Latest / Elas na Escrita / #23 Terror e Distopias (e um pouco de humor)
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- 0:00Bom dia, boa tarde, boa noite gente, estamos aqui
- 0:03mais um episódio delas na escrita e hoje vou gravar
- 0:06sozinha a Tati Lázaro, que está comigo aqui nessa
- 0:08temporada, hoje teve uma questão de saúde então não
- 0:11vai estar presente, mas eu vou estar representando a
- 0:13gente aqui nessa segunda temporada delas na escrita
- 0:16e hoje eu estou com duas convidadas muito especiais
- 0:18para a gente conversar um pouquinho sobre um tema que
- 0:20eu estou animada, eu estou empolgada aqui, a gente
- 0:22está com a Raffela Rieira e com a Verena Cavalcanti
- 0:25e antes da gente conversar um pouquinho melhor eu
- 0:28queria pedir para vocês se apresentarem um pouquinho,
- 0:30acho que vocês puderem se apresentar para quem está
- 0:32ouvindo a gente, contar um pouquinho quem é você, o
- 0:35que você faz, o que você escreve, que livros vocês
- 0:37têm publicados que aí quem está escutando a gente já
- 0:40vai acompanhar a nossa voz e sejam super bem vindas,
- 0:42obrigado pela participação. Obrigada,
- 0:44pode começar, Verena. Obrigada,
- 0:46começar então. Meu nome é Verena Cavalcanti,
- 0:51eu sou formada em letras pela PUC Campinas, trabalho
- 0:55com tradução e revisão de textos no mercado editorial
- 0:58há 12 anos, já publiquei três livros de contos,
- 1:06Tenho Larva e o Berro do Bodi e o Inventário de
- 1:10Predadores Domésticos, que foi lançado pela Dark Side
- 1:12Books em 2021, que é como se fosse o meu todos os
- 1:17contos, então que pegou todos esses contos dos dois
- 1:22livros anteriores e esse ano saindo uma coletânea,
- 1:28acabou de sair na verdade, uma coletânea organizada
- 1:32pela Maria Fernanda Ampoeiro, chamada Dantezcas,
- 1:35com outras autoras latinas como a Mariana Henriquez, a
- 1:38Mônica Rida. Apenas isso, né? Não,
- 1:45gente, ela me convidou, eu quase tive um acíncope.
- 1:49Muito chique, chique, rimou. E
- 1:52ano que vem sai meu primeiro romance pela Suma,
- 1:56em uma série de pensões especulativas da Compunha
- 1:58das Letras e é isso, acho que é isso, basicamente, no
- 2:04ar inteiro. Está aí na estrada, né? Estou
- 2:06na estrada. E agora Rafa. Eu
- 2:10sou a Rafa da Riheira, tenho publicado por enquanto
- 2:14só um livrinho que é o Descanso e a Maldistopia
- 2:16pelo Céloz Ororaz, da editora Pena Lux, ele foi
- 2:21finalista no Prêmio Jabuti em 2021. Já
- 2:24começa assim, gente. É só um livrinho. Se
- 2:30Deus quiser em breve saiu o outro, vamos ver, que
- 2:34também é um romance. Eu tinha também o Finado
- 2:38Coitadinho, né? Novas clarices que divulgava as
- 2:42escritoras mulheres contemporâneas brasileiras e
- 2:46é isso. Gente, eu acho muito legal, quem
- 2:49está, não sei quem está vendo no vídeo, quem está
- 2:51escritanelado, porque as duas são, a gente trouxe
- 2:53aqui para falar hoje em um pouco de terror, distopia,
- 2:56mas as duas, então as duas têm um coração gote, mas
- 2:58eu estou aqui com a Verena, que está um pouco
- 3:00mais aí de preto, eu vim no preto também, que eu
- 3:02tenta entrar na vaga. Que pessoa, né? Rafa
- 3:04está no laranja, Neon aqui. Gente,
- 3:07eu sou muito colorida, é mais forte que eu. Mas
- 3:09a Verena estava me falando também, que a gente estava
- 3:12conversando um pouco antes de começar aquela alterna,
- 3:14né, que tem esse lado mais preto e cinza, mas tem um
- 3:17lado meio Neon. Eu gosto do Neon, eu gosto de
- 3:19anos 80, então também sou... Ou
- 3:22eu estou com as unhas Neon, eu não tenho as
- 3:23brincos e as roupas Neon, eu estou toda de preto, é
- 3:25o 880. Eu estou paqueirando este anel,
- 3:30gente. Nossa, a menina comprei na China
- 3:32um especial de Halloween, sabe? São
- 3:35as coisas temáticas, paguei dois reais. Gente,
- 3:38eu achei muito maior pessoa aqui, sim, discretamente
- 3:40paqueirando o anel delas. Ela
- 3:41está com um anel de... São uns dentinhos, né? É
- 3:44uma dentadura de vampiro e ele brilha no olho aqui
- 3:47demais. Florescente, gente, eu achado. Mas
- 3:50aqui eu não consigo mesmo usar preto, eu queria ser
- 3:53mais misteriosa, assim, sabe? Eu
- 3:55estou começando, eu comecei com um pouco isso em São
- 3:57Paulo, que eu não consigo. Eu
- 3:59sou Agustinho Carrara, eu morava em Brasília, toda
- 4:01florida, estampada. Eu sou Agustinho Carrara ainda,
- 4:04gente, é mais forte que eu. Ah,
- 4:05Dani Costa -Russo, lá vindo de Tora da Pena Lúcia
- 4:07Falca. Talvez que eu vou visitar Rafa,
- 4:09eu sei que ela vai chegar com alguma cor... Ai,
- 4:12mas é tão lindo, é tão legal. Mas
- 4:14isso é legal, acho que dá uma quebra de expectativa,
- 4:16pensando em vocês, que são essas autoras que escrevem
- 4:18mais terror e distopinta, a gente pensa nesse personagem
- 4:21gótico, é legal para que este outro lado aí, gente.
- 4:25E eu queria começar até
- 4:26sabendo de vocês, porque se pensar terror e distopia,
- 4:29acho que no Brasil não é tão comum, né? A
- 4:31maioria das... assim, quando a gente pense em
- 4:32autoras contemporâneas, literatura contemporânea, tem
- 4:35um outro tipo de literatura sendo produzida, eu acho
- 4:37muito legal justamente a gente pensar nessas ficções
- 4:39que estão ocupando outros espaços, como vocês fazem
- 4:42pensando nessas temáticas diferentes, mas eu queria
- 4:45entender como que vocês chegaram nisso do terror e
- 4:48da distopia, ou da ficção, da fantasia, como que vocês
- 4:52se aproximaram desses temas, não só como escritoras, mas
- 4:54como leitoras, assim, como que isso começou a chegar
- 4:57para vocês, para vocês entenderem, ah, é isso aqui
- 5:00que eu gosto de fazer, gosto dessa pegada. Ó,
- 5:03no meu caso, eu sempre gostei de terror, eu estava
- 5:05até falando com minha prima e vocês dizem que eu
- 5:06preguntei para ela, ai, é, nanana, acho mal de nanana,
- 5:09nanana, quando que a gente, quando que você se mudou
- 5:10para Paranaguá, que eu sou do Paraná? Ela
- 5:13falou, ah, eu tinha 12, então você tinha 8. Eu
- 5:15falei, nanana, você já parou para repara, para
- 5:17pensar que com 12 a gente assistiu a Massacre da
- 5:19Serra Elétrica, que tinha 8 anos, a mão assassina aqui
- 5:22para mim, é um filme maravilho, eu falei, cara,
- 5:26então desde pequenininho eu gostei muito de terror, eu
- 5:29adorava ler terror, assistir terror, assim, só que para
- 5:32mim sempre era uma coisa tipo assim, ai, não é
- 5:34sério ou bastante, vou deixar aqui do ladinho. E
- 5:37aí, quando a gente fez a oficina do Marcelino, eu
- 5:42escrevi, queria escrever uma coisa que me desse muito
- 5:44prazer, e aparentemente matar velhinhos era uma
- 5:47coisa que me dava muito prazer, então foi isso. Ah,
- 5:49mas sim que aí não dá. Você
- 5:51acorda de mim e eu falo assim, hoje vou matar
- 5:53velhinhos. A gente aprendeu. Gente,
- 5:56calma, nanana, é da vida real, essa é o romance da
- 5:59Rafa. Você vai contar um pouco mais
- 6:01desse prazer. Daqui a pouco a gente vai fazer
- 6:02uma tabuija aqui, vocês esperem. Mas
- 6:05isso é muito legal, porque eu fui uma criança total
- 6:08que não tive isso, por isso que eu acho
- 6:10interessante até perguntar para vocês, eu era criança
- 6:12medrosa na verdade, eu sempre morri de medo de
- 6:14filmes de terror, histórias de terror, que é coisa que
- 6:16eu não gostava de assistir, eu super fugia disso, então
- 6:19acho interessante ver que, ia meio que assim, você
- 6:21disse, ah, eu gostava, era natural comer ser assim e
- 6:25para você ver, verena. Então
- 6:26eu sempre, desde que eu nasci assim, eu vejo filme
- 6:31de horror, meus pais gostam muito, eles sempre deixaram
- 6:34muito solto, sabe? Tipo, ah, ela tem quatro anos,
- 6:37não tem problema nenhum, ela vê. O
- 6:39Chuck, eu tinha medo, gente. Nossa,
- 6:43eu tinha movido. Eu via tudo, via tudo, sempre
- 6:45vi, sempre gostei muito, sempre li também, mas
- 6:49quando eu comecei a escrever, eu sempre escrevi
- 6:52também assim, bastante, porque quando eu era
- 6:54criança eu tinha muita dificuldade de me expressar,
- 6:58de falar, porque eu acho que a gente vem de uma de
- 7:01uma criação um pouco mais opressora, de comunicar e
- 7:05tem coisas que a gente não pode responder, tipo, você
- 7:08não pode falar, mas na minha casa eu não podia,
- 7:11tipo, se acontecesse alguma coisa, eu estava
- 7:13respondendo. Então eu sentia muita essa
- 7:15necessidade de escrever para me expressar, então eu
- 7:19sempre escrevi, a adolescência toda, etc. Daí
- 7:23eu fiz a faculdade de letras, aí em 2012, que me
- 7:25veio a ideia de escrever um livro, de fato, que foi
- 7:28o meu primeiro livro, que está no inventário de
- 7:30predadores domésticos, que são contos de crianças
- 7:33narrando situações de abuso e violência. E
- 7:36aí, quando eu escrevi esse livro, eu não estava
- 7:39pensando em horror, eu não estava pensando na ideia de
- 7:42escrever um livro de horror, na verdade, nenhum
- 7:44dos meus livros, assim, eu tive isso em mente, eu
- 7:47queria expressar coisas, na verdade, eu queria
- 7:50subventelhar gritar, até arrancar os dentes da boca,
- 7:54mas como eu não podia, eu escrevi. E
- 7:57aí as pessoas começaram a falar que era horror, foram
- 8:01os leitores que deram esse nome, antes do que eu. E
- 8:05aí eu percebi que realmente, se eu vejo
- 8:07filmes de horror todos os dias, se eu leio o livro
- 8:11de horror, se eu ouço horror punk, isso está no
- 8:14seu inventário, né, então é a forma que eu uso para
- 8:18me expressar, né, porque é isso que é a minha
- 8:22referência, de certa forma, então foi assim que
- 8:24começou. Bem, natural, isso da expressão
- 8:27acho que eu vejo muito com o escritor, a maioria fala
- 8:29que começa a escrever parte desse espaço, eu precisava
- 8:32colocar pra fora alguma coisa, precisava conversar,
- 8:35quase uma conversa consigo mesmo, então, né, mas é
- 8:38legal você tender esse espaço desse horror, o da
- 8:41Ráfrica, quando ela fala de matar velhinhos, porque ela
- 8:43pode contar um pouco mais da história pra gente, é
- 8:46porque é uma distopia, né, Rafa? É,
- 8:48é uma distopia onde o governo brasileiro oferece
- 8:51um suicídio assistido aos maiores de 60 anos, então
- 8:54é porque para o governo, né, da distopia não é bom
- 8:59ter pessoas mais velhas, então eles podem optar pelo
- 9:02descanso, e aí cada capítulo eu trago um ponto
- 9:06de vista, eu trago um ponto de vista por exemplo
- 9:07de uma filha que não quer que o pai faça descanso,
- 9:10dá médica que realiza o procedimento, dá mulher que
- 9:13faz a triagem, né, porque não é qualquer um que pode
- 9:15participar, você tem três coisas que te impedem, né,
- 9:19que são dívidas, problema de saúde, morte de um
- 9:22parente com menos de dois anos, então, e foi um
- 9:26jeito aqui a menina falou que tinha vontade dos
- 9:30dentes e tal, eu acho que no meu caso eu escrevo pra
- 9:34digerir coisas que estão acontecendo comigo, então eu
- 9:37acho que no caso, já falei, a Issa sabe disso,
- 9:40eu escrevi o descanso quando pra entender a morte
- 9:45do meu avô, né, que meu avô ele morreu de câncer,
- 9:48ele começou com câncer no intestino e passou pro
- 9:50corpo inteiro, e ele falou uma frase que assim, a
- 9:53nossa família até hoje tá meio escatando, que é
- 9:56envelhecer uma punição, então agora uma frase muito
- 10:00forte, aquilo ficou na minha cabeça, eu não sabia
- 10:02como digerir aquilo, e quando eu vi, foi assim
- 10:06que... Foi o start do livro, né? Foi
- 10:07o start, tanto que meu outro livro agora hoje é a
- 10:11forma que hoje eu percebo que é como eu digeriria a
- 10:16pandemia. E nossa, e falando nesta
- 10:19pandemia, tem um negócio muito legal em relação ao
- 10:21livro da Rafa, que parece que foi uma, quase uma, um
- 10:24precentimento pra que acontecesse, eu não sei,
- 10:26uma adivinhação, porque pra quem não sabe, gente, o
- 10:28descanso ele foi lançado, foi em 2020, não foi Rafa,
- 10:31ou foi 2021? Eu terminei ele em 2019, mas
- 10:34ele foi lançado em 2020. Isso,
- 10:352020, ele foi lançado no auge da pandemia, e quando
- 10:38a Rafa escreveu, ela obviamente não sabia o que
- 10:40tava por vir, a pandemia não existia ainda, e quando
- 10:43viveu esse tema que casou absurdamente, né? Na
- 10:45pandemia a gente tinha a moça de pessoas mais
- 10:48velhas, era algo muito constante, foi o que mais
- 10:51ressaltou pra todo mundo, e a gente tinha o livro da
- 10:53Rafa falando exatamente sobre isso, sobre um
- 10:55descanso com a velhice, sobre assim, velhecer uma
- 10:57punição, então ele veio assim, parece que ele foi
- 11:00feito pra ser lançado naquele ano. Caramba!
