Latest / Chá de coragem, com Elisama Santos. / Ep. 37 - VOCÊ É MAIS QUE SEU TRABALHO. Chá de Coragem com Elisama Santos
Transcript
- 0:00Alto desempenho, alta performance, números, final de
- 0:06ano chegando e a gente fica meio assim, né?
- 0:09Meio doido, analisando a vida profissional e achando que ela
- 0:12define que a gente é. Mas o que que essa cobrança faz
- 0:15com a nossa saúde mental? Como é que a gente vive em
- 0:19ambientes que a gente não pode errar?
- 0:22Aceita chá de coragem? Também é outubro, né, gente?
- 0:38Quer dizer, quando você for ver esse episódio, vai ser novembro,
- 0:40OK? Eu gravo com um pouquinho de
- 0:43antecedência e eu também chocada que a gente tava falando.
- 0:47Você tá chocada também tá chocado com a constatação de que
- 0:522025 praticamente acabou. E eu?
- 0:58Eu tenho uma relação com esse passar do tempo e com o que eu
- 1:04acho que eu deveria ter realizado ao longo de cada ano,
- 1:08muito conturbada. Talvez seja uma relação que
- 1:13precise muito melhorar, porque eu fico muito ansiosa com essa
- 1:19análise do que que eu fiz no ano.
- 1:21É como se eu pudesse olhar para trás.
- 1:25E medir se foi um ano que valeu a pena ou não, se foi um ano que
- 1:29foi bom ou não pelas minhas realizações.
- 1:33Eu não posso dizer para você que as realizações não são
- 1:35importantes, que olhar e falar, nossa, eu tive essa e aquela
- 1:39Conquista e isso foi muito legal.
- 1:41Não é importante, mas será que dá para a gente definir um ano
- 1:46pelo trabalho, pelo que a gente realiza?
- 1:49É, eu estou num momento. Com foco profissional muito
- 1:54grande, sabe a minha libido, a minha energia.
- 1:58Ela está muito voltada pro trabalho, muito voltada pro
- 2:01trabalho. Eu estou num num ano
- 2:04absurdamente criativo, numa época muito criativa.
- 2:07Eu estou escrevendo um livro novo, eu estou cheio de ideias e
- 2:13quando eu estou assim, eu tenho uma tendência ainda maior.
- 2:18A olhar o trabalho com algo que define que eu sou e eu sei que
- 2:22isso não é só meu. Isso é muito cultural.
- 2:26Se eu pergunto quem você é, em regra, você começa a descrever
- 2:31na sua profissão, Ah, eu sou um engenheiro, eu sou uma
- 2:35fotógrafa, eu sou um escritor, eu sou cantor, eu sou ator.
- 2:40Eu, a gente acaba definindo muito de quem a gente é pelo que
- 2:46a gente faz. E isso é muito insano, da gente
- 2:51parar pra pensar, porque quem a gente faz é só uma.
- 2:54O que a gente faz é só uma parte de que a gente é a elisama
- 2:57escritora, a elisama profissional.
- 3:00É só uma parte da elisama, sabe? E eu percebi que eu consegui.
- 3:06Eu aprendi a colocar limites em muitas das minhas, das minhas
- 3:09relações. Eu tenho mais facilidade de
- 3:12colocar limite na minha relação no casamento, de demonstrar os
- 3:14meus limites com os meus filhos. Com com amigos.
- 3:20Mas no trabalho é muito difícil ainda no trabalho ainda é muito
- 3:27difícil olhar para algo e falar assim, eu faria isso sim em 3
- 3:35dias, mas eu me desgastar, enlouquecidamente.
- 3:38Eu quero pedir uma semana, sabe? É muito difícil.
- 3:43Porque eu acho ainda que essa que entrega tudo com rapidez,
- 3:48com com inteireza, que entrega tudo assim, nossa, essa vida,
- 3:54enfim, essa roupinha, essa personagem eu quero continuar
- 3:58vestindo. E eu esqueço que é essa
- 4:01personagem que faz tudo, que entrega tudo, que dá conta de
- 4:05tudo, que analisa a vida pelo que faz.
