Latest / ED Podcast [@arthurdantaslemos] / AS ARMAS DA PERSUASÃO #XV - CAUSA DE MORTE E INCERTEZA (CLUBE DO LIVRO)
Transcript
- 0:05E aí, Clube do Livro na área! Vamos começar com bastante
- 0:09energia! Bruno Maia Soares!
- 0:12Bora, bora simbora. Causa de morte, incerteza.
- 0:16Esse é o título do episódio de hoje.
- 0:19Vamos simbora, vamos ver o que o ator quer dizer aqui.
- 0:20Vamos ver se ele está alinhado com o Taleb.
- 0:22O Taleb diz para a gente que as pessoas odeiam incerteza.
- 0:26Todas as armas de influência discutidas neste livro funcionam
- 0:29melhor sob certas condições. Para nos defendermos
- 0:32adequadamente contra elas, é essencial conhecermos suas
- 0:34condições ideais de operação para reconhecermos quando
- 0:37estamos mais vulneráveis à sua influência.
- 0:41Já tivemos uma pista de qual seria esse momento quando o
- 0:43princípio da aprovação social funcionou melhor com os crentes
- 0:48da seita de Chicago. Foi uma sensação de confiança
- 0:51abalada que desencadeou sua ânsia por adeptos.
- 0:57Na verdade, o que ele está mostrando com esse caso não é a
- 1:00resposta dos crentes adeptos, e sim dos líderes, que a partir
- 1:07daquele momento... da crença sob risco passaram a ter um apetite
- 1:14muito maior que não havia antes por recrutar mais crentes.
- 1:20Pois bem, em geral, quando estamos inseguros, quando a
- 1:23situação está obscura ou ambígua, quando a incerteza
- 1:26domina, aumenta a nossa tendência a aceitar as ações dos
- 1:30outros como corretas. Isso sim, né?
- 1:33Amplificador... do impacto da aprovação social sobre as nossas
- 1:38decisões é a incerteza. Quanto maior o grau de
- 1:41incerteza, mais eu tendo a respeitar, olhar ou tomar como
- 1:45parâmetro aquilo que os outros fazem, pensam ou sentem.
- 1:49Outra maneira pela qual a incerteza se desenvolve é na
- 1:51falta de familiaridade com a situação.
- 1:54Nessas circunstâncias, as pessoas se dispõem mais a seguir
- 1:57a liderança dos outros. Vejamos como essa percepção
- 1:59simples permitiu que um homem se tornasse multimilionário.
- 2:04Olha aí, mais um curso de finanças na internet.
- 2:06Vamos ver. Porra, não posso falar isso, né,
- 2:08Brunão? Posso falar isso, né?
- 2:10Tem o curso do bem e tem o curso do mal.
- 2:12Tô falando brincando aqui, né? Os cursos do mal.
- 2:15Após adquirir diversas pequenas mercearias em trinta e quatro,
- 2:18Sylvan Goldman percebeu que seus clientes passavam, paravam de
- 2:21comprar quando suas cestas de compras ficavam pesadas demais.
- 2:24Isso o inspirou a inventar o carrinho de compras, que em sua
- 2:28forma inicial era uma cadeira dobrável equipada com rodas e um
- 2:30par de cestas de metal pesadas. O invento tinha um aspecto tão
- 2:34estranho que, de início, nenhum dos fregueses de Goldman estava
- 2:38disposto a usá-lo. Mesmo depois de ele fabricar um
- 2:42suprimento mais do que adequado, colocar diversos carrinhos num
- 2:45local visível da loja e instalar cartazes descrevendo seu uso e
- 2:49seus benefícios. Frustrado e quase desistindo,
- 2:51experimentou mais uma ideia para reduzir a incerteza dos
- 2:54clientes, baseada na aprovação social.
- 2:57Contratou compradores para andar com os carrinhos pela loja.
