Latest / Elas na Escrita / #40 Como nasce um livro de verdade?
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- 0:01É, olá gente, bem vindos a mais um episódio delas na escrita.
- 0:05Hoje a gente tá começando aqui um pouquinho diferente, vocês
- 0:07sabem que geralmente tem sempre 2 autoras aqui pra gente
- 0:09conversar, mas hoje eu vou começar com uma autora só que
- 0:11vale por 23, que é uma mulher que eu admiro muito.
- 0:15Tô com a Renata Belmonte, Renata, seja bem-vinda, tô muito
- 0:18feliz que a gente finalmente conseguiu se encontrar e a gente
- 0:20vai gravar um episódio bem legal nelas na escrita.
- 0:22E aí gente, mais pra frente, em algum momento mais uma autora
- 0:25vai chegar, vamos ver quem vai ser a surpresa.
- 0:27Obrigada Isa, pelo convite. Também estou muito feliz de
- 0:31estar aqui conversando com você. Eu falo muito, né?
- 0:35Então a gente pode conversar longamente loucamente até
- 0:39convidar ela chegar. Não se preocupe, você não tem
- 0:43uma pessoa monossilábica definitivamente aqui.
- 0:45Maravilha, gente, olha eu vou. Apresentar um pouquinho a Renata
- 0:48aqui para vocês, como vocês já estão acostumados, então eu vou
- 0:51dar aquela Mini bio antes da gente começar a conversa.
- 0:53A Renata Belmonte. Ela é autora do romance piscinas
- 0:56Russas, que foi publicada em 2025, e mundos de uma noite só,
- 0:59que foi finalista do prêmio São Paulo de literatura de 2020,
- 1:02semifinalista do prêmio oceano de 2021 e destaque do clube tag
- 1:07curadoria em 2025. Além deles, ela publicou 3
- 1:10livros de contos, o femininamente, que ganhou o
- 1:12prêmio Braskem de literatura 2003, o que não pode ser prêmio
- 1:16arte e cultura banco capital do. 2006 e vestígios da senhorita b
- 1:20doutora em direito pela Universidade de São Paulo e
- 1:23mestre pela fundação Getúlio Vargas, ela é também advogada.
- 1:26Olha só, um baita currículo, Henry.
- 1:28E muito legal que a gente vê que tem muitos livros ainda.
- 1:31E pelo caminho, né? Muitos livros que já se passaram
- 1:33pela sua trajetória. Antes de começar aqui a gravar,
- 1:36a gente tava já conversando um pouquinho nos bastidores e acho
- 1:39que a Renata tem muita coisa legal para trazer para gente
- 1:41justamente dessa trajetória da escritora.
- 1:44Que a gente estava conversando um pouco rei sobre o quanto a
- 1:46gente tem essa Áurea de mistério.
- 1:47Quando a gente vê uma autora publicada por uma grande editora
- 1:51ou que está já num espaço que a gente considera um espaço
- 1:53bacana, numa carreira da literatura que todo mundo quer
- 1:55estar nesse espaço. E a gente esquece que essa
- 1:57escritora percorre uma trajetória, né?
- 2:00Percorre o caminho. Então, acho que para a gente
- 2:02começar o nosso papo, eu queria que você contasse para mim
- 2:04primeiro um pouquinho. Vamos lá atrás.
- 2:06Como que você chegou na escrita, né?
- 2:08Como a literatura e a escrita literária chegaram até você?
- 2:11Como foi esse percurso dentro do que você já tinha acontecendo
- 2:14ali na sua vida? É, eu comecei muito cedo.
- 2:17Eu fui uma criança muito atípica, muito diferente.
- 2:23Eu não. Eu era uma criança um pouco
- 2:24adulta. Eu não gostava de brincar.
- 2:26Enfim. É toda, toda.
- 2:30A minha existência, desde sempre, ela estava condicionada
- 2:34a espaço de fabulação. Então, e fora essa é essa
- 2:40sensação de não pertencimento que eu tinha ao meu próprio
- 2:42corpo, a minha própria idade, a aquilo que era me proposto
- 2:46enquanto o modelo de infância. Eu não queria ir pra praia, não
- 2:49queria fazer essas coisas que são típicas, é, eu comecei a
- 2:56ler. Eu comecei, eu tinha uma
- 2:58sensação de não pertencimento, de inadequação, talvez até uma
- 3:01ansiedade infantil, e me lembro de bem, novinha tem uma
- 3:06experiência que foi eu fazia uma espécie de professora particular
- 3:11e demorou de meus pais chegarem para me buscar.
- 3:13E aquilo foi me criando uma ansiedade.
- 3:14Ela me deu um livrinho e eu comecei a ler esse livro.
- 3:18Eu me perdi quando me chamou, já tinham chegado para me buscar.
- 3:23E era um livro sobre uma fábrica de brinquedos.
- 3:25E eu me livro de ter pensado, puxa, essa é a melhor profissão
- 3:27do mundo, porque faz com que as crianças esqueçam de si mesmas,
- 3:31esqueçam de suas angústias, né? Eu falei, quando eu crescer,
- 3:34você é uma escritora. E essa ideia, ela que veio muito
- 3:39cedo, devia ter, sei lá, 89 anos.
- 3:42É, Ela Foi ficando mais sólida na no na minha pré dolescência
- 3:46no início da minha adolescência, quando eu IA passar os verões
- 3:50numa casa na ilha. Eu sou baiana, né?
- 3:52Então tem lá. Na Bahia tem a ilha de
- 3:54Itaparica. E eu detestava fazer tudo aquilo
- 3:57que supostamente nas minhas férias eu tinha que fazer de
- 4:00criança. É, eu IA com meus primos como
- 4:03meus primos de paixão, mas meus primos queiram correr, fazer e
- 4:06eu queria ficar. Da biblioteca, que era da frouxa
- 4:10da minha casa. Tinha uma biblioteca municipal e
- 4:12eu queria pegar os dies da biblioteca e ficar lendo
- 4:14deitada. Eu queria ficar no quarto
- 4:16fazendo isso. Mas introspectiva, né?
- 4:18É, é meio curioso, é meio dubio, porque eu sou uma pessoa muito
- 4:21solar. Eu falo muito, eu gosto de estar
- 4:23com as pessoas, mas eu tenho 11 necessidade de silêncio e de
- 4:29introspecção imensa. Né?
- 4:32Então isso às vezes é quase uma dualidade, né não?
- 4:36Mas eu preciso muito do meu tempo, do meu tempo sozinha para
- 4:38fazer minhas coisas, para pensar sobre aquilo que eu estou
- 4:42vivendo. Enfim, eu tenho.
- 4:43Eu tinha uma complexidade emocional também desde essa
- 4:46época que não era muito bem compreendida.
- 4:49Os meus pais nos espaços que eu vivia.
- 4:51Então, também o meu encontro com a psicanálise foi muito
- 4:54definitivo para para para minha autoria, né?
- 4:56Para escritoria que eu me tornei.
- 4:58Então, e aí eu ficava lendo, mas comecei a ler, colação,
- 5:03Vagalume, essas coisas, mas tinha um jornal, tem um jornal
- 5:07lá na Bahia que tinha um jornal a tarde, você pagava um valor a
- 5:10mais esses livros de domínio público brasileira, você ganhava
- 5:14o fascículo, né? E meus pais começaram a pagar
- 5:17para mim. Então com 13 anos eu tava lendo,
- 5:19curti isso, tava lendo Machado de Assis, não é que eu
- 5:22entendesse. Que eu estava lendo exatamente,
- 5:24eu não entendia. Mas alguma coisa ele era
- 5:26absorvido. Mas eu sabia que era importante
- 5:29que eu lesse, eu sabia que eu não tinha que entender tudo.
- 5:32E eu acho isso fascinante, que eu, com 13 anos, já tivesse essa
- 5:36percepção. Porque eu acho que hoje em dia
- 5:38isso é uma coisa que falta. As pessoas vão para os livros
- 5:40esperando. É uma espécie de controle
- 5:44daquilo que acontece aí. Qualquer estranhamento de
- 5:47linguagem faz com que esse leitor ele duvide do texto,
- 5:52quando, na realidade, é justamente no desafio, numa
- 5:55proposta inovadora que vão se abrindo novas possibilidades e
- 5:59rupturas para que você construa 11 jeito de habitar a sua
- 6:03própria língua, né? Então, com 13 anos, eu já tinha
- 6:06essa percepção. Eu pensava, puxa, se esses
- 6:08livros. São considerados clássicos.
- 6:11É porque eles tem algo a me dizer e eu IA para eles aberta,
- 6:15mesmo que eu não entendesse o que eu tava lendo.
- 6:17E eu acho isso fabuloso. É incrível e é como você disse,
- 6:20é uma coisa que falta muito. Hoje a gente conversando sobre
- 6:22literatura, pensando nos livros, acho que muita gente até
- 6:25abandona o livro porque se sente, Ah, eu tô cansada dessa
- 6:27literatura, é densa ou tá me pedindo muito, tá me pedindo
- 6:31concentração, tá me pedindo algumas coisas, quero algo
- 6:33fácil, quero algo que não experimente.
- 6:35Então, muito legal essa percepção de que às vezes você
- 6:37tá ali com o livro, não necessariamente também você vai.
- 6:39Tem que entender tudo na mesma hora, né?
- 6:41É, eu acho que tem uma, tem um modo de ler, né?
- 6:44Eu acho que tem um momento que você quer ler, sim, por
- 6:47entretenimento, que você quer ter prazer, você quer se
- 6:50divertir. Eu não tenho nenhum problema com
- 6:51isso. Eu sempre falo, eu gosto de ler
- 6:54eventualmente livros de um de uma literatura dita mas
- 6:56comercial, né? Quando esses livros são honestos
- 6:59e são vendidos como que eles são, eu acho magnífico.
