Latest / Galinha Viajante - Videogames / O Que Disco Elysium diz de Trabalho, Dinheiro e Coletividade?
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- 0:26SPEAKER_00: This video game, the story, narrative and things.
- 0:37SPEAKER_00: Disco Elizabeth.
- 0:58SPEAKER_01: E chegando aqui no nosso jogo Derradeiro, eu vou trazer a obra que virou um referencial de videogame e política, e eu não poderia estar falando de outro jogo que não disco Elysium.
- 1:14SPEAKER_01: E como começar a falar de disco Elysium - um jogo que trata na sua execução de tudo que a gente falou aqui, até agora.
- 1:25SPEAKER_01: Pois é.
- 1:26SPEAKER_01: Ele fala de espiritualidade, ele fala de Estado e liberdade de imprensa, ele fala de movimentos sociais e ele fala de processos democráticos.
- 1:41SPEAKER_01: E qual que é o lance?
- 1:42SPEAKER_01: O disco Elysium começa tratando de uma greve, e você é um detetive que precisa desvendar uma morte que aparentemente está relacionada ali com esse contexto.
- 1:59SPEAKER_01: Mas qual é o lance?
- 2:01SPEAKER_01: A gente joga um jogo que ele se passa numa cidade decadente, e essa cidade é permeada, ela é atravessada de conflitos políticos.
- 2:15SPEAKER_01: E óbvio, a gente já está falando de uma greve, então ele já começa no calor do momento.
- 2:20SPEAKER_01: Mas são conflitos relacionados.
- 2:22SPEAKER_01: As condições de classe são conflitos relacionados.
- 2:25SPEAKER_01: A liberdade de imprensa e de expressão são conflitos relacionados à forma como as notícias correm, como os interesses excusos por trás dos fatos sociais são alcançados pelas pessoas, ou eles são deliberadamente informados de determinada forma, ou com um determinado contexto e viés por parte de quem detém os meios de comunicação?
- 2:51SPEAKER_01: Mas qual é o lance?
- 2:52SPEAKER_01: O lance é que esse jogo correlaciona a existência e a forma de ser e de se sentir e localizar politicamente com a forma de ser enquanto ser humano.
- 3:06SPEAKER_01: Então, assim, faz sentido uma vida sem luta política, faz sentido uma vida que você só acorda pra ir trabalhar, estudar, fazer suas coisas e não prestar atenção no que tá acontecendo no meio, não se questionar, não tentar entender o papel do Estado, o papel dos governantes, ou viver meio que na sua bolha, inerte, porque isso tem um pouco a ver com cultura do videogame, né?
- 3:32SPEAKER_01: Se você parar pra pensar, tem gente que vê o videogame com essa densidade toda que a gente tá vendo, trazendo, falando aqui.
- 3:39SPEAKER_01: E tem gente que só quer o videogame pra relaxar.
- 3:44SPEAKER_01: E assim, não tem certo ou errado, tá?
- 3:47SPEAKER_01: O cara que só quer chegar em casa e jogar um bom bermanzinho honesto, esse cara, ele tá muito certo.
- 3:55SPEAKER_01: Já começa que jogar um bomberman é muito certo, né?
- 3:59SPEAKER_01: É muito correto.
- 4:00SPEAKER_01: Só que assim, ignorar esses contextos e essas circunstâncias todas não vai tornar sua vida melhor.
- 4:08SPEAKER_01: E se a gente não decide, se a gente não toma partido em determinadas circunstâncias, e é uma coisa que o Disco Elysium fala muito, a gente deixa outras pessoas decidirem pela gente.
- 4:20SPEAKER_01: Aí as pessoas decidem a nossa crença ou o rumo que a nossa crença vai tomar.
- 4:28SPEAKER_01: As pessoas decidem, inclusive, se a gente pode ter uma crença, hein?
- 4:32SPEAKER_02: Sim, sim, sim.
- 4:33SPEAKER_01: As pessoas decidem quanto que a gente vai trabalhar, as pessoas decidem quanto que a gente vai folgar, e decidem, muitas vezes, tá rolando um debate aí, decidem até o que a gente pode ou não pode fazer no dia da nossa folga.
- 4:48SPEAKER_02: Exatamente.
- 4:49SPEAKER_02: A gente vai, inclusive, focar aqui no aspecto trabalhista do disco eligium, que é um jogo que trata isso assim, não é.
