Latest / RetinaPro / #202 IA e Oftalmologia
Transcript
- 0:02Seja bem-vindo ao retina procast, o podcast da retina pro
- 0:07oftalmologia inovação e tudo que você precisa saber sobre saúde
- 0:11ocular sabe quando a gente pensa no arquétipo do diagnóstico
- 0:14médico? Existe toda uma expectativa
- 0:17cultural, digamos assim, de uma precisão visual imediata.
- 0:21Uhum é quase como se fosse uma engenharia estrutural, né?
- 0:25Exato, pensa na ortopedia, por exemplo.
- 0:28Um paciente cai, quebra o braço, aí a radiografia revela aquela
- 0:32linha branca bem regular do rádio fraturado e o ortopedista
- 0:36simplesmente aponta pra chapa e diz tipo, olha, aí está o
- 0:39problema. É um processo super binário.
- 0:42Tá quebrado ou não tá quebrado? Pois é, e é uma zona de conforto
- 0:46clínica inegável. E faz sentido, sabe?
- 0:49O cérebro humano é biologicamente programado para
- 0:53gostar de categorizações visuais muito claras, a gente busca
- 0:57bordas definidas, contrastes absolutos o tempo todo.
- 1:01Mas aí a gente entra no mundo micrométrico da oftalmologia e
- 1:05especificamente na retina, quando um retinólogo senta
- 1:09diante de um monitor olhando para dezenas de cortes de
- 1:12biskans de um OCT. No meio de um ambulatório
- 1:16lotado. Nossa, nem me fale.
- 1:17E tentando avaliar flutuações quase invisíveis de fluido
- 1:21intrarretiniano. De repente aquela máquina de
- 1:24raio x metafórica não serve mais para nada.
- 1:28O cenário diagnóstico se torna exaustivo e, sendo bem honesto,
- 1:32bastante turvo. É a definição absoluta de águas
- 1:36turvas na prática clínica. A fadiga visual humana entra em
- 1:40jogo de uma maneira muito agressiva e.
- 1:43Porque pensa bem quando se está no 30º paciente do dia, a
- 1:48Fronteira visual entre o que é uma progressão real da exudação
- 1:52ou apenas um ruído basal na imagem começa a se misturar
- 1:56completamente. E é exatamente para trazer
- 1:58clareza a esse cenário que a gente está aqui hoje, o foco da
- 2:03nossa análise profunda de hoje. É um artigo de revisão massivo e
- 2:08super detalhado publicado no EJA Pacific Journal of of
- 2:12oftalmology agora em 2024, sobre a inteligência artificial nas
- 2:17doenças retinianas. Um material excelente, por
- 2:20sinal. Sim, muito rico, e o nosso
- 2:22objetivo com essa imersão hoje é de secar esse material
- 2:26especificamente para quem está na linha de frente, ou seja,
- 2:29nossos colegas oftalmologistas e retinólogos que nos acompanham.
- 2:34Como a fisiopatologia e a clínica da degeneração macular
- 2:38relacionada à idade da retinopatia diabética e da hop
- 2:41já estão super consolidadas pra essa audiência, a gente não vai
- 2:45perder tempo explicando o que é uma drusa.
- 2:47Claro, não faz sentido. Nossa missão hoje é literalmente
- 2:51abrir a caixa preta da tecnologia.
- 2:54E a proposta é exatamente essa, descascar as camadas
- 2:57computacionais. A gente vai entender os métodos
- 3:00por trás da interface gráfica que estão de fato mudando a
- 3:03conduta médica. Vamos desde a lógica de triagem
- 3:07populacional baseada em pixels até uma temática preditiva que
- 3:10tenta sabe adivinhar quantas injeções de anti verg f um
- 3:14paciente vai precisar no próximo ano?
- 3:16É porque a inteligência artificial já deixou de ser
- 3:19aquele conceito de ficção científica em simpósios, ela
- 3:23está operando hoje como uma ferramenta de precisão em
- 3:27centros de imagem. Mas, sendo muito honesto, eu
- 3:31confesso que tenho uma dose saudável de.