- 11:03Eu nunca fiquei tão triste por ter acertado um tema.
- 11:06Acercar um tema, exatamente. E
- 11:09gente, e como é pra vocês o processo de escrita?
- 11:12Porque, por exemplo, quando a gente
- 11:13pensa em horror, em distopia, nesses outros
- 11:16espaços, sem que você até falou que teve um ponto de
- 11:19partida ali que foi da sua família também, Rafa, que
- 11:21foi nossa memória, que eu entendei como é pra você,
- 11:23Verena, porque quando a gente pensa nessa ficção da
- 11:26literatura brasileira mais contemporânea, eu vejo que
- 11:28muitas autoras têm isso de puxar, mas às vezes algo
- 11:30pega uma inspiração na memória, uma paisagem que
- 11:33conhece, escuta um diálogo no dia a dia. Como
- 11:36é pra vocês esse processo de inspiração e criação, já
- 11:39que vocês vão escrever num terreno que às vezes foge
- 11:41muito do cotidiano, né? É uma realidade que entra num
- 11:44terreno muito mais fantasioso. Então,
- 11:46entender como é esse processo de escrita e de
- 11:49criação. Eu acho que tem muito isso da
- 11:51gente enquanto mulher se sentia amordaçada um pouco,
- 11:55né? Por isso você falou, muitas
- 11:57autoras mulheres elas vendem esse lugar de se expressar,
- 12:00porque a gente não tem voz pra se expressar, né? É
- 12:04mais difícil pra gente, eu sinto assim, né? E
- 12:08não sei se talvez porque os meninos são ensinados a
- 12:12não se expressarem, então eles nem, não sei, não tem
- 12:16essa necessidade, não sei. Mas
- 12:19pra mim vem muito desse lugar da infância, eu vou
- 12:22muito na infância buscar, porque eu tive uma infância
- 12:26muito linda, maravilhosa, é ao mesmo tempo cheia de
- 12:29perdas, de morte, de violência. Então
- 12:35eu sempre vou lá buscar coisas, porque tem sempre
- 12:39coisas ali que ficam reverberando dentro de mim.
- 12:42Então situações, né? Aquelas
- 12:45coisas que eu já vi hoje como mãe. A
- 12:48Rafa está com o rinito. Hoje
- 12:52eu sou mãe, tenho uma filha de quase cinco anos,
- 12:55então eu me vejo várias vezes vendo minha filha e
- 12:58pensando nessas coisas. Que memórias ela está
- 13:01construindo, né? Qual é a vivência dela? Como
- 13:05eu posso proteger ela de coisas que aconteceram
- 13:11comigo? E ao mesmo tempo... Ah,
- 13:17não sei, fica essa... E como que infância é um
- 13:20terreno fértil pra escrita, né? E
- 13:22se eu acho muito doido, muita gente busca na
- 13:24infância, eu busquei muito na infância também pros
- 13:26meus livros. E eu não sei se por ser,
- 13:29acho que essa fase de construção de memória e de
- 13:32imaginário mais livre, mais forte, parece reverbera na
- 13:35gente a vida inteira. Não que a gente esteja
- 13:37escrevendo uma autobiografia, uma autoficção... Mas
- 13:40eu reflete. Sobre você mesmo, mas você se
- 13:42reflete, acho que buscando essas paisagens de quando
- 13:45você estava se formando, né? Que
- 13:46você é muito forte. E aí também acontece pra
- 13:49você, sim, Rafa? Eu acho que um pouco e eu
- 13:54acho que... Eu brinco que minha família
- 13:57eles... Todo mundo é muito de um
- 14:00jeitinho, eu meio que fui um pouquinho de um jeitinho
- 14:02mais diferente, assim. Então,
- 14:04quando eu comecei a escrever era um lugar assim
- 14:07onde eu podia soltar a mão, assim, eu podia ser
- 14:09qualquer coisa, podia existir de qualquer forma.
- 14:11Eu acho que isso ajudou muito,
- 14:12assim. Hoje minha mãe dá risada, ela
- 14:14fala, nossa filha, pô, foi mal, eu não sei o que,
- 14:15mas eu lembro que vocês fizeram uma intervenção,
- 14:18assim, ó, Rafa, seguinte, do jeito que tá, não dá.
- 14:22Você tá vendo uns negócios muito
- 14:24esquisitos, você tá vendo uns negócios muito
- 14:27estranhos, acho que isso não tá legal, assim. Tá
- 14:29tudo bem com você? Você quer conversar? E
- 14:33hoje eles vêem que na verdade é uma coisa que eu
- 14:34adoro e que me faz feliz, então eu acho que pra mim
- 14:37também escrever é muito de, cara, pode ser... Você
- 14:40pode ser qualquer coisa, você pode criar qualquer
- 14:42coisa e apesar de assim por fora, geralmente as
- 14:46pessoas vão, nossa, você tá um calma, não se esqueça,
- 14:48sou uma pessoa extremamente neurótica, então na escrita
- 14:50eu posso pegar a minha neurose e aumentar ela a
- 14:52mil por cento. Tipo, o que aconteceria se isso
- 14:55acontecer? Você aumenta e vira um negócio
- 14:58enorme, então, acho que isso também ajuda bastante.
- 15:02Legal, eu acho que o horror tem
- 15:03muito uma coisa das metáforas também, né? Sim.
- 15:06São várias coisas dentro daquilo ali, você fala
- 15:09alguma coisa, vergonha? Não, eu ia falar que... Gente,
- 15:12desculpa, a minha avó está falhando hoje, eu não sei
- 15:14o que, acho que tá todo mundo com alguma questão de
- 15:16saúde, então a minha avó está oscilando. Essa
- 15:19troca de clima, né? Não que a Rafa falou de pegar
- 15:22as neuroses dela e colocar assim, do extremo, que eu
- 15:26acho que, eu acho que eu falo por ela também, que
- 15:28as pessoas que escrevem horror, elas tendem a
- 15:31pensar na pior situação possível. Por
- 15:33exemplo, se eu entro num shopping, a primeira coisa
- 15:35que eu penso é, se tiver um incêndio pra onde que
- 15:37eu vou? Sim, sim! Vocês
- 15:40pensam? Eu penso, eu estou aqui no
- 15:43park, aí você apareceu um atirador, eu vou entrar
- 15:46atrás da árvore e eu vou, eu acho que as pessoas que
- 15:49têm essa comemoração de mente, elas tendem aí pro
- 15:52horror, pra desculpia. Pensar
- 15:53no pior cenário que era possível. É,
- 15:55pessoas que pensam as neuróticos, é neurótico, vai
- 15:58escrever horror e distopia, literatura de jeito. Mas
- 16:04isso me lembra um pouco, eu fiz aula do Marcelino
- 16:06com a Rafa, eu lembro de uma coisa que o Marcelino
- 16:08colocave, que adiantou muito pra minha literatura também,
- 16:11mesmo não sendo de horror, de terror, e que dialoga
- 16:14muito com o que vocês falaram, que ele falava pra
- 16:15gente ir até essa última consequência, sabe? E
- 16:18até o fundo do poço, ou tipo, sabe onde você está
- 16:21com medo, onde você está fechando gavetas, vai lá,
- 16:24abre essas gavetas, abre esses baús e é lá que
- 16:26você vai escrafinchar pra escrever, eu acho que isso
- 16:29deu muito certo de ir até essa última consequência e
- 16:31acho que isso acontece muito no livro de vocês.
- 16:34Sim, mas a vereda, a minha
- 16:35neurose, ela fez a minha amizade com a Isa surgir.
