Latest / ED Podcast [@arthurdantaslemos] / COISA DE RICO #XIV - NÃO ME AMARRA DINHEIRO NÃO (CLUBE DO LIVRO)
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- 0:08Senhoras e Senhores? Não me amarro a dinheiro, não?
- 0:14Brunão. Coisa de rico não é mais um,
- 0:17vamos ver? Vamos ver.
- 0:22Para seguir com a pesquisa, eu precisava definir quem eram os
- 0:25meus ricos. Foi assim que, na tentativa de
- 0:29afastar qualquer ruído, tentei. Tratei estabelecer um piso de
- 0:34renda e o patrimônio do grupo para só então a partir desse
- 0:37ponto, compreender os aspetos simbólicos da produção da
- 0:40diferença. Risquei o chão e intensifiquei
- 0:43minha rede de Contatos em 2 segmentos.
- 0:46Um primeiro era formado pelo 0.1% mais rico do Brasil, com
- 0:49património acima de 26000000 de reais e renda mensal maior do
- 0:53que 95000 BRL por mês. Como era o era o caso de
- 0:57Claudete Mário Jorge e +200200 1000 pessoas?
- 1:03E 11 segunda continha cadê e um segundo continha o 0,01% dos
- 1:08mais ricos, com rendimentos acima de 300000 BRL mensais e um
- 1:12patrimônio superior a 150000000 de reais, a exemplo de Olívia, a
- 1:15Ricaça de Genebra. Ela seus amigos, os anfitriões
- 1:22de Alagoas e outros privilegiados desse grupo somam
- 1:25mais de 20000 pessoas, segundo os dados do censo de 2022.
- 1:29No final das contas imerso nesse círculo, nesses círculos de
- 1:33relações consegui chegar a alguns dos mais de 60
- 1:37bilionários brasileiros. O que deu?
- 1:43Contorno a mais um grupo de análise da pesquisa.
- 1:46Mesmo entre os bilionários, a negação da riqueza se mantinha
- 1:49depois de 1 dia intenso de trabalho de campo.
- 1:52Me joguei no sofá de casa e liguei a televisão do outro lado
- 1:56da tela, o cineasta João Moreira Salles, cuja fortuna é avaliada
- 2:00em mais de 4 bilhões de dólares, divulgava um dos seus filmes no
- 2:04conversa com Bial, talk show da TV Globo.
- 2:07Um encontro seguia como um papo entre amigos, até o momento em
- 2:10que o apresentador perguntou. Quem tem dinheiro não é filma
- 2:14quem não tem. Você se enquadra nessa
- 2:17definição? À espera de uma reflexão
- 2:21crítica, ou seja, AAA provocação é quem tem dinheiro.
- 2:26Acho que o filme aqui é no sentido literal, não é?
- 2:28Já que ele é cineasta e tal. Isso?
- 2:30Isso acho que sim. Então.
- 2:31Vamos lá, acho que é a mesma provocação no sentido de que Sei
- 2:34Lá, de repente, ele filma artistas que são ricos, mas ele
- 2:37tem muito mais, né? Acho que é mais nesse sentido.
- 2:39Então perguntou, quem tem dinheiro?
- 2:42Filma quem não tem? Perguntou Bial.
- 2:44Não é você se enquadra nessa definição?
- 2:47E à espera de uma reflexão crítica, um entrevistado
- 2:49decepcionou o jornalista e colocou mais caraminholas na
- 2:52minha cabeça tem isso. Nós somos classe média, classe
- 2:56média alta. Sabemos que na hora que a gente
- 2:58quer filmar a favela é possível. Tem alguma coisa que NOS permite
- 3:02fazer isso? Como se a tela não fosse
- 3:05impeditivo para que eu me para que me ouvissem, me meti na
- 3:08conversa, essa coisa não seria dinheiro, João?
- 3:13O pavor de falar de dinheiro observado repetidamente NOS
- 3:15encontros com as elites brasileiras, depois de tanto
- 3:18tempo ainda me causava espanto. Quais seriam as razões que os
- 3:23impediriam de dizer de forma simples e clara?
- 3:26Eu tenho dinheiro, logo sou rico anos atrás.