- 3:38Porque, no fim das contas, o algoritmo não veste jaleco, não
- 3:41sofre processo ético e não assinalar o doméstico.
- 3:45Então, se a gente vai confiar o estadiamento de uma doença que
- 3:48pode cegar uma pessoa a uma máquina, nós precisamos entender
- 3:52como essa máquina pensa. O artigo aborda exatamente isso.
- 3:56E o ponto central é que o valor real da IA não é e não deve ser
- 4:01substituir o raciocínio clínico. A ideia é que ela atue como um
- 4:05sintetizador de dados invisíveis.
- 4:08A máquina revela padrões quantitativos complexos em
- 4:11matrizes de pixels que a nossa biologia simplesmente não
- 4:14evoluiu para processar. Nós humanos vemos tecidos, a
- 4:17máquina de geometria e estatística pura.
- 4:20Certo, mas vamos destrinchar como isso funciona na prática.
- 4:23Começando pelo começo, que é a triagem populacional, o artigo
- 4:27lista vários sistemas autônomos que já estão aprovados e rodando
- 4:30comercialmente, tipo o luminete score.
- 4:33Uai art OAIEE aquele sistema monumental Selena, lá de
- 4:37Cingapura? Sim, sistemas muito robustos.
- 4:41E nos ensaios clínicos, todos eles apresentam uma
- 4:44sensibilidade e especificidade que nossa benjam a perfeição.
- 4:50Mas aí o estudo menciona um caso que me chamou muita atenção, o
- 4:54sistema Arda do Google. Eles pegaram esse algoritmo
- 4:58lindamente treinado, implantaram na vida real lá na Tailândia, e
- 5:03o desempenho despencou bizarramente.
- 5:05Foi um banho de Água Fria na época.
- 5:08Choveram imagens marcadas como inclassificáveis.
- 5:11Por que a máquina tropeçou tão feio assim no mundo real?
- 5:14A. Resposta curta é que o mundo
- 5:16real é caótico e os dados de treinamento iniciais eram
- 5:20estéreis. É assim um algoritmo treinado em
- 5:30um ambiente clínico super controlado, com equipamentos de
- 5:34ponta, pupilas perfeitamente dilatadas.
- 5:38Ele cria um viés de perfeição. Quando Arda chegou na Tailândia,
- 5:42ele encontrou clínicas com a iluminação inadequada, câmeras
- 5:46com lentes sujas ou arranhadas, operadores que talvez fossem
- 5:50menos experientes e pacientes com Cataratas densas.
- 5:54Quer dizer, a máquina estava acostumada a andar em uma pista
- 5:57de testes perfeita, daquelas de Fórmula 1, mas no mundo real,
- 6:01ela pegou uma estrada de Terra com chuva no para brisa.
- 6:04Uma excelente forma de visualizar.
- 6:06A máquina não olha para uma retinografia e pensa, Ah, o foco
- 6:10está ruim, mas aquilo ali no canto parece um exodato.
- 6:14Ela avalia os valores numéricos de milhões de Pixel
- 6:18simultaneamente. Tudo.
- 6:21Ao mesmo tempo, então, quando a qualidade ótica cai, o contraste
- 6:27se perde e esses números viram um caos estatístico absoluto
- 6:32para o sistema. A rede neural entra em colapso
- 6:36simplesmente porque os marcadores numéricos que ela
- 6:39usava para diagnosticar a retinopatia desapareceram no
- 6:43meio desse ruído visual. E aqui entra a minha grande
- 6:46dúvida, porque se a imagem tá ruim, ela está ruim?
- 6:50Como a engenharia da computação resolve um problema que parece
- 6:54ser puramente fotográfico? O artigo menciona que em exames
- 6:58que são ainda mais sensíveis ao ruído, como a Ang OCT.
- 7:02Eles tiveram que abandonar a tentativa de fazer AIALA
- 7:06densidade vascular global, o que eles fizeram, na verdade, para
- 7:10salvar o diagnóstico nesse caso. E de que está a sacada genial?
