Latest / ABC Cast / ABC Cast Conexões #12: Silvia Muiramomi e AS RAÍZES INDÍGENAS QUE O ABC NÃO CONHECE
Transcript
- 0:04Olá, bem-vindo a mais esse episódio do ABC cast conexões, o
- 0:07podcast de entrevistas do portal ABC do ABC.
- 0:11Mais uma vez estou aqui Tiago Quirino para conduzir você nessa
- 0:14conversa que teremos hoje. Todas as semanas, como você tem
- 0:17acompanhado? Trazemos assuntos dos mais
- 0:19variados, mas que de alguma forma se conecta com a sua vida.
- 0:23Então a gente já falou sobre liderança feminina, já falamos
- 0:25sobre saúde, já falamos sobre educação, falamos sobre.
- 0:28Negócios dos mais variados. E hoje, como não é diferente,
- 0:32falaremos sobre mais um assunto de impacto e de suma importância
- 0:36pra sua vida, porque vamos falar sobre saberes indígenas, vamos
- 0:39falar sobre ativismo, vamos falar sobre resistência e a
- 0:43importância da memória e dos saberes ancestrais.
- 0:46Então vamos embarcar nessa história e pra seguir como a
- 0:50gente tem feito onde é, já virou uma tradição aqui, eu convidei
- 0:53uma pessoa. Espetacular para dividir a mesa
- 0:57aqui, os microfones comigo, que é uma jornalista que entende
- 0:59muito desse assunto, deste e de vários outros.
- 1:03E é uma jornalista que eu sempre espelhei a minha carreira muito
- 1:06no que no que ela desempenhou na vida dela, né?
- 1:09E eu estou falando desta aqui. Valderei Coimbra, muito obrigado
- 1:13por estar junto comigo aqui, Val.
- 1:15Caramba, essas palavras. A gente combinou tudo antes,
- 1:17viu, gente? É, eu queria agradecer
- 1:20imensamente aí pelo convite e a oportunidade de participar.
- 1:24Dessa conversa aqui com com Silvia e com ou você gratidão a
- 1:31vocês pela por lembrarem de mim. É e vai ser uma excelente
- 1:35conversa, porque a nossa convidada, a nossa entrevistada
- 1:38de hoje é a Sílvia guayana muyramomi, que é uma líder
- 1:44indígena, uma socióloga, uma terapeuta integrativa, e eu vou
- 1:49descobrir o que é isso hoje aqui junto com ela e temos muitos
- 1:53assuntos a tratar. E assim a Silvia hoje é uma
- 1:56liderança, é aqui no ABC e é um espelho inclusive para fora do
- 2:01ABC. E a gente vai entender um pouco
- 2:03mais de como isso funciona. E até Silvia muito bem-vinda e
- 2:07vai ser um prazer poder conversar com você hoje aqui.
- 2:11É talvez até pra gente começar assim, é fazendo um quebra gelo
- 2:16rapidinho. Vamos falar como que tem sido
- 2:20ser uma liderança indígena aqui no ABC?
- 2:24A gente vê o ABC, esse composto de 7 cidades, é um centro, é é
- 2:30uma metrópole basicamente, né? E quando você fala de indígena,
- 2:33AA primeira coisa que vem pra gente é a floresta.
- 2:38Mas a gente está numa floresta de concreto.
- 2:40Como é que funciona isso? Silvia?
- 2:42Nossa é obrigado por pelo espaço, pela presença da
- 2:45Valderez e que a gente tem muito apreço, muita admiração e.
- 2:52Você trouxe vários questionamentos numa única
- 2:55questão, né? O que é ser uma liderança
- 2:58indígena? Pra você ser uma liderança
- 3:01indígena você não se impõe, você faz a luta, né?
- 3:08E aqui no ABC essa luta começou em 2021.
- 3:12Quando a gente se descobriu pertencente a um povo indígena
- 3:16nativo, aqui a gente chama de território de caguaçu, mas é.
- 3:21São as 7 cidades do ABC Paulista, alto Tietê, tudo isso
- 3:25faz parte do território de caguaçu.
- 3:28E é. A gente entendeu que nossa
- 3:31presença aqui não era é vista visibilizada, celebrada,
- 3:38celebrada e não havia memória. Dela, né?
- 3:42Então, como a gente vem trazendo a memória do nós, da nossa
- 3:46ancestralidade? A gente começou a questionar
- 3:49isso e o questionamento levou a vários enfrentamentos e a buscar
- 3:56esses espaços. Onde se precisa é relembrar essa
- 4:02essa existência, essa memória, essa história, né?
- 4:05Espaços institucionais, espaços educacionais, espaços de de é
- 4:12saúde integral, todos esses espaços ignoravam a presença dos
- 4:17povos indígenas, que não é só o povo Goiana mãe da moma.
- 4:20Estão os povos que também vieram para cá em busca de um espaço de
- 4:25sobrevivência e de trabalho. Então, assim, respeitar essa
- 4:30diversidade. É respeitar a história do
- 4:34próprio país. Sim, mas onde estavam?
- 4:36Você citou aí a data de 2021 até 2021.
- 4:40Onde esse Oo povo todo estava. Então é o movimento indígena.
- 4:45Ele se fortaleceu a partir de 1988, com a Constituição, o
- 4:48movimento indígena Unido, e nós conseguimos os artigos lá que
- 4:53trouxeram a cidadania para todos os povos indígenas dentro do
- 4:57espaço urbano. Eles estavam ainda escondidos.
- 5:00Por quê? Existe é Oo.
- 5:06Racismo atravessa toda essa questão da do reconhecimento de
- 5:10se reconhecer uma pessoa indígena.
- 5:12Então aqui No No espaço urbano é você se dizer indígena, é remete
- 5:20a uma figura parada no tempo em que você anda pelado, caça e
- 5:25pés, que mora no Mato. Então esse é AA.
- 5:29A consciência coletiva do que é ser indígena é um estereótipo, é
- 5:33um estereótipo. Então, todo mundo que é indígena
- 5:37e tem consciência disso os pancararus, os pataxós, os hoje,
- 5:42os guaianá, mira momi e várias outras etnias aqui que estão
- 5:47presentes na 7, são 3031, uma pessoas indígenas presentes nas
- 5:527 cidades do ABC, quase uma aldeia urbana, elas estavam.
- 5:56É ainda silenciadas com o receio de sofrer o racismo, com o
- 6:02receio de ser é sofrer bullying, né?
- 6:05E a deslegitimação, então, o peso do quem pode e quem não
- 6:10pode ser indígena ainda é muito presente nos centros urbanos,
- 6:14né? E eu acho que em todo o
- 6:16território nacional, então, essas pessoas estavam, é, é,
- 6:20embora com consciência de sua presença, elas estavam ainda.
- 6:25A dentro da construção dos seus próprios é famílias nos lares ou
- 6:30dentro de coletividades em bairros específicos nas 7
- 6:34cidades do ABC. A partir do momento que a gente
- 6:37levanta essa voz, olha, tem indígena no ABC, olha, é.
- 6:42E com Oo avanço do censo do IBGE, que também trouxe, né?
- 6:48E. Revela um dado que estava
- 6:50escondido. Exatamente.
- 6:52Simplesmente porque ele mudou a metodologia.
- 6:55Ao invés de perguntar você é indígena?
- 6:58Ele passou a perguntar, você se sente indígena?
- 7:02Você se considera indígena? E aí o peso da ancestralidade
- 7:07que vem caminhando dentro da gente se sente seguro para
- 7:11trazer essa esse pertencimento para fora.
- 7:14Então são vários. É movimentos que Oo movimento
- 7:18indígena nacional e depois o nosso movimento aqui junto.
- 7:22O iandeva eté, né? Que é um movimento de indígenas
- 7:25urbanos, começou AAA engajar no território de caguaçu nas 7
- 7:30cidades do ABC. Visibilizando essa presença e aí
- 7:34as pessoas começaram a ficar mais confortáveis para se se
- 7:37mostrar e se declarar indígenas. Que legal Oo Val, é muito comum
- 7:41aqui nessa nosso programa, bem no comecinho, o jornalista ficar
- 7:46um pouco, o jornalista convidado ficar um pouco acanhado de fazer
- 7:49pergunta. Então você pode interromper a
- 7:51qualquer momento. É porque senão eu vou falando
- 7:53sem parar aqui, tá? Então fique à vontade.
- 7:55A hora que você tiver qualquer pergunta, pode me interromper.
- 7:58Inclusive, tá, eu vou até aproveitar.
- 7:59Então é dentro desse contexto aí, né, da é, se chama retomada,
- 8:06né? Indígena e principalmente num
- 8:09foco no na nos indígenas em contexto urbano.
- 8:14É de que forma? É, é, é.
