Latest / Chá de coragem, com Elisama Santos. / Ep. 17 - NA PRÁTICA, A TEORIA É OUTRA. Chá de coragem com Elisama Santos
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- 0:00Veganismo, não monogamia, autoestima de milhões, teoria
- 0:05tem de muitos, elas são incríveis.
- 0:07Mas e na vida real? Essa de carne ou se trauma que
- 0:13que a gente faz? Será que dá pra viver seguindo a
- 0:16cartilha? Aceita chá de coragem?
- 0:32Esses dias eu estava conversando com a moça e ela falou assim,
- 0:36elisama, eu estou arrasada porque eu ainda quero um
- 0:39relacionamento, eu ainda quero namorar, eu ainda quero
- 0:43encontrar alguém. E eu fico muito triste com isso,
- 0:47porque eu deveria me bastar, porque eu já sei que essa é uma
- 0:52pressão da sociedade em cima da mulher.
- 0:56E aí ela veio. Com toda uma cartilha, todo um
- 0:59discurso que sim, faz muito sentido.
- 1:02Sim, a construção social sim, tem razão de ser.
- 1:06E se sentindo culpada porque ela ainda queria uma relação, apesar
- 1:11de porque mesmo depois de saber tudo isso, ela ainda era um ser
- 1:16humano. E a gente conversou sobre o
- 1:19quanto é injusto com a gente esperar que sozinhas, sozinhos,
- 1:24mas principalmente sozinhas. A gente dê conta de barrar todas
- 1:31as violências, geracionais sociais, tudo para viver de
- 1:38acordo com o que a gente acredita.
- 1:41A gente começou a mudar um pouco a forma de ver a vida e a se
- 1:47exigir muito. Eu quero destrinchar um
- 1:52pouquinho mais essa minha fala. Até bem pouco tempo atrás.
- 1:57E aí se eu falo bem pouco tempo atrás que a gente pensa na
- 1:59história da humanidade, 50 anos, 60 anos, 40 anos, pouco tempo,
- 2:04tá amores? Então, até bem pouco tempo
- 2:06atrás, a Felicidade não era uma preocupação AAO propósito não
- 2:15era uma preocupação. É, a gente tinha ali uma
- 2:18preocupação de sobrevivência, de se manter vivo para a maioria
- 2:21dos humanos, né? E que ainda é uma preocupação.
- 2:25Né? Vamos deixar claro aqui pra
- 2:27grande parte da população brasileira.
- 2:30Então isso que eu tô falando aqui ainda é para uma bolha,
- 2:33porque pra grande parte da população brasileira não dá
- 2:35tempo de tá pensando nessas coisas, não vai vivendo.
- 2:39Mas enfim, você eu que provavelmente já saímos um pouco
- 2:44dessa necessidade absurda de sobrevivência apenas que já
- 2:48conseguimos pensar um pouquinho além disso.
- 2:52Estamos caindo no engodo. Uma história de que a
- 2:56possibilidade de fazer diferente, ela é uma obrigação
- 3:01de fazer diferente. Antes não se pensava na
- 3:05Felicidade, assim, não dava tempo, não dava tempo para
- 3:09pensar na Felicidade. Aí a gente começou a pensar,
- 3:11poxa, eu quero ter a propósito do que eu estou fazendo, poxa,
- 3:14eu quero estar bem. Olha, isso aqui é uma violência,
- 3:18socialmente falando, o nome disso daqui é racismo, o nome
- 3:20disso daqui é machismo. A gente foi dando um nome as
- 3:23nossas dores sociais e criando estratégias para lidar com elas.
- 3:27Isso é muito legal, isso é muito incrível e isso não apaga a
- 3:32nossa história pessoal. Eu brinco que tem Oo CPF e o
- 3:35CNPJ tem AA elizama cheia de crenças e teorias que me
- 3:42norteiam, que me ajudam a pensar nas minhas atitudes.
- 3:46Mas tem a elizama aqui, filha de neusele e Reginaldo.
