Latest / Elas na Escrita / #24 Literatura Jovem
Transcript
- 0:00Oi gente, bom dia, boa tarde, boa noite. Aqui
- 0:02é Isabela de Andrade, a gente está com mais um
- 0:05episódio delas na escrita aqui para começar. E
- 0:07hoje a gente conhece um episódio bem gostoso que a
- 0:09gente vai falar de literatura jovem. Bom,
- 0:12estou morrendo de vontade de falar um pouquinho desse
- 0:13tema, mas antes de apresentar as nossas super
- 0:15convidadas, eu estou aqui com a Tatiana Lazaroto. Oi
- 0:18gente, bom dia, boa tarde, boa noite. Obrigada
- 0:22por estarem ouvindo o Elas na escrita. E
- 0:25então eu vou apresentar as nossas convidadas, né? A
- 0:29Clara Savele e a Larissa Siriane, a gente estava num
- 0:32papo aqui sobre origens e sobre nomes e sobre
- 0:34cachorros e gatos antes de começar o episódio. Para
- 0:39a gente falar desse tema tão interessante, né, que
- 0:41eu e a Issa a gente comentou quando estava
- 0:43fazendo a programação dos episódios, que nenhuma das
- 0:48duas escreve necessariamente para jovens, mas a gente
- 0:50tem muita vontade de também tentar e acessar esse
- 0:54público. Às vezes aparece assim alguma
- 0:56oportunidade e a gente pensa nisso, então vamos
- 0:58conversar com quem entende, com especialistas desse
- 1:01assunto. E que além de escritores, são
- 1:05migas, não é? Acho que é migas friends. Mais
- 1:07que migas friends, é verdade. Acho
- 1:09que antes que a gente começar um pouquinho,
- 1:11convés, vocês puderem se apresentar um pouquinho
- 1:13brevemente para quem vai acompanhar a gente, Clara e
- 1:15Larissa, conta um pouquinho quem são vocês. Você
- 1:17pode começar com ele. Eu? Bom, é, olá! Eu
- 1:22me chamo Clara Saveli, eu escrevo desde que me lembro
- 1:24por gente, sempre foi o meu que você quer ser
- 1:27quando crescer, e eu sempre fui muito apaixonada por
- 1:30literatura jovem, talvez porque ela tenha sido minha
- 1:33porta de entrada também para o mundo dos livros.
- 1:36Eu sempre li bastante quando
- 1:37era criança, mas foram os livros para adolescentes que
- 1:41fizeram amar, ler e ser uma pessoa assim apaixonada
- 1:45e que quer viver essa experiência da literatura o
- 1:48máximo de tempo possível. Então,
- 1:50é o segmento que eu mais me sinto confortável em
- 1:53escrever também. E hoje, meu livro mais
- 1:57recente, se chama As Férias na Minha Vida, foi
- 1:59publicado pela História Interínseca. E
- 2:01eu tenho uma série de outros livros que foram
- 2:03publicados ou em plataformas digitais gratuitas ou em
- 2:06plataformas pagas como a Amazon. É
- 2:09só atacar meu nome aí, também tem meu site, www
- 2:11.savalipontocon, onde eu tenho todas as informações,
- 2:14se vocês quiserem conhecer um pouco mais das minhas
- 2:16obras. Saveli com dois L's. Saveli
- 2:18com dois L's e no final, muito obrigada. Olá,
- 2:23eu sou Alessi Sireni, eu conheci a Clara quando tudo
- 2:26ainda era mato, quando nós éramos jovens escrevendo
- 2:30para jovens lá nos Dourados anos de 2007. Em
- 2:32seu lugar de fala. Exatamente.
- 2:34Eu não sou minha jovem há muito tempo, mas um dia
- 2:37fui. Eu também escrevo para jovem
- 2:41desde que eu me entendo por gente, em partes por
- 2:44causa disso que a Clara falou de escrever coisas
- 2:47que mudaram a nossa perspectiva sobre leitura,
- 2:50mas também porque para mim a escrita sempre foi uma
- 2:52forma de retratar a minha realidade mesmo quando não
- 2:57era a minha realidade. Então,
- 2:58como eu comecei a escrever e sentir essa aspiração de
- 3:02publicação desde muito cedo, minha primeira referência
- 3:06sempre foi escrever para minha idade, escrever coisas
- 3:10que eu queria ler na época em que eu estava. Então,
- 3:13meu primeiro livro era sobre você sair da escola
- 3:18e não saber o que querer fazer da vida. Todos
- 3:20os meus. Todos os meus. Clasco.
- 3:24Depois, enfim, comecei a explorar muito o lugar de
- 3:28ser uma adolescente gorda e como isso transforma a
- 3:32nossa vida adulta. E o meu livro mais recente,
- 3:35que é O Parana com Amor, já se passa com um jovem
- 3:37mais adulto, que é uma personagem que está na
- 3:39faculdade, e fala sobre transtornos alimentares,
- 3:42enfim, esse papel da auto -imagem na nossa formação
- 3:47enquanto pessoas. E ele tem a editora? É
- 3:50da Out, da Global Out. E eu queria justamente
- 3:53perguntar para vocês isso, né, da editora, assim, a
- 3:57gente vê vocês duas com editoras grandes, né, e
- 4:01acessando esse outro lugar de escritora publicada, mas
- 4:04vocês começaram no Independente, se eu não me
- 4:06engano no Orkut. É. E eu queria que vocês
- 4:09contassem um pouco para a gente sobre essa vivência,
- 4:14né, de começar numa rede social, de começar a criar
- 4:16um público leitor, né, numa rede, e como que isso,
- 4:20como foi esse caminho, né, até chegar aí numa editora
- 4:23publicada? Acho que o que é legal é
- 4:25tentar... Muitas vagas, né? E
- 4:28a que pensamos vocês em literatura jovem, esse era
- 4:30um começo que realmente acontecia, né, às vezes
- 4:33começar a ser de no Orkut, no Antipédio, no Blog,
- 4:36nesse espaço diferente. É que assiste mais, mas na
- 4:39verdade é o doce. Eu acho que é claro que a
- 4:41gente vai começar, porque eu só comecei a postar no
- 4:42Orkut por causa dela. Ah, é? Eu
- 4:44era leitora da Clara antes da gente ser amiga.
- 4:46Influencer. Marcas, né? É,
- 4:50eu comecei de uma forma até despretenciosa. Eu
- 4:55estava procurando o Orkut, na verdade, falecido Orkut
- 4:58para quem é zênio. É uma rede social que
- 5:01antecedeu o Facebook, que ela funcionava um pouco em
- 5:04esquema de fórum, sabe? Tinha
- 5:06umas comunidades que falavam sobre o tema lá que você
- 5:09gostava e as pessoas que faziam tópicos em fórum
- 5:12para comentar. Saudades comunidades. Ah,
- 5:14você só faz o QT. Eu acho que não teve nenhum
- 5:16formato tão bom, assim, sabe? Não.
- 5:19Tão pobre, mas era tão bom. Ah,
- 5:20é ótimo. E aí eu estava naquela época,
- 5:24há 10, 15 anos atrás, não se publicava tanto livro
- 5:28tão rápido quanto se publica hoje. Primeiro
- 5:31que a gente não tinha livro nacional, quase nenhum
- 5:33vendendo. E segundo que as traduções
- 5:36demoravam muito para chegar. Raramente
- 5:38tinha uma tradução simultânea ou uma tradução
- 5:40que era rápida. Então, eu ia na livraria, falava
- 5:45que eu já li todos esses livros, não porque eu era
- 5:47super rica e podia comprar todos eles, mas porque eram
- 5:49quatro, cinco disponíveis. E aí eu queria conhecer novas
- 5:54histórias do gênero que eu gostava, que era o Romance
- 5:57do Adolescente, procurei uma comunidade chamada Romance
- 5:59do Adolescente no Orkut. Achei
- 6:01entrei várias dicas de livros, comprei alguns
- 6:04pedidos e batendo a lista de aniversário. E
- 6:06aí eu percebi que as pessoas estavam postando
- 6:08histórias próprias, criavam um tópico com a história
- 6:11delas e começavam a escrever. Eu
- 6:14comecei a ler algumas e aquilo me deu uma luz. Eu
- 6:17falei, gente, será que eu posso escrever uma história
- 6:19também para estar aqui? Eu sempre gostei de escrever e
- 6:21tal. E eu tinha muita vergonha
- 6:23ainda, tenho um pouco de mostrar para amigos,
- 6:25familiares o que eu estou escrevendo, porque eu achava
- 6:27que eles não iam me dar um feedback fígico digno,
- 6:30sabe? Eu ia falar, ai, tá lindo. É,
- 6:32que é lindo. Exato. E eu não queria mostrar
- 6:35para meus pais as dilemas de adolescente que eu
- 6:37vivia, sabe? E as minhas amigas ficavam
- 6:39com vergonha, porque é uma coisa que era meio
- 6:41esquisita no núcleo de colégio. Você
- 6:45é a menina que lê muito, já era esquisita, é a
- 6:47menina que lê muito e escreve. Não
- 6:49era um pouco demais para mim. E
- 6:52aí eu falei, acho que vou fazer um teste. E
- 6:55aí, enfim, diminuindo a história longa, essa
- 7:00comunidade virou uma nova comunidade chamada Nossa,
- 7:03Showman dos Adolescentes, onde era só para a
- 7:05publicação de livros próprios dos frequentadores.
- 7:10E aí eu comecei a publicar
- 7:11uma história lá, depois quando a história ia
- 7:13crescendo, tinha publico leitor lá e era um livro,
- 7:16normalmente a gente abria uma comunidade paralela só
- 7:20para aquela história. Eu abri uma comunidade paralela
- 7:23e aí eu tenho uma estratégia na minha vida
- 7:25que é quando eu faço alguma coisa muito
- 7:27importante na minha concepção, eu faço e vou
- 7:29dormir. Eu faço lar do lar e falo,
- 7:33bom, amanhã, eu olhei do teu e comecei. Eu
- 7:36queria comunidade, fiz uma capa lá no pente, comeu o
- 7:38sapato do meu pai, que era moqueacins e o ositados na
- 7:41nome da história, peguei o sapato do trabalho do meu
- 7:43pai, fiz uma foto dele do lado do meu altar, fiz o
- 7:46recorte de uma capa verde, negócio super rudimentar,
- 7:50botei lá. Botei primeiro capítulo sinopso e
- 7:53fui dormir. E falei, bom, se aparecer uma
- 7:55pessoa já é uma pessoa a mais do que eu tenho hoje.
- 7:58Foi dormir toda ansiosa,
- 8:00acordei. No dia seguinte tinha algumas
- 8:02pessoas assim, mais 20 pessoas. Eu
- 8:04falei, meu Deus! Sério, é sardão, rite! Fude!
- 8:09Viralizei! Viralizei! E aí, desde então a
- 8:13comunidade foi crescendo, foi publicando, histórias,
- 8:16pouquinho, e no final, ela tinha muitos pessoas na
- 8:20comunidade. Quando eu entrei, já tinha mais
- 8:21de 300 pessoas. Não me engano, foi uma... Era
- 8:24uma das maiores, assim. Mas aí você publicava um
- 8:27capítulo por semana? Não, a gente tinha frequência,
- 8:30era quando Deus queria. Ah, um capítulo quando Deus
- 8:31queria. Mas foi tão bom, porque a
- 8:35gente... Era todo mundo jovem, né? Todo
- 8:37mundo ali na mesma faixa, vivendo as mesmas coisas,
- 8:39então a gente foi criando um vínculo de amizade
- 8:42mesmo, meu com os leitores, aí Larissa tá aí de praba
- 8:46também. Põe, a gente comentava no
- 8:48tópico, sabe? Discutia o livro, depois falava da
- 8:51vida, aí eu chegava do colégio, abria pra ver o
- 8:54que tinha acontecido, o que as pessoas estavam falando,
- 8:57virava madrugada lá, sabe? Gente,
- 8:59que demais isso, né? E aí conheço várias dessas
- 9:01pessoas na minha vida até hoje, sem virar realmente
- 9:04minhas amigas, a gente fez meet and greet, né? Ah,
- 9:07eu tô indo pra pro Rio, tô indo pra lá hoje. A
- 9:09gente faz isso até hoje? A gente faz isso até hoje. E
- 9:11nenhuma delas é um homem de 50 anos, que a minha
- 9:14mãe sabe que elas eram. A gente foi encontrar mim,
- 9:16mano. Ah, que graceloso. Ela
- 9:18me mandou mensagem, eu vou com os kids. A
- 9:20gente se viu de uma vez, o ano de Bienal do Rio.
