Latest / Sala 1604 / Por que você precisa que acreditem em você? | Com Rimon Guimarães - SALA 1604
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- 0:00Grafite o hip hop ensinou esse lance de persistir, né?
- 0:03Na. Faculdade, você descobriu o que
- 0:04você queria e o que você não queria que que você descobriu o
- 0:07que você queria? Minha arte vem muito de um alto
- 0:09descobrimento, sim. Como que eu posso ambicionar e
- 0:12estar na história da arte se eu não me vejo aquilo?
- 0:14Eu queria essa arte que faz parte da nossa vida para mim
- 0:17entender assim, que que eu estou fazendo isso, né?
- 0:33Olá artistas Brasil, sejam bem vindos a mais uma sala 1604.
- 0:38Eu sou a Gabriela Antônia rosa, uma das líderes de produção de
- 0:41conteúdo da escola Revolution e host desse queridíssimo
- 0:44programa. Hoje a pessoa que está aqui com
- 0:46a gente é uma daquelas que dá uma dificuldade pra gente falar
- 0:49sobre ela, porque esse artista não é uma coisa só, ele é muitas
- 0:52coisas diferentes. Ele é um multi artista, ele é
- 0:54daqui de Curitiba, ele é muralista, ele faz música, ele
- 0:58faz pintura, ele faz. Gravura, ele dança.
- 1:01Ele já expôs em muitos países diferentes.
- 1:04Ele fez o maior mural urbano da Síria em plena guerra.
- 1:09Muitas conquistas, muitos projetos, muitas coisas
- 1:11diferentes para a gente falar. Mas hoje a gente não vai falar
- 1:13dos projetos dele especificamente.
- 1:15A gente vai falar de como ele faz esses projetos e descobrir
- 1:18um pouco do processo de criação do hymon Guimarães seja
- 1:22bem-vindo à sala b 60. 4 valeu, obrigado.
- 1:25Valeu gente. Estamos aí muito.
- 1:26Feliz por você estar aqui. Geralmente a gente traz.
- 1:30Artistas digitais, especificamente assim que
- 1:32trabalham, tipo AI, para indústria de animação, para
- 1:34indústria de games. E aí quando tava fazendo
- 1:36curadoria assim, eu falei, cara, vamos chamar ele porque vai ser
- 1:39legal. Eu tô bem feliz mesmo, a gente.
- 1:42Conversar com a gente? Quero saber tua história pra
- 1:48galera conhecer a tua história também, beleza, nasceu aqui
- 1:51como, como, como veio rimon um artista assim?
- 1:53Eu nasci bom curitibano, da área, do portão, ali e.
- 2:00Na escola eu conheci alguns amigos que desenhavam também,
- 2:05então rolou essa conexão. Mas eu era essa criança que
- 2:08ficava desenhando, era na minha ali, como eu não tive.
- 2:12Vocês são do videogame, né? Eu não, eu tive só um Atari que
- 2:15meu time deu, e daí eu tava meio desatualizado, da galera que
- 2:19tinha o mega, o Nintendo, então eu ficava na no meu mundo ali
- 2:24ficava mais excluído da galera. E nisso eu criei, tive muita
- 2:29imaginação, né? Muita, muitas coisas acontecendo
- 2:33dentro da minha cabeça e criei esse meu próprio mundo.
- 2:35Então o desenho me ajudou muito nisso, assim, de ser uma forma
- 2:39de me expressar de alguma forma assim, né?
- 2:41De de me entender no mundo também e das pessoas entenderem
- 2:47quem era o rimon também, né? Que era o cara que tava na dele
- 2:50ali. Mas Ah, pô, ele desenha que da
- 2:52hora. Então já começou 11 certa moeda
- 2:56de troca, assim com as pessoas e de ser reconhecido como
- 3:00desenhista ali no começo. Assim, você era tipo, nossa, que
- 3:03legal. Você sabe desenhar?
- 3:04Era essa pessoa que às vezes tem menina estranho que desenhei.
- 3:08Você era legal. Sabia desenhar?
- 3:10É, eu era meio que o menino estranho que desenhava, que daí
- 3:13eles viram que o. Que poderia ser legal, digamos
- 3:16assim, né? Que que ficou legal por desenhar
- 3:18também, porque também eu não desenhava e deixava só para mim.
- 3:22Eu gostava de mostrar, né? Ah, desde pequeno você gostava
- 3:24de mostrar, você já tinha esse do tipo olha aqui.
- 3:27É, olha o que eu fiz. Era uma forma de interação
- 3:29também, né? De não ficar excluído, né?
- 3:32Tipo, Ah, olha aqui, olha que da hora eu curto esse desenho
- 3:35animado também e tal. E daí?
- 3:39A partir disso eu fui me sociabilizando com a galera
- 3:43assim. Que que você desenhava?
- 3:45Ah, eu desenhava Dragon Ball. Ah, normal é desenhos, desenho
- 3:51animado e tudo isso. Que você tinha quantos anos mais
- 3:54ou menos assim nessa época bem pequeno?
- 3:57Bom, acho que lá uns 10 por aí. E como é que foi vindo AO desejo
- 4:04de que isso virasse outra coisa assim é, como é que você foi
- 4:08percebendo que era possível ser artista?
- 4:10Tipo, você tem referências? De família.
- 4:13Alguém te incentivou? Como é que se descobriu o que
- 4:16dava pra ser artista? Porque sempre rola esse momento,
- 4:18né? Do tipo Ah, eu gosto disso, faço
- 4:20uns desenhos, curto aqui, música e tal, mas aí chega aquele, eu
- 4:24posso fazer isso pra minha vida, né?
- 4:26Você teve. Acho que rola na acho que rola
- 4:28na pressão da da adolescência ali pra vida adulta, né?
- 4:32Você tem que ser alguma coisa, tem que ter dinheiro, tem que
- 4:36fazer dinheiro, fazer acontecer, né?
- 4:38Ter uma profissão e tal. Mas antes eu criava de uma forma
- 4:41assim. Sem essa pretensão, sem pensar,
- 4:45Ah, esse vai ser meu futuro e tal.
- 4:47Não sei o que eu só criava, desenhava, interagia com a
- 4:50galera com isso, mas depois ali, quando é, sei lá, ensino médio,
- 4:55você entra no ensino médio, você vai vendo aqui, eu tenho que me
- 4:58ligar, né? Vou ler alguma coisa.
- 5:00Os pais já perguntam, Ah, o que que você vai fazer?
- 5:03E tal através da internet também, eu tendo acesso muito a
- 5:06internet, eu vi que era uma profissão também e.
- 5:10Que as pessoas expunham em museus e tal.
- 5:13Então ali, saindo do ensino médio, já tava planejando entrar
- 5:19na faculdade e tal. Só que eu já tinha um estúdio de
- 5:22criação com os amigos lá da Vila Isabel, ali, que é a banzai
- 5:27Studio. Então a gente começou.
- 5:30Eles trabalhavam mais com vídeo e edição e eu trabalhava mais
- 5:34com desenho, ilustração e tal. Então eu já comecei a fazer
- 5:38esses meus trabalhos antes. É 16 ali por aí.
- 5:44E foi também quando eu já fiz a minha primeira exposição que eu
- 5:47vi na internet, um outro artista daqui de Curitiba, o Bruno
- 5:50Machado, ele estava expondo num num lugar chamado era só o que
- 5:54faltava, que era um bar das antigas, da água verde.
- 6:00E tinha e tem o projeto parede lá, quer dizer, tinha.
- 6:03E daí? Eu vi ele expondo, eu falei
- 6:05cara, porque eu conhecia ele mais de fazer murais na rua,
- 6:08grafite e tal. E daí eu falei, olha, dá pra
- 6:11expor também, né? Eu mandei mensagem Pra Ele, ele
- 6:14falou, ó, é eu perguntando né, como que, como que faz pra
- 6:20expor? E daí ele falou, ó, você manda,
- 6:23faz meio que um currículo seu e tal, tem os é, tem os editais,
- 6:28as. Os salões de arte e tal que tem
- 6:31na internet, você se inscreve, manda uma ficha técnica da obra,
- 6:35enfim, e tem também os curadores que você vai mostrando o
- 6:38trabalho, Ah, você conhece? Então o pessoal lá do era só me
- 6:42passa o contato e tal, daí é, ele me passou o contato e eu
- 6:46também fui procurando esses salões de arte pra pra me
- 6:50inscrever e daí minha primeira exposição é individual não, né?
- 6:54Minha primeira exposição coletiva foi num desses salões
- 6:57de arte que eu mandei. Eu fui aprovado, enviei a obra,
- 7:00fui lá em Maringá, tinha uns 1615 anos.
- 7:05Caraca, então nem fui pra lá, só mandei a obra, expus e daí eles
- 7:10mandaram o comprovante que eu participei.
- 7:11Então ali que começou realmente o meu currículo, ali assim.
- 7:15Foi muito novo. Senti 11, validação muito grande
- 7:19bem cedo. Assim, nessa época eu suponho
- 7:21que você não tinha mandado um. Um Goku?
- 7:2616 eu já tinha o meu estilo já assim, né?
- 7:29Porque também ali no começo, tal copiando as as animações, os os
- 7:35desenhos animados pra depois. Ali, quando eu encontrei a
- 7:39galera do grafite, tinha muito esse lance de de ter sua própria
- 7:43personalidade assim, seu próprio trampo, né?
- 7:46Identidade. Então eu percebia isso também,
- 7:50né? Havia revistas de grafite, ouvia
- 7:52as coisas na rua, via que nada era igual.
- 7:55Você já começava a reconhecer os os artistas, os personagens que
- 7:59tinha ali, né? Então tem essa pressão.
- 8:02Então eu já comecei a pensar, Ah, qual que vai ser meu estilo,
- 8:05como que eu vou? Vou ser reconhecido na rua, né?
- 8:10E tem isso subconsciente, talvez, dos dos artistas que
- 8:15quando começam do grafite, que. Grafite meio que se apropriou da
- 8:20propaganda, né? Então, como é uma coisa que tá
- 8:23na rua, tem que ser símbolos. É, digamos, simples pra simples
- 8:30absorção do é da leitura da galera que tá passando na rua.
- 8:35Então eu fui assim, simplificando o rosto, pensando
- 8:38no rosto humano simplificado, até chegar nesse lugar que eu
- 8:42gosto assim, né? Que eu gostei na época, que foi
- 8:45mudando também. A partir dos anos, né?
- 8:48Tipo ângulos, enfim, vai de alguma forma, vai ficando do
- 8:53jeito que eu mais gosto, que eu não tenho como explicar, porque
- 8:57que eu mais gosto assim, assado, mas ali que eu já fui, criando
- 9:01essa minha identidade assim, com contato mesmo, com grafite, com
- 9:05colocar o trabalho na rua. Veja uma galera ali, uma
- 9:09comunidade. E também pra ser aceito ali eu
- 9:13tinha que ter essa originalidade, né?
- 9:15Senão eu só IA ser mais. Uma Barreira assim que você
- 9:17tinha que ultrapassar, tipo, me traz uma coisa que só você sabe
- 9:20fazer e aí você pertence. Daí daí a partir disso, eu fui
- 9:26tentando fazer essas exposições, fui sendo aceito também no lugar
- 9:30da arte contemporânea, ali de alguma forma.