- 4:09Ela me deixa muito adoecida. Ela me deixa muito exausta, ela
- 4:14me deixa muito mais ansiosa. Eu já falei aqui em outros
- 4:17episódios que eu tenho uma relação muito difícil com os
- 4:19meus erros. Apesar de ser uma pessoa que
- 4:22arrisca, que arrisca muito, eu eu tenho uma tendência a
- 4:27arriscar e falar, vamos pra cima, vamos tentar.
- 4:29Se eu não gostar, não gostei, aí eu tento de novo.
- 4:32Eu não sou uma pessoa que aceita com muita facilidade o meu erro,
- 4:36sobretudo na vida profissional. Eu não sou uma pessoa que olha e
- 4:42fala, nossa, esqueci essa data, trazer uma entrega, gente, assim
- 4:47de falar meu coração acelera, para ser honesta com vocês, só
- 4:52de falar meu coração acelera. Eu dou palestras há mais de 10
- 4:58anos. Eu nunca perdi um voo, nunca,
- 5:02nunca perdi um voo. Eu sou enlouquecida com o
- 5:05horário. Eu cheguei a atrasar atrasado
- 5:08numa palestra nesses 10 anos uma única vez, por um erro das
- 5:12agendas que na minha cabeça eu estava chegando com meia hora de
- 5:15antecedência. Estava chegando meia hora de
- 5:17atraso, porque eu sempre vou chegar com antecedência.
- 5:20E nesse dia que eu cheguei com atraso, o mundo estava caindo
- 5:24para mim, sabe? Eu cheguei e aí as pessoas já
- 5:27sabiam o que tinha acontecido, já sabia que tinha tinha
- 5:29acontecido um erro na agenda, já sabia que tinha acontecido um
- 5:32desencontro nas informações. Mas na hora que eu cheguei, a
- 5:36pessoa falou, Ah, mas você quer? Era 11 evento de
- 5:40empreendedorismo, eu acho. Eu IA falar sobre conversas, né?
- 5:43E aí a pessoa falou, você não quer parar, você não quer beber
- 5:46uma água, gente, eu falei, não, só me dá o microfone, eu vou
- 5:49subir no palco que as pessoas estão me esperando.
- 5:52Naquele momento eu não estava nem lembrando se eu estava
- 5:54cansada, se eu estava nervosa, se eu podia beber uma água, se
- 5:56eu queria fazer um xixi, nada. Eu tinha que cumprir o que eu
- 6:01tinha acordado e era um absurdo eu estar meia hora atrasada
- 6:04quando eu achei que estava meia hora adiantada.
- 6:06E eu tava ali num nível de tensão, porque eu tinha que
- 6:10fazer aquilo do melhor possível. Ali eu tinha que compensar as
- 6:15pessoas pelo meu atraso. Eu tinha que entregar 10 vezes
- 6:17melhor que depois que saiu eu ainda tava muito acelerada.
- 6:23Aí tentando ver com a equipe gente o que aconteceu.
- 6:24Vamos entender onde é que foi o erro de.
- 6:26De, de, de, de, de informação, e assim era um erro, tudo bem, era
- 6:33um erro que a gente era um erro chato, que a gente precisava
- 6:36lidar, mas foi um erro e minha equipe e eu somos humanos.
- 6:41Pode acontecer, mas nesses 10 anos, aconteceu alguma vez e eu
- 6:45o tempo inteiro falei, gente, não pode acontecer de novo, não
- 6:47pode acontecer de novo. Depois eu respirei, eu falei,
- 6:49beleza, mas calma, calma, são 10 anos palestrando, isso aqui não
- 6:54vai me definir. Mas tem muita coisa social nessa
- 6:58história, né? A gente aprende a se, como eu
- 7:01falei, a se definir pelo trabalho.
- 7:03A gente aprende que o que a gente entregue a quem a gente é
- 7:07e dependendo do lugar que você vive, isso é pior.
- 7:09Eu senti que em São Paulo essa pressão é maior, sabe?
- 7:14Acho que aqui as pessoas perguntam muito mais que você
- 7:16faz e a gente vai esquecendo o que a gente é para além do
- 7:20trabalho e a gente vai colocando.