- 8:17Você vê que. É essa essa provocação para as
- 8:21pessoas, né? De se reconhecer como indígena.
- 8:25É da forma como é abordado. É da da provocação de memórias,
- 8:33né? Como conta um pouquinho sobre
- 8:35isso? Como que as pessoas é, elas se
- 8:39sentem à vontade para falar, olha, eu tenho uma avó.
- 8:43É, eu tenho um avô muitas vezes nem sabe qual é a sua etnia.
- 8:48Como é que você veio? Como é que é esse?
- 8:50É AOA, memória de ser, de pertencer a um povo indígena.
- 8:56Ela é latente dentro da pessoa. Então eu eu começo.
- 8:59São várias camadas. Até que finalmente você consegue
- 9:03verbalizar eu sou indígena. Então ela não é um processo
- 9:07fácil e você tem que é trabalhar isso internamente ao mesmo tempo
- 9:13que você trabalha externamente. Então, por exemplo, na minha
- 9:17história pessoal, a minha avó contava que a primeira ferrovia
- 9:20de São Paulo a São Paulo raio é que é exatamente essa que corta
- 9:25OABC dividiu as terras das nossas gentes em 22 territórios.
- 9:31Quando essa frase chegou para mim, em 2019, eu resolvi fazer a
- 9:36pesquisa, né? Eu já estava engajada No No
- 9:39movimento, né, social. E aí resolvi fazer a pesquisa do
- 9:42que significava isso e aí descobri que o território é
- 9:46OABC. Então aqui tinha indígena.
- 9:48E aí você começa a questionar, né, porque que nunca ninguém
- 9:53falou isso para gente? E aí você começa a descobrir as
- 9:57histórias, as histórias externas, de como é que esse
- 10:02povo colaborou para que isso fosse o que é hoje 111 centro
- 10:08tecnológico industrial e né, que acolhe diversas povos, né?
- 10:14Que estão chegando. E como é que a sua história, a
- 10:18história da sua avó, do seu povo, foi apagada?
- 10:22Então você precisa fazer 11 exercício.
- 10:25De refrescar essa memória, né? Embora eu soubesse que minha avó
- 10:29era indígena, mas o que ela sabia do povo dela, ela se
- 10:32declarava tapuia. O tapuia é um não Tupi, o tapuia
- 10:36foram aqueles que sofreram as guerras justas.
- 10:39Então aí você começa a entender historicamente que se o nosso
- 10:43povo sofreu as guerras justas, né?
- 10:46A violência da guerra justa, a única forma de de você.
- 10:51Estar aqui hoje é que a sua avó silenciou esse pertencimento.
- 10:55Ainda mais numa tradição em que AA história ela é oral, né?
- 10:59Ela não é uma história escrita. E aí se perde se AA história não
- 11:04é contada. Exato, e aí você tem que lidar
- 11:07com AA camada de entender a violência do avô português.
- 11:12Que está dentro dessa construção também.
- 11:14Isso não é muito fácil. É uma dor, né, um sofrimento de
- 11:19todo o clã, e aí você tem que trazer com coragem isso pra
- 11:24fora, porque você tem que lidar que a história miscigenou.
- 11:28Então, se a Silvia hoje é indígena, mas tem esse esse
- 11:32fenótipo europeu não foi uma escolha.
- 11:36Das nossas ancestrais. Foi uma violência histórica?
- 11:40Exatamente. E aí você precisa lidar com os
- 11:43olhares que estão olhando para você, ouvindo a sua história,
- 11:48mas olham para o seu fenótipo e falam, não, você jamais pode ser
- 11:52indígena. Então você tem que começar a
- 11:53lidar com várias camadas de violência.
- 11:56E aí existe. É um querido amigo meu.
- 12:00O José, do instituto de isab, falou uma vez para mim quando eu
- 12:03comecei a. A trilhar essa essa luta do
- 12:06movimento social, que quem não aparece não existe.
- 12:11E aí você começa a entender porque nas 7 cidades do ABCA
- 12:15afirmativa é, não existem indígenas porque a gente não
- 12:19tinha coragem de aparecer. Então a retomada é uma revolução
- 12:24interna, que provoca uma revolução externa e que faz as
- 12:29pessoas é entenderem. AA.
- 12:34A dinâmica é da nossa própria história de território e de
- 12:37povo. Então, assim, é um movimento
- 12:39fortíssimo. E quando a gente depois começa a
- 12:42dar palestra e você começa a se afirmar indígena e começa a
- 12:46trazer essa memória, olha, minha vó fazia chá, minha vó.
- 12:49Aí as pessoas choram porque elas se reconhecem nessa história,
- 12:54porque elas também tiveram uma raiz indígena que ficou.
- 12:57Apagada é silenciada dentro dela.
- 13:00Então é um movimento que eu falo que é o movimento de jogar
- 13:03pedrinha no Lago, né? Ela vai formar ondas que a
- 13:06pedrinha mesmo. Não sabe nem OOO movimento que
- 13:09ela, a força do movimento dela. Mas essas águas vão, vão fluir e
- 13:14vão trazer outras memórias. Isso vai fortalecendo cada vez
- 13:18mais. Então a retomada é um movimento
- 13:20profundo. E essa sua fala aí é muito?
- 13:24Forte, muito importante e significativa do que representou
- 13:28a história do Brasil, esse apagamento que não foi.
- 13:32É assim que não. Não foi sem propósito, que foi
- 13:38um apagamento proposital. Um embranquecimento.
- 13:41De todo, de todo um processo que a gente vê historicamente e que
- 13:46até hoje. Inclusive, Thiago morou em
- 13:48Ribeirão Pires. Não sei se você lembra que lá
- 13:51antigamente tinha. Lá No No, na história da cidade
- 13:55e até no site da prefeitura, antigamente referência a
- 13:59caguaçu, depois de um certo período, tiraram eu um dia
- 14:03percebi, fiquei, fiquei muito aborrecido, falei, como vai
- 14:08tirar essa essa referência da cidade?
- 14:10Aí vem todo aquele discurso, né? É a, é, é.
- 14:15Não tem base científica, não tem.
- 14:19É, são memórias da cidade. E com certeza ali foi território
- 14:24indígena, né? Porque esse apagamento ainda nos
- 14:28nos dias de hoje, na verdade, não, não, não foge tanto.
- 14:33Então acho que é o trabalho do leondeba vai até e de todos os
- 14:40os povos e que que fazem esse levantamento, esse
- 14:46questionamento. Bota um.
- 14:48O dedo mesmo Na Na cara da sociedade não indígena, é de que
- 14:53precisa retomar essa memória. Que coisa é essa?
- 14:56AA democracia racial. Somos 33 povos, mas só um
- 15:02aparece, o resto é apagado. Como assim, né?
- 15:07É? E eu até até posso complementar
- 15:10aqui com uma outra pergunta, até para as 2 mesmo, né?
- 15:14É a. O nosso público que está nos
- 15:17ouvindo, talvez começa a se surpreender com a importância do
- 15:21debate aqui, né? Sobre AA, as raízes indígenas, a
- 15:25quantidade de indígenas que se declararam aqui na região do
- 15:29ABC. Mas aí me vem a pergunta, onde?
- 15:32Onde nós estamos, né? Onde a comunidade indígena está?
- 15:35Porque. Eu vou entender que a comunidade
- 15:38não é um grupo que está vivendo em uma tribo indígena no meio do
- 15:43Mato, que é o justamente o estereótipo que a gente estava
- 15:45conversando mais cedo, né? Mas são indivíduos que estão
- 15:47espalhados nas 7 cidades, que eles estão 100% integrados.
- 15:52Eles estão saindo, estão pegando o trem, estão indo trabalhar,
- 15:54né? Mas onde nós estamos?
- 15:56Se você conseguisse detalhar assim dentro dos das 7 cidades
- 16:01onde estamos lá. Então aí eu vou precisar fazer
- 16:05vocês voltarem a 1500. Então, se você fizer uma visita
- 16:09no pátio do colégio lá e ver EE visitar aquela maquete que tem
- 16:14lá no pátio do colégio, você vai ver que o centro de São Paulo
- 16:17era a aldeia do nosso avô do cacique Tibiriçá e que.
- 16:24Aquilo que a que, o que o europeu, que o estrangeiro
- 16:27chamou de aldeia, na verdade eram vários é, é núcleos
- 16:33familiares, vários clãs espalhados por todo o
- 16:38território, do Anhangabaú até o tamanduateí.
- 16:42É, até me desculpe, eu usei Oo termo tribo, mas na verdade é
- 16:44aldeia. É me corrigi.
- 16:46É assim. É tribo AO movimento.
- 16:50Não, não. Não aconselha mais usar porque
- 16:53dá a entender que a gente não tinha.
- 16:56É organização social, hierárquica, política e o que
- 17:01não é a realidade do que os próprios relatos jesuíticos
- 17:05contam a respeito das nossas vivências aqui.
