Latest / Rádio Livre com Nonato Lima / Programa Rádio Livre - 11 de junho de 2025
Transcript
- 0:00A universitária FM apresenta rádio livre conversando nas
- 0:05ondas do rádio. 7 horas, 30 minutos.
- 0:21A gente tá no ar pra se informar, saber o que é que há
- 0:25pra se ajudar, a gente tá no ar pra se comunicar.
- 0:30A gente está no ar pra se divertir, pra falar eu vim pra
- 0:34dançar e pra ficar feliz, pra ser livre, rádio, livre rádio,
- 0:40livre. Os destaques do rádio livre
- 1:12desta quarta-feira 11/06/2025 milhares de ativos marcham a
- 1:21Gaza para romper o bloqueio de Israel na Palestina.
- 1:28Ao Supremo Tribunal Federal, Bolsonaro, na condição de réu
- 1:33chefe do noutro golpista, nega o plano de golpe de estado e Braga
- 1:38Netto nega ter repassado o dinheiro na sacola de vinho para
- 1:43Mauro cid transferir aos kids pretos A Entrevista de hoje no
- 1:49rádio livre com o sociólogo e professor Pedro VÃtor Mendes.
- 1:53Falando da luta antirracista e destacando hoje problemas
- 1:58relacionados com a criminalização da arte e do
- 2:02artista brasileiro no contexto do.
- 2:11Rádio livre apresentação, Nonato Lima.
- 2:19Bom dia, estamos começando o rádio livre aqui na universidade
- 2:22FM ao vivo. Bom dia você que nos acompanha e
- 2:28nossos cumprimentos também, né? Você que nos acompanha no
- 2:30podcast rádio livre com Nonato Lima.
- 2:38Olha enquanto a coalizão de marcha da enquanto a coalizão da
- 2:47marcha. A Gaza se estruturava havia AO
- 2:54ataque de Israel a flotilha da Liberdade que navegava no
- 2:58Mediterrâneo a caminho da faixa de Gaza, para romper o bloqueio
- 3:02de Israel. E foi os os integrantes foram
- 3:08detidos não em não não em área territorial de Israel, mas em
- 3:14mais Internacional. E não se sabe bem das
- 3:18consequências disso. Mas você sabe que AA flatilha
- 3:20sozinha com um grupo de vistas chamou a atenção do mundo para o
- 3:29que estava. De algum modo, é começando AA
- 3:33ser esquecido que é o Holocausto em Gaza e na Palestina.
- 3:39Daà a rapidez com que as forças militares de ataque de Israel.
- 3:47Teria agilizado o combate à frontilha, mas o trabalho foi
- 3:51feito e está sendo feito. Se as organizações
- 3:55internacionais e muitos chefes de estado não fazem nada e até
- 3:59colaboram com Israel, há iniciativas populares para mudar
- 4:06o rumo dessa história, como, por exemplo, agora a marcha global
- 4:11para Gaza. Os organizadores esperam reunir
- 4:15milhares de manifestantes de organizações sociais de 51
- 4:18paÃses. A marcha global para gás é um
- 4:21movimento que se declara cÃvico. A polÃtico e independente diz
- 4:27que não representa nenhum partido polÃtico ou ideologia ou
- 4:29religião, que é do povo em toda a sua diversidade e humanismo.
- 4:37A marcha global prevê se reunir no dia 12 de junho, amanhã, no
- 4:41Cairo, lá do Egito. E da capital egÃpcia, os
- 4:44manifestantes irão de ônibus até a cidade de al arissa, na
- 4:52penÃnsula do Sinai. De lá, devem marchar a pé por 3
- 4:56dias até Rafah, cidade sul de Gaza, e esperam chegar a cidade
- 5:03de Rafah, no sul de Gaza, dia 15 de junho.
- 5:07São esperados manifestantes das mais diversas partes do mundo.
- 5:11Incluindo Canadá, Estados Unidos, Espanha, Turquia,
- 5:15Alemanha, Grécia, Ãfrica do Sul, Malásia, LÃbia, Marrocos,
- 5:19TunÃsia e Brasil, dentre outros paÃses que estarão lá.
- 5:25A brasileira Adriana Machado, integrante do partido da causa
- 5:28operária, está em Paris e disse que vai pegar um avião para o
- 5:32Cairo nos próximos dias. E contou para uma repórter da
- 5:38uma reportagem da agência Brasil.
