Latest / Café com Dungeon / Regras Elidem e suas consequências #0023
Transcript
- 0:00Não lembro qual sistema agora, mas há muito tempo
- 0:04atrás eu vi um sistema que tinha uma árvore de skills,
- 0:10os personagens e uma das skills era Dungeon Nearing.
- 0:15Era algo como entrar nas
- 0:19masmorras ou masmorraria, como é que se chama, a
- 0:24habilidade de quem entra na masmorra. Era
- 0:28bem específico, e aquilo eu lembro que eu fiquei
- 0:31viajando, eu falei cara mas que serve isso? E
- 0:34obviamente deveria servir para coisas típicas de
- 0:38Dungeon, de que o herói faz na Dungeon. Hoje
- 0:42em dia eu acho que caberia até para você botar num
- 0:45Dungeon Mesh e é uma aventura dessa aqui, sei
- 0:48lá, que você quer saber do ecossistema natural de uma
- 0:51Dungeon ou da construção típica de uma Dungeon, sei
- 0:55lá, a Dungeon acaba sendo um tropo muito clássico do
- 0:58RPG, muito típico do RPG e alguém chegou à conclusão
- 1:01de que faria sentido você colocar uma skill relativa
- 1:05a isso, uma habilidade relativa a isso na ficha.
- 1:08Bom, passado isso anos e anos
- 1:10depois eu fazia parte nessa época de RPG Notícias junto
- 1:14com o Thiago Rosa e com o Leandro Pug e o Pug chegou
- 1:17a postar um artigo no PRPG Notícias falando como você
- 1:23poderia sintetizar a parte importante de uma aventura,
- 1:27um skill, um teste de skill, um teste de
- 1:33habilidade, então você de repente deixava o jogador
- 1:36falar não, vou resolver determinada parte com esse
- 1:39skill aqui, com essa habilidade, fazer um teste,
- 1:42aquele que conseguia resolver aquilo senão você
- 1:44imprimir algum problema decorrente dele ter assumido
- 1:49aquele risco lá e tal. E aí, nesse caso ele deu até
- 1:53um exemplo de um personagem que de repente queria
- 1:56entrar numa Dungeon, a Dungeon o grupo não queria
- 1:59jogar exatamente, mas fazia sentido, então ele sugeria
- 2:03que você podia pegar uma série de rolagens que o
- 2:06jogador propunha e essas rolagens feitas se
- 2:10determinaram o resultado disso, era algo assim, o
- 2:13artigo. E Guilho também deixou
- 2:15pensando bastante, porque de fato é uma certa decisão
- 2:21do que você vai tratar em jogo, do que você não vai
- 2:24tratar, mas o fato é que você podia passar uma
- 2:27Dungeon inteira somente com uma rolagem, você não
- 2:31precisava entrar na Dungeon de fato. E
- 2:35eu não achei errado aquilo, você e muita gente deve
- 2:38ter torcido nariz e tal, mas na época eu não achei
- 2:40errado, eu continuo não achando, acho interessante
- 2:43porque de certa forma pode não ser legal para o grupo
- 2:46entrar numa Dungeon, mas o tema é recorrente de
- 2:49fantasia medieval, de RPG, e de repente fazia sentido
- 2:54a gente entender o que saiu do Alissa lá, vai
- 2:56saber. Continuando nessa linha do tempo,
- 2:59vieram os Skill Challenges, as Skill Challenges nessa
- 3:03época dialogavam muito com isso que o Pug trouxe, na
- 3:07verdade o que o Pug trouxe, dialogava muito com
- 3:08essa ideia de Skill Challenge da quarta edição
- 3:10do D &D, que era mais ou menos isso, você pegava ali
- 3:14uma série de habilidades, você colocava uma trilha
- 3:19desses testes, quantos sucessos você precisava,
- 3:23quantas falhas podiam acontecer para você não se
- 3:26dar mal e atrelava resultados, é isso, o
- 3:28impacto de jogo a esse sucesso, esses fracasso e
- 3:33essa situação que você estava tentando resolver,
- 3:35teve um episódio aqui no Café com Dungeon com o
- 3:38Quiral, o DM Quiral, hoje em dia famoso por o
- 3:41Luscul, na época ainda, um cara que jogava quinta
- 3:43edição, gostava de quinta edição, a ponto de trazer
- 3:46para quinta edição os Skill Challenges e fazer o
- 3:48episódio com ele, continuou achando uma boa solução
- 3:52para certos jogos, aquilo cabe de fato, e o Skill
- 3:55Challenge é uma boa solução, por um jogo
- 3:57mecanizado, sim, por um jogo que se estabelece em
- 4:00um nível mecânico bem claro, ele deixa de lado
- 4:06muita coisa da ficção, deixa, né, e fazendo
- 4:10contraste com essa ideia de jogar pela ficção em
- 4:12primeiro lugar, deixando um pouco de lado essa esfera
- 4:16mecânica, que é uma abstração em relação ao que
- 4:20é mais concreto da ficção, eu vou lembrar do Quick
- 4:23Primer for Old School Gaming, é um tipo de jogo,
- 4:26é um jeito de jogar RPG Old School, que passa muito
- 4:29por essa investigação da ficção, eu por muito tempo
- 4:33investiguei isso, continuo investigando isso, continuo
- 4:37estudando o Quick Primer, e foi através dele que eu
- 4:40comecei a me dar noção da importância de você abordar
- 4:44a ficção crua, a ficção um pouco mais concreta, ainda
- 4:48que sempre de forma abstrata, a gente não tem
- 4:50como fugir disso no RPG, obviamente, o fim te puxava
- 4:55para o concreto, eu comecei a confrontar essas ideias
- 4:58do skill challenge, as ideias do artigo do Pug,
- 5:01até a ideia do Dungeon Nearing, claro, dentro do
- 5:05contexto do Old School, entendendo que eu poderia
- 5:07fazer o contrário dentro do Old School, e o fantasy
- 5:10vem muito dessa pesquisa incessante de trazer a
- 5:14ficção mais concreta para o jogo, deixando de lado
- 5:18essas resoluções mais mecânicas que estabelecem a
- 5:21relação lúdica num nível mais abstrato ainda do que
- 5:25a ficção mais crua que a gente busca com o El
- 5:28Fantasy. Quando eu estava entrando em
- 5:30contato com essas ideias e com esses conflitos de
- 5:34ideia, não seriamente eles precisam ser conflitosos,
- 5:37mas dentro da minha cabeça, comecei a entender alguns
- 5:41conflitos em relação a isso, o que eu queria, o
- 5:43que eu buscava, como eu poderia tratar o jogo Old
- 5:46School, e foi ali que eu acabei criando um episódio
- 5:50do Café com o Dungeon, que é um dos episódios mais
- 5:53exogiados da primeira temporada, que muita gente
- 5:56comenta como um exemplo de episódio que gosta do Café
- 6:00com o Dungeon, que de alguma forma trouxe alguma
- 6:03reflexão, trouxe alguma ideia. Esse
- 6:06episódio é um episódio, obviamente, da taverna
- 6:10patônica, que era o quadro que eu fazia de episódios
- 6:13que eu simplesmente ligava o microfone e saía falando,
- 6:16compartilhando umas ideias loucas que eu tinha. E
- 6:20no caso desse episódio sobre a alienação,
- 6:23obviamente, veio daí, veio muito de todo esse
- 6:26madurecimento dessas ideias ao longo desses encontros
- 6:30que eu tive, quando Dungeon e Irwin compoam o Pug, com
- 6:32os challenges da quarta edição, e é o episódio 499
- 6:36da primeira temporada, chamado Taverna Platônica
- 6:39alienação. E essa alienação eu falava de
- 6:42uma alienação narrativa na minha cabeça, quando a
- 6:46gente mecanizava muito alguma coisa, a gente podia
- 6:50estar deixando de lado uma parte grande da ficção.
- 6:53Claro, aqui eu estava puxando
- 6:54muito para o jogo Old School, pensando muito a
- 6:58partir dele, mas análise que eu faço, acabo sendo
- 7:01um pouco mais geral, entendendo que a gente
- 7:03deixa de lado uma porção ficcional grande, que eu
- 7:07entendi como narrativa, hoje em dia eu gosto de
- 7:09separar, não necessariamente narrativa, mas pode ser
- 7:12narrativa. E o que acontece ali eu não
- 7:14chamaria mais de alienação narrativa, como eu chamei
- 7:17naquela época, mas eu chamaria de repente de
- 7:22alienação mecânica da ficção. É
- 7:25um fenômeno que eu detectei, que eu percebi,
- 7:27que eu trabalhei nesse episódio compartilhando as
- 7:31minhas reflexões aqui, e que voltando ao resultado,
- 7:37deu bastante comentário positivo e deu até o fim
- 7:41do Café com o Dângel, muita gente comentava desse
- 7:43episódio. Lá pelas tantas, agora hoje em
- 7:47dia, já nos dias atuais na segunda temporada do café,
- 7:51lá no grupo dos assinantes, começaram a vir atuando
- 7:54alguns artigos relativos à produção do Sorensen, que é
- 8:00o autor de um material que eu trouxe no Café com o
- 8:03Dângel na segunda temporada agora, que é o new
- 8:06simulationismo, que é o novo simulationismo, um
- 8:09manifesto, e ele tem um blog, nesse blog dele tem
- 8:12outros artigos, e um dos artigos que ele tinha era
- 8:15uma resposta a um texto do Jared Sinclair, que é o...
- 8:22enfim, tem a ver com o tema
- 8:24desse episódio agora, na verdade esse episódio é
- 8:27sobre um artigo que foi respondido pelo Sorensen,
- 8:32então é justamente sobre esse assunto, sobre como a
- 8:36mecânica pode ocultar uma parte da ficção, como ela
- 8:41pode elidir, e aí leva a reflexões interessantes como,
- 8:46por exemplo, a gente pensar, será que um RPG
- 8:50necessariamente é sobre aquilo que suas regras
- 8:53versam? Bom, para começar a investigar
- 8:57isso, para investigar também essa questão da alienação
- 9:01ou da elisão, como coloca o Jared, a gente vai
- 9:04começar pelo artigo original, para qual Sorensen
- 9:07respondeu, a gente vai começar pelo original do
- 9:09Jared, o autor autorizou, depois a gente vai passar
- 9:13por outras leituras relativas, é esse assunto
- 9:15para a gente aprofundar essa questão, então vamos
- 9:19lá, mais um Café com o Dângel viajado por cérebros
- 9:23Correto no Vido, bom dia! Bom
- 9:40dia amigos do Café com o Dângel, estamos aqui para
- 9:43mais um episódio do seu podcast no dia de a
- 9:45matinal favorito, trazendo sempre um muito RPG, o meu
- 9:49nome é Rafael Balbi, e eu rolei aqui em uma tabela
- 9:52que está dizendo que hoje eu bebi um café delicioso
- 9:56da Overeira Negra, no caso um Catuaí amarelo de Divino
- 10:00Lândia em São Paulo, com perfil sensorial de frutas
- 10:04amarelas maduras, whisky e baunilha, mas pô, eu não
- 10:09quero saber dessa tabela não, eu quero moer o café,
- 10:12ferver a água e tudo que tem direito, eu não vou
- 10:16elidir essa experiência do café não, e se você não
- 10:20quiser elidir essa experiência também, se você
- 10:23quiser beber o café real aí sem suprimir essa
- 10:27experiência da sua manhã, vai lá em overeirnegracafés
- 10:30.com e utiliza o CCD, tudo minúdico, para o cumponco
- 10:36os ouvintes do café com o Dângel, se você, bom,
- 10:40assinante do café com o Dângel aí meu amigo, aí
- 10:42você tem cumpon especial com valores progressivos de
- 10:47acordo com o cemúdio de apoio, então chega aí em
- 10:51apoia .se barra café com o Dângel e se torna o
- 10:55assinante do café com o Dângel, além de você ajudar
- 10:57a gente a voltar a ter cinco episódios na semana,
- 11:01tomara que a gente chegue lá, você ainda recebe
- 11:04conteúdo extra, participa de sorteios dos nossos
- 11:07parceiros, inclusive de café da ovelha negra, a gente
- 11:09sorteia quase dois quilos de café especial por mês e
- 11:14ainda tem acesso a cupons, fora dos livros de RPG e
- 11:18tudo mais que a gente sorteia aí da galera que é
- 11:21parceira, então cola aí apoia .se barra café com o
- 11:26Dângel bom, vamos para a leitura da enquete do
- 11:35último episódio que foi o oil fantasy versus osr
- 11:39inclusive um episódio que deu o hate, deu muito hate
- 11:42esse episódio, galera da osr de alguns cantos da
- 11:46osr em polvorosa, recebi muito print, recebi mensagem
- 11:51anônima, recebi zoeirinha em música de inteligência
- 11:57artificial de tudo cara, de tudo, a galera aí reagindo
- 12:03mal, às vezes a oil fantasy contra osr, esse
- 12:08contra aí gente, não é querendo desmerecer o osr
- 12:13não viu, esse contra aí é só uma oposição de algumas
- 12:18ideias aí que a gente tem, algumas diferenças do oil
- 12:20fantasy para osr não se sentam assim, não levem
- 12:24para o coração não, beleza? Mas
- 12:28nesse episódio eu fiz uma enquete, primeira pergunta
- 12:31era o seguinte, como você definiria o seu estilo
- 12:34pessoal de jogo? Deve algumas respostas muito
- 12:37interessantes assim, o Caio, Caio Cavazana que saudade
- 12:41de você Caio, o Caio trouxe o seguinte, gosto da
- 12:44ficção pautando o jogo, dou preferência para regras em
- 12:47chutas versáteis e bem estruturadas para arbitrar
- 12:50sem deixar aquele retrogosto de marmelo, seja pesando a
- 12:54mão para mais ou para menos, isso aí Caio,
- 12:58contigo, o Carlos Rendes botou narrativista e
- 13:03colaborativo e visto tempo na preparação e gosto de
- 13:07mecânicas que incentivem a intervenção dos jogadores do
- 13:10desenvolvimento de tramas e cenário, bem interessante de
- 13:14fato essa geração de jogos narrativistas, para assim
- 13:18dizer ainda que não existam jogos exatamente
- 13:20narrativistas, esses jogos da geração forge e que tem
- 13:24essa tendência, essa agenda prioritária do narrativismo
- 13:28foram os que mais trabalharam o
- 13:31compartilhamento do controle narrativo, de fato isso é
- 13:36uma coisa que traz muito estilo pessoal também, como
- 13:40a gente trabalha isso, então narrativista e
- 13:43colaborativo, interessante Carlos, teve mais gente
- 13:46aqui trazendo coisa, teve muita coisa interessante,
- 13:48teve o Marcos Gonçalves falando, Creamson Oil
- 13:50Fantasy, um tormenta 20 pós -café com Dungeon, isso aí,
- 13:54o Marcos participa do dojo, participa do grupo de
- 13:57essence do café, o fim no desafio para ele, isso aí
- 13:59cara, você transformar em Oil Fantasy em um tormenta
- 14:0320, o Guilherme Freitas falou, ao fugir da OSR e
- 14:07Quinta Edição, cheguei em algo próximo da dinâmica de
- 14:12cenas do Oil Fantasy, mas acabo me distanciando no
- 14:16momento de jogar uma resolução de conflito, pois