- 7:02Assim. Você já sabe o que você vai
- 7:04encontrar e que não são grandes desafios de linguagem, mas às
- 7:07vezes tem aqueles enredos que fazem você viajar e é delicioso.
- 7:11É o que você tava precisando? Daquele momento, você precisa
- 7:13daquela experiência, eu acho isso.
- 7:15É absolutamente válido, né? Agora é.
- 7:19Tem uma outra experiência, que é uma experiência muito mais
- 7:21profunda e que é uma experiência muito mais transformativa, que é
- 7:25a de você se tornar co autor do livro que você está lendo é que
- 7:29é de o de o autor lhe propor um tipo de percepção de linguagem.
- 7:35É diferenciada daquilo que está acontecendo no.
- 7:40Naquilo que você costuma passear enquanto leitor?
- 7:43Então aquele autor que vem com uma proposta onde é um texto
- 7:47mais cifrado, é um texto que te pede uma atenção maior para que
- 7:52você se transforme junto com ao longo da narrativa, com aquele
- 7:56livro. Então aquele livro vai, se você
- 7:58pega 11, decisivo de entretenimento.
- 8:00Se você fizer uma releitura, basicamente você vai sair o
- 8:04mesmo vai. Pode até ter os mesmos prazeres
- 8:05que você teve na primeira leitura.
- 8:07Mas você não sai com um Salto de compreensão de si mesmo.
- 8:10Eu acho que um livro em outro registro, um livro que tem um
- 8:15desejo, né? É de superar o tema, ainda que
- 8:20os o tema esteja lá. Mas de de ser um livro que te
- 8:26faz existir em outra dimensão e para além de você mesmo.
- 8:31Esse livro ele vai te acompanhar ao longo dos anos, então você
- 8:34pode abri lo daqui a uma década. E não importa o enredo, não
- 8:39importa. E é o que aconteceu com as
- 8:41personagens. Importa que você já não vai ser
- 8:43mais o mesmo que leu há um tempo atrás e já vai encontrar nessa
- 8:46experiência outros sentimentos. Vai encontrar uma série de novas
- 8:50percepções que naquela, naquele outro momento, você ainda talvez
- 8:56não conseguisse alcançar. Então esse livro vai te
- 8:58acompanhar, vai te moldando. Ao longo da da sua trajetória de
- 9:02vida e esse tipo de livro que dura que me interessa fazer?
- 9:06Então acho que justamente por você se interessar por esse tipo
- 9:10de leitura que você buscando então esse adensamento, esse
- 9:14essa criação literária que vai é vai pela linguagem, vai na
- 9:17história, vai na narrativa, é. Você acha que foi por isso?
- 9:20Que então que você fez essa escolha pelo piscinas Russas de
- 9:22fazer um livro que ele transita por ali, quase diferentes
- 9:25espaços e personagens e segredos e tem coisas subentendidas.
- 9:29É um texto que você. Lê em camadas, né?
- 9:31Que é um texto que ele tá. Lê em camadas.
- 9:33Ele tem a superfície e você tem que ler o que tá embaixo e o que
- 9:36tá mais embaixo e descobrir o que o personagem diz.
- 9:38O que o personagem esconde. Você acha que você buscou isso
- 9:41na sua escrita ou também veio um pouco natural, porque era o que
- 9:44você mais gostava de ler? Talvez.
- 9:46Eu acho que é. Eu tô.
- 9:48Eu sempre quando eu vou escrever um livro, eu sinto aberta,
- 9:52absolutamente aberta a mim. Experimentar.
- 9:55IA me descobrir ao longo da narrativa.
- 9:58Então é lógico que eu sento com uma premissa sobre o que eu vou
- 10:01escrever, mas eu vou descobrindo a história ao longo.
- 10:06É dos passeios que eu faço pelos personagens, né?
- 10:09Então eu não tenho 11, trabalho é fixo.
- 10:15É a princípio, eu não tenho uma história que termina assim que
- 10:18vai ser assado, eu vou escutando no dia a dia.
- 10:21Eu vou, enfim, vivendo um processo criativo de uma forma
- 10:25muito maleável, sem é ideias muito fixas sobre o que vai ser,
- 10:32sobre o que é boa literatura, o que não é boa literatura sobre o
- 10:34que é literatura, sobre o que não é.
- 10:35Eu mergulho, eu me jogo, né? EEE aí nesse processo de você.
- 10:43Descobrir sua voz, aprender o livro, porque às vezes uma coisa
- 10:48é funciona muito bem se ela está honesta com aquela proposta.
- 10:54E para um outro livro, se ela não funciona, então não tem um
- 10:57registro fixo. Você como artista, você tem que
- 11:00estar é aberto a fazer o que o livro pede, não é o que você
- 11:05deseja. Exatamente, mas o que o livro
- 11:07pede? E o que esse livro em especial
- 11:10me pediu é, foi um olhar é que não que tivesse realmente
- 11:18disposto a seguir o curso das águas, a entender que caminhos
- 11:25faz caminhando a viver o processo das personagens, sem
- 11:31deixando que as ambiguidades delas.
- 11:34Pudessem é existir, apesar de neste tempo, livros como esse
- 11:43terem mais dificuldade de inserção nos espaços, né?
- 11:46A gente vê que tem hoje em dia o que se busca mais é uma
- 11:50literatura com certezas, com frases, é com.
- 11:59Então não era isso que o meu livro queria ser e eu respeito.
- 12:04É esse desejo da autoria, sabe de.
- 12:07Olha, gente, quem vem chegando aqui?
- 12:09Eu erreto, a gente está conversando.
- 12:10Eu falei para vocês que IA ter uma surpresa, que eu IA começar
- 12:13com a Renata Belmonte. No meio do episódio, IA chegar
- 12:16uma autora que é a Karina Bacellar, uma autora carioca que
- 12:19não está acostumada com trânsito de São Paulo. bem-vinda, Karina.
- 12:23Obrigada, Isa Renata, é um prazer estar contigo.
- 12:27Pois é, eu fiquei presa no trânsito de São Paulo.
- 12:31Infelizmente eu estou acostumada.
- 12:33Essa é uma história, inclusive. Mas enfim, hoje o dia tá tá
- 12:38garoando. A gente sabe que fica meio
- 12:40imprevisível. Sim, a gente continua a
- 12:42conversar. Por enquanto a gente tava
- 12:43ouvindo a Henrique, ela tava falando um pouquinho desse
- 12:45processo do piscinas pra gente, então pode seguir.
- 12:47Henrique, você tava falando do livro que vai se descobrindo,
- 12:50inclusive. Eu acho que é interessante que
- 12:52você traz que muita gente tem curiosidade nesse processo de
- 12:55criação, que tem autores que às vezes já tem o livro ali.
- 12:57Certinho, com início, meio e fim.
- 12:59Tem gente que vai descobrindo ele no meio.
- 13:01Como foi para você esse processo de escrever?
- 13:03Eu jamais sento sabendo o que vai ser.
- 13:07Eu vou descobrindo, eu acho que é graça essa e eu vou testando,
- 13:11eu vou experimentando é e vou escutando o livro, vou escutando
- 13:16as personagens. Como eu te falei, é às vezes
- 13:19assim, as pessoas ultimamente que eu, né?
- 13:22O livro saiu, tenho dado algumas entrevistas.
- 13:25E de forma recidente, aparece como se eu estivesse fazendo um
- 13:29trabalho contrário ao que está sendo feito agora.
- 13:32E o que eu costumo dizer é que não é exatamente isso, é o que o
- 13:35meu livro pediu. Se eu tivesse um livro que me
- 13:38pedisse um trabalho que está em consonância com o espírito do
- 13:41tempo, eu teria feito, né? Então, não é sobre se opor ao
- 13:45que está acontecendo agora e fazer uma coisa não é você
- 13:49sentir genuinamente, honestamente o que o livro está
- 13:54pedindo. Se permitir experimentar e ver o
- 13:58que que cabe, né aquilo. Muitas das coisas que estão no
- 14:01piscinas Russas eu queria que fossem diferentes, mas o livro
- 14:04não aceitou. O livro não aceitou é não aceita
- 14:08assim, é uma matéria viva, é uma matéria viva, é uma coisa que
- 14:14existe para além de mim, né? Então ainda que eu tô enquanto
- 14:18eu tô escrevendo, eu tô em diálogo com ele, mas tem se você
- 14:21forçar a barra EE querer como? É impor o meu desejo ao próprio
- 14:26texto, aos personagens. Vai sair uma coisa que não tem
- 14:30vida própria, não tem existência.
- 14:32Já sai uma coisa condenada EEA. Única coisa que eu acho que eu
- 14:38fiz de muito diferente, né? E é isso que eu tenho tentado
- 14:41dizer, foi respeitar o meu processo, respeitar o meu.
- 14:45A minha linguagem respeitar. O que o meu livro pedia e que,
- 14:49eventualmente? Pode vir um outro livro que não
- 14:51funcione nesse registro que deseja outras coisas.
- 14:55Eu acho que eu tenho uma boa escuta literária, né?
- 14:58Eu acho que que esse é o meu, é, é.
- 15:02E claro, em algum momento você fica com medo daquilo ganhar um
- 15:06tamanho e virar uma coisa ilegível pro outro, ou de você
- 15:10não ser abraçado pelo pelas editoras.
- 15:13Todo mundo tem esse medo, é natural, mas ao mesmo tempo é
- 15:16que nem tem um filho, você não sabe como vai ser o seu filho.
- 15:19Você não pode desenhar a cara do seu filho o nariz do seu filho,
- 15:22você vai ter um. Filho, pensar em 1000 surpresas.
- 15:25Você vai ter um filho, o mundo vai se encarregar de de dar
- 15:29encaminhamento para ele e você vai tá ali a mesma coisa.
