Latest / ED Podcast [@arthurdantaslemos] / AS ARMAS DA PERSUASÃO XVII - DEFESA DA APROVAÇÃO SOCIAL (CLUBE DO LIVRO)
Transcript
- 0:05Seja muito bem-vindo, seja muito bem-vinda ao Clube do Livro do
- 0:09ED Podcast. Eu sou o Bruno Maia Soares e
- 0:11estou aqui para tocar mais um episódio do Armas da Persuasão.
- 0:15Esse livro aqui é incrível que nós estamos lendo e hoje esse
- 0:19episódio vai ser bem especial porque nós vamos finalizar o
- 0:23capítulo de aprovação social. Então já há alguns episódios nós
- 0:26estamos conversando aqui, lendo todo o capítulo de aprovação
- 0:31social, que é um... Um princípio persuasivo muito
- 0:35importante, né? E esse episódio aqui,
- 0:38especificamente, nós vamos falar sobre a parte de defesa.
- 0:42Como assim defesa? Defesa é basicamente toda a
- 0:46explicação que o autor traz para que em situações nas quais
- 0:50nós... estivermos de frente ao princípio da aprovação social
- 0:56agindo contra nós, se você estiver num processo de
- 1:02negociação, se você estiver recebendo uma oferta, enfim,
- 1:07qualquer situação na qual a aprovação social esteja agindo
- 1:11entre aspas aqui, contra você, o autor vai ensinar agora como nós
- 1:16podemos nos defender. Acredito que primeiramente
- 1:20identificar que a aprovação social está agindo ali naquela
- 1:24situação e consequentemente se defender.
- 1:27Então vamos lá, vamos direto à leitura aqui para ouvir o que é
- 1:30que o autor nos traz com relação a esses mecanismos de defesa
- 1:36para aprovação social. Comecei este capítulo com um
- 1:39relato da prática relativamente inofensiva, da trilha de risadas
- 1:43e passei para casos de assassinato e suicídio, todos
- 1:46explicados pelo princípio da aprovação social.
- 1:50Então relembrando, lá no início quando ele fala da importância
- 1:53da... daqueles filmes, séries sobre comédia, onde entra aquela
- 1:59trilhazinha de risadas das pessoas rindo, até no último
- 2:03episódio, inclusive, nós vimos a questão ali do assassinato e do
- 2:07suicídio, como é que eles podem influenciar também outras
- 2:10pessoas a realizarem essa mesma prática.
- 2:13Então, seguindo aqui... como achar que é possível nos
- 2:16defender contra uma arma de influência que permeia uma gama
- 2:19tão vasta de comportamentos a dificuldade é aumentada pela
- 2:23percepção de que na maior parte das vezes não queremos nos
- 2:28proteger contra as informações que a aprovação social fornece
- 2:33os sinais que nos oferece sobre como devemos agir costumam ser
- 2:37válidos e valiosos os sinais que nos oferece como devemos agir
- 2:42costumam ser válidos e valiosos Com ela, podemos enfrentar com
- 2:46confiança um sem número de decisões sem precisar investigar
- 2:50os prós e contras detalhados de cada uma.
- 2:53Nesse sentido, o princípio da aprovação social nos equipa com
- 2:56um tipo maravilhoso de piloto automático.
- 2:59Isso aqui basicamente é... É ilustrado ali no rápido e
- 3:03devagar, aquela ideia do sistema um, sistema dois, onde um lado
- 3:07do nosso cérebro é mais lento, ele pensa melhor com relação ao
- 3:10custo e benefício das decisões, enquanto o outro é mais rápido,
- 3:13mais intuitivo. Então, basicamente, o que o
- 3:16Cialdini quer dizer aqui é que... a seguir o princípio da
- 3:19aprovação social é um mecanismo de agir num piloto automático de
- 3:25a gente agir com essa parte do cérebro que é intuitiva que nos
- 3:30dá a possibilidade de tomar decisões sem precisar ficar
- 3:34investigando os prós e contras então eu entendo que tem muita
- 3:37gente indo naquele caminho então eu vou naquele caminho também
- 3:39porque parece ser a decisão certa então não preciso gastar
- 3:42energia pensando se essa é a decisão correta ou não Só que
- 3:46ele vai trazer aqui o outro lado da moeda, ele vai dizer o
- 3:49seguinte. No entanto, existem problemas
- 3:52ocasionais, mais reais, com os pilotos automáticos.
