Latest / Café com Dungeon / Campanha vs. Aventura vs. One Shot vs. Jogo de Porão #0043
Transcript
- 0:00Aí, bora jogar um jogo? Bora, claro.
- 0:04Que jogo? RPG, pô.
- 0:08Sou viciado. Jogo há mais de vinte anos, isso
- 0:11aí. Bora jogar um Dungeons Dragons?
- 0:14Ah, que incrível. Bem que você tem cara mesmo de
- 0:18quem joga D&D. E eu mesmo sempre quis jogar.
- 0:21Ó, então vamos, pô. A gente junta eu, você, o
- 0:24Diguinho, a Tônia, a Juju. Tá todo mundo afim de jogar.
- 0:27Aí depois do expediente a gente começa.
- 0:30O que você acha? Ah, legal.
- 0:32E há quanto tempo de jogo, hein? Ó, eu tô mirando aí nos três
- 0:38anos. Pelo menos.
- 0:41Eita ferro. E aí, bora começar um joguinho
- 0:46sem pretensão nenhuma? Bora, eu levo o café.
- 0:51Com banjo. Mostra a clara.
- 0:57Bom dia, amigos do Café com Dungeons.
- 0:59Estamos aqui para mais um episódio do seu podcast matinal
- 1:02favorito, trazendo sempre muito RPG.
- 1:05Meu nome é Rafael Balbi e hoje o meu café é o mesmo café que eu
- 1:08bebo há pelo menos três anos, sem falta.
- 1:11Bom, quando você descobre coisa boa, você não volta atrás, né?
- 1:15E para mim, o manhã combina com café especial.
- 1:18E café especial me lembra logo o... da ovelha negra.
- 1:24Bom, moer meus próprios grãos em casa e sentir esse cheiro
- 1:27diferenciado subindo aí pela manhã é impagável.
- 1:32Qualidade de vida. E se você quer experimentar algo
- 1:34assim também, pra ouvir o Café com Dungeon, você pode ir lá em
- 1:37ovelhonegracafés.com escolher um café pra você. ali, cafés
- 1:42incríveis a partir de até vinte reais, aí você consegue e cara,
- 1:47você consegue ainda um abatimento, um desconto aí se
- 1:49você for ouvinte do Café com Dungeon, obviamente você tá
- 1:52ouvindo, você é ouvinte você pode desfrutar do cupom CCD,
- 1:56tudo minúsculo, aí você tem um abatimento Se por acaso você
- 2:01quiser um batimento maior ainda, um desconto maior, a gente tem
- 2:04descontos progressivos pros nossos assinantes.
- 2:07A galera que apoia o Café com Dungeon.
- 2:09Então, quanto maior o seu apoio, mais desconto você tem no seu
- 2:12café. Lá no Vila Negra Cafés.
- 2:15Pode ir lá em apoia.se barra Café com Dungeon e ajudar o seu
- 2:19podcast. Além de ajudar a gente a voltar
- 2:21a ter mais dias na semana, você recebe conteúdo extra.
- 2:24Participa de um grupo muito, muito maneiro de Telegram que
- 2:27participa de uma galera... Muito interessante que adora
- 2:30trocar ideia sobre RPG e temas correlatos, né?
- 2:34com muita profundidade, inclusive, tenho muito orgulho
- 2:36desse grupo e muitos dos episódios aqui vêm de discussões
- 2:38de lá, então tenho certeza que se você gosta do podcast, você
- 2:42vai gostar desse grupo. Além disso, você recebe conteúdo
- 2:46extra, participa de estudos, participa de sorteios, como
- 2:50sorteio de café ou velha negra, e também material dos nossos
- 2:53parceiros, recebe outros cupons de abatimento, enfim, cara, só
- 2:58vantagem, apoia.se barra café com danjo.
- 3:02E sabe quem tá apoiando a gente também?
- 3:05Bom, a gente fechou aí uma parceria incrível, então é uma
- 3:08notícia que eu dou aqui pra vocês em primeira mão, é um
- 3:10spoiler sim, mas a gente vai voltar finalmente a ter dois
- 3:15episódios na semana, por conta de um patrocínio que a gente
- 3:19fechou essa semana do RPG Dojo, tocado aí pelo Cobb, pela Nina,
- 3:25pelo Grilo, pelo Bardal, pelo Thiago, pela Isa e companhia.
- 3:30Eles decidiram apoiar uma temporada do Café com o Dungeon
- 3:33com um episódio a mais por semana.
- 3:36Então, pelo menos por três meses aí pela frente, a partir de
- 3:39novembro, a gente vai ter Café com o Dungeon às terças e
- 3:42quintas para a alegria da massa RPGista.
- 3:46Bom, se você não ouviu ainda falar do RPG do Ojo, você já
- 3:50deve ter ouvido falar pelo menos aqui.
- 3:51Ele é um coletivo aqui de uma galera que curte muito RPG,
- 3:55apaixonada por RPG e que explora práticas, treino e
- 4:00experimentações com RPG. O ciclo atual é o ciclo de
- 4:05mistérios mestráveis, né? E vai focar nisso, né?
- 4:09O tema é esse, né? Mistério.
- 4:12A galera vai pegar ali aventura de mistério e muitos outros
- 4:15jogos ali correlatos, né? vai fazer exercícios muito
- 4:19maneiros com esses títulos que eles escolheram.
- 4:22Isso já está em curso e vai acontecer agora pelos próximos
- 4:25meses. Então, se você quiser colar no
- 4:27salão aberto para ver o que a galera já está aprontando em
- 4:29relação a isso, eu vou deixar um link no descritivo do episódio e
- 4:33você vai poder conferir o que essa galera está aprontando e
- 4:36eventualmente fazer parte desse coletivo aí.
- 4:39Demorou? Galera, muito obrigado, valeu aí
- 4:42pela parceria. A partir de novembro, então,
- 4:44terças e quintas com o seu Café com Dungeon.
- 4:47Beleza? Vamos para o episódio, mas
- 4:49antes, leitura de enquete. O último episódio foi sobre os
- 4:58eixos do game design e a pergunta que eu fiz foi o
- 5:01seguinte. Você acha que é possível
- 5:03categorizar RPGs? Cara, foi quase unânime, mas
- 5:08teve aí noventa e vírgula... noventa e três vírgula oito por
- 5:11cento do pessoal que respondeu disse que sim, que é possível.
- 5:16Eu acho interessante, né? Porque, de fato, eu também acho
- 5:18que seja possível categorizar, mas é difícil pra caramba, né?
- 5:21Muitas vezes a gente vê categorizações e quase nunca a
- 5:25gente concorda com elas. Então...
- 5:27Fica esse sentimento, mas no fundo a gente sabe que de um
- 5:30jeito ou de outro toda categorização é arbitrária, e
- 5:35sendo arbitrária a gente vai sempre conviver com certos
- 5:41desencaixes aí na nossa visão, eu acho que isso é natural.
- 5:44Então tá aí, noventa e três vírgula oito por cento das
- 5:47pessoas dizendo que sim, é possível categorizar RPGs.
- 5:52E, bom, a galera que participou com comentários aí, agradecendo
- 5:55todo mundo que deixou seu comentário, eu vou ler alguns
- 5:57deles aqui. O Carlos Rente... falou que,
- 6:01alternando entre uma mesa aberta de Morkborg e um sistema próprio
- 6:05chamado Conflito, minimalista e focado na narração, que em sua
- 6:09versão atual pode ser encontrado no link que ele deixou aqui.
- 6:13Eu não tenho como compartilhar esse link agora, mas, bom,
- 6:17procura aí no Google, pelo sistema aberto dele, que é o
- 6:20Conflito, Carlos Hentges, obrigado pela tua participação
- 6:26cara, e a resposta é porque eu perguntei pra galera, não
- 6:29esqueci de falar isso mas eu perguntei pra galera o que eles
- 6:31estão jogando O Edu Halak, grande Edu, falou que tem jogado
- 6:37com frequência Dolmenwood, Caves and Hexes e D&D quinta edição.
