Latest / Product Guru's : Produto | Negócios | Carreira / A Crise da Agilidade no Mercado — Rodrigo Yoshima
Transcript
- 0:00Cara, as pessoas precisam, cara, ter um pouco desses moldes,
- 0:03coisas do tipo, né? Eu não tô falando assim que você
- 0:06não vai copiar nada, cara, da Apple, não vai copiar nada,
- 0:10cara, de uma Google da vida, né? Só que o que eu vejo, Pablo, é
- 0:16que o Rodrigo Oliveira lá, cara, das PECOM, uma vez ele comentou,
- 0:21cara, às vezes as pessoas, elas estão ficando meio que
- 0:24desalmadas, entendeu? Tipo, elas não conseguem pensar,
- 0:28cara, fora de uma cultura pré-estabelecida.
- 0:35Isso é a parte triste, cara, porque...
- 0:39Pô, cara, eu realmente acredito que brasileiro tem imaginação,
- 0:43eles conseguem arranjar soluções, a restrição é a mãe da
- 0:46inovação. Oi, tudo bem com você?
- 1:05Meu nome é Paulo Schold e você acaba de dar play no Proite
- 1:08Gurus, o podcast que aborda assuntos como gestão de
- 1:11produtos, negócio e tecnologia de perito aberto e sem a
- 1:15necessidade, sem querer ganhar discussões.
- 1:20Hoje é um grande dia para a gente porque depois de quase
- 1:22cinco anos... depois de quase cinco anos, a gente tem ele, um
- 1:28dos maiores nomes da agilidade do Brasil aqui entre nós, que é
- 1:33Rodrigo Yoshima. Seja bem-vindo, Rodrigo Yoshima,
- 1:36ao PGE, a esse humilde podcast. Tudo bem com você?
- 1:40Um abraço, Paulo. É um grande prazer participar do
- 1:43Product Guru. E você comentou que ficou
- 1:46surpreso com o aceitado. Deveria ter chamado antes.
- 1:49Poderia ter participado muito antes.
- 1:51Pô, Então, na próxima vez, eu serei mais ousado e mandarei
- 1:56logo uma mensagem para você, Rodrigo, participar de outras
- 1:59coisas que ele pedia. Quem sabe, ano que vem, algum
- 2:03evento, levar o Rodrigo para falar de pônei a Jairo,
- 2:08barquinho no Miro, quem sabe. Bem, você deu play, tá ouvindo
- 2:13pelo Spotify e Apple Podcast, clique no botão seguir e deixe
- 2:16suas cinco estrelas, por favor. Cinco estrelas pelo Rodrigo, tá
- 2:20bom? Menos de cinco estrelas não
- 2:22precisa dar, pode continuar ouvindo de boa e vai embora.
- 2:28Se você tá assistindo a gente pelo YouTube, clique no botão
- 2:31inscrever e deixe seu joinha porque é muito importante pra
- 2:34nós. E além disso...
- 2:36Esse episódio é um oferecimento da Amplitude, a maior e melhor
- 2:39plataforma de Project Analytics do mundo.
- 2:42E quem fala isso não sou eu, é a Gartner, através do seu
- 2:46quadrante mágico anual lá. Coloca a Amplitude sempre lá na
- 2:51frente de todo mundo. Bem, eles criaram um e-book
- 2:56exclusivo em português que se chama Project Analytics for
- 2:59Dummy e o link para que você possa fazer o download gratuito
- 3:03está na descrição desse episódio.
- 3:05Além da Amplitude, a Tera também está com a gente aqui, a escola
- 3:11de carreira digital que você conhece, está aqui com a gente
- 3:14em mais um ano e também criou um cupom de desconto exclusivo, o
- 3:20link está na descrição, vai lá, clica no link e usa o nosso
- 3:23cupom que dá um desconto exclusivo e acelere a sua
- 3:28carreira ainda este ano. tá bom? Recados dados de forma rápida,
- 3:33sucinta, porque hoje o episódio promete, porque temos um dos
- 3:36maiores nomes da agilidade com a gente, então temos que ser
- 3:39ágeis, temos que ser rápidos. E aí, já coloquei ágil e rápido
- 3:44na mesma frase, os agilistas já ficam meio nervosos.
- 3:50Então, a gente vai abordar agilidade e produto também,
- 3:55gestão de produto com o Rodrigo Yoshima.
- 3:57E para que esse episódio seja de alto nível, claro, porque eu não
- 4:01tenho envergadura intelectual para falar com o Yoshima, eu
- 4:04chamei ele, né? Que tem...
- 4:07Um pouquinho mais de envergadura intelectual que eu, que é Pablo
- 4:12Silva. Tudo bem, Pablo?
- 4:13Ô, louco, acho que estamos perdidos aqui então, né?
- 4:16No fim do dia, mas... Olha, eu nem sei se eu sei fazer
- 4:19isso aqui mais, hein, Paulo? Faz tempo que eu não apareço por
- 4:22aqui. Talvez uns cinquenta episódios,
- 4:25um pouco mais. Você ainda tá contando o número
- 4:28de episódios? Ah, um pouquinho mais, né?
- 4:30Um pouquinho mais. Eu não conto, mas pelos meus
- 4:34levantamentos aqui... Eu sou o Data Driven, já
- 4:37passamos de duzentos e dezenove episódios.
- 4:40Ah, então faz um pouco mais. Mas tô bem, Paulo, obrigado
- 4:43pelo... Eu mesmo te mandei uma mensagem,
- 4:46não era me autoconvidando não, mas já que você me convidou, eu
- 4:50tô aqui. Não, o que é isso?
- 4:53Você já foi deve, já foi agilista, né, Pablo?
- 4:56Já fui. Já foi, né?
- 4:57É isso. E agora é...
- 4:59E agora eu sou produto. Pablo, antes da gente entrar na
- 5:02conversa com o Rodrigo, dessas três carreiras aí, qual que é a
- 5:07mais legal? Eu falei mais legal.
- 5:10Tá? Mais legal.
- 5:11Mais legal. Aí você me pega, hein?
- 5:14Olha, mais legal, eu diria que...
- 5:17Olhando pra visão de vida que eu tenho hoje, mais legal acho que
- 5:22é a JDev. Eu acho que eu vou concordar,
- 5:24hein? Isso, ótimo.
- 5:28Já estamos aqui mandando uma mensagem positiva para a nossa
- 5:32audiência, claro. Vamos começar com a pergunta que
- 5:35muitas pessoas me mandaram quando eu fui.
- 5:38Eu falei que ia conversar com você lá no LinkedIn.
- 5:42Me mandaram mensagens até que é para que você falasse um pouco
- 5:47sobre o cenário atual da agilidade.
- 5:50Ok. Bom, essa pergunta Pergunta é
- 5:54boa, Paulo, porque tem vários aspectos que a gente pode
- 5:58explorar sobre isso. Bom, uma das coisas que eu
- 6:02antecipei do mercado, eu tenho feito algumas previsões e
- 6:07acertado algumas previsões. Cara, nós vivemos nos últimos
- 6:13quinze, vinte anos, um período na economia, que foi um
- 6:18período... de muita abundância. Taxa de juros, cara, lá embaixo,
- 6:23todo mundo tendo dinheiro praticamente de graça, né?
- 6:27E isso, cara, inundou o mercado, criou uma liquidez inédita, né?
- 6:31E isso se aprofundou, cara, na pandemia.
- 6:36Pra nós aqui, por exemplo, da Supercom, a pandemia teve um
- 6:40crescimento, né? De alcance e tudo mais, porque
- 6:45os governos do mundo inteiro abriram a torneira de dinheiro e
- 6:48Isso inundou o mercado com uma liquidez inédita.
- 6:53E todo mundo estava empregado, todo mundo estava feliz e
- 6:56contente, especificamente na área da agilidade, criou-se uma
- 7:00demanda absurda. Hoje tem muito agilista
- 7:05desempregado, uma história, a meu ver, bem triste.
- 7:09Mas o que aconteceu? Nos últimos doze meses, Começou
- 7:16a ter um grande enxugamento, cara, dessa liquidez, cara, do
- 7:18mercado. E uma das coisas que adiantei é
- 7:22que a agilidade entraria em crise, isso foi lá por dois mil
- 7:25e vinte e um. Em dois mil e vinte e dois, eu
- 7:28adiantei, cara, que agilistas, a transformação organizacional, a
- 7:33transformação digital, tava constando, cara, como despesas
- 7:38discricionárias, cara, nas empresas, ou seja, aquilo que,
- 7:41olha, se a gente precisa cortar, a gente corta, né?
- 7:45E, de fato, cortou, né? De fato, cortou.
- 7:48Muitas organizações, um dos casos que foi o mais emblemático
- 7:52foi o caso que nós escrevemos lá no nosso livro, né?
- 7:55Se vocês acessarem lá a página do Asperco, esse livro está
- 7:58gratuito, né? O Guia Politicamente Incorreto,
- 8:00o cara da agilidade, né? Nós escrevemos esse livro no ano
- 8:02passado, né? A gente conta o episódio do cara
- 8:06do Capital One, né? O Capital One, quando eu ia nos
- 8:10eventos da Camoni Verde, por exemplo, lá no exterior, né?
- 8:14Isso lá por dois mil e dezenove, dois mil e dezoito, né?
- 8:17Antes da pandemia. Cara, os agilistas lá da Capital
- 8:22One, cara, eles tinham até uma certa soberba, assim, né?
- 8:25Nossa, eu sou agilista da Capital One e tal, né?
- 8:28E em dois mil e vinte e um, cara, a Capital One cortou,
- 8:32cara, mil e oitocentos cargos, cara, de agilidade, né?
- 8:37Quem assumiu foi o pessoal técnico, algumas outras posições
- 8:41de gestão, né? E isso, cara, se tornou meio que
- 8:44tendência, né? Depois a gente viu movimentos
- 8:47acontecendo, cara, na Europa, né?
- 8:50Das organizações, elas meio limarem, cara, os cargos de
- 8:53agilidade, né? E eu acredito, cara, que a razão
- 8:58pra isso é que o dinheiro acabou.
- 8:59Acho que essa é a principal razão, esse pra mim, cara, é o
- 9:02principal motor do negócio, né? E a outra razão também é que eu
- 9:07passei, cara, nos últimos meio que doze anos, vamos dizer,
- 9:12cara, pregando no deserto. Eu falava sobre que a agilidade
- 9:18precisava comprovar o seu valor, precisava ter métricas mais
- 9:23objetivas. Lógico, pessoal, que eu vejo o
- 9:26valor na agilidade, o mercado mudou por conta da agilidade,
- 9:29mas criou-se um oba-oba. Essa demanda exacerbada criou
- 9:35meio que um oba-oba. As pessoas imaginavam que...
- 9:39O rumo inexorável, cara, das organizações era, ah, vamos ser
- 9:43ágeis, ter sprints, ter squads e tal, né?
- 9:46E, cara, eu acho que os executivos, cara, ficaram com o
- 9:50saco cheio, cara. Falaram, ó, meu, vamos parar com
- 9:52esse negócio aí de fazer, cara, a retrospectiva do Pokémon aí e
- 9:55tal, é... Vamos colocar um pouco mais de
- 9:58seriedade, né? Cara, me mostre números, não vem
- 10:01falar pra mim, ah, cara, está mais ágil, né?
- 10:03Pô, eu quero saber o quão ágil...
- 10:05O quão mais ágil está, né? Então eu vejo isso, eu vejo que
- 10:12agilidade, cara, ela perecia um pouco, cara, ela precisava ter
- 10:16um pouco mais, cara, de objetividade e um pouco mais de
- 10:19comprovação de resultados, né? Porque, pessoal, não adianta,
- 10:23cara, na cabeça do executivo, cara, ele não vai seguir os
- 10:27princípios do manifesto, cara, ele não tá ligando, cara,
- 10:30exatamente pra isso, cara, entendeu?
- 10:33Ele tá, cara, precisando apresentar resultado, ele tá
- 10:35precisando, cara, melhorar a hibítida, né?
- 10:37E o que acontece é que muitas vezes as organizações largaram
- 10:42mão desses penduricalhos. Escrevi num post no meu
- 10:47LinkedIn, um tempo atrás, falando que eu vi dois
- 10:50movimentos distintos, Paulo. Empresas mais maduras, elas
- 10:54simplesmente diminuíram a dependência de times, elas
- 10:59diminuíram a dependência do coach de transformação, e eles
- 11:03começaram a utilizar uma abordagem mais orientada ao
- 11:06fluxo, como o Kanban prega, e outras organizações, que eram
- 11:11organizações de mais baixa maturidade, eles simplesmente
- 11:14cortaram os cargos de Scrum Master, muitos POs também foram
- 11:17mandados embora, eles simplesmente limaram, falaram
- 11:20assim, corta aí metade dos Scrum Masters.
- 11:25Eu ainda não sei dizer se essas organizações de baixa
- 11:28maturidade, se isso foi um erro ou não, né?
- 11:31Eu acredito que nos próximos meses a gente vai descobrir,
- 11:33cara, se isso aí vai ter um impacto nocivo ou não, né?