- 16:38É verdade. Porque
- 16:40a Isa foi minha primeira amiga de São Paulo, e daí
- 16:43a gente tava lá no curso do Marcelino e tava muito
- 16:45cheio o banheiro, e aí a mulher falou, ela falou,
- 16:47ah, você pode subir ali pra fazer xixi. Ela
- 16:50falou, tem um banheiro lá em cima. E
- 16:51eu vi a Isa subindo e, cara, era um lugar com
- 16:54todas as luzes apagadas, ninguém, e ela sozinha
- 16:58tinha que fazer xixi. Mas eu fiquei com medo. Eu
- 17:01falei, cara, a Samina vai morrer? É,
- 17:04tipo, ela vai morrer, e eu peguei, fui atrás dela, eu
- 17:07nem conheci a Isa. Eu falei, ó, eu vou com você,
- 17:10porque nos filmes de terror, a pessoa que vai
- 17:12sozinha sempre morre, tá? Daí
- 17:13ela entrou, foi fazer xixi, eu fiquei lá fora esperando
- 17:16ela terminar de fazer xixi. E
- 17:17ela me esperou. Você me esperou, eu falei sim,
- 17:20não, agora vamos descer em segurança, né, a gente
- 17:21desceu e eu tive um... E aí eu falei, olha, você
- 17:23realmente me esperou, é que pronto, aí a gente ficou
- 17:25com a amiga. Ah, mas olha que amizade mais
- 17:27linda. Meu... Pô, cheio de brincadeira.
- 17:29Minha pós -graduação e uma sua
- 17:31acridança elétrica me ensinou alguma coisa, gente.
- 17:34Eu dormi essa noite no
- 17:36apartamento dos meus amigos, e aí ontem a gente foi
- 17:38sair pra jantar, a gente desceu na garagem, aí eu
- 17:41olhei e falei assim, nossa, tem tão poucas cenas de
- 17:43filmes de terror em garagem, de prédio, porque
- 17:46é um ambiente tão ensalou, é assustador, aí eu lembrei
- 17:51que vou Dead Rise e tenho uma cena, uma garagem de
- 17:54prédio. Pé facinho. Gente,
- 17:56mas é uma das poucas que eu ouvi. Mas
- 17:58que legal isso, isso da mente que vai pensando, né?
- 18:01O que eu gostaria aqui? Isso
- 18:02é parecido com a anti -ador, isso acontece com
- 18:03isso. E vocês usam isso no processo
- 18:05de escrita de vocês? Por quê? Essa
- 18:07paranoiazinha do cotidiano? Principalmente
- 18:10em contos. Quando eu escrevo os contos,
- 18:13principalmente os de crianças, né? Pessoal
- 18:15fala, de onde é a inspiração? É
- 18:17tudo autobiográfico? Eu acho que tudo tem um pouco
- 18:20de autobiográfico, tudo que a gente cria, que tem um
- 18:24pouco da gente. Porque tem a nossa visão. Sim.
- 18:26E principalmente nessa questão da infância, também
- 18:28tem a questão de você ver o mundo pela primeira vez,
- 18:30eu acho que isso é muito impactante. É
- 18:32isso. Até pra causar um
- 18:34deslumbramento, uma fascinação ali, não só o
- 18:37choque, o horror, mas o bonito, o belo também tá
- 18:41ali. E assim, eu penso muito. Qual
- 18:43é a pior coisa que poderia acontecer nessa situação? Aí
- 18:47eu lembrei de uma vez que eu fui no shopping com a
- 18:49minha mãe, eu me perdi da minha mãe. Qual
- 18:51é a pior coisa que poderia acontecer com uma criança
- 18:53perdida da mãe no shopping? E
- 18:55aí eu escrevi um conto sobre isso, que é sobre
- 18:56uma menina que é sequestrada por um abusador
- 18:59de criança. E aí tipo, eu funciona muito
- 19:03assim, é por isso que eu sou meio norótica com a
- 19:05minha filha. Tipo, não sou, tento não ser
- 19:07superprotetora, mas toda vez que ela tá longe de mim,
- 19:10eu já fico pensando todo. Mas
- 19:11é que você mandei a verdade. Não
- 19:12dá, é assustador. É verdade. Mas
- 19:15isso é legal pra gente pensar nesses pontos de
- 19:17partida, que geralmente quem tá começando a escrever
- 19:19pensa muito nisso, né? De onde começaram? Eu
- 19:22vejo muito, geralmente me perguntavam muito de onde
- 19:24vem a grande ideia, de onde vem a grande
- 19:27inspiração. E às vezes eu não sei pra
- 19:28vocês, mas eu acho que não existe muito essa grande
- 19:30inspiração, né, que vai chegar essa ideia
- 19:33maravilhosa. É isso que você falou, são
- 19:35esses pontos de partida do cotidiano, coisinhas que
- 19:37você vai pensando, não, espera aí. Então
- 19:40eu vou escrever um conto, o que aconteceria de pior
- 19:42aqui? Então acho que a gente é
- 19:43aprender a pescar essas pequenas oportunidades no
- 19:46cotidiano, né? E eu acho também que quando
- 19:51a gente começa a escrever, a gente quer ser
- 19:53superlevada a sério, porque a gente quer assim, olha,
- 19:55olha como essa espérito, ela é cool, ela é
- 19:58bonitinha. Olha as coisas diferentes que
- 20:00ela lê, não sei o que é tal, né? Mas
- 20:03a tendência é, e é uma coisa que acontece muito
- 20:06com publicitária, acho que é por isso, porque como eu
- 20:07sou publicitária também é a mesma coisa. Todo
- 20:09mundo acaba indo nos mesmos temas, porque são os temas
- 20:12sérios, os temas tal, o tema não quer ser levado a
- 20:15sério, então eu tenho que escrever sobre isso, lá,
- 20:18lá, lá, lá, lá. Só que às vezes esse tema
- 20:21sério, esse tema maravilhoso é realmente maravilhoso para
- 20:23os outros, mas para você não vai conversar. Então
- 20:26eu acho que esse grande tema tem uma coisa que
- 20:29mexe com você. Então, por exemplo, cara, as
- 20:32pessoas não levam, às vezes, o terror a sério.
- 20:34Agora está rolando uma vibe boa
- 20:35de que o terror está pegando aí um caminho mais
- 20:38legal, as pessoas estão valorizando, mas por muito
- 20:41tempo, tipo, nossa, a pessoa escreve terror, olha.
- 20:43Vocês acham que tinha, tinha, com
- 20:44certeza, com certeza. Então você escreve, tipo, não
- 20:49pensa assim, ah, isso aqui eu vou me levar a sério,
- 20:52cara, escreva aquilo que está na tua verdade, aquilo
- 20:54que você gosta, e aí você vai achando caminhos para
- 20:58isso. Por exemplo, o meu livro lá
- 20:59foi finalista em romances em terrenimento, com a
- 21:01romances em terrenimento, ah, então tem o livro, a
- 21:03literatura é menor, porque ela é romances em
- 21:05terrenimento. Cara, mas é o que eu gosto de
- 21:08ler, é o que eu gosto de fazer. Eu
- 21:10não vou me moldar, que às vezes eu posso até perder
- 21:13a voz, perder as cores fazendo isso, eu prefiro ir
- 21:16numa literatura, então, que consideram menos, mas que
- 21:19seja interessante que eu trabalhe, que eu gosto,
- 21:21porque a partir do momento que eu vou escrever, eu
- 21:22vou perder o prazer de fazer isso. Qual
- 21:25é o objetivo? O que pra mim, o objetivo
- 21:27sempre foi quando eu estou escrevendo seu lugar, onde
- 21:30eu posso me expressar e ser completamente livre.
- 21:33Então eu vou me prender numa
- 21:34caixinha só porque outras pessoas gostam daquilo que
- 21:36eu estou escrevendo, não faz o menor sentido. Mas
- 21:39isso é muito real, eu lembro de um dia que eu
- 21:41estava, a frase é chique, eu vou falar, teve um dia
- 21:43que eu estava conversando com a André da Puego, mas
- 21:48eu estava realmente numa conversa com ele, ela
- 21:50trouxe um pouco essa questão que ela falava de,
- 21:52que às vezes quando um livro chega num app, num
- 21:54grande sucesso, por exemplo, uma Aline Bay com o peso
- 21:57do façalmô, um livro do Tamaro, um livro da Cala
- 21:59Madeira, e às vezes as pessoas tentam se espelhar
- 22:02naquilo, então pera aí, se que é o que foi, é fez
- 22:04sucesso, se que é o que foi premiado, eu vou tentar
- 22:06me espelhar para escrever. Não
- 22:08vai dar certo, porque geralmente é isso, primeiro
- 22:10você não vai conseguir, acho que espelhar aquilo,
- 22:13porque tem um pouco isso que a Rafa falou, do você
- 22:15escrever geralmente aquilo que é muito bom, vai a
- 22:18partir de motivações internas suas, essas suas
- 22:21crenças. Então não adianta, e acho que
- 22:24pode até ter um pouco hoje também como tal uma vibe
- 22:26chegando talvez mais um terror, uma fantasia, uma
- 22:29estopida, e a gente começa também a tentar emular
- 22:31aquilo, para não, pera, eu vou escrever esse aqui que
- 22:34é o que está bombando, é o que está dando certo,
- 22:35vou tentar emular para mim. E
- 22:38geralmente eu acho que não dá certo, porque vem um
- 22:40pouco desse repertório, você falou, vocês começaram a
- 22:42escrever nesse gênero, nessas temáticas que eram
- 22:45repertórios que acompanhavam vocês ao longo da vida,
- 22:48então isso vai levando a gente para esse lugar, mas
- 22:51e como chega para vocês, por exemplo, vocês falaram
- 22:52que tem essa questão de às vezes parecer que é uma
- 22:54literatura menos séria, como tem sido o diálogo de
- 22:57vocês com o público, com o público leitor, que tipo de
- 23:00leitores vocês acham que o terror, distopia e horror
- 23:03tem encontrado no Brasil hoje, será que tem leitores
- 23:06mais jovens, são leitores adultos, transita por esses
- 23:10dois espaços? Eu acho que a literatura de
- 23:15gênero no Brasil ela ainda é vista de maneira
- 23:19inferior, porque por exemplo quando se fala de
- 23:21literatura latina, de horror, ninguém lembra dos
- 23:25autores brasileiros, de quem escreve distopia, de quem
- 23:29escreve horror brasileiro, todo mundo sempre vai para
- 23:32as referências latinas, como se o Brasil não fizer
- 23:35parte da América Latina, então continuam não nos
- 23:40lendo, continuam não nos dando crédito, e eu acho
- 23:45que as pessoas, o horror, a ficção científica, a
- 23:48distopia, eles são muito mal interpretados, é tudo
- 23:52levado ao pé da letra, não entende que é metáfora, que
- 23:55é símbolo, que é que por exemplo filme de zumbi,
- 23:59filme de zumbis da década de 30, os zumbis eram
- 24:02mulheres e pessoas negras, e eles faziam tudo que o
- 24:06dono mandava, aí os zumbis da década de 80 são todos
- 24:10por causa de arma química biológica, aí os zumbis da
- 24:13década de 2010 são todos ultra violentos, então tipo
- 24:17tudo isso reflete a sociedade, reflete os papéis
- 24:21de gênero, reflete política, reflete ciência social,
- 24:25antropologia, mas as pessoas tipo, ai filme de zumbi,
- 24:28como é sério, é muito isso que você falou, então a
- 24:31literatura, o cinema de gênero ele não é só, né,