- 3:50Que cresceu lá no interior da Bahia, que tem seus medos, tem
- 3:55suas angústia, tem suas histórias.
- 3:58E eu não vou colocar sobre essa lizama uma cobrança absurda que
- 4:03ela nem dá conta de lidar. Então, o primeiro ponto é esse,
- 4:07a confusão que a gente está fazendo entre a possibilidade de
- 4:10fazer diferente, com a obrigação de fazer diferente.
- 4:14O segundo ponto é o quanto a gente está.
- 4:17Procurando uma cura para as nossas questões, a gente acha
- 4:22que existe. Olha, Ah, sei lá, isso aqui é um
- 4:25problema, o body positivo, a gente precisa assim amar.
- 4:28Então chega, se você não se ama toda a moça tem algo errado,
- 4:31você tá caindo na celada do daquele arcado.
- 4:35E aí a gente vai achando que a gente vai conseguir curar dores
- 4:43que estão na nossa história muito antes da gente chegar no
- 4:45mundo. Coisas que a sua mãe, a sua avó,
- 4:48a sua bisa, a gente está vivendo há gerações e tem uma arrogância
- 4:53na nossa geração que é uma arrogância, junto com Inocência,
- 4:58de achar que vai construir sozinha, que vai construir tudo
- 5:01diferente, que foi construir tudo do zero.
- 5:04Eu quero a cura, amor. Se você está me acompanhando em
- 5:08outros episódios, você provavelmente já me ouviu falar
- 5:10aqui que não tem cura não, mãe, tem coisa que a gente vai lidar
- 5:14para o resto da nossa vidinha. Tem coisa que a gente vai
- 5:17experimentar para o resto da nossa vida.
- 5:19Tem coisa que a gente vai ter que prestar atenção para o resto
- 5:21da nossa vida e existem coisas que a gente vai precisar eleger.
- 5:26Quais são as prioridades? Do que eu quero mudar, do que eu
- 5:29quero, do que eu acho inaceitável repetir as outras
- 5:32gerações e do que eu não estou nem com força do que eu não
- 5:36preciso. Vou contar uma historinha para
- 5:39você. Você pode me cancelar dependendo
- 5:42de quem você seja. Mas eu estou disposta, tá linda
- 5:45com seu cancelamento, porque é a vida.
- 5:48Se você me cancelar é só mais uma prova do que eu estou te
- 5:50dizendo. O que é que acontece?
- 5:54Esse ano? Eu tive a oportunidade pela
- 5:56primeira vez na vida de realizar um grande sonho que era ir na
- 6:01Disney. Levei meus filhos para Disney.
- 6:05Começa por aí um sonho capitaliza blá blá blá blá blá
- 6:09blá totalmente contra toda a cartilha Disney que eu sou
- 6:12mesmo. Pois é.
- 6:13Gastei meu precioso dinheirinho para ir pra Terra do tio Sam,
- 6:18para ir pra Disney. E aí era algo que que a
- 6:23elisaminha queria muito. Corta aí pra minha história, pra
- 6:27minha infância, pra uma pessoa que nem sabia de ninguém, que IA
- 6:33pra Disney, pra uma pessoa que eu via.
- 6:37A história de que na festa de 15 anos alguém IA ganhar.
- 6:41E eu sabia que essa não era nenhuma possibilidade na minha
- 6:43vida, que eu não teria nem a festa de 15 anos nem a viagem.
- 6:47Então a Disney tinha um lugar místico, tinha um lugar de de
- 6:52encantamento. E os meus filhos queriam ir e a
- 6:56elisaminha queria ir. E por um tempo eu pensei,
- 6:59caramba, eu podia pegar esse dinheiro e ir para outro lugar.
- 7:04Eu podia seguir a cartilha e sei lá na Nigéria, porque o meu
- 7:10exame de DNA me mostrou que a minha ascendência, eu eu podia
- 7:14fazer tudo isso. Mas o que eu queria era levar
- 7:19minha criança para brincar na Disney.