- 6:41Agora, em dois mil e vinte e quatro, essa nova, né?
- 6:43E pontualmente, nos últimos meses, tem jogado Vampiro quinta
- 6:46edição, Cult, Mythic, Bastionland e Shadow Dark.
- 6:50Tá, o Edu com uma boa seleção de jogos aí, cara.
- 6:53Maneiro. O Auri Flamado, grande Danilo,
- 6:56abraço, cara. Ele falou que tem participado,
- 6:59tem principalmente pulado entre Old Dragon II e Tormenta XX.
- 7:03Mas tem brincado muito com Ars Magica e Mago Ascensão durante a
- 7:07semana. Cara, esses dois últimos aí
- 7:09são... Cara, não tem palavras pra
- 7:13expressar quanto eu amo esses dois jogos.
- 7:15Mandou muito bem, Auri. O Yuri Tavares falou que ele tem
- 7:19jogado um retroclone de autoria própria, muito inspirado no
- 7:21Ozzy, The Vintage RPG e no Caves and Hexes.
- 7:25Ele fez ao máximo para imputar uma vantagem no ambiente
- 7:28ficcional e menos em rolagens de dados.
- 7:30Olha, mais um aí na busca dos jogos mais pautados na ficção e
- 7:36menos na abstração dela, né? Muito interessante.
- 7:39O Rafael Bacelar falou que pós-pandemia os eventos de RPG
- 7:42na cidade dele voltaram aí ele tem testado RPGs diferentes com
- 7:46frequência, mas ainda mantendo a mesa aberta semanal do Day Day
- 7:50caseiro que ele fez com a ajuda da galera, semelhante ao Shadow
- 7:53Dark. Dos que ele testou, A melhor
- 7:56indicação dele vai pro Hearts, The City Beneath.
- 7:59É um RPG narrativista com regras pra fomentar narrativa
- 8:02compartilhada e improviso, com uma temática que mistura dungeon
- 8:06crawl e horror cósmico. Cara, o Hearts eu já botei
- 8:10minhas mãos aí no material. Achei incrível.
- 8:13O material físico, então, parece que é deslumbrante.
- 8:16Fora isso, parece que é um jogo de muita qualidade.
- 8:18Realmente, obrigado aí pela indicação.
- 8:21Bem possível que a gente aborde ele cedo ou tarde.
- 8:25O Matheus Tiamat, também grande de Matheus Tiamat, um abraço,
- 8:28cara. Ele falou que ele acha que
- 8:30categorizar RPG é útil para servir de ferramenta para
- 8:33reflexões, como foi muito bem feito no episódio.
- 8:36A categorização é o meio e não o fim.
- 8:39Também serve, por exemplo, para facilitar escolher novos jogos.
- 8:41Você poder escolher outros jogos de um eixo ou estilo que gosta.
- 8:45Mas daí cai naquele mesmo problema de gêneros literários
- 8:48em livraria ou site. Há obras difíceis de se encaixar
- 8:51em um único gênero. Uma obra mal classificada mata o
- 8:54interesse de quem não gosta do gênero que ela foi proposta.
- 8:58É verdade, cara. Isso é uma questão que realmente
- 9:02eu acho crítica, né? Porque muitas vezes a gente
- 9:04tenta encaixar numa categoria, né?
- 9:07E às vezes a gente acaba na verdade fazendo uma
- 9:11categorização que não reflete a realidade toda categorização
- 9:16acaba sendo também abstrações, são abstrações que a gente faz,
- 9:19quando a gente abstrai alguma coisa a gente tende a querer
- 9:21encaixar tudo ali então nesse encaixe muitas vezes ele não
- 9:25reflete a realidade específica da coisa e no caso a coisa seria
- 9:29um título de RPG, então eu concordo plenamente contigo mas
- 9:33tem sutilidade também como você falou mas é isso gente, vamos lá
- 9:38para o episódio de hoje Ei, deixa eu te contar um
- 9:58negócio que eu fiquei sabendo aqui quando eu tava ouvindo ali
- 10:01de butuca a elfa Carissa. Eu fiquei ali perto, só na
- 10:05nadinagem, e acabei ouvindo o que ela contou pro outro
- 10:08aventureiro. Se liga?
- 10:09Ela falou que ela visitou a floresta do Cazulo. voltou lá
- 10:14pela trilha que sai lá da Torre do Bacharel.
- 10:17E ela falou que quando estava chegando perto de uma clareira
- 10:19que tem ali um vorme, sei lá, um buraco com vorme, se eu não
- 10:24entendi, ali começou a acontecer um bagulho místico ali,
- 10:29violento, que arrancou as árvores do chão e a terra e
- 10:33tudo, e sugou tudo. Parece que a fonte desse efeito
- 10:38místico aí é uma caverna. na direção da muralha, que é onde
- 10:44provavelmente tinha o jazigo do Titã vazio.
- 10:48Parece que aquele pequenininho lá, o Pitoco, ele foi sugado
- 10:53pelo efeito, foi parar lá dentro.
- 10:55Sabe-se lá o que aconteceu com ele.
- 10:57Outra coisa que ela contou. Ela disse que aí pro outro lado,
- 11:02pro lado lá do charco, aqui do alto, lá da encosta dos picos da
- 11:06luneta, ela pôde observar o pântano ali do zoio de gato. e
- 11:12que ela pôde observar um caminho mais fácil para chegar numa
- 11:16cabana onde moraria uma bruxa. Essa trilha é uma trilha de uma
- 11:22laje de pedra, assim, que passa por cima do charco e que fica no
- 11:29encontro ali da floresta do casulo com o próprio pântano.
- 11:35Parece que isso leva ali para a região onde tem uma grande
- 11:37árvore, assim, e a ponta dela desponta pela... pela copa das
- 11:43árvores e que pode ser vista de longe.
- 11:44Então tem que olhar pra essa ponta, circundar ali pela
- 11:49encosta do Pico da Lumeta, olhar pra fazer ali uma reta e pegar
- 11:56essa laje de pedra que aí dá pra chegar lá na cabana dela.
- 11:59Doideira, né? Bora?
- 12:04Vamos explorar, birgoto Pronto para jogar comigo para os
- 12:21próximos anos de sua vida? O tema de hoje é campanha versus
- 12:30aventura versus João Xote versus jogo de porão.
- 12:34Na verdade, o foco seria realmente campanha versus
- 12:38aventura versus João Xote, mas eu botei jogo de porão ali
- 12:40porque ele parece... ser uma coisa meio misturada isso aí,
- 12:44mas no fundo tudo é, né? O fato é que a gente tem aí na
- 12:48comunidade, o pessoal utilizando de forma geral, bem livremente,
- 12:53os termos campanha, aventura e sessão.
- 12:56De modo geral, a gente pode dizer que isso é uma
- 12:58classificação que, no mais simples, seria uma classificação
- 13:04sobre uma perspectiva de tempo de jogo.
- 13:08E aí, indo do menor tempo para o maior, a sessão seria a reunião
- 13:14para o jogo, a reunião social ali.
- 13:17É o dia que a galera escolheu para jogar.
- 13:18Normalmente, de três a sete horas de duração ali, podendo
- 13:22ser mais rápido, tipo uma hora e meia, ou se estender durante o
- 13:25dia todo. Já a aventura é um conjunto de
- 13:31sessões. Quase sempre é algo que gira em
- 13:35torno de três a dez sessões, mas que tem a famosa modalidade
- 13:39one-shot também, que é a aventura de sessão única.
- 13:43Então dura um encontro da galera.
- 13:45Pode também às vezes ir para vinte, trinta sessões a
- 13:48aventura, mas de forma geral ali vai girar entre três e dez, que
- 13:53é o que normalmente você vê por aí.
- 13:56E, bom... Ela pode variar muito no seu
- 14:01escopo e tudo mais, mas se o seu grupo se reúne uma vez por
- 14:05semana, uma aventura deve durar em torno de dois meses.
- 14:09Mas se você joga uma vez por semestre, tem gente que joga
- 14:12assim mesmo, a aventura pode demorar uns anos.