- 14:19prego o desafio, afixa e não o jogador, é cara,
- 14:22isso é uma busca que eu vejo que acontecia muito no
- 14:25grupo do café com Dungeon, tem aí o Daniel Wydar, tem
- 14:29aí o Diego Cestito, que acho que são duas, dois
- 14:34caras que têm um dado muito nesse lado aí de
- 14:37querer trazer um pouco mais de bonecagem para um
- 14:40esquema mais Oil Fantasy e engajar com a ficção em
- 14:43primeiro lugar, de forma obstinada, então
- 14:45interessante. O Arthur também acho
- 14:48interessante aqui, essencialista, regado nas
- 14:51ideias de Oil Fantasy, mas com pitadas de FKR no
- 14:54baixo uso de regras, voltado para um jogo
- 14:56prioritariamente diegetico, sem classes, sem level e
- 15:01com foreground growth, não sei exatamente o que é
- 15:05isso entre FKR, mas interessante, muito bom
- 15:08Arthur, para terminar aqui teve mais gente mandando
- 15:11coisa, eu vou até ler mais gente aqui do que o
- 15:13costume, o Edu Rallac botou Hollywood Power Metal, tipo
- 15:17Hapsold, Hollywood Power Metal é muito bom velho, o
- 15:23Rafael Baselá para terminar aqui, botou Day The Like
- 15:27minimalista com influência, OSR e amante do caos,
- 15:30certamente não se enquadra na versão atual do Oil
- 15:33Fantasy, mesmo que tenha pontos em comum e é
- 15:36madurecido com reflexões do café com o Dungeon, é isso
- 15:39aí Baselá, um abraço cara, gente teve mais gente
- 15:43participando aqui, mas infelizmente não vou ler
- 15:45todo mundo, continuem participando mandando aí,
- 15:47que na próxima eu leio a sua, beleza? Depois
- 15:51teve aí a pergunta mais quantitative, você é a
- 15:54favor de cargação de regra no RPG, e cara, foi bem
- 15:59apertado aqui, 57 ,1 % das pessoas dizendo que sim,
- 16:03isso é uma favor da cargação de regra, mas tem
- 16:05uma grande quantidade de pessoas aí que não curte
- 16:08cargação de regra, e cara, obrigado por me ouvirem,
- 16:11ainda que não curta um cargação de regra, obrigado
- 16:14por me ouvirem, cagando regra aí, quase sempre no
- 16:18café com Dungeon, ao longo de mais de mil episódios,
- 16:21valeu galera, continuem aí com a gente, a gente sabe
- 16:24que não é sobre obrigar, mas é sobre trocar a ideia
- 16:27sobre RPG, se a gente está disposto a trocar a ideia,
- 16:29aqui é um bom espaço para isso, então vamos lá, vamos
- 16:32para o episódio. As regras elidem suas
- 16:43consequências, bom, isso aí é um post do Jared Sinkler
- 16:50no blog que ele tinha, e que trouxe esse episódio
- 16:55aqui do café com Dungeon atualmente, que a gente
- 16:57pergunta se seria um RPG sobre o que as suas regras
- 17:03versam. A gente tem visto algumas
- 17:06discussões interessantes no meio do RPG em torno da
- 17:11produção do Sorensen, isso na comunidade do café com
- 17:15Dungeon, que é um cara que vem discutindo muitos temas
- 17:18interessantes, a gente abordou o material dele no
- 17:21novo simulacionismo aqui no café com Dungeon, mas
- 17:24dentro do material dele a gente viu um material
- 17:26também que dialogava dentro de um assunto muito
- 17:28interessante, que é justamente esse, o quanto
- 17:31no RPG as regras suprimem a ficção. Isso
- 17:37é uma pesquisa que eu também vinha desempenhando
- 17:40aqui no café com Dungeon, claro que de forma não
- 17:42acadêmica, como algumas das pessoas ali são acadêmicas,
- 17:46não é o caso aqui do café com Dungeon, mas eu pude
- 17:49jogar para galera um pouco dessas reflexões que eu
- 17:52tive também no episódio 499 do café com Dungeon, que
- 17:55eu falava de alienação, no caso eu chamava de
- 17:58alienação narrativa, um fenômeno parecido com o que
- 18:02o Jared pode explicar no artigo dele e ainda que
- 18:07hoje em dia eu não chame de alienação narrativa, eu
- 18:10prefiro dizer sobre a alienação da ficção através
- 18:14das mecânicas e tal, mas de forma geral essa visão
- 18:17lançou luz sobre muitas investigações que a gente
- 18:21fez na pesquisa do Elphantys e do Caves and
- 18:23Haxes, que é o nosso jeito de jogar o disco hoje em
- 18:28dia. No grupo do café com Dungeon
- 18:30a gente teve aí bastante reverberação desse material,
- 18:35dessa discussão através do Sorensen, do Jared e de
- 18:37outras pessoas, o Guilherme Providello demonstrou um
- 18:41interesse especial, foi das pessoas ali da comunidade,
- 18:45das que mais se interessou pelo assunto e ele criou
- 18:48até uma lista de leitura de alguns artigos relativos
- 18:51a isso, fazendo até algumas traduções que a gente
- 18:55também fez aqui no café e a gente vai disponibilizar
- 18:57para vocês. E por isso eu resolvi então
- 19:00trazer essa leitura para cá, comentada junto com a
- 19:04disponibilização dessas traduções autorizadas pelos
- 19:07autores inclusive do material de debate, a
- 19:11começar por esse agora. As regras eleitem e suas
- 19:15consequências do Jared Sinclair. E
- 19:17bom, para fazer a leitura comentada eu estou aqui com
- 19:20o Gui Providello, bem -vindo Gui. Hey
- 19:22Bob, prazer estar aqui de novo, cara. Mais
- 19:25uma vez, né? Agora é mais sério, agora é para
- 19:28discutir a teoria do jogo, agora é pra cair nesse
- 19:33buraco de coelho, né? Vamos tomar nosso café, nosso
- 19:39café é abstraído aqui, a gente sabe que é café, mas
- 19:43a gente não sabe nota do que que tem, porque o
- 19:45mestre abstraiu na camada a errada da ficção, né? Então
- 19:50sabe o que é café, o que eu estou tomando aqui? É
- 19:54café e tá bom, né? Boa. Cara, e diz aí para a
- 19:58galera, como é que foi o teu contato com essa
- 20:02discussão, como é que foi que você foi entrando em
- 20:04contato com isso e o que despertou em você, né?
- 20:08Porque você está bastante movido
- 20:10por essa discussão, você fez essa lista de leitura,
- 20:13inclusive, como é que como é que tá tensido isso pra
- 20:16você? Cara, desde que eu comecei de
- 20:19novo a jogar, né? Eu peguei um costume que é de
- 20:24ter sempre algum blogzinho, se é reaberto no meu
- 20:29celular pra fila de banco, eu sou psicólogo, né gente?
- 20:34Às vezes meus pacientes, meus
- 20:35usuários lá do cápsis, eles faltam e eu fico com a
- 20:37janela de uma hora ali que eu estou esperando o
- 20:40próximo, né? Eu pego pra ler, fala. Toda
- 20:42uma dessas eu estou sempre lendo blog, né? Eu
- 20:44estou sempre lendo blog. E fui, eu desenvolvi um
- 20:49costume, eu tenho um doutorado, né? Um
- 20:52mestrado, um doutorado, eu era acadêmico até por tempo
- 20:54atrás. Eu desenvolvi um costume que é
- 20:57um costume de quem costuma pesquisar, né? Que
- 21:00é o que? Quando uma pessoa fala uma coisa
- 21:02interessante, ele coloca um link, você clica no link,
- 21:06você quer saber se não quiser. Então
- 21:08assim, eu vou entrando no, nos buracos de minhoca ali
- 21:11que quando eu vei, eu estou lendo sobre tipo, por
- 21:15que que os irlandeses achavam que os ruivos eram
- 21:18sequestrados por fadas sendo que tipo, eu comecei lendo
- 21:22o que que é D &D, qual que é a, as mudanças que
- 21:27fizeram no, no AD &D primeira edição pra fazer o
- 21:30retrocloniósico, sabe? Você fala assim, meu, como é
- 21:33que eu vim parar aqui de tal? E
- 21:35um dos lugares que eu fui parar, que eu não sei até
- 21:37hoje como eu fui parar, foi no blog do Source. Eu
- 21:40tinha lido alguns tempos atrás, eu cheguei até
- 21:43imprimir o, o D .O. Simmachamis,
- 21:45né? O manualzinho que vocês leram.
- 21:48Eu tinha curtido bastante, tá?
- 21:51Tanto que eu até imprimi, deixei
- 21:52aqui o casa. Mas aí eu não liguei o nome
- 21:55com a pessoa, né? A hora que eu entendi, foi
- 21:59aí depois que eu já ter começado a clicar nos links
- 22:01que ele tinha lançado, né? E
- 22:02os links que ele tinha lançado eram, eram um blog,
- 22:05era um post do blog dele sobre, sobre, sobre as
- 22:10regras ocultas, né? As regras eleitem, né? Eleitem
- 22:13é uma palavra estranha, porque é uma palavra que
- 22:15ela existe no português, que é a tradução literal
- 22:17do que ele fala, né? Mas não é uma palavra que a
- 22:20gente tromba todo dia, né? Então
- 22:22assim, eleitem a mistura de ilusão, né? Ocutação,
- 22:28né? Então assim, naqueles, né? Só
- 22:30que oculta, né? Ocuta, mas oculta intencionalmente,
- 22:34assim. Tipo, oculta como um jogador de
- 22:36pouca, ele esconde suas cartas, né? Ocuta
- 22:39com intencionalidade. Então eu comecei a ler e o
- 22:43texto do Sorens é muito bom, né? A
- 22:45gente provavelmente vai chegar em algum momento aí
- 22:47nessa... E eu descobri que o que
- 22:49aconteceu foi que quando o Jair Simmach lança o Regras
- 22:54de Liden, cria -se uma puta bafá fala no mundo, no...
- 22:59A gringa, né? Porque
- 23:00todo mundo começa a comentar, a comentar,
- 23:02responder, responder, responder, responder. E
- 23:04assim, é muito interessante porque assim, em certo
- 23:08sentido, tem a ver com a falta dele ter sido mais
- 23:10claro, né? E tem muita gente comentando
- 23:14sobre coisas que não eram exatamente o que ele queria
- 23:16dizer, tá ligado? O pessoal parou da primeira
- 23:19camada do argumento, esqueceram de prestar
- 23:22atenção no final do texto, por exemplo, ele tá falando
- 23:24de outra coisa, né? Então assim, é um texto muito
- 23:26interessante por causa disso, né? Ele
- 23:28vai dizer pra gente uma coisa que é muito óbvia,
- 23:30mas que a gente nunca tinha parado pra pensar ou
- 23:33pra prestar atenção, pelo menos. Então
- 23:35assim, foi disso, né? E aí eu vou fazendo o que?
- 23:37Depois que eu comecei... Depois
- 23:39que eu fui convertido pra religião do Nochon, eu
- 23:41criei uma página do Nochon que chama minha
- 23:43bibliografia. Toda vez que eu leio um texto
- 23:45de blog que eu acho da hora, eu colo na minha
- 23:47bibliografia, que vai que um dia eu preciso reler ou
- 23:50mandar o link pra alguém, né? Então
- 23:52tá lá. E aí numa dessas, eu fiz uma
- 23:54bibliografia do Degras Ocupo, do Degras Elidem, e
- 23:57lancei pra galera, né? Eu lancei uma primeira vez,
- 24:01algumas pessoas leram, ficou todo mundo meio sem saber,
- 24:04e aí a segunda vez que a gente entrou no assunto de
- 24:06novo, foi quando a gente virou uma bola de neve,
- 24:09que todo mundo comeceu a falar disso, tal. Mas
- 24:12foi isso, né? Esse foi o trabalho, esse foi o
- 24:14trabalho, o processo de descoberta da Pauca. É,
- 24:18esse é o termo Elidir, Elisão. Eu
- 24:24já tinha visto em direito, né? Elisão
- 24:26Fiscal. Elisão Fiscal é quando você
- 24:28consegue não pagar um tributo por algum martimão
- 24:32e jurídica. Os advogados especialistas em
- 24:35Elisão Fiscal gostam de ter bastante bala na agulha.
- 24:39Bom, pra gente trocar ideia
- 24:40também, isso é que a gente tá aqui com o meu
- 24:42companheiro de Oil Fantasy, Keves, o João Burlamac.
- 24:47Fala, João, bem -vindo. E
- 24:49aí, pessoal, tudo bom? Tranquilo.
- 24:51Desculpa ter chegado atrasado, mas esse é um
- 24:54tema que eu aprecio muito, que é quando a gente fica
- 24:57fritando os miolos aí por conta dos nossos joguinhos.
- 25:02Exatamente. E é um tema bem abstrato,
- 25:04inclusive, né? É um tema que merece miolos
- 25:08queimados de fato, né cara? Pô,
- 25:12quando o, assim, o Regras Elidem é um texto que já
- 25:16flutuou aqui no nosso mundo no ano passado, o Balbi já
- 25:20trouxe, a gente já chegou a discutir em algum momento
- 25:22da nossa vida, mas foi mais ou menos que o Guy
- 25:25falou, ele passou despercebido, né? Pra
- 25:28maior parte das pessoas. E até o Kirau trouxe, o que
- 25:34trouxe de novo. E num primeiro momento, o Guy
- 25:36falou que ele não apareceu. Eu
- 25:38acho que eu perdi dessa primeira vez que o Guy
- 25:40soltou. E nessa segunda, a gente
- 25:43engajou no conflito, cheguei até a mandar um texto
- 25:47depois, no mesmo dia, quando eu li pra falar
- 25:51minhas opiniões sobre o Regras Elidem. Mas
- 25:54acho que a gente tem muito a abordar e explorar isso
- 25:57sobre o que ele falou sobre isso. Eu
- 26:01tive um momento muito engraçado que foi o
- 26:03seguinte, eu tava reelendo esse material todo aí do
- 26:07outro dia e aí eu fui lá na Wayback Machine pra ver
- 26:11o pegar o artigo pra traduzir esse que a gente
- 26:14vai ler agora. E aí eu vi no blog do Jared
- 26:18o avatarzinho dele, que esse blog não existe mais,
- 26:22o Twitter dele não existe mais, aconteceu alguma coisa
- 26:26ali. Mas quando eu vi a foto dele
- 26:29ali, é um avatar, tipo como se fosse uma foto dos
- 26:33anos de salar, foto preto e branco, o Sépia. Eu
- 26:36olhei, falei, cara, eu já engajei muito com esse cara
- 26:39no Twitter. E eu reconheci. E
- 26:42aí eu fui no Twitter e vi que ele não tinha mais
- 26:44Twitter. Então eu tive até que buscar ele
- 26:46no Discord, foi difícil achar pra ele autorizar
- 26:49essa tradução, mas eu vou partir agora pra tradução,
- 26:54pra leitura do artigo. E aí, bom, vou falar aqui,
- 27:00uma tradução feita meio rapidinho e tal, muito
- 27:05funcional, ele autorizou. Vou
- 27:06botar disponível pra vocês lerem no digitivo do
- 27:08episódio e a gente vai começar por aqui, analisar
- 27:11essa discussão. Primeiro a gente faz a leitura,
- 27:13depois a gente volta com os comentários, beleza? Mais
- 27:19de mil episódios na primeira temporada. Um
- 27:23podcast premiado por suas reflexões sobre o jogo,
- 27:27entrevistas e convidados em uma nova temporada com
- 27:30muito a oferecer a comunidade do RPG.