- 4:58SPEAKER_02: Não é através de metáfora, não.
- 5:01SPEAKER_02: É assim, direto e reto, rolando um piquete, uma greve logo no comecinho do jogo ali.
- 5:08SPEAKER_02: Inclusive o jogo faz até muito bem de colocar você na visão do patrão também.
- 5:14SPEAKER_02: Esse é o ponto de vista do patrão.
- 5:16SPEAKER_02: Para o patrão, essa greve aí quer dizer isso ou aquilo.
- 5:20SPEAKER_02: E aqui também vai ser esse tipo de ponto.
- 5:24SPEAKER_02: Mas eu acho que o principal ponto, Andy, que a gente vê no Disco Elijah é aquele lance de você tirar a força do coletivo pra jogar no individual.
- 5:34SPEAKER_02: Então, se você transforma proletários, trabalhadores in João, Maria, José and Alberta, já deixa de ser a massa, já deixa de ser aquela galera esporadicamente uma pessoa ou outra.
- 6:01SPEAKER_02: No governo Bolsonaro tivemos alterações pivotais nas leis trabalhistas andas que a gente tinha como trabalhador também.
- 6:10SPEAKER_02: A primeira anda mais importante foram as mudanças na Previdência Social que aumentaram tanto a idade mínima quanto o tempo de contribuição para que a gente possa aposentar.
- 6:20SPEAKER_02: Igualmente também foi essa parte aqui que me pegou porque eu não lembrava exatamente dessas palavras.
- 6:27SPEAKER_02: A extinção do Ministério do Trabalho.
- 6:31SPEAKER_01: Sim.
- 6:32SPEAKER_02: Que facilitou a agenda econômica mais puxada para o lado liberal e dificultou toda a fiscalização do trabalho, de situações que possam desafiar ou até mesmo anular a consolidação das leis trabalhistas, a famosa CLT.
- 6:46SPEAKER_02: Um outro ponto importante que a gente precisa anotar do governo Bolsonaro passado é que não houve aumento real do salário mínimo.
- 6:55SPEAKER_02: Todo e qualquer reajuste foi meramente acompanhando a inflação e às vezes meio abaixo da inflação, tá?
- 7:02SPEAKER_02: E o aumento vigoroso da informalidade, tanto por necessidade quanto por causa do afrouxamento legal em relação a isso, é uma coisa que também é recorrente dentro do governo Bolsonaro.
- 7:16SPEAKER_02: Fazendo a bem da informação aqui, começou no curto governo Temer, né?
- 7:22SPEAKER_02: A nova.
- 7:23SPEAKER_02: algumas mudanças ali na lei trabalhista pra facilitar a terceirização e a.
- 7:33SPEAKER_02: Já o governo Lula, pra além de ter resistido à famosa crise do subprime aí de maneira.
- 7:37SPEAKER_02: Dizem que é sorte, né?
- 7:39SPEAKER_02: Não sei se a pessoa dá tanta sorte assim na vida, não, mas.
- 7:42SPEAKER_01: Pô, o Lula é muito sortudo, cara, porque um monte de coisa que o cara faz, pô, o cara teve sorte, tá?
- 7:47SPEAKER_02: Teve sorte, pois é.
- 7:49SPEAKER_02: Teve relações muito nítidas com a melhoria e a garantia de direitos trabalhistas e pela legalização das coisas, né?
- 7:55SPEAKER_02: Então o MEI foi criado não pelo Lula, mas no governo dele, e foi uma pauta levantada pelo PT, principalmente, durante essa época.
- 8:05SPEAKER_02: Mas recentemente, agora no terceiro mandato, a gente teve a lei da equidade salarial entre gêneros, né?
- 8:12SPEAKER_02: Que possui mecanismos pra garantir que pessoas de gêneros diferentes ganhem a mesma coisa pelo mesmo trabalho.
- 8:18SPEAKER_02: Então acabou essa história de mulher ganhar menos do que o cara que tá fazendo a mesma coisa que ela, por exemplo.
- 8:25SPEAKER_00: A menos acabou na lei, né?
- 8:27SPEAKER_00: Porque pra acabar de fato é outra história.
- 8:28SPEAKER_00: Acabou na lei, né?
- 8:29SPEAKER_02: Exato.
- 8:30SPEAKER_02: E também este é o ponto mais discutido.
- 8:34SPEAKER_02: E tá assim, ó, quentinho, que acabou de sair do forno toda a discussão a respeito da escala 6x1, né?