- 11:38Eu não tô aqui dizendo que, ah, limaram e não vai dar em nada,
- 11:42né? Eu tive contato com algumas
- 11:44organizações, cara, que cortaram, cara, metade do Scrum
- 11:46Master e não aconteceu nada, né? Ou seja, tinha uma gordura,
- 11:50cara, pra queimar, né? Mas eu não acredito que seja
- 11:53todos os casos. Não acredito que, como aconteceu
- 11:57algumas semanas atrás, falar que isso para o Master é inútil.
- 12:00Eu não acredito nisso. Então, eu acho que esse é o
- 12:04panorama que nós estamos hoje. O que vai acontecer no futuro?
- 12:09Cara, eu trabalho com dois cenários.
- 12:15Essa crise que nós estamos tendo hoje, de taxa de juros alta, não
- 12:18sei o quê, Quando essa taxa de juros abaixar, possivelmente o
- 12:23financiamento vai voltar, o investimento vai voltar, e pode
- 12:26ser que ainda existam sobreviventes no meio, e pode
- 12:34ser que um certo reaquecimento que venha, pode ser que exista
- 12:38ainda um futuro para quem está investindo na carreira, de
- 12:42agilista, etc. Ou pode acontecer também, é uma
- 12:47hipótese, Os executivos, cara, os acionistas olharem pra isso e
- 12:51falam assim, ah, cara, a gente não precisa disso aí, tá?
- 12:54Aí o Titanic já afundou de vez, cara.
- 12:56Aí ninguém mais vai salvar essa parada porque se colocou na
- 12:59cabeça que, ah, pô, a gente tentou...
- 13:01Aquela velha história, cara, que a gente vê acontecendo no
- 13:02mercado, cara, há décadas, né? A gente já tentou isso ano
- 13:04passado, né? E aí, pessoal, logicamente que
- 13:08vai surgir uma outra coisa, né? Logicamente que vai aparecer
- 13:11alguma outra moda do mercado, alguém vendendo soluções
- 13:14mirabolantes aí e tal, e sempre vai ter, pessoal, uma moda, né?
- 13:19Sempre vai ter uma onda, algo do tipo, né?
- 13:23Eu não consigo ainda dizer qual que é essa próxima onda, tá?
- 13:26Mas sempre aparece alguém, cara, vendendo algum pacote fechado, o
- 13:30cara para uma organização de baixa maturidade, a organização
- 13:32de baixa maturidade compra, cara, com um sorriso no rosto,
- 13:35achando que vai solucionar, cara, todos os problemas, né?
- 13:39Isso que é o problema que eu vejo hoje, cara, no mercado, né?
- 13:42A gente tem pessoas que, às vezes, não é má intenção, cara,
- 13:46pode ser, talvez, má informação ou...
- 13:49Eu não costumo, cara, alegar malícia antes de pensar, cara,
- 13:53que pode ser ignorância ou incompetência, né?
- 13:56Mas tem pessoas que comercializam dopamina, né?
- 13:59Tipo, ah, vou fazer aqui uma mensagem de marketing muito
- 14:02apelativa. E no fim, cara, organizações,
- 14:05pessoas acabam comprando isso, né?
- 14:09Então essa aqui é a minha visão, cara.
- 14:10Essa aqui é a minha visão. Eu não tenho, cara, uma
- 14:15previsão, cara, segura. Mas eu acredito que o caminho,
- 14:17cara, são só... Eu acredito que esse caminho são
- 14:19esses dois, cara. São esses dois.
- 14:22Ô Rodrigão, eu vou de forma meio... um pouco mais... assim,
- 14:26né? Pelo que eu entendi nessa sua
- 14:29última parte da sua resposta, que são sobre os vendedores de
- 14:34dopamina, a gente poderia afirmar que, de forma bem
- 14:41corporativa da minha parte, que todo dia um malandro e um otário
- 14:48saem de casa, certo? E inevitavelmente eles vão fazer
- 14:51negócios. Nesse caso, vão vender o pacote
- 14:57de agilidade quatro ponto um e o outro vai comprar esse pacote
- 15:00achando que vai ser ágil e vai e tal.
- 15:04Certo? Ótimo.
- 15:05Certo, Pablo? É, eu...
- 15:09Quando eu comecei a agilidade, eu fui tentar primeiro entender
- 15:12por que que a agilidade foi criada, assim.
- 15:14Eu acho até que vale você dar a sua visão, Rodrigo, sobre isso.
- 15:20mas pra mim sempre foi sobre negócio antes de ser barquinhos
- 15:23e afins, então por isso que eu concordo bastante com a sua
- 15:27visão, mas o que eu queria entender principalmente do ponto
- 15:30de vista de agilidade mesmo, assim ela de fato não gera valor
- 15:35pra uma empresa ao ponto de um executivo olhar pra aquilo e
- 15:39falar, a gente não precisa nada disso aqui, sabe, tipo por que
- 15:43que parece que tá dando errado, assim, qual que é a sua visão
- 15:46sobre isso? É, vamos lá, Paulo, eu vou Falar
- 15:49pra você, cara, alguns relatos, cara, que eu escutei, cara, de
- 15:52executivos, tá? Que isso vai dar uma certa
- 15:55consistência, cara, no que eu falo, né?
- 16:01Tava conversando agora com um executivo, tá?
- 16:03Um CTO, cara, de uma grande empresa de varejo, tá?
- 16:07E esse CTO, cara, chegou pra mim e falou o seguinte.
- 16:10Rodrigo, eu investi, cara, Rp. para a transformação
- 16:16organizacional ágil acontecer. E ele chegou para mim e falou
- 16:22assim, Rodrigo, eu paguei, cara, hoje nós temos Squads, nós temos
- 16:27Scrum Master, nós temos Agile Coach, nós temos POs.
- 16:32E no fim, cara, ele chegou para mim e falou assim, Rodrigo,
- 16:34cara, eu acho que eu paguei RR RR RR RR RR RR RR RR RR RR para
- 16:45mudar o vocabulário da empresa. Agora não é mais coordenador, é
- 16:48Scrum Master, agora não é mais semanas, agora são sprints, não
- 16:54tem mais gerente de projeto, agora é o PO.
- 16:57Mas o relato que ele deu para mim foi, Rodrigo, o cliente
- 16:59continua reclamando da qualidade, o cliente continua
- 17:01reclamando que demora. E esse é o típico discurso que
- 17:07eu vejo de organizações de maturidade baixa, elas fazem a
- 17:11transformação ágil, E elas muitas vezes, isso acontece
- 17:15bastante com grandes organizações, elas não conseguem
- 17:18capturar o valor. Esse é um exemplo de ideia que
- 17:26eu vejo que está na cabeça de muitos executivos.
- 17:30Outro relato, esse é mais legal. Um evento, um CIO de uma grande
- 17:36seguradora, Batendo papo comigo, ele me conhecia e falou assim,
- 17:40Rodrigo, o cara tem um desafio para você, eu quero saber o que
- 17:43você me sugere. Eu fiz a transformação ágil, ele
- 17:48também falou, eu fiz uma transformação ágil, nós somos
- 17:50ágiles, nós temos todo o linguajar ágil lá na empresa.
- 17:54Só que, sabe Rodrigo, eu tenho aqui no meu portfólio um
- 17:57programa, e esse programa é uma grande aposta dos acionistas, E
- 18:04este programa é um programa que vai sustentar o crescimento da
- 18:06organização pelos próximos vinte anos.
- 18:08Um programa muito importante para a organização.
- 18:12E esse executivo chegou para mim e falou assim, Rodrigo, quando
- 18:14eu pego uma missão e passo para um squad, o negócio vai até
- 18:18legal. Mas quando eu preciso de escala,
- 18:21quando eu preciso de corpo, quando eu tenho algo que vai
- 18:24precisar atingir várias áreas da organização, inclusive fora da
- 18:28tecnologia, a coisa se perde. E, Rodrigo, eu vou na reunião do
- 18:34board, cara, eles perguntam pra mim, cara, quando é que esse
- 18:36programa vai ser entregue? Esse programa, cara, ele tá no
- 18:39zero por cento ou tá no cinco por cento ou tá no dez por
- 18:42cento? Eu preciso dar essas respostas.
- 18:47Pessoal, isso é o papel do executivo, cara.
- 18:48Executivo, ele tem contas pra prestar, cara, pra um board de
- 18:52acionistas, cara, pra um board de diretores, algo do tipo, ele
- 18:55tem que falar isso, certo? É...
- 18:59Eu fiquei, falei, pô, interessante, né?
- 19:01Eu cheguei para ele e perguntei, o senhor, CIO, cara, quando você
- 19:07chega hoje, cara, para todo esse grupo, cara, de agilistas aí, de
- 19:10coaches que você tem, quando você faz essa pergunta, quando
- 19:12que o programa vai ser entregue, que resposta que você está
- 19:16obtendo, né? Como é que está funcionando
- 19:18hoje? A gente tem essa filosofia no
- 19:21Kamban, né? Comece com o que você faz hoje,
- 19:22qual que é a resposta que você tem hoje?
- 19:25Cara, o CIO chegou pra mim e falou o seguinte, olha, Rodrigo,
- 19:28quando eu faço essa pergunta, cara, pros meus coaches, pros
- 19:30meus agilistas, pros meus scrum masters, eles falam pra mim, ah,
- 19:33se você quer saber, cara, como é que estão as coisas, participe
- 19:35das reuniões diárias, tá? Essa era a resposta, cara, né?
- 19:40Era um programa, cara, que só na tecnologia atingia oito squads,
- 19:46né? Ou seja, você tinha que exigir,
- 19:48cara, do executivo, cara, que ele circulasse, cara, durante
- 19:52quinze minutos em oito squads pra ele saber como é que tava,
- 19:55cara, o programa, né? E outra coisa, cara, eu duvido
- 19:59que ele esteja tendo a resposta, né?
- 20:03Então, Paulo, o que que acontece?
- 20:05Eu vou discordar um pouco que, assim, cara, o movimento ágil,
- 20:11cara, ele nasceu, cara, de programadores, tá?
- 20:14Se você for pegar, cara, o Robert Martin era programador, o
- 20:17Kent Beck era programador. Existia um núcleo ali de gestão
- 20:20e eram pessoas como, por exemplo, o Ken Schwaber, o Jeff
- 20:26Sutherland, mas esses caras também são pessoas de background
- 20:29técnico. E, cara, o movimento ágil surgiu
- 20:33e teve como ápice o próprio manifesto.
- 20:37Se você for pegar o que o manifesto diz, são coisas muito
- 20:41técnicas e se você for parar para pensar, é meio como se
- 20:44fosse um contrato com a alta gestão ou com o cliente final,
- 20:51colocando algumas regras, tipo, nós que fazemos o produto, nós
- 20:55que fazemos o software, a gente quer ter um contrato diferente
- 20:58com vocês. Isso ajuda, cara, nos negócios,
- 21:04cara, agilidade em si, cara, ajuda nos negócios?
- 21:06Sim, ajuda, cara, mesmo. Se você trabalhar, cara, com
- 21:08sprints, com timebox e tal, é lógico que é melhor, cara, do
- 21:12que um negócio cascata, entendeu?
- 21:15É só que, cara, o movimento se tornou meio que...
- 21:19Eu dei esse nome, cara, de ágil tradicional, né?
- 21:22Exatamente, cara, pra ser um pouco pejorativo, né?
- 21:25Ágil tradicional. Esse foi o nome, cara, que nós
- 21:27usamos, cara, no nosso livro, né?
- 21:31algumas pessoas sugeriram pra mim é Rodrigo, isso na verdade é
- 21:34o ágio dogmático eles transformaram isso num dogma
- 21:39esse que foi uma das grandes razões se você perguntar pra
- 21:44mim, Pablo e Paulo eu vou falar pra vocês o que eu estou
- 21:48sugerindo para o mercado é algo bem simples ah Rodrigo isso tem
- 21:54a ver com o Kanban com o KMM e tal, não sei o que com o Fit for
- 21:58Purpose, tem um pouco a ver Mas existe, cara, um princípio
- 22:01central, tá? Nos últimos quarenta anos, cara,
- 22:06a meu ver, eu acompanho grande parte dessa história, pelo menos
- 22:09aí uns vinte e cinco anos, cara, dessa história, né?
- 22:14As pessoas sempre estão correndo atrás, cara, de prescrição.
- 22:18Elas querem, cara, receitinha de bolo, elas querem algo de
- 22:21mercado, essa palavra, pessoal, de mercado é um negócio que é
- 22:24meio... Eu tenho visto hoje isso, cara,
- 22:26como um negócio ruim, cara, tá? Elas querem, cara, orientação,
- 22:30cara, do forest, do garden, etc. Elas querem, cara, um negócio
- 22:34quadradinho. Elas querem aquilo que todo
- 22:37mundo está usando. E geralmente essas abordagens
- 22:41que eles querem, as coisas quadradinhas, querem receita de
- 22:44bolo, são abordagens prescritivas.
- 22:48O que eu tenho sugerido, cara, para o mercado, já nos últimos
- 22:51quatorze, quinze anos, é as pessoas adotarem uma abordagem
- 22:55diferente, adotarem uma abordagem evolucionária.
