Latest / Na Mesa com Well / Mulheres que Desafiaram o Silêncio na Igreja: E se elas tivessem se calado?
Transcript
- 0:00Bem-vindo ao na mesa com o well, o espaço para quem busca
- 0:03profundidade e historicidade de forma acessível na correria do
- 0:07dia a dia. Este dossiê faz parte da série.
- 0:09Não se fala disso na igreja, investigando trajetórias, papéis
- 0:13ministeriais e tabus que e a religiosidade tradicional
- 0:16prefere silenciar. Olhamos para o passado com
- 0:19reverência, mas sem romantização.
- 0:21No episódio de hoje, abrimos 6 polaroides para enfrentar uma
- 0:24questão crucial, e se elas tivessem se calado?
- 0:28Ajuste o fone na sua correria e prepare se para recuperar as
- 0:31histórias de Susana Wesley so Journal, truth, Amy car Michael,
- 0:35lore Moon, Amy senple mcpherson e kathrin Colman, avaliando o
- 0:40real impacto da atuação e da liderança das mulheres no
- 0:43Ministério cristão ao longo dos séculos.
- 0:45Vamos juntos? Vamos sim, nossa, é um
- 0:48privilégio enorme abrir esses arquivos históricos.
- 0:51E sabe, para que esse mergulho tenha o rigor necessário, a
- 0:55gente precisa definir umas balizas bem claras logo de cara.
- 0:58Com certeza, até porque o nosso objetivo aqui não é transformar
- 1:01a história da igreja numa numa torcida organizada para tentar
- 1:05anular a exegese bíblica, né? Exatamente.
- 1:08A gente não está aqui para canonizar cegamente as escolhas
- 1:11dessas mulheres ou fingir que foram perfeitas.
- 1:13O que a gente vai fazer é um experimento contra factual.
- 1:17Baseado estritamente em documentos, certo?
- 1:19Isso baseado em documentos. A provocação é a seguinte, se o
- 1:23silenciamento institucional absoluto tivesse vencido, sabe,
- 1:27se a interpretação mais restritiva possível tivesse
- 1:30paralisado todas essas mulheres, quais seriam as cadeiras vazias
- 1:34na história da compaixão e da expansão cristã?
- 1:37Ok, vamos desdobrar isso, porque, assim, é impossível
- 1:41falar sobre silenciamento sem esbarrar no elefante na sala.
- 1:45Primeira Timóteo 2 12. Esse mesmo.
- 1:48Aquele texto clássico onde o Paulo diz que não permite que a
- 1:51mulher ensine nem exerça a autoridade sobre o homem e tipo.
- 1:55Ao longo dos séculos, isso virou uma espécie de manta universal.
- 1:59Uma regra de ouro aplicada para tudo, né?
- 2:01Sim, usada não apenas para restringir o presbiterato local,
- 2:05mas para barrar mulheres de quase qualquer influência
- 2:07pública de ensinar teologia básica e em algumas épocas as
- 2:11pessoas esquecem, mas até de receber educação.
- 2:14Pois é. Então, como que a gente sai
- 2:17dessa aplicação cega para entender o que estava realmente
- 2:19acontecendo lá? Olha, o que é fascinante aqui é
- 2:23olhar para O Mecanismo do idioma original.
- 2:25O grande embate hermenêutico gira em torno dessa palavra
- 2:29grega traduzida como exercer a autoridade.
- 2:32Que é autentel, né? Isso autentel.
- 2:35E aqui está o detalhe que muda todo jogo.
- 2:38Essa palavra é um apax le gomenon.
- 2:41OPA, espera aí, traduz isso para quem está lavando a louça agora
- 2:44e não falar grego? Justo, justo.
- 2:46No grego bíblico, a pax le gomenon significa que essa
- 2:50palavra aparece uma única vez em todo o novo testamento.
- 2:53É só lá em primeiro, Timóteo. Uau, só uma vez.