- 9:22Da Maggie, dos Bienal. Meu
- 9:23Deus. Larissa, tá, Caminho da Bienal, a
- 9:26gente tá gravando esse programa em abril, Caminho
- 9:29da Bienal do Bahia. Sabe o que eu achei curioso
- 9:31você falando? Que antigamente, né, lá no
- 9:34início do século 20, sei lá, os romances brasileiros
- 9:37eram publicados em folhetinhos. Então
- 9:40cada capítulo era publicado, sei lá, uma vez por
- 9:43semana, não lembro. Não tinha esse contato de um
- 9:46público, mas a ideia de vocês conhecendo a história
- 9:49aos poucos era... Mas foi uma novela, gente. Uma
- 9:52novela, exatamente. É, um pouco isso, exato.
- 9:53Então, assim, mudam as mídias,
- 9:55mudam os gêneros, mas essa ideia, né, é muito adaptada
- 10:00de outros tempos, né, de outras histórias, assim,
- 10:03isso que eu acho muito legal, né, ensa, dentro da
- 10:06literatura jovem. E você, eu... Nessa
- 10:08época, você começou a ler a cara. É
- 10:10engraçado porque, assim, eu já, ao contrário da cara,
- 10:14o Orkut não foi, em teoria, a minha primeira
- 10:17experiência de publicação da internet. Antes,
- 10:19eu descobri a nossa Romba dos Adorecentes, eu fazia
- 10:22parte do Fórum de Leitura da Galera Record. Eu
- 10:26também tava lá, parei. Como funciona um fórum de
- 10:28leitura? Ele era um fórum normal, e se
- 10:32você participasse digital era, né, ele tinha um site
- 10:35da Galera Record, um fórum que a gente chamava de
- 10:37Fórum GR. E aí tinha os tópicos por
- 10:40livro, por autor, por enfim, era uma zona, e aí
- 10:42tinha um top com onde você podia falar das suas
- 10:45próprias escritas. Esse tópico não apareceu pra
- 10:48mim. Só ia lá consumir conteúdo. É,
- 10:51e tipo, assim, você não... A
- 10:53gente não podia postar as coisas, mas a gente podia
- 10:55falar, e nessas... Foi na época que eu tava
- 10:57escrevendo tudo a Galera da Quera. 2000... 100. Mas
- 11:01eu não preciso falar sobre o dedato. Tempo.
- 11:04Quando eu to nei quase 20. É
- 11:07muito estranho quando a gente vê, né, esse talto
- 11:09de tempo. Exatamente. E aí nessas... Eu
- 11:14conheci... Eu não vou lembrar exatamente
- 11:15quem que foi, mas eu conheci alguém lá que me
- 11:17falou dessa comunidade da nossa romance adolescente.
- 11:20Às vezes foi eu, na era eu
- 11:21não. E aí eu fui atrás porque eu
- 11:24fiquei tipo, como assim, existem outras pessoas que
- 11:26escrevem. E aí eu cheguei na NRA, já
- 11:30era uma comunidade assim, onde as pessoas tinham
- 11:33laços de amizade, assim, onde as pessoas já se
- 11:35conheciam e eu cheguei, mano. Vou
- 11:37postar as coisas aqui, ninguém me conhece, vai ser
- 11:39um pouco estranho, né. Então
- 11:40a primeira coisa que eu fiz foi começar a ler
- 11:42coisas usosas, porque eu falei, eu não tenho moral
- 11:43nenhuma pra chegar aqui postando minhas histórias
- 11:45sem conhecer as coisas que estão aqui exatamente. A
- 11:48mente do Mario. Sentir a vibe, né. Exatamente,
- 11:50sentir a vibe. E uma das primeiras histórias
- 11:53que eu li foi a da Clara, e eu fiquei... Foi
- 11:55muito engraçada porque eu lembrei de entrar na
- 11:56comunidade pensando, ah, vamos ver o que essa
- 11:58menina aqui escreveu. E parar tipo, três dias
- 12:02depois, completamente obcecada. Estar
- 12:05esperando não. E a história tava na metade,
- 12:07assim. Com sorte. Falar,
- 12:08tava muito. E aí eu lembro que acabou e
- 12:11eu fiquei... Como assim, ela tá postando em
- 12:14andamento? Eu vou ter que esperar. E
- 12:17aí foi muito louco, porque eu comecei a postar minhas
- 12:20coisas lá e eu tinha muita coisa que já tava escrita,
- 12:23porque eu já escrevi desde muito antes, então fui
- 12:26começando a jogar as coisas lá aismo. E
- 12:29aí com o movimento da comunidade, as pessoas que
- 12:33eu fui conhecendo lá dentro, que eu fui
- 12:34começando a entender esse esquema de folhetim, que
- 12:36não é uma coisa que eu sou muito boa porque eu
- 12:38odeio fazer coisa picotada. E
- 12:40eu tipo, por mais que eu adoro ter leitores, eu
- 12:44odeio atender expectativas. Então,
- 12:46isso é... Até hoje eu publico coisa na
- 12:48Notepad e assim, tem história minha na Notepad
- 12:51que começou em 2019 e tá lá ainda. Em
- 12:53aberto, só Jesus sabe quando que eu vou terminar.
- 12:56Você se compra metela, é uma
- 12:58coisa minha em andamento, é você se compra metê. É
- 13:01exatamente. Mas antes da pandemia, amiga.
- 13:04Tá tentando passar um pano pra
- 13:05você aqui. Então não adianta. O
- 13:07Diara, o primeiro livro que eu comecei a postar, não,
- 13:09o Watchpad. Comecei a postar e ele tava na
- 13:11metade. Eu lembrei oito anos pra
- 13:12terminar. Caramba. Então quem chegou no final
- 13:15assim, tipo, bicha? Não. Mas você compra em uma
- 13:19vida. No resumo, é não leiam Larissa
- 13:21Seriane no Watchpad em andamento. Exato.
- 13:24Seu riso tá em aberto. Você
- 13:25não tá em gosto de ficar sofrando. Exato.
- 13:27Você gostar de sofrer beleza. Mas
- 13:29é porque existem tempos e processos de diferentes pra
- 13:32livros. E assim, quando eu cheguei no
- 13:34Watchpad, eu cheguei depois de adulta numa época da
- 13:37minha vida em que eu já não escrevia com a mesma
- 13:38velocidade. Na época do adulto eu tinha
- 13:40três, quatro livros em andamento ao mesmo tempo.
- 13:43Caramba. E eu escrevia todas as
- 13:44vezes. Não tinha celular. Era
- 13:46outra realidade. A gente desligava a internet.
- 13:49Olha que delícia. Saia.
- 13:50Saia. Não era nem um saia da
- 13:51internet. Era um lugar que você saia. Eu
- 13:53não trafa. Tatiana parece estar com o fly.
- 13:55Ela não consumia você do jeito
- 13:57que ela consumia hoje. A verdade é ele. Então
- 13:58ela é tipo, sei lá, não é MSN. Eu
- 14:01não tô assim, grudada na MSN como eu fico dependente
- 14:04do celular ali com o WhatsApp. Então
- 14:06era outra relação. E só que aí pra mim, assim,
- 14:11como eu já escrevia de muito antes e aquilo foi
- 14:15alimentando monstros, assim, eu entrei na comunidade,
- 14:19acho que em 2006, 2007, finalzinho de 2006, em 2009
- 14:25eu tava tipo, isso pra mim já não é mais suficiente.
- 14:27Eu quero publicar alguma coisa
- 14:29e eu quero ter um livro em pra... Eu
- 14:30quero, tipo, sair dessa bolha que eu criei aqui
- 14:33dentro. E aí eu fui atrás de
- 14:36publicação independente, enfim, e fui metendo as
- 14:38caras tentando transformar aquele hobby online em uma
- 14:45coisa que fosse palpável que pudesse dizer, não, eu
- 14:48sou uma escritora mesmo, olha aqui meu livro. E
- 14:50como que foi essa transição? Eu
- 14:52acho que inclusive é que muita gente até hoje tem
- 14:54essa dúvida, né, Doa? Eu tô nessa fase, tô
- 14:56escrevendo, escrevi pro blog, tenho um livro em
- 14:58casa, como foi pra vocês? Saírem
- 15:00dessa digital, né? Vocês tinham um espaço legal de
- 15:03diálogo leitor, mas pra ter o livro impresso ali na
- 15:05mão. Lá de uma gente que sofre
- 15:07mesmo. Lá de uma gente que sofre
- 15:09mesmo. Eu acho que na verdade, assim,
- 15:11é uma realidade que hoje já não é a mesma. Verdades
- 15:14do total. Porque quando a gente começou a
- 15:17publicar, a Clara ainda chegou, começou, publicou o
- 15:19primeiro livro físico dela um pouquinho depois, acho
- 15:21que foi em 2014, né? Já tava nisso há, tipo, cinco
- 15:25anos. É, mas foi porque a minha
- 15:27editora... É, deu merda. Ela
- 15:29é pretencida em 2010, mas vamos dizer tudo bem. Mas
- 15:33na época quando a gente começou a publicar, você
- 15:35não tinha opção, porque não existia Amazon, você não
- 15:38tinha a opção de publicar ebook, você não tinha a
- 15:41opção de publicar sob demanda de você... Eu
- 15:45comecei pelo Clube de Autores, né? Eu
- 15:46não sei se hoje em dia ainda é relevante, mas na
- 15:48época foi muito revolucionário, assim, porque
- 15:50você podia publicar qualquer coisa e você não precisava
- 15:53ter uma edição física, tipo, comprar uma tiragem,
- 15:57por exemplo. Você deixava lá e a pessoa
- 15:58comprava e chegava pra alguém. Só
- 16:01que você tinha uma tremenda dificuldade que é como que
- 16:03eu divulgo uma coisa sem ter a coisa? As
- 16:06pessoas não compravam, sem ver. Era
- 16:08uma grande pré -venda. Era uma grande pré -venda que
- 16:10ninguém comprava, porque você não tava no livro, a
- 16:12gente não tinha o hábito de comprar coisa pela
- 16:14internet como a gente tem hoje. Então
- 16:17eu fui, assim, guardava os dinheiros de mesada e aí
- 16:22investi em livros, aí pegava os dinheiros desses
- 16:23livros e investi em mais livros, então assim, eu
- 16:25tava constantemente recebendo o livro em casa e tentando
- 16:28levar para os lugares, assim. Para
- 16:30você mesmo vender. Para eu mesmo vender. Aí
- 16:32tem uma adenda importante que é... Não
- 16:34existia? Publicar por uma editora. Não!
- 16:37Não tinha como, porque a gente era tipo assim, você
- 16:38mandava... Lembra da Intrínseca? Porque
- 16:40a Intrínseca foi uma das minhas primeiras referências
- 16:42assim de publicação, porque eu já conhecia a recorde
- 16:47meio que por dentro e eu sabia que o esquema com
- 16:49eles era tipo se você mandar uma coisa pra eles,
- 16:50eles não vão obrir. E eu falei, bom, outras
- 16:53editoras talvez abram. Comecei
- 16:55a mandar mensagem, tipo mandar e -mail, eu ligar.
- 16:59Eu lembro que eu liguei pra
- 17:00Intrínseca na época, tinha acabado de publicar o...
- 17:03Crepusco. Crepusco. E
- 17:05eu liguei pra Intrínseca, tipo, vocês sabem original,
- 17:07eu ouvi a respirada funda assim, entendeu? A
- 17:11gente não trabalha com livros nacionais. Nós
- 17:14não publicamos livros nacionais. Eu
- 17:15ouvi isso incontáveis vezes. Então,
- 17:17tipo, a realidade que tem hoje é muito diferente. É
- 17:21muito diferente. Mas aí a primeira publicação de
- 17:23vocês, então, não foi por editora ou foi por uma
- 17:26editora? Ela me foi. É!
