Latest / ABC Cast / ABC Cast Ep. Especial: Eduardo Galvão e Yasnaya Yañez | A Intervenção dos EUA na Venezuela
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- 0:00Você está ouvindo o ABC cast, o podcast do ABC do ABC,
- 0:05informação, inovação e conexão com a região metropolitana de
- 0:10São Paulo, ABC cast, conectando você com informação de
- 0:14qualidade. Antes de tudo, para quem está
- 0:17chegando agora e ainda quem não me conhece, eu me chamo João
- 0:20Pedro Melo. Eu sou jornalista aqui do ABCE,
- 0:23do ABCE. Também apresento ABC cast nesse
- 0:25espaço em que a gente tenta fazer uma coisa cada vez mais
- 0:29rara, que é olhar para notícia com calma, com contexto e sem
- 0:32tratar o ouvinte como plateia de gritaria.
- 0:35E hoje, sinceramente, não dá nem para seguir a vida como se fosse
- 0:38só mais um assunto de noticiário.
- 0:40Então a gente resolveu parar tudo e fazer uma edição especial
- 0:43do programa. OABC cast especial Venezuela
- 0:48bom, vamos lá. Como eu disse, OABC cast hoje
- 0:50ele vai sair do modo notícia do dia e entrar no aconteceu algo
- 0:54grande demais pra caber numa manchete.
- 0:56Ou seja, essa edição vai ser bem diferente.
- 1:00Ontem, sábado, 3 de janeiro, 2026, o continente acordou com
- 1:05relatos de uma operação militar dos Estados Unidos em território
- 1:08venezuelano com barulho de ataque na capital.
- 1:11Apagão. E algumas áreas e alvos
- 1:14militares atingidos. Poucas horas depois, o
- 1:17presidente Donald Trump afirmou que Nicolás Maduro foi capturado
- 1:21e levado para os Estados Unidos para responder pelos crimes
- 1:24cometidos. O governo da Venezuela, por meio
- 1:27da sua vice presidente delci Rodrigues, reagiu dizendo que
- 1:31queria uma prova de que Maduro estava vivo e ainda denunciou a
- 1:34ação como o que chamou de violação da soberania do país.
- 1:40E aí entra o que muda tudo. Trump disse que os Estados
- 1:44Unidos vão administrar a Venezuela por um tempo e falou
- 1:49em levar grandes empresas pra de petróleo pra construir ou
- 1:53reconstruir a infraestrutura. Do lado do Brasil, o nosso
- 1:57presidente Lula condenou a operação e disse que foi cruzada
- 2:01uma linha inaceitável, falando em violação da soberania e
- 2:07pedindo uma reação Internacional.
- 2:09Ou seja, não é só uma notícia, é uma placa de perigo fincada na
- 2:14porta da região. Então agora aqui rapidinho, em
- 2:17português, pra gente que paga boleto.
- 2:20Quando um país manda tropa, avião, ataque ou faz uma ação
- 2:24armada dentro do território de um outro país, isso costuma cair
- 2:28na prateleira mais sensível do mundo.
- 2:30Uso da força e por que isso importa?
- 2:34Porque existe uma regra básica depois da segunda guerra, cada
- 2:37país tem direito ao seu território e ninguém entra na
- 2:41marra só porque acha que tem razão a discussão de hoje.
- 2:44Ela caminha e permeia pelo seguinte trecho, qual foi a base
- 2:49legal do que aconteceu ontem? Se é que houve uma base pro
- 2:53ocorrido? Quem autoriza?
- 2:56E o que acontece quando um governo poderoso decide que a
- 3:00regra agora é? Eu invado e aviso depois.
- 3:05Então pra gente entender isso com cabeça fria, sem grito, sem
- 3:08torcida, eu trouxe aqui 3 convidados e nessa ordem eu
- 3:12apresento primeiro. O meu colega é jornalista,
- 3:14diretor de jornalismo do portal ABC do BC, Thiago Quirino, que
- 3:19além da mediação, né? É ele vai nos ajudar a separar o
- 3:23que é informação confirmada, provocar e ainda estar em
- 3:26disputa do que é. Ruído de internet e baboseira
- 3:30real ou não? Na sequência, o nosso próximo
- 3:33convidado é o Eduardo Galvão, professor de políticas públicas
- 3:37da faculdade Ibmec, diretor diretor na consultoria global
- 3:43burson, autor do livro riscos políticos na América Latina, que
- 3:47vai sair pela editora diálogos. Ele vai trazer uma lente do
- 3:51risco político e das regras do jogo Internacional, daquela
- 3:55parte que costuma ficar escondida atrás de frase bonita.
- 3:58Então, bem-vindo professor Eduardo e por último e não menos
- 4:03importante, a nossa convidada yasnaya yanes, a yas.
- 4:07Ela é licenciada em design gráfico e artes visuais, com
- 4:10formação na universidade de Los Andes, em Mérida, na Venezuela.
- 4:15Aliás, é venezuelana, radicada no Brasil e mora no Rio de
- 4:18Janeiro. Tem 15 anos de experiência com
- 4:21comunicação visual, marca, ilustração e design aplicado à
- 4:24publicidade, ao marketing. Hoje, ela atua como coordenadora
- 4:28de design, liderando projetos e equipes criativas, e também atua
- 4:32como freelancer, criando soluções visuais estratégicas
- 4:35pra marcas e conteúdos no Brasil e fora.
- 4:39Então yas e todo mundo aqui sejam todos muito bem vindos.
- 4:44Bom, buenas. Eu vou explicar um pouquinho de
- 4:46como a dinâmica vai funcionar. Eu prometo que é bem simples pra
- 4:49todo mundo acompanhar, não vai precisar adicionar nem diploma.
- 4:52Eu vou fazer a pergunta. Né?
- 4:54O Eduardo vai responder primeiro com uma leitura do risco
- 4:57político e do que é regra do mundo real e em seguida, ias
- 5:00traz a visão da Venezuela, né? De quem é venezuelana e tá
- 5:06olhando isso de dentro pra fora, mesmo estando aqui no Brasil,
- 5:10com Acessibilidade e o pé no chão.
- 5:12E o Thiago? Ele vai complementar, apurar o
- 5:15contexto e vai trazer os comentários também.
- 5:18A gente vai seguindo assim pergunta por pergunta, sem
- 5:21pressas, sem enrolação. E no tempo de vocês?
- 5:24E um aviso aqui honesto, né? Tem coisa que ainda está se
- 5:28consolidando, informação que está chegando.
- 5:31Esse tipo de crise é normal a informação, ela vai chegando em
- 5:33ondas, então é aqui a gente vai fazer o básico que falta nesse
- 5:37barulho separa fato, declaração e consequência de tudo.
- 5:41Então Bora, professor Eduardo, para começar do começo, sem
- 5:45juridiquês, sem depende. Infinito.
- 5:49Quando um país realiza uma ação militar dentro de um território
- 5:54de um outro e diz que vai administrar esse país por um
- 5:58tempo, o que isso de fato significa na prática dentro das
- 6:03relações internacionais? É uma ação pontual, que termina
- 6:06rápido ou já acende um alerta de ocupação e precedente perigoso?
- 6:12bem-vindo. Ok, muito obrigado.
- 6:14Primeiramente obrigado pelo convite, João, prazer estar aqui
- 6:17pra gente poder bater esse papo conjuntamente.
- 6:20É obrigado aqui por reunir também com o Thiago e com a
- 6:23yasnaia. Vai ser um prazer a gente trocar
- 6:25figurinha também, perceber muito AAA visão, né?
- 6:28Elisna é de de dentro. Acho que vai ser importante até
- 6:31pra gente aprender junto com você.
- 6:33É João voltando, então, AA sua pergunta, essa é uma das maiores
- 6:39violências ou uma das maiores atrocidades que o estado pode
- 6:42cometer em relação ao outro? A carta das Nações Unidas, ela,
- 6:47ela, ela e as instituições do multilateralismo vieram
- 6:51justamente para inibir que episódios como esse aconteçam.
- 6:55É, é a comunidade Internacional. Ela até aceita, né?