- 3:56Eles aparecem sempre que as informações de voo embutidas no
- 3:59mecanismo de controle estão erradas.
- 4:01Nesses casos, seremos desviados do rumo.
- 4:05Dependendo do tamanho do erro, as consequências poderão ser
- 4:08graves. Mas como o piloto automático
- 4:10fornecido pelo princípio da aprovação social costuma ser
- 4:13mais um aliado do que um inimigo, não podemos
- 4:16simplesmente desligá-lo. Enfrentamos assim o clássico
- 4:20problema. Como fazer uso de um equipamento
- 4:23que ao mesmo tempo nos beneficia e também nos coloca em risco?
- 4:28Felizmente existe uma saída. Como as desvantagens do piloto
- 4:32automático surgem sobretudo quando dados incorretos foram
- 4:35inseridos no sistema de controle, nossa melhor defesa
- 4:38contra elas é reconhecer quando os dados estão errados. se
- 4:42pudermos nos tornar sensíveis a situações em que o piloto
- 4:46automático da aprovação social está funcionando com informações
- 4:49inexatas será possível desligar o mecanismo e assumir os
- 4:53controles quando preciso então ele traz aqui né Agir no piloto
- 5:00automático tem os seus benefícios, mas também pode nos
- 5:03colocar em risco. E aí a chave para a gente
- 5:07conseguir se defender nessas situações de piloto automático é
- 5:11tentar perceber quando esse princípio da aprovação social
- 5:15está funcionando com informações inexatas.
- 5:18E aí ele vai continuar aqui trazendo um subtópico desse
- 5:21trecho do livro, onde ele intitula Sabotagem. que diz o
- 5:27seguinte Existem dois tipos de situação em que dados incorretos
- 5:31levam o princípio da aprovação social a nos dar maus conselhos.
- 5:36Existem dois tipos de situação em que os dados incorretos vão
- 5:40levar o princípio da aprovação social a nos dar mal conselhos.
- 5:44O primeiro tipo de situação vai ocorrer quando ela é falsificada
- 5:48de propósito. Invariavelmente, essas situações
- 5:51são forjadas por exploradores visando criar a impressão aqui a
- 5:56realidade pública importa, segundo Cialdini de que uma
- 5:59multidão está se comportando da forma como eles querem que nos
- 6:02comportemos. O riso enlatado dos humorísticos
- 6:05da TV é uma variedade desse tipo de dado falsificado.
- 6:08Mas existem muito mais e grande parte das falsificações é
- 6:12impressionantemente óbvias. Reações enlatadas não são
- 6:15exclusivas da mídia eletrônica, nem mesmo da era eletrônica.
- 6:19Na verdade, a exploração violenta do princípio da
- 6:22aprovação social pode remontar à época da grande ópera, uma das
- 6:26formas de arte mais veneráveis. Trata-se do fenômeno denominado
- 6:30claque. que teria sido criado, em mil oitocentos e vinte, por
- 6:33dois frequentadores da ópera de Paris, chamados Salton e
- 6:37Poscher. Só que os homens eram mais do
- 6:39que apreciadores de ópera, eram negociantes cujo produto era o
- 6:43aplauso. Organizando-se sobre o título
- 6:46L'assurance des sujets dramatiques, não sei se a
- 6:52pronúncia em francês está correta, mas a tradução para o
- 6:54português seria a garantia de sucessos dramáticos, alugavam a
- 6:58si e a seus empregados, essas pessoas que se organizavam sob
- 7:02esse título, eles alugavam a si e seus empregados aos cantores e
- 7:06diretores de ópera que desejavam se certificar de uma reação
- 7:10positiva do público. Salto e Porsche foram tão
- 7:13eficazes em estimular uma reação genuína do público com seus atos
- 7:17forjados, que em pouco tempo as claques, geralmente consistindo
- 7:21em um líder, o chefe de claque, em diversos claques individuais.