- 15:32Sinto com os meus livros e, graças a Deus, o que aconteceu
- 15:36comigo foi exatamente isso. Posso contar algo para vocês?
- 15:38Como foi o piscinas, como foi o mundo?
- 15:40Mas assim, eu recebi muitas negativas.
- 15:43Mas quando eu recebi um sim, foi o sim de quem me deu a mão.
- 15:47Apostou, enlouqueceu com o livro e foi junto comigo.
- 15:50E é só disso que a gente precisa, desse sim, desse sim.
- 15:53Convicto, né? E depois a gente vai puxar um
- 15:55pouco por isso com esse esse sim não, que eu acho que a gente eu
- 15:58quero falar um pouquinho mais de carreira, que a gente tava
- 16:00conversando, tem algumas histórias muito legais pra a
- 16:02gente entender essa trajetória. A Karina também tá com uma
- 16:05trajetória aí muito legal. E Karina, pra você então ir
- 16:08entrando aqui, entrando no universo que eu sei que você
- 16:10chegou aí mergulhando, tá tentando entender onde você está
- 16:14entrando. Nas piscinas, né?
- 16:15Estamos aqui no exato. A gente tava falando um pouco
- 16:18então sobre esses livros da rei, um pouco sobre esse processo de
- 16:21criação dela, né? Ela me falou como ela chegou na
- 16:23escrita e um pouco de como piscinas foi se apresentando
- 16:26nela, como esse livro chega a ela, esse processo, como foi pra
- 16:29você com as despedidas, que é o seu livro anterior e o seu livro
- 16:31atual, que ainda é uma surpresa. Aí o que será que vem aí?
- 16:34É como esse processo criativo chega para você enquanto
- 16:37escritora, você é aquela autora que já senta com início, meio e
- 16:39fim, você vai descobrindo no caminho e se puder contar um
- 16:43pouquinho também, como você chegou a se entender como essa
- 16:46escritora, como você? Chegou na escrita literária?
- 16:50É eu, assim, em primeiro lugar. Eu estou com piscinas Russas,
- 16:53fresquíssimo. E uma coisa que dá para sentir
- 16:57assim na vibração do texto da Renata é a paciência que ela
- 17:00teve para talhar tudo aquilo, né?
- 17:02Eu não sei qual é o grau de detalhe que vocês estão dando em
- 17:05relação ao texto, mas é uma coisa que a gente se se vê
- 17:11angustiada, né? Eu acho que.
- 17:13É é uma coisa bastante comum assim, por 1000 coisas.
- 17:17E enfim, essa lógica de comparação e de é de
- 17:21temporalidade que a gente tem hoje em dia.
- 17:23Mas eu olho assim e até Oo tamanho do livro dela, a
- 17:27linguagem dela, a engenharia dela.
- 17:30E você fala, alguém fez isso aqui com muita calma, que é uma
- 17:33coisa que tá super em falta. Nossa, é muito verdade.
- 17:37Então é, eu acho isso muito admirável.
- 17:40É no meu caso, assim. Eu acho que o processo dos 2
- 17:43livros foi bem diferente. É, nas despedidas foi tudo muito
- 17:49acontecendo naturalmente e foi ao mesmo tempo naturalmente
- 17:53rápido. É, eu não me esqueço de uma
- 17:55coisa, eu, eu, se não me engano, a Aline bei é falou isso em uma,
- 18:00não sei se foi em uma entrevista ou foi em alguma oficina que eu
- 18:03participei. Mas como o primeiro livro, ele
- 18:07vem rápido no geral, pra muita gente, pra outras pessoas, não
- 18:11é? E pra outras pessoas é um
- 18:12processo também de nossa, eu vou tirar isso da gaveta, isso é uma
- 18:15questão pra mim. Mas o primeiro livro parece que
- 18:17você já tá escrevendo ele a sua vida toda, assim, ele tá ali
- 18:21sendo é. De estado há muito tempo e você
- 18:25precisa só acertar a linguagem, enfim, os recursos que você quer
- 18:28usar. É detalhes da história que você
- 18:31quer contar, mas ele já tá pulsando.
- 18:32Então pra mim foi meio rápido mesmo.
- 18:34A primeira versão é, eu lembro que o primeiro conto eu escrevi
- 18:40num num dia específico, que é um dia que coincide com é o tempo
- 18:44do conto também, dia 31 de dezembro.
- 18:48E no final de março, eu já estava com a primeira versão
- 18:51escrita, foi muito rápido, é, é, e ao mesmo tempo, depois eu tive
- 18:57um processo ali de, sei lá, quase um ano para editar e
- 19:00revisitar e de muito aprendizado, de muito estudo.
- 19:03Assim, eu é deliberadamente. Percebi que tinha escrito um
- 19:07livro e falei, nossa, agora eu preciso correr atrás por isso
- 19:09efetivamente ser um livro, é. Então foi um pouco no susto e
- 19:13depois eu voltei ali e fiz. É todos os retoques assim que eu
- 19:16consegui fazer na época. É já o meu próximo livro.
- 19:20Ele demorou bem mais assim. É, eu sinto que eu comecei a
- 19:25escrever tem, tem 2 fases, né? Eu comecei AA escrever esse
- 19:30livro de algum jeito em 2021, mas ele mudou completamente.
- 19:36É o enredo dele, mudou a proposta dele, mudou muita coisa
- 19:39mudou, mas eu sinto que eu precisava do livro de 21 para
- 19:42escrever esse. É, e ele foi, é escrito no
- 19:48formato em que ele tá, né? Enfim, o formato mais final dele
- 19:53é, mas a partir de 2024, entre é começo de 24 e meio, de 25, é, e
- 20:02depois entrei num processo assim, já foi um processo de
- 20:05escrita e reescrita, né? É, mas eu sinto que eu tive
- 20:09muito mais calma. É e.
- 20:13Um lugar assim, de desconforto maior em relação ao primeiro
- 20:15livro, porque eu já tinha outras pretensões e, enfim, queria
- 20:19fazer uma coisa que pra mim, né? Pelo menos eu sentia que era um
- 20:22pouco mais difícil que no primeiro livro.
- 20:25Quase uma pressão maior que a gente mesmo se coloca, né?
- 20:27Exato, porque. Também assim, o meu primeiro
- 20:30livro, ele foi uma publicação independente, que foi abraçada
- 20:33por uma editora. É pequena, mas assim com muito
- 20:35carinho. EE, agradeço muito a marisco é e
- 20:40a gente fica, tá? E agora, o que que vem?
- 20:43Depois, né? E eu sinto que a gente, eu pelo
- 20:46menos entrei assim, numa numa pira de eu preciso chegar num
- 20:50degrau acima, eu preciso fazer outras coisas.
- 20:53Então eu acho que. É, foi um processo que teve esse
- 20:56pezinho a mais, mas ao mesmo tempo também teve muito mais
- 20:59cuidado da minha parte. Legal ver que o processo de
- 21:03vocês 2 é bem diferente, mas ao mesmo tempo toca início da
- 21:05paciência e que era algo que a gente estava conversando um
- 21:08pouco antes. É até sobre a paciência do
- 21:10leitor para entrar nesses livros, para ter contato com
- 21:13livros, que proponham outras coisas, né?
- 21:16E você falou até do tamanho do livro.
- 21:17Estava esses dias lendo algum, algum texto, uma matéria que
- 21:20falava justamente sobre os livros.
- 21:21Hoje em dia tem cada vez menores, né?
- 21:23Que as pessoas querem livros cada.
- 21:24O cavalinho olha aí eu conversei com ele sobre isso.
- 21:28É, eu lembro que estava na minha cabeça o texto eu não lembrava.
- 21:31De ti? E ele falamos sobre isso, a
- 21:32gente ficou brincando. E você veio com o livro
- 21:35exatamente como você falou. Não, não vou buscar isso.
- 21:37Eu não estou buscando. Sei porque não.
- 21:38Eu não vou no que o livro precisa?
- 21:40É, eu acho que esses consensos de mercado, eles são muito
- 21:43equivocados. Uhum, eu acho que, na verdade,
- 21:46pouca gente sabe exatamente o que está fazendo.
- 21:49É, não. Eu honestamente acho isso.
- 21:51Eu acho que. Se tem uma ideia do que o leitor
- 21:54quer, mas é como aquela música do Gilberto Gil, o povo sabe o
- 21:57que quer, mas também não sabe o que o que não quer, né?
- 22:00Então, assim é, existem coisas que fogem completamente a toda a
- 22:04dinâmica de previsibilidade. É que um mercado editorial
- 22:09eventualmente faz, né? Então, se a gente vê, sim, uma
- 22:13onda de livros mais curtos, porque as pessoas estão muito
- 22:17nas redes sociais. Já tem um tem um déficit
- 22:20atencional real, né? Então, as pessoas leem menos
- 22:23literatura e quando pegam livros mais densos, elas não conseguem.
- 22:27Mas acompanhar as narrativas eu não estou dizendo.
- 22:29Nem que não é letrado. Eu estou dizendo pessoas que
- 22:30eram, que são letradas, mas que foram perdendo suas capacidades,
- 22:34mesmos mesmo de acompanharem as coisas.
- 22:37Mas eu acho que algo se impõe nisso, né?
- 22:41Então se você quiser ter muito controle.
- 22:44É do seu processo e fazer uma coisa muito Talhada ao desejo do
- 22:47outro. Pelo menos no meu caso, não vai
- 22:49funcionar porque minha literatura não nasce.
- 22:53É a partir desse registro, né? Então é por óbvio, eu tinha uma
- 22:58preocupação de estar fazendo um livro que era é mais robusto, de
- 23:02tamanho, né? É fazendo um livro que não
- 23:06entregava um pacote de verdades prontas.