- 7:23Nessa personagem, a gente vai colocando essa personagem, a
- 7:26profissional, profissional, muito de quem a gente é, porque
- 7:29a gente realmente passa muito tempo ali, porque é o lugar que
- 7:32você produz algo que você entrega para o outro lugar, que
- 7:34você recebe sua remuneração. E a gente vai botando nesse
- 7:38lugar uma importância enorme. E é justamente nesse lugar que
- 7:41tem uma importância enorme. Lugar que a gente não admite
- 7:44erro, em que a gente menos admite uma falha, em que a gente
- 7:48nem nos admite o tropeço, em que a gente menos admite o que a
- 7:50gente não sabe. É o lugar que a gente pode ser
- 7:53menos vulnerável na vida, normalmente na vida
- 7:55profissional. Como que é isso que toma tanto
- 7:59espaço na tua existência? Pode ser o lugar em que você tem
- 8:03que ser menos vulnerável, em que você menos pode errar, em que
- 8:07você menos pode assumir um desacerto, em que você menos
- 8:10pode assumir um. Não consigo fazer isso agora, na
- 8:14no prazo. Como é possível, gente, que a
- 8:17gente normalize, que o trabalho? Ocupe um lugar tão grande na
- 8:23nossa vida e seja um lugar aí que a gente não pode ser humano.
- 8:26Porque você criou essa essa fantasia do profissional e da
- 8:31profissional que é esse ser que deixa tudo da porta de fora, da
- 8:38da empresa ou do trabalho. Você não leva nada.
- 8:41Você sabe separar muito bem as coisas.
- 8:43Bem, tu não sabe não, ninguém sabe, porque ninguém tem uma
- 8:47vida separadinha assim, não tem caixinhas super herméticas.
- 8:51Ou portinhas do nosso dentro da nossa mente, que a gente tranca
- 8:55e que uma coisa de um de um lado, um vaza, um vaza pro
- 8:57outro. Não existe o dia ruim no
- 9:00trabalho, ele interfere na forma que você vai lidar em casa, com
- 9:03quem você mora, com você sim, e um dia difícil em casa, uma fase
- 9:08difícil em casa interfere sim, na tua paciência, na tua
- 9:11entrega, no teu tempo. Interfere gente, porque gente é
- 9:15humano. E quando eu assumo essas
- 9:18interferências, quando eu assumo que não existe somente a elisama
- 9:21profissional, que a elisama profissional é mais uma das
- 9:25várias elisamas aqui dentro, que às vezes uma está maior que a
- 9:27outra assim, mas que uma influencia na outra, eu consigo
- 9:31perceber quando está influenciando, não é?
- 9:33Sim, vai influenciar. Eu consigo perceber quando a
- 9:36minha vida pessoal está interferindo na minha vida
- 9:38profissional, quando as coisas estão estão muito, muito
- 9:41misturadas, e aí eu aprendo a lidar com elas, sabe?
- 9:45Então, assim, eu. Eu cheguei no final de ano e aí
- 9:48eu fui olhar, né? No final de ano eu fui olhar
- 9:50para trás e pensar que eu estou bem cansada.
- 9:54Já falei isso em outros episódios, que eu estou bem
- 9:56cansada e que foi um ano que eu realizei muita coisa e pensei,
- 9:59nossa, que ano bom. E aí eu pensei, cara, boca, foi
- 10:03um ano bom de trabalho, mas será que dá para definir um ano bom
- 10:07só por isso? Será que dá para olhar para a
- 10:11vida profissional e achar que é isso um ano bom?
- 10:15Porque assim eu tive meses muito intensos de trabalho, em que eu
- 10:18entreguei muita coisa, que eu vivi experiências maravilhosas.
- 10:21Mas foram meses em que eu quase não consegui dormir, foram meses
- 10:24em que eu quase não consegui ficar com a minha família
- 10:27direito. Sim.
- 10:28O mês de setembro é como eu falo muito sobre saúde mental.
- 10:33A gente teve setembro amarelo, foi o mês que eu viajei.