- 3:29Rubem Oliver, Antropólogo Gaúcho, já tinha notado o
- 3:33impacto da cultura brasileira na forma como lidamos com os
- 3:36tostões. Em meio às suas investigações,
- 3:39Oliver partiu para os Estados Unidos para compreender melhor
- 3:41as nossas singularidades em comparação com os vizinhos ao
- 3:44Norte. Assim que colocou os pés na
- 3:46Califórnia, na Costa Oeste americana, levou o primeiro
- 3:49choque por lá. O dinheiro é fonte de conversas,
- 3:51debates e anda na boca do povo desde a tenra infância.
- 3:56Os americanos falam, ensinam e aprendem sobre finanças para
- 4:00incluir. Um ponto a uma conversa, eles
- 4:03pedem permissão para acrescentar seus 2 centavos na discussão.
- 4:07É, eles não convencem mais, vendem idéias to self an IDEA
- 4:15não a gente fala em vender ideia também não é pô fulano vendeu a
- 4:18ideia aqui é e tem também vou dar meus meus 10 centavos de
- 4:22contribuição. Talvez menos usado, mas enfim,
- 4:27de modo que os outros as comprem Dubai IDEA além do pay
- 4:32attention, prestar atenção, literalmente pagar atenção pay a
- 4:35Visit fazer uma visita a um amigo, literalmente pagar uma
- 4:37visita e pay respect. Não é o respect mostrar respeito
- 4:41por alguém literalmente pagar respeito, como se falassem desde
- 4:44um guichê de um banco. Eles sempre pagam ou recebem,
- 4:49vendem ou compram e sabem exatamente quanto custa cada
- 4:52encontro. Afinal, tempo é dinheiro, time
- 4:54as Money e não almoço grátis there is no free lunch, enquanto
- 4:58entre nós as mães ensinam aos filhos que devem Tomar cuidado
- 5:01com a própria higiene. Depois de tocarem em uma cédula
- 5:04de dinheiro, né? Dinheiro é sujo.
- 5:07Elas dizem diante de um pedido da cria, os mais velhos explicam
- 5:11não terem dinheiro dizendo, Tô limpo ou?
- 5:15Tô sem um puto e se houver muito insistência.
- 5:19Para evitar alguma birra mais estrônica, eles pedirão calma e
- 5:23dirão, vamos limpar os cofres e a filosofia do dinheiro?
- 5:27George Simel, pensador alemão, mostra como na Idade Média as
- 5:30pessoas estavam conectadas à vida, em Comunidade e à
- 5:33propriedade da Terra, de tal maneira que era difícil separar
- 5:36as coisas dos seus donos. Era uma relação intrínseca de
- 5:40espelhamento. Um senhor de terras era o
- 5:42reflexo do seu quinhão de Terra e vice-versa.
- 5:46O aumento do uso do dinheiro como moeda ou como moeda de
- 5:48troca rompeu com esse ciclo. A atividade monetária é
- 5:51impessoal. As divisas tornam-se medidoras
- 5:56das relações entre as pessoas e a propriedade.
- 5:58Os indivíduos entre as pessoas e a propriedade.
- 6:00Os indivíduos ficaram mais autônomos e independentes uns em
- 6:03relação aos outros. Dali em diante, não precisava
- 6:06mais ter relações afetivas para dar conta dos próprios desejos.
- 6:10Quem tinha dinheiro ia ao mercado em busca de um produto,
- 6:13serviço ou mão-de-obra e pagava por eles pronto, tornou-se
- 6:18possível alugar um pedaço de Terra por um punhado de notas.
- 6:22Contratar pessoas em troca de um salário.
- 6:25Estabelecer transações comerciais para além dos
- 6:27círculos tradicionais, o dinheiro desfez a cola entre as
- 6:30pessoas e as coisas. Tanto na Europa quanto nos
- 6:33Estados Unidos. O processo de transformação
- 6:35durou séculos. Se embrenhou pelo tecido social
- 6:39lentamente, a ponto de conseguir incutir a lógica monetária NOS
- 6:42modos de pensar e agir no Brasil.
- 6:44O Jogo foi diferente no começo do século 20, a machadadas, os
- 6:49barões do Império embarcaram na aventura capitalista.
- 6:52O processo de transformação se deu por incentivos estatais e
- 6:57pela pressão governamental. Em pouco tempo, Senhores de
- 6:59Terra, dominados por uma mentalidade arcaica ainda presa.
- 7:03Às coisas, objetos, terras, medalhas, títulos, diplomas,
- 7:06amigos, et cetera foram obrigados a trocar o massa P da
- 7:09cana-de-açúcar e a Terra roxa do café pelo varejo e pelas
- 7:12máquinas nas fábricas. A toque de caixa.