- 7:14Eles mudaram a pergunta que faziam a máquina, em vez de
- 7:17pedir para e a apenas quantificar áreas claras escuras
- 7:21na anjo CTO, que é altamente sujeito a artefatos de movimento
- 7:24ou baixa resolução. Os desenvolvedores impuseram uma
- 7:27restrição estrutural. Eles forçaram a rede neural a
- 7:31realizar uma diferenciação computacional explícita entre
- 7:35artérias e veias. Pausa aí, como assim?
- 7:38Como forçar a máquina a separar a artéria de veia ajuda se a
- 7:42imagem base já está ruidosa? Porque artérias e veias têm
- 7:46assinaturas geométricas diferentes, que resistem muito
- 7:50mais à degradação da imagem. Ah, entendi.
- 7:53Então, ao exigir essa classificação separada, o
- 7:56algoritmo passa a calcular índices morfológicos muito
- 7:59específicos, por exemplo, o calibre do vaso, a tortuosidade
- 8:04e o índice de perímetro vascular de forma independente para cada
- 8:08rede. O que?
- 8:08Faz sentido biomecânico? Exatamente uma veia tortuosa por
- 8:13hipóxia tem uma representação matemática diferente de uma
- 8:17artéria, mesmo sob ruído pesado. Isso dá o modelo parâmetros
- 8:21quantitativos incrivelmente robustos e o artigo comprova
- 8:26isso, mostrando que essa análise diferencial não só salvou a
- 8:30precisão na retinopatia diabética.
- 8:33Mas alcançou absurdos 97% de acurácia em diferenciar a
- 8:38retinopatia falciforme leve da grave, a geometria vascular
- 8:43sobrevive ao ruído muito melhor do que a simples contagem de
- 8:46pixels brilhantes. Caramba, isso faz muito sentido,
- 8:50resolve aquele gargalo de encaminhar ou não encaminhar um
- 8:53paciente na atenção básica? Resolve.
- 8:56Mas resolver o problema da triagem cria um novo gargalo no
- 9:00monitoramento contínuo. Porque a triagem ela é binária.
- 9:03O monitoramento de uma doença crônica como a dmri, por
- 9:06exemplo, exige uma quantificação de volume contínua ao longo de
- 9:10meses, às vezes anos. Com certeza é um acompanhamento
- 9:13de longo prazo. E aqui que o artigo traz um dado
- 9:16do ensaio clínico Cate, que me deixou muito desconfortável como
- 9:20médico. O texto diz que especialistas
- 9:22humanos operando em centros de leitura de excelência mundial.
- 9:26Discordaram na identificação de fluido retiniano no oct, em
- 9:29quase 28% das vezes é um. Número que assusta à primeira
- 9:34vista, assusta. Muito.
- 9:36Como isso é possível? Como uma máquina encontra fluido
- 9:39que um especialista altamente treinado deixa passar?
- 9:43Isso não é um exagero da tecnologia superestimando alguns
- 9:46artefatos da imagem, é. Natural ter essa desconfiança,
- 9:49mas a gente precisa lembrar dos nossos limites biológicos.
- 9:53Quando avaliamos a eficácia de um novo agente antivgf, o fluido
- 9:57é o nosso biomarcador central, certo?
- 10:00Certo? É o que guia gente tentando.
- 10:02Reconstruir mentalmente o volume tridimensional de fluido
- 10:06intrarretiniano sub retiniano ou o fluido sub EPR.
- 10:12Fazer isso pra dezenas de cortes paciente após paciente gera
- 10:17fadiga cognitiva rápida. O computador não se cansa.
- 10:22Ele não infere o volume olhando cortes aleatórios, ele.
- 10:26Pega o bloco todo. Exato, ele calcula a matriz
- 10:28tridimensional completa voxel por voxel em questão de
- 10:33milissegundos. Ele encontra bolsões
- 10:36micrométricos de fluido sub retiniano que para o olho humano
- 10:40parecem apenas uma pequena irregularidade na linha do
- 10:42epitélio pigmentar e para. Fazer isso o texto da Itália, 2
- 10:46grandes escolas de arquitetura de ar.