- 23:10Fazendo um livro que tinha mudanças de registro dentro dele
- 23:16e que pedia esses. Essas mudanças pedem uma atenção
- 23:20maior do leitor. Um leitor que não vai controlar
- 23:23o processo nem do mundo já noite só, nem no piscinas Russas.
- 23:26Isso é um ponto em comum entre os 2.
- 23:27É um leitor que tá aberto, tem que tá aberto a se perder e se
- 23:30achar é nos livros. Mas eu tinha uma aposta de que
- 23:36alguma coisa mágica, como a literatura, é mágica para mim.
- 23:40IA fazer com que esses livros eles caminhassem e acontecessem,
- 23:44mesmo parecendo fora do tempo. E claro, é, enfim, eu sim.
- 23:50Às vezes você fica assim, gente, eu estou louca fazendo isso.
- 23:53Você demorou 7 anos para ser escrito.
- 23:56A gente falou sobre isso, né, que.
- 23:59De como, enfim, a gente tem que a vida se impõe, mas ao mesmo
- 24:02tempo, esse tempo também é benéfico, né?
- 24:05Para o livro? Então ele demorou 7 anos.
- 24:07Ele começou a ser escrito em 2018, foi publicado em 2025 e eu
- 24:12tava. E foi curioso porque o munjanite
- 24:15só saiu em 2020. Então quando eu publiquei
- 24:17munjanite, só eu já tava escrevendo em piscinas Russas.
- 24:20Um munjanite só começou a ser escrito em 2012.
- 24:22Então foram 8 anos até o mundo ser publicado.
- 24:26E você tem seu tempo mais é mais paciente, né?
- 24:29É. E porque eu quero livros que
- 24:32durem. Eu quero fazer livros para
- 24:33ficar. Eu quero livros duráveis.
- 24:36Eu não quero. Eu não estou preocupada em ser
- 24:37hype. Eu não estou.
- 24:38Preocupada em ninguém me aplaudir e falar a que linda
- 24:42Renata é a grande escritora desse ano.
- 24:44Parabéns, toma aquela medalha. Não, não, não é sobre isso.
- 24:47Na verdade, é muito mais sobre um tipo.
- 24:50De dou que eu carrego. E como eu modelo essa dor na
- 24:55minha pesquisa ficcional é que. Destino.
- 24:59Eu vou dar para essa dor, que tipo de escuta essas personagens
- 25:03precisam e como eu vou caminhar junto com as dores delas?
- 25:08Então, é muito mais um processo íntimo, artesanal, artístico do
- 25:13que uma performance em público. E o que eu quero dizer é que com
- 25:20tudo isso. E apesar de tudo isso, é tanto
- 25:26mundial de sol quanto piscinas Russas.
- 25:28São livros que vendem bem, né? Então é, não é.
- 25:32Eu não estou dizendo aqui que não é importante ser lido.
- 25:36Eu não estou dizendo aqui que não é importante vender.
- 25:38Eu acho importante, sim. Eu acho que você tem um
- 25:40compromisso com a editora que está postando em você e você
- 25:42fazer o seu melhor. Para que aquele livro aconteça.
- 25:45Mas o que eu estou te dizendo é que é Eu Acredito muito mais num
- 25:49processo íntimo, brutamente, honesto.
- 25:52E a partir dele, você, esse esse livro, vai se impor e vai
- 25:56caminhar e vai encontrar os leitores dele do que é uma coisa
- 25:59que é feita de um jeito para acontecer dentro de uma certa
- 26:04escala. E vai virar num período.
- 26:06Por um período muito curto, a minha bateria é longa.
- 26:10E acho que os livros de vocês 2, pelo menos do que eu li até
- 26:13agora, que a Karina tem um que ainda está um mistério, eles
- 26:16trazem. É de alguma forma a perda, né?
- 26:18A perda está ali no livro. E eu queria entender de vocês
- 26:22também. Como foi para vocês.
- 26:24Trabalharem, brincarem com a memória, com a realidade, com a
- 26:27ficção, com essa questão da perda, quando vocês vão para
- 26:29dentro de vocês mesmas e quando dentro dessa escrita vocês
- 26:33entenderam qual era o coração do livro, que é aquele momento que
- 26:35você, que às vezes não sei para vocês, mas às vezes pelo menos
- 26:38eu vou, vou escrevendo. E tem um momento que você está
- 26:40escrevendo, você está trazendo coisas, você está pescando, está
- 26:43indo e tem 1 hora que parece que a coisa muda, que é aquele
- 26:46momento que você fala. Aqui, alguma coisa mudou.
- 26:50Acho que você encontrou o coração.
- 26:51Então como que foi para vocês esse encontro e essa construção
- 26:54desse desses espaços de perda, vazio, de silêncio, do que dizer
- 26:58e não dizer na escrita de vocês. Quem quer começar?
- 27:05AI. Pode ir, eu vou é, eu vou falar
- 27:08do novo, porque eu acho que ele está mais fresco e eu acho que
- 27:10ele foi talvez mais interessante, né?
- 27:12Porque. Já se pode dizer o nome dele ou
- 27:14ainda não. Ainda não pode dar essa Espanha.
- 27:16Ou não traz bons presságios? Não sei.
- 27:18Eu sou muito. Eu gosto de falar as coisas, mas
- 27:21eu estou. Acho que eu preciso alinhar um
- 27:23pouquinho melhor ainda. Mas assim posso falar um pouco
- 27:28sobre ele. Mas é, tem a.
- 27:31É, é isso, assim ele foi. Eu comecei a escrever esse livro
- 27:35como um romance em 2021, e ele foi se transformando e enfim, é
- 27:43se transformando bastante. Aí eu me dei conta de que ele
- 27:46era outro livro ali no final de 2023 e em 24 ele tava com uma
- 27:50outra forma, mas eu também sinto isso.
- 27:52Isa, é engraçado que tem 1 hora que vem a pulsação assim do
- 27:56livro, vem tipo AAA razão de ser, né?
- 27:59O coração dele tá tá batendo. É, e eu acho que eu tinha
- 28:04conversado, inclusive é com a Carla Gerson, né também que,
- 28:07enfim, a gente troca bastante as coisas da Flip.
- 28:11Isso exatamente amigas de Flip. É que eu acho que todo livro meu
- 28:16parte, a partir de uma tentativa, é de responder a uma
- 28:20rejeição. É a uma rejeição em que o que?
- 28:25Vem depois do que acontece, é um grande silêncio da minha parte,
- 28:30é um grande, não é uma porta fechada e nem sempre eu tenho
- 28:34total noção de que porta fechada é essa, mas eu ouço o barulho
- 28:37dela, sabe quando eu tô escrevendo é.
- 28:40Então eu tento responder a isso, ou pelo menos me colocar diante
- 28:44disso com cada livro. É no caso do do mais recente,
- 28:48né, que é um livro de contos. Eu acho que eu senti muito essa
- 28:51porta fechando e aí que eu comecei a sentir o livro pulsar
- 28:53assim. Tipo, o coração do livro tá
- 28:55aqui, é, e foi um processo, é muito assim.
- 29:03Dolorido porque eu sabia que ele precisava é via, eu queria, as
- 29:06histórias estavam pulsando, mas eu tava passando por um momento
- 29:10de vida pessoal assim, bem difícil, complicado, enfim, é
- 29:15até assim, vida pessoal bem banal de trabalho mesmo, né?
- 29:19É, foi muito caótico. É, e eu acho que pra eu entender
- 29:25a velocidade com a qual o livro precisava vir, foi dolorido da
- 29:29minha parte, porque eu queria assim, me trancar e ficar
- 29:32escrevendo o dia todo. Mas eu não, não dava.
- 29:34E precisava, né? É conjugar as coisas, planejar e
- 29:39tudo mais. É, mas ao mesmo tempo eu acho
- 29:43que essa linguagem que a gente encontra pra dar conta.
- 29:47É do não foi o que moveu assim. Então acho que o silêncio está
- 29:52nesse lugar, nas despedidas, que foi meu primeiro livro, que é um
- 29:56livro de contos, mas ele é, ele é tecnicamente de contos, mas
- 29:59ele é híbrido, né? Eu deixo as pessoas lerem, eu,
- 30:01aliás, eu deixo tudo, gente, eu não tenho que não deixar nada,
- 30:05mas muita gente lê como um romance, e eu falo, tá, é um
- 30:07romance também, pode ser, enfim, é.
- 30:11Eu acho que veio muito. É de um momento assim, né?
- 30:15Claro, o livro, eu terminei de escrever o livro no meio da
- 30:18pandemia. Então acho que tem esse lugar do
- 30:20silêncio, de realmente não tá do lado de fora e vivendo a vida
- 30:24normativa que a gente costumava viver, mas de outro lado, de me
- 30:28entender como escritora mesmo, porque eu acho que antes de me
- 30:31entender completamente como escritora, que é o que muita
- 30:34gente já faz, já publica, já tá ali aqui, et cetera, é, eu
- 30:38escrevi esse livro, foi o livro que me tornou.
- 30:41E eu acho que o processo não deveria teoricamente ser assim.
- 30:45Eu acho que é muito mais o contrário, né?
- 30:47Você se entende como escritora e aí você embarca num projeto, mas
- 30:51pra mim foi, foi isso sim, é. Então teve essa coisa do que que
- 30:56eu sou, o que que eu tô fazendo, o que que é isso e etc.
- 30:59E acho que o mistério dele tá muito nesse lugar.
- 31:02Assim, eu acho que o mistério do próximo tá muito já em outro
- 31:04lugar, que é o que eu tentei fazer ali.
