nossa, eu não vejo a hora de poder andar na esteira, não vejo
- 56:52a hora de poder fazer bicicleta, não vejo a hora de movimentar o
- 56:55meu corpo, levantar peso e tudo mais.
- 56:57Eu acho que quando você sai desse lugar de restrição
- 56:59absoluta, você começa a ter 11 olhar mais saudável com as
- 57:03coisas que você faz. Então assim, hoje a dismorfia
- 57:06corporal para mim, ela ainda existe, mas é algo que eu estou
- 57:10sempre vigilante do porquê que eu estou me vendo desse jeito,
- 57:13sabe? Seja por influência das redes
- 57:15sociais, que inclusive. Não deixar notificação já me
- 57:19ajuda muito, porque aí quando eu estou no Instagram, quando eu
- 57:22estou no TikTok, eu estou consciente, porque se não
- 57:25qualquer notificação você acaba clicando e você vai para um
- 57:28limbo. Então eu acho que é isso, além
- 57:30de estar vigilante com todas as minhas ações, que é meio
- 57:33cansativo, não vou mentir. Acho que às vezes a gente se vê
- 57:37no lugar de que é muito fácil romantizar a vida das outras
- 57:39pessoas, mas não é bem assim também.
- 57:42Quando eu estou enfrentando fases difíceis com meu corpo, eu
- 57:45tento entender da onde é que está vindo isso.
- 57:47AI meu trabalho que tá estressante e aí eu preciso
- 57:49descontar do meu corpo. AI a minha vida pessoal amorosa,
- 57:52que tá meio desequilibrada, e aí eu vou descontar no meu corpo?
- 57:56E tipo assim, se você começar pra a reparar os sinais, você
- 58:00meio que tem esse exercício de auto consciência, sabe?
- 58:03De autoconhecimento. E é isso que eu fiz nos últimos
- 58:05anos de terapia também. Acho que quando você começa a
- 58:09tirar essas. Essa culpa de outros lugares e
- 58:13botar no seu corpo ou botar na atividade física, meio que tudo
- 58:16muda, sabe? Hoje eu tenho atividade física
- 58:19como mesmo. Se eu estou enfrentando dia
- 58:21ruim, mesmo se eu não descansei o suficiente, eu me movimento
- 58:25nem que seja 30 minutos por dia, porque eu acho que isso impacta
- 58:28na minha saúde mental, sabe? Na minha ansiedade, então meio
- 58:32que o exercício físico ele saiu muito daquele lado de Ah, eu
- 58:36preciso fazer a todo custo pra não eu preciso fazer, porque a
- 58:39minha saúde mental. Depende disso daqui, sabe?
- 58:43Eu acho que a dismorfia corporal, ela vem muito desse
- 58:45lugar também. Eu tento não me comparar tanto
- 58:49com as influenciadoras que eu acompanho e realmente tento,
- 58:52tipo assim, não, mas ela vive disso, é o trabalho dela, o
- 58:56corpo dela é diferente, quantas pessoas ela tem para cessorar,
- 58:59os suplementos que ela usa é diferente, o biotipo dela é
- 59:01diferente. Eu acho que quando a gente está
- 59:03vigilante e autoconsciente, a gente meio que se protege de
- 59:07certa forma, porque se realmente se eu só For Me comparar com a
- 59:10Manu City. É muito complicado, eu também
- 59:12adoro acompanhar ela. Eu acho que nos anos para cá ela
- 59:15tem enfrentado outras nuances também, né?
- 59:18Saindo mais desse lado de músculos e tudo mais e
- 59:21emagrecendo bastante. Mas aí eu começo AA me apegar a
- 59:24outras coisas, tá? Ela acorda cedo, ela consegue
- 59:27fazer isso, mas ela vive disso, esse é o trabalho dela, sabe?
- 59:31Meio que eu tento, eu mesma, eu IA, eu IA e as minhas 2 gêmeas
- 59:35conversando aqui, não, mas olha só, não, mas calma, ela faz
- 59:38isso, ela vive disso, sabe eu? Trabalho dela.
- 59:41Então acho que é isso. Assim, tentar me comparar, mas
- 59:45de uma forma consciente e me perguntar o porquê que eu tô me
- 59:48comparando, tipo, o que que nela tem de diferente?
- 59:52E como que eu posso me proteger de uma certa forma, sabe?