- 5:41Que não sabe ainda como é que o governo do Egito vai reagir a
- 5:46essa mobilização Internacional. O fato é que todas as
- 5:52organizações internacionais formais, diplomáticas
- 5:58fracassaram nessa história do Holocausto na Palestina e não
- 6:03fracassaram agora. Não e não foi depois do do ápice
- 6:07do do conflito em. Em 2003, não são décadas de
- 6:13desdém, de descuido, de desrespeito ao povo palestino.
- 6:18Porque tem um acordo firmado que deveria garantir a paz e o
- 6:23sossego e a vir povo palestino, do mesmo jeito que se fez com o
- 6:29povo israelense, era o estado de Israel que virou a máquina de
- 6:34guerra do acidente, sobretudo do Império americano.
- 6:38A Palestina não queria ser máquina de guerra de ninguém,
- 6:40queria ser só um povo vivendo a sua vida em paz no seu próprio
- 6:44território, que em boa parte já foi usurpado por Israel sob as
- 6:49vistas da ONU e de outras organizações internacionais, já
- 6:59que no Brasil o que rolou esta semana mais intensamente foi o
- 7:05depoimento. Do núcleo chefe do golpe de
- 7:08estado de 2023, ontem, o ex presidente Messias é disse
- 7:15perante Xandão Alexandre de Moraes, ministro do supremo, que
- 7:22jamais pensou em dar golpe de estado no Brasil para impedir a
- 7:27Posse do prisi Lula durante o depoimento.
- 7:32Diante do ministro Alexandre de Moraes, que é o relator do
- 7:35processo, por isso que é diante de Alexandre de Moraes, o ex
- 7:38presidente também disse que a medida seria danosa para o
- 7:42Brasil. Aà ele acertou, né?
- 7:43Um golpe de estado seria um desastre, mais um, né, desastre
- 7:46para o Brasil. Tá aà uma coisa que a gente
- 7:48concorda, né, todo mundo concorda, seria um desastre para
- 7:51o Brasil, né? Ainda bem que ele não acertou,
- 7:54né? No o ex presidente foi ouvido na
- 7:57tarde de ontem na condição de réu da ação do golpe.
- 8:02E foi confrontado com as acusações de que ele teria
- 8:04planejado medidas inconstitucionais para tentar
- 8:07reverter o resultado da eleição de 2022 porque ele perdeu para o
- 8:10Lula e impedir a Posse do presidente Lula.
- 8:14Em primeiro de janeiro, Bolsonaro afirmou que a
- 8:16possibilidade de golpe de estado nunca foi discutida no governo
- 8:19dele. Ele disse até o seguinte, nunca
- 8:24falou em golpe. Disse que golpe é abominável.
- 8:29Ã o mesmo que queria que o golpe 64 tivesse matado 30000, mas
- 8:32agora ele disse que o golpe ainda bem, né?
- 8:34Será que ele está revendo as posições?
- 8:36Mas ele disse que golpe é abominável, disse lá pro Xandão
- 8:40ele disse que Oo golpe até seria fácil de começar mais.
- 8:44O dia seguinte é que seria o problema.
- 8:46O Brasil não poderia passar por essa experiência e por isso ele
- 8:50disse que não constitui hipótese alguma de golpe durante o seu
- 8:55governo. Eu estou reproduzindo aqui
- 8:56porque ele disse, né, então? Estou dizendo que ele disse,
- 9:00Bolsonaro responde pelos crimes de golpe de estado, tentativa de
- 9:03abolir o estado democrático de direito, crime de organização
- 9:07criminosa armada, dano qualificado pelo emprego de
- 9:10violência e grave ameaça e deterioração de patrimônio
- 9:15tombado. Somando tudo isso dá 30 anos de
- 9:17cadeia. E Braga Netto, que era o vice?
- 9:23General Braga Netto, que era o vice de Bolsonaro na chapa
- 9:25derrotada. Em 2022 também depois ontem e
- 9:31negou que tenha repassado para Mauro cid.
- 9:34O tenente coronel, ex ajudante de ordens do Messias Braga neto,
- 9:39negou que tenha passado dinheiro numa sacola de vinho para que
- 9:42fosse entregue a militares que faziam parte do esquadrão de
- 9:47elite do exército chamado kids pretos no na história do punhal
- 9:51verde amarelo. Militar da reserva e vice na
- 9:55chapa de Bolsonaro em 2022, Braga net foi interrogado por
- 9:59videoconferência pelo ministro Alexandre de Moraes por ser um
- 10:02dos réus do núcleo gestor na ação penal do golpe de 2023.