- 24:37aí é só gente sangrando e peitos e dando facada nas
- 24:44mulheres, tipo, ai esta feira 13 é só gente
- 24:47transando e levando facada, gente isso aqui é
- 24:49propaganda pra vocês não fazendo sexo, isso aqui é
- 24:52tipo, é uma mensagem, não façam sexos, senão vocês
- 24:56vão morrer, essa é a mensagem de feira 13, então
- 24:59assim eu acho que a literatura de gênero
- 25:01continua sendo vista super, de maneira inferior e os
- 25:05autores brasileiros, autores e autores também, mas vocês
- 25:09acham que isso tem mudado não? Eu
- 25:11acho, eu acho que está melhorando, o que você tem
- 25:13notado assim de diferença? Eu
- 25:15acho que antes assim as pessoas nem comentavam do
- 25:17gênero terror, era muito específico, tipo, eu gosto
- 25:19de terror, eu vou procurar isso e aí eu vou ter
- 25:23acesso a isso, hoje você não precisa procurar, isso
- 25:25já vem até você, então eu acho que isso já é uma
- 25:27melhora bem legal e bem significativa, por exemplo,
- 25:31no meu caso, tem acho que gente de todo tipo, tem
- 25:35gente esse dia de receber um e -mail de um cara que
- 25:39acho que deve ter uns 70 anos, assim que ele leu
- 25:41meu livro, ele queria falar do livro e tal, aí tipo,
- 25:47as amigas das minhas primas que são bem mais novas que
- 25:51eu e tipo, leem também comentam, então eu acho
- 25:53legal assim, que pelo menos assim no caso da distopia
- 25:57ali, pelo menos um monte de gente variada, tá lendo,
- 26:00eu acho isso legal assim, sabe? Porque
- 26:03eu realmente acredito que está rolando agora uma
- 26:05onda, assim, de fato, as brasileiras e os brasileiros
- 26:08eles não estão chegando tanto, tipo, a gente não
- 26:11tem ainda no falar um da gente com uma Mariana
- 26:13Henrique, sim, vamos, a gente tem fé, vai rolar,
- 26:19mas aqui Mariana Henrique é tipo, a gente não dá,
- 26:23então gente morica o reda, eu li a morica o reda, eu
- 26:25ficava, tipo, batendo no meu marido, eu estava
- 26:28lendo, eu disse, meu deus, a mulher, olha lá, isso
- 26:31aqui, tem um amigo que fala isso, a gente tem que
- 26:33se imaginar lá, tem que se imaginar lá, então eu acho
- 26:36legal que assim, mas tá começando, as pessoas tem
- 26:39gente que não gosta de terror, às vezes cai no
- 26:41livro de terror, que legal isso aqui, então eu acho
- 26:43que tá tendo uma melhor, assim, é tipo, é pra todos
- 26:45os nerds, lembra? Que antes eram nerds, nossa, a
- 26:48pessoa gosta de quadrinhos, e agora é tipo, ele gosta
- 26:50de quadrinhos, ele é legal, eu acho que tá rolando,
- 26:53assim, eu sou sensua, eu sou uma pessoa bem
- 26:54otimista, mas faz sentido que, por exemplo, eu, como
- 26:57eu falei pra vocês, eu nunca fui um público de
- 26:59terror e horror, era a pessoa que na verdade tinha
- 27:01medo, e aí, por exemplo, agora uma Mariana Henrique,
- 27:03como tá chegando muito, eu comecei a despertar essa
- 27:06curiosidade, fui na livraria, já comprei ele,
- 27:09eu vou ler, quero ler, porque começou a me dar
- 27:11essa vontade de, como eu tenho visto, acho que
- 27:14circulou um pouco mais, eu fico vendo umas capas
- 27:15incríveis da Dark Side, gente, e aí começou a me
- 27:18dar vontade de ler, eu fico, eu quero ler umas
- 27:20coisas diferentes também, porque eu acredito que a
- 27:23gente, não só enquanto leitora, mas enquanto
- 27:25escritora, tem uma hora também que a gente cai de
- 27:27ler muito sempre o mesmo, por exemplo, eu que gosto
- 27:30dessa literatura, brasileira, contemporânea, feita com
- 27:33mulheres, tem hora que eu tô lendo tanto isso também,
- 27:35de um estilo tão parecido que me cansa, então eu
- 27:38comecei a colocar esse olhar da árvore, com presta
- 27:40Mariana Henrique, aí um dia eu fui vir um da Dark
- 27:42Side com uma capa linda, falei, vou pegar esse aqui,
- 27:44você quer dar uma arqueçade com um capa, eu não gosto
- 27:46de ler É lindo, é lindo, é lindo, é lindo do
- 27:48trabalho de Ditzel. Mas eu acho bem interessante,
- 27:50teve essa mudança mesmo, porque o meu primeiro livro
- 27:53é de 2015, né, tudo bem que eu saí pela Dark Side,
- 27:57que é uma editora grande, mas aí a gente vê a
- 28:00diferença, tem sim uma diferença, e aí a gente
- 28:03não sabe ler. Uma fungada no coro, que
- 28:05consegue ser. A gente não sabe dizer o
- 28:09certo de onde vem, né. Será
- 28:11que isso vem de uma catar, de a gente tá tão assim
- 28:15na boca da morte, na pandemia, será que isso vem
- 28:19desse boom latino americano, será que isso vem das
- 28:21redes sociais e dessa que vão criando conteúdo e a
- 28:25gente vai entrando mais em contato? Abre
- 28:27nesses espaços, viu? Será que vem da 24, né, tipo
- 28:31assim, ou são todas essas questões? Nossa,
- 28:34é verdade, a 24 acho que trouxe esse lado mais
- 28:36cúbico. Sim, fez as pessoas pensarem,
- 28:39ah, não é tão porcaria assim, né, o horror pode
- 28:42ser de qualidade. Pode ser cúbico, sim. Então
- 28:45realmente teve essa mudança, sim. Gente,
- 28:49eu adoro a risada da Rafa, se tiver uma pequena mostra
- 28:53agora. Uma coisa maravilhosa, a minha
- 28:55filha que toda vez, Téu, isso é pra você, que toda
- 29:00vez que eu ri ele vem assim, ele faz uma cara
- 29:02bem blase e fala, risada falsa. Toda
- 29:06vez, agora quando eu ri o rio, vem a tipo, a
- 29:07cabecinha dele aqui, risada falsa. Onde
- 29:10é a gente, será que ele tinha o mesmo? Daí
- 29:12a minha amiga falou assim, às vezes ela tá lá
- 29:14cozinhando, ela escuta ele na sala. Ha,
- 29:16ha, ha, ha. Amei. Ai, gente, péssaro. Verenda,
- 29:22você tava falando um pouco de editora. Eu
- 29:24publiquei meu primeiro livro em 2015, como foi a
- 29:28editora de meio. Eu escrevi o livro, eu comecei
- 29:32a escrever em 2012. Aí eu terminei o livro e eu
- 29:35mandei pra um amigo meu, que também é escritor, que
- 29:38é o Luiz B .A .Jone. E ele gostou do livro e
- 29:41encaminhou pra editora da Editora 8 .5, que é a
- 29:44Flávia Eriarte. Ela tem o carreira literária no
- 29:47Instagram. Ah, eu já vi, eu já vi falar.
- 29:50Aí ela era editora da 8 .5,
- 29:52ela ainda é, eu acho. Aí saiu pelo editora 8 .5, mas
- 29:54assim, em 2015, a gente tinha só o Facebook, assim,
- 29:58né? Não tinha muita divulgação. Sim,
- 30:00é verdade. Ficou muito ali entre os autores
- 30:03e os editores, né? Não saiu da bolha. Em
- 30:052018 eu publiquei o Berro do Balde pela Pena Luz. E
- 30:10também ficou muito... Ainda ali nessa bolha. Aí
- 30:14alguém, única livraria do Rio de Janeiro que tinha o
- 30:19Larva, meu livro de Contos de Pontos de Vista de
- 30:21Criança, era a Livraria da Travessa. Aí
- 30:24um dia, um dos editores da Dark Side foi na Travessa
- 30:27e perguntou se tinha algum livro de autor brasileiro
- 30:30de horror. E aí o livreiro, que hoje em
- 30:33dia é autor da Dark Side. Que
- 30:35legal. Roberto Dancer, que escreveu o
- 30:38colapso, recomendou meu livro. E
- 30:41o editor da Dark Side comprou o livro e aí
- 30:43depois ele me chamou de Partis Parada. E
- 30:46eu pergunto até dessa traditória, porque eu acho
- 30:48que é uma curiosidade muito grande das pessoas de...
- 30:51Essa passagem por editoras. Como
- 30:53chegar no meditório é grande? Como
- 30:55fazer esse pulo entre um meditório maior e um menor?
- 30:58Mas estão querendo um não pra
- 30:59você e foi um pouco até esse... Foi
- 31:01um susto. Foi. Uma indicação, né? Foi
- 31:04no susto. Foi bem estranho. E
- 31:07aí mudou muito pra você depois de ter publicado pro
- 31:09meditório é grande? Muito. O alcance, leitores, talvez?
- 31:12Sim, a pressão também. É
- 31:15uma ansiedade que não existia, porque eu fazia
- 31:19despretensualmente, escrevia meio que pra mim. E
- 31:23aí redes sociais, é outro rolê, né? Porque
- 31:27a gente tem redes sociais, que a gente tem que
- 31:29obrigatoriamente existir nas redes sociais. E
- 31:33eu não sou uma pessoa muito... Assim,
- 31:36sou meio low profile, então tenho que me forçar a
- 31:39fazer alguma coisa. Mas foi legal que eu comecei
- 31:43saindo na Dark Side, meio que sair da bolha de
- 31:47autores e editores. Isso é legal também, né? O
- 31:49leitor comum, que foi muito legal. Aí
- 31:52vem gente de todo tipo também, desde adolescente
- 31:56até gente mais velha, professora de biologia. A
- 31:59galera de biologia compra o livro, porque ele tem
- 32:01muitos insetos, né? Aí o pessoal de biologia pega
- 32:05e compra o livro, porque tem muita gente mais. Chama
- 32:07inventário de predadores domésticos, meio que não
- 32:10sabem do que se trata. E aí eles levam aquele susto
- 32:12assim, né? Então é bem legal, assim. Eu
- 32:15acho que isso é a melhor parte de escrever, quando
- 32:18você começa a ter esse contato com leitores, né?
- 32:20Porque a gente tem muito isso.
- 32:22Acho que não só na literatura,
- 32:23eu fui do teatro, no teatro existia isso também.
- 32:25Acho que é da música no início,
- 32:26existia isso também. Você começa fazendo pra sua
- 32:29família, pros seus amigos, né? Você
- 32:31tem ali suas tias, seus amigos da escola, são eles
- 32:34que vão ser seus leitores, seus ouvintes. Então
- 32:37tem essa parte que é um pouco até esse susto, mas
- 32:40é um susto gostoso, quando você começa a ver pessoas
- 32:42completamente aleatórias que chegaram no seu livro. Você
- 32:45fala, nossa! Então não foi nem alguém que
- 32:48indicou, ou seja, como essa pessoa achou, puxou na
- 32:50livraria, né, por exemplo. É
- 32:52muito legal. Teve um dia que eu fui numa
- 32:54livraria, tava ter um evento de um dos editores
- 32:57da Dark Side. E aí um leitor dele tinha
- 33:01ido ver, tal, aí ele chegou em mim e falou,
- 33:03você é a Verena? Eu falei, ah, é só! Aí
- 33:06ele falou, eu queria agradecer pra você ter
- 33:08escrito o seu livro. Caramba,
- 33:10que demais. Aí eu furei. Foi
- 33:14um momento, um momento mais lindo da minha vida, assim.