- 8:41SPEAKER_02: A extinção dela, sem a redução salarial.
- 8:45SPEAKER_02: Outro ponto tratado também foi perdão de dívidas do MEI, que foi uma coisa super recente feita aí pelo governo, né?
- 8:53SPEAKER_02: Além do pacote de aceleração pra essa galera que queira tentar de novo.
- 8:57SPEAKER_02: Então, assim, perdoa as dívidas, vai pegar isso ainda, vai dar uma grana pra incentivar você a abrir e fazer o teu negócio de fato.
- 9:06SPEAKER_02: E é bom lembrar ainda também que, especificamente sobre videogames, isso aí tem dedo deste homem que está aqui conosco, Samuel Reur.
- 9:14SPEAKER_02: Opa! O barco legal dos jogos eletrônicos foi sancionado como lei em 2024 e regulamentado recentemente em 2026.
- 9:26SPEAKER_01: Olha as tretas que eu me imito, cara.
- 9:28SPEAKER_01: Pois é, que pariu.
- 9:30SPEAKER_01: Gente, ó.
- 9:31SPEAKER_01: A coisa é simples, vamos lá.
- 9:33SPEAKER_01: A gente vai ter um dia a mais pra jogar no fim de semana e a gente vai ter mais dinheiro, porque quem recebe até 5K agora é isento de imposto de renda.
- 9:40SPEAKER_00: Acabou, irmão.
- 9:41SPEAKER_00: Olha aí, é simples, ó.
- 9:42SPEAKER_00: Acabou! Ouvinte, tu quer jogar joguinho, ouvinte?
- 9:45SPEAKER_00: Porra, tá aí.
- 9:46SPEAKER_01: Assim, é claro, né?
- 9:48SPEAKER_01: Não é tão simples assim.
- 9:50SPEAKER_01: Não é tão simples.
- 9:52SPEAKER_01: Mas assim, vamos lá, sejamos práticos, né?
- 9:56SPEAKER_01: É.
- 9:57SPEAKER_01: Pô, assim como no disco Elysium, pra não sair do jogo, assim como no disco Elysium, o sindicalismo não é perfeito e o jogo traz essas críticas, né?
- 10:07SPEAKER_01: Tem.
- 10:08SPEAKER_01: O.
- 10:09SPEAKER_01: Como que é o nome do Lula lá do jogo, lá, do dirigente sindical que tem lá?
- 10:14SPEAKER_01: Tem um cara que é tipo o Lula lá, né?
- 10:16SPEAKER_00: Deixa eu pegar aqui.
- 10:17SPEAKER_01: É um cara.
- 10:18SPEAKER_01: Ele é o líder lá dos sindicalistas, e ele é um cara carismático, ele tem uma estratégia, mas ele também tá interessado em estar ali numas relações de poder e tudo.
- 10:31SPEAKER_01: Evracht Claire.
- 10:32SPEAKER_01: É, pô, é esse mano aí mesmo.
- 10:34SPEAKER_01: Ele é o Lula do Disco Legion.
- 10:37SPEAKER_01: Então, assim, a gente sabe que o que a gente tá falando aqui é de um cara que, assim, ele quer o quê?
- 10:42SPEAKER_01: Ele quer ganhar uma eleição, ele é o atual presidente, ele quer continuar na presidência, porque existem interesses políticos diversos, ninguém aqui é bobo, ninguém nasceu ontem.
- 10:51SPEAKER_01: O lance é.
- 10:53SPEAKER_01: Você prefere ser, até pra você, que é um cara que é de direita, não essa direita que relincha aí.
- 11:00SPEAKER_01: Um cara que é de direita, mas é um cara que é consciente.
- 11:03SPEAKER_01: Você prefere ser oposição ao Lula ou ao Bolsonaro?
- 11:06SPEAKER_01: Esse é um ponto, né?
- 11:09SPEAKER_01: Por quê?
- 11:10SPEAKER_01: Qual é a circunstância?
- 11:11SPEAKER_01: Eu prefiro não concordar dentro de um regime democrático e que eu consigo me expressar e eu também consigo extrair, não só pra mim, mas também pros meus alguns benefícios.
- 11:28SPEAKER_01: E eu posso criticar o que eu não consegui extrair pra tentar alguma coisa a mais do que simplesmente entrar numa rota de autodestruição.