- 10:49Tem o feature learning, que a gente pode traduzir como
- 10:51extração de características e o famoso deep learning, o
- 10:55aprendizado profundo. Na nossa época de residência, a
- 10:58gente aprende a ver exames quase como uma lista de compras, né?
- 11:02O chefe do setor diz, olha, procure focos hiper reflexivos,
- 11:06verifique integridade da zona elipsoide.
- 11:08Isso seria o equivalente ao feature learning na computação
- 11:12essa. É a definição perfeita.
- 11:15No feature learning, os engenheiros e os médicos sentam
- 11:18juntos e pré determinam as características.
- 11:21Eles escrevem códigos matemáticos rígidos que dizem a
- 11:25máquina. Basicamente isso.
- 11:27Busque pixels com esta intensidade x que formam um
- 11:30descolamento fibrovascular com este formato y.
- 11:34Entendi, a gente ensina a máquina a procurar apenas aquilo
- 11:38que a gente já sabe que importa isso.
- 11:40É um processo guiado, o que parece.
- 11:42Bem seguro, para ser sincero. Mas o deep learning vai por um
- 11:46caminho totalmente diferente. A sensação que eu tenho lendo o
- 11:49artigo é que se o feature learning é dar a lista de
- 11:52compras na mão da máquina para ela ir ao supermercado, o deep
- 11:55learning é simplesmente jogar a máquina dentro do supermercado,
- 11:58trancar a porta e falar, olha, descubra como os produtos estão
- 12:01organizados por conta própria e me traga um bolo pronto.
- 12:04É uma. Analogia muito perspicaz de
- 12:06verdade, porque ela ilustra bem a perda de controle direto em
- 12:09troca de um poder analítico muito maior.
- 12:12Nas redes neurais convolucionais que são usadas no deep learning,
- 12:16o algoritmo descobre representações internas da
- 12:18imagem para as quais nós não temos nem vocabulário médico
- 12:21para descrever. Ele não recebe a instrução
- 12:23matemática de como se parece uma brusa.
- 12:26Um ótimo exemplo que o texto traz é o sistema depsinete e o
- 12:30que. Esse sistema faz de tão
- 12:31diferente na prática, olha só. Ele foi alimentado com milhares
- 12:37e milhares de imagens brutas de octs e retinodofias.
- 12:42Rotuladas apenas com o score final de gravidade do estudo.
- 12:46Arrid só isso. Ninguém disse a ele o que
- 12:50procurar no meio do. Caminho ninguém.
- 12:55Sozinho, através de múltiplas camadas de processamento, o
- 12:59algoritmo aprendeu a encontrar os padrões que correlacionam a
- 13:03imagem inicial daquele paciente ao score final dele e o
- 13:07resultado prático disso. Ele superou estatisticamente a
- 13:11performance de retinólogos especialistas na detecção de
- 13:14drusas grandes e a normalidades pigmentares.
- 13:18A máquina enxerga gradiente sutis de hiperaflexividade de
- 13:22uma forma tão fluida, tão matemática, que a subjetividade
- 13:26humana simplesmente fica para trás.
- 13:28Mas assim. Se a máquina aprendeu a ler a
- 13:30imagem de hoje com tanta precisão, como a gente dá o
- 13:34Salto de diagnosticar O Presente para prever o futuro do
- 13:38paciente? Porque o artigo entra fortemente
- 13:41na questão das séries temporais e previsão probabilística para
- 13:45tratamentos com injeção de antivégf em regimes como o
- 13:48tritenxtand ou prn, prevê o futuro médico.
- 13:53Vou te falar só um pouco como charlatanismo de alta tecnologia
- 13:57para mim. Como isso funciona?
- 13:59De forma quantitativa e real, o artigo fala de um algoritmo
- 14:03chamado and boost acoplado a uma tal de distribuição binomial
- 14:07negativa. Eu confesso que a maioria de nós
- 14:10não vê matemática desse nível desde a época do cursinho pré
- 14:13vestibular. É uma sopa de letrinhas, eu sei,
- 14:16mas vamos traduzir isso para a realidade do ambulatório, porque
- 14:20essa parte mais revolucionária para gestão da clínica diária.