- 33:18E aí de curiosidade de
- 33:19editores, eu queria depois entender com a Rafa também
- 33:22como você conseguiu chegar no meditório, como foi esse
- 33:24processo de busca e tudo. Mas
- 33:26finalizando com a Verena, foi diferente o processo,
- 33:29por exemplo, de escrita, entregue, de acompanhamento
- 33:31do texto, de edição entre um editora menor e uma
- 33:34maior, ou não? Ou foi mais esse processo de
- 33:37divulgação mesmo? Ah, eu achei que foi muito
- 33:39parecido, mas é porque o livro Meix já tava pronto,
- 33:42né? Ah, sim. Porque
- 33:43ele é uma compilação dos meus dois livros anteriores,
- 33:47então eu acrescentei contos dentro das duas temáticas
- 33:50que o Berro do Boddy mais realiza o fantástico. Aí
- 33:53a primeira parte são os contos de criança, a
- 33:55segunda parte são os contos de realizmo fantástico,
- 33:58sombração, causa do interior. Ah,
- 34:00obrigada. E aí tem um conto de
- 34:01transição que começa com a menina criança e ela
- 34:03cresce. E aí tem uma serpente e tal,
- 34:06esse conto que saiu na coletânea dantesca da Maria
- 34:10Fernando. Legal. E aí foi meio que igual,
- 34:16assim, eu não vi essa diferença. Acho
- 34:17que estão mais esse processo de encontro com
- 34:20leitores, que deu uma diferença. Foi.
- 34:23E pra você, Rafa, que tá mais recente esse processo,
- 34:26que você publicou o primeiro livro, tá com o
- 34:28segundo aí nessa fase de busca, como que foi essa
- 34:30saga aí pra encontrar a editora? Você
- 34:32saiu pelo Cé -Laure Horas, né? É,
- 34:35então é muito ruim assim, porque... Vamos
- 34:38no meu... É difícil. É
- 34:40difícil essa parte das editoras. Se
- 34:42você termina o livro, você olha pro lado e fala, tá
- 34:43aí agora. Que eu faço. Que
- 34:45que eu faço? Ninguém sabe te contar, ninguém
- 34:47sabe te dizer o que fazer. Daí
- 34:49você... Literalmente, eu fiz aquela coisa que
- 34:51todo mundo faz, mas que é extremamente errado, foi. Eu
- 34:53fui no ADM das editoras, oi. Você
- 34:56tem interesse no meu livro e obviamente quase ninguém
- 34:58me respondeu. Acho que nem que seria, talvez,
- 35:01extremamente errado pensando, ele só acaba num... É,
- 35:03é uma coisa que não vai dar certo. Infelizmente.
- 35:08E eu fui tentando e assim, cara, ninguém me respondia.
- 35:12Ninguém, assim. Aí
- 35:14eu tava meio, tipo, chateado, que falo, cara,
- 35:16assim, pelo menos você pode dizer, recebi o seu e
- 35:18-mail, sabe? Mas, tipo, a impressão que eu
- 35:20tinha, que eu tava pegando o meu livro e jogando os
- 35:23lugares. Falando pra nada, né? E
- 35:24não vinha ninguém que vai responder. Aí
- 35:27a MM ia falar, cara, tem uma editora, um selo novo
- 35:29de mulheres. Eu não sei se você conhece,
- 35:32vamos... Vou te mandar pra você ver. E
- 35:33eu mandei, era pra Dani. E eu fui o primeiro romance
- 35:36e acho que foi o terceiro livro publicado do Cé -Laure
- 35:40Horas. E, cara, foi, assim, a melhor
- 35:42coisa do mundo. A Dani é incrível. Eu
- 35:44acho que o trabalho dela é excepcional. Eu
- 35:46acho que ela me abriu uma porta e não só me abriu
- 35:49uma porta, ela me ajudou muito nisso, assim, nesse
- 35:52processo. Porque, cara, realmente, você não
- 35:54existe, tipo, ah, vamos fazer uma faculdade de
- 35:56escritores. Cara, você vai ali na cara e na
- 35:57coragem, levando uns tapas, andando meio assim e vai
- 36:01rolando um negócio. E, então, eu achei que a Dani
- 36:05ajudou muito nesse aspecto. Eu
- 36:06acho que, inclusive, se você entrar lá no Cé -Laure
- 36:10Horas, ela tem várias dicas pra quem não me capubicou,
- 36:13de como preparar o livro, como mandar... Então,
- 36:17eu acho que também é uma... Ó,
- 36:18Cé -Laure Horas, tá, gente? E
- 36:19aí é muito, muito legal mesmo, assim. Então,
- 36:23eu acho que no fim foi bom eu ter ido pelo Cé
- 36:25-Laure Horas, porque eu acho que eles me deram essa
- 36:26bagagem. Além de eles me abriram uma
- 36:28porta que, assim, eu sou eternamente grata, eles
- 36:31deram uma bagagem muito boa. A
- 36:32Dani é uma pessoa extremamente acessível,
- 36:34quando eu tinha minhas dúvidas sobre a divulgação.
- 36:35Porque eu fiz praticamente a
- 36:36divulgação toda sozinha, né? Eu
- 36:39sou publicitária, acabei usando isso e usei meu
- 36:41marido. Mas ela ajudou muito dando
- 36:44essas dicas, então... É assim, você não tem ninguém
- 36:48pra te dar... De explicar qual que é o
- 36:50caminho. Tanto que é um trabalho muito
- 36:52importante, que esses ser os editoras menores fazem,
- 36:54porque, quando a gente é um autora que tá começando,
- 36:56e um primeiro livro, você tem essa sensação, tá? Não,
- 36:58eu sou assustador. Eu tô com isso aqui, o que
- 37:00eu faço agora, e parece que ninguém dá atenção,
- 37:02ninguém tá abrindo uma porta. Então,
- 37:04acaba sendo um caminho que também... É
- 37:06um caminho que é possível, pra quem tá começando, a
- 37:09gente entender que é você, às vezes, bater na porta,
- 37:11então, de editoras menores, que vão, pelo menos,
- 37:14começar a fazer esse caminho... Poder
- 37:17ser caminhado, né? Porque, acho que a gente também já
- 37:19mirado uma editora lá em cima, é muito difícil, é
- 37:22muito difícil. Acho que é quase impossível.
- 37:24Muito difícil. É
- 37:24assim, tem gente que tem a gente... Com
- 37:28a gente, eu acho que, talvez, fica um pouco mais
- 37:29fácil. Sim, esse contado. É
- 37:31um contado de prêmio, que nem errada. É,
- 37:33que agora, existe uma porta aberta, né? É,
- 37:36finalista de jabutito, que tem um holofote aí. 10
- 37:39cem, galera! Você chega com a carteira. É,
- 37:43pelo menos... Um selinho já tem, né? Sou
- 37:46finalista do jabuti, meu amor. Tenho
- 37:48um livro novo, pelo amor de Deus. Presta
- 37:49atenção. Mas eu tenho que aprender a
- 37:52dar mais carteirada. Eu sou muito ruim da
- 37:53carteirada. A Natália, a bordo de
- 37:56polícia, ela fala... Tem que dar carteirada assim,
- 37:58eu falo, mas... Dá, dá carteirada assim! Eu
- 38:00falo, tá bom, vou dar carteira, ó, deu bom! Você
- 38:03falou que a Natália bordo de polícia ela fez um
- 38:05trabalho de acompanhamento do seu livro, né? Depois
- 38:08de talquear ela, por muito tempo, ela... Ela
- 38:11me ajudou muito, eu tava nesse livro, eu tinha
- 38:13escrito 150 páginas do meu livro novo, e eu achei que
- 38:17tava uma mostra. Eu tava muito chateada, peguei
- 38:19e joguei fora. Não, cara. Eu
- 38:21falei, é, é, aguenta mais, cara, joguei fora. E
- 38:24aí, eu mandei um mensagem pra ela, porque ela tinha
- 38:26sido minha professora num curso daquele verão no
- 38:29aquário dela, que é um curso mais rápido. E
- 38:32eu até... Você se brinou bem, é muito
- 38:34bom, verão no aquário. E eu tinha, eu acho que, me
- 38:38assustado ela, nessa coisa, a gente ficou... Tinha
- 38:41uma porta aberta ali, eu mandei um mensagem pra ela
- 38:42falar, ó, Natália, eu tô com esse livro, você pode
- 38:44me ajudar, vamos fazer alguma coisa. E
- 38:47ela me ajudou a achar um conflito, que eu tava com
- 38:49muita dificuldade de achar esse conflito e tal. Então
- 38:52ela realmente me ajudou absurdamente, e ela já
- 38:54tinha escrito distopia, que a gente tinha som das
- 38:57abelhas e o corpo seco, né? Que
- 38:59é maravilhoso. Então, foi nossa, pra mim foi
- 39:02essencial, ela me ajudou pra caramba. E
- 39:05eu falo que o tio sabe que eu persigo tanto elas,
- 39:08com coisas que um dia ela vai acordar, vai ter uma
- 39:10porta na ponta da cama dela, tipo, aí, Natália,
- 39:14vou falar isso no meu livro. Mas
- 39:15ela ainda não tem medo de mim, então eu fico bem
- 39:18feliz com essa amizade. Você
- 39:20teve esses processos também, verão, você passou por
- 39:22preparação de texto, alguma coisa? Foram
- 39:23uns processos mais solitários. Então...
- 39:28Porque são coisas que geralmente as pessoas também
- 39:29têm muita dúvida, essa curiosidade, né? Se
- 39:32esse trabalho totalmente sozinho, pai, escrever foi
- 39:35no mundo, ou existiu ali uma trajetória, um preparar
- 39:39com o fulano, editar com o ciclando, como tem sido pra
- 39:41você? Então, pra mim foi sempre muito
- 39:44solitário, assim, quando eu escrevi o Larva, quando eu
- 39:48escrevi o Berro do Bodi, né? Eu...
- 39:52Só rolou as revisões, assim, sabe, quando vai pra
- 39:55editora e aí volta e você revisa mais técnico. Revisão
- 39:58mais técnica. Aí, com o inventário... Ah,
- 40:03também não teve tanto mais esse romance que eu escrevi
- 40:07agora, tá dando um pouco mais de trabalho, sabe? Eu
- 40:11escrevi ele... E aí, eu escrevi mais uma
- 40:15vez. Aí, eu escrevi mais uma vez.
