Latest / Café com Dungeon / O Ogro de Schrödinger #0050
Transcript
- 0:01Os episódios sobre investigação e mistério aqui no Café renderam
- 0:04bons debates nas comunidades tanto do Café com Dungeon quanto
- 0:08do RPG Dojo e também no meu inbox.
- 0:12Mais de oitenta por cento das pessoas alegaram ali que um
- 0:16mistério existe desde a preparação do jogo.
- 0:20Eu percebi que eu preciso abordar isso mais profundamente.
- 0:26Vocês lembram do exemplo do Ogro Quântico?
- 0:29Vou deixar linkado no título do episódio o texto clássico,
- 0:32original, que trouxe essa ideia do ogro quântico, mas trata-se
- 0:37daquele monstro que vai estar no caminho do grupo, independente
- 0:41do caminho que eles escolherem seguir.
- 0:44Isso, a gente já viu, é um erro técnico de agência, de falta de
- 0:48agência do jogador, de quebra de agência do jogador, porque as
- 0:51decisões deles nada significam e carecem de impacto no jogo.
- 0:57A gente costuma associar o ogro quântico a um mestre que
- 1:01preparou um determinado encontro ou decidiu na sua cabeça que ele
- 1:07ocorreria e passa a forçar a barra para que esse encontro
- 1:11aconteça independente de qualquer coisa.
- 1:14Afinal de contas, ele tem que aproveitar a sua preparação.
- 1:17Mas também ocorre quando o mestre não sabe o que botar pela
- 1:21frente, tem essa ideia e resolve que não importa o que os
- 1:24jogadores fizerem, ele vai botar isso aí, porque foi o repertório
- 1:27que ele resolveu botar em jogo e acabou.
- 1:29Tem muito mestre que domina o ilusionismo, que são essas
- 1:33técnicas de dar aos jogadores a sensação de que eles tiveram
- 1:38escolha e tudo mais, mas no fundo eles não têm.
- 1:41Me parece correto dizer que, na prática, o ogro pode estar em
- 1:46todos os caminhos que o grupo vai percorrer ao mesmo tempo.
- 1:51Assim como o gato de Schrödinger está vivo e morto ao mesmo tempo
- 1:56dentro da caixa. Por isso ele é o ogro quântico.
- 2:00Como a gente pode saber se o gato de Schrödinger está vivo ou
- 2:04está morto? A gente tem que abrir a caixa.
- 2:08Abrindo a caixa onde o gato está...
- 2:11Essa caixa revela ao mundo a verdade sobre o seu estado
- 2:14atual. Mas antes disso, antes da gente
- 2:18investigar por aí, a gente pode dizer que ele estava ao mesmo
- 2:24tempo vivo e morto. A gente tem que lidar com essas
- 2:27duas possibilidades simultâneas. E no RPG, o que determina onde
- 2:32está o ogro? É o compromisso do mestre em não
- 2:36mudar a preparação dele? É o compromisso do mestre em não
- 2:40mudar o que está na sua cabeça a respeito da localização do ogro,
- 2:44trazendo para RPGs de mistério. Quem é o assassino, por exemplo,
- 2:49de uma história de assassinato? É quem o mestre tem na sua
- 2:52preparação? Ou é quem o mestre tem em sua
- 2:55cabeça previamente e aí ele segue com esse assassino em sua
- 3:00mente e traz ele para o jogo? Bom, hoje a gente vai investigar
- 3:05o Ogro de Schrödinger, a partir do novo simulacionismo, do Blob
- 3:10Principles e da Lei da Mesa segundo a Oil Fantasy, e também
- 3:16do jogo Cara a Cara, que você já deve ter jogado ou entrado em
- 3:20contato, mas que eu vou deixar tanto esses conceitos aí do novo
- 3:24simulacionismo, Blob Principles e a Lei da Mesa, e o Cara a Cara
- 3:29eu vou deixar links no descritivo do episódio,
- 3:33previamente saber melhor do que a gente está tratando.
- 3:36De qualquer forma, é bem-vindo aqui a continuar ouvindo o
- 3:40episódio, porque eu vou explicar minimamente o que significa cada
- 3:44uma dessas coisas, beleza? Então, vamos para o episódio.
- 3:49Oi, quer café? Café com o quê?
- 3:52Quais as opções? Não me interessa, será um café
- 3:55com dungeon. Bom dia, amigos do Café com
- 4:03Dungeons. Estamos aqui para mais um
- 4:05episódio do seu podcast matinal favorito, trazendo sempre muito
- 4:08RPG. Meu nome é Rafael Balbi e eu vou
- 4:11fazer perguntas sobre o café que você está tomando aí.
- 4:15Ele é tirado de um animal mamífero?
- 4:18Esse animal é associado com a pessoa diferentona da família?
- 4:24Hum, então você está bebendo ovelha negra aí, é?
- 4:29Bom, eu pelo menos estou bebendo o meu delicioso café ovelha
- 4:33negra. Se você quiser amanhecer bebendo
- 4:34um café delicioso como o meu, você pode usar o cupom CCD lá no
- 4:40site da ovelha negra cafés. É um café especial, é um café
- 4:44sem impurezas e eu garanto que você vai curtir se você ainda
- 4:47não conhece. Então, usa o cupom CCD, que é o
- 4:50cupom pros ouvintes do Café com Dungeon.
- 4:52Se você quiser o cupom melhor ainda, pra pagar mais barato no
- 4:56Café Ovelha Negra, você pode se tornar um assinante, que a gente
- 4:59tem cupons especiais e progressivos de acordo com o teu
- 5:02nível de apoio. Você pode ir lá em apoia.se
- 5:05barra Café com Dungeon e se tornar um assinante.
- 5:08Aí, além de cupons especiais da Ovelha Negra, você ganha cupons
- 5:11pra outros parceiros nossos aí de RPGs. participa de sorteios,
- 5:15recebe conteúdo extra, participa de um grupo de Telegram muito
- 5:19maneiro que discute muito esse tipo de coisa que a gente está
- 5:22discutindo aqui e tenho certeza que você vai se achar nele.
- 5:26Então apoia.se barra Café com Dungeon e torne-se um assinante.
- 5:30Lembrando que o episódio de hoje está dentro desse pacotão de
- 5:34episódios financiados pelo RPG Dojo que esse ciclo está
- 5:40trabalhando justamente com o tema de mistério então cola nos
- 5:44links aí do descritivo do episódio que você vai poder
- 5:46participar dessa turma que curte muito praticar RPG, estudar RPG
- 5:52não só filosofar, mas botar na prática mesmo, né?
- 5:55É uma galera muito unida, uma galera que se ajuda, um compra a
- 5:59ideia do outro, a gente vai investigando, discute e avança
- 6:03muito nos estudos de RPG. Então recomendo também aí o RPG
- 6:08Dojo, beleza? Bom, o último episódio que a
- 6:13gente teve aqui foi o episódio sobre paradoxo do local seguro,
- 6:18né? Em campanhas abertas, de mesa
- 6:20aberta. Bom, lá eu perguntei se você
- 6:23estivesse mestrando o Biergotten, que é a minha mesa
- 6:25aberta, por exemplo, você preferiria colocar em risco o
- 6:29porto seguro dos jogadores mediante uma merda que algum
- 6:32jogador fez? arriscando a liberdade dos
- 6:35jogadores que não podem jogar e ferindo esse pilar de agência
- 6:39para o oil fantasy? Ou você preferiria, de repente,
- 6:43não atingir os jogadores que não podem jogar porque não estão na
- 6:47sessão, afligindo assim o princípio do impacto dentro do
- 6:52conceito de oil fantasy de agência do jogador?
- 6:54O que você preferiria quebrar? E grande parte da galera disse,
- 6:57dane-se a galera que não está jogando, a galera que não está
- 7:00na sessão. O impacto tem que ser feito.
- 7:02Se os jogadores fizerem merda, o local seguro tem que ser
- 7:05arrebentado mesmo. E aí a liberdade... dos
- 7:09jogadores que não podem agir em relação a isso, que se dane.
- 7:14Bom, acho que a gente aqui tem um paradoxo, tem alguma coisa,
- 7:17mas a galera comentou aqui a respeito disso, né?
- 7:21Agradecendo desde já o Maurício Hermel, o Diego Emanuel e o
- 7:25Rafael Bacelar, que comentaram aqui, mas vou ler o comentário
- 7:29do Yuri Tavares, que disse o seguinte, combine com os
- 7:33jogadores que o único ponto seguro de fato é a vila da
- 7:37frasqueta, e todos os demais são apenas pontos semi-seguros, ou
- 7:41seja, que podem ser perdidos ou conquistados.
- 7:45Não acho interessante matar um jogador que está em off. mas
- 7:48todo o impacto pode ser direcionado ao local.
- 7:51Então, personagens e itens que estão sendo carregados por eles
- 7:55não sofrem consequências, mas o local em si e todos os itens
- 7:58guardados em baús e afins sofrem consequências.
- 8:02Interessante, Yuri. Isso vai um pouco no caminho que
- 8:05eu tinha pensado, até compartilhei no episódio, e que
- 8:09eu vejo o pessoal considerando também nas mesas abertas de Oil
- 8:13Fantasy. Mas é isso, né?
- 8:15De toda forma, a gente tem que escolher o que deixa de lado.
- 8:17Me parece que deixar a liberdade dos jogadores que não estão
- 8:23participando pode ser um pouco mais tenso do que abrir mão um
- 8:28pouquinho do impacto. Mas, de qualquer forma, acho
- 8:31interessante essa forma que você colocou, concordo um pouco com
- 8:34ela. O Speed Okami trouxe um
- 8:36documentário muito interessante. Ele falou, faz evento de alto
- 8:40risco e alta recompensa para a comunidade.
- 8:43Usa a abstração e a coerência ficcional quando uma facção de
- 8:47uma favela comete um crime. Não é a favela toda que paga por
- 8:50ele, ainda que tenham vítimas colaterais.
- 8:53Vai ser uma guerra total? O Lorde vai insistir que o local
- 8:57entregue os responsáveis? Debata com os mestres e a
- 9:01comunidade qual seria a ação com coerência ficcional.