- 2:56Só uma vez, e quando os classicistas foram vasculhar a
- 3:00literatura grega daquela época, eles perceberam que no contexto
- 3:03sociocultural de éfeso, que lembrando era o centro do culto,
- 3:08a deusa artemis authentel não descrevia uma liderança pastoral
- 3:12comum e saudável. Deixa eu ver se eu entendi.
- 3:15A gente construiu uma regra global que atravessa
- 3:18continentes, atravessa séculos em cima de uma palavra que
- 3:21aparece uma única vez no texto sagrado inteiro.
- 3:24Exatamente. E olha, pior do que isso, uma
- 3:28palavra que carregava conotações pesadas.
- 3:30Tipo o que? Os registros mostram que ela
- 3:33estava frequentemente associada a uma dominação abusiva, sabe
- 3:37usurpação, violência e até aqueles ritos de fertilidade
- 3:41extremos que rolavam na sociedade efésia do primeiro
- 3:43século. Ah, claro, o contexto do templo
- 3:46de ártemis era super pesado. Muito.
- 3:48A igreja em éfeso tava enfrentando uma crise aguda,
- 3:52falsas doutrinas, mitologias se infiltrando nas casas e muitas
- 3:56vezes essas heresias eram lideradas por mulheres não
- 3:59instruídas na fé. Entendi então, tipo, aplicar uma
- 4:03proibição universal sem entender o contexto de éfeso, é como você
- 4:07ler a bula de um remédio ignorando qual era a doença
- 4:09original do paciente, né? Nossa perfeita analogia,
- 4:12exatamente isso. É criar um gargalo
- 4:14organizacional gigantesco. A estrutura inteira sofre e é
- 4:18por isso que a gente precisa sair desse debate abstrato e
- 4:21olhar para a prática. E para as polaroids que você
- 4:23mencionou na introdução? Exato.
- 4:25Como essa restrição foi sendo desafiada na história real, onde
- 4:29que essa linha começou a ser empurrada primeiro?
- 4:32Então, o lugar mais imediato onde essa Barreira começou a
- 4:35ceder foi dentro do ambiente doméstico, o que nos leva ao
- 4:39final do século 17 na Inglaterra.
- 4:42Numa cidadezinha chamada Apple? Ah.
- 4:44A famosa casa paroquial da Suzana Wesley, a gente pode
- 4:48chamar ela de mãe do metodismo, né?
- 4:50Sem dúvida alguma, e o modo como ela operava é fascinante.
- 4:55Eu sou a primeira a dizer que a rotina dela era insana, muitos
- 4:59filhos, um trabalho doméstico sem fim, mas ela tinha uma
- 5:03convicção ferrenha de que a educação teológica não era um
- 5:06privilégio exclusivo dos meninos.
- 5:08Exato, ela não aceitava essa distinção para educação.
- 5:12Ela montou uma estrutura rigorosíssima de instrução
- 5:15bíblica dentro de casa, tanto pros filhos quanto para as
- 5:18filhas, e foi ali que John e Charles Wesley, os caras que
- 5:21viriam a chacoalhar o mundo com o metodismo, foram forjados.
- 5:25Mas sabe a dinâmica muda mesmo quando o marido dela, o
- 5:29reverendo do Samuel Wesley, precisa viajar?
- 5:31Verdade ele vai pra Londres, né? Isso com tempão fora.
- 5:35Isso ele vai participar de umas assembleias lá em Londres e na
- 5:39ausência dele. A Suzana não só manteve a rotina
- 5:42familiar, ela começou a conduzir reuniões domésticas formais na
- 5:45paróquia. E não era pouca coisa.
- 5:48Não mesmo. Ela lia sermões brilhantes de
- 5:50teólogos puritanos, conduziu orações, abria espaço para
- 5:54discussões. O boca a boca na vizinhança foi
- 5:56tão forte que, em pouco tempo, as reuniões na sala de estar
- 5:59dela estavam juntando umas 200 pessoas. 200 pessoas na sala de
- 6:04casa. E é aí que a coisa fica meio
- 6:06engraçada, mas ao mesmo tempo bem constrangedora para época.