- 17:08Então, como nós nos organizamos nas cidades hoje?
- 17:11Então, quando você vai dar uma palestra para uma escola?
- 17:15É municipal. Principalmente nas periferias.
- 17:22E você pergunta, alguém aqui tem avó indígena, avô indígena?
- 17:2810 crianças levantam a mão. Então você sabe que tem 10
- 17:32crianças que se reconhecem como parte dessa ancestralidade.
- 17:36Aí você afina a pergunta, você fala, alguém aqui sabe de qual
- 17:41povo é o seu avô, a sua avó? 3 ou 4 sabem uhum, praticam os
- 17:47costumes, as tradições, alguns até os pancararus.
- 17:50Por exemplo, eles têm o hábito de visitar aldeiam.
- 17:53Uma vez por ano, visitam a aldeia com os pais.
- 17:56Que eles têm uma aldeia realmente assim no.
- 17:59Estado deles no estado deles é em Pernambuco, uhum e mas a
- 18:05professora e a escola, a comunidade escolar nunca tinha.
- 18:09Se há percebido, se dado conta de que dentro da sala de aula,
- 18:14dentro da comunidade, existem pessoas indígenas, então nós
- 18:18estamos. É o colonialismo
- 18:21neocolonialismo. Ele ainda quer dizer que nós
- 18:24estamos assimilados pelo contexto urbano, mas existe
- 18:28dentro dessa construção uma resistência que ainda persiste
- 18:33no núcleo familiar, que ainda está dentro da da, da.
- 18:38Do parentesco e da da reunião dessas famílias hoje.
- 18:44Como que a gente faz a retomada? Então?
- 18:46As aldeias indígenas na região do ABC, existem 4 em São
- 18:51Bernardo e são da do povo Guarani mbiá.
- 18:54Então não são aldeias, é nativas.
- 18:57Elas são aldeias de ocupação e retomadas, sim, que a Funai e o
- 19:01Ministério público reconhecem. E ali?
- 19:04Mesmo sendo 11 Terra que não é tão fértil, não é a Terra do sul
- 19:09que eles estão acostumados. Eles conseguem reproduzir
- 19:13minimamente as suas culturas e tradições.
- 19:15Aldeias do dos guaianamo iramô não existe mais.
- 19:20A gente tinha cagua sugeribatiba, que é ali.
- 19:23É na nascente do Rio jurubatuba, no Paranapiacaba.
- 19:27Até aonde chega o Rio Pinheiros? A gente tinha poambuçu, que é
- 19:32toda aquela região de São Paulo. A gente tinha ururaí, que é no
- 19:37alto Tietê, que hoje eles localizam como São Miguel, mas é
- 19:42muito mais extenso que esse. É mboi, Suzano, Mogi das Cruzes,
- 19:47caguaçu, que é essa região de Ribeirão Pires, Mauá, Santo
- 19:50André. São Caetano, São Bernardo.
- 19:53Então a gente tinha essas aldeias que hoje viraram
- 19:55cidades. E como que a gente consegue se
- 19:58reunir pra retomar essas tradições?
- 20:03Recontar, porque assim, ser indígena é a arte de contar a
- 20:08história, a história do seu povo, a sua história de, de.
- 20:14É pertencimento e a sua história familiar.
- 20:17Então a gente tem que se reunir de alguma forma e recontar essas
- 20:22histórias entre os vários clãs, resgatar esses costumes.
- 20:27E isso hoje a gente consegue muito com a são.
- 20:31Eu digo que são aldeias, espaços virtuais como yandeva, eté,
- 20:35grupos de WhatsApp, reuniões online, cada clã na data
- 20:40estipulada, né? Que a gente estipulou.
- 20:43O ritual do Ano-Novo indígena, que pra pro não indígena é a
- 20:46Festa Junina, né? Como festa ritualística dos
- 20:50Guaraná moira mômica, então a gente tá retomando, faz dentro
- 20:53de cada cam. Então a gente retoma inclusive o
- 20:56costume de que ser indígena é dentro do seu próprio círculo
- 21:02familiar e depois isso se amplia com as relações de parentesco e
- 21:07território, né? Então são como os pankararus
- 21:10pankararus, eles têm o real Park.
- 21:13Que é uma localização que eles conseguiram garantir a reunião
- 21:17de de vários é pessoas do povo pancararu, mas AOO encontro, que
- 21:24é um encontro sagrado e espiritual, é feita na aldeia
- 21:27Brejo dos padres, em Pernambuco. Onde eles reavivam?
- 21:32EE reconectam essa ideia de coletividade, de povo é o que
- 21:37uma retomada tenta fazer, assim também.
- 21:39Então, onde nós estamos, nós estamos dentro do nosso
- 21:43território, porque a gente diz que o corpo é território mais
- 21:47espalhados e vivendo a dinâmica da cidade, porque dentro da
- 21:52sociologia, toda cultura e a sociedade é dinâmica e vai
- 21:56reaprendendo reabsorvendo sem esquecer.
- 22:00Quem se é? Você dá um gancho importante.
- 22:03Agora a Silvia é se reconhecer indígena e aí eu vou até pedir
- 22:09que vocês tenham a Liberdade de me corrigir.
- 22:11Eu sou casado com uma geógrafa e professora de Geografia, que o
- 22:14tempo todo ela fala assim, o jornalista tá na hora de você
- 22:17atualizar nessa informação aí, né?
- 22:19Vai estudar mais, né? Para você não errar, mas assim
- 22:22eu entendo que. OA pessoal se reconhecer
- 22:26indígena, ela traz, ela atrai sobre si uma responsabilidade
- 22:30muito grande, que é a responsabilidade ancestral dos
- 22:33deveres ancestrais, que é a que a comunidade indígena sempre
- 22:36teve. Por exemplo, o cuidado com a
- 22:38Terra, Oo cuidado com a natureza, a valorização do do
- 22:42ambiente que nós vivemos, né? E hoje a gente vive num numa
- 22:47fase de crise, crise climática, né?
- 22:49Então como que a gente hoje consegue, talvez, talvez até o
- 22:53não indígena? Apoiar o indígena nessa
- 22:55responsabilidade de cuidar do do aspecto climático, porque vai
- 23:02ser um benefício para o indígena, para o não indígena e
- 23:04para todos os outros povos que habitam hoje o planeta.
- 23:07Né? É.
- 23:09Quer responder, Val? Eu acho que é.
- 23:12Convidada é você aqui? Eu vou.
- 23:15Então vamos lá. É, a gente participou de um
- 23:18documentário, é de paranapiacabal piabiru.
- 23:22E uma das falas que que eu trouxe, que eu gosto muito, é
- 23:26que quando a gente trata de ancestralidade, a gente não
- 23:30trata só da ancestralidade do homem, então, assim, o nosso
- 23:35ancestral mais antigo é o luzil, um fóssil que está enterrado num
- 23:41sambaqui fluvial em Cajati. Ele é o meu ancestral mais
- 23:46antigo. Ele está aqui.
- 23:48A datação dele é de cerca de 10000 anos.
- 23:51Então, pra você ter ideia, nós AAA invasão que nós tivemos dos
- 23:56povos europeus no território, ela tem 525 anos.
- 24:01Nós já estávamos há 10000 anos no território.
- 24:04Então quando a gente se reconecta com a ancestralidade,
- 24:07isso foi uma coisa que pessoalmente é me transformou.
- 24:14É que você abandona um pouquinho essa necessidade de consumo.
- 24:20Você entende melhor que é os os, os nossos ciclos.
- 24:26Enquanto parte desta natureza, parte integral dessa natureza,
- 24:31eles se é equilibram. Quando eles estão é no ritmo dos
- 24:36ciclos da Terra, então você vai reduzindo a sua.
- 24:43O seu movimento de vida, você vai observando mais, você vai
- 24:48respirando com mais. É tranquilidade.
- 24:53Você vai percebendo e se percebendo como também um
- 24:58organismo de ciclos, né? E é eu, eu dou muita risada que
- 25:02eu falo assim. Se você perguntar para uma
- 25:04criança onde é que ela consegue uma alface, ela vai dizer que é
- 25:07supermercado. Ela não tem ideia.
- 25:10Precisou de todo ciclo de plantar, é cuidar e colher para
- 25:18ela poder se alimentar. Então, a reconexão quando você
- 25:21se reconhece indígena e você entende o tamanho dessa
- 25:25ancestralidade, que não é só a ancestralidade do homem, porque
- 25:30todos os seres vivos estão Inter.
- 25:33Dependentes e Inter relacionados, né?
- 25:35Você pega uma abelha, é 11 serzinho, uma abelha sem Ferrão
- 25:39que é nativa aqui da na mata Atlântica, é 11 serzinho, tão
- 25:43inofensivo e tão importante para que a gente mantenha as matas e
- 25:49a natureza equilibrada e saudável, né?
