Latest / NABOA / MOVIMENTO BEM MAIOR Com Carola Matarazzo | NABOA Podcast TP 02 EP 92
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- 0:03O iPod apresenta. Tem muita gente querendo
- 0:10transformar o Brasil, mas a verdade é que impacto em larga
- 0:14escala não acontece só com boa intenção.
- 0:18Ele precisa de estratégia, articulação e, principalmente,
- 0:22conexão entre quem tem recursos e quem está na ponta fazendo
- 0:27acontecer. No episódio de hoje do naboo, eu
- 0:29converso com a Carola Matarazzo, diretora executiva do movimento
- 0:33bem maior, uma iniciativa que vem justamente ocupando esse
- 0:37espaço essencial, o de aproximar grandes empresários e projetos
- 0:43sociais, fomentando investimentos mais conscientes,
- 0:46levando conhecimento técnico e oferecendo assessoria para
- 0:50potencializar de verdade o impacto social no país.
- 0:55A carolla é daquelas pessoas que transitam com fluidez entre
- 0:59mundos diferentes, né? Ela entende profundamente a
- 1:02lógica, a linguagem e o ritmo do segundo setor, mas foi
- 1:07completamente atravessada pela potência da transformação social
- 1:12e é nesse encontro que nasce o seu trabalho, traduzir, conectar
- 1:16e impulsionar. Mais do que mobilizar recursos,
- 1:20ela ajuda a redesenhar a forma como os investimentos sociais
- 1:25acontecem, trazendo visão estratégica, inteligência e
- 1:29compromisso de longo prazo. Porque não se trata apenas de
- 1:33doar mais, mas de investir melhor, com intenção,
- 1:38acompanhamento e resultado. Essa é uma conversa sobre
- 1:42pontes, sobre como engajar quem ainda está distante.
- 1:46Sobre como fortalecer quem já está fazendo e, principalmente,
- 1:51sobre como acelerar mudanças reais em um país que precisa e
- 1:56muito de soluções coletivas. Então fica por aqui, porque esse
- 2:01episódio é um convite para repensar o papel de cada um de
- 2:04nós na construção de um futuro mais justo e possível, não é
- 2:09isso? Carola?
- 2:10Tenho certeza que você também corrobora aí com todas essas
- 2:13reflexões, né? Oi Silvia, que bom estar aqui
- 2:16com você hoje. Super obrigada pelo convite.
- 2:19Carola antes de falarmos sobre o movimento bem maior, eu queria
- 2:23entender um pouco da sua trajetória, né?
- 2:24Você está aí falando que são mais de 30 anos, mas antes de
- 2:28você se tornar a diretora executiva do movimento, você
- 2:31também está envolvida com o instituto proteico, a liga
- 2:35solidária artesol pacto contra a fome.
- 2:38Me conta, como é que foi que as causas sociais entraram aí na
- 2:42sua vida? Bom, é, eu venho de uma, vamos
- 2:45começar um pouquinho mais para trás, né?
- 2:47Eu fui, é, eu fui criada numa casa de 5 irmãos, eu sou a
- 2:51caçula e os valores aí comunitários, os valores de
- 2:57garantia de direitos humanos e essa conversa sobre seres
- 3:01políticos e cidadãos sempre permeou a minha educação e na
- 3:05minha casa, meus pais eram advogados, a minha mãe era uma
- 3:08mulher super a frente do tempo dela.
- 3:10Ela se formou no largo de São Francisco em 1940. 36 era das
- 3:14pouquíssimas mulheres que tinha na faculdade.
- 3:17Então eu fui criada por essa mulher forte, advogada e ligada
- 3:21a causas sociais a vida toda eu fui empreendedora.
- 3:25No início da minha carreira eu tive uma marcenaria, que é a
- 3:28grande paixão da minha vida, madeira eu tive, eu trabalhei
- 3:32com decoração e aí quando eu tava grávida e sempre fiz
- 3:36trabalhos voluntários paralelos, tá?
- 3:38Quando eu tava grávida do meu terceiro filho, a liga solidária
- 3:42atravessou a minha vida. Nessa altura, era a liga das
- 3:44senhoras católicas de São Paulo. Já era uma organização muito
- 3:48grande, mas que vivia uma crise de captação de recursos e de
- 3:53alinhamento, de foco etc. Eu fui convidada para participar
- 3:58de um redesenho de custos da sua maior unidade que na época, só
- 4:02para você ter uma ideia, Silvia, na periferia de São Paulo, ela
- 4:05já atendia por volta de 3000 pessoas por dia.
- 4:10Lá eu fiquei 34. Por dia lá eu fiquei 34 anos,
- 4:15que foi aonde realmente eu conheci a periferia de São Paulo
- 4:19sub morro, conheci grandes lideranças sociais, que são meus
- 4:22grandes amigos até hoje entendi desenhos de políticas públicas
- 4:26na cidade de São Paulo, tive relação com secretarias etcétera
- 4:30e lá na liga eu acabei ficando quase 20 anos, porque de lá eu
- 4:34fui tesoureira da organização, depois eu fui vice presidente e
- 4:38fui presidente por 6 anos. E tive a chance de fazer uma
- 4:42escola na prática no morro, com as lideranças liderando roda de
- 4:48conversa, centro de violência doméstica, fazendo terapia
- 4:52comunitária. Quer dizer, uma vastíssima e
- 4:57amplo trabalho social, mas sempre olhando para a cidade de
- 5:01São Paulo. Paralelo a isso, eu comecei a
- 5:03ser conselheira de algumas organizações amigas.
- 5:08Quando acabou o meu mandato na liga e eu mesmo tinha mudado o
- 5:14estatuto pra não poder renovar por melhores práticas de
- 5:17governança e etc, eu saí e falei, bom, e agora essa
- 5:21carreira como eu faço, né? Com 50 anos, pra onde eu vou?
- 5:26Porque na minha cabeça eu não tinha uma carreira.
- 5:29Eu tinha só um grande amor e um trabalho profundo na periferia e
- 5:34liderando uma grande organização social de 100 anos.
- 5:38Você ter uma ideia para quem está nos ouvindo entender, é uma
- 5:42organização que na época que eu saí já tinha 1200 funcionários,
- 5:45CLTE1 orçamento de 120000000 de reais por ano, com 40 convênios
- 5:48públicos enorme, enorme. Aí de lá eu saí e resolvi
- 5:55estudar. E eu tava pensando em ir embora,
- 6:03estudar mensuração de impacto social, que é um grande
- 6:07interesse que eu tenho, que eu conheço na prática, mas me
- 6:09faltava metodologia e o diploma, porque eu olhava as vagas e via
- 6:13rodando o quarteirão, os diplomas das garotas, falava,
- 6:16gente, eu não vou conseguir nunca.
- 6:18Nesse inteirinho eu encontrei o Eli Rony, que já me conhecia por
- 6:22conta da liga. A gente já tinha feito coisas
- 6:23juntas. Ele me falou, não, a senhora vem
- 6:25trabalhar comigo e eu quero montar uma organização social de
- 6:28fomento à filantropia no Brasil. E assim nasceu bem maior.
