Latest / Na Mesa com Well / Jesus Movement: O Som do Armagedom: Viciados no Apocalipse
Transcript
- 0:00Bem-vindo ao na mesa com o el, o podcast para quem ama bons
- 0:03livros, a história real da igreja contemporânea,
- 0:06documentários que expõem a verdade e teologia com
- 0:09profundidade e clareza. E este é o dossiê.
- 0:12Deses movement, o Avivamento hippie e cara, hoje a gente vai
- 0:15entrar num subtópico que é assim, fascinante o som do
- 0:19armagedom. Nossa, esse título já diz tudo,
- 0:22né? Exato, medo e escatologia a
- 0:25gente vai investigar, tipo, como que é?
- 0:27A obsessão pelo fim dos tempos moldou a cabeça de uma geração
- 0:30inteira ali nos anos 70. Como isso virou o motor do
- 0:33evangelismo deles? E claro, as fragilidades enormes
- 0:37que isso trouxe. Sim.
- 0:38E pra quem tá ouvindo, a base factual que a gente vai
- 0:41destrinchar hoje vem de 2 Fontes muito boas, sabe?
- 0:45A gente tem um artigo acadêmico sensacional do Shawn David
- 0:48Young. Ele analisa, tipo, essa
- 0:50influência cristã na música da contracultura.
- 0:53E a gente também cruzou isso com uma análise do site histure
- 0:56versus Hollywood. Ah, sim, sobre aquele filme.
- 1:00Isso mesmo. Eles separam o que é Hollywood
- 1:03do que é fato real, focando muito em figuras centrais, tipo
- 1:07o Greg lore, o Lonely frisbee e o pastor Chuck Smith.
- 1:12Então, o nosso objetivo aqui é cruzar a história, a sociologia
- 1:16e a teologia para entender essa fusão muito doida de hippies com
- 1:20apocalipse. É uma virada de chave muito
- 1:22brutal, né? Porque quando a gente pensa
- 1:23encontra cultura em hippie, a imagem é paz, amor ou Woodstock.
- 1:28E de repente, a gente está falando de julgamento final e um
- 1:31destruição global. Para entender isso, a gente
- 1:34precisa voltar um pouco e olhar para o motor teológico da coisa
- 1:37toda, certo? Com certeza, e aí a gente entra
- 1:40num termo que olha, parece complicado, mas não é o
- 1:43dispensacionalismo premilenista. Dá até um trabalho língua falar
- 1:46isso rápido, né? Dá, dá, sim.
- 1:49Mas assim, de forma bem clara e sem usar jargão difícil.
- 1:53Isso é um sistema teológico que ficou muito popular no século
- 1:5719. Ale com John Nelson darby a
- 2:00ideia central, sabe, é que o retorno de Cristo vai acontecer
- 2:04antes de um período literal de 1000 anos de paz.
- 2:07Então. Antes disso, o ponto chave para
- 2:11essa Juventude era que haveria um arrebatamento secreto, a
- 2:14igreja sumiria e o mundo ficaria aqui para passar por um período
- 2:19de tipo, uma tribulação terrível, e eles sempre ligavam
- 2:23isso a eventos globais muito focados no Oriente médio.
- 2:26Certo. E é aí que nasce um efeito
- 2:28colateral sociológico bem pesado, que as Fontes chamam de
- 2:32apatia social. Exato, porque pensa comigo, se
- 2:36você acredita que o mundo material tá literalmente com os
- 2:38dias contados, que vai tudo ser destruído, a apatia social
- 2:43cresce muito rápido. É um desinteresse quase total
- 2:47por resolver injustiças estruturais, sabe?
- 2:50É, vamos desempacotar isso pra quem tá acompanhando a gente.
- 2:53É como se o mundo fosse um navio afundando sob essa ótica, pra
- 2:59que gastar energia consertando as cadeiras do converse, se o
- 3:02destino do navio já está traçado?
- 3:03Tipo, o naufrágio é inevitável? Nossa, essa analogia do navio é
- 3:08perfeita. É exatamente essa a mentalidade,
- 3:11pra que eu vou lutar por direitos civis ou por uma
- 3:14sociedade melhor se semana que vem o mundo acaba?