- 14:15E tudo bem, né? Quando eu era moleque e jogava
- 14:17todo dia nas férias, praticamente, uma aventura
- 14:21passava ali em uma semana. A gente jogava várias sessões.
- 14:25Então vai depender da frequência do teu grupo, mas a gente pode
- 14:28botar aí que a aventura é um conjunto de sessões.
- 14:32Esse conjunto pode ser unitário, inclusive.
- 14:35Já a campanha é um conjunto de aventuras.
- 14:38Tem gente que joga a mesma campanha há vinte anos, mas é
- 14:41uma modalidade que pouca gente aguenta jogar de verdade.
- 14:45Porque não tem lá uma grande constância e não tem uma
- 14:48longevidade pra alcançar um número de sessões tão elevado.
- 14:52E às vezes não alcança um número de sessões suficiente nem pra
- 14:55completar uma aventura, que só é pra jogar uma campanha.
- 14:58Então a campanha normalmente é aquela coisa que a gente começa
- 15:01e não tem nem data pra terminar, a gente vai jogando.
- 15:03É... E o que é o jogo de porão que eu
- 15:07falei lá em cima? É o estilo mais antigo de RPG
- 15:12que a gente tem registro aí, de forma geral, que vem dessa
- 15:15comunidade robista e faz referência aos porões da Cidade
- 15:19Gêmeas e de Lake Geneva, onde o Gygax e o Arneson jogavam.
- 15:24De forma geral, o grupo rodava no porão do mestre. que era a
- 15:28sede da campanha, por assim dizer, e quem podia aparecia.
- 15:32Normalmente era um grupo grande de pessoas e essas pessoas iam
- 15:35aparecendo conforme podiam. Tinha bastante sessão, de forma
- 15:38geral. E as sessões eram, de forma
- 15:40geral, episódicas também. Então o grupo de jogadores se
- 15:43revezava. Se uma sessão jogou eu, você, o
- 15:46Ricardinho e a Vandinha, na próxima pode jogar, de repente,
- 15:50eu, Vandinha e Murilo. Ou então pode jogar um grupo
- 15:55inteiramente novo. em comum mesmo, a gente tem o mundo de
- 15:59jogo, a gente compartilha o mesmo mundo de jogo.
- 16:01E esse estilo foi resgatado e repaginado mais recentemente
- 16:05pelo blog Yarslud, né? E são os modelos pra gente aqui
- 16:12que tem a maioria das campanhas de mesa aberta que a gente vê
- 16:15por aí no cenário nacional de RPG, né?
- 16:18A gente costuma ter esses modelos aí.
- 16:20Inclusive, Biergottem, Firnisterra e o Trema.
- 16:25E, bom, certamente o jogo de porão é uma campanha, mas as
- 16:30sessões não necessariamente têm uma continuidade entre si, a não
- 16:35ser por dividirem o mesmo mundo, a mesma timeline.
- 16:40Elas podem até ter uma continuidade entre si, mas não
- 16:43necessariamente. As sessões funcionam de forma
- 16:45independente umas das outras. E acaba então sendo uma campanha
- 16:50composta por one shots, ou seja, é composta por aventuras de uma
- 16:56sessão só praticamente. E os personagens podem
- 17:00participar de vários one shots em times distintos entre si ou
- 17:06repetirem o mesmo time de repente, mas isso vai variar.
- 17:10Mas isso é uma classificação que a gente pode fazer de um jeito
- 17:13bem cru, né? Uma classificação de acordo com
- 17:15o tempo, talvez, ou de acordo com as ocorrências dela, né?
- 17:20Então seria assim, né? Sessão, sendo o núcleo, né?
- 17:25Sendo o átomo ali do RPG, né? Conforme acontece o RPG.
- 17:32A aventura seria um conjunto de sessões.
- 17:35A campanha seria um conjunto de aventuras, né?
- 17:39E aí o jogo de porão seria uma campanha que é cheia de pequenas
- 17:44aventuras que duram ali, de forma geral, uma sessão só.
- 17:48Agora, seria essa a única forma da gente classificar, da gente
- 17:51trazer essa classificação de campanha?
- 17:56aventura, one shot, jogo de porno, será que só significa
- 17:59isso? Será que só significa essa
- 18:02estrutura atômica assim? Ou será que tem algumas outras
- 18:06possibilidades da gente analisar o que é uma campanha?
- 18:08Então eu pergunto até para você, o que você acha que é uma
- 18:12campanha? O que é uma aventura para você?
- 18:14Qual é a diferença delas? E one shot, tem que ser de uma
- 18:19sessão só? É um one shot de três sessões.
- 18:23Como é que funciona isso no teu grupo, na tua galera e como é
- 18:27que é isso? Bom, eu vou analisar de uma
- 18:31outra forma também possível, que eu já vi muita gente na internet
- 18:34defender e já troquei ideia com gente que vê mais por esse lado
- 18:38e eu acho muito natural que ocorra essa lente também sobre
- 18:42esse assunto. num momento em que a gente enxerga de modo geral
- 18:47que RPG é jogo de contar história, exclusivamente.
- 18:51Então, a gente pode classificar isso quanto a narrativa.
- 18:55Campanha, aventura e sessão, one shot.
- 19:00Vamos dar uma olhada? Entendendo isso, essa estrutura
- 19:10de campanha, aventura, exceção, conta narrativa, eu já vi muito
- 19:15mestre falar de campanha como quem fala de uma história.
- 19:19Campanha seria esse tipo de história que não pode ser
- 19:22contada em somente um arco narrativo.
- 19:26Cada arco narrativo seria uma história, mas que esses arcos se
- 19:31unem para contar uma história maior.
- 19:34Talvez então desse para dizer que cada arco narrativo seria
- 19:37uma aventura e os seus episódios ou os seus capítulos seriam as
- 19:41suas sessões. Fazendo a classificação a partir
- 19:44dessa lente, se isso fizer sentido para o jogo da tua mesa,
- 19:48talvez faça sentido também pensar...
- 19:51Cada capítulo, cada episódio e cada sessão de uma forma mais
- 19:55interligada, numa cadeia narrativa comum.
- 19:59E aí, de repente, isso começa com uma cena que localiza o
- 20:02leitor e que termina com um cliffhanger ou com alguma coisa
- 20:06que prenda a expectativa das pessoas, porque, afinal de
- 20:08contas... vocês vão estar flanando nesse desejo de contar
- 20:12uma história. Então vale a pena trazer essas
- 20:15técnicas narrativas para essa estrutura.
- 20:18O RPG é sua própria mídia, mas ele vai começar a dialogar dessa
- 20:23forma. Então vale a pena se adaptar um
- 20:25pouco para a estrutura do RPG, levando em conta, em
- 20:28consideração, essa coisa de campanha, aventura, sessão, e
- 20:32entender o que é cada sessão dentro da aventura, etc.
- 20:37Isso parece dialogar com uma outra questão interessante, que
- 20:40é classificar ainda de acordo com a narrativa, mas de acordo
- 20:45com a estrutura narrativa em si. Então, importar a estrutura
- 20:49narrativa que a gente costuma ver em filmes, em séries, em
- 20:53livros, etc. E como é que seria essa
- 20:56classificação quanto à estrutura narrativa?
- 21:01Se a gente pensar em estrutura narrativa, as campanhas seriam
- 21:04algo mais próximo de um épico, talvez.
- 21:07Você tem ali uma história maior, cheia de mitos e efeitos
- 21:10heróicos, que eles se unem num contexto narrativo maior que dá
- 21:14sentido para eles. Tipo a Odisseia, os Doze
- 21:18Trabalhos de Hércules, esse tipo de coisa, esse tipo de narrativa
- 21:22que a gente vê por aí. São vários capítulos, são vários
- 21:28ocorridos ali, mas que estão num contexto maior.