- 25:52Então, quando você começa a se dar conta dessas relações e
- 25:56Inter relações, você começa a mudar sua relação.
- 26:01Com o seu entorno, com a natureza, com as crianças, com o
- 26:05que é importante você trazer para elas, né?
- 26:09A educação financeira é muito importante.
- 26:11É, mas se continuar nesse ritmo da emergência climática e a
- 26:15gente avançar o ponto de não retorno, ela não vai ter como
- 26:20sobreviver. A natureza a importância da
- 26:23natureza precede a importância dos ciclos econômicos.
- 26:28Só que quando você leva AA história para as escolas, né?
- 26:34EEAA Carolina deve saber disso. Você leva a partir dos ciclos
- 26:40econômicos e aí você já desconectou a criança do que é
- 26:44importante, dos ciclos da Terra, das chuvas, das águas, do da
- 26:50semente. Na escola a gente aprende o
- 26:53ciclo do café da borracha, né, da da estrada de ferro?
- 26:57Aproveitando. É essa essa sua fala aí, Oo
- 27:01exemplo da alface é vim aproveitar pra é perguntar né?
- 27:07Pra te é que você comente sobre essa questão aí do do, da, da
- 27:13produção de alimentos, por exemplo, que esses modelos que
- 27:19que a gente tem, né? Do principalmente voltado a
- 27:22agronegócio. É, não funciona para a maioria
- 27:26das pessoas, é, pelo contrário, é, é destrutivo, leva.
- 27:31Degradação é um dos grandes fatores que está levando a essa
- 27:37essa crise, essa emergência climática, né?
- 27:40É como é que você vê essa questão da da produção do
- 27:43alimento, desses modelos de de, por exemplo, agroflorestal, que
- 27:51na verdade tem origem lá nos. Nos povos originários, comenta
- 27:55um pouquinho sobre isso. Então eu tive eu como
- 27:58representante de do ABC pelo município de Mauá, eu estive
- 28:03presente na quinta conferência do meio ambiente, né?
- 28:06Primeiro que a gente não gosta desse nome, meio ambiente.
- 28:09Meio ambiente é um nome que diz respeito a necessidade do homem.
- 28:14E quando a gente olha para a natureza, a gente sabe que ela é
- 28:16maior e ela é mais abrangente do que só as nossas necessidades de
- 28:22alimentação, né? E lá na conferência do meio
- 28:25ambiente, o que eles apresentaram foi as alternativas
- 28:29de energia limpa, energia solar. É as alternativas de
- 28:36combustível, o etanol e tudo isso.
- 28:39A gente sabe que leva a monocultura, a mineração.
- 28:44Então, assim, difundo, ainda existe uma necessidade de
- 28:48exploração dos recursos das riquezas da mãe Terra, como se
- 28:54eles fossem inesgotáveis, né? E aí a emergência climática é a
- 28:59Terra, né? Então vamos, vamos voltar aqui,
- 29:02ó, vamos fazer uma pequena economia nesse nesse raciocínio,
- 29:07quando a gente não quer parar, que a gente tá trabalhando muito
- 29:10e aí vem uma gripe que te joga na cama.
- 29:13Você lembra que sem o cuidado de si e do seu corpo você não vai
- 29:18conseguir produzir? Então existe uma cultura da high
- 29:23performance. Então assim, todo mundo tem que
- 29:25produzir muito, o tempo todo, tem que ser lucrativo, tem que e
- 29:30aí? Quando você volta lá atrás?
- 29:31E lembra que também a imposição do trabalho para os povos
- 29:35indígenas aqui no território, a partir de 1554, no nosso
- 29:39território, é uma violência. A gente não trabalhava dessa
- 29:43forma. A gente não tinha essa
- 29:46necessidade de acumulação, era o todo dia.
- 29:48Então você tem consciência dos ritmos, de de plantar e de
- 29:53colher. E você?
- 29:57Trabalha em cima desses ciclos e dessas alternativas.
- 30:01Então, todo o sistema produtivo hoje é uma violência.
- 30:05Por exemplo, a natureza não deixa, é resíduo de nada.
- 30:09Então tudo que morre na natureza, tudo que deixa de ser
- 30:13vivo, ele é reaproveitado em outras é, é matérias em outros
- 30:20organismos vivos, desde uma pequena bactéria até uma grande
- 30:25floresta. O planeta se recicla?
- 30:28Né isso e todos os nossos modos de produção acumulam resíduos.
- 30:34Essa questão aí do do trabalho. E o pior, assim que na visão
- 30:38eurocêntrica que acabou sendo dominante aí por conta do
- 30:42capitalismo, aí eu IA passar a ideia de que são pessoas
- 30:47preguiçosas, né? Porque não querem entrar naquele
- 30:50ritmo de trabalho forçado. E não é que é voltado?
- 30:56Para o lucro, não para as pessoas, né?
- 30:58Em relação a isso, nós demos muito trabalho para o
- 31:00colonizador, porque eles até passaram fome aqui no território
- 31:05quando eles chegaram, porque a gente só trazia para trocar com
- 31:09eles alimentação, a farinha de peixe, o mel, as caças quando
- 31:15sobrava. Pra gente e em geral a gente não
- 31:18trabalha para a sobra, para o lucro, né?
- 31:21Então quando você quando eles estavam aqui, eles passavam
- 31:25fome, porque eles não sabiam produzir no nosso território,
- 31:29não tinham ainda essa produção de larga escala e dependiam da
- 31:34gente querer trocar alimentos com eles, a gente sabia
- 31:37produzir, né? Então assim é.
- 31:40Ser indígena traz, inclusive, o questionamento de para onde nós
- 31:44estamos indo? Nós viemos daqui 10000 anos
- 31:48nesse território, tinham mais nas, nas expectativas mais
- 31:53oficiais. Eles falam em 5000000 de pessoas
- 31:55aqui nesse território. É, já é.
- 31:58Existem estatísticas que falam em 10000000 de pessoas.
- 32:02Quando Portugal, que tinha 1000000 de habitantes, mandou os
- 32:06portugueses para cá, então 10000000 de pessoas sobreviviam
- 32:09nesse território e muito bem. Bem alimentados.
- 32:14Lógico que tinham alguns gargalos, mas assim eram
- 32:17sociedades ativas e atuantes. Então como é?
- 32:22É, a gente consegue retornar para este ponto, onde a gente
- 32:27consegue trabalhar a favor do ciclo da Terra para não chegar a
- 32:32destruir, né? Eu falo que o capitalismo é
- 32:35autofágico, ele come quem alimenta.
- 32:37Ele vai chegar 1 hora que ele não vai conseguir mais se
- 32:41alimentar. E aí, para onde nós vamos?
- 32:43Para a? Lua?
- 32:44Mas é bem o caso para a maioria da população, né?
- 32:47É? Esse modelo representa fome para
- 32:51milhares de pessoas, inclusive num país que é um dos maiores
- 32:53produtores mundiais de alimento. É, fica, é.
- 32:56É meio difícil de entender a lógica da de que uma coisa
- 32:59funciona, né? E não só isso.
- 33:01Depressão e ansiedade fazem parte desse modo de produção
- 33:05instalado, alucinado que a gente vive.
- 33:08Então, retomar a raiz e a memória indígena é lembrar que a
- 33:12gente pode sim viver no ritmo da Terra e contribuir para que ela.
- 33:19De que cada vez mais é pulsante e vibrante em relação à vida.
- 33:23Perfeito. Silvia, antes da gente seguir
- 33:25para um intervalo que precisamos fazer, queria fazer uma última
- 33:28pergunta para fecharmos esse bloco de de perguntas sobre a
- 33:32oca dos saberes, né? Pode explicar para a gente como
- 33:34funciona esse projeto? Como funciona AA memória
- 33:39indígena, ligada a oca dos saberes?
- 33:42Então, quando o yandea vai, até começou o movimento.
- 33:45A gente IA. A gente teve aqui,
- 33:48principalmente no município de Santo André, no Aniversário da
- 33:52Cidade, várias homenagens a João Ramalho.
- 33:56E o questionamento era, por que que não se homenageia?
- 33:59MC Bartira, né? Que é nossa tia avó e estava no
- 34:04território. E foi a raiz que conseguiu
- 34:08acolher João Ramalho José de Anchieta para que tudo isso
- 34:11pudesse acontecer. Silêncio.
- 34:14É quando a gente vai na escola, aí a gente começa a palestra, a
- 34:18gente pergunta assim, vocês sabem quem é Tibiriçá, os
- 34:24professores não sabem, as crianças não sabem.
- 34:28Aí você retoma a pergunta, vocês sabem quem é José de Anchieta?