- 6:33Ele me contratou. Logo veio o Rubens Menin e o
- 6:36Eugênio mata, que vocês conhecem bem aí em Minas.
- 6:39E os 3 fundaram o movimento bem maior, com a grande missão de
- 6:43fomentar a filantropia no país e melhorar a cultura de doação.
- 6:48E aí obviamente que eu pude realizar o sonho de flensar em
- 6:53filantropia estratégica, não mais uma filantropia pontual e
- 6:56assistencial. É uma filantropia mais de médio
- 6:59e longo prazo, olhando para mudanças um pouco mais
- 7:02sistêmicas e poder fazer o que a gente realmente acredita que em
- 7:06veio do campo e sabe que é necessário, que é fortalecer as
- 7:10organizações sociais do país. Muito legal porque você está
- 7:14desde o início, então, ou seja, você já começou com essa visão
- 7:18mais estratégica, que eu acho que tem muitos projetos que
- 7:21estão nessa transição, né? Abrindo a cabeça, se
- 7:25profissionalizando, percebendo que eles podem ser mais do que
- 7:27um projeto, mais um negócio que eles tem que ser
- 7:30autossustentáveis toda essa visão, você já chegou, você já
- 7:33chegou implementando. Acho que o movimento já
- 7:35conseguiu. Chegar aí à frente de muitos
- 7:38outros projetos, né? Ele nasceu, ele nasceu com essa
- 7:43configuração de filantropia colaborativa.
- 7:46Então são grandes empresários que juntos fazem a sua, a sua
- 7:50filantropia, né? Então tem aqui como se fosse um
- 7:54grande fundo de recursos e tem um planejamento estratégico a
- 7:58ser seguido. Porque daí eles trouxeram as
- 8:00linhas das quais eles mais gostariam, de quais causas eles
- 8:05mais gostariam de olhar. Obviamente, a filantropia é uma
- 8:08ferramenta para fazer transformação social, então a
- 8:12gente tem aí 21 olho em cada lugar muito claro, um que é
- 8:17olhar para como melhorar a filantropia no país.
- 8:20Então todo o arcabouço legal, a infraestrutura dos do do setor,
- 8:24etc. E 11 olho de quais causas seriam
- 8:27as do coração desses filantropos.
- 8:30E aí a gente olhou especificamente para educação e
- 8:33inclusão produtiva, sempre no olhar de.
- 8:36Mover as organizações sociais acima de tudo.
- 8:39Ou seja, Oo objetivo do movimento é apoiar os projetos e
- 8:43iniciativas que já estão atuando em causas sociais.
- 8:47E aí isso vai tanto em termos financeiros, técnicos, como é
- 8:50que funciona? Então, o objetivo do movimento
- 8:53para além de para além de apoiar projetos, é apoiar organizações.
- 8:59Então a gente tem uma premissa aqui de que quase 90% dos apoios
- 9:02que a gente já fez e faz. De recursos flexíveis.
- 9:07A gente não gosta de carimbar recursos, porque a gente entende
- 9:10que as organizações são as detentoras das soluções locais e
- 9:14do conhecimento da demanda. Quem sou eu é detentora desse
- 9:19recurso pra dizer olha, é melhor ir pra cá ou pra direita ou pra
- 9:23esquerda, o que a gente tenha um time com uma expertise técnica
- 9:27que pode ajudar no encaminhamento principalmente
- 9:30das organizações pequenas. Então o recurso por.
- 9:34Critério é flexível. A gente usa uma metodologia que
- 9:37se chama trust based filantrop, que é é filantropia baseada na
- 9:41confiança, que é até um documento que está no nosso
- 9:44site, que foi lançado por Harvard há uns 6 anos atrás.
- 9:48Aonde a gente enaltece mais a relação com as organizações do
- 9:55que tanto o formato fechado de prestação de contas?
- 10:00Obviamente que todos os indicadores, todo o
- 10:04monitoramento e todo o uso eficaz do recurso pra nós é
- 10:09premissa número 1, porque o recurso é escasso e a demanda,
- 10:12gigantesca. Mas de que forma?
- 10:15Baseado na confiança e na relação desenvolvida com essas
- 10:18organizações. Então eu acho que aí tem um
- 10:21jeito um pouco diferente de olhar para as organizações.
- 10:24Silvia, a gente entende que o nosso recurso é para
- 10:28potencializar a oportunidade destas organizações, fazerem o
- 10:33que elas mais sabem. E se preocuparem menos com os
- 10:37formatos, os formatos, a gente ajuda eles a fazerem.
- 10:40Maravilhoso. Bom, essa articulação aí que
- 10:43vocês fazem com investidores, com as empresas, é fundamental
- 10:48para que isso aconteça, né? Mas aí eu já fico pensando que o
- 10:50grande desafio é como fazer isso acontecer.
- 10:54É preciso falar a língua dos empresários ou apresentar a
- 10:59filantropia e o trabalho dos projetos para eles.
- 11:02Como é que fica essa articulação aí para aproximar esses setores,
- 11:06né? Olha, Silvia, eu tenho que te
- 11:08dizer que é por tentativa e erro, porque cada um tem 1111
- 11:13forma de estar no mundo, né? Então a gente vê filantropos que
- 11:17estão no mundo exercendo a sua filantropia porque querem
- 11:21devolver as oportunidades que tiveram.
- 11:24E tem outros que tem motivos religiosos, então assim, a sua
- 11:28religião já de cara diz, não, você precisa fazer o bem pro
- 11:33mundo. E tem outros que, com certeza,
- 11:36estão se empoderando e estão cada dia mais conscientes do seu
- 11:40papel de cidadão no mundo. Então aí vai do perfil de cada
- 11:44um e da gente ter a sensibilidade de entender.
- 11:48Eu brinco que eu sou quase uma grande tecla SAP do controle
- 11:52remoto. Porque se eu não falar a
- 11:55linguagem dos dos filantropos, dos financiadores, dificilmente
- 12:01eles entendem o que eu quero dizer.
- 12:03Porque no setor a gente tem muitos.
- 12:05Tem uma linguagem quase própria, né?
- 12:07Eu brinco que a gente é igual a advogado.
- 12:08É um é um terceiro setores. É o juridiquês.
- 12:12É um terceiro setores, né? Então, assim, é difícil entender
- 12:15a lógica das nossas terminologias.
- 12:18Por outro lado, o terceiro setor precisa se abrir e entender
- 12:23também. Por que dessa semântica
- 12:27necessária? Porque o terceiro setor, e
- 12:29muitas vezes fica entre aspas, magoado.
