Latest / Peças Raras - Você em sintonia com o rádio / #398 Homenagem a Juca de Oliveira
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- 0:02Você tem sintonia com? Rádio.
- 0:11Morreu na madrugada de hoje, 21 de março, aos 91 anos, o ator
- 0:16Juca de Oliveira. Para homenagear o também
- 0:20dramaturgo e diretor, você vai ouvir uma peça rara que destaca
- 0:24a atuação de Juca de Oliveira na coluna devaneio.
- 0:27Na época, ele substituiu outro grande mestre do teatro, o Paulo
- 0:33Autran. Em 2009, Juca de Oliveira foi um
- 0:36dos contemplados do prêmio APCA por essa coluna devaneio, que
- 0:41era veiculada na BandNews FM. Fique agora com uma entrevista
- 0:46de Juca de Oliveira a Inês de Castro e Ricardo Boechat, alguns
- 0:51dias antes da estreia na emissora e preste atenção como
- 0:55nesta conversa, Juca de Oliveira já falava do teatro como uma
- 0:59forma de se manter o contato humano diante do crescimento do
- 1:03uso de telas e internet. Agora são 9 horas e 22 minutos.
- 1:11A BandNews FM traz para o rádio um fenômeno dos palcos, do
- 1:16cinema, da teledramaturgia. Juca de Oliveira passa a
- 1:21integrar o melhor time de colunistas do Brasil.
- 1:23O ator e escritor foi entrevistado por Inês de Castro
- 1:27e Ricardo Boechat. E agora você ouve esse
- 1:29bate-papo. Juca de Oliveira está aqui
- 1:31conosco no estúdio hoje para uma entrevista, um bate-papo.
- 1:35Mas, acima de tudo, está aqui hoje para que a gente possa
- 1:38comemorar e anunciar nessa entrevista um feito da rádio
- 1:42BandNews. FMEO feito é o de ter Juca de
- 1:46Oliveira conosco a partir do próximo dia 19 de outubro.
- 1:50Fará, como fazia o saudoso e querido amigo do Juca de
- 1:54Oliveira e de todos nós, Paulo Autran.
- 1:56Uma crônica e o próprio título que ele escolheu para essa
- 2:00crônica vai dar bem o espírito é do que vai norteá la.
- 2:05Ou não norteá la salve Juca de Oliveira, uma Alegria ter você
- 2:09aqui. Alegria toda minha, você sabe.
- 2:11Eu estou eufórico, acompanho vocês.
- 2:13A BandNews mora no meu coração. Sou fã de vocês e estou muito
- 2:18feliz de estar aqui na BandNews. Vamos ver.
- 2:20Se nós iniciamos esse trabalho e quem sabe conseguiremos ganhar a
- 2:25simpatia do público para o devaneio, né?
- 2:27Juca você nunca fez rádio, né? Inês de Castro estava te
- 2:30perguntando, fora do ar, né? Ou já fez?
- 2:32E fez o que em rádio? Não, não.
- 2:33Assim como como nós vamos fazer agora, não.
- 2:37Trabalhei alguns alguma programação sobre meio ambiente
- 2:41de quando enquanto fazíamos uma crônica a respeito, mas nada
- 2:44assim como vou fazer agora, né? E eu queria aproveitar, então,
- 2:48para você contar um pouco, como é que você chegou a esse nome,
- 2:51dessa sua crônica? Nós estávamos pensando, o que
- 2:54que nós faríamos? O Paulo tran, por exemplo, fazia
- 2:57o quadrante. Eu sou um tremendo fã do Paulo
- 3:00Autran e sempre acompanhei, sempre que podia, Oo os textos
- 3:04que o Paulo fazia aqui. Aí houve até a possibilidade de
- 3:08eu substituir o Paulo, mas eu não, jamais teria coragem de
- 3:11substituir Paulo Autran porque ele é insubstituível, né?
- 3:14É uma é um ícone da cultura brasileira.
- 3:17Não me sentiria absolutamente bem e entrar no quadrante, mas
- 3:21aí conversando. Várias vezes eu relutei um
- 3:25pouco, mas aí quando nós chegamos a possibilidade de
- 3:29mudar o título, não um quadrante, eu achei que não
- 3:33seria tão ostensivo com relação ao meu querido Paulo Autran, que
- 3:36está me olhando lá de cima, o título devaneio, que ainda pelo
- 3:40menos entre nós aqui é um pouco provisório que nós estamos
- 3:42vendo. Será que o nosso título é bom?
- 3:44Será que. Nós escolhemos bem, mas eu
- 3:46pensei no devaneio por uma razão muito simples, eu estava
- 3:49estudando outro dia, problema de biologia.
- 3:51Eu estudo muito biologia, moro numa fazenda, vivo com os
- 3:54animais, com os bichos, e acho que o habitat natural do homem é
- 3:58a floresta. E eu vivo muito em contato com a
- 4:00floresta. E de repente, houve uma pequena
- 4:02história que me chamou muito atenção, que é uma historinha a
- 4:07respeito de um tipo específico de borboleta.
- 4:11E que é o que ocorre com todas as borboletas.
- 4:14As borboletas na época do acasalamento, elas se enchem de
- 4:18cores excepcionais e iniciam aquele voo exuberante que tem
- 4:24como projeto, nas suas cores exuberantes, a atração do macho
- 4:28para se dar então o contato, para se dar a conceção e para
- 4:33que se perpetua as a espécie linda das borboletas.