- 7:15Quem se preocupava com a Terra teve de se acostumar a pensar em
- 7:17dinheiro. Nesse percurso, a mentalidade de
- 7:20casa grande invadiu. Vadiocidades e conquistou todas
- 7:24as profissões sem exclusão das mais humildes.
- 7:28A ideia de prosperidade ainda estava intimamente vinculada a
- 7:31dar posse de bens mais concretos e, ao mesmo tempo, menos
- 7:34impessoais do que um bilhete de banco ou uma ação de campanha,
- 7:38NOS termos do próprio historiador Sérgio Buarque de
- 7:41Holanda. De Longe parecíamos e parecemos
- 7:45modernos como os outros, mas uma análise mais cuidadosa, revela a
- 7:47persistência do passado e uma contínua valorização de
- 7:50estruturas tradicionais. As elites que foram obrigadas a
- 7:53secularizar suas ideias. Suas concepções políticas ainda
- 7:57Hoje não sabem lidar com o valor impessoal do dinheiro e se
- 8:00mantém agarradas à ideia de que o importante são as coisas sem
- 8:04um sentido social. Claro, evitamos a todo o custo
- 8:07tratar do assunto, mas adoramos perder tempo discorrendo sobre
- 8:10os seus sinais. Não à toa, no Brasil, os objetos
- 8:12têm alma, vontade e intencionalidade, necessidades e
- 8:15desejos particulares. Sem pestanejar, dizemos que o
- 8:18carro morreu. O computador não quer funcionar,
- 8:21o celular vai, vai de mal a pior.
- 8:23Não é que o conceito ressuscitou?
- 8:25Uma traquitana qualquer ou aceitamos que as bolsas se
- 8:28sentem à mesa com as madames? Como se fossem companheiros de
- 8:32uma vida inteira diferente do velho mundo, onde os
- 8:36pertencentes a da clientela Grã-Fina são armazenados na
- 8:40chapelaria dos restaurantes durante o jantar.
- 8:43Bem os mais apressados creditam a humanização das coisas de rico
- 8:48ao status. Bem os mais apressados creditam
- 9:02a humanização das coisas de rico ao status apoiados NOS estudos
- 9:06de Tourstein veblin, economista americano, apostam na no poder
- 9:11da de diferenciação e na força criadora de Estados de
- 9:13determinados comportamentos de consumo, como sommelier.
- 9:17Camila entendia muito bem o mecanismo, eu a conheci NOS meus
- 9:21tempos de estudante no Canadá, sua fama entre os Engenheirados
- 9:24brasileiros foi crescendo à medida que Tomar vinho foi
- 9:26virando um apto nas altas rodas. De 1 hora para outra, as elites
- 9:29brasileiras acostumadas a beber para relaxar ou socializar
- 9:32começaram a disputar quem conhecia mais quem bebia mais e
- 9:37viajava mais em busca de rótulos e produtores desconhecidos.
- 9:41Pouco a pouco, Camila começou a vender viagens de mentoria a
- 9:44vinhedos na Argentina, no Chile, na Itália, na França, na
- 9:47Austrália e nos Estados Unidos, perto das melhores garrafas.
- 9:50Com ajuda profissional, os clientes decidiam quais seriam
- 9:53as escolhidas para compor as adegas particulares.
- 9:55O sucesso nas altas rodas lhe rendeu inúmeras oportunidades de
- 9:59trabalho, entre elas o papel de decidir quais rótulos fariam
- 10:03parte da Carta de vinhos de um restaurante com estrelas do guia
- 10:07Michelin. Para lidar com as joias
- 10:10alcoólicas, como ela gostava de dizer os funcionários
- 10:14inexperientes tinham de passar por um treinamento intenso e a
- 10:18eles era ensinado como manusear as garrafas e administrar
- 10:21guardanapos saca rolhas e taças de cristal, Augusto, a clientela
- 10:25e o mais importante, o dever de jamais retirar a garrafa de um
- 10:30vinho caro, mesmo depois de vazia de perto dos comensais.
- 10:33Afinal, elas são máquinas de status, comunicam ao resto do
- 10:36restaurante que, dado o valor investido no líquido.
- 10:40O encontro deve valer muito a teoria de tourstein weblin faz
- 10:43sentido? No entanto, a tese do economista
- 10:47americano deixa de lado um ponto fundamental, o consumo e o uso
- 10:50de objetos de luxo marcam a diferença, criam status e
- 10:53posicionam os os atores, em especial quando a relação se dá
- 10:57intergrupos, ISTO é, entre os de dentro e os de fora.