- 22:58O Kanban é uma abordagem evolucionária, mas não é só o
- 23:01Kanban que é uma abordagem evolucionária.
- 23:02Até a administração científica do Taylor, o cara era
- 23:05evolucionário, né? O sistema Toyota de produção, o
- 23:09cara é uma abordagem evolucionária.
- 23:12A teoria das restrições do Deming, cara, é também uma
- 23:14abordagem evolucionária, né? O modelo...
- 23:20A teoria das exceções, desculpa, do Elihu Goldratt, né?
- 23:24O modelo de qualidade total do Deming, cara, é uma abordagem
- 23:27evolucionada também. Então nós temos toda uma
- 23:28história, cara, de abordagem evolucionada que foi perdida em
- 23:32algum momento ali, cara, nos anos oitenta, né?
- 23:35E eu vejo assim como o Kanban, cara, como um movimento de
- 23:37resgate disso. Começa com o que você faz hoje,
- 23:40evolua a partir do que você tem hoje, né?
- 23:43Só que isso é ruim de vender, cara.
- 23:45Isso é difícil de vender, né? porque, cara, você não tá
- 23:48vendendo pacotinho, você não tá vendendo, cara, um negócio
- 23:51fechado, né? É duro, cara, você chegar pra um
- 23:54gestor, às vezes pra uma equipe, e falar assim, pô, a gente vai
- 23:58encontrar o nosso próprio meio de fazer gestão, né?
- 24:03E principalmente, pessoal, na área de produto, cara, que é bem
- 24:06a praia de vocês, acontece exatamente a mesma coisa, tá?
- 24:11Quero contar uma história pra vocês, cara, espero que ela seja
- 24:13breve, tô vendo que as minhas respostas aqui estão longas, né?
- 24:18Eu não sei se vocês já ouviram falar, mas é um case que deveria
- 24:22ser estudado em todo o curso de produto.
- 24:26Eu vou falar, não sei ao certo a média de idade de vocês, mas não
- 24:30sei se vocês vão conhecer. Cara, existe um produto que foi
- 24:36dominante no mercado. E eu tive contato com esse
- 24:39produto por algumas fontes. Era um produto que era chamado
- 24:42Correio de Veículos. Já viram falar disso, não?
- 24:48É, não porque é um segmento, cara, bem específico, tá?
- 24:50Acho que é bem distante. É um segmento bem específico.
- 24:55Cara, toda loja de carro, toda loja de carro usado, toda
- 24:59agência que vende carro usado, sabe, cara, as agências que
- 25:02vendem, às vezes o cara não tem nem mostruário, ele só tem um
- 25:04estoque e tal, que às vezes fica com o próprio cliente.
- 25:08Todos esses caras, possivelmente durante todos os anos noventa,
- 25:11cara, e grande parte dos anos dois mil, eles usavam um produto
- 25:16que pra você acessar o produto Nessa época a internet não era
- 25:20tão popular. Você precisava, cara, ter um
- 25:23modem, ter uma linha telefônica e você ligava, cara, o modem e a
- 25:27linha telefônica, discava para a central, cara, do correio de
- 25:30veículos e através, cara, de uma linha discada, cara, e um
- 25:35terminal de texto, né? Você tinha o estoque, cara, de
- 25:39todas as lojas pra você achar, cara, o carro, cara, pro seu
- 25:42cliente. Né?
- 25:46E todo mundo queria participar desse negócio.
- 25:48Porque era assim, pessoal, às vezes chega um cliente na sua
- 25:50loja, ah, cara, eu quero, na época, né, sei lá, eu quero uma
- 25:53areia, eu quero um Santana, tal, não sei o quê, você não tinha,
- 25:57mas através do correio de veículo, cara, você tinha um
- 26:00estoque, cara, né, praticamente do estado inteiro, cara, ou do
- 26:03Brasil inteiro, que você ia lá, cara, e achava o carro, cara,
- 26:06para o seu cliente. Pessoal, a tecnologia desse
- 26:11produto era tosca, cara, era linha de escada, era terminal de
- 26:15texto, terminal burro, né, não era uma empresa, assim, que
- 26:22tinha, cara, uma cultura de produto, entendeu?
- 26:27Só que, pessoal, eu tive contato indireto, cara, com os donos
- 26:31desse produto, tá? Pessoal, eles tocavam a empresa,
- 26:36tá? Eles tocavam a empresa, tá?
- 26:39Com, se eu não me engano, cara, quatro colaboradores, tá?
- 26:42Quatro colaboradores, sendo que dois eram sócios, tá?
- 26:45Que trabalhavam também, tá? E, pessoal, eles cobravam um
- 26:49salário mínimo, cara, de cada loja, de cada agência, de cada
- 26:53concessionária, de cada loja de carro usado, um salário mínimo,
- 26:56cara, pra você fazer parte. E todo mundo pagava, cara, com
- 27:00um sorriso no rosto em todo o Brasil.
- 27:05Pessoal, se você fizer uma pesquisa rápida aí, vai lá no
- 27:07Sebrae, vê quantas lojas de veículos tem, quantas agências
- 27:10de veículos tem, quantas lojas de carro usado tem, cara, deve
- 27:13ser, cara, na faixa, cara, de uns cem mil, cara, mais ou
- 27:15menos, tá? Pessoal, o relato que eu tive,
- 27:20cara, desses caras é que eles passaram o negócio pra frente,
- 27:23se eu não me engano, lá por dois mil e cinco, porque eles não
- 27:26aguentavam mais, cara, ganhar dinheiro.
- 27:30Eles já tinham, cara, chegado no limite, eles não estavam mais,
- 27:33cara, sequer querendo, cara, administrar mais o negócio.
- 27:38Porque, cara, era uma mina, cara, de dinheiro.
- 27:40Era uma mina de dinheiro, tá? É...
- 27:46Pessoal, são essas pessoas, cara, que me interessam.
- 27:51São empresas que nem, por exemplo, uma referência que meio
- 27:54que se perdeu, a Third Side Signals, a que fez o Basecamp lá
- 27:59no passado. Esses caras eram uma influência
- 28:02muito positiva, porque principalmente eles não estavam
- 28:05atrás de funding, não estavam atrás de VC, eles estavam
- 28:09fazendo a parada acontecer, cara.
- 28:12Às vezes a gente se impressiona, né, cara, com coisas do tipo,
- 28:14ah, mas veio do Vale do Silício, ah, mas o Google usa, ah, mas a
- 28:18Apple tem essa cultura de produto, ah, o modelo Spotify,
- 28:24cara, não, vamos usar o modelo Spotify, cara, é uma empresa que
- 28:26não dá lucro, né? As pessoas meio que se
- 28:29enfeitiçam, cara, com essa aura, né?
- 28:31E elas às vezes se esquecem, cara, de ver as coisas simples,
- 28:35cara, né? Ver produtos simples, cara, que
- 28:37deram certo, né? as pessoas sempre vão se
- 28:40impressionar com aquilo que ganhou, cara, bilhões, mas,
- 28:43cara, isso não é a realidade, cara, da maioria, cara, dos
- 28:45produteiros que eu conheço, né, então, assim, duas coisas que eu
- 28:50vejo, cara, às vezes a gente fica deslumbrado, cara, com as
- 28:54coisas do Vale do Silício, né, que é uma economia, cara, que
- 28:58tem uma liquidez muito mais dinâmica que a nossa, né, e a
- 29:01gente não olha, cara, coisas simples, cara, cases nacionais,
- 29:04cara, que são interessantes, até o próprio iFood, cara, entendeu?
- 29:07Mas não, os caras querem ir para coisas do Vale do Silício ou
- 29:11coisas da Apple, do Google. Eu sempre tenho falado essa
- 29:14frase, você não é a Apple. Você não é a Apple, baixa um
- 29:18pouco a bola. Não é porque você não copia
- 29:22modelos de organizações que você ainda não está naquela
- 29:26maturidade. Então eu vejo isso...
- 29:29Se misturando tanto na oferta que existe no mercado de
- 29:32agilidade no passado, que hoje acho que o negócio está mudando
- 29:36um pouco, como eu vejo também com a galera de produto.
- 29:40Com a galera de produto. Arranje a sua forma de fazer
- 29:44produto. Não fique querendo copiar.
- 29:47As pessoas têm essa... essa mania de querer copiar.
- 29:52Pabllo, duas coisas nessa resposta do Rodrigo.
- 29:56Na primeira, em que ele fala que o CEO respondeu ele que os agile
- 30:05coachs pediram para o CEO participar das deles.
- 30:11Acho que foi de uma forma bem sutil, não?
- 30:16Porque se fosse com a gente de produto, a gente ia achar que
- 30:18era microgerenciamento. A gente ia falar, não, olha lá,
- 30:21está querendo data. Gestão de produto não trabalha
- 30:25com data, somos ágeis, não tem data.
- 30:30Mas também falta, e tem um ponto ali, olhando aqui como cabeça de
- 30:34pessoa de produto, essa questão de orquestrar.
- 30:37Dentro da squad rodava, mas quando ia para o restante da
- 30:41empresa se perdia. faltava, seria o papel do project
- 30:46manager, fazer essa orquestração, digamos assim, de
- 30:51conectar negócio, cliente, tecnologia e dar visibilidade
- 30:57para cima. Tem esse ponto também, é muito
- 31:00interessante esse case do... esse relato do Yoshima, porque
- 31:04dá para a gente ilustrar como que o PM, qual que seria o papel
- 31:10do Project Manager nesse ponto, que é a gestão de stakeholder,
- 31:16de expectativa, negociação, visibilidade, comunicação,
- 31:20enfim, essas coisas. E nessa última, Eu tenho uma
- 31:29impressão de que todas as comunidades são iguais.
- 31:33Menos a de Dev. De Dev é diferente.
- 31:35Mas a de agilidade e de produtos são iguais.
- 31:40Ambas as comunidades gostam de um case gringo.
- 31:47Gosta de um livro em inglês. Gosta de um Martin Kagan, de
- 31:55uma... Não sei, quem mais?
- 31:57Tereza Torres e a Ivory, de oportunidade.
- 32:00Isso, as Ivory somos nós. Pablo, você tem essa mesma
- 32:07leitura? Porque as duas respostas do
- 32:11Rodrigo foram respostas pra gente pensar e refletir.
- 32:15Eu acho que a primeira história que ele contou diz muito sobre a
- 32:19galera... Tem uma maturidade muito baixa
- 32:23de negócio, assim. Não tem a mínima ideia do que um
- 32:24executivo faz, que é o que o Rodrigo falou.
- 32:27Tipo, tem que ir num board e reportar.
- 32:29Ele não pode chegar no board e falar assim, meu time não quis
- 32:31me dar uma data. Que história é essa?
- 32:34Saca? Tipo...
- 32:35Porra. Isso aí é baixa maturidade no
- 32:39nível de não entender como um negócio funciona.
- 32:41E aí... Cara, assim, eu nunca teria
- 32:44coragem de falar um negócio desse pra...
- 32:46Cara, que isso, velho? É...
- 32:49Pra mim demonstra baixa maturidade mesmo, eu acho que a
- 32:53galera se apega demais a framework, a livro, a Marge
- 32:56Kagan, sei lá quem mais, e esquece do objetivo da empresa
- 33:02no fim do dia e como o negócio funciona e que no fim do mês o
- 33:05negócio tem que pagar as contas, reportar.
- 33:08E gerar lucro, né, na medida do possível ali.
- 33:11Então, eu vejo isso como, não importa a pessoa, até product
- 33:16manager também, com baixa maturidade de entender como um
- 33:20negócio funciona, né, no fim do dia.
- 33:23Não entende, né. Eu acho que a segunda parte...
- 33:28Esse é um ponto interessante, Rodrigo, que eu queria explorar.
- 33:33Eu fico pensando assim, os caras lá com duas pessoas, quatro
- 33:36pessoas, quatro funcionários, fizeram uma empresa que não
- 33:40aguentava mais ganhar dinheiro. Cara, eu não acho que essa
- 33:44galera de hoje, empreendedor que monta uma startup, não tem um
- 33:49intelecto suficiente pra ver que tem alguma coisa errada, assim,
- 33:53sabe? Tipo, que só copiar não vai dar
- 33:55certo, assim. Qual que é o problema no fim do
- 33:58dia? Por que essas coisas acontecem?
- 34:00É só por... característica humana, ou, sabe, tipo, eu
- 34:04queria tentar entender um pouco, explorar um pouco isso, assim,
- 34:06porque é muito estranho, pô, as pessoas, às vezes, fazem empresa
- 34:10de um bilhão de dólares e afins, mas elas não conseguem fazer
- 34:16dentro da empresa delas funcionar algum tipo de, algum,
- 34:20não agilidade em si, mas aquele, o melhor modo de trabalho
- 34:22possível pra que a empresa saia do lugar, sabe, é meio, meio
- 34:26estranho, sabe, tipo, Tem um, antes do Rodrigo responder,
- 34:31tentar responder isso, o Pablo...