- 4:37Então, como ela se enche de cores e ela já é em si muito
- 4:41colorida, ela empreende um voo, um voo maravilhoso, no qual ela
- 4:47se envolve. Eu suponho.
- 4:50Ela se envolve apaixonadamente por esse voo.
- 4:52Mas esse voo tem um perigo. O perigo é que, assim como ela
- 4:56se engalana toda com as suas multicoloridas fáceis, assim
- 5:01como ela atrai o macho, ela também atrai o predador.
- 5:05Quanto mais colorida, quanto mais vistosa, mais perigoso eu
- 5:08vou. Mas há um complicador que é o
- 5:11devaneio. O que que é o devaneio?
- 5:14É a paixão que ela experimenta pelo perigo e pelo fascínio de
- 5:19voar mais alto do que é o hábito.
- 5:22Então ela ela sai, ela escapa daquele roteiro seguro e sobe
- 5:27acima das Copas das árvores, quase disputando com pássaros,
- 5:32né? Com com dores.
- 5:34Claro que ela não chega lá em cima, mas ela fica fascinada
- 5:39pelo voo, pelo devaneio do voo, e ela arrisca a vida.
- 5:45Porque ela tem a conceção, mas tem a Alegria do perigo, né?
- 5:49Então eu achei que o devaneio podia ser uma coisa
- 5:52interessante. E o pessoal muito bem lembrou
- 5:55que também há algo que escapa um pouco de de loucura.
- 5:58Um que você escapa do seu normal, né?
- 6:00Do seu cotidiano. E também tem esse conteúdo.
- 6:03Então está aí, devaneio a partir do dia 19 de outubro desde
- 6:06Castro. E olha aí, Boechat.
- 6:07Sem isso está formalmente escrito.
- 6:10Ouvinte da BandNews FM já teve um pitaco de devaneio, porque
- 6:13essa história aqui já podia. A primeira?
- 6:16História do devaneio história contada sem estar escrito em
- 6:19lugar nenhum, né, Juca? Venha voar com Juca de Oliveira
- 6:22aqui nesse devaneio. Juca, a partir de 19 de outubro.
- 6:25Fale Inês. Eu queria saber, Juca, como é
- 6:27que você vai fazer essa seleção? Porque, afinal de contas,
- 6:29literatura é uma forma de levar cultura aí para um povo que
- 6:33muitas vezes não tem a possibilidade de ir ao teatro,
- 6:36não tem poder aquisitivo. Teatro no Brasil ainda é caro?
- 6:40Como é que você vai fazer essa seleção desses textos?
- 6:42O que é que te encanta em termos de texto da literatura
- 6:45portuguesa brasileira? Língua portuguesa?
- 6:47Inês, não sei. Afinal, é um devaneio.
- 6:51É um devaneio. Olha, eu acho que tudo é
- 6:55possível, né? Nós temos a nossa disposição
- 6:58toda a literatura brasileira e toda a literatura universal, né?
- 7:03Nós podemos fazer absolutamente tudo.
- 7:05Eu tinha falado a respeito do devaneio, aquela historinha do
- 7:08Vargas de ossa também, que acho muito interessante o Vargas de
- 7:11ossa neste último livro. Oo título me escapa.
- 7:14No momento ele estava servirindo e discutindo o porquê que as
- 7:18pessoas ele ele faz análise de livros, os dublinenses, a morte
- 7:22de Veneza, vários livros. Ele vai analisando o porquê
- 7:25dessas obras fantásticas que o homem criou.
- 7:28Então ele disse que OA necessidade da literatura, a
- 7:32necessidade que nós temos de entrar em contato com a obra de
- 7:34ficção reside muito no nosso interior, cada ser humano
- 7:39segundo vagas de ouça aí, sem dúvida alguma é verdade.
- 7:43Ele está sempre defasado em relação à expectativa que faz de
- 7:46si mesmo. Nós sempre achamos que nós
- 7:48merecemos uma coisa melhor, nós merecemos um emprego melhor, que
- 7:52sejamos melhor remunerados. A nossa mulher podia ser,
- 7:55inclusive, um pouco mais bonita, um pouco mais inteligente.
- 7:58Eu não poderia ser mais inteligente.
- 8:00Eu, então, todos nós estamos defasados em relação à
- 8:03expectativa que a gente faz. E, segundo Vargas, de os, é
- 8:07exatamente essa a razão pela qual.
- 8:09Nós procuramos a literatura e procuramos a poesia, porque na
- 8:14literatura que está a conciliação, o apaziguamento
- 8:18dessa ânsia que nós temos de termos uma oportunidade melhor.
- 8:23Então, quando você acompanha o herói, a tragédia.
- 8:26Do herói ou a sua Vitória, você se aquieta e essa vai ser a
- 8:31nossa função aqui. Nós vamos levar o devaneio, nós
- 8:35vamos levar o apaziguamento para o espectador através da poesia e
- 8:39da literatura universal. Poesia brasileira é riquíssima.
- 8:42Nós temos os poetas portugueses, temos Fernando Pessoa e as
- 8:46traduções. Manuel Bandeira, um dos maiores
- 8:48tradutores de poesia do mundo, né?
- 8:51Está aqui conosco. Vamos falar um pouco dessa coisa
- 8:53do rádio, um pouco. Eu, toda vez que ouço
- 8:56especialistas em mídia e tal, em futuro da mídia, da comunicação,
- 9:00de março e tal, eles ainda relegam um pouco o rádio a um
- 9:04papel que o rádio, aliás, vem ocupando desde o advento da
- 9:08televisão ou do predomínio da televisão na comunicação de
- 9:11março, o rádio foi jogado para um plano inferior, o que é até
- 9:14compreensível. A televisão foi avassaladora na
- 9:17sua chegada e na sua expansão, e depois com a chegada da
- 9:21internet. Mais uma vez, o rádio que estava
- 9:24em segundo, passou meio ali para terceiro e tal.