- 7:27Eles se tornaram uma tradição consagrada e persistente do
- 7:30mundo da ópera. Então, imagino que eles eram
- 7:33basicamente as pessoas que puxavam ali os aplausos dentro
- 7:38de um espetáculo de ópera. E ele continua.
- 7:41Como observa o historiador da música, Robert Sabin, abre
- 7:44aspas, em mil oitocentos e trinta, a claque era uma
- 7:46instituição estabelecida, arrecadando de dia, aplaudindo
- 7:50de noite, tudo de forma aberta e honesta.
- 7:53Mas é bem provável que nem Salton nem seu aliado Poscher
- 7:56tivessem uma ideia da extensão com que seu sistema de aplausos
- 7:59pagos seria adotado e aplicado onde quer que a ópera fosse
- 8:03cantada. Então como ele falou aqui, o
- 8:05Salton e o Poscher eram negociantes e o produto deles
- 8:09era o aplauso. Eles tinham essa organização que
- 8:12na tradução para o português seria a garantia de sucessos
- 8:15dramáticos, onde eles ficavam ali responsáveis por aplaudir os
- 8:20espetáculos de ópera e consequentemente fazer com que
- 8:23as outras pessoas que estavam presentes também aplaudissem.
- 8:26Vamos lá seguir aqui na leitura. Com o crescimento e
- 8:28desenvolvimento das claques, seus participantes ofereciam uma
- 8:31variedade de estilos e vantagens.
- 8:34Da mesma forma que os produtores de trilhas de risadas contratam
- 8:37indivíduos exímios na arte de gargalhar, as claques geraram
- 8:41seus próprios especialistas. A Plereus, escolhida por sua
- 8:46habilidade em chorar na hora combinada, o Bissau, que pedia
- 8:49bis em tons arrebatadores e, numa afinidade direta com o
- 8:53realizador da trilha de risadas atual, o Rieu, selecionado pela
- 8:57qualidade contagiosa de seu riso.
- 9:00Então, além da pessoa que aplaudia, também tinha o que
- 9:04chorava, também o que pedia bis e também o que ria no momento em
- 9:09que era necessário a risada. Tudo isso, lembrando, a gente
- 9:11está falando aqui de mil oitocentos e trinta, né?
- 9:14Então, um período bem... mil oitocentos e vinte, na verdade.
- 9:18Um período aqui bem antes da era digital, né?
- 9:23Da... do momento em que nós estamos agora.
- 9:26E aí continuando. Para nossos propósitos, porém, o
- 9:29paralelo mais instrutivo com as formas modernas de reação
- 9:33enlatada é o caráter ostensível da farsa.
- 9:37Não havia necessidade especial de disfarçar ou variar a claque,
- 9:41que costumava se sentar nas mesmas poltronas, espetáculo
- 9:44após espetáculo, ano após ano, liderada por um chefe de claque
- 9:48que já estava há duas décadas no cargo.
- 9:51Nem as transações monetárias eram escondidas do público.
- 9:54Cem anos após o surgimento das claques, um leitor do Musical
- 9:58Times de Londres poderia examinar a tabela de preços
- 10:00divulgada pelos clakers italianos.
- 10:03Seja no mundo do rigoletto ou das comédias da TV, o público
- 10:06tem sido manipulado com sucesso pelos exploradores da aprovação
- 10:11social, mesmo quando a prova é flagrantemente falsificada.