- 27:38Aventureiros numa busca por mais
- 27:40episódios na semana, te convidam a fazer parte do
- 27:44grupo de Telegram, participar de sorteios e
- 27:47enriquecer seu jogo. Esqueite
- 27:52a água, moa os grãos e pegue os dados. Apóia
- 28:00ponto S .E. Barca, fé com dângio. Contamos
- 28:09com você. As regras elidem e suas
- 28:20consequências por Jared Sinclair, do original Rules
- 28:25the Light and its Consequences. Isso
- 28:29é uma coisa que eu falo sempre sobre design de
- 28:32RPGs, as regras elidem. É o resultado de ter a mesma
- 28:36conversa dezenas ou centenas de vezes e precisar de
- 28:39alguma forma abreviá -la simples e possível. Isso
- 28:44aponta para uma forma de entender o trabalho do
- 28:47designer de jogos, que é ao mesmo tempo
- 28:50contraintuitiva e na minha visão, óbvia e
- 28:54belíssimamente verdadeira. Tenho
- 28:57certeza que todo mundo vai discordar, mas não
- 28:59interessa. Recentemente, apresenta algumas pessoas
- 29:03mandando mensagens para mim, perguntando o que eu quero
- 29:05dizer com as regras elidem, como isso ocorre e tudo
- 29:09mais. E por isso pensei em resumir
- 29:12um pouco aqui. Pelo menos, dessa forma, as
- 29:15pessoas podem ser confundidas por mim de
- 29:18forma mais abrangente. A ideia básica, vamos abrir
- 29:23uma fechadura. Dizer que as regras elidem é
- 29:27dizer que elas não fazem mais nada, que não podem
- 29:30fazer nada além disso. As regras não criam, conjuram,
- 29:34provocam, inspiram, invocam, nem incitam. Elas
- 29:38apenas negam. Essa é uma formulação forte.
- 29:43Você não precisa concordar com
- 29:45ela para ler esse texto e tirar alguma coisa que
- 29:48valha, mas ajuda. Isso é mais fácil de explicar
- 29:52através de um exemplo. Por exemplo, as personagens se
- 29:57aproximam de uma porta e decidem abri -la. Ela
- 30:00está trancada. Uma delas tira da mochila um
- 30:04conjunto de chaveiro e descreve, em detalhes, a
- 30:08forma como usa ele para destravar a fechadura.
- 30:12Apalpa o primeiro opino, fazendo
- 30:14pressão com o tensor, diz o jogador. O
- 30:17mestre responde, o tensor se move livremente.
- 30:22Escontinuem esse vai e vem tenso até
- 30:24que para um dos pinos o mestre responde. Esse
- 30:29pino encaixa ligeiramente no cano exterior. Você
- 30:32sente o cilindro estalar de leve na direção da tensão.
- 30:36Passado algum tempo, a personagem
- 30:38consegue alinhar todos os pinos com o cilindro e a
- 30:41fechadura se abre. Mais tarde, os personagens
- 30:45encontram outra fechadura, mas essa tem um pino de
- 30:48armadilha. O feedback que o mestre lhes
- 30:51dá é contraditório e confuso, porque ninguém sabe
- 30:54como funciona um pino de armadilha exatamente. Depois
- 30:59de passarem muito tempo descrevendo, sem sucesso,
- 31:02como tentam abrir a fechadura, decidem que não
- 31:05vale a pena o tempo e o esforço e vão -se embora,
- 31:09tomando um caminho diferente pela mais morra. A
- 31:12personagem que arromba a fechadura decide que vai
- 31:15perguntar na taberna local por dicas e truques sobre
- 31:19como lidar com fechaduras especialmente incômodas como
- 31:22as daquele local. As personagens se aproximam de
- 31:29uma porta e decidem abrirla. Ela
- 31:32está trancada. Outro personagem tira um conjunto
- 31:35de varetas da mochila e diz, vou tentar abrir a
- 31:39fechadura. O mestre responde, joga para
- 31:43mim uma moeda para cima por favor, se der cara é
- 31:46sucesso. Sai cara e o grupo prossegue
- 31:50através da porta recém -aberta. Mais
- 31:53tarde, os personagens encontram outro cadeado,
- 31:56jogam uma moeda para cima e sai coroa. Aparentemente,
- 32:00esse cadeado é mais difícil. Eles
- 32:02vão -se embora tomando um caminho diferente através da
- 32:05mais morra. A diferença entre os exemplos
- 32:071 e 2 é a introdução de uma regra. O
- 32:11exemplo 1 não tem nenhuma regra ou pelo menos nenhuma
- 32:14regra de jogo. As únicas regras que regem o
- 32:17arrombamento de fechaduras na ficção do jogo são as
- 32:21mesmas que regem aqui, nesse mundo terrível que
- 32:23habitamos com os nossos corpos humanos. Como
- 32:26resultado, essa jogada é sobre abrir uma fechadura
- 32:29em todos os aspectos que uma jogada possa ser sobre
- 32:33isso. Tudo é relevante, tudo é
- 32:35importante, tudo tem de ser levado em conta, é tudo o
- 32:39jogo. O exemplo 2 usa uma regra
- 32:43para remover do jogo todas as partes que os jogadores
- 32:45possam achar chatas ou sem importância. Não
- 32:49remove, repito aqui, não remove o arrombamento de
- 32:54fechaduras do jogo, mas remove as partes do
- 32:58processo de arrombamento de fechaduras que não são
- 33:01relevantes para a forma com que os jogadores desejam
- 33:05jogar pinos, varetas, cilindros, tambores,
- 33:09picaretas, tensores, pinos de armadilha e assim por
- 33:13diante. Suprimir estas coisas do jogo
- 33:17permite que os jogadores se concentrem em outras tarefas
- 33:20mais diretamente, como por exemplo as consequências do
- 33:23contexto ficcional de abrir ou não essa fechadura. Uma
- 33:28explicação mais completa, combate mortal. Podemos
- 33:32entender que a ilesão de regras acontece de forma
- 33:36fractal em diferentes escalas. Isso
- 33:39fica mais visível quando olhamos para o combate nos
- 33:42RPGs como um exemplo mais sutil do que foi dito
- 33:45acima. Vai rolar um embate, somos
- 33:49jogadores experientes e por isso sabemos que vamos
- 33:51precisar de algumas regras para elidir grandes partes
- 33:55da physicalidade do combate, mas a questão é quanto e
- 34:00que parte precisamos suprimir. Exemplo
- 34:033 Decidimos suprimir tudo. No
- 34:09início do combate lançamos uma moeda para cima. Se
- 34:13der cara, o grupo vence o combate e obteie o que
- 34:16pretende. Se der coroa, o grupo perde e
- 34:20os seus inimigos obteiem o que querem. O
- 34:23que temos aqui é algo muito semelhante ao segundo
- 34:26exemplo de arrombamento de fechaduras acima. O
- 34:29método atesta o seguinte, as especificidades do
- 34:33combate são chatas e é melhor deixá -las de lado.
- 34:36Agora podemos nos concentrar nas
- 34:38causas e efeitos do combate em si, em vez das
- 34:41especificidades do processo da luta. Fazendo
- 34:45o combate dessa forma, não precisamos nos preocupar com
- 34:48pontaria, com a fisionomia, com as munições, com os
- 34:52tipos de armas, com a letalidade dos corpos ou
- 34:56com o drama dos ataques sucessivos. Em
- 34:59vez disso, podemos nos concentrar noutras coisas
- 35:01que presumimos serem mais interessantes. Mas
- 35:05e se nos preocuparmos com as limitações físicas dos
- 35:09corpos e com o drama de golpes específicos? Podemos
- 35:12manter esses aspectos deixando de lado outras
- 35:15partes mais chatas do combate? Podemos.
- 35:19Tudo o que temos a fazer é dar um zoom no fractal
- 35:22do jogo e começar a elidir. Assim,
- 35:26em vez de jogar uma moeda para resolver o combate,
- 35:29podemos rolar um dado e tratar de determinado
- 35:32elemento do combate que queremos suprimir. Exemplo
- 35:354 Inserir aqui as regras de combate do D &D Basic.
- 35:43Nota do autor. Por
- 35:45favor, não esperem que o repita grandes partes do D
- 35:48&D BX. Todos estão familiarizados com
- 35:51ele. Honestamente, o combate em qualquer
- 35:53edição do D &D vai servir. Mas
- 35:56as coisas ficam mais confusas quando se entra no
- 35:59modo tradicional e de todo jeito, eu não lia que
- 36:02inteleção do D &D por isso resolvi usar este clássico
- 36:07porque é uma linguagem franca e útil. Cheguei
- 36:10a cogitar o D &D original para análise, mas isso é
- 36:13obviamente uma má ideia. No D &D BX temos um exemplo
- 36:20de um conjunto de regras que deixa o fato do
- 36:22combate intacto, mas escolhe entre as suas verdades,
- 36:26deixando para trás apenas o que considera interessante
- 36:30ou necessário por qualquer motivo que seja. O
- 36:34exemplo 3 Não tem nenhuma das especificidades do
- 36:37combate, já o exemplo 4 tem, mas ele não é o
- 36:41mesmo que o exemplo 1, pois faz uma grande
- 36:46supressão. O exemplo 1 não teria
- 36:49quaisquer regras num livro de jogo, já o exemplo 4
- 36:52teria um número incrível de regras no manual. Isso
- 36:56porque a elisão no exemplo 4 está a acontecer em um
- 37:00nível mais baixo, mais próximo, mais granular da
- 37:04ficção. E aqui está a ideia mais
- 37:07profunda, se é que existe uma. Qualquer
- 37:09que seja o nível do fractal em que estamos
- 37:12elidindo, e nesse exemplo, um nível abaixo do fato do
- 37:16combate, estamos realizando uma coradoria da experiência
- 37:19da coisa toda, em um nível acima, nesse exemplo, o
- 37:23próprio combate. Estamos a jogar sobre o combate
- 37:27até certo ponto, ou melhor, sobre algumas qualidades
- 37:31específicas do combate. Desta
- 37:35forma, o exemplo 4 torna -se um comentário sobre o
- 37:38combate e um conjunto de argumentos sobre o que é
- 37:42interessante nesse combate. Nesse
- 37:45caso, estamos preocupados com a incerteza dos golpes,
- 37:48mas não com o porquê de um golpe acertar ou não.
- 37:51Por isso, diz basicamente, joga
- 37:54uma moeda pra cima pra acertar. Se
- 37:56não dissesse isto, ou algo semelhante, pode ser que
- 38:00começássemos a reproduzir as poses e a posição exata
- 38:03dos corpos das nossas personagens, a construção e
- 38:07os ajustes específicos das nossas armaduras, as formas
- 38:11e o ângulo exato das armas, de modo a determinar
- 38:15na ficção e na física do nosso jogo, se acertamos ou
- 38:18não. Da mesma forma que jogar a
- 38:21ficção, de arrombar uma porta com tambores e
- 38:24gasuas, isso pode ser extremamente chato ou sem
- 38:27importância para muitos grupos, e por esse motivo,
- 38:30em vez de se aprofundarem, preferem ele dizer, não
- 38:34perdem o drama resultante de um grande golpe, que
- 38:38acerta o alvo, eles perdem o caminho que se percorre
- 38:42para chegar lá. Da mesma forma, enquanto o
- 38:45combate no exemplo 3 dura sempre a mesma quantidade
- 38:48de tempo, em mero segundos, e tem sempre as mesmas
- 38:52batidas narrativas, nenhuma, o combate no exemplo 4
- 38:55pode ser dinâmico, ele pode ser rápido ou prolongado,
- 38:59energico ou lento. Podemos ver as marés mudando
- 39:03drasticamente, podemos ter histórias de Cinderella e
- 39:07histórias de Davi e Goliath, estas são coisas
- 39:10evitadas pelo exemplo 3, talvez o jogo que usa o
- 39:13exemplo 3 não queira essas coisas, talvez os jogadores
- 39:16achem que essas coisas monótonas e sem importância,
- 39:20e isso é ótimo, pois podem suprimilas de serem
- 39:23abordadas de maneira concreta através das regras
- 39:25que ele lida. Peraí, então os jogos são sobre
- 39:28os que versam suas regras? Tipo
- 39:32isso, mas definitivamente não da forma como os
- 39:34designers de RPG insistem, se olharmos para os
- 39:38exemplos 3 e 4, acho que é fácil ver que fazer um
- 39:41jogo sobre X não é apenas uma questão de escrever um
- 39:45monte de regras que tem a ver com X, em vez disso,
- 39:49fazemos regras sobre tudo o que não é que fiz. Usamos
- 39:53regras para remover parte de X do jogo, apresentando
- 39:57assim uma visão de X que é inerentemente ideológica e
- 40:02arbitrária. Essa opinião pode ser atenciosa
- 40:05e cuidadosa ou pode ser também descuidada e
- 40:08temerária. Sem o enquadramento de as
- 40:11regras ele idem, a opção que nos resta está fora do
- 40:14nosso controle. Este é um método para
- 40:18compreender o que estamos realmente fazendo quando
- 40:21escrevemos regras, o mecanismo formal, através do
- 40:25qual um livro de jogos pode argumentar sobre um
- 40:28assunto. Eu defendo que a elisão das
- 40:31regras representa um método que é exclusivo dos RPGs,
- 40:34e por isso talvez seja o método mais importante
- 40:37disponível para escritores de livros de RPG. Mas
- 40:41isso é outro pato. A lição que tiramos disso
- 40:43tudo, se é que alguma é essa, usamos regras para
- 40:47suprimir algumas das árvores, para podermos ver
- 40:50melhor a floresta. Argumentamos
- 40:53através da negação. Esse foi o artigo Regras Elidem
- 41:06e Suas Consequências do Jared Sinkler. Bom,
- 41:11é um texto que não é fácil, eu vou recomendar
- 41:13que vocês leiam a leitura por áudio, que o áudio
- 41:19texto talvez não facilite tanto, então recomendo uma
- 41:22leitura, mas eu vou cair aqui com os meus amigos
- 41:25para a gente fazer alguns comentários aqui sobre o
- 41:30texto. Bom, algum comentário preliminar
- 41:32aí, Gui? Por enquanto não, eu acho que
- 41:35a gente tem que pôr a pulo, sabe? Porque
- 41:37talvez até pelo texto seja um pouco difícil, as
- 41:41pessoas às vezes param ali no começo quando ele fala
- 41:45assim, isso é uma afirmação forte, ele está dizendo que
- 41:48isso é um argumento, né? E às vezes aquilo ali ele é
- 41:50tão tela azul do índol para pessoa, que o resto
- 41:56do texto ela não vai. Sabe aquela história de ser leu
- 41:59o parágrafo, mas sendo no leu, porque você está
- 42:00pensando numa outra coisa que o parágrafo anterior
- 42:02disse? Quando o cara fala, se as regras
- 42:04ocultam, as regras elidem, às vezes dá um pânico, uma
- 42:08pane, uma linha de pensamento, as pessoas param
- 42:11aí e acham que é só isso que ele tem para dizer.
- 42:13Então você é boente de ponto em
- 42:15ponto para poder esmiulsar que não é só isso que ele
- 42:17quer dizer, na verdade, ele quer dizer uma coisa ainda
- 42:19mais interessante, ainda mais difícil, né? É.
- 42:23Que é a toda ideia da curadoria do mundo
- 42:26ficcional. E você, João, algum comentário
- 42:28preliminar? Cara, coisas muito legais sobre
- 42:31esse texto. Primeiro que ele conseguiu algumas
- 42:33coisas que eu e você já tínhamos tentado há muito
- 42:36tempo, que é chamar a atenção das outras pessoas
- 42:39para essas questões. De como a gente tem as
- 42:42regras, elas podem funcionar de maneira positiva, de
- 42:45quando uma regra determina alguma coisa, mas também de
- 42:48maneira negativa, quando ela não determina alguma coisa.
