Latest / Radar FGV / PIX completa 5 anos, paradoxo do emprego no Brasil, orçamento recorde dos partidos
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- 0:00Olá, hoje é 17 de novembro. Começa agora o radar Drops,
- 0:04informação para o seu dia sobre curadoria do FGV notícias.
- 0:07Bom, no nosso radar de hoje a gente vai mergulhar em 3 temas
- 0:11que olha tão desenhando o Brasil, de jeitos bem
- 0:14diferentes, viu? Primeiro, vamos falar do Pix,
- 0:16como é que essa invenção nossa tá chamando tanta atenção lá
- 0:19fora? Depois a gente entra num
- 0:21verdadeiro quebra cabeça da nossa economia.
- 0:24A gente tem mais emprego, mas por que a produtividade não sai
- 0:27do lugar? E para fechar, vamos dar uma
- 0:30olhada nos cofres da política para entender de onde vem e para
- 0:33onde vai tanto dinheiro dos partidos.
- 0:36Então vamos lá, começando com uma história de sucesso que a
- 0:39nossa cara, o Pix. A pergunta é, como é que esse
- 0:43sistema de pagamento virou parte do dia a dia de todo mundo?
- 0:46E tão rápido, né? Olha pra pra pensar um pouquinho
- 0:49nesse número, 140000000 é isso mesmo, em só 5 anos, essa é a
- 0:54quantidade de brasileiros que já usam o Pix.
- 0:56É uma velocidade de adesão assim.
- 0:58Impressionante. Pouquíssima coisa no mundo
- 1:00conseguiu algo parecido. E pra gente ter uma noção do
- 1:03tamanho desse sucesso, vale a pena comparar com a Índia, que é
- 1:06o outro gigante nesse mundo de pagamentos instantâneos.
- 1:09É verdade que a Índia tem mais usuários no total?
- 1:12Mas se a gente olhar a proporção, o Pix alcançou uma
- 1:15fatia muito, mas muito maior da nossa população.
- 1:18É, proporcionalmente falando, um verdadeiro fenômeno.
- 1:22E claro que um sucesso desses não fica só aqui dentro, né?
- 1:25Já virou um caso de estudo lá fora.
- 1:28Wadrian cernef, que é da FGV esp, comentou exatamente isso,
- 1:32tem muito país de olho no modelo brasileiro, sabe?
- 1:34Vendo o Pix como uma inspiração para modernizar os próprios
- 1:37sistemas deles. Agora, claro, esse crescimento
- 1:41todo também gerou um certo barulho, né?
- 1:43Principalmente com quem já estava no mercado há muito
- 1:45tempo. Lá nos Estados Unidos, a coisa
- 1:47chegou um ponto que o governo americano abriu uma investigação
- 1:50contra o Brasil por supostas práticas comerciais injustas.
- 1:54Muita gente na época viu isso, como uma pressão das gigantes de
- 1:57cartão de crédito de lá. A repercussão foi tão grande
- 2:00que, olha só, até o economista Paul krugman, que é prêmio
- 2:04Nobel, entrou na conversa. Ele chegou a levantar uma
- 2:06pergunta bem provocadora. Será que o Brasil inventou o
- 2:10futuro do dinheiro? Na visão dele, o nosso sucesso
- 2:13aqui serve de lição, enquanto potências como os Estados Unidos
- 2:16continuam meio que travadas por causa dos interesses de quem já
- 2:20domina o mercado. E essa história não para nas
- 2:23nossas Fronteiras não. Já tem iniciativas privadas
- 2:25trabalhando para levar o Pix pro mundo todo, com planos bem
- 2:29ambiciosos de expansão. O que começou como uma solução
- 2:32pra gente aqui dentro tá virando um baita produto de exportação.
- 2:37Ok, saindo agora da inovação financeira, a gente mergulha num
- 2:40paradoxo da nossa economia. É curioso, né?
- 2:43Enquanto o Brasil está na vanguarda dos pagamentos, o
- 2:46nosso mercado de trabalho vive uma situação bem mais complexa.
- 2:50Olha, se a gente olha só por cima, os números parecem
- 2:53excelentes, desemprego lá embaixo, no uma mínima histórica
- 2:57de 5,6%. Só que aí, quando a gente olha
- 3:00com mais atenção, aparece um desafio que não vai embora.
- 3:04A informalidade continua ali, pertinho dos 40%.
- 3:06Então a grande questão é essa, porque essa quantidade de
- 3:10empregos não tá virando mais eficiência pra nossa economia?