- 21:33Quando a campanha, por outro lado, é um pano de fundo geral
- 21:36para diversas narrativas mais independentes que ocorrem dentro
- 21:39dela, com uma maior autonomia entre elas, mas que de repente
- 21:44elas guardam alguma coisa mais leve em comum ali, um pano de
- 21:48fundo, alguma coisa assim, a gente pode de repente chamar
- 21:50isso de saga e não de épico, né? Para os nórdicos, saga é
- 21:56literalmente narrativa oral, né? para os zoonóticos de
- 22:00antigamente, mas analisando num panorama mais amplo e
- 22:04atualizado, uma saga é uma coleção de contos que vão se
- 22:11organizando na cultura oral do povo em torno de alguma coisa,
- 22:14ou de repente de um produto. Os ingleses lá no século XVIII
- 22:19passaram a utilizar o termo saga para classificar certos romances
- 22:25que acompanhavam uma família determinada por gerações e
- 22:29gerações. Com todos os seus incidentes e
- 22:34muitas vezes com ocorrências relacionadas entre si, apenas
- 22:41pelo contexto geral dessa família, mas não com um fio
- 22:45narrativo único e geral. São várias histórias
- 22:48independentes, a gente pode entender, de repente, a história
- 22:51de pessoas que se interligam ali, mas quando a gente olha no
- 22:53todo, elas não necessariamente têm tanta relação mais entre si.
- 22:57É como na nossa vida mesmo, de repente eu já não tenho, minha
- 23:02vida não é tão mais... dependente do que fez minha
- 23:06tataravó. De repente, os acontecimentos
- 23:10mais próximos me constroem melhor.
- 23:12Ainda que haja um fio narrativo que a gente possa observar,
- 23:17certamente, que construa uma linha da minha história de vida
- 23:22até lá atrás, até os meus antepassados, certamente isso é
- 23:26muito pálido. frente às coisas mais imediatas que acontecem no
- 23:31meu entorno com as pessoas que de fato eu conheço ou que
- 23:34conheci. Bom, os contos arturianos, que
- 23:41são essas lendas em torno do rei Arthur e da demanda do graal e
- 23:44tudo mais... a gente pode ver, eles também são compostos por
- 23:48uma série de histórias, o ciclo dos contos arturianos, o ciclo
- 23:54arturiano, são várias histórias diferentes entre si que acabaram
- 23:57se acoplando numa massa narrativa geral, então elas
- 24:04acabam ganhando uma certa solidez entre si, elas se
- 24:07amarram de alguma forma, num contexto mais rico, uma
- 24:11narrativa geral mais forte, tipo a demanda do graal, mas a gente
- 24:15tem pequenos contos ali, tipo o Cavaleiro Verde, sei lá, enfim,
- 24:19a gente tem pequenos contos ali, o conto do Sir Lancelot, o conto
- 24:22do Sir Galahad, a gente tem certas coisas que vão se
- 24:25acoplando ali, que às vezes tem até origens que não eram comuns
- 24:29ali, mas que foram sendo acopladas na tradição oral de
- 24:33determinado povo. Então talvez fosse acertado a
- 24:37gente chamar uma campanha de Dragonlance, por exemplo, de
- 24:40épico. E uma campanha de Ars Magica de
- 24:43saga. A gente aqui obviamente bebendo
- 24:46das tradições mais literárias da coisa.
- 24:49Uma campanha de Dragonlance, que a gente pode chamar de repente
- 24:52de épico, porque ela enlaça uma série de aventuras em torno de
- 24:55uma narrativa muito importante, uma narrativa geral, uma coisa
- 24:59que a gente sabe que é meio que o centro daquela história que
- 25:03está sendo contada. Já uma campanha de Ars Magica,
- 25:06por exemplo, é composta por narrativas muito mais
- 25:09independentes entre si, mas que todas encaixam nesse pano de
- 25:13fundo geral comum. como é a saga do concílio dos magos através
- 25:18dos anos, que é a proposta do jogo do Ars Magica.
- 25:21Eu joguei uma campanha de muitos anos, foram sete anos de
- 25:24campanha, passaram muitos, dezenas e dezenas de personagens
- 25:29ali dentro com histórias que têm uma ligação entre si, mas muitas
- 25:32delas não se ligam diretamente, elas só se ligam justamente no
- 25:36plano geral do concílio dos magos.
- 25:40Um épico, então, no RPG, ele seria composto por uma série de
- 25:44aventuras fortemente interligadas entre si por uma
- 25:48narrativa única. Enquanto uma saga, no RPG, seria
- 25:52o tipo de campanha composta por uma série de aventuras levemente
- 25:56interligadas por uma narrativa que lhe serve de pano de fundo,
- 26:00ambiência, motivo geral, mas não determina essas aventuras, né?
- 26:05As sessões continuam sendo o átomo dessas aventuras dentro
- 26:09dessa lógica de estrutura narrativa, né?
- 26:14mas no épico elas estão mais ali para o que seria um capítulo, e
- 26:19na saga seria mais para um episódio, o episódio sendo uma
- 26:22coisa que não necessariamente depende dos demais, você pode
- 26:26chegar e ver aquele episódio ali, e ele se encerra em si,
- 26:29você pode simplesmente olhar para aquilo, E entende ele
- 26:36sozinho, não depende que você veja outros episódios ali pra
- 26:39você ver. Diferente de um capítulo ali
- 26:42mais interligado com outros capítulos que contam uma
- 26:44história toda. No contexto da saga, de repente,
- 26:48você poderia ter o Unshots compondo essas aventuras mais
- 26:52autônomas com tranquilidade. Desde que tivessem dentro dessas
- 26:57aventuras autônomas, início, meio e fim, no mesmo período de,
- 27:00sei lá, digamos, quatro horas, uma reunião apenas. já no
- 27:06contexto do épico a one shot ela deveria comportar em si todos os
- 27:11arcos englobados pela narrativa maior e assim ter início, meio e
- 27:17fim na mesma sessão não me parece muito apropriado mas me
- 27:22parece um desafio legal de repente criar um jogo que
- 27:24entregue um épico todo numa sessão de poucas horas Já o jogo
- 27:32de porão, ele seria claramente uma saga em termos de estrutura,
- 27:36com aventuras autocontidas em one shots a princípio.
- 27:41Mas a gente vai ver, vou fazer uma análise agora, de que o jogo
- 27:46de porão não tem necessariamente esse apego a história, a contar
- 27:52uma história. O jogo de porão vem de uma
- 27:56tradição que bebe de outros objetivos, talvez.
- 28:01Vamos analisar isso mais a fundo.
- 28:06Mais de mil episódios na primeira temporada.
- 28:10Um podcast premiado por suas reflexões sobre o jogo,
- 28:14entrevistas e convidados. Em uma nova temporada com muito
- 28:18a oferecer à comunidade do RPG. Aventureiros numa busca por mais
- 28:28episódios na semana te convidam a fazer parte do grupo de
- 28:32Telegram, participar de sorteios e enriquecer seu jogo.
- 28:39Esquente a água, moa os grãos e pegue os dados. apoia.se barra
- 28:49café com dungeon Contamos com você.
- 29:04Sim, esse jogo durará apenas esta sessão.
- 29:09Aí, pra gente pensar um pouco melhor sobre isso, eu vou trazer
- 29:16a pergunta que é a seguinte. Por que o termo campanha?
- 29:21Bom, você já deve ter pensado aí, já deve ter associado, né?
- 29:25A tradição da comunidade robista onde o RPG se originou é de
- 29:29wargames, né? E a galera fazia ali encenação
- 29:33de luta, né? Eles pegavam de guerra, de
- 29:35conflitos, de combates, de batalhas específicas até.
- 29:39Então, de repente, eles faziam ali uma nova...
- 29:45Faziam um jogo em cima das guerras napoleônicas ou da
- 29:49simulação de episódios específicos da Segunda Guerra,
- 29:52por exemplo. Isso era uma coisa muito comum.
- 29:55E uma campanha militar é um termo aplicado à escala mais
- 29:59ampla e de longa duração de operações militares menores
- 30:04interligadas num conflito maior. Ainda que venha de um sentido...
- 30:09A gente possa enxergar um sentido narrativo, né?
- 30:12Que a gente dá os fatos de uma guerra.