- 59:55Não sei se eu respondi, mas eu acho que eu tento me proteger o
- 59:59máximo que eu consigo estando autoconsciente, sim, Amanda
- 1:00:02antes. De eu passar a palavra para
- 1:00:03você, eu só queria falar um comentário.
- 1:00:06Me lembrar de uma figurinha que eu tenho que é eu não treino
- 1:00:09para ficar gostosa, gostosa. Eu sempre fui.
- 1:00:11Eu treino para não ficar maluca. Eu vou te mandar.
- 1:00:14É muito. Boa, eu amei, amei, amei.
- 1:00:18Eu tive muita. Dismorfia corporal, mas eu tive
- 1:00:20dismorfia não, eu me senti gorda.
- 1:00:22Devo eu me sentir mais magra do que eu era.
- 1:00:25É, eu acho que isso veio muito de um lugar quando eu era mais
- 1:00:28nova, de as pessoas comentarem muito sobre o meu corpo, sabe?
- 1:00:31Então, eu não tinha muito uma imagem corporal.
- 1:00:33Isso foi uma coisa que eu fui desenvolver muito mais velha,
- 1:00:36tipo, eu não conseguia ver o meu corpo, tipo, eu não conseguia
- 1:00:38entender, enxergar o quanto que meu corpo.
- 1:00:41Ocupava nos lugares. As pessoas faziam comentários do
- 1:00:43tipo, Ah, você precisava emagrecer?
- 1:00:45E aí eu ficava tipo, gente, mas eu não acho que eu preciso
- 1:00:48emagrecer. Eu acho que eu tô normal, só
- 1:00:49preciso normal. E assim, realmente eu era.
- 1:00:51É só porque as pessoas eram muito cruéis, mas.
- 1:00:54Isso me levou, mas isso me levou a ter uma dismorfia corporal
- 1:00:57também. Assim, isso foi muito difícil é
- 1:01:01de lidar. E aí depois eu passei por um
- 1:01:02processo de emagrecimento e aí eu tive dismorfia corporal do
- 1:01:05lado de eu me sentir maior do que eu realmente era.
- 1:01:08E eu acho que, assim, uma coisa que me ajuda muito, tipo quando
- 1:01:11eu tô com um pouco com essas crises, é evitar olhar no
- 1:01:14espelho. Eu sei que às vezes isso pode
- 1:01:16ser a meio contra intuitivo, mas às vezes a gente olha no
- 1:01:19espelho, a gente se vê maior do que a gente realmente é, sabe?
- 1:01:21Então é isso, exato. Tipo, tem várias vezes que eu me
- 1:01:26olho no espelho e eu falo, cara, eu tô enorme.
- 1:01:28Essa roupa não caiu bem, tipo, eu não tô me sentindo
- 1:01:30confortável, e aí eu vou pro evento com a roupa que eu não tô
- 1:01:33me sentindo confortável. A gente tira foto e aí eu vejo
- 1:01:35que, tipo, não tem nada a ver, que aquilo era da minha cabeça,
- 1:01:38sabe? E outra.
- 1:01:38Coisa, se você tá fazendo tudo que você faz, se você tá
- 1:01:41cuidando da sua alimentação ou tá numa semana estressante,
- 1:01:44acabou, sei lá, comendo mais de uma sobremesa ou se você tá num
- 1:01:48contexto onde você tá de TPEP. Mas você está fazendo tudo que
- 1:01:51você pode, está fazendo seus treinos de corrida, está fazendo
- 1:01:53a sua musculação. Cara, é só uma fase, sabe?
- 1:01:57Dorme o que passa é só uma fase. Exato, dorme.
- 1:01:59O que passa. Então, uma coisa que me ajuda
- 1:02:02muito, tipo com esses momentos de dismor que às vezes tira foto
- 1:02:06e assim tira foto, não olhar para foto naquele momento,
- 1:02:09porque eu estou com o olhar da dismorfia e depois eu vejo a
- 1:02:13foto, porque aí eu consigo tipo, me tranquilizar um pouco mais
- 1:02:17assim. Eu já fiz isso várias vezes
- 1:02:18assim em dias que eu estava me sentindo.