- 34:32Ah, claro, José de Anchieta, todo mundo conhece.
- 34:36Aí eu eu dou AO xeque mate, né? Eu falo assim, você sabia que
- 34:40José de Anchieta não, não teria sobrevivido se.
- 34:44Oo nosso avô, o grande cacique Tibiriçá, não tivesse acolhido
- 34:48ele na sua aldeia? Então, este silêncio sobre a
- 34:55real história do que aconteceu nesse território EOE.
- 35:00Uma das metas do yande vaité é que a história do território ela
- 35:05vem, ela precede a luta nacional.
- 35:08Então não adianta a gente se engajar.
- 35:11Completamente na luta da Amazônia, na luta de Rondônia,
- 35:16na luta dos dos Guarani. Se a própria história, nossa
- 35:20história, não está sendo, é lembrada e celebrada, então
- 35:25fortalecer a nossa história de território de povo e de povos
- 35:31indígenas, migrantes dentro do território do ABC é condição
- 35:36para que toda essa sociedade de São Paulo entenda a luta da
- 35:40Amazônia. Tem da luta do Rondônia, dos
- 35:43Guarani, de de indígenas que tem os seus direitos humanos
- 35:47violentados é diariamente. Então assim, primeiro dentro do
- 35:53nosso território. E a oca de saberes veio em
- 35:56resposta a isso. Quer dizer, se a história não
- 36:00está sendo contada por nenhuma é versão oficial, então nós.
- 36:07Que somos povos indígenas nativos imigrantes.
- 36:10Temos que contar a nossa história.
- 36:11E aí fizemos uma construção de mais ou menos um ano com AO
- 36:16município de Mauá, que já tinha numa das suas leis, é
- 36:20municipais, AA obrigatoriedade de um de um centro de saberes
- 36:26indígenas. Nós retomamos essa ideia e com a
- 36:30as leis de incentivo à cultura, Paulo Gustavo e Aldir Blanc, que
- 36:35a gente conseguiu estabelecer. E conquistar aquele espaço que é
- 36:38dentro do parque da Gruta de Santa Luzia, em Mauá, onde nasce
- 36:43o Rio tamanduateí. Nasce limpo, pessoal quem não
- 36:46sabe o Rio tamanduateí lá nasce limpo lá em Mauá e é ele é
- 36:52nosso, a mãe ancestral. O tamanduateí é os guainá viviam
- 36:57da margem do tamanduateí até São Vicente, todo esse território,
- 37:03Araguaia. Os no iramomi viviam da outra
- 37:05margem, ali do alto Tietê até Bertioga.
- 37:09Então a nossa, o nosso povo, a nossa sociedade aqui em São
- 37:12Paulo nasceu a partir dessa mãe ancestral, que é o Rio.
- 37:17Tamanho do ati que é para gente. É uma entidade que traz vida.
- 37:22E para os centros urbanos, hoje, o tamanho do ati é uma entidade
- 37:25que traz morte tanto pela sua poluição, pelo grau de
- 37:29toxicidade e como pelas enchentes.
- 37:33Né que já eram milenares e a gente insistiu, achando que IA
- 37:38poder conter as águas. Exatamente.
- 37:41Porque quando as águas dos rios enchem, elas vem desses rios.
- 37:46É voadores que vem da Amazônia. E elas, elas é, se tornam
- 37:52grandes e elas se derrubam sobre as margens dos rios.
- 37:56Quando elas fazem esse movimento, elas também trazem
- 37:59biodiversidade para toda aquela natureza.
- 38:02Quando a gente isola e não deixa mais o Rio fazer esse ciclo dele
- 38:07natural, a gente padece a força das águas, né?
- 38:11Que nós milenarmente, sabemos que é impossível de conter as
- 38:15forças das águas. Aí vem o homem ainda com a ideia
- 38:17de. Canalizar o Rio deixá lo reto e
- 38:20fazer o fluxo voltar, né? Exato, é o contrário.
- 38:23Então, lá na oca de saberes a gente traz toda essa história em
- 38:28todos os recortes. A ideia é trazer exposições de
- 38:31cada povo. Infelizmente, a gente ainda não
- 38:33tem condições econômicas de atender escolas de quinta a
- 38:38domingo e manter aberta. Então a gente tem feito eventos
- 38:40pontuais, né? O primeiro evento foi sobre a
- 38:43história do território do ABC, né?
- 38:46E dos povos migrantes, estamos aqui.
- 38:48E né, agora nós temos um centro saber.
- 38:51O segundo evento foi sobre a Festa Junina, que é a
- 38:55sincretização do nosso Ano-Novo, que acontece acontecia
- 38:58milenarmente em junho. O terceiro exposição que vai vir
- 39:03agora em agosto, é sobre, afinal de contas, quem é indígena?
- 39:09E nós vamos falar sobre os direitos de autodeterminação,
- 39:12autodeclaração, a retomada coletiva, todos os dispositivos
- 39:17legais que protegem os nossos saberes, as nossas culturas, pra
- 39:22informar a população que sim, temos direitos, né?
- 39:25E que precisamos que se respeitem esses.
- 39:28Direitos mesmo nos centros urbanos, onde se encontra
- 39:31informações sobre a oca dos saberes.
- 39:33Tipo o nosso pessoal que tá em casa?
- 39:34Vai parar o vídeo agora, vai pesquisar onde ele.
- 39:37Encontra a gente, tem uma página no Instagram que é arroba oca de
- 39:41saberes indígenas. Lá a gente coloca todo o nosso
- 39:45calendário, né, de eventos. E também é depois que o evento é
- 39:49feito, a gente mostra como é que aconteceu também.
- 39:53A gente tem um contato lá No No, na página com uma das nossas é
- 39:59colaboradoras, né? Que voluntárias que é a Neide?
- 40:03A poang pataxó, de Ribeirão Pires, e ela faz o agendamento
- 40:07de grupos e de escolas que queiram.
- 40:11É ir lá conhecer. Aí são dias específicos que a
- 40:13gente vai e faz AA exposição e dá a palestra, né?
- 40:18Nós já recebemos quando abriu em abril até agora.
- 40:23Mais de 600 crianças e pelo menos 4 ou 5 grupos de
- 40:29professores, né? De local, Diadema, São Bernardo,
- 40:34Mauá. Para entender melhor essa
- 40:37história e a cultura indígena em atendimento a uma lei que vai
- 40:42fazer mais de 18 anos, que é a lei 11645, que obriga.
- 40:48As escolas a contarem as nossas, as, as nossas existências,
- 40:53culturas, tradições de povos indígenas.
- 40:56Muito bem pessoal, você que tá em casa e quer pesquisar melhor
- 40:59é oka com oka, né? Letra k de saberes indígenas,
- 41:04né? Pode procurar EE, se informar
- 41:07mais sobre isso. Com com essa deixa a gente vai
- 41:10fazer um rápido intervalo. Temos um recado para você que tá
- 41:12em casa, a gente já volta rapidinho com o Nosso Quadro
- 41:16contraponto, então já voltamos. Olá pessoal, eu sou o Celso
- 41:20Rodrigues e apresento OABC kest ao lado dela.
- 41:24Eu sou a Susana Rezende e hoje a gente está aqui para te fazer um
- 41:28convite muito especial, o. Compilado de notícias diário,
- 41:32vai ao ar de segunda a sexta-feira as principais
- 41:35notícias do ABC da região metropolitana de São Paulo e a
- 41:39capital Paulista do Brasil. No mundo?
- 41:42E a gente está disponível em todas as plataformas, é no
- 41:45Deezer, novazon music, no YouTube, no Spotify, onde você
- 41:49preferir, é só nos encontrar e dar play.
- 41:52Então, se você perdeu aquela notícia importante que para você
- 41:55tem relevância, ela está aqui no ABC Quest e siga nos nas redes
- 41:59sociais arroba ABC do ABC underline oficial, esperamos.
- 42:03Lá, obrigado pessoal por ter nos acompanhado aqui nesse rápido
- 42:07intervalo. Como eu falei, vamos agora para
- 42:09o quadro contraponto. Contraponto.
- 42:17E vou passar o tempo aqui para Valderez, que a gente não fez,
- 42:21embora eu roteirizei essa esse episódio.
- 42:24Esse é o momento em que eu dou tempo para jornalista convidado
- 42:28poder fazer a pergunta que quiser, sem roteiro.
- 42:30Então é com você, Val? É, vamos.
- 42:35Na verdade assim, a Silvia já abordou muito sobre a visão dos
- 42:41povos, é indígenas, estamos falando de uma maneira geral,
- 42:45embora ela tenha, o povo é específico dela, né?
- 42:50Mas queria voltar pra uma visão mais.
- 42:52É multiétnica que ela tem muito essa visão, que eu acho que é o
- 42:56algo que eu acho muito importante no grupo.