- 10:15O que Salto e Poche perceberam sobre a forma mecânica como
- 10:18seguimos o princípio da aprovação social é igualmente
- 10:21compreendido por uma variedade de aproveitadores da atualidade.
- 10:25Eles não veem necessidade de ocultar a natureza forjada da
- 10:29prova social fornecida. Basta reparar na qualidade
- 10:32amadora da trilha de risadas da TV. parecem quase presunçosos no
- 10:37reconhecimento de nosso dilema. Devemos permitir que nos enganem
- 10:41ou abandonar os preciosos pilotos automáticos que nos
- 10:45tornam tão vulneráveis aos seus truques.
- 10:48Em sua certeza, porém, de que nos têm em seu poder, esses
- 10:51exploradores cometem um erro crucial.
- 10:54A negligência com quem constroem provas sociais adulteradas nos
- 10:58fornece um meio de contra-atacar.
- 11:01E aqui no livro, inclusive, ele traz uma tabela de preços que a
- 11:05claque italiana utilizava em um anúncio de jornal.
- 11:09Então, eles colocavam no jornal para que as pessoas vissem
- 11:12realmente quanto custava todo aquele trabalho de aplaudir.
- 11:17E as pessoas, consequentemente, sabiam que aquilo existia.
- 11:19Então, não era novidade para ninguém que estava nos
- 11:22espetáculos onde os claques estavam presentes.
- 11:26E aí continuando. Já que os pilotos automáticos
- 11:29podem ser ligados e desligados à vontade, confiaremos no rumo
- 11:32indicado pelo princípio da aprovação social até
- 11:35reconhecermos que dados inexatos estão sendo usados.
- 11:39Aí, deveremos assumir os controles, fazer a correção
- 11:43necessária por conta da informação errada e religar o
- 11:46piloto automático. A transparência da aprovação
- 11:48social forjada que obtemos nos dias de hoje nos fornece
- 11:52exatamente a deixa de que precisamos para saber quando
- 11:55efetuar essa manobra simples. Sem nenhum outro custo, além de
- 11:58um pouco de vigilância para detectarmos a aprovação social
- 12:02falsificada, é possível nos protegermos muito bem.
- 12:06Aí você pode perguntar, né? Poxa, mas não está muito claro.
- 12:09Aí ele vai trazer justamente um exemplo aqui agora.
- 12:12Um pouco antes, mencionei a proliferação das propagandas em
- 12:15que várias pessoas comuns falam, empolgadas, de um produto,
- 12:19muitas vezes sem saber que suas palavras estão sendo gravadas.
- 12:23Como seria previsível de acordo com o princípio da aprovação
- 12:26social, esses depoimentos de, entre aspas, gente como a gente,
- 12:30resultam em campanhas publicitárias eficazes.
- 12:33Elas incluem sempre um tipo de distorção relativamente sutil.
- 12:37Só ouvimos depoimentos daqueles que gostam do produto.
- 12:40Como resultado, obtemos um quadro distorcido da quantidade
- 12:43de apoio social ao produto. Há pouco tempo, porém, uma
- 12:47espécie mais grosseira e antiética de falsificação foi
- 12:50introduzida. Agora, os produtores de
- 12:52comerciais nem sequer se dão o trabalho de obter depoimentos
- 12:55reais. simplesmente contratam atores para desempenhar os
- 12:59papéis de pessoas comuns, dando seu depoimento, entre aspas,
- 13:03espontâneo ao entrevistador. Na verdade, não é espontâneo,
- 13:06foi tudo combinado. Fica claro, então, que as
- 13:08situações são encenadas, os participantes são atores e o
- 13:12diálogo foi escrito antes. Sempre que deparo com uma
- 13:14tentativa de influência desse tipo, ela aciona em mim uma
- 13:17espécie de alarme com uma instrução clara.
- 13:20Atenção! Atenção!
- 13:22Aprovação social falsa nesta situação.