- 3:00Como resultado, seus verdadeiros clientes logo começaram a
- 3:02imitá-los. Sua invenção arrebatou o país e
- 3:05ele morreu riquíssimo, com patrimônio de mais de USA de
- 3:08USA. No processo de examinar, aí a
- 3:12linha termina. Porque no papel do Goldman, esse
- 3:19cara, o inventor do carrinho de compras, ele poderia dizer o
- 3:22seguinte, olha, eu contratei funcionários, para passar a
- 3:27confiança para os meus consumidores que não tinham esse
- 3:30hábito de que era inteligente usar essa solução tão boa para
- 3:35os meus clientes e eu estava correto, assim eles começaram a
- 3:40usar e a história está contada. Mas eu também posso envelopar
- 3:44isso como o cara foi meio... manipulador porque ele contratou
- 3:52atores e a construção daquele hábito não foi natural, enfim
- 3:57Essa linha tênue, né? No processo de examinar as
- 4:00reações das outras pessoas para resolver nossa incerteza,
- 4:02costumamos negligenciar um fato sutil, mas importante.
- 4:08Qual é o fato sutil, porém importante?
- 4:09Aquelas pessoas provavelmente estavam também examinando as
- 4:12provas sociais. Sobretudo numa situação ambígua,
- 4:14a tendência de todos observarem o que os demais estão fazendo
- 4:17pode levar a um fenômeno fascinante denominado ignorância
- 4:20pluralista. Uma compreensão profunda desse
- 4:23fenômeno ajuda a explicar uma ocorrência frequente nos Estados
- 4:25Unidos que tem sido taxada de enigma e desgraça nacional.
- 4:29A incapacidade de grupos inteiros de transeuntes de
- 4:32ajudar vítimas que precisam desesperadamente de ajuda.
- 4:36Isso aqui tem uma dica de primeiro socorro fantástica.
- 4:41Vamos ver se eu estou correto aqui.
- 4:43Mas isso é um negócio que ficou guardado.
- 4:46Tem nada a ver com o influencial próximo, quer dizer, tem a ver
- 4:48também, mas isso foi uma coisa que ficou guardada e que já
- 4:52aconteceram algumas situações que eu empreguei.
- 4:54O exemplo clássico dessa inação e que gerou muitos debates nos
- 4:57círculos jornalísticos, políticos e científicos, começou
- 4:59quando um caso comum de homicídio no distrito
- 5:01novaiorquino do Queens. Catherine Genovese, de quase
- 5:05trinta anos, foi morta tarde da noite na sua rua quando voltava
- 5:10do trabalho. Um homicídio não é algo que se
- 5:12passa despercebido, mas numa cidade com o tamanho e as
- 5:14características de Nova York, um incidente de Genovese mereceu no
- 5:18máximo uma fração de uma coluna no The New York Times.
- 5:22A história de Catherine Genovese teria morrido junto com ela
- 5:25naquele dia de março de sessenta e quatro, não tivesse ocorrido
- 5:29um erro. o editor metropolitano do Times, um cara chamado
- 5:33Rosenthal, por acaso almoçou com o chefe da polícia da cidade uma
- 5:37semana depois. Rosenthal indagou do delegado
- 5:42sobre um outro homicídio no Queens e este, pensando que se
- 5:45tratasse do caso Genovese, revelou algo estarrecedor que
- 5:49havia sido descoberto pela investigação policial.
- 5:52Catherine Genovese não sofrera uma morte rápida e silenciosa.
- 5:56Seu assassinato tinha sido um acontecimento público longo,
- 6:01ruidoso e torturante. Seu agressor havia perseguido a
- 6:04mulher na rua e a atacara três vezes no período de trinta e
- 6:07cinco minutos antes que sua faca, enfim, silenciasse os
- 6:11gritos por socorro. Por incrível que pareça, trinta
- 6:14e oito de seus vizinhos assistiram ao crime da segurança
- 6:18das janelas de seus apartamentos sem levantar sequer um dedo a
- 6:22fim de ligar para a polícia. Rosenthal, jornalista ganhador
- 6:26de um prêmio Pulitzer, sabia reconhecer quando estava diante
- 6:29de uma matéria importante. No dia de seu almoço com o chefe
- 6:31da polícia, designou um repórter para investigar o ângulo dos
- 6:33observadores do incidente de Genovese.
- 6:35Após uma semana, o Times publicou um longo artigo de
- 6:38primeira página que viria a criar um turbilhão de
- 6:40controvérsias e de especulação. Os parágrafos iniciais daquela
- 6:44reportagem deram o tom e o foco da matéria.