- 11:02Ao fim e ao cabo, em um restaurante onde a conta não sai
- 11:04por menos de 1000 BRL por pessoa.
- 11:07Um relógio Rolex, um vinho caro, uma Ferrari ou um sapato Gucci e
- 11:11não operam a diferença como fariam no boteco de um bairro
- 11:13popular. Ali eles são o básico, é o
- 11:16rotineiro, é o que se espera entre os ricos brasileiros.
- 11:18As coisas de rico não servem para mostrar aos mais pobres o
- 11:21quanto se tem, mas sobretudo provar aos outros ricos, o quão
- 11:25rico também se é. Eles são mais do que bens
- 11:29posicionais, uma vez que fazem mais do que comunicar status ou
- 11:33reputação. As coisas de rico são bens
- 11:36conectores, elas agem, incluem, criam pontes e catapultam os
- 11:41indivíduos para as rodas, onde conquistarão o reconhecimento.
- 11:44Junto delas é possível ir e vir ter acesso ao mundo dos ricos,
- 11:48experimentar novas subjetividades e participar de
- 11:50contextos sociais exclusivos sem dificuldades.
- 11:53Conforme passamos a ter mais intimidade, Camila se sentiu
- 11:56confortável para me contar sobre a parte mais delicada do
- 11:59treinamento. A que assumia às vezes de
- 12:01algoritmo de rede social para oferecer o melhor match entre um
- 12:04vinho e o bolso dos clientes, com a intenção de evitar
- 12:07constrangimentos, a Sommelier decidiu criar 2 cartas, uma com
- 12:11preços mais acessíveis e outra com rótulos especiais de safras
- 12:15exclusivas e itens avaliados em mais de 10000 BRL.
- 12:18A primeira é entregue aos clientes de aparente menor poder
- 12:21aquisitivo, a outra reserva se aos milionários.
- 12:25Depois de submeter os fregueses a uma avaliação minuciosa, na
- 12:28qual se levava em consideração o tecido da roupa, o corte do
- 12:32terno, o cumprimento do punho das camisas, as marcas das
- 12:34bolsas, dos sapatos, dos relógios e do penteado.
- 12:38Definia-se em qual dos grupos o cliente se enquadrava aí, por
- 12:40consequência, qual seleção de vinhos teria em mãos se um
- 12:44inspecionado não atingisse as metas, vinha o Veredito Carta
- 12:49barata neles com ou sem dinheiro, só clientes VIPs
- 12:52tinham acesso à Carta premium e por cumplicidade enquanto
- 12:56examinava se o tecido da minha roupa o corte do meu terno, o
- 12:59cumprimento do punho da minha camisa, a marca da minha bolsa,
- 13:01dos meus sapatos e o meu relógio.
- 13:03Me posicionariam mais perto do primeiro e do segundo grupo.
- 13:06A calvície precoce me liberou da avaliação do Penteado, mas não
- 13:10passou despercebida por Camila. Nunca pensou em fazer um
- 13:13implante. Tem um cirurgião especialista em
- 13:15cabelo maravilhoso, caríssimo, mas funciona.
- 13:17Vai mudar sua vida. Bem, nem todas as coisas de rico
- 13:21valem uma fortuna. A de todos os tipos, esses
- 13:26objetos se definem mais pela capacidade imaginativa que
- 13:29despertam do que pelo preço. Daí vem a força de catapulta.
- 13:34Imaginar não é simples. Devaneio é uma ação social, tem
- 13:38agência, inventa mundos e conta com estofo para reposicionar ou
- 13:42reafirmar um lugar social desejado, como pontua Arjan
- 13:46Apadurai, antropólogo e estudioso da modernidade.
- 13:51A força de catapulta das coisas de rico vem da maneira como seus
- 13:54donos despertam a imaginação dos outros.
- 13:59Em uma das suas visitas ao Brasil, Olívia, A Herdeira de
- 14:03Genebra me convidou para um jantar na casa dos pais do
- 14:06marido. Há gerações.
- 14:09A família vive da administração do patrimônio herdado, dos
- 14:12antepassados e dos investimentos em negócios parceiros.