- 10:10à Braga. Net está preso desde dezembro do
- 10:13ano passado sob a acusação de obstruir a investigação.
- 10:18E sobre a tentativa de golpe de estado e de tentar obter
- 10:21detalhes dos depoimentos de Mauro cid, que estava fazendo
- 10:25delação. No inÃcio do depoimento, Braga
- 10:29net rebateu as acusações. Durante o interrogatório do
- 10:33ajudante, feitas durante o interrogatório do ajudante de
- 10:37ordens Mauro cid, ele disse que não ligou para o para o general
- 10:44Lorena cid, que é o pai de Mauro cid.
- 10:46Ele disse que o meu general é que ligou para ele.
- 10:49O fato é que ele confirma que eles conversaram, não se sabe o
- 10:54teor da conversa, mas o general, os 2 generais estavam naquele
- 10:59momento sob investigação. Bom, você imagina que eles
- 11:03conversaram sobre o Campeonato Carioca?
- 11:06Previsão de chuva em São José da Lagoa Tapada, Hein?
- 11:11Foi isso que deve ter sido, né? Já que ele não foi sobre o
- 11:14golpe, quem mais falou? Esta semana, quem mais deu
- 11:20depoimento? O ex ministro da defesa, general
- 11:24Paulo Sérgio Nogueira. Ele disse que alertou Bolsonaro
- 11:29sobre a gravidade da possibilidade de golpe no final
- 11:33do governo em 2022. O general Paulo Sérgio Nogueira
- 11:39é general de exército, né? Um dos réus da ação penal no
- 11:43golpe e ele foi intimado para. Ser interrogado pelo ministro
- 11:48Alexandre de Moraes, o relator do processo no Supremo Tribunal
- 11:51Federal. O general foi acusado pela
- 11:53procuradoria geral da República de endossar crÃticas ao sistema
- 11:56eleitoral, instigar a tentativa de golpe e de apresentar uma
- 12:00versão do decreto golpista para pedir apoio aos comandantes das
- 12:05forças armadas. O ex ministro confirmou a
- 12:08participação na reunião realizada pelo ex presidente
- 12:12Messias para apresentar estudos. Para a decretação de medidas de
- 12:15estado de sÃtio para reverter o resultado da eleição.
- 12:18Golpe, né? Mas negou ter apresentado o
- 12:22documento do golpe. Nogueira disse que alertou
- 12:25Bolsonaro sobre a gravidade da tentativa de golpe e que ele e o
- 12:30ex comandante do exército teriam saÃdo preocupadÃssimos da
- 12:35reunião. Paulo Sá Nogueira também negou
- 12:40ter levado a minuta de golpe. Para os comandantes das forças
- 12:44armadas, quem foi ouvido também ontem lembra do general Heleno,
- 12:51poderoso general Heleno, pois é réu na ação penal que apura o
- 12:56golpe de estado para manter o ex presidente Messias no poder e
- 13:00impedir a Posse de Lula. Ministro do gabinete de
- 13:05segurança institucional, general Augusto Heleno.
- 13:09Negou ontem que tenha coordenado ações para disseminar
- 13:13informações falsas, colocando em dúvida a legitimidade do sistema
- 13:18eleitoral e a inviolabilidade das urnas eletrônicas.
- 13:23Se você puder dar um Google e começar a ouvir as falas dele
- 13:26aqui na internet, você vai ver que o depoimento voa.
- 13:31Ao exercer seu direito constitucional de permanecer
- 13:34calado, o general Heleno não respondeu às perguntas.
- 13:38Formuladas pelo relator da ação, ministro do Supremo Tribunal
- 13:42Federal Alexandre de Moraes, mas respondeu às questões do seu
- 13:46advogado, Mateus Mayer milanes. Durante o interrogatório,
- 13:51general Heleno também negou ter coordenado ações da agência
- 13:55brasileira de inteligência para produzir relatórios falsos.
- 13:59Aliás, o general disse também que interpretaram errado as
- 14:03coisas que ele andou dizendo na época, como chefe do do GSI.
- 14:08Agora, na reunião, aquela famosa reunião cujo vÃdeo está aà na
- 14:12internet, ainda publicado, convocada e presidida por
- 14:15Bolsonaro, o general Heleno comentou que após a divulgação
- 14:19do resultado das eleições que ocorreriam dali alguns meses,
- 14:24palavras do general Heleno, não haveria segunda chamada nem
- 14:27revisão do var e que se algo tinha que ser feito, precisava
- 14:32ser feito antes do pleito. General Heleno disse na reunião
- 14:38lá, né? Se tiver, é.