- 14:24A regressão estatística tradicional e inteligência
- 14:27artificial costuma cuspir números contínuos, então se você
- 14:31usasse o mia como um mais antiga para prever injeções?
- 14:35Ela poderia analisar OACTE dizer assim, este paciente precisará
- 14:40de 3,4 injeções no próximo ano. O que é?
- 14:44Clinicamente inútil, né? Eu não tenho como administrar
- 14:470,4 de uma injeção de aflibrecept essa.
- 14:50Tal de distribuição binomial negativa, essa matemática foi
- 14:55projetada especificamente para contar números inteiros ao longo
- 14:59do tempo, e mais do que isso, a biologia não aceita certezas
- 15:04absolutas. Ela exige faixas de incerteza.
- 15:08Então, o que esse modelo te entrega não é um número cego,
- 15:13mas sim uma curva de. Perfeito é isso mesmo.
- 15:25Ele cruza o volume do fluido sub retiniano, a espessura do
- 15:28complexo epitélio drusos e o tipo de neovascularização.
- 15:33Aí o Painel exibe para o médico, mais ou menos assim, a 85% de
- 15:37chance de este paciente precisar de 2 a 3 injeções esse ano, mas
- 15:42existe uma probabilidade de 5% de que ele sofra múltiplas
- 15:46recidivas e precise de 8 injeções nossa.
- 15:50Isso muda tudo com isso em. Mãos o retinólogo consegue
- 15:54agendar retornos não mais no escuro, mas baseado em risco
- 15:57calculado. Isso otimiza o fluxo de caixa da
- 16:00clínica e, o mais importante, reduz o abandono do tratamento
- 16:05pelo paciente. Sensacional.
- 16:07Mas, para fazer isso, exige que a máquina olhe não só para o
- 16:11exame de hoje, mas para o histórico do paciente inteiro.
- 16:14O estudo detalha que, para alimentar essa matemática
- 16:17probabilística, eles usam uma arquitetura combinada, uma rede
- 16:21chamada dance net e uma rnn, ou rede neural recorrente.
- 16:26Pelo que eu entendi lendo o material, a dance net funciona
- 16:30como um inspetor muito minucioso que avalia as fatias espaciais
- 16:34do oct de agora, extraindo toda a geometria da mácula.
- 16:38Mas a rnn parece ser o componente que realmente entende
- 16:41o conceito de tempo. Como uma rede neural lembra do
- 16:44passado? A.
- 16:45Genialidade da rnn está justamente na sua arquitetura de
- 16:50loops internos, as e as tradicionais, elas sofrem de
- 16:54amnésia, digamos assim. Elas processam a foto de hoje e
- 16:58esquecem completamente a foto de ontem.
- 17:01A RN, no entanto, ela gera um vetor matemático que chamamos de
- 17:06estado oculto, estado. Oculto, sim.
- 17:09Quando ela analisa a oct do mês passado, ela guarda um resumo
- 17:13matemático daquele estado hoje, ao processar o exame atual com a
- 17:18ajuda da dencinet. ARN funde as informações de hoje
- 17:23com esse estado oculto que ela guardou do mês passado, então.
- 17:27Ela está essencialmente medindo a velocidade da mudança daquela
- 17:31retina exato. Ela integra múltiplos pontos no
- 17:34tempo. A recorrência de fluido vascular
- 17:37obedece a certos padrões cinéticos.
- 17:40A rede avalia com que velocidade a retina desse indivíduo
- 17:44específico encharca e seca após a aplicação do anti vgf.
- 17:50É análise dessa cinética temporal que permite a previsão
- 17:54precisa de quantas injeções serão necessárias nos meses
- 17:58seguintes, e o. Texto vai ainda mais longe nessa
- 18:01previsão, com as chamadas Guns, as redes adversárias
- 18:05generativas. Essas redes já são famosas por
- 18:08gerar aquelas imagens hiberrealistas na internet que
- 18:11nunca existiram de verdade. O uso delas aqui parece bruxaria
- 18:15médica pura. Elas estão pegando o oct de
- 18:18hoje, aplicando o efeito simulado de um agente anti vgf e
- 18:22desenhando sinteticamente. Um oct de coma anatomia daquele
- 18:26paciente vai estar daqui a 30 dias.