- 30:16E aí a gente normalmente fala, né?
- 30:18Ah, na Segunda Guerra aconteceram tais conflitos.
- 30:21A gente bota em perspectiva e isso é uma narrativa.
- 30:24Mas as ações de campanha militar, elas não visam contar
- 30:27uma história, né? Mas ninguém...
- 30:29Quer dizer, ninguém... Não vou dizer isso, né?
- 30:31Mas, sei lá... Um exército não invade um
- 30:36território ali e tal, normalmente porque, sei lá, os
- 30:38americanos não tomaram a Normandia porque eles queriam
- 30:40contar uma história. De repente tem algum maluco ali
- 30:44que o objetivo dele é deixar o nome cravado na história, fazer
- 30:46história com H maiúsculo. Mas, de forma geral, eles estão
- 30:50ali cumprindo um objetivo militar.
- 30:53Eles têm ali uma ação que eles vão fazer para um fim claro, né?
- 30:59E aí, dentro disso, eles visam a vitória de um grupo determinado
- 31:03com um fim estratégico no conflito maior de larga escala.
- 31:08A campanha brasileira, por exemplo, em Monte Castelo, ou a
- 31:11campanha norte-americana na Segunda Guerra Mundial, que
- 31:15começa com o desembarque na Normandia, a gente tem ali
- 31:18algumas campanhas. Isso costuma ser a gente olhar
- 31:21para trás para os conflitos e entender melhor. como é que foi
- 31:24aquele desempenho daquele exército ali na campanha.
- 31:29A etimologia de campanha vem do lugar, de uma região ali na
- 31:35campanha, na Itália, onde os oficiais da República Romana
- 31:38costumavam criar operações anuais com seus exércitos, então
- 31:42o nome vem daí. Essa tradição, portanto, ela
- 31:46conversa muito com RPG antigo, que não dialogava
- 31:49necessariamente com a contação de história, e tinha muito
- 31:53espaço de resolução de conflitos.
- 31:55Sendo a narrativa uma coisa mais solta, emergente, derivada da
- 32:00visão dos participantes a partir do que acontecesse em mesa.
- 32:04É você sentar no bar ali e contar o que aconteceu.
- 32:06Quando conta o que aconteceu, você bota em perspectiva e cria
- 32:10uma narrativa. Mas não é o que aconteceu no
- 32:13jogo em si, necessariamente. O jogo não estava construindo
- 32:17essa narrativa. Estavam simplesmente os fatos
- 32:20lúdicos ali, por assim dizer, estavam acontecendo como uma
- 32:22sinuca, como um dominó. Não havia um compromisso com a
- 32:26construção da história em si, nem muito menos com a sua
- 32:30estrutura. Pelo menos não para todo mundo,
- 32:33né? Então, ainda que lá em mil
- 32:36novecentos e setenta e quatro já houvesse certamente quem jogasse
- 32:40RPG com essa intenção de contar uma história.
- 32:46Por que eu trouxe isso? Como é que essa ideia de
- 32:51campanha que nasce com essa ideia de uma coisa que se
- 32:55estende ao longo do tempo, que engloba vários fatos menores e
- 33:00tal, como é que funciona isso, essa expectativa de tamanho de
- 33:06jogo dentro do contexto do Wargame?
- 33:10Bom, o RPG, como descrito ali no livro Elusive Shifts, do João
- 33:15Peterson, que inclusive é incrível, eu vou deixar o link
- 33:18para ele aí na descrição do episódio, o RPG não foi
- 33:22influenciado somente pelos wargames, mas também pelos jogos
- 33:25de fantasia que começaram a se misturar com os próprios
- 33:29wargames. mas também foi influenciado por uma tendência
- 33:33crescente de criação de personagens mais únicos no jogo.
- 33:38Então você tinha ali, de repente, os Wargames, com
- 33:41exércitos e tal, mas você começa a deixar de lado as unidades
- 33:45muito amplas e começa a pensar em quem é esse soldado que está
- 33:48aqui. Tradicionalmente, nos Wargames,
- 33:51cada miniatura representava uma cabeçada de gente.
- 33:55Um cavaleiro ali no tabuleiro, ele podia significar um monte de
- 33:59homem montado. Como eram reconstruções
- 34:05específicas, de batalhas específicas, o contexto
- 34:09histórico podia importar para quantas unidades uma miniatura
- 34:13daquela ia representar. Então, se você está ali fazendo
- 34:17uma reconstrução do Legrand Armé de Napoleão, podia ser diferente
- 34:22de um conflito carolíngio ali. Talvez impulsionado pela chegada
- 34:28do pessoal ali que começa a misturar fantasia nos Wargames,
- 34:34aí essa galera que curtia fantasia metia um boneco do
- 34:37Gandalf ali no meio, e aquele boneco era o Gandalf, ele não
- 34:41representava dez magos, cem magos, não.
- 34:44Ele era ele mesmo, ele era o Gandalf, e não uma porrada de
- 34:48mago, né? Então o pessoal leva aquilo ali,
- 34:51por exemplo, pra batalha de avião e ele começa a botar aqui.
- 34:54Bom, esse avião aqui é o avião do Barão Vermelho.
- 34:57Ele mesmo, não é um monte de avião que tá fazendo um ataque
- 35:00aqui. O bonequinho do soldado que
- 35:02tinha ali, ele não era mais... dez soldados de uma unidade.
- 35:06Não, ele era Jimmy, o fuzileiro. Ele era ex-quarterback do Texas
- 35:11Longhorns. Ele tinha, além do equipamento
- 35:14normal dele, ele tinha ali um óculos Ray-Ban, um pack de
- 35:17cigarros muito específicos daquela época e uma foto da
- 35:20Peggy Sue, que era a namorada que ele deixou pra trás.
- 35:24E que, bom, hoje em dia ele espera que ela não esteja se
- 35:27engraçando pro lado do Jerry, aquele bad boy maldito que fugiu
- 35:32do alistamento e ficou em casa. De repente, as duas coisas
- 35:36aconteceram juntas, um influenciou o outro.
- 35:38O Wargame influenciou o jogo de fantasia, que trouxe essa coisa
- 35:43da unidade, as coisas foram se influenciando, e aí os soldados
- 35:47foram sendo mais especificados, assim como o jogo de fantasia
- 35:52foi trazendo seus magos e tudo mais.
- 35:54A tendência é um mergulho na ficção daquilo para muito além
- 35:59do combate tático. E aí a gente começa a ver,
- 36:01inclusive, surgindo ficha particular de personagem, com
- 36:05atributos particulares, com ficha, etc, etc.
- 36:09E se você tá dando um zoom tão grande num boneco específico,
- 36:13num cara específico, num personagem, fica mais difícil,
- 36:17numa tarde só, você cobrir toda a campanha norte-americana da
- 36:23qual o Jimmy participou, né? Isso, de repente, era coisa para
- 36:28se estender ali ao longo de semanas ou meses.
- 36:30Então, de repente, o RPG surge dessa química, provavelmente
- 36:35nessa tendência de que você acompanhasse esses personagens
- 36:39ao longo da trajetória deles, por mais descartáveis que eles
- 36:43fossem, porque, afinal de contas, o nosso amigo Jimmy
- 36:45podia tomar um tiro. Ele era um fuzileiro ordinário
- 36:48ali, ele não era um protagonista. e o RPG se debate
- 36:53com esse problema do protagonismo ao longo das eras
- 36:58talvez seja correto dizer que o RPG já nasce com esse problema
- 37:01talvez seja congênito do RPG a vontade de você vivenciar uma
- 37:05experiência de personagem muito específica com um zoom muito
- 37:09específico mas que são personagens ao mesmo tempo muito
- 37:13descartáveis pela natureza e pelo contexto que eles são
- 37:16criados E aí a gente pode analisar essa ideia de campanha
- 37:24no escopo do D&D antigo, né? Olhando aqui pela lente de um
- 37:28artigo do Mythic Mountains RPG, um sub-stack, né, que é um blog
- 37:34aí, e ao mesmo tempo uma newsletter, eu vou deixar também
- 37:37no descritivo do episódio, isso é um artigo inclusive que quem
- 37:41linkou foi o Grilo do RPG do Ojoque, ele relata alguns
- 37:47caminhos possíveis, alguns escopos interessantes dentro do
- 37:52D&D antigo, que eu vou utilizar aqui como lente para analisar
- 37:55essa questão da campanha, da aventura, da sessão, etc.