- 14:40Se tiver que dar soco na mesa, é antes das eleições.
- 14:44Se tiver que virar a mesa antes das eleições, depois será muito
- 14:47difÃcil que tenhamos alguma nova perspetiva em caso de Vitória do
- 14:52Lula, disse o general Heleno durante a reunião ocorrida há 3
- 14:55anos. Reunião presidida por Bolsonaro
- 14:59aà no depoimento. Questionado sobre o assunto pelo
- 15:03próprio advogado dele, porque ele não respondia as perguntas
- 15:05do relator, porque ele podia ficar calado e ficou, né?
- 15:08O ex ministro garantiu que empregou essas expressões em
- 15:12sentido figurado. Assim era em sentido figurado, é
- 15:17o golpe, sentido figurado, mas não, não deu tempo explicar o
- 15:22sentido figurado. O que significaria, né?
- 15:25Todo mundo entendeu como golpe, até a justiça, até o.
- 15:30APGE até OA investigação da polÃcia federal, tudo convergia
- 15:34para a mesma, para a mesma interpretação.
- 15:41O ex ministro Anderson Torres também depois, né?
- 15:44Confirmou para a primeira turma que que a pasta, o Ministério
- 15:51dele não tinha elementos técnicos sobre fraudes nas
- 15:55urnas. Após os resultados das eleições
- 15:582002, em que o chefe dele perdeu, Anderson Torres também
- 16:02negou participação no golpe e tentou demonstrar que no dia 8
- 16:06de janeiro estava de férias nos Estados Unidos, onde perdeu o
- 16:10telefone que deveria ser entregue à polÃcia federal para
- 16:13a perÃcia. Também disse que a minuta do
- 16:16golpe encontrada na casa dele era para colocar no lixo.
- 16:22E ele tinha esquecido de colocar no lixo.
- 16:25AÃ a polÃcia federal achou. Foi o primeiro lugar onde
- 16:27acharam a minuta do golpe. Depois, né, foi feito o
- 16:30rastreamento, aà foram bater no Palácio do Planalto, bater no
- 16:33sentido, né, aqui do Ceará mesmo, de chegar lá, né, onde
- 16:37tinha, segundo consta, Oo escritório, né, o gabinete do
- 16:42ódio. Lembra da história do gabinete
- 16:44do ódio? Depois tinha, tinha o gabinete
- 16:46do ódio e tinha o cercadinho do ódio, né?
- 16:48Tinha, tava tudo montado lá. Pois é, depois dos depoimentos
- 16:51de todos os acusados. O ministro Alexandre de Moraes,
- 16:55do Supremo Tribunal Federal, revogou a medida cautelar que
- 16:59proibiu os réus do núcleo gestor do golpe de manter em contato.
- 17:04A medida foi tomada após o encerramento dos interrogatórios
- 17:08do ex presidente Messias, do general Braga neto e de mais 6
- 17:12outros réus. Eles estavam impedidos de se
- 17:14comunicar durante a fase de instrução do processo.
- 17:17Com o fim dos depoimentos, Morais entendeu que a restrição
- 17:21não é mais. Necessária na mesma decisão, o
- 17:25ministro concedeu o prazo de 5 dias para as defesas dos réus
- 17:28apresentarem requerimentos complementares ou solicitarem
- 17:32novas diligências. O interrogatório dos réus é uma
- 17:35das últimas fases da ação penal. A expectativa é que o julgamento
- 17:40vai vai ocorrer ainda este ano, a previsão que ser no segundo
- 17:45semestre e é quando sai o resultado final.
- 17:48Quem? Quem vai ser condenado, quem vai
- 17:49ser absolvido? Os 2 dias seguintes de
- 17:55audiência, ou melhor, em 2 dias seguidos, né?
- 17:59Foi foi 2 dias de audiência, é todo o núcleo gestor foi ouvido,
- 18:03foram foram 88 acusados. Olha qual é a configuração do
- 18:07núcleo gestor do golpe? 6 militares e 2 delegados da
- 18:12polÃcia federal. Evidentemente que eles não
- 18:14atuaram, eles não não estão depondo na condição de delegados
- 18:19da polÃcia federal. Ã, e nem mesmo na condição de
- 18:21militares, né? Porque na verdade, eles eram,
- 18:24eles eram e continuam sendo é servidores públicos dessas 2
- 18:28áreas. No entanto, eles estão
- 18:30respondendo pelo que fizeram durante Oo governo anterior.