- 18:28Isso é o suprassumo do tratamento personalizado, é?
- 18:31O equivalente computacional de você fazer um teste terapêutico,
- 18:35mas sem tocar no paciente, você visualiza a resposta estrutural
- 18:40antes mesmo de encostar agulha no olho dele, tudo isso?
- 18:43Parece um Paraíso clínico absoluto, mas o artigo também
- 18:46aponta para um muro de concreto gigante que a tecnologia está
- 18:49enfrentando agora, modelos complexos como a dance net,
- 18:53extraindo o espaço, a rnn, avaliando o tempo.
- 18:57E as gans gerando futuro. Todos eles têm uma fome
- 19:00monstruosa por dados. Eles precisam de milhões de
- 19:03exames pareados para aprender de verdade.
- 19:06E aí nós batemos de frente com as leis de privacidade a ripa
- 19:09nos Estados Unidos, a lgpd aqui no Brasil, GDPR na Europa.
- 19:14Como a pesquisa global avança se, além, impede terminantemente
- 19:18que hospitais e clínicas empacotem os octs confidenciais
- 19:21dos seus pacientes e mandem para um servidor central de uma
- 19:24universidade ou de uma big tech. A solução que a revisão
- 19:27apresenta é o federated learning, o aprendizado
- 19:30federado. Como isso quebra esse gargalo
- 19:32ético? O.
- 19:33Aprendizado federado exige uma mudança de paradigma enorme na
- 19:37forma como estruturamos as redes de pesquisa.
- 19:40Historicamente, a inteligência artificial operava por
- 19:43centralização total. Nós juntávamos todas as imagens
- 19:47do mundo em um único supercomputador.
- 19:50Ele treinava as conexões neurais e depois a gente distribuía o
- 19:54modelo. Pronto.
- 19:56Com o endurecimento das leis de privacidade, isso se tornou
- 19:59totalmente inviável na saúde. O federated learning
- 20:03descentraliza a inteligência ou? Seja.
- 20:06O hospital não manda os dados para o modelo, o modelo vai até
- 20:10o hospital? Exatamente.
- 20:12O servidor central envia um modelo de rede neural em branco
- 20:15ou parcialmente treinado para os nós da rede, que podem ser um
- 20:19grande hospital universitário ou uma pequena clínica.
- 20:22O modelo, então, é treinado localmente no servidor seguro
- 20:26daquela clínica, consumindo os exames dos pacientes.
- 20:29Dali mesmo a imagem, o dado bruto do paciente nunca sai do
- 20:33porão do hospital. Eu estava.
- 20:35Pensando em como ilustrar isso para nossa audiência?
- 20:38E me veio a imagem de uma guilda de mestres de culinária
- 20:42espalhados pelo mundo. Imagina dezenas de chefes de
- 20:45diferentes países tentando colaborar para criar a receita
- 20:49perfeita de um molho. Adoro.
- 20:51Essa analogia, pois é. Eles nunca vão enviar os tomates
- 20:55frescos, os ingredientes locais ou os clientes para uma cozinha
- 20:58central. Isso é proibido.
- 21:01Em vez disso, cada chefe prepara o molho na sua própria cozinha,
- 21:05faz os testes de sabor e, no fim do dia, envia para um chefe
- 21:09supremo apenas um bilhete com ajustes de receita tipo, aumente
- 21:13o sal em 2%, diminua o tempo de cozimento em 5 minutos.
- 21:18Na nossa IA, esses ajustes da receita são os pesos das
- 21:21conexões. E os parâmetros matemáticos da
- 21:24rede? O servidor central compila
- 21:26apenas essa matemática pura, que é 100% anônima.
- 21:30Junta tudo e devolve a receita refinada para todas as clínicas.
- 21:34O sigilo do paciente permanece totalmente intocado.