- 42:52Então eu achei que esse texto é
- 42:53bom porque ele chamou a atenção de outras pessoas
- 42:54para um debate que a gente está puxando. Só
- 42:57que ele faz algumas coisas sensacionais no texto. Ele
- 43:00acha exemplos curtos e bem precisos. E
- 43:06o exemplo 4 é uma coisa que eu sempre tive vontade
- 43:08de fazer nos textos que eu escrevo, ou nos exemplos
- 43:10que eu dou e nunca tive coragem. Ele
- 43:12fala assim, cara, se conheça o combate do BX,
- 43:15não vou ficar escrevendo ele e você sabe que ele
- 43:16tem um monte de regra. Você
- 43:19deve ter jogado algum. Bom, cara, sobre esse texto eu
- 43:25queria falar o seguinte. Esse
- 43:27texto, eu não sei se foi ele que causou, mas eu
- 43:30acho que foi o Jared no Twitter, mas teve
- 43:37simplicamente, aparecendo duas vezes pelo menos duas
- 43:39oportunidades sobre esse assunto no Twitter. A
- 43:42última vez que voltou a gente pôde ver ali que
- 43:46teve um debate muito grande em respeito e teve até
- 43:48figurões que participaram desse debate e acho que
- 43:53foi ali inclusive o Brennan Lee Mulligan, do World's
- 43:56Without Beyond Number, que falou num podcast a
- 44:00respeito disso. Mas de forma geral a polêmica,
- 44:03eu acho que a gente pode dizer de uma forma mais
- 44:04ampla, é justamente o que está título aqui esse
- 44:07episódio. É um jogo de RPG. É
- 44:10sobre aquilo que versam suas regras. Acho
- 44:13que isso talvez seja a pergunta e ela é mais
- 44:16geral e que leva talvez a uma interpretação mais casa
- 44:19do artigo. Sobre isso que eu vi a galera
- 44:23debater de forma geral é que a hegemonia do
- 44:26pensamento de RPG sobre isso é de que... é
- 44:29bem mecanicista, por isso que eu digo. A
- 44:31hegemonia é de que se um jogo tem mecânica sobre
- 44:35determinado assunto, ele é sobre isso. Logo,
- 44:37D &D, por exemplo, que foi um dos pivôs do debate, se
- 44:41o D &D tem bastante regras de combate, ele é um jogo
- 44:43sobre combate. Seria isso verdade? O
- 44:47tal do Brennan Lee Mulligan, do streamer lá,
- 44:50do World's Beyond Number, ele no podcast Fireside
- 44:53Sheds, é, pro capítulo 2 do da stream dele, ele tem
- 44:59um textozinho que linkar no Twitter que fala assim,
- 45:03chamar o D &D, chamar ao D &D um jogo orientado para o
- 45:06combate, seria como olhar para um fogão e dizer,
- 45:10isso não tem nada a ver com comida. Não
- 45:12se pode comer metal, é óbvio que essa engenhoca
- 45:15serve para mover gás e tem um relógio, se tivesse
- 45:18haver com comida haveria alguma comida aqui, o que
- 45:21se deve arranjar é uma máquina que ou é feita de
- 45:24comida ou tem comida dentro. A
- 45:27comida é a minha parte preferida, as pessoas dizem
- 45:30que pelo fato do D &D ter tantas mecânicas de combate,
- 45:33ele está destinado a contar histórias de combate, eu
- 45:36discordo fundamentalmente, o combate é a parte que
- 45:39menos me interessa simular através de histórias
- 45:41improvisadas, por isso eu preciso de um jogo que
- 45:44faça isso por mim enquanto eu trato das emoções, das
- 45:46gelações, da progressão das personagens, porque essa
- 45:50merda é intuitiva e eu percebo a bem, não
- 45:53compreendo intuitivamente como uma seta se move no
- 45:56espaço aéreo fictício, no caso seta aqui uma flecha.
- 46:01E para complementar, a gente
- 46:02tem ali também uma voz que traz um pouco esse lado do
- 46:06Jared, e está inclusive surpreendam -se, está no
- 46:10Blaz in the Dark, que ele fala em uma passagem do
- 46:12livro, ele fala as partes abstratas do jogo, nível,
- 46:15moeda, estoque, qualidade, rolagens de engajamento, são
- 46:19abstratas para que o jogo possa se concentrar no que
- 46:22é mais importante, as escolhas, as ações e as
- 46:25consequências dos personagens dos jogadores. As
- 46:29rolagens de ação são onde a essência do jogo
- 46:31acontece, não se sinta preso às abstrações quando
- 46:35você tiver detalhes fictícios específicos com os
- 46:38quais trabalhar. Isso é o lado do Jared ali,
- 46:43mas nessa discussão toda a gente pode ver o lado
- 46:45hegemônico, que diz que as mecânicas vão ajudar os
- 46:49jogadores a chegarem em determinado tipo de jogo,
- 46:52que as mecânicas são uma parte mais dura e garante
- 46:55que algo vai entrar em jogo, a principal ferramenta
- 46:58do game designer, e se você não coloca em
- 47:01mecânicas nenhum tratamento sobre isso, isso quer
- 47:04tratar mecânicamente de canções ao redor da
- 47:07fogueira, se você não tratar mecânicamente num
- 47:09jogo de Hexcrawl pelo mundo do Zermus, pode ser que
- 47:12isso nunca apareça no seu jogo, então se você quer
- 47:14que o seu jogo seja sobre canções ao redor da
- 47:17fogueira, isso tem que ter alguma mecânica para
- 47:18garantir que isso vai entrar em jogo, então há
- 47:21uma tensão muito grande nessas duas posições, eu
- 47:24vejo que há muitas nuances dentro dessa discussão, como
- 47:27é que vocês enxergam isso? Eu
- 47:28acho bastante interessante essa questão que você fala,
- 47:31você acabou de dizer, e assim ele faz um paralelo
- 47:35muito interessante que é o paralelo com a curadoria,
- 47:38porque você parar para pensar o que um curador
- 47:41faz, ele vai fazer exposição de um artista em
- 47:43sexismo, é que muitas vezes literalmente inclusive ele
- 47:47entra no ateliê do pintura, a roupa do cara está toda
- 47:56pintada e ele vai selecionar o que ele quer
- 48:00que seja visto, então assim se você quer fazer uma
- 48:03exposição sobre quadro, sobre pintura, sobre tinta,
- 48:08você precisa fazer seleção, não dá para pegar a pessoa
- 48:12e jogar dentro do ateliê e achar que vai ser o
- 48:16suficiente, às vezes não é o suficiente, porque às
- 48:17vezes no meio daquela mistura, bagunça, da
- 48:20quantidade absurda de tinta, você acaba por não ver,
- 48:22por exemplo, uma monalisa num canto, então assim, a
- 48:26curadoria é interessante porque ela pega e ela
- 48:28dirijo olhar, tem um autor que eu estudei no
- 48:32doutorado, já que Ranceck, ele fala que na arte,
- 48:37principalmente nesse processo da curadoria, a gente faz
- 48:40uma coisa que chama partilha do sensível,
- 48:41partilha do sensível no sentido de separar a
- 48:44sensibilidade, colocar cerca do olho, olha ali, não
- 48:49olha para lá, então quando a gente deixa em aberto,
- 48:53igual o Brené me liga uma língua e eu falo, deixa em
- 48:55aberto as partes que eu quero fazer, a gente está
- 48:58deixando essas coisas para serem curadas lá de forma
- 49:02emergente e às vezes ser curado de forma emergente é
- 49:06deixar o caso entrar, é tipo, eu não vou fazer
- 49:09nada, então tem essa questão de puxar os olhos
- 49:12para que veja ali dentro o que quer que seja visto,
- 49:15então assim, é um paralelo, é uma analogia, analogias
- 49:20de mi -passão, a gente gosta da analogia no grupo
- 49:24do café, é sair umas mais tortas que as outras, mas
- 49:27por exemplo, se a gente quisesse falar sobre tênis
- 49:32de uma forma com qualidade, a gente, que o jogo fosse
- 49:37focado nisso, a gente faria esse processo de curadoria,
- 49:40que é o processo de olhar para o tênis e escolher
- 49:43dentro do jogo do tênis o que a gente vai colocar em
- 49:47mesa e o que a gente não vai colocar em mesa, e
- 49:49quem faz esse processo são as regras, se não tem uma
- 49:52regra dizendo a diferença da grama para o cérebro,
- 49:54não faz diferença entre a grama e o cérebro, então
- 49:58assim, é uma curadoria também nesse sentido de
- 50:00açogueiro mesmo, sabe, de cortar a rancapedação fora.
- 50:07Sim, vocês vão algum comentário
- 50:09sobre essa polêmica esses lados aí, que no fundo, no
- 50:13fundo, são dois lados dentro de um mar de
- 50:16nuances, né? Eu tentei não puxar muito para
- 50:21coisas, muito abstratas, mas o Gui acabou falando de
- 50:24curadoria, levar para o sensível para a visão,
- 50:27então assim, quando a gente vai pensar sobre o mundo
- 50:30ficcional e o mundo que a gente vive, a primeira
- 50:34coisa que a gente tem que entender é que o mundo foi
- 50:35feito para ser experimentado, para ser
- 50:37sentido, então a gente vai entender e a mente foi
- 50:41feita para dar significado a isso que é experimentado,
- 50:44isso que é sentido, então toda vez que você tem
- 50:46contato com o mundo, você vai ter contato com ele
- 50:49por meio de seus cinco sentidos, né? E
- 50:52no mundo ficcional é igual, só que por meio de seu
- 50:54avatar e por meio daquela interação no meio do
- 50:56diálogo ficcional. E toda vez que você é
- 51:02exposto a uma coisa, você vai entendê -la de alguma
- 51:07maneira, então, por exemplo, o Balbi e o Gui são
- 51:11pessoas, só que tem alguma coisa que faz o Balbi, seu
- 51:15Balbi, tem outra coisa que faz o Gui, seu Gui. Então
- 51:18a gente vai conseguindo distinguir por meio de
- 51:21classes cada vez menores, que é isso que eu acho
- 51:23que ele vai falando sobre o fractal e da zoom, no
- 51:26fractal, entender as partes do que faz cada coisa, ser
- 51:29aquelaquela própria coisa. Só
- 51:32que isso vai ser percebido aqui no nosso mundo pelos
- 51:35nossos sentidos e pelo e durante o jogo por meio da
- 51:39interação do jogador com o mestre, interação do jogador
- 51:41com o mundo. E quando vai acontecer no
- 51:44isso, a nossa mente funciona de maneira igual
- 51:46para o mundo, simulada e para o mundo real. Quando
- 51:49você vai ser exposto a uma coisa, a primeira forma da
- 51:52nossa mente, ela vai ter uma apreendição, quer
- 51:54entender que aquela forma faz, ou que aquela coisa
- 51:56faz, ou que aquela coisa é de fato. A
- 52:01segunda parte a gente vai dar um julgamento, eu vou
- 52:04falar, ah, o Balbi é um homem, ou eu vou falar, o
- 52:08ouro é o metal, né? Aí eu vou entender, eu vou
- 52:14partir do meu julgamento e falar assim, vou fazer um
- 52:17raciocínio, e meio desse raciocínio, eu vou entender
- 52:21melhor o que o mundo faz. Então
- 52:23eu faço assim, o Balbi é um homem, os homens no
- 52:26jogo morrem, logo o Balbi pode morrer, né? E
- 52:31eu vou ganhando o melhor entendimento do mundo
- 52:33conforme eu vou interagindo e conforme vai aparecer
- 52:35nessas regras, essas estruturas. Então,
- 52:38por exemplo, eu vou entender, esse jogo XP, a
- 52:42moeda é feita de ouro, a moeda da XP, logo ouro da
- 52:47XP. E eu vou conseguindo
- 52:50destrinchar as regras e entendê -la cada vez mais
- 52:53conforme eu vou interagindo com elas. Se
- 52:55estiver muito complexo, muito longe do RPG, eu vou
- 52:58tentar trazer um exemplo mais próximo. Então,
- 53:02por exemplo, quando a gente vai falar sobre o combate,
- 53:05a primeira coisa que vai ter no capítulo de combate
- 53:08vai ser sobre rodada, ele vai falar sobre tempo.
- 53:12Então eu vou falar quantos
- 53:13segundos dura uma rodada. Aí
- 53:15a próxima coisa que ele vai fazer, ele vai te
- 53:17falar o que você pode fazer numa rodada, um
- 53:20ataque, um movimento, pegar um item, sacar uma arma. E
- 53:25aí ele vai falar quanto você pode movimentar nessa
- 53:28rodada. E ele vai falar essa taxa de
- 53:32movimento e ela separada por taxa de movimento de
- 53:35encontro, taxa de movimento de exploração. E
- 53:38você vai ter cada vez mais coisas e parâmetros para
- 53:41falar sobre o tempo e a forma como você se desloca.
- 53:44Só que ao mesmo tempo o
- 53:45movimento está relacionado ao peso. O
- 53:48peso está relacionado a quanto você se movimenta,
- 53:51mas o peso ao mesmo tempo ele é medido em moeda. E
- 53:54moeda está medida em XP. E XP está medindo em ouro.
- 53:58Então, na verdade, a regra não
- 54:00está falando só sobre ela. Quando
- 54:01eu estou falando sobre combate, eu estou falando
- 54:02sobre tempo, eu estou falando sobre capacidade de
- 54:05ação, eu estou falando sobre parâmetros do que eu
- 54:08posso julgar e tempo de ações parecidas. Então,
- 54:12se eu falar para o Balbi, olha, numa rodada de
- 54:14ataque, numa rodada de combate eu posso dar um
- 54:17ataque e eu me movimentar. Mas
- 54:19se eu chegar para ele, eu posso abrir uma porta que
- 54:22está destrancada e rodar uma maçaneta? Ele
- 54:25vai falar, é mais ou menos o mesmo tempo de um
- 54:27ataque. Então, essa capacidade de interação
- 54:31do mundo e da nossa mente em perceber parâmetros por
- 54:34meio dessas estruturas, vai fazendo com que o jogo
- 54:38desune nesse grande espectro. Não
- 54:41sei se eu estou indo longe demais, Balbi, estou fazendo
- 54:43chatista já? Não, eu acho que faz tudo
- 54:46sentido, cara. Eu acho que chega até num
- 54:49ponto que eu queria trazer, que combina com o que você
- 54:51falou. É que toda regra é uma
- 54:53abestação. Acho que é um ponto interessante
- 54:55de a gente botar aqui, né? Eu
- 54:58vou puxar a partir disso. É,
- 55:00posso só terminar? E aí, quando a gente está
- 55:04fazendo essas percepções múltiplas, eu tenho a
- 55:08impressão que a nossa mente vira o mundo, né? Porque
- 55:12eu começo a entender como funciona o mundo ficcional,
- 55:15como funciona o mundo das regras e de repente eu
- 55:17estou lá dentro. Você está na simulação. Eu
- 55:19acho que isso é parte da inmersão. É,
- 55:22isso é o espaço simulado que todo o jogo cria, né?
- 55:25Exatamente. Sob isso tudo, tem algumas
- 55:26questões aí que eu acho que são interessantes. Isso
- 55:28é o que vocês falaram aí de forma geral. Coradoria,
- 55:31a coisa das estruturas que a gente tem, de como a
- 55:35gente percebe a realidade e tudo mais, que é o
- 55:37seguinte. Toda regra é uma abestação, né?
- 55:42As regras elas têm diferentes
- 55:43níveis de abestação que dialogam com o que o Jared
- 55:45trouxe, de que você tem ali um fractal em relação
- 55:48a isso. O RPG tem uma particularidade,
- 55:51ele se relaciona intimamente com essa ficção, com esse
- 55:54mundo simulado, né? Ele não é tipo uma batalha
- 55:58naval, que o mundo simulado é uma coisa muito abstrata.