- 3:17Mas um como é que uma teoria teológica super cabeçuda do
- 3:21século 19? Chega na praia da Califórnia e
- 3:25convence adolescentes de 17 anos.
- 3:27Eles não tavam lendo teologia sistemática?
- 3:30Não é não, de jeito nenhum. A ponte pra isso foi a cultura
- 3:34pop e a literatura de massa da época.
- 3:46O the late great Planet Earth. O que o Raul linssey fez foi
- 3:51genial do ponto de vista de comunicação, ele pegou as
- 3:54profecias bíblicas mais densas e misturou com o terror absoluto
- 3:59da guerra fria. O medo da bomba nuclear, né?
- 4:02Estava todo mundo apavorada. Sim, o abismo nuclear, a
- 4:05geopolítica do Oriente médio. Ele transformou a teologia num
- 4:10manual de sobrevivência. E isso convenceu aquela
- 4:13Juventude de que a segunda vinda era tipo iminente.
- 4:17Não era para daqui a 1000 anos. Era para amanhã e isso?
- 4:20Vazou para música também, o que é fascinante.
- 4:22O artigo do shon, David Young mostra isso muito bem.
- 4:25A gente tinha músicas seculares, tipo Eval, Destruction do
- 4:28battle, mcquyer, que já embalavam esse pânico.
- 4:31E aí o rock cristão, a tal da Jesus music, nasce abraçando
- 4:36isso. O Larry Norman é o grande
- 4:38exemplo, né? O Larry Norman?
- 4:39Exato. Aquele hino dele, i wash with
- 4:43all being ready. Cara, não é uma musiquinha de
- 4:46louvor alegre. É uma música sobre
- 4:48arrebatamento, onde a pessoa acorda e o marido sumiu, a
- 4:52esposa sumiu e ela ficou para trás para enfrentar o fim do
- 4:55mundo. É aterrorizante.
- 4:57É, é um terror embalado em violão e contracultura, e
- 5:02funcionou muito. E aqui é onde fica realmente
- 5:04interessante. E eu queria a tua visão sobre
- 5:06isso. Essa cultura pop apocalíptica
- 5:09toda era, assim, uma expressão genuína da fé daquela Juventude.
- 5:14Ou foi uma ferramenta cooptada? Tipo, a liderança percebeu que o
- 5:19medo vendia, pegou a estética de rebeldia hippie e espalhou uma
- 5:23mensagem super conservadora para assustar a galera.
- 5:26Olha, as Fontes mostram que a realidade era uma mistura muito
- 5:30complexa das 2 coisas. O histure versus Hollywood
- 5:33detalha muito bem como essa Juventude já estava destruída
- 5:36por dentro. O Greg lore, por exemplo.
- 5:39Relata um passado pesado com drogas tipo LSD, alucinações
- 5:43terríveis. Ele já estava vivendo um
- 5:46apocalipse pessoal, né? Exatamente aquele pânico
- 5:50existencial já existia. A guerra fria e a desilusão com
- 5:54o movimento hippie original, que prometeu a utopia e entregou
- 5:58violência, deixaram o vazio gigantesco.
- 6:02Então, sim, os líderes usaram o apocalipse como ferramenta.
- 6:07Mas encontrou um solo super fértil de jovens que
- 6:10genuinamente sentiu que o mundo IA acabar.
- 6:12O que nos leva ao perigo desse vamos chamar de pragmatismo
- 6:16apocalíptico, porque beleza funcionou.
- 6:19O evangelismo nas ruas da Califórnia era frenético.
- 6:22O Lone frisbee, que era aquele pregador hippie mega
- 6:25carismático, atraia milhares de pessoas.
- 6:28A calvery chap do pastor Chuck Smith teve que botar uma tenda
- 6:31de circo porque o prédio não dava conta.
- 6:33Sim, os famosos batismos em massa no oceano pacífico.
- 6:37Ali em partiscov, é uma imagem muito forte.
- 6:40Muito forte. Só que aí entra o preço da falsa
- 6:43profecia, né? O material histórico aponta que
- 6:47o Chuck Smith foi lá e meio que cravou uma data.