- 37:59Ele traz ali uma análise sobre designers, primeiro, da nova
- 38:03OSR, então ele cita ali a Kelsey Dione, do Shadow Dark, o Chris
- 38:06McDowell, do Into the Odd, o Ben Milton, do Naive, e do Neve,
- 38:10segundo edição, e o Chai Gal, do Cairne, né?
- 38:14E eles bebem da fonte do molde, no D&D BX, no D&D Basic,
- 38:19principalmente, que é um D&D bem enxuto do início dos anos
- 38:22oitenta, e ele faz um contraste desse D&D clássico ao AD&D, que
- 38:28é um jogo mais robusto do Gary Gajeks lá em setenta e sete.
- 38:33Ele diz que essa galera, essa galera da nova OSR, se curva
- 38:37muito sobre esse RPG dos anos oitenta, que eles já têm essa
- 38:42visão mais moderna que puxa para o jogo de história, da gente
- 38:46entender o desempenho, desempenho não, da gente
- 38:48entender a trajetória desses personagens dentro do jogo,
- 38:52ainda que eles admitam, obviamente, a narrativa
- 38:54emergente e a fragilidade desses personagens perante os desafios.
- 39:00Então, ele diz que o jogo clássico, para eles, traz novas
- 39:05abordagens com essas regras minimalistas, ou até um pouco
- 39:10mais robustas, mas que, de certa forma, são bem abstratas.
- 39:14Eles tentam cobrir toda a experiência do jogo.
- 39:16E a NSR parece ter uma expectativa mais focada do jogo
- 39:21do que o D&D, do AD&D, que é o do Gygax.
- 39:26A gente vai ver isso acontecendo também com o DCC do Joseph
- 39:29Goodman, que é uma série de módulos de aventura, em vez de
- 39:33tentar trabalhar a campanha, o mundo de jogo, por assim dizer.
- 39:37O DCC é muito normal, você tem ótimos, você tem excelentes
- 39:40módulos, você joga de módulo em módulo praticamente.
- 39:43Você pode jogar de outra forma, mas ele te traz material de
- 39:47módulo, o DCC inclusive surge como módulo. como vários módulos
- 39:52diferentes a mesma coisa a gente pode dizer do Lamentations of
- 39:56the Flame Princess com o Hag que também tem essa tradição de
- 40:00fazer muitos módulos de aventura que você pode interligar a sua
- 40:03maneira ou não Mas de forma geral, a gente pode dizer que há
- 40:09uma visão dessa galera, dessa segunda leva do old school e da
- 40:14NSR, da old school renaissance e da NSR, que levam para o jogo de
- 40:20aventura, e não extremamente de campanha.
- 40:22A campanha seria você dando asas a essas aventuras que se
- 40:27interligariam de forma mais solta.
- 40:29Você pode até interconectar elas, espalhando por um mapa,
- 40:34por exemplo, ou estabelecendo um fio narrativo mais pálido ali,
- 40:38que vai tocar o grupo de personagens dos jogadores.
- 40:41E eles podem ir mudando conforme esse grupo de personagens podem
- 40:46ir mudando. Conforme a mortalidade do
- 40:53jogo... Vai comendo eles...
- 40:54Então fica aquela coisa meio barco de Teseu...
- 40:57Fundamentado no Player's Kill... De repente...
- 41:00O grupo que termina... A série de aventuras...
- 41:03É um grupo de personagens diferentes...
- 41:05Do grupo que começou... Mas os jogadores são os
- 41:08mesmos... Eles estão se mantendo ali...
- 41:10Então rola um aceite bem grande... até desse meta-jogo,
- 41:16do que o jogador sabe versus o que os personagens sabem, porque
- 41:20é o player skill, que é uma das máximas do RPG old school como
- 41:24um todo. Já a tradição gaiaxiana, ela
- 41:27puxa para o que o pessoal tem chamado de classic gaming, que é
- 41:32um estilo que é melhor descrito ali no DMG, no Dungeon Master's
- 41:37Guide, do AD&D, que é um livraço.
- 41:40Mas é um livraço muito como documento, não somente pelo
- 41:43texto que ele fala de mestragem, porque tem muita coisa ali que é
- 41:46meio doida também. Ali tem naturalismo gregaxiano,
- 41:49que é essa construção de um mundo, esse world building
- 41:52funcional para o desafio. Você tem o zoom muito forte em
- 41:57detalhes ficcionais, em detalhes de navegação, em detalhes de
- 42:01terreno, em detalhes de calendário, de coisas assim.
- 42:06E também tem essa tradição muito clara de mesas abertas.
- 42:10Você vê que muitas coisas ali vão funcionar em jogo de porão e
- 42:14não funcionam muito para essa visão de jogo mais NSR da coisa,
- 42:20mais do old school. dessa galera menos tradicional, por assim
- 42:25dizer. Esse tipo de jogo do AD&D
- 42:30funciona muito bem em jogo de porão ao longo do tempo, de
- 42:33campanhas que se estendem por muito mais tempo e
- 42:35necessariamente não compreendem simplesmente pequenas aventuras,
- 42:39mas sim um escopo muito maior, né?
- 42:42A tradição gregaxiana é de um jogo que se constrói muito
- 42:47fortemente em cima da resolução de problemas ficcionais e da
- 42:52experiência de mundo dos personagens enriquecendo esse
- 42:55world building, que vira um instrumento. pra esses desafios.
- 43:00Então, é uma via ali de mão dupla, né?
- 43:02Os jogadores vão experimentando o mundo, esse mundo vai trazendo
- 43:06desafios e pra esses desafios funcionarem, você tem ali as
- 43:10ferramentas de road building. É o road building funcional pro
- 43:14desafio. O módulo mais enxuto que a gente
- 43:19tem no BX ali, ele acaba conversando melhor com as
- 43:23agendas de jogo de contar história, né?
- 43:26Então... Essa coisa do BX ser mais
- 43:30sintético, ser um jogo mais curtinho, ele ajuda muito você a
- 43:33contar uma história. Ele está no tamanho ideal de
- 43:36sistema para contar uma história.
- 43:37Mas quando você acaba indo para uma campanha mais extensa, a não
- 43:41ser que você use a lógica do canivete suíço que a gente prega
- 43:45em Oil Fantasy, você acaba recorrendo a jogos mais robustos
- 43:48como o ADD, como o Beckman, como o Luciclopedia, buscando esse
- 43:53kit de campanha que vai te ajudar a construir melhor esse
- 43:57mundo, né, pra dar vazão aos desafios desse tipo de campanha
- 44:02clássica, né. E, bom, quando a gente fala em
- 44:06narrativa, né, quando eu falei que o BX acaba conversando
- 44:08melhor com essas agendas de jogo de contar história que se
- 44:12acoplam a aventuras pontuais, né, A gente fala em narrativa
- 44:17trazendo muitos elementos para a ficção.
- 44:20E aí a coisa vai ficando um pouco mais confusa.
- 44:23O AD&D, por exemplo, ele traz muito elemento da ficção.
- 44:27Ele enriquece muito a ficção com o kit de campanha dele.
- 44:30O D&D BX não. Então, no DDBX, fica mais fácil
- 44:34você trabalhar elementos narrativos ali, ou você pelo
- 44:37menos pensar aquela narrativa emergente como uma narrativa,
- 44:41pelos pressupostos de análise de narrativa.
- 44:44Então, por exemplo, a arma de Tchekov.
- 44:47O que é a arma de Tchekov? A arma de Tchekov é uma boa
- 44:50prática na construção de roteiro.
- 44:53Ele diz que se apareceu determinada arma... em
- 44:57determinado momento da narrativa, da história, aquela
- 45:01arma deve aparecer novamente em algum momento.