- 6:47Por mais de meia hora, trinta e oito cidadãos respeitáveis e
- 6:50cumpridores da lei do Queens presenciaram um assassinato
- 6:52perseguindo e esfaqueando uma mulher em três ataques separados
- 7:00em Kew Gardens. Por duas vezes, o som de suas
- 7:03vozes e o súbito brilho das lâmpadas de seus quartos o
- 7:05interromperam e o afugentaram. A cada vez ele retornou,
- 7:10procurou a vítima e a esfaqueou novamente.
- 7:12Ninguém ligou para o policial ou para a polícia durante a
- 7:16agressão. Uma testemunha telefonou depois
- 7:18que a vítima estava morta. Isso aconteceu duas semanas
- 7:21atrás. Mas o vice-inspetor-geral
- 7:23Frederick Lussen, um veterano com vinte e cinco anos de
- 7:26experiência em investigações de homicídio, encarregado dos
- 7:29policiais do bairro, continua chocado.
- 7:31Ele consegue citar uma lista trivial de muitos homicídios,
- 7:34mas o assassinato de Killgardens o intriga.
- 7:37Não por ser um assassinato, mas porque pessoas de bem deixaram
- 7:42de chamar a polícia. Como aconteceu com o
- 7:44vice-inspetor Lussen, as reações normais de quase todos que
- 7:49souberam dos detalhes da ocorrência foram de choque e de
- 7:52espanto. O choque veio primeiro. deixando
- 7:55a polícia, os jornalistas e o público leitor abismados.
- 7:58O espanto logo se seguiu. Como trinta e oito pessoas de
- 8:01bem deixaram de agir sob tais circunstâncias?
- 8:04Ninguém conseguia entender. As próprias testemunhas do
- 8:07homicídio estavam perplexas. Não sei, responderam uma após a
- 8:11outra. Simplesmente não sei.
- 8:14Algumas ofereceram justificativas fracas para sua
- 8:16inércia. Por exemplo, duas ou três
- 8:18explicaram que estavam com medo e não quiseram se envolver.
- 8:21Aquelas razões, porém, não resistem a uma análise mais
- 8:24atenta. Uma simples chamada anônima para
- 8:26a polícia poderia ter salvado a vida da mulher sem ameaçar a
- 8:30segurança futura ou ocupar o tempo livre das testemunhas.
- 8:33Não, não foi o medo de complicar sua vida que explicou a falta de
- 8:37ação dos observadores. Algo mais estava acontecendo ali
- 8:41e nem eles eram capazes de compreender.
- 8:43A confusão, porém, não dá uma boa matéria de jornal.
- 8:46Portanto, a imprensa enfatizou a única explicação disponível na
- 8:49época. As testemunhas, não diferindo do
- 8:51resto das pessoas, não se importaram bastante para se
- 8:54envolver. Os Estados Unidos estavam se
- 8:55tornando uma nação de pessoas egoístas, insensíveis.
- 8:59Os rigores da modernidade, especialmente da vida urbana,
- 9:01estavam deixando-as assim. Em apoio a essa interpretação,
- 9:05começaram a aparecer matérias frequentes detalhando diferentes
- 9:08tipos de apatia pública. Também respaldaram aquela
- 9:11interpretação as observações de uma série de comentaristas
- 9:13sociais. Eles acharam que o caso de
- 9:16Genovese tinha uma grande importância social.
- 9:20Todos empregaram a palavra apatia, a qual, é importante
- 9:23observar, constara da manchete do Times, embora... a
- 9:27explicar-se de modo diferente. Um a atribuiu aos efeitos da
- 9:31violência na TV, outro à agressividade reprimida, mas a
- 9:34maioria culpou a despersonalização da vida urbana
- 9:37com suas sociedades de megalópolis e a alienação do
- 9:40indivíduo em relação ao grupo. Mesmo Rosenthal, o jornalista
- 9:44que primeiro divulgou a história e que acabou fazendo dela tema
- 9:47de um livro, aceitou a teoria da apatia causada pela cidade.