- 12:32Fica como se ele se sentisse desprestigiado por a gente não
- 12:37levar exatamente a terminologia para, vamos dizer, para faria
- 12:41Lima. Então tem o caminho aí que é
- 12:44necessário. Quer dizer, é necessário um
- 12:47letramento do lado de cá, principalmente nas causas mais
- 12:51espinúdas, como raça, gênero, o próprio tema da justiça social
- 12:56ou da desigualdade, né? E do lado de cá, tem que ter uma
- 13:00compreensão também de que a gente tem que acertar discursos
- 13:05e alinhar expectativas, que eu acho que esse é o principal
- 13:08ponto. A intencionalidade do lado de
- 13:11cata clara é a. Ajudar é, seja qual for a
- 13:14motivação do coração de cada um, é ajudar para gente que tenha um
- 13:18país mais justo e equânime. Do lado de cá, há a demanda e a
- 13:23expertise. Então, como a gente faz para
- 13:25alinhar? É na sensibilidade, sem dúvida
- 13:28nenhuma. E em segundo lugar, mostrando
- 13:31eficiência, eficácia e resultado.
- 13:35Eu costumo dizer, se eu vier aqui recurso filantrópico, é
- 13:38recurso que pode correr risco. Então eu falo para os
- 13:41investidores, olha, dentro da sua carteira de investimentos, a
- 13:44gente tem lá uma parcela que é para o investimento social e
- 13:48esse investimento vai correr risco maior ou menor, igualzinho
- 13:52o resto do seu portfólio de investimentos.
- 13:55E é correndo o risco que a gente tem melhores resultados,
- 13:59igualzinho no mercado financeiro.
- 14:01Só que tem uma diferença crucial.
- 14:04Esse recurso colocado a disposição do bem comum.
- 14:10Ele pode ajudar a testar desenhos de políticas públicas,
- 14:14de soluções locais, de novas tecnologias sociais, e a gente
- 14:18precisa saber se isso funciona ou não.
- 14:21Então, se não funcionar, o seu recurso também foi usado muito
- 14:26bem, porque a gente já sabe que é o modelo que a gente não pode
- 14:29repetir para não gastar eventualmente recurso público
- 14:33amanhã. Então o fracasso ou o sucesso de
- 14:36um investimento tá do ladinho. Porque se o seu investimento foi
- 14:41para uma organização que tá testando um modelo novo que não
- 14:45funcionou, Glória a Deus porque isso não virará política pública
- 14:49um dia, porque recurso público a gente não pode desperdiçar.
- 14:52Maravilhoso otimização de tempo de trabalho de pesquisa, né?
- 14:57E legal, legal que você falou o tempo todo aí sobre a questão do
- 15:02retorno. Né?
- 15:03E aí eu te pergunto, porque frequentemente eu escuto o que
- 15:05uma marca, ela pode até ser uma ou uma organização, né?
- 15:09Uma empresa, ela pode até se solidarizar com uma causa, mas o
- 15:13que faz É Ela apoiar, patrocinar um projeto ou uma iniciativa.
- 15:17É o retorno de marca, é o branding, o que que ela vai ter
- 15:21como retorno, né? Como é que você enxerga isso?
- 15:24Ainda tem essa visão de ok, achei legal, mas.
- 15:28Como que a minha marca vai aparecer?
- 15:30Como é que como é que isso vai voltar para gente?
- 15:34Você falou muito aí da mensuração, né?
- 15:36De impacto, que é realmente tem coisas que a gente, não eu, eu
- 15:40digo que não é, que não consegue, mas é difícil, né?
- 15:42Carola, porque a gente fala de dados qualitativos e dados
- 15:46quantitativos, né? Como é que fica isso aí?
- 15:49Então esse para mim é um lugar bem espinhoso, Silvia, que eu
- 15:52sou uma pessoa meio controversa nesse lugar.
- 15:56Primeiro porque eu acho que as empresas, né?
- 15:58Tem que ter muito claro ali no seu departamento de
- 16:00responsabilidade social ou no marketing ou RH conforme onde
- 16:03está alocado essa intenção de ajudar na transformação social
- 16:09do país. Eu acho que tem que ser tem, tem
- 16:12que tem coisas que tem que ser separadas, né?
- 16:15Uma coisa são obrigações legais dessa empresa.
- 16:18O que é obrigação legal que tá dentro daquela pauta ali, do do
- 16:22a, do do g, né, do ESG. Pra mim isso não é nem
- 16:27filantropia, nem é investimento social privado.
- 16:30Isso é responsabilidade legal. Outra coisa são incentivos
- 16:34fiscais, que são maravilhosos. Eu apoio e acho eles
- 16:38importantíssimos pro país, mas também não tá na caixinha.
- 16:42Nem de filantropia, nem de investimento social privado.
- 16:45É outro recurso. Nós estamos falando aqui de um
- 16:47recurso intencionalmente com intencionalidade desse conselho
- 16:52de administração, disponibilizar 1% 2 x do lucro dessa empresa
- 16:59para retorno para sociedade. E aí a gente pode olhar em 2
- 17:04lugares ou algo alinhado com o core Business dela.
- 17:07Então aí fica mais fácil trazer retorno para sua marca, né?
- 17:11Então, sei lá, uma construtora que também vai ajudar a
- 17:15revitalizar um bairro do lado da obra que acabou de fazer e tal,
- 17:19então tá diretamente ligada ao cor, ao seu cliente que tá ali
- 17:23do lado. Isso é uma ação muito válida, tá
- 17:26tudo certo. Outra coisa, é uma organização
- 17:29que entende que tem uma vocação, quem sabe ampliada de.
- 17:35Olhar pra demanda dos lugares ou da onde ela está ou não e dizer
- 17:39não, esta é uma causa que nos comove, que nós entendemos as
- 17:45métricas, os os indicadores do país, e a gente quer atuar nela
- 17:50com escopo maior, como saúde, inclusão produtiva, e aí vai
- 17:53recortando? E nesse caso, eu acho que tem
- 17:57mais dificuldade de mostrar para o seu negócio.
- 18:05O que você está fazendo em prol da sociedade porque está
- 18:08desligado do core Business? E tudo bem?
- 18:12O que vai precisar só é mostrar porque dessa intencionalidade e
- 18:16desta vocação. Que pode ser pro território,
- 18:19pode ser pro público atendido, etc.
- 18:22Agora eu adoro, por exemplo, no pacto contra a fome, a gente, eu
- 18:26aprendi isso lá. Quando a gente vai levar a causa
- 18:30da fome no país, por exemplo, pra algumas empresas eles falam
- 18:34não, mas isso não existe. Saímos do mapa da fome para tem
- 18:381000 argumentos. E aí o que a gente tem pedido
- 18:40pra grandes empresas, né, que tem 1000, 2005, 1000
- 18:43funcionários, é roda um acessman dentro do seu RH.
- 18:48E veja qual é o grau de insegurança alimentar dos seus
- 18:52funcionários ou alguém da família.
- 18:54E tem sido uma grata surpresa que essas grandes empresas têm
- 18:58detectado graus de segurança alimentar diversos nas famílias
- 19:03dos seus colaboradores. E aí?
- 19:06É simples, quais são as ações que você empresa vai fazer
- 19:09diretamente para os seus colaboradores?