- 10:35Insonamente gente, eu dei palestra, insonamente.
- 10:41Eu tive encontros maravilhosos que me reabasteceram como
- 10:44profissional, sabe? Eu encontrei pessoas, eu amo
- 10:48palestra com as palestras que eu estou organizando, que a gente
- 10:51tem organizado com o público aberto, que é normalmente uma
- 10:54palestra fechada para empresa. Tem uma essas palestras abertas
- 10:58em que eu encontro as pessoas que me seguem, que me leia há
- 11:00muito mais tempo, né? Assim, não é só uma empresa que
- 11:02me contratou, as pessoas pagaram para me ver, elas estão indo lá
- 11:05para mim ver. Eu amo isso, me reabastece, mas
- 11:09do lado de cá. A família.
- 11:13Eu falei assim, a Helena ligou para mim um dia chorando e
- 11:16falou, mãe, você está viajando demais, eu queria você aqui.
- 11:19Eu faltei na mostra de cultura da escola dos meninos.
- 11:23Depois que eu vi na agenda, eu falei, caraca, é o dia da mostra
- 11:26de cultura. Eu não IA achar.
- 11:27A semana inteira eu estive em casa, mas estiveram.
- 11:32Teve um ponto importante na minha vida pessoal que eu queria
- 11:35ter, ter estado. E aí não dá para eu olhar esse
- 11:39mês, que foi um mês super intenso de trabalho e falar,
- 11:41nossa, é isso aí. Não, eu não quero viver sempre
- 11:43assim. Eu não quero viver faltando as
- 11:47acontecimentos importantes da vida dos meus filhos.
- 11:49Não, eu não quero viver sem ter tempo de dormir à tarde de vez
- 11:53em quando. Eu não quero viver sem sem ter
- 11:56tempo de encontrar minhas amigas.
- 11:58Eu não quero viver sem ter tempo de de ficar.
- 12:01Daí estar abraçada com meu marido assistindo uma série.
- 12:05Eu não posso achar que é a minha vida profissional.
- 12:08Somente ela traduz que eu sou, sabe?
- 12:16E é nessa vida profissional que eu menos aceito.
- 12:18Nos ciclos eu já entendi que eu sou cíclica e um Monte de
- 12:22coisas. Eu já entendi que tem fases, que
- 12:25eu tô mais criativa e mais disposta com as crianças, que
- 12:29tem fase que eu tô um pouco mais quietinha, que tem fase que eu
- 12:31quero ver os amigos o tempo inteiro, tem fase que eu quero
- 12:33ficar mais quietinha. Eu já entendi isso, mas no
- 12:35trabalho. No trabalho, eu não quero perder
- 12:38essas fases, sabe? No trabalho eu quero produzir,
- 12:43entregar, com se essas fases não existissem.
- 12:45Gente, isso é muito cruel, sim, eu sou cíclica também na minha
- 12:50produção intelectual, também no trabalho e que que bom que é
- 12:56assim, que bom que a gente tem vida, que bom que as coisas
- 13:00mudam. Eu falei que existe a elisão
- 13:02profissional, eles é uma mãe, eles é uma amiga, eles é uma
- 13:04filha e elas. Cada fase da vida, uma delas vai
- 13:09estar maior, vai estar demandando um pouco mais, está
- 13:11brilhando um pouco mais, vai estar ocupando mais espaço.
- 13:16E talvez este ano de 2025 da tua vida não tem sido a vida
- 13:23profissional que foi o maior brilho.
- 13:26Talvez tenha sido outra parte de você, talvez tenha sido um ano
- 13:33que nenhuma parte de você brilhou muito.
- 13:35Tava todo meu pacuzinho mesmo em que a gente sobreviveu, a gente
- 13:39deu conta de chegar até o final do ano e é isso, e estamos aqui
- 13:45respirando para um próximo ano, entendeu?
- 13:48A gente é cíclico. Quando que a gente vai assumir
- 13:51isso? Eu dei palestras em Salvador,
- 13:54né? E, enfim, Salvador é minha
- 13:57Terra, é o lugar que eu mais amo no mundo.