- 9:51Além de ser tema do livro de Rosenthal e de inúmeras matérias
- 9:54de jornais e revistas, documentários de televisão e uma
- 9:57peça off-Broadway, a história de Genovese atraiu a atenção
- 10:01profissional de dois professores de psicologia de Nova York, que
- 10:04é o Darley e o Latane. Eles examinaram os relatos do
- 10:07incidente e, com base em seus conhecimentos de psicologia
- 10:09social, depararam com o que parecia a explicação mais
- 10:12improvável de todas O fato de que trinta e oito testemunhas
- 10:15estavam presentes. Ué, como assim?
- 10:18Vamos lá. Relatos anteriores do caso
- 10:20tinham enfatizado que nenhuma ação foi tomada, embora trinta e
- 10:23oito indivíduos estivessem presentes observando.
- 10:27Já Latane e Darley sugeriram que ninguém ajudara justamente
- 10:31porque havia tantos observadores.
- 10:33Os psicólogos especularam que, por pelo menos dois motivos, um
- 10:37observador de uma emergência tende a não prestar ajuda quando
- 10:40existem vários outros observadores presentes.
- 10:41O primeiro motivo é simples. Com tantas pessoas podendo
- 10:44ajudar, a responsabilidade social de cada uma se reduz.
- 10:49O cara pode pensar, por exemplo, talvez outra pessoa vá ajudar ou
- 10:51pedir ajuda, talvez alguém já tenha feito isso.
- 10:54Assim, enquanto todo mundo acha que alguém já ajudou, Ninguém
- 10:59fez nada. O segundo motivo é o mais
- 11:01psicologicamente intrigante. Ele se baseia no princípio da
- 11:03aprovação social e envolve o efeito da ignorância pluralista.
- 11:07Uma emergência muitas vezes não é tão óbvia assim.
- 11:10Um homem deitado no beco foi vítima de um ataque cardíaco ou
- 11:12é um bêbado dormindo? A confusão no apartamento ao
- 11:15lado é uma agressão que requer a polícia ou uma briga de marido e
- 11:18mulher em que é melhor não se meter?
- 11:21O que está acontecendo em épocas de também incerteza é natural
- 11:24procurar pistas nas ações dos outros à nossa volta.
- 11:28Podemos descobrir, pela reação das outras testemunhas, se o
- 11:31incidente é ou não uma emergência.
- 11:33O que é fácil esquecer, porém, é que todos os demais espectadores
- 11:36de acontecimentos também devem estar procurando provas sociais.
- 11:39Como gostamos de parecer seguros e equilibrados na frente dos
- 11:42outros... como gostamos de parecer seguros e equilibrados
- 11:46na frente dos outros, costumamos buscar esses sinais com
- 11:49tranquilidade, por meio de olhares breves e disfarçados à
- 11:52nossa volta. Portanto, todos os envolvidos
- 11:54tendem a ver os demais igualmente tranquilos e
- 11:57inativos. Como resultado, e pelo princípio
- 11:59da aprovação social, o acontecimento será interpretado
- 12:03por todos como não emergencial. Trata-se, segundo Latham e
- 12:07Darling, do estado de ignorância pluralista, em que cada pessoa
- 12:11conclui que, como ninguém está preocupado, não há nada de
- 12:13errado. Enquanto isso, o perigo pode
- 12:15estar aumentando até o ponto em que um indivíduo isolado, não
- 12:18influenciado pela aparente calma dos outros, resolve agir.
- 12:22Eu não lembro se ele vai entrar nisso aqui agora, mas é assim,
- 12:26numa situação de emergência, em vez de pedir ajuda, você tem
- 12:33muito mais chances se você disser o seguinte...
- 12:36Ei, você de camisa azul, me ajuda, por favor.
- 12:40Então, quando você direciona, você transfere a
- 12:43responsabilidade, você não incorre no risco desse fenômeno
- 12:47aqui que ele acaba de explicar. Então foi isso que eu comentei
- 12:50antes de entrar no caso aqui. Uma abordagem científica.
- 12:54A conclusão fascinante do raciocínio Latane e Darleque
- 12:57para uma vítima de uma emergência, a ideia de segurança
- 13:00de se encontrar em meio a um grupo de pessoas pode muitas
- 13:02vezes estar completamente errada.