- 56:00Não, ele é bem concreto. A
- 56:02gente está falando de um mundo concreto. Ele,
- 56:04em teoria, ele existe, né? Pelo
- 56:06menos idealmente ele existe. E
- 56:09aí quando a gente fala dessas regras, as regras
- 56:12elas sempre abstraem e elas sempre vão poder abstrair
- 56:14em algum nível desse fractal. Desse
- 56:17jeito a gente pode dizer, por exemplo, que a gente
- 56:20tem uma regra tão abstrata que ela pega essa
- 56:23realidade, essa simulação e trata de um jeito tão
- 56:26abstrato como eu posso dizer que, olha, eu vou
- 56:29fazer uma jogada aqui com a sua habilidade de dungeon
- 56:33nearing, sua perícia de dungeon. E
- 56:38se você for bem sucedido, você conseguiu limpar essa
- 56:40dungeon e voltar sem morrer. Se
- 56:43tiver um sucesso com custo, você consegue limpar, mas
- 56:45você volta com ferimentos. Se
- 56:47você tiver uma falha, você ficou lá dentro e morreu.
- 56:50Isso pode ser toda uma interação
- 56:53de dungeon resolvida numa jogada, né? Então
- 56:55eu estou abstraindo bastante essa interação e aí eu
- 56:58estou perdendo os detalhes do que seria justamente
- 57:01essa abstração, do que seria justamente essa
- 57:03interação com o mundo que é entrar na dungeon. Eu
- 57:07posso ter também um tipo de regra, ele é mais
- 57:13concreto, por exemplo. Teve uma discussão em Bergotten,
- 57:17quando um grupo chegou e falou, eu vou tentar tirar
- 57:19no meio de um combate uma ânfora de óleo. Só
- 57:22que eu olhei e falei, cara, existe uma chance de
- 57:25você não conseguir tirar de cara no meio do combate
- 57:27essa ânfora de óleo direto. Pode
- 57:30ser que você tire outras coisas, pode ser que eu
- 57:31esteja solterrado na mochila. Eu
- 57:33resolvi jogar uma chance, eu falei, cara, quantos
- 57:35itens você tem na mochila? Ah,
- 57:36eu tenho 20. Então bota aí que o seu item é
- 57:40o item número 5, que você vai tirando coisa ali e
- 57:44joga aí um d20 e você tirar 5 você conseguiu
- 57:46tirar até o item. Não foi assim exatamente, mas
- 57:48foi algum rule em relativo a isso. Por
- 57:50quê? Eu senti que eu queria
- 57:51detalhar e com uma regra que foi construída na hora,
- 57:55eu queria detalhar justamente essa coisa
- 57:57durante o combate, o cara ter que tirar um item da
- 58:00mochila. Por outro lado, de forma geral
- 58:03no D &D, isso é tratado com uma regra simples de
- 58:05que você gasta uma informação para tirar
- 58:07qualquer item da sua mochila. Então
- 58:08a gente perde esse detalhe. A
- 58:10coradoria que o Gui falou é justamente a gente
- 58:12entender o nível de abstração que a gente quer
- 58:14dar para cada regra, para cada mecânica principalmente.
- 58:18E nesse ponto eu enxergo que
- 58:20se a gente pegar funcionamentos do mundo
- 58:23ficcional, a gente, de forma geral, vai ter mais
- 58:27abstrações do que se a gente pegar às vezes status
- 58:30ou traduções de regra, por exemplo. A
- 58:33gente dizia que um ser humano tem 1 de 8 pontos
- 58:36de vida, a gente está abstraindo, claro, a saúde,
- 58:40o conto de aguenta de punição um ser humano. E
- 58:43aí isso é uma abstraçãozinha, só que isso
- 58:45é um status. Por outro lado, eu dizer como
- 58:48os meios que o jogo vai me trazer para que esse
- 58:51ser humano perca esses pontos de vida dele, isso
- 58:54aí vai englobar funcionamento e quando
- 58:57engloba funcionamentos de forma geral, ele começa a
- 59:01levar para que o jogo vai encontrar vários status e
- 59:02várias questões e começa a aglutinar cada vez mais.
- 59:05Então, de certa forma, a gente
- 59:06tem diferentes níveis e diferentes objetos de
- 59:09tratamento da abstração que cada regra propõe. Então
- 59:13isso aí tem, eu acho que, uma coisa importante de
- 59:15trazer preminarmente. Esse negócio da abstração é um
- 59:20negócio interessante, porque assim, quando você diz
- 59:24nível de abstração, eu acho que isso é essencial para
- 59:26entender o RPG, porque se você, por exemplo, pegar o
- 59:29que o João estava falando, é importante a gente
- 59:32entender que a nossa percepção da realidade tem
- 59:34a ver com o nível de abstração. Tem
- 59:36uma abstração essencial para a existência humana do
- 59:39planeta que se chama língua. A
- 59:41linguagem é uma abstração. Então
- 59:43assim, por exemplo, eu fazer essa brincadeira com
- 59:45os meus óculos para eles entenderem. Uma
- 59:47coisa muito simples, né? E assim, quando eu falo
- 59:50carro, eu na minha cabeça imagino um carro, o balpe
- 59:54na cabeça dele imagina outra. Então
- 59:56é a mesma marca na mesma cor. Então
- 59:59a linguagem é um jeito da gente conseguir se comunicar
- 1:00:04e falar carro e todo mundo se entender mesmo cada um
- 1:00:07pensando no carro. Então assim, a questão aí, a
- 1:00:09questão é o nível. Quão abstraído a gente pode ir
- 1:00:13para que a gente consiga fazer funcionar sem perder
- 1:00:20os detalhes que importam. Por
- 1:00:22exemplo, o carro que vocês imaginarem é azul? Não.
- 1:00:24Então se eu quisesse que vocês pensassem num carro
- 1:00:28azul, eu diria carro azul. Então
- 1:00:30assim, é toda uma estratégia de entender o
- 1:00:32mundo que vira uma estratégia de entender o
- 1:00:35mundo ficcional, que é também igual a gente faz
- 1:00:39com o mundo, né? Aquela história. Como
- 1:00:41imagem tem mais de mil palavras, se eu mostrar um
- 1:00:44carro azul aqui, eu não preciso dizer que o carro
- 1:00:46azul, o mundo ficcional tem mais de mil palavras. Só
- 1:00:49que a gente tem que falar do mundo ficcional com a
- 1:00:51língua. E aí a gente vai ter aquela
- 1:00:53vista aí, né? O geek está levando para a
- 1:00:56filosofia, porque não fui eu, porque ele está quase
- 1:01:00mostrando o meio termo entre o realismo radical do
- 1:01:03platônico contra o nominalismo do Ocran. Então
- 1:01:07ele está chegando nas formas e nas essências do
- 1:01:12Aristóteles. Porque ele vai falar que quando
- 1:01:14você percebe uma coisa, nós temos a forma humana, mas
- 1:01:19a essência é o que a gente vai diferenciar em
- 1:01:20cada um. Então o exemplo do carro, o
- 1:01:22carro é carro porque ele tem a forma do carro. E
- 1:01:25aí na essência dele ele vai ter, por exemplo, um
- 1:01:27acidente que é a cor, e aí faz diferente. E
- 1:01:30ele que está levando para esse lado em volta. Eu
- 1:01:32queria chegar no que? Eu queria chegar no fato de
- 1:01:34que as regras são também um jeito ou melhor, as
- 1:01:38regras são quase como uma linguagem do RTG. Não,
- 1:01:41são uma linguagem, né, cara? Seja
- 1:01:44para dar dado igual se for status, dado, zeros e uns,
- 1:01:48ou seja, para elaborar função, né, tipo como as
- 1:01:52pessoas perdem PVS. Isso é uma função, isso é
- 1:01:55matemática. E eu sou de uma anos, eu
- 1:01:57tenho dado de matemática, mas eu sei identificar isso
- 1:02:00como isso, é uma matemática. São
- 1:02:01dados e são funções. Então é um negócio muito louco,
- 1:02:04você pensar que é uma linguagem, é uma linguagem,
- 1:02:07ela é funcional, matemática, lógica e ela acontece dando
- 1:02:15um joguinho de álcool. Não, e voltando ali para o
- 1:02:20exemplo que o Balbi deu de buscar uma coisa dentro da
- 1:02:22mochila, eu acho que isso tem muito a ver, porque
- 1:02:25assim, a regra, que eu acabo discordando do texto
- 1:02:30no final se quiser, eu acho que a regra guia e
- 1:02:32as rolagens lidem, mas depois a gente pode até
- 1:02:34conversar sobre isso, porque por exemplo, quando você
- 1:02:39deu a opção lá para o seu jogador, de rolar um D6 e
- 1:02:42o item dele vai estar no 5, ele que colocou o
- 1:02:44lugar, tal, você está dando a opção dele para fazer
- 1:02:49isso e quando você está falando que obrigatoriamente
- 1:02:52ele pega qualquer item, sabe que qualquer item numa
- 1:02:54rodada, ele perdeu essa pormenodização. Só
- 1:02:58que ao mesmo tempo você abre uma possibilidade de
- 1:03:00negociação. O que quer dizer que ele tem
- 1:03:03uma chance em 6? Que em 6 rodadas ele
- 1:03:06garantidamente vai ter o item dele? Quer
- 1:03:10dizer que ele vai ter 5 chances em 6 de errar? Ele
- 1:03:15pode negociar para você que ele não vai fazer nada por
- 1:03:182 rodadas, vai ficar concentrado, então em vez
- 1:03:20de ter uma chance em 6, em 2 ele pega. Então
- 1:03:23o que acontece? Você passa para o jogador, qual
- 1:03:26é o nível de detalhamento que ele quer para aquilo e
- 1:03:29juntamente a gente decide. Então
- 1:03:32quando você determina que existe essa regra de uma
- 1:03:34chance em 6, você ao mesmo tempo não determinou que só
- 1:03:38essa regra, você determinou um parâmetro e a partir
- 1:03:40desse parâmetro ele pode negociar. E
- 1:03:43isso é o entendimento do mundo, né? E
- 1:03:45falar assim, Balbi, então se uma vez em 6 eu
- 1:03:48lutando, estou lá procurando e está difícil, se eu
- 1:03:50parar e ficar 2 rodadas eu posso pegar? Então
- 1:03:54na verdade é isso, você está falando pela regra não
- 1:03:56escrita, você está tentando usar ela como um parâmetro,
- 1:03:59você pode negar e falar assim, não acho que é
- 1:04:01isso, acho que é em 3 e a gente negocia, mas só a
- 1:04:04critério de exemplo, a gente está falando que a
- 1:04:07regra não disse. Então eu acho que esse nível de
- 1:04:10abstração que permite o entendimento do mundo
- 1:04:13ficcional. Mas assim é importante também
- 1:04:16salientar nessa ideia que você traz, né? Tipo
- 1:04:18quando a gente dá a regra ou o rulinho ou a
- 1:04:21arbitragem, a gente está falando de um jogou o
- 1:04:23disco Oil Fantasy, a gente está colocando para a
- 1:04:26pessoa critérios pela pensar só a relação com o mundo
- 1:04:30ficcional, a gente está também subentendendo um tipo
- 1:04:33de jogador, assim tem certos jogadores que eles
- 1:04:36funcionam numa lógica, jogadores e mestres a gente
- 1:04:39está falando no geral, que foi ensinada e eles
- 1:04:42funcionar que a lógica do se joga a regra, não se
- 1:04:46joga o mundo. Isso é importante, porque a
- 1:04:48gente está falando que a regra é uma ferramenta para
- 1:04:52se jogar o mundo e tem muita gente que acha que o
- 1:04:54jogo é só a regra, né? É uma tradição que vem do
- 1:04:57Dodo Dodo, até hoje em dia, não estou nem falando,
- 1:05:00Dodo Pantéu hoje em dia, o pessoal que começa a jogar
- 1:05:02board game em um belo dia vai jogar uma sessão de
- 1:05:04RPG. A pessoa está tão acostumada
- 1:05:06com o jogo ser a regra, que é isso, o jogo é a
- 1:05:09regra, não importa que o jogo versas sobre
- 1:05:13investigadores e portas cotúlicos. Não,
- 1:05:17jogar a regra é uma sessão. O
- 1:05:20cara chega para jogar RPG e quer jogar a regra.
- 1:05:23Então, assim, tem um salto que é
- 1:05:25o salto de, tipo, sair da regra para o mundo
- 1:05:27ficcional e a intercuteração do mundo ficcional com a
- 1:05:30regra, que é um salto qualitativo mesmo, assim,
- 1:05:33que tem a ver com a experiência lúdica mesmo do
- 1:05:36jogo. É, acho que sobre isso tem
- 1:05:38uma coisa que eu acho muito interessante, até nos
- 1:05:41board games a gente vê muito facilmente isso, é
- 1:05:44que às vezes você vê que o jogo se estabelece numa
- 1:05:49esfera muito abstrata em relação à ficção do que o
- 1:05:54jogo trata, né? Então você vai ver que tem
- 1:05:56muitos board games que a regra é muito parecida uma
- 1:05:58com a outra, mas você muda skin, você muda o
- 1:06:00tratamento gráfico, o mundo título, mas o jogo é
- 1:06:03basicamente a mesma coisa. Então
- 1:06:04você tem ali War, mas você tem War Segunda Guerra,
- 1:06:08você tem War Grécia, você tem War, não sei o que,
- 1:06:11War das favelas do Rio de Janeiro, né? Mas
- 1:06:15mecânicamente é praticamente igual, né? Com
- 1:06:18algumas mexidinhas ali mecânicas só para dar uma
- 1:06:22cor, né? E isso é uma coisa
- 1:06:24interessante, no RPG eu vou tentar desenhar aqui de uma
- 1:06:28forma geral, né? De uma forma mais prática em
- 1:06:31termos de design, né? Você vai usar uma regra e
- 1:06:35abstrair a ficção de forma geral, a gente pode dizer
- 1:06:40para facilitar o que você não sabe, o que o jogador
- 1:06:44não sabe fazer, mas o personagem dele faz, por
- 1:06:47exemplo, isso é um recurso muito clássico para isso,
- 1:06:49né? Ah, meu personagem ele é o
- 1:06:52Sherlock Holmes, eu não sou, logo eu vou botar
- 1:06:57aqui na mecânica ele tem uma habilidade tal, a gente
- 1:07:00faz uma rolagem tal de que não me importa muito como
- 1:07:04o Sherlock Holmes vai encontrar a pista, o fato
- 1:07:07é que ele vai encontrar, a gente vai descrever mais ou
- 1:07:10menos ali como ele encontrou e o fato é que
- 1:07:12agora eu vou ser o Sherlock Holmes que
- 1:07:13encontrou a pista, porque eu rolei o dado e aí eu
- 1:07:16me sinto dessa forma, né? E
- 1:07:18aí tem até aquelas coisas da ressonância, né? Por
- 1:07:23assim dizer, a confluência, a ludo narrativa que é, é,
- 1:07:27pô, quando você estiver fazendo um ataque no jogo
- 1:07:30com seu herói, em vez de você jogar o devinte na
- 1:07:34mesa, você coloca um alvo e joga o devinte nesse
- 1:07:36alvo, se você acertar o alvo, você acertou, então
- 1:07:38você tenta fazer até com que se sinta, né? Que
- 1:07:41a estética do jogo leve a você se sentir atacando,
- 1:07:44porque a regra já é meio abstrata, né? E
- 1:07:47aí você tenta fazer com que essa abstração leve
- 1:07:50você a fazer os feitos que você não saberia descrever,
- 1:07:53como a coisa que o Jerry disse, o Jerry descreveu
- 1:07:55ali dos pinos para destravar uma porta, mas
- 1:07:58também a gente pode utilizar a regra para
- 1:08:00representar o detalhe, né? Justamente.