- 18:36Por exemplo, o almirante Almir garnier, ex comandante da
- 18:40marinha, está lá no processo como alguém que não só
- 18:43concordou, como colocou a marinha à disposição, sendo que
- 18:46a marinha não é dele, é do Brasil, né?
- 18:49Ele nega, claro. Né?
- 18:51Mas tá lá a acusação, Augusto Heleno, ex ministro do gabinete
- 18:54de segurança institucional, general também na condição de ex
- 18:59ministro de segurança institucional, estava lá fazendo
- 19:01as suas. Nega tudo, mas diz que foi
- 19:04sentido figurado. Ele fez que o Mauro Rebelo era
- 19:06poesia, né? Não era isso.
- 19:09O Mauro Rebelo foi testemunhar lá, foi um vexame.
- 19:12Jair Bolsonaro, ex Capitão do exército, ex presidente da
- 19:17República, é tido como o chefe do.
- 19:19Núcleo do golpe, portanto, chefe do golpe, Paulo Sérgio Nogueira,
- 19:23ex ministro da defesa. Era general, né?
- 19:27Valter Braga neto, ex ministro da defesa e ex chefe da casa
- 19:32civil, candidato a vice na chapa de Bolsonaro, general do
- 19:37exército. Agora vem os 2 delegados de
- 19:40polÃcia federal, Alexandre ramagem, ex diretor da agência
- 19:44brasileira de inteligência. Que, dentre outras coisas, é
- 19:46acusado de manter uma ABIN paralela.
- 19:50E Anderson Torres, delegado também de polÃcia federal, ex
- 19:54ministro da justiça e secretário de segurança do Distrito
- 19:56Federal, que tirou férias uma semana depois de assumir o cargo
- 19:59e foi para os Estados Unidos. De lá ele assistiu o golpe do 8
- 20:05de janeiro. Agora são 7 horas e 50 minutos.
- 20:18à hora da nossa entrevista com o sociólogo, radialista aqui da
- 20:21universidade FM, professor Pedro Victor Mendes.
- 20:26Rádio livre entrevista. Vamos conversar agora com o
- 20:31sociólogo, professor da UFC, da sociologia da UFC, Pedro Victor
- 20:37Mendes. Bom dia, Pedro.
- 20:38Bom dia, professor, bom dia a todos os ouvintes.
- 20:40Pedro, a gente tinha Combinado. Ã pra conversar hoje sobre o
- 20:46funk, mas não é sobre o funk. à sobre Oo impacto do funk na
- 20:53cultura brasileira e como os funkeiros são tratados ao longo
- 20:57da história. à desde que o funk foi
- 21:01introduzido na cultura brasileira e que ganhou força
- 21:04sobretudo na periferia, onde mora a maioria do povo
- 21:09brasileiro. Um dos problemas que se vê, e
- 21:12isso veio à tona de novo agora com a prisão recente de 11
- 21:17funkeiro, é que se buscou, se buscou desde o primeiro momento,
- 21:23já dos anos 70 em diante, mas mais intensamente dos anos 80 e
- 21:2690. Criminalizar o funk e os
- 21:30funkeiros. Por que que acontece isso hoje?
- 21:34Estou equivocado? à de fato, existe algum espaço?
- 21:38Para considerar uma atividade como funk criminosa.
- 21:42Bom, é professor. Isso é muito interessante,
- 21:45porque sempre que a gente fala em funk, né?
- 21:48Tem muito essa essa crÃtica direcionada ao funk sobre as
- 21:54letras de algumas canções que são muito sexualizadas, né?
- 21:59à sendo que eu acho que esse não é nem o problema mais grave, né?
- 22:04Eu acho que existe 11 crÃtica correta sobre. 11 perspectiva de
- 22:10como ele acaba surgindo no nosso cotidiano, na medida em que
- 22:15vocês põem crianças a letras sexualizadas, né?
- 22:19Isso é uma é uma questão a se pensar, mas que eu convido o
- 22:22ouvinte, né? Não vou focar nisso.
- 22:24Nós vamos conversar sobre o funk de uma maneira, né?
- 22:27Mais geral, mas eu convido o ouvinte APCB que se preocupa com
- 22:32a violação da infância, né, diante desses estÃmulos.