- 6:10Porque o marido dela, lá em Londres, começa a receber umas
- 6:13cartas de outros clérigos totalmente escandalizados.
- 6:16Imagina o clima? O líder da igreja local descobre
- 6:20que o estudo bíblico da esposa tá atraindo mais gente do que as
- 6:23liturgias oficiais dele. Pois é, e eu acho incrível que a
- 6:27resposta dela ao marido não foi um recuo passivo, sabe?
- 6:31Ela escreveu de volta basicamente dizendo, olha, se
- 6:34você quer que eu pare, não me mande conselhinhos, me dê uma
- 6:37ordem explícita pra que você assuma a culpa diante de Deus
- 6:40por negligenciar essas Almas. Nossa, essa firmeza dela
- 6:44evidencia um paradoxo gigante das instituições.
- 6:47Qual? Por que algumas tradições
- 6:49eclesiásticas celebram de pé o vigor espiritual de uma mulher
- 6:52quando ela ensina os filhos ali dentro do quarto, mas entram em
- 6:56curto circuito. Suspeito da competência dela se
- 6:59a porta abrir e a vizinhança entrar para ouvir o mesmíssimo
- 7:01ensino. O dom de discipular muda de
- 7:04natureza só porque cruzou o batente da porta.
- 7:06Exato, a exegise não muda de acordo com o cômodo da casa.
- 7:10E essa tensão de expandir o espaço da porta de casa para a
- 7:14comunidade e, inevitavelmente, empurra a gente para uma
- 7:17pergunta ainda mais complexa no nosso mergulho.
- 7:19Que é a atuação no espaço público, certo isso?
- 7:23O que acontece quando a necessidade força essa voz aí
- 7:26pra praça pública real, quando não é mais só sobre ensino
- 7:29teológico em casa, mas sobre ativismo, sobre sobrevivência no
- 7:33meio de uma sociedade totalmente brutal?
- 7:35E isso nos leva direto para os Estados Unidos do século 19,
- 7:39para a figura monumental de so journet truth.
- 7:42A segunda Polaroid do nosso dossiê.
- 7:44Isso nascida na condição de escravizada no estado de Nova
- 7:48Iorque, ali por volta de 1797. O nome original dela era Isabela
- 7:53baumfory. E a virada dela é
- 7:55impressionante. Demais.
- 7:57Quando ela finalmente conseguiu se libertar da escravidão, em
- 7:591826, a conversão dela ao cristianismo não funcionou como
- 8:02um anestésico, sabe? Como uma fuga da dor social.
- 8:08Pelo contrário, a fé virou o grande motor.
- 8:10Exato, o motor público da vida dela.
- 8:13Ela adotou o nome sodionor trust, que significa peregrina
- 8:17da verdade. E começou um Ministério
- 8:19itinerante, simplesmente implacável.
- 8:22Mas olha só, aqui é onde a coisa fica realmente interessante, mas
- 8:26a gente precisa pisar no freio e aplicar uma cautela histórica.
- 8:30Concordo, tem muita lenda misturada aí.
- 8:33Tem muita gente que romantiza a história dela baseada naquele
- 8:36discurso super famoso. E não sou eu, uma mulher.
- 8:40E a gente não pode engolir isso sem mastigar pra quem tá
- 8:42ouvindo? Ah, o relato da Francis Dana
- 8:45Cade. Esse mesmo essa versão foi
- 8:48publicada mais de uma década depois, e a gading seria um
- 8:51sotaque sulista estereotipado, pesadíssimo, num texto que a
- 8:54sudgerner jamais teria falado. Ela era de Nova Iorque, o
- 8:58holandês era a primeira língua dela.