- 11:37SPEAKER_01: Exato.
- 11:37SPEAKER_01: Exato.
- 11:39SPEAKER_01: Esse é o lance, né?
- 11:40SPEAKER_01: E aí, no jogo, no jogo, isso aparece também.
- 11:44SPEAKER_01: Porque, por exemplo, tem o conflito lá, né?
- 11:46SPEAKER_01: Do pessoal que tá trabalhando, aí dos patrões e tal, não sei o quê.
- 11:50SPEAKER_01: E é uma coisa parecida com o que eu falei aqui no começo, quando eu tava apresentando os aspectos gerais do Disco Eligium.
- 11:59SPEAKER_01: Quando o Kalo apertar, não interessa se você é muito bom, se você é menos bom, se você é ótimo, se você é 100%.
- 12:09SPEAKER_01: Se você tá dentro de um regime e o regime vale pra todo mundo, as decisões que foram tomadas, elas vão te afetar também.
- 12:18SPEAKER_01: Com certeza.
- 12:18SPEAKER_01: Você pode sei lá o cara que tá lá no seu Bombermanzinho.
- 12:21SPEAKER_01: De novo, gente, um Bomberman do Super Nintendo, ele é muito honesto, cara.
- 12:24SPEAKER_01: É muito bom.
- 12:26SPEAKER_00: Tem o seu valor.
- 12:26SPEAKER_00: Que jogo bom.
- 12:27SPEAKER_01: Tem o seu valor.
- 12:29SPEAKER_01: Só que se você não se interessar por política, pelo menos em algumas questões mais importantes, você vai ser governado por quem se interessa.
- 12:41SPEAKER_01: E aí, não vai ter como.
- 12:44SPEAKER_01: Todos aqueles caras que estavam lá na greve lá do disco Elysium, sejam eles bons ou sejam eles maus, eles vão ser afetados pela decisão do patrão.
- 12:54SPEAKER_01: E o patrão, ele também tem as contradições, tem todas as circunstâncias que envolvem ele, que são tratadas no jogo, tem as dificuldades X, Y, Z de imposto, de manter, de compromisso com o negócio, tudo.
- 13:10SPEAKER_01: A gente tem uma validade nisso.
- 13:13SPEAKER_01: Cara, é muito válido, olha só o que eu vou falar.
- 13:16SPEAKER_01: É muito válido o cara que quer empreender, ele quer ser dono do negócio dele.
- 13:20SPEAKER_01: Ele fala assim: ah, eu não quero ter o meu patrão, eu quero montar um negocinho aqui.
- 13:25SPEAKER_01: Pra isso que existe o MEI, pra isso que o teto do MEI subiu agora, é pra isso que tem linhas de crédito específicas, pra quem tem CNPJ ativo, tudo isso.
- 13:34SPEAKER_01: Então é válido.
- 13:35SPEAKER_01: Ninguém aqui tá falando que, putz, o cara tem um negócio, até porque o cara que tem um negócio na vila, no comércio dele, ele ainda pertence à classe trabalhadora.
- 13:43SPEAKER_01: Parênteses, o Galinha tem CNPJ, é um MEI, aí tá aí.
- 13:47SPEAKER_02: Olha aí, tá vendo só?
- 13:49SPEAKER_02: Importante citar, é importante citar.
- 13:50SPEAKER_01: Então, assim, é válido.
- 13:52SPEAKER_01: É válido pra você seguir com as burocracias, recolher os seus impostos, estar em dia e não ter que se estrepar dentro do nosso sistema, que é um sistema capitalista, por conta de uma irresponsabilidade fiscal.
- 14:04SPEAKER_01: Então, é justo.
- 14:06SPEAKER_01: Eu considero justo.
- 14:07SPEAKER_01: E até pra essas pessoas que têm esse tino do empreendedor, um governo social democrata, um governo mais aberto democraticamente, ele é melhor.
- 14:21SPEAKER_01: É melhor.
- 14:22SPEAKER_01: Por quê?
- 14:22SPEAKER_01: Porque é um governo que, se ele tá preocupado com a circulação de dinheiro, ele tá preocupado com o quê?
- 14:29SPEAKER_01: Com as pessoas gastarem.
- 14:30SPEAKER_01: Os brasileiros nunca visitaram tanto museu e exposição.
- 14:36SPEAKER_01: Por quê?
- 14:37SPEAKER_01: Porque o dinheiro tá circulando.