- 9:05Da data X a Y, todas as mesas que forem jogadas serão do
- 9:09evento. XP vezes dois, influência, etc.
- 9:13Personagem jogador que não participar, não morre.
- 9:17É um caminho muito interessante, cara.
- 9:18Realmente você poder criar um jogo dentro do jogo e botar que
- 9:22pode ter boas recompensas ali, mas também pode ter grandes
- 9:26perdas, né? E isso foi, de certa forma,
- 9:28engatilhado ali pela ação desastrosa dos jogadores.
- 9:32No caso, pra gente poder... colocar um impacto de acordo com
- 9:36a merda que os jogadores fizerem, provavelmente a gente
- 9:38vai ter que salgar um pouquinho esse desafio.
- 9:41Então, de repente, possibilidade de recompensas, mas
- 9:44provavelmente um desafio muito acentuado.
- 9:47Bom, é um caminho interessante, Kami.
- 9:49Obrigado pela tua participação. O Marcos Gonçalves também falou
- 9:52que ele arbitraria da seguinte maneira.
- 9:54A consequência da sessão seria aplicada ainda dentro dela.
- 9:57O porto seguro iria para os ares e os jogadores deveriam arrumar
- 10:01outro lugar para se esconder até o fim do jogo.
- 10:04Caso contrário, arcariam com a mesma consequência de ficarem
- 10:06perdidos nos ermos. Para jogadores que estão fora do
- 10:10jogo, eles não sofreriam com a perda do local, mas quando
- 10:13fossem jogar, também deveriam arcar com a busca de um local
- 10:16seguro. Isso acontecerá até que o novo
- 10:19hub fosse estabelecido. Isso é interessante também,
- 10:22ainda que tenha algumas questões de cronologia, de tempo. que
- 10:28provavelmente a gente teria que abordar com muito cuidado,
- 10:31assim, provavelmente daria uns conflitos, mas é uma boa solução
- 10:34também, muito interessante. Acho que provavelmente aí, né,
- 10:38eu acho que o que eu tirei disso é que, de repente, a gente podia
- 10:41até rolar pra todo mundo na tabela da desgraça, né,
- 10:45inclusive pros jogadores que não puderam agir ali Por quê?
- 10:48Porque eles vão pagar um pouco na comunidade pela ação
- 10:55treslocada de algum jogador. E esse jogador ia ter que
- 10:57responder perante sua comunidade por que que prejudicou todo
- 11:03mundo com a sua atitude. Lembrando que você não precisa
- 11:07interpretar seu personagem a ponto de arrebentar com todo
- 11:12mundo. Então se você fez uma merda aí,
- 11:15botou em risco o porto seguro de uma comunidade inteira de
- 11:19jogadores, que você se veja perante a comunidade e perante o
- 11:23risco que você assumiu. E aí nesse caso, obviamente, eu
- 11:26acho que não valeria matar os personagens dos jogadores, mas
- 11:29de repente jogar numa tabela de desgraça poderia dar aí um
- 11:33impacto suficiente. Mas valeu galera pela
- 11:36participação, ideias muito interessantes de forma geral,
- 11:38fico muito agradecido. Vamos para o episódio?
- 11:45Há quem desconfie das causas do verídico que eu conto lá na
- 11:48Taverna da Dória. Parece até meio difícil de
- 11:51acreditar mesmo. Um tocheiro que virou
- 11:53aventureiro, destruiu a cabeça do maldiçoado, desfez a maldição
- 11:57da espada do rei Vormir, retomou a torre do bacharel.
- 12:01Mas tudo verdade, eu juro. Agora tem mais um caos pra vocês
- 12:04duvidarem de mim. A gente subiu na Chapada e matou
- 12:07a salamandra. Teve uma ajuda do latoeiro,
- 12:10inclusive. E o martírio do Brecht, uma
- 12:13mulinha querida. Pobre Brecht, visage cuide dela
- 12:18no céu das mula. Se duvidar, é só subir lá pra
- 12:21olhar, o covil do bicho tá vaziozinho.
- 12:24Ferdinando Mariposa, protetor da frasqueta, paladino de visagem,
- 12:30senhor da torre, lorde da chapada.
- 12:33Atual falecido guerreiro de Piergote.
- 12:40Esse e tantos outros são rumores vindos do jogo do mundo aberto
- 12:45de Biergarten. Se você quiser explorar
- 12:48aventuras como essa, pode entrar inteiramente de graça no nosso
- 12:53grupo. Siga o link lá no descritivo do
- 12:55episódio e jogue Biergarten com a gente.
- 13:01Vamos explorar Biergarten! Ok, nós vamos pela direita.
- 13:21Ah, que pena. Vamos lá, vamos falar sobre o
- 13:27ogro de Schrödinger. Mas vamos pegar o exemplo do
- 13:29ogro quântico, que é familiar para a gente.
- 13:32Obviamente, o ogro de Schrödinger é mais uma
- 13:36brincadeira em cima do ogro quântico.
- 13:38Mas o que determina onde está o ogro quântico?
- 13:42Vamos pegar aquela situação em que você vai escolher uma
- 13:45dungeon entre o caminho A e o caminho B, sabendo que o ogro
- 13:49vai estar num desses caminhos. O ogro quântico pode estar ao
- 13:52mesmo tempo no caminho A ou no caminho B, nesse exercício que a
- 13:57gente está fazendo. O que determina onde o ogro
- 14:01quântico está? Seria o compromisso do mestre em
- 14:04não mudar a sua preparação? Ou seria o compromisso do mestre
- 14:09em não mudar o que está na sua cabeça a respeito da localização
- 14:13do ogro, previamente ao próprio jogo?
- 14:16Vamos investigar isso pensando na primeira hipótese, em
- 14:20primeiro lugar. Vamos supor que o que determina
- 14:25em qual caminho o ogro quântico vai estar é a preparação do
- 14:29mestre, ou seja, a preparação anularia o ogro quântico.
- 14:34Então, vamos partir do princípio que a preparação determina onde
- 14:38está o ogro de Schrodinger e vamos analisar isso a partir do
- 14:42novo simulacionismo e do Blob Principles.
- 14:47Vamos começar pelo novo simulacionismo.
- 14:49Para quem não está a par, o novo simulacionismo é um texto do Sam
- 14:53Sorensen que a gente abordou aqui no Café com Dungeon.
- 14:56Vou deixar... o discritivo do episódio para você ouvir depois,
- 15:00se você quiser. Vou deixar também o link da
- 15:03tradução feita pelo Ícaro no blog Diálogo Ficcional.
- 15:07Mas de qualquer forma, segundo o novo simulacionismo, a gente
- 15:12joga em um mundo platônico dentro do RPG.
- 15:16Esse mundo já existiria idealmente, independente do
- 15:20jogo. anteriormente a ele, possivelmente.
- 15:24A gente experimenta esse mundo de maneira abstrata, dentro das
- 15:28nossas limitações, mas a gente deveria jogar como se fosse
- 15:32possível simulá-lo perfeitamente.
- 15:36Na tradução do Ícaro, a gente lê assim O mundo ficcional é
- 15:40infinitamente complexo. É impossível de realmente
- 15:43simular. Nenhuma pessoa ou texto consegue
- 15:47imaginar a coisa toda. Nós somos limitados em
- 15:51entendimento por uma abundância de fatores, inconscientes até
- 15:55mesmo da nossa própria inconsciência.
- 15:58Nós permanecemos completamente ignorantes face à vastidão de
- 16:03conhecimento que compreende o mundo ficcional.
- 16:06É impossível de realmente simular.
- 16:09Você deveria tentar de qualquer forma.
- 16:13Esforce-se com ousadia em direção ao ideal platônico da
- 16:17simulação total. Busque pela maravilha de um
- 16:21mundo secundário completo. Aproxime-se dessas esferas
- 16:26distantes. Bom, aqui me parece correto
- 16:30dizer que para o novo simulacionismo, a localização do
- 16:34ogro quântico precisa ser determinada previamente, via
- 16:38preparação. Se não estiver previamente
- 16:41determinado na preparação o local do ogro quântico, o mestre
- 16:46deve decidir onde o ogro quântico está e seguir com essa
- 16:50determinação prévia ao jogo a respeito do mundo, como se esse
- 16:55mundo já existisse lá desde sempre.
- 16:57Ou seja, o mestre tem que fechar com a ideia do ogro onde ele
- 16:59está e ficar com isso, guardar isso e não mudar a respeito
- 17:02disso. Por quê?
- 17:03Porque esse mundo já existe, independente do jogo.
- 17:08Sob essa ótica, o erro técnico que levaria ao ogro quântico
- 17:12seria você não preparar a sua localização ou no mínimo não
- 17:17determinar onde o ogro está antes do jogo ocorrer, ou pelo
- 17:21menos antes dos jogadores decidirem onde ele está.
- 17:25A preparação, então, seria praticamente um documento de
- 17:29jogo. A única coisa que resguarda o
- 17:31jogador do Ogro Quântico é a confiança de que o mestre está
- 17:35seguindo a preparação ou de que ele determinou previamente onde
- 17:38o Ogro está e seguiu com isso a risca.
- 17:43Puxando agora o Blorb Principles, da Sandra Znan,
- 17:47também traduzido ali no blog Diálogo Ficcional do Icaro
- 17:51Agostino, Ela lê o seguinte, quando você joga pedra, papel,
- 17:55tesoura, é obviamente uma trapaça você agir um pouco mais
- 18:00lento e escolher papel depois de ver a pedra colocada pelo
- 18:04oponente. Ambos os jogadores devem
- 18:06escolher simultaneamente o que vão colocar.
- 18:10Se você secretamente escrever sua escolha antes, você não vai
- 18:15precisar ser assertivo quanto ao timing da sua escolha.
- 18:19A sua escolha está bem feita bem antes de você ver a pedra ali.
- 18:26Isso acontece a ponto de ser suficiente que apenas uma pessoa
- 18:31escreva a sua escolha, desde que antes do outro anunciar a sua
- 18:35própria escolha. O BLORB é baseado nisso.
