Latest / Canal Ser Flamengo / A TORCIDA DO FLAMENGO ESTÁ ELITIZADA? O QUE FAZER?
Transcript
- 0:03O éber fala aqui, ó, a torcida de teatro vai dominar, cara,
- 0:06sabe o que acontece também? E é assim, eu conheço muita
- 0:11gente, né, que que tem um poder aquisitivo, é privilegiado, que
- 0:18tem dinheiro. Mas cara, é é é torcedor tão
- 0:22raiz quanto o cara lá de São Gonçalo, né, que é minha Terra
- 0:25Natal lá de São Gonçalo, que porra.
- 0:28Passa, passa vários perrengues pra poder ir no jogo do
- 0:30Flamengo, mas por quê? Porque esse cara, ele desde
- 0:34moleque ele tá indo ao Maracanã, então é, ele passa a conhecer a
- 0:40cultura de arquibancada e a gente não tá tendo isso.
- 0:43É principalmente depois que a gente teve esse banimento da
- 0:46raça e da jovem, considerando eu sei que tem a questão de
- 0:50violência, eu quero discutir isso aqui, tá?
- 0:53Isso aí é um outro debate, mas quando você perde, né?
- 0:58Torcidas organizadas que sim, AA cara, AA influência da raça pra
- 1:05mim sempre foi extremamente importante da torcida jovem,
- 1:08extremamente importante é ali ajudando na organização, é a
- 1:13raça não é conhecida e chamado de pulmão da arquibancada à toa,
- 1:16por exemplo. Então quando você não tem e hoje
- 1:19a gente vê uma coisa eu não sei, pelo menos me passa muito isso,
- 1:22tá? As torcidas organizadas que que
- 1:24que estão no Maracanã e que protagonizam de alguma forma.
- 1:28Tipo assim, ó, para mim, o pensamento é esse, a gente vai
- 1:31para o Maracanã, a gente vai levar nossa Bandeira, a gente
- 1:34vai, se tiver que fazer um sosaico, que a gente vai ajudar
- 1:37a organizar e o resto dane, se a gente a gente não está
- 1:41preocupado aqui que o torcedor Kant, que o torcedor é ele, ele
- 1:46conheça a cultura de arquibancada, dane se dane, se a
- 1:49gente vai lá faz a é como se fosse algo burocrático, né?
- 1:52Ah, eu tenho que tenho que trabalhar, então.
- 1:55Eu vou dormir às 9, 10 horas da noite, 6 horas da manhã eu tenho
- 1:58que estar de pé, porque 7 horas eu tenho que estar no trabalho e
- 2:00eu vou lá de maneira automática, faço o meu trabalho e tal.
- 2:04E aí, beleza, acabou, eu volto pra casa tipo isso, entendeu?
- 2:09Não tem. Eu lembro que quando eu quando
- 2:10eu fui a primeira vez no Maracanã e cara, assim ó, AAA,
- 2:14minha primeira experiência no Maracanã, pra mim foi
- 2:16extremamente importante pra minha vida.
- 2:19Maracanã, quando eu fui, eu tinha, eu tinha 10 anos.
- 2:24E eu recebi lá, né, 11, pessoal fazia mimiógrafo, né, um
- 2:30papelzinho lá com a com as músicas, né, com as músicas que
- 2:33iam cantar lá no Maracanã. E o Maracanã foi o primeiro
- 2:36lugar que eu que eu no mundo, cara, assim me senti, sabe?
- 2:40Cheguei lá e me e senti meu lugar, falei, caramba, tipo eu,
- 2:45eu não tive negócio de Ah, vou me adaptar, cara, eu me eu me
- 2:48senti na minha casa. Foi a primeira vez que eu falei,
- 2:50caramba, eu me sinto parte disso aqui, tá ligado?
- 2:54E eu queria viver aquilo ali toda semana, entendeu?
- 2:57Tipo, caramba, que parada. Mas você tinha o lance dos
- 2:59caras, porra, distribuírem o jornal, tinha, o jornal da raça,
- 3:02tinha as músicas, né? Você tinha, né?
- 3:06É, se o cara tá distribuindo ali pra você a música, vai o que
- 3:10vocês chegarem e você cantar, pô, você já subentende isso,
- 3:12agora você não tem nada, você não tem informativo, você Ah,
- 3:16mas tem na internet, meu amigo, o cara não vai ficar pegando lá
- 3:20qualquer um. É, é, a gente é viciado, né,
- 3:24cara, a gente vive 24 horas, o Flamengo que é, né?