- 31:07Mas eu diria que isso. É isso coincide um pouco com o
- 31:10que a Renata tava falando, de meio que cada livro é um livro,
- 31:13né? Cada livro pede uma coisa e cada
- 31:14livro caminha de uma forma. E acho que é legal também pra
- 31:17quem escuta de entender que esses processos de escrita são
- 31:20muito abertos e são cheio de descobertas no caminho,
- 31:22geralmente não tem. É o que eu menos vejo as autores
- 31:25falarem aqui é de alguma iluminação que vem e baixou o
- 31:28livro já início, meio e fim, né? Ele vai se descobrindo no
- 31:31caminho. E para você, Rê, como foi essa
- 31:34questão do se se teve isso para você, esse momento de achar o
- 31:37livro, acho, quando ele ganhou um alicerce ou como foi?
- 31:41Foi muito espantoso, porque eu achava que eu estava escrevendo
- 31:45uma coisa. Eu tinha convicção que, como
- 31:49piscinas Russas é muito ligado ao mundianotes só ele surgiu a
- 31:53partir do mundianotes, só que é o livro, mãe.
- 31:56Então eu tinha uma hipótese do que ele era.
- 32:00E em um determinado momento, eu entendi que não era nada do que
- 32:04eu pensava que era. E isso foi muito espantoso,
- 32:10porque mudou o protagonismo do livro.
- 32:12É. E como é que você muda um
- 32:15protagonismo de um livro que já tá é em andamento, né?
- 32:20Então a engenharia dele precisou ser adaptada a essa descoberta.
- 32:27Ao mesmo tempo, foi uma coisa muito linda, porque.
- 32:30Ali também eu entendi que ele era independente do mundo de
- 32:33noite, só que ele não era. É um livro filho do mundo de
- 32:37noite só, mas um livro irmão. E isso foi fabuloso, né?
- 32:42Porque é, se eu tinha começado, é como se fosse uma coisa
- 32:48derivada, né? Ainda que desde o início eu já
- 32:51já tinha isso. Isso assim eu não sinto para
- 32:54fazer a mesma coisa. Então eu já sabia que o mundo já
- 32:57o mundo já, vocês já devem ter lido.
- 32:59Ele é um livro mais atmosférico, mais etéreo.
- 33:03O piscinas Russas é um livro que vai nos micro detalhes das
- 33:06coisas, então tem 11 divergência no modo como se apropria da
- 33:11linguagem da idade, que é completamente diferente.
- 33:13E isso tem um motivo, em ambos os livros pra essa pra esse
- 33:18registro ser diferente, é então eles já eram diferentes, mas ele
- 33:23se tornou radicalmente. É, é não, filho, mas irmão, a
- 33:29partir desse coração que foi Descoberto e foi muito bonito,
- 33:33porque aí um novo universo ficcional ganhou a mesma força
- 33:38do núcleo anterior, que era dos grimalds, que também tá lá, né?
- 33:41Então essa coisa é, é foi muito fabulosa, porque teve esse, essa
- 33:47possibilidade, inclusive, que a gente já tinha começado antes
- 33:50nos bastidores. Do livro ele ser lido antes do
- 33:53Mogi noite só que era uma coisa que eu eu sempre me perguntei,
- 33:56será que vai? Será que é possível isso?
- 33:59E é o que tá acontecendo agora, e as pessoas estão aprendendo
- 34:03ele sem saber o que, o que é o Mogi noite, só isso é fabuloso,
- 34:07mostra que ele é independente, que ele é autônomo, que ele é
- 34:10vivo e que as pessoas dão conta das lacunas porque vai.
- 34:14A experiência é diferente. Se você leu o primeiro e lê o
- 34:16segundo, é, mas essa experiência não é menor.
- 34:20Essa experiência é outra e se você vai para outro livro?
- 34:22E aí depois ela vai buscar essas lacunas, né?
- 34:25Fazendo a leitura anterior, então é legal que também que
- 34:27cresceu. Mais lindo para mim isso tudo.
- 34:29É que agora em março está saindo a edição par do piscinas Russas
- 34:34do mundo. Já não é só.
- 34:36Então, agora, em máximo, ele volta para as livrarias.
- 34:39Olha que demais. Ele volta a editora resolveu
- 34:42colocá lo novamente no mercado. As livrarias.
- 34:45Então eu vou ter os 2 caminhando.
- 34:46Juntos, eu li a capa, tive o spoiler, é.
- 34:49Belíssimo. Ficou belíssimo.
- 34:51Ah, eu mostro pra você daqui a pouco ficou belíssimo.
- 34:55Então tem mais. Tem uma coisa que é isso que eu
- 34:57falo. É muito espantoso, um livro que.
- 35:00Foi publicado o mundo à noite. Foi publicado dia 12/03/2020,
- 35:04exatamente na véspera da pandemia.
- 35:06No dia seguinte, estava tudo fechado.
- 35:08Nossa, foi mesmo? E assim, pra quem não sabe, eu
- 35:10errei. A gente é gêmeas de aniversário.
- 35:11A gente faz aniversário no dia 13 de março, nós 2.
- 35:14Gente. E eu tenho exatamente essa
- 35:16memória, porque no dia 13/03/2020 minha irmã tinha
- 35:19vindo para São Paulo e aí a gente IA comemorar o
- 35:21aniversário. A gente chegou a sair no dia 13,
- 35:24mas tava tudo muito esquisito na rua, tudo muito esquisito.
- 35:27E aí no dia seguinte foi o lockdown completo.
- 35:29Então, então essa memória certinha.
- 35:31Esse aniversário nosso foi uma sexta-feira.
- 35:33Foi uma sexta. 13. Que vai ser agora uma nova
- 35:34sexta, né? É exatamente é a outra sexta. 13
- 35:37esse ano novamente. Engraçado que eu faço uma semana
- 35:39depois de vocês. Então, dia 20 somos 3 piscianas
- 35:42então nessa mesa. Ariana, muito.
- 35:45Pouco. É 20, é Ariana?
- 35:47No meu ano foi que. Coisa.
- 35:51É, pois é. Então EE, ele saiu nesse esse
- 35:56idoso de máximo. Meu lançamento foi cheio,
- 35:59estavam todos os meus amigos. Foi um barato.
- 36:02Eu já tinha 8 anos sem publicar um livro, então era como se
- 36:05fosse um primeiro novo livro. Eu já tinha 3 livros publicados
- 36:08anteriormente de atoria individual, mas eu classifiquei.
- 36:12Quase 8 anos sem sem implicar nada, né?
- 36:15E então tinha toda essa expectativa, o que que ela tá
- 36:18fazendo agora? Vamos ver o que que é.
- 36:20E aí foi uma festa, foi lindo. No dia seguinte.
- 36:23O mundo fechou e aí assim, e aí eu fiz, gente, como é que que
- 36:28vai acontecer com esse livro, com o mundo fechado depois de 8
- 36:31anos? Como é que se faz isso?
- 36:32Eu não tinha nem redes sociais. É abertas, né?
- 36:35Então eu tive que abrir meu Instagram em maio.
- 36:37Era impensável pra mim abrir meu Instagram, era impensável pra
- 36:41mim usar redes sociais. É, eu usava eu.
- 36:45Usava o Instagram só porque eu queria num restaurante.
- 36:48Aí abria para ver onde era. Esse era o meu Instagram.
- 36:51Não publicava nada com hoje a noite só.
- 36:53E eu achava assim, absolutamente deplorável.
- 36:56É eu. Achava.
- 36:58Eu não podemos. Não, eu falo a verdade.
- 37:00Eu achava deplorável essa mistura entre autoria e autor.
- 37:05Essa coisa de a pessoa achar que ela tinha que ter uma
- 37:09performance de escritor em público e o livro era uma coisa
- 37:14acessória. Na verdade, eu ainda acho isso.
- 37:17Eu acho que é tem a gente pode. Essa presença digital realmente
- 37:21se tornou fundamental. Eu tenho uma forte presença
- 37:23digital hoje em dia, mas é não na medida em que isso possa de
- 37:29modo algum impactar. É no meu trabalho ficcional,
- 37:34então assim, eu não vou escrevo autoficção ou.
- 37:36Ultrapassar o livro? Né?
- 37:37Não, não é. Não é sobre mim, é sobre o meu
- 37:40texto, né? Então eu acho que essa é uma
- 37:42conversa que a gente precisa retomar e de forma Franca e de
- 37:46forma honesta, que é essa grande confusão entre personagem e
- 37:50autor. Isso eu acho que tem sido
- 37:52extremamente prejudicial pra literatura nos últimos.
- 37:55Anos nossa, bastante, bastante. E especialmente porque começou
- 37:59se a demandar que. É aquilo que se vê nas redes,
- 38:03esteja no livro. As pessoas começaram a fazer
- 38:05livros a partir do desejo das redes.
- 38:08Então o mercado começou a se orientar a partir do que que
- 38:11era. Os leitores aqui, aí vão lá.
- 38:13EE, não funciona assim. Um boa literatura não se cria
- 38:17nessa velocidade. Ou até aquela curiosidade, não
- 38:20sei. Já para mim, já perguntaram
- 38:22literalmente quantos por cento do livro é verdade?
- 38:25Quantos por cento que é essa coisa?
- 38:26Do quanto de você taí? Ou até assim essa essa névoa que
- 38:31fica, né? Eu acho que muitos autores e do
- 38:35tipo Ah, eu deveria aquela culpa, eu deveria estar mais
- 38:37presente fazendo isso, falando aquilo, porque é, enfim, ainda é
- 38:42um canal relevante, et cetera. Mas eu tenho essa mesma questão.
- 38:47Toma muito tempo, gente. É eu que eu que tenho até uma
- 38:49presença digital mais forte, porque eu trabalho com
- 38:51comunicação, sou jornalista e com a Karina.
- 38:54Então acabo trazendo um pouco isso do meu trabalho também para
- 38:57a literatura. Mas e que gostaria de trazer
- 38:59mais? Às vezes fico nessa nossa,
- 39:00queria me dedicar mais a elas na escrita, mas poxa, mas tem o
- 39:03livro. Pouco tempo que me sobra às
- 39:04vezes no trabalho da vida eu quero escrever.