- 13:04Talvez alguém que precise de socorro tenha mais chance de
- 13:06sobreviver se um único espectador em vez de uma
- 13:08multidão estiver presente. No meu comentário acontece que
- 13:11você não controla isso. Então se você estiver em uma
- 13:14emergência que tem muitos espectadores é melhor você
- 13:15direcionar o pedido de ajuda. Para testar Por exemplo, o que é
- 13:20muito comum até em filme, né? Tem algum médico aqui?
- 13:24Às vezes já tinha um médico lá, o cara só não teve a
- 13:26proatividade de ir. Aí na hora que você fala tem
- 13:29algum médico aqui, eu direcionei.
- 13:31Para testar essa tese inusitada, Darley Latante, seus alunos e
- 13:34colegas realizaram programas temáticos impressionantes e
- 13:36pesquisas que produziram descobertas conclusivas.
- 13:40Seu procedimento básico constituiu em simular
- 13:42emergências que eram observadas por um único indivíduo ou por um
- 13:45grupo de pessoas. Eles então registraram o número
- 13:47de vezes em que a vítima da emergência recebeu ajuda sobre
- 13:50aquelas circunstâncias. Em seu primeiro experimento, um
- 13:52estudante universitário que parecia estar sofrendo um ataque
- 13:54epilético foi socorrido oitenta e cinco por cento das vezes com
- 13:57apenas um espectador presente. mas somente trinta e um por
- 14:00cento das vezes com cinco espectadores presentes.
- 14:02Com quase todos os espectadores solitários ajudando, fica
- 14:04difícil argumentar que vivemos uma sociedade fria em que
- 14:07ninguém se importa com o sofrimento dos outros.
- 14:10Obviamente, foi algo ligado à presença dos demais espectadores
- 14:13que reduziu a ajuda a níveis vergonhosos.
- 14:17Outros estudos examinaram a importância da aprovação social
- 14:21como causadora da apatia generalizada das testemunhas.
- 14:24Neles, em meio a um grupo de testemunhas de uma possível
- 14:28emergência, algumas pessoas foram ensaiadas para agir como
- 14:30se nada grave estivesse ocorrendo.
- 14:32Em outro experimento em Nova York, setenta e cinco por cento
- 14:35dos indivíduos solitários que observaram fumaça escapando
- 14:39sobre uma porta alertaram os bombeiros.
- 14:42Porém, quando a mesma fumaça foi observada por grupos de três
- 14:45pessoas, os bombeiros só foram alertados trinta e oito vezes.
- 14:48Trinta e oito por cento das vezes.
- 14:50Mas a menor taxa de pedido de socorro foi quando os grupos de
- 14:53três pessoas incluíram Dois indivíduos que foram instruídos
- 14:56a ignorar a possível emergência. Sobre aquelas condições, os
- 14:59bombeiros foram acionados apenas dez por cento das vezes.
- 15:01Em um estudo semelhante realizado em Toronto, transeútes
- 15:05solitários prestaram socorro noventa por cento das vezes, ao
- 15:08passo que tal ajuda só foi fornecida em dezesseis por cento
- 15:11dos casos, quando o espectador estava em presença de dois
- 15:14observadores passivos. Os cientistas sociais agora
- 15:18dispõem de uma boa noção de quando os observadores irão
- 15:21oferecer ajuda em uma situação de emergência.
- 15:24Primeiro, e contrariando a visão de que nos tornamos uma
- 15:27sociedade sensível, uma vez que as testemunhas se convençam de
- 15:31que há uma emergência em andamento, a ajuda é bem
- 15:35provável. Sob essas condições, o número de
- 15:37transeuntes que intervêm pessoalmente ou pedem auxílio é
- 15:40bastante tranquilizador. Por exemplo, em quatro
- 15:42experimentos realizados na Flórida, foram encenados
- 15:45acidentes envolvendo um técnico de eletricidade.
- 15:48Quando ficou claro que o homem estava machucado e...
- 15:53Além disso, necessitava de socorro, recebeu ajuda em cem
- 15:56por cento das vezes em dois dos experimentos.