- 34:35Guardadas as devidas proporções...
- 34:38De... Contexto e momento...
- 34:40Que vivemos... Mas...
- 34:42A NVIDIA... Tende a ser...
- 34:46O oposto dessa megalomaníaca... Megalomaníacos?
- 34:50Megalomaníaca? É...
- 34:51De pensamento de... Ter uma startup...
- 34:54Eu preciso ter mil devs... Eu preciso ter mil não sei o
- 34:57que... Eu preciso ter...
- 34:59Novecentos... Colaboradores...
- 35:01Se você for pegar lá... A NVIDIA... tem infinitamente
- 35:06menos funcionários que o Google, que a Apple, que a Meta, que
- 35:12outras empresas de tecnologia e ela vale três trilhões.
- 35:17Ali, é óbvio, guardadas as devidas proporções de mercado,
- 35:21momento, que a gente está na era da IA, isso fez a NVIDIA
- 35:25explodir, mas a NVIDIA não é uma empresa de setenta mil
- 35:31funcionários, cem mil colaboradores, não é.
- 35:36E por incrível que pareça, tem empreendedor de startup que é
- 35:41contra o modelo de gestão da NVIDIA.
- 35:45E entra muito nesse ponto que você falou, Paulo.
- 35:47Porque parece que pra eles, não sei, quanto mais pessoas, mais
- 35:53investimento eles vão ter. Bom, eu acho o seguinte, cara,
- 35:56que... Eu escrevi uma nota uma vez,
- 36:00cara, no meu LinkedIn lá também. Cara, quando você entra nessa,
- 36:04cara, de você ter investimento, por exemplo, tal...
- 36:09É bem provável, cara, que o fundo, cara, que você tá sendo
- 36:12investido ou algo do tipo, ele vai ficar muito mais contente de
- 36:15você falar, cara, montei dezoito squads, cara, do que falar,
- 36:18rodei trezentos e oitenta mil experimentos.
- 36:20Entendeu? Se você chegar pra ele e falar
- 36:22assim, ah, cara, rodei trinta mil experimentos, né?
- 36:25O cara vai falar, ah, legal. Mas não, cara, pô...
- 36:29A gente tem que aumentar o burn rate.
- 36:30Eu já escutei isso, cara, nessa época, cara, de abundância, né?
- 36:34É... E se vocês perguntarem pra mim,
- 36:37é... Cara, as pessoas precisam, cara,
- 36:41ter um pouco desses moldes, coisas do tipo, né?
- 36:44Eu não tô falando assim que você não vai copiar nada, cara, da
- 36:48Apple, não vai copiar nada, cara, de uma Google da vida, né?
- 36:54Só que o que eu vejo, Pablo, é que o Rodrigo Oliveira lá, cara,
- 36:59das PECOM, uma vez ele comentou, cara, às vezes as pessoas, elas
- 37:03estão ficando meio que desalmadas, entendeu?
- 37:06Tipo, elas não conseguem pensar, cara, fora de uma cultura
- 37:12pré-estabelecida. Isso é a parte triste, cara,
- 37:16porque... Pô, cara, eu realmente acredito
- 37:21que brasileiro tem imaginação, eles conseguem arranjar
- 37:24soluções, a restrição é a mãe da inovação.
- 37:29Só que existem esses bloqueios. Enquanto eu estava falando com
- 37:32vocês aqui, eu penso, cara, em um dia... fazer uma conferência,
- 37:36poderia ser até uma conferência de produto.
- 37:39Só que a gente ia chamar só os azarões, só os caras que não
- 37:43seguiram. Porque assim, também existe esse
- 37:46efeito. Nós organizamos conferências
- 37:49aqui na Supercom. A gente sempre tenta trazer as
- 37:52pessoas inusitadas. A gente não tem muitas pessoas
- 37:55badaladas que fazem parte, por exemplo, do Cambam Brasil.
- 38:00O problema, pessoal, quando você chama alguém para palestrar, o
- 38:02cara tem que mostrar algo, certo?
- 38:04Aí quando o cara vai para a Estrada, ele fala, não, cara, eu
- 38:07usei aqui o modelo desse, eu usei o modelo daquele, eu usei o
- 38:11OKR, usei isso, usei aquilo, né? Porque o cara tem essa
- 38:15necessidade, cara, de entrar nessa cultura, né?
- 38:18Estabelecida, né? Então eu vejo assim, cara, que,
- 38:22pô, você pode usar, cara, conhecimento, cara, de várias
- 38:25fontes, cara, eu leio muito, eu tento entender as coisas e tal,
- 38:28mas, meu, a gente não pode bater, ficar dando soco com o
- 38:33cara em ponta de prego, você comentou sobre a NVIDIA Paulo,
- 38:38eu tenho uma certa desconfiança eu tenho uma certa, uma boa
- 38:41desconfiança do porquê que a NVIDIA é desse jeito a NVIDIA é
- 38:46administrada por oriental e oriental pensa de um jeito
- 38:49diferente oriental tem uma cultura de muito perfeccionismo
- 38:57quando eu visitei o Japão em dois mil e dezoito eu fiquei
- 39:01abismado a catara que eles tem com a eficiência organização
- 39:08cultura de respeito então eu tenho essa desconfiança eu tenho
- 39:16essa desconfiança e assim a história até da própria Toyota é
- 39:22interessante porque a Toyota durante anos foi crescendo, foi
- 39:27crescendo teve seus solavancos mas o escândalo dos recalls que
- 39:32teve lá na Toyota como exemplo cara O próprio, eu não vou
- 39:36lembrar o nome dele agora, mas o próprio executivo da época da
- 39:39Toyota, o CEO, ele falou, olha, a gente veio com uma cultura
- 39:44desde o Taisho no cara de melhoria contínua, de melhorar
- 39:48os nossos produtos, melhorar a oferta dos nossos clientes e a
- 39:52gente via como uma marcha inevitável que a gente ia se
- 39:54tornar o número um do mundo. E ele comenta que, cara, depois
- 39:59que eles se tornaram o número um do mundo, parece que esse
- 40:01enfoque mudou para vamos nos manter como o número um do
- 40:04mundo. E isso gerou, cara, os problemas
- 40:07de produtividade, cara, de recall, cara, da Toyota, né?
- 40:11Então tem essa desconfiança, cara, que... o fato, cara, da
- 40:17liderança lá, né, ter algumas outras preocupações que não é
- 40:21só, sei lá, o valor da ação, um foco maior no próprio produto,
- 40:26que tem se mostrado como superior, né, eu tenho essa
- 40:29desconfiança, mas como eu falei, são só especulações, né, Não é
- 40:37só especulação, tá, Rodrigo? Acho que quem acompanha algumas
- 40:41entrevistas do CEO lá, ele fala bastante da questão cultural
- 40:48dele. Ele fala bastante da questão
- 40:52cultural, ele aborda também ensinamentos do pai, de que é
- 40:57preciso sofrer pra não sei o que lá, pra dar valor e tal, não sei
- 41:01o que. Então, você consegue entender
- 41:04quando você ouve, não os cortes, mas você ouve uma palestra dele,
- 41:10uma entrevista, você consegue entender que o ambiente em que
- 41:13ele cresceu, então a cultura dele, a cultura oriental, faz
- 41:19parte do sucesso da NVIDIA, porque ele tem essa mentalidade,
- 41:22ele traz o que ele aprendeu com o pai, essas coisas ele tenta
- 41:28colocar no dia a dia. E aí...
- 41:32Eu vou por um lado aqui, meio polêmico, mas longe de mim ser
- 41:36polêmico aqui. Longe de mim.
- 41:40Não é. Você nunca é polêmico, a gente
- 41:43sabe. Não, jamais.
- 41:45Rodrigo, na sua primeira resposta, você menciona sobre o
- 41:52futuro da agilidade, que é daqui a um tempo os juros vão cair, E
- 42:00é cíclico, né? Vai voltar, aquecer e tal, etc.
- 42:08Ultimamente eu tenho falado que a área de produto perdeu o time
- 42:13de provar o seu valor. Em um momento que eu acho que
- 42:17vai demorar um pouco para acontecer novamente, que foi a
- 42:23pandemia. A pandemia foi um momento em que
- 42:28as empresas tinham time to market.
- 42:32Para alguns mercados era a tempestade perfeita, como o de
- 42:35delivery, enfim, essas coisas. E parece que a área de produto,
- 42:41a comunidade, as pessoas de produto, e aqui eu estou
- 42:44generalizando, enfim, parece que de alguma forma a gente não
- 42:50conseguiu ler esse contexto e gerar valor real.
- 42:55A gente ficou preso nos frameworks, a gente ficou preso
- 42:58na literatura, a gente ficou preso no discovery eterno.
- 43:01E isso fez com que, depois disso, as empresas olhassem para
- 43:07os project managers com uma certa desconfiança.
- 43:11Você acredita que, assim como, a gente já abordou isso aqui num
- 43:16episódio anterior, que as empresas não têm confiança nos
- 43:22part managers? As empresas perderam a confiança
- 43:25nos agilistas? E você acredita que a pandemia
- 43:31pode ter sido um momento em que a agilidade deveria ter mostrado
- 43:37mais o seu valor? Vamos lá.
- 43:41Primeiro eu vou falar, cara, sobre pandemia e agilidade, tá?
- 43:47Cara, foram momentos estranhos, cara.
- 43:49Em dois mil e vinte, cara, foi um momento estranho, né?
- 43:52Falando sobre o Pablo aí, cara, o background dele de dev, né?
- 43:55Em dois mil e vinte eu voltei a programar, né?
- 43:58Nós temos hoje uma plataforma, cara, de simulações Kanban que
- 44:03fui eu, o Juliano Ribeiro, cara, e o Oliveira que fizemos, né?
- 44:07Nós fizemos isso em casa, né? Cara, foi um momento, assim, que
- 44:11foi duro, assim, né, cara, estresse emocional, cara, foi
- 44:14muito forte, mas pelo menos eu voltei a programar, fazia três
- 44:18anos, cara, que eu não programava nada, foi um momento
- 44:20ali que eu fiquei, cara, entre quarenta e cinquenta dias
- 44:24programando aqui, cara, nesse escritório aqui, cara, eu com o
- 44:27meu cachorro, foram quarenta dias trabalhando, cara, das duas
- 44:32da tarde até às cinco da manhã, cara, durante mais ou menos uns
- 44:36quarenta, cinquenta dias, né. Foi estressante, mas ao mesmo
- 44:40tempo, você fala para mim assim, foi de todo ruim?
- 44:43Não, cara, foi até gostoso, eu estava fazendo o produto para
- 44:46mim mesmo, né? Isso dá, cria um engajamento
- 44:49absurdo assim, né? Quando abateu a pandemia, Paulo,
- 44:54eu vi dois tipos de empresas ali surgirem e eu vi que essa
- 45:03questão da maturidade organizacional é um negócio
- 45:05sério, né? Teve alguns clientes, cara, da
- 45:09Supercom, que chegaram pra mim e falaram assim, pô, Rodrigo, o
- 45:13que a gente faz agora? Eu cheguei e falei pra eles,
- 45:17cara, bem simples, se você tinha um quadro físico, cara, miga aí
- 45:20pro quadro digital, mantenha umas cadências, cara, do Kanban
- 45:25em ordem, e pau na máquina, a gente vai ver o que vai
- 45:28acontecer. Teve uma outra classe, cara, de
- 45:33cliente que entrou em contato comigo em um pânico total.
- 45:37Do tipo, pô, a gente vai perder um componente importantíssimo da
- 45:43agilidade, cara, que é a colaboração, né?
- 45:46O manifesto fala sobre comunicação face a face, eu não
- 45:50sei se via Zoom isso vai funcionar, esse tipo de coisa,
- 45:53né? E passados alguns meses, cara,
- 45:55lá para agosto, mais ou menos, setembro, eu tive um relato,
- 46:00cara, de vários clientes falando, pô, Rodrigo, foi suave,
- 46:03cara. a produtividade até aumentou, cara, nossa vazão
- 46:06aumentou, cara, nosso lead time diminuiu, cara, as pessoas estão
- 46:09até trabalhando mais contentes e tal, não sei o quê, e tem um
- 46:13post, cara, do cigano do Kamban, né, o Eber lá, cara, da Icatu,
- 46:19cara, que ele escreveu o seguinte, cara, pô, a pandemia e
- 46:23o trabalho remoto foi inócuo pra nós, tipo, não mudou muita
- 46:27coisa, né, agora várias outras organizações, cara, sofreram até
- 46:31por questões logísticas, etc., né, Mas vamos lá, cara, quando
- 46:37teve a pandemia, nós tivemos essa liquidez, cara, inédita na
- 46:41economia, cara, todos os bancos centrais colocaram o juro para
- 46:44baixo, começaram, cara, a distribuir, cara, dinheiro, né?
- 46:47E eu acredito assim que, eu vejo o cara como muito correlato, tá,
- 46:51Paulo? O que acontece, cara, com a
- 46:54comunidade de agilidade do que acontece, cara, com a comunidade
- 46:57de produtos. A única diferença marcante que
- 46:59eu vejo é que uma, cara, tá atuando um pouco mais downstream
- 47:02e a outra, cara, tá atuando um pouco mais upstream.