- 17:28Me conta essa selada. Como que é isso? Essa
- 17:31selada, bino. Vocês não estão falando sobre
- 17:33editoras que falam que são editoras, mas na verdade
- 17:35são gráficas. São gráficas. É
- 17:37verdade. Hoje ainda tem. Ainda
- 17:39tem. Ainda tem. Ainda
- 17:40tem. E ainda tem muita gente que
- 17:41compra a sua ideia. Que caro isso também. Se
- 17:43você pagou, não é uma editora, gente. É
- 17:45isso. Mas a minha foi mais carada,
- 17:47tadinha. Eu acho que nem foi de uma...
- 17:49Se eu sou uma pessoa de
- 17:50coração muito boa. Eu acho que era uma editora
- 17:54universitária, né? E a gente assinou o contrato
- 17:57do início de 2010 para lançar o livro logo. Tá,
- 18:00mas só você fala um parênteses. A
- 18:02gente tá falando de 2010, você tava há um ano
- 18:04trabalhando no Orkut. Não. Não faz mais tempo, ela
- 18:07entrou no deles. Seis anos foi, se seis anos.
- 18:09Ah, tá. Você
- 18:10ficou cinco anos depois desse contrato, entende?
- 18:12Isso. Quando o livro, de fato,
- 18:15foi publicado em 2014, eu já não assistia mais o
- 18:17Orkut. É verdade. Eu
- 18:19nem consegui avisar as pessoas que estavam lá,
- 18:22certas que ficaram no meu número de E que teriam
- 18:24sido publicamos. Mas foi publicando. Então
- 18:26foi muito frustrante assim, mas teve esse problema e a
- 18:30Bolívia ser publicada de forma gratuita. Só
- 18:32que aí teve questões que eu nem sei dizer muito bem
- 18:34o que aconteceu, que não iam mais conseguir fazer
- 18:37distribuição nas livrarias e que a solução seria eu
- 18:42comprar toda a tiragem. Eu não tinha dinheiro, eu
- 18:46tinha 18 anos. A robagem estava indo para a
- 18:49faculdade, era ali no período. Aí...
- 18:54Ah não, isso já foi depois. Eu
- 18:55assinei o contrato quando eu estava entrando na
- 18:56faculdade, eu estava no meio da faculdade, ou seja,
- 18:58estava estagiando, ganhando merreca. Eu
- 19:01falei, eu não tenho que compagar. E
- 19:02era tipo o preço de capa altíssimo, sabe? E...
- 19:05E de quanto que era a tiragem? Três
- 19:07anos exemplares. Que é uma imensidão. Ah,
- 19:10não tem que ter já isso, pela mão de Deus. E
- 19:12aí eu pedi vaquinha na família para juntar o
- 19:15dinheiro para comprar, porque era uma coisa de
- 19:16tipo, cinco mil reais, sabe? É,
- 19:19cinco mil reais, em dois mil, em favor. É,
- 19:20cinco mil reais, mas era muito dinheiro. Muito
- 19:23dinheiro, gente. Era um carro. É,
- 19:26muito caro. E aí eu pedi vaquinha na
- 19:28família inteira, pedi soco, o Deus. E
- 19:30aí, beleza, chegaram as caixas na casa e tipo...
- 19:33Gente, é muita caixa, é um volume
- 19:35absurdo de caixa. E o livro, tipo, pesando um
- 19:37quilo, era um calha -masso. Um
- 19:39de sábado e sábado e sábado e sábado e sábado.
- 19:41A minha mãe olhando as
- 19:42caixas, olhando a minha mãe, olhando a minha mãe
- 19:44pensando no dinheiro que eu dei e virou isso aí. O
- 19:47que a gente vai fazer com isso aí? Eu
- 19:48não podia nem vender para a família, com a família
- 19:50já tinha dinheiro. Já tinha dinheiro. E
- 19:51a sábado devolveu o dinheiro deles em algum
- 19:53momento. E aí a gente estava tendo
- 19:55uma vibe parecida que era, vamos botar o livro embaixo
- 19:58do braço e ir para o lugar. Tentar
- 20:00achar alguém que está interessado em ouvir a
- 20:02palavra do meu livro. O Marcelino Freire, que é um
- 20:05escritor que não é da literatura jovem, mas ele
- 20:07fala uma frase que eu acho maravilhosa. O
- 20:10melhor distribuidor de um livro é o Suvaco. Você
- 20:13coloca embaixo do braço e vai em baixo. Eu
- 20:15lembro que a primeira bienal que eu fui como
- 20:18autora, que foi a primeira bienal que eu fui em, sei
- 20:20lá, 10 anos, foi em 2010. Eu
- 20:24tinha publicado meu primeiro... Eu
- 20:25estava no meu segundo livro independente porque eu era
- 20:27maluca. Eu pensei, um livro não é o
- 20:29suficiente. Eu tinha publicado o primeiro,
- 20:31que era um livro 100 % jovem, romancinho e tal. E
- 20:34aí o segundo foi uma fantasia, que estava em
- 20:37alta na época. Era uma fantasia de vampiro. E
- 20:42eu lembro que foi a benal que eu conheci, a alba que
- 20:45hoje em dia é minha agente. E
- 20:47eu peguei minha mochila, enfiei. Quanto
- 20:50os exemplos cobercem dentro, eu fui assaltada naquela
- 20:54benal, perdi meu celular. Meu
- 20:55Deus, eu estava com os livros. Mas
- 20:58eu voltei com menos livros para casa. Eu
- 21:00tinha ferido a mochila dos livros na casa. O
- 21:03cara pegou na minha... foi literalmente pickpocket. Ele
- 21:05pegou de dentro do meu bolso. Ah,
- 21:06porque o clássico é bem a não. E
- 21:08aí eu andava com um monte nas costas, no lombão ali.
- 21:14E um exemplo em cada suvaco.
- 21:16E aí eu vi uma pessoa que
- 21:18estava olhando alguma coisa, tinha potencial... Talvez
- 21:23essa pessoa goste do meu livro. Eu
- 21:24ia até pessoa, eu tocava. Eu
- 21:27escrevi, eu posso te apresentar o meu livro. E
- 21:30assim... É o clássico que você gosta
- 21:31de poesia. Exatamente, exatamente. Porque
- 21:34eu falei, cara, se eu não fizer isso, ninguém vai
- 21:36fazer isso para mim. E aquela tiragem... Exatamente,
- 21:41e assim, eu pegava... na época, imagina, não tinha
- 21:44condição de pegar... Tiragem grande que fazia o livro
- 21:48ficar barato. Então eu pegava a tiragem de
- 21:50tipo, 10 em 10. E se o livro tinha custado
- 21:53para mim, sei lá, 30 reais para eu fazer 10, eu
- 21:57vendia ele a 20. Porque eu não tinha... como
- 21:59é que eu vou vender 30 reais para um aluno de
- 22:01escola pública na minha frente? Não,
- 22:02mas é só que nunca ouvi falar em mim, sabe quem eu
- 22:04sou. Não sabe se o livro é bom,
- 22:06sabe? Você pagava para isso. Exato.
- 22:08E muito. E se pagasse, era muito. E
- 22:11assim, muito suor lágrimas, mas é doido pensar em como
- 22:17isso foi escalonando. Porque assim, a Bienal de 2010 eu
- 22:21fui de baixo do lombo ali, indo de pessoa em pessoa.
- 22:252011 eu consegui participar de um rateio de autores
- 22:28para um estande. E aí eu fiquei na Bienal do
- 22:32Rio, vendendo o livro lá dentro de um estande. Já
- 22:36deu? Já foi? Exatamente.
- 22:37Aí de 2012 eu não tinha conseguido, eu fui com os
- 22:40livros de baixo do lombo, fui até o dono de um
- 22:43estande. Alerto, era no primeiro dia de
- 22:44Bienal, eu falei, oi, eu posso vender meus livros
- 22:45daqui? E deu certo. E
- 22:47deu certo. E foi tipo, foi indo na
- 22:49Essas, assim. E entre eu publicar o meu
- 22:51primeiro livro e eu assinar meu primeiro contrato, foram
- 22:55seis anos. Então foram seis anos assim, com
- 22:58um livro independente de baixo do braço e tipo,
- 23:00batendo as pessoas, tipo, oi, calma, casou, eu posso
- 23:03apresentar meu livro? Não batendo as pessoas, gente,
- 23:05batendo as pessoas com o livro. Às
- 23:07vezes da vontade. Às vezes da vontade. Quantos
- 23:09não que a gente escuta assim, né? Porque
- 23:10a humilhação de você vender coisa, a humilhação de você
- 23:14vender livro. Não, não, é o... É
- 23:16que você gera demanda, né? Sim.
- 23:19Oi, bem. Mas eu queria fazer uma relação
- 23:21assim, que eu acho que, escrevendo a internet, vocês
- 23:23estavam contando, pra mim, traçando um paralelo com a
- 23:27música, é quase fazer um ensaio aberto, né? Você
- 23:30tá ali, não tem edição, você apresenta os seus
- 23:33textos e as pessoas vão acompanhando e você vai
- 23:36entendendo como funciona no andar do processo. Aí
- 23:40tem uma publicação independente, que eu acho
- 23:42que é como assistir um show, né? Teve
- 23:43um ensaio, acho que a publicação independente teve
- 23:45um trabalho. Era pra ter, pelo amor de
- 23:47Deus. É, eu quero ter. Eu
- 23:48sempre... Eu sinto que as minhas
- 23:49publicações independentes, elas foram 100 % sem
- 23:51ensaio, foi assim, dê de gritaria. Mas
- 23:54também... Mas é diferente dessa publicação
- 23:57em andamento, porque você é uma coisa mais una, né?
- 23:59Sim, mas... Tá
- 24:00pelo menos fechada. Completa.
- 24:02Mas eu acho que, a editora, a gente vai pra
- 24:04um lugar que é, sei lá, assistir um DVD, né? Porque
- 24:07aí é outro, rolê. Ninguém se ramacha que é DVD não.
- 24:10É, é. Apoio,
- 24:11gente. A culpa jovem, estranha da
- 24:13ideia. É, você assistiu um show com
- 24:14o Valix. É, eu sou da Taylor na Disney
- 24:17Plus. Mas eu acho que o streaming é
- 24:19uma relação melhor. Porque tem ali um processo de
- 24:21edição e... Não só edição, eu tô focando
- 24:24na edição, mas é um trabalho por trás, né? Uma
- 24:27divulgação e tal. Mas eu acho que mesmo distando
- 24:32numa editora, você ainda carrega muito desse
- 24:34independente que você tá contando, né? Tá,
- 24:36é certo. E eu queria entender com
- 24:38vocês, Clara, né? Talvez você puder começar. O
- 24:41que você acha que ainda continua desse processo, né?
- 24:46De ser independente. Que
- 24:47eu acho que é muito a ver com o nosso público, né?
- 24:49Isso aqui, escuta aqui. Que
- 24:51às vezes tá numa editora, mas ainda tá com o livro
- 24:53embaixo do braço. A gente tá aqui com baixo
- 24:55para isso daí. Vai ficar o resto da vida. Vai
- 24:57ficar aí o nosso distribuidor, é o nosso
- 24:59vácuo mesmo. E a gente aceita, né? É,
- 25:03assim, no início, eu tinha muita dificuldade de
- 25:06entender até onde eu podia ir, até onde era a
- 25:09editora. Eu sabia, sabe? Eu
- 25:10não quero ultrapassar essa barreira. E
- 25:13é um pouco de conversa e ver. Mas
- 25:17uma vez me falaram, uma pessoa lá da editora,
- 25:19inclusive, que o livro tem uma vida de três meses de
- 25:23outra editora. Ele tem um pouquinho do mês
- 25:25anterior, quando ele vai lançar. Ele
- 25:26tem um mês de lançamento dele e ele tem um
- 25:28pouquinho do mês seguinte. Depois
- 25:30disso, meu querido, já tem outros lançamentos, já tem
- 25:32outras coisas acontecendo. Isso
- 25:34é uma editora grande, né? Isso.