- 9:32E daí quando eu saí do ensino médio, eu já entrei direto na
- 9:35belas artes já. Antes era dividido em pintura,
- 9:39gravura, desenho, escultura. Hoje em dia é um é um só de
- 9:44artes visuais, né? Eu entrei primeiro em pintura,
- 9:48daí eu fiquei um ano. Daí eu saí e pensei, vestibular
- 9:52de novo. Daí entrei em gravura, fiquei
- 9:54mais 1 ano e saí. E aí, faz tempo que você ficou
- 9:57no estudo formal escola da rua? Autodidata, você nunca tinha
- 10:02feito nenhum curso de desenho, nenhum curso de pintura, foi só
- 10:04explorando materiais e as coisas que você curtia fazer.
- 10:08Exato. E como é que foi quando você foi
- 10:10pra faculdade assim? Bom foi.
- 10:11Eu fiquei bem feliz, né? Porque assim, no ensino médio,
- 10:14era só sei lá matérias que não tinha nada a ver comigo.
- 10:18Assim, ele estava louco pra largar.
- 10:19Aquilo. É, estava louco pra largar isso,
- 10:22então foi legal. Assim foi entrar num Mundo Novo
- 10:25que todo mundo ali estava pirando em arte.
- 10:28Então daí conhecer outros. Artistas, outros estudantes, né?
- 10:33Artistas, então foi muito legal. É só que ao mesmo tempo eu já
- 10:36estava trabalhando com arte, né? Eu já tinha banzai Studio, que
- 10:39eu fazia ilustrações e tal. EE também já estava trabalhando
- 10:45com murais para empresas, enfim, para coisas, grampo mesmo, acho
- 10:512007 eu fui convidado para uma exposição.
- 10:55No Santander Cultural, em Porto Alegre.
- 10:57E daí eu tinha que ficar lá um mês porque eu tava fazendo uma
- 11:00instalação, né? De arte.
- 11:02E daí quando eu cheguei na faculdade, os professores me
- 11:05deram falta do mesmo jeito. Daí eu falei, pô, eu tava.
- 11:08Que isso, né? Estava fazendo o negócio, mas
- 11:13daí mesmo assim eles falam não. Se não é diferente dos outros
- 11:16alunos. Eu até entendi também falei, é
- 11:19isso, somos alunos todos iguais, vou dar falta aqui.
- 11:22E é isso. Então daí eu pensei, putz, eu
- 11:24vou reprovar por causa de falta, porque eu tava fazendo arte,
- 11:31ainda mais num num museu, né? Uma instituição de arte, é, vou
- 11:36sair. Então eu acho que eu me garanto
- 11:37assim, sem, sem faculdade, né? Eu já estou fazendo sem
- 11:40faculdade. Daí eu segui e daí aí abriu
- 11:44também várias portas de fazer exposição em outros lugares do
- 11:47mundo, e daí eu fui conhecendo. Viajando o mundo através da
- 11:51minha arte, assim que foi a maior faculdade que eu poderia
- 11:54ter, só que ao mesmo tempo, assim eu não desconsidero esses
- 11:592 anos que eu tive lá foi muito bom assim pra bom, eu nunca
- 12:04tinha parado pra pra fazer um desenho.
- 12:09É com modelo vivo, por exemplo, assim desenho realista.
- 12:13Ficar fazendo desenho realista. Eu sempre fiz as minhas coisas
- 12:15sutilizadas, então lá eu parei pra isso.
- 12:18Pensar sombra, volume, então aprender fundamento ali de
- 12:25desenhar uma estátua, enfim, então foi muito legal fazer
- 12:29isso. Também me ajudou no meu lance de
- 12:31de estilizar, né? Porque você tem que saber Ponto
- 12:34Certo para você inventar. Enfim, ponto comum básico, que
- 12:39seria Oo desenho de observação, o realismo, para daí
- 12:44desfragmentar isso, né? Então foi muito bom assim pra
- 12:47mim. Considero que valeu muito a
- 12:50pena, sei lá. Aulas de antropologia em eu
- 12:54conhecia culturas de outros lugares do mundo.
- 12:56Ali me fez esse pensar artístico.
- 12:59Me instigou, né? Pra isso, assim.
- 13:01A gente abriu um certo senso de propósito no sentido de o que
- 13:08que eu quero com a minha arte, com as coisas que eu tô criando?
- 13:11Sim. E até do que eu não quero, né?
- 13:14Que tem. Teve lá Na Na Na escola, esse
- 13:17lance de na belas artes, que o professor me falou assim, eu fiz
- 13:22uma linha torta que não era a linha certa que tava ali do
- 13:25modelo. Ele falou, ó, isso é uma
- 13:27referência para você fazer a linha certa.
- 13:29Não apaga. Deixei.
- 13:31Eu sei que a torta está aqui a certa.
- 13:32Deve estar em algum lugar que não está torta, né?
- 13:37Deve estar por ali. Eliminatória.
- 13:39É, então eu soube o que eu não queria também na faculdade, né?
- 13:43Eu queria o que eu não queria. Então eu segui o meu caminho de
- 13:47uma forma. Ah, eu sei o que eu quero.
- 13:48Não quero estar pintando, sei lá.
- 13:51Pano de prato, aprender essa técnica para, sei lá, pintar
- 13:54telas também para decorar casas das senhoras.
- 14:00Sabe eu do Batel assim, é, eu queria fazer outra coisa, então
- 14:04eu já sabia pra onde não ir, né? Uma referência de alguma forma,
- 14:08então me ajudou muito também, né?
- 14:10Então até as coisas ruins ajudam de alguma forma.
- 14:13Assim, sempre você saber o que você não quer.
- 14:15Mas eu acho que você fala de uma forma muito confiante sobre teu
- 14:18caminho, tuas escolhas assim. Seus pais se incentivavam quando
- 14:22você era mais novo assim, quando você chegou em casa e falou.
- 14:25AI, eu. Quero ser artista.
- 14:28Então foi um ato de rebeldia assim foi tipo, eu vou provar
- 14:31pra vocês que eu consigo fazer. É, foi meio que isso foi.
- 14:34Foi rebelde assim eles tentaram, né?
- 14:37Assim descolar uns trampos pra mim antes ali da de eu começar a
- 14:41fazer grana com a com a banzai Studio, de ter um estúdio com
- 14:45meus amigos. Eu cheguei a trabalhar assim,
- 14:48ter alguns trabalhos regulares, mas assim eu consegui também
- 14:54fazer grana com a arte muito cedo.
- 14:58Então eu consegui provar para eles de alguma forma que dava
- 15:02certo, né? Para eles acreditarem em mim.
- 15:03Mas foi sempre essa questão de de um embate assim, de uma luta
- 15:08de alguma forma, né, que também me ajudou, né?
- 15:12Eu eu acho que se se tivesse se fosse muito fácil, se tivesse
- 15:15muita ajuda, eu, eu talvez não seguiria.
- 15:18Então foi o esse lance foi bom pra eu entender, é pra eu, sei
- 15:23lá, forçar o meu, o meu, o meu discurso, né, que eu tinha
- 15:29sempre esses embates com os meus pais.
- 15:31Então eu tinha que ter o porquê, argumentos e tal.
- 15:34EE, mais do que isso, o dinheiro do bolso trazer a grande falar,
- 15:38ó, vou pagar aqui minhas contas. Resolvido.
- 15:42Daí saí de casa cedo, comecei a pagar minhas contas sozinho
- 15:46também e eles falavam, pô, legal.
- 15:49Daí quando eu apareci na TV, aí já era.
- 15:52Aí já eu me. Desde.
- 15:53Criança ele desenhava e eu falava que IA ser isso aí e a
- 15:57gente sabe como é que é. Mas é isso.
- 16:00Eu entendo eles também, né? Essa posição de você ver o seu
- 16:03filho ali crescendo e. Preocupado, né?
- 16:06Não tem referência de artistas basicamente, né?
- 16:10Quantas pessoas eles conhecem, que trabalham com arte grande?
- 16:13Dinheiro com isso? Então, ali, de alguma forma, eu
- 16:15mostrei pra minha família ali que que é possível, né?
- 16:18E hoje em dia eles acessam mais a arte, entendem mais a arte por
- 16:22causa disso, por causa de mim ali, que fiquei cutucando ali.
- 16:26Caramba, que que geralmente é um caminho, não é o caminho mais
- 16:31comum assim, já falei para vocês, perguntou quantos
- 16:33episódios a gente já tinha gravado, né?
- 16:34Eu falei para você, 290 não é um caminho mais comum.
- 16:37Geralmente as pessoas que não tem o apoio da família sofrem
- 16:40muito, assim não conseguem. Rola muito uma sensação de tipo,
- 16:45se eles não acreditam em mim, eu não consigo acreditar sozinhos,
- 16:48sabe? É uma falta de autoestima mesmo,
- 16:50falta de coragem, de de dizer não, esse é meu trampo, eu vou
- 16:54fazer isso e eu quero ser bom nisso, sabe?
- 16:56É talvez Oo hip hop, né, o grafite, o hip hop me ensinou
- 17:01esse lance de persistir, né, que tem muito esse lance do it
- 17:04yourself, né? Faça você mesmo.
- 17:07Então, com o grafite eu via isso também, né, meus amigos, a gente
- 17:10não tinha tinta, a gente dava um jeito de pegava, beterraba,
- 17:14batia, inventava uma tinta, alguma coisa, a gente IA, sei
- 17:20lá, em loja de tinta pedir, Ah, tem tinta podre aí que já passou
- 17:23da validade, você pode dar pra gente.
- 17:26É ou Ah, tem um restinho lá de corante que eles usam para as
- 17:30máquinas. Pedi essa só OA garrafa com com
- 17:35aquele restinho que fica no fundo, já era super valioso pra
- 17:38gente. Então essa forma também da
- 17:41escassez, né? A gente conseguir a escassez nos
- 17:46fez ser criativos, né? Achar alternativas de realizar
- 17:50nossas coisas, então. De alguma forma, assim, acho que
- 17:54isso me formou, né? Me forjou de não ter tempo ruim
- 17:58assim, se ninguém acredita, Eu Acredito, eu vou fazer o mesmo.
- 18:02O que eu tenho aqui vou fazer acontecer, né?
- 18:05Eu acho isso maravilhoso, queria que mais artistas tivessem esse.
- 18:09E esse lance da internet também, né?
- 18:12E daí? Eu eu sou de uma época, eu sou
- 18:15de 88. Então eu vi, sei lá, o telefone
- 18:18discado. É, eu não sou tão mais nova, eu
- 18:22sou de 93, é? Então, o surgimento da internet
- 18:25entrando nos lares, o povo brasileiro ali e tal.
- 18:30E daí eu consegui surfar nisso também.
- 18:32Então, todas as artes que eu fazia, de alguma forma eu
- 18:35registrava e postava. Era essa minha pergunta que você
- 18:38falou, Ah, fui convidada para fazer exposição lá, fiz a
- 18:41primeira novinho. Ah, outras empresas chamaram
- 18:44para fazer murais aqui. Como é que você ficou conhecido?
- 18:46Foi assim, você sempre foi postando do teu trabalho.
- 18:49É, acho que assim, trabalhar na rua, o principal, porque todo
- 18:52mundo passa, todo mundo vai ver é, e daí?