- 22:36Que também se preocupe com a violação da infância nas
- 22:39periferias, quando não tem creche, quando não tem escola em
- 22:43tempo integral, quando elas são obrigadas a trabalhar por falta
- 22:48de assistência social. Trabalhar, inclusive, às vezes,
- 22:52em atividades ilÃcitas, né? Exatamente.
- 22:54Então, assim, a violação da infância não é só através, por
- 22:58exemplo, da exposição das crianças a músicas que e outros
- 23:02estÃmulos artÃsticos que elas não têm idade para assumir.
- 23:04Eu, eu, eu entendo. Que alguns estÃmulos artÃsticos
- 23:08tem que ter censura mesmo. Obviamente você tem faixas
- 23:12etárias, crianças, que tem que ter acesso e contato com
- 23:15determinadas letras, com livros, poesias, né?
- 23:19Ou você vai dar um livro de poesia erótica para uma criança?
- 23:21Isso não existe, né? Então, isso dito, isso é muito
- 23:24importante, porque isso sempre vem à tona quando se fala de
- 23:27funk, o funk ele produz, é uma poesia, né, sexualizada, que é
- 23:33apreciada pelos adultos, né? Pelos adultos, e isso faz parte
- 23:38da natureza humana. Nós temos o Marquês de Sade, nós
- 23:41temos grandes clássicos da literatura que tem essa
- 23:45caracterÃstica também. A questão do funk não é essa não
- 23:48é a questão do funk, é que se trata de uma produção tÃpica da
- 23:53cultura negra brasileira. Ah, mas como é que você diz?
- 23:57Somos todos mestiços. Espera aÃ, espera aÃ, calma,
- 24:01tem. Nós podemos sim, falar de
- 24:03comunidades negras em Fortaleza, em janeiro, quando você tem num
- 24:10determinado bairro, num num determinado local, num
- 24:13determinado é comunidade, mais de 70% da população ali negra.
- 24:19Você tem pessoas brancas também vivendo em comunidades negras e
- 24:23elas arcam com o ônus disso, porque muitas vezes, quando você
- 24:27aqui, aqui mesmo, no em Fortaleza.
- 24:30Várias pessoas oriundas de comunidades negras tem vergonha
- 24:33de dizer de onde vieram, porque ela sabe que vão sofrer
- 24:36preconceito. E diante dessa vergonha imposta,
- 24:40porque não há vergonha naturalizada, ela é imposta, né?
- 24:44Você tem também uma luta de orgulho, né?
- 24:47Comunidades como Bom Jardim, não, eu sou do bonja me
- 24:51respeita, né? Então assim, você tem também
- 24:53essa resistência, né? Aà pra você ver como esse
- 24:57preconceito contra o funk dialoga.
- 24:59Com toda a questão racial brasileira, comunidades negras
- 25:03com a cultura preta, não é? Então assim, Ah, mas veja bem,
- 25:08eu eu não tenho problema com vários outros manifestações da
- 25:14cultura negra. Eu adoro o samba.
- 25:16à muito fácil, por exemplo. O samba também já deu cadeia, né
- 25:20já? Rendeu cadeia, né?
- 25:21E eu conversava há pouco com o senhor sobre um grande sambista.
- 25:26Em 1908, foi preso por fazer samba.
- 25:29Assim como há há há alguns anos o funks chegou a ser proibido.
- 25:33Os bailes funks chegaram a ser proibido, né?
- 25:36Então, assim, e é muito fácil, professor, é dizer que gosta da
- 25:44cultura negra, do passado, que gosta do blues, que gosta do
- 25:48samba, que gosta, né? à e é muito simples a capoeira.
- 25:55Mas e a cultura preta contemporânea?
- 25:57O hip hop, o funk, né? Aà é onde você é, onde é, onde o
- 26:04cala aperta. Então eu convido os ouvintes.
- 26:08Obviamente que gosto, não se discute, eu não vou obrigar
- 26:11ninguém, mas que reavalie essa ojeriza que muitas pessoas têm
- 26:17em relação ao funk como um sintoma do nosso racismo
- 26:21estrutural, da nossa sociedade. O Pedro, eu queria só fazer uma
- 26:25observação em relação ao que você falou, é a censura, né?
- 26:29à hoje, na verdade, o que o que se defende e a inclusive está
- 26:33instituÃdo. Isso é 11 classificação, né?
- 26:36Quer dizer, AA censura que era imposta na no perÃodo
- 26:40ditatorial, Ela Foi, Ela Foi abolida no sentido mesmo legal e
- 26:45passou se a trabalhar com a ideia da classificação
- 26:48indicativa. AÃ abre uma responsabilidade
- 26:51muito grande tanto para os meios de comunicação, a indústria
- 26:53fonográfica, e para as famÃlias também, né?