- 14:38SPEAKER_01: E porque o dinheiro tá circulando não só pra você subsistir preocupado só se você vai se alimentar.
- 14:44SPEAKER_01: Não, o dinheiro tá circulando na cultura, no lazer, no passeio, no transporte público, no ingresso, num cinema, num museu, numa exposição.
- 14:54SPEAKER_01: E a gente não precisa só de comida, como diz o clássico lá dos titãs, a gente precisa de comida, diversão e arte.
- 15:01SPEAKER_01: Então, a gente tem que ter um governo que olhe pro viés econômico, mas não olhe só pra isso, não olhe só pro mercado.
- 15:09SPEAKER_01: Olhe pras pessoas também.
- 15:11SPEAKER_01: E você colocar as pessoas de baixa e de média renda no orçamento, você vai fazer esse dinheiro circular.
- 15:18SPEAKER_00: Inclusive em números, tá?
- 15:20SPEAKER_00: Pra cada um real do Bolsa Família, volta pra economia R$ 2,40 em consumo das famílias que recebem esse benefício.
- 15:28SPEAKER_00: Então, é o que tu falou, tipo, esse retorno, ele volta como consumo, né?
- 15:34SPEAKER_01: O que os governos do Lula fazem, goste você do Lula ou não, é colocar o dinheiro pra circular.
- 15:41SPEAKER_01: É isso que ele faz.
- 15:43SPEAKER_00: E mais do que isso, eu acho que, de novo, voltando ele pro rolê do sindicato, que o jogo também incita bastante aí, indo além, assim, pra falar de coletivo em geral, novamente a gente vê uma grande vontade, um grande trabalho do governo Bolsonaro anterior aí em separar a pessoa que trabalha de Série T de quem trabalha de MEI, fazer o MEI se sentir o empresário igual Elon Musk, pra que ele defenda as ideias que não fazem bem pra ele, na verdade.
- 16:14SPEAKER_00: Então, novamente, uma tentativa muito clara e tem sido, infelizmente, aí bem-sucedida, de colocar de novo o povo contra o povo.
- 16:23SPEAKER_00: E quando tu faz isso e tu deixa a pessoa como individual, e como o Leon falou antes, né?
- 16:27SPEAKER_00: Tipo, não é mais um grupo, mas é o Joãozinho, a Mariazinha e tal, que força que tem o Joãozinho pra conversar e pra mudar alguma coisa em um país gigante?
- 16:37SPEAKER_00: É difícil.
- 16:38SPEAKER_00: Agora, quando tu fala de coletivo, e daí isso pode ser um sindicato feito lá de modo mais formal e tal, ou só pessoas que pensam igual e estão ali num grupo junto conversando sobre isso.
- 16:48SPEAKER_00: Mas pessoas que pensam de modo coletivo, não individual, isso aí sim pode mudar um país e pode mudar uma política nacional de algum modo ali, enfim.
- 16:58SPEAKER_00: Quem tá no governo sabe que o povo tem muito poder na mão.
- 17:03SPEAKER_00: Sabe?
- 17:03SPEAKER_00: É isso aí.
- 17:04SPEAKER_00: E aí vem o projeto de fazer o povo pensar só no próprio umbigo e não no povo como um todo.
- 17:11SPEAKER_00: Exato.
- 17:11SPEAKER_00: Pra que cada um perca força.
- 17:13SPEAKER_00: E aí também no jogo tem isso.
- 17:14SPEAKER_00: O Disclusivo mostra isso também.
- 17:15SPEAKER_00: Mostra o pessoal no sindicato tentando se juntar pra fazer alguma coisa melhorar ali.
- 17:22SPEAKER_00: E, cara, pô, assim, ó, a extinção de um Ministério do Trabalho é tão óbvio o que isso significa, sabe?
- 17:30SPEAKER_01: É coisa de maluco, é coisa de maluco, é coisa de maluco.
- 17:33SPEAKER_00: Isso é tão na nossa cara o que isso tá mostrando.
- 17:36SPEAKER_00: E, cara, é isso que é o coach, né?
- 17:38SPEAKER_00: O coach fala: Não, você faz as coisas, você consegue, você é o cara, pensa em si mesmo, você pode crescer.
- 17:46SPEAKER_00: E isso é um discurso muito perigoso, porque, porra, como o Andy falou, tu pode crescer empresário individual, tu pode crescer ali do teu jeito, teu teu negócio e tal, mas tu tá ainda num sistema que depende de todo mundo.