- 42:59Iandeva eté, né? De.
- 43:02Valorização de todos, todos os povos.
- 43:05É, e aí eu queria que você comentasse um pouco no que der
- 43:10para resumir, porque eu sei, é muito vasto.
- 43:12São 305, é nações indígenas no Brasil, né?
- 43:18Com quase 180. É línguas diferentes.
- 43:23Mas assim, como é que você resume?
- 43:28No No que for possível, né? Numa coisa num e num num em algo
- 43:35tão amplo, né? Como é que você resumiria assim?
- 43:38AAO contraponto da visão dos povos indígenas com.
- 43:45Esse modelo que a gente tem, que ainda é muito focado no europeu,
- 43:49né? E agora, com essa retomada, é o
- 43:52momento da gente fazer essa discussão, a visão, a visão de
- 43:56mundo indígena. Você falou da questão da
- 43:57natureza, né, do de qual é o posicionamento do a visão dos
- 44:03povos indígenas em relação a natureza.
- 44:05Queria que você falasse mais sobre isso.
- 44:07É em relação a as outras espécies, como é que o os povos
- 44:12indígenas, eles. É se relacionam mais diretamente
- 44:17com a natureza e que de que forma isso é exemplo pra gente
- 44:22fazer esse contraponto com a nossa sociedade que está indo é
- 44:26com a com a sociedade não indígena que está indo pra não
- 44:32se sabe pra onde e. Prejudicando a sociedade
- 44:36indígena, isso prejudicando todo.
- 44:37Mundo, né? Exatamente, olha, isso é uma
- 44:39coisa que a gente vem falando muito também, então.
- 44:43Por exemplo, é, dizem que não existe.
- 44:48É povo indígena sem território. Quando você amplia esse
- 44:53conceito, cada sociedade indígena tem um bioma, tem um
- 44:58local da onde ela é nativa. Então assim, aqui na mata
- 45:02Atlântica nós temos povos indígenas, né?
- 45:06Que acompanha toda a Costa, mas que tem diferenças entre a forma
- 45:11de construir a cultura. A alimentação.
- 45:14A soberania é de de território e tem histórias de violências e de
- 45:22ocupação territorial diferentes. Então é preciso olhar essa
- 45:28diversidade de povos indígenas a partir do contexto do bioma.
- 45:33Onde este povo se construiu, onde essa sociedade se
- 45:37construiu. Então começa por aí.
- 45:40Então cada bioma vai. Uma pessoa indígena de um povo
- 45:47da Amazônia, ela vai ter dificuldades de se relacionar
- 45:52com a natureza aqui da mata Atlântica e vice versa.
- 45:57Muda a questão de alimentação. Então você começa é dividindo de
- 46:04que não é povo indígena. São.
- 46:07Povos indígenas com costumes, tradições, especificidades de
- 46:13saúde, de educação, de línguas completamente diferentes.
- 46:19Então você já quebrou essa tentativa de homogenizar uma
- 46:24quantidade enorme de culturas e pessoas?
- 46:27Quando você faz isso, você tem que abrir espaço para que todos
- 46:34consigam comunicar quem são, como fazem.
- 46:38Qual é a sua história? E o endevate é quando se se
- 46:42coloca como multiétnico. Ele tem essa essa missão de
- 46:47valorizar todos os pertencimentos, de dar espaço
- 46:52para todas as histórias. De que maneira?
- 46:55Trazendo essas pessoas, fortalecendo elas, nos seus
- 46:59pertencimentos, para que elas passem a ter coragem de contar.
- 47:04E quem são? Como são seus povos, quais são
- 47:06os seus costumes? E inclusive, uma das nossas
- 47:09lutas é que cada um dessas desses povos que estão no ABC
- 47:14tem um espaço coletivo e público de praticar suas tradições,
- 47:21costumes e festas e rituais. Nós não temos.
- 47:24Nós fomos retirados da cidade, né?
- 47:27Então assim, se não existe aldeia, não tem lugar, mas a
- 47:30gente sabe que OOO. Os evangélicos têm o espaço de
- 47:36celebração da espiritualidade deles.
- 47:38Os católicos têm os espaços da celebração, os umbandistas
- 47:43também têm. Cadê os povos indígenas?
- 47:47Nós não temos religião. Nós temos várias
- 47:49espiritualidades. Onde nós estamos fortalecendo
- 47:53essa vivência, né, que vem da mata, que vem da natureza.
- 47:58Defende da forma como cada povo indígena se relaciona com esse
- 48:02bioma, onde construiu a sua ideia de povo e de sociedade.
- 48:06Então assim, é uma luta. Eu falo que a gente não vai
- 48:09conseguir enfrentar a colonização e o deslocamento que
- 48:14fizeram da gente cultural, espiritual, EE mental é em 2
- 48:20anos, em 5 anos, porque foram 5 séculos tentando.
- 48:26É convencer a gente de que a gente não existia.
- 48:28Agora a gente vai precisar de pelo menos 5 séculos pra
- 48:32convencer de que existimos sim. E temos soluções pra essa
- 48:38sociedade que tá indo pra um caminho sem volta, né?
- 48:41Então essa você vê, parece que não.
- 48:44Mas a briga entre Gaza. EE Israel é uma briga étnica.
- 48:52Eles estão cometendo ali um étnico genocídio em pleno 2025,
- 48:58onde haveriam? Que é de respeitar os direitos
- 49:01humanos e os direitos dos povos indígenas e tribais.
- 49:06Então assim, é uma guerra que ainda o Ailton krenak fala muito
- 49:10isso, né? Nós ainda estamos em guerra, né?
- 49:13Então AA, não adianta eu falar, é o meu povo.
- 49:17Que é aqui do ABC. Não somos todas as vozes juntos
- 49:21que temos que trazer essa consciência da diversidade e de
- 49:26outras possibilidades de mundo. Há 111 entendimento até da ONU
- 49:32de que os povos originários são Os Guardiões das florestas.
- 49:37Como fazer isso numa sociedade em que nem sequer as terras
- 49:42indígenas são demarcadas? É, é.
- 49:46A gente é. Tem feito muito isso nas
- 49:49palestras com as crianças, né? Porque para o para os povos
- 49:54indígenas, o grande Tesouro que eles guardam são as crianças.
- 49:59Que é a garantia da continuidade daquele povo, daquela sociedade.
- 50:04E a gente tem que olhar para as crianças dessa forma também, né?
- 50:08Então, quando a gente vai na escola, a gente faz toda essa,
- 50:11essa sensibilização do que é ser indígena e como a gente protege.
- 50:15A gente guarda a natureza, porque nós somos a natureza.
- 50:19E aí no final da palestra, a gente faz eles levantarem e a
- 50:23gente torna cada um deles guardião da natureza.
- 50:27Né? Isso pode ser uma sementinha,
- 50:29mas vai ficar ali, naquela, naquela consciência de que eu
- 50:33também preciso proteger. Então, antes de ele querer ser
- 50:38um médico, um dentista, um engenheiro, um advogado, ele já
- 50:43é um guardião da natureza. É uma tarefa pra sociedade, é
- 50:47uma tarefa de educação, né? A nossa sociedade indígena são
- 50:52os anciões. Que ensinam as crianças, né?
- 50:57Até isso nós perdemos os nossos anciões.
- 51:00Hoje não, não são valorizados, né?
- 51:02O etarismo tá aí. Então assim, tem que reverter
- 51:06muito dos conceitos de de alta performance que foram colocadas
- 51:12para a gente voltar para outras possibilidades de mundo mais
- 51:17saudáveis, menos corridas. E mais é.
- 51:24Compreensivas com outras maneiras de viver.
- 51:27Muito bem, é o tempo voa, viu? Então a gente tem que cortar e
- 51:31controlar aqui. Deixa eu chamar 11 bloco rápido,
- 51:35rápido mesmo. Fora da zona?
- 51:42É pra gente poder sair um pouco da discussão a respeito do de da
- 51:47tradição indígena e ir mais para o lado pessoal da Silvia, né?
- 51:51A gente falou eu na hora da apresentação, eu falei.
- 51:54Você também trabalha com terapia integralista integrativa.
- 52:00Terapia integrativa é, explica. Para a gente como funciona isso?
- 52:04Silvia, para esclarecer, essa essa grande dúvida aqui.
- 52:06Né? Bom, isso faz parte do se
- 52:08reconhecer indígena. Então, assim, se você pegar
- 52:11educação indígena nas aldeias, você não ensina matemática,
- 52:17depois Geografia, depois ciência, depois é a língua.
- 52:21Você ensina tudo isso contando uma história, porque porque é
- 52:25integral, quando você vai trabalhar, você tá vendo Oo seu
- 52:29trabalho, né? De de cultivo.