- 13:59E aí tinha muita gente conhecida.
- 14:01E chegou a Ana, né? Sempre leu o meu mapa astral.
- 14:04Há muitos anos a Ana lê meu mapa astral.
- 14:07EE aí a gente tinha tava tinha 600 pessoas nessa hora do
- 14:12auditório cheíssimo e a Helen encostou aquela filha enorme de
- 14:15gente pra me abraçar ela. Eita amiga, aí eu Rio fiz, Hum,
- 14:19tá vendo só os humilhados sendo exaltados, quantos mapas você
- 14:23começou o mapa falando? Então pra mim, olha só isso aqui
- 14:26e isso assim tiveram fases e a gente riu das fases que foram
- 14:29muito difíceis. Dos momentos em que a gente
- 14:32olhou e falou, então, olha, esse ano, esse ano não tá bom não.
- 14:38E que a gente foi entendendo que que a vida é feita desses
- 14:42momentos também. Sabe que a vida também é feita
- 14:47de momentos em que a gente não tá super produtivo, produtivo,
- 14:52em que a gente consegue. A gente precisa viver outras
- 14:57coisas. Eu tava conversando com a com a
- 15:00Nati, a minha amiga, que filma, que eu tô aqui, que que pensa em
- 15:04toda a questão estética desse podcast da gente, que não sou eu
- 15:08não. E aí a gente tava conversando e
- 15:09eu tava falando com ela do quanto a gente pra se encaixar
- 15:14num sistema produtivista, a gente nega as nossas
- 15:18necessidades de Descanso, de pausa, de reconhecer que é
- 15:23diferente sim. E a gente tá falando de uma
- 15:25conhecida que tá grávida. E falando não, e que ela tem
- 15:29falado, não, eu estou ótima, eu posso trabalhar normal, posso
- 15:32fazer tudo que qualquer um pode fazer e não, não pode isso
- 15:36assim, pô, tudo daí pode, vai ter o preço.
- 15:40E aí eu olhava para ela e pensava para essa amiga e
- 15:42pensava, caramba, eu já tive com a barriga desse tamanho, eu sei
- 15:45como é, como é injusto, em vez da gente como sociedade, se
- 15:49preparar para ajudar essa mulher grávida a ter mais suporte para
- 15:53o trabalho, a ter um Descanso maior, sim, porque né?
- 15:57Enquanto você está só existindo, ela está existindo e fazendo um
- 16:00pé, um rim, um Globo ocular. É óbvio que o corpo dela não
- 16:05está com a mesma demanda que o seu, não está com a mesma
- 16:07disposição que o seu, porque o corpo dela está fazendo uma
- 16:11outra trauma, gente. Mas em vez de reconhecer isso e
- 16:15como sociedade, a gente amparar essa mulher grávida, amparar
- 16:19essa mulher que nesse momento precisa colocar o foco, a
- 16:21energia dela, uma outra coisa. Está tudo bem?
- 16:24Não a gente. Começou a falar com grávidas
- 16:28para não perder espaço. A gente começou a falar, não,
- 16:29não tem diferença nenhuma. Estou igual a qualquer um e
- 16:32pagar o preço por isso, sabe? E aí eu fiquei percebendo do
- 16:38quanto na vida profissional, para me mostrar cada vez mais
- 16:42competente, cada vez mais produtiva.
- 16:47Eu ultrapasso muito os meus limites.
- 16:51Eu não reconheço o que eu preciso, eu não olho.
- 16:56Que que eu quero, sabe? Eu não dou pausas, eu tenho
- 17:00dificuldade na pausa. E a gente teria assim, esse é um
- 17:04saquinho que dá para abrirem. Isso aí tirando muita coisa,
- 17:08porque a nossa relação com o trabalho não é só nossa relação
- 17:10com o trabalho, é a nossa relação com o que a gente
- 17:12produz, é nossa relação que a gente cria, é nossa relação com
- 17:17com as figuras de poder da nossa vida.
- 17:19Tudo isso se junta e vira nossa relação com o trabalho.