- 25:35Vai entrar quando der, quando tiver alguma coisa
- 25:39temática, um aniversário da autora, alguma coisa assim,
- 25:42eles fazem uma divulgação. De
- 25:44resto, tem outras demandas que vão ultrapelando, sabe?
- 25:46E é normal, tem muita coisa
- 25:48sendo publicada, graças a Deus, inclusive. Então,
- 25:51o livro, ele vai viver enquanto o autor quiser que
- 25:55ele viva. E a gente também tem que ter
- 25:57uma outra percepção menos romantica da literatura, que
- 26:03é o produto é você, não é exatamente o livro, o
- 26:09produto é o escritor, porque você vai apresentar
- 26:11aquele livro para um possível leitor, ele vai
- 26:13gostar daquele livro, ele vai gostar de você. E
- 26:16você quer que ele goste de você. Se
- 26:18ele não gostar de você, ele não vai comprar o
- 26:19livro, inclusive. O próximo livro, ele não vai
- 26:21comprar mais, ele não vai te acompanhar nas redes
- 26:23sociais, ele não vai te dar engajamento, ele não
- 26:25vai te... Não vai te assistir na Bienal?
- 26:27Não vai te assistir na Bienal,
- 26:28não vai se fidelizar como seu leitor, sabe? Então,
- 26:33a gente precisa parar com essa... Ah,
- 26:35eu vou publicar o livro, agora ele está nas
- 26:37livrarias, ele vai se vender sozinho, querido, ele
- 26:39não vai se vender sozinho, sabe? Isso,
- 26:41acho que... A gente pode ir a reportagem
- 26:43e muda um pouco, quando a gente pensa em... Ah,
- 26:46quando o autor já é muito consagrado, os grandes
- 26:48autores que é beleza. E ainda assim é um produto
- 26:51que você pensa em nome, você pensa, ah, é, aquele
- 26:53autor, aquele autor. Então, faz sentido isso, e acho
- 26:56que quando a gente fala, a gente não está desmerecendo
- 26:58o livro, como você falou. Está
- 27:00atrelando ele, esse autor que vai conseguir caminhar
- 27:03junto com o livro, né? Ah, está todo o livro, mas
- 27:03existe assim um autor, né? Mas
- 27:05eu acho que a gente podia recortar, só de não... A
- 27:08gente podia recortar essa tua fala e usar para todo,
- 27:12todo tipo de literatura. Ah,
- 27:14sim. Porque a gente tem até um
- 27:15episódio que chama, ah, e quero ser uma escritora
- 27:18blazei, posso? Não, não pode. Pode
- 27:20ser, não vai vender livro nenhum. Eu
- 27:23não vai vender livro nenhum. Eu
- 27:24vou mesmo, a gente deu um... Foi
- 27:24essa a conclusão que a gente deu, né? O
- 27:26workshop faz umas duas semanas, né? Foi
- 27:30uma publicação independente e tal. E
- 27:32aí, eu lembro que teve um menino comentar, ah, eu
- 27:34queria ser uma escritora isolada no alto da
- 27:36montanha. Eu falei, olha, você pode, só
- 27:37que tem que entender o mundo que você quer chegar.
- 27:40O seu objetivo é carreira, o
- 27:43seu objetivo é vender livro, o seu objetivo é
- 27:46essa situação pessoal de ter publicado um livro. É
- 27:48isso. E tipo, eu não acho... E
- 27:50tudo bem se... Sim, eu não acho que sem nenhum
- 27:52desmerecimento em você ser a pessoa que publicou um
- 27:54livro pela satisfação pessoal, e talvez você
- 27:57publique outros livros de forma independente pela
- 27:59satisfação pessoal. Inclusive,
- 28:00eu gostaria, não sei se é isso, essa pessoa. Eu
- 28:02odeio fazer carreira, porque, enfim, o capitalismo
- 28:04não me deixa em paz, momento nenhum do dia.
- 28:08Mas... E faz a... É
- 28:09uma realidade, né? E faz, às vezes, é muito
- 28:12difícil isso pra gente, que é a magia do escrever.
- 28:16Escrever é mágico, né? É
- 28:18uma coisa que, assim, qualquer um que escreve
- 28:19fala, você vê no fundo dos olhos, que é uma coisa que
- 28:21apaixona, que é... Mais do que uma escolha, é uma
- 28:25necessidade, é uma coisa, tipo, respirar mesmo. E
- 28:29aí, quando você atrela isso, você precisava em
- 28:31delivros, ter números pra ser reconhecido, pra editora
- 28:35querer publicar outro livro de seu, pra você ser
- 28:37convidado pro evento, começa a ficar um bloqueio até. A
- 28:41parte da magia vai sendo estrangulada pela parte do
- 28:43capitalismo, como a Larissa falou. E
- 28:45você tem que, meio que, cavando espaço ali pra
- 28:47sair, e conseguir voltar a lembrar como é mágico
- 28:51escrever. Eu fiquei muito tempo sem
- 28:52escrever, óbvio que teve a questão da pandemia também,
- 28:56mas, assim, tentando me sair desse próprio
- 28:59estrangulamento, que eu mesmo fiz em mim, pelas
- 29:01expressões que eu mesma fiz em mim. Dessa
- 29:04expectativa que eu sentia que eu precisava suprir,
- 29:07né? Se era além do que esperamos
- 29:09de mim. Às vezes, é também entender
- 29:11que são dois espaços. Existe
- 29:12esse espaço que é mais do processo criativo, da
- 29:15introspecção, do escrever, de se dar um tempo, e um
- 29:17espaço que é tá. Agora, eu publiquei, eu quero
- 29:19fazer esse aqui, me diga. Mas
- 29:21é uma linha séria mesmo, né? É
- 29:22uma linha que você não necessariamente vai ter esse
- 29:24espaço. É verdade. Isso
- 29:26foi uma coisa que me consumiu durante muitos anos
- 29:30também, que eu passei muito tempo sem escrever, porque,
- 29:33além das pressões da vida adulta, a gente pôde se
- 29:36você precisa trabalhar, se você precisa pagar conta,
- 29:38você tem... Boleiro tá lá? Tá
- 29:39lá, espero no você. Você tem essa coisa de, tipo,
- 29:42eu nunca vou ter o espaço de escrita. Eu
- 29:46não vou ter o espaço de promover o livro, e agora
- 29:49eu vou tirar um tempo só pra escrever. Eu
- 29:51tenho que tirar o tempo pra escrever, eu preciso
- 29:53tirar o tempo pra gravar meus reels, eu preciso
- 29:55tirar o meu tempo pra falar em rede social, sabe?
- 29:58E ainda arranjar um jeito de
- 30:00ganhar dinheiro, que me permita ter tempo pra fazer
- 30:02todas essas outras coisas. Então,
- 30:04é muito desequilibrado, assim. Mas,
- 30:06ao mesmo tempo, eu acho que o vir da publicação
- 30:11independente me ajudou a ter essa noção de que,
- 30:17tipo, se eu não fizer, eu não posso esperar que outra
- 30:20pessoa faça. É, você preparou um pouco. Eu
- 30:23acho que ajuda mesmo. Eu noto um pouco essa
- 30:25trajetória em quem começou na independente, você cria
- 30:28um pouco essa casca do, cara, é isso, eu vou ter
- 30:30que fazer, eu vou vender, vou desvagar. E,
- 30:31inclusive, você pode vergonha na casa. Porque
- 30:33você vai esperando, quando você chega na publicação
- 30:35tradicional, você vai esperando que a editora vai
- 30:37resolver a sua vida. Sim. E eu, quando eu entrei na
- 30:39récord, tipo, foi a minha primeira casa, eu tava,
- 30:42nossa, minha vida está resolvida, é isso. Agora
- 30:44eu vou ser esquisada. Agora eu vou ser, exatamente, a
- 30:46récord vai me promover, não, eu sou isolada, mas,
- 30:49assim, eu não vou ter que colocar o meu livro embaixo
- 30:51do suváculo e levar para os lugares. Riso,
- 30:53riso, riso. Ah, riso, muito riso. Porque
- 30:55o primeiro bac, foi isso, foi tipo, ah, beleza,
- 30:58passou dois meses, ninguém nunca mais falou do livro
- 30:59na editora. Eu fiquei. É
- 31:01isso mesmo. E aí, eu lembro de estar
- 31:04trocando ideia com uma menina do marketing da
- 31:07récord, na época, e ela falou, meu, não é você.
- 31:11Claro. É tipo, você tem noção de
- 31:13quantos livros tem no catálogo que sai em todos
- 31:15os meses? Exato. E tipo, a sorte que é a
- 31:18gente ter tido espaço e verba para divulgar você
- 31:21durante um mês? Sim. Porque é muito livro. Acho
- 31:24que isso é muito importante você estarem falando, de
- 31:27estarem nessa editora grande, das pessoas terem
- 31:29essa noção da realidade. Porque
- 31:30a gente precisa, exatamente, entender uma coisa, é que
- 31:32quem está no Instagram ou no TikTok, sei lá, de uma
- 31:36editora, nem se a editora tem TikTok. Tem.
- 31:38Tem. Quem está nessas redes, seguindo
- 31:41essas redes, não quer ver o trabalho, o livro, só da
- 31:44Larissa. Não quer ver o trabalho da
- 31:46editora. Claro. E nem a carreira. Quer
- 31:48ver o trabalho da editora, o trabalho que a editora
- 31:51faz, a linha editorial, que está rolando as novidades,
- 31:55os spoilers e tal. Então, a gente tem que ter essa
- 31:57consciência de que nas nossas redes, online e
- 32:01offline, porque a gente também trabalha muito no
- 32:03offline, existe o nosso trabalho. As
- 32:05pessoas querem te ver, querem saber, que incluem,
- 32:08às vezes, nos spoilers, da vida pessoal, os nossos
- 32:10cachorros, os nossos gatos. Então,
- 32:13eu acho que a gente tem que ter essa consciência,
- 32:16entender que, como a Clara falou tão bem, o livro é
- 32:19um produto, mas a gente também é um produto. E
- 32:23eu acho que essa questão do tempo, para mim, é
- 32:25essencial a gente falar também. Eu
- 32:27acho que principalmente quando, não sei se vocês
- 32:28tiveram essa experiência, mas quando você publica um
- 32:31livro e você vai publicar o segundo, você ainda está
- 32:34trabalhando, escreveu o segundo, você ainda está
- 32:36trabalhando com a ribarba do primeiro. Nossa,
- 32:39eu acho que essa é a fase mais difícil. A
- 32:41administração da carreira do primeiro. E
- 32:44tem que estar escrevendo, tem que ter o espaço
- 32:46mágico da escrita. E você tem que estar fazendo,
- 32:48porque se você fizer uma pausa de dois anos sem
- 32:51publicar nada, você vai aos poucos e transformando,
- 32:53entrando nesse... você vai subindo a montanha sem
- 32:56querer. Sim. E não existe sabático, não
- 32:58existe sabático. É o fim de ser. Não
- 33:00existe sabático. Não, gente, mas agora, entre a
- 33:06minha última publicação tradicional e o meu livro
- 33:10que saiu no passado, foram só lá. Eu
- 33:11publiquei o prenses em 2018 e o Parana saiu em 2023.
- 33:17Então, foram cinco anos sem nada.
- 33:20Nesse interim, eu publiquei um...
- 33:22eu fiz um catário, publiquei
- 33:25um livro com crowdfunding e tal, mas de resto, foram,
- 33:28tipo, cinco anos sem um livro para assinar. E
- 33:31é muito engraçado como as pessoas se esquecem rápido.
- 33:34É, essa verdade. E
- 33:35não é... Vocês também lembram rápido.
- 33:36Também lembram rápido, mas, assim,
- 33:38é muito engraçado como, tipo, você cruza, às vezes,
- 33:42a pessoa por acaso, tipo... Eu
- 33:44lembro que na Bienal do Rio, eu trombei com uma
- 33:47menina que eu tinha encontrado, tipo, em várias
- 33:49Bienais ao longo dos anos. E
- 33:51aí, tipo, foi muito engraçado porque ela olhou,
- 33:52meu Deus do você, o que você está fazendo aqui?