- 1:02:20Mal, eu não estava me sentindo bem com meu corpo, aí falou, não
- 1:02:23tá bom, vou tirar uma foto minha e aí não vou ver agora, mas vou
- 1:02:26ver depois. Isso vai me acalmar um pouco,
- 1:02:29porque assim olhar no espelho às vezes acaba sendo um pouco
- 1:02:32angustiante. Assim, nesses momentos é, mas eu
- 1:02:35acho que assim, já melhorei muito a relação com meu corpo.
- 1:02:38Hoje em dia eu tenho muito mais consciência corporal.
- 1:02:40Acho que a dismorfia também vem muito de uma falta de
- 1:02:43consciência corporal, que eu acho que eu tinha muito.
- 1:02:45Principalmente por conta do sedentarismo.
- 1:02:48Acho que quando a gente não mexe o nosso corpo, a gente não sabe
- 1:02:50o que que o nosso corpo pode fazer, o que que ele ocupa, do
- 1:02:53que que ele é capaz. E a gente não olha muito para o
- 1:02:55nosso corpo quando a gente não se exercita.
- 1:02:57Então, o exercício físico também foi muito importante para eu
- 1:03:00entender assim o que o meu corpo é, como que ele é tipo, qual que
- 1:03:04é o formato do meu corpo? Sabe a gente?
- 1:03:05Eu não tinha noção nenhuma. Tipo, era uma coisa meio.
- 1:03:08Absurda assim. Por exemplo, se eu me visse de
- 1:03:10costas, eu acho que eu não IA conseguir me reconhecer se
- 1:03:12tivesse o meu cabelo, sabe? Porque eu não sabia como era o
- 1:03:15meu corpo. E assim, eu sei que sou uma
- 1:03:18experiência tipo bem peculiar e particular minha, mas foi algo
- 1:03:22que dificultou muito a questão do do morfia para mim.
- 1:03:25Mas, enfim, melhorei muito. Hoje em dia eu acho que eu tenho
- 1:03:28uma consciência corporal boa, até comparado com outras
- 1:03:31pessoas, mas ainda acho que sempre a gente tem algo a
- 1:03:33melhorar. E a questão do espelho?
- 1:03:36Assim, para mim é crucial, assim, evitar espelho quando eu
- 1:03:40tô me sentindo mal, porque é um ciclo meio vicioso.
- 1:03:43Concordo, nossa. Esses tempos eu tava fazendo
- 1:03:46aquela trem de de voltar 10 anos para 2016 e vira e mexe eu sou
- 1:03:50bem saudosista. Eu gosto muito de olhar as
- 1:03:53minhas outras fases e me acolher de certa forma, né?
- 1:03:56Muitos anos de terapia. E aí eu olha as minhas fotos
- 1:04:00adolescentes assim e fico pensando, meu Deus, linda.
- 1:04:03Sabe o cabelo lindo, o corpo, a estética, meio que eu ainda
- 1:04:07tenha a mesma estética, mas eu ficava, eu ficava.
- 1:04:10E eu lembro que nessa época era algo muito do tipo assim, não,
- 1:04:12olha, eu preciso melhorar o meu cabelo.
- 1:04:14Essa roupa ficou feia. Eu não sou igual a tal pessoa da
- 1:04:16minha escola. Eu sempre tinha algo assim, e
- 1:04:20hoje eu olho e meio que eu tipo, fico assim, caraca.
- 1:04:22A gente passou por todas essas fases juntas, sabe?
- 1:04:25Tipo, vem me acompanhando e é muito.
- 1:04:28Eu olho com muito carinho assim, sabe?
- 1:04:30Tipo para aquela adolescente que olha enfrentar o mundo e todas
- 1:04:33as coisas e opiniões. É quando você é muito nova,
- 1:04:37gente tem que ser muito blindada.
- 1:04:39É impossível você vim pra parte adulta, né?
- 1:04:41Passar dos 19 pros 20 com a cabeça tranquila, tipo assim, é
- 1:04:45impossível. Por isso que a terapia ajuda
- 1:04:47muito nisso, porque senão você realmente começa AA direcionar
- 1:04:51pra outros lados assim, total. Achei muito bonito isso, de
- 1:04:55enfim curar a sua infância, sua adolescência, olhando pra trás e
- 1:04:59vendo essa pessoa como parte de você.
- 1:05:01E ela tá aqui comigo ainda. Achei muito bonito, Laís.