- 9:01Foi basicamente o equivalente daquela época pegar um vídeo de
- 9:04alguém, fazer uma edição tendenciosa e jogar nas redes
- 9:07para encaixar numa agenda política específica.
- 9:10Né? Exatamente.
- 9:12A gente tem que se apoiar nos registros mais fiéis e
- 9:14originais. Como os do reverendo Mario
- 9:16Robinson, que documentou o discurso de forma bem mais
- 9:19precisa na época. Mas sabe o que é legal?
- 9:22Essa correção de rota não subtrai 1 g do impacto real
- 9:26dela, pelo contrário, mostra que O Mecanismo de ação da soggerner
- 9:30era inseparável da missão pública.
- 9:32Ela unia a experiência religiosa com a denúncia do pecado
- 9:35estrutural da escravidão. E se a gente voltar para o nosso
- 9:39experimento contrafactual se ela tivesse acatado o silenciamento
- 9:42por ser mulher? Quem teria denunciado o horror
- 9:45da escravidão com aquela mesma autoridade moral de quem viveu
- 9:48de dentro? Exatamente que clérigo branco,
- 9:51num púlpito confortável, IA ter essa mesma autoridade
- 9:54existencial para confrontar a hipocrisia de mandação inteira?
- 9:58Nenhum. E, de certa forma, essa urgência
- 10:02de não se calar diante do sofrimento atravessa o oceano,
- 10:05se a sujonor enfrentou a estrutura social no próprio
- 10:08país. O que acontece quando essa mesma
- 10:10restrição teológica esbarra numa crise humanitária, tipo a
- 10:14milhares de quilômetros de distância?
- 10:16No campo missionário transcultural, né isso?
- 10:18Onde a teoria do silêncio encontra o desespero de crianças
- 10:22precisando de resgate físico e imediato, e aí a doutrina
- 10:26precisa se ajoelhar e agir? É exatamente nesse cenário lá
- 10:30nas Fronteiras, que surge a terceira Polaroid, a Amy car
- 10:34Michael. A Amy na Índia, essa história de
- 10:38arrepiar. É muito forte.
- 10:40Ela era uma missionária irlandesa que em 1901 fundou a
- 10:43dona forfelo ship no sul da Índia.
- 10:45E Ela Foi pra lá focada no evangelismo convencional, sabe?
- 10:50É aquele clássico de pregar mensagem nas vilas e seguir
- 10:53viagem. Exato, mas quando ela
- 10:56desembarcou e viu a realidade, ela colidiu de frente com o
- 10:59cenário aterrador. Prostituição e exploração
- 11:02sistemática de crianças pequenas, meninas ligadas a
- 11:05certas práticas de templos da época.
- 11:08E a virada de chave do Ministério dela foi reorganizar
- 11:11tudo, né? Ela percebeu que aquele
- 11:13evangelismo itinerante não IA salvar as crianças da
- 11:15exploração. Se conectarmos isso ao cenário
- 11:18maior, a Emy provou que a liderança ministerial feminina
- 11:21institucional salva vidas reais. Ela teve que estruturar uma
- 11:25organização monumental. Ela basicamente virou a si ou de
- 11:29uma ONG de resgate antes desse termo, se quer existir.
- 11:32Exato, ela geria orçamentos complexos, comprava terras.
- 11:36Liderava equipes imensas de homens e mulheres e definia as
- 11:40diretrizes ali da comunidade, e tudo isso provou algo muito
- 11:43importante, desafiando aquela apatia puramente teórica de
- 11:47gabinetes distantes. Imagina se tivesse enviado uma
- 11:50carta da Europa dizendo, por favor, limite.
- 11:54Se a ser uma assistente silenciosa, porque liderar toda
- 11:57essa missão fere a tradição? O gargalo humanitário seria
- 12:00devastador. E olha.
- 12:02Indo prazo é oriental, a gente tem uma logística quase idêntica
- 12:05com a lote Moon. Ultra gigante, a nossa quarta
- 12:09Polaroid. Nascida em 1840, passou quase 4
- 12:11décadas na China pela tradição Batista e.