- 47:04Isso nos termos aí do Kanban, tá?
- 47:07Mas assim, Paulo, cara, não é só, cara, a síndrome do PM,
- 47:11cara, do Scrum Master, cara. É todo mundo, tá, cara, nessa
- 47:14situação, né? As organizações, cara, estão com
- 47:17os orçamentos, cara, muito enxugados, né, cara?
- 47:19E se algumas pessoas imaginaram, e eu vi esse movimento
- 47:22acontecer, cara, a partir de... a partir ali, cara, de dois mil
- 47:27e dezenove, dois mil e vinte, as pessoas, algumas delas, né,
- 47:32começaram a abandonar o barco da agilidade e começaram a entrar,
- 47:34cara, no barco de produto, né, imaginando, cara, que seria um
- 47:39salva-vidas, algo do tipo, né, e eu comecei a notar, cara, esse
- 47:43movimento, né, e assim, Paulo, eu tenho uma crítica geral,
- 47:47cara, sobre isso, eu tenho uma crítica geral, cara, sobre a
- 47:49comunidade de ágil, tenho uma crítica geral, cara, sobre a
- 47:51comunidade de produto, Tem uma crítica geral, cara, sobre a
- 47:54comunidade de DevOps, etc. Lembra que eu falei, cara, que
- 47:59sempre tem alguém querendo empacotar alguma coisa pra
- 48:01vender, cara? Principalmente dopamina.
- 48:06Cara, uma das maiores lições, cara, da Toyota.
- 48:09Uma das coisas que a gente mais tenta ensinar.
- 48:11Eu até vi lá no seu post, Chori, que tinha uma pergunta, cara, do
- 48:16Regis. O Regis falou assim, pô,
- 48:18Rodrigo, você que é o pastor da igreja de Kamban, né?
- 48:22Por que você acha que a salvação está só em você e não em
- 48:25produto, né? O Regis aí, né?
- 48:28Figurinha aí, cara, de alguns grupos que eu participo.
- 48:33Regis, a questão, cara, não é o Kanban, cara.
- 48:34A questão é a organização, cara, ser orientada a serviços.
- 48:38A orientação, cara, não começar mais a pensar, ah, isso é
- 48:40produto, isso é delivery, isso é ops, né?
- 48:43Ah, isso é capex, isso é opex. A grande lição da Toyota, cara,
- 48:48é que a Toyota tinha uma visão muito clara Vinda do Taisho
- 48:52Onoka, tá? Nós queremos melhorar o global e
- 48:56não o local, né? Nós queremos melhorar o global,
- 48:59cara, e não o local. Só que tem algumas pessoas no
- 49:03mercado que eu vejo, cara, que são muito espertas.
- 49:04Então, tipo assim, ah, primeiro colocou-se dinheiro em
- 49:06agilidade, depois colocou-se dinheiro, cara, muito em ops, em
- 49:09devops, esse tipo de coisa, né? A última milha pra chegar, cara,
- 49:12em produção, um produto digital, né?
- 49:15E aí o que acontece, cara? Os orçamentos vão enxugando, aí
- 49:18os caras falam, a gente tem que arranjar agora um outro pedaço
- 49:20da cadeia de valor, cara, para a gente tirar.
- 49:23Ah, pô, fiz agilidade, deu certo mais ou menos.
- 49:26Fiz DevOps, deu certo mais ou menos.
- 49:29Ah, agora é produto, cara. Pô, agora você precisa consertar
- 49:31produto, né? E esse tipo de mentalidade
- 49:35compartimentalizada, esse negócio extremamente cartesiano,
- 49:39cara, é esse que é o grande problema, ao meu ver, né?
- 49:42O que a gente está tentando promover com o Kanban, toda a
- 49:45cadeia de valor, desde o momento que o cliente te pede algo, até
- 49:48o momento que esse algo é entregue, a visão do Taisho é eu
- 49:52quero encurtar esse ciclo o máximo que eu posso, melhorar a
- 49:55qualidade desse ciclo o máximo que eu posso, desde o momento
- 49:59que o cliente nos pede algo até o momento que ele recebe esse
- 50:01algo. Então essa é a questão que eu
- 50:06vejo que é uma das grandes taras do mercado até hoje.
- 50:11Sempre vai ter alguma oferta para essas organizações de
- 50:15maturidade um, lá no KMM, que são organizações que pensam de
- 50:18forma compartimentalizada, né? Não pensam na cadeia de valor
- 50:22como todos. Sempre vai ter alguém, cara, com
- 50:23uma oferta para vender, cara, para essas empresas, tá?
- 50:30Faz muito sentido. Olhando para o mercado hoje,
- 50:34Rodrigo, por tudo que a gente falou, a gente chegou até aqui
- 50:38aparentemente de maturidade baixa mesmo, mesmo com esse
- 50:41caminhão de dinheiro investido em agilidade durante esses anos
- 50:46todos. Os números que nós temos aqui na
- 50:48Supercon, cara, do nosso treinamento KMM,
- 50:51aproximadamente... O número que eu tenho aqui,
- 50:56cara, é próximo de oitenta e dois por cento, cara, das
- 50:58organizações, elas são ou maturidade zero ou maturidade
- 51:01um, cara, no KMM. São organizações de maturidade
- 51:03baixa. É, o mercado ainda tem muita pra
- 51:06evoluir, né, no fim do dia. Até puxando um gancho do que o
- 51:09Shod falou de PMs, de agilistas, que são papéis que foram
- 51:14criados... depois, né? São coisas mais recentes agora,
- 51:19no fim do dia, assim. Não, cara, eu vou discordar, o
- 51:22cara é Scrum Master, Agile Coach e já tem, cara, há bons dez
- 51:26anos, cara. Ah, dez anos.
- 51:27É que eu considero uma disciplina com dez anos, acho
- 51:30pouco, né? Uma profissão com...
- 51:32Não sei. Eu acho que essa coisa vai
- 51:35acelerar, né, cara? Eu acho que as posições, os
- 51:38cargos, eles vão mudar mais rápido, cara.
- 51:40Acho que agora é por diante, né? Ah, com certeza.
- 51:43Mas como... Assim, duas coisas.
- 51:45Uma é, como você acha que a gente chegou nesse...
- 51:49O que foi o elemento que fez a gente chegar, por exemplo, em...
- 51:53Às vezes até uma parada infantil, assim, com...
- 51:57A galera falando de retrospectiva.
- 51:59A gente fica brincando aqui, mas é que é real mesmo.
- 52:01Existem lugares que parece que você tá tratando o desenvolvedor
- 52:05como... Não um adulto, mas como infantil
- 52:08mesmo. Uma retrospectiva de barquinho.
- 52:11Real, acontece. Não estou generalizando, não
- 52:13estou falando que todo mundo faz isso.
- 52:15Mas chega uma coisa nesse nível. Por outro lado, o Product
- 52:19Manager às vezes também não conseguindo... falar direito com
- 52:25o time, porque tem medo de falar com o desenvolvedor, ou acha que
- 52:29vai, se falar, vai magoar as pessoas, assim.
- 52:34Parece que, mesmo com dez anos, a gente ainda tem coisas que são
- 52:38meio absurdas, assim, para um cargo que deveria estar fazendo
- 52:42um outro tipo de papel. Então, a minha pergunta é, por
- 52:44que você acha que a gente está assim?
- 52:45É problema de formação? É problema da agilidade mesmo,
- 52:49não tem como resolver? E a segunda pergunta é essa,
- 52:52assim, você acha que a gente tem um caminho daqui pra frente?
- 52:54A gente tem um caminho pra acertar as coisas?
- 52:57Acertar a agilidade? As empresas que ainda querem
- 53:02usar a agilidade, a gente tem um caminho aí pra fazer de um jeito
- 53:06melhor? Ou você acha que a gente vai ter
- 53:09que descobrir uma coisa totalmente nova daqui pra
- 53:11frente, assim? O jeito tem, Pablo, eu não sou
- 53:16um cara adepto assim de que, ah, não, tem que mudar o mindset,
- 53:19tem que fazer uma grande revolução processual, ou, ah,
- 53:22tem que vir uma nova novidade, porque, cara, o que eu comentei
- 53:25aqui, que eu sou meio contra isso, cara.
- 53:28Sabe o que acontece, Pablo? As organizações, elas não fazem
- 53:30o básico, cara, né? Eles não fazem o simples, cara,
- 53:33eles não fazem a coisa, meu, o óbvio, elas não fazem o óbvio,
- 53:38elas querem achar o exótico, né, elas querem achar aquilo que dá
- 53:43emoção, né, ou aquilo que vai fazer com que você ganhe algum
- 53:45status social, né, então as pessoas têm muito disso.
- 53:51Cara, a infantilização, eu acredito que eu fui a primeira
- 53:54pessoa a falar algo sobre isso naquele artigo que eu escrevi em
- 53:56inglês, sobre o Pony Management, eu dei o nome para isso, Pony
- 54:00Management, que são as pessoas que imaginam que o lúdico é
- 54:03extremamente importante, que os números machucam, essa história
- 54:08toda. Eu vi esse movimento acontecer
- 54:10lá por dois mil e treze, mais de dez anos atrás.
- 54:15Eu olhei pra isso e falei, pô, cara, isso é meio esquisito, né,
- 54:18cara? Pô, eu fui débil, sou débil até
- 54:21hoje, né? E eu falei, pô, cara, eu não
- 54:25gostava de ser tratado, cara, como criança, né?
- 54:29Uma das grandes diferenças que nós temos, né, que foi proposto,
- 54:32cara, inclusive pelo... Nossa, esse é um autor que
- 54:36sempre me... Se não me engano, foi o Kotler,
- 54:37cara, que falou, meu... Uma grande diferença que nós
- 54:40temos entre o trabalho industrial, o trabalho do
- 54:43conhecimento, e com o trabalho do conhecimento, todas as
- 54:45pessoas são gestores, né? Cara, não é o Cosley.
- 54:49Esse é um autor, cara, que depois que eu peguei Covid, eu
- 54:51sempre esqueci o nome dele, mas daqui a pouco ele vem na minha
- 54:53cabeça. Todo desenvolvedor pode ser um
- 54:55gestor também, né? Eu vi isso acontecer e...
- 55:03Eu vou contar outra história pra vocês.
- 55:05Eu tava num evento, cara, em Blumenau, né?
- 55:08E, cara, eu coloquei como uma nota, assim, cara, num dos
- 55:12slides, né, infantilização da equipe ou algo do tipo.
- 55:15Eu nem comentei sobre isso, né, porque eu achei, cara, que o
- 55:18ambiente não era propício, tá? Mas eu tava palestrando.
- 55:22Mas essa notinha, cara, não passou despercebida, cara.
- 55:25Quando eu terminei a palestra, cara, veio dois devs conversar
- 55:27comigo, né? E eles chegaram pra mim e
- 55:31falaram, Rodrigo, a gente prestou atenção, cara.
- 55:33Tem um slide lá que você falou, cara, sobre infantilização dos
- 55:36devs, né? Aí eu falei, é, putz, eu
- 55:40coloquei ali, mas cheguei a não mencionar e tal.
- 55:42Ele falou, é, mas aquilo nos pegou, né?
- 55:44O pessoal falando lá, cara, com o sotaque mais blumenau
- 55:47possível, né? E eles chegaram pra mim e
- 55:52falaram o seguinte, Rodrigo, cara, nós escrevemos os módulos
- 55:55mais importantes, cara, desse produto.
- 55:57Nós estamos, cara, nessa empresa, cara, há mais de dez
- 55:59anos. Nós vivemos um tempo antes da
- 56:03agilidade, né? Rodrigo, cara...
- 56:07Essa foi a frase dele. A gente não quer ficar brincando
- 56:12de cirandinha na empresa. Essa foi a frase que os dois
- 56:16devs falaram para mim. E assim, Pablo, se você trata
- 56:22pessoas como crianças, elas vão ser eternamente crianças.
- 56:26Essa é uma dica que eu dou até para quem está criando filhos.
- 56:28As minhas filhas já estão jovens, estão com dezoito e
- 56:33vinte anos. Se você trata como criança a
- 56:36vida inteira, vai ser criança o resto da vida.
- 56:40Mas eu acredito, Paulo, que você falou sobre a solução.
- 56:43Cara, eu estou bem curioso para saber como é que o mercado vai
- 56:48sair dessa crise. Porque a crise, geralmente, é
- 56:51muito educadora. Ela está sendo educadora para
- 56:54mim, pessoal. Não está sendo fácil para mim.
- 56:57A empresa nunca esteve com o caixa tão baixo, por exemplo.
- 57:01A gente tinha um colchão muito grande e não está sendo também
- 57:05fácil para nós. Pessoal, não imagine que nós
- 57:07estamos comemorando que está acabando a agilidade.
- 57:11Não, a gente está sofrendo. Perdemos muitas vendas.
- 57:14Nossas vendas vêm caindo. Caiu em dois mil e vinte e três.
- 57:18Está se sustentando em dois mil e vinte e quatro.