- 7:22Fica comigo. Se você já está com raiva de
- 7:23mim, fica comigo, que piora. Quando eu cheguei na Disney, a
- 7:29gente foi comprar todos os parques, né?
- 7:31Antes de ir, a gente compra vários parques, se você.
- 7:33Não, não sabe como funciona a parada lá você tem vários
- 7:36parques, né? A gente chama de indígenas, na
- 7:37realidade é a cidade de Orlando, e na cidade de Orlando a gente
- 7:40tem vários parques. Um desse é ué, é o como é o
- 7:44nome, gente? Putz, esqueci o nome do parque,
- 7:49é o parque da da orca, sabe? Aí a gente tem outro problema,
- 7:54Ah, é controverso, eu fui mentindo pra mim mesmo, não,
- 7:58eles mudaram, agora eles num parque só de Montanhas Russas.
- 8:02Você vai em montanha-russa alisama?
- 8:03Claro que não, mas é um parque de Montanhas Russas.
- 8:07É um parque agora que cuida das da natureza.
- 8:10Eu fui contando essa história para mim, até que quando eu
- 8:13cheguei IA ter o espetáculo da orquinha das orquinhas.
- 8:19Sou a favor da exploração de animais, claro que não.
- 8:24Fiquei indignada com tudo que já saiu desse parque da vida, claro
- 8:27que sim. Mas aí eles me contaram a
- 8:30história bonita, que eles estão protegendo a natureza, que essas
- 8:32serão as últimas outras a lidarem com isso, que eu sentei
- 8:36na arquibancada pra assistir o show e eu chorei copiosamente.
- 8:42Vi naquele diacho daquela baleia subindo e pulando na água.
- 8:47Naquele momento quem tava chorando não era elisama, de 40
- 8:51anos, que tem toda uma consciência social, que tem toda
- 8:55uma consciência política. Que tem toda uma militância na
- 9:01veia. Quem tava chorando ali foi a
- 9:04elizama, que dos seus 5 mais ou menos eu acho, até os 1213 anos,
- 9:14chorou com frio. William a elizama que via aquele
- 9:19espetáculo da baleia e pensava que era uma coisa de outro
- 9:23mundo. Quem chorou ali foi a criança.
- 9:30Pobre. A criança aqui nunca imaginou
- 9:33que um dia IA conseguir não só ir para aquele lugar, como levar
- 9:39a família inteira para aquele lugar.
- 9:42E eu saí de lá assim, caraca, eles, é o ridículo, você está
- 9:46sentada aqui. E quando eu comecei AA brigar
- 9:51comigo, eu dei uma parada e pensei, é justo, tu está
- 9:57brigando comigo aqui. No momento que eu realizei um
- 10:01sonho, porque eu ainda queria isso daqui.
- 10:06Quem eu estou ferindo, com o que eu estou fazendo?
- 10:09Quem eu estou machucando, com o que eu estou fazendo?
- 10:13Se eu não viesse aqui, eu IA simplesmente resolver todos os
- 10:16problemas do mundo. Por que que eu estou fazendo
- 10:18isso comigo? E eu fiquei refletindo muito
- 10:22sobre o peso que a gente está dando para as nossas escolhas.
- 10:25Sobretudo nessa sociedade que diz que tudo é individual, que o
- 10:29seu banho, amor, o seu banho mais curto vai salvar o planeta.
- 10:34Aí eu queria abrir um parênteses aqui, queridos e queridas, o
- 10:38planeta não tá nem aí pra você, nem aí, planeta, ele destruiu
- 10:43dinossauros, quem é você na fila do pão?
- 10:47A humanidade precisa aceitar que a gente precisa se salvar, a
- 10:51gente precisa se salvar, não é o planeta.
- 10:53Vamos tirar aqui a ideia de que a gente gerou aí.
- 10:56Nós não somos heróis, nós precisamos nos salvar enquanto
- 11:00espécie, porque o planeta ele segue.