- 6:59Ações. Militares, mas isso depois de
- 7:01muita negociação, depois de muita tentativa que a gente
- 7:04assistiu. Agora foi uma ação unilateral
- 7:07dos Estados Unidos. É adentrando o território de um
- 7:11país soberano pra eu vou trazer isso porque foi declaradamente
- 7:18dito pelo presidente americano que o interesse era o petróleo,
- 7:21né? Isso já havia sido trazido é em
- 7:24outros, em outros momentos, né? Em outras falas anteriores dele.
- 7:29É, mas esse episódio ele vem é com 11, a gente costuma chamar
- 7:34de 11, Bela moldura pra um quadro horroroso, né?
- 7:38Que é o seguinte, é a retórica de dizer que Oo, Nicolás Maduro
- 7:42é um narcotraficante, que o país ele é, produz e vende drogas e
- 7:48isso acaba é afetando os cidadãos americanos.
- 7:51É, e que também era uma ditadura.
- 7:54Olha, é. A aos fins não justificam os
- 7:58meios, né? É, nós temos 11 governo
- 8:02autoritário nos Na Na Venezuela. Agora é a invasão de um
- 8:06território, a soberania de um país, não podem ser justificadas
- 8:10por conta de um regime. Então veja que aqui também,
- 8:13João, não é o caso de a gente defender um tipo ou outro de
- 8:16regime, é o é, é o caso de a gente defender a soberania dos
- 8:21estados. Eu não estou falando só da
- 8:22Venezuela, é de qualquer estado. De qualquer estado soberano.
- 8:27Porque esse tipo é de incursão dos Estados Unidos.
- 8:32Acende um alerta, né? Como você falou, é uma placa de
- 8:35perigo colocada aqui na América Latina e não só para os países
- 8:38da região, mas para o mundo inteiro, porque isso é um tiro
- 8:42próprio dos Estados Unidos, dizendo é do que que eles são
- 8:46capazes e até onde eles estão dispostos a ir por conta dos
- 8:49seus interesses. É esse esse episódio, como eu te
- 8:53falei, ele vem com essa narrativa, né?
- 8:56Embora o presidente não esteja, pelo menos ainda o presidente
- 9:00americano não esteja explorando, é essa narrativa da do
- 9:04narcotráfico, ela está plantada. Isso já foi dito anteriormente.
- 9:07Isso pode ser usado para justificar, principalmente, né,
- 9:11Na Na política local Americana, para justificar para o cidadão
- 9:16americano, médio, eleitor de Trump.
- 9:18Por que é que ele fez isso? É quando a gente olha,
- 9:21geopolítica, nada é tão simples. Não é só o petróleo, não é só o
- 9:25narcotráfico, tem muito mais coisa envolvida.
- 9:28Mas existe uma porosidade muito grande, João, entre o que é
- 9:31política externa e o que que é política interna.
- 9:34Porque se a política externa de um governante, ela é mal vista
- 9:38pelas pessoas do país. Isso gera um problema político
- 9:42interno Pra Ele que pode é que pode refletir tanto na
- 9:46popularidade quanto na continuidade do governo, até
- 9:48eventualmente em outros casos, né?
- 9:50Não numa reeleição. Então existe essa porosidade
- 9:53muito grande. EOO governante precisa, né?
- 9:56Justificar para o público interno as ações da política
- 10:00externa. E essa é narrativa.
- 10:04Ela é muito simples, ela é muito fácil de comunicar e isso é
- 10:07facilmente absorvido pelo cidadão médio.
- 10:10É americano, então é juntando todos esses pontos aqui, né?
- 10:14É como como a gente tava falando no início, pra pra voltar pra
- 10:17sua pergunta é uma, é uma violação muito grande, né?
- 10:21A soberania de um de um estadas, o sistema multilateral, ele foi
- 10:26criado inclusive com a ajuda dos Estados Unidos justamente pra
- 10:30impedir, pra inibir esse tipo de incursão, pra que os países
- 10:33pudessem encontrar soluções de uma forma diplomática amigável e
- 10:37encontrar as soluções. Possíveis e o que a gente está
- 10:40vendo aqui é um atropelo dessas instituições internacionais na
- 10:44busca por interesses próprios. E as na sequência, eu quero te
- 10:48ouvir como essa palavra administrar bate no ouvido de
- 10:54quem é venezuelano e ela soa como promessa, ameaça ou com uma
- 10:59daquelas frases que chegam prontas para justificar o que,
- 11:02na verdade, já foi decidido. Primeiramente, quero agradecer
- 11:06pelo espaço. Eu também.
- 11:08Eu tô muito feliz de ter poder também falar essa parte um pouco
- 11:13mais de lado do venezuelano, principalmente o venezuelano que
- 11:16mora há muito tempo fora, né? Morou há 11 anos fora.
- 11:19Então sou parte daquele aquele aquela leva de venezuelanos que
- 11:25saiu no período 2014, que ficou um ano depois do Maduro entrar
- 11:29no poder. Depois de o chaves também ter
- 11:33morrido. Então, na verdade foi muito 11
- 11:37leva importante de gente que foi formada, né?
- 11:41Recém formada que saiu da Venezuela por um por um.
- 11:46Por uma vida melhor, né? Então somos uma população que na
- 11:52verdade já tem uma estabilidade em um país, em outros países, e
- 11:56a gente tem essa responsabilidade de enviar
- 12:00dinheiro à Venezuela. Então, porém, é temos feito esse
- 12:03trabalho de de remessas internacionais para lá para
- 12:08poder dar e um pouco de Alívio para os nossos familiares.
- 12:13O que Oo que o. Segundo a tua pergunta, na
- 12:16verdade eu vou te dizer que e se sente sinceramente como
- 12:20venezuelana é se sente um Alívio profundo por não ter mais um
- 12:27Maduro, né? Eu, eu, há 27 anos a gente tá
- 12:32numa na era do chavismo, né? A gente chama de chavismo
- 12:35madurismo, né? Mas é muito mais uma uma
- 12:38ideologia do chavismo mesmo e é um Alívio profundo, mas ao mesmo
- 12:43tempo um medo. Assustador que não dá para nem
- 12:48para comemorar. Sim, tem muita gente no meu, no,
- 12:51no dos meus amigos que moram fora, EE meus amigos que moram
- 12:56na Venezuela mesmo. Ninguém está com.
- 12:58Essa vontade de sair e dizer sim, a gente é livre, sim, a
- 13:03gente somos, somos livres. A gente saiu porque basicamente
- 13:07as palavras do Trump foram muito, muito assustadoras nesse
- 13:11sentido. Então se sente 1111, sentimento
- 13:16de de muita, muita tristeza pelo jeito de que aconteceram as
- 13:21coisas. Na verdade, a gente não.
- 13:23Ninguém queria que fosse assim. Não dá para dizer que os
- 13:26venezuelanos não lutaram. Por sair desse dessa ditadura
- 13:30desde 2002, 2005 7, 2008, 2013 14, enfim, teve muita revolta
- 13:39civil, né? Às vezes as pessoas saíram pra
- 13:41rua. Eu posso dizer que desde 2005
- 13:44estão nos protestos contra esse governo, né?
- 13:48Então sair da Venezuela justo nessa loucura de 2014?
- 13:54E fui para os protestos. Acompanhei todos essas esses
- 13:58episódios de 2014. Então, na verdade, assim é, eu
- 14:03posso dizer que no meu, no meu ponto de vista, é uma é uma
- 14:08coisa que IA acontecer. Todo mundo estava sabendo que IA
- 14:11acontecer. É, o Trump fez 11.
- 14:17É ele, ele, ele assustou o mundo todo levando esses Monte de de
- 14:21barcos e Monte de de de militares perto da Venezuela.
- 14:25Um Porto Rico que Porto Rico é muito perto da Venezuela.
- 14:28Não, não dá nem para vocês não dizer que a gente não é.
- 14:32A gente não, obviamente não enxerga, mas é muito perto.
- 14:36Então a gente tinha uma sensação, pelo menos meus
- 14:39familiares tinham uma sensação de que alguma coisa que eu IA
- 14:41acontecer, tinha uma Esperança dentro do país que IA ter uma
- 14:46mudança, então. As pessoas estão assustadas, até
- 14:51porque a Dercy Rodrigues e toda a cúpula do governo está ainda
- 14:56No No no poder, né? A Dercy Rodrigues se se ela não
- 15:00se proclamou ainda como presidenta, mas ela seria a
- 15:03presidenta interina, né? No caso, então, na verdade é a
- 15:07certa. As pessoas ainda estão com muito
- 15:12medo do que vai vai ser nos próximos dias.