- 18:39É por isso que você precisa escrever que em determinada sala
- 18:44tem três D-seis esqueletos antes mesmo do personagem do jogador
- 18:48ir lá, sem espaços quânticos. Você deve deixá-los fazer
- 18:53escolhas reais. Bom, eu vou deixar um link no
- 18:57descritivo do episódio para você ler o Blurred Principles depois,
- 19:00se você quiser. Está bem traduzido aqui pelo
- 19:02Ícaro. E é um texto interessante, um
- 19:04texto que defende muito a preparação dessa forma.
- 19:08Quase como documento mesmo. E aí eu vou trazer agora uma
- 19:12terceira visão. Uma visão a partir do jogo cara
- 19:15a cara. Aqui a gente precisa investigar
- 19:20a natureza da preparação do mestre ou mesmo do material dito
- 19:24oficial Sobre uma aventura, por exemplo.
- 19:28E para investigar isso eu vou trazer esse jogo.
- 19:31Eu quero investigar a preparação e até o compromisso do jogador
- 19:35em relação ao jogo. E eu sei que o caminho da
- 19:41parábola e da analogia é um caminho perigoso no mundo dos
- 19:44jogos. Mas eu vou investigar isso tudo
- 19:47a partir desse joguinho, que é de fora do mundo do RPG...
- 19:51E eu tenho certeza que você é familiar com esse jogo e que a
- 19:56grande maioria das pessoas vai ser também, o cara a cara.
- 20:01Para quem nunca viu, o cara a cara é um jogo de investigação,
- 20:05por assim dizer. Seu objetivo é descobrir quem é
- 20:08o personagem do seu oponente e o objetivo do seu oponente é
- 20:11descobrir quem é o seu personagem.
- 20:13Existe um repertório limitado e comum de personagens dentro do
- 20:18cara a cara. Vários deles com características
- 20:22similares entre si e outros com características diferentes.
- 20:25A gente pode dizer que, sei lá, um terço deles usa chapéu.
- 20:29Dez por cento deles tem bigode. Metade é homem, metade é mulher
- 20:34e assim vai. Cada jogador tem um
- 20:36tabuleirozinho com plaquinhas acopladas.
- 20:39Que você pode derrubar. E cada plaquinha tem um retrato.
- 20:44De cada um desses personagens. Que estão dentro do repertório
- 20:48do jogo. De forma que...
- 20:51Você começa o jogo visualizando todo o repertório de personagens
- 20:55comuns dentro do Caracara. E você vai ser um desses
- 20:59personagens. O seu oponente vai ser outro
- 21:03desses personagens. O jogo consiste em vocês fazerem
- 21:07uma pergunta por vez para o seu oponente e o seu oponente
- 21:10responder essa pergunta sobre o personagem que ele é.
- 21:15Então, cada participante começa o jogo com uma cartinha que
- 21:20determina que personagem que você é, e você deve responder de
- 21:24acordo com essa cartinha. Na sua vez, você pergunta pro
- 21:28oponente, por exemplo, você usa chapéu?
- 21:31Se o oponente usa chapéu, o personagem dele lá no retratinho
- 21:35tem chapéu, o oponente vai responder sim.
- 21:40Usa o chapéu. Então você, com essa resposta,
- 21:44derruba das suas plaquinhas lá todos os retratinhos de
- 21:48personagens que não usam chapéu. Porque você sabe que o teu
- 21:52oponente usa chapéu. E aí, aos poucos, vai ficando
- 21:57somente ali no tabuleiro à sua frente os retratinhos dos
- 22:00personagens que vão condizendo com as perguntas que você fez.
- 22:07Aí agora é a vez do seu oponente.
- 22:09Ele pergunta, você é mulher? Se o seu personagem for mulher,
- 22:12você diz sim. E aí ele vai derrubar todos os
- 22:15retratos de personagem homem que estão à frente dele.
- 22:18E assim a gente vai derrubando esse acervo de personagens até
- 22:21que a gente fique com um número limitado ali.
- 22:25Vocês vão revezando nas perguntas até que você possa
- 22:28decretar se o personagem é tal. Aí se você acertou, você ganhou
- 22:34o jogo. Se você errou, você perdeu.
- 22:37Para jogar sem risco de perder, você só vai decretar quem é o
- 22:41seu oponente, ou seja, qual a cartinha que ele está, qual o
- 22:45retratinho que ele está, quando tem restado ali somente uma
- 22:50possibilidade. Mas caso você esteja muito atrás
- 22:54no jogo, ou seja, se o seu oponente já derrubou muito mais
- 22:57plaquinhas na frente dele por conta das perguntas que ele
- 23:00fez... e aí você tem uma derrota quase certa, talvez valha a pena
- 23:05você chutar dentre as opções que você tem ali restando uma
- 23:09possibilidade do seu oponente ser.
- 23:11Então, se você está muito atrás, você pode falar, você é fulano
- 23:16de tal, é essa cartinha aqui, aí ele vai dizer, ah, sim, sou esse
- 23:19aí. Aí você ganha o jogo, a despeito
- 23:21de estar atrás. É uma possibilidade.
- 23:25A mesma coisa acontece, agora eu vou traçar um paralelo aqui,
- 23:29quando a gente joga jogos de mistério no RPG, na verdade
- 23:32qualquer jogo de RPG, eu não diferencio nesse ponto, mas
- 23:36particularmente a gente pode utilizar como paralelo um jogo
- 23:39de investigação de assassinato, para a gente estressar um
- 23:42pouquinho a mídia do RPG nesse ponto.
- 23:45Quando o jogador indaga ao mestre sobre um corpo morto, que
- 23:49apareceu na ficção, e sobre indícios do que levou aquela
- 23:54pessoa a morrer, vamos supor que o mestre responde assim, essa
- 24:00pessoa morreu por um ataque de energia necrótica, porque dá
- 24:04para ver no corpo os efeitos da magia necrótica.
- 24:08E aí automaticamente é como se aquele jogador ali que fez essa
- 24:12pergunta derrubasse no cara a cara todas as carinhas dos
- 24:17personagens que não têm acesso à manipulação de magia necrótica,
- 24:22de energia necrótica. Ou seja, se o assassino tem
- 24:25acesso à energia necrótica, a gente sabe que os suspeitos que
- 24:29não têm acesso à energia necrótica estão descartados.
- 24:33Claro que no RPG tudo é mais fluido do que isso.
- 24:36Você pode reconsiderar, de repente, um suspeito porque
- 24:42aparentemente ele não tinha acesso à magia necrótica e de
- 24:46repente, no decorrer do jogo, você descobriu que ele tinha sim
- 24:49acesso à magia necrótica. É como se no cara a cara você
- 24:52pudesse levantar novamente alguma carinha específica.
- 24:55Mas de modo geral, a gente pode dizer que o processo é bem
- 24:58próximo. Você vai talhando em cima das
- 25:02perguntas que você faz, o repertório ficcional ali, até
- 25:06você estar informado o suficiente sobre quem é o
- 25:10assassino naquele jogo de mistério.
- 25:13No cara a cara, tem uma etapa muito importante, que é quando
- 25:18eu e meu oponente sacamos cada um a sua carta, dizendo que
- 25:25carinha você é naquela rodada. Ter essa carinha que você saca
- 25:30ali do baralho, ajuda você a responder com tranquilidade as
- 25:35perguntas que o seu oponente faz sobre você.
- 25:37Porque se você tem ali a carinha que tem chapéu e que é um homem
- 25:41e tudo mais, você consegue responder de acordo sem ter que
- 25:44pensar muito. Você só olha para a carinha que
- 25:47você tem na carta ali e responde.
- 25:49Você não corre o risco de dar uma informação errada.
- 25:52De ele perguntar, você tem cabelo preto?
- 25:54E você fala, tenho. E depois você dá uma outra
- 25:56resposta dele que não encaixa. Você sabe quem é o teu
- 26:00personagem ali e você responde de acordo.
- 26:03Você não corre o risco de ser inconsistente.
- 26:05Mas tem uma segunda função aqui, além dessa, que é a função de
- 26:09compromisso. Usando até a palavra compromisso
- 26:13que também foi usada no Blob Principles.
- 26:16Ter a carta com a carinha ali te compromete na relação lúdica de
- 26:21que você é o personagem X, de que você tem bigodinho, de que
- 26:25você usa boina e assim vai. E aí digamos que restem três
- 26:30carinhas no tabuleiro do oponente para ele eliminar e
- 26:34assim ter certeza de quem você é.
- 26:38Mas vamos dizer que você está mais avançado, você só tem duas.
- 26:41E aí o oponente com medo de perder, ele arrisca.
- 26:47Se a gente não tem a cartinha com a carinha ali, o oponente
- 26:51pode simplesmente falar que você é uma dessas três carinhas que
- 26:55restaram, ele pode até dizer corretamente que você é aquele
- 26:59homem de boina e de bigodinho e você ainda assim vai dizer, ah,
- 27:03você errou. Por quê?
- 27:06Porque se tem três carinhas ali em pés no tabuleiro dele, você
- 27:10pode ser qualquer uma daquelas três.
- 27:12Se não tem uma cartinha que te comprometa, você pode inventar,
- 27:14porque não, você errou. Ter a cartinha e revelar ela na
- 27:19hora é uma garantia de que isso não vai acontecer.
- 27:23A cartinha do cara a cara, portanto, além de um guia para o
- 27:27jogo, para você dar as respostas certas e não se perder nas
- 27:30características do personagem que você está respondendo ao seu
- 27:34oponente, essa cartinha também firma o compromisso do jogador
- 27:39com determinada verdade. No caso, qual é o seu
- 27:42retratinho. Se o teu oponente chutar certo,
- 27:46ele vai poder conferir qual cartinha você tem e aí você não
- 27:50pode mentir para ele. Agora, vamos analisar um
- 27:56pouquinho mais a questão da preparação.
- 27:59Voltando aqui para o RPG. No RPG, me parece irreal a gente
- 28:05pensar que preparação seja documento, como é a cartinha ali
- 28:11do cara a cara. Preparação, me parece irreal
- 28:15dizer que preparação é compromisso.