- 52:32E se você tá vendo todo o ciclo da natureza, então não é focado
- 52:36só no seu trabalho, ele tá ampliando a visão integral.
- 52:40Quando você vai tratar uma pessoa, você.
- 52:43Preciso olhar ela. Integralmente.
- 52:46Inteira. E isso os povos indígenas
- 52:49ensinam. Então, toda doença começa dentro
- 52:53do espírito. A gente chama de Ipanema.
- 52:56Então você precisa entender a dor daquele espírito.
- 53:00Você precisa. Compreender como aquele
- 53:03organismo integral está trazendo essa dor para fora, que pode ser
- 53:08uma fibromialgia, pode ser um cálculo renal, pode ser uma dor.
- 53:15É que ninguém, que nenhum ortopedista cura de de
- 53:18tornozelo, de joelho, e aí você entende onde está o bloqueio
- 53:23dessa pessoa? E é, consegue, vai desatando os
- 53:27nozinhos aos poucos. Para que ele consiga
- 53:31integralizar. E é fazer com que mente,
- 53:35espírito e corpo trabalhem conscientemente e conjuntamente.
- 53:42Então, toda vez que você pega 11 adoecimento e a medicina é
- 53:47alopática, não consegue. Procurar.
- 53:51Você tem que procurar as causas espirituais, emocionais daquela
- 53:55doença e tratar ela. E aí a gente faz, como com
- 53:58acupuntura, que é uma medicina tradicional chinesa, com ervas,
- 54:03com a fitoterapia, com muita conversa, né?
- 54:08Então, os nossos pajés. Escutavam, né?
- 54:11Antes de propor uma erva, uma cura, um benzimento, eles ouviam
- 54:17o que estava acontecendo. Hoje, as as consultas nos postos
- 54:21de saúde, nos hospitais duram 15 minutos.
- 54:24O que você consegue entender daquele corpo, daquele sistema
- 54:28integral que está adoecendo? O raciocínio é você identificar
- 54:32um sintoma que possa ser suprido com químico.
- 54:35E você só receita o químico e acabou?
- 54:38Né? Então a gente trabalha com
- 54:39analgesia, né, e com a cura daquela patologia específica.
- 54:45Só que muitas das medificações que curam aquela patologia, elas
- 54:51vão impactar outros sistemas daquele organismo e a pessoa vai
- 54:55adoecer, vai vai carregar esse adoecimento, essas outras
- 54:58patologias, porque eu já ouvi isso de um médico.
- 55:02Eu estou aqui para resolver o problema do diabete.
- 55:05É, mas tá dando. Problema a isso não é comigo.
- 55:07Vai procurar outro especialista. Então é tudo fragmentado e
- 55:12quando você fragmenta, você perde a opção de curar o todo.
- 55:17É o que está acontecendo com a Terra hoje.
- 55:19Muito bem. Pelo Eddie, verdade.
- 55:25Oo Silvia, durante a nossa conversa, o nosso produtor aqui,
- 55:29o Eddie, ele ficou atento assim, a cada coisa ele faz 11.
- 55:34Uma conferência dos dados do que são tratados.
- 55:37E nesse momento a gente se pergunta assim, recebemos o selo
- 55:41é de verdade? Foi de verdade essa conversa,
- 55:43Ed. Estava esperando muito, vou
- 55:45ficar. Nervosa agora, Hein?
- 55:47Vamos? Lá?
- 55:49Silvia é. Nós já gravamos uma quantidade
- 55:52considerável de episódios aqui hoje e às vezes acho que as
- 55:56pessoas até se confundem. Quando chega nessa parte, parece
- 55:59que eu estou validando o entrevistado e não A Entrevista
- 56:03em si. Que a gente vai atrás de dados,
- 56:05a gente faz isso com muita responsabilidade.
- 56:07E acho que hoje, não só para mim, que tô aqui por detrás,
- 56:11como para toda a produção e para quem tá ouvindo, é um
- 56:14privilégio, porque a gente tá tendo aula.
- 56:17A gente tá tendo uma aula aqui, uma aula que Eu Acredito que
- 56:20quase ninguém teve. Quando a gente fala de ensino
- 56:22público e acredito que é ter privado também, então, por
- 56:26estudo, obviamente o selo é de verdade.
- 56:29Ele tá garantido. É, e eu quero mencionar aqui um
- 56:33dado que você trouxe sobre 3031 pessoas reconhecendo como
- 56:39indígena no ABC. Quando a gente fala do Brasil,
- 56:43né? Segundo o último centro do IBGE,
- 56:45esse número chega a quase 1700000 pessoas.
- 56:48E eles escancaram a realidade, que é muito negada pelas
- 56:52pessoas, né? Que a presença dos indígenas,
- 56:54ela é real e ela é urbana também.
- 56:58Exatamente por isso eu gostaria de te questionar, Silvia, você
- 57:03sente que aqui no ABC os povos indígenas eles ainda são
- 57:07lembrados só em abril, no chamado mês dos povos
- 57:11originários? É isso.
- 57:13É de fato é. Ainda é uma cultura do dos
- 57:18centros urbanos. Hélio, é de lembrar que a gente
- 57:22existe só em abril. E aí é.
- 57:27Essa essa educação que trata a gente como uma questão pontual,
- 57:33ela nos prejudica muitíssimo. Por quê?
- 57:38Porque quando você tem uma origem, uma ancestralidade
- 57:43indígena, assim como a ancestralidade negra, você tem
- 57:47especificidades de saúde que ninguém pergunta pra você.
- 57:52Você é indígena? Você tem mais problema de
- 57:55pressão alta, de hipertensão, você tem mais problemas de
- 58:01cardíacos. Você tem uma porque isso está no
- 58:04sangue, está no nosso DNA. EE também não colabora porque
- 58:08assim existe a questão da educação anti racista.
- 58:14Quando você trata a gente como se a gente fosse uma questão
- 58:18pontual e que povos indígenas só existem na Amazônia?
- 58:23EE dentro dos territórios, você perde a oportunidade de é
- 58:30produzir um espaço para educação antirracista, para o letramento
- 58:34racial em relação aos povos indígenas.
- 58:37E é uma perda que. As próximas geração gerações vão
- 58:42se ressentir. Eu costumo trazer na palestra
- 58:44que quando eu tinha uns 78 anos, foi se comemorar no dia 19 de
- 58:49abril. A professora tava lá ainda se
- 58:51falava sobre Tibiriçá na educação, né?
- 58:53E eu, muito tímida, levantei da minha carteira, fui até a
- 58:56professora que tava escrevendo na lousa e falei assim,
- 58:59professora, professora, bem baixinho, a minha avó é
- 59:03indígena. Aí ela parou de escrever, olhou
- 59:06pra mim e falou, tá bom, vai sentar agora.
- 59:09Foi tudo que eu pude falar. Então, assim, mudar essa
- 59:13dinâmica de estamos aqui, precisamos de políticas
- 59:17públicas, temos o direito de uma educação.
- 59:21Porque essa lei 11645 foi proposta pelos professores
- 59:25indígenas, porque as crianças indígenas, a partir de uma
- 59:29idade, elas precisam frequentar a escola dentro da cidade,
- 59:33escola formal para terminar os ciclos e elas apanham até hoje.
- 59:39E elas têm problemas porque é dificuldade do professor não
- 59:43entender a língua. Elas têm crianças em volta que
- 59:46não gostam de sentar perto. Elas têm dificuldade na
- 59:50alimentação porque não comem ultraprocessado.
- 59:53Então os professores indígenas reivindicaram porque para
- 59:57entender. As crianças indígenas que vivem
- 1:00:00em território, você precisa desse letramento racial.
- 1:00:04Então é sim uma reivindicação nossa dentro das secretarias dos
- 1:00:077 municípios, que passe a ser uma transversalidade de linha e
- 1:00:14não um momento pontual no dia 19 de abril, que a gente nem gosta.
- 1:00:18A gente prefere o dia 9 de agosto, que foi um dia
- 1:00:20instituído pelas nações indígenas na ONU, né?
- 1:00:24Então dia 9 de agosto é mais representativo.
- 1:00:28Entrevista reversa. Muito bom é.
- 1:00:34A gente de fato precisa encerrar.
- 1:00:36Eu gostaria de chamar só um último bloco, que é uma
- 1:00:38brincadeira que a gente faz aqui.
- 1:00:40No final é, é Silvia. Nesse momento a gente só
- 1:00:43gostaria de fazer uma entrevista reversa aqui.
- 1:00:45Valdereis e eu agora somos os seus entrevistados.