- 6:50Ele previu enfaticamente que o mundo IA acabar até 1981.
- 6:55Pois é. E tratar a profecia como um
- 6:58calendário exato sempre cobra um preço altíssimo.
- 7:02Quando o Ano-Novo de 81 virou e bom, o mundo continuou rodando.
- 7:06Todo mundo teve que pagar boleto na segunda-feira, né?
- 7:09Exato, a desilusão foi esmagadora.
- 7:12As Fontes descrevem uma onda massiva de abandono, muita
- 7:16apostasia. Porque, de repente, os
- 7:18seguidores perceberam que a fé deles estava ancorada numa data
- 7:21e não numa base sólida. É como uma startup que infla
- 7:24seus números usando uma tática que é totalmente insustentável
- 7:28quando o produto prometido não é entregue no prazo.
- 7:31Os investidores, que nesse caso eram os fiéis, eles simplesmente
- 7:34retiram o apoio imediatamente. Acabou a confiança.
- 7:38É uma analogia muito boa. O medo é uma ferramenta de
- 7:41marketing incrível a curto prazo para lotar a tenda.
- 7:45Mas a longo prazo, ele não sustenta a raiz nenhuma.
- 7:49E isso gerou uma sequela para quem ficou, porque muita gente
- 7:53foi embora em 81, mas teve um grupo gigantesco que continua no
- 7:56movimento, e aí voltamos naquela sombra da apatia social.
- 8:01É o legado disso, é pesado. O artigo analisa as
- 8:04consequências sociológicas dessa nação ativa.
- 8:08O movimento moldou uma parcela gigantesca do evangelismo
- 8:12moderno. A desconfiar da ciência e anão
- 8:15se importar com longo prazo. O caso da questão ambiental é
- 8:18absurdo. No texto, o Richard cisi que lá
- 8:21da associação nacional de evangélicos.
- 8:22Esse caso ilustra perfeitamente o Richard cisi, que era uma
- 8:27figura importante, e ele começou a falar publicamente que o
- 8:32aquecimento global era real e que os cristãos precisavam
- 8:36cuidar da criação. O que aconteceu?
- 8:39Figuras como James dobson exigiram a demissão dele.
- 8:43E ele quase foi forçado a renunciar só por causa disso.
- 8:47Porque na cabeça deles, lutar pelo meio ambiente era uma
- 8:49meresia. Era terceirizar, ou melhor, era
- 8:53negar que Deus já tinha um plano de destruição pra Terra.
- 8:57O plano era salvar a alma pra ir pro céu e dane se as dores do
- 9:01mundo presente. Sim, tipo, se o planeta vai ser
- 9:04queimado, por que que eu estou reciculando lixo?
- 9:07O evangelicalismo moderno herdou muito dessa desconfiança
- 9:10científica, justamente dessa hiperfixação no arrebatamento, a
- 9:14ética pública virou puramente individual.
- 9:16Sabe o que isso levanta pra mim? Uma dúvida que é fascinante, o
- 9:21Jesus movimento falhou completamente com as suas raízes
- 9:25originais de ativismo contra cultural hippie?
- 9:28Ou eles só inventaram, tipo, uma forma diferente de rebeldia
- 9:32contra a cultura dominante? Redefinindo a santidade,
- 9:35isolacionista como a verdadeira resistência.
- 9:38Olha, do ponto de vista sociológico, o artigo aponta
- 9:42muito pra essa segunda opção. Eles não deixaram de ser
- 9:45subversivos. Mas a subversão mudou de alvo.
- 9:49Em vez de protestar contra o governo ou a guerra, A Rebelião
- 9:54era não pertencer a esse mundo. O pank cristão, o metal cristão,
- 9:59tudo isso era uma forma de gritar que o sistema secular
- 10:02estava podre. Eles trocaram um alvo material
- 10:05por um alvo espiritual. Mas, cara, pra sermos justos com
- 10:09o dossiê, a gente precisa falar que teve gente que não comprou
- 10:13essa ideia de abandonar o mundo. Não seria injusto pintar todo
- 10:16mundo com a mesma cor? Teve uma galera que não trocou a
- 10:19responsabilidade social pelo escapismo do apocalipse.