- 15:16Tá tendo? O disparo do dólar foi
- 15:19impressionante. De ontem para hoje as pessoas
- 15:21estão fazendo compras, compulsivas para poder guardar,
- 15:25porque na verdade, no período 2017 já tivemos isso, né?
- 15:28Em 2017 foi um período muito triste, não tinha luz, não tinha
- 15:32comida, enfim, foi bastante forte para os venezuelanos.
- 15:36Então isso foi a primeira coisa que aconteceu.
- 15:39Foi todo mundo ir para os supermercados e tentar se nutrir
- 15:43de alguns alimentos. Por enquanto passa isso, então.
- 15:46É um dos principais aliados EE que foram que construíram um
- 15:52chavismo que eu li os dados do cabejo tá ali, tá tá, tá lá na
- 15:56Venezuela, então então não sabemos o que que vai acontecer,
- 16:00sinceramente, então é isso, um grande Alívio, mas ao mesmo
- 16:03tempo um muito, muito medo sobre o que vai acontecer.
- 16:08Muito obrigado pelos pelos comentários.
- 16:11É, eu gostaria de voltar aqui um pouquinho pra pra algo que o
- 16:15professor Galvão é, disse. É professor inclusive nós
- 16:19publicamos hoje No No portal ABC do ABC um artigo seu que fala
- 16:24sobre o perigo do dia seguinte, né?
- 16:27Que de fato o dia do do da operação ele é menos tem menos
- 16:32risco do que o dia seguinte. Eu queria entrar um pouco sobre
- 16:35esse ponto que você traz o seu artigo, né?
- 16:38Porque nas suas palavras no artigo.
- 16:41É os regimes autoritários. E aí é, professor Galvão, você
- 16:44me corrige se eu entendi errado o que você disse ali, tá, mas
- 16:48você basicamente disse que regimes autoritários eles não
- 16:51são necessariamente pessoas, mas eles funcionam como um sistema,
- 16:54né? E que quando você tira o topo,
- 16:57como no caso agora, tirando se Maduro do do regime autoritário,
- 17:01não necessariamente Oo regime entra em colapso, mas ele se
- 17:05reorganiza. E essa reorganização traz riscos
- 17:09e perigos? É, ele não simplesmente
- 17:12desaparece. Então eu queria que você é,
- 17:16pudesse falar pra gente um pouquinho sobre como que a
- 17:19região se prepara, né? Ou seja, como que os Estados
- 17:23Unidos deve observar isso? E como AA região, os países ao
- 17:28redor da Venezuela devem observar os movimentos que estão
- 17:32acontecendo para a gente enxergar o que de fato resta da
- 17:36organização do sistema Maduro e como que os países, aliados ou
- 17:42não, devem agir em cima disso. Olha, Thiago, acho que se o
- 17:46artigo ele fosse publicado depois dessa nossa conversa.
- 17:50Caberiam perfeitamente aspas aqui da yasnaia, quando ela
- 17:53disse, é, estamos aliviados, mas também estamos com muito medo do
- 17:57que vai acontecer, porque é uma incerteza.
- 18:00Ninguém sabe o que que vem agora, né?
- 18:02EOO day after? Ele, realmente ele é um grande
- 18:06perigo, porque é, você tem agora 11 nova reacomodação de forças
- 18:11de interesses e que ninguém sabe exatamente como vai ser.
- 18:15Quando a gente fala de risco, a gente tem uma tecnicamente 11
- 18:18diferença ali entre risco e incerteza, né?
- 18:21Risco é quando a gente conhece alguns fatores, pelo menos
- 18:23alguns que nos permitam antecipar cenários.
- 18:26É quando a gente não conhece os fatores, né?
- 18:28Isso é uma incerteza, e o que a gente percebe agora é uma grande
- 18:32incerteza na Venezuela sobre o que vai acontecer.
- 18:36O presidente Trump disse que os Estados Unidos vão administrar a
- 18:39Venezuela, mas ninguém sabe exatamente como.
- 18:42Ninguém sabe com que parâmetros, ninguém sabe é por quanto tempo.
- 18:47E ninguém sabe o que será necessário acontecer para que
- 18:51essa essa administração de um outro país.
- 18:55Ela cabe, ela ela termine, ninguém sabe até onde vai.
- 18:59Isso então gera uma incerteza muito grande.
- 19:02É quando a gente fala, né, de tirar é o líder.
- 19:06Isso em qualquer sistema político acontece porque é como
- 19:09aconteceu com chaves, como aconteceu com o Maduro e como
- 19:12acontece com outros líderes. Não precisa.
- 19:14A gente não precisa falar de regimes autoritários.
- 19:16Normalmente é uma, é sempre uma composição de forças políticas.
- 19:20E quando você tira Oo principal líder e logo depois vem 11,
- 19:26líder de sucessão, aquele sistema, ele continua.
- 19:30Foi o que aconteceu, só que por por por condições naturais, com
- 19:34o chavismo, com o chavismo, com o Hugo Chávez, aconteceu isso.
- 19:39O líder faleceu, é o sucessor dele, né?
- 19:43O Maduro que tinha sido deputado, tinha sido, é ministro
- 19:46das relações Exteriores, assumiu.
- 19:47E o sistema, ideologia, o grupo político é se manteve para que
- 19:53isso possa realmente ser desfeito, desmontado.
- 19:58O sistema precisa, né? É deixar de funcionar.
- 20:01O sistema precisa cair, não só o líder político.
- 20:05Então, o que os Estados Unidos devem estar considerando na
- 20:08estratégia? Como que a gente vai desmontar
- 20:11esse sistema? Isso pode vir por uma solução
- 20:14negociada por meio de um acordo com as as forças armadas, que
- 20:19são muito aliadas ao Nicolás Maduro.
- 20:22Isso pode ser negociado junto às forças armadas, junto aos grupos
- 20:26e as lideranças políticas do país.
- 20:28Ou isso pode ser feito a força, né?
- 20:31E os Estados Unidos já demonstraram AO poder que eles
- 20:34têm, o poder militar que eles têm e a que eles estão
- 20:37dispostos. Então tudo isso que a gente tá
- 20:40falando aqui, entra nesse bojo de o day after é muito perigoso,
- 20:45porque a gente não sabe como vai ser essa reconstrução.
- 20:48A gente não sabe qual sistema político ou quais grupos
- 20:52políticos, quais lideranças vão de fato tomar o poder.
- 20:55Isso tudo ainda é muito incerto pra gente.
- 20:58Perfeito, posso soltar uma pra yasnaia também, o João Pedro.
- 21:03É porque eu eu acompanhei de perto muito do movimento de
- 21:07migração, né? Do povo venezuelano lá por
- 21:10Pacaraima, no, No No norte do Brasil, especialmente.
- 21:13É perto da época da pandemia, né?
- 21:16E o trabalho que o governo brasileiro vinha executando?
- 21:19É de tentar fazer cadastros e a interiorização dos venezuelanos.
- 21:25Brasil lá dentro assim, né? Inclusive é muitas entidades
- 21:30particulares atuando nessa, nessa ação.
- 21:34Talvez com mais eficiência do que o governo, né?
- 21:37Levando famílias para o interior do Brasil.
- 21:39Já providenciando é casa, alimentação e trabalho e renda
- 21:43para essas pessoas. É a migração.
- 21:45Desde 2015, chegou já um pico de quase 8000000 de pessoas, né?
- 21:51Mas agora você está testemunhando um fato diferente,
- 21:55né? A deposição de um de um ditador.
- 21:59Mas a entrada de um regime que não não é um regime, é
- 22:03venezuelano, né? Um regime estrangeiro impondo a
- 22:07sua forma de de de comando é dizendo que é uma coisa
- 22:11transitória, né? Mas eu queria entender assim, na
- 22:14sua visão de uma de uma venezuelana já abrasileirada,
- 22:18né? Como vivendo tantos anos já no
- 22:20Brasil, olhar a Venezuela nesse primeiro momento gera uma
- 22:26perspectiva positiva para o seu país?