- 1:05:05Queria perguntar se a gente, o pior, podia encaminhar para o
- 1:05:07final do episódio. Se vocês têm alguma mensagem de
- 1:05:08final para para falar, Laís, você para os seus seguidores que
- 1:05:12estão ouvindo aqui é eu acho que.
- 1:05:14Acho que talvez assim falar um pouco do que que você acha que
- 1:05:17precisa mudar, sabe assim, um conselho ou alguma coisa?
- 1:05:21Acho que isso é muito legal também, porque, enfim, o que que
- 1:05:24você falaria para você mais nova?
- 1:05:25Ou se você olhar, tem uma irmã mais nova assim, eu acho que meu
- 1:05:28principal conselho assim é exatamente isso que eu comentei
- 1:05:33agora, tentar acolher as suas fases e abrir as suas mudanças,
- 1:05:36porque eu acho que a gente não é o nosso 100% todos os dias.
- 1:05:41E é muito difícil você já ter que lidar com as vozes da sua
- 1:05:44cabeça. As vozes das pessoas que estão
- 1:05:46te acompanhando, no meu caso, que sou criadora de conteúdo,
- 1:05:49mas de qualquer forma, né? Os nossos amigos às vezes também
- 1:05:52podem fazer algum comentário que vá para outro lado.
- 1:05:54É mais as vozes da televisão, das redes sociais, é muita gente
- 1:05:59falando ao mesmo tempo. Então eu acho que o que me ajuda
- 1:06:02mesmo é ter esse exercício de auto consciência de entender
- 1:06:06porque é que eu tô desse jeito e como que eu consigo me proteger
- 1:06:10disso e realmente acolher. As versões que a gente foi para
- 1:06:14conseguir olhar para frente. Porque se a gente sempre ficava
- 1:06:17voltando para o passado, não porque eu sofri muito quando eu
- 1:06:19era adolescente, não porque eu era muito compulsivo quando eu
- 1:06:22era adolescente. Eu acho que eu ficar voltando
- 1:06:24toda hora é muito cansativo, porque você não consegue ter
- 1:06:27espaço para olhar para frente, então isso é algo que me ajuda
- 1:06:30muito. Assim, eu curei muitas dessas
- 1:06:32feridas. As cicatrizes ainda estão aqui,
- 1:06:35mas ao mesmo tempo eu não fico mais lá porque não tem mais
- 1:06:37ninguém lá. Agora eu estou olhando para
- 1:06:38frente e a Laís da frente, a Laís da frente vai fazer 30
- 1:06:42anos. A Laís da frente está em outro
- 1:06:44momento de transição de carreira, sabe?
- 1:06:46Eu começo. Não me vê em outros lugares que
- 1:06:49só foi possível lutar nesses lugares porque a Laís lá de trás
- 1:06:53deu esse primeiro passo, esse primeiro impulso.
- 1:06:56Então eu acho que é isso, sabe? Acolher muito as suas mudanças e
- 1:06:59fases e entender que realmente é um momento.
- 1:07:02Se hoje você tá enfrentando alguma questão, sei lá, seja
- 1:07:04profissional, seja no seu corpo que você tá fazendo, tudo que
- 1:07:07você consegue fazer, eu gostaria de fazer algo diferente.
- 1:07:10Tenta entender que é realmente uma fase e às vezes essas fases
- 1:07:13são importantes para que a gente consiga passar por isso, sabe?
- 1:07:17Eu acho que essa linearidade na vida não existe.
- 1:07:19Está o dia o tempo todo feliz, está o tempo todo triste, não
- 1:07:23existe. Eu acho que é tipo você se
- 1:07:25autopoliciar e entender que está respira fundo e é só uma fase.
- 1:07:29Daqui um pouquinho, tudo muda, ou semana que vem, 9 mulheres,
- 1:07:32inclusive, que temos 4 semanas no mês diferentes, uma de cada
- 1:07:35uma. Eu tento me acolher assim, essa
- 1:07:38semana eu tava muito emotiva e eu assim, tá, que semana do mês
- 1:07:40que Ah, tá, vai descer, é por isso que eu tô assim, sabe?
- 1:07:43Eu meio que tá eu, beleza. Então nessa fase aqui eu preciso
- 1:07:47ter um pouco mais de carinho comigo.
- 1:07:49Tá tudo bem comer um bolo de chocolate, tá tudo bem, eu pego
- 1:07:52comer uma, tomar uma coquinho zero, sabe?