- 19:11Então você passa também a ter algo interno na sua empresa que
- 19:15é necessário para você melhorar a produtividade e a qualidade do
- 19:19seu trabalho. E aí a sua marca tá ali, ligada
- 19:22nesse lugar de desenvolvimento interno e tá tudo certo, igual.
- 19:26Então eu falo o seguinte, que desde que a gente esteja olhando
- 19:30para o bem comum e a intencionalidade seja muito
- 19:33clara de desenvolvimento do social deste país, diminuir
- 19:38desigualdades. Para mim tá tudo certo,
- 19:41alinhado, desalinhado com o cor, fazendo Silvia.
- 19:47Não e o exemplo que você deu é maravilhoso porque começa dentro
- 19:50de casa. Com quem está ali ao nosso
- 19:52redor. E isso serve para tudo, né?
- 19:55Quando a gente começa, Ah, eu quero fazer alguma coisa, não
- 19:58sei o quê. Que a ação que eu posso começar,
- 20:00como que eu posso impactar. Olha para dentro de casa, olha,
- 20:03começa por por onde você já sabe com quem está ao seu redor, né?
- 20:07A gente recebeu um filantropo que era do do, de uma empresa
- 20:12muito grande, né? E ele lá conversando, fazendo
- 20:15uma jornada de aprendizado. É em filantropia para entender
- 20:20qual era a vocação da família tal.
- 20:21Estava difícil ali de destravar. Eu pergunto, quantos
- 20:24funcionários tem a sua empresa? 30000.
- 20:26Eu falei espetacular, só sabe dizer quantos funcionários tem
- 20:32filhos abaixo de 7 anos. Não, mas o meu RH sabe pleito a
- 20:36minha primeira sugestão para o senhor treinar e com a sua
- 20:39família lá no sábado, domingo, no pátio da sua empresa, é, faça
- 20:43uma parceria com a Secretaria de de saúde e faz 1 dia de
- 20:47vacinação e coloca a carteirinha de vacinação do filho de todos
- 20:50os seus funcionários em dia. Segundo passo é entender se
- 20:54todos estão na escola e assim a gente foi desenvolvendo uma
- 20:57coisa para os primeira infância dos filhos, dos funcionários,
- 21:00porque era uma causa do coração da família.
- 21:03Gente, aquilo ali foi game changer no RH daquela empresa,
- 21:06porque eles nunca tinham pensado em olhar para isso.
- 21:10Eles tinham vaga de PCD, eles tinham conta de gente, mas uma
- 21:13pessoa é uma família. Aham.
- 21:16E assim, uma pessoa de 25 anos que ganha 6000 BRL, é uma coisa,
- 21:22o mesmo cargo com uma pessoa de 65 que é avô. 5000 não adianta.
- 21:28Então tá certo essa escala aí de cargos e salários.
- 21:31As pessoas ficaram me olhando, falaram não, mas a gente tinha
- 21:34pensado em filantropia. Eu falei, não, esse é o próximo
- 21:36passo, nós vamos, nós vamos seguir pra esse passo, mas a
- 21:39gente tem que ir treinando também o olhar para a pessoa,
- 21:44para o desigual, para o problema nacional, entendeu?
- 21:48Porque a gente acha que tá sempre fora da onde a gente tá e
- 21:51na verdade tá do lado da gente. Exato.
- 21:54E é por isso a importância de é é iniciativas como a de vocês,
- 21:59porque muitas vezes essas funções ficam para o RH ou então
- 22:02para comunicação. Eu já passei muito por isso.
- 22:05EE são profissionais que não tem muitas vezes essa visão, né?
- 22:09Eles tem a visão ali da empresa, os conhecimentos técnicos, mas
- 22:13não tem essa pegada aí de começar AA entender as relações,
- 22:17a humanizar, né? Eu falo muito disso.
- 22:20E aí quando você fala da da, do, do, da filantropia, Ah, como é
- 22:24que a gente como é que vai é implementar de fato essas ações.
- 22:28Eu te pergunto, como que as organizações podem aproveitar,
- 22:33tá no bom sentido, dos projetos sociais, e vice versa.
- 22:37Como é que começa esse flerte aí?
- 22:39Onde um ganha com o outro nessa relação aí que realmente?
- 22:44Eles trabalhando juntos, é muito melhor do que a empresa ficar
- 22:47ali sozinha, tentando impactar, sendo que as vezes ali do lado
- 22:51já tem um projeto que tá só precisando ali de um incentivo
- 22:54dela e que faz muito mais sentido eles trabalharem juntos
- 22:56também, né? É, olha, eu tenho eu hoje, né?
- 23:00No bem maior eu trabalho com pessoas físicas e com poucas
- 23:04empresas, tá? Acaba que a gente dá pitaco, né?
- 23:07Na boa intenção, nas empresas das pessoas físicas que nos
- 23:10procuram. A gente tem hoje 9 associados
- 23:13com grandes empresas e que as empresas, graças a Deus, estão
- 23:17todas super organizadas da sua responsabilidade social.
- 23:20E esses empresários já tem plena consciência do condução do
- 23:26Brasil. Então o que eu vejo hoje aqui é
- 23:28que a gente pode, a gente tem tentado fazer.
- 23:32É quando a gente tem. Só para dar um passo atrás.
- 23:35Desculpa, Silvia. Vamos lá.
- 23:37Movimento memória tem um portfólio de organizações que
- 23:40ele apoia nos diversos causas que a gente apoia, seja por
- 23:45causa, seja por território. Quando a gente monta esse
- 23:49portfólio de investimento e a gente aprova com esses
- 23:52filantropos, tá muito claro que a gente tá esperando de
- 23:58resultado desses investimentos, tá?
- 24:01E a gente, a gente não tem nenhuma.
- 24:04Nenhum projeto próprio a gente apoia de terceiros, porque a
- 24:08gente entende que o Brasil está coalhado de organizações sociais
- 24:12hiper competentes, de todos os tamanhos.
- 24:15Da minúscula, do interior do Sertão, a gigantesca sei lá da
- 24:20onde que com atuação nacional, que precisam de ajuda no seu
- 24:24desenvolvimento institucional e nas suas causas.
- 24:27Mas muito além disso, elas precisam de organizações como
- 24:32bem maior ou de filantropos, como os que a gente tem, tantos
- 24:35outros que tem no Brasil. Elas precisam da sua influência,
- 24:38que é o que a gente chama de policapital.
- 24:40Elas precisam de dinheiro. E elas precisam de influência,
- 24:43de voz e de oportunidade pra serem colocadas na, na, na, seja
- 24:50sua causa ou sua, a organização, Na Na, no grande lugar de
- 24:54comunicação. Então, quando a gente tem um
- 24:56filantropo que chega numa mesa de restaurante, fala, olha, eu
- 25:00estou auxiliando na mudança de uma lei de educação, como foi o
- 25:05nosso caso, que a gente. Apoia o todos para educação,
- 25:09para implantação da nova base nacional curricular.