- 9:26Entretanto, depois que eu passei AA conviver com essa rotina
- 9:30diária de fazer rádio, eu fiquei muito, muito, muito
- 9:33impressionado com a repercussão, com a penetração e, mais do que
- 9:38isso, com a proximidade que o rádio estabelece com o público e
- 9:43também com o fato. E de que este público é
- 9:46crescente. Acho até que, por conta do
- 9:48fenômeno urbano, os engarrafamentos monumentais, as
- 9:51pessoas estão com o rádio no carro, esse tipo de coisa.
- 9:55Você estava dizendo que nunca fez rádio cotidianamente,
- 9:58regularmente, agora, passará a fazer todos os dias, com seu
- 10:02devaneio, a partir de 19 de outubro, aqui na BandNews FM.
- 10:06Você tem alguma expectativa nesse sentido, quer dizer, das
- 10:10linguagens em que você se envolveu ao longo da vida, o
- 10:13teatro? A televisão, todos esses meios
- 10:17através dos quais você levou sua arte, sua profissão.
- 10:21Qual é a tua expectativa em relação a essa comparação dos
- 10:24veículos da forma de chegar às pessoas?
- 10:26O teatro é ele. Ainda é muito restrito no
- 10:29Brasil. Você acha possível substituí lo
- 10:32com algum outro tipo de mídia de contato?
- 10:35No caso do teatro, não, porque o teatro é um fenômeno de magia,
- 10:38né? O Flávio Rangel dizia uma coisa
- 10:40muito interessante desde o tempo que fizemos lá, semente em 1961,
- 10:44né? Do guarneiro, ele dizia que o
- 10:46teatro é o muribundo mais antigo do que se tem notícia.
- 10:49Ele vem morrendo há mais de 3000 anos.
- 10:52Tudo matou o teatro, a poesia é épica.
- 10:54As primeiras fotos OA poesia, em última análise, depois veio o
- 10:58cinema, matou o teatro, depois veio o rádio, matou o teatro,
- 11:02depois veio a televisão e matou o teatro.
- 11:05E o teatro continua. Vivo e justamente porque ele é
- 11:11um ato de magia, você vai ao teatro, como você vai um templo,
- 11:14o que que é o teatro? E última análise de um grupo de
- 11:17pessoas em torno de uma fogueira, os índios, os índios
- 11:21estão representando uma peça de teatro, eles têm até maquiagem,
- 11:25tem indumentária e tem uma história, e eles estão
- 11:28reverenciando os deuses. EE exorcizando os demônios
- 11:31naquele ritual para que amanhã caça e a guerra seja bem
- 11:37sucedida. Exatamente o que nós fazemos
- 11:39hoje e mais hoje do que antes, porque hoje nós estamos mais
- 11:42sozinhos. Você citou muito bem o caso da
- 11:45internet. Nós estamos quase Na Na cópula
- 11:48virtual uhum. Nós não precisamos quase de nada
- 11:51hoje, às vezes nem da própria mulher, para você viver
- 11:54amorosamente, porque você está na televisão, você está
- 11:58namorando, você está trocando ideias, você está resolvendo
- 12:01todos os problemas. Mas há cada vez mais uma
- 12:05necessidade de contato físico com o presidente ditador, com o
- 12:10mago, com o sacerdote, que é sempre esse que faz a mágica, o
- 12:14pajé, esse que está fazendo a mágica em cima do palco, o
- 12:17cantor da ópera ou, enfim, os cantores em todas as suas
- 12:21modalidades. E os artistas, os atores.
- 12:23Essa razão pela qual as pessoas vão, a despeito do trânsito, do
- 12:26preço da chuva, do clima, da gripe suína, as pessoas vão ao
- 12:31teatro. E o que é curioso beijar é que
- 12:33as pessoas vão mais ao teatro durante as crises.
- 12:36Olha que engraçado, porque eles precisam de uma satisfação de
- 12:39ordem espiritual. Por isso que vão naquela famosa
- 12:42crise de 7374, da crise de energia nos Estados Unidos, que
- 12:46todos rebatiam os seus carros para levar os vizinhos para
- 12:50Manhattan, por exemplo. Foi o auge da Broadway, né?
- 12:53Quando se esperava que ninguém fosse ao teatro, né?
- 12:56Quando nós temos uma mesma crise aqui, essa crise financeira.
- 12:59Não afastou as pessoas do teatro.
- 13:01Leva um pouco agora. Esse é o caso do teatro.
- 13:04Quer dizer, nada substitui o teatro porque é um ato de
- 13:06presença. Nada pode substituir o ato de
- 13:09presença, que é a fusão do ator com o seu público, né?
- 13:13E que é um ato mágico. Agora, desculpe, nós entramos
- 13:16num devaneio ótimo. É que é é essa a mesma ideia e
- 13:19não estamos falando da questão do.
- 13:21Rádio time de rádio. O rádio é da maior importância.