- 19:00Você pega isso e coloca na internet, então você multiplica,
- 19:03né? Então, tipo, as pessoas que só
- 19:05viriam em Curitiba, ali na minha cidade ou no meu bairro, agora
- 19:10vem em outros lugares. EE também.
- 19:13Eu fui conectando com essa comunidade mundial da arte de
- 19:17rua, né? Do Street arte, do grafite.
- 19:20Então essas pessoas se conectam de alguma forma, se buscam, né?
- 19:24Então, a partir daí fui postando, fui vendo assim que
- 19:27pessoas, sei lá do Japão, gostavam da minha arte.
- 19:31Às vezes meu amigo do meu lado não curtia, mas o cara.
- 19:34Também sempre é um desconhecido que vai dar um apoio primeiro,
- 19:36né? Não vou agradar todo mundo, mas
- 19:38alguém eu estou agradando, então eu estou feliz de fazer e isso
- 19:41me incentivava a fazer mais, né? E daí fui tendo esses contatos
- 19:44com o mundo inteiro ali. Antes a gente trocava cartas,
- 19:48então, Ah, colava lambe, lambe, né?
- 19:50Na rua, postava no fotolog, daí outra pessoa do fotolog via e
- 19:55falava, pô, qual que é teu endereço?
- 19:56Daí a gente trocava endereço, trocava cartas.
- 19:59Eu colava uma arte deles aqui e eles colavam uma arte minha lá
- 20:03no Japão e daí mandava. As fotos?
- 20:06Eu postava, então tinha esse lance de de uma rede mundial,
- 20:11né? Então isso me incentivava
- 20:13bastante assim e as pessoas também.
- 20:15Tudo evoluindo junto. Não, não tem o que tem hoje do
- 20:18grafite. Assim que hoje ficou uma coisa
- 20:20super comercial, né? Tinha uma coisa muito da
- 20:23essência de estar usando a rua. Como um lugar nosso de expressão
- 20:28ali o adolescente, né? Explorando a cidade, conhecendo
- 20:32novos bairros e aí também se. Se expressando.
- 20:36Né? De alguma forma, usando a cidade
- 20:39não só como lugar de ida, de volta, assim, de passagem.
- 20:43Então é, essa era a essência, né?
- 20:45Hoje em dia eu vejo que a galera pinta mais para tirar uma foto e
- 20:47postar. Realmente a gente vivia a rua,
- 20:51realmente era muito legal, interagia.
- 20:54E era um dia maravilhoso assim, de de Liberdade, de poder se
- 20:58expressar. E porra, esse muro que que era
- 21:01só texturas ali estava abandonado, virou um portal com
- 21:06muita coisa para se pensar sobre assim, né?
- 21:10Então, nessa época tinha esse sentimento assim bastante.
- 21:14Então isso me ajudou muito a produzir cada vez mais assim.
- 21:19Esse foi o grande incentivo e essa conexão com o mundo, né?
- 21:24Eu acho que foi em. Eu fui começando a participar de
- 21:27zines também, é de pessoas de fora, e falava, Ah, manda um
- 21:32desenho aqui pro meu Zine e tal, dando essa interlocução.
- 21:36Até em 2010 eu tinha já uns 20 e pouquinhos anos 21, acho é lá na
- 21:44Bélgica. Eu tinha participado de algumas
- 21:47de alguns zines. Eles me convidaram pra
- 21:48participar de uma exposição coletiva, né?
- 21:52Daí eu pensei, Ah da hora, mas não tem dinheiro pra ir pra lá,
- 21:54né? Daí eu tentei várias
- 21:57alternativas, eu já tinha feito trabalho pra algumas empresas e
- 22:00tal e eu busquei eu e mais um amigo.
- 22:02A gente escreveu um projeto e ficamos buscando incentivo de
- 22:05alguma forma, mandamos pro mim que também, então passamos, só
- 22:11que daí 11 agência de publicidade que eu tinha pintado
- 22:15feito um mural lá pra eles, eles falaram, Ah beleza, a gente vai
- 22:18te apoiar, qual que é a tua conta?
- 22:19Aí puf, dinheiro na conta. Falei, nossa, deu certo.
- 22:23E daí? É isso.
- 22:24Quanto mais você faz, mais você posta, mais a galera vê, mais
- 22:27você viaja, mais você mostra o trampo e vai ampliando assim,
- 22:31né? Numa rede mundial assim.
- 22:33Voltando aí nos passos atrás, você falou que na faculdade você
- 22:36descobriu o que você queria e o que você não queria.
- 22:38Você falou já sobre o que você não queria, né?
- 22:40Não queria pintar quadros pra senhoras no Batel.
- 22:44Mas o que que você descobriu que você queria assim?
- 22:46Tipo assim, ó, eu vou mirar nisso.
- 22:50Eu acho que AAA arte como vivência, né?
- 22:57Não sei só lá a tela ali, né? Mas ser isso de viajar, de é
- 23:02conhecer novas culturas, conhecer novas pessoas, novos
- 23:06pensamentos, é, enfim, tudo, né? Outras músicas, isso me
- 23:13incentivava a produzir mais, né? Porque assim, quando você é
- 23:16artista, chega 1 hora que você. Precisa de de um certa
- 23:22inspiração realmente assim? Né?
- 23:25Que não é uma coisa de tipo só referência, que você, Ah, olha
- 23:29que bonito. Eu vou copiar e vou trazer pra
- 23:31minha arte, não de vivência mesmo.
- 23:34Você tá num lugar, uma festa popular, sei lá, no Siri Lanka.
- 23:38E daí você vê 11 roupa ali, uma estampa de uma de um tecido
- 23:44tradicional. EE te traz assim o.
- 23:48Inspiração real, né? Ali você, porra, olha para
- 23:51aquilo e fala, nossa, essa experiência estética junto com
- 23:53junto, em conjunto com tudo que tem ali, né?
- 23:56Sensorial te inspira. Então isso que eu queria mesmo
- 24:01era conhecer o mundo, é me inspirar para poder continuar
- 24:05trabalhando. Chega 1 hora que realmente sei
- 24:08lá, eu tenho mais de 20 anos de de trabalho já profissional,
- 24:13chega 1 hora que você. Sim, é trabalho.
- 24:15Você não se inspira assim, sabe? Chega 1 hora que você é meio
- 24:19forçado a desenvolver algum trabalho criativo.
- 24:23Então essas coisas, né? De de ver novas culturas, de
- 24:28conversar com pessoas diferentes e tipo, a Síria, né?
- 24:33Que a gente falou ali, você chegou a falar rapidinho Na Na
- 24:35apresentação, é isso? Abriu muito, né, pra mim.
- 24:41Desse poder da arte assim, né? De saber que a arte pode mudar
- 24:45vidas, pode ajudar com pessoas que estão em situação de guerra
- 24:49de alguma forma. Então isso que eu queria viver,
- 24:52essa essa realidade assim de de viver a arte, transformar, né?
- 24:57Transforma a vida das pessoas, como transforma minha também
- 24:59rola esse feedback também, né? Das pessoas pra mim, então isso
- 25:04não tem preço. Assim, isso eu nem sabia que eu
- 25:06IA verdade. Me deparar com isso assim, né?
- 25:10Mas depois dessa vivência eu senti esse, esse, essa
- 25:14realização que que que realmente é uma coisa que não não dá muito
- 25:19pra explicar, né? Que é 11 troca humana, real,
- 25:22real assim. Que faz as coisas fazerem mais
- 25:24sentido pra você, né? E tematicamente, tipo, o que que
- 25:28você? Você já tinha um projeto assim
- 25:30específico? Ah, eu quero.
- 25:32Fazer isso aqui, sabe? É isso aqui que eu quero
- 25:34expressar. Eu quero contar essa história.
- 25:35Eu quero, sabe? Você já tinha.
- 25:38A minha arte vem muito de um auto descobrimento.
- 25:40Assim. Eu muitas vezes vou para fazer
- 25:43um trabalho quando eu estou mais livre, sem um trampo específico.
- 25:48Para mim entender assim, né? Tipo forma de se expressar de
- 25:53alguma forma e daí através disso.
- 25:55E por que que eu estou fazendo isso, né?
- 25:58É uma auto análise de alguma forma.
- 26:01É, eu deixo sub inconsciente agir quando estou pintando.
- 26:07Eu gosto disso assim, de não premeditar muitas coisas,
- 26:10porque, né, tem as exatas que você sabe que, mas um é 2 assim,
- 26:15né? Na arte pode ser 2211, enfim,
- 26:19pode ser qualquer coisa. Então é isso, assim de também
- 26:25uma auto descoberta e descobrir o mundo de alguma forma também,
- 26:30eu acho que é. Isso que me instiga continuar
- 26:33produzindo, porque se eu fosse saber já certinho que eu iria
- 26:37pintar, como IA ficar, qual é o conceito?
- 26:41Não teria nem porque eu pintar, porque eu já sei.
- 26:43Então não é divertido pra mim. O divertido pra mim é também é
- 26:48descobrir coisas, ver o que o trabalho me diz, né?
- 26:51Depois que eu termino o trabalho, eu fico olhando,
- 26:53olhando, passa 12 dias, daí eu vou conectando e falando, nossa,
- 26:57deve ser isso que eu tô falando. Você mesmo vai entendendo o
- 27:03significado depois que você fez. Não todas, né?
- 27:05Tem outras também que eu pego, Ah, eu quero fazer isso.
- 27:07Aquilo já pensa antes e faz, né? Mas no processo muda muita
- 27:12coisa. Eu vejo que a pintura de alguma
- 27:15forma pede coisas, né? Você coloca uma cor, a outra cor
- 27:18já pede. Se você está muito fechado num
- 27:21projeto inicial, você não se diverte nesse.
- 27:25Você se diverte? Me divirto ainda.
- 27:28Não é difícil, depois de fazer isso por tanto tempo, você
- 27:31continua se divertindo? É, eu acho que esse lance de ser
- 27:34múltiplo também é uma forma de se proteger, né?
- 27:39De manter divertida. Ficar preso no mesmo processo,
- 27:43né, é? Você sabia que você pode usar o
- 27:50cupom sala 1604 em qualquer curso da escola Revolution e
- 27:55ganhar um descontinho na hora de fazer a sua matrícula?
- 27:57Só acessar o site da revo e escolher seu curso, digitar o
- 28:01cupom sala 1604 no carrinho e descontinho aplicado.
- 28:04Esse podcast aqui é só benefício para artista assim Brasil.
- 28:11A gente é muito influenciado, né, por Estados Unidos, Europa,
- 28:14em termos de arte, por mais que tenham sido culturas que beberam
- 28:18muito, né, de influências orientais.
- 28:21Em determinados momentos da história a gente acaba não
- 28:24bebendo da fonte da fonte, né? A gente fica centradinho ali.
- 28:27Nos europeus do século 1819, comecinho do século 20,
- 28:30normalmente, quando a gente vai falar de história da arte, né?
- 28:33Fica Itália, França, Inglaterra. E é meio que isso aí é.
- 28:39Quando que você começou a tipo Ah, não, pera aí, tem mais que
- 28:41isso assim? Acho que foi na faculdade a.
- 28:44Influência do grafite teve influência do hip hop, mas
- 28:47quando em termos de história da arte, acho.