- 45:04Se você botou a arma de Chekhov, uma arma, e ela não aparece no
- 45:08futuro, ali houve um erro de roteiro de forma geral.
- 45:11É assim que se pensa nessas escolas de roteiro, nessas
- 45:16visões sobre o que é, o que são boas práticas de roteiro.
- 45:19A mesma coisa a gente pode dizer para antecipação.
- 45:23Um grande evento ou um evento relevante...
- 45:25É bom que ele seja antecipado... Que ele apareça anteriormente...
- 45:30Na narrativa... E fica mais fácil você mexer
- 45:33isso... Quando você tem ali uma
- 45:35estrutura... Mais enxuta, mais simples...
- 45:37A narrativa emergente acaba... Errando menos essas coisas...
- 45:41Do que uma narrativa... Com uma ficção muito rica...
- 45:45Que é o que o jogo do AD&D... Esse tipo de jogo traz...
- 45:50Um exemplo disso... é você pensar uma magia que para ser
- 45:53estudada precisa de muito tempo e quando você tem essa magia de
- 45:57muito tempo precisando ser gasto para ela ser estudada, ela cria
- 46:02de repente às vezes ali uma barriga no jogo é mais estranho
- 46:06você utilizar essas pausas e essas coisas que fazem sentido
- 46:10para o jogo e para o mundo que está sendo jogado ali E não
- 46:14necessariamente faz sentido para um jogo de história que você
- 46:17quer pular essa parte. Ou que de repente você quer usar
- 46:20isso de uma forma funcional. Mas você começa a ter vários
- 46:23elementos ficcionais que não vão ser usados num roteiro, numa
- 46:26contação de história. Então fica mais fácil contar uma
- 46:28história se você pega uma estrutura mais enxuta como a
- 46:31aventura do D&D BX. Então a gente pode dizer... que
- 46:34claramente se acopla mais fácil uma vontade de jogar aventuras
- 46:39interconectadas no D&D BX, enquanto uma campanha, o foco na
- 46:43campanha, cabe mais facilmente no AD&D.
- 46:46E eu estou falando assim numa visão mais geral, tradicional
- 46:50mesmo do jogo. Isso aponta para que campanhas
- 46:55de jogo não tenham, de repente, esse sentido de história.
- 46:59É diferente dessas pequenas aventuras, porque é mais difícil
- 47:04trazer esse sentido de história. Sim, ele morreu.
- 47:11Mas este é o irmão gêmeo dele. Sim.
- 47:24Mas a gente vai ver na história do RPG que vários jogos se
- 47:26preocupam em trazer a campanha no sentido da história mesmo, no
- 47:31sentido da saga, por exemplo. E aí a gente vai ver jogos como
- 47:35Ars Magica ou Pendragon que começam a trabalhar a campanha
- 47:41como uma coleção de histórias, com visão de estabelecer
- 47:46história. E nesse caso a gente tem sagas
- 47:49estruturadas, a gente tem ali uma vontade de estruturar sagas
- 47:54de jogo. E aí isso passa muito por um
- 47:57sandbox, que eu acho que seria uma descrição muito boa para Ars
- 48:01Magica e Pendragon, seria justamente a saga no contexto
- 48:04sandbox, sem aventuras muito claras, mas com episódios mais
- 48:09soltos ali. muitas histórias paralelas muitos personagens
- 48:14diferentes não necessariamente personagens que são muito
- 48:18claramente protagonistas ainda que se trabalhe com protagonismo
- 48:21você vai trabalhar com vários protagonistas e não com um
- 48:24protagonista que é o normal numa história né E aí a gente tem aí
- 48:28alguma estrutura, né? A gente constrói alguma
- 48:32estrutura por meio do setup do jogo, né?
- 48:34Quando a gente cria as mágicas, a gente começa a jogar as
- 48:37mágicas, a gente cria o nosso concílio.
- 48:39A gente cria a torre de magos, a gente entende quais conflitos a
- 48:43gente vai enfrentar ao longo da história dessa torre.
- 48:45É a mesma coisa pra cada personagem. mais importante,
- 48:49eles vão ter mais elementos ficcionais que a gente vai
- 48:52trabalhar, mais elementos narrativos, e os menos
- 48:54importantes, os quadruvantes, eles têm menos elementos
- 48:57narrativos que a gente trabalha, mas é um setup que a gente faz
- 49:00para largar essa história rodando a partir disso.
- 49:03Então seria um sandbox a partir de uma estrutura narrativa que a
- 49:07gente constrói o setup. Então isso seria mais próximo de
- 49:12uma simulação direcionada para uma narrativa, fundada numa
- 49:18profusão de pequenas histórias que levam um impulso.
- 49:24A gente tem ali esse setup impulsionando uma narrativa de
- 49:29pequenas histórias. E aí a gente passa a modelar a
- 49:33saga em si. Os personagens vindo mais na
- 49:36emergência, a partir desse setup, essa saga vai
- 49:39acontecendo. É um jogo feito para campanha de
- 49:41anos e anos. Tanto o Pendragon quanto as
- 49:43mágicas são bons exemplos disso. E a gente pode dizer que esses
- 49:48jogos, claramente, eles ganham profundidade eles ganham sentido
- 49:53justamente na campanha, eles ganham justamente sentido no
- 49:57decorrer dos anos até. Eu posso dizer que eu passei a
- 50:02entender as mágicas realmente como jogo depois de jogar pelo
- 50:06menos um ano dele. Até mais, na verdade, foi quando
- 50:09o concílio se estabeleceu com mais clareza, antes o concílio
- 50:13estava se formando, É só a partir de algum tempo de
- 50:16concílio já estabelecido que eu entendi de fato o que era o jogo
- 50:20proposto pelo Ars Magica. Provavelmente Pendragon é assim
- 50:24também, eu não cheguei a jogar uma campanha de Pendragon.
- 50:27Mas provavelmente pelo que eu vi do livro, do jogo, é mais ou
- 50:30menos isso também. E aí isso já pode contrastar um
- 50:35pouco com essa ideia que a gente tem mais modernamente em jogos
- 50:38como Pathfinder, D&D e Cthulhu, que são os story paths, ou as
- 50:45aventuras modernas que a gente tem pra Cthulhu e pra D&D.
- 50:48E eles não são propriamente campanhas.
- 50:50Eu custo a entender os story paths do Pathfinder.
- 50:56Nem todos, né? A gente tem o Kingmaker que puxa
- 50:58muito pra campanha. Mas eu encaro de forma geral
- 51:01esses story paths, as aventuras modernas de D&D, de cultura, não
- 51:05como campanhas, mas aventuras. Elas estão mais para aventura,
- 51:09né? Porque elas cumprem um papel
- 51:11narrativo e o papel narrativo que eles cumprem é de um arco
- 51:14narrativo geral. Então, classificando por
- 51:17estrutura, eu diria que não são campanhas, eles são aventuras,
- 51:23né? Se a gente pegar um story path
- 51:26aí de Pathfinder, né? Eu acho que dá mais ou menos pra
- 51:31cumprir ele em um ano. Ali jogando toda semana, dá pra
- 51:35cumprir ele, dá pra percorrer ele inteiro em um ano, até menos
- 51:37até. Então, são grandes aventuras,
- 51:42né? E que elas entregam esse épico,
- 51:45né? Eles entregam uma história, né?
- 51:47O objetivo deles é esse. Eles fazem esse épico...
- 51:51direcionando o jogo através de encontros, através de cenas.
- 51:55Eles botam ali uma estrutura semi-modular, que é quase uma
- 52:02coisa meio railroad, com algumas opções, não é exatamente um
- 52:05railroad, mas tem sua linearidade, tem sua
- 52:08modularidade nesses episódios, nessas aventuras que ocorrem
- 52:13ali. mas são pequenas aventuras, capítulos se você quiser
- 52:18classificar por tempo ali, seriam capítulos ali, mas de
- 52:23forma geral elas cumprem um épico que se acopla muito à
- 52:26aventura, assim como uma aventura de DCC, então eu vejo
- 52:29muita... Muita identidade ali num
- 52:32conjunto de aventuras de DCC. Estaria mais ou menos para o que
- 52:36seria o story path do Pathfinder.