- 13:24Eu vejo isso na fazenda. Você levanta, vai tomar café, a
- 13:28menina que está fazendo o café, a moça que está fazendo a comida
- 13:31para cachorro, que está preparando a comida para o
- 13:33bezerro, estão ouvindo rádio desde manhã até à noite eles
- 13:37estão ouvindo rádio, o cara sai para a roça, ele está ouvindo o
- 13:40rádio, se ele vai cortar cana, se você frequenta uma usina,
- 13:44dificilmente não tem 234 rádios em cada grupo de cortadores de
- 13:48cana, comunicam, eles estão entrando em contato com aquilo
- 13:52que eles gostam com, né? É 11 satisfação de ódio
- 13:55espiritual, né? Agora, você citou o caso de uma
- 13:58metrópole como São Paulo e as metrópoles brasileiras.
- 14:00Como você pode não enlouquecer se você não tem um rádio nos
- 14:05congestionamentos, não é? Eu acho que ele ele é.
- 14:08Ele é eterno. Eu acho que ele é cada vez mais
- 14:11vivo. Ele é vital, ele tem uma força
- 14:14muito grande, não é? Juca eu queria que você falasse
- 14:16um pouquinho também do happy hour que encerrou essa temporada
- 14:19agora em São Paulo, para onde você vai daqui para frente, como
- 14:23vai ser o. O happy hour é uma.
- 14:25Algumas reflexões que eu costumo fazer porque eu escrevo teatro
- 14:29permanentemente. Então algumas reflexões que eu
- 14:32tenho, eu, eu junto, num tipo de crônica, para que depois eu
- 14:36possa eventualmente usar. E numa delas, o Jô pegou um
- 14:40caderno que eu tinha levado, leu algumas coisas, disse assim,
- 14:43olha que coisa interessante, o que que é isso?
- 14:45Faz assim, é 11 anotação, uma espécie de um diário que estou
- 14:47fazendo sobre um tema sobre o trânsito, por exemplo, né?
- 14:51Ele falou, nossa, você tem mais. Eu falei, nossa, eu tenho
- 14:53muitos, então vamos fazer uma leitura disso aqui na minha
- 14:57casa. Eu falei, não, para quê, Jô,
- 14:58não, eu quero ouvir, eu achei tão interessante.
- 15:00E o Jô tem uma espécie de espaço cultural No No prédio onde ele
- 15:03mora, lindíssimo, e lá reunimos alguns companheiros, né, Maria
- 15:07de Aly, Amaral, Caruso, Jandira Martini, Denise Fraga, aquele
- 15:13pessoalzinho amigo, para a gente fazer uma leitura.
- 15:16Fizemos lá leitura, as pessoas gostaram e o Jô falou, vamos
- 15:19montar isso. E eu falei, como montar?
- 15:21Montar. Uma coisa que eu escrevi, eu vou
- 15:23sobre o palco falar sobre as coisas que eu fiz.
- 15:26Ele falou exatamente, vamos fazer isso.
- 15:28E aí, como o Jô disse que vamos fazer, é muito difícil você
- 15:31escapar. Da ordem do Jô, ele quer fazer,
- 15:35então vamos, vamos ter que fazer.
- 15:37E começamos a ensaiar esse essas reflexões sobre política, quase
- 15:42toda a minha obra sobre. Eu fico muito irritado com a
- 15:44falta de caráter do político brasileiro, com a corrupção.
- 15:47Eu sempre falo sobre isso nas minhas peças também no happy
- 15:51hour, há alguns trechos sobre isso e o que é interessante no
- 15:54happy hour, diferente das peças que eu atualizo isso todos os
- 15:57dias. Quase que é uma peça diferente
- 15:59todos os dias. Todos os dias uma peça
- 16:01diferente, né? Todos os dias fazemos.
- 16:02Na parte política, que tem outro tipo de reflexão, eu falei, por
- 16:06exemplo, do trânsito, e tem uma que é sobre a catarse humana,
- 16:11que é o Alívio que cada um de nós tem, dessas dores, mágoas,
- 16:16dessas desilusões. Que são tantas e que vão nos
- 16:20amargando e que nós não temos possibilidade de desopilarmos o
- 16:24fígado porque a educação, a dificuldade, o problema de que
- 16:28você está em determinado lugar. Mas esse pedaço é sobre a
- 16:32catarse, que é o palavrão, né? E que é uma coisa realmente
- 16:35monumental. Há um delírio total.
- 16:39É uma coisa fantástica. E o que é inacreditável, que eu
- 16:42tinha uma dúvida. As minhas peças comparecem,
- 16:44evidentemente, pessoas de todas as idades, mas também.
- 16:47Os da terceira idade vão gosto. Já acompanharam desde o Nino
- 16:51italianinho na televisão. E as peças?
- 16:53E vão as senhoras. Como é que elas suportarão?
- 16:56Elas adoram, elas adoram. Bom, você está acompanhando aqui
- 17:01o novo colunista da BandNews FM, Juca de Oliveira?
- 17:04Aliás, as mensagens já começaram a chegar.
- 17:06Alessandra? Vancini a Pérola chona em aruce
- 17:10todo mundo dá, dando as boas vindas para o Juca de Oliveira,
- 17:13aqui na BandNews FM. Daqui a pouquinho você ouve a
- 17:15segunda parte dessa entrevista com o ator, novo colunista aqui
- 17:19da BandNews FM, Juca de Oliveira, entrevistado por Inês
- 17:22de Castro e Ricardo Boechat. Achados do espaço.
- 17:28Devaneio, com Juca de Oliveira. De Carlos Drummond de Andrade, a
- 17:38menininha e o gerente. Não paizinho não, eu quero ir
- 17:42com você, mas meu bem, eu não posso levar você lá.
- 17:47O lugar não é próprio, eu não vou demorar nada, só 10 minutos.