- 28:49Que foi na faculdade. Mesmo assim que eu eu já
- 28:53percebia que era muito eurocentrada ali o ensino, né?
- 28:58Isso foi um pouquinho. Eu saí da faculdade um pouquinho
- 29:01antes deles. Obrigarem a ter ensino sobre
- 29:04Ásia e África dentro do do. Da grade ali, né?
- 29:10Então eu, eu, eu eu sentia isso muito assim, não representado de
- 29:14alguma forma, não, não estava me vendo ali na no estudo, né?
- 29:20Na história da arte ali. Como que eu posso ambicionar e
- 29:24estar na história da arte se eu não me vejo aqui, né?
- 29:27Então isso de alguma forma me me incomodava e coisas da da
- 29:33cultura popular brasileira me chamava muita atenção, me.
- 29:38Ah, tipo lia de reis, tipo é congado.
- 29:44O Carnaval em si é a música popular ou arte Naif.
- 29:51Sempre me chamou muita atenção a arte Naif assim, porque ela
- 29:55vinha pura, sem esses estigmas, sem todas essas esse peso da
- 30:00história da arte ou essas coisas pré estabelecidas, né?
- 30:05Que já vem é. E a gente, pô, a gente, nós
- 30:08somos humanos que queremos nos expressar de alguma forma.
- 30:11Por que que ser tão complicado, né?
- 30:13Essa criação, então essas artes na if assim sempre me chamou
- 30:18atenção. E daí eu fui pra arte de
- 30:21criança, fui pra para as artes mais antigas, né?
- 30:26Que eu chamo de arte essencial, que é da época, da da, da da
- 30:31arte das cavernas e tudo. E dali que eu, que eu assim,
- 30:36sentia a maior influência assim, porque é uma coisa que faz parte
- 30:40da vida das pessoas, não é? AI agora eu vou fazer uma arte.
- 30:44É natural. Ver a pessoa com barrete assim,
- 30:47sabe, na frente do? É então esse lance.
- 30:51Botaram uma, sabe? Tipo assim, todo uma impostação
- 30:53assim. É, então tem.
- 30:55Tem muito esse lance da da arte europeia, esse ritual assim,
- 31:00excludente, né? Que parece que você não.
- 31:04Você sendo uma pessoa normal, o artista é 11, tipo especial de
- 31:08pessoa, e você não, né? Então, e a arte mostra o
- 31:12contrário. Uma pessoa que é reservada, né?
- 31:16Tanto que você falando, Ah, eu queria viver, queria ver o
- 31:18mundo, queria viajar, queria trocar com as pessoas.
- 31:21Meio que vai de encontro ao imaginário de artista que a
- 31:24gente normalmente tem, né? De artistas, principalmente
- 31:26visuais. É solitário?
- 31:28É solitário, sozinho no canto dele, não fala com ninguém, fica
- 31:31lá com as coisinhas dele, com as coisinhas de artista dele.
- 31:34É, eu queria o contrário. E eu queria essa arte que faz
- 31:36parte da nossa vida, né? Então eu fui achando ali na arte
- 31:41africana, na arte indígena brasileira, nas nas artes
- 31:45populares do Brasil e fui achando.
- 31:48Me conectando mais com isso assim, né?
- 31:51Tipo, dentro da minha família. Minha mãe é é costureira, então
- 31:54também via esse lance de criação, né?
- 31:56Vi ela, IA acompanhar ela comprar tecidos, via gama de
- 32:02texturas, de estampas que tem nos tecidos.
- 32:04Isso já estava me influenciando e eu não estava ligado.
- 32:07Daí via ela medindo, chegando em casa, cortando e criando uma
- 32:11peça, né? Uma criadora que daí ela vendia
- 32:16é chegava a grana. Nessa casa a gente comia, enfim,
- 32:20eu fui vendo assim, naturalmente, que era uma forma
- 32:23de sobrevivência também, né? Então a arte pra mim tá muito
- 32:28dentro disso, assim como uma coisa cotidiana e tem que ser
- 32:33natural e de sobrevivência, de de viver, né, não ser uma coisa
- 32:37separada. Ah, agora eu vou deixar de viver
- 32:39e fazer arte ou é? Eu vou deixar de viver pra
- 32:43trabalhar agora eu tô trabalhando, agora eu não tô.
- 32:46Enfim, pra mim é as as mesmas coisas, tanto que eu não consigo
- 32:49ficar sem trabalhar assim. Chega as férias e eu tô
- 32:54trabalhando, mas pra mim é isso, assim tem tem momentos que
- 32:58dentro da arte eu consigo acordar a hora que eu quero
- 33:01também, eu posso viajar também enquanto todo mundo tá
- 33:05trabalhando. Enfim, isso que é os prós e
- 33:11encontros também de de viver de arte, assim de.
- 33:16Não só da grana, né? Viver de arte, mas a vida está
- 33:19misturada com a arte assim. É não nossa, mas aqui, no seu
- 33:22caso, é em um nível muito todas as áreas.
- 33:25Assim é uma coisa, dá para perceber.
- 33:27Essa é a máquina do corpo, né? Que a gente tem tem que usar.
- 33:30Eu acho que até que eu aonde eu saiba, a gente só tem uma vida
- 33:35assim, né? 11 é igual videogame, fazer
- 33:40tudo. Né?
- 33:43Pode fazer que está no nosso alcance para não ficar frustrado
- 33:46também, né? Chegar velho e falar, Ah, eu
- 33:47queria fazer uma animação, né? Eu sempre quis cantar.
- 33:52Eu não quero ser esse cara assim, quero ser não.
- 33:55Eu fiz, mandei mal. Não.
- 33:59Dá nada, tipo, eu me realizei. Eu queria fazer sem ter esses
- 34:06esses pensamentos assim, né? Eu queria.
- 34:09Eu acho que é isso de ser multi também.
- 34:11É uma forma de. De sobrevivência também, né?
- 34:13Porque Ah, não, só quero vender tela, não dá pra você sobreviver
- 34:17assim, sabe? É, tem, tem esse caminho também,
- 34:24mas no meu caso não foi, né? Eu tive que ir pra ilustração,
- 34:28eu fui pra gravura e a reprodução de obras e você pode
- 34:33vender mais barato. Enfim, trabalhei com animação já
- 34:36no desde o banzai Studio já trabalhava com animação que a
- 34:39gente fazia. Propaganda pra pra loja de
- 34:44brinquedo lá de Ponta Grossa? Ah, vai, tem que ter animação
- 34:48tal. Não sei o que da gente fazer
- 34:49animação, fazer stop motion. É, tem esse lance da moda
- 34:54também, que eu tenho uma marca com a minha mãe e colaboro com
- 34:56várias marcas de de moda de roupa também.
- 35:00É sobrevivência, pô. E também querer se vestir
- 35:03estiloso. Com a própria arte, né não?
- 35:06Isso faz parte. Minha mãe, como sempre.
- 35:09Né? Fazia minhas roupas, então já
- 35:12dentro da minha cabeça era assim também, você tem que fazer sua
- 35:14própria roupa, eu quero minhas estampas aqui, quero sair
- 35:17estiloso e também tem isso, né? Da arte, tá dentro do cotidiano
- 35:22também, é isso, você vestir, se sentir bem com sua própria arte.
- 35:27E daí a partir do que eu IA me vestindo, outras pessoas que
- 35:29queriam também, né, pô, que da hora essa camiseta?
- 35:32Ah, só tem uma. Tem a minha.
- 35:34Pô, faz pra gente também e tal. Daí começando daí, vai vendendo
- 35:38também. Enfim, também os desafios.
- 35:42Eu gosto de encarar assim, de alguma forma assim, né?
- 35:45Muito fácil de dizer não, Ah, não consigo fazer não, essa
- 35:48estampa aqui é só pra mim. É.
- 35:50Muito fácil por esse caminho. E de alguma forma as pessoas se
- 35:54perguntando me instigava assim, pô, você faz cultura fácil.
- 35:59Vamos fazer acontecer aqui, né? E.
- 36:04É isso daí, você dedica um tempo, né?
- 36:06E tem intimidade com material ou faz isso ser parte da tua vida
- 36:10mesmo? Aí acho que que dá pra fazer, dá
- 36:14pra segurar todos esses pratos ao mesmo tempo.
- 36:18E uma coisa influencia na outra, né?
- 36:20Assim, na música, as artes visuais de alguma forma me
- 36:23influencia, né? São composições também de cores.
- 36:28É porque nos seus projetos musicais?
- 36:29Também. Você não é só.
- 36:30Você não é uma coisa só, né? Você tá envolvido nas várias
- 36:34partes do processo ali Na Na criação das parte gráfica, No No
- 36:39projeto dos clipes, né? Você não tá só não.
- 36:42Só compondo. Né, eu já faço a música, já faço
- 36:47a capa, já faço a animação do videoclipe.
- 36:52É. Uma coisa retroalimenta outra,
- 36:56né assim? Acho que é as pessoas que
- 36:59separam, né? Tipo, é, você não se limita.
- 37:01Né você? Não se limita.
- 37:03E aí faz sentido que você seja todas.
- 37:05Faz sentido que você seja muralista que você faz posição
- 37:07em museu e que você sabe, faça show.
- 37:10Vamos. Fazer o que dá para fazer?
- 37:12É isso. EE, essa coisa é muito de
- 37:16mercado de capitalismo. Limitar e colocar, né?
- 37:19Porque é bem isso. Você tem um produto, você
- 37:21precisa colocar um rótulo ali, ó, isso é isso.
- 37:24E eu nunca aceitei esse rótulo que colocaram pra mim, né?
- 37:27Ah, é grafiteiro também sou, sabe?
- 37:30Sou um ser humano aí que posso ser várias coisas ainda, né?
- 37:35A vida tá aí correndo, tudo pode acontecer, é mais, eu vejo como
- 37:39uma coisa comercial, isso de de rotular a gente em essência.
- 37:42Quer fazer várias coisas, né? Quer sair da monotonia.
- 37:46É o ser humano. Tem isso, essa, mas também não,
- 37:49né? A gente gosta de ficar
- 37:50confortável. Meu trabalhinho pinto as minhas
- 37:53telinhas aqui vendo. Estou tranquilo, não quero mais
- 37:56nada. Tem.
- 37:57Tem essa pessoa, você não é? É engraçado porque, mas.
- 38:01Algum dia eu posso ser também, eu quero ter a Liberdade.
- 38:03Se eu quiser ser, eu vou ser sim.
- 38:06É que é. Geralmente, na indústria, a
- 38:08gente tem os artistas que são generalistas e os artistas que
- 38:10são especialistas. Só que você, tipo, é é
- 38:12generalista. Em várias partes assim, né?
- 38:15Não é uma só. Isso é muito louco e alguma
- 38:18coisa que eu queria saber que para mim era uma das das
- 38:21perguntas mais importantes, assim de quando eu estava
- 38:22fazendo um roteiro e pensando sobre as coisas que eu queria
- 38:24saber de você, é como você escolhe a mídia, tipo, você
- 38:28quer, você tem um projeto, como é que você sabe que é uma
- 38:30música? Como é que você sabe que vai ser
- 38:31um mural? Como é que sabe que vai ser um
- 38:32quadro, uma gravura, um sei lá, uma peça de roupa?