- 14:15Eles eram respeitados por fazer dinheiro da filhotes, parte da
- 14:19confiança na aptidão da família para os negócios vinha da
- 14:23habilidade com quem manejavam a capacidade imaginativa das
- 14:26coisas de rico. Exibidas meticulosamente NOS
- 14:29jantares e encontros. No apartamento as bebidas
- 14:32oferecidas, as banqueteiras contratadas, os móveis
- 14:35assinados, os tapetes persas, a prataria, o som ambiente, os
- 14:38empregados uniformizados, as autoridades convidadas, as
- 14:41estantes tomadas de livros e as obras de arte espalhadas pelas
- 14:44paredes eram itens fundamentais na venda imaginária de que os
- 14:47empresários eram bem-sucedidos. No meio de uma conversa com
- 14:50Lívia, Aricaça mirou um pollock enorme preso à Parede atrás da
- 14:54Mesa da Mesa de jantar para sanar minhas dúvidas.
- 14:57O pai do Expressionismo abstrato americano parava soberano no
- 15:00apartamento, capturava meu olhar incrédulo.
- 15:03Será mesmo um polo que verdadeiro um primo-irmão
- 15:06daqueles de moma, o Museu de Nova Iorque e era minha cicerone
- 15:10acabou logo com a magia calma, como se falasse do arranjo de
- 15:14flores da sala. Me disse que a família não
- 15:16entendia nada de arte, nem tinha admiração pelo artista.
- 15:20Estava mais preocupados com o tamanho do quadro.
- 15:23Com a fama do pintor e a capacidade de pressionar quem
- 15:27chegasse. E aí vem um trecho aqui
- 15:29destacado pelos leitores, que é o seguinte, diferentemente da
- 15:31elite francesa estudada por Pierre Bourdet.
- 15:35Os ricos brasileiros não investem em arte, não colecionam
- 15:41instantes abarrotados de livro, não promovem, saraus ou degustam
- 15:47iguarias em restaurantes de chefes de renome pela
- 15:49materialização de um gosto refinado tipicamente burguês,
- 15:52eles o fazem por uso estratégico da capacidade imaginativa das
- 15:56coisas de rico, como se na impossibilidade de falar das
- 16:00cifras. Obrigassem todos a imaginá-las.
- 16:06Se eles estão gastando milhões em quadros, imagina quanto
- 16:09dinheiro não deve ter? Sem dúvida são pessoas de
- 16:11sucesso, são bem sucedidos, são ricos, vão investir com eles.
- 16:14É assim que eles pensam. Michel não entendem nadinha de
- 16:18arte, emendou Olívia. Esse é um movimento delicado,
- 16:23requer treinamento, cuidado e traquejo.
- 16:26Caso contrário, o mecanismo não funcionará como esperado ou
- 16:30acabará com a reputação de seus donos.
- 16:33O modelo de pensamento pautado na incapacidade imaginativa ou
- 16:37na capacidade imaginativa? Perdão nega a maneira dura e
- 16:41pouco flexível usada pelos economistas estatísticos para
- 16:44definir a posição de alguém na pirâmide social a partir da
- 16:46renda. De acordo com esse enfoque, o
- 16:49que importa são as fronteiras entre os grupos do do ponto de
- 16:52vista nativo, o mais ou menos que interessa.
- 16:57É aquele capaz de despertar a imaginação dos outros e deslocar
- 17:01o indivíduo de um lugar para o outro da pirâmide social, seja
- 17:05para cima ou para baixo, no sobe e desce dinheiro.
- 17:07Não basta, é preciso dominar as engrenagens e ele vem falar de
- 17:11engrenagens, mas isso aqui eu queria fechar Bruno, porque foi
- 17:13um capítulo um pouco mais denso. Assim, para ele, poder
- 17:15compartilhar essa ideia, não. É.
- 17:18Um, capítulo que a gente já falou sobre isso não é ali que a
- 17:20gente vê muito, lê muito livros, é de autores.
- 17:23É é estrangeiros e os exemplos são muito de outros países,
- 17:28naturalmente. E o legal é isso, né?
- 17:30Que ele faz essa essa essa análise, óbvio, né?
- 17:32Sob a ótica dele, então tem os vieses dele, mas ele traz uma
- 17:36análise sobre o Brasil, sobre as pessoas do Brasil e é
- 17:39interessante a gente poder a gente poder conhecer isso, né?
- 17:42É é. Ver se olhar dele EE entender é
- 17:45todas essas coisas, então achei um capítulo bem bem interessante
- 17:48assim, com várias coisas. É bem legais para a gente
- 17:51extrair aqui. E essa história de trabalhar.