- 25:12Então, é algo um pouco estratégico para o país e que às
- 25:16vezes é intangível para muitas pessoas.
- 25:18Mas é game changer, porque se a gente conseguir ter um currículo
- 25:22igual para o Brasil inteiro, com as adaptações regionais
- 25:24necessárias, a gente pode mudar o patamar dos indicadores da
- 25:28educação. Então, quando você tem um
- 25:30filantropo falando sobre isso? Você muda a dimensão, o recurso
- 25:36é muito importante, mas sair da boca dele, que isso é a causa da
- 25:39vida dele, você muda a dimensão e o olhar pra educação no
- 25:42Brasil. Então isso é uma coisa.
- 25:45Outra coisa é quando você tem filantropos que entendem a
- 25:50complexidade. Da história, porque quando você
- 25:54fala, por exemplo, Ah, eu vou levar sinal de internet pro
- 26:00Brasil inteiro, né? Vou fazer uma parceria com a
- 26:02Starlink, vou botar em todas as aldeias, quilombos, etcétera,
- 26:05etcétera. Deixa eu te explicar.
- 26:07Hoje a gente ainda tem no Brasil se vê 6000 escolas públicas que
- 26:10não tem banheiro, então ela tem Starlink, mas ela não tem
- 26:14banheiro. Quando você tem um filantropo
- 26:16que você tem a oportunidade de mostrar o retrato desse país e
- 26:20dizer, olha, 56% da população. Tem, é, tem CEP com cor.
- 26:26Nós estamos falando de uma população preta, 56% da
- 26:30população. Você está num país que diz que
- 26:32não há racismo, você tem números estonteantes de moradia,
- 26:36etcetera, etcetera. Você fala o que nós vamos olhar
- 26:39nesse nicho, que a gente não pode fazer tudo.
- 26:42Mas eu preciso que o senhor entenda que tem tudo isso aqui
- 26:45que pode nos ajudar ou nos atrapalhar nos nossos
- 26:50indicadores qualitativos. Que é o que eu vou entregar pro
- 26:53senhor, porque eu estou levando sinal de internet.
- 26:56Mas essa criatura não tem banheiro.
- 26:58Então ele vai estar capacitado com tecnologia pra gente fazer
- 27:01inclusão produtiva. Só que ele vai chegar na empresa
- 27:04e ele não sabe se colocar. E aí a empresa vai dizer que não
- 27:08tem condição de manter essa pessoa porque ele não tem soft
- 27:11skills. Então a gente precisa de um
- 27:14pacote de soluções, uma coisa isolada fica difícil.
- 27:18Então, quando a gente tem um movimento bem maior ou outras
- 27:21organizações irmãs do movimento com a gente que tem acesso a
- 27:25essas pessoas e pode levar o big Picture, a gente começa também
- 27:30num entre aspas, né? É feio falar isso, que é meio
- 27:33arrogante, mas um letramento da complexidade do produto,
- 27:36entendeu? Mostrar que o buraco é mais
- 27:38embaixo, né? É muito necessário.
- 27:42E aí pra terminar essa fala, eu diria assim, fica mais claro
- 27:46também quando a gente vai escolher um deputado estadual,
- 27:50quando a gente vai escolher um vereador tal, quem que a gente
- 27:53está escolhendo? A gente não está escolhendo
- 27:55aquela pessoa que é do partido A, B, direita, esquerda, etc.
- 27:59A gente está escolhendo aquela pessoa que está alinhado com a
- 28:02complexidade de soluções pro país.
- 28:05A gente não pode ser simplista e normalizar as demandas sociais
- 28:09desse país. Então a gente tem uma
- 28:11responsabilidade muito além do recurso filantrópico ou de
- 28:15investimento social privado na escolha total da vida,
- 28:20absolutamente tudo a empresa se porta.
- 28:22Como eu ponho meu voto na urna? Como eu trato os problemas que
- 28:26estão do lado do dos ambientes que eu frequento?
- 28:29Então esse cidadão. É o que a gente espera e é o que
- 28:32a gente tenta fazer essa tecla SAP de um lado pro outro é um
- 28:36pouco complexo. Né?
- 28:37Um pouco, não muito, né. Até porque, é isso, os problemas
- 28:40não são isolados, né? Está tudo interligado.
- 28:43Agora, você falou muito, aquele filantropo que já tem a
- 28:46consciência, aquele filantropo que já tem uma noção maior dessa
- 28:50complexidade, ok, como é que você vê o perfil dos filantropos
- 28:55brasileiros? Porque catequizar quem já é
- 28:57catequizado. É fácil, né?
- 29:00Então você já consegue naturalmente aproximar, não
- 29:03precisa convencer, não sei se essa palavra certa, mas e aí é,
- 29:08né, como é que você se aproxima, como é que é essa?
- 29:11A gente pega alguém ali, daquela organização que já tem um mínimo
- 29:14de consciência ou começa do zero, esse letramento, como você
- 29:18bem disse, como é que essa, essa essa aproximação, até mesmo para
- 29:23ampliar? Né, as frentes do movimento e,
- 29:26claro, do impacto, né? Então é Silvia de novo, é por
- 29:30tentativa e erro. A gente tá falando de pessoas,
- 29:34né? Não de bolsos, que é 11
- 29:36diferença que eu gostaria até de deixar bem claro aqui, porque
- 29:40todo mundo que faz é captação de recurso pro social, olha pro
- 29:44bolso e depois pra pessoa, né? Eu prefiro inverter.
- 29:46Eu prefiro olhar pra pessoa primeiro e depois a gente vai
- 29:50ver o bolso dela, porque eu acho que a gente precisa de cidadãos
- 29:53ativos e de. De lideranças imprescindíveis no
- 29:56país, cada vez mais conscientes. E essas pessoas são líderes
- 30:00natos para o país, estão trabalhando pelo país, geram
- 30:03economia para o país. Então eu gosto das pessoas.
- 30:07Eu acho que assim, primeiro precisa ter abertura para essa
- 30:12conversa. Né?
- 30:13Então, assim, não é uma conversa agradável saber das mazelas do
- 30:19país. Então eu posso levar primeiro as
- 30:22mazelas e depois as soluções, ou primeiro as soluções e depois as
- 30:25mazelas. Eu preciso entender qual é ali o
- 30:30principal anseio, quando a pessoa nos procura ou quando vai
- 30:34no Congresso e etcetera. É uma medida bem difícil.
- 30:38Silvia, mas o que eu acho é que quando a gente traz.
- 30:42Da responsabilidade individual para construir esse país.
- 30:46E se a gente tem esse compromisso ou não.
- 30:48Se a gente acha que é tudo problema do governo, a conversa
- 30:51fica meio difícil quando a gente entende que a gente tem uma
- 30:55responsabilidade ampliada, até pelos privilégios e
- 30:58oportunidades que a gente tem. É, eu acho que aí as portas se
- 31:01abrem e a conversa começa a fluir melhor.