- 39:06Então é muito difícil mesmo equilibrar essas 2, essas 2
- 39:09balanças assim. O meu caso ainda tenho uma outra
- 39:13nuance. Eu sou advogada, né?
- 39:15Então eu tenho um trabalho que é completamente distinto daquilo
- 39:18que que se faz num num processo. É criativo.
- 39:23E é o que que eu penso sobre isso.
- 39:27Eu ainda tem outra coisa, eu eu falo muito, eu adoro pessoas, eu
- 39:30gosto de começar, eu faço amigos.
- 39:32Então as redes, né? Criam essas comunidades, que são
- 39:36maravilhosas e eu crio, é um lado muito, muito amorosa.
- 39:42Então a minha rede é uma rede muito afetiva.
- 39:44Eu conheci pessoas incríveis. É, meus leitores se aproximam,
- 39:48me escrevem, é, é muito bonito isso.
- 39:50Então tem essa dimensão que é mágica, que é incrível e que
- 39:55também te dá autonomia, Independência também, porque
- 39:58muito do que é você que eu conquistei como artista, que
- 40:02você pode conquistar, você não precisa mais de um grande outro
- 40:05ou grande olhar que vai dizer se sim ou se não.
- 40:08Por motivos x ou y, você consegue ser lido.
- 40:12Eu escrevo um texto lá nas minhas redes e publico.
- 40:13Eu sou lida. Porque até um tempo atrás você
- 40:15precisava estar num grande veículo, por exemplo.
- 40:17Você não tem que ser mediada mais, né?
- 40:19Você não tem que pedir mais bênção.
- 40:20E isso é uma grande. É uma grande coisa, né?
- 40:23É esses funis que nem sempre a gente pode dizer que eram
- 40:27meritocráticos. É, eles realmente agora são
- 40:32questionáveis, o que não significa que alguns funis não
- 40:35sejam importantes, né? Então são coisas diferentes.
- 40:38Equilíbrio, né? Tem que.
- 40:40Equilibrar? Acho que mais que equilíbrio, é
- 40:41uma relação de ambivalência mesmo.
- 40:44É, Ah, é muito bom conhecer pessoas incríveis também.
- 40:47Assim, tenho esse essa sensação de é nossa.
- 40:50Agora, eu faço parte de alguma comunidade que me interessa, mas
- 40:53por outro lado. É, tem algoritmo, tem cobranças?
- 40:58Tem, né? Acho que tem.
- 41:00Tem muita gente que pergunta, Ah, tá, mas qual o seu número de
- 41:02seguidores, o que que você está fazendo?
- 41:04Etc. Então, até na literatura chegou
- 41:07isso. Olha só que coisa está em muitos
- 41:09outros movimentos artísticos. E mudando um pouco rumo, gente
- 41:13que eu queria conversar de de algo muito legal hoje.
- 41:15E o Renato, a gente estava conversando muito antes de
- 41:17começar o podcast. A gente chegou num num papo que
- 41:19eu achei muito legal, que é pensando justamente um pouco na
- 41:21nessa parte de trajetória, quando a gente fala de
- 41:23trajetória literária, porque isso até eu, antes de vir pra
- 41:27São Paulo e sei que muitas autoras quando estão nesse nesse
- 41:30lado AI começando, quero escrever, quero publicar tudo
- 41:33parece muito distante. Você vê uma autora que a gente
- 41:36pensa, por exemplo, vocês 2 hoje em dia que estão em editoras
- 41:38legais, é estão indo pra editoras grandes, então já.
- 41:41Tem um caminho um pouco mais consolidado.
- 41:43E aí tem uma autora que tá querendo começar e ela fala, meu
- 41:45Deus, como é isso? Aquela pessoa parece que foi
- 41:47abençoada, né? Que chegou ali, bateu uma
- 41:50varinha de condão e tudo deu certo.
- 41:52E a Renata tava me falando como foi esse percurso?
- 41:54Se puder contar um pouquinho pra gente como foi esse percurso pra
- 41:57você chegar, quanto mais. Prazer é, eu comecei a publicar
- 42:01muito cedo, então na eu eu sou a internet surgindo na minha
- 42:05adolescência. E eu comecei mandando contos pra
- 42:08sites. Enfim, se estavam surgindo esse
- 42:11sites de literatura. E era só o meu texto, não era
- 42:15minha imagem. Ninguém perguntava onde, onde eu
- 42:16morava. Que idade eu tinha?
- 42:18E eu era publicada. Então eu saía no blocos online,
- 42:21eu saía no UOL, no Ball, que virou UOL.
- 42:24Então essas esses veículos aceitavam que eu escrevia as
- 42:27minhas colaborações. É o que era muito legal até.
- 42:31Eu sempre falo, hoje não, se eu Vero trivisan, eu tinha 19 anos,
- 42:33eu mudei um conto. Ele usou uma oficina que e não
- 42:35sabia quem eu era e teve um debate.
- 42:37Eu acompanhei as pessoas falando do meu conto, criticando meu,
- 42:40conto, elogiando meu conto. Eu com 19 anos, né?
- 42:43Então é esse início. Foi incrível porque a minha
- 42:46imagem não estava em jogo, era só o meu texto.
- 42:49É o meu primeiro livro saiu porque eu ganhei um prêmio, que
- 42:51era um prêmio anônimo. Então você mandava os originais
- 42:55como pseudônimo, que era tipo o prêmio Sesc, sabe assim?
- 42:58E aí eu mandei e eu ganhei. E quando eu cheguei pra.
- 43:02Enfim, saiu o nome femininamente, que era meu
- 43:04primeiro livro, ganhou o prêmio de quem é essa pessoa?
- 43:07Seu nome Era Eu. Todos os prêmios deviam ser.
- 43:09Assim, entendeu? Eu acho que sim, também eu
- 43:11concordo. E aí o que eu não acho possível,
- 43:14mas mas seria o ideia do no mundo ideal, né?
- 43:18E aí, o que aconteceu? Quando eu cheguei, eu tinha 21
- 43:20anos. Foi um grande espanto quando
- 43:22descobriram que é aquele livro de autoria de uma pessoa muito
- 43:25jovem, né? É, e esse grande espanto, ele é
- 43:31que. Aconteceu ali, ele aconteceu
- 43:32durante muitos anos em outros espaços que eu ocupei.
- 43:35É, e isso se deve muito a ideia do que é um escritor, né?
- 43:39No na, dentro do cânone, dentro do que se pensa a figura de um
- 43:43escritor, que é alguém que habita os espaços de
- 43:46conhecimento. Normalmente são homens, né?
- 43:48Então imagina uma mulher jovem, né?
- 43:51É não combinava com aquele suposto espaço, que é cheio de
- 43:57idealizações e é vendido pra o público a partir de idealizações
- 44:01de quem pode ocupar aquele lugar.
- 44:04O meu segundo livro também foi publicado nos mesmos termos.
- 44:06Eu escrevi num prêmio, foi abrir meu articultura no capital e
- 44:09ganhei nos mesmos termos com pseudônimo.
- 44:11Ali, a brincadeira já virou alguma coisa mais séria.
- 44:14Né? Então ali eu já entendi que eu
- 44:15tinha eu comecei a ser lida nas universidades, só que eu era
- 44:18muito jovem, eu tinha 24 anos quando Oo segundo livro saiu é
- 44:23eu fui ganhando um tamanho e aí eu decidi.
- 44:26Eu senti mais do que decidi, eu senti o mujument só começando a
- 44:32nascer em mim e a minha ideia era que o mujument só fosse
- 44:35publicado quando eu fizesse 30 anos, né?
- 44:38Então eu mergulhei nisso para que fosse assim.
- 44:43É, vivia nessa época, não tinha filhos, eu tenho 2 filhas, né?
- 44:49É, eu nem era casada, eu eu namorava, então é diferente.
- 44:53A vida de uma pessoa jovem é que tem ali que trabalhar e tal,
- 44:58ganhar seu dinheiro, mas não tem uma obrigação estruturante
- 45:02institucional de uma casa com crianças é bem diferente.
- 45:05Então eu tinha trabalhava, mas eu tinha como olhar para o meu
- 45:08livro e ter uma escuta, é. E aí eu fui fazendo e eu vendi o
- 45:13mundo a noite só para uma grande editora na época que era uma
- 45:16editora portuguesa, que tava no Brasil, tava, comprou os
- 45:19originais, pagou adiantamento, aquela coisa linda, sou o mesmo
- 45:21escritora, ganhei um adiantamento, só que essa
- 45:24escritor, essa editora sai, resolveu sair do Brasil, não
- 45:27resolveu, então meu livro não seria publicado mais no país,
- 45:30mas só em Portugal, e eu não queria isso por óbvio, né?
- 45:33Imagina, não falta o sentido disso.
- 45:35E aí eu pedi um destrato e o que aconteceu foi que.
- 45:39Ninguém mais queria um movimento só.
- 45:40Depois desse destrato eu pensei que seria simples para mim, mas
- 45:44eu comecei a ser recusada nos espaços em série.
- 45:48Assim, é como eu digo que as pessoas não sabem direito o que
- 45:51elas estão fazendo na verdade, porque assim é.
- 45:56Passado esse tempo, eu olho para trás, eu fui recusada aqui, fui
- 45:59exato ali, por motivos assim é engraçadíssimos se você falar as
- 46:03cartas de recursos e você fala assim.
- 46:05Meu Deus, entendeu, tipo, sabe? Mas eu nunca desisti, eu nunca
- 46:10achei. Eu sempre achei, por mais
- 46:12angustiante que fosse o processo da espera, da dúvida e em algum
- 46:16momento você acha que vai dar tudo, vai continuar tudo dando
- 46:18errado. Mas eu sempre soube que tinha um
- 46:21leitor para mim e que teria um editor para mim, e foi o que
- 46:25aconteceu. É o Rodrigo Farias Silva, ele
- 46:27era da da Sesc Sesc São Paulo, ele leu.