- 18:01SPEAKER_00: Sim.
- 18:01SPEAKER_00: Tu não mora num mundo que só mora você e mais ninguém.
- 18:04SPEAKER_00: E, cara, se o povo tá com dinheiro no bolso pra fazer circular e comprar coisa e participar da economia, todo mundo se dá bem, né?
- 18:11SPEAKER_00: É, até porque, por exemplo, vamos lá.
- 18:14SPEAKER_01: Eu, sei lá, eu tenho uma cafeteria, eu tenho uma padaria de bairro.
- 18:19SPEAKER_01: Eu preciso que as pessoas tenham dinheiro pra gastar na minha cafeteria, na minha padaria de bairro.
- 18:26SPEAKER_01: Por quê?
- 18:26SPEAKER_01: Porque quando a gente vai comer fora, óbvio que a coisa é um pouco mais cara, porque você paga pela comodidade, paga por tudo isso.
- 18:33SPEAKER_01: Então a pessoa só vai consumir essas coisas no meu comércio se ela tiver dinheiro pra gastar com isso, se uma parte do orçamento dela for reservado pra cultura, pra lazer, pra passeios.
- 18:46SPEAKER_01: E aí é um pouco do que eu falei mais cedo.
- 18:48SPEAKER_01: Eu peguei aqui a fonte, ó, do que eu tinha mencionado, pra gente deixar tudo bonitinho, né?
- 18:53SPEAKER_01: No episódio.
- 18:53SPEAKER_01: Olha só.
- 18:54SPEAKER_01: Exposições de arte atraem mais brasileiros em 2026, segundo pesquisa.
- 18:59SPEAKER_01: Aí vamos ver de onde que vem essa pesquisa, também pras pessoas não pensarem que falarem, nossa, o cara tá pegando uma coisa enviesada, ó.
- 19:05SPEAKER_01: Essa pesquisa, ela veio pelo Observatório Fundação Itaú.
- 19:09SPEAKER_01: Não dá pra falar que é comunista, né?
- 19:10SPEAKER_00: Que é difícil.
- 19:14SPEAKER_01: Em parceria com o Data Folha.
- 19:16SPEAKER_01: E aí mostrou um crescimento na realização de atividades culturais presenciais.
- 19:21SPEAKER_01: Olha que.
- 19:21SPEAKER_01: Cara, isso aqui é importante demais.
- 19:24SPEAKER_01: Atividades culturais presenciais.
- 19:26SPEAKER_01: As pessoas estão saindo de casa.
- 19:28SPEAKER_01: Então a pessoa sai de casa, ela gasta, ela se diverte, ela vê a luz do sol, ela toca na grama e aí ela para de pensar besteira, né?
- 19:38SPEAKER_01: E tem tempo pra isso, né, cara?
- 19:39SPEAKER_01: Porque o tempo é a moeda também que tá implista, né?
- 19:43SPEAKER_01: Ó, de acordo com a sétima edição da pesquisa Hábitos Culturais: 31% dos entrevistados foram a mostras artísticas, e no ano passado esse índice era de 27%.
- 19:55SPEAKER_01: Aí você fala assim, ah, pô, mas aí é pouco e tal, é pouco, porque tem uma série de outras circunstâncias que atravessam esse cenário.
- 20:04SPEAKER_01: Mas a gente tem que entender que num país com o histórico que tem o nosso, a gente vê um crescimento no acesso à cultura, é bastante importante.
- 20:15SPEAKER_01: Mas aí tem um número aqui que ele me surpreendeu muito, né?
- 20:18SPEAKER_01: Primeiro que tá falando que ida a museu, que é uma coisa que muita gente acha monótona, passou de 16 para 21%.
- 20:26SPEAKER_01: O índice de brasileiros que realizaram alguma atividade cultural, e aí eles deixam mais amplo, tá?
- 20:32SPEAKER_01: Nos últimos 12 meses, aqui tem um recorte de tempo, ó, saltou para 88%.
- 20:38SPEAKER_01: Em 2025, essa taxa era de 84%.
- 20:41SPEAKER_01: Então, ou seja, de 100 pessoas, 88% fizeram alguma atividade cultural.
- 20:48SPEAKER_01: Elas podem não estar incluídas ali nas 21% que foram pro museu, mas de repente saiu pra ir num cinema, ou saiu pra ver um show, ou foi num Sesc.