- 33:54Você não é na recorde? E
- 33:55eu fiquei, tipo, não, então, né, livrou um novo,
- 33:57um outro dia, mas eu nem sabia que você... Eu,
- 33:59tipo, eu te sigo nas redes sociais e eu nem... nem
- 34:02sabia, porque você também tem esse outro problema que
- 34:04é algoritmo que não vai te entregar. É,
- 34:06é verdade. A Larissa sempre bate nessa
- 34:08técnica e é verdade, a gente tem que falar aqui
- 34:11também. A gente... Eu
- 34:13sou extremamente tímida, que o livro me fez aprender a
- 34:18superar um pouco a timidez para fazer o que eu
- 34:20preciso fazer. Mas é uma coisa que me deixa
- 34:22desconfortável. Eu não sou supersocial, não
- 34:25sou extrovertida, não sou... às
- 34:27vezes, eu pareço ser porque eu... boto
- 34:29ali a máscara da... Você coloca em frente. Vamos
- 34:32lá. Mas eu sou muito quietinha,
- 34:35assim, normalmente. É... E esse processo de me
- 34:40expor como produto é muito difícil para mim. Mas
- 34:43a gente tem que falar 265 vezes e vai ter alguém na
- 34:47266 vai falar, poxa, mas eu não sabia. Eu
- 34:50não vi em lugar nenhum. Aí entra no Instagram, só tem
- 34:52isso. Entra no YouTube, só tem isso.
- 34:54Aí eu falo o dia inteiro, o
- 34:55dia, estou falando para o porteiro, o dia, estou
- 34:57falando para o meu cachorro, o dia treinando
- 34:58lá no meu pinte para o meu cachorro. E
- 35:00a pessoa falando, ah, eu não sabia. Tem
- 35:02que falar o tempo inteiro, sabe? É
- 35:04muito desgastante. Mas eu acho que é um
- 35:06equilíbrio entre também... se
- 35:08mantém evidência porque você precisa, mas também não
- 35:11sumir por completo. Mas se mantém evidência também
- 35:15não pode ser uma obrigação e uma coisa que você corre
- 35:17desesperadamente, porque senão é muito desgastante,
- 35:21né? E você tem que falar... Tem
- 35:24um adicional para mim que, hoje em dia, com 30 anos,
- 35:28eu sinto esse peso, que é para a gente que... que
- 35:31é... isso quer ficar chovendo, não
- 35:33basta eu estar online. Eu tenho que estar online, não
- 35:35é? Sim. Eu cheguei no TikTok,
- 35:38assim, 3 anos atrasada. E eu fui tentar aprender como
- 35:43aquilo funcionava, assim... E
- 35:45até hoje você fala para você, ah, sei como o
- 35:47TikTok funcionava, não sei como o TikTok funcionava.
- 35:49Eu estou lá. Eu
- 35:49estou lá e eu vou usando sons engraçados e tentando
- 35:52fazer sketch e é isso. Aproveitando
- 35:54que eu gosto de ser engraçada mesmo. Mas,
- 35:56ao mesmo tempo, isso, para mim, é um dilema constante
- 36:00que é... Beleza, eu escrevo para jovem... O
- 36:05jovem sabe o que eu escrevo. Como
- 36:06que eu chego no jovem? Porque
- 36:07quando a gente começou, era... eu
- 36:08ia para a escola, eu ia para a feira, onde os
- 36:11alunos iam, ou, tipo, mesmo grupo de Facebook, na época
- 36:17do Norquud, tipo... Eu era jovem, então eu sabia
- 36:19onde o jovem estava. Agora eu não sou mais jovem.
- 36:23Isso que você falou, cada uma
- 36:25pergunta que eu até queria fazer de como que mudou
- 36:27para vocês, vocês que, quando eram jovens,
- 36:29escreviam literatura jovem, então era ali o dilema que
- 36:32vocês viviam também. O dilema que vocês viviam na
- 36:36escola, que viviam em casa, com a família, com os
- 36:39amigos. E como é hoje em dia que
- 36:41vocês são adultas? Estamos aqui. Eu
- 36:44sou, só tenho seis anos, gente. Então
- 36:45vocês continuam escrevendo para jovens e como é então
- 36:47acessar, inclusive, essa outra geração? Vocês
- 36:50observam, porque não são mais dilemas do cotidiano,
- 36:52mas são dilemas que vocês estão vendo em outras
- 36:54pessoas. O que mudou na escrita de
- 36:56vocês? Os dilemas mudaram, também, é
- 36:58uma pergunta interessante. Não.
- 37:01A gente pensa que muda, né? Jovem
- 37:03é tudo igual, gente. O que muda é sua tecnologia.
- 37:05A gente só lava a mãe e é
- 37:06tudo igual, são umas adesdresas jovens também.
- 37:09Mentira, mas existe problemas na
- 37:12questão da adolescência que perpassam todas as gerações.
- 37:15Se você perguntar para sua
- 37:15avó, ela vai ter os meus problemas. No
- 37:17dia de minha avó, eu estava contando uma história
- 37:18do bullying que ela sofreia. E
- 37:20eu ficava com a gente. E a minha avó tem 90 anos,
- 37:22também que vó. E aí meus pais, eu, minha
- 37:25irmã, que tem 9 anos mais nova que eu, e eu ia
- 37:27explicar alguém da geração nova, e até todo mundo
- 37:29passando por problemas muito parecidos e talvez em um
- 37:32elevamento diferente. Mas dilemas muito parecidos. E
- 37:35eu acho que esse é justamente o motivo pelo
- 37:37qual gostamos de escrever para a adolescente. Eu
- 37:40acho que é uma época extremamente difícil. Mas,
- 37:43ao mesmo tempo, muito incrível. Onde
- 37:45tudo ainda pode acontecer na sua vida. Onde
- 37:47sonhar extremamente liberados, não tem um
- 37:50boleto batendo nas suas costas, o seu tampo
- 37:51inteiro. Então, tudo pode acontecer, se tem
- 37:54uma vida inteira pela frente. E
- 37:56muito do que você vive, do que você consome, do que
- 37:58você conversa, do que você assiste, lê. Enfim,
- 38:01molda quem você vai ser. Então,
- 38:03eu sinto que eu sou muito moldada pelo que eu consumi
- 38:07de cultura, pelos amigos que eu tive, pela criação
- 38:10da minha família, desse período. Se
- 38:12você pegar assim, os valores básicos que eu
- 38:15tenho hoje, não são muito diferentes dos valores
- 38:17básicos que eu tinha, como de 18, 19, 20 anos, sabe?
- 38:2118, 17, assim, que foi o
- 38:22período que eu mais gostei de escrever, que eu acho
- 38:24que é o período que mais dói, que é o período da
- 38:26transição para a vida adulta, para fechar, tipo,
- 38:28você vai ter que sair do colégio, vai ter que
- 38:30escolher uma carreira. Você vai ter responsabilidade,
- 38:33vai ter maior idade, vai poder ser preso, vai poder
- 38:36beber, vai poder dirigir, sabe? Então,
- 38:38é uma mudança brusca da nossa cabeça, ainda que na
- 38:41realidade, vocês vão ver. Não
- 38:43é, não seja, exatamente assim, não muda dos 17
- 38:47para 18. Não viram achar. É
- 38:49a mesma coisa, você trabalha para as suas pais,
- 38:51você não tem carro. Se você chegar a beber, você
- 38:54tem carro, você vai levar um esporro e está
- 38:55igualzinho, sabe? O 17 anos, 12 meses e em
- 39:00printas dias. Mas na nossa cabeça tem uma
- 39:04mudança de de amadurecimento mesmo, eu acho. Então,
- 39:07acho que é um dos grandes motivos pelos quais eu
- 39:11gosto de escrever sobre essa fase. E
- 39:13eu acho que esse dilema do amadurecimento, do dinâmico,
- 39:16acontece em todas as gerações. O
- 39:18que eu acho que a gente evoluiu muito em questões
- 39:21de grupos marginalizados. Acho
- 39:24que a gente está muito melhor. Nossa,
- 39:27eu também não é a compensação. Tem
- 39:28muito que melhorar, mas está muito melhor, gente.
- 39:31Você não sabe como era, teve?
- 39:33Não, é uma senhora de dois
- 39:34meses. E é muito louco porque
- 39:35isso... Eu acho que talvez você tenha
- 39:38mesmo a memória que eu, mas eu me senti até
- 39:40limitada no que eu podia fazer. Obviamente
- 39:44que quando eu comecei, eu era uma pessoa inteiramente
- 39:46diferente do que eu sou hoje. Mas
- 39:48eu acho que essa limitação que a gente encontra na
- 39:51mídia também limita as possibilidades que a gente
- 39:54tem para a gente mesmo. E consequentemente, para o que
- 39:58a gente produz. Então, para mim hoje em dia,
- 40:02engraçado. Porque eu não sei se eu não
- 40:05consigo, ou se eu ainda não tive a ideia ideal
- 40:08para voltar a escrever para essa faixa que eu sempre
- 40:11gostei de 17, 18 anos, porque foi uma época muito
- 40:15decisiva na minha vida, porque foi a época que eu
- 40:17fui confrontada com tudo. Você
- 40:19é confrontado com ter que escolher uma carreira, você
- 40:21é confrontado com você não é mais criança, você é
- 40:22confrontado sem do tratado como criança, então tipo...
- 40:25Você é que nem a virtual e não
- 40:26a mulher ainda, mas... Exato.
- 40:28...mas não é mais uma criança. Então,
- 40:30isso é que ao mesmo tempo, hoje em dia, é engraçado
- 40:33porque eu olho para as coisas que eu escrevo e eu
- 40:39reparo que os dilemas para mim com 30 anos, em algum
- 40:42sentido, ainda são muito parecidos com os dilemas
- 40:44que eu tinha aos 17. O que mudou é que eu tenho
- 40:47responsabilidades diferentes. E
- 40:49eu tenho um pouco de medo agora, que está me batendo
- 40:53essa agonabunda, a gente fica, caralho, essa com 32
- 40:55anos, você não... A realidade do que é hoje, o
- 41:00estilo de vida do jovem é diferente do que era o
- 41:02estilo de vida de quando você era nova. Então,
- 41:04isso para mim ainda é uma barreira que eu estou
- 41:08com... Ainda está teando para voltar a
- 41:11tocar, sim. Porque eu fico um pouco do medo
- 41:14do cringe, sabe? Ah, não, entendi. Mas,
- 41:18ao mesmo tempo, assim, é tão atual que eu tenho,
- 41:24tipo, leitores hoje que leem, tipo, obras minhas de
- 41:28quando eu era adolescente, que foram publicadas 10
- 41:31anos atrás, e elas ainda continuam tendo um impacto
- 41:34relevante. Eles se identificam da mesma
- 41:36forma. Se identificam, porque assim,
- 41:37por mais que, tipo, sei lá, num amor pulsar, por
- 41:39exemplo, tem muito da questão do vestibular, do
- 41:44processo de vestibular, do processo de você fazer
- 41:46enen, que quando eu estava na escola, o enen, ele não
- 41:49era tudo isso. Era o início do enen. Era
- 41:51o início do enen, assim, ele não significava nada. O
- 41:54meu avão de vestibular foi o ano que a prova do enen
- 41:55vazou. Nossa! Mas não era assim um fator
- 42:00de... Não, você não entrava no... Você
- 42:02não entrava em faculdade, pelo menos. A
- 42:03gente era da primeira fase de faculdade heroína. Era
- 42:06quase um exame para ver como ensino médio... Não,
- 42:09não, não, não. E eu lembro que em Amor
- 42:11Pusás tem uma cena onde eles vão fazer o enen e
- 42:13tal, e assim, tá todo mundo levando como se não
- 42:15fosse nada. E eu recebi uma mensagem de
- 42:18uma leitura de, tipo, ah, cacacá, estou fazendo o
- 42:20enen, e eu não entendo como é que ela não está
- 42:22tão preocupada. E eu falei, porra, eu preciso
- 42:24dar uma contextualização, então. História.