- 1:08:03Vamos dizer o arz mágica, o arz mágica é um jogo em
- 1:08:06que você tem toda uma germética com milhões de
- 1:08:09detalhes mecânicos traduzidos na regra do jogo, então
- 1:08:14ele abstrai milhões de detalhes que obviamente
- 1:08:18aquela realidade da Europa mítica que o arz mágica
- 1:08:23trata tem muito mais detalhes, a magia remética
- 1:08:26tem muito mais detalhes do que assim, as simples, sei
- 1:08:29lá, 250 páginas do arz mágica, mas ele consegue
- 1:08:33dar impressão suficiente para o jogador de que
- 1:08:36quando ele mexe com as opções que o sistema de
- 1:08:40jogo traz, ele se sente trabalhando a magia remética
- 1:08:44como um margo faria, né? Então
- 1:08:47a gente pode trazer regras também para representar
- 1:08:49alguns detalhes ainda que haja um grau de abstração
- 1:08:51e a gente pode também trazer regras para abstrai
- 1:08:56levemente o que não é essencial para o jogo, mas
- 1:08:59é acessório, como o Black Rack faz quando ele coloca
- 1:09:04o dado de uso para as tochas, né? Então
- 1:09:06eu até critico isso, porque para mim se você quer
- 1:09:12focar em gestão de tocha, que conte tocha a tocha,
- 1:09:17você jogar o dado e deixar que o dado resolva para
- 1:09:20você quando você vai perder uma tocha, me parece que
- 1:09:22pula uma ficção que é importante, mas tem muita
- 1:09:24gente que gosta, porque sente que não é essencial
- 1:09:27o jogo, mas é um saborzinho, né? E
- 1:09:30ainda tem uma outra forma que é você deixar sem
- 1:09:33tratamento, e quando você deixa sem tratamento, a
- 1:09:36expectativa que a gente tem é que se eu não vou
- 1:09:38tratar isso mecânicamente, se eu não vou tratar isso
- 1:09:40em regra, então quer dizer que isso não é importante
- 1:09:43para o meu jogo, né? Sendo que muitas vezes é
- 1:09:47justamente o contrário, quanto jogos de D &D você
- 1:09:49vê que as pessoas passam a sessão inteira discutindo
- 1:09:52sobre coisas aleatórias e interpretando seus
- 1:09:54personagens e deixando tudo que a regra trata de lado,
- 1:09:58porque a ficção do jogo trouxe. Então
- 1:10:00a gente pode dizer com segurança que o RPG talvez
- 1:10:02seja um jogo muito suigênel em relação a vários outros,
- 1:10:06que a ficção se impõe muito facilmente a despeito
- 1:10:10muitas vezes do que o próprio sistema traz e do
- 1:10:13que até a própria regra traz. Ainda
- 1:10:16que a gente possa pensar que as regras do RPG são
- 1:10:18muito diversas e que há um espaço de influências do
- 1:10:23espaço dinâmico, do espaço de agência muito grande. E
- 1:10:25aí tem uma questão que eu queria trazer a partir
- 1:10:29disso tudo que eu falei aqui, que é o seguinte, no
- 1:10:33episódio que eu falei sobre agência do jogador, a gente
- 1:10:36viu que uma das visões ali é que o que o Games
- 1:10:42trabalha no fundo é modelar a agência dos jogadores. E
- 1:10:47como é que vocês enxergam isso nesse papo de
- 1:10:50abstração das regras a partir do que o Jared
- 1:10:55falou? Como é que vocês enxergam o
- 1:10:57espaço de agência dos jogadores dentro dessas
- 1:11:00abstrações? Acho que um ponto importante
- 1:11:03para dizer é o seguinte, às vezes a regra é o que
- 1:11:09permite o jogador se sentir autorizado a propor certas
- 1:11:14coisas para a ficção. Então assim vou dar um exemplo,
- 1:11:18é só a partir da regra de conjurar magia que um
- 1:11:22jogador que está jogando de mago no BX sabe que ele
- 1:11:24pode botar a mão para dormir. Então
- 1:11:27assim, de certo sentido as regras elas, mais que elas
- 1:11:30ocultem e escondam e ludam, evadam algumas informações,
- 1:11:37às vezes elas nessa elisão elas colocam coisa para
- 1:11:42jogo, por exemplo, não está descrito na magia só no
- 1:11:46gestos, as palavras mágicas. Não
- 1:11:48está descrito na magia só, tudo que está escrito no
- 1:11:52Grimório do Obama, está escrito na magia só no
- 1:11:56efeito da... E é exatamente do efeito dela
- 1:11:59que o jogador precisa para tomar uma decisão informada,
- 1:12:02ele sabe quantos dados de vida ele vai botar para
- 1:12:04dormir. Ele olha para o monstro e ele
- 1:12:08faz uma estimativa, se aquele monstro tem mais ou
- 1:12:10menos dados de vida, ele pode, ele joga ou não joga
- 1:12:13a magia. A regra então ela permite ao
- 1:12:15jogador um espaço de agência, que quando a gente
- 1:12:18não tem é difícil. Acontece muito, por exemplo, a gente
- 1:12:21estava até conversando esses dias para trás do grupo de
- 1:12:23café com o Dandre, eu tenho uma dúvida muito
- 1:12:25grande que até hoje eu não consegui achar uma resposta
- 1:12:27satisfatória porque eu acho que não tem, que é, qual
- 1:12:30é a hora que uma arbitragem de mesa deve
- 1:12:33virar uma regra escrita de vida ensurada? Eu
- 1:12:37acho que não tem uma resposta boa, porque não
- 1:12:39tem uma resposta única, eu acho que cada vez vai
- 1:12:41precisar de um. Mas às vezes o jogador ele não
- 1:12:44sabe que ele pode fazer uma coisa e por não saber
- 1:12:47que ele não pode fazer aquela coisa ele não se
- 1:12:49propõe a fazer. Então assim, às vezes a regra é
- 1:12:55essencial para que o jogador tenha espaço de
- 1:12:57agência. Depois a gente tem outros textos
- 1:12:59também que vão falar sobre isso, eu li um blog
- 1:13:02recentemente que o cara fala que na verdade ele
- 1:13:05sente que quem tem a total agência sobre o jogo é o
- 1:13:08mestre e o mestre ele divide a agência com o
- 1:13:10jogador. Delemana toda a agência. Delemana
- 1:13:14toda a agência, quase como Deus, o grande Deus da
- 1:13:16liberdade, é o mestre. E assim, não concordo, mas é
- 1:13:21uma ideia interessante para pensar, é uma ideia
- 1:13:23interessante para pensar porque assim, o mestre
- 1:13:25enquanto a pessoa é que ela abrimando a própria
- 1:13:29agência para que o jogador tenha a própria agência.
- 1:13:32Então assim, as regras às vezes
- 1:13:34elas estão também nesse espaço de delimitar para
- 1:13:37que as pessoas tenham liberdade. É
- 1:13:40interessante essa ideia de delimitar para que as
- 1:13:42pessoas tenham liberdade, porque a gente está no
- 1:13:43mundo que subentende que mais opções é melhor e
- 1:13:46mais opções não é melhor. A
- 1:13:48gente sabe por experiência, quando a gente tinha que
- 1:13:50na locadora lugar a filmar, tinha os mesmos 40 filmes
- 1:13:53naquela prateleira, a gente sempre voltava com o filme
- 1:13:56de lá. Hoje a gente senta na Netflix e
- 1:13:58tem o quê? 6 milhões de títulos e duas
- 1:14:01horas e meia a gente tentando descobrir o que a
- 1:14:03gente vai assistir. Então assim, que liberdade é essa
- 1:14:05que paralisa, né? Então assim, às vezes recortar é
- 1:14:08importante para que a gente possa efetivamente achar,
- 1:14:11porque o excesso às vezes paralisa. Ou
- 1:14:14eu me identifiquei agora porque eu sempre ando no
- 1:14:17locadora e o cara da locadora me zoava, porque
- 1:14:21eu sempre voltava com Evil Dead e mais um VHS. Eu
- 1:14:26sei, diferente aquele mais eu falava, pelo menos Evil
- 1:14:30Dead eu pego. Se ele tava de Evil Dead, já
- 1:14:34garantia o final de semana. Quando
- 1:14:45a hora é certa, é dado o último gole na cerveja
- 1:14:49ceremonial conhecida como Bierbottling. Densa
- 1:14:53como a noite misteriosa como uma tumba, é degustada
- 1:14:58para os bons pressajos na exploração da região que
- 1:15:02leva o mesmo nome, Bierbottling, que guarda os
- 1:15:07jazigos dos titanos, seres primordiais anteriores aos
- 1:15:12próprios deuses, por eles sepultados com seus
- 1:15:17tesouros, segredos e rancos de metaphysics. Bierbottling
- 1:15:23é uma campanha de Hexcrawl, aperta e gratuita, de RPG
- 1:15:27ou discurso no estilo Oil Fantasy, com sessões
- 1:15:30episódicas em um mundo permanente, com centenas de
- 1:15:34jogadores e quatro destemidos mestres, Balbi
- 1:15:37Cobb, João Boulamaque e Márcio Floreiro. Além
- 1:15:42dos hermos, repletos de monstros e tesouros,
- 1:15:45comunidade explora um estilo de jogo forjado a partir
- 1:15:48das reflexões dos mil episódios, entre a primeira
- 1:15:51temporada do Café com Dungeon e outros
- 1:15:53experimentos como Oli Glory, D &D Muleque e outros.
- 1:15:57Descubra o paradeiro do mago que
- 1:15:59ficou louco ao ouvir os impropérios de uma cabeça
- 1:16:02falante espetada na ponta de uma lança, entenda como
- 1:16:06derrotar a salamanda de fogo que toma conta da
- 1:16:10chapada dos queimados em seu covil, cheio de rubis
- 1:16:14do tamanho de um crânio humano, em frente dos
- 1:16:17bandidos da unha de navalhas, especialistas em
- 1:16:20geometria sagrada, que apavoram a vila da fasqueta
- 1:16:24e escoram os seus tesouros do jazigo do titan caverna,
- 1:16:29aprisionado pelo Deus Tétris em sua, entre em cada
- 1:16:32estrutura de cordas nois e tendões que sustentam o
- 1:16:37Monte -Qui. Tomar da biergotem e sair
- 1:16:41alucinado pelos erros parece arriscado, mas a cerveja
- 1:16:45abre um canal direto com os titãs e com seus
- 1:16:48poderes primordiais podem imbuir os aventureiros de
- 1:16:51asas, de vigor incansável, no dialeto das plantas ou
- 1:16:56mesmo com a força perpétua de um rio, a esperança de
- 1:17:01serem libertados pelos bravos inconsequentes
- 1:17:04caçadores de ouro, dentes de pé com ouro resgatado,
- 1:17:07mas também com descobertas nos ermos e com rumores
- 1:17:09compartilhados com os demais aventureiros. E
- 1:17:12aí, topo o desafio? Unmontem
- 1:17:15o seu grupo e procuram um dos mestres em nosso grupo
- 1:17:17de telegram que a gente tenta atender os seus
- 1:17:20horários. Se você não tiver grupo, você
- 1:17:22pode sempre chegar e conhecer outros aventureiros
- 1:17:25precisando de companheiros para uma encorção. Então,
- 1:17:28segue o link aí na descrição do episódio e
- 1:17:31vamos explorar Piergote! Cara,
- 1:17:54mas sobre isso das regras e do espaço de agência, eu
- 1:18:01acho que o RPG traz uma coisa diferente de outras
- 1:18:04mídias ou de outras formas de jogo que é bem peculiar
- 1:18:10a ela. Então, por exemplo, quando a gente
- 1:18:12vai falar sobre uma regra e, por exemplo, dizer que
- 1:18:14só por ter fato de ter a magia sono, o jogador agora
- 1:18:19pode fazer o sono, eu acho que isso é uma casquinha
- 1:18:24dentro de um grande panorama. Porque
- 1:18:27o RPG tem as segras, tem a estrutura do mundo, que
- 1:18:32é o que vai delimitar a agência do mestre, então
- 1:18:35não é dele que emana toda a agência, mas ao mesmo
- 1:18:40tempo vai ter um espaço que acontece o jogo
- 1:18:43inteiro, que é o diálogo. E
- 1:18:45não estou nem dizendo um diálogo ficcional, estou
- 1:18:47dizendo um diálogo mestre do jogador em todos os
- 1:18:50âmbitos, tanto na parte externa do meta -game, exato
- 1:18:54da parte social, da convivência, como do diálogo
- 1:18:57dentro do jogo. Então, por exemplo, o cara que
- 1:19:00não sabe atuar, ele vai convencer o guarda -como
- 1:19:03para passar num portão. Ele vai dar um exemplo, ah, eu
- 1:19:07sei que ele gosta de comer sopa de avestruz, e vai lá
- 1:19:13e vai inventar, tem a melhor sopa, eu te pago
- 1:19:15duas moedas, fica lá dez minutos, o cara explicou,
- 1:19:19ele não está fazendo uma grande interação, então ele
- 1:19:23vai atuar por meio desse diálogo. Só
- 1:19:25que ao mesmo tempo, esse diálogo faz com que o
- 1:19:29jogador sinta o mundo e que ele perceba as
- 1:19:32estruturas mesmo daquilo que não está escrito por meio
- 1:19:34da resposta do mestre e vice -versa, vice -versa vai
- 1:19:38ter algum momento onde o mestre vai provocar o
- 1:19:40jogador para ele dizer quais são os parâmetros do
- 1:19:43mundo. Então, se você falar assim, olha,
- 1:19:44no meu mundo existe magia. E
- 1:19:47aí você conta a história de um cara que fez Mísseis
- 1:19:49Mágicos e conta a história do Gandalf soltando fogos
- 1:19:52de artifício no meio da festa do Bilbo. E
- 1:19:54aí, daqui a duas, três sessões, o Balbi chega e
- 1:19:57passa em poucos. Como existe magia, eu pensei
- 1:20:00aqui que existiria uma maior possibilidade de eu
- 1:20:02conseguir encantar e fazer o pessoal dormir. E
- 1:20:05nesse vai -vende, entender como funciona a magia, se
- 1:20:08tem magia mais poderosa, menos poderosa, a gente vai
- 1:20:12reestruturando o mundo e vai criando novas permissões
- 1:20:17dentro desse mundo. Então, a gente vai entendendo
- 1:20:20novas regras por meio do diálogo. E
- 1:20:22eu acho que o principal para o espaço de agência é
- 1:20:26você ter uma estrutura que narra a maior parte, as
- 1:20:30partes mais nebraus que eu expor, por exemplo, o
- 1:20:32combate, causa muita briga. Se
- 1:20:34eu disser para você que você simplesmente morreu com
- 1:20:36uma facada, porque esse aqui era meu guerreiro
- 1:20:38nível 3, você é um ladrão nível 1, perde o jogo e é
- 1:20:44uma parte muito importante, acabou para você. E
- 1:20:47aí, as partes mais agudas, sendo demarcadas, ela vai
- 1:20:52dando parâmetros para você negociar. Eu
- 1:20:54estava pensando uma coisa também, que volta um
- 1:20:57pouquinho no assunto lá, mas que parte um pouco do
- 1:21:01lado que você falou, é que muitas vezes tem aquela
- 1:21:04dicotomia clássica, que as pessoas já adoram ligar nas
- 1:21:08discussões sobre a RPG, que é role play e regra, role
- 1:21:13play mecânica. Elas não são inversamente, não
- 1:21:18são mutuamente excludentes, elas não são uma dicotomia
- 1:21:20necessária e tudo mais. E eu concordo, mas eu
- 1:21:24concordo, mas eu também sei de onde vem. Não
- 1:21:27é uma idiotice completa como as pessoas fazem
- 1:21:29parecer. Por quê? Porque
- 1:21:31role play, no fundo, não é a interpretação de eu fazer
- 1:21:34vozinha, nem nada assim. Role
- 1:21:36play é tomar decisões pelo meu personagem. Muitas
- 1:21:39vezes quando ele está jogando um combate, por
- 1:21:41exemplo, vou dar um exemplo, um combate, eu
- 1:21:43chego e falo assim, então eu quero acertar a coxa da
- 1:21:47criatura com a minha espada. E
- 1:21:49o mestre fala, não, aqui é só um devinte que você vai
- 1:21:52rolar e você vai tirando o HP da criatura até ela
- 1:21:55morrer. Nesse ponto, ele tirou opções
- 1:21:58minhas de agência. Então ele modulou o que me
- 1:22:03parece, inclusive, uma coisa que move a nossa busca de
- 1:22:06estilo aqui, de nós três, né, de oil fantasy e de
- 1:22:10combate do, combate ful e essas coisas todas, que é,
- 1:22:14da gente falar, cara, em algum ponto me parece que
- 1:22:17o D &D mediu as regras em um nível de abstração e
- 1:22:22para muita gente não funciona, encerra o role
- 1:22:25play num momento disfavorável e aí fica esse
- 1:22:28sentimento de que a mecânica, ela vem impor um
- 1:22:33corte de abstração onde me, onde pode o meu role play,
- 1:22:38né? E aí nesse caso, a gente
- 1:22:41pode dizer que a gente está trazendo justamente
- 1:22:43tentando fazer e aí isso acho que é uma busca que
- 1:22:46a gente tem aqui com o elfante, todos esses
- 1:22:49esclaves que a gente faz, que a gente tenta coroar
- 1:22:51justamente esse diálogo a partir de regras que não
- 1:22:55opunam, que não abstraiam de forma precoce, né? Que
- 1:23:00deixa a gente brincar o jogo da ficção, que deixa
- 1:23:04a gente dialogar dentro e fora do jogo mesmo e que
- 1:23:07o momento de aplicar a mecânica, de aplicar uma
- 1:23:12regra aconteça de forma espontânea a partir desse
- 1:23:15diálogo ficcional. Eu acho que uma riqueza muito
- 1:23:17grande desse texto é isso, né? Que
- 1:23:19quando ele fala que as regras ocultam fatos da
- 1:23:22ficção, ele na verdade está dando uma ferramenta
- 1:23:24maravilhosa para a gente pensar, porque assim, quando
- 1:23:27ele vai falar se há, é, existem níveis em que a
- 1:23:30gente pode começar a ocultar, a gente está
- 1:23:33falando de coisa simples, né? Que
- 1:23:35assim, por exemplo, o D &D PX, ele tem uma rolagem de
- 1:23:39iniciativa que ela é padrão para todo mundo, todo mundo
- 1:23:43rola um D6. E o D &D, que em edição,
- 1:23:46cada jogador rola um D20 mais seu modificador de
- 1:23:50texto. Então o BX ele elidiu esse
- 1:23:54essencialismo, que é o fato de que cada pessoa reage
- 1:23:57numa velocidade. Ele transformou, ele falou
- 1:23:59assim, isso não importa para a gente, na maior
- 1:24:02parte das vezes. Qual que é a grande questão aí
- 1:24:05que eu acho que o combate fucoló no Kikiprimer, mas
- 1:24:08principalmente no Iofenis? É,
- 1:24:11vamos negociar inclusive o nível de elisão? Tipo,
- 1:24:15a iniciativa, a gente rola assim, mas se vocês
- 1:24:18quiserem que a gente rola diferente, a gente pode
- 1:24:20negociar também, mesmo porque não é necessário
- 1:24:23rolar iniciativa toda hora. Às
- 1:24:25vezes já está dado pela ficção. E
- 1:24:26às vezes você vir e fala, pô, mas a minha destreza
- 1:24:29importa agora, a gente está jogando facas. Eu
- 1:24:33sou muito melhor em arremessar facas do que
- 1:24:35você. Deixa eu jogar a família
- 1:24:37destreza, sabe? A gente pode argumentar
- 1:24:39inclusive isso. E eu acho que aí vem a
- 1:24:41grande questão. A grande questão é o
- 1:24:43seguinte, RPG é faz de conta. E
- 1:24:48faz de conta, se você vê as crianças brincando, é o
- 1:24:53jogo de fantasiais imaginar. E
- 1:24:57quando ela regra, ela elide para abstrair, às vezes ela
- 1:25:01está exatamente tirando a fantasia e a imaginação.