- 38:36Ah, eu não sei. Droga, eu achei que eu IA
- 38:40descobrir a resposta do universo.
- 38:42Aqui não dá pra saber, eu acho assim.
- 38:44Acho que na verdade, a Laguna plena, que é uma música que eu
- 38:48fiz e depois virou uma exposição que é.
- 38:52Multimídia. É na caixa econômica, na caixa
- 38:57aqui de Curitiba e depois foi pra São Paulo, essa eu não
- 39:00imaginava, mas assim a música nasceu quando eu tava lá na
- 39:03Malásia. Na casa de uns amigos
- 39:06colombianos, eles tinham violão lá.
- 39:10Como eu tava falando muito espanhol, eu criei lá no violão.
- 39:14Eu também não sou um super instrumentista, fiz uma base
- 39:18assim, um looping de violão, e daí foi vindo uma letra pra mim
- 39:23e tal. Eu fiz é 2012, passou assim mais
- 39:27de 6 anos. A música tava lá jogada na
- 39:31alguma gaveta da minha mente. E daí encontrei um produtor de
- 39:36música e daí a gente falei, ele falou, Ah, o que que você tem de
- 39:40música? Ah, eu tenho essa SSE, daí veio
- 39:42essa música, daí gravei e tal ficou pronto em 2021, lancei
- 39:482021 e daí veio a pandemia, né? Ou não veio antes, a pandemia
- 39:53era meio a pandemia ali. Então daí a partir, por causa da
- 39:58pandemia, que eu tava em casa, que eu lancei a música e
- 40:01precisava ter. Um videoclipe, porque na minha
- 40:03cabeça tinha que ter videoclipe. Tem também a capa do single, né?
- 40:08Eu comecei a produzir coisas a partir da música, né?
- 40:13Então foi meio que a necessidade.
- 40:14Assim, a música tinha uma necessidade de ter uma capa,
- 40:17então vou pintar aqui umas coisas, Ah, agora eu quero fazer
- 40:20uma animação. Daí eu comecei a desenhar
- 40:23animação por causa da música, e daí às vezes eu IA olhando essa
- 40:28animação. Parava num frame e falava, pô,
- 40:31muito massa frame. Daí pegava do frame ali do
- 40:35videoclipe, pintava a tela, você falava, olha, esse frame daria
- 40:39uma boa tela. E começava a pintar a tela e IA
- 40:42meio que me desvirtuando. Eu não tinha terminado ainda o
- 40:45videoclipe e já tinha um Monte de tela.
- 40:47Mas por que? Que.
- 40:48Eu quero. Eu tenho que fazer um clipe,
- 40:50gente, eu tô pintando tela e daí?
- 40:54Foi isso daí. Mas depois de vários anos que eu
- 40:57consegui. Um apoio e incentivo.
- 40:59Daí daí eu consegui chamar um animador para me ajudar a
- 41:02terminar esse videoclipe, que estava parado nos nos primeiros
- 41:0640 segundos e tinha mais vários minutos para realizar.
- 41:10Então é meio que assim de uma necessidade.
- 41:12Assim não é uma coisa que eu paro e penso, Ah, eu vou fazer
- 41:15agora uma música, eu tenho que vai ter um videoclipe de
- 41:18animação. Ele vai ter várias telas que eu
- 41:21vou fazer dos frames, não foi meio que surgindo assim.
- 41:24Às vezes uma porta vai abrindo a outra, mas você não sabe, é, é.
- 41:27É o que você. Falou, vai dando as coisas ao
- 41:28mesmo. Tempo vai descobrindo no
- 41:30processo. É, e às vezes tem esse poder já
- 41:34da do próprio trabalho, né? Eles?
- 41:38Ele mesmo. No começo ele já vai seguindo e
- 41:40vai se realizando e acontece rapidamente e flui.
- 41:44Tem outros que não. Tem outros que eu tenho que
- 41:45ficar insistindo, tem outros que demoram alguns anos.
- 41:48E aí, passa 6? Anos depois, solta o videoclipe
- 41:56também dessa música, demorou uns 4 anos depois da música ser ser
- 41:59lançada. Que assim se você fosse pensar
- 42:02em estratégia do com a galera da música.
- 42:07Eu falei, nossa. Mas não.
- 42:10Daí quando eu lancei galera, começou a reescutar, a música
- 42:13que eu já tinha lançado vários anos atrás, então tirou ela ali
- 42:17do esquecimento de alguma forma. Então, também eu fui criando,
- 42:23saindo de fórmulas, né? Acho que esse isso é legal
- 42:27também, porque as fórmulas. As pessoas ficam muito presas
- 42:31nas fórmulas e tal. Um jeito específico de fazer uma
- 42:34coisa, né, fazer uma coisa, dar certo.
- 42:36Sim, pode dar certo o que que é o dar certo também, né?
- 42:40Pra mim, dar certo pro do fazer uma animação, um videoclipe de
- 42:44animação, é terminar esse também deu certo, sabe?
- 42:49Ufa. O resto ali, o que pode
- 42:51acontecer? Tá fora do seu controle, né?
- 42:53É, caramba. Nossa, você não respondeu, mas
- 42:55você respondeu de alguma forma. Foi uma boa resposta?
- 42:58Porque né, olhando pra tudo, essa semana é, eu tava fazendo
- 43:01um roteiro e tava olhando toda nas suas obras, tudo que você já
- 43:03tinha, não, tudo que você já tinha feito, que né?
- 43:05Vai demorar mais tempo pra eu olhar tudo que você já fez, mas
- 43:07muitas das coisas que você já fez.
- 43:08E eu fiquei tipo, gente, que horas que esse menino faz tudo
- 43:12isso? Que loucura, né?
- 43:14Eu sei. E a gente fala que não tem tempo
- 43:18pra nada, né? Hoje em dia, mas a gente tem
- 43:20muito tempo. Eu posso fazer muito mais coisa
- 43:22ainda. É não.
- 43:23Eu tenho certeza que você fazer muito mais coisa ainda.
- 43:25A gente já vai chegar nisso porque quero quero falar sobre
- 43:27isso ainda. Só de tempo que a gente fica ali
- 43:29rodando. Mas é que eu sinto que às vezes
- 43:34faz sentido. Mas talvez você já tenha
- 43:35respondido em algum nível, porque a gente tá falando dessa
- 43:37ideia do artista mais isolado. Assim, você sente.
- 43:42Você participa das coisas ou você sente que você é meio que
- 43:45um observador assim e a sua arte é uma forma de traduzir essas
- 43:49coisas que você tá enxergando? Olha, é louco, porque às vezes
- 43:51eu me sinto desconectado assim do mundo, né?
- 43:54Olhando assim e fora, acontece isso também.
- 43:58Mas não é só isso também, né? Eu acho que tem esses momentos.
- 44:02É, é um sentimento que às vezes eu sinto assim, de que que eu
- 44:05escrevo, né? E eu às vezes eu me sinto muito
- 44:07olhando de fora assim, sabe? Tipo de já tá olhando as coisas
- 44:11com mulher de espectadora assim, sabe?
- 44:12Não um olhar de pessoa que tá dá.
- 44:14Medo às vezes é meio estranho, mas.
- 44:19É um ponto de vista, né? E quero falar das viagens,
- 44:23quantos países você já tá agora? 30 e.
- 44:26Olha, eu às vezes conto, mas às vezes eu me perco, mas acho que
- 44:30é uns 36 por aí. Caramba.
- 44:33É. Viagem é tudo com arte, tudo
- 44:37envolvendo a exposição, tudo envolvendo trabalho.
- 44:41Maioria, sim, você. Falou que o primeiro foi na
- 44:43Bélgica, né? Na verdade, a primeira que eu
- 44:45fui, eu tinha 16 anos com esses meus amigos da banzai.
- 44:48A gente foi pra Argentina, juntou uma grana, passagem era,
- 44:53acho que era 500 BRL na época, só que lá eu trampei também.
- 44:57Daí já fiquei num hostel, já troquei ideia com o dono do
- 45:01hostel, daí já troquei uma graninha que eu IA pagar de
- 45:04hospedagem pra pintar lá 11 mural na cozinha dele, e daí eu
- 45:10já IA de férias, mas acabei trabalhando.
- 45:12Então acontece isso também, né? A minha forma de de curtir as
- 45:16férias é pintar também, é trabalhar de alguma forma.
- 45:19Quando eu vou pra praia, por exemplo, um ambiente, uma massa
- 45:22e tal, não consigo ficar só lá na praia.
- 45:25O que eu tô fazendo aqui, gente, pô, mas dá pra comprar uma, dá
- 45:30pra né? Compor uma música aqui na praia?
- 45:33EE, até uma situação que é melhor de de criar uma música,
- 45:37né? Às vezes uma música só viria eu
- 45:40lá na praia, olhando pro céu, né?
- 45:43Então é tipo, eu não, não escolhi.
- 45:44Eu tô de alguma forma. É um trabalho ali, criar música
- 45:47e tal. Mas a música vem natural.
- 45:50É isso que é a arte e a vida que eu não.
- 45:52Acho que você não separa, não tá ligado a um ambiente específico,
- 45:57tá ligado a qualquer ambiente, tipo, como se o ambiente tivesse
- 46:00influência naquilo que você vai. É porque eu preciso também de um
- 46:03ambiente propício para eu trabalhar, né?
- 46:05De alguma forma, assim tem e é minha casa ao mesmo tempo.
- 46:11Então, vida. Trabalho mesma coisa pra
- 46:14separar. E você, faz mais trabalhos no
- 46:17ateliê ou fora do ateliê? Eu gosto de sair às vezes um
- 46:19pouco do ateliê, porque o ateliê é minha casa, né?
- 46:21Pra produzir em outros lugares. Sair também é legal.
- 46:27E assim como é minha casa, eu tenho que, pô, eu tenho a louça
- 46:29ali, você no final, você nunca para mesmo pra pra trabalhar
- 46:34assim e muita distração. Mas eu gosto.
- 46:39Eu, a minha casa é o ambiente que eu criei pra eu.
- 46:42Conseguir trabalhar, né? Mas voltando para as viagens,
- 46:46histórias, experiências, coisas muitas, né?
- 46:49Imagino marcantes. Vamos falar dessa então que a
- 46:52gente já começou fazer um livro que eu te mando, né?
- 46:54Livro você não tem nenhum ainda, né?
- 46:59Estou. Pra lançar um aí esse ano?
- 47:03Trabalhar. Mas não vai ser de de histórias,
- 47:06vai ser uma compilação de vários cadernos de desenho que eu
- 47:09tenho. Vou abrir esses segredos dos
- 47:12cadernos ali, daí vou fazer uma coletânea e livro de desenhos.
- 47:18Como é que foi isso? Como é que você foi para lá?
- 47:20Como é que foi esse convite? Como foi?
- 47:22Sei lá, tá na Síria num momento de guerra.
- 47:24Foi loucura, foi uma produtora e já conhecia meu trabalho.
- 47:27Me convidou assim pra uma pra essa ideia louca, falou ó, vamos
- 47:32pra Dubai. Primeiro tem 11 festival de
- 47:35cultura lá. Eu já consegui ir lá um mural
- 47:37pra você fazer. Depois a gente vai.