- 1:07:54Eu começo a me acolher mais AI muito.
- 1:07:57Obrigada, assim. Mas só mais uma coisa, antes da
- 1:08:00gente terminar o episódio, Laís, eu queria perguntar, qual que é
- 1:08:05a música da semana? A semana que você indica aqui
- 1:08:07para os nossos ouvintes, eu e analô, a gente sempre recomenda
- 1:08:10as nossas músicas. A gente tem uma playlist no
- 1:08:12Spotify e IA ser muito especial se você compartilhasse com a
- 1:08:16gente a música que você enfim tá curtindo essa semana.
- 1:08:20Olha eu. Tenho por ter passado por alguns
- 1:08:23dias sem poder escutar música, porque eu estava trabalhando num
- 1:08:26evento. Eu tava com muita saudade da
- 1:08:28minha playlist de favoritos e há uma que tem tocado sempre assim
- 1:08:33na minha playlist. É a nova música do Harry Styles.
- 1:08:35Eu não sei se vocês escutam, mas eu estou apaixonada por essa
- 1:08:39música, porque eu acho que reflete muito um novo momento de
- 1:08:41mundo assim, que é um não imediatismo, gente, ele começa a
- 1:08:45introdução. A introdução tem 40 segundos.
- 1:08:48Ele vai cantar ou lá perto de 1 minuto.
- 1:08:50Então assim, ó, eu tô amando essa Nova Era.
- 1:08:53Acho que é muito anti TikTok, anti redes sociais, né?
- 1:08:57Que é você demorar mais para introduzir as músicas.
- 1:09:00Então acho que a nova música do Harris.
- 1:09:01Estou muito empolgado pelo álbum, inclusive você vai no
- 1:09:04show. Vou no show.
- 1:09:06Ah, eu não tinha conseguido comprar ingresso.
- 1:09:08Você vai também? Eu vou.
- 1:09:10AI, que legal. AI, meu Deus, eu sou.
- 1:09:13Muito. Fã.
- 1:09:14Eu acho que eu tinha esquecido um pouco.
- 1:09:16Eu sempre escuto uma ou outra os outros álbuns, mas por ele ter
- 1:09:19ficado no miato de 4 anos, eu pensei não, tudo bem, então vai
- 1:09:23ser igual Rihanna que a gente escuta mesmo assim, mas né, não
- 1:09:26tá ali presente e ele na em maratonas e não sei o quê.
- 1:09:30E agora que ele veio com tudo, eu percebi o quanto que eu gosto
- 1:09:33de escutar. É muito louco isso sim, eu já.
- 1:09:35Comentei algumas vezes aqui no podcast que ele escolheu uma
- 1:09:38aposentadoria precoce, e aí ele? Foi lá e não Ana Lúcia.
- 1:09:42Tá errada? Exatamente. 11 fase.
- 1:09:45Ainda bem mais madura, né? Tipo diferente assim, gente?
- 1:09:49A minha? Vai ser brasileira?
- 1:09:54Vai ser da Nanda tsunami? É, eu descobri ela faz pouco
- 1:09:58tempo assim. Foi no podcast dela, ela
- 1:10:01mentira, foi indicação de uma amiga minha e depois eu escutei
- 1:10:04no podcast dela ela. Brandão também foi indicação e
- 1:10:07tem uma música dela que se chama oi linda.
- 1:10:09Essa música é muito boa e eu acho que ela casa um pouco com
- 1:10:13com o tema do nosso episódio. Porque ela é muito voltada, tipo
- 1:10:17empoderamento feminino. E aí nós somos mulheres muito
- 1:10:20fodas e lindas, enfim, e essa vai ser minha música da semana.
- 1:10:25Eu acho ela muito boa e é isso. E você, Ana Lu, Ah, eu amei a.
- 1:10:29Recomendação da da no tsunami. Porque eu estou ouvindo bastante
- 1:10:32ela agora, mas eu nem conhecia a.
- 1:10:34Diva, eu ouvindo podcast da lela e fiquei tipo assim, tava, ouvi
- 1:10:37depois, gente, não tá muito? Boa tem 2 músicas, tem 2 músicas
- 1:10:41que eu recomendo essa oi linda e tem uma Pitty também que é muito
- 1:10:45boa, tipo. Essa tá viralizadinha.