- 1:25:05Perfeitamente. E uma coisa interessante
- 1:25:07nisso que você falou, negociar o quanto você quer
- 1:25:10abstrair, de certa maneira isso também é uma forma de
- 1:25:13garantir a agência do jogador. Para
- 1:25:15falar aí para você o que é importante. Só
- 1:25:19que quando você vai usar os parâmetros, por exemplo,
- 1:25:21a iniciativa, eu tinha tido essa ideia quando o Balb
- 1:25:23falou de pontos de vida, mas me perdi no meu
- 1:25:26parámetro assim. Quando você fala de iniciativa, eu
- 1:25:31acho que parte da capacidade de investigar a
- 1:25:36ficção passa também pelo jogador e pelo mestre
- 1:25:39entenderem direito o que uma ferramenta ou que uma
- 1:25:42regra indica. Então, por exemplo, quando você
- 1:25:45fala assim, a iniciativa, um jogador casual,
- 1:25:48provavelmente vai falar assim, é o que se rola no
- 1:25:50primeiro momento do combate, a primeira etapa da rotina
- 1:25:54do combate. Mas quando você olha pelos
- 1:25:57olhos do oil fantasy, do combate full, combatidor ou
- 1:26:00qualquer coisa assim, do quick primer, ele vai falar
- 1:26:04assim, a iniciativa, ela mais parece um saque
- 1:26:07rápido, sua resposta rápida, sua reflexa. Então,
- 1:26:11vou dizer assim, tem uma espada no meio da arena,
- 1:26:17então eu e você competindo. Quem
- 1:26:19que pega a espada? Sou eu que tenho a destreza
- 1:26:2214, eu sou você que tem a destreza 17. Ah,
- 1:26:26é o cara de 17. Ah, mas você está carregando 1
- 1:26:30.200 moedas, eu estou carregando 400. E
- 1:26:33o movimento não tem a ver com a destreza, ele tem a
- 1:26:35ver com o peso. Mas eu estou preparado para o
- 1:26:40combate e você também. Então
- 1:26:42nós dois estamos até em termos de distância, não é
- 1:26:44tão grande, será que essa explosão faz diferença? Ah,
- 1:26:48puta, já sei, vamos lançar a iniciativa. Então
- 1:26:50olha só como uma situação, aqui eu já dei 3
- 1:26:52possibilidades de resolução. E
- 1:26:54aí entra no primeiro frase que você falou, que a
- 1:26:57curadoria faz parte da mesa, não só do mestre,
- 1:27:01mas também do jogador, fazer a curadoria do que é
- 1:27:04importante para resolução daquela situação. Então
- 1:27:07você vai olhar a partir do entendimento do que são as
- 1:27:10ferramentas, quais são as estruturas e qual é a mais
- 1:27:13adequada para usar. E pode ser que na minha mesa
- 1:27:15eu opte pela iniciativa, na sua você vai usar pelo
- 1:27:18peso. Puts, você está com 1 .200 moedas
- 1:27:21e você se desloca a ver pior. E
- 1:27:23tudo bem, só que desde o momento que isso seja
- 1:27:26negociado e seja aceito pelas duas partes de
- 1:27:29maneira consensual, está valendo, porque aquilo foi
- 1:27:33aceito e foi validado pela mesa. Então,
- 1:27:36o grande processo que eu acho que deve acontecer, o
- 1:27:39grande roteiro que deve acontecer na investigação da
- 1:27:43ficção é essa, é a curadoria do que é
- 1:27:45importante para a situação e estabelecer o diálogo
- 1:27:48entre ambas as partes para ver se está todo mundo
- 1:27:50entendendo o que rolou. Então
- 1:27:53eu acho que a única coisa que não deve ser prescrita
- 1:27:55é esse processo de diálogo. Isso
- 1:27:58é muito bom, porque inclusive é o que traz a
- 1:28:01experiência mais aberta do RPG em contraste com as
- 1:28:04experiências mais fechadas que a gente consegue ver
- 1:28:07em alguns jogos mais voltados para a construção
- 1:28:10narrativa através de mecânicas, de impulso
- 1:28:13mecânico e tudo mais. Porque
- 1:28:15essa curadoria espontânea da mesa, isso pode levar o
- 1:28:19jogo inclusive para lugares que inicialmente a gente
- 1:28:21nem pensou que o jogo poderia ir para aquele
- 1:28:23lado. A gente pode, de repente,
- 1:28:25acabar como aconteceu em Biagot e, de repente, a
- 1:28:28gente crevendo ali sobre rulings de como uma
- 1:28:31mariposa gigante vai ser montada por um elfo em
- 1:28:36dias de muito vento. Então quais são os limitações,
- 1:28:39quais são os perigos relativos a isso? Será
- 1:28:41que a gente quer lidir disso? Não,
- 1:28:42pelo contrário. Eu quero ver isso aqui em
- 1:28:44jogo. Então, a gente poder fazer essa
- 1:28:47curadoria de forma espontânea é um partido de
- 1:28:50game design para RPG que muito se ignora. Eu
- 1:28:54concordo plenamente, cara, com esse apontamento aí
- 1:28:56que... Eu já vi uma coisa
- 1:28:58interessante agora, sendo ele falando que assim, vou
- 1:29:00primeiro contar um cálculo para depois explicar o que
- 1:29:02eu quero falar. Tem uma história famosa, vocês
- 1:29:05devem ter visto essa notícia, os ouvintes devem
- 1:29:07ter visto essa notícia. Que de um dia um cara estava
- 1:29:11num museu e ele esqueceu o Oculus dele em cima de um
- 1:29:14banco. E aí ele foi embora. E
- 1:29:17as pessoas estavam passando pela mostra de arte
- 1:29:20moderna, haviam aqueles óculos e começaram a tirar
- 1:29:22foto daquele óculo, achando que era uma instalação. O
- 1:29:26que eu estou falando? Eu estou falando que, às
- 1:29:28vezes, completamente a revelia do game design, de
- 1:29:32tudo o que ele pensou enquanto a curadoria, do
- 1:29:34que o jogo dele vai ser, a mesa vai lá e for outra
- 1:29:38coisa. Esse é o caos, agora eu
- 1:29:40explico. Vampiro Super Heroes. Todo
- 1:29:44mundo que cresceu nos anos 90, todo mundo que está
- 1:29:47aqui com certeza, já jogou uma sessão de vampiro à
- 1:29:50máscara, que na verdade era o filme da Marca.
- 1:29:54Completamente a revelia do que queria o
- 1:29:56Marca enrere. Porque é isso, na hora que chega
- 1:29:59na mesa, esse processo de curadoria é refeito. Então
- 1:30:04assim, é muita prepotência do game designer achar que
- 1:30:08ele vai conseguir curar completamente a experiência
- 1:30:12dos caras que vão jogar o jogo dele. É
- 1:30:14impossível. Vai saber que os caras vão
- 1:30:17fazer quando a gente chega na mesa. Só
- 1:30:19compartilhando, Gui, quando eu tinha uns 14, 15 anos
- 1:30:23jogando vampiro, eu me achei um gênio, porque a
- 1:30:26gente adaptou Dragon Ball para isso, e meus amigos
- 1:30:28gostaram que a gente era um gênio. Puta,
- 1:30:31dá para jogar Dragon Ball com vampiro. Cara,
- 1:30:36uma coisa que é muito louca no RPG, é que
- 1:30:39justamente muito se culpa o design, as regras, o que é
- 1:30:43aquele sistema entrega? Aquele
- 1:30:46sistema entrega os super -heróis, etc. E
- 1:30:52é muito doido, porque a gente sabe que no RPG
- 1:30:55muita coisa influi, muitas outras coisas influem isso.
- 1:30:59A gente sabe que existem os
- 1:31:00ice guys na época do Blade e de outras coisas
- 1:31:03relativas que trazem também uma carga, que não é uma
- 1:31:07carga necessariamente da regra, e que leva a isso,
- 1:31:09mas certamente a regra também contribuiu. Então
- 1:31:11esses níveis diferentes de elisão e tudo mais... É,
- 1:31:17exatamente. Bom, e isso a gente pode dizer
- 1:31:19também sobre a exploração que a gente faz em Oil
- 1:31:22Fentaz e Birgota e... enfim,
- 1:31:26em Terra, e todo mundo que segue mais ou menos esse
- 1:31:28papo no Hexcrawl, que é aquela bucha que a gente
- 1:31:32tinha, inicialmente, de não elidir, não criar uma
- 1:31:37elisão sobre a exploração do terreno. Isso
- 1:31:41é uma coisa que, assim, para mim pelo menos foi
- 1:31:43uma busca de 10 anos. Com segurança, posso dizer.
- 1:31:47Desde que eu jogava desde o
- 1:31:49Idingo do Céculo Pídia e eu olhei no BX e no BX
- 1:31:52estava falando assim, ah, não, você vai jogar
- 1:31:55explorando o terreno e eventualmente você vai se
- 1:31:57perder sem precisar jogar um dado para isso. Era
- 1:32:00mais ou menos isso que estava escrito ali no Base,
- 1:32:02e que só que me explicava como chegar lá. E
- 1:32:04o que a gente descobriu é que a gente precisa ter
- 1:32:07certas abstrações abstrações na regra, a gente precisa
- 1:32:10ter certas regras que impulsionem isso, mas ao
- 1:32:13mesmo tempo que a gente precisa construir esse
- 1:32:17mundo, a gente precisa construir esse também espaço
- 1:32:20de reivindicação ficcional para que isso possa
- 1:32:23acontecer no jogo de forma emergente, né? E
- 1:32:26é muito louco a gente conseguir experimentar isso
- 1:32:29e perceber a diferença que tem de a gente jogar um
- 1:32:32birgote, que a gente consegue experienciar essa
- 1:32:37exploração muito pormenorizada, o que traz
- 1:32:40um sentimento muito diferente em relação a
- 1:32:42gente experimentar jogando um forbidden lands, por
- 1:32:45exemplo, que é uma exploração de rex em rex,
- 1:32:49né? Muito mais abstrato, né? Acho
- 1:32:52que são respostas diferentes, né? Eu
- 1:32:53acho muito louco assim que a gente vive comentando
- 1:32:56esse tipo de blog lá no comunidade, né? E
- 1:32:59a gente sente uma diferença muito grande de talvez seja
- 1:33:03desatigar esse mesmo de posição, de posicionamento,
- 1:33:07assim, que é o que? O pessoal da gringa, eles têm
- 1:33:10um costume de tipo encontrar um problema e
- 1:33:13fazer pronto, agora eu só vou resolver esse problema
- 1:33:16e invento uma regra. Como se a regra resolver esse
- 1:33:19problema. A gente faz um abenço, a
- 1:33:22gente quando encontra o problema, em vez da gente
- 1:33:25aumentar o nível de abstração, a gente diminui
- 1:33:27o nível de abstração. Tipo, como é que sobe essa
- 1:33:30montanha? Em vez de eu falar assim,
- 1:33:31vamos ver as regras da escalada da montanha, e eu
- 1:33:35vou falar assim, você está vendo uma pedra, ela é
- 1:33:37horizontal, ela é vertical, quer dizer, e ela é lisa.