- 40:18Aí, agora, eu estou escrevendo
- 40:19a quarta vez. Isso é um aprendizado importante,
- 40:23né? Eu chego uma hora pra você
- 40:25pegar um rã so do Leão, eu não suporto. Eu
- 40:28não vejo a hora desse livro pro mundo, eu não
- 40:29quero ver ele nunca mais. E
- 40:31o pior é que, assim, tem que ir daí divulgar, né? É
- 40:33o aprendizado importante, isso da reescrita, né? Faz
- 40:36muita diferença. Aí, a gente vê como melhora,
- 40:40né? Você pega a primeira versão,
- 40:43você fala, gente, isso aqui é um rascunho. O
- 40:44que eu tinha feito, né? Isso
- 40:46aqui é um esboço. E aí, eu escrevi três versões
- 40:50do livro, e aí, agora, ele tá no processo de edição
- 40:54com a suma, e eu tô fazendo essa quarta
- 40:57reescrita. Legal. Que aí, eu tô lapidando,
- 41:00assim, né? Aí, tem algumas coisinhas que
- 41:03dá pra dar uma amarrada melhor, né? E
- 41:05tudo mais. E é isso, a gente faz parte
- 41:07de ver esse processo de reescrita. É
- 41:09um trabalho do som. Escrever
- 41:10é reescrever, como diria. Um
- 41:12trabalho que as pessoas, às vezes, nem imaginam. Elas
- 41:15acham que a gente só escreve. Gente,
- 41:17é um trabalho... de morrer, assim. Quantas
- 41:21horas da sua vida você gasta? É
- 41:23muito tempo. Tem que gostar muito. Mas,
- 41:27ao mesmo tempo, eu não sei vocês, ao mesmo tempo, pra
- 41:29mim, é que dá esse trabalho enorme. Eu
- 41:31lá procuro tempo, procuro horas, mas também me dá um
- 41:35prazer muito grande de estar fazendo, tá? Também
- 41:38reservando horas da minha vida, ali, pra aquilo. E
- 41:41como que... e falando em horas? Quanto
- 41:43tempo vocês conseguem reservar na vida de vocês
- 41:45pra escrita? Existe alguma organização, ou é um
- 41:48caos? Às vezes, existe um mês que
- 41:51se escreve muito, um mês que se não se escreve
- 41:52nada, como que é pra vocês? Porque
- 41:54a gente, né, é todo esse trabalho. Vocês
- 41:56dois têm filhas, então, também é um outro trabalho
- 41:59ainda. Ah, gente, hein? Eu
- 42:01dei o dedo no cuio. A Rafa me fala exatamente
- 42:06isso. A gente se lembra de um logo
- 42:08muito interessante. Cara, é assim. Eu
- 42:11acho, novamente, que quem chique é, é, é, reespiram,
- 42:14quem tem tempo a escrever, tipo, ah não, reservo três
- 42:18horas, eu desigito, rapaz. E
- 42:20tu começa com uma xícara de café, e então, depois
- 42:23de 15 minutos de contemplação, eu começo a
- 42:25escrever. Eu acho que é, rimo, que faz
- 42:27isso. A máquina. Cara,
- 42:31assim, o Larinde, o nome do livro não é Larinde. O
- 42:33Larinde, eu escrevi... Enquanto
- 42:36eu... né, como você ficou quatro anos
- 42:38ainda na luta, mas assim, eu peguei ele pra valer,
- 42:41eu tava grávida, eu não me perpere. Segundo
- 42:44o filho. Então... Tá tão tranquilo, não é
- 42:48mesmo? Por que? Não
- 42:50enfiar mais um dedo no cu, não é mesmo? É...
- 42:54Aí, cara, basicamente, você escreve assim, quando dá,
- 42:58às vezes, tipo, eu tava com um peito de fora
- 43:00escrevendo com a mão aqui, assim, você acha tempo,
- 43:04porque, não sei como que é pra você ver, assim, até a
- 43:07minha escola falou, se você não escreve, você fica mal,
- 43:09você fica, tipo... Eu fico. Eu
- 43:11penso que, assim, pelo menos um pouquinho, por
- 43:16dia, por mais, seis, cinco minutinhos, eu já faço
- 43:20alguma coisa. É isso, vocês querem ficar
- 43:22com criança gritando, com o cachorro gritando, com o
- 43:24cachorro, o gato pulando em cima de você, no banheiro,
- 43:27assim, tipo, não tem drando, não tem luxo. Não
- 43:31é nem romantizando, porque, na verdade, eu gostaria
- 43:33muito que literatura brasileira fosse comer
- 43:35outros países, que a gente recebe adiantamento, com o
- 43:37Direito Doctoral, recebe antes de ter escrito o
- 43:40livro, mas não é. Só que, não romantizando, mas
- 43:43eu gosto de pensar nesse espaço possível, porque eu
- 43:46fiquei muito na minha cabeça, onde eu tava
- 43:48ouvindo um podcast, e que eu gosto muito, é o Noia
- 43:50Minha, e eu tava ouvindo um episódio antigo, que ela
- 43:54tava gravando com o Bookster, a Cafê Ender com
- 43:56o Bookster, só que eles falaram uma coisa, que eu
- 43:59fiquei muito assim, não, mas e foi isso, ninguém me
- 44:01poderia escrever, porque eles estavam conversando,
- 44:03sob o processo de escrita, ela falava, não, porque se
- 44:05você não tiver pelo menos, eles cinco horas que você
- 44:08pode parar do dia pra escrever o livro, você não
- 44:11tem como, nem querer escrever o livro, e é isso
- 44:13me incomodou muito, porque eu falava, gente, mas
- 44:16ninguém vai ter então, você ter lá uma parcela muito,
- 44:19muito pequena da população. Gente,
- 44:22claro, esse espectro escrevia com a máquina no
- 44:24qual, com as crianças, correndo em volta. Então,
- 44:27não romantizando, essa querendo um pouco, uma
- 44:30falta de profissionalismo, que a gente ainda tem, de
- 44:32profissionalizar a carreira literária no Brasil, mas,
- 44:35se a gente for pensar nisso, só vai escrever o
- 44:37livro, quem tiver cinco, quatro horas ali, do dia
- 44:40todo dia, pra te abrir, ninguém vai escrever. Então,
- 44:42existe, acho que, essa fase de você realmente
- 44:44encontrando espaços na rotina, encontrando momentos
- 44:47possíveis, né? Total, eu brinco que meu sonho de
- 44:49princesa é um dia ficar muito rica, comprar uma
- 44:51casa no campo e ficar escrevendo com uma roupa
- 44:53com molinha, tipo... Ah, se queria ser a escritora
- 44:55da montanha, a gente se aconteça, essa personagem já
- 44:58parece das conversas. Aquela mantinha que sente os
- 45:01braços. Se eu pudesse, eu seria essa
- 45:04pessoa, mas, enfim, é impossível. Eu
- 45:06não queria ser essa pessoa, porque todos os filmes de
- 45:08terror, que eu já vi, com isso que todos os filmes,
- 45:09eles conversam assim, com uma escritora que fala,
- 45:13alguém fala, eu vou passar três meses numa casa de
- 45:15madeira no meio do campo e essa pessoa vai morrer,
- 45:17então... Não, mas ela pode ser uma final
- 45:19girl, ela souber... Exatamente.
- 45:21Eu começo o livro, esses rascunhos foram encontrados
- 45:24na casa, no dia 12 de agosto, de 9... É
- 45:27tipo, pessoas sobreviveram. Tem
- 45:28muita essa história, não tem? Eu
- 45:30já vi alguns filmes de terror com essa primeira
- 45:31vez. Gente, um menado. Uma
- 45:32escritora... Exatamente. Alguém vai se isolar para
- 45:37escrever no meio do nada e vai morrer. Inclusive,
- 45:39vocês viram que o Carros, que agora tem um menino,
- 45:41eu tinha uma menina agora, tem um menino que já
- 45:43estava enciado em Carros. E tem um episódio, que tem
- 45:46uma menina séria do Carros, o filme, sabe? A
- 45:49animação. Relâmpago Marquinhos, como falo. Que
- 45:52tem uma homenagem ao iluminado, vocês já
- 45:54assistiram? Gente, é tão legal. Não
- 45:57fio? Não, eles fizeram uma série,
- 46:00eles na estrada, e aí tem uma cena dele, tipo com os
- 46:03carinhos, tem as duas gemias, assim, que tudo é
- 46:06tão legal. É tão legal. Bom
- 46:09demais. E como estão os processos de
- 46:11vocês agora, gente? Rafa, você está com um livro
- 46:13novo vendo, você está nessa fase em busca de editora,
- 46:17e você verendo, você está em finalização. Eu
- 46:20queria entender depois desse processo... Esperar
- 46:23um pouquinho, Rafa, para eu te ver. Pronto,
- 46:25só deixa que eu tomeu o pulmão. Depois
- 46:27desse processo, vocês conversaram um pouco para
- 46:29mim também de divulgação. Rafa,
- 46:31que é publicitária, Verena falou que é mais low
- 46:34profile. Depois desse processo inicial de
- 46:36escrita, como vocês pensam isso da divulgação para
- 46:38chegar em público? A gente pensando em horror,
- 46:41enxitopia, enterrou. É um processo diferente do
- 46:44que vocês acham dessa outra divulgação, que a gente
- 46:46pensa para esses livros de literatura contemporânea, sem
- 46:49ser de gênero ou não. Ou segue ali a mesma cartilha.
- 46:52O que vocês acham que tem
- 46:54sido importante? Ai... Então, para o próximo livro
- 46:59eu estou pensando em pegar um empréstimo e contratar
- 47:02uma assessoria de imprensa. É
- 47:03uma boa... E é uma boa, porque cada um
- 47:06entende onde o calo aperta. Se
- 47:08você, por exemplo, como você falou, não é uma
- 47:09pessoa que gosta muito de fazer, de ficar indo atrás,
- 47:12que é um perfil, acho que, diferente da Rafa, que já
- 47:14trabalha com complicidade? Eu
- 47:15também não tenho criatividade nenhuma. Eu
- 47:18não faço ideia do que eu faço. Eu
- 47:20fico tipo assim, gente, mas será que eu faço uma
- 47:22dancinha? É difícil hoje em dia, porque
- 47:24é muito isso do vídeo. Então,
- 47:26assim... Eu divulgo as resenhas, as
- 47:29avaliações das pessoas e coloco algumas coisas nas
- 47:32temáticas. E é isso, mas eu estou
- 47:36pensando seriamente, assim, sabe? Encontratar
- 47:39uma assessoria, nos primeiros meses de
- 47:41lançamento, juntar um dinheiro e tentar fazer. É
- 47:46uma boa coisa para quem pode investir, justamente,
- 47:48já que a gente pensa, a gente tem ali um livro,
- 47:50tem alguém que vai escrever, tem alguém que
- 47:51vai ser o trabalho de revisor, alguém que vai ser
- 47:54o capista, alguém que vai fazer o design, vai ter
- 47:56alguém que vai ver com esse trabalho da comunicação
- 47:57também, né? A gente tem que entender que
- 48:00um livro existem muitos trabalhadores envolvidos para
- 48:03quem pode, às vezes, bancar. Nem
- 48:05todo mundo pode bancar, mas a gente acaba tendo que ir
- 48:07por conta própria, né? No meu caso, eu tenho o Zé.
- 48:12O Zé é meu marido
- 48:14publicitário. O Zé é o publicitário, é um
- 48:16publicitário que nem eu. E a gente literalmente sentou
- 48:19e fez um plano, vamos fazer esse plano aqui. E,
- 48:22cara, ele é assim, chegar ao trabalho cansadar, se
- 48:25ele é lá, tentar valer a autáscar as coisas para
- 48:26mim. Então, assim, eu acho que o Zé
- 48:29estava meio ferrado, assim, porque ele me ajudou muito
- 48:32nessa parte de divulgação. Porque
- 48:33também, eu tenho vergonha de divulgar, assim, eu
- 48:37divulgo porque eu preciso, mas... Ah,
- 48:41assim, eu sou tímida, gente. Eu
- 48:43sou de puxar papo com as pessoas, aí, você sabe, eu
- 48:46quase morro para dar oi para a galera, então... E
- 48:50acaba sendo um espaço que a gente, em contatora, hoje
- 48:52em dia tem que se forçar um pouco a ocupar, né?
- 48:57Não, total. Eu
- 48:58sempre fico me perguntando, assim, porque a gente fica
- 49:01colocando conteúdo na nossa página, mas ele está sempre
- 49:05sendo mostrado para as mesmas pessoas que já sabem
- 49:07o que é aquilo, né? E aí, eu fico mais a vapor
- 49:11de novo, mas todo mundo que me segue já sabe
- 49:14disso, sabe? Como que eu saio daqui e, tipo,
- 49:17sei lá, viralizo, né? É muito difícil, caramba.