- 1:10:47Aí eu estava escutando ela, mas a minha recomendação é
- 1:10:50influenciada pela Amanda, que ela recomendou uma música do
- 1:10:53João Gomes em um dos nossos episódios passados.
- 1:10:57Aí eu fui ouvir, né? Eu estou ouvindo muito AA
- 1:11:00playlist da nossa formatura. E quando eu não estou ouvindo a
- 1:11:03playlist da nossa formatura, eu estou ouvindo o João Gomes.
- 1:11:05Então a minha recomendação vai ser beija flor do João Gomes,
- 1:11:10beija flor, beija flor, essa música é linda.
- 1:11:13Mas antes da gente finalizar Laís, a gente já mencionou a
- 1:11:16Lola Brandão nesse episódio, faz parte do nosso bingo.
- 1:11:19A gente vai fazer uma cartela de bingo dos nossos episódios,
- 1:11:21porque todo episódio sempre fala das mesmas coisas da pandemia da
- 1:11:25lela Brandão, enfim, tem temas recorrentes.
- 1:11:28A gente se refere a ela como nossa mãe.
- 1:11:31E você é nossa. Irmã mais velha eu queria
- 1:11:33perguntar se você aceita esse posto de irmã mais velha?
- 1:11:37Eu amei sim. Nossa, eu, quando eu conversei
- 1:11:40com vocês, primeira vez assim, eu conheci a Amanda.
- 1:11:43Eu acho que eu gosto muito de me ver nesse lugar, de poder
- 1:11:47influenciar mulheres mais novas e poder ser vista como
- 1:11:50referência por mulheres mais velhas também.
- 1:11:52Então eu acho que por estar ali meio no limbo, ainda não pulei
- 1:11:56pros 30, ainda tô nos 29. Eu acho que eu me vejo muito
- 1:11:59nesse lugar de poder, né? Dar conselhos.
- 1:12:02Então sim, eu amei. Eu amo a lela também, minha web
- 1:12:05amiga. Ela é tudo.
- 1:12:07Adoro os podcasts também. Ela eu queria.
- 1:12:09Inclusive que eu estou usando uma blusa que eu comprei na da
- 1:12:12loja da Lala Brandão e eu usei um cupom Cel Laís, AI que legal.
- 1:12:18Tudo eu também estou usando, que é essa daqui.
- 1:12:20A gente eu amo, inclusive isso é um ótimo, um ótimo tópico
- 1:12:24também. Gente, usar roupas do seu
- 1:12:26tamanho faz toda diferença para você ser mais confiante?
- 1:12:28Nossa. Quando você não fica?
- 1:12:30Usando roupa que é menor do que seu tamanho, cara, se você usa,
- 1:12:33sei lá, 40, usa 40, minha filha, porque se não você vai ficar se
- 1:12:37diminuindo tentando caber num tamanho que não te cabe mais,
- 1:12:40que você não serve. Exato que você não serve?
- 1:12:42Exato. E é só e é só um número.
- 1:12:45É só um número. É só uma letra.
- 1:12:47Isso não não significa nada. Exato, exato, total, exato.
- 1:12:51Laís, é só queria te agradecer 1000 vezes assim.
- 1:12:54Você é a primeira convidada que a gente recebe aqui, então tinha
- 1:12:57que ser muito especial. E você é, eu estava te
- 1:13:00acompanhar. Eu amo os seus conteúdos.
- 1:13:01Se você não conhecia a Laís, gente, a gente vai deixar todas
- 1:13:04as informações dela na descrição desse episódio.
- 1:13:06Enfim, muito obrigada, Laís. Gente, muito.
- 1:13:09Obrigada vocês pelo convite, é eu desejo todo sucesso e clareza
- 1:13:13nas ideias pra vocês. Eu acho que vocês são 2 mulheres
- 1:13:16jovens e trazem assuntos assim que a gente precisa da luz,
- 1:13:20sabe? Então eu acho que vocês estão no
- 1:13:22caminho certo, assim, estão trilhando o próprio caminho de
- 1:13:26vocês. Eu acho que o podcast merece
- 1:13:28sim, né? Ter mais ouvintes e ser mais
- 1:13:31escutado, porque eu acho que são assuntos que são super
- 1:13:33relevantes. Então muito obrigada pelo
- 1:13:35convite, sempre que quiserem a gente pode bater um.