- 1:33:41Então, você está saindo da
- 1:33:42abstração. Não, pera aí, chegamos num
- 1:33:44momento aqui que quem vai dar resposta é a ficção,
- 1:33:46não a abstração. Então, é um negócio muito louco,
- 1:33:49você pensar que assim, tipo, não, não vamos
- 1:33:51inventar mecânica para coisa que o mundo ficcional
- 1:33:55consegue nos responder. Não vamos tentar, tipo, abstrair
- 1:33:59coisas que não precisa de abstração. A
- 1:34:01exploração é muito grande, porque é um negócio que
- 1:34:03todo mundo vai jogar bergotes em sempre, porque
- 1:34:06é muito gritante, né? É muito diferente, você vai
- 1:34:10falar assim, tá bom, então você sai da cidade, para
- 1:34:12que lado você vai. Norte, é diferente quando chega em
- 1:34:16bergotes, você fala isso e o mestre fala assim, tá
- 1:34:19bom, mas para onde que é o norte? E
- 1:34:22aí você se vê e fala assim, não, pera aí, eu
- 1:34:24aprendi na escola que o sol nasce na minha mão
- 1:34:27direito, o norte é o meu nariz, sabe? Isso
- 1:34:31é jogar, jogar, jogar é simular o mundo, né? E
- 1:34:36assim, você está usando estratégias do mundo real,
- 1:34:39é igual ele fala que nós habitamos com os nossos
- 1:34:42corpos de carne humana, né? Para
- 1:34:45jogar o jogo, né? Não precisa criar regra nova, é
- 1:34:48que a gente tem essa mania, porque é o jeito
- 1:34:49que a gente entende o mundo, né? O
- 1:34:51João estava falando, o mundo não, o Neil de Grae
- 1:34:54está isso, ele fala, coisa linda no cosmos, que é, o
- 1:34:57mundo não tem nenhuma obrigação de fazer sentido.
- 1:35:00A gente vai dar sentido para
- 1:35:02o mundo, porque é o nosso jeito de ver o mundo,
- 1:35:03então a gente precisa criar sentido para conseguir
- 1:35:05entender, porque a gente é humano, a gente é feito de
- 1:35:08carne e cérebro, e o cérebro nos obriga a tentar
- 1:35:11entender as coisas, assim, abstrair é tentar entender
- 1:35:15as coisas, e às vezes a questão não é abstrair, às
- 1:35:17vezes a questão é experienciar. A
- 1:35:19parede é uma parede lisa e vertical. Como
- 1:35:23é que você vai escalar? Não,
- 1:35:24mas eu quero rolar, não, você não vai rolar nada,
- 1:35:26amigo, a parede é uma parede lisa e vertical, me
- 1:35:29explica, procedimentos, né? O
- 1:35:32Samuca, quando ele mestre, ele fala muito assim, eu
- 1:35:34quero saber os procedimentos, o que
- 1:35:35exatamente você vai fazer, não adianta você falar, que
- 1:35:37você vai escalar, quer saber os procedimentos, como
- 1:35:40você vai escalar? É o procedimento em vez do
- 1:35:42procedural, né? É. Você atravessa um jardim
- 1:35:54delicado, você vai admirando uma linda cerejeira em
- 1:36:00miniatura, plantada num vasinho de cerâmica, quase
- 1:36:05do tamanho do gato sentado do lado dela. O
- 1:36:11canto da cigarras e grilos navega no murmur de uma
- 1:36:15pequena fonte. O ar fresco e o perfume de
- 1:36:20terra húmida enche seus pulmões. Você
- 1:36:23cruza um lago de carpas coloridas por cima de uma
- 1:36:27pequena ponte e caminha até a entrada de um templo
- 1:36:30típico. A parede corredice e as
- 1:36:33lanternas de papel colorido projetam tomos acolhedores,
- 1:36:38o aroma de madeira antiga se mistura um incenso
- 1:36:41exótico, apenas você e o silêncio entram ali. De
- 1:36:47pés de calços você pisa no tatame de tecido e sente a
- 1:36:52energia vibrante do respeito e da dedicação fluindo pelo
- 1:36:56seu corpo. Com respeito e admiração, um
- 1:37:00círculo de pessoas em trajes típicos te saúda com
- 1:37:03um gesto fino. A palma esquerda suavemente
- 1:37:06repousando sobre o punho direito. Bem
- 1:37:09vindo ao RPG do Jô, o santuário digital onde a
- 1:37:12gente estuda e pratica os jogos de RPG. Salve,
- 1:37:21salve galera do café! Cobi aqui para te contar um
- 1:37:24pouco do que rolou nesse nosso primeiro mês de dojô.
- 1:37:27Nossa comunidade já tem dezenas
- 1:37:29de entusiasas de RPG. O tema do nosso primeiro
- 1:37:32festival foi o papel de quem mestra escolhido pela
- 1:37:35comunidade. A galera se reuniu em peso
- 1:37:38para gravar e publicar tudo gratuitamente no Spotify do
- 1:37:42dojô. Também teve nosso primeiro workshop
- 1:37:44preparando pouco e mestrando muito. Três
- 1:37:47manhãs de prática intensa sobre prep de RPG. A
- 1:37:51gravação já está disponível para apoiadores e a sessão
- 1:37:55de prática aberta do terceiro dia está aberta no
- 1:37:58YouTube do café. O feedback de toda a
- 1:38:00comunidade foi muito legal. Confere
- 1:38:02lá e deixe seu comentário também. O
- 1:38:05formulário de admissão do dojô ainda está aberto.
- 1:38:08Inscreva -se e descubra como você
- 1:38:11pode transformar seu jogo e sua mente. Nosso
- 1:38:14grupo fechado de bate papo agora está no télagra. Por
- 1:38:17lá a gente combina os temas e as datas para os
- 1:38:19workshops, para as aventuras, para as arenas e
- 1:38:22para os sorteios. Você pode até receber mentoria
- 1:38:25particular para seus projetos de RPG, com menos
- 1:38:28de 30 reais por mês já dá para participar e seu apoio
- 1:38:31aqui no café pode te levar para o nosso upgrade
- 1:38:33máximo. O link está na descrição do
- 1:38:36episódio. Estamos te esperando.
- 1:38:48Bom, acho que a gente discutiu
- 1:38:51legal, comentou legal, já deu bastante tempo de
- 1:38:54episódio aqui. Acho que é um tema que dá
- 1:38:56muito mais pra manga e por isso eu queria que combinar
- 1:38:59com vocês uma próxima leitura. Quer
- 1:39:01recomendar uma próxima leitura para a gente fazer
- 1:39:04em breve? Eu acho que assim, duas coisas
- 1:39:06que a gente pode ler. A resposta do Sorens, é uma
- 1:39:11resposta muito interessante que ele vai dizer assim,
- 1:39:14não são todas as regras que ocultam, não são todas
- 1:39:16as regras que ele vivem. Existem
- 1:39:18três tipos de regras e só um tipo dessas três é que
- 1:39:23realmente ele vivem. Tem outras regras que são
- 1:39:25regras dentro da ficção, elas não é livre. Esse
- 1:39:27é um texto muito legal, mas eu acho que o mais
- 1:39:29legal de todos é o do Montola. O
- 1:39:32Montola é um artigo científico de 10, 15 partes
- 1:39:35que é o cara tentando estabelecer o que que é o
- 1:39:38mínimo para se dizer que isso é um faz de conta ou
- 1:39:41isso é um polyplay. O isso do Montalmig... O
- 1:39:44que ele está traduzindo, né? Quando
- 1:39:46ele estiver pronto... Esse pra mim chegou a ser o
- 1:39:50meu da orelha assim. E não é assim, é super
- 1:39:52difícil. É que ele é acadêmico, mas
- 1:39:54não é um texto super difícil. Ele
- 1:39:56é muito inteligente. Mas esse é o texto que eu
- 1:40:00achei mais parecido com o fantasy. Esse
- 1:40:04do Montola é muito bom. É engraçado esse Montola,
- 1:40:07parece que ele faz as perguntas que a gente está
- 1:40:09respondendo, que a gente meio que está buscando
- 1:40:11responder com o fantasy, do me sentir e do vontade de
- 1:40:13abraçar ele, cara, realmente. Vê
- 1:40:15que a gente não conheceu ele antes? Que
- 1:40:18dava para a gente ter culpado um bom tempo. Dava
- 1:40:22para ter economizado um trabalho, Paulo. Eu
- 1:40:25não sei porque ele é, talvez o tempo de reflexão,
- 1:40:28porque ele traz questões, né? A
- 1:40:31gente tenta resolver isso na prática, mas ele traz
- 1:40:33questões. Enfim, vamos lá, vamos botar isso
- 1:40:37do Sorensen, então vai ser a próxima leitura. O
- 1:40:40título desse do Sorensen é resposta, né? Então
- 1:40:43é re e aí, rules elide and its consequences. Então
- 1:40:48a gente dá uma olhada também. O
- 1:40:49Sorensen já autorizou a tradução da resposta dele,
- 1:40:54então a gente pode pegar esse material e fazer uma
- 1:40:57leitura em breve. Bom, gente, mais algum recado
- 1:41:02final para a galera em relação a isso? Algum
- 1:41:04recado final de forma geral? O
- 1:41:06Gui tá com o livro na praça e agora oficial, né?
- 1:41:09O João também tem algumas
- 1:41:10coisas que querem falar? É, acabou de acabar o
- 1:41:15financiamento coletivo no microstarter do desafio
- 1:41:18Gaiax 2023, que eu ganhei com o cidadela, ganhei, né?
- 1:41:23Um dos quatro ganhadores do
- 1:41:24Calma. O cidadela do Lular, logo,
- 1:41:26logo mais, vai estar disponível no, mais e aí,
- 1:41:35estou fazendo umzinho e eu, o Geraldo de Sky e o
- 1:41:39Icaro Agostino, né? O Bob inclusive falou que ia
- 1:41:42revisar e eu estou esperando. Tô
- 1:41:44regindo, tô regindo. Que a gente vai lançar
- 1:41:47gratuitamente um PDF todo ilustrado, uma região, né?
- 1:41:54De um cenário Hexcross e nos
- 1:41:56preceitos ali, quem tiver em bergota, enfim, em
- 1:41:59terra, para quem não quer jogar a mesa online, poder
- 1:42:01pegar e jogar na mesa deles, no quintal de casa
- 1:42:05mesmo. O cara pega o zine e vai lá
- 1:42:07até uma região para jogar como se fosse bergota. A
- 1:42:10simulação da simulação. Boa. E o Sejão, algum tchau
- 1:42:15para a galera? Cara, só lembrar a comunidade, só
- 1:42:19lembrar a comunidade que agora o site do K -10
- 1:42:21Hexcross está onde novo, que podem aproveitar e, se
- 1:42:27Deus quiser, logo a gente vai estar atualizando ele
- 1:42:29para ele ficar melhor e mais compatível com o
- 1:42:32Ioffentas e do dia de hoje. E
- 1:42:35também para falar para o pessoal conhecer o RPG do
- 1:42:38João, e apoiar o Café e a Zine do Gui, estamos aí
- 1:42:44para vocês. Boa. Gente, eu vou deixar um
- 1:42:48link no discutivo do episódio para cada uma
- 1:42:51dessas coisas que a gente citou. Também
- 1:42:53os links do Rules the Light, a versão original, a
- 1:42:57tradução que a gente fez, um link para o Café com
- 1:43:00Dungeon 499, do Taverna Patônica sobre alienação, o
- 1:43:04artigo da Polygon do Brenan Lee sobre D &D e Forninho
- 1:43:08Micro -Ondas, o Manio de Festival of Fantasy, o
- 1:43:11Quick Primer for School Gaming. Também
- 1:43:13vou deixar a link para o material do Gui, da cidade
- 1:43:16dela. Fora isso, vou deixar também uma
- 1:43:20pergunta para vocês. Vou fazer uma enquete aqui e
- 1:43:24eu quero saber o seguinte, você acha que D &D é um
- 1:43:27jogo de combate porque tem muitas regras de combate?
- 1:43:31Sim ou não? E
- 1:43:32também vou deixar uma pergunta aberta que é o
- 1:43:33seguinte, qual tipo de erisão de regra você acha
- 1:43:37mais providencial? Então vou deixar essa resposta aí
- 1:43:40para você. Se o seu cérebro escorreu pelo
- 1:43:42ouvido, se prepare porque vem mais aí, então vai
- 1:43:46treinando aí respondendo a gente nessa enquete. No
- 1:43:50mais, muito obrigado aí galera, valeu o Gui, valeu
- 1:43:53o João. E valeu você que ficou vindo
- 1:43:55a gente até agora. Ajuda
- 1:44:08a gente, considera apoiar o Projeto,
- 1:44:21apoiar o Projeto lá, apoia .sebarrcafecundangel e ainda
- 1:44:24recebe aí o que você acha mais providencial. Conteudo
- 1:44:26esta participa de sorteios dos nossos parceiros,
- 1:44:29inclusive quase 2 quilos aí de café especial que a
- 1:44:32gente sorteia para a galera. Também
- 1:44:34a gente está distribuindo aí Rio Tama e outros jogos
- 1:44:37foda dos nossos parceiros. Então,
- 1:44:40cola aí e por isso você tem acesso a cupons. Se
- 1:44:43você gostou especialmente do café de hoje, deixa para a
- 1:44:46gente uma gorjeta, manda um pique aí para
- 1:44:49cafécundangelarrobajmail .com. A
- 1:44:51gente conta com você. Você tem uma marca ou uma
- 1:44:54empresa que quer ter um dia da semana do
- 1:44:56cafécundangel aí para você botar aí na praça, você
- 1:45:02pode financiar. Esse episódio faz a alegria da
- 1:45:04massa RPGista. Então consulta a gente aí em
- 1:45:07cafécundangelarrobajmail .com. Que
- 1:45:09a gente tem uma proposta especial para você. Pode
- 1:45:12consultar também nesse email sobre parcerias e anúncios,
- 1:45:16os spots aqui que a gente faz e tudo mais. Então
- 1:45:18a gente trabalha com marca de RPG, também com outros
- 1:45:21ramos como café, jogos, tecnologia, mídia, etc. Você
- 1:45:25é produtor de conteúdo, game designer, independente,
- 1:45:28acadêmico ou fã e quer participar do nosso projeto
- 1:45:31de alguma forma. Você pode contactar a gente
- 1:45:33nesse mesmo email e falar sobre você e sobre a sua
- 1:45:37ideia. Então a gente está aí a tudo
- 1:45:39ouvido. Bom, finalizando aqui com
- 1:45:42agradecimentos para os assinantes. Então
- 1:45:44valeu o pessoal que apoia com incentivo, incluindo o
- 1:45:48Enneas e Azubu do Suzuki. Valeu
- 1:45:51demais ao pessoal do nível de apoio comunidade,
- 1:45:53incluindo o Danilo Araújo, Márcio Loureiro, Jr. e
- 1:45:56o Bernardo Figueiredo. Um salvo especial para os
- 1:45:59assinantes do nível RPG dojo. Então
- 1:46:01o Marco Salves com o Salves Jr., Rafael Garote,
- 1:46:04Luiz Minerme, Pedro Borges, irmã Nassiz, entre outros.
- 1:46:08E também um abraço aos
- 1:46:09membros do treinamento ao Eufêntese, o Rafael Machado
- 1:46:12Bardau, Daniel Aidar, autista RPGista, Nel
- 1:46:14Fabricio, o Dico Cestito, César Machado, Abílio Jr. e
- 1:46:19o Léo Gasparoto Menini. Um abraço apertado também, ou
- 1:46:22Thiago Augusto, do apoio Café com Balbi. Galera,
- 1:46:27muito obrigado pelo apoio de vocês, um abraço e até
- 1:46:30a próxima.