- 1:00:49Então, se você pudesse fazer qualquer pergunta pra 2
- 1:00:52jornalistas que estão aqui na sua frente, que pergunta você
- 1:00:55faria? Pra Valderez, eu vou perguntar
- 1:00:58é, você é ativista de muito tempo, ativista inclusive do do
- 1:01:03movimento negro, jornalista, e é como você avalia esse movimento
- 1:01:11indígena que há 45 anos vem tomando de assalto ABCEO que
- 1:01:18você entende que foi um ganho e o que você entende que a gente
- 1:01:22ainda precisa trilhar? Gente, como eu avalio é acho
- 1:01:29fantástico porque traz toda essa provocação e esse resgate
- 1:01:39histórico. Não sei se o termo resgate é
- 1:01:41bom, mas enfim, todo essa, essa reflexão, né, histórica, sobre a
- 1:01:48importância de do dos povos indígenas, né?
- 1:01:51Num momento é crucial. É como diz OOO krenak, né?
- 1:01:59Oo futuro é ancestral. O mundo, o Brasil e o mundo vai
- 1:02:05ter que repensar sua forma de vida, porque esse modelo não
- 1:02:09funciona. E pra mim, toda essa discussão
- 1:02:12ela é fundamental nesse sentido, porque, como até foi comentado
- 1:02:18antes, essa questão de de ser guardiões, ou seja, primeiro,
- 1:02:22como você falou. Ser algo atribuído só aos povos
- 1:02:27das florestas. Mas quando?
- 1:02:29É uma tarefa de todos também a forma de repensar essas formas
- 1:02:33de vida. Esse modelo não se sustenta.
- 1:02:37Não vai ter planeta do daqui a algum tempo.
- 1:02:40Então acho essa discussão. É do, do, dos.
- 1:02:44Últimos anos é, ela é fundamental pra pra existência
- 1:02:50humana, ou seja, pra que a sociedade de uma forma geral.
- 1:02:53É, não, não. Ninguém precisa voltar e viver
- 1:02:56nas aldeias. Mas se não entender que esse
- 1:03:02modelo vai nos levar, a destruição é vai ser muito
- 1:03:07difícil. Então acho que a grande
- 1:03:09contribuição diria de fundamental e de vida é essa,
- 1:03:15né? E, principalmente.
- 1:03:17Para a gente desconstruir coisas.
- 1:03:20AA ideia de do que é pobreza, do que é Riqueza, de de que alguns
- 1:03:25povos são atrasados, EE, outros são avançados, mas avançados no
- 1:03:29sentido de que de destruir, né? E eu Na Na escola, por exemplo,
- 1:03:34a discussão sobre tecnologia e muito voltada apenas a questão
- 1:03:38digital primeiro mesmo no Marcos, se a gente for pensar
- 1:03:41mais capitalista, eurocêntrico tecnologia é muito mais amplo
- 1:03:46que isso. Sem contar que outros povos têm
- 1:03:52é é saberes, vivências e o que garante seu modo de vida.
- 1:03:58Também. São tecnologias, mas pra maioria
- 1:04:01das pessoas nem é considerado assim.
- 1:04:03É hoje. A gente vai ter que repensar
- 1:04:06nisso. E acho que é essa, pra mim é o
- 1:04:09grande ganho dessa discussão toda, né?
- 1:04:14De não só a justiça histórica com esses povos.
- 1:04:17E acho que ela é fundamental, como disse lá no começo.
- 1:04:19Como assim, gente? Aquele mito da democracia
- 1:04:24racial, em que 2 povos, o povo negro e o povo indígena, são
- 1:04:30apagados, tem sua contribuição, é simplesmente apagada e quando
- 1:04:38não apropriada, ou seja, determinadas coisas, a sociedade
- 1:04:42se se apropria. Porém, não dá o reconhecimento
- 1:04:46de que de onde veio. Então, assim, eu fico muito com
- 1:04:50a fala do futuro. É ancestral.
- 1:04:54Vamos ter que repensar tudo isso.
- 1:04:58Muito bem, muito bem pessoal, muito obrigado por vocês terem
- 1:05:01nos acompanhado. Eu vou me despedir das nossas
- 1:05:04convidadas aqui, então valdereis.
- 1:05:06Sua participação foi brilhante, como sempre.
- 1:05:09É muito obrigado por ter contribuído tanto com A
- 1:05:11Entrevista quanto esse comentário final que acho que
- 1:05:13fecha com chave de ouro essa nossa discussão e dar um gancho
- 1:05:17da gente continuar essa discussão, talvez num episódio
- 1:05:20futuro, né? Então, muito obrigado.
- 1:05:22Se você quiser dar um tchau para o pessoal que tá nos assistindo
- 1:05:24lá, fique à vontade. Nossa, eu queria agradecer
- 1:05:27demais, né? Pelo convite e.
- 1:05:31Quando ele me convidou, eu nem sabia a quem seria entrevistada.
- 1:05:35Quando falou a Silvia, eu falei, poxa, é, vai ser um prazer
- 1:05:39imenso. Tanto revê lo, né?
- 1:05:44A gente se conheceu lá Ribeirão Pires no jornalismo, EE aqui o
- 1:05:50contato com Silvia, quem a gente tem feito umas parcerias aí já
- 1:05:56há algum tempo. Muito obrigada aí a todos e
- 1:05:59todas. Pela pela audiência.
- 1:06:03Pessoal, vocês precisam conhecer um pouco da história da
- 1:06:05Valderez. Eu vou, eu prometo que eu vou
- 1:06:07publicar alguma coisa sobre isso algum momento ainda No No
- 1:06:10portal, em algum momento a gente vai fazer 11 especial com a
- 1:06:13Valderez é e Silvia, muito obrigado pela conversa, pelo
- 1:06:17tempo dedicado, pela pela pelos saberes compartilhados aqui.
- 1:06:21E para encerrar, então, pedimos que você possa olhar nessa
- 1:06:24câmera aqui e passar o seu recado final para quem está nos
- 1:06:27assistindo. Então o tempo é seu.
- 1:06:29O nosso avô Tibiriçá, ele foi um grande visionário.
- 1:06:34Ele entendeu que a Aliança com aquele povo que chegava era uma
- 1:06:39forma de melhorar o mundo, né? Tornar o mundo mais amplo e mais
- 1:06:45inclusivo é, infelizmente, nós perdemos essa guerra, mas nós
- 1:06:50ainda estamos na resistência. A nossa missão é.
- 1:06:54Acordar as ancestralidades dentro de cada um que tem uma
- 1:06:58raiz indígena na sua família. E eu espero com esse convite,
- 1:07:02com esse bate-papo, que essa voz ecoe vá acordando as
- 1:07:06ancestralidades pelo território, pelo mundo, pra que mais pessoas
- 1:07:10venham se reconectar com a ancestralidade, com a natureza,
- 1:07:14porque o futuro é ancestral. Ah, o etecatu.
- 1:07:17Gratidão muito. Bem, pessoal, com isso nós
- 1:07:21encerramos então o episódio de hoje, eu agradeço.
- 1:07:24Por você ter nos acompanhado até aqui, não esqueça de acompanhar
- 1:07:28também as nossas redes sociais. O ABC do ABC underline oficial,
- 1:07:31você vai nos achar em todas as redes.
- 1:07:33O portalabcdoabc.com.br vai trazer uma reportagem especial
- 1:07:37sobre este episódio e com conteúdo a mais ainda que vocês
- 1:07:42vão poder acompanhar o conteúdo extra lá no nessa matéria
- 1:07:45especial, tá? É se você hoje é tem interesse
- 1:07:50em sugerir. Altas em conversar com a gente,
- 1:07:54enviar perguntas para o para os nossos convidados que talvez não
- 1:07:57foram esclarecidas durante esse curto período que tivemos aqui.
- 1:08:01Pode nos contatar, é contato arroba BC do bc.com.br, manda um
- 1:08:05e-mail para nós e nós vamos ter o prazer de poder juntar essas
- 1:08:08respostas e enviar para você. E assim a gente se despede.
- 1:08:11Esperamos tê Los conosco no próximo episódio na semana que
- 1:08:14vem. Muito obrigado e até a próxima.
- 1:08:17Apresentação, Thiago Quirino. Jornalista convidada, Valderez
- 1:08:22Coimbra entrevistada, Silvia muyramomi edição, Rodrigo
- 1:08:27Rodrigues. Captação de áudio e vídeo
- 1:08:30estúdio da Sisa associação comercial e industrial de Santo
- 1:08:34André produção, Ed baroni. Checagem, Ed baroni assistência
- 1:08:40de produção, Celso Rodrigues e Susana Rezende direção, Tiago
- 1:08:46Quirino. Direção geral, Alex faria.
- 1:08:49Este programa é um produto do portal ABC do ABC.
- 1:08:53As opiniões manifestadas pelo entrevistado não refletem
- 1:08:56necessariamente o posicionamento do portal ABC do ABC.
- 1:08:59Para se manter informado sobre tudo o que acontece na região,
- 1:09:02acesse www.abcdoabc.com.br.