- 42:26Porque essa história, ela foi inscritina em 2012. É
- 42:29de época. É de época já. Porque
- 42:31esse livro foi inscritinho entre 2011 e 2012. Então
- 42:34assim, eles já é um livro velho. Ele
- 42:36foi publicado em 2016. Então
- 42:38muita coisa mudou. Então acho que essa mudança de
- 42:41contexto histórico tem um certo impacto, mas no fundo
- 42:45é isso que a galera falou assim. Os
- 42:47dilemas são universais. A gente passa por muitas
- 42:51coisas parecidas com recortes diferentes. O
- 42:53que tem hoje é essa possibilidade de você
- 42:55ampliar esses recortes. Então
- 42:57eu não preciso escrever sobre... Os
- 43:00Estados Unidos. Os Estados Unidos. Eu
- 43:01não preciso escrever sobre as pessoas de classe média
- 43:04alta. Eu não preciso escrever só
- 43:05sobre pessoas brancas. Não preciso escrever só sobre
- 43:07pessoas hétero. Então você tem essa
- 43:10possibilidade... Não que você não tivesse a
- 43:13possibilidade antes, mas você tem... Acesso.
- 43:16Acesso. Eu falei, não tinha abertura.
- 43:17Tinha abertura. Se
- 43:19era difícil você chegar com um livro padrão -saço em
- 43:22algum lugar, imagina com um livro que fosse
- 43:23completamente fora da curva. Apenas
- 43:24fosse a Brasileira. Exatamente.
- 43:26Eu acho que além disso, o que a gente consumia,
- 43:28voltando ao ano que eu falei no início, era livro
- 43:31gringo. A referência era totalmente
- 43:33outra. E eles comem uns sucrilhos no
- 43:35Gafadinho. É bem concordante. Cara,
- 43:37um dos primeiros livros que eu escrevi no Orkut,
- 43:40inclusive, era tipo uma cópia... Mastigada
- 43:43de Gospel Girl. Porque era o que eu adorava você,
- 43:46sabe? Eu era consumida. Exatamente.
- 43:48Todos os meus livros se passavam nos Estados Unidos.
- 43:49O primeiro livro que eu
- 43:50publiquei foi o primeiro livro que eu escrevi que
- 43:51se passava no Brasil. E aí eu lembro que foi muito
- 43:55engraçado, porque eu ficava tipo, nossa, ninguém vai
- 43:56querer ler isso. Que a gente não tem histórico,
- 44:01né? É claro que não é
- 44:04racionalmente que a gente faz isso, mas a gente
- 44:06irracionalmente, não intencionalmente, a gente
- 44:10reproduz que a gente consome. O
- 44:12escreva sobre o que você conhece é um pouco isso
- 44:13também. Então, assim, quando a gente parou
- 44:16para escrever um livro, o que a gente consumia? Era
- 44:18Maggie Keblett, era Glossop Girl, era Marion Keings,
- 44:23era todo escritor americano -english, que servia sobre
- 44:26realidade gente, classe rica, classe média no
- 44:29máximo. Que você acha que você conhece
- 44:31melhor do que a sua, de tanto que você consome.
- 44:34Gente que viajava, gente que...
- 44:35Era isso que a gente foi
- 44:36reproduzir, porque era isso que todo mundo comprava
- 44:38para ler, era isso que eu gostava de ler, meio que
- 44:41era isso que assistia. Eu nem sequer pensava na
- 44:45possibilidade de escrever uma coisa diferente,
- 44:46entendeu? Que interessante pensar que hoje
- 44:49as escritoras brasileiras, já que a gente fala com o
- 44:52público feminino aqui, são as novas influenciadoras,
- 44:56né? Então, já existem escritores se
- 44:58influenciando, claro que deve existir também os que
- 45:01ainda piram nos gringos, né? Mas
- 45:02também... Bem melhor. Então,
- 45:04também tem, né, uma influência brasileira. Mas
- 45:07eu queria entender um pouco do cenário, assim, a gente
- 45:10tá falando de muita gente, pelo menos dos que eu
- 45:12conheço, são 30 mais, alguns outros 40 mais, que
- 45:15escrevem para jovens. Vocês ainda acham que tem um
- 45:19público jovem, escrevendo para jovens? Tem.
- 45:23Esses dias eu tava em um evento, eu tava falando
- 45:25nesse evento, e uma menina da plateia, acho que a Isa
- 45:28tava assistindo também, ela tinha 17 anos e ela falou,
- 45:32ah, eu publiquei um livro, e é uma saga, né? Uma
- 45:36coisa, assim, meio... E era para um editora legal,
- 45:38né? Uma editora grande, enorme, e a
- 45:40mãe dela falou que só descobriu quando veio o
- 45:42contrato. Ah, é uma pergunta? E
- 45:46ela falou, como assim você escreve? Como
- 45:47assim um livro? E era um baita livre, assim.
- 45:50E é um baita livre, ela tá
- 45:51escrevendo a continuação, eu acompanho ela, né, nos
- 45:53redes sociais, e ela tá escrevendo a continuação,
- 45:56aí, eu vou colocar na descrição do livro, o nome
- 45:59dela que a gente fica esquecendo, mas eu acho
- 46:02interessante, assim, pensar, que esse público, tanto de
- 46:06escritores como de leitores, ele tá se renovando. Tá,
- 46:08sim. E até dela que você falou,
- 46:11acho que já tem uma realidade um pouco diferente
- 46:12das meninas, como vocês falaram, naquela época, era
- 46:14quase impensável publicar numa editora, era cada um
- 46:17por si, e ela era uma menina bem nova, me fugiu
- 46:20com a editora agora também, salve, gente. Salve.
- 46:23Me fugiu qual era a editora também, mas era
- 46:26isso, era uma menina nova, começando ali, e ela já
- 46:28tava, não, tô pela editora tal, lembra que eu olhei,
- 46:31e eu falei, nossa, então já é uma outra realidade,
- 46:34porque hoje a gente foi, foi cavando esse caminho,
- 46:37gente. Foi recapinando, né? É,
- 46:38foi recapinando, exatamente, pra que mais autores, mais
- 46:40autores nacionais, e histórias nacionais pudessem
- 46:43chegar nesse lugar das editoras, né? E
- 46:45quando eu era jovem, que faz muito tempo, que eu
- 46:47tenho quase 40 anos, eu fico pensando que pra mim,
- 46:51assim, quando eu consumia literatura jovem, os autores
- 46:54não eram produtos. Não eram pessoas. Não
- 46:56eram pessoas, exatamente. Eu lembro das minhas leituras,
- 47:01e eu acho interessante também falar sobre isso,
- 47:02porque as minhas leituras dessa época, eu tô falando
- 47:04da década de 90, eram leituras em séries, então
- 47:07assim, tinha a coleção Pagalume, a coleção
- 47:10Pagalume, e moldou com os caras. É,
- 47:13e a série Paralheirna, escola, eu acho também, que
- 47:18tinham vários autores consagrados, que eu li pela
- 47:20primeira vez nas situações. Mas
- 47:21você nem sabia quem eram. Nem
- 47:23sabia quem eram, era o nome, né? Sim.
- 47:25Eu li a Lígia Fagontes Telles, Luís Fernando
- 47:27Veríssimo, e eles estavam lá fazendo parte da minha
- 47:31vida, mas eu lembro que em algum momento na Pagalume,
- 47:33eu falei, cara, eu gosto muito dos livros desse
- 47:35Marcos Rei. O Marcos Rei é um pseudônimo.
- 47:38Eu fui saber depois de muito
- 47:40tempo, não era o nome dele. Então,
- 47:42assim, você ver... Seu dono de quem? Eu
- 47:44acabei de descobrir essa informação. Ah,
- 47:45eu não lembro, eu descobri isso, assim, numa comunidade
- 47:48do Orkut, mas eu não sei o que eu tenho que dizer.
- 47:49É muito mais grande. Sobre
- 47:52a coleção Vagalume, que eu falei que gostava muito, eu
- 47:56fiz um tópico, Marcos Rei, porque eu falei, gente, é
- 47:58os livros que eu mais gostava e tal, embora a
- 48:00gente esteja no Elas na escrita, eu preciso falar
- 48:02isso. E a mulher, a esposa... Tudo
- 48:04bem, a gente não tem nada com isso. A
- 48:06gente já tá lendo, a gente tem amigos que são. Mas
- 48:09a mulher dele, respondeu, ele já era falecido nessa
- 48:12época, que ele já era bem mais velho quando escrevia,
- 48:15e ele falou que... Ela falou que ele gostava muito
- 48:18do que ele fazia, ficou emocionada, com o tópico e
- 48:21tal. Então, assim, ela estava lá,
- 48:23acompanhando a repercussão do trabalho do marido dela.
- 48:26E ali eu acabei descobrindo e
- 48:28tal, mas é isso, assim, ele não era uma pessoa,
- 48:30ele era um nome que eu falava, ah, esse aqui eu
- 48:33gosto e tal, mas eu não seguia ele no Orkut. Não
- 48:37tinha Orkut. E eu acho que é interessante
- 48:40a gente pensar nisso, como as coisas vão mudando, mas
- 48:43a literatura já o vim tá aí, né? Aí
- 48:46eles ficarei do que também é o maltórico jovem. Ah,
- 48:49eu... uma querida. Ela
- 48:50tem uma vez, eu fiz uma mesa com ela, mediei uma
- 48:53mesa que ela participava e ela falou uma coisa... A
- 48:56gente já até falou antes, eu pensei careca, exatamente
- 48:58isso. Quando a gente era jovem, criança
- 49:00e tal, a imagem que a gente tinha do escritor era
- 49:03um homem, assim, em grisalho, com um modo
- 49:07cachimbo na montanha. Muitas chances de estar morto já,
- 49:12sabe? Branco, hétero e tal. E
- 49:14hoje, quando você fala um autor, pensa no autor, veja
- 49:17tudo, sabe? Vem mulher e mulher. E
- 49:19ainda é uma surpresa das pessoas. Eu
- 49:21acho isso magnífico, assim, em Bienal, quando você
- 49:25fala, esse é meu livro, Fio, que escrevi. A
- 49:28primeira reação de todo mundo é, foi você que
- 49:30escreveu? Aí eu vou lá, abre na orelha.
- 49:33Sou eu. Tudo
- 49:34bom? E aí eu normalmente estou
- 49:36acabada, via da alça de redorma, que é a de um
- 49:39cabelo de jeta desse tamanho, e a foto da
- 49:40orelha, assim. Plena. Que é a relação dos
- 49:44leitores de vocês, por exemplo, numa Bienal, no
- 49:46evento. Eles são realmente muito
- 49:47engajados, porque a gente sempre fala isso, que o
- 49:49mais legal de público de literatura jovem é que é
- 49:52um público engajado, que se apaixona, que vai atrás. É
- 49:54assim mesmo? É muito fofo. Eu
- 49:56acho a coisa mais fofa do mundo. Principalmente
- 49:58quando eles são bem novinhos, tem um efeito de
- 50:03celebridade, que você não consegue com mais em um
- 50:06público. Então, coisas que acontecem com
- 50:08frequência em Bienal, você abordou uma pessoa, e aí
- 50:11de repente essa pessoa fala, meu, ela escreve, e
- 50:13aí vem um tipo de vinte, em casa de você. E
- 50:16aí, essas vinte pessoas, elas vão te seguir em
- 50:18redes sociais, elas vão tirar foto com você, elas
- 50:19vão pedir pra você assinar na Guardanapo. É
- 50:21o extremo, é a blusa, tia? A
- 50:23sua mãe vai deixar. Ou acontece de tipo, ah, o
- 50:26livro tá muito caro, elas fazem vaquinha, que vai
- 50:28passar pro todo mundo. Isso acha muito fofo, quando é
- 50:30o livro é compartilhado. E elas sempre vão atrás de
- 50:32você, cara. É um público que realmente
- 50:36vai te acompanhar, tipo. E eu acho muito louco isso,
- 50:38porque eu comecei a escrever pra jovem com 17
- 50:41anos. E na época dos meus primeiros
- 50:44livros independentes, eu tenho uma tia que ela era
- 50:47professora em escola pública, ela aposentou
- 50:50direitura de escola pública uns anos depois que eu
- 50:53comecei a publicar. Então, todos os livros que eu
- 50:55publicava, ela pegava um exemplário e levava pra me
- 50:57proteger da escola. E acontece com uma frequência
- 51:00absurda. Tipo, coisas que não deveriam
- 51:03acontecer com muita frequência, mas acontecem.