- 17:54O imaginativo foi esse Tema que ele usou, não.
- 17:57É é capacidade imaginativa, isso capacidade.
- 17:59Imaginativa é muito verdadeiro, né?
- 18:02É interessante, é ele trazendo que aqui pela pela nossa
- 18:06incapacidade cultural de tratar do assunto de forma direta, a
- 18:10gente a gente observa mais isso, conclui mais.
- 18:14A partir disso, e os muito ricos também intencionalmente exploram
- 18:17mais isso. Como 11 forma de fazer, não é?
- 18:22Já que a gente não fala abertamente sobre o Tema.
- 18:24E interessante que ele fala que os ricos usam isso para
- 18:26impressionar os outros ricos e não os que estão abaixo dele,
- 18:29não é isso? É isso é legal, é EEE também o
- 18:32link com o mogenhouse não é? Quando ele fala que riqueza é
- 18:36aquilo que não se vê. EE aí assim é como isso, isso
- 18:40pode ser relativo aqui, não é relativo aqui do contexto.
- 18:43Brasileiro aí é OOOA posição e o conhecimento que vai determinar
- 18:49se você enxerga ou não, não é isso, não.
- 18:52É nesse sentido é assim OOAA lógica do do House faz muito
- 18:57sentido, não é? Em termos objetivos em.
- 18:59Termos. Objetivos, sendo que quando a
- 19:01gente traz para a nossa realidade aqui brasileira.
- 19:03O subjetivo, ele conta muito, também sim, dependendo da
- 19:06posição que a pessoa está, enfim, do que a pessoa faz e do
- 19:09que ela almeja fazer também na vida.
- 19:11É Ela agir não pensando na riqueza de fato, mas sim nessa
- 19:16capacidade imaginativa. Pode fazer muito sentido para
- 19:18ela, é é essa é a reflexão que que realmente acho que para mim
- 19:22fica aqui com esse capítulo. Bem, um capítulo mais denso,
- 19:26mais um um capítulo que que trouxe uma contribuição.
- 19:31Acho que Eu Não tinha feito essa conexão, Bruno, mas é legal que
- 19:34essa contribuição sobre como funciona aqui no Brasil, não é.
- 19:38E, principalmente, quando a gente fala de finanças.
- 19:41Tem muita gente boa aqui, mas porra, as principais referências
- 19:45é estão lá fora a maioria. São autores americanos.
- 19:50Então a gente lê muito até aqui no próprio clube do do Livro, EE
- 19:54sempre comentávamos isso, né? Você falou do Morgan House, pô,
- 19:56a gente lê no Morgana, comentou algumas vezes.
- 19:57Seria amassa um livro de alguém daqui?
- 19:59Tal brasileiro e tudo mais. Esse capítulo ele, ele É 11.
- 20:03Um bom exemplo disso, então, temos um capítulo muito obrigado
- 20:06pelo seu tempo. Estamos avançando.
- 20:09Qual é o próximo brunão? Engrenagens engrenagens.
- 20:11Sim, vamos entender essas engrenagens, então, né?
- 20:14É e se você. Como a niédia que é sua cliente.
- 20:18Isso segundo abraço para ela aqui não é, olha aí é curte esse
- 20:24projeto não é literário. Veja que coisa de rico não é
- 20:28intelectual, não é? É NOS ajude a fomentar esse
- 20:32trabalho e dar mais musculatura para ele.
- 20:34Então, se você puder compartilhar com pelo menos um
- 20:37amigo pega um link desse episódio e coloca lá num grupo
- 20:40da família et cetera dizendo assim Porra para de gastar O
- 20:42Tempo com bobagem, você para um pedacinho não é para.
- 20:45Adquirir conhecimento aqui de forma leve, fluida no tempo
- 20:48morto. A gente Vai Ficar muito feliz e
- 20:50a pessoa que vai começar a acessar esse conhecimento a
- 20:53partir do seu compartilhamento também vai te agradecer, tá?
- 20:55Interessante porque ficou virtuoso aqui é interessante
- 20:57porque se você chegar assim e falar ó, tenho aqui um projeto
- 21:00literário bem interessante e tal.
- 21:02A pessoa pode até não entrar, mas você vai despertar a
- 21:04capacidade imaginativa dela. De que você é uma pessoa que
- 21:06homem beleza. Muito obrigado pelo seu tempo
- 21:10até o próximo episódio, valeu.