- 28:19No próprio Blob Principles, que defende muito preparação como
- 28:24documento, ele mesmo, a autora, faz o paralelo com o Joaquim
- 28:28Poe, por exemplo, como eu li. E ela fala que você precisa
- 28:32escrever que determinada sala dentro de uma dungeon, por
- 28:36exemplo, ela tem três de seis esqueletos.
- 28:38A autora fala que você tem que escrever isso, mas reconhece que
- 28:44nem sempre é possível que você tenha esse tipo de coisa
- 28:46documentada. Aí vou ler aqui a tradução do
- 28:50Ícaro. O mestre é questionado, por
- 28:53exemplo, o que tem no escritório?
- 28:56Aí a hipótese primeira que a gente vai trabalhar é o
- 28:59seguinte. Olha a sua preparação.
- 29:02Talvez essa sala esteja lá na sua preparação e o que tem
- 29:07dentro dela já esteja canonicamente escrito e você
- 29:11está preparado. No caso dois, se você não tiver
- 29:15isso preparado, talvez você tenha uma regra geral, dizendo,
- 29:19por exemplo, escritórios padrão tem sempre um grampeador, uma
- 29:24máquina de escrever e uma cadeira para visitantes, etc.
- 29:28Ou, de repente, uma mecânica no jogo, como uma tabela aleatória
- 29:31com os conteúdos, por exemplo, de um escritório.
- 29:34E aí você usa isso. O caso três é se você não tem
- 29:39nada disso e aí você inventa alguma coisa.
- 29:42Ela diz para você tentar inventar algo que não vai ajudar
- 29:46ou atrapalhar muito os personagens dos jogadores.
- 29:49Pode ser algo sugestivo e que ajude a construir um clima, mas
- 29:53que não devem ser, por exemplo, vinte Beholders zangados ou
- 29:57vinte poções de cura grátis. Não se sinta mal.
- 30:01Deixar que os mestres comecem pequeno é como obtemos novos
- 30:05mestres. Mas tape os buracos, ou essa
- 30:08categoria de buracos, pelo menos, para as próximas sessões.
- 30:12Assim, com o tempo, sua mestragem se tornará mais e mais
- 30:16sólida. Bom, pelo visto, eu, a autora do
- 30:21blog, e você, já sabemos que, salvo uma dungeon, ou alguém
- 30:26muito fissurado e muito bem organizado com suas tabelas,
- 30:30geradoras, etc., ou antagonistas NPCs muito relevantes, você
- 30:35dificilmente vai ter prep suficiente para tudo que rola no
- 30:39jogo. Você fingir que tem é loucura.
- 30:43Você não vai ter. De modo geral, fora de ambientes
- 30:47prontos como uma dungeon ou encontros pré-estabelecidos numa
- 30:50aventura muito linear, você vai ter que trabalhar no mínimo com
- 30:54o C-II ali, com o caso II, que é você ter ali uma regra geral ou
- 31:01de repente uma tabela aleatória, etc, etc.
- 31:04Mas o mais comum mesmo vai ser você trabalhar no terceiro caso,
- 31:08improvisando. E qual o problema disso, na
- 31:11real? Em primeiro lugar, é você
- 31:13depender muito de preparação e ficar inseguro por não ter nada
- 31:17previamente estabelecido para o seu jogo.
- 31:20Porque, afinal de contas, você está falando de um estilo,
- 31:23dentro do blob principles ou até do novo simulacionismo, são
- 31:27estilos que dependem muito dessa bagagem prévia, que apostam
- 31:32muito nisso. E a gente sabe que não precisa
- 31:36muito para a gente espiralizar em preparações que facilmente
- 31:40são ignoradas quase por completo pelos caminhos que os jogadores
- 31:45tomam no jogo. E alguns mestres até sucumbem e
- 31:49forçam a barra para que se aproveite a preparação dele.
- 31:54A insegurança do mestre, inclusive, nesse tipo de caso,
- 31:58leva a pulsos de controle. É muito comum.
- 32:02Eu lembro quando eu era moleque, eu jogava Day Day e a galera
- 32:05falava em vez da gente ir para o castelo do homem malvado que
- 32:10você botou como vilão, a gente resolveu ir para o norte caçar
- 32:13Hellhound. falavam, ah não, então quando você tá indo pro
- 32:16norte lá choveu fogo na sua frente você vê um dragão
- 32:20passando, tudo pros jogadores falavam, ah tá bom então, a
- 32:22gente vai pro castelo isso é uma anedota é uma piada, mas a gente
- 32:26sabe que tem muita verdade nisso, né, e eu mesmo brincava
- 32:30com isso E aí, nesse caso, nem o blob principles, nem o novo
- 32:35simulacionismo te equipam para o momento em que você vai ter que
- 32:39improvisar. Eles se fiam platonicamente na
- 32:43realidade de que você vai ter tudo previamente preparado e
- 32:46documentado e que você, quando não tiver, vai agir como se
- 32:50tivesse, como se o mundo já existisse.
- 32:53E aí, nesse ponto, você fica vendido de estruturas e
- 32:56princípios que te ajudem a entender o seu próprio espaço
- 33:00decisório que muitas vezes vai ser sobre nada, sobre nada
- 33:05documentado e sobre nada que você possa decidir previamente.
- 33:10É muita responsabilidade perto de muita lacuna, você fica muito
- 33:16pesado, você fica com muita responsabilidade e você fica com
- 33:20muito pouca coisa para se fiar, porque a gente sabe, preparação
- 33:24completa, preparação total não existe.
- 33:28O mundo não existe previamente. Você não vai ter prep de grande
- 33:34parte do que for jogado, salvo algumas exceções.
- 33:38E aí isso gera muita responsabilidade criativa
- 33:40somente nas costas do mestre, lá na sua torre de marfim.
- 33:44Ainda mais sobre pressão de uma prep documentação, como coloca o
- 33:49Blorb. E se a gente coloca ali como uma
- 33:52documentação quase, me parece que é quase uma expectativa, ou
- 33:57pelo menos uma ideia geral, de que isso possa ser auditado.
- 34:01E a gente sabe que é muito difícil auditar a notação do
- 34:05mestre. Em primeiro lugar, porque vai
- 34:07estar no meio de um monte de spoiler.
- 34:09Em segundo lugar, porque as anotações, sei lá, desde
- 34:12Arneson, o ato de fazer anotações para a PrEP muitas
- 34:16vezes é completamente desorganizado.
- 34:19Eu mesmo, nas minhas anotações, é um mar de caos.
- 34:23Dificilmente eu poderia me enfiar em uma delas como
- 34:26documentação, um fato da minha documentação como PrEP, como
- 34:30verdade. Você ter prep como documento
- 34:36ainda te tira muito o jogo de cintura para o jogo jogado.
- 34:40Assim como um game designer que faz um jogo de RPG
- 34:43desconsiderando que a experiência do RPG vai passar
- 34:46largamente por uma curadoria de experiência durante o próprio
- 34:49jogo, pelo mestre, pelos jogadores.
- 34:52Me parece que preparação no RPG não tem como ser usada como
- 34:57documentação. Preparação, na melhor das
- 35:00hipóteses, é um auxílio para você como mestre enriquecer a
- 35:04ficção, seja por reivindicação direta dos elementos do mundo,
- 35:10seja por arbitrar como as coisas vão acontecer nesse jogo.
- 35:15Assim como pode ser para os jogadores também, de certa forma
- 35:18os jogadores também podem se preparar.
- 35:21E aí? Bom, para a gente entender
- 35:23melhor isso, acho que vale a pena a gente passar novamente
- 35:25pela lei da mesa, que é um tema que eu venho visitando bastante
- 35:28aqui. Se tem uma coisa que eu sei, é
- 35:44que subestimar o desconhecido pode ser fatal.
- 35:47A tempestade que viemos investigar no litoral de Santa
- 35:50Catarina não é nada do que eu imaginava.
- 35:52Naufragamos logo na primeira noite.
- 35:54Minha garganta queimava, o sal correndo cada gota de ar que eu
- 35:58tentava respirar. Eu tragava uma dor cruel a cada
- 36:01afogamento. Um desespero esmagador.
- 36:04Eu quase apaguei, quase não saí dessa.
- 36:07Acordei na costa de um cemitério de naufrágios, debaixo de uma
- 36:10chuva torrencial, com a minha visão embaçada pela areia e pelo
- 36:14sol. O som do mar se misturando aos
- 36:16ecos e estralos dos destroços fantasmagóricos.
- 36:20Um aviso das profundezas que tentamos desafiar.
- 36:23Cada pedaço de fuselagem é uma história de desespero.
- 36:27Nesse lugar, essa ilha perdida guarda mistérios que podem ser
- 36:31mais sombrios que qualquer coisa que eu já enfrentei.
- 36:35Aqui é Laura Muniz de Moura e esse é o relato do início da
- 36:37minha investigação dos mitos de Atlântida.
- 36:52E aí, sobrevivente, está preparado para o maior desafio
- 36:56de RPG que você já enfrentou na sua vida?
- 36:59Boas-vindas à temporada beta de Mythos de Atlântida, um jogo
- 37:04experimental de horror e sobrevivência em sessões
- 37:06episódicas, onde o foco aqui é o desafio e a imersão total.
- 37:11Você busca desafios intensos, né?
- 37:13Você acabou de encontrar o Everest do RPG.
- 37:17E a temporada beta chega com mudanças incríveis pra gente aí.
- 37:20Regras mais simples e ao mesmo tempo mais sofisticadas.
- 37:24A gente dá mais liberdade pra ficção sem se preocupar tanto
- 37:27com mecânica. Aplicação de arquétipos, que
- 37:30seriam as cartilhas de jogo, os playbooks.
- 37:32E a evolução dos personagens sem uso de nível de personagem.
- 37:36A gente tá fazendo evolução por fato ficcional.
- 37:39Pela primeira vez a gente vai ter Myths of Atlantis.
- 37:42A primeira campanha de Oil Fantasy inteiramente mestrada e
- 37:44jogada em inglês. Um marco aí pra expandir a nossa
- 37:47comunidade, a nossa forma de jogar.
- 37:50E pra quem não tem tempo pras sessões de voz, né, não se
- 37:52preocupa não, porque a gente tá implementando um sistema
- 37:54assíncrono de jogo aí, via Telegram, você pode investigar
- 37:58os mitos, a aventura tá sempre ao seu alcance.