- 31:05O que que a gente vê hoje, que é, inclusive, é uma estratégia
- 31:08que o bem maur está inaugurando esse ano para ver se a gente
- 31:11consegue mais aderência de recursos que não estão na mesa
- 31:15ainda, filantrópicos, é fazer algo mais territorial,
- 31:19regionalizado. É muito difícil você ter um
- 31:22filantropo, por exemplo, no Ceará.
- 31:25Que quer trazer dinheiro para uma coisa nacional ou para botar
- 31:29dinheiro lá em Cuiabá, você pegar o Pará e botar dinheiro no
- 31:33Rio de Janeiro. Essa coisa é para filantropos,
- 31:36que já são maiores, mais maduros, etc.
- 31:39Então o que a gente percebeu? A gente fez uma pesquisa grande
- 31:42o ano passado com uma consultoria que veio trabalhar
- 31:45conosco e a gente tá usando uma estratégia de estamos fazendo a
- 31:50primeira agora e já tem mais 2 na boca do gol.
- 31:53De fazer coalizões regionais. Então, bem maior vai com a sua
- 31:57expertise, o critério que a gente vai colocar recurso
- 32:01naquele estado, naquele município, com uma tese de uma
- 32:05teoria de mudança, como a gente chama, que é qual é o problema e
- 32:08quais são as soluções que a gente vai investir para tentar
- 32:12sanar esse problema principal através de organizações sociais.
- 32:17Mas daquele lugar. Então, para a gente ir, a gente
- 32:20vai com a expertise, com a equipe técnica, com o recurso.
- 32:24E a minha premissa é que eu tenha um filantropo local que
- 32:27faça um coinvestimento comigo. A gente monta 11 parceria de de
- 32:33um de um coinvestimento, e eu saio para captar naquele
- 32:36território empresas, pessoas físicas, tal como tem alguém de
- 32:41lá, um empresário de lá reconhecido.
- 32:44É mais fácil trazer dinheiro. Porque também a chancela dessa
- 32:49pessoa dizendo não, o movimento bem maior saiu lá de São Paulo,
- 32:52veio aqui, trouxe dinheiro. Então ele baixa o risco do
- 32:55dinheiro que vai colocar lá, porque o meu dinheiro também tá
- 32:57lá. E a gente faz toda a governança
- 33:00e todos os aportes e monitora os resultados.
- 33:04A gente tá fazendo uma primeira no Ceará.
- 33:07Que a gente já está aí crescendo.
- 33:09Então a gente tem parceiros financiadores, a gente tem
- 33:12parceiros estratégicos no campo pra nos mostrar os maiores
- 33:15caminhos e delimitar territórios.
- 33:18A gente vai fazer em 3 territórios.
- 33:20Lá a gente já tem um family Office que está na coalizão e a
- 33:25gente tem 2 empresas chegando, então também viram mult
- 33:28stakeholders de dinheiros, né? São muitos dinheiros misturados.
- 33:33O que a gente acha que pode ser uma experiência muito
- 33:35interessante de aí sim, realmente um policapital.
- 33:40A gente tem 2 organizações que estão vindo só com a expertise
- 33:44técnica, para a gente fazer uma mudança um pouco mais ampliada.
- 33:50A gente tem uma começando aí em BH, que foi até que você foi no
- 33:53evento, né? Ela está tomando forma.
- 33:55Eu vou estar aí em BH a semana que vem e ela está tomando mais
- 34:00forma. E a gente tem um outro formato
- 34:03parecido, mas que também com o recurso territorial na Bahia.
- 34:07Então eu acho que esse é uma forma também de destravar
- 34:10recursos filantrópicos, que não está na mesa, sem precisar
- 34:14convencer ninguém com a mão na massa já dizer, olha, traz aqui,
- 34:17acho que nós estamos fazendo isso aqui do lado da sua casa,
- 34:20do lado da sua empresa, no seu estado, que aí eu acho que.
- 34:24A pessoa a fazer mais. Maravilhoso, até porque é IA ser
- 34:28a minha próxima pergunta para você, mas você já respondeu
- 34:31porque vocês têm atuação nacional.
- 34:34E quando você fala de um problema, ele pode ser
- 34:37solucionado de diversas formas, inclusive por causa da região.
- 34:40Você deve haver muito esse contraste.
- 34:42A gente tem regiões aí que precisam muito mais do que
- 34:44outras e aí ter esses parceiros locais.
- 34:48Também é, é é essencial pra que se encontrem as melhores
- 34:52soluções, não é isso? Eu IA te perguntar dessas
- 34:54parcerias locais, como que elas é?
- 34:57Como é que você selecionam, como é que vocês encontram?
- 35:00É bem por esse caminho, entendendo a realidade de cada
- 35:03território, né? Exatamente.
- 35:05É entendendo a realidade de cada território.
- 35:08É conversando com as lideranças locais.
- 35:11Mais é reconhecidas, né? Com que tem um trabalho
- 35:16reputacional, inclusive no território.
- 35:19De bastante credibilidade e pedindo para elas nos ajudarem
- 35:23nesse reconhecimento local, nesse levantamento de dados e
- 35:28nesse diagnóstico inicial de qual não seria melhor a nossa
- 35:32atuação. Porque Sylvia, por mais recurso
- 35:35que a gente coloque, é, são recursos limitados.
- 35:38A gente tem recursos muito limitados e eles precisam gerar
- 35:42a melhor transformação, mais eficaz e mais eficiente, né?
- 35:48Então, assim, quando você tá. No território e tem soluções
- 35:51locais que estão sendo experimentadas e que precisam só
- 35:54de uma alavanca para potencializar.
- 35:57E aí eu não estou dizendo só em escalar, mas estou dizendo em às
- 36:01vezes replicar modelos, replicar aprendizados em outras
- 36:07organizações pares, que das vezes só com a troca dos
- 36:11aprendizados pode alavancar o seu resultado.
- 36:15Isso é muito precioso para o território.
- 36:18Mas aí. E entra a história da forma que
- 36:21eu te falei, que eu acho que é o grande diferencial do bem maior
- 36:24é entrar com, obviamente, com o que a gente leva de expertise,
- 36:28mas com o respeito da escuta, com o respeito da solução que já
- 36:33funciona lá com a gente, eu sou a gente e que só precisa, às
- 36:38vezes, de alguns ajustes para aquilo poder crescer e
- 36:42desenvolver no território. A ideia, inclusive Silvia, é que
- 36:45a gente vá por um tempo limitado, desde o primeiro dia
- 36:48zero, todo mundo. Não sabe?
- 36:50Nós vamos ficar aqui 2 anos, 3 anos, e aí essa comunidade local
- 36:55siga na sustentabilidade daquele trabalho.
- 36:58Então também é uma forma de compromisso.