- 49:21Tentar ocupar esses outros espaços,
- 49:23acho que é muito isso, a gente tem que ficar bolando
- 49:26um pouco essas estratégias mesmo. Não,
- 49:28total. A gente começa muito por
- 49:29aqui, que é, às vezes, sair também um pouco do
- 49:31online. Também existe uma circulação
- 49:33offline, que é muito importante para o livro. De
- 49:35você ir num evento, apresentar vocês ir num
- 49:38evento de literatura de terror, em feiras, em bate
- 49:42-papos, vai se colocando também, porque ele vai num
- 49:45boca a boca ali, um a um, né? E,
- 49:48gente, a gente está quase chegando aqui a uma hora
- 49:50de bate -papos, já conversamos bastante, queria
- 49:52entender um pouquinho quais são as referências de vocês
- 49:55hoje em dia para vocês escreverem, como a gente
- 49:58está pensando nesse literatura de gênero, outras
- 50:00perspectivas, no que vocês se inspiram para poder
- 50:03criar, o que vocês têm lido, o que vocês têm
- 50:05assistido, e o que mais motiva vocês... Espera,
- 50:10espera. Tuberclose. Tuberclose. O
- 50:12que mais motiva vocês na escrita, por exemplo, para
- 50:15mim é muito, acho que, muita leitura mesmo, mas
- 50:18não só leitura, às vezes, assistir uma peça, por
- 50:20exemplo, quando eu estava assistindo uma peça, me deu
- 50:22um inside que eu anotei uma coisa. Então,
- 50:24atualmente, quais são as principais referências e
- 50:27inspirações para vocês? Eu? Vamos ver. O
- 50:32último livro que eu li, um livro maravilhoso chamado Da
- 50:35Ilocância da Sardinha, que é um livro de curiosidade
- 50:39sobre a vida marinha, e assim, a gente eu chorei,
- 50:42você sabia, você vai se fazer isso. Não,
- 50:46é real. Você sabia que a mãe povo, ela
- 50:48não conhece seus filhos, porque ela é tão, uma mãe
- 50:50tão protetora que ela morre de nanição antes dos bebês
- 50:54nascerem? Sim, eu descobri, eu chorei, eu
- 50:57li o Zé tipo, salve o livro de Sardinha, e eu
- 50:58estava falando assim, eu estou chorando. Então,
- 51:00eu gosto desses livros com curiosidades absurdas, até
- 51:02no meu Instagram, e é rainha do conteúdo inútil,
- 51:05porque eu adoro, eu acho que assim, essas coisas
- 51:06mais aleatórias, porque você vai sempre na mesma fonte,
- 51:09vai escrever sempre igual. Sempre
- 51:10a mesma coisa, é verdade. Então,
- 51:12eu gosto muito dessas coisas de curiosidade
- 51:13inútil, uma pessoa que eu gosto muito, até postei
- 51:16esses dias no meu Instagram, é o Ted Chang,
- 51:18que o cara que o conto dele virou a chegada,
- 51:23porque ele é maravilhoso, se vocês não leram nada
- 51:25dele, só escreve contos, é maravilhoso, ele tem um
- 51:27inspiração chamado, que é ficção científica, e assim,
- 51:32e era uma coisa que, o Zé conversava muito, que eu
- 51:34tinha o dificuldade de explicar melhor algumas
- 51:37coisas no meu livro, assim, porque que isso está
- 51:40acontecendo tal, e ele, cara, ele me usa de um
- 51:43jeito, o negócio, que assim, você se sente quase
- 51:46um cientista lendo, ele explicando as coisas que
- 51:48estão acontecendo. Então, o livro dele é maravilhoso,
- 51:49pra quem quer começar a escrever ficção científica,
- 51:52assim, sério, esse homem é maravilhoso. E
- 51:54eu acho legal, porque ele pega às vezes uma coisa,
- 51:56tipo, ah, ficção científica, ah, vai ter um ET, vai
- 51:58vira aqui a nave espacial, não, cara, ele tem um que
- 52:03é a torre da babilônia, tipo, ele tem um que é a
- 52:08terra abre, você começa a ver os ângios e os
- 52:10demônios, você consegue ver, e você vai ficar, e é
- 52:12muito legal o jeito que ele escreve, então, acho
- 52:15que o Ted Chang é uma referência que eu acho que
- 52:18vale a pena, e eu acho que as pessoas não falam
- 52:19muito dele. Eu sei que ele é superfamoso,
- 52:21que virou um livro, mas assim, eu não vejo as
- 52:22pessoas, tipo, ah, você viu o livro do Fulano? Não,
- 52:24então, eu acho que é uma referência legal, né, a
- 52:27minha diva amor, que você já sabe que aí é que a
- 52:30Noemi Jaff, que eu amo essa mulher, tipo, se ela
- 52:33derrubar a lista de mercado dela, eu vou ler a lista
- 52:35de mercado dela. Quando eu quero encontrar a Rafa,
- 52:37eu vou no evento, que é a Noemi Jaff, sei que ela
- 52:39vai estar lá, exatamente, a Senhora Ejava, ela falou,
- 52:42vou, já tô lá, assim, que eu acho ela incrível, o
- 52:45que ela sussurra pra mim é uma obra de arte, aquilo,
- 52:48o que os cegos estão sonhando pra mim é um
- 52:50acontecimento, aquele livro, eu amo muito, então, é
- 52:53Noemi Jaff, Ted Chang. Eu acho que você ler também,
- 52:58fugir um pouco, tipo, ah, vamos estudar os solos
- 52:59americanos, ou vamos estudar os solos brasileiros, então,
- 53:02por exemplo, que eu gosto muito desse livro, que é o
- 53:05Beton Royale, que virou um filme depois, que é,
- 53:10basicamente, é uma distopia onde o Japão envia um
- 53:13grupo de adolescentes pra se matar numa ilha pra
- 53:16ensinar os jovens, assim, então, também, é um livro
- 53:19super interessante, eu gosto muito da Dupal Hariri, que
- 53:22é uma escritora que ela tem contos e romances, que
- 53:25é muito legal, ela pega essa coisa de você ser uma
- 53:28pessoa imigrante, você nunca se sente completamente alí
- 53:33no lugar onde você é, eu acho que o texto dela é
- 53:38maravilhoso, eu gosto muito de ver da parte de terror,
- 53:43eu gostei muito do livro do Cristiano Aguiar, gostei
- 53:47muito do Código Número de Estilo, achei muito legal o
- 53:49livro dele, eu estalquei ele, e persegui ele, a Isa
- 53:52Sávia deu uma perseguida no coitado. É
- 53:53um querido, é muito bom o livro dele. É
- 53:56muito legal, aquele da parte da Onça, eu pirei
- 54:00forte, assim, é maravilhoso. Mônica
- 54:04Oreda, eu li, e tenho inclusive, eu pego uma
- 54:09frase da Mônica Oreda no meu livro novo, que ela
- 54:11faz sobre umas gêmeas que fazem uns sons malucos e
- 54:16tal, então eu gosto muito daquele livro, referências
- 54:19de não... cara, a última referência, tem um
- 54:25podcast chamado, agora esqueceu o nome dele, mas
- 54:28você sabia dessa história que ela é uma mulher que
- 54:30ela criou um escritor, e todo mundo comprou esse
- 54:34escritor, mas ele nunca existiu, tipo, ele era
- 54:36amigo da Madonna, da Carrie Fisher, não sei o que, ele
- 54:39nunca existiu, tipo... Mas é o que ela escrevia,
- 54:42fingindo que era esse dono? Ela
- 54:43dizia que era uma mulher, e ela dizia que ela era
- 54:47um menino, eu vou até estar procurando aqui o
- 54:49nome, ele era um menino com aides, que se
- 54:53prostituía nas ruas, e não sei o que, que tinha o
- 54:56sonho de ser escritor, e aí eu falei, todo mundo,
- 54:58cara, ela comprou, e ele começou a vender livro pra
- 55:00caramba, tipo, ia andar, ia ter uma adaptação
- 55:03cinematográfica, e aí eu descobriu que o menino não
- 55:05existia, e aí pra ela não aparecer, ela contratou uma
- 55:09mulher pra se fantasiar, e tipo, aqui ó, esse chama o
- 55:12escritor fantasma, o nome... ai,
- 55:14como que é o nome do cara aqui? Esse
- 55:15é um podcast? É, o nome... é
- 55:17mais influência, o nome do podcast, mas o episódio
- 55:21escritor foi... é o D .T. Lee
- 55:22Roy, e ela ficou anos escrevendo, decidendo que
- 55:27era ele, e o cara nunca existiu, cara nunca existiu,
- 55:31então assim, eu achei isso bizarro, e também eu vou
- 55:33jogar essa referência aí. Adorei
- 55:34as referências, e é isso, em referências diferentes,
- 55:37né? Sim. Mas olha que louco isso, é
- 55:38tema pro outro papo, mas isso que você falou, acho
- 55:41que, desse último episódio, me lembra essa questão de
- 55:43que, as vezes, o personagem que escreveu o livro, como
- 55:46se fosse o personagem do autor, vem demais do que o
- 55:48próprio livro hoje em dia, né? Isso
- 55:50é muito louco. Em algum caso... E
- 55:55pra você, Verena. Então, eu gosto muito de... de
- 56:00tudo que tem em relação com o que é rural,
- 56:06regional, que tem a ver com a natureza, selvagem.
- 56:12Ana Paula May? Na
- 56:14verdade, na verdade, não. Adorei
- 56:19que foram um segundo de palmas. Ela
- 56:23é ótima, gente, a Ana Paula May, ela é
- 56:26inegavevelmente boa, mas não dialoga comigo, assim, a
- 56:29nome. Eu gosto muito, muito, muito
- 56:32do José Mauro de Vasconcelos, Graciliano
- 56:36Ramos, gosto muito de José J. Vega.
- 56:40Me inspira muito, assim, o Faulkner com o Gótico Mais
- 56:44Sulista, assim, tipo, enquanto Agoniz, o Sonha
- 56:47Furia. Me inspira muito, assim, a...
- 56:52Também tem uma autora inglesa que
- 56:55eu amo, ela é muito pouco conhecida, aqui no Brasil,
- 56:57que é Angela Carter. Ela escreve muito... Ela
- 57:01meio que pega os contos de fadas e ela subverte. E
- 57:05ela transforma em outra coisa, mas tem muito isso
- 57:08do homem bicho, da mulher bicho, eu gosto muito dessa
- 57:12coisa híbrida. Da natureza influenciando no...
- 57:18esse jogo do humano com a
- 57:19natureza. Eu me inspiro muito, né? Por
- 57:24infância, pela infância, gosto muito do universo,
- 57:29dos insetos. Que legal isso. Gosto
- 57:33de causos, de histórias, de tradição oral. São
- 57:39as coisas que mais me me inspiram, assim. E...
- 57:44Acho que é basicamente isso, mas, assim, em
- 57:46autores, né? É muita referência legal que
- 57:51vocês nos trouxeram, acho que exatamente uma
- 57:52referência saindo até um pouco das bolhas que a
- 57:56gente vai criando do que tá todo mundo lendo, todo
- 57:58mundo falando, acho que. Claro
- 57:59que as latinas todas, assim, né? Tipo,
- 58:01a Amônia Correda, Agostina Basterrica, que também, eu
- 58:04não sei se você leu que ela escreveu aquela distopia
- 58:06do saboroso cadáver. Sim. Temos uns títulos incríveis.