- 47:41Eu também já conheço um pessoal de educação que trabalha na
- 47:46Síria, EE trabalha com refugiados, já fiz contato com
- 47:51com as embaixadas. Vamos, será, vamos, vamos, vamos
- 47:57aí daí eu vou falar, ó, é, eu vou conseguir uma grana também
- 48:01pra gente conseguir as passagens e tudo.
- 48:03Mas primeiro eu vou precisar que se invista e depois?
- 48:06Eu te pago de volta, eu nunca recebi de volta.
- 48:08Então olhou eu banho na minha própria viagem, então daí fui, é
- 48:16primeiro pra Dubai, fiz esse trampo aí, foi bem legal ali,
- 48:19já, já conheci Oriente médio ali já dava pra ter alguma conexão e
- 48:25daí com contato com o professor ali, que estava trabalhando com
- 48:28os refugiados no Líbano, né? Refugiados sírios no Líbano.
- 48:33A gente foi fazer esse trabalho ali No No vale do beca, que é
- 48:37bem AA Fronteira entre Síria e Líbano, onde tinha mais gente
- 48:43assim, né? Do da Síria, vindo pra se
- 48:46refugiar, e daí foi bem legal assim esse contato com essa
- 48:49galera. E essa galera não tem nenhuma
- 48:52perspectiva ali. Na época não tinha nem nada
- 48:55assim, né? O país tá em guerra.
- 48:58Você vai pro país vizinho, que é o Líbano, que já tem uma
- 49:01história de guerra com a Síria. Então, quando você chega no
- 49:05livro, isso é tratado muito mal. Assim, só subemprego.
- 49:08Você não recebe direito, tem lugar para ficar.
- 49:11Enfim, essas pessoas estavam assim como é, indigentes do
- 49:16mundo do próprio país. Sabe então?
- 49:20Você vê ali que existe ali mesmo assim, existe um amor entre
- 49:25eles. Existe um lance de de
- 49:27hospitalidade. Eles tratavam a gente super bem.
- 49:32Então, de alguma forma, foi vários ensinamentos que eu tava
- 49:34tendo ali, eu não sabia, eu tava ajudando eles assim, né?
- 49:38Eu tava pintando, fazendo workshop com a criançada, mas eu
- 49:41aprendi muito mais sobre humanidade com eles, que o que
- 49:45eu tava fazendo era só um detalhe, ali eu tava pintando,
- 49:48né? Então foi foi muito forte pra
- 49:51mim assim, né? A gente escutava daí depois
- 49:55disso da Fronteira, a gente conseguiu entrar Na Na Síria,
- 49:59Damasco, que é a capital. Então também tinha muitos
- 50:02refugiados de de lugares que tinha mais ataque, como Aleppo,
- 50:07que iam pra Síria, né? Então a gente começou a
- 50:11trabalhar com essa galera também.
- 50:12Tinha 11 escola que foi desocupada pra receber essas
- 50:16pessoas. Então morava uma galera ali,
- 50:20crianças tudo adultos. E daí a gente foi fazer esse
- 50:24trabalho pra pintar essa fachada dessa escola, né, que é esse
- 50:27mural de 200 e tantos metros quadrados.
- 50:32E assim bem roots, né? Assim a gente conseguiu um
- 50:34andaime lá é eu e o e o Zé palito.
- 50:37A gente tem 11 dupla chamada cosmic Boys e assim bem roots é
- 50:42andaimes palito, tava com medo de subir lá no nos últimos
- 50:46andares da andame, não, deixa comigo, eu fazia em si, ele
- 50:49fazia embaixo, a gente realizou de alguma forma, a gente chamou
- 50:54a galera que morava nesse lugar pra pintar com a gente, então.
- 50:58A gente tirou eles daquele mude de guerra por algum tempo e
- 51:03deixamos também esse memorial pra eles ali eles ter orgulho,
- 51:07né? Porque a galera tinha meio IA
- 51:09pra escola e daí quando voltava meio que dava uma volta na
- 51:12Quadra pra não mostrar que morava dentro de uma outra
- 51:14escola desapropriada. Eu não tinha vergonha disso.
- 51:18E a gente pintar, chamar eles pra pintar junto.
- 51:20Eles daí chamava a galera, ó, vem ver o que eu pintei, ó isso
- 51:24aqui eu pintei, cuidava também, não deixava ninguém.
- 51:28Fazer bagunça ali, manchar muro, então essas coisas não tem
- 51:32preço. Assim, quando eu estou às vezes
- 51:33numa dificuldade, eu lembro desses momentos, desses momentos
- 51:36assim, de pessoas que estavam situações bem piores e de certa
- 51:42forma tinha Alegria. Tinha um algo que me contagiava
- 51:46de alguma forma. É, não dá pra você continuar
- 51:47criando da mesma forma depois que você passa por uma
- 51:49experiência. Dessa é daí você vê que a arte
- 51:51também, de alguma forma, ela. É viva e ela pode mudar a vida
- 51:55das pessoas sozinha, assim sem mim, né?
- 51:58Tipo. Depois é só o veículo que faz as
- 52:01coisas. EE assim, sou muito grato de de
- 52:05ser esse veículo assim, sabe? Então acho que é isso, é.
- 52:11Arte de ruas sempre pra você ter essa interferência externa das
- 52:14pessoas, do que tá acontecendo, do que tá no.
- 52:16É, não tem como não ser, né? Tem como não ser assim?
- 52:19Eu acho que é muito, muito direto com as pessoas que
- 52:22passam. É uma arte que que está na cara
- 52:25das pessoas. As pessoas não não escolhem ver
- 52:28a arte que está ali, né? Elas estão saindo pra rua, daqui
- 52:31a pouco ver, vai um encontro aí de.
- 52:34Porque? De certa forma, o museu é uma
- 52:40coisa meio ali, específica para as pessoas que sabem desse
- 52:43código e vão lá. Tal dia grátis pra ver museu,
- 52:48né? Então tem gente que tá
- 52:49trabalhando a vida inteira também, não nem pensa em museu.
- 52:53Essas pessoas merecem também ter um experiência estética,
- 52:59emocional com obras de arte, né? Então, trazendo pra rua, isso é
- 53:03direto assim, e sempre sofro de alguma forma a interferência,
- 53:07porque a arquitetura. O.
- 53:11Clima, o lugar, tipo o contexto cultural do lugar.
- 53:16Da comida do lugar. Eu não quero ser também um cara,
- 53:19um et que vem com uma coisa que eu quero colocar na cara das
- 53:23pessoas. Tem essa responsabilidade que
- 53:25você está atuando num lugar público, né?
- 53:29Então tem que ter algum diálogo ali.
- 53:31Não vou chegar lá no Oriente médio e fazer, sei lá, OA coisa.
- 53:38O. Neymar.
- 53:40Sabe? A.
- 53:43Primeira. Coisa quando eu chego no Oriente
- 53:46médio. Ah, brasileiro.
- 53:48Ah, Neymar, Neymar, Ronaldo, Ronaldo, Bebeto.
- 53:53Às vezes a comunicação é nomes de jogadores brasileiros.
- 53:57Eu falo um, ele fala outro. Ninguém fala a língua de nenhum,
- 54:00mas. Isso.
- 54:01É o nome da galera. Mas é isso de não me impor uma
- 54:04cultura assim, né? Sei lá, eu vou fazer uma águia
- 54:07americana aqui no Oriente médio não, né?
- 54:09Sei lá. Então, de saber o contexto, de
- 54:14de também querer conhecer da da cultura, né, porque eu estou
- 54:17aprendendo também. É essa inspiração que eu ocorro
- 54:19atrás, né? Então, absorver isso e fazer
- 54:23coisas que as pessoas vão gostar de ver, né, tipo, elas que vão
- 54:28viver a arte mais do que eu. Eu faço lá arte lá na Síria e
- 54:32vaso, estou, estou no Brasil, na minha casa, com água quente,
- 54:35bonitinho, quentinho, não, a galera está lá com queda de luz,
- 54:40falta de suprimento, um Monte de coisa.
- 54:43Elas vão olhar aquela arte e vão conviver com aquela arte.
- 54:46Então essa responsabilidade, né? De também saber tentar descobrir
- 54:50o que que as pessoas ali no entorno gostam, o que eles
- 54:54querem de certa forma, como eles podem se sentir representados.
- 54:57Como que você está fazendo? As pessoas vem falar contigo ou
- 55:00você busca elas assim, tipo, fica um alguém olhando assim do
- 55:03outro lado da calçada, tipo. Ah, geralmente a galera vem
- 55:06trocar ideia. Assim.
- 55:09Ah, faz aqui o símbolo do coxa. Escreve meu nome aqui, não sei,
- 55:15falou versacre. Vem, vem, pois como que é teu
- 55:19nome, né? Imagina se todo mundo pedir, vai
- 55:22virar aqui o Campeonato Brasileiro.
- 55:25Provavelmente. Então vai rolando essa, essas
- 55:29comunicações, né? Tipo, em Belarus, em minsk, a
- 55:33capital de Belarus, que é lá do lado da Rússia, tinha uma.
- 55:38Eu tava pintando um mural e tinha uma senhorinha que passava
- 55:40sempre. Ali.
- 55:42É, é, não. Em outra entrevista, eu ouvi.
- 55:48Então daí tem história da pessoa.
- 55:52Então. Tem isso da pessoa interagir e
- 55:56mudar de alguma forma. Ela me convenceu, nem precisou
- 56:00me convencer muito, né? Ela passava ali direto, tal.
- 56:03Daí um dia chegou, você poderia desenhar um gato ali.
- 56:07Eu falei, pô, daí tem todo o ego do artista também, né?
- 56:12Alguém vai querer interagir? Preferir na minha arte não tem
- 56:15nada a ver com gato. Estou fazendo outra parada aqui
- 56:17e tal, não sei o quê. Daí eu fiquei pensando, Ah,
- 56:20talvez vou, vou ver, vou pensar. Não é que eu cuido de muitos
- 56:23gatinhos, eu moro ali, minha janela, dali direto e tal do.
- 56:27Putz, eu vou ter que fazer um gato?
- 56:29Senhora, e daí? Eu fiz maior feliz, eu fiz, era
- 56:33um personagem, daí eu fiz um broche com um gatinho assim,
- 56:35tal. E daí quando ela viu ela, tipo,
- 56:38ela ficou muito feliz. Ela sempre passava ali meio
- 56:40cabisbaixo, assim. Horinha ela ficou assim.
- 56:43Uma outra energia. Daí eu falei, cara.
- 56:45Que. Custa, sabe, eu vou colocar um
- 56:47gato ali e eu gosto também esteticamente dos gatos.
- 56:52Assim, por que não sabe? E por que não escutar e sair
- 56:57também desse ego do artista eurocentrado, que é o super
- 57:02herói e tal é e que só ele que tem que se esconder para fazer
- 57:07até. Não tô fazendo aqui na frente de
- 57:09todo mundo, a pessoa vai passar aqui todo dia, por que que eu
- 57:12não faço um gato, um gato, uma homenagem ali, tipo, mudou a
- 57:16vida dela, ela ali, todo dia que ela passa ali, até hoje ela
- 57:20lembra disso. Ah, o maluco brasileiro lá dos
- 57:23cabelos pra cima, feito pra mim. O gato é isso, né?
- 57:26A arte também não é muito sobre a gente, né?