- 3:13A produtividade, que é basicamente o quanto a gente
- 3:16produz por hora de trabalho, cresceu, pasmem, só 0,3% por ano
- 3:20nos últimos 5 anos. É muito pouco.
- 3:25Tá, mas por que essa estagnação toda?
- 3:27Bom, segundo a Silvia Matos, do FGV ibre, uma parte importante
- 3:30da resposta está na própria estrutura da nossa economia.
- 3:33Como o Brasil é um país relativamente fechado para o
- 3:35comércio mundial, as nossas empresas acabam sentindo menos
- 3:38pressão de fora para ter que inovar, para ter que ser mais
- 3:41eficientes para competir. E um resultado disso é o
- 3:44crescimento de uma força de trabalho que a gente pode chamar
- 3:46de semi formal. São os trabalhadores por conta
- 3:49própria, que tem CNPJ. Eles são diferentes, viu?
- 3:52Tem uma renda média maior que a de quem tem carteira assinada e,
- 3:54claro, muito mais flexibilidade. E essa mudança parece que veio
- 3:58para ficar refletindo na preferência do pessoal.
- 4:02Uma pesquisa do Datafolha, por exemplo, mostrou que a maioria,
- 4:0559%, já prefere o trabalho autônomo.
- 4:08Só 39% ainda optariam por um contrato formal com carteira
- 4:12assinada. Só que essa história tem um
- 4:14outro lado, o mais importante, um estudo do Nelson Marconi da
- 4:18FGVA esp. Acende um sinal de alerta.
- 4:21Essa busca toda por autonomia pode, na verdade, estar
- 4:24escondendo uma certa precarização do trabalho, porque
- 4:27em muitas dessas novas ocupações os salários simplesmente não
- 4:30estão acompanhando o ritmo. E já que a gente tá falando de
- 4:33estruturas que definem o país, vamos para o nosso último
- 4:36assunto de hoje. E esse é o mergulho numa das
- 4:38estruturas mais poderosas. E vamos ser sinceros,
- 4:42controversas que existem a máquina que financia a política
- 4:45brasileira. Para bancar as campanhas e toda
- 4:48a estrutura dos partidos políticos no Brasil, existe uma
- 4:51reserva de dinheiro que é público.
- 4:53E o valor que está projetado só para o ciclo de 2026 é de tirar
- 4:59o fôlego, 6,4 bilhões de reais. Mas para a gente ter uma ideia
- 5:05real do que significa todo esse dinheiro, vamos comparar essa
- 5:09quantia maior que o orçamento de 8 ministérios federais juntos.
- 5:13E também é maior que o valor de mercado de 27 empresas que estão
- 5:17hoje na nossa bolsa de valores. É muito dinheiro.
- 5:20E aí vem a questão da gestão disso tudo.
- 5:23Segundo Fernando nésser, da FGV de São Paulo, o jeito como esse
- 5:27dinheiro é administrado é preocupante, principalmente em
- 5:31termos de transparência. Ele aponta que não existem
- 5:34critérios muito técnicos, muito claros, e isso acaba
- 5:37concentrando um poder enorme nas mãos dos chefes dos partidos.
- 5:41E na prática, o que acontece? Bom, isso acaba criando um ciclo
- 5:45vicioso. O dinheiro fica concentrado nos
- 5:47partidos maiores, que usam esses recursos, claro, para ajudar a
- 5:51reeleger quem já está no poder. O resultado fica muito mais
- 5:55difícil para gente nova entrar e a renovação política fica
- 5:59sufocada. E olha, isso não é só teoria,
- 6:02não tem exemplo bem prático. A pesquisadora da FGV Helena
- 6:05funare aponta que o MDB, por exemplo, tem isso na regra
- 6:09oficial do partido. O dinheiro do fundo eleitoral
- 6:11vai prioritariamente para quem já tem mandato e tá tentando a
- 6:14reeleição. Ou seja, é um sistema feito para
- 6:17manter quem já está lá. Então, do Pix, passando por esse
- 6:21dilema no mercado de trabalho e chegando no financiamento dos
- 6:24partidos, o que a gente vê são várias faces de um Brasil em
- 6:27constante mudança, né? E tudo isso deixa no ar uma
- 6:30pergunta fundamental para o nosso futuro, como é que a gente
- 6:33encontra o equilíbrio certo entre a inovação que a gente
- 6:35precisa, a estabilidade econômica e a transparência
- 6:38democrática? Fica aí a reflexão, esse foi o
- 6:41radar Drops de hoje? Voltamos amanhã com mais
- 6:43notícias até lá.