- 1:13:39Ah, não? Pode deixar que vão surgir
- 1:13:41muitos outros convites. Esse foi só um dos seus artigos,
- 1:13:46você tem vários pra serem debatidos, sim, EE é isso também
- 1:13:50queria agradecer pela presença, por ser a nossa primeira
- 1:13:53convidada, por toda paciência, por ter conversado comigo quando
- 1:13:57você nem me conhecia, enfim, isso faz muita diferença,
- 1:14:00diferença pra gente que é pequenininho e tá querendo
- 1:14:02crescer. E a gente acredita muito no
- 1:14:04nosso projeto. E agora você faz parte dele
- 1:14:07também, muito obrigada. Bom, gente, foi essa a.
- 1:14:12Nossa entrevista com a Laís. Eu espero que vocês tenham
- 1:14:14gostado. Se você é novo aqui, seja
- 1:14:17bem-vindo. Se você ficou até o final, muito
- 1:14:19obrigada. Sim, eu espero que vocês.
- 1:14:21Tenham gostado. A gente amou ter a Laís aqui com
- 1:14:24a gente, poder falar sobre esse tema com mais profundidade e
- 1:14:27sensibilidade também. Eu acho que isso é uma coisa que
- 1:14:29falta muito. A gente não tava falando sobre
- 1:14:32tipo peso ou coisa. Sentido.
- 1:14:34E então e Era Para Ser um episódio leve.
- 1:14:36Eu espero que, enfim, se vocês quiserem também compartilhar um
- 1:14:40pouco da vida, da trajetória de vocês também, isso vai ser muito
- 1:14:43rico para gente. A gente tem muito carinho pela
- 1:14:45comunidade que a gente tem aqui do podcast, então é a gente fica
- 1:14:49muito feliz para além disso comunicados gerais, né?
- 1:14:52Vamos lá, é nós. Somos.
- 1:14:54Só mais uma coisa. Ponto pode no Instagram e no
- 1:14:58TikTok. Então, por favor, acompanhe a
- 1:14:59gente por lá. No Instagram a gente tem os
- 1:15:02posts sobre os episódios. A gente também publica as
- 1:15:04músicas da semana, que tem uma playrich no Spotify.
- 1:15:08Essa semana vão ser 3 músicas da semana, porque a gente vai ter
- 1:15:11da nossa convidada. Então a playrich vai?
- 1:15:13Ficar maior no nosso TikTok. A gente publica os cortes dos
- 1:15:17episódios, então se tiver algum trecho do episódio que você
- 1:15:20queira compartilhar com algum amigo ou alguma coisa vai estar
- 1:15:23por lá. Então acompanhe a gente por lá
- 1:15:24também, é? Nós também estamos disponíveis
- 1:15:27no Apple Music, YouTube e aqui no Spotify.
- 1:15:30No YouTube, no. Spotify em vídeo, então vocês
- 1:15:32podem assistir a gente, mas também nada impede vocês de só
- 1:15:35escutar. Exato, a gente também tem uma
- 1:15:38comunidade no WhatsApp que vocês podem entrar pelo link que está
- 1:15:41no Instagram e também na descrição aqui do do episódio.
- 1:15:45É por lá que a gente solta os avisos.
- 1:15:46Episódio novo também é pergunta ideias para o nome de episódio e
- 1:15:51onde vocês podem estar mais próximos da gente também.
- 1:15:53Nada impede vocês de comentarem aqui.
- 1:15:56Não esqueçam de avaliar o podcast com 5 estrelinhas.
- 1:15:59Isso é muito importante para gente e compartilhar, né?
- 1:16:02Se você gostou desse episódio, compartilha com quem você
- 1:16:05gostou, com quem você gosta, com quem você acha que precisava
- 1:16:07ouvir. É isso, gente?
- 1:16:09Eu queria. Só um agradecimento final a
- 1:16:11Laís. Esse episódio foi muito especial
- 1:16:13aí, gente, Ela Foi muito fofa. Eu adorei esse episódio, mas é
- 1:16:16se você quer ouvir mais da gente.
- 1:16:17A gente já tem vários episódios publicados e a gente lança
- 1:16:20episódio toda. Semana uau toda.
- 1:16:22Quinta-feira a gente tá aqui, tem o episódio fresquinho para
- 1:16:24vocês escutarem. Então é isso, gente, vejo vocês
- 1:16:27semana que vem até tchau.