- 13:25Desligue temporariamente o piloto automático.
- 13:28Não é difícil alcançar isso. É preciso apenas tomar uma
- 13:31decisão consciente de estar alerta para provas sociais
- 13:34adulteradas. Podemos relaxar até que a fraude
- 13:37evidente dos exploradores seja detectada.
- 13:39Aí sim vai ser o momento em que devemos reagir.
- 13:42Bom, ele traz aqui que isso não é uma situação difícil de
- 13:45alcançar. Eu, de forma respeitosa aqui, eu
- 13:49vou discordar do Cialdini porque não é tão simples assim, né?
- 13:53A gente perceber essas situações.
- 13:55Por exemplo, nesses casos dos depoimentos, hoje em dia...
- 14:01As pessoas estão tão profissionais nisso que, além de
- 14:03contratar atores, a forma de captação desses depoimentos eles
- 14:08fazem de forma amadora. Porém, essa forma amadora de
- 14:12captação é pensada de maneira profissional.
- 14:15Então, assim, vão captar de forma amadora para que realmente
- 14:17pareça uma coisa real. Enfim, as pessoas vão...
- 14:21Quem é profissional em fazer esse tipo de coisa...
- 14:25Ele vai criando maneiras de conseguir camuflar essa falsa
- 14:30aprovação social para que as pessoas não percebam.
- 14:32Então, vou discordar aqui um pouquinho do Cialdini, que não é
- 14:36difícil alcançar, é difícil sim, mas também acredito que seja
- 14:40possível. É óbvio que realmente não dá
- 14:44para ficar atento a todas as situações, mas em processos, em
- 14:48momentos nos quais estamos diante de uma decisão que
- 14:52importa muito para a gente, é até natural que nós desliguemos
- 14:56o piloto automático e consequentemente a gente vai ter
- 14:59a capacidade de ter uma atenção diferente para as informações
- 15:03que são colocadas ali na mesa. Consequentemente, quando se
- 15:07tratar de uma informação falsa, uma informação que não condiz
- 15:10com a realidade e que você tem dúvidas sobre a veracidade, aí
- 15:14sim você vai ter a capacidade de buscar, fazer uma pesquisa,
- 15:18consultar para saber se aquela informação de fato é correta ou
- 15:22não. Mas vamos seguir aqui na
- 15:24leitura. E ele estava falando que quando
- 15:27for ficar evidente a fraude, é importante que a gente reaja,
- 15:31né? E ele vai continuar ainda nesse
- 15:35caminho aqui, ele vai dizer o seguinte, precisamos reagir de
- 15:38forma contundente, eu estou falando sobre mais do que
- 15:41simplesmente ignorar a informação falsa, embora essa
- 15:44tática defensiva seja necessária, porém sugiro um
- 15:47contra-ataque agressivo. Sempre que possível devemos
- 15:50punir aqueles responsáveis por falsificar a aprovação social.
- 15:53Não podemos comprar nenhum produto que apareça em
- 15:56comerciais de entrevistas espontâneas forjadas.
- 15:59Além disso, os fabricantes deveriam receber uma carta
- 16:02explicando nossa reação e recomendando que deixem de usar
- 16:06a agência publicitária que produziu uma apresentação tão
- 16:09enganadora de seu produto. Aí sim, obviamente essa é uma
- 16:14atitude legal, mas na prática já é difícil desligar o piloto
- 16:19automático para perceber, se desligar de todas as atribuições
- 16:23do dia a dia para fazer esse tipo de coisa que certamente não
- 16:26é para todo mundo. Mas vamos seguir aqui na
- 16:29leitura. Claro que nem sempre queremos
- 16:31confiar nas ações dos outros para direcionar a nossa conduta,
- 16:34sobretudo numa situação suficientemente importante para
- 16:37justificar nossa investigação pessoal, dos prós e contras ou
- 16:41em que sejamos especialistas. Mas é bom poder contar com um
- 16:45comportamento alheio como uma fonte de informações válidas
- 16:48numa ampla variedade de cenários.