- 17:51Seja boazinha, fique me esperando aqui.
- 17:53Não, não. A garotinha surussava agarrou se
- 17:57a calça do pai, como que se agarra uma prancha do mar e.
- 18:00Ele insistia, que bobagem. Uma menina da sua idade fazendo
- 18:04um papelão desses e você não volta, volto hora essa, juro que
- 18:09volto, meu amor. Prometendo de passear, olhar
- 18:13pela rua, impaciente, ela baixava a cabeça, chorando.
- 18:17Estavam diante da papelaria, o gerente assistia a cena, o homem
- 18:20aproximou se dele faz me objeto de tomar conta da minha filha
- 18:25por alguns instantes. Eu vou a um lugar desagradável,
- 18:28eu não posso levá la comigo. 15 minutos no máximo é ali adiante.
- 18:34Muito obrigado, Hein. E sumiu.
- 18:37A garotinha continuava de olhos baixos, imóvel o dorso da mão
- 18:42esquerda junto à boca, o gerente passou lhe a mão nos cabelos, de
- 18:46leve, vem cá, ela não se mexeu, como é que você se chama Carmem
- 18:54Luiza Marlene? Como não respondesse?
- 18:59O gerente foi desfiando nome sem Esperança de acertar, mas ao
- 19:04dizer Estela, a cabecinha moveu se confirmando.
- 19:08Estela, Estela, você sabe que está com um vestido muito
- 19:13bonito. Estela tirou a mão dos olhos,
- 19:17examinou o próprio vestido e não disse nada, mas o gelo foi
- 19:21rompido. Daqui a pouco o gerente mostrava
- 19:23lhe a caixa registradora e autorizava.
- 19:28A marcar uma venda de 200 cruzeiros.
- 19:32Olha um gatinho, ele mora aqui, mora?
- 19:36E o que que ele come? Papel mentiroso.
- 19:41Ou então pergunte a ele. O gato acordou, deixou se afagar
- 19:46e tornou a dormir, desta vez nos braços de Estela.
- 19:51O gerente olhou o relógio, tinham se passado 15 minutos, o
- 19:56homem não aparecia. Bonito se ele não vier mais, que
- 20:01é que vou fazer com essa garotinha na hora de fechar?
- 20:05A continuação de a menininha e o gerente de Carlos Drummond de
- 20:08Andrade, você ouve amanhã, neste mesmo horário, na coluna
- 20:12devaneio com Juca de Oliveira, aqui na BandNews FM.
- 20:18Devaneio com Juca de Oliveira. De Carlos Drummond de Andrade, a
- 20:28menininha e o gerente. O gato acordou, deixou se afagar
- 20:33e tornou a dormir, desta vez nos braços de Estela.
- 20:38O gerente olhou o relógio. Tinham se passado 15 minutos, o
- 20:43homem não aparecia bonito. Se ainda não vier mais, o que é
- 20:48que vou fazer com essa garotinha?
- 20:49Na hora de fechar, tentou lembrar o rosto do desconhecido.
- 20:54Impossível. Já pensava em telefonar pra
- 20:57polícia quando Estela puxou pela perna, além da máquina e do
- 21:01gatinho, você não tem mais nada pra me mostrar.
- 21:05Ele abarcou com a vista a loja toda e sentiu a mal sortida.
- 21:10Pobre é. Eu devia ter aberto uma loja de
- 21:14brinquedos, pelo menos um bazar. Experimentou com Estela, o
- 21:17apontador de lápis, o grampeador e o homem não vinha.
- 21:24É, não vem mais. Estela andava de um lado para
- 21:27outro, dona do negócio, ele, inquieto, não mexa nas gavetas.
- 21:32Filhinha, eu não sou sua filhinha, desculpe, desculpe se
- 21:37você deixar eu abrir, então eu desço dentro havia balões,
- 21:42estrelinhas, saldo do último Natal e ele que não se lembrava
- 21:47daquilo. Estela, Rio da sua ignorância e
- 21:51o homem não vinha. O movimento de fregueses
- 21:54declinava na calçada, das filas de lotação e um crescendo daí a
- 21:59pouco. À noite, Stella soprou um balão.
- 22:04Outro quis soprar 2 ao mesmo tempo, um estourou.
- 22:10Ela assustou se ele riu, se o homem não aparecesse mais, que
- 22:16bom. Aliás, a cara dele era de
- 22:19carioca. Ainda bem que me escolheu.
- 22:23Levaria a Estela para casa. A mulher não IA estranhar.
- 22:26Faria um dela uma filha, a filha que praticamente não tinham
- 22:30mais, pois casava e morava longe, no Peru.
- 22:35E se o pai reclamasse depois? Agora quem entrega a sua filha?
- 22:39É um estranho, diz que vai demorar 15 minutos, passa 1 hora
- 22:42e não volta. Merece ter filha.
- 22:44O empregado arriava a cortina de aço quando apareceram 2 pernas.
- 22:49Um tronco inclinado na cabeça. Dá licença, ó, demorei mais do
- 22:54que pensava. Desculpe, muito obrigado ao
- 22:57senhor. Vamos, filhinha.
- 23:01O gerente virou o rosto para não ver, mas chegou até ele a
- 23:06despedida de Estrela. Até logo o homem do balão e a
- 23:12filha ficou mais longe ainda. No Peru.
- 23:17No meio do trânsito é como um pote d'água no meio de um
- 23:22deserto. Quem escreve aqui?