- 38:01A temporada beta de Mitos de Atlântida já começou, e eu quero
- 38:04saber se você tá pronta, se você tá pronto pra enfrentar o
- 38:07desconhecido. Junte-se a nós aí, prove que
- 38:10você é capaz de sobreviver ao maior desafio Wild Fantasy de
- 38:13todos. Investiga os mitos, venha pra
- 38:16Mitos de Atlântida. Então acho que é melhor ir pela
- 38:38esquerda dessa vez. Ah, que pena.
- 38:50A Lei da Mesa é uma criação minha dentro do espectro do Wild
- 38:55Fantasy, ou seja, dentro das propostas do Wild Fantasy.
- 38:58E a Lei da Mesa diz que material de preparação do mestre, também
- 39:04a imaginação dos participantes, um lore, um conhecimento prévio
- 39:11sobre o mundo, ou mesmo o conteúdo do manual de jogo só
- 39:14tem validade uma vez que aquilo tudo entra em jogo.
- 39:17Ou seja, dentro dos RPGs tradicionais, não adianta você
- 39:22ter preparação, não adianta estar escrito no livro, não
- 39:25adianta você já ter imaginado e firmado compromisso em relação a
- 39:28isso. Nada disso vai existir até que
- 39:32entre em jogo. Aí vou me parafrasear no próprio
- 39:36blog do Oil Fantasy que diz o seguinte...
- 39:38As anotações do mestre não configuram realidade até
- 39:42entrarem em jogo efetivamente. É importante, inclusive, que ele
- 39:47materialize os elementos da ficção de forma ampla, desde
- 39:51seus indícios e reverberações, para que respeitem a
- 39:55verossimilhança e a agência dos jogadores em seu pilar de
- 39:58informação. As anotações têm apenas natureza
- 40:01de preparação para o mestre, necessitando que os elementos
- 40:05planejados e imaginados apareçam em mesa para que possam existir.
- 40:12A lei da mesa é uma construção usada dentro do estilo oil
- 40:15fantasy, mas que vale de modo geral para jogos tradicionais de
- 40:19RPG e que deriva muito do que foi trabalhado ali dentro do
- 40:24Lantley Principle pela galera da Forge.
- 40:27De forma geral, eles também trabalham com a ideia de que só
- 40:29pode existir em jogo o que foi proposto em jogo perante os
- 40:34participantes da mesa. Então, segundo a lei da mesa,
- 40:38sua preparação de jogo não existe até que faça parte do
- 40:42repertório ficcional que entendemos como o mundo de jogo,
- 40:46um espaço coletivo, imaginário e de aceite comum a todos os
- 40:51participantes. Tal repertório, sim, em
- 40:54essência, é o que usamos como matéria de jogo no RPG e é a
- 40:58bagagem lúdica que vai ser utilizada pelos participantes
- 41:01para jogarem efetivamente. para existir uma estrada segura que
- 41:07levaria os jogadores do ponto A ao ponto B com seus personagens,
- 41:11esses jogadores precisam de alguma forma saber, no mínimo,
- 41:15da possibilidade da existência dessa estrada.
- 41:18Se nada que fizerem vai poder levá-los a descobrir da
- 41:24existência dessa estrada, ela simplesmente não tem qualquer
- 41:27impacto no jogo. Então não faz parte do
- 41:29repertório ficcional em que os jogadores vão jogar. nem
- 41:33integram o que sentimos ser o mundo de jogo e a simulação.
- 41:38Trocando em miúdos, cada coisinha que está lá nas suas
- 41:42anotações, além de nada documentar, ela não tem qualquer
- 41:47existência prévia dentro do círculo mágico, nas palavras do
- 41:51Huizinga. Não tem validade no RPG porque
- 41:54está fora do jogo. Não tem como ser utilizado pelos
- 41:57participantes, portanto não tem impacto.
- 42:00Seu NPC fodão, o bruxo malvadão lá, ele só passa a existir
- 42:05quando aparece em jogo, no mínimo indiretamente, no mínimo
- 42:09como indício, como rumor. Só assim os jogadores podem
- 42:13fazer algo a respeito da existência dele.
- 42:17O mesmo vale para o mestre a respeito de qualquer coisa que
- 42:20esteja em seus planos, que ele tenha imaginado em sua cabeça
- 42:24sozinho. O mesmo vale também do que está
- 42:27na mente de qualquer jogador, mas que ele não trouxe para o
- 42:30espaço coletivo, como a gente fala na lei da mesa.
- 42:34Dessa forma, não há mundo previamente ao jogo, preparado
- 42:38ou não, nem há documentação prévia ao jogo que gere
- 42:42compromisso dentro do RPG. Nem mesmo a sessão zero é jogo,
- 42:48nem documenta nada. Ela está muito mais para uma
- 42:51expectativa e um alinhamento sobre a ficção que vai ser
- 42:55produzida do que de fato uma bagagem já utilizada.
- 43:01Então a gente sabe que quando o jogo começar a correr, o
- 43:05repertório lúdico pode se construir a despeito do que a
- 43:08gente tinha combinado na sessão zero.
- 43:10Quantas vezes a gente não viu isso e não vai ver isso em jogo.
- 43:14E se... por algum motivo, de repente pelo game design do
- 43:20jogo, pelas regras do jogo, a gente não puder ir contra o que
- 43:25foi estabelecido ali na sessão zero, aí sim a gente tem um
- 43:29acordo de todos os participantes em relação a isso, como faz, por
- 43:32exemplo, o Ex-Corpo Mortal, e isso já é jogo, já é bagagem de
- 43:36jogo, então já é jogo. É o que diz o Lamplight
- 43:39Principle, inclusive. Trazendo isso para o Ogro de
- 43:42Schrödinger, o Gato de Schrödinger ele está dentro de
- 43:46uma caixa que tem um veneno, uma radiação.
- 43:50Sei lá, essa radiação pode já ter matado ele ou não, ou o
- 43:54veneno. Isso é um caso, um estudo, uma
- 43:57elucubração de física, de física quântica, sei lá, e de
- 44:02filosofia, principalmente. A caixa toda onde estaria esse
- 44:06gato, ela é toda fechada e fixa. A gente só tem como saber se o
- 44:10gato está vivo ou morto se abrir a caixa.
- 44:14Até que ela seja verificada ou não, há incerteza sobre o estado
- 44:18do gato e a gente tem que trabalhar ao mesmo tempo com ele
- 44:21vivo e ele morto. Se a gente está dentro de uma
- 44:24dungeon onde vive um ogro, tem uma bifurcação no nosso caminho,
- 44:29na nossa frente, esse ogro está simultaneamente nos dois
- 44:33caminhos. Ele é uma possibilidade a ser
- 44:36considerada simultaneamente em qualquer um dos caminhos que os
- 44:40jogadores tomem. Isso é o ogro quântico em
- 44:43essência. Esse é o ogro de Schrodinger.
- 44:47A gente pode dizer que o erro técnico do ogro quântico é um
- 44:53erro de agência. O mestre se aproveita dessa
- 44:56situação de Schrodinger do ogro e muitas vezes se apegando à sua
- 45:01preparação ou à sua falta de preparação, ele se apega ao
- 45:04repertório que ele resolveu que vai entrar em jogo. independente
- 45:08do caminho que os jogadores tomarem, ele vai botar em jogo.
- 45:12Então, há quem entenda que seguir a preparação é a solução
- 45:16do Ogro Quântico. Há quem diga que é uma concepção
- 45:21prévia de mundo ideal, em que o mestre já sabe onde o Ogro
- 45:25Quântico está, que é o que vai resolver o Ogro Quântico.
- 45:28Mas a gente já viu que não combina, não faz parte da mídia
- 45:32do RPG... Usar prep como natureza de
- 45:35documentação e como compromisso, nem muito menos um compromisso
- 45:39etéreo que o mestre tenha feito com qualquer ideia que ele
- 45:41tenha. Isso precisa entrar em jogo.
- 45:45Como não há um mundo previamente estabelecido num RPG, o mundo de
- 45:51aventuras só passa a existir quando o mestre e os jogadores
- 45:55mencionam e experienciam algo tido como real pela mesa, se
- 46:00tornando aquilo repertório lúdico comum.
- 46:02Então o que quebra o ogro quântico é o compromisso firmado
- 46:07em torno da realidade da ficção jogada.
- 46:10É o mestre descrever indícios suficientes que cristalizem a
- 46:15verdade do ogro no caminho A ou no caminho B.
- 46:18É os jogadores enriquecerem a ficção, direta ou indiretamente,
- 46:23provocando o mestre, por exemplo, a descrever mais sobre
- 46:26o ambiente para que ele se comprometa com a ficção que tira
- 46:31o ogro da caixa de Schrodinger e determina se ele está no caminho
- 46:34A ou no caminho B. São as reivindicações
- 46:37ficcionais, portanto, que concretizam o ogro no caminho A
- 46:43ou no caminho B. Voltando para o cara a cara, a
- 46:49gente pode ver que perguntar para o mestre ou reivindicar a
- 46:53ficção que a gente está trabalhando é derrubar carinhas.
- 46:58Isso é a negociação que a gente fala da ficção.
- 47:01É isso que é botar a ficção em jogo.
- 47:03Essa é a disputa pela ficção que a gente trabalha, que eu citei
- 47:07no episódio anterior do Café com Dungeon, lá no início dessa
- 47:10temporada, né? A gente não tem documento de
- 47:15compromisso dentro da preparação, nem o mundo
- 47:18pré-existente existe de fato até que ele apareça no jogo.
- 47:22Então, nem o mundo gera compromisso, nem a prep gera
- 47:26compromisso em relação a qualquer uma dessas carinhas que
- 47:30a gente tem ali no cara-a-cara. É como se a gente estivesse
- 47:33jogando cara-a-cara sem que os jogadores tenham tirado nenhuma
- 47:36cartinha dizendo qual o retrato que ele deve usar para aquele
- 47:40jogo ali. E é possível jogar cara a cara
- 47:43sem uma cartinha assim? Bom, é plenamente possível.