- 57:22Então, estamos sofrendo como todos estão sofrendo.
- 57:26Mas eu acredito, cara, que a crise, ela sempre é bastante
- 57:29educadora, né? Eu não sei se vocês se lembram,
- 57:32né? Não sei se vocês têm idade pra
- 57:33isso, na verdade, cara. Mas quando teve a crise de dois
- 57:35mil e um, cara, a mesma coisa na crise de dois mil e oito nos
- 57:37Estados Unidos, né? Existia um movimento, pessoal,
- 57:40lá em Wall Street, principalmente, na crise de dois
- 57:43mil e oito, que o pessoal tava sendo despojado, sabe?
- 57:46Vamos trabalhar, cara, de camisa polo e tal, não sei o quê, né?
- 57:48Em dois mil e dezenove, o cara tava todo mundo lá de gravatinha
- 57:51de novo, né? Então, a crise, o cara tem esse
- 57:55potencial educador, né? Galera, o que eu quero dizer pra
- 58:00vocês, cara, só pra fazer o básico, né?
- 58:02Eu vou falar pra vocês onde é que tá a tirania, cara, da
- 58:04infantilização, onde é que tá a tirania, cara, do pony
- 58:06management, que é o termo que eu cunhei, cara, em dois mil e
- 58:09quinze, né? Pessoal, a tirania está no
- 58:13seguinte, cara. As pessoas falam assim, ah, a
- 58:16organização tem que ser mais humana, né?
- 58:18Nós temos que tratar o indivíduo, algo do tipo, tá?
- 58:22Concordo, cara. Concordo plenamente com isso.
- 58:24Mas eu acho que o buraco é mais embaixo.
- 58:27Acho que tem coisas mais básicas que as organizações têm que
- 58:29fazer. Hoje nós temos uma crise de
- 58:33burnout nas organizações. Hoje nós temos uma crise de
- 58:37problemas psicológicos causados pelo trabalho.
- 58:40Eu acredito que vocês, na organização de vocês, já estão
- 58:42tendo que enfrentar coisas como, por exemplo, afastamento por
- 58:45conta de depressão, de ansiedade e tal.
- 58:49Nunca sofremos tanto com esses problemas.
- 58:53E, pessoal, uma das grandes razões para isso estar
- 58:57acontecendo é a sobrecarga de trabalho.
- 59:00É a sobrecarga de trabalho. Tem sempre metas, datas a serem
- 59:04cumpridas e no trabalho do conhecimento as pessoas não
- 59:09sabem mensurar muito bem a sua capacidade de produção.
- 59:13A Kanban tem uma solução para isso.
- 59:16A segunda prática do Kanban, que é limitar o trabalho em
- 59:18progresso, trata disso. Então, O pessoal não vem falar
- 59:22pra mim, cara, que você tem posters motivacionais na sua
- 59:25empresa, que você tem sala de descompressão, que você tem
- 59:28psicólogo pra tratar das questões, que, olha, nós temos
- 59:31retrospectivas divertidas, olha, nós temos um retreat, né, pra
- 59:37descompressão, algo do tipo. O cara não vem falar essas
- 59:39coisas pra mim, cara, se você não faz o básico, se você não
- 59:41tira o abuso do meio de trabalho.
- 59:43Se você, cara, não limita o trabalho e o progresso.
- 59:45Não vem falar pra mim, cara, que você faz coisas meaborantes.
- 59:47Não, mas nós temos um programa no RH, cara, tá?
- 59:51pra tratar sobre essas questões, cara, de lidar com os problemas
- 59:55de estresse no trabalho. Não vem falar isso pra mim,
- 59:58cara. Faz o básico ali.
- 59:59Falei pra você, faz o básico antes de você pensar, cara.
- 1:00:03Cara, tá com o trabalho limitado, as pessoas não estão
- 1:00:05se afastando. As pessoas têm prazer no que
- 1:00:07elas estão fazendo. vontade de fazer o que elas estão fazendo.
- 1:00:12Faça esse básico primeiro. Tira a sobrecarga de trabalho
- 1:00:15primeiro. Depois você pode fazer até o
- 1:00:17programa da dança da Ula Ula. Pode fazer o que você quiser.
- 1:00:20Mas faz o básico primeiro. Faz o básico.
- 1:00:24Concordo muito. As empresas, em sua grande
- 1:00:29maioria... Isso aqui dá outro podcast.
- 1:00:34Parece que está tudo muito acelerado o tempo todo.
- 1:00:37Parece que ninguém tem tempo para mais nada.
- 1:00:39É o tempo todo... na ânsia de entregar, de entregar, de
- 1:00:44entregar coisa, né? Mas eu concordo cem por cento
- 1:00:46com você, Rodrigo, sim. É...
- 1:00:50Acho que tem mais uma última pergunta aqui sobre...
- 1:00:53Ela é bem curiosa, assim, a gente escuta essa palavra o
- 1:00:56tempo todo, só que é difícil definir, assim, cada um tem uma
- 1:01:00visão. Na sua visão, o que que é
- 1:01:03maturidade? Como é que você define
- 1:01:05maturidade? Vamos lá.
- 1:01:08É... Cara, o trabalho do David
- 1:01:11Anderson junto com a Teodora Boziva, eles fizeram um trabalho
- 1:01:15extensivo em cima dos cases da Campbell University para tentar
- 1:01:18definir isso aí. Nós tivemos vários modelos de
- 1:01:23maturidade no passado, uma das razões pela qual eu gosto
- 1:01:26daquilo que o David faz, das coisas que a Campbell University
- 1:01:30oferece, que é baseado em evidência.
- 1:01:33Cara, o KMM não surgiu do David e da Teodora pensando no
- 1:01:38escritório o que seria maturidade.
- 1:01:39Eles pegaram inúmeros estudos de casos da Câmara Universitária e
- 1:01:45o que eles descobriram? Sabe aquele negócio que acontece
- 1:01:49nas organizações, cara, de uma prática não pegar?
- 1:01:51Tipo, ah, não, vamos implementar isso aqui, aí não pega, cara, as
- 1:01:54pessoas não vão pra frente com aquilo, cara, o negócio vira
- 1:01:56ali, é que nem aqui no Brasil, tem lei que não pega, acho que o
- 1:01:59Brasil é o único país do mundo, cara, que a lei não pega, né?
- 1:02:02Acontece nas organizações também, as políticas, os
- 1:02:04processos, as práticas acabam não pegando, né?
- 1:02:08O David e a Theodora investigaram o porquê, cara.
- 1:02:11Eles viram que, muitas vezes, a organização não tenta dar um
- 1:02:13passo maior do que a perna. Ela tenta usar práticas, ela
- 1:02:16tenta usar processos que estão além do que ela consegue
- 1:02:20digerir. E aí, o David e a Theodora, eles
- 1:02:23viram que maturidade, cara, é um tripé.
- 1:02:26São práticas, resultados e cultura.
- 1:02:30Práticas, resultados e cultura. E aí, eles vieram trabalhando
- 1:02:33nisso, cara, e eles codificaram o modelo, né?
- 1:02:38que, pessoal, ele é baseado em práticas do Kamban, mas os
- 1:02:42elementos culturais que tem lá e os elementos de resultados que
- 1:02:45tem lá são independentes, cara, do Kamban ou não.
- 1:02:50Uma coisa que eu comento também, as pessoas não gostam de ouvir
- 1:02:54isso, cara. Todas as empresas usam Kanban,
- 1:02:57porque todas as empresas têm WIP, têm fluxo, têm lead time,
- 1:03:00têm vazão. Todas elas têm um fluxo de
- 1:03:03trabalho. E, por incrível que pareça, esse
- 1:03:06fluxo tem evoluções. Podem ter também retrocessos,
- 1:03:11pode ter também, mas na maioria das organizações elas estão
- 1:03:13evoluindo, elas estão melhorando, senão elas não
- 1:03:15estariam vivas hoje. Então...
- 1:03:20O David e a Theodora, eles fizeram um modelo, cara, com
- 1:03:24sete níveis de maturidade. Eu não vou entrar em detalhe
- 1:03:28cada um desses níveis de maturidade, né?
- 1:03:31Mas vamos do básico, tá? Cara, organizações imaturas,
- 1:03:36elas não têm um fluxo de trabalho definido. tá?
- 1:03:39Elas não pensam end-to-end, elas ficam, como eu falei pra vocês,
- 1:03:42característica de maturidade de um, ah, o problema tá lá, agora
- 1:03:45o problema tá aqui, agora o problema tá colado, né?
- 1:03:47Sabe aquele time de futebol que só trabalha bem ou na defesa ou
- 1:03:50no ataque? Isso que acontece com muitas
- 1:03:52organizações, né? Então a organização gramatônica
- 1:03:56da Baixa tem um fluxo, uma cadeia de valor estabelecida,
- 1:04:00ela pensa muito em time, o time é daqui, o departamento é lá,
- 1:04:04ela pensa dessa forma cartesiana e clusterizada,
- 1:04:09compartimentalizada. E esse é um problema, porque a
- 1:04:14organização, cara, ela dificilmente vai atender bem o
- 1:04:16cliente, cara, se ela tiver essa mentalidade.
- 1:04:18E organizações de baixa maturidade, cara, elas não
- 1:04:20atendem bem o cliente. Isso é uma outra característica.
- 1:04:23Ela também, cara, não tem resultados interessantes por
- 1:04:28conta dessas práticas que elas usam.
- 1:04:32Agora a parte triste, galera. Eu falei para vocês que quem
- 1:04:34participa do nosso treinamento, entre setenta e oitenta por
- 1:04:37cento, está numa organização de maturidade zero ou de maturidade
- 1:04:39um. Grande parte das organizações
- 1:04:42que eu tenho contato, cara, elas têm comportamento de maturidade
- 1:04:46um. Como, por exemplo, o cara,
- 1:04:48aquele CEO que falou, o cara que não sabe onde é que o programa
- 1:04:50dele está. Isso é um problema, cara, de
- 1:04:52maturidade um. Aí, pessoal, quando a
- 1:04:57organização não começa, primeiro o cara tem esse fluxo mais
- 1:05:01claro, end-to-end, tem pessoas preocupadas em fazer o pacote
- 1:05:04todo fluir, não só um pedaço da cadeia de valor, mas a
- 1:05:07organização começa a trabalhar como se fosse um corpo único.
- 1:05:13Quando isso acontece, o lead time cai, o cliente começa a
- 1:05:16ficar mais satisfeito, até que chega uma hora que tem um marco
- 1:05:20lá no KMM, que é a maturidade de três, que é... quando o cliente
- 1:05:23é bem atendido num fluxo sustentável.
- 1:05:27Ou seja, a organização está livre do abuso e a organização
- 1:05:32consegue atender bem o cliente. Quando a organização atinge esse
- 1:05:38nível de maturidade, ainda falta algo ela.
- 1:05:41Como eu falei, o cliente está contente, o fluxo está
- 1:05:44estabelecido, livre do abuso. É um marco importante, tá?
- 1:05:50Só que, pessoal, a organização de maturidade de três ainda tem
- 1:05:53flancos abertos que podem minar a sobrevivência da organização
- 1:05:57no longo prazo. Nós temos organizações de
- 1:06:02maturidade de três que elas não têm lucro, elas não conseguem
- 1:06:06ter um modelo de negócio que garanta uma sobrevivência no
- 1:06:10longo prazo, elas muitas vezes não têm caixa, elas muitas vezes
- 1:06:14não têm capacidade de financiamento próprio, tá?
- 1:06:18O caso clássico, cara, de uma organização de maturidade de
- 1:06:20três, cara, é o Spotify. Esse modelo, cara, que todo
- 1:06:23mundo copia, cara, é de uma empresa que não dá lucro, tá?
- 1:06:27Ah, Rodrigo, mas você vai entrar naquela discussão do tipo, ah,
- 1:06:29não, mas, pô, tem a questão de um lucro futuro, um lucro
- 1:06:31hipotético, não, mas hoje nós estamos no mundo das
- 1:06:33organizações exponenciais, legal, você pode acreditar tudo
- 1:06:37isso aí, legal, só que hoje não dá lucro, cara, você não tem
- 1:06:40garantia, tá? Você tá fazendo uma aposta no
- 1:06:42futuro baseada possivelmente em capital de terceiro, legal?
- 1:06:45Então, se a organização é maturidade de três, né?
- 1:06:48Cara, a partir daí, quando a organização começa a gerenciar
- 1:06:51melhor os seus riscos, ela começa a ter um capital próprio
- 1:06:58de financiamento, a empresa tem caixa, a empresa consegue
- 1:07:01cumprir seus objetivos, suas obrigações de curto e médio
- 1:07:04prazo, isso seria, cara, uma organização de maturidade de
- 1:07:07quatro, tá? Então, isso seria basicamente o
- 1:07:12resumo do KMM. Teria ainda a maturidade cinco,
- 1:07:15que é a organização líder de mercado.
- 1:07:17A organização que é líder de mercado, ela também encara um
- 1:07:19nível de maturidade superior no KMM.