- 22:28Do tipo, estamos caminhando para um retorno seguro, de volta para
- 22:32casa ou ainda é cedo demais? E é bom observar o que vai
- 22:37acontecer. Bom, como 11 venezuelana que
- 22:42mora muito tempo fora, eu acho que tem uma questão de de
- 22:46imigração que muda a perspectiva também de como de olhar pro teu
- 22:51próprio país. Não sei se obviamente funciona
- 22:54em em países que são é menos desenvolvidos, como Haiti, como
- 23:01nós, né? Os sírios, que né, que a gente
- 23:03teve que sair mesmo pra 11. Um mundo melhor, porque
- 23:09simplesmente nossos países não, não dá mais.
- 23:12Eu acho que é como a migração mais mais antiga, né?
- 23:17Há 10 anos atrás ou há mais mais tempo?
- 23:20É mais difícil pensar em um retorno?
- 23:23É principalmente nesses primeiros meses, porque tu tem
- 23:27toda uma estabilidade num num outro país, enfim, tu tem toda
- 23:3111 estrutura já de vida, porém as coisas.
- 23:35É tem uma perspectiva melhor de que as coisas podem melhorar em
- 23:40tempo, em tempos, em termos de de aviões, por exemplo, só só
- 23:46falando assim pro Brasil. Assim, só o ano passado, em
- 23:49agosto, voltaram as operações de aviões entre é o São Paulo,
- 23:54Caracas direto, assim, fazia mais de 10 anos que não tava.
- 23:57Então tipo pra ir pra Venezuela era muito mais caro que ir pra
- 24:01Europa ou ir pra outro lugar. Então na verdade.
- 24:04Era muito mais difícil o acesso, de trazer pessoas para cá ou ir
- 24:09para lá, então a primeira coisa que eu como, eu penso assim, é
- 24:15que eu vou poder. Por exemplo, talvez se tudo
- 24:20melhora ou tudo se estabiliza, talvez ir para Venezuela para
- 24:23visitar meus, meus, meus familiares ou tentar trazer
- 24:27alguns de uma forma um pouco mais fácil, né?
- 24:29Então, e esse esse tipo de de de citação é, é, é entendida.
- 24:35Agora, eu tenho familiares que também vieram pela por
- 24:39Pacaraima. Assim, a minha, a minha prima e
- 24:42a minha irmã vieram por pela Fronteira, né?
- 24:46E eu. Consegui um voo desde desde Boa
- 24:50Vista, mas elas tiveram que passar em um período de 2018 e
- 24:53agora em 2022. Então eu sei o qual quão é
- 24:58complicado e quão tem ou sido um pouco mais organizada e como ter
- 25:02sido um caos depois nos últimos tempos, né?
- 25:05Que saiu? A Acnur saiu do do do papel que
- 25:09tinha lá em Pacaraima e agora, tipo, são algumas entidades se
- 25:14organizando, né? Então eu eu também morei muito
- 25:17tempo em Bento Gonçalves, então eu vi quando tiveram.
- 25:20Teve uma grande migração, desde desde Pacaraima até os as
- 25:26cidades mais interioranas, né, das regiões sul, sudeste.
- 25:32Etcetera. Então eu vi como também muitas
- 25:35organizações, se se se realmente é, se organizaram pra trazer
- 25:39pessoas, mas também os aviões, né, do governo também tiveram um
- 25:43papel importante. Bom, voltando ainda pro pro
- 25:48miolo do assunto, né? É, queria tratar um pouco sobre
- 25:53base legal de quem autoriza e com que regra, né?
- 25:57Então? De novo, voltando ao professor
- 26:00aqui, eu queria é que ele abordasse um pouquinho sobre
- 26:04essa questão sem autorização Internacional.
- 26:07Quais são as justificativas, né, que um país pode tentar utilizar
- 26:12pra dizer assim, ó, eu fiz porque eu podia fazer isso.
- 26:16Então, na prática, quais são os argumentos que costumam ser
- 26:21contestados dentro desse dessa? É desse cenário.
- 26:26Muito bem, vamos lá, João, existe na legislação Americana,
- 26:30o que é uma reprodução das normas internacionais, ou seja,
- 26:35no na legislação Americana, o presidente para entrar em
- 26:39guerra, ele precisa de autorização do Congresso, tá?
- 26:43Se essa autorização não for dada e ele entrar em conflito, ele
- 26:46precisa cessar a guerra em até 60 dias, se não me engano,
- 26:51talvez eu, embora esteja me traindo aqui, mas existe, existe
- 26:54um prazo. Pra que isso seja finalizado,
- 26:57existem algumas é exceções a essa regra que permitem algumas
- 27:01ações militares. Uma delas é a situação de de
- 27:05emergência, uma situação de risco iminente.
- 27:09São são 3 as hipóteses, tá? Essas 2 é que se enquadrariam,
- 27:13talvez é possivelmente nessa narrativa do Donald Trump, ou
- 27:18seja, se um país ele é, ele oferece um risco iminente a um
- 27:23outro país. O presidente está autorizado a
- 27:27é, excepcionalmente, usar de ações militares.
- 27:31Porém, esse tipo de é exceção tem virado regra, né?
- 27:36Para qualquer tipo de narrativa que consiga demonstrar que há um
- 27:40risco eminente. Para o país.
- 27:42E é por isso que a gente, que eu falei lá atrás, na primeira
- 27:45pergunta que a gente tava discutindo, que nos
- 27:48pronunciamentos anteriores, Donald Trump, ele já classificou
- 27:52Nicolás Maduro como um narcotraficante em que o país
- 27:55seria um grande fornecedor de drogas e que isso prejudicaria
- 27:59os cidadãos americanos. A saúde pública Americana, né?
- 28:03Então criou se essa narrativa de que representa um risco para o
- 28:07país. E por conta disso é os Estados
- 28:10Unidos estariam, é sim autorizados a é implementar
- 28:15ações militares no território venezuelano.
- 28:18Então, veja que lá atrás a narrativa já foi construída para
- 28:22justificar 11 ação esse essa narrativa hoje, né?
- 28:27Desde que aconteceu os aconteceram os ataques, ela não
- 28:30tem sido explorada, mas à medida que é.
- 28:34Nicolás Maduro foi enviado para ser julgado agora por um
- 28:37tribunal em Nova Iorque, né? É isso.
- 28:40Talvez entre como uma alegação de que os Estados Unidos não
- 28:43poderiam ter é implementado esse tipo de ação e nós teremos então
- 28:47uma justificativa do presidente americano de que a Venezuela
- 28:50estaria se representando um risco eminente aos Estados
- 28:53Unidos. Então, assim, existem é,
- 28:56existem, existem precedentes ou existem lacunas?
- 29:00Previsões, lacunas, vamos falar, vamos chamar de previsões legais
- 29:03que podem justificar esse tipo de ato.
- 29:06O problema aí, João, é AA interpretação que é dada a essa
- 29:10legislação. Porque se o tribunal é e se um
- 29:13tribunal americano, se o Congresso americano entende que
- 29:16aquilo ali não representa um risco eminente, ele pode é
- 29:21invalidar essa ação do governo americano, essa incursão na
- 29:25Venezuela. Porém, até isso depende de
- 29:28alinhamento político. E hoje existe um alinhamento
- 29:31político muito grande, não ao Donald Trump em si, porque a
- 29:35gente percebe que existem setores que são dentro dos
- 29:37Estados Unidos que são contrários é a ele.
- 29:40Mas existe SIM 1 alinhamento de um espectro político, né?
- 29:44E que poderia sim dar 11 ambiente mais favorável pra uma
- 29:47decisão. É alinhada com os interesses do
- 29:50Donald Trump, com as ações dele. Eu queria saber, é do teu lado,
- 29:55yas. Queria te perguntar como cidadã
- 29:57ainda, né, o que que dá medo dentro de uma operação lá
- 30:02dentro, né? Por tu ter familiares lá, né?
- 30:05É é qual é a tua ideia do que pode ou não ser feito?