- 47:48Só que o que gera compromisso são as carinhas derrubadas a
- 47:52partir das perguntas feitas pelos jogadores e as respostas
- 47:55dos seus oponentes. Você usa chapéu?
- 47:59A partir do momento que o jogador disser que sim, eu uso
- 48:01chapéu, você vai derrubar todos os que não usam e aquilo é um
- 48:05compromisso tomado pelo jogador de que ele usa chapéu.
- 48:10Então, a partir de agora, a gente tem o compromisso de que
- 48:12seu retrato, de todas as carinhas do tabuleiro, está
- 48:16dentre as que usam chapéu. Ainda que nem você, nem o seu
- 48:20oponente, saibam ainda quem é cada um de vocês, até que só
- 48:25reste uma carinha de pé no tabuleiro de cada um de vocês.
- 48:29Ou seja, é o cara-cara quântico. Na dinâmica de jogo do
- 48:35cara-cara, durante o jogo do cara-cara, no que isso implica?
- 48:40Se o jogador, logo na primeira rodada, fizer uma pergunta
- 48:46ousada para você, por exemplo, você tem bigode?
- 48:50Assumindo aqui que só dez por cento das carinhas têm bigode.
- 48:53O que ele está apostando? Ele está apostando que se por
- 48:56acaso o seu personagem tem bigode, ele vai derrubar uma
- 49:00porrada de carinha ali. Porém, se não há um compromisso
- 49:04firmado por meio de uma cartinha sacada, você fatalmente vai
- 49:09responder que você não tem bigode.
- 49:11Por quê? Porque tem muito mais retratos
- 49:13sem bigode do que com bigode. Se você não tem um compromisso
- 49:17ainda com um retratinho específico, você obviamente vai
- 49:21pegar a opção que menos elimina possibilidades para responder,
- 49:25para dificultar a vida do seu oponente.
- 49:28Com efeito, você nunca será um homem careca de bigode, porque
- 49:32tem poucos deles. Você vai sempre escolher as
- 49:35cartinhas para ser aquelas que têm as inscrições menos
- 49:39marcantes. Por quê?
- 49:40Porque você sempre vai responder de forma que o oponente derrube
- 49:43o mínimo possível de plaquinhas ali no tabuleiro do cara a cara.
- 49:48Ainda assim, é possível jogar assim, desse jeito.
- 49:52Ainda que você marque muito mais as coisas. duas carinhas
- 49:56restando, vamos supor que a gente chegou lá, a gente está
- 49:59jogando cara a cara e restaram duas carinhas no meu tabuleiro.
- 50:04Se você chutar uma dessas carinhas, você sempre vai errar,
- 50:09porque eu não tenho porque me comprometer com uma delas.
- 50:12No RPG, a gente está falando de uma ficção muito mais rica,
- 50:16muito mais cheia de detalhes e nuances, diferente do repertório
- 50:19de carinhas do cara a cara. Eu vou dar um exemplo desse tipo
- 50:23de coisa dentro do RPG. Vamos dizer que você tem uma
- 50:27medusa, mas é uma medusa do seu mundo de jogo, não é
- 50:31necessariamente a medusa da mitologia grega.
- 50:33Os jogadores vão lá e resolvem olhar o reflexo dela pelo
- 50:37espelho. E eles estão assumindo ali que
- 50:40se eles olharem pelo espelho, o poder dela não vai funcionar
- 50:43neles. E aí, vale o que?
- 50:48Vale o que está no bestiário, no livro dos monstros?
- 50:51Será que lá está escrito que a medusa não petrifica quem olha o
- 50:56seu reflexo por um espelho? Se isso estiver escrito lá, isso
- 51:01automaticamente é válido dentro do seu jogo?
- 51:04Ou seja, o que está escrito no manual de jogo é compromisso?
- 51:09Vamos dizer que você preparou, você botou lá, essa medusa, ela
- 51:13não petrifica se você olhar pelo reflexo do espelho.
- 51:17Isso é compromisso? O que está na sua prépia é
- 51:19compromisso? A despeito do que pode estar
- 51:21inclusive no bestiário? Ou vale como você preparou a
- 51:27ficção no momento do jogo. De repente você colocou ali do
- 51:31lado de fora uma estátua segurando um espelho.
- 51:35De repente de costas para a área que a Medusa ocupa.
- 51:40É isso que vale? Isso aí já indica o suficiente
- 51:43que a medusa petrifica, sim, talvez, pelo seu reflexo no
- 51:48espelho também? Bom, o Blorb fala que se você
- 51:52não tiver nada preparado, você tem que inventar alguma coisa.
- 51:56Ele diz que é para você tentar inventar algo que não vai ajudar
- 52:01ou atrapalhar muito os personagens.
- 52:03Olha que doideira, né? Você tá ali num mar cinzento,
- 52:06você não tem ali nada no Blob Principal que te ajude a tomar
- 52:09uma decisão nesse ponto. Você tá num mato sem cachorro,
- 52:12você tá vendido. E aí, o que você decide nesse
- 52:15caso da Medusa? E aí, vai petrificar ou não vai,
- 52:18cara? Você, mestre, tem que ter essa
- 52:19resposta nesse momento, cara. Ali o Blob Principal se apega
- 52:23tanto à preparação e à documentação no compromisso de
- 52:27jogo... que ele te larga num espaço de reivindicação sem
- 52:33sentido. Você não sabe com que sentido
- 52:35você vai reivindicar naquele momento.
- 52:37E aí você não sabe como decidir isso.
- 52:40A não ser que de fato esteja lá no livro, de repente, e você
- 52:43fala, não, vou me comprometer com o que está no livro.
- 52:46Ou vou me comprometer com o que tem na prepa.
- 52:49Ou vou me comprometer com o que já apareceu na ficção?
- 52:53O que é melhor? Me parece que se comprometer com
- 52:55o que está na ficção é muito mais sólido e o jogador pode se
- 52:59fiar nisso. Por quê?
- 53:01Será que é bom a gente tornar o que o livro traz no bestiário
- 53:10isso não vai te tirar a jogo de cintura?
- 53:13Será que é legal você... Será que é possível a sua prep
- 53:17se tornar documentação? A gente viu que é difícil demais
- 53:20fazer isso. Me parece que a ficção é o único
- 53:24caminho. O jogador forçar a reivindicação
- 53:28é o caminho mais seguro para ele não depender do mestre ser
- 53:31bonzinho, inclusive dentro do julgamento lá que o Blorb Prince
- 53:34Paul recomenda. Você impede o mestre de morder
- 53:38quando você fez com que ele, na ficção, assumisse um
- 53:42compromisso. Por isso em Oil Fantasy,
- 53:46inclusive a gente assume que o mestre vai fazer o seu pior
- 53:49dentro da verossimilhança e dentro do mundo construído pelas
- 53:53reivindicações ficcionais, pela bagagem construída pelos
- 53:56participantes. Por isso a gente fala que Oil
- 53:58Fantasy é uma disputa pela ficção.
- 54:01Você como jogador vai induzir o mestre a gerar um compromisso
- 54:05com a ficção naquele momento e vai dizer, eu vou botar aqui...
- 54:09sei lá, eu vou fazer um simulacro meu, você tem uma
- 54:12magia que cria um simulacro, que cria um homúnculo, e você bota o
- 54:16seu homúnculo pra testar o espelho.
- 54:18Por quê? Porque se ele petrificar, você
- 54:20sabe que a medusa vai petrificar pelo reflexo do espelho, e aí
- 54:24você comprometeu o mestre aquilo.
- 54:27Ou não, de repente, de repente o mestre por algum motivo, ele
- 54:30resolveu que não, é... De repente, por uma outra
- 54:33característica do desafio que ele está trazendo, ele diz que
- 54:36não, cara. Você olhar pelo espelho não
- 54:37petrifica. O jogador se aproveita disso.
- 54:39Por quê? Porque ele confirmou isso na
- 54:41ficção. Mas, de qualquer forma, ele
- 54:42precisou fazer com que o mestre assumisse compromisso em torno
- 54:46da ficção. E aí, dentro disso, isso é
- 54:48completamente verificável. Bom, vamos entender um pouquinho
- 54:53mais? Fazer um parênteses agora sobre
- 54:55verossimilhança, tá? Tá, então é o seguinte, nós
- 54:59vamos voltar... Agora, agora veja só.
- 55:08A gente viu que no cara a cara, empobrece o jogo nenhum jogador
- 55:13tirar a cartinha que gere compromisso em relação ao
- 55:17personagem é. Por quê?
- 55:18Porque empobrece o jogo nenhum jogador nunca escolher aquele
- 55:23homenzinho careca de bigode torto.
- 55:25Por quê? Porque ele é muito peculiar.
- 55:28E é mais fácil você escolher personagens que são muito
- 55:32comuns, que têm características comuns, porque elas levam a
- 55:36eventualmente menos derrubada de carinhas ali nas perguntas que
- 55:41são feitas. No RPG, de certa forma, se toda
- 55:43vez que o grupo passar por uma floresta onde tem um dragão,
- 55:47esse dragão aparece, isso é uma coisa inverossímil. o jogo fica
- 55:52igualmente mais pobre, uma ficção menos profunda, assim
- 55:56como é o Caracara se você nunca escolhe o homem careca de
- 55:59bigode. Se em Wild Fantasy o mestre faz
- 56:03sempre o seu pior, esse é o sentido que ele dá nas
- 56:07reivindicações dele, o jogo também ficaria mais pobre na
- 56:10ficção se sempre aparecesse um dragão quando o grupo
- 56:14atravessasse uma região onde esse dragão mora, assim como o
- 56:17Caracara fica mais pobre. Então a gente usa recursos de
- 56:23garantia de verossimilhança. Dentro do RPG, a gente poderia
- 56:28dizer que seria comum no cara a cara você usar uma tabela
- 56:32dizendo quem é você, ou você sortear uma cartinha dizendo
- 56:35quem é você, ainda que essa cartinha não pudesse ser usada
- 56:38como compromisso. Você pega essa cartinha pra quê?