- 21:00SPEAKER_01: Mas o que isso mostra?
- 21:02SPEAKER_01: Isso mostra que o dinheiro tá circulando, isso mostra que tem linha de crédito, isso mostra que a economia não tá estagnada, ela não tá parada, né?
- 21:14SPEAKER_01: Então, qual que é o lance?
- 21:16SPEAKER_01: É dinheiro circulando, é abertura de mercado, é mais marcas vindo pra cá, é tendo competitividade, aí você fala, pô, o cara lá, etc.
- 21:24SPEAKER_01: Ele tá falando de mercado sim, eu tô falando de mercado, porque a gente vive numa realidade capitalista, e nessa realidade a gente tem que ser bem informado, inclusive em relação a esses aspectos que às vezes são um pouco mais chatos, é meio.
- 21:36SPEAKER_01: Cara, às vezes é meio mudorrento mesmo.
- 21:38SPEAKER_01: Você abrir uma notícia, sei lá, do Infomone, e aí você vai ler lá as coisas.
- 21:45SPEAKER_01: É.
- 21:46SPEAKER_01: Pô, às vezes é foda, entendeu?
- 21:48SPEAKER_01: Mas assim, você tem que saber o que tá acontecendo no seu país.
- 21:51SPEAKER_01: Pra que você não caia com muita facilidade nesse discurso de tipo, pô, o Brasil tá quebrado e tal.
- 21:57SPEAKER_01: Sabe quem falava que o Brasil tá quebrado?
- 22:00SPEAKER_01: Só que o velho da Van, em 2026, ele triplicou o lucro dele.
- 22:05SPEAKER_01: Não é o faturamento, é o lucro.
- 22:07SPEAKER_01: Então, assim, você tem que prestar atenção quando você ouve, quando você escuta uma notícia, alguém fala alguma coisa, meu.
- 22:15SPEAKER_01: Por que essa pessoa tá falando isso?
- 22:16SPEAKER_01: Qual é o interesse dela?
- 22:17SPEAKER_01: Qual é o lance?
- 22:18SPEAKER_01: Qual que é a vibe?
- 22:19SPEAKER_01: Entendeu?
- 22:20SPEAKER_01: Qual que é o.
- 22:21SPEAKER_01: o tchan.
- 22:22SPEAKER_01: É todas essas leituras, a gente tem que fazer essas leituras.
- 22:25SPEAKER_01: E o Disco Elysium é um jogo que ele traz todas essas provocações, cara.
- 22:31SPEAKER_01: Tudo isso que a gente tá falando aqui tá presente nesse jogo, em maior ou menor grau, e ele é um jogo muito importante pra gente entender, inclusive, o potencial artístico, político e argumentativo dos videogames, cara.
- 22:45SPEAKER_01: Porque ele tem uma escrita altamente complexa, ele tem uma densidade de argumentos que é incrível, mas ele é um jogo que eu tenho certeza, que se as pessoas pararem pra se dedicarem a disco Elysium, a chance delas se apaixonarem é muito alta, porque o jogo é muito bom.
- 23:04SPEAKER_00: E aí, assim, é bom destacar aqui nesse assunto trabalhista e de economia e tal, que eu acho que esse é o ponto que o Flávio é mais superficial em propostas pra um governo possível futuro dele, né?
- 23:15SPEAKER_00: Porque o cara só fala assim: eu vou cortar tudo que é imposto, eu vou fazer um tesouraço nisso e naquilo, vai ser menos burocracia, e de não sei o que lá, o cara mete uns discursos absolutamente vazios.
- 23:27SPEAKER_00: Sim.
- 23:28SPEAKER_00: E aí, quando a gente fala de dinheiro, de economia, tem que ter números por trás que apoiam isso.
- 23:34SPEAKER_00: Sabe?
- 23:34SPEAKER_00: E, cara, só, não tem ouvinte aí, pode procurar.
- 23:38SPEAKER_00: Não existe lugar nenhum em que o Flávio fale de números.
- 23:41SPEAKER_00: Fala assim, ah, eu vou cortar aqui pra poder pegar daqui, vai ser tanto de dinheiro aqui.
- 23:46SPEAKER_00: Não tem, não tem.