- 16:50Se descobrimos que não podemos confiar nessas informações
- 16:53porque foram adulteradas por alguém, devemos estar prontos
- 16:57para contra-atacar. Em casos como esses, me sinto
- 16:59motivado por mais do que uma versão por ser enganado.
- 17:03Fico furioso com a ideia de estar sendo encurralado de forma
- 17:06inaceitável por pessoas usando contra mim uma de minhas
- 17:10proteções contra a sobrecarga de decisões da vida moderna.
- 17:14E me sinto um justiceiro a partir para o ataque.
- 17:17Naturalmente, ele, por ser um especialista no tema, tem muito
- 17:22mais energia, muito mais ímpeto para poder contestar esse tipo
- 17:25de situação. E aí ele vai trazer agora um
- 17:27outro subtópico dentro desse trecho de defesa, que se chama
- 17:32erguendo o olhar. Vamos entender aqui o que ele
- 17:34quer falar com erguendo o olhar. Além dos momentos em que a
- 17:37aprovação social é deliberadamente falsificada,
- 17:41existe outro momento em que esse princípio tende a nos levar na
- 17:44direção errada. Um erro inocente e natural
- 17:47produzirá uma aprovação social com efeito de bola de neve,
- 17:51impelindo-nos à decisão incorreta.
- 17:53O fenômeno da ignorância pluralista... quando ninguém
- 17:57numa emergência vê motivos de alarme, é um exemplo desse
- 18:00processo. A melhor ilustração que conheço,
- 18:02porém, vem de Singapura, onde alguns anos atrás, sem nenhum
- 18:06motivo válido, os clientes de um banco local começaram a sacar
- 18:10seu dinheiro num frenesi. A corrida a esse banco
- 18:12respeitado permaneceu um mistério por um bom tempo,
- 18:15quando pesquisadores descobriram sua causa peculiar ao
- 18:18entrevistarem os correntistas. Uma greve de ônibus inesperada
- 18:22havia criado uma multidão anormal no ponto de ônibus em
- 18:26frente ao banco naquele dia. Confundindo o ajuntamento com
- 18:32uma aglomeração de clientes querendo retirar seus fundos no
- 18:35banco em falência, as pessoas que passavam por ali ficaram em
- 18:38pânico e entraram na fila a fim de sacar seus depósitos, o que
- 18:42levou mais gente a fazer o mesmo.
- 18:45Logo após abrir as portas, o banco foi forçado a fechar para
- 18:48evitar um colapso total. Esse episódio fornece alguns
- 18:51insights sobre como reagimos à aprovação social.
- 18:55Primeiro, parecemos pressupor que, se várias pessoas estão se
- 18:58comportando da mesma forma, devem saber algo que ignoramos.
- 19:02Sobretudo quando estamos inseguros, ficamos dispostos a
- 19:05depositar uma enorme confiança no conhecimento coletivo da
- 19:09multidão. Segundo, com frequência a
- 19:11multidão está equivocada porque seus membros não estão agindo
- 19:14com base em qualquer informação superior, mas reagindo também ao
- 19:18princípio da aprovação social. Existe uma lição aqui.
- 19:22Jamais se deve confiar plenamente num dispositivo de
- 19:25piloto automático como uma aprovação social.
- 19:28Mesmo que nenhum sabotador tenha inserido informações erradas no
- 19:31mecanismo, o dispositivo pode às vezes falhar por si mesmo.
- 19:35Como no caso que ele citou aqui o exemplo dessa greve de ônibus
- 19:38que provocou uma retirada em massa de recursos de um banco.