- 30:09É lá dentro, com a tua família, os seus amigos e de que maneira
- 30:12tu tu tu faz essa leitura de como eles estão reagindo, sobre
- 30:16o que tá acontecendo lá, né? Porque a gente sabe que tem
- 30:20coisas que. Pouco é divulgado, né?
- 30:22Então é, foi legal versus foi invasão, né?
- 30:26Como é que tu enxerga? O que, o que, o que eu estou
- 30:30achando um pouco assustador também é que o governo lá, por
- 30:34exemplo, não tem dado tipo os dados oficiais do que, quantos
- 30:38mortes, se teve feridos ou se teve algum tipo.
- 30:43É quantas é instruções, teve perto, como foi essa operação de
- 30:49fato assim? Então a gente interna.
- 30:51Exatamente. Não sabem a magnitude, até
- 30:53porque todos os meios de comunicação são feitos, são, é,
- 30:57foram, são do governo mesmo, então são, são deles.
- 31:00Então eles não, não, não, não falam a magnitude do do.
- 31:07Do do estrago que fez esses bombardeios de ontem, né?
- 31:12O que eu acho que pode acontecer, sem dúvida, e o Trump
- 31:15deixou isso bem claro, é que se tiver, é se tiver é resistência,
- 31:21eles podem fazer um segundo ataque.
- 31:23Então esse este segundo ataque seria justamente em Caracas.
- 31:28Eu acho que é uma coisa que em Caracas seria o.
- 31:32Os OAA principal, né? Eu não sei quando ele tá, ele tá
- 31:38é achando que pode ser que que que gente morra, né?
- 31:44Nas civis morram, mas o que eu sei é que ontem de tarde tiveram
- 31:50muitos esses esses chamados colectivos, né, que são esse
- 31:54grupo armados civis, né, que acontecer desde o chavismo.
- 31:59São motorizados, né? Motorista de moto.
- 32:02Que andam com armas, meio que dando umas umas voltas por toda
- 32:08a cidade, meio que tentando que todo mundo fique no lugar.
- 32:12Se tem alguma coisa, tipo algum conflito interno, é eles que
- 32:16operam, então são, são. É um grupo, né, que é armado,
- 32:21que é que é que é parte do madurismo ou chavismo, que.
- 32:27Eles controlam um pouco a cidade assim, né?
- 32:30O que eu não o que, o que eu acho também muito, muito
- 32:33estranho assim, sabe? É que não se tem.
- 32:37Não sei se vocês viram as imagens, mas é muito louco, que
- 32:40foram tipo, era só helicópteros? Ou seja, tipo, eram é aviões.
- 32:47É, né? É é que eles eram pequenos
- 32:50aonde? Cadê a cadê a força armada
- 32:52militar venezuelana, né? Que que aconteceu ali?
- 32:55Se teve um acordo nesse sentido, o que que o que que que teve é
- 33:01que porque o Trump fez umas ligações pro pra Rússia semana
- 33:05passada, que tipo de acordo entre essas grandes potências,
- 33:10porque a gente não pode também dizer que que a Venezuela não
- 33:14teve não, não tem também. É, a China está na Venezuela há
- 33:19um tempo já, a Rússia também, né.
- 33:22E então, que tipo de acordo está sendo?
- 33:25É feito, né? Por trás, que permitiu que 150
- 33:31aviões e na, em sua maioria, helicópteros, entrassem em
- 33:35Caracas de uma forma muito fácil, né?
- 33:38Em 47 segundos dizem, né, que eles chegaram e conseguiram.
- 33:42É, é pegar o Maduro assim é que que aconteceu com esses, com
- 33:48esses militares e essa força armada, porque assim, eu sei que
- 33:51não tem como comparar com os Estados Unidos, mas a Rússia
- 33:55tem, né? Teve muito investimento há uma
- 33:58década passada, né, que a Venezuela comprou bastante.
- 34:01É armamento, é militar, russo. Então a minha pergunta é, o que
- 34:06que está sendo? É falado por trás que a gente
- 34:10não sabe que pode acontecer, porque isso vai determinar se a
- 34:14gente vai ter mais é bombardeios ou não sabe que que que que a
- 34:19gente que não sei que que vai acontecer realmente o.
- 34:22O professor Eduardo quiser fazer alguma observação também já?
- 34:25Que você abriu a oportunidade é, eu queria construir em cima do
- 34:29que a iaz trouxe. É porque quando acontece esse
- 34:32tipo de ação violenta, uma ação militar.
- 34:35A gente tem a verdade, a gente tem as meias verdades, a gente
- 34:38tem as narrativas, muitas narrativas, principalmente no
- 34:41mundo polarizado. E a gente tem é as informações
- 34:45que não chegam, que a gente não sabe e que a gente tenta, nunca
- 34:50vai ser dito. A gente tenta é ler nas
- 34:53entrelinhas, ligar os acontecimentos.
- 34:56E aí, como técnica de gerenciamento de risco, a gente
- 34:59levanta hipóteses e cruza evidências.
- 35:01Essa é uma técnica relativamente simples.
- 35:05E o que a yasnaya trouxe é muito relevante porque é não não foi
- 35:10divulgado, pelo menos que houve uma luta armada, houve uma
- 35:14incursão, mas não, não foram divulgados.
- 35:16É mortos, feridos, não teve nada disso.
- 35:19Pode ser que de fato não tenha acontecido, mas 11 sinal e a
- 35:24gente trabalha muito em cima de sinais, é um sinal que diz
- 35:28muito, é o tempo da operação. Como o Trump disse que foi, a
- 35:31operação foi um sucesso e se a gente eles foram 47 segundos,
- 35:34alguns dizem um minuto, mas ainda foi muito pouco tempo, foi
- 35:39muito pouco tempo. É esse é o fato, número de
- 35:41segundos é, acho que não vai mudar a realidade que é foi
- 35:44muito pouco tempo. E quando a gente olha um país
- 35:48como a Venezuela, onde as forças armadas estão altamente
- 35:51alinhadas e fiéis ao presidente, como que a gente pode imaginar
- 35:56que uma Fortaleza foi invadida? Sem que houvesse uma troca de
- 36:00tiros. A gente não pode afirmar nada,
- 36:03João, mas a os sinais trazem para gente algumas hipóteses.
- 36:06Então, será que esse sinal de que foi muito rápido não houve
- 36:1011 confronto armado? É não nos diz que sim.
- 36:14Já há um acordo em andamento para uma troca de poder para 11
- 36:18transição de poder. E se for dessa forma, a boa
- 36:22notícia é se já está sendo negociado.
- 36:26Então, novos confrontos tendem a diminuir a probabilidade de
- 36:29acontecer essa parte cheia do copo, né?
- 36:33Por por assim dizer, é então assim, não dá para a gente
- 36:36afirmar, mas o que a gente fica é lendo sinais, separando o que
- 36:40que é ruído, como você falou lá no início, né?
- 36:42E tentando identificar o que é que são hipóteses aqui, o que é
- 36:45que as as evidências confirmam dessas hipóteses e se é de fato
- 36:50os sinais que a gente ler. Nos próximos dias, nas próximas
- 36:54semanas, corroborarem essa ideia.
- 36:56Então, sim, nos parece que uma solução pacífica está cada vez
- 37:00mais perto. Não quero dizer que é uma
- 37:02solução boa, ninguém sabe como será, é essa gestão, mas o que
- 37:06que é importante a gente ficar de olho nos próximos dias, nas
- 37:09próximas semanas, mais do que os discursos, mais do que é o palco
- 37:15das redes sociais, mais do que as narrativas ideológicas, o que
- 37:18que a gente precisa ficar de olho?
- 37:21A postura das forças armadas, como que elas vão reagir a isso,
- 37:25como os grupos políticos internos vão reagir?
- 37:29Então a gente precisa ficar de olho, né, nesses acontecimentos
- 37:32e entender o que que esses acontecimentos emitem,
- 37:35anticinais pra gente então haver nos próximos dias, né?
- 37:39É, eu só queria também falar um pouco sobre isso, porque a gente
- 37:43tá vivendo é momentos históricos há um tempo já, né?
- 37:47São, são a cada 6 meses. Tem uma coisa muito grande que
- 37:51nunca aconteceu na história da humanidade, e uma dessas é uma
- 37:55dessas que a gente tá claramente.