- 15:59Nos outros dois, em que a assistência envolvia o contato
- 16:02com fios elétricos potencialmente perigosos, a
- 16:04vítima ainda assim recebeu ajuda em noventa por cento das vezes.
- 16:07Além disso, esses níveis elevados de auxílio ocorreram
- 16:09com as testemunhas observando acontecimentos sozinhas ou em
- 16:13grupo. A questão muda bastante quando,
- 16:15como costuma acontecer, o transemunte não consegue ter
- 16:18certeza de que o evento que estão testemunhando é uma
- 16:21emergência. Nesse caso, uma vítima tem
- 16:23chances maiores de receber ajuda de um observador solitário do
- 16:26que de um grupo, ainda mais quando as pessoas do grupo não
- 16:30se conhecem. Parece que o efeito da
- 16:33ignorância pluralista é mais forte entre estranhos.
- 16:37Como gostamos de parecer elegantes e sofisticados em
- 16:39público e como não estamos familiarizados com as reações
- 16:43daqueles que não conhecemos, dificilmente exibimos ou
- 16:46interpretamos corretamente as expressões de preocupação quando
- 16:49em meio a um grupo de estranhos. Assim, uma possível emergência
- 16:53não é vista como tal e uma vítima deixa de receber
- 16:56assistência. Uma análise atenta desse
- 16:58conjunto de descobertas das pesquisas revela um padrão
- 17:01esclarecedor. Todas as condições que reduzem
- 17:04as chances de uma vítima de emergência ser socorrida pelos
- 17:10observadores existem na cidade grande em contraste com áreas
- 17:13rurais. Por quê?
- 17:15As cidades são lugares mais barulhentos, confusos e
- 17:17mutáveis, onde é difícil ter certeza da natureza dos
- 17:20acontecimentos com que deparamos.
- 17:21Segundo, os ambientes urbanos são mais populosos, aumentando a
- 17:24probabilidade de que as pessoas não estejam sozinhas.
- 17:27E terceiro, os moradores de uma metrópole conhecem uma
- 17:29porcentagem bem menor dos outros moradores do que pessoas que
- 17:32moram em cidades pequenas. Isso aqui é só...
- 17:35Tem um... Menos aplicável talvez para a
- 17:38vida real aqui, né? Mas tem...
- 17:41Ok, eu descobri que acidentes em cidades muito populosas, do
- 17:46ponto de vista psicológico, social, eles têm menos
- 17:49probabilidade de terem assistência do que em áreas
- 17:52rurais ou menos urbanas, por conta desses três motivos.
- 17:56Mas a... A reflexão aqui, à la
- 18:01Morgenhauser, é que nada é tão bom ou tão ruim quanto parece.
- 18:05Então, isso é um... Veja quantas pessoas
- 18:10respeitadas, aquele jornalista lá que era vencedor do prêmio
- 18:13Pulitzer, que se anteciparam para tomar suas conclusões do
- 18:18que havia sido feito. É até quase uma sacanagem
- 18:20colocar o jornalista aqui, porque é um cara que ele é...
- 18:23O trabalho dele é ter opinião todo dia ali, né?
- 18:26Então, enfim, às vezes não dá tempo de se aprofundar, mas...
- 18:33Quando a gente lê uma matéria, vê uma publicação e está cada
- 18:37vez mais raso isso, e você já corre para ter uma opinião
- 18:41pronta sobre isso, você corre um risco muito grande de errar.
- 18:46Então, aqui eu volto para o Howard Marks, dentro da esfera
- 18:51dos investimentos, que é o pensamento de segundo nível.
- 18:54Primeiro nível é isso, mas por quê?
- 18:56Quais foram os motivos? Será que realmente é isso?
- 18:57Então, esse pensamento crítico, questionador... você talvez não
- 19:01chegue nas conclusões, nesse caso aqui, um psicólogo que fez
- 19:04pesquisa e tal, mas pelo menos você se coloca no lugar de se
- 19:09submeter aos erros de julgamento com menor facilidade.
- 19:14Um ponto que, entrando nesse pensamento de segundo nível, que
- 19:18eu fiquei curioso aqui, até de repente olhar essas pesquisas, é
- 19:21que pelas informações que o Cialdini traz aqui no livro,
- 19:25esses experimentos foram feitos com grupos pequenos, né?