- 52:39Sendo que o Pathfinder é um pouco mais estruturado nas suas
- 52:42aventuras. Assim como o D&D.
- 52:43Você vai pegar o Curse of Strahd.
- 52:45Ele não chega a ser uma campanha.
- 52:47Dá para ver uma aventura ali falando em termos de estrutura
- 52:49narrativa. Então eu entendo dessa forma
- 52:53esses story paths. Já o escopo de jogo pra story
- 52:59games, por exemplo, me parece que quando você entende que você
- 53:03quer contar uma história e você constrói o seu jogo pra isso, a
- 53:09gente pode dizer que essa abordagem de contar história em
- 53:14D&D, ela esteja mais em conformidade com qualquer tipo
- 53:20de narrativa que vá sair dos fatos ficcionais jogados.
- 53:23Os fatos não são vivenciados pensando em como essa
- 53:30perspectiva vai ser no final. Ou seja, você não pensa na
- 53:34história final quando você está jogando D&D clássico ou D&D
- 53:39moderno mesmo. Você não fica pensando, será que
- 53:40isso vai ficar bom para a história?
- 53:42Não, você quer superar o desafio que está proposto ali e você até
- 53:45tem Alguns momentos que você pensa em como ficaria melhor
- 53:48para a história, mas o jogo é pautado no desafio mesmo, até na
- 53:52performance que você tem ali, em termos de como você vai superar
- 53:56aqueles encontros que estão planejados ali.
- 54:00Já no jogo Story Game, ele tira isso de lado e ele fala, não, o
- 54:04que eu vou... ludificar, o que eu vou transformar em jogo, não
- 54:09é o desafio, não é nada, a narrativa vai ser construída
- 54:13pelos jogadores enquanto jogam, e não no momento posterior, como
- 54:16acontece no D&D. Então eles ludificam a própria
- 54:20contação de história. Tem um episódio anterior que eu
- 54:23falo sobre isso aqui no Café com Dungeon, que eu falo que nem
- 54:26todo jogo é um jogo de contar história, mas os story games,
- 54:29eles se especializam nisso. O fiasco é o exemplo que eu
- 54:32sempre dou. Ele funciona, inclusive, numa
- 54:36estrutura de one-shot. A sessão do fiasco é encapsulada
- 54:41em duas horas de jogo. Ele tem início, meio e fim e a
- 54:44narrativa se comprime ali. Ele faz um setup dos elementos
- 54:49narrativos, inclusive ali você vai ter itens que vão aparecer
- 54:54no jogo, eles vão ser puxados, como na tradição da arma de
- 54:56Chekhov. Você tem fatos ali que, de certa
- 54:59forma, vão ser antecipados pela estrutura própria que o jogo
- 55:03propõe. Ele propõe a criação conjunta
- 55:06dos jogadores ali no fluxo narrativo, não tem mestre,
- 55:09inclusive. Isso inclui essas boas técnicas
- 55:11de roteiro ali, bem solidificadas no jogo, na
- 55:14proposta lúdica, inclusive com pontos de virada e resolução.
- 55:19desfecho da narrativa então isso é muito interessante a gente vê
- 55:24que esse tipo de jogo ele muitas vezes puxa pra também como eu
- 55:30falei ali do DCC e tudo mais, das aventuras do DCC o story
- 55:35game ele puxa pra aventura também e não pra campanha e a
- 55:39aventura muitas vezes como o fiasco ou outros jogos como
- 55:42Don't Rest Your Head, etc eles puxam não somente pra aventura
- 55:45mas pra aventura one shot ou seja, aventura de uma sessão
- 55:50muito diferente do jogo de porão.
- 55:52O jogo de porão busca sessões episódicas que são one shots,
- 55:57mas elas estão no mesmo plano de fundo.
- 56:01Elas têm início, meio e fim, mas você pode ter várias delas com
- 56:05os mesmos personagens. Então a aventura acontece numa
- 56:09sessão só, mas são várias aventuras compondo ali uma
- 56:13grande campanha. E a gente pode perceber até
- 56:16certos arcos, que são aventuras que acabam dividindo mais ou
- 56:22menos o mesmo tema, o mesmo desafio.
- 56:24Por exemplo, em B.R. Gotham, que a gente tem agora,
- 56:27atualmente rolando, vários grupos que estão tentando, de
- 56:31alguma forma... é resolver um problema que aconteceu na
- 56:35Floresta do Cazulo. Eles mataram uma grande aranha,
- 56:39viúva negra imensa que tinha lá. Acabaram com ela, com as teias e
- 56:44com os seus filhotes e tudo mais.
- 56:47E aquilo ali agora tá dando um problema, parece que aquilo ali
- 56:50despertou um titã vazio e ele tá sugando de alguma forma as
- 56:55árvores da floresta e aquilo ali tá piorando.
- 56:57Então a gente pode dizer que todas as aventuras de vários
- 57:01times diferentes, vários grupos diferentes, vários personagens
- 57:03diferentes... que investigaram a região, que foram montando esse
- 57:07quebra-cabeça até o momento que algum grupo foi lá e pôde, de
- 57:12certa forma, de forma mais aguda, enfrentar ali aquela
- 57:16dungeon do Titã vazio, etc. Isso tudo é um arco, mas a gente
- 57:21só vê esse arco depois. Durante o jogo, a gente só vai
- 57:24entendendo... O mesmo desafio, a gente vai só
- 57:27comungando do mesmo desafio. E o jogo de porão passa muito
- 57:31por isso. Então a gente pode até dizer que
- 57:33esse arco que a gente percebe é uma mini campanha ali dentro,
- 57:39dentro dessa campanha de jogo de porão.
- 57:42Mas tudo compondo essa campanha maior que é o pano de fundo do
- 57:45mundo de Bergotem. Pelo menos aquele pedaço de
- 57:48mundo de Bergotem. Então esses jogos de porão
- 57:52tendem a sagas, talvez, com muitos jogadores, muitos times
- 57:56diferentes, muitos grupos que não seriamente conversam entre
- 58:01si, mas dividem o mesmo plano de fundo.
- 58:04Isso tudo para quê? A gente está buscando várias
- 58:06classificações e usando essas classificações para entender
- 58:10determinadas culturas de jogo para chegar numa conclusão de
- 58:15que a gente não tem... Algo que é melhor.
- 58:18É melhor jogar campanha? É melhor jogar aventura?
- 58:23É melhor jogar one-shot? É melhor jogar mesa de porão?
- 58:29O que é melhor ali? Eu acho que campanha é melhor
- 58:33para determinado tipo de jogo. Tem jogo que pede campanha, como
- 58:37AD&D. tem jogo que não pede campanha necessariamente, e que
- 58:42se você começar a jogar aquele jogo como campanha, você vai
- 58:44precisar de mais carne, que é o caso do D&D BX. tem jogo que não
- 58:50tem carne suficiente pra campanha e tudo bem como a gente
- 58:54vai ver aí em alguns jogos como o DCC, ele não tem uma carne pra
- 58:59uma grande campanha ele não traz kit de campanha mas ele traz
- 59:03belas aventuras que você pode amarrar entre si pra formar ali
- 59:06uma campanha de alguma forma mas o foco dele é a aventura por
- 59:11isso que ele brilha nos eventos porque os módulos dele são
- 59:14excelentes E aí, dentro disso aí, você vai entender até...
- 59:21Será que o meu grupo tem compromisso pra jogar uma
- 59:24campanha? Ou será que é melhor a gente ir
- 59:26de aventura em aventura? Porque se a gente parar na
- 59:28terceira aventura, tá tudo bem. Ou será que a gente não tem
- 59:32compromisso? A gente tá começando com pessoas
- 59:34agora... que vão começar a jogar o jogo agora e de repente
- 59:37funciona um fiasco de duas horas com elas e vai funcionar