- 37:57A gente tá vivendo um momento, acho que 2026 vai ser um ano.
- 38:01Bem importante para que os os os grandes colonizadores é
- 38:06bombardeem os seus territórios ou queiram anexar os seus novos
- 38:10territórios. Isso é o caso da Rússia e da
- 38:12China e dos Estados Unidos. Eles estão.
- 38:15Essas grandes potências estão falando alguma coisa, né?
- 38:18O começo, né, foi Estados Unidos, mas o Taiwan está muito,
- 38:22o China e Taiwan estão muito perto, né?
- 38:24Então, o que a gente também tem que ler esse nesses entrelinhas,
- 38:29o que os. Os grandes potências estão
- 38:32falando, né? Então não é só sobre a
- 38:36Venezuela, mas SIM 1 contexto histórico que a humanidade está
- 38:42vivendo. É só um rápido parênteses antes
- 38:46de continuar, é? Eu pedi para nossa equipe de
- 38:49reportagem fazer a checagem sobre os dados de 60 dias que
- 38:53foram citados aqui mais cedo pelo.
- 38:55Pelo professor Galvão e de fato, confere, tá, professor?
- 38:58Na verdade, os dados apurados vão mostrar o seguinte, Trump
- 39:01tem 48 horas para informar o Congresso da do ocorrido.
- 39:05Eles têm 60 dias para votar e, havendo necessidade de
- 39:08prorrogação, pode prorrogar no máximo mais 30 dias, ou seja,
- 39:12são 60 dias oficiais, podendo subir até 90 dias.
- 39:16Tá, mas seguindo o professor, eu queria entrar num aspecto mais
- 39:21focado no impacto econômico. É essa essa abertura da
- 39:28Venezuela agora, né? Especialmente quando eu escuto o
- 39:31presidente Trump citar várias vezes aquela frase, drill, baby,
- 39:36drill, né? É, o negócio dele é perfurar
- 39:39mesmo. O negócio dele é o petróleo.
- 39:41E acho que a gente tá. Não é especulação dizer que a.
- 39:47A intervenção dos Estados Unidos da Venezuela não foi uma questão
- 39:50ligada ao salvamento de uma democracia, mas sim aos
- 39:55interesses especialmente interesse do petróleo.
- 39:57Porque a declaração oficial do Trump, na primeira vez que ele
- 40:00aparece para falar sobre o caso, ele traz isso e deixa isso muito
- 40:04claro, né? Que a questão da da economia em
- 40:08torno do petróleo é a grande motivadora da ação.
- 40:12Mas pensando então nisso. Eu fico imaginando.
- 40:16A gente pode esperar uma corrida das empresas brasileiras e
- 40:19talvez até das empresas globais dentro do setor petrolífico.
- 40:22É nesse cenário e ou talvez essa intervenção militar que está
- 40:28acontecendo hoje na Venezuela afasta o capital e especialmente
- 40:33o capital privado. Não vai ter interesse nesse
- 40:36curto prazo. Qual que é a sua avaliação em
- 40:38cima de? São muitas camadas aí.
- 40:42É a Venezuela. Ela tem uma das maiores reservas
- 40:45de petróleo do mundo. O presidente Trump, quando
- 40:48assumiu é ele foi muito enfático, né, dizendo que é o
- 40:53mundo, para ele é a base de petróleo.
- 40:54Ele não acredita na, Na Na energia virgem, na energia
- 40:57sustentável, né? É, e de fato, se a gente é olhar
- 41:01friamente, né, a gente até a gente chegar nesse estágio, a
- 41:05gente tem que fazer essa transição.
- 41:06E essa transição inevitavelmente é, é, depende de petróleo, no
- 41:09caso da da Rússia com a Europa, nos disse isso claramente há
- 41:13pouco tempo. Então o petróleo assim ainda
- 41:16será 11 grande fonte de energia. E a política do projeto de
- 41:21governo dele é muito focado na indústria de petróleo e não nas
- 41:25energias renováveis. Tanto que logo que ele assumiu.
- 41:27Muitos investimentos e muitos programas descontinuaram, né?
- 41:31E o petróleo é seguiu mais forte ainda.
- 41:34Hoje nós temos na Venezuela 3 empresas, se não me engano são
- 41:383, pelo menos 3. É, eu tenho certeza, pode ser
- 41:41que tem algumas menores ali, mas temos 3 grandes que atuam ali No
- 41:45No, no território venezuelano e a Venezuela, ela, ela.
- 41:52Ela, ela basicamente vive da venda de petróleo, de óleo
- 41:54bruto, que é refinado por essas empresas e que vende para o
- 41:57restante. É do mundo, 80% da da da das
- 42:03exportações da Venezuela são de petróleo.
- 42:06Eles ainda dependem bastante, né?
- 42:08Da, da, da. Esse dinheiro é muito usado para
- 42:11compra de medicamentos, para compra de alimentos, para compra
- 42:13é de maquinário até para poder é, é é criar bens de capital
- 42:19para indústria local deles, né? É, mas a economia basicamente em
- 42:23torno do do petróleo. E quando, quando o Donald Trump
- 42:27ele assume o comando, né, dessa, dessa grande reserva, isso cria
- 42:31um grande. É um grande negócio para os
- 42:34Estados Unidos, porque há muita matéria prima que pode ser
- 42:37vendida a preço. Vamos ver depois como vai ser
- 42:41isso negociado, mas isso deve ser a um preço muito, muito
- 42:44menor agora, já que vai ser, né? É é administrado pelos Estados
- 42:48Unidos. Um vai virar um grande negócio
- 42:50que vai ser refinado pelos Estados Unidos, pelas empresas
- 42:52Americanas, para que isso possa ser depois é vendido para o para
- 42:56o mundo todo. Então existe essa essa questão
- 42:59que ela me parece ser a principal, né?
- 43:02Como a gente falou antes, não é necessariamente a única.
- 43:06O único motivo nunca é um único motivo, mas sempre tem, é aquele
- 43:10principal e. Talvez a gente tenha aí até 111
- 43:15disponibilidade maior de petróleo no mundo, que talvez
- 43:18possa baixar o preço, o preço do barril, né?
- 43:22É um raciocínio que a gente pode construir, mas de novo, isso
- 43:25depende de como isso vai ser, como essa indústria ou essa esse
- 43:28mercado. Ele vai ser reerguido e
- 43:30explorado é pelos Estados Unidos.
- 43:34Porque a pergunta que eu tinha para elas é uma coisa até
- 43:36simples, né? É que assim é, é.
- 43:40A maioria das nações, pelo menos elas, têm 111 certo
- 43:44comportamento quando você? Fala.
- 43:47Com pessoas que não são parte da nação, né?
- 43:50Então, hoje, aliás, é uma profissional da área de
- 43:52comunicação, vivendo no Brasil e trabalhando de com comunicação.
- 43:57Agora, o que aconteceu na Venezuela, eu imagino que tenha
- 44:01um impacto direto nela, né? Como a inclusive como
- 44:04profissional. Então eu queria entender assim.
- 44:07É no seu dia a dia de trabalho. O fato de você ser venezuelano.
- 44:11O que acontece na Venezuela impacta você hoje em dia?
- 44:15É é até seja na questão preconceito ou não preconceito
- 44:21ou tipo, as pessoas vão te procurar mais.
- 44:22Eu vou te procurar menos, porque você tem uma ligação com o país
- 44:25que hoje virou o foco da notícia.
- 44:29Sim, sim, eu acho que acontece com esses países que saem muito
- 44:34de de em em países em conflito, né?
- 44:37Tipo, tenho amigos é palestinos, tenho amigos sírios, tenho
- 44:41amigos haitianos, então eu tenho essa relação próxima com os os
- 44:46países que tá todo mundo mal e a gente tá querendo só melhorar as
- 44:51nossas vidas, né? Então.
- 44:53A gente sempre tem presente esse o nosso país, pelo menos no meu
- 44:58caso, assim, até porque é o mais uma responsabilidade que a gente
- 45:01tem, né? Como, como, como venezuelanos, a
- 45:05gente tem uma responsabilidade a mais.
- 45:06Então isso quer dizer que a gente precisa trabalhar a mais
- 45:09para poder enviar dinheiro para os nossos familiares e isso nos
- 45:12conecta com o nosso país. O que que eles estão vivendo?