- 37:02Com o recurso local, com o poder público local, no caso do Ceará,
- 37:07tem 2 prefeituras interessadas em, por exemplo, nos territórios
- 37:10que a gente for atuar, eventualmente levar recurso
- 37:14público para melhorar iluminação desses bairros, para melhorar a
- 37:19mobilidade do bairro. Porque quando você chega com o
- 37:22recurso privado e fala, olha, eu tô fazendo algo aqui num lugar
- 37:24que você esqueceu, meu amigo, você mexe também ali com o poder
- 37:28público. Essa exatamente essa é a minha
- 37:31próxima pergunta. Que você falou, aí a gente não
- 37:33pode deixar tudo para o poder público, para o governo.
- 37:36Vem aí a eleição. E eu IA te perguntar porque
- 37:38algumas questões vocês batem diretamente com
- 37:43responsabilidades do poder público, né?
- 37:45E a gente tá falando de 1 ano de eleição que, por exemplo, fica
- 37:48tudo meio suspenso. Daqui a pouco tudo pode mudar.
- 37:51Como é que fica essa relação que tá sempre mais instável do que
- 37:55com o segundo setor, por exemplo, do que com as
- 37:57organizações, né? Como é que vocês trabalham isso?
- 38:00Então, na verdade, as organizações como a gente chama
- 38:04de nível nacional, como por exemplo, todos por educação, o
- 38:07pacto contra a fome, organizações que estão olhando
- 38:09para advocacy, mudança de leis, organizações da infraestrutura,
- 38:14do setor, né? Todas elas têm ali 11
- 38:18planejamento para transições de governo, né?
- 38:22Então, para fechar com um e manter os projetos com o próximo
- 38:27nos territórios, nos municípios que eles atuam.
- 38:30Então a gente, por exemplo, no todos para educação
- 38:32especificamente, a gente financiou nas últimas eleições
- 38:36uma coisa que se chamava caravanas é caravanas da
- 38:41educação. Então o todos capacitou em todos
- 38:44os estados brasileiros e Distrito Federal, futuros
- 38:50gestores públicos ou candidatos, é deputado estadual e federal.
- 38:56No que estava sendo feito no Brasil e no que eles estavam a
- 39:00ter atenção. Então foi uma caravana
- 39:01maravilhosa. Quando eles eles se elegeram,
- 39:04eles já sabiam do que que eles ou todos estavam falando.
- 39:07E esse foi uma coisa que a gente financiou, porque a gente
- 39:09entende, por exemplo, que isso é game changer.
- 39:13Mas é muito difícil você botar dinheiro de filantropia nisso,
- 39:15porque você não tem o número do quanto você mudou a fotinha da
- 39:18criança, etc. Do outro lado, a gente tem
- 39:22organizações menores. Que trabalham em territórios
- 39:26aonde tem influência de política pública ou não tem.
- 39:31E aí a gente tem trabalhado muito de perto, alertando,
- 39:34dizendo, olha, tá mudando que que pode mudar no seu trabalho,
- 39:38que que pode impactar no seu trabalho.
- 39:40Qual é a condição que você tem aí?
- 39:43EEA gente tenta ajudar tecnicamente.
- 39:47Como encaminhar? Mas a gente não trabalha em
- 39:51absoluto com nenhum, com nenhum partido, com nenhum governo,
- 39:56diretamente. A gente faz nenhuma parceria,
- 40:00que dinheiro se misturem, tá? Em hipótese alguma.
- 40:03Quer dizer, quando eu falo, por exemplo, agora do Ceará, serão
- 40:06contratos paralelos. Se o município quer ir lá,
- 40:09ajudar aquele território que a gente está maravilhoso.
- 40:12Mas é um acordo de cooperação, não tem recurso, entendeu?
- 40:17Porque eu acho que exatamente a beleza desse lugar, do exercício
- 40:22da cidadania e da compreensão do quanto recurso filantrópico ou
- 40:27de investimento social privado pode fazer a diferença é
- 40:31independente de quem está no poder, se é direita, esquerda,
- 40:35principalmente num país e num mundo polarizado, como a gente
- 40:38tá? Então eu vou sentar com quem
- 40:40estiver lá. Silvia, direita, esquerda, meio
- 40:43branco, preto, asiático, alto, baixo.
- 40:46Porque o meu negócio é o Brasil, o meu negócio não é o partido.
- 40:50Então essa é uma compreensão que a gente tem que ter, até para
- 40:53não entrar em lugares espinhosos que possam travar recurso
- 40:58filantrópico. Maravilhoso e inteligente, né?
- 41:02É estratégico ter esse posicionamento acima de tudo,
- 41:05né? É Oo que é bacana de falar
- 41:09assim, às vezes conversando. Mais abertura, né?
- 41:13É porque às vezes as pessoas olham para o movimento como a
- 41:15gente e fala assim, Ah, pega dinheiro daqui, põe dinheiro
- 41:19aqui em mede, manda o relatório, presta contas.
- 41:24A deloy de audita fecha, faz um relatório de atividades.
- 41:27Quando a gente fala do mundo de conexões e articulações e
- 41:32oportunidades, a gente passa a ter a dimensão do trabalho, né?
- 41:36O que nos dá muito orgulho de poder estar junto com dezenas de
- 41:41outras organizações como a gente, que estão fazendo um
- 41:43trabalho mais sistêmico, de olhar maior, estratégico e tal.
- 41:48Carol, uma vez eu li um depoimento seu falando que o
- 41:51terceiro setor é feito de pequenas vitórias diárias.
- 41:56Definitivamente é isso, né? É um trabalho de formiguinha,
- 41:59como você tem mostrado aqui, e os desafios são imensos.
- 42:04O que que te motiva? O que que não te fez sair dessa
- 42:07área? E quando você bate ali em vários
- 42:10locais. O que eu imagino assim?
- 42:12As entraves que vocês devem encarar.
- 42:14Ou então esses filantropos que não tem essa consciência que dá
- 42:17aquela vontade de sacudir, tem horas, né, que que não te faz
- 42:21existir? Bom, primeiro eu acho que são os
- 42:26meus valores, né? Quer dizer, eu não posso dormir
- 42:29enquanto eu não souber que o meu pedaço.
- 42:32Carola. O que eu estou fazendo, né?
- 42:35Então, essa coisa de realmente entender que cada um tem um
- 42:40papel nesse nessa vida. Não veio mundo a passeio e eu
- 42:45acho que eu vim com uma vocação aí que eu recebi.
- 42:48Eu sou uma mulher religiosa, então eu acho que o Espírito
- 42:51Santo me deu a chance de poder dizer sim.
- 42:55Né? Pra essa vocação.
- 42:56E acho que primeiro, é uma coisa muito pessoal, né?
- 43:00Segundo, eu acho que é uma coisa de quem trabalha no setor e
- 43:04conhece os rincões desse país e tem amigos e conhecidos dos mais
- 43:10diversos lugares desse país, das formas mais diferentes de vida.
- 43:17É. É mordido por uma cobra.
- 43:19Silvia, que fica difícil, você encaixotar em São Paulo, num
- 43:25bairro tal, fazendo um trabalhinho assim.