- 58:12A Maria Fernanda Ampoeiro, eu
- 58:14diria até que ela é minha favorita, assim, dessas
- 58:17contemporâneas. Tem a Fernanda Trias. Fernanda
- 58:20Trias. Gosma Rosa. Gosma
- 58:22Rosa é muito bom, sim. A Amônia Correda mesmo, a
- 58:27Fernanda Melkor, de temporada de Furacões, a
- 58:31Mexicana. E... aí, qual é o nome de
- 58:33Paradaes, aquele livro também é maravilhoso. Tem
- 58:36a Brenda Navarro, também, que é incrível. Eu
- 58:39também gosto muito de uma russa que chama ali o de
- 58:41Mila Petroshevskaya, que ela tem um livro que é a
- 58:45companhia das letras de Sarduzil, que se chama era
- 58:49uma vez uma mulher que tentou matar a bebê da
- 58:52vizinha. E aí são contos. Ela
- 58:55tem uma pegada bem sólita, assim. Ah,
- 58:58eu gostei, vou procurar. É massa. O
- 59:02pessoal do Realismo Fantástico, Gabriel Garcia
- 59:04Marques, Roli Cortázar, Borg. Tem
- 59:06um... Tem um japonês. Vou
- 59:09até abrir aqui no meu quinto, que eu não lembro
- 59:10o nome dele. Mas eu achei... Só
- 59:13que tem só inglês. É chique. Não,
- 59:16isso... Eu leo assim, né? Mas
- 59:18é importante entender, não é mesmo? Que
- 59:21é esse cara aqui, ó, o nome dele é Iatsukata
- 59:24Tsutsui. Pô, moço. Não
- 59:26me sou... Iatsukata Tsutsui. E
- 59:30o nome se chama Salmonella Men. Caramba.
- 59:34Nossa, já vi. É uma história muito louca.
- 59:37Eu li o primeiro conto, que
- 59:38tem uma árvore que você dá para as pessoas e o seu
- 59:41sonho fica, tipo, vívido, assim. E
- 59:44aí, eles têm um sonho vívido que é a mulher que
- 59:48eles estão andando pela rua e eles começam, tipo,
- 59:51translocamente com a galera. E
- 59:53deles acordam, só que eles acham que eles ainda estão
- 59:55no sonho vívido e eles começam, tipo, acham, vim,
- 59:57vão na vizinha, assim, ó, eu tô tendo um sonho. Será
- 59:59que você pode transar comigo? E
- 1:00:01é, tipo, bizarro. E eu adoro essa coisa com
- 1:00:04você, eles falam assim, cara... Que
- 1:00:05pessoa é mais que uma pessoa? Influência
- 1:00:08essa pessoa tava quando ela escreveu isso. Esse
- 1:00:10ele vai bem legal, bem legal mais. Ah,
- 1:00:12é legal. Ah, gente, super obrigada. Hoje
- 1:00:14a taxa não tá aqui para a gente falar, temos um
- 1:00:16episódio, então, falar, temos um episódio, temos. A
- 1:00:20gente sempre tem terminado assim, mas, obrigado pela
- 1:00:23participação. Dorei bater esse papo. Dorei
- 1:00:25que acho que a gente teve muita sereferência diferente
- 1:00:27para poder sair da bolha, para ler coisas diversas. E
- 1:00:31isso é importante, acho que, para tanto leitores,
- 1:00:33quando eu estava dizendo, para qualquer escritor, não
- 1:00:35necessariamente escrevo horror, terror, a gente se
- 1:00:37permitir experimentar novas leituras, novas paisagens de
- 1:00:42livros, isso ajuda demais na criatividade, ajuda a
- 1:00:44gente com a escrita, acho que é um exercício bem
- 1:00:46legal. E, obrigada, então, pela
- 1:00:48participação. Adorei o papo de vocês. Obrigada,
- 1:00:51foi muito bom. Adorei conhecer vocês, a Rafa, ao
- 1:00:55vivo e a Coris. E procurando a Rafael Riel e
- 1:00:58Verena Cavalcante. Procuriam os livros das duas, a
- 1:01:00gente tem muita coisa bacana para ler, muita
- 1:01:02coisa que será lançada ainda por elas. E
- 1:01:05a Rafa, finalista de Jabuti. A
- 1:01:07gente lembra da escarteirada. Lembrem
- 1:01:10-se, editoras e editoras, que a Rafa fez de Jabuti.
- 1:01:14Gente, obrigada, tchau, tchau.
- 1:01:17Tchau. Oi, aqui é Tatiana Losaroto
- 1:01:20e eu estou invadindo esse episódio de Duelas Na
- 1:01:22Escrita. Infelizmente, eu não consegui participar
- 1:01:25da conversa no estúdio com a Rafa Riela e a Verena
- 1:01:28Cavalcante sobre terror e distopia. Mas
- 1:01:31eu vim aqui contar para vocês que a gente convidou
- 1:01:34uma escritora, representante de um gênero, em que as
- 1:01:38mulheres também disputam o espaço e o conhecimento,
- 1:01:40que é o humor. Por isso, a gente chama agora
- 1:01:43Paula Gomes, escritora de livros com Ninguém Morre
- 1:01:47sem Ser Anunciado para falar para a gente um
- 1:01:49pouco dos desafios e das delícias de ser uma mulher
- 1:01:53no humor. Agora, ouvi a Paula. Olá,
- 1:01:58eu sou Paula Gomes. Eu sou escritora e
- 1:02:00materialista. Eu escrevo histórias, livros,
- 1:02:04contos e, às vezes, até poesias de humor. E,
- 1:02:07como vocês podem ter percebido pela maneira que
- 1:02:09eu falei humor, puxando um pouco o R no final, eu
- 1:02:12sou do interior. Eu sou aqui de Campinas, do
- 1:02:15interior de São Paulo. E eu estou aqui, é convite
- 1:02:18da Tati, para falar um pouquinho com vocês sobre
- 1:02:21as dores e as delícias de escrever humor no Brasil,
- 1:02:24sendo mulher. Eu vou começar pelas dores
- 1:02:27porque eu adoro reclamar. Então,
- 1:02:29esse é o meu lugar de conforto. Então,
- 1:02:32vamos lá. Eu se me sinto um pouco
- 1:02:34solitária escrevendo humor no Brasil, porque não é um
- 1:02:37dinheiro muito popular entre os escritores. Eu
- 1:02:41acredito que um dos motivos, talvez o principal
- 1:02:44motivo, seja que a crítica inteira da brasileira não
- 1:02:48dá muita bola para esse gênero. Então,
- 1:02:50eu imagino que o escritor brasileiro deva pensar por
- 1:02:52que eu vou investir tanto tempo num trabalho tão
- 1:02:56cansativo que é escrever um livro para depois ser
- 1:03:00ignorado pelo jornalista, crítico literário, portais,
- 1:03:06para não dizer os prêmios, os primeiros literários que
- 1:03:10ignoram -se, um variamente, o gênero. Dos
- 1:03:12poucos que se aventuram no gênero, a maioria são
- 1:03:15homens. Foi que eles são os homens
- 1:03:17estimulados, desde criança, serem engraçados. Então,
- 1:03:22é natural que quando eles chegam na idade adulta,
- 1:03:24eles se sentam muito ácidos e autorizados a perseguir
- 1:03:28humor profissionalmente, escrever piadas. Já
- 1:03:33as mulheres, elas nunca foram na opção estimuladas
- 1:03:36a serem engraçadas, pelo contrário, as estimuladas a
- 1:03:39serem sérias e responsáveis. Então,
- 1:03:41esses homens já têm anos de experiência, contando
- 1:03:44piadas para os seus amigos, ver o que funciona e não
- 1:03:47funciona, testando, repertório. E
- 1:03:49as mulheres encheiam, de certa forma, um pouco
- 1:03:51cruas. No mercado, precisam recuperar
- 1:03:55de algum maneira o tempo perdido. Explorar
- 1:03:58qual que vai ser o seu estilo, qual que vai ser a
- 1:04:00sua voz. Tudo isso, a gente chega bem
- 1:04:02atrasada, enquanto os homens já estão meio adiantados
- 1:04:06nisso. Por isso que eu admiro tanto
- 1:04:08algumas escrituras brasileiras que se estão no
- 1:04:12gênero, que escrevem no gênero como a Vanessa
- 1:04:15Barbra e a Tair Lourenço, só para citar algumas,
- 1:04:18porque a barrera de grana é muito grande, tanto
- 1:04:21externa quanto interna mesmo para a nossa criação.
- 1:04:24Porque eu sinto que a mulher
- 1:04:26desde criança é autorizada a no máximo ser
- 1:04:29engraçadinha. E nunca de fazer piadas,
- 1:04:35elaboradas, que incomodem quanto mais persegui isso
- 1:04:38profissionalmente. Pronto, acabou a reclamação.
- 1:04:41Proveto. Vamos falar agora de coisa
- 1:04:44boa, vamos falar das delícias de fazer humor no
- 1:04:47Brasil sendo mulher. Eu sinto, implicamente, que é
- 1:04:51um gênero que tem bastante público, até com uma
- 1:04:54demanda reprimida, assim, no Brasil. Porque
- 1:04:57eu publiquei, são foram três livros até até o
- 1:05:02momento, de forma completamente dependente, e
- 1:05:05sem divulgação nenhuma, porque eu não tenho
- 1:05:07paciência, nem tempo, nem dinheiro para investir nisso
- 1:05:10nesse momento. E mesmo assim, os hígios
- 1:05:13chegam nas pessoas e chegam em muitas pessoas. E
- 1:05:16eu os rei disse porque elas vêm, né, por meio das
- 1:05:18redes sociais, começam a comigo, falar de que leram
- 1:05:22determinado livro meu, ou até mesmo os três. Algumas,
- 1:05:26não, muitos até falam que estavam passando por
- 1:05:28momentos meio complicados da vida e não queriam é nada
- 1:05:31pesado, queriam ler realmente uma coisa leve, e
- 1:05:33o livro ajudou muito elas, né, esse tipo de leitura
- 1:05:36que ajudou muito elas. São livros que não tiveram
- 1:05:40divulgação, chegam umas pessoas porque elas estão
- 1:05:42procurando por isso ativamente, por uma leitura
- 1:05:46mais leve, em alguns momentos da vida e tal. E
- 1:05:49eu acho que o mercado brasileiro ignora um pouco
- 1:05:52esse público, essa demanda reprivida. Na
- 1:05:55frente não ignora porque ele traz livros de
- 1:05:58escritores de outros países de um morro que são todos
- 1:06:02ir deslocalizados para o mercado brasileiro. Mas
- 1:06:04eu acredito que se o mercado editorial brasileiro
- 1:06:09apostasse nesses escritores brasileiros de um morro, em
- 1:06:12mim, eu acho que poderia dar algum certo porque o
- 1:06:17morro ele é bastante, ele é regional, né, o morro
- 1:06:22depende de uma comunidade compartilhada. É
- 1:06:26muito mais fácil um brasileiro fazer um outro
- 1:06:28brasileiro rir do que o norte americano, né, fazer
- 1:06:30um outro brasileiro rir. As referências são diferentes,
- 1:06:34as experiências, né, são diferentes. Então
- 1:06:38eu acho que se o mercado editorial brasileiro
- 1:06:41apostasse mais brasileiros de um morro, eu acho que
- 1:06:43são livros que venderiam, assim, que farem algum
- 1:06:47sucesso, assim, talvez não pela crítica, né, mas de
- 1:06:52público, assim, que venderiam razoavelmente bem.
- 1:06:56Mas eu preciso fazer uma
- 1:06:57ressalva, né, eu preciso responder a que acho que
- 1:07:00não é inteligente aceitar nenhum conselho financeiro
- 1:07:03meu porque eu já tive uma empresa de roupinhas para
- 1:07:06cachorro e eu fali essa empresa então acredito que
- 1:07:10eu não tenha muito cacife para comentar sobre mercado
- 1:07:14algum. Bom, então é isso. Você
- 1:07:18vai agradecer muito a tarde pelo convite e convidá -los
- 1:07:21a ler meus livros todos disponíveis na Amazon do
- 1:07:25precinho. Tchau.