- 45:16Se falta alguma coisa, se precisa, se estão doentes?
- 45:20Se morrem, né? No caso, assim, pode algum
- 45:23familiar morrer e a gente não tem como ir até lá.
- 45:26Então AA essa, esse vínculo está sempre presente, porém de outra
- 45:33forma assim, sempre muito, muita dor e com muito sofrimento pelos
- 45:38que estão lá, por a gente estar aqui, né?
- 45:42Eu sempre digo que não é uma coisa que nos nos tornamos
- 45:469000000, né? Vamos chegar a 9000000 de
- 45:49venezuelanos. Que é o maior EXO do do dos
- 45:51últimos anos, né? Na do do do mundo todo, né?
- 45:56Tem muito venezuelano saindo da Venezuela mesmo.
- 46:00Não é porque a gente está querendo fazer turismo
- 46:03necessariamente, né? Mas sim, é porque a gente
- 46:06precisa sair. A gente teve, eu tenho
- 46:09familiares que saíram e foram pelo.
- 46:13Até os Estados Unidos, a pé passaram aquele aquele Mato lá
- 46:18do Panamá e tal. Então é, é, é bem, essas
- 46:22histórias são bem complicadas, né?
- 46:25Então esse é esse é um primeiro é contato que tu tem com o teu
- 46:30país. Assim, Oo fato de tu sair do teu
- 46:33país para poder é. Para poder ter uma melhora de
- 46:37vida, para poder tentar trazer outros familiares.
- 46:41E por outro lado, também tem uma parte que eu acho que não
- 46:44acontece aqui no Brasil, mas sim acontece com alguns países da
- 46:47América Latina que tá tendo muito xenofobismo, né?
- 46:51Principalmente no Chile, Peru, é no México, até nos mesmos
- 46:57Estados Unidos. Essa questão de ter muito
- 46:59venezuelano tentando trabalhar essa, essa questão de também de
- 47:04de. Pelo menos no meu caso tem tem
- 47:07acontecido. E nos alguns amigos também que a
- 47:09gente é, enfim, trabalhamos, né? Então a gente, o nosso foco
- 47:15principal seria trabalho e isso tem sido muito.
- 47:21Muito bom para algumas empresas, né?
- 47:22No caso, no meu caso, assim que tem muita, as pessoas estão
- 47:27querendo muito trabalhar. A gente foca muito no trabalho,
- 47:29então a gente dá um serviço muito melhor, até um até em
- 47:34termos de rendimento. Então tem sido bom para para
- 47:39algumas empresas ter venezuelanos por perto.
- 47:41Estou falando de multinacionais, estou falando de empresas
- 47:45grandes, que tem tido 111 força em termos.
- 47:51Temos de de trabalhadores. É qualificados, né, porque saiu
- 47:55muito venezuelano, qualificado, mas também agora os últimos
- 47:58tempos saiu muita, é muito trabalhador, é mais simples, né?
- 48:04E que é conseguindo trabalhar. Tem tem que pedir muito, né?
- 48:10Então, na verdade, no meu ver, eu não sei, o professor pode
- 48:14falar um pouco melhor, mas eu sinto que tem sido.
- 48:17É muito bom para América Latina esse éxo do venezuelanos, porque
- 48:21tem uma eles. A gente tem uma força grande
- 48:26para pro trabalho, pro respeito. Os nossos valores são muito
- 48:31tipo, são muito de fazer as coisas certas.
- 48:35Então nós, como como comunidade, temos essa essa visão do de
- 48:41viver, trabalhar para para para nossas famílias.
- 48:45E mas sim, tem insistido bastante xenofobismo, né?
- 48:49No, no caso, mais mais. Obviamente, aqui no Brasil não é
- 48:53tanto, mas assim em outros países é é bastante forte.
- 48:57Professor, gostaria de complementar?
- 48:59Olha, eu não conseguiria complementar a fala da da da
- 49:02yasnaia nesse sentido, porque ela vive na pele, ela é cidadã,
- 49:07é venezuelana, então acho que isso transcende qualquer.
- 49:11É, é, é, é ensinamento, que é que a gente aprende uma
- 49:14percepção pessoal, a vivência, né?
- 49:16Dela, mas construindo em cima é do que a gente tinha falado, dos
- 49:20aspectos econômicos. É sim, tem toda essa essa
- 49:25questão que a gente falou, né? Da possibilidade do do da
- 49:27mudança de preço no barril de petróleo após AA uma maior
- 49:31oferta no mercado no mercado mundial.
- 49:35Mas isso seria a médio e longo prazo, tá, é o que a gente.
- 49:39O que a gente percebe no curto prazo é um impacto muito grande
- 49:42que acontece é nas cadeias de suprimento, nos seguros preço
- 49:46dos seguros é no prêmio de risco que é dado que é atribuído e No
- 49:51No na percepção de risco que passa AAA ser percebida na
- 49:57América Latina como um todo, não só na Venezuela, em todos os
- 50:01países da América Latina, incluindo o Brasil.
- 50:05E no que que isso é? Impacta a gente, né?
- 50:07O nosso dia a dia, como você falou, João, né, a gente que
- 50:10paga boleto, né? E eu com isso e eu com isso, que
- 50:14é o fato de a região ser vista como mais instável, mais
- 50:19arriscada, né? E sujeita a um a um, a qualquer
- 50:23tipo de invasão, de incursão militar de alguma grande
- 50:26potência. Isso inibe investimentos.
- 50:29Então, essas empresas multinacionais, por exemplo, que
- 50:32a hisnaia estava falando, que costumam contratar imigrantes,
- 50:35as empresas nacionais, elas vão repensar 2 vezes, vão pensar 2
- 50:39vezes, vão repensar os seus investimentos que já existem nos
- 50:42países da América Latina. Será que vale a pena manter as
- 50:45operações, já que elas estão em risco?
- 50:48A troca de governo, ela gera instabilidade para os negócios,
- 50:51para o capital, o capital. Ele até prefere um ambiente
- 50:54regulatório, um ambiente político ruim, desde que ele
- 50:56seja estável. Quando a gente tem
- 50:58instabilidade, isso afasta muito os investimentos.
- 51:01E quando você afasta investimentos, seja no sentido
- 51:04da pessoa que é compra, a participação em empresas
- 51:06brasileiras, seja da pessoa ou do grupo que quer abrir uma
- 51:10empresa no Brasil ou que quer ampliar as operações do Brasil,
- 51:14quando essa pessoa ou esse grupo percebe um risco muito grande,
- 51:18ele fica mais conservador. Ele retrai e espera, né?
- 51:22É esse risco que pode afetar o capital dele se dissipar.
- 51:26E se esse, esse, esse esse risco, ele não se dissipar das
- 51:3021, ou um negócio vai ficar mais caro porque vai ter um emprego
- 51:33de risco envolvido, ou um negócio simplesmente não vai
- 51:36acontecer e tanto num caminho quanto no outro, os empregos
- 51:39ficam comprometidos. Os empregos, os investimentos, o
- 51:43aumento de renda, a inovação, né?
- 51:45O desenvolvimento econômico, ele fica comprometido.
- 51:47Então veja que a gente tem 11 efeito, né?
- 51:50No curto prazo, que é das cadeias de suprimento, é no, no,
- 51:53no preço dos seguros. Mas a gente tem a médio e longo
- 51:57prazo esses efeitos também, que é da percepção de risco que é
- 52:00dada aos países da região. E aí nesse sentido, a gente pode
- 52:04dizer com toda certeza que todos os países da região saíram
- 52:07prejudicados. Então, para fechar, professor, e
- 52:10as? Eu queria é falar sobre
- 52:13precedente, né? É se isso virá, né?
- 52:18Moda, né? É quem vai proteger quem, né?
- 52:21Os outros países da região, porque virando método de o forte
- 52:26faz e depois explica, amanhã qualquer justificativa tá
- 52:30valendo e aí, como é que é, como é que fica essa situação?