- 21:37A sua. Ilustração capta o coração do
- 21:40processo é exatamente assim. O que trafega na internet não
- 21:44são imagens de retina, mas sem gradientes matemáticos que não
- 21:48podem ser submetidos à engenharia reversa para
- 21:51identificar uma pessoa é brilhante.
- 21:54Mas, lendo a parte mais pesada do artigo, fica claro que existe
- 21:59um desafio técnico enorme nisso tudo, a tal questão dos dados no
- 22:04IID, que são dados não independentes e identicamente
- 22:08distribuídos, esse é. O grande problema hoje é.
- 22:11Porque na vida real, o hospital universitário de São Paulo pode
- 22:15estar gerando imagens em um aparelho espectrais da hidelberg
- 22:19super calibrado. Maravilhoso.
- 22:21Enquanto isso, uma clínica no interior pode estar rodando o
- 22:24modelo local em um oct mais antigo de outra marca, com
- 22:27protocolos de captura diferentes, imagens muito mais
- 22:30escuras. O perfil demográfico e genético
- 22:33das populações também muda drasticamente de um lugar para o
- 22:36outro. Se o servidor central apenas
- 22:38pegar a matemática gerada por esse seu CT velho e escuro e
- 22:42fizer uma média simples com os dados de ponta, o modelo global
- 22:46não vai simplesmente ficar confuso e entrar em colapso.
- 22:49Sim, e se é indiscutivelmente o calcanhar de Aquiles do
- 22:53aprendizado federado. Se você apenas somar e dividir
- 22:57pesos matemáticos vindos de aparelhos e populações tão
- 23:00heterogêneas, o desempenho da e a global despenca
- 23:04assustadoramente. É por isso que os
- 23:05desenvolvedores criaram políticas de agregação mais
- 23:08avançadas e o artigo destaca muito bem 2 delas, o Fed Eve, de
- 23:13forma mais crítica, o Fed prox. E como o Fed prox?
- 23:17Evita que a clínica com o aparelho descalibrado estrague o
- 23:20modelo de todo mundo voltando à sua.
- 23:21Analogia dos chefes, o Fed prox é como se o chefe supremo
- 23:25instaurasse uma regra de limite de alteração da receita.
- 23:29Computacionalmente falando, ele introduz um termo de
- 23:31regularização matemática contínua.
- 23:34Ele permite que o modelo da clínica do interior aprenda com
- 23:38as particularidades dos seus exames mais escuros.
- 23:40Claro, isso é importante, mas ele aplica uma espécie de
- 23:43penalidade matemática pesada. Se os parâmetros locais daquela
- 23:47clínica começarem a se desviar agressivamente demais da média
- 23:51global, é. Quase uma coleira algorítmica,
- 23:54né? Tipo?
- 23:55Aprenda com seu contexto local. Mas não ouse se afastar demais
- 23:59do consenso científico global. Exatamente isso, uma coleira
- 24:03flexível e o efeito prático dessa regularização é
- 24:07maravilhoso de ver ao treinar a máquina dessa forma controlada,
- 24:12absorvendo silenciosamente a variação de diferentes marcas de
- 24:16oct, diferentes incidências de catarata e perfis genéticos
- 24:20diversificados. Nós construímos um Maia
- 24:23absurdamente resiliente. Não é mais aquele algoritmo
- 24:27frágil que só funciona em pacientes calcasianos examinados
- 24:32em condições perfeitas de laboratório de pesquisa.
- 24:35É um modelo universal e isso se torna uma ferramenta brutal para
- 24:40equidade em saúde, reduzindo de forma significativa as
- 24:44disparidades socioeconômicas no acesso a laudos de nível
- 24:48especialista. Caramba.
- 24:50Isso mostra que a discussão vai muito além da tela do computador
- 24:53do ambulatório. Ela afeta a arquitetura global
- 24:57da saúde pública e a condução de estudos multicêntricos.
- 25:01Chegando ao fim da nossa jornada de hoje.