- 23:24Rafael barra, assim como João Carlos Cruz Silva, parabéns
- 23:28vocês acertado na música. Esta rádio é diferenciada mesmo,
- 23:31sempre João Carlos que escrevem por todas as razões também são
- 23:39dando aqui a chegada do nosso querido joga de Oliveira com um
- 23:42pela meio a partir de hoje, todos os dias.
- 23:46Peças. Raras você sintonia com rádio.
- 23:50Www.pecasraras.blogsporte.com. Agora são 9 horas e 43 minutos.
- 23:59Acompanha a segunda parte da entrevista com o ator Juca de
- 24:02Oliveira, que estreia aqui na BandNews FM no próximo dia 19.
- 24:07Com a coluna devaneio, ele conversou com Inês de Castro e
- 24:11Ricardo Boechat. Você tocou num ponto que me me
- 24:14despertou uma curiosidade. Você disse, eu escrevo há muitos
- 24:18anos, sou autora há muitas décadas.
- 24:20E eu suponho que o processo de criação, quando deliberadamente
- 24:24ele está engajado na produção, na montagem de alguma coisa que
- 24:28você, desde o início, quer levar ao público, sim, cumpre um
- 24:31determinado roteiro. Outra coisa é o que você
- 24:34eventualmente escreveu num momento muito pessoal para
- 24:37Isabela, sua filha. É o que escreveu diante de um
- 24:41drama pessoal qualquer ou de uma divagação qualquer e que jamais
- 24:45pensou em levar. Escreveu pelo hábito de
- 24:47exatamente não para levar ao palco é muito diferente?
- 24:50É? Diferente é completamente
- 24:52diferente. Por isso que usou quando as
- 24:54pessoas disseram, Ah, você vai fazer um monólogo e dizer assim,
- 24:56não, não, não, não se trata de um monólogo.
- 24:59Isso é um espetáculo solo. E há, efetivamente, do ponto de
- 25:03vista técnico, uma diferença entre monólogo e espetáculo
- 25:07solo. Porque o monólogo.
- 25:09Você está sozinho no palco, mas representando uma obra de
- 25:11ficção. Eu fiz em 7273.
- 25:15Eu fiz o uma peça que era o corpo a corpo do vianinha.
- 25:18A direção do Antunes foi até um grande sucesso, mas era um
- 25:21monólogo. Eu posso fazer o idiota do
- 25:23Dostoiévski numa adaptação e faço um monólogo.
- 25:26Agora, o solo são as minhas próprias idiotices as nossas
- 25:30besteiras que nós falamos no botequim, no happy hour,
- 25:34conversando com os amigos, e aí você as coloca exatamente como
- 25:37você citou. É exatamente isso, é diferente.
- 25:40E aí é que é. Há uma dificuldade muito grande,
- 25:42porque quando você está sozinho, falando sobre você mesmo, as
- 25:46suas coisas, é infinitamente mais complicado.
- 25:50Eu não sabia disso do que qualquer obra de ficção.
- 25:53Eu fiz 3 Shakespeare, eu fiz Júlio César, o Ricardo terceiro
- 25:57e o Otelo. E confesso que o happy hour, no
- 26:01início, sobretudo, foi infinitamente mais difícil.
- 26:05Do que qualquer uma dessas dessas tragédias.
- 26:08Porque você está sozinho com você mesmo.
- 26:11E o curioso, há alguns problemas técnicos interessantíssimos.
- 26:16Como que você consegue, numa plateia sozinho sobre o palco,
- 26:20você entrar em contato com aquelas pessoas que ali estão, o
- 26:24teatro lotado, olhando para você, esperando que você diga
- 26:26alguma coisa de você mesmo? Como é que isso pode funcionar?
- 26:30Como é que você vence o terror de você estar ali?
- 26:33E você vai aprendendo ao longo da vida algumas coisas muito
- 26:36interessantes sobre isso. Você aprende, por exemplo,
- 26:38porque a única forma de você representar, de você fazer algum
- 26:42tipo de comunicação com alguém, a única forma das pessoas
- 26:46prestarem atenção em você, é que você esteja absolutamente
- 26:49relaxado. Se você não estiver, se você
- 26:52estiver tenso. As pessoas não prestarão atenção
- 26:55em você e não olharão para você por uma razão muito simples.
- 26:58Se você está tenso, provavelmente você está com
- 27:00medo, e se você está com medo, tem aquela adrenalina que são
- 27:04setas com as quais você se defende do outro, então você
- 27:08está atacando. Aí que eu aprendi, eu caipira,
- 27:11né? Por que que o cachorro morde, o
- 27:13cão morde quando você tem medo, por que que o cavalo te derruba
- 27:17quando você tem medo? Falou assim, ó, ele deveria ser
- 27:20gentil, porque eu estou com medo dele, não, ele está.
- 27:22Recebendo agressões de você. Então, se você é absolutamente
- 27:27gentil, se você está à vontade, é e muito afetivo.
- 27:32Ele comunica com você o público, o público comunica com você
- 27:37quando você tem afetividade em relação a ele.
- 27:40Então, quando que você não se comunica?
- 27:42Você não se comunica quando você diz, eu quero fazer isto porque
- 27:46eu quero que as pessoas gostem de mim.
- 27:49Afundou como um prego. É necessário que você faça.
- 27:52Eu faço isso porque eu gosto dessas pessoas.