- 23:47SPEAKER_01: Não tem como o cara cortar o tanto que ele falou que vai cortar, sem arrochar salário, sem congelar aposentadoria, sem dar uma enxugada em quem tá recebendo benefício por causa de se machucou no trabalho, porque, de novo, garantia trabalhista, CLT, serve pra isso também, galera.
- 24:04SPEAKER_01: Se você sofrer um acidente, se acontecer alguma coisa com você, você está coberto pela seguridade social.
- 24:09SPEAKER_01: Então, assim, tô falando aqui que o governo do Lula é muito bom nesse sentido?
- 24:16SPEAKER_01: Não, tem vários problemas.
- 24:18SPEAKER_01: Tem várias críticas, mas de novo.
- 24:21SPEAKER_01: É melhor você ser oposição a um governo do qual você consegue brigar pelos seus direitos do que você arriscar um governo que está falando objetivamente que vai enxugar a legislação, que vai transformar o funcionalismo público numa outra coisa.
- 24:41SPEAKER_01: E assim, não existe, não tem como a gente conceber o conceito de enxugar direitos trabalhistas diferente de perder direitos.
- 24:54SPEAKER_01: Porque todo direito trabalhista, todo, todo, todo, pode generalizar aí, ó.
- 25:01SPEAKER_01: Todo direito trabalhista foi uma conquista.
- 25:03SPEAKER_01: Todos, nenhum foi dado.
- 25:05SPEAKER_01: Todos foram uma conquista.
- 25:08SPEAKER_00: O mais atual assim que agora vocês foram ser retirada, ser banida, foi uma conquista suada pra caralho, sabe?
- 25:18SPEAKER_00: E que tá em perigo ano que vem, caso faça de eleito.
- 25:21SPEAKER_00: Ele já falou que ele vai modificar.
- 25:22SPEAKER_02: Ele falou que vai modificar, já.
- 25:24SPEAKER_00: Que vai colocar ali uma alternativa, enfim, ele é o papo que a gente sabe qual que é, né?
- 25:29SPEAKER_00: Eu tá parado, entendeu?
- 25:30SPEAKER_00: Exatamente.
- 25:31SPEAKER_00: É muito isso, é muito isso.
- 25:32SPEAKER_00: E.
- 25:33SPEAKER_00: E, cara, é o perigo de a gente ter Pablo Marsal no Ministério da Economia, sei lá, por exemplo.
- 25:39SPEAKER_01: Gente, ó, vamos lá.
- 25:40SPEAKER_01: A gente não.
- 25:42SPEAKER_01: E a gente eu tô me colocando porque eu, embora tenha uma participação no escritório, eu também tenho um emprego CLT.
- 25:51SPEAKER_01: E eu falo com absoluto conhecimento, porque as pessoas não sabem, mas elas vão saber agora, eu trabalho no agro.
- 25:58SPEAKER_01: Então, eu sei muito do que eu tô falando aqui.
- 26:01SPEAKER_01: E assim, a gente não consegue negociar com o patrão nem dia de folga, nem férias.
- 26:08SPEAKER_01: Você vai querer negociar um direito trabalhista?
- 26:11SPEAKER_01: Isso é.
- 26:11SPEAKER_01: Gente, coloca o pé na realidade.
- 26:13SPEAKER_01: Vamos! Vamos! Lembra daquela vezinha quando você queria tirar uma férias pra sair com a sua namorada e não deu na mesma data?
- 26:20SPEAKER_01: Você teve que chegar lá na casa de praia dois dias depois?
- 26:23SPEAKER_01: Então.
- 26:24SPEAKER_01: É disso que a gente tem que lembrar.
- 26:25SPEAKER_01: A gente tem que colocar o pé no chão e fazer uma leitura da realidade.
- 26:30SPEAKER_01: Falar, como que é a realidade?
- 26:31SPEAKER_01: Putz, a realidade é que às vezes eu quero sair pra dar um rolê com os meus amigos e tenho que trabalhar até tarde, vou direto ao trabalho e chego lá morto, ou quando consigo ir, porque às vezes nem consigo.
- 26:43SPEAKER_01: Ou não dá pra negociar férias, não dá pra negociar folga nem nada, porque é isso.
- 26:48SPEAKER_01: Ou aceita, ou tem uma outra pessoa pronta pra sua vaga.
- 26:53SPEAKER_01: Então, a gente tem que preservar os direitos trabalhistas pra que a gente consiga ter pelo menos um mínimo de dignidade que é possível tocer extraída do capitalismo.