- 46:32O da Sesc ainda falou, nossa, é maravilhoso, é um grande livro,
- 46:35eu quero publicar pela Sesc, depois ele saiu da Sesc, aí eu
- 46:39falei, AI meu Deus, não é possível de novo isso aí ele
- 46:41montou a FAR e Silva e me levou junto, eu fui a primeira ao ao
- 46:45já só fui o primeiro livro da FAR e sil e foi na véspera de
- 46:48uma pandemia e mesmo assim vendeu um número de mercado bem
- 46:52relevantes, né? Especialmente pensando no
- 46:55desenho, eu estou dizendo essa primeira edição do livro, nem
- 46:57estou falando depois, essa primeira edição vendeu um número
- 46:59bem razoável. Pensando em literatura, é o tipo
- 47:02de literatura que eu faço depois desse livro, foi adotado pelo
- 47:07pela tag, estourou, foi super bem na tag.
- 47:09Assim, contrariando toda essa expectativa do início, as
- 47:12pessoas não falaram, você tem um público, é, o seu público é de
- 47:15um tamanho x, você tem que ficar, você é saber a tag.
- 47:18Talvez seja difícil, talvez você tenha notas baixas, o leitor
- 47:22não, nada disso aconteceu, foi abraçadíssimo pelos leitores.
- 47:26É claro, né? Nem todo mundo gosta do que eu
- 47:28faço. E tudo bem pra mim assim, sabe?
- 47:30Isso é outra coisa desse tempo completamente alucinante, onde
- 47:33não pode ter crítica, não pode ter dissonância.
- 47:36Eu não entendo isso. Eu acho normalíssimo que tenha.
- 47:39É, eu acho que o modo como você enderece a dissonância importa
- 47:43muito exato. É lógico que se vem uma
- 47:45dissonância de alguém que eu vejo que claramente não tem uma
- 47:48capacidade de leitora colocada, a pessoa tem o direito de dizer,
- 47:51e eu não ligo pro que ela está dizendo.
- 47:53Agora, se aquilo é trazido por alguém que eu sei que é um bom
- 47:57leitor e que tem uma fala, eu quero escutá lo, eu quero
- 48:01entender o que ele está propondo.
- 48:02A opinião dele me interessa e tudo bem ele me dizer coisas com
- 48:05a educação, com gentileza, mas não precisa me agradar para.
- 48:10O debate importa, né? A gente precisa de atrito,
- 48:13literaturas. A minha literatura não se faz de
- 48:14consenso, se faz de tensão, entendeu?
- 48:16Nenhuma. Vai ter esses 100%, né?
- 48:18Esse esse lugar onde não vai receber nenhum retorno nenhum e
- 48:20não. Só isso.
- 48:21Assim é literatura, é esse encontro com outro, com a com o
- 48:25radical do outro, então vai ter alguém que vai amar, então
- 48:27alguém que vai ter vai ter, vai odiar EE, enfim, esse processo é
- 48:31de uma Riqueza profunda. Então, e assim.
- 48:34Mas o que aconteceu na tag comigo foi que minha nota, a
- 48:36nota do livro ficou boa lá é os que amarem.
- 48:39Armaram, adotaram um livro, assim como um livro que vai
- 48:42ficar na vida deles, né? Um longo tempo, né?
- 48:45No tempo EE é isso. E até hoje ele me surpreende.
- 48:50Mas eu acho legal ver esse percurso justamente pra gente
- 48:53ver, né, que às vezes nem tudo vem pronto, porque muita gente
- 48:55tá nessa angústia, tem esse processo de espera da busca por
- 48:57editora, busca pela publicação, que não é fácil, né, Karina?
- 49:01Não, completamente é não eu. Eu me sinto assim totalmente no
- 49:06início. Tá no início do início.
- 49:09Ainda assim, é, eu acho que as coisas começaram como começaram,
- 49:13né? Eu falei do primeiro livro, das
- 49:15despedidas, que eu acho que me tornou escritora.
- 49:18É, e eu naquele, na época, no projeto, como a gente tava no
- 49:23meio da pandemia, eu deliberadamente é concebi aquele
- 49:26livro como um livro independente.
- 49:28Não pensei em procurar nenhuma editora, não procurei.
- 49:31É, e quando eu conhecia a marisco assim, muito por acaso,
- 49:34eu eu procurei a editora, é porque elas faziam uma é uma
- 49:39parceria de distribuição, não para publicar e etcetera.
- 49:42Elas não tinham selo ainda, né? É, então eu tinha um livro
- 49:45independente, elas faziam distribuição de livros
- 49:48independentes. Eu procurei, queria saber se se
- 49:50interessavam e rolou, é. E eu na época, tudo para mim foi
- 49:57absolutamente surpreendente assim, porque eu não tinha
- 49:59expectativa nenhuma. Isso foi lindo, é, eu não tinha
- 50:02expectativa nenhuma, IA vender para os meus amigos assim,
- 50:05imagina? E foi assim que eu comecei,
- 50:08vendi, montei um formulário, algumas pessoas compraram, eu
- 50:11tive uma pré venda aqui na época, uma pessoa que
- 50:13literalmente não estava fazendo isso, não se posicionava desse
- 50:17jeito, foi muito legal, mas foi muito uma confiança assim, das
- 50:20pessoas que estavam comigo ali na minha vida mesmo, que sempre
- 50:23acharam. Que eu escrevia e tudo mais.
- 50:26E a coisa foi acontecendo assim, né?
- 50:28Acontecendo. Mas eu acho que o livro ele saiu
- 50:31desse, dessa esfera assim, de pessoas que eu conhecia e chegou
- 50:34em outras pessoas. É muito devagar e naturalmente
- 50:38foi muito bonito assim e me surpreendeu muito.
- 50:41Então é aí chegou a marisco, começou a distribuir o livro, aí
- 50:46é, acabou abraçando o livro dentro do selo, é o livro chegou
- 50:50nas livrarias, que para mim era inacreditável naquela época.
- 50:53É, e ele começou a ser lido em clubes e conheci, comecei a
- 50:56conhecer pessoas e comecei a conhecer pessoas leitoras e tudo
- 51:00mais, e a coisa foi indo assim, e os?
- 51:02Clubes de leitura fazem muita. Diferença, né?
- 51:04Fazem muita diferença. E eu acho que eles estavam super
- 51:07em alta na época e o livro realmente foi lido em clubes.
- 51:10É tanto é digitais, online, et cetera, quanto físicos, de
- 51:13livraria, de uma livraria de é Goiânia assim.
- 51:17Então coisas inacreditáveis na minha cabeça aconteceram.
- 51:20É, e aí tinha o projeto do segundo livro e tudo mais, mas
- 51:24enfim, é uma outra dificuldade, né, procurar a editora, porque
- 51:28é, aí teve o prêmio, né? O Mozart Pereira Soares, que seu
- 51:31livro também ganhou é que foi legal também me surpreendeu e eu
- 51:35comecei o processo de procurar uma editora para o segundo livro
- 51:38e eu queria que fosse como editora, porque eu já já tive
- 51:41nesse lugar, né? Do livro é independente e queria
- 51:44tá ver como era o outro caminho. É, então é.
- 51:50Comecei a mandar pra algumas editoras tudo mais e é abri uma
- 51:54conversa na época com a bazar, porque, enfim, eu gostava
- 51:57bastante do do catálogo delas. E é, e elas estavam com essa
- 52:03visão que eu acho que inclusive já é super divulgada, né, pela
- 52:06própria editora, de começar a postar em autores brasileiras,
- 52:10né? Que iam estar aqui e que estavam
- 52:12no campo da ficção e não tanto nas ciências humanas.
- 52:15É, então foi assim que eu entrei.
- 52:16A Joyce é que era editora lá, é coordenadora.
- 52:20Editorial, aliás, ela tava num momento de transição, inclusive
- 52:23indo pra outro, pra outra editora e tava tava meio de
- 52:26saída, mas ela leu o livro e super é, encaminhou o caminho do
- 52:30livro lá dentro e foi uma grande.
- 52:32É uma pessoa que foi que comprou a ideia, né?
- 52:36Se apaixonou pela ideia e isso continuou acontecendo lá na
- 52:38bazar mesmo. É enfim com AA mudança, né?
- 52:42Dela e. Eu acho que foi muito corajoso
- 52:47assim da parte da da bazar, porque é um livro de contos.
- 52:50E aí falando um pouco sobre essa tessitura, né?
- 52:53Do que que as pessoas não leem hoje?
- 52:55O que elas leem, o tamanho dos livros, etcetera.
- 52:57Livros de contos são vetados em muitas editoras.
- 53:01Vetados, vetados de cara, não querem é abrir o livro.
- 53:07Só o romance? Exatamente.
- 53:08Tem um apetite por romance, mas livros de contos são vetados.
- 53:11E eu acho que foi muito corajoso da parte da bazar publicar uma
- 53:15autora que né, tá nesse momento ainda inicial de carreira e que
- 53:20tinha livros de contos. É, então super agradeço e acho
- 53:24que foi é isso. Acho que foi bem corajoso.
- 53:28Mas torço para que isso mude assim, para que a gente não
- 53:31fique nessa nesse vício do romance.
- 53:34Amo o romance, obviamente, acho que é, né?
- 53:36Quem não, quem não ama, mas vamos ler livros grandes, vamos
- 53:40ler contos, né? Vamos ler poesia.
- 53:44Eu acho que o leitor é, acho que também o tem esse medo do
- 53:49mercado em desafiar o leitor, né, que é uma coisa que.