- 43:28Então eu acho que essa cobra me mordeu e eu fui envenenada Por
- 43:31Ela, né? E terceiro, eu acho que é esse
- 43:35lugar hoje, né? De poder dizer, olha, eu fiz
- 43:39essa opção lá atrás. Que não foi uma opção tão
- 43:43intencional. A liga cruzou a minha vida e
- 43:46entender que eu tenho muito para colaborar, do meu tamanho, na
- 43:50minha pequenez, porque eu tenho muito para aprender.
- 43:55E não me faz largar as pequenas vitórias de todo dia quando eu
- 43:59recebo uma ligação de uma organização social no interior
- 44:03do Pará e que diz, dona Carol, se ela não sabe, sabe aquele
- 44:07pitch que a gente treinou, a gente fez com o prefeito e a
- 44:10gente conseguiu uma verba para reformar a praça aqui e agora as
- 44:14crianças todas que estavam lá naquele manguezar que a senhora
- 44:17viu, nojento, estão na praça brincando no parquinho.
- 44:20Cara, eu fiz meu trabalho esse ano, está tudo certo.
- 44:24Missão cumprida, né? Você vai dizer, Ah, mas uma
- 44:27praça no interior, tal gente, nós estamos falando de gente.
- 44:31Então assim, eu amo gente. Os encontros mudaram o rota da
- 44:35minha vida. Então o que não me faz existir
- 44:38são as pessoas. Com certeza são as pessoas.
- 44:41Maravilhoso. Eu estou muito feliz que vocês
- 44:43estão chegando aqui em Minas, em BH, né?
- 44:46No nosso último encontro, você está falando que está voltando.
- 44:49Então isso me deixa muito feliz. Mas a vontade mesmo é de ver
- 44:52vocês assim por todo o Brasil, como vocês têm feito que cheguem
- 44:57cada vez mais. Que expandam aí cada vez mais
- 45:00esse trabalho, porque vocês movimentam todas as esferas, tá
- 45:03todo mundo junto e é isso que vocês mostram, não são trabalhos
- 45:06isolados, vocês cutucam aí, ó, todos os lados e fazem realmente
- 45:11acontecer, né? Quem quer conhecer, quem quer
- 45:13apoiar, quem quer saber mais do movimento, as organizações,
- 45:17claro, né? Tem todo esse papel aí que você
- 45:20já mostrou, mas as pessoas, assim como eu, quem tá escutando
- 45:22a gente, como que também pode contribuir EE acrescentar aí no
- 45:27trabalho do movimento. Olha, tem lá o site né
- 45:30www.movimentobemmaior.org.br o meu e-mail está à disposição.
- 45:36Eu sou acarola@movimentobemmaior.org.br.
- 45:42Tem lá OE mail da equipe no site que às vezes é mais rápido que o
- 45:46meu, que às vezes eu sou meio lerda para responder.
- 45:48Eu respondo todo mundo, mas eu sou meio lerda e as redes
- 45:51sociais para nos acompanhar, né? Movimento bem maior arroba
- 45:54movimento bem maior no Instagram e no LinkedIn.
- 45:57Eu acho que pra quem tem interesse no assunto, a gente
- 46:00tem uma newsletter no LinkedIn que chama radar MBM, que é muito
- 46:04bacana. A gente conta histórias de
- 46:06sucesso, a gente traz aí entrevistas com as pessoas que
- 46:10estão falando sobre o assunto, desde filantropos até pessoas de
- 46:15fora do Brasil que tem interesse no assunto.
- 46:18Traz um pouco sobre metodologias que a gente tem usado e
- 46:21estudado. Eu aconselho assinar a
- 46:23newsletter ou a do bem maior pelo site ou a do LinkedIn.
- 46:27Que chama radar mbm e queria te agradecer demais, porque eu acho
- 46:31que assim, cada dia mais a gente vê uma sociedade civil no
- 46:35Brasil, pulsante, vibrante. Eu sou uma pessoa otimista no
- 46:39país, com todas as dificuldades que a gente tem, com todos os
- 46:45percalços, com todos os noticiários, que a gente se
- 46:48envergonha. Muitas vezes eu, graças a Deus,
- 46:52trabalho no país que dá certo e trabalho com pessoas que
- 46:55acreditam no país. E tem uma legião de pessoas
- 46:59nesse país trabalhando para esse país dar certo e para a gente
- 47:02poder viver num país com menos desigualdade e com mais justiça
- 47:07social. Então eu tenho assim, às vezes
- 47:09eu sento com meus amigos, eles falam assim, mas que mundo você
- 47:11vive, Hein? Carola?
- 47:12Falo, putz, eu vivo num mundo que dá certo nesse país.
- 47:15Acho que vocês estão no mundo errado, gente, vem para minha
- 47:17turma que o povo aqui tá trabalhando para funcionar,
- 47:20então é nisso que eu me apego e é nas vitórias de todas as
- 47:24organizações sociais desse país. E na generosidade dos
- 47:29filantropos e filantropas desse país, que enxergam o valor
- 47:33nisso. Então o meu mundo dá certo aqui.
- 47:36Maravilhoso, eu escuto muito isso também.
- 47:38Gente, que mundo você vive? Eu falo, eu vivo num mundo
- 47:40rodeado de gente boa. Não à toa o nome que eu dei, né,
- 47:45pro podcast que tá virando a plataforma também é na boa, é
- 47:48isso, é de gente boa que eu tenho por perto de bons
- 47:51exemplos. Eu falo, olha, a metade do meu
- 47:53copo tá sempre cheia, né? Não é que o mundo é fácil, né?
- 47:57Não é que A Vida da Gente seja simples, não é que.
- 48:00Mas o que a gente faz é para melhorar.
- 48:03Então tá tudo certo. É, é te agradeço muitíssimo pelo
- 48:07por essa conversa que a gente tem inspirado mais pessoas a
- 48:10partir para ação também, que conheça um movimento bem maior e
- 48:14vindo aqui em BH dar notícias de novo para a gente comer um pão
- 48:17de queijo. Não prazer e assim, só queria
- 48:21deixar um recado que é assim, gente pequeno ou grande, a gente
- 48:26tem que olhar para o lado, olhar para as pessoas e fazer o que
- 48:28está no nosso alcance. Não pensa, Ah, eles fazem muito
- 48:32grande, não, a gente faz pequenininho, é um Monte de
- 48:34pequenininho que vira grande. Silvia, muito obrigada.
- 48:37Foi um prazer imenso conversar com você, vou precisar de você
- 48:40aí. Com certeza.
- 48:42Conte comigo. Obrigada.
- 48:44Obrigada mais uma vez. E você, gostou desse episódio?
- 48:48Siga o nosso perfil e canal no YouTube e lembre se de
- 48:52classificar o nosso podcast com 5 estrelas e claro, compartilhar
- 48:56com os amigos. E tem mais conteúdos como esse
- 48:58também no meu Instagram você me encontra no arroba Silvia Castro
- 49:02DC, um beijo e até o próximo episódio.