- 12:15O caso da China, no século 19, revela o quão impraticável era
- 12:19essa restrição de gênero no campo, a sociedade chinesa tinha
- 12:22uma segregação severa no ambiente doméstico.
- 12:25Homens ocidentais não tinham acesso nenhum às mulheres lá,
- 12:28né? Nenhum todo aquele segmento
- 12:30populacional que era enorme. Jamais seria evangelizado ou
- 12:34discipulado se não fosse pela presença autônoma de mulheres
- 12:37como a lote Moon, ela IA pro interior, onde os homens não
- 12:40chegavam. Só que a lote não ficava só lá.
- 12:43Quietinha, evangelizando, ela começou a quebrar os protocolos
- 12:46e mandar cartas rigorosíssimas, quase em tom apostólico, pros
- 12:50conselhos missionários lá nos Estados Unidos.
- 12:52Conselhos que eram formados 100% por homens, sim.
- 12:55E ela apontava as falhas, mobilizava as igrejas
- 12:58Americanas, exigia sustentação para as missões.
- 13:01O que me traz a um questionamento assim, bem
- 13:04incômodo, é muito fácil celebrar a lote Moon hoje com aquelas
- 13:08campanhas de arrecadação milionárias que levam o nome
- 13:11dela. Mas reverenciar mulheres do
- 13:14passado, enquanto restringimos de forma imprecisa as mulheres
- 13:17do presente é como erguer estátuas para heróis que se
- 13:20estivessem vivos. Hoje.
- 13:21Nós não deixaríamos falar. Nossa, isso é um soco no
- 13:25estômago. Tem muita gente que soca tudo no
- 13:28mesmo sexto. Existe uma diferença clara entre
- 13:31liderar missões transculturais e exercer o presbiterato local,
- 13:35mas o silenciamento cego asfixia o dom de qualquer jeito.
- 13:39Isso nos conduz perfeitamente para o nosso quarto bloco,
- 13:42porque a coisa fica ainda mais complexa no século 20 da Ásia e
- 13:46da Índia. A gente volta para os holofotes,
- 13:48para as multidões e para a mídia.
- 13:50A entrada no pentecostalismo certo isso as massas.
- 13:54Como lidar com mulheres que exerceram liderança ministerial
- 13:57de massa? E aqui a gente revela a nossa
- 14:00quinta Polaroid, a pioneira pentecostal Amy sample
- 14:03mcpherson. A mulher era uma força da
- 14:06natureza, fica viúva de missionário super nova, volta
- 14:10para América do norte e basicamente revoluciona a
- 14:12comunicação em massa. Em 1923, ela inaugura o Angels
- 14:15Temple fundo, a igreja do evangelho quadrangular.
- 14:19Usava rádio, fazia dramatização. E tinha uma assistência social
- 14:23fortíssima. A história dela e do
- 14:26pentecostalismo, que deu uma imensa visibilidade para as
- 14:28mulheres, é brilhante, mas é muito complexa.
- 14:32A gente não pode fechar os olhos.
- 14:34A Emy enfrentou controvérsias enormes.
- 14:36Pois é, tipo aquele desaparecimento misterioso em
- 14:391926. O suposto sequestro.
- 14:41Sim, ela assumiu por semanas, reapareceu no México alegando um
- 14:45sequestro digno de Hollywood e o Ministério público, a imprensa
- 14:49caíram matando, porque a história tinha muitos furos.
- 14:52E olha na mesma veia de projeção midiática, a gente tem a nossa
- 14:56sexta e última Polaroid, a kathrin killman.
- 14:59Entra figura de projeção ministerial gigantesca.
- 15:02E a killman tinha uma característica interessante, ela
- 15:04rejeitava veementemente ser a autora das curas.
- 15:08Ela atribuía tudo a soberania exclusiva do Espírito Santo, né?