- 10:23Exatamente. E essa é a minha parte favorita
- 10:26dessa pesquisa. A gente tem que falar da
- 10:29esquerda evangélica e do Jesus. People USAOJPUSA lá em Chicago,
- 10:36muito diferente. Eles construíram uma comunidade
- 10:40que vivia com o fundo financeiro comum.
- 10:42Eles ajudavam ativamente famílias de baixa renda e
- 10:45moradores de rua. Era um contraste absurdo com o
- 10:49individualismo capitalista da época e com a apatia das igrejas
- 10:53da Califórnia. É, eles pegaram o lado social do
- 10:57hippie e aplicaram, de fato, com a mão na massa.
- 11:01Totalmente. E o impacto cultural deles foi
- 11:04enorme. Eles deram origem ao corner
- 11:06Stone music festival, que foi um Marco.
- 11:09O corner Stone é lendário, né? O texto descreve como um evento
- 11:14pluralista. Super rico.
- 11:16Sim, era uma sub cultura inteira.
- 11:19Ali você tinha punks, cristãos de mocano, metaleiros de cabelo
- 11:22comprido, pessoas comuns do subúrbio, todos convivendo num
- 11:26espaço que não julgava estética, mas que focava.
- 11:30É na humanidade e na justiça social do agora.
- 11:34Isso prova que era possível, né? Eles conseguiram manter o foco
- 11:37em Cristo, mas sem esquecer da humanidade.
- 11:40Sem ficar só olhando para céu esperando arrebatamento amanhã.
- 11:43Exato. Eles mostram que houve sim uma
- 11:45parcela do movimento que disse não.
- 11:47A gente não vai só esperar o fim do mundo.
- 11:50A gente vai cuidar das pessoas enquanto a gente está aqui.
- 11:53Então, amarrando tudo isso, a gente vê que o legado do Jesus
- 11:56movimente é muito duplo, é uma herança dividida.
- 12:00É um legado dual. Mesmo o desafio que o texto todo
- 12:04nos traz é entender aquele delicado equilíbrio, viver com
- 12:10os olhos na eternidade, claro, porque a Esperança última é o
- 12:14retorno, mas com os pés muito firmemente plantados na
- 12:19responsabilidade do agora. É a velha história de ser sal e
- 12:23luz. Para os problemas do tempo
- 12:25presente, sabe, sem terceirizar o cuidado com as pessoas ou com
- 12:30o planeta. É o céu não pode ser desculpa
- 12:33para ignorar a Terra. E, cara, isso me leva a um Ponto
- 12:36Final para quem está ouvindo a gente.
- 12:38Agora, fica aí uma reflexão bem provocativa para levar para
- 12:42casa, porque a gente está vivendo momentos.
- 12:45Tensos. Muito tensos.
- 12:47Se um novo Avivamento hippie ou uma sabe Jesus Revolution 2.0
- 12:52surgisse hoje no meio dessa nossa era maluca de ansiedade
- 12:56digital crônica, medo de inteligência artificial roubando
- 13:00emprego, crise climática global batendo na porta.
- 13:03Nossos medos são outros, mas são iguais na intensidade, né?
- 13:07Hein, exato. Será que essa nova geração se
- 13:10esconderia novamente no conforto de um arrebatamento iminente?
- 13:13Esperando ser resgatada dessa confusão toda, ou será que dessa
- 13:17vez eles finalmente usariam todo esse fervor absurdo para
- 13:21ativamente consertar o navio em que todos nós ainda estamos
- 13:25navegando? É uma pergunta que fica ecoando,
- 13:29viu? Fica mesmo.
- 13:30É para queimar os neurônios de quem tá com a gente hoje?
- 13:32Bom, foi um papo sensacional, como sempre, mergulhar nesses
- 13:36documentos todos. A gente vai ficando por aqui.
- 13:39Muito obrigado a todo mundo que acompanhou a gente até o próximo
- 13:42dossiê. Tchau, tchau, pessoal.
- 13:44Até a próxima.