- 19:29Sim. E eu tenho uma sensação de que
- 19:32se isso fosse testado com grupos grandes, talvez a resposta fosse
- 19:36um pouquinho diferente. Porque, sim, trinta e oito
- 19:39pessoas viram lá o assassinato. Então cada um ficou esperando, a
- 19:43responsabilidade social de cada um diminuiu, né?
- 19:45Mas se a gente estivesse falando de um grupo muito grande, sei
- 19:47lá, milhares de pessoas, aí talvez você aumentaria a chance
- 19:51de ter um policial no meio, de ter uma pessoa mais
- 19:54especializada pra resolver o problema.
- 19:56Porque talvez aquelas trinta e oito pessoas também não se
- 19:58vinham Como pessoas que poderiam ajudar Acho que talvez se fosse
- 20:02Se a gente estivesse falando de grupos maiores Poderia ser um
- 20:05pouco diferente Mas obviamente não invalida toda a pesquisa
- 20:08Porque tem embasamento científico por trás Inclusive eu
- 20:11lembrei que quando eu li Esse capítulo na época Eu usei um
- 20:15pouquinho disso aqui na pelada Jogando bola Porque sempre tem
- 20:19aquela coisa É Sai um time, entra outro time, e tem que
- 20:23pegar alguém do time que saiu pra agarrar.
- 20:24E aí a galera tá cansada, o pessoal geralmente não gosta de
- 20:27agarrar e tal, e sempre ficava aquela coisa, alguém pra agarrar
- 20:28aqui, alguém pode agarrar e tal, e sempre ficava todo mundo
- 20:31fugindo, né? A responsabilidade social era
- 20:33diminuída, porque tinha muita gente.
- 20:35E aí quando eu vi isso aqui, eu passei a chamar, fulano, tu pode
- 20:37agarrar aqui? Aí quando o cara não podia, ou
- 20:39não queria, enfim, ele tentava passar pra outra pessoa, aí
- 20:41ficava menos... É menos difícil de agarrar,
- 20:45exatamente. Então, uma aplicação aí na
- 20:48pelada. Excelente, excelente. bem, para
- 20:53fechar aqui o nosso episódio de hoje, essas três características
- 20:56naturais dos ambientes urbanos confusão, população numerosa e o
- 21:00fato das pessoas barrarem com mais estranhos se enquadram
- 21:02muito bem nos fatores que segundo as pesquisas reduzem a
- 21:05ajuda dos observadores sem precisarmos recorrer a conceitos
- 21:08pessimistas como despersonalização urbana e
- 21:10alienação megalopolitana podemos explicar porque tantos casos de
- 21:16inação dos transeúdes ocorrem na nossa cidade o exemplo que não é
- 21:19exatamente esse mas que tem a ver com esse apontamento, né,
- 21:27que é uma forma de responsabilização, é assim,
- 21:30reunião, enfim, não sei qual a dinâmica aí no seu trabalho, né,
- 21:37se você costuma ter reuniões ou não, se são reuniões mais
- 21:39estratégicas ou não, enfim, mas assim, o que é que eu aprendi
- 21:43com o tempo, né, é... Pô, tem essa pauta aqui.
- 21:47Isso é um negócio que a gente tem que deliberar.
- 21:49Pô, mas não é uma decisão fácil. A gente tem que ver, tem que
- 21:53analisar e tal. Então vamos fazer o seguinte,
- 21:55vamos todo mundo pensar aqui a respeito e tal.
- 21:59E na próxima semana ou na nossa próxima reunião, que vai ser na
- 22:04data tal. A gente...
- 22:07Depois que todo mundo já fez essa reflexão, a gente está mais
- 22:09preparado e traz suas contribuições, suas análises e a
- 22:12gente toma essa decisão. O que é que normalmente
- 22:14acontece? Porque ninguém está...
- 22:17As pessoas estão com a vida corrida.
- 22:21Então chega na próxima reunião e ninguém fez porra nenhuma.
- 22:24Pensem. Vamos refletir.
- 22:27Muito melhor é criar um grupo de trabalho dizendo o seguinte...