- 56:41Porque com o tempo, com cada rodada, você jogando, jogando,
- 56:45jogando, a gente vai percebendo que há um compromisso com a
- 56:49diversidade ali, ou seja, você recorrer a uma tabela aleatória
- 56:53ou recorrer a sacar uma cartinha vai fazer com que haja essa
- 56:57diversidade ao longo do tempo. E aí se você percebe que o teu
- 57:00oponente nunca, nunca, nunca, ao longo de cem partidas, ele nunca
- 57:05foi aquele homem careca de bigode, alguma coisa está errada
- 57:07ali, né? Essa consistência a gente vai
- 57:10perceber ao longo das partidas, assim como o dragão, que sempre
- 57:14aparece durante uma sessão de RPG, lhe parece inverossímil.
- 57:19É claro que a gente está trabalhando aqui justamente
- 57:21nesse ponto da inverossimilância, na limitação.
- 57:25do cara a cara. Porque afinal de contas, uma vez
- 57:27que você saca a cartinha, não tem para essa cartinha não ser
- 57:29compromisso. Então a parábola para aqui.
- 57:34Mas dá para a gente entender um pouco isso.
- 57:36É como se no RPG a gente, de certa forma, estivesse
- 57:40informando a nossa própria arbitrariedade como mestre,
- 57:43nosso próprio espaço decisório como mestre né a gente tem um
- 57:48compromisso com a verossimilhança porque senão ao
- 57:51longo do jogo seu jogo fica em verossímil né isso é um
- 57:53princípio de oil fantasy então para você garantir que haja
- 57:57verossimilhança você busca essas estruturas de verossimilhança
- 58:00como é por exemplo a tabela de encontro aleatório para região
- 58:03onde mora o dragão nem sempre é o dragão que vai aparecer ou uma
- 58:07tabela de reação nem sempre as criaturas vão querer te matar.
- 58:12Elas podem estar ali para serem amigas, inclusive.
- 58:15Ou uma jogada de moral. Nem sempre as criaturas lutarão
- 58:19até a morte. Pode ser que elas fujam, por
- 58:21exemplo. Então você busca estruturas de
- 58:24verossimilhança para garantir a verossimilhança do jogo.
- 58:28Muitas vezes, grande parte desses momentos serão momentos
- 58:32de preparação sua. É você organizando como você vai
- 58:36impactar o mundo de aventuras e gerar repertório dentro desse
- 58:39jogo. Portanto, a gente pode dizer que
- 58:48no RPG você vai se comprometendo com as suas reivindicações
- 58:52ficcionais e é bom que elas sejam bem informadas, né?
- 58:56Que você tenha, inclusive, um sentido claro em torno de como
- 59:00reivindicar, de como criar essa bagagem ficcional que é jogada
- 59:05ali, né? A bagagem lúdica, ela é elemento
- 59:07de jogo, né? Portanto, grande parte da
- 59:10dinâmica de jogo do RPG é criação, é criativa.
- 59:13Na dinâmica de jogo a gente está criando muito mais do que
- 59:17investigando algo que já existe, trabalhando em cima do
- 59:20repertório que já existe. Ainda que muitas vezes a gente
- 59:22vai trabalhar em cima do repertório que já existe sim.
- 59:24Ele vai inclusive influenciar as nossas decisões de criação.
- 59:30Então, tanto o mestre quanto os jogadores vão sendo
- 59:32influenciados por esse repertório.
- 59:34Esse repertório vai ali ganhando uma força, uma coesão que a
- 59:39gente entende como verossimilhança.
- 59:41Mas, de qualquer forma, essas coisas não têm como serem
- 59:44pré-definidas. Elas precisam ser construídas em
- 59:46jogo. A bem dizer, definir previamente
- 59:49ao jogo só faz você ter parâmetros como guia, você ter
- 59:55parâmetros ali, você ter guias para que levem você a não
- 59:58reivindicar errado em relação à ficção que você está se
- 1:00:01comprometendo. Mas nada disso vale antes de
- 1:00:04entrar no jogo. Nada que você tem na sua
- 1:00:06preparação vale antes de entrar no jogo.
- 1:00:08É como se no cara a cara, aquela carinha ali não fosse um
- 1:00:12compromisso, mas fosse uma coisa que ajudasse você a decidir as
- 1:00:15coisas. Mas aqui não funciona tão bem
- 1:00:17esse paralelo. É melhor a gente ir para o jogo
- 1:00:20de mistério. No jogo de mistério, preparação
- 1:00:23não é compromisso. Nem nenhuma ideia que você possa
- 1:00:26se apegar. prep é bom. É uma coisa boa.
- 1:00:31Ela é excelente. Mas ela só ajuda você a guiar as
- 1:00:36reivindicações que você precisa fazer em jogo pra construir o
- 1:00:39mistério. É como no cara a cara, a
- 1:00:42cartinha vai servir para você responder rápido quando
- 1:00:44perguntarem sobre a ficção, quando perguntarem sobre quem
- 1:00:48você é no cara a cara. Se no cara a cara isso serve
- 1:00:53para você responder rápido e serve como compromisso, no RPG a
- 1:00:56sua prep não serve como compromisso.
- 1:00:59Ela só serve para ajudar você a gerar essa consistência, para
- 1:01:03informar suas decisões. Então a gente pode dizer que a
- 1:01:08PrEP tem suas próprias limitações, mas ela pode ser
- 1:01:11muito bem utilizada. Ela vai ajudar você a construir
- 1:01:15esse mistério de forma consistente. porém você não
- 1:01:19precisa se apegar a ela, você não precisa usar ela como
- 1:01:22documento, você não precisa usar ela como compromisso porque por
- 1:01:26exemplo vamos pensar que no jogo de mistério a gente ficou entre
- 1:01:30o assassino A e o assassino B os dois igualmente bem construídos
- 1:01:36na ficção com evidências suficientes que apontem para os
- 1:01:39dois nesse caso Qual o sentido de reivindicação que você vai
- 1:01:44ter? Vamos dizer que você esteja
- 1:01:45jogando Oil Fantasy. O mestre vai fazer o seu pior.
- 1:01:48Porque o Blob, por exemplo, não ajuda a gente nesse ponto.
- 1:01:52Então vamos dizer que você está jogando um jogo Oil Fantasy e
- 1:01:54você vai fazer o seu pior. O jogador chega e diz que ele
- 1:01:59vai se vingar do assassino. Ele não sabe se é o assassino A,
- 1:02:04ou se é o suspeito A, ou o suspeito B.
- 1:02:07Então ele vai lá e mata o suspeito A.
- 1:02:10Bom, diferente do cara a cara, em que se você não tiver
- 1:02:13compromisso com nenhuma cartinha, você vai sempre dizer
- 1:02:15que o jogador está errado, não é o fantasy.
- 1:02:18O jogador acertar ou não quem é um assassino não necessariamente
- 1:02:23é o pior, é o que é o mestre fazer o seu pior em relação ao
- 1:02:26desafio. Muitas vezes o jogador se vingar
- 1:02:33do suspeito correto, ou seja, do assassino, vai apontar para um
- 1:02:39melhor desafio. E isso é um risco que os
- 1:02:43jogadores assumiram quando eles não investigaram mais para poder
- 1:02:49entender se o assassino é realmente A ou B.
- 1:02:53Vamos dar um exemplo prático. O suspeito A é líder da máfia.
- 1:02:59O suspeito B é um torneiro mecânico.
- 1:03:02O jogador não sabe se é A ou se é B o assassino, inclusive os
- 1:03:06dois têm o mesmo lastro probatório dentro do jogo, ou
- 1:03:09seja, a ficção se enriqueceu o suficiente para condenar os
- 1:03:12dois. Mas não se sabe ainda qual deles
- 1:03:14é. No cara a cara, você tem duas
- 1:03:16carinhas e você está apontando para uma delas.
- 1:03:19Vamos supor que os jogadores vão lá e se vingam do líder da
- 1:03:23máfia. você poderia dizer que, olha, cara, vocês erraram.
- 1:03:28O assassino, de fato, é o torneiro mecânico.
- 1:03:32Mas aí, nesse caso, você está perdendo uma grande oportunidade
- 1:03:36de desafiar melhor o grupo. Por quê?
- 1:03:38Porque, olha só, eles vão se vingar do líder da máfia.
- 1:03:41Isso possivelmente aponta para um desafio muito melhor.
- 1:03:44Então você fala, não, vocês acertaram.
- 1:03:46Vocês foram lá e vocês eliminaram...
- 1:03:52O real assassino. E você adensa isso.
- 1:03:54Você coloca coisas relativas a isso.
- 1:03:56Você pode ter ali uma intriga de tribunal.
- 1:03:59Você pode ter várias coisas interessantes vindo a respeito
- 1:04:01disso. A polícia investigou e descobriu
- 1:04:04que o assassino de fato é o líder da máfia.
- 1:04:06Mas agora está investigando também quem assassinou ele.
- 1:04:08Então isso já tem ali muito mais interesse da polícia.
- 1:04:11Cara, talvez... Você como mestre, decidindo a
- 1:04:16ficção de acordo com o melhor desafio, pode ser que você vá de
- 1:04:21encontro até com o que você preparou, que você negue o que
- 1:04:27você preparou. Por quê?
- 1:04:30Porque ainda é possível você mudar o que você preparou, você
- 1:04:33não assumiu o compromisso. E como você não assumiu o
- 1:04:35compromisso, você só perderia o jogo de cintura nesse momento.
- 1:04:39E você está só fazendo algo plenamente possível e
- 1:04:43tecnicamente correto dentro de um risco que os jogadores
- 1:04:47assumiram. Não tem por que você se firmar
- 1:04:50com a realidade de que o assassino foi o torneiro
- 1:04:54mecânico que você, de repente, já desenhou ali ou decidiu na
- 1:04:58sua cabeça. Não tem por que, porque, no fim
- 1:04:59das contas, o que importa é o mistério que foi construído em
- 1:05:04jogo. Por quê?
- 1:05:05Porque não há um mundo prévio existente ao jogo que o garanta,
- 1:05:10nem há uma preparação que possa ser compromisso igualmente.
- 1:05:16Então muita gente reclamou, mas eu sou contra mudar o assassino.