- 25:03Por esse artigo, acho que podemos consolidar uma visão bem
- 25:06clara para quem nos escuta. A inteligência artificial
- 25:09aplicada à retina não precisa ser temida como uma caixa preta
- 25:13substituta, desde que o médico oftalmologista entenda a
- 25:17mecânica por trás da mágica com. Certeza, porque?
- 25:20Compreendendo que as redes convolucionais.
- 25:23Vencem a fadiga humana. Analisando voxels em 3D que
- 25:27algoritmos recorrentes utilizam o histórico temporal para
- 25:30probabilizar de forma clínica o regime de injeções e que o
- 25:34aprendizado federado resolve as restrições éticas de
- 25:37compartilhamento ao invés de enviar os dados em si, fica
- 25:41muito evidente que nós não estamos criando concorrentes
- 25:44para os médicos. Nós estamos forjando um
- 25:47copiloto, diagnóstico inestimável, um.
- 25:50Copiloto incansável que assume todo aquele trabalho mecânico de
- 25:56quantificar matrizes de pixels intermináveis, libertando o
- 26:00retinólogo para exercer o verdadeiro núcleo da medicina,
- 26:04que é integral dado objetivo. Com a subjetividade e a
- 26:08qualidade de vida do paciente, conduzindo tratamento de uma
- 26:12forma ética, personalizada e humanizada, fechou.
- 26:15Perfeitamente o raciocínio. E para encerrar a nossa imersão
- 26:19detalhada no material de hoje, eu quero deixar uma provocação
- 26:22plantada na mente dos colegas que estão agora no ambulatório
- 26:26ou no centro cirúrgico. Durante todo o programa nós
- 26:29falamos sobre predição e análise visual.
- 26:32Mas o artigo joga uma luz intrigante sobre o futuro, muito
- 26:35próximo da intervenção física. Nós já vimos como esses modelos
- 26:39matemáticos conseguem realizar fusão multimodal de dados pré
- 26:44operatórios de uma forma espantosa, por exemplo, prevendo
- 26:47o fechamento cirúrgico de um buraco macular com mais de 90%
- 26:50de acerto, baseando se apenas no diâmetro da fenda e no índice
- 26:54anatômico de tração. A geometria da retina já está
- 26:58dominada pela e a já. Está mapeada, sem dúvida.
- 27:01E o texto? Menciona os primeiros passos da
- 27:04robótica de precisão, como aquele sistema persaice que já
- 27:08está sendo testado em ensaios humanos para guiar a injeção do
- 27:11ativador do plasminogênio tecidual, o tpa milimetricamente
- 27:16no espaço sub retiniano de pacientes que sofrem com
- 27:19hemorragias graves e secundárias ADMRI.
- 27:22É uma. Precisão absurda então, o.
- 27:25Pensamento que eu deixo para nossa audiência é este, se a
- 27:28inteligência artificial já consegue mapear superfície
- 27:31estromal e as camadas internas da retina em 3 dimensões com uma
- 27:34precisão matemática que o nosso cérebro jamais alcançará, e se
- 27:38ela já é capaz de calcular a probabilidade e a rota espacial
- 27:42exata do sucesso terapêutico. A que distância nós estamos no
- 27:46momento inevitável em que AIA deixará de ser apenas um alerta
- 27:49na tela do pré operatório? Boa.
- 27:51Pergunta, quando é que? Ela passará a assumir os
- 27:53comandos guiando a canula robótica sub retiniana de
- 27:57maneira totalmente autônoma, superando em definitivo os
- 28:01limites fisiológicos, a fadiga e o tremor natural das mãos
- 28:04humanas. O diagnóstico?
- 28:06Nós já sabemos que ela pode refinar enormemente.
- 28:09A grande questão da próxima década é.
- 28:11Qual será o papel do cirurgião humano quando a máquina também
- 28:14provar que opera melhor? Fica o convite para que os
- 28:17colegas continuem acompanhando o compasso acelerado e fascinante
- 28:21dessa revolução tecnológica junto com a gente.
- 28:23Até a próxima análise profunda. Se você gostou do conteúdo,
- 28:26compartilhe com o amigo. Até a próxima.