- 1:07:25Então, assim, quando eu faço o treinamento de KMM aqui na
- 1:07:29Supercom, a primeira aula, quase que inteira, ela serve para
- 1:07:34provar que... Maturidade existe mesmo que você
- 1:07:38não goste do KMM, cara. E nós temos uma evidência bem
- 1:07:42simples, cara, disso. Pablo, eu sou um ávido, cara,
- 1:07:46consumidor do iFood, cara. Hoje é bem provável, cara, que
- 1:07:51eu vou pedir um iFood. Pessoal, você, pessoalmente,
- 1:07:59você não faz negócios com organizações, cara, de
- 1:08:01maturidade abaixo de três, cara. Você não compra a pizza de
- 1:08:05pizzaria que não te entrega. Ou você não compra a pizza de
- 1:08:07pizzaria, cara, que te entrega a pizza errada.
- 1:08:10Você não compra, cara, de e-commerce que você não sente
- 1:08:12que é confiável, cara. Você não compra de e-commerce
- 1:08:15que, cara, não garante a data de entrega.
- 1:08:18É simples assim, cara. Você não vai, cara, num mecânico
- 1:08:20que promete e não cumpre. Então você, pessoalmente, você
- 1:08:24não faz negócios, cara, com organização de maturidade dois
- 1:08:28em um e zero. É, mas a parte triste é que é
- 1:08:32bem provável que você trabalhe, cara, numa organização de
- 1:08:35maturidade zero, um e dois, cara, né?
- 1:08:39Então, assim, a maturidade é um conceito que às vezes as pessoas
- 1:08:41falam, ah, Rodrigo, mas, pô, falar sobre maturidade, tem
- 1:08:44empresas maturas e empresas imaturas, ah, eu acho isso
- 1:08:47muito, é, muito, é um julgamento muito frio, tal, né?
- 1:08:55Mas a verdade é essa, cara. Maturidade existe, cara.
- 1:08:57Maturidade organizacional é um conceito que existe mesmo que
- 1:08:59você não concorde com nada do que eu tô falando aqui, cara.
- 1:09:02Maturidade existe. E esse é um assunto interessante
- 1:09:06porque, cara, principalmente a forma como você vai lidar com
- 1:09:10uma organização de maturidade zero, de maturidade única, você
- 1:09:13vai colocar estressores pra essa organização mudar diferentes,
- 1:09:17né? E isso é uma das coisas que eu
- 1:09:20acho interessante, né, as pessoas falam, ah, pô, já
- 1:09:22escutei isso, ah, Kanban é muito sobre delivery, cara, não é
- 1:09:25sobre delivery, cara, Kanban é sobre negócios, Kanban é sobre
- 1:09:28fluxo end-to-end, né, Kanban vai, cara, pro downstream,
- 1:09:32popstream, né. E hoje, cara, a gente tem
- 1:09:36aprimorado a oferta da Campbell University, tem hoje a formação
- 1:09:39da KLP, que fala sobre produto, fala sobre cliente, né?
- 1:09:43Então, existem alternativas fora aí do mundinho comum, que as
- 1:09:47pessoas estão acostumadas a escutar sobre produto.
- 1:09:51Uma coisa que eu falo, pessoal, para a galera de produto, acho
- 1:09:53que eu vou aproveitar aqui, cara, um pouco de palco, cara,
- 1:09:55que eu tenho, né? É para vocês procurarem coisas
- 1:09:59em outras fontes também, né, cara?
- 1:10:01Existe uma cultura de produto muito forte na própria Toyota,
- 1:10:04cara. Tem um livro, cara, sobre
- 1:10:05inovação na Toyota, que é um grande tratado, cara, sobre como
- 1:10:10que inovação é feita, cara, num estado de fluxo, tá?
- 1:10:13Outra literatura, cara, que é duríssima, cara, produteiro de
- 1:10:17baixa maturidade, cara, vai odiar esse livro, cara, mas eu
- 1:10:19sou obrigado, cara, a indicar ele, tá?
- 1:10:22Dom Reinertsen, Donald Reinertsen.
- 1:10:26Tem um livro lá dele chamado Principles of Product
- 1:10:28Development Flow. Cara, literatura ótima,
- 1:10:33excelente. Muitos dos livros da Three Seven
- 1:10:37Signals também estão disponíveis para download.
- 1:10:40Eles são mais focados em produtos digitais.
- 1:10:43Mas existem outras fontes, cara. Existiu um movimento em startup
- 1:10:48muito forte no começo, né? startup, ao meu ver, é o
- 1:10:53costumer development meio que estrupado.
- 1:10:58Então, Steve Blank, por exemplo, é uma outra literatura que eu
- 1:11:01acredito que é importante. O que a gente tem falado
- 1:11:04bastante aqui na Supercom, principalmente com a formação da
- 1:11:06Kamon Invest, é que antes de você ser um produteiro, você tem
- 1:11:09que ser um clienteiro. Porque o que interessa é a forma
- 1:11:13como você aborda o cliente, não a forma como você faz o produto.
- 1:11:17Interessante. O link para todos esses livros
- 1:11:22estará na descrição. O Rodrigo vai nos passar,
- 1:11:25principalmente da University. É ali que a gente precisa levar
- 1:11:31a palavra do Kamban. para o mundo, ok?
- 1:11:35Libertar a galera das outras coisas.
- 1:11:40Rodrigão, eu fiz um post no LinkedIn falando que você ia vir
- 1:11:45para cá e a galera mandou perguntas para você.
- 1:11:51Que é assim, pode voltar card no board?
- 1:11:56Pode. Tem nada que proíba você, cara.
- 1:11:59Você pode fazer o que você quiser, na verdade.
- 1:12:01Se você quiser fazer que o quarto ande pra frente, pra
- 1:12:04trás, né? Cara, manda um louco aí, né?
- 1:12:09É, pessoal, não tem nenhuma regra, cara, que diga, cara, que
- 1:12:12é proibido votar no card. Eu sei que tem até instrutores
- 1:12:15que falam no cabana, ah, não pode, aluno meu não vota card.
- 1:12:18Isso é uma besteira, pessoal. Não tem nada a ver com o que eu
- 1:12:21acabei de falar aqui, tá? É simples, cara.
- 1:12:24Organização de baixa maturidade, ela vai votar o cartão, cara, no
- 1:12:27board e ela não vai ligar pra isso, cara, entendeu?
- 1:12:30Ah, votei, dane-se, tá? Organização mais madura, cara,
- 1:12:34ela entende que... Cara, por que que não é
- 1:12:37conceitualmente... Vamos falar conceitualmente.
- 1:12:39Por que que não é conceitualmente correto você
- 1:12:41voltar? Pelo seguinte.
- 1:12:43Quando você for um pouco mais maduro, você vai entender, cara,
- 1:12:46que o Kanban é um fluxo de agregação, cara, de informação.
- 1:12:50Tá? Primeiro a gente faz lá
- 1:12:52discovery, vê se o negócio é viável, vê se a coisa é
- 1:12:55tecnicamente viável, vê se nós temos dinheiro para fazer isso.
- 1:12:59Aí depois o cara vai para o delivery.
- 1:13:01Lá no delivery você fala, cara, como é que eu vou resolver esse
- 1:13:03problema? Então existe um processo de
- 1:13:06descoberta de informação. É isso que o Mike Burrows fala,
- 1:13:09cara. É um processo de descoberta de
- 1:13:10informação. Cara, não faz sentido você
- 1:13:14voltar um card no cartão, no board, voltar um cartão no
- 1:13:18board, Porque você estaria afirmando que, olha, eu estou
- 1:13:22descobrindo, eu estou deixando de conhecer a informação.
- 1:13:25Isso não faz sentido. Sobre o ponto conceitual, cara,
- 1:13:29é isso que nós temos a dizer. Mas organizações de baixa
- 1:13:32maturidade vão voltar o cartão no board, não vão se importar
- 1:13:35com isso e vão até achar isso certo.
- 1:13:38Mas, cara, quando ela começar a descobrir um pouco mais adiante
- 1:13:42na evolução, ela vai ver que isso não é uma boa ideia.
- 1:13:46Mas não tem lei nenhuma, cara, que proíba você.
- 1:13:48Se você quiser, você pode botar fogo aí no seu board, não tem
- 1:13:51problema. Paulo, sabe qual que é a
- 1:13:54questão, cara? É esse embate que existe entre a
- 1:13:56prescrição e a não prescrição. Todo mundo tá atrás, cara, de
- 1:13:59uma lei. Todo mundo tá atrás, cara, de
- 1:14:01uma regrinha. Quando você chega e fala pro
- 1:14:03cara, tem alguns proeminentes escrumeiros que adoram uma
- 1:14:07regra, uma prescrição, tá no Scrum Book, não tá no Scrum
- 1:14:11Guide, tá no Scrum Guide, né? Eles falam, ah, então quer dizer
- 1:14:13que o Kamban pode fazer o que você quiser?
- 1:14:17Eu falo, pode. Só que você arca com as
- 1:14:19consequências, beleza, cara? Tipo, skin the game, né?
- 1:14:22Você faz o que você quiser, cara, mas você arca com as
- 1:14:24consequências, cara. O cambão só vai te mostrar quais
- 1:14:27são essas consequências. A decisão é sua, pô.
- 1:14:28Né? A decisão é sua.
- 1:14:30Por que que o safe... Só falar em safe é doar risada,
- 1:14:35desculpa. Por que que o safe é melhor que
- 1:14:38o scrum? Por que que o safe é melhor que
- 1:14:40o scrum, cara? Ah, controvérsia, né?
- 1:14:42Primeira pergunta, melhor pra quê?
- 1:14:44Vamos lá. Cara, o safe, ao meu ver, ele
- 1:14:51peca pelo peso dele. Ele peca pelo peso dele.
- 1:14:56O que existe é o seguinte, pessoal.
- 1:14:57Quanto mais você codifica um método, mais idealizado ele
- 1:15:02acaba por se tornar. Se você pega o pessoal e fala
- 1:15:06tintinho por tintinho o que a pessoa tem que fazer, como é que
- 1:15:10funcionam os papéis, como é que funcionam todas as atividades, o
- 1:15:13que você tem que fazer... Cara, menos esse método, esse
- 1:15:17processo, ele se cola com a realidade, né?
- 1:15:21Cara, se você fosse parar pra pensar, cara, estaria se
- 1:15:24comparando bananas com laranjas, cara, ou melhor, cara, estaria
- 1:15:28se comparando um time de futebol, cara, com uma liga
- 1:15:31esportiva, tá? Porque, cara, o Scrum tenta
- 1:15:34resolver um determinado problema, cara, o Safe tenta
- 1:15:37resolver outros, né? Então, por exemplo, o Scrum
- 1:15:40serve ali, cara, para um time lá, de sete a nove pessoas, tal,
- 1:15:44não sei o quê, com um produto, um Scrum Master alocado, tal,
- 1:15:48né? Isso aí o Scrum, cara, vai
- 1:15:49resolver. Agora, aquele executivo que eu
- 1:15:53falei para vocês que ele não tinha resposta, é bem provável
- 1:15:56que um cara bate na porta lá dele com um safe e aí vem, cara,
- 1:15:59com uma prescrição absurda em cima de tudo que tem que
- 1:16:02acontecer no seu Scrum, cara, para que ele consiga ter uma
- 1:16:05ideia de como é que o portfólio funciona, né?
- 1:16:09Cara, existem soluções mais elegantes, ao meu ver.
- 1:16:12Existem soluções que não dependem nem do Scrum, que não
- 1:16:15dependem nem do Safe. E, cara, essa solução, ao meu
- 1:16:19ver, tem que ser emergente. Baseado na maturidade da sua
- 1:16:22organização, você tem que começar a colocar estressores
- 1:16:24para essa organização evoluir. E aí, cara, você vai encontrar o
- 1:16:28seu jeito de fazer negócios, a sua forma de fazer gestão.
- 1:16:34E, pessoal, isso tem acontecido. Tem um case nosso que está lá no
- 1:16:38no YouTube da Supercom. Temos diversos outros, mas o da
- 1:16:42Unicred hoje é o que está mais proeminente. de crédito, uma
- 1:16:48organização, cara, que a transformação deles atingiu,
- 1:16:50cara, mil e trezentas pessoas, passaram por uma fase ágil,
- 1:16:54cara, retrocederam e agora, cara, estão passando por uma
- 1:16:57fase Kanban, cara, uma organização de alta maturidade,
- 1:17:01hoje eles estão, cara, muito melhor, orientado a fluxos, end
- 1:17:05to end, cara, discovery e delivery, trabalhando juntos ali
- 1:17:08e tal, né, Poucos coaches, poucos agilistas, eles não têm
- 1:17:14mais usado. O Scrum Masters é a história que
- 1:17:17eu falei para vocês de uma organização que abandonou
- 1:17:19coaches, Scrum Masters e tal. E estão bem, estão tranquilos.
- 1:17:23Para eles não foi nenhuma crise passar. por essa diáspora aí.
- 1:17:28É, aqui uma outra pergunta aqui, eu acho que é bem interessante
- 1:17:31essa, porque muitas pessoas fazem isso após desligar o
- 1:17:36expediente, que é, por que o Scrum é tão ruim?