- 51:04Às vezes, hoje em dia, nem
- 51:05tento que eu não moro mais no mesmo lugar, né? Mas
- 51:07às vezes eu pegava a CPTM, ali em Interlagos. E
- 51:11acontecia de alguém vindo, assim, no meio da sessão
- 51:14de treino, pra me cutucar e falar, você, Larissa, eu
- 51:17li seu livro na escola, um adulto feito. Eu
- 51:20acudei com meu Deus, como assim? E
- 51:23as pessoas, elas, tipo, gravam você. Porque
- 51:25a relação que você tem com as coisas que te encantavam
- 51:29quando você era jovem, é totalmente diferente do que
- 51:32você tem com as coisas que te encantam quando você é
- 51:33adulto, é verdade? Ela marca sua vida de um jeito
- 51:35diferente. É assim, pensar que eu sou
- 51:37uma pessoa que ama a make -up, eu te cheguei de uma
- 51:40de as príncias mais 80 livros que todos eu tenho.
- 51:42E eu sou uma make -up de
- 51:44alguém. Sim. Isso é uma coisa que é...
- 51:48Alguém chorou te conhecendo, sabe?
- 51:50Já, eu chego junto. Eu
- 51:53sempre digo assim. Nossa, é o mais legal. Acho
- 51:55que isso é o mais legal desse ponto de vista. É
- 51:57o mais legal. Mas assim, tem dois adentros
- 51:59que eu queria fazer. Esse negócio de você ter leitor
- 52:01que eu conheci com 10 anos e agora tá na faculdade,
- 52:03eu conheço com 15 anos, agora tá casado. É
- 52:06muito absurdo. E eles... Bota
- 52:09a vida imperfectiva. Eles vêm ainda ver a gente,
- 52:11sabe? Já teve leitor a mim que
- 52:13trouxe filho pra me conhecer. É,
- 52:15é uma coisa ou não. Tipo, eu tive um filho, tem a...
- 52:19Você já teve de adolescência?
- 52:21Não! O auge da minha... Pra
- 52:23mim foi uma... Leitora minha, que me conhecia
- 52:27assim, na escola. E ela teve filho em 2019. E
- 52:33o nome da filha dela é Amélia. A
- 52:35causa da Maria Amélia do Diário da Princesa. O
- 52:37amante da Princesa. Ela ficou, meu Deus, a minha...
- 52:39E a gente não é a Princesa
- 52:41Amélia. É verdade, passagem. E
- 52:43eu fiquei tipo... Mas como assim? Ela
- 52:44ficou, meu, uma personagem, tipo... Ah,
- 52:46que perigoso. Do meu Deus, o meu filho é
- 52:47David. É um nome fortíssimo. É
- 52:49o nome da minha filha, porque... Aí
- 52:51ela trouxe pra eu conhecer no Perifacom. Primeiro
- 52:54Perifacom de 2019. Eu fiquei tipo... É
- 52:57assim, é demais. E a segunda coisa que eu
- 52:59queria falar é, sim, majoritariamente, eles são
- 53:03muito queridos, mas adolescente também é muito
- 53:06valdoso. Então... As perigadas. Às
- 53:09vezes a gente vai toda feliz de falar e toma uma
- 53:11lapata na cara, sabe? Toma um... Ah,
- 53:14aquela... Eu, muitas vezes... É
- 53:17uma sinceridade. É, é uma sinceridade. E
- 53:19não pode levar para o pessoal, não é pessoal. Mas
- 53:23eu... O alívio também ficou muito
- 53:25instante na benal e tal. Eu
- 53:26vi o funcionário, a área do instante. Onde
- 53:29que é o banheiro? Tia, tem um livro não sei o
- 53:32que é. Não é dessa editora. É,
- 53:34não, é aquela ali. Tá vendo ali aquele negócio de
- 53:36grávida? É lá que vem. Mas
- 53:38é muito engraçado que eles vêm as vezes com um
- 53:40jargão. Tia, tem Fivingit. Você
- 53:42foi clássico da benal passada. Fivingit?
- 53:45O que é isso? Ah, eu descobri. Eu
- 53:48quero 5 Nights With Freddy. Meu
- 53:51Deus! Pior que você falou, eu também
- 53:54não sei o que é. É uma série de livros que a
- 53:57gente fez que eu estou publicando, sobre que acho
- 53:59que esse era um jogo de videogame e as crianças não
- 54:01são necessidas. E aí, gente, ano passado, o
- 54:04cara fez um abril. A gente entrou num vortex
- 54:07temporal, de capococô de volta. Porque
- 54:10o pessoal entrava lá no instante da entrência e
- 54:12falou, Tia, onde é que tá aquele púsculo? Eu
- 54:14tava no Adeus, gente, em 2016, na Pugnano. Não,
- 54:17não, não, não, não, hoje. Ou
- 54:18então, que é a cadeia de destruir o seu diário.
- 54:21Nossa, o destruir o seu diário
- 54:22teve um comeback fortíssimo por causa do Tik Tok. O
- 54:24Tik Tok? Crepe o rosto, também tem um Tik
- 54:27Tok, porque não tem um Tik Tok. Mas
- 54:28por conta de buco -toque? É,
- 54:30porque os buco -toques de hoje, tipo, ah, via essa
- 54:33proposta aqui de destruir o seu diário, eles fazem,
- 54:35tipo, são vídeos destruindo os diários. E
- 54:38aí, tipo, teve um boom. Mas
- 54:40assim, todo é moda e cíclica, né? Em
- 54:42algum momento, vai voltar. É,
- 54:44voltou curte. Por favor, nunca te pide nada.
- 54:48Ah, muito engraçada. Única
- 54:50rede onde eu era relevante. Hoje,
- 54:52hoje, a gente já tá se encaminhando aí pra uma
- 54:54hora de conversa. Você tem alguma pergunta ainda,
- 54:56Tati? Não, eu, na verdade, eu queria
- 54:59fechar, talvez, com uma pergunta de uma pessoa que
- 55:03nunca escreveu pra jovem, que não escrevia talvez
- 55:05para o público jovem, quanto é jovem. Consegue
- 55:08acessar esse público? Que dicas vocês dariam, talvez,
- 55:12pra começar a escrever, enfim, que seja observar,
- 55:17que seja pensar em assuntos, resgatar memórias,
- 55:21qual que é o melhor caminho? Eu
- 55:23acho que primeiro não se sinta mais esperto do que
- 55:26você é. Não, jovem é muito inteligente,
- 55:29tá? Eles são muito sarazes. O
- 55:30jovem é muito inteligente e adulto tem, e eu falo isso
- 55:33com uma minha culpa, assim, porque eu sou 100 % essa
- 55:36pessoa e hoje em dia me culpo muito por isso. Que
- 55:38é a pessoa que esquece que foi jovem. E
- 55:41assim, eu entendo, você aqui já é 30 mais, 40
- 55:45mais, 50 mais, eu entendo que chegou a um ponto da
- 55:47sua vida, onde você vê um adolescente e você tem
- 55:51medo. Ali tem um medo envolvido. Você
- 55:54fica, nossa, que cansaço, né? Vai
- 55:56me desgastar. Um adolescente, não, mas um
- 55:58grupo. Um grupo, um adolescente. Mas
- 56:00não, meu medo é o medo de um adolescente que foi
- 56:02tímido a vida, entende? Eu vejo um grupinho e eu
- 56:05falo, será que ele vai mexer legal? Mas
- 56:07eu acho que tem muito adulto que tem essa coisa
- 56:10de, tipo, de achar que é muito superior ao jovem,
- 56:13porque você, quando tinha incidade, porque quando você
- 56:16tiver a minha idade, querido, ninguém se importa,
- 56:19né? O jovem, o jovem... A
- 56:21gente não ouvia, a gente não ouvia, a gente não
- 56:23ouvia. Exatamente. Você não ouvia. A
- 56:24nossa geração não vai ouvir nossos conselhos, a gente
- 56:26não ouvia o conselho, ninguém vai ouvir o
- 56:28conselho. De ninguém. Eu
- 56:29acho que o negócio é você baixar a bola primeiro,
- 56:33para você poder acessar isso, e se você tentar
- 56:34lembrar quando você era jovem, quais eram as faltas
- 56:38que te faziam? Porque para mim, eu acho que a
- 56:41literatura jovem, principalmente, mais do que
- 56:44o papel de entreter, é, ou de, enfim, tem esse papel
- 56:48de suprir algumas faltas. E o jovem, ele tem essa
- 56:51necessidade de se ver visto nas coisas, né? Então,
- 56:55tipo, eu quero saber que o meu problema ele é, ele
- 56:57não é só meu, eu quero me identificar, a sede de
- 57:00identificação era enorme. Eu tenho sênit. E
- 57:02é muito louco, porque a gente busca isso na ficção,
- 57:04mesmo que as pessoas que estão à nossa volta estejam
- 57:07passando pela mesma coisa. E
- 57:09você só consegue encontrar isso na ficção. Então,
- 57:11eu acho que é enxergar quais são as suas faltas
- 57:14para conseguir entender como que você, através da
- 57:20ficção, consegue responder a essas faltas. Curar
- 57:22de certa forma. Muito legal. Porque
- 57:24não é um papel de resolver, você não vai
- 57:27resolver a vida do jovem, o seu trabalho não vai
- 57:29curar todo, ó, só automaticamente aqui, curei
- 57:32todos os problemas de todo. Não.
- 57:33O máximo que você vai curar é, tá bom. E
- 57:37às vezes você não cura nada, mas você deu um
- 57:39abraçinho, é só disso que ele precisa. A
- 57:41gente deu um motivo para ele procurar uma ajuda,
- 57:44para ele conversar com alguém, sabe? Ou
- 57:45para criar as suas próprias coisas, eu acho que tudo
- 57:47isso. Tudo para suprir essa falta.
- 57:49Exatamente, eu acho que isso é um,
- 57:52pra mim esse é o lance gostoso da, não que isso
- 57:55não aconteça com, enfim, outros públicos, mas eu
- 57:58acho que é por isso que engaja tanto, uma literatura
- 58:01para jovem, porque tem muita falta para suprir e
- 58:04é um papel que a ficção abraça de um jeito que
- 58:08você não consegue na vida real. Você
- 58:09não consegue se abrir com pessoas, como você consegue
- 58:12se abrir com um livro que você tá lendo. Nossa,
- 58:15aquele livro que dá aquele só de eu lembrar, você é,
- 58:18oh, me sinto acolhida, sabe? E
- 58:21eu acho que uma coisa muito legal disso também é
- 58:23você mostrar que os problemas têm solução. Sim.
- 58:25Então você fala, essa pessoa tá sofrando tudo que
- 58:27eu sofro também, no final ela consegue ter uma vida,
- 58:30um final que é importante. É
- 58:32importante. E que é uma fase que a
- 58:34gente nem sempre enxerga que existe o seu. Você
- 58:36não acha nem que vai ter final, gente, você vai
- 58:38sofrer para sempre. Quando a gente é adolescente tudo
- 58:40é muito exacerbado, não é o que a menina não se
- 58:43gosta, menos que você ama, você quer casar, e que
- 58:45você tem 62 filhos, sabe? E
- 58:48agora passa 20 anos, olha pro meu lá, que você fala
- 58:50que bom que eu nunca recei, de 62 filhos.
- 58:52Imagina os filhos. Eu
- 58:54acho que às vezes você não tem muito recurso assim
- 58:57para lidar com aquilo, então a potência vira um
- 58:59recurso, né? O entrega, absoluto. Mas
- 59:02eu acho que esse episódio foi interessante para a
- 59:04gente desfazer alguns mitos assim, um deles é que o
- 59:07público jovem é o público que só ama, que só é
- 59:10engajado e fiel, e não existe isso, né? Eu
- 59:13acho que o outro mito é que já começa, né, numa
- 59:17grande editora, já tem um percurso, né? Eu
- 59:20acho que até para quem tá hoje, né, eu vejo essa
- 59:21autora que eu comentei, ela também tem um percurso, né?