- 57:29Sobre o coletivo também. É isso, dá pra ver bastante do
- 57:32seu trabalho assim, porque? Na pintura, na gravura, que
- 57:36acaba ficando uma coisa mais individual, né?
- 57:38Mas como você está explorando várias outras mídias, elas elas
- 57:42precisam da coletividade, né? Tipo, por mais que você tenha
- 57:45falado, Ah, eu consigo fazer um clipe sozinha até um certo
- 57:48ponto, né? Você vai chegar num certo lugar,
- 57:49mas aí quando você envolve outras pessoas no processo, você
- 57:52vai chegar em outros lugares. Eu acho que tem um, a gente, por
- 57:56exemplo, na produtora, fazendo as coisas num grupo grande de
- 57:58pessoas, tem um prazer diferente de fazer arte com outras
- 58:01pessoas, né? Outra.
- 58:04Coletiva é mais da. Hora, né?
- 58:06Sozinho é mais prazeroso do que fazer sozinho, com certeza.
- 58:09É e é isso, né? Nós somos os humanos, são
- 58:12animais sociais, né? A gente precisa disso sim.
- 58:15E esse lance de juntar também faz a gente realizar coisas
- 58:18maiores, mais Fortes, né? Eu acho que é por aí, mas também
- 58:22a gente não pode ficar dependendo.
- 58:24Né aí? Que vem se eu ficar dependendo
- 58:29de todo mundo? Eu nunca vou terminar, então
- 58:33também tem esse lance de saber que a gente é autossuficiente,
- 58:36que a gente pode realizar coisas também, impactar uma galera, né?
- 58:41E depois ser uma coisa mais coletiva, né?
- 58:43O que o projeto que a gente tava falando agora, né?
- 58:46Um lacuna plena. Foi meio que isso, né?
- 58:48Uma coisa que fez só você e depois virou de várias pessoas.
- 58:51Depois fui trazendo a galera e esse Laguna plena a gente
- 58:56inscreveu em muitos festivais, participou mais de de 100
- 58:59festivais pelo mundo. Ganhou alguns prêmios, melhor
- 59:03animação, melhor. Então é isso, né?
- 59:07Assim tá sendo coletivo. Ele, ele é.
- 59:09Não é só pra gente, é pra galera ver, né?
- 59:12É isso. Conecta muito com quem você
- 59:14estava falando desde o começo, né?
- 59:16De você fazer os seus desenhos e mostrar pros seus amigos.
- 59:18Que você é? A gente dá essa volta inteira,
- 59:20é? Você tá fazendo a mesma coisa
- 59:23desde que você é criança, basicamente.
- 59:25Só que no mais calma global agora e não e não na quarta
- 59:29série b, né? Total.
- 59:30É. Que, mas que, mas que que da
- 59:34hora, na real, que você conseguiu fazer isso assim,
- 59:36porque o que eu disse é muito raro, eu acho, é muita rebeldia,
- 59:42com certeza tem, tem um vigor aí grande de rebeldia, tem, OPA,
- 59:48com certeza, tem que ter muita coragem também, né?
- 59:52Sempre tem, sempre, sempre tem, né?
- 59:54Tá no lugar certo, na hora, certo?
- 59:56Mas de não desistir também, né, porque assim.
- 59:59As coisas dão errado, né? E às vezes a gente fica tipo,
- 1:00:02talvez isso seja um sinal para parar.
- 1:00:03Mas aí você só não parou até o fim, provando para os meus pais
- 1:00:11que eu consigo sim. Agora vou trazer uma pergunta
- 1:00:15que tem mais a ver com nosso né? Campo digital, tecnologia é
- 1:00:21inteligência artificial. Como que é para você?
- 1:00:24Tipo, como que você se conecta com isso ou não?
- 1:00:28Você enxerga como uma coisa horrível você?
- 1:00:31Não. Eu enxergo assim, acima de tudo,
- 1:00:33como uma ferramenta assim, sabe? Eu acho que o ser humano sempre
- 1:00:37teve ferramentas para ajudar, né?
- 1:00:39Tipo, AI, sei lá, antes a gente andava a cavalo, aí tentamos o
- 1:00:46carro assim sempre vai ter alguma forma de.
- 1:00:51Da tecnologia, assim, em ajudar a gente a resolver as coisas de
- 1:00:54alguma forma. É o carro mais rápido, você
- 1:00:55chega mais rápido tal, daí depois tem o avião, que tal?
- 1:00:58Não sei o quê, mas é isso. Assim, eu acho que a galera vê
- 1:01:02muita inteligência artificial, acho que pelo nome, né, de ser
- 1:01:06inteligência como se fosse um ser, né, um alguém ali, sei lá,
- 1:01:13uma entidade, né? Um Deus dentro do.
- 1:01:15Computador parece que é isso, mas não, eu vejo como uma
- 1:01:17ferramenta. Mesmo assim, sei lá, você
- 1:01:19constrói uma. Uma casa, você não fica falando,
- 1:01:23feita com aqueles apetrechos, aquela ferramenta que eles fazem
- 1:01:27para, para. Conseguir é é feito.
- 1:01:29Com desempenadeira, não, Mano. Foi feito com desempenadeira,
- 1:01:33tipo, tu sabe? Então a IA dão acho que muita,
- 1:01:39muito holofote para ela assim. Tipo, não, ela tá sendo uma
- 1:01:42ferramenta assim, sabe? Tipo, é, acho que dá para usar
- 1:01:46sim, acho que ajuda bastante. Mas não como fim.
- 1:01:49Eu acho que ela tem estética ali dela, ela é um compiladão de
- 1:01:52tudo, né? E tal, eu acho que pode ajudar
- 1:01:55aí, pode ser esse traço torto que a gente tá falando antes,
- 1:01:58Ah, o que eu não quero fazer? Você faz lá um prompt, daí gera
- 1:02:02uma coisa, quero fazer isso, pelo menos já é uma coisa que
- 1:02:06você sabe, que você não quer fazer, sabe?
- 1:02:08Então acho que pode ser uma referência, tipo, pode ser uma
- 1:02:11ferramenta legal para ajudar na criação e um desafio maior, né,
- 1:02:15para também. Sermos menos digitais, talvez.
- 1:02:20Eu vejo assim, sabe? Tipo?
- 1:02:23Retorno ou retorno talvez seja uma palavra ruim, mas um certo
- 1:02:28desejo de coisas mais manuais em resposta a.
- 1:02:32E eu eu tenho esse desejo, né? Acho que com o celular todo
- 1:02:36mundo ficou maluco assim, tá todo mundo olhando.
- 1:02:38Eu fiquei também viciado tal tudo.
- 1:02:40Muito digital, eu vejo muita tela, inteligência artificial
- 1:02:44também isso. Te leva mais pro pro mundo
- 1:02:47digital, né? Então eu venho assim pegando AAO
- 1:02:52lado contrário, assim, eu acho que, Ah, isso aqui tá, como que
- 1:02:55eu posso fazer uma arte que não tem a cara de inteligência
- 1:02:58artificial? Sabe que tem a humanidade, que
- 1:03:01tem a textura que o computador não conseguiria fazer, sabe?
- 1:03:06De alguma forma? Então também pra mim é uma forma
- 1:03:09de incentivo, é um competidor ali que está do lado que eu falo
- 1:03:12não. Cara que não, não vai conseguir.
- 1:03:15Não vem que não tem. Ou eu uso ele também de alguma
- 1:03:18forma pra me ajudar assim, né? Então acho que é isso.
- 1:03:22Assim, é igual sempre teve, né? Também na nossa vida, sei lá.
- 1:03:25O corretor de digitação do celular já é uma inteligência
- 1:03:28artificial ali, que tipo já corrige para o que você quer,
- 1:03:32mas é uma ferramenta te ajudando a escrever mais rápido.
- 1:03:34Você mandar? É, às vezes também, tá, tá?
- 1:03:39Não é um humano, né? Não tem essa emoção.
- 1:03:42Então acho que é isso. Assim que usar como ferramenta,
- 1:03:45saber usar e não se deslumbrar muito assim.
- 1:03:49Eu gosto dessa ideia de pra mim uma ideia muito fresca, você
- 1:03:52olhar e falar assim, vamos colocar inteligência artificial
- 1:03:54no lugar que ela pertence, sabe que é meio que aqui assim, tem
- 1:03:59outras 2 coisas que eu queria perguntar pra você. 3 na
- 1:04:01verdade, primeiramente, referências assim você já falou,
- 1:04:05Brasil. Coisas, cultura do nosso país,
- 1:04:08assim, mais artistas de todas as áreas.
- 1:04:11É filme, música, livro, o que que você assiste, o que que você
- 1:04:15ouve? O que que você tipo?
- 1:04:17Meu Deus, isso aqui para mim. Miazaki miazaki é uma grande
- 1:04:20referência. É isso que todo mundo conhece,
- 1:04:22viu, galera? Gente como a gente.
- 1:04:24Aê. E ele fala muito sobre isso, né,
- 1:04:27desses lances. Ele pensa muito sobre tudo isso
- 1:04:30que a gente tá falando. Acho que é uma referência boa.
- 1:04:34Cara, que porra fez obras, está fazendo aí.
- 1:04:37Não sei se ele parou, espero que não.
- 1:04:40Mas que mudam realmente o mundo de alguma forma assim são
- 1:04:43sensíveis que tocam as pessoas. Eu gosto de uma dupla de
- 1:04:47cantores chamado jojoa. É uma referência aí de música.
- 1:04:53Links. Na descrição, vou pesquisar,
- 1:04:55depois eu volto. Pra vocês depois, escreve ali,
- 1:04:58é, tenho referências perto de mim assim, o ez Ventura é um
- 1:05:01amigo que é uma referência pra mim também.
- 1:05:03Eu não sei, é difícil de falar de referência, que eu acho que
- 1:05:05tudo pode ser uma referência, né?
- 1:05:07Tipo, tanto que a gente tava falando de uma referência do que
- 1:05:09eu não quero ser, né? Mas assim, a maior coisa que me
- 1:05:15influencia é a natureza, é a humanidade, é sair às vezes.
- 1:05:20Andando ali na rua E ver o rosto das pessoas, ver diversidade,
- 1:05:23uma conversa, uma coisa engraçada assim.
- 1:05:27Acho que tem vários gatilhos assim que podem gerar uma arte,
- 1:05:32né? Não das mais óbvias que a gente
- 1:05:34imagina AI, sei lá, um tipo miasaki que é óbvio, ele é super
- 1:05:40influência, mas às vezes uma conversa com a minha mãe pode
- 1:05:42gerar assim, sabe um. Ideia de de uma pintura ou uma
- 1:05:47letra de uma música assim. Acho que o mundo influencia a
- 1:05:50gente assim, tanto na nesse lance negar.
- 1:05:54Deixo, deixo eu. Eu acho que eu sou esse cara,
- 1:05:56observador aberto também a receber informações, mas também
- 1:06:01de alguma forma eu seleciono, né?
- 1:06:03Tem a minha curadoria ali e tal, mas acho que isso é muito
- 1:06:08particular de de qualquer pessoa, né?
- 1:06:11Assim, o que que vai levar de legal disso assim?
- 1:06:14Excelente Mano Brown. Tem várias referências.
- 1:06:16Foi parar pra falar aí. Não, mas foram foram ótimas
- 1:06:20referências. É projeto novo.