- 11:02Ah, um negócio que a gente tem certeza, a Terra vai continuar
- 11:05aqui do jeito dela, a gente que vai se embora.
- 11:09Mas enfim, a gente tá carregando cada um e cada 11 peso e dando
- 11:17para as nossas escolhas uma perspectiva que tá deixando tudo
- 11:23tão difícil. Tá deixando tudo tão pesado, tá
- 11:27deixando tudo tão triste de diversas formas.
- 11:32E aí eu lembro dessa moça que conversou comigo e ela falou,
- 11:35eu, eu quero o chameguinho, eu quero namorar.
- 11:39Eu quero ter alguém que que pensa em fazer uma viagem
- 11:45comigo, que não é uma amiga. Eu quero quero pensar em alguém
- 11:48que eu vou dormir coladinho. Eu, eu quero pensar.
- 11:51E eu falei, qual que é o problema de você pensar nisso?
- 11:53Ela estava se sentindo culpada porque ela estava seguindo uma
- 11:56cartilha pra qual Ela Foi criada, gente, e de encontro ao
- 12:03que a gente foi educado. E bater de frente com o que a
- 12:07gente foi educado é muito difícil.
- 12:09Não dá pra fazer isso todo, todo tempo não é cansativo demais e a
- 12:16gente dá pra vida uma. Perspectiva que talvez ela não
- 12:21precise ter, sabe? Eu assistindo, Oo Mano a Mano
- 12:25com o Paulo Vieira, amo o Paulo Vieira, Paulo, isso é
- 12:27maravilhoso. Ele falou uma coisa que assim
- 12:31que ele falou eu ri porque eu fiz.
- 12:33É isso, cara, é isso. Ele disse que ele acredita, não
- 12:37sei se se foi alguém que contou para ele.
- 12:39Eu não me lembro o contexto, mas ele fala algo mais ou menos
- 12:42assim que ele acredita que que a gente fica nessa ideia de pra
- 12:46que que é a vida, pra que que é a vida, pra que que é a vida?
- 12:48Que a gente tem que fazer da vida o propósito da vida.
- 12:51E que se a gente fosse conversar com Deus, com o criador, ele IA
- 12:55olhar pra gente e falar, gente, era de brincar.
- 12:58Era só de brincar. E eu acho que a gente está
- 13:01deixando de brincar com a vida quando a gente mistura o CPF ou
- 13:07CNPJ, quando a gente mistura a vontade de mudar o mundo com a
- 13:14obrigação de mudar o mundo. Cada escolinha que a gente faz,
- 13:20quando a gente tira um peso que deveria ser coletivo e coloca
- 13:23nas costas do indivíduo, quando a gente vive numa sociedade e a
- 13:30gente queria ser o avesso dessa sociedade e se cobra, quando a
- 13:34gente ainda aparece com essa sociedade, a gente vai repetir
- 13:38amores, erros, dores. E situações que a gente não
- 13:47queria repetir, a gente ainda vai fazer com os nossos pais,
- 13:54muitas e muitas vezes. E não dá para cada vez que a
- 13:59gente age assim, a gente pegar um chicotinho e se achar a pior
- 14:04pessoa do mundo. E desvalorizar todas as nossas
- 14:08construções, todas as nossas ideias, todos os nossos.
- 14:12Propósitos todas as nossas intenções, porque, caramba,
- 14:15olha, eu errei, olha o que eu fiz, olha como eu tô agindo.
- 14:20E sabe o que é interessante? Muitas vezes, com essa persona
- 14:24que a gente cria dessa pessoa super consciente, a gente deixa
- 14:28de assumir as nossas mazelas, porque essa pessoa super
- 14:30consciente, ela é perfeita, ela não erra.
- 14:34E aí quando alguém chega para você e fala, olha essa sua
- 14:37atitude aí, cara, foi bacana. Por esse, esse, nesse motivo,
- 14:41você pensa, não, mas eu. Eu sou uma pessoa super
- 14:46consciente. Eu sou uma pessoa assim, eu sou
- 14:48uma pessoa. E você resiste ao que tem de
- 14:51feinho em você, ao que tem de incongruente em você.