- 19:42Então, ninguém fez com que isso acontecesse de forma
- 19:47intencional, simplesmente aconteceu de forma natural e era
- 19:50uma falha nesse dispositivo aqui que ele chama de piloto
- 19:54automático da aprovação social. Precisamos verificar a máquina
- 19:58de vez em quando para nos certificarmos de que não está
- 20:00fora de sincronia com as outras fontes de dados naquela
- 20:03situação, os fatos objetivos, nossas experiências anteriores
- 20:07ou os nossos julgamentos. Felizmente, essa preocupação não
- 20:10requer muito esforço nem tempo excessivo.
- 20:13Basta uma rápida olhada à nossa volta e esse pequeno cuidado
- 20:17vale a pena. As consequências da dependência
- 20:19cega da aprovação social podem ser assustadoras.
- 20:23Uma análise de pesquisadores de segurança da aviação chegou a
- 20:26uma explicação das decisões equivocadas de muitos pilotos
- 20:29que provocaram acidentes ao tentarem aterrissar aviões em
- 20:33condições meteorológicas perigosas.
- 20:36Os pilotos não haviam se concentrado suficientemente nos
- 20:39dados físicos crescentes que recomendavam cancelar a
- 20:42aterrissagem. Em vez disso, tinham confiado
- 20:45demais na aprovação social crescente a favor de uma
- 20:48tentativa de pousar. O fato de que uma série de
- 20:51aviões havia aterrissado com segurança anteriormente.
- 20:55Certamente, um aviador seguindo uma fila de outras aeronaves
- 20:58faria bem em olhar de vez em quando para o painel de
- 21:01instrumentos e para fora da janela.
- 21:04Ele tem até um tom cômico aqui, né?
- 21:08Porque... Se espera que um piloto de avião
- 21:12ele seguir também pelo painel de instrumentos, enquanto no caso
- 21:17que ele está citando, simplesmente os pilotos
- 21:20pensavam, não, se os outros pilotos conseguiram aterrissar,
- 21:23então eu também vou conseguir. Mas seguindo na leitura.
- 21:26Da mesma forma, precisamos olhar para cima e ao redor,
- 21:29periodicamente, sempre que estivermos presos aos indícios
- 21:32do grupo. Sem essa salvaguarda simples
- 21:36contra a aprovação social equivocada, nossos resultados
- 21:39poderão se assemelhar aos daqueles pilotos desastrados e
- 21:42do Banco de Singapura. O desastre.
- 21:45E aqui nós fechamos esse capítulo de aprovação social.
- 21:48Para quem tem um livro físico, você vai encontrar ainda nesse
- 21:51capítulo alguns outros campos aqui de resumo, de perguntas de
- 21:55estudo. Aqui é para quem tem mais
- 21:57curiosidade mesmo de estudar. conhecer ainda mais, tentar
- 22:00aplicar de fato esses conhecimentos na vida, no dia a
- 22:04dia. Mas aqui no Clube do Livro nós
- 22:07assumimos o compromisso lá no início de passar pela parte do
- 22:10conteúdo que de fato importa ali para que você consiga absorver
- 22:14os conceitos de forma geral. Então, sendo assim, passamos de
- 22:19fase, cumprimos aqui toda a missão do princípio persuasivo
- 22:23da aprovação social. E vamos engraçar no próximo
- 22:26episódio na parte de afeição. E aí, caminhamos para mais um
- 22:30princípio persuasivo, esse agora da afeição.
- 22:33Um princípio persuasivo bem importante.
- 22:34Se você está gostando do livro até aqui, eu tenho certeza que
- 22:37você vai seguir gostando muito, porque esses princípios vão se
- 22:41complementando, você vai perceber isso.
- 22:43Então, é fundamental que você siga aqui até o final para
- 22:47poder... concluir a leitura do livro e, consequentemente, ter
- 22:50acesso a todo esse conhecimento sobre os princípios persuasivos
- 22:56das armas da persuasão, que é essa grande obra do Robert
- 23:00Cialdini. Foi um prazer estar aqui com
- 23:02você, dividir esse espaço aqui com você.
- 23:05Nos encontramos no próximo episódio e até a próxima.