- 52:34É, professor? Olha, João, a grande verdade é
- 52:38que na comunidade Internacional, diferente do que acontece dentro
- 52:41de qualquer país, que você tem 1111 entidade superior estatal,
- 52:46né? Que ela é que dita as normas,
- 52:48ela é que vai fazer o poder de polícia, ela é que vai prender
- 52:51quem viola as normas. Na comunidade Internacional,
- 52:54isso não acontece na comunidade Internacional, é a lei da selva,
- 52:58é a lei do mais forte. E o que nós temos de
- 53:01instituições é internacionais, como multilateralismo.
- 53:05Um acordo entre os países vamos chamar de um acordo de
- 53:07cavalheiros. Olha, vamos todos agir dessa
- 53:09forma. Não é porque os Estados Unidos
- 53:11ou o Brasil ou a Rússia ou a China tem alguém superior a eles
- 53:14que imita como como eles devem se comportar.
- 53:17Não é um acordo, né? Só que esse acordo ele pode ser
- 53:20violado. E os Estados Unidos, né?
- 53:23Já foram chamados o xerife do mundo, defensores da democracia.
- 53:27Que ajudaram a construir o multilateralismo.
- 53:30Justamente os Estados Unidos hoje estão atropelando o
- 53:33multilateralismo e adotando medidas unilaterais de violação
- 53:38à soberania e invasão de um território, de um de um estado
- 53:41soberano. Então, quando a gente fala desse
- 53:44precedente, João, é algo muito perigoso, sim, porque se Oo
- 53:48então chamado xerife do mundo faz isso, né?
- 53:52Cria primeiro, cria um precedente pra que isso?
- 53:54Se isso for aceito pela comunidade Internacional.
- 53:57Ele vai se sentir é na autorização de fazer isso de
- 54:01novo em um outro país, seja aqui, seja em qualquer outro
- 54:05lugar do mundo. E não e não só os Estados
- 54:07Unidos. Mas se os Estados Unidos, que
- 54:09são a grande potência mundial, é dão esse exemplo, vamos chamar
- 54:13assim, né? Vamos dizer dessa forma, abre
- 54:14esse precedente. É, outras nações podem pensar no
- 54:18mesmo. Bom, já que AA política externa
- 54:20dos Estados Unidos agora deu essa guinada e estão usando a
- 54:23força para fazer política externa, por que que eu também
- 54:26não posso aqui? É o ato de lá talvez justifique
- 54:29a intenção da intenção de ato em outro lugar do mundo.
- 54:32E isso sim é um precedente muito, muito perigoso.
- 54:35Eu não estou me referindo só a América Latina, não.
- 54:37A gente fala disso em escala global.
- 54:41Agora é encerrando também com a fala do ias, eu queria saber tu,
- 54:45ainda como venezuelana e como alguém que escolheu o Brasil
- 54:48como casa, qual é o medo real que isso cria?
- 54:51É não só pra pra, pra Venezuela ou como a gente vê a todo
- 54:57momento, bravatas. E a gente viu isso no ano
- 55:00passado, né? Com essa queda de braço que
- 55:04aconteceu é entre Estados Unidos e Brasil, né?
- 55:07Qual é o medo que isso cria? É pra ti agora no país que tu tá
- 55:11aqui morando? É, definitivamente é uma, é um.
- 55:16É pra se ficar assustado aqui, nem eu falei no começo da nossa
- 55:21entrevista. A gente está realmente muito
- 55:23assustado que vai vir não só como venezuelanos, mas assim
- 55:26como. Todos Latino americanos, né?
- 55:29A nossa, a nossas, as nossas nações estão sendo é todas
- 55:35apontadas, né, com com grande braço dos Estados Unidos dizendo
- 55:40que estamos aqui. Aí foi muito direto.
- 55:43O que Oo que os Estados Unidos falou ontem foi bem claro,
- 55:47dizendo que nenhuma outro país tem toda a força que os Estados
- 55:51Unidos tem. Então a pra mim, tipo, tem 11.
- 55:57Um grande, um grande medo, até porque a gente não conseguiu,
- 56:00como a América Latina toda, ter uma força política junta, unida,
- 56:06que consiga enfrentar de uma forma um pouco mais, é
- 56:10estruturada. O que estaria por vir?
- 56:14Não temos agora o Mercosul, nem o Mercosul, nem a ONU.
- 56:18Estamos tendo uma fraqueza de. De de instituições que podiam
- 56:23nos ajudar para entrar em novos acordos, entrar em novas
- 56:28concessões ou em novas relações, né?
- 56:31Internacionais que nenhum professor Eduardo falou é que
- 56:34consigam a gente estar um pouco mais calmo do que estaria por
- 56:38vir. Então o que eu posso dizer é que
- 56:41é que tenho muito medo, mas ao mesmo tempo eu acho que vai ser
- 56:46difícil para os Estados Unidos também agora nesse mundo tão.
- 56:50Então, né, com tanta informação, deixar fazer que eles são os
- 56:55bonzinhos como anteriormente a gente sentia isso, né?
- 56:59Então vamos ver quais são os capítulos que estão por vir.
- 57:03Tá bom, tá certo, bom é. A gente chega ao fim nessa
- 57:07edição especial do ABC cast. Eu queria fechar com uma ideia
- 57:11simples e sem nenhum enfeite, né?
- 57:13Hoje é? Não foi só sobre a Venezuela,
- 57:16foi sobre limites. Né?
- 57:18É, foi sobre quem respeita a regra, quem testa a regra e quem
- 57:22paga quando a regra falha, né? Não dá para sentir as 2 coisas
- 57:26ao mesmo tempo. E isso não é contradição, é.
- 57:29Dá para sentir Alívio que está terminando e também preocupação
- 57:34por aquilo que pode estar começando, né?
- 57:36Quando um país diz eu administro e o outro responde, prova é que
- 57:42a gente vê que o jogo não é só de um homem, é um padrão de um
- 57:45mundo. Então eu quero agradecer demais
- 57:47aos nossos convidados aqui, o nosso diretor de jornalismo do
- 57:51ABC do ABCO tchau Quirino, o professor e analista de risco
- 57:55político Eduardo Galvão EAA ias, a venezuelana radicada no
- 58:00Brasil, comunicadora e designer, né?
- 58:02Por trazer essa palavra para gente.
- 58:04É obrigado por ajudar a gente. AA construir e entender
- 58:08Secretaria e sem torcida. E se você quiser aprofundar esse
- 58:12assunto com mais calma depois do episódio.
- 58:14Tem 2 caminhos bem diretos, primeiro, você também pode ler o
- 58:18artigo do professor Eduardo Galvão, que já está disponível
- 58:20no nosso portal com análise dele sobre risco político e tudo que
- 58:24muda quando a regra vira o eu aviso depois e segundo, pode
- 58:28acompanhar as nossas matérias especiais sobre o assunto, né?
- 58:32Com a redação da BC da BC está sempre sendo muito atualizada
- 58:36diariamente. Corporação, contexto e aquela
- 58:38linha do tempo que ajuda é o espectador anão se perdendo
- 58:42barulho. E pode também mandar o teu
- 58:46feedback, né? Pode ser um elogio, uma
- 58:49sugestão, aquele toque de pauta que você quer ver por aqui.
- 58:52A gente está sempre ouvindo vocês.
- 58:54Pode passar no Instagram da gente, que é o arroba ABC do
- 58:57ABC. Underline oficial.
- 58:59Deixa o teu comentário também, porque a conversa sempre
- 59:02continua por lá e o nosso site oficial é o abcdoabc.com.br.
- 59:07É, a gente também está nas plataformas.
- 59:10É todas agregadores de podcasts, como o Spotify, o Deezer, o
- 59:14Amazon Music, o Apple PAD, cast e também o YouTube.
- 59:19A gente volta, é? Espero que não.
- 59:22Com tantas edições assim especiais, é.
- 59:25Ou pelo menos com uma boa justificativa para isso
- 59:26acontecer, mas com mais contexto e com menos barulho.
- 59:33A gente agradece até o próximo episódio.
- 59:35Um abraço para você ouvinte que está na correria tocando o dia e
- 59:39muito obrigado pela escuta, tchau, tchau.
- 59:42Apresentação e roteiro, João Pedro Melo, edição, Rodrigo
- 59:47Rodrigues. Participação especial, Thiago
- 59:51Quirino. Convidados, professor Eduardo
- 59:54Galvão, yasnaya yannes.