- 14:57Eu tenho uma vontade muito genuína, muito intensa de ser,
- 15:06de ver de acordo com o que eu prego.
- 15:09Muito, muito intensa. Eu pergunto pros meus filhos, eu
- 15:12pergunto pro meu marido, que já assistiram as minhas palestras,
- 15:15que vem meu trabalho, eu falo, vem cá, eu vivo o que eu falo,
- 15:19eu vivo o que eu falo, eu vivo o que eu falo.
- 15:22Porque se eu tiver vivendo diferente do que eu falo, me
- 15:27digam, mas veja, eu vivo. O que eu falo também está no
- 15:32contexto de eu falo o que eu erro.
- 15:36Eu sei que eu sou uma humana alimitadinha, alimitadinha,
- 15:40atrapalhada, que eu tenho um potencial enlouquecedor imenso.
- 15:46Eu sei disso. E eu não quero de forma alguma
- 15:49acreditar que é possível que eu seja a iluminada.
- 15:57E é uma cilada, sabe, gente? É uma cilada quando a gente se
- 16:00acha muito iluminado, porque a gente deixa de se conectar com
- 16:03os outros, reles mortais. A gente se acha muito especial
- 16:07nas nossas escolhas e a gente começa a olhar para os outros
- 16:10com arrogância. E aí estamos na ciladinha
- 16:13ciladinha humana. Estamos sendo mais humano do que
- 16:15nunca. E eu acho que é essa AA nossa
- 16:18conversa de hoje, que eu quis muito trazer para cá, é que
- 16:22assim a gente vai estudar muito, a gente vai conhecer várias
- 16:27teorias e várias coisas vão ser incríveis.
- 16:30A gente vai aplicar na nossa vida hoje e várias coisas a
- 16:33gente vai olhar e vai pensar, caramba.
- 16:35Vai ficar pra próxima encarnação quando eu voltar aqui, aí eu
- 16:39treino isso daqui, porque nessa eu estou treinando só esse
- 16:42negocinho aqui. Eu sempre brinco aqui que eu
- 16:45falo não veganismo próximo encarnação, acho muito legal
- 16:49nessa encarnação não vai rolar não, porque nessa encarnação eu
- 16:52comi muito fiambre você não sabe o que é não né?
- 16:54Chama minha Bahia chamava quitute, comi muito fiambre na
- 16:58vida. Agora eu quero meu filézinho
- 17:00Mion, eu quero, não vai ficar pra essa encarnação.
- 17:03E eu vou fazer as pazes com algumas escolhas minhas.
- 17:06Não importa quantas pessoas vão chegar nos comentários para me
- 17:10esculhambar e falar que se todo mundo pensar assim, o planeta
- 17:12acaba. Porque é isso.
- 17:15A gente tá colocando um peso tão grande nas escolhas individuais,
- 17:20tão grande. Um peso tão desproporcional, um
- 17:26peso tão intenso para quem muitas vezes já tem uma vida
- 17:30bastante pesada. Já tem uma vida bastante intensa
- 17:34na época da pandemia. É, eu lembro de de ver uma praia
- 17:42cheia e muita gente que eu conhecia estava falando como as
- 17:47pessoas vão. As pessoas são irresponsáveis.
- 17:49As pessoas e bá, bá, bá. E eu sabia que a maioria
- 17:55daquelas pessoas que estavam naquela praia continuaram
- 17:57trabalhando. Continuaram na no caixa do
- 18:00mercado que você IA enquanto você estava agora seguro de sua
- 18:04casa, continuavam fazendo a segurança da farmácia para você
- 18:09comprar o seu teste de COVID, continuavam indo para o hospital
- 18:16e aí você vai chegar para essa pessoa que continua se lascando,
- 18:20trabalhando normalmente, dizer que a única coisa que era
- 18:24divertido na rotina dela não vai poder fazer.