- 17:25Olha que interessante. Relação com papai, com mamãe,
- 17:28com os irmãozinhos. Se você tem irmãozinhos uma
- 17:32relação com o que você faz, se você gosta do que você faz, se
- 17:34você não gosta, você é criativo. Se você não é criativo, tudo
- 17:37isso vira tua relação com o trabalho que ocupa um tempo
- 17:41imenso da nossa vida e que a gente chega no final de ano e
- 17:46olha para trás e acha que pode analisar um ano inteiro pelo que
- 17:49a gente fez, pelo que a gente entregou, pelo que a gente
- 17:53recebeu. E eu te convido agora assim,
- 17:58reconhecer as tuas vitórias profissionais.
- 18:02Claro, é bom, é gostoso ter vitórias profissionais, mas
- 18:07reconhecer o resto também. E parar para pensar o quanto não
- 18:12reconhecer o resto, o quanto deixar que o trabalho te defina,
- 18:17o quanto isso mexe com a tua saúde mental.
- 18:19Eu vou participar de um evento. E aí é depois assim, muito perto
- 18:26do evento, eu descobri que eu não IA participar numa mesa, que
- 18:29eu IA falar sozinha. E aí eu falei, gente, mas eu
- 18:32precisava saber disso antes. Eu gosto de saber disso antes
- 18:34pra me organizar sim, eu posso chegar hoje, você chegar pra mim
- 18:38agora e falar exama, queria que você falasse agora, daqui a meia
- 18:41hora numa empresa você tem agenda agora e assim,
- 18:46provavelmente eu não vou ter agenda, mas se eu tiver agenda,
- 18:48eu sou capaz, perfeitamente capaz.
- 18:51De na maioria dos temas que eu trabalho de improviso, de não a
- 18:56palestra de 1 hora, um ano e 62 horas.
- 18:57Eu sei que eu sou capaz disso, sou perfeitamente capaz, mas tem
- 19:03um preço que eu nunca botei na conta, eu nunca botei na conta.
- 19:07Que quando eu faço com antecedência e me organizo e
- 19:11planejo, que eu vou falar e penso e converso com você sobre
- 19:14o que você quer e a gente constrói junto.
- 19:15Eu não, nunca. Eu coloquei na conta que isso
- 19:18aqui me deixa mais tranquila. E pode ser que você assista 2
- 19:25palestras, uma que eu tive muito tempo de planejar, uma que eu
- 19:27não tive tempo nenhum. Olhe e fale, nossa, igualzinho,
- 19:30maravilhosa nas 2. Mas eu sei o que eu precisei
- 19:34juntar de energia, de tempo, de força.
- 19:39O que de ansiedade, o que os meus sentimentos mexeram em cada
- 19:43um delas. Eu sei o quanto eu quero
- 19:47entregar agora. E preciso entregar agora demanda
- 19:51de mim, do não vou ter tempo para planejar, para me organizar
- 19:55e eu nunca coloquei isso na conta.
- 19:58Eu nunca coloquei isso na ponta do lápis.
- 20:02E eu estava conversando com uma amiga que está no processo de
- 20:05burnout, muito Sério e falando com ela que a gente aguenta
- 20:09muita coisa, eu aguento muita coisa, até eu pifar, até eu
- 20:14surtar, até eu ficar doente. Até o deu.
- 20:16Deu uma estafa. Amor, eu continuo mega
- 20:21produtiva, mas será que é bom para mim?
- 20:25Será que o que eu aguento é o que eu quero, é o que eu posso,
- 20:31é o que é bacana, é o que é sustentável?
- 20:34Eu me lembro de uma vez em que Miguel pegou a irmã e levantou a
- 20:38irmã, ele era novinho e ele levantou a irmã e a irmã era uma
- 20:41bolinha. Eu falei, filho, não ele não,
- 20:43mãe, eu aguento. Eu falei, eu estou vendo o que
- 20:46você aguenta, mas olha como está teu corpo.
- 20:48Para aguentar, olha os riscos que vocês estão correndo para
- 20:52aguentar. Não estou duvidando que você
- 20:53aguenta, então sim, eu não estou duvidando que você aguenta não,
- 20:57amor tua vida profissional, não estou duvidando que tu aguenta o
- 21:01que você está assumindo de responsabilidade?