- 1:05:21Mas que mudar? Por que mudar?
- 1:05:23Não é mudar, porque no fim das contas esse assassino nunca foi
- 1:05:26construído diferente. Se a gente está falando de duas
- 1:05:34possibilidades de assassinos, a gente ainda está quântico nesse
- 1:05:37ponto. É o gato de Schrodinger, ele
- 1:05:39está vivo e morto ao mesmo tempo.
- 1:05:41A gente tem que trabalhar com a possibilidade tanto do assassino
- 1:05:44ser o líder da máfia, quanto ser o torneiro mecânico.
- 1:05:48E não tem por que você se comprometer com uma dessas
- 1:05:51coisas. Você pode aproveitar isso para o
- 1:05:53melhor desafio nesse ponto. Então você não está mudando,
- 1:05:57você não muda porque nunca existiu.
- 1:05:59Você só está mudando de acordo com, talvez, na melhor das
- 1:06:02hipóteses, a sua ideia pré-concebida, a sua expectativa
- 1:06:07de ficção. Mas se você parar para olhar a
- 1:06:11dinâmica de jogo em si, não há por que se comprometer.
- 1:06:15Só existe o assassino construído com o jogo.
- 1:06:18Ele precisa ser reivindicado, e se não for reivindicado, cem por
- 1:06:21cento ainda, para um desses dois lados, você não precisa se
- 1:06:26comprometer com isso. Muito diferente do que acontece
- 1:06:29com a regra do legal, com o rule of cool, que foi o exemplo que
- 1:06:32eu dei nos outros episódios, de como o John Wick sugere tratar
- 1:06:36mistério em relação a um assassino dentro do Sétimo Mar,
- 1:06:40por exemplo. Ele fala que você pode mudar o
- 1:06:44assassino ao seu bel prazer de acordo com o que você acha mais
- 1:06:48legal, mais interessante para os jogadores. e pra isso me parece
- 1:06:52que é possível até que você jogue fora as evidências que
- 1:06:55você jogue fora o compromisso com a ficção já estabelecida se
- 1:07:00por exemplo você acha que isso vai trazer um momento mind blow
- 1:07:04vai trazer um momento em que os jogadores vão falar caraca
- 1:07:06explodiu minha cabeça porque o compromisso dele provavelmente é
- 1:07:10com a narrativa e jogos que estão construindo uma história
- 1:07:13de ficção são muito diferentes de jogos em que você está se
- 1:07:18comprometendo com a vivência de um mistério.
- 1:07:22A gente tem que entender essa diferença.
- 1:07:24Tem jogos e jogos. Não faz o mínimo sentido isso
- 1:07:28tudo que eu estou construindo aqui a partir da lógica do
- 1:07:31Brindlewood Bay. Não faz o mínimo sentido.
- 1:07:34Não faz o mínimo sentido, de repente, se você tá falando isso
- 1:07:38dentro de um jogo tipo Fate, sei lá.
- 1:07:41Não sei dizer muito bem. Talvez faça.
- 1:07:44Mas alguns jogos que são muito comprometidos com o contar da
- 1:07:47história e não com a vivência do mistério são outros quinhentos.
- 1:07:53E aí eu acho que pode de repente até incluir em defesa do John
- 1:07:57Wick esse papo de que você não precisa afirmar compromisso com
- 1:08:01a ficção. O seu compromisso talvez seja
- 1:08:03com que os jogadores achem a melhor história ou com alguma
- 1:08:06mecânica que amarre essas reivindicações a respeito do que
- 1:08:10é a melhor história, mas aí são outros quinhentos, aqui a gente
- 1:08:12está falando de uma estrutura mais tradicional de jogos.
- 1:08:16E aí nesse ponto eu não vejo porque você tem que tanto se
- 1:08:21firmar em relação a uma verdade prévia sobre quem é o assassino,
- 1:08:27nem porque você assumir que a sua prep é documento.
- 1:08:31Porque nenhuma das duas coisas, nem que você queira, elas vão
- 1:08:34firmar compromisso. A única coisa capaz de firmar
- 1:08:37compromisso nesse tipo de jogo em relação ao mistério que você
- 1:08:40está construindo é a ficção reivindicada. dentro do jogo e
- 1:08:45que você vai fazer isso de acordo com o sentido do estilo
- 1:08:48que você está jogando ou de acordo com o que é recomendado
- 1:08:51para aquele jogo. No caso do Final Fantasy, você
- 1:08:53vai decidir sempre de acordo com o que é o seu pior, que nem
- 1:08:57sempre vai ser dizer que o jogador está errado em relação a
- 1:09:00quem é um assassino. Muitas vezes você vai aproveitar
- 1:09:03isso para colocar o melhor desafio. simplesmente garantindo
- 1:09:08que você não está indo contra a verossimilhança e não está indo
- 1:09:11contra a agência do jogador em relação a ir contra o próprio
- 1:09:15repertório ficcional que já foi gerado.
- 1:09:17Ou seja, você não pode derrubar uma carinha, quer dizer, o
- 1:09:20jogador, o teu oponente, não pode derrubar uma carinha que
- 1:09:24tenha chapéu sendo que você disse errado, que você não tinha
- 1:09:29chapéu. Se você disse que tem chapéu,
- 1:09:31você está afirmando compromisso a partir desse momento que no
- 1:09:35cara a cara você tem chapéu. Isso não pode ser mudado no RPG.
- 1:09:40A prep serve para reforçar isso, mas nada mais do que isso.
- 1:09:44Não tem como ela ser documento de jogo.
- 1:09:46Enfim, acho que isso aqui encerra talvez essa trilogia a
- 1:09:50respeito dos mistérios aqui, a princípio.
- 1:09:54Não tem por que firmar compromisso em relação a isso,
- 1:09:58mas eu vou deixar para vocês aí uma enquete.
- 1:10:00Você ainda acha? Que o mistério existe desde a
- 1:10:04preparação. Eu falo ainda porque.
- 1:10:06Oitenta por cento das pessoas disseram.
- 1:10:08No outro episódio que sim. Elas acham que o mistério existe
- 1:10:11antes. Do jogo.
- 1:10:13Existe desde a preparação. Então faço novamente a pergunta.
- 1:10:15Será que alguém mudou de ideia. Ou será que eu consegui
- 1:10:18desconvencer algumas pessoas. E aí na próxima vem noventa por
- 1:10:21cento. É um bom teste.
- 1:10:23Vamos fazer? E no mais, você pode contar aí o
- 1:10:26que você achou dessa série, dessa trilogia sobre o mistério,
- 1:10:29patrocinada pelo RPG Dojo, que vai continuar patrocinando a
- 1:10:33gente durante esses meses vindouros.
- 1:10:37Então, é isso. Lembrando que eu vou deixar...
- 1:10:41os links tanto do RPG Dojo, para você fazer parte desse seleto
- 1:10:44grupo, e também o link das mesas abertas do Café com Dungeon,
- 1:10:47tanto o Biergotten quanto o Mito de Atlântida aí.
- 1:10:51Também vou deixar links citados no episódio, que é o Cara a
- 1:10:53Cara, um vídeo no YouTube para você ver o Cara a Cara, caso
- 1:10:56você não conheça. Um link para o Novo
- 1:10:59Simulacionismo, o episódio aqui no Café com Dungeon.
- 1:11:02Um link também para o Novo Simulacionismo, como no blog do
- 1:11:05Diálogo Ficcional. um link para a Lei da Mesa no blog do Oil
- 1:11:10Fantasy e um link para o Blurb Principles, como consta a
- 1:11:15tradução lá no diálogo ficcional.
- 1:11:17Beleza? No mais, apoie o Café com
- 1:11:19Dungeons. Se você quiser que o Café com
- 1:11:21Dungeons volte a ter cinco episódios semanais, considere
- 1:11:23apoiar o projeto desse podcast e fazer a alegria
- 1:11:48da massa RPGista consulta a gente lá no nosso e-mail e a
- 1:11:51gente tem uma proposta especial pra você pode também consultar a
- 1:11:56gente a respeito de parcerias e anúncios, a gente trabalha com
- 1:11:59marcas de RPG e também de outros ramos como cafés, jogos,
- 1:12:03tecnologia mídia e etc Se você é produtor de conteúdo, game
- 1:12:07designer, independente, acadêmico ou mesmo fã e quer
- 1:12:10participar do nosso projeto de alguma forma, colaborar, fazer
- 1:12:13um episódio aqui com a gente, fala um pouquinho sobre a sua
- 1:12:16ideia, manda aí para o nosso e-mail.
- 1:12:18No mais, agradecer a galera que torna possível essa aventura.
- 1:12:21Então, valeu Enéas Suzuki, valeu Gustavo Murad, Pedro Sloboda e
- 1:12:26Léo Paixão, alguns assinantes do nível comunidade e do nível
- 1:12:30incentivo. Um salve especial para os
- 1:12:32assinantes do nível RPG Dojo, dentre eles Marcos Vinicius
- 1:12:35Ornelas, Luiz Guilherme Dias de Souza, Pedro Borges, Vinicius
- 1:12:39Caldas e Felipe Skosteg. É um nível de apoio interessante
- 1:12:42porque você participa também de várias dinâmicas lá do RPG Dojo,
- 1:12:45fechou? Também um abraço aos membros do
- 1:12:48treinamento Oil Fantasy. Então, Abílio Júnior, César
- 1:12:50Machado, Daniel Aydar, Diego Sistito, Douglas Baiense, Léo
- 1:12:54Gasparotto, Matheus Piqueira, Rafael Bardal, Bruno Pop, João
- 1:12:57Gugurlamar e Gui Providello. No fim, um imenso agradecimento
- 1:13:01ao patrono das nossas bebedeiras, o grande Thiago
- 1:13:05Augusto. Valeu, cara, o nosso membro Café
- 1:13:07Com Balbe. Pessoal, um abraço e até a
- 1:13:10próxima. A gente encontra rastros para a
- 1:14:11esquerda, para a direita e também da onde a gente veio.
- 1:14:14Então vamos subir. Não tem nenhum rastro lá para
- 1:14:16cima. Vocês não vão acreditar no que
- 1:14:20saiu.