- 1:17:38É, o Scrum não é ruim, cara. Cara, se você tem, cara, uma
- 1:17:42empresa pequena, ou se você tem um produto ali, que é algo que
- 1:17:45se resolve com sete, oito pessoas, cara, vai funcionar
- 1:17:51legal. Eu já arrudei, cara, Scrum,
- 1:17:52cara, desse jeito, funciona bem, tá?
- 1:17:56A minha crítica, acho que essa pessoa possivelmente queria
- 1:17:58saber, cara, a minha crítica. Cara, a minha crítica à
- 1:18:02comunidade Scrum em geral, a minha crítica ao Scrum em si,
- 1:18:06cara, são bem simples e básicas, né?
- 1:18:09Qualquer pessoa que acho que para pra pensar cinco minutos,
- 1:18:12cara, sobre o assunto, chega nessa conclusão.
- 1:18:17Cara, o Scrum Guide, ele muda um parágrafo a cada três anos,
- 1:18:22cara. Tá?
- 1:18:24E a comunidade Scrum, cara, em geral, principalmente as pessoas
- 1:18:28que se formaram agora, como CSM e tal, eles imaginam, cara, que
- 1:18:32o problema tá resolvido, cara. Eles imaginam, cara, que, meu,
- 1:18:36Scrum é perfeito, Scrum, cara, é a última bolacha do pacote e,
- 1:18:39ah, é uma frase que emergiu, cara, lá por dois mil e... dois
- 1:18:44mil e doze, dois mil e treze, era algo do tipo, ah, não é o
- 1:18:48Scrum que tá errado, cara, é a sua organização que tá errada,
- 1:18:51tá? Se o Scrum não funciona na sua
- 1:18:53organização, o cara tem algo errado com a sua organização,
- 1:18:55não tem algo errado, cara, com o Scrum.
- 1:18:58É esse tipo de dogma, cara, que eu sou contra, tá?
- 1:19:01Se você tiver, cara, como eu falei, cara, uma implementação,
- 1:19:03cara, de um time, cara, que funciona bem e tal, não sei o
- 1:19:06quê, mas eu vou falar, se eu chegar na sua organização e
- 1:19:08falar assim, ah, o seu cliente tá contente, eu tô tendo
- 1:19:09resultado, dificilmente, cara, eu vou tirar o Scrum de lá.
- 1:19:13Entendeu? O problema é, cara, a
- 1:19:15organização não tá tendo resultado, ela não tem uma
- 1:19:17cultura aderente, cara, eles tão empurrando, cara, a pedra scrum,
- 1:19:21cara, montanha acima, ou a pedra agilidade montanha acima, não tá
- 1:19:25tendo resultado, e os caras falam, não, a gente não tem o
- 1:19:27mindset ainda, né? É sobre isso, cara, que eu sou
- 1:19:30contra, entendeu? São as pessoas, cara, dando o
- 1:19:34soco, cara, em ponta de faca, e falando, não, tem alguma outra
- 1:19:38coisa errada, que aí eu preciso de um coach iluminado, ou de uma
- 1:19:40consultoria iluminada pra vir aqui me ajudar, né?
- 1:19:43Eu sempre fui o cara contra o dogma, mas o Scrum funciona,
- 1:19:47para aquilo que ele foi predeterminado ele funciona, até
- 1:19:51durante um tempo. Eu vejo que às vezes também uma
- 1:19:55empresa com os Scrum, quando ela entra num ciclo de produto que
- 1:19:58ela tem que dar manutenção, aí os itens de trabalho tem classe
- 1:20:01de serviço diferente, tem risco diferente, aí o negócio começa a
- 1:20:04entornar um pouco. Mas, cara, o Scrum em si pode
- 1:20:10ser efetivo. O que não é efetivo é você achar
- 1:20:13que você vai ficar com ele o resto da vida.
- 1:20:15Mais duas perguntas para a gente encerrar.
- 1:20:17São perguntas bem interessantes. Da Patrícia aqui.
- 1:20:24Essa daqui é bem interessante, que vai ajudar bastante pessoas
- 1:20:28a acreditarem no que é. Quando é realmente necessário um
- 1:20:32agilista na Scrum? É por tamanho de empresa, tipo
- 1:20:36de produto, etapas de implementação da metodologia, só
- 1:20:41cross-squad ou sempre? Toda squad tem que ter um
- 1:20:44agilice. Cara, surgiu um tempo atrás,
- 1:20:48nesse movimento de abundância do mercado, nesse movimento de
- 1:20:51liquidez inédita. Graças a Deus esses caras não
- 1:20:54ganharam força, mas eles escreveram o Scrum Master
- 1:20:57Manifesto. Se você procurar na internet, é
- 1:21:00capaz de se achar alguma coisa parecida.
- 1:21:02Lá eles afirmaram categoricamente.
- 1:21:04O Scrum, cara, é o trabalho de uma pessoa dentro de um time.
- 1:21:07Ou seja, eles meio que estabeleceram lá no manifesto,
- 1:21:11que possivelmente deve guiar a ideologia deles, que não, Scrum
- 1:21:15Master é um por time. Respondendo aí a Patrícia,
- 1:21:18Patrícia, eu vou falar para você o que eu já vi, o que eu vejo
- 1:21:22acontecer. Se você pegar o movimento até da
- 1:21:25Unicred que eu citei aqui, mas pode ser de outras empresas
- 1:21:27também, É natural que quando a organização começa a ter fluxo,
- 1:21:32isso acontece ali na maturidade II do KMM mais ou menos, todo
- 1:21:38mundo sabe o que tem que fazer. Eu vi isso acontecer na primeira
- 1:21:42implementação minha de Kanban, que era numa seguradora.
- 1:21:49As pessoas olham para o quadro, olham para as políticas
- 1:21:51explícitas, olham para as métricas, elas fazem os
- 1:21:54encontros, como por exemplo uma Kanban Meeting, uma
- 1:21:56Replenishment Meeting, Cara, todo mundo sabe o que tem que
- 1:21:59fazer. A questão não é mais ter uma
- 1:22:02cultura ágil. Não é, cara.
- 1:22:04É fazer o trabalho fluir. Entregar as coisas.
- 1:22:07O que eu tenho que fazer para tirar esse bloqueio e tal?
- 1:22:10O método começa a virar uma nuvem meio esquisita.
- 1:22:13Você não fica mais perguntando sobre o que é certo no cambão,
- 1:22:16no scrum. Quando a organização entra nesse
- 1:22:18estado de fluxo, ou seja, as coisas que começam, elas
- 1:22:21terminam... cada vez menos você vai precisar de alguém para
- 1:22:27guiar o processo, para ser o pai do processo, que muitas vezes é
- 1:22:29o papel do Scrum Master. Aí, neste caso, você vai começar
- 1:22:36a ver que você precisa ainda ter agentes de transformação, só que
- 1:22:41num nível mais alto. para cuidar de coisas como, por exemplo,
- 1:22:45coordenação entre serviços, para cuidar de coisas entre
- 1:22:48dependência entre cambãs ou entre serviços, começar a pensar
- 1:22:53questões como, por exemplo, de portfólio, mas não precisa mais
- 1:22:55ter o secretário lá, cara, do fluxo ou secretário da cadeia de
- 1:23:00valor, cara, para ficar dizendo para as pessoas o que as pessoas
- 1:23:04têm que fazer. Então, essa dependência vai
- 1:23:07diminuindo. Então, o que eu posso responder
- 1:23:09para você é, para uma organização voltada a times,
- 1:23:12maturidade um, Vai ser comum, cara, você ter um agilista por
- 1:23:17squad ou um scrum master por squad.
- 1:23:19Isso é meio que estabelecido no mercado.
- 1:23:22Mas se essa organização começar a pensar além dos times, começar
- 1:23:25a pensar em serviços, começar a pensar até em produtos, né?
- 1:23:28Porque produto e serviço é um negócio correlato.
- 1:23:31Ela vai começar... a se preocupar com outras coisas mais
- 1:23:36nobres, cara, que não é ter aderência ao processo ágil.
- 1:23:39Ela vai falar, cara, a gente tem que fazer o bagulho fluir, cara,
- 1:23:41a nossa empresa é a única, temos o nosso jeito de fazer, o que a
- 1:23:44gente tem que fazer pra fluir? Não é, cara, o que eu tenho que
- 1:23:47fazer pra seguir o Squam ou seguir, sei lá, qualquer bíblia
- 1:23:50que você segue. Última pergunta é a minha.
- 1:23:54Você volta mais vezes aqui, Rodrigo?
- 1:23:56Voltamos. Papo, cara, muito agradável.
- 1:23:59Eu quero ver como é que a sua audiência vai recepcionar isso,
- 1:24:01tá, Paulo? Porque...
- 1:24:03Com amor, carinho. Já estão acostumados já com o
- 1:24:06Paulo. Já estão acostumados.
- 1:24:08A gente já falou que a Agilissa ia morrer, que o Prodops ia
- 1:24:11matar o Agilidade. Aqui já rolou também que Product
- 1:24:15Manager é uma anomalia. Eu não lembro exatamente o que o
- 1:24:19Waze falou, mas... Isso.
- 1:24:21Uma anomalia do... Enfim, é isso.
- 1:24:25Não é necessário o project management.
- 1:24:28A gente já falou que o PM é babá de dev.
- 1:24:33Flaneli é de gira. A galera está acostumada.
- 1:24:38Vocês já falaram aqui, cara, que agilidade foi algo que nasceu
- 1:24:42para dar emprego na área de tecnologia para as pessoas de um
- 1:24:46ano? Essa aí a gente nunca falou,
- 1:24:47hein? Ainda bem que foi você que
- 1:24:49falou, Rodrigo. Esse corte já tá garantido, tá
- 1:24:54bom? Não fui eu que falei, tá bom?
- 1:24:58Não fui eu. Olha o cara se hesitando aí.
- 1:25:02Ah, mas agora você vai ter que publicar.
- 1:25:03Não, eu vou publicar, mas eu quero deixar em corte.
- 1:25:06Não fui eu que falei. O Rodrigo volta. mas aqui pra
- 1:25:12gente abordar mais temas e a gente pode trazer algum
- 1:25:17agilista, um pônei agilista aqui pra ver a treta acontecendo e eu
- 1:25:23só ficar quieto e vendo o embate é...
- 1:25:27Você que assistiu a gente, ouviu a gente até aqui, muito obrigado
- 1:25:31por você ter dado play e ouvido a gente até aqui.
- 1:25:33Links, quer conversar com o Rodrigo, você que ainda não
- 1:25:36segue o Rodrigo, só se você nasceu ontem ou chegou ontem na
- 1:25:41Terra, o link do LinkedIn do Rodrigo está na descrição, vai
- 1:25:46lá, segue ele, se conecta, consome os conteúdos dele,
- 1:25:52acessa... O link da University Kanban é
- 1:25:56esse, né? O nome, Rodrigo.
- 1:25:58Kanban University. O cara criou uma universidade no
- 1:26:02Kanban, porra. Entendeu?
- 1:26:05Não, você não foi o que eu criei.
- 1:26:06Você é o David Anderson. Não, ninguém conhece.
- 1:26:08Todo mundo conhece. Não, somos membros fundadores.
- 1:26:11Todo mundo conhece. Esse David aí não tira foto na
- 1:26:14Paulista. Você tira.
- 1:26:16Se você colocar o David na Paulista, ele não tira uma foto.
- 1:26:22Já se colocar o Rodrigo Yoshima na Paulista, no mínimo três
- 1:26:26fotos ele tira. Uma é comigo.
- 1:26:30Dito isso, siga. Rodrigo, consuma os conteúdos.
- 1:26:33Pabllo, muito obrigado. Tem o livro, hein?
- 1:26:35Tem o livro dele. Tem o livro.
- 1:26:38Que é politicamente incorreto da agilidade.
- 1:26:41Esse é disponível para download. Vou colocar o link aí também.
- 1:26:44Tá... É grátis ou é pago?
- 1:26:47Pago, né? É grátis, cara.
- 1:26:50Você só vai ter que me dar seu e-mail.
- 1:26:52É isso. Tem um link na descrição, um
- 1:26:54livro grátis pra você... Primeiro capítulo é grátis.
- 1:26:59Já tá bom. Já dá pra você matar os
- 1:27:01agilistas da sua empresa do coração.
- 1:27:06Pablo, muito obrigado pelo seu tempo.
- 1:27:08É bom ter você aqui novamente. Tamo junto.
- 1:27:12Foi muito bom estar aqui de volta.
- 1:27:13Obrigado, galera. Isso, já se autoconvidando
- 1:27:19claramente. Valeu, Pablo.
- 1:27:21Entrega meu pedido aí que eu vou fazer daqui a pouco.
- 1:27:23Pode deixar. Tem cupom, Pablo?
- 1:27:26Não tem. Isso aí nunca terá.
- 1:27:29Meu Deus do céu. Crise.
- 1:27:31Crise no iFood. Beijos.
- 1:27:33Tchau. Fui.
- 1:27:34Valeu.