- 59:24Ela faz um vídeo nas redes
- 59:25formando o público -leitor dela, e o outro é que é
- 59:29possível também você, com algumas atitudes como baixar
- 59:34a bola, você acessar esse público mesmo não tendo
- 59:36escrito, né? Eu acho que a dica que eu
- 59:39tenho sobre isso é, vai ler livro jovem. É,
- 59:42e livro jovem recente, porque também não adianta
- 59:45todo o seu repertório ser baseado em... De
- 59:47preferência nacional. É, sim. Leia
- 59:49sobre a realidade do agora, assim, e uma coisa que eu
- 59:53gosto bastante de gente fazer, eu acho que eu não
- 59:55consigo escrever para jovem porque eu parei de fazer
- 59:56isso, era às vezes entrar no ZodPed da vida e ler o
- 1:00:00que eles tão indo, para, tipo, entender... Às
- 1:00:03vezes é um buraco negro. É um buraco negro, você
- 1:00:05encontra coisa ali que você gostaria de desencontrar,
- 1:00:07mas, ao mesmo tempo, eu acho que dá uma perspectiva
- 1:00:10muito grande sobre não só a mercadológica, mas de
- 1:00:14você entender, tipo... O que que tá tal do ele,
- 1:00:17só? O que que tá tocando? Porque
- 1:00:18que esse dilema aqui no livro da... Nem
- 1:00:22se isso ainda tá na moda da Patricinha, do Morro,
- 1:00:25por exemplo. A Ossion da Patricinha. Tipo,
- 1:00:28porque que isso... A Ossion, né? Porque
- 1:00:29que isso soa para a falta desse jovem? Por
- 1:00:31que que o jovem sentiu necessidade de escrever
- 1:00:32isso? Ou até às vezes, tipo, você
- 1:00:35não vai entender quais são essas faltas, você vai
- 1:00:38perceber, tipo, nossa, essa é a forma como eles
- 1:00:40encaram o mundo hoje. Tipo, esse é o tempo... Tipo,
- 1:00:43eles pensam em coisas, tipo, o tempo de tela,
- 1:00:45quais são os medos que eles estão tendo hoje em
- 1:00:46dia? Porque algumas coisas são
- 1:00:48generacionais. Não. E tem algumas coisas que
- 1:00:51você não espera, assim, para mim. Quando
- 1:00:54eu tava trabalhando ainda no meu Ossion DT, entrou
- 1:00:56uma estagiária de 23 anos, que ela nunca tinha sido
- 1:01:02apresentada formalmente à uma impressora. Ela
- 1:01:04nunca tinha usado uma impressora. E
- 1:01:06aí, assim, a interação toda foi tão bizarra. Então,
- 1:01:09porque, gente, não é possível. E
- 1:01:10aí, por algum... Eu não sei se foi porque eu
- 1:01:12falei exastivamente disso, que o Twitter me sugeriu
- 1:01:14um artigo que era, tipo, por que que os Gen Zs não
- 1:01:18saberem lidar com, tipo, equipamentos de uso básico
- 1:01:22estrutório. Porque eles estão acostumados a
- 1:01:24fazer tudo na tela do celular. Que
- 1:01:27é, tipo, ah, abrir um Excel, você não tem o
- 1:01:29negócio de, ah, porque é fácil para o usuário. Eles
- 1:01:32não sabem. Nunca viram Excel na vida. Eu
- 1:01:35não quero que eles não sabem se controver. Mas
- 1:01:39essa... Bom, eu não vou entrar nesse
- 1:01:40mérito, a hora te amo. Mas foi muito engraçado, tipo,
- 1:01:43ensinando ela como instalar uma impressora. Porque,
- 1:01:45tipo, você não faz isso. Você
- 1:01:46não faz isso. O que é isso? O
- 1:01:48que é uma impressora? Aperar
- 1:01:49o choque geraçãoal. Você acha importante se algum
- 1:01:52jovem estiver assistindo? É que o quanto a gente se
- 1:01:54sente idosa, velha, com diante de uma situação como
- 1:01:58é. Uma vez eu tive que explicar o
- 1:01:59que era a Barça, eu falei, gente, que vocês sabem.
- 1:02:02Esse foi o Lofed, eu tinha lá
- 1:02:03a Rousseau. Esse foi o Lofed. É,
- 1:02:05mas assim... E eu mesmo tenho o confronto
- 1:02:08de quando eles fazem alguma coisa muito absurda no
- 1:02:11celular, que você fica assim... Como
- 1:02:13você faz isso? Não, na minha mão. Você
- 1:02:16fica com uma licença, esse toque perfeito. Eu
- 1:02:18ligo, aqui tem Gizmo, Rousseau. A
- 1:02:20gente não é boca. Tem uma amiga minha que tem
- 1:02:23uma filha de 12 anos. Essa amiga com 12 anos, ela faz
- 1:02:25coisas com o celular que desafiam o limite do
- 1:02:29conhecimento. Meu que sou, supostamente, a
- 1:02:32pessoa que cresceu com tecnologia. Eu
- 1:02:33sou a pessoa que a minha mãe liga para resolver a
- 1:02:36internação de coisas distâncias, sabe? Uma
- 1:02:38entrada comada. Exatamente. Como é que você consegue
- 1:02:41fazer coisas tão absurdo com o celular e eu estou
- 1:02:43assim tipo, se não tiver um computador, eu não sei
- 1:02:46o que fazer. Então, se as grandes se apagam no
- 1:02:48computador. Vou comprar um negócio com um
- 1:02:50livrinho de bilgarets de leleza. Se
- 1:02:52for uma passagem à Hélia, vou comprar no computador.
- 1:02:55É, exatamente. A
- 1:02:56gente faz no computador, tá todo mundo de acordo. Aqui
- 1:02:59é o pessoal da nossa geração, tá? Fechado
- 1:03:03com o nóis. Mas isso é um choque cultural
- 1:03:06para a gente pensar para os livros também, né? Tipo,
- 1:03:08ninguém vai usar um computador. Para
- 1:03:10não entrar naquele lado meio cringe, meio esquisito.
- 1:03:13Ou, às vezes, para isso ser
- 1:03:14método também. O filme da Larissa Manoela, o
- 1:03:19Lacalto Cofilain, como é que ela fala? Roda
- 1:03:21a viama, né? Roda a viama. É
- 1:03:22que ele foi um fã tástico. Uma
- 1:03:24farofa fantástica, porque é 100 % choque de nacional. E
- 1:03:27é tipo, não é que você não possa pensar em como
- 1:03:32as coisas eram diferentes na sua época. Como
- 1:03:34que eu posso trazer isso para o jovem de hoje? Como
- 1:03:37é que eu posso apresentar o conceito da fita para o
- 1:03:39jovem de hoje, tá ligado? Eu
- 1:03:40não vou usar fita. Tipo, de repente o seu livro de
- 1:03:43jovem vai ser um jovem de hoje sendo jogado na década
- 1:03:45em que você era jovem. E tipo, eu comecei a escrever
- 1:03:49um agora que foi muito divertido, porque as pessoas
- 1:03:54já são adultas, mas ele começa em 2006. E
- 1:03:57foi muito engraçado para mim, tipo, eu escrevi com
- 1:04:00uma naturalidade. E aí tinha umas coisas que
- 1:04:02eu ficava... Eu não lembro se a estética
- 1:04:04do MSN era essa. E aí eu ia buscar as coisas
- 1:04:06e eu fui entrando num buraco, assim, porque
- 1:04:08cara... O dia que isso foi lido,
- 1:04:11isso vai ser um choque tão grande para os jovens de
- 1:04:14hoje. Porque são coisas assim, de
- 1:04:17tipo... Acho que para mim o mais
- 1:04:19engraçado foi porque eu já estou acostumada com
- 1:04:21movimentos de tipo, whatsapp da vida. Que
- 1:04:23eu tive que lembrar que na escola a gente passava
- 1:04:26bilhete e SMS era uma realidade completamente
- 1:04:29paralela. Caríssimo! Caríssimo! Imagina!
- 1:04:31Na escola passava cada erringinho de bilhete.
- 1:04:34Exatamente, eu tive o momento de
- 1:04:35pensar, tipo, meu Deus, será que essa minha
- 1:04:37personagem teria celular? E aí eu fui... Enfim,
- 1:04:40dê uma pesquisa de algumas coisas e aí eu fui...
- 1:04:41Cara, a personagem rica tem um
- 1:04:42V3. Uaah! É... Um
- 1:04:45celular de última geração. Sim.
- 1:04:50No colégio eu lembro que a gente fazia Twitter de
- 1:04:52papel, que era a gente escrevia a rouba fulaninha,
- 1:04:55que que você acha de não sei o que, e mandava para
- 1:04:57o fulano e respondia... Aí virava entre o meu grupo
- 1:04:59de amigas, várias... Aí reply, reply! É,
- 1:05:02é o mesmo bom. Mas isso é um pouco de
- 1:05:04saudosismo também da nossa época hoje em dia. A
- 1:05:06gente sempre vai ter, acho que tem um geração isso,
- 1:05:08hein? Tem outras formas, né? Mas
- 1:05:09você está falando isso na escola? É.
- 1:05:11Twitter realmente, né? Não, Twitter já. A
- 1:05:14Twitter chegou no finalzinho da nossa vida na escola.
- 1:05:16Claro. Chegou em 2008, eu saí da
- 1:05:18escola em 2008. Não, eu saí da escola quase sem
- 1:05:22acessar a internet. Assim, nem todo mundo tinha
- 1:05:25computador em casa. Início dos anos 2000 ainda, né?
- 1:05:27É, 2003 eu entrei na
- 1:05:29faculdade. É, não é uma realidade. É,
- 1:05:31nós estamos aqui no show que é racional. E
- 1:05:33é muito racional. Não, tu e o Twitter. Não
- 1:05:34é uma diferença tão grande. Eu
- 1:05:36vejo tudo meu marido, meu marido deve ter a sua
- 1:05:37idade. É que as cemíadas estão
- 1:05:38muito... E as gente tem essa coisa,
- 1:05:40tipo, ele fala, ah, porque eu usei... O
- 1:05:41meu primeiro computador foi o DOS e eu fiquei assim...
- 1:05:43O que que é isso? Ah,
- 1:05:44não, eu usei também. É, é porque eu estou filha de
- 1:05:47dois engenheiros na relação. O
- 1:05:49computador chegou, era um monte de... Era
- 1:05:51programação. Não, era programação. Programação.
- 1:05:56Gente, esse episódio foi ótimo. Foi
- 1:05:58ótimo. Adurei. Adurei muito. Acho
- 1:06:00que a gente tem várias dicas para quem quiser,
- 1:06:02inclusive, começar a escrever. E
- 1:06:03como a Tati falou, entender essa trajetória. Então,
- 1:06:06super obrigado por terem vindo. Gostei
- 1:06:07muito da conversa. Obrigada, Larissa. Obrigada,
- 1:06:10Clara. E obrigada para quem ouviu a
- 1:06:12gente até aqui, né, Tati? Obrigada,
- 1:06:15gente. Obrigada às nossas duas convidadas
- 1:06:17pelas histórias. Adurei. E você também, duelas na
- 1:06:21escrita, agradecemos a sua... Eu
- 1:06:24ia dizer leitura. A leitura também agradecemos.
- 1:06:28A leitura também agradecemos.
- 1:06:29Que as queiram ler. E
- 1:06:30é isso, gente. Espero que esse episódio tenha
- 1:06:32dado alguma nostalgia, se você é adulta. E
- 1:06:37se também tiverem jovens assistindo, não temos nada
- 1:06:39contra vocês. Inclusive, eu já não tenho muitas
- 1:06:42coisas a favor. Eu acho a geração de vocês é
- 1:06:45tudo. Tchau. Tchau, gente. Muito
- 1:06:49melhor que a nossa.