- 22:31Quem que tem o arsenal aqui de repertório mais adequado para
- 22:36propor uma solução? Então estamos em seis, estamos
- 22:40em oito. Quais seriam as duas ou três
- 22:43pessoas no máximo que representariam melhor o poder de
- 22:48análise do nosso grupo? Ah não, para essa decisão aqui é
- 22:50o Bruno e o Arthur. Então tá bom.
- 22:52Então vamos fazer o seguinte, o Bruno e o Arthur, a gente vai
- 22:54formar um grupo de trabalho e a gente tem... como meta, na data
- 22:59tal que é a nossa próxima reunião, trazer um parecer da
- 23:03nossa análise, trazer um diagnóstico dessa decisão aqui e
- 23:07uma proposição. E com esse diagnóstico e com
- 23:10essa proposição, a gente... Pode deliberar juntos aqui.
- 23:16É a mesma coisa de falar, ei você de camisa azul, falar o
- 23:19seguinte, ei fulano, pode agarrar aqui agora?
- 23:23Então, uma outra aplicação prática, sendo que agora para o
- 23:26mundo corporativo. Brunão, comentários.
- 23:30É isso. Esse final aí, inclusive, ele
- 23:33resume o outro trecho aqui do capítulo, que ele fala de
- 23:37desvitimização. E, assim, foi um excelente
- 23:40resumo, porque é exatamente isso.
- 23:41Inclusive, o autor traz aqui no finalzinho desse trecho o
- 23:45seguinte. De todas as técnicas desse
- 23:47livro, essa é a mais importante se lembrar.
- 23:50Porque, de respeito, como o exemplo que ele trouxe aqui, é
- 23:53um pedido de socorro, uma situação de emergência.
- 23:55Então, é... Por que é essa a mais importante
- 23:59de lembrar? Porque a falha de um pedido de
- 24:01socorro em uma emergência pode lhe custar a vida, né?
- 24:03Então, é o trecho mais importante do livro, assim, né?
- 24:07Como o autor coloca. A gente deu um puta spoiler,
- 24:11então, na verdade, né? É.
- 24:13Mas, assim, na verdade, eu quis trazer mesmo como resumo, porque
- 24:16todo esse trecho é isso. Sim, sim, sim.
- 24:18E aqui a gente já trouxe aqui, então...
- 24:20Então, vou fechar aqui na página cento e quarenta, que é a parte
- 24:24da desvitimização, dizendo o seguinte, ó, tá?
- 24:27Com base nos resultados das pesquisas que vimos, meu
- 24:30conselho seria isolar um indivíduo na multidão.
- 24:32Encare, fale e aponte direto para essa pessoa e mais ninguém.
- 24:37Ei, você de jaqueta azul, preciso de ajuda.
- 24:41Chame uma ambulância, por favor. Com esse pedido único, você
- 24:45eliminaria todas as incertezas que podem impedir ou retardar o
- 24:49socorro. Ao fazê-lo, você terá colocado o
- 24:51homem de jaqueta azul no papel de chefe do resgate.
- 24:54Ele agora deverá entender que uma ajuda emergencial é
- 24:56necessária. Vai saber que ele, e não outra
- 24:59pessoa, é responsável por prestar assistência.
- 25:01E por fim, entenderá... Exatamente, como fornecê-la.
- 25:05Todos os indícios científicos indicam que o resultado deve ser
- 25:09um socorro mais rápido e mais eficaz.
- 25:12E aí, com isso, sim, a gente fecha aqui e começamos o próximo
- 25:16aqui em macacos de imitação, onde se diz que, sem dúvida,
- 25:20quando as pessoas estão inseguras, tendem a se basear
- 25:22nas ações dos outros para decidir como elas próprias devem
- 25:24agir. Sendo que, além disso, tem uma
- 25:27outra condição muito importante... que a gente vai
- 25:30conhecer no próximo episódio. Você que estava conosco, muito
- 25:33obrigado pela sua companhia e pelo seu tempo, Brunão.
- 25:36Muito obrigado. A gente se encontra no próximo
- 25:38episódio aqui do nosso queridíssimo Clube do Livro no
- 25:40ED Podcasts. Um forte abraço.