- 3:28Tudo que consome tudo de nem todo mundo é assim, pô, o cara
- 3:31como eu tô falando, é perfil, as vezes o cara vai muito ao jogo,
- 3:34mas ele não fica na internet consumindo, cada um tem um
- 3:37perfil, então você já passa o seguinte, pô, meu irmão, os cara
- 3:40me dá um negócio aqui pra eu pra eu aprender a cantar, então eu
- 3:42tenho que cantar, eu me senti eu com 10 anos, eu falei, eu tenho
- 3:44que cantar e eu com 5 minutos eu já sabia as músicas, sabe?
- 3:49Então eu não tava lá. Lógico, na época não tinha
- 3:51celular, mas é você. Você pode até entender que você
- 3:55vai chegar o momento que você vai tirar uma foto até o cara
- 3:57que é a raiz, o cara vai tirar uma foto.
- 4:00Aí você tem momentos pra isso? Você tem, eu vou, ó, eu vou
- 4:03lembrar. Eu lembro de um jogo, Flamengo e
- 4:05Lion em 2014, Flamengo precisava vencer o Lyon pra poder se
- 4:10classificar, se classificar. Flamengo perdeu de 3 a 2 nesse
- 4:15jogo. Isso na Libertadores, né?
- 4:17Pra não se classificar para as oitavas.
- 4:19Cara, eu fiquei tão mal com o final do jogo.
- 4:21Eu fiquei lá sentado e é é tipo assim, um tempo pra poder
- 4:26digerir esse o resultado. EE, mesmo assim eu fiquei lá,
- 4:31sei lá, meia hora, lá dentro do Maracanã ainda quando eu saí,
- 4:34tinha gente rindo, cara, gente rindo, brincando, como se nada
- 4:38tiver fazendo foto. E tal.
- 4:41Agora é AA questão, é o seguinte, é uma realidade hoje,
- 4:44como que a gente vai lidar com essa realidade?
- 4:46Como que a gente pode minimizar isso?
- 4:48É como, principalmente as organizadas, elas podem de
- 4:52alguma maneira, é fazer com que esse torcedor seja participativo
- 4:58e não fique lá com um mero teatro, né?
- 5:00Eu eu fui é rever o jogo de quarta-feira e aí, cara, tinha
- 5:05momento, Flamengo perdendo. Né?
- 5:08Momentos em que a torcida tinha que tá ali apoiando o time e o
- 5:10torcedor tá aí, a televisão passando assim é, e o torcedor
- 5:14lá assim, ó, o cara olhando simplesmente assistindo a
- 5:18partida, porque para mim é uma diferença.
- 5:21Quando o cara vai para torcer, quando o cara vai assistir a
- 5:24partida deve ser, é, é, é igual lá você tem aquelas imagens lá
- 5:28do do do cara que puxa o canto das organizadas, né?
- 5:31É, tem muita imagem do Lula, da da raça que ele está, de Costa
- 5:34pro canto, cara. Porque ele tá lá numa numa, numa
- 5:37missão, tá ligado, de apoiar o time, de puxar os cantos, ele
- 5:39não tá vendo o jogo e ele acompanha a sensação do jogo
- 5:43conforme a reação da galera, e é isso, agora tem gente que dá pra
- 5:45assistir, pô, agora, como é que eu faço que com que esse
- 5:49torcedor seja é, é, seja participativo, como é que eu
- 5:55posso fazer isso? De quem é o papel disso aí, é do
- 5:58clube, é da organizada. Você tem que encontrar uma
- 6:01maneira de minimizar essa situação, cara.
- 6:04Porque senão daqui a pouco vai chegar de um jeito que é esse
- 6:08livro, como eu falei aqui, né? O febre de Bora.
- 6:09Ele fala muito disso, de como AA elitização lá dentro da
- 6:14Inglaterra, do futebol inglês, né?
- 6:17Principalmente lá por causa da Margaret Thatcher.
- 6:19EE, todos aqueles problemas que que tiveram nos estádios lá, que
- 6:24eram de fato precários. E como aquilo mudou o perfil do
- 6:27torcedor. Isso a gente fala isso é, é, é,
- 6:31é o autor contando de uma época que você ainda não tinha nenhum
- 6:34celular, tá? Já tinha uma mudança.
- 6:38É é significativa da maneira de torcer, com a elitização, né?
- 6:43Você teve a reforma dos estádios, os ingressos ficaram
- 6:45mais caros automaticamente com elitização.
- 6:48E a mudança do público de um de uma época que nem se tinha
- 6:52celular ainda, né?