- 26:55De não expor é, é crianças, por exemplo, AAA obras que não são
- 27:01exatamente compatÃveis com a idade etcétera etcétera conforme
- 27:05Oo que é, é válido hoje. Agora, essa questão aÃ
- 27:10relacionada com a periferia, não é?
- 27:14E com o que vem da periferia como cultura?
- 27:17Ela, ela se amplia para outras situações.
- 27:20Certamente se amplia, porque você tem todo um processo de
- 27:26estigmatização, que é feita com os produtos culturais da
- 27:31periferia, por exemplo. Recentemente tivemos, né?
- 27:36Mais um caso brutal de violência policial contra a comunidade no
- 27:41Rio de Janeiro, que vitimou um adolescente que estava apenas
- 27:44aproveitando o São João. Um clima altamente familiar.
- 27:48As pessoas estavam ali com os seus filhos, é bebê de colo e a
- 27:54polÃcia chegou atirando. Eu quero é convidar o ouvinte a
- 28:00fazer uma comparação, quantas vezes em uma você já ouviu falar
- 28:07de traficantes de classe média? à sempre.
- 28:12Ã, é jovem, de classe média, vendia drogas no seu
- 28:17apartamento, né? A os anúncios, até mesmo a
- 28:21maneira como os anúncios são escritos no jornal são
- 28:24diferentes para abordar a mesma situação.
- 28:27Você ver como são 2 pesos, 2 medidas, né?
- 28:30E aÃ, e aÃ, o que que acontece? Você constrói 2 tipos de
- 28:37comportamento que são respaldados pela sociedade.
- 28:41Muitas pessoas não veem problema na polÃcia chegar atirando numa
- 28:45festa familiar na periferia. Ah, mas é justificável.
- 28:49Tem bandido ali, deve ter algum bandido.
- 28:52A polÃcia tem. E se tiver um traficante, como
- 28:55existe da classe média, num desses bares de que na aldeota,
- 29:02no Meirelles, na Varjota ou no Leblon, lá no Rio de Janeiro, a
- 29:06polÃcia pode chegar atirando também.
- 29:08Ã, eu não vou citar aqui o bairro, porque pra gente não
- 29:11trabalhar aqui, uma discriminação.
- 29:13Mas um dia desses houve uma prisão de um sujeito
- 29:16desenvolvido com o crime organizado poderosos em lugares
- 29:22inimagináveis, lugares de classe AAA, certo?
- 29:28Daquele 1% da. Dos alphavilles da vida, né?
- 29:33Eu não sei qual era o bairro, mas era um bairro bastante
- 29:36importante. Mas não consta que houve nenhum
- 29:39tipo de abuso, nenhum tipo de invasão.
- 29:42A gente só soube já depois do do resultado.
- 29:46Esse é o comportamento que deveria ser padrão, não é assim.
- 29:50Faz se a prisão, seja quem for o marginal, rico ou pobre, dentro
- 29:55do das técnicas e da legislação vigente, né?
- 29:59EE aÃ, professor, eu acho que não dá, por exemplo, no contexto
- 30:03atual que a gente vive, fechar os olhos.
- 30:06Diante de uma violação de direitos humanos como a que
- 30:10aconteceu, né, no Rio de Janeiro, EE que não é pontual,
- 30:15ela é sistemática, né? Ela acontece com grande
- 30:18frequência. Como por exemplo, o que está
- 30:20acontecendo na Palestina, onde o estado de Israel fala que é
- 30:26justificável bombardear. Né?
- 30:29FamÃlias inteiras. Acabar.
- 30:31Pessoas escondidas em escolas, em hospitais que tá tranquilo
- 30:35porque deve ter gente do Hamas por ali.
- 30:38Da mesma forma. Você tem pessoas que tem um
- 30:41discurso, né? Populista no sentido de é querer
- 30:46angariar votos dizendo que não. Aà tem que bombardear lá na
- 30:50favela porque tem algum traficante por ali também.
- 30:53A desumanização é a mesma. à uma desumanização nesses
- 30:57casos, decorrente é um do racismo, que vem aliado de um
- 31:03processo de colonização, de um processo de colonialismo.