- 1:06:23Eu acho que seu episódio deve sair agora no comecinho de
- 1:06:26março, provavelmente. Vai.
- 1:06:28Ter saído, né? Vai ter saído a música que é
- 1:06:33olho nome, que eu vou lançar agora dia 26 do 6.
- 1:06:37Nossa, 26 do. 6. 26 do 2. Não, não é pra tanto assim, é
- 1:06:4626/02/26. Quinta-feira, 26.
- 1:06:51Que é OA, do 2. Ah, é verdade.
- 1:06:53É uma quinta. Então vou lançar uma música com
- 1:06:55Wes Ventura. Vou olhar para essa câmera aqui.
- 1:06:58Que. Tipo William boa, né, pessoal?
- 1:07:04É dia 26 do 2. Eu quero ver você dando play na
- 1:07:08molho, música de rimon Guimarães com as Ventura.
- 1:07:12E logo depois, dia 19, a gente vai lançar o videoclipe. 19 de
- 1:07:16março vai ter o grande videoclipe que vai ser em
- 1:07:19animação. É que eu trabalhei com 2
- 1:07:23animadores, Bruno mazili cassiel produção musical foi do mangue
- 1:07:30Men e produção ali executiva galera que sua por trás das
- 1:07:35câmeras da singular. Eu agradeço muito essa galera
- 1:07:39toda, muita gente envolvida também, filme makers, enfim,
- 1:07:43você não vai deixar de ver o meu videoclipe pra ficar vendo big
- 1:07:47Brother, né? Pelo menos eu te peço 4
- 1:07:50minutinhos, gente, pô, artista aqui independente, um Monte de
- 1:07:54gente envolvida, pra você nem ver nem um pouquinho, pô, 4
- 1:07:59minutos do seu tempo, escute o nosso som, ouça a nossa música,
- 1:08:05compre o nosso álbum. Também fiz ainda, mas.
- 1:08:09Deixa. Eu ver mais o que?
- 1:08:13Daí vai ter mais o livro que eu falei, né?
- 1:08:15O livro de já vai começar a produzir em abril.
- 1:08:19Tipo, eu estou selecionando os desenhos e tal.
- 1:08:23Vai ter uma exposição também em março no muma, que é o museu lá
- 1:08:27do portão da minha área. Fazer uma exposição individual
- 1:08:30lá, meio que um meio cronológico, assim, pegando
- 1:08:34trabalho de várias. Várias partes da da minha
- 1:08:37carreira ali em momentos vai ter obras de 2004 lá, dessas
- 1:08:41primeiras até obras atuais. Inclusive a gente vai lançar o
- 1:08:47videoclipe na abertura dessa exposição.
- 1:08:49Vai ser dia 19 de março, né? É muita coisa, muita coisa.
- 1:08:53Isso que eu que eu estou lembrando, né?
- 1:08:58É isso realmente, mas o calendário dele.
- 1:08:59É, tá, tá cheia assim de até o final do ano já tem muita coisa.
- 1:09:04E já tem coisa pro ano que vem também, enfim, a gente vai.
- 1:09:08Você falou do do dessa residência na Bahia, é na cidade
- 1:09:14de Lençóis, a gente já foi pra lá.
- 1:09:18É sim o sonho. O sonho dos meus pais é morar no
- 1:09:20vale do Capão. A gente subiu a Cachoeira da
- 1:09:23fumaça uma vez assim, eles amo. Quando a gente foi, a gente não
- 1:09:27sabia, mas tava tendo um festival de circo.
- 1:09:29Internacional assim, aí parecia uma coisa só.
- 1:09:32Todos malucos da Terra assim. E meus pais são tipo.
- 1:09:36Seus pais são malucões? Eles são, é eles, eles têm essa
- 1:09:42Vibe. Mas vai ser legal essa
- 1:09:47residência que eu vou poder conviver com, com a galera de lá
- 1:09:52também, né, ali? Tem muito artista lá, né?
- 1:09:54Muito artista. Muita galera que que faz
- 1:09:58trabalho manual, artesões, tem o Quilombo do Remanso ali, não sei
- 1:10:03se chegou ali. Enfim, tem muita coisa para
- 1:10:06trocar e para criar junto assim. Eu acho que essa residência é
- 1:10:09importante para isso assim, né? Trazer esses ensinamentos, essas
- 1:10:14coisas que são passadas. Só.
- 1:10:17Consegue lá, né? Que não, não vai ter na
- 1:10:20faculdade. Aqui na belas artes, você não
- 1:10:23vai conseguir. Isso.
- 1:10:25Então é isso, né? Esse resgate, né?
- 1:10:28Esse resgate a gente vê que a nossa ancestralidade não está
- 1:10:31muito longe também. Às vezes é um irmão mais velho,
- 1:10:33às vezes é uma tiazinha lá que que faz um trabalho manual, que
- 1:10:36você parou para trocar uma ideinha ali.
- 1:10:38Isso também os ensino, ele nos faz reconhecer e ver quem a
- 1:10:44gente é. Então vai ser muito importante
- 1:10:48essa residência aí também feliz. De poder também fugir do do
- 1:10:53inverno curitibana. De poder ir pra Bahia em
- 1:10:56qualquer momento do ano é válido e.
- 1:10:58Vai ser bem junho assim? AI, que delícia.
- 1:11:02Perfeito, quero a vida sempre assim.
- 1:11:06E projetos para o futuro. Fora esse que você tem futuro,
- 1:11:09ainda mais futuro. Ainda assim.
- 1:11:10Coisas que você tem vontade de fazer.
- 1:11:11Ah. Tá que eu quero fazer, eu quero
- 1:11:14fazer um curta metragem, porque eu agora eu tô.
- 1:11:18Mas como diretor de videoclipe, os trabalhos que eu fiz de de
- 1:11:21audiovisual, né? Então eu queria fazer um sair do
- 1:11:26do lance do videoclipe um pouco, pensar numa trilha sonora que
- 1:11:30tem. É um Monte.
- 1:11:32Não é só uma música, um Monte de música.
- 1:11:36Tenho vontade de fazer isso assim, curta de animação, depois
- 1:11:41ir fazendo mais coisas assim. Tava pirando no teatro também.
- 1:11:47Gostaria de ver coisas minhas no teatro assim, pensando em
- 1:11:50cenário, personagem, figurino, assim.
- 1:11:54Eu acho que o teatro é muito real assim.
- 1:11:56Ele é uma coisa. É uma arte que que muita gente
- 1:12:01esquece, né? Sei lá.
- 1:12:02Se for ver, os jovens hoje em dia nunca entram no teatro,
- 1:12:06mesmo em Curitiba, que é a cidade.
- 1:12:08Então eu tenho essa vontade de de de eu.
- 1:12:15Um desafio assim de de tornar o teatro, talvez é uma pretensão,
- 1:12:20vai ser eu que vou fazer, mas eu quero ver o teatro chegando nas
- 1:12:23pessoas mesmo, a galera curtindo, né?
- 1:12:26Tem esse lance do teatro da rua também que dá para fazer.
- 1:12:29Eu acho muito legal esse lance de você criar 11 ambiente na rua
- 1:12:36que as pessoas não sabem se é real ou é teatro.
- 1:12:39E essa confusão. Queria fazer algo assim também,
- 1:12:43queria ser milionário. É jogar no bicho uma vez por
- 1:12:47mês. Não mata ninguém, às vezes vem.
- 1:12:51Né, pode ser esse ano ainda. Conta então agora para a gente
- 1:13:01achar o visual, de onde as pessoas podem acompanhar teus
- 1:13:02projetos, onde você posta as suas coisas.
- 1:13:04Estou nas ruas também. Primeiro número 1, aquele cara
- 1:13:09que faz aqueles boneco aqui na rua sou eu.
- 1:13:11A minha arte está na rua, minhas redes sociais tudo é rimon
- 1:13:14Guimarães é o YouTube, onde tem os videoclipes, rimon Guimarães
- 1:13:18é sei lá, plataformas digitais de streaming também, rimon
- 1:13:22Guimarães, Instagram rimon Guimarães meu nome é rimon
- 1:13:26Guimarães, meu nome é rimon, muitas pessoas não sabem aí.
- 1:13:29Não é um nome artístico? É um nome real, significa Roman.
- 1:13:32Tanto que eu fiz a minha música, que é ramo de Roman também.
- 1:13:35Escutem, é isso aí. Acho que você coloca Ramon
- 1:13:37Guimarães no Google, já acha meus.
- 1:13:39Peito, tudo que você quiser, você vai encontrar lá.
- 1:13:42Deixamos rimon. Obrigada por ter topado o
- 1:13:45convite. Que bom que a gente conseguiu
- 1:13:46ter essa conversa. Faz tempo que eu queria
- 1:13:47perguntar essas coisas para. Você sim.
- 1:13:50Viu quem acredita? É obrigado por ter falado o
- 1:13:54convite, acho que é o que eu falei.
- 1:13:56Você não é o tipo de artista que normalmente a gente costuma
- 1:13:58trazer, mas eu acho que a galera vai curtir esse papo.
- 1:14:01Espero que tenha saído inspirados com essa outra
- 1:14:05coragem assim pra criar as coisas e não ter medo da vida,
- 1:14:09sabe? Eu acho que artistas
- 1:14:10normalmente, eu incluso acostumo, pessoas muito ansiosas
- 1:14:13e eu acho que ver você assim, sabe, tipo tentando ir pra
- 1:14:16frente, tentando conquistar mais coisas, ocupar mais lugares.
- 1:14:20E não tendo medo de de viver mesmo, sabe criar as coisas,
- 1:14:24independente do que aquilo vai gerar.
- 1:14:26É uma parada muito inspiradora, não é algo que a gente costuma
- 1:14:28ver sempre assim. Então estou feliz também de ter
- 1:14:32tido a ideia de te chamar para cá, porque realmente é uma dose
- 1:14:35de tipo, galera, vamos, vamos, sabe?
- 1:14:38Bora? Tem coisas a serem criadas.
- 1:14:40Aí isso é um exercício também. Não é uma coisa natural minha,
- 1:14:43sabe? Às vezes eu tenho essas
- 1:14:44incertezas. Ansiedade é natural.
- 1:14:47Sim, é, mas você não deixa isso? De consumir, né, te travar,
- 1:14:52tipo, mesmo tendo. Isso fico agradecido, também
- 1:14:55honrado, inspirar as pessoas e ser convidado aqui em 200 e
- 1:15:01tanto. É, não sei quando você, talvez o
- 1:15:04seu já seja 300 e alguma coisa. Números é números.
- 1:15:09Eu vencendo, vencendo. Por favor, sigam o Ramon em
- 1:15:11todas as redes sociais e deixem comentários falando assim.
- 1:15:14Conheci você na sala 1604. Ei, sabe, dá essa moral, dá essa
- 1:15:18moral pra mim, por favor, verdade.
- 1:15:21E se vocês quiserem continuar acompanhando a sala 204, se
- 1:15:25inscrevam aqui no canal do YouTube.
- 1:15:27Segue a gente no Spotify. Deixa aquele comentário bacana
- 1:15:30para dizer o que que você achou desse papo.
- 1:15:31O que mais você mais gostou dessa conversa?
- 1:15:34E a gente se encontra na próxima salinha.
- 1:15:37Tchau.