- 21:04Eu não estou duvidando que você aguenta trabalhar que nem uma
- 21:08mala velha. Não estou duvidando que você
- 21:12aguenta, não. A minha pergunta aqui é outra.
- 21:17É se o que você aguenta tem sido bom para você, é se dá para você
- 21:23se definir pelo que você aguenta, é quanto tempo você vai
- 21:28continuar aguentando suportando o que você dá conta de fazer
- 21:33hoje, o quanto isso é fisicamente sustentável?
- 21:39É emocionalmente sustentável? A gente tá numa cobrança tão
- 21:44intensa, né? De tudo.
- 21:46Das entregas, do que a gente tem que fazer, que parece que todo
- 21:50um ano a gente está chegando no final do ano, mais cansado do
- 21:53que no ano anterior. Já parou isso?
- 21:54Assim, parece que a gente está chegando em dezembro e cada
- 21:59dezembro está mais cansativo. Parece que um ano está que a
- 22:01gente está correndo mais, sabe, está mais acelerado e aí chega
- 22:06no final, não, a gente não tem mais isso está assim, tipo, isso
- 22:09acaba ano, isso acaba, pelo amor de Deus, a gente quer seguir
- 22:15assim. Que critérios você tem utilizado
- 22:21para analisar o teu ano, para analisar o que é bom para você?
- 22:26A gente não vai falar muito do final do ano daqui porque aqui,
- 22:29porque eu sei que mexe. Final de ano é um negócio que
- 22:32mexe, mas eu já quero te chamar para a gente conversar sobre
- 22:36isso. Se o trabalho tem sido um
- 22:39negócio enorme na tua vida, como algo que é enorme na tua vida.
- 22:44É o espaço que você menos pode ser vulnerável.
- 22:47É o espaço que você menos pode errar, menos pode ser humano e
- 22:50humana. E como que a gente faz com que
- 22:53os espaços em que a gente pode, esses espaços se transformam em
- 22:57lugares que a gente pode ser humano e humana?
- 22:58Porque assim, amores, não existe inovação sem criatividade, sem
- 23:02vulnerabilidade. A vulnerabilidade é um berço da
- 23:06inovação. A vulnerabilidade não existe
- 23:10garantia. Inovar e fazer as coisas sem
- 23:12garantia, acreditando que vai dar certo, entendeu?
- 23:15Então assim, não dá pra ver uma coisa sem o outro, é, a gente
- 23:21quer pessoas no mercado de trabalho muito corajosas, mas
- 23:26ela a gente não quer que elas sejam vulneráveis.
- 23:29Mas a vulnerabilidade de sela, da coragem pra chegar na coragem
- 23:34antes, a gente vive aquela sensação de caramba, não tem
- 23:38garantia nenhuma e a gente vai assim mesmo.
- 23:40E a gente se sente muito corajoso quando a gente consegue
- 23:44uma coisa, não dá para anular a outra.
- 23:46Olha aí com os critérios que está usando para analisar o teu
- 23:50ano, para analisar as tuas conquistas desse ano.
- 23:55Vê se você está que nem eu sem assumir os seus ciclos, sem
- 24:00entender que tem muitos de você, que cada época da vida um aonde
- 24:05você vai estar brilhando um pouco mais e que tem época que
- 24:09está todo mundo só sobrevivendo. Só se apoiando para chegar, mas
- 24:13que isso não pode ser para sempre, tá?
- 24:15É isso, meu amor, se você quer cadê tu, taco?
- 24:19A nossa história você quer algum tema aqui?
- 24:22Manda e-mail, tá, manda e-mail que a gente tenta tá
- 24:26compartilhar, joga no grupo do trabalho lá no grupo da empresa,
- 24:31joga lá no grupo da empresa, tá bom, pois não, não, só joga no
- 24:35grupo da empresa, fala que eu também estou a falar essa
- 24:36empresa, eu posso lá pessoalmente falar o que eu
- 24:39falei para você aqui. Tá bom, um beijo e até o próximo
- 24:43episódio.