- 31:06Assim, histórico. Então você tem um ser humano
- 31:11branco que acha que o ser humano de pele negra, ele tem uma vida
- 31:16que vale menos. Portanto, não tem problema abrir
- 31:20fogo no meio de uma festa familiar de uma comunidade
- 31:23negra, porque o seu objetivo final é caçar bandidos, é caçar
- 31:28criminosos, traficantes. Da mesma forma, Israel também
- 31:31não vê problema em atingir crianças no meio da da da sua
- 31:35perseguição ao Hamas, porque o objetivo último é acabar com o
- 31:39Hamas. Pedro, agora, qual a expectativa
- 31:43que a gente pode ter de de? Perceber mudanças significativas
- 31:49nessa situação aÃ, dado que você identifica, por exemplo, que
- 31:52você acabou de me falar aqui na conversa anterior, é que, por
- 31:57exemplo, no âmbito da religião, já não, em tese, já não, já não
- 32:01é mais uma questão central, porque as pessoas,
- 32:04independentemente da questão racial, elas fazem as escolhas
- 32:08religiosas. Não é, são, são.
- 32:10São elementos, né, que a gente deve ter em vista quando pensa
- 32:14sobre racismo. Ã a negritude e a africanidade,
- 32:20né? A uma pessoa, por exemplo,
- 32:23branca, que frequenta a umbanda, ela pode sofrer.
- 32:29A racismo religioso, na medida em que ela está aliada a uma
- 32:34religião de origem africana. Porque quando você deprecia o
- 32:37que é africano, ali, está presente também o racismo, né?
- 32:41Obviamente que eu não vou dizer que a pessoa está sofrendo do
- 32:43racismo por ser branca. Não é essa a questão.
- 32:46Ela pode ser vÃtima de racismo religioso por estar vinculada a
- 32:50uma religião de origem africana? Né, você tem sempre insistido
- 32:54aqui, né? O racismo ele não está.
- 32:56Exclusivamente relacionado a cor, né?
- 32:59Não exatamente ela, ele é a cor. Obviamente que ela é muito
- 33:03importante nesse processo, porque OA manifestação, né?
- 33:06Como a gente entende sociologicamente o racismo?
- 33:08Ela não surge porque os seres humanos nasceram com cores
- 33:12diferentes. Não é assim.
- 33:14O racismo. Ele passa a existir quando um
- 33:16grupo, independente da cor, acumula mais poderes do que o
- 33:21outro e passa a ditar as possibilidades do outro.
- 33:23De acessos a bens materiais e imateriais.
- 33:26Então você tem aà uma hierarquização, uma diferença de
- 33:29acesso ao poder, e esse grupo passa a determinar o que o outro
- 33:33pode ou não pode. Inclusive se o outro pode ou não
- 33:36pode viver, né? Exatamente, e aà a com
- 33:38frequência no numa relação, né? De racismo dentro de uma
- 33:42sociedade. O grupo, que é privilegiado
- 33:45busca identificar o outro por sinais fÃsicos.
- 33:49Então, quando esses esses sinais, eles podem ser
- 33:53identificados de maneira mais óbvia.
- 33:55Então, no caso do Brasil, é a cor da pele, é o racismo de de
- 33:59marca, né? à no em outras situações, é, vão
- 34:03até se inventar caracterÃsticas fÃsicas que não existe, não
- 34:07existiam, por exemplo, a diferença entre os alemães e os
- 34:10judeus na Alemanha é, praticamente não existiam
- 34:13diferenças fÃsicas. Então eles inventam aquela
- 34:16caricatura do judeu com nariz grande, olho grande.
- 34:19à uma coisa muito parecida até com o rato, né?
- 34:22Justamente para desumanizar o povo judeu na época na Alemanha,
- 34:26né? Então você tem uma criação, você
- 34:30inventa, né, uma diferença fÃsica que não existe.
- 34:33Então, Oo racismo em si não é sob diferença de pele
- 34:36sociologicamente falando no caso do Brasil, como o racismo mais
- 34:40evidente é o racismo antinegro é.
- 34:42OK, Pedro Victor Mendes, muito obrigado pela sua participação e
- 34:46até a próxima quarta. Eu que agradeço, professor, até
- 34:48o nosso próximo encontro. Chegamos ao final do rádio
- 34:56livre. Bom dia.
- 34:57Um abraço. Obrigado pela companhia.
- 34:58Amanhã a gente se encontra novamente aqui às 7:30 ao vivo e
- 35:01no podcast rádio livre cononato Lima.
- 35:06A universitária FM apresentou rádio livre.
- 35:10Rádio livre rádio livre.