- 27:55Marília pera tem uma entrevista dela, uma biografia dela que não
- 27:58foi publicada, que é muito interessante e que ela diz
- 28:01exatamente sobre isso. Ela disse quando ela fez onde
- 28:04cantou o Sabiá, a primeira peça dela que eu tive até aventura de
- 28:07assistir no Rio de Janeiro. Vi pela primeira vez AO trabalho
- 28:10profissional da Marília pera, uma deslumbrante, uma das
- 28:13maiores atrizes do Brasil de todos os tempos.
- 28:16E ela disse na biografia que quando a peça estava ameaçando
- 28:20sair de cartaz, que diminuiu muito o público e fala assim, ó,
- 28:23agora não, o pessoal já viu, já está tanto tempo em cartaz,
- 28:26agora vamos tirar e não, por favor, eu quero continuar, eu
- 28:28quero continuar. Falei assim, Marília, nós temos
- 28:31que parar a peça, porque a peça já não dá mais público, as
- 28:34pessoas não estão vindo não, eu quero continuar.
- 28:37E ela disse que sofria e chorava e batia o pé porque queria
- 28:40continuar. E aí ela disse assim porque eu
- 28:42achava que naquele momento eu estava.
- 28:44Sendo amada por aquelas pessoas e mais tarde eu descobri que era
- 28:49o maior erro da minha vida, que eu tinha que amar as pessoas,
- 28:53então quando você começa a gostar delas?
- 28:55Elas te recebem muito bem. Aí você brinca, você conversa.
- 28:59O Jô tem uma coisa muito boa. Ele fecha a mão assim e diz,
- 29:02assim que a tereso 30º, a ex mulher do Jô Soares dizia assim,
- 29:05você está com a plateia aqui, ó, com a mão fechada.
- 29:09É que ela está na tua mão. Só está na tua mão quando você
- 29:12tiver muito afeto. Bom de devaneios em devaneios, a
- 29:15gente está tendo uma conversa aqui com Juca de Oliveira,
- 29:17propósito da estreia dos do devaneio.
- 29:22Que é a crônica diária que Juca de Oliveira começa dia 19 de
- 29:25outubro aqui na BandNews FM, para que vocês também tenham
- 29:30seus devaneios, ouvindo os devaneios de Juca, o devaneio de
- 29:34Juca de Oliveira. Há uma coisa que sempre me
- 29:36intrigou muito em teatro, em artes dramáticas, de uma maneira
- 29:39geral, mas em teatro particular, que é o seguinte, todo dia o
- 29:43ator entra para interpretar o mesmo texto.
- 29:47Supondo que esse texto seja um texto de alta densidade
- 29:50dramática, um texto sofrido, um texto que faça sofrer, ele vive
- 29:54aquela dor diariamente ou aquilo é um exercício técnico em maior
- 29:59proporção do que sentimento momentâneo?
- 30:02Olha, Boechat, é o seguinte, a história é a seguinte.
- 30:04Primeiro é que nunca é o mesmo. O espetáculo nunca é o mesmo.
- 30:09O espetáculo ele é sempre diferente, porque existe sempre
- 30:13um improviso, não é? Há sempre um improviso.
- 30:16As pessoas acreditam, por exemplo, que o improviso é a
- 30:19substituição das palavras? Não.
- 30:22A única coisa que não interessa no improviso é a substituição
- 30:25das palavras, no caso do teatro. Você substitui e você muda,
- 30:29porque muda o público. Mudam.
- 30:31Então a atenção, aquele eletromagnetismo que se
- 30:34estabelece entre o palco e a plateia muda todos os dias,
- 30:38então é sempre diferente. A reação é diferente.
- 30:41É sempre uma coisa completamente diferente.
- 30:44Desde o princípio do teatro, há 2 Correntes, uma corrente da
- 30:47pessoa que representa e da corrente do ator que vive o
- 30:51papel. Assim, atores que se modificaram
- 30:54ao longo da história do teatro, atores que representam que
- 30:58fingem, e atores que sentem que vivem.
- 31:01Tanto é que existe o paradoxo do diderot, por exemplo.
- 31:05É uma tese de teatro que você representa, fingindo que você é
- 31:08a personagem. E a tese do stanislavski, que é
- 31:12esse grande professor russo que criou toda a técnica sobre a
- 31:16qual se assenta o teatro ocidental ainda hoje, tanto nos
- 31:20Estados Unidos como na Europa, em todos os lugares.
- 31:22Que é viver o papel? Viver o papel é você procurar
- 31:27correspondentes psicológicos dentro de você que se adaptem,
- 31:31que combinem com a personagem. Agora, Juca precisa ter um
- 31:35belíssimo de um preparo e eu gostaria que você contasse um
- 31:39pouco como é que você faz, porque peças como o meno Mali
- 31:43ficaram em cartaz 6 anos. Todo dia diferente, todo dia
- 31:47você descobre coisas absolutamente extraordinárias ao
- 31:50longo do tempo. O leque é tão vaso.
- 31:52Todo dia você descobre uma coisa nova, uma coisa muito ruim.
- 31:57Alguém te dizer antes de entrar em cena, olha, tá aí a Fernanda
- 32:00Montenegro veio te ver. É péssimo, porque está um colega
- 32:03teu, um colega do nível da Fernanda Montenegro, uma super
- 32:07atriz, tua colega maravilhosa. Ela está vendo como é que está a
- 32:11sua performance e você está sendo testado?
- 32:14Em última análise, eu descobri por uma técnica muito
- 32:16interessante que você vai descobrir ao longo de todo dia.
- 32:19Você descobre uma coisa nova, é de você fixar alguém do público.
- 32:24Como você não vê a pessoa, você vê às vezes os óculos.