- 53:52Nossa, é basal assim para a literatura?
- 53:54O que a Renata estava falando? AI se o leitor não vai gostar,
- 53:57né? Eu acho que tem medo de desafiar
- 53:59e tem medo também de educar. Tem um pouco de preguiça de
- 54:02educar, por exemplo. Eu não entendo.
- 54:05É porque o que que acontece para você, a expectativa que você
- 54:09tenha, que você tem, é que os livros sejam livros de
- 54:13personagens. Então que o leitor quer
- 54:15encontrar livros onde eles vão se identificar completamente com
- 54:18os personagens. E a partir disso?
- 54:21É, o livro vai estourar porque o leitor riscou as frases e se
- 54:25identificou como personagem. Aí, basicamente é isso que
- 54:28acontece hoje em dia, entendeu? E na realidade, é o processo.
- 54:33É muito mais bonito quando você sem fazer essa, é essa colagem
- 54:42entre você e o texto ficcional do outro.
- 54:44Sem você achar que você é aquela personagem, você consegue.
- 54:48Entrar naquela história e dialogar com ele vem nas
- 54:51diferenças e gostar dele mesmo assim.
- 54:54E se veem outros espaços. E se veem outros espaços e
- 54:56explorar outras possibilidades de você a partir de uma
- 54:59personagem que às vezes não tem nada a ver com você.
- 55:01É um espaço de Liberdade absoluta, não é espelho.
- 55:05Na verdade, é muito mais a possibilidade de você dar as
- 55:08mãos com um outro, com alteridade, e você descobrir
- 55:13novos caminhos em você, porque essa coisa da identidade não
- 55:16precisa ser assim, fixa, não precisa ser assim rígida.
- 55:19Eu acho que esse é o ponto que a literatura te dá, é uma
- 55:21explosão. E aí vem uma outra coisa que é,
- 55:25além de tirar essa possibilidade das muitas identidades que você
- 55:27pode ocupar, contexto, né? E você pode viver contexto, que
- 55:31é a educação pela linguagem da beleza, da palavra, do êxtase,
- 55:34da língua, é, você lê Clarice, por exemplo, o le Hilda, e aí
- 55:39você lê é se eu soubesse de nuvens como dizer e não
- 55:42escreveria o poema, apenas olharia, olha, que coisa linda,
- 55:45isso não precisa dizer nada. Sabe, isso é bonito por essa
- 55:49lência isso se impõe, não tem que ser útil para nada, não tem
- 55:53que te explicar que você vai como chorar, como não chorar,
- 55:56como curar isso não. Então tem essa coisa de de
- 56:00também colocar nos livros uma utilidade, uma como se eles
- 56:04tivessem que fazer alguma coisa pelo outro, seja entreter, seja
- 56:08curar, seja não, não se se liberte dessa visão neoliberal,
- 56:14vai viver. Experiência isso parece que não
- 56:17tem mais. Um vetor possível no livro,
- 56:20tipo, é, ninguém lê assim, ninguém.
- 56:23Óbvio que muita gente lê, mas eu acho que tem um medo muito
- 56:26grande de colocar. É o vetor do livro fora da
- 56:31identificação com o personagem, né?
- 56:33É o que a Renata falou. Então, assim, de repente, é o
- 56:36pulo do gato. Assim, a aposta OOOAO grande.
- 56:41A grande questão ali do livro tá totalmente na linguagem.
- 56:45O enredo do livro tá totalmente na linguagem, né?
- 56:48Exato, é então. E tem uma coisa também, que é o
- 56:51seguinte, é os meus livros favoritos, é as personagens.
- 56:56Os personagens às vezes são de gêneros completamente diferentes
- 56:59dos meus, tem experiências de vida completamente.
- 57:02Mas aquilo ali vira meu, aquilo ali viram pessoas da minha
- 57:08existência, aqueles personagens. Então essa coisa de você só
- 57:11gostar do que é igual, do que é idêntico, é me parece uma coisa
- 57:16muito narcísica e completamente contrária ao que AA
- 57:21grandiosidade da experiência literária.
- 57:23Nossa, é com certeza, gente, eu vou ter quase que fazer o que?
- 57:26Um corte lacaneando nesse episódio que eu não sei se vocês
- 57:28acreditam. Já tem 1 hora que a gente tá
- 57:29conversando. Vocês 2 tem tanta coisa legal
- 57:31pra contar que eu acho que eu vou ter que fazer um segundo
- 57:33episódio. Para a gente continuar
- 57:34conversando muito, eu queria agradecer muito a presença de
- 57:37vocês. Mas antes da gente terminar em
- 57:39vocês conseguem pensar agora? Eu sei que de memória.
- 57:41A maioria das pessoas que eu pergunto assim, sem avisar,
- 57:43parece que a gente nunca leu nenhum livro na vida.
- 57:45Mas se vocês quiserem indicar 2 ou 3 livros que vocês leram
- 57:48recentemente, que vocês acham que foram bacanas, querem deixar
- 57:51aí de dica para os nossos ouvintes.
- 57:54Dá um branco, né, gente? Quando alguém me pergunta,
- 57:56parece que eu nunca li, que eu não sei o que eu tô lendo.
- 57:58Não, eu estou. Eu posso começar então que eu
- 58:00estou muito afiada. Bom, eu como eu disse, eu estou
- 58:03com AAA Renata super fresquinha. Eu acabei de ler piscinas Russas
- 58:08e assim faço couro. Provavelmente você já deve ter
- 58:10comentado o livro, mas é é uma obra assim de é literatura e
- 58:17arquitetura, assim é. Eu acho sensacional, formidável,
- 58:21o trabalho que ela faz, e eu acho que eu admiro muito.
- 58:24Quem não tem medo da fricção assim?
- 58:26Então é, vou também deixar indicado é de autores
- 58:31brasileiras, eu indico. Também vou indicar uma amiga
- 58:34nossa, de todas nós, que é a memória de ninguém, da Helena
- 58:37Machado. Acho que também é um outro livro
- 58:38que se arrisca é em vários lugares, mas entrando um pouco
- 58:43na toada aqui do do episódio. Por fim, é, eu estou assim,
- 58:48estou no último livro da trilogia de Jesus do coetsi.
- 58:52Ah, é, você gosta? É, eu sou apaixonado para ele.
- 58:54Ah, então eu estou no último, que é a morte de Jesus.
- 58:57Então é. É, fui meio.
- 59:00Foi a primeira contato que eu tive com a obra dele.
- 59:02Entrei assim, meio sem saber o que esperar.
- 59:04E eu estou obcecada. Ele é dele, muso.
- 59:08Eu amo ele de paixão e vejo é. É exatamente meu trabalho.
- 59:11É completamente diverso do meu muso assim, porque ele é a ele.
- 59:15Tem uma. Coisa da linguagem perfeita, da
- 59:18palavra exata. Ele é seco, né?
- 59:22Seco, mas ele alcança coisas, né, a partir desse tipo de
- 59:26registro, que para mim são preciosíssimas.
- 59:30É ele, Itália, né? Vai lá até é.
- 59:34E a repetição? Dele é uma coisa que eu fico.
- 59:37É obcecada assim, sabe? Eu sou muito apaixonada por ele.
- 59:41Maravilha, anotem aí gente, pra vocês lerem.
- 59:43Então 3 dicas de Karina e agora vem as eu vou sugerir, já que a
- 59:46gente tá falando dele, eu amo ele profundamente.
- 59:49Juventude um dos livros da minha vida é, leio uma trilogia, né?
- 59:53É verão, é infância, Juventude e verão, eu acho.
- 59:58São livros belíssimos, né? Maravilha dele.
- 1:00:02É, eu vou falar de outros 2 autores nacionais, eu já você já
- 1:00:05falou da Helena, que eu sou apaixonada pelo livro da Helena,
- 1:00:08é maravilhoso? É, eu vou falar de outros 2
- 1:00:11autores nacionais que eu gosto bastante.
- 1:00:15Tem a Vanessa Vaz Couto, que eu adoro.
- 1:00:17A Vanessa é uma escritora incrível, é, ela tem um livro
- 1:00:22lindo. Eu acho que todo mundo deveria
- 1:00:24conhecer o trabalho dela, porque eu gosto de gente que se arrisca
- 1:00:26a esse. Esse é o meu.eu, gosto de gente
- 1:00:29que vai lá e está disposto a. A fazer e vou, vou é falar
- 1:00:34também de um livro de contos, já que a gente tava falando, vou
- 1:00:36falar do Odorico leal, que escreveu um conto em um livro
- 1:00:39incrível que é o nostalgias canibais que é também traz uma
- 1:00:43coisa nova, traz 11 frescor e são 2 autores nacionais que
- 1:00:47estão aí, né? E que eu acho que merecem ser, é
- 1:00:51ser lidos, conhecidos. Eles tem obras muito relevantes.
- 1:00:55EEA gente pode aqui falar do também dos consagrados que vem
- 1:00:58na minha cabeça, como a Carol savedra, que enfim, que foram
- 1:01:00pessoas que. Que fizeram pavimentaram até um
- 1:01:03caminho pra mim, pra pra minha própria autoria, né?
- 1:01:06Então o que não falta no Brasil são grandes escritores disso,
- 1:01:10com certeza. Eu concordo totalmente.
- 1:01:12Gente, muito obrigada mesmo. Acho que a gente vai ter que
- 1:01:14continuar essa conversa depois uma mesa de bafo que tem tanta
- 1:01:16coisa ainda pra gente falar, ou em outro episódio, quem sabe?
- 1:01:19Adorei receber vocês. Obrigada Renata, obrigada Karina
- 1:01:22e obrigada pra. Quem ouviu a gente até aqui?
- 1:01:25Obrigada, Isa. Obrigada, Isa.
- 1:01:27E tchau, tchau, gente, até o próximo episódio.