- 18:28Porque era irresponsável. Será que a gente podia fazer
- 18:32isso? Será que a gente do auge do
- 18:37nosso trono de moral a gente podia fazer isso?
- 18:42Será que a gente não tá pegando as nossas escolhas e impondo
- 18:44pros outros, retirando o contexto da vida deles e achando
- 18:48que a gente pode fazer isso e o quanto nessa tentativa?
- 18:54Nós estamos sendo absurdamente violentos em nome numa não
- 18:58violência com o planeta, com os animais, com a vida.
- 19:02Em nome da defesa de um ideal. A gente está deixando de olhar
- 19:07pessoas como pessoas, desconsiderar que o texto é
- 19:12violento demais. Se você não consegue perceber
- 19:16que eu tenho uma história que aqui.
- 19:19Tem carne e osso, trauma e Alegria e desejo e tesão e um
- 19:23Monte de coisa. Cara, você está desconsiderando
- 19:26a minha existência. Você está sempre violentando,
- 19:30não importa a tua intenção, o quanto nós estamos sendo
- 19:34violentos com os outros e o quanto a gente está sendo
- 19:37violento e violenta. Pois, gente, o meu convite tá
- 19:42hoje é que a gente tenha coragem.
- 19:47De assumir as nossas limitações, de assumir as nossas
- 19:51incongruências, as nossas ambivalências, a nossa
- 19:55complexidade, a nossa humanidade.
- 19:59Nenhuma teoria ela vai ser capaz de abraçar tudo em nós, de
- 20:07explicar tudo em nós. Há um tempo eu ouvi o Alexandre
- 20:10Coimbra, meu amigo querido Xande, te amo que falando algo
- 20:14que eu adoro, ele dizia que a teoria.
- 20:17Ela já entre nós, ganhando caloides, ela já entra, se
- 20:21deformando, porque quando ela chega, ela encontra um caminho
- 20:27que não é liso, que não é constante.
- 20:32Ela chega se confrontando com um Monte de coisa aqui dentro e ela
- 20:36se deforma. E aí eu trago a ideia do Paulo
- 20:40Vieira de que é de brincar. O winicos dizia que se eu não
- 20:45posso brincar. Com uma teoria, se eu não posso
- 20:48brincar com conhecimento, se eu não posso pegar esse
- 20:51conhecimento EE lidar com ele, pra que que esse conhecimento me
- 20:57serve? Se eu não posso olhar pra algo
- 21:02que você está me trazendo e questionar esse algo e vivenciar
- 21:09algo com meu sotaque, do meu jeitinho, não faz sentido.
- 21:16Se a escolha está servindo para me aprisionar, ela não é uma
- 21:19escolha que eu quero, não. Aí você pode pegar minha
- 21:21carteirinha de tudo, tá? De feminista, de tudo que você
- 21:25quiser, pode levar, não. Se para manter a carteirinha eu
- 21:28tenho que seguir uma cartilha que me aprisiona, que me sufoca,
- 21:33que me desrespeita, que diz respeito à história de tanta
- 21:36gente que eu conheço e que é incrível mesmo não atendo nessa
- 21:41checklist, você pode levar, eu tô bem aqui.
- 21:45É isso, meus amores. Que a gente consiga olhar para
- 21:48as nossas escolhas com respeito, com respeito as nossas lágrimas
- 21:57e as nossas risadas. Tá bom, se você acha que este
- 22:03episódio pode gerar uma excelente conversa com suas
- 22:05amigas no grupo, aquele grupo, aquele você pensou, eu sei que
- 22:09você pensou naquele grupo. Taca lá, João, galera, fala
- 22:12aqui, ó, gente, passa o recado. Tá bom, faz aquela coisa toda
- 22:17que a gente tem que fazer, seguir, comentar, dar
- 22:19estrelinha, aquela coisa toda que você sabe, ajuda a neguinha
- 22:22aqui, tá? Um beijo e até o próximo
- 22:25episódio.