- 32:27Tem uma pessoa de óculos, aquela parte da plateia mais escura,
- 32:30você vê o reflexo dos óculos. E eu consegui uma coisa notável
- 32:34que sempre que eu pego alguém na plateia.
- 32:37Eu vejo um tipo de óculos que se pareça com os óculos da minha
- 32:40mãe, que já morreu. Como é que ele era rapidamente
- 32:44grandois, é? Exatamente como o seu.
- 32:46É só óculos de leitura, minha gente.
- 32:47Ele está apontando os meus óculos, que é aquele óculos de
- 32:50meio, é meio esfera. E que é e que tem 11 moldura um
- 32:53pouco mais escura de osso. Então pra mim ela está lá.
- 32:57De repente ela ela até fica um pouco comovida.
- 32:59Ela pode estar lá mesmo. Então se ela está lá, eu começo
- 33:03a representar para ela naquele momento.
- 33:05Então, em 2 minutos eu esqueci da Fernanda.
- 33:08E daí dela eu vou passando através de círculos que eu vou
- 33:11passando para os outros, até para você pegar o teatro todo.
- 33:14E aí você entra em calmaria e esquece a existência da Fernanda
- 33:19na plateia. Mas o problema é você estar
- 33:22sempre em função da técnica dos stanislavsk.
- 33:27Ele sugere que você tenha sempre uma.
- 33:29Uma coisa que se chama memória de emoção.
- 33:32O que que é memória de emoção é que você escolha na sua vida
- 33:36algo parecido com aquilo que aconteceu, que aconteceu.
- 33:40Parecido. O que que aconteceu uma vez na
- 33:42sua vida, quando você era pequeno, aconteceu ou uma coisa
- 33:46parecida com a ação dessa personagem?
- 33:49Então você vai para aquela ação da infância.
- 33:52Ela tem uma resposta anterior para você.
- 33:55E você? Acaba se adaptando.
- 33:57Na verdade, representar significa o seguinte,
- 34:00representar significa a capacidade que você tem de fazer
- 34:04aflorar comportamentos. Uma psicologia que se coadune
- 34:09com uma personagem e recalcaz que não tem nada com ela.
- 34:13Então você tem que buscar dentro de você lá acocorado no canto da
- 34:16sua alma, alguma coisa parecida com AA psicologia dessa
- 34:20personagem que você está fazendo aí você joga junto.
- 34:24Ouve sol, que vem aí na BandNews FM, em outubro.
- 34:27Moro numa fazenda, vivo com os animais, com os bichos e acho
- 34:31que o habitat natural do homem é a floresta, e eu vivo muito em
- 34:34vontade com a floresta. Eu termino este episódio com a
- 34:40nota de pesar do museu brasileiro de rádio e televisão,
- 34:44que lamenta a partida do amigo, colega e incentivador Juca de
- 34:49Oliveira, na madrugada de hoje, 21 de março, aos 91 anos, para
- 34:55esta homenagem, nada de formalidades digno de um homem
- 35:00avesso a elas, cujo jeito de ser, falar e sorrir era a
- 35:04própria alma espontânea do brasileiro.
- 35:07Com calor e simplicidade, transbordava emoção fez nos
- 35:12palcos e nas telas, na atuação e na escrita, a captura exata da
- 35:17brasilidade. Era amigo dos amigos agregava.
- 35:21Sempre poderíamos elencar muitos trabalhos, mas para falar desse
- 35:26amigo, pontuamos. Era determinado como o senhor
- 35:30reitor, inventivo como doutor albieri, amado como Nino, o
- 35:36italianinho enigmático como Praxedes com ideias longínquas,
- 35:42como os voos de João gibão e com um sorriso largo como o egisto
- 35:47Giroto. Juca era um imã magnético, com
- 35:51amigos, colegas e fãs. Eram nosso Juca.
- 35:56Mesmo deixando o direito, nunca abandonou o lado justo, apoiando
- 36:01entidades que valorizam o ator. Caixa 2 só nos palcos, o sonho
- 36:07da escola de artes dramáticas foi certeiro, transbordando do
- 36:12tbc para a tela da TV Tupi, o gigante dos anos 1960.
- 36:16Quantos de nós lamentamos sua partida?
- 36:21Temos certezas de que se o céu estava calmo hoje a coisa ficou
- 36:26animada com a energia do Juca. Um sol humano, radiante e
- 36:32intenso comemora a alma que chega, pois ele entregará
- 36:37aqueles braços largos e aconchegantes que só pessoas
- 36:41muito especiais conseguem dar. E o museu brasileiro de rádio e
- 36:46televisão? Completa esta homenagem com a
- 36:48melhor foto que foi encontrada no acervo para registrar o jeito
- 36:53de Juca de Oliveira. Ela mostra a Felicidade de Juca
- 36:58nos 63 anos da TV no Brasil, em 2013, no memorial da América
- 37:04Latina. A homenagem segue, naquele dia,
- 37:08você distribuiu alegrias, conversas e sorrisos.
- 37:12Perdão, Juca, pelo cabelo arrumado demais na imagem e não
- 37:16livre ao vento, como adorava ter.
- 37:19Perdão também pelo termo nota de pesar, pois deveria ser algo
- 37:24espontâneo como os títulos de suas obras.
- 37:26Talvez um simples de passagem ao grande amigo de São Roque,
- 37:31brindemos com um bom vinho a sua vida.
- 37:34Obrigado, portanto. Assina a nota a direção do MBRTV
- 37:41museu brasileiro de rádio e televisão.