- 15:11Isso. E, surpreendentemente, ela
- 15:14exigia um rigor metodológico bem forte.
- 15:16Chegava a pedir para separar testemunhos de fé das
- 15:19comprovações clínicas e médicas independentes dos Milagres que
- 15:22aconteciam nas reuniões dela. Mas, de novo, o nosso trabalho
- 15:26aqui é investigar sem maquiar os fatos.
- 15:28Então, o que isso tudo significa?
- 15:31No fim das contas, porque a Colman também teve escolhas de
- 15:35vida bem difíceis, como aquele casamento hiper polêmico com
- 15:38Wall trip, um cara que abandonou a família para ficar com ela e o
- 15:42fato de relatarem curas maravilhosas nas reuniões.
- 15:45Não isenta a gente do dever desse rigor analítico.
- 15:48Perfeito se exigir um histórico de vida impecável for o critério
- 15:52para validar o impacto dessas mulheres.
- 15:54A gente tem um problema gigante na mão, porque a existência de
- 15:57falhas ou polêmicas não autoriza a igreja a descartar o impacto
- 16:01monumental delas, nem a usar o preconceito de gênero como
- 16:05método disfarçado para avaliar o.
- 16:06Ministério porque, convenhamos, se a régua da falha moral for
- 16:10aplicada. A gente tem que rasgar páginas
- 16:13inteiras da reforma protestante e ignorar pais da igreja que
- 16:16cometeram atrocidade, certo? Exatamente o peso e a medida tem
- 16:20que ser iguais. O que nos traz para o crivo
- 16:23final do nosso experimento do contra factual?
- 16:25Olhando para essas 6 polaroides sobre a mesa, o que a gente
- 16:28conclui ao ver o espaço que elas ocuparam?
- 16:31Eu diria que a síntese é que a gente precisa impor o rigor
- 16:34semântico que prometeu lá no começo.
- 16:37Não podemos colocar tudo no mesmo cesto.
- 16:39De forma alguma. Há uma distinção monumental e
- 16:42bíblica entre discipular o próximo, pregar o evangelho,
- 16:46abrir frentes de missões transculturais, fundar
- 16:48assistência social e a discussão puramente exegética sobre
- 16:52exercer ofícios pastorais ou o presbiterato?
- 16:56Silenciar as 4 primeiras coisas por causa da quinta é um erro
- 16:59absurdo. É um apagão?
- 17:00Ministerial então, contemplando as cadeiras vazias do nosso
- 17:04cenário, a grande pergunta é. Se uma interpretação rígida
- 17:08tivesse silenciado o Ministério de toda e qualquer mulher na
- 17:12história, o que a igreja de Cristo teria perdido em termos
- 17:15de compaixão, ensino e expansão missionária?
- 17:19E a resposta que a história esfrega na nossa cara é que a
- 17:22perda seria incalculável. Incalculável.
- 17:26E antes da gente fechar, eu queria deixar um pensamento
- 17:28provocativo pra quem tá ouvindo ruminar de forma independente,
- 17:33pense no seu próprio contexto hoje.
- 17:35Se a história não pode substituir a bíblia, mas também
- 17:38não pode ser ignorada, quantos dons, talentos e vocações estão
- 17:43sendo soterrados agora mesmo? Não por fidelidade às
- 17:46escrituras, mas pelo simples conforto das nossas tradições
- 17:49criadas por homens? Pensa nisso.
- 17:52Excelente reflexão. O evangelho não precisa de
- 17:55homens inseguros nem de mulheres transformadas em símbolos de
- 17:58guerra cultural, precisa de discípulos fiéis à palavra e
- 18:02humildes diante da história. Este foi o episódio bônus da
- 18:06série. Não se fala disso na igreja,
- 18:08aqui no na mesa com o eu, na mesa com o eu profundidade e
- 18:12historicidade no seu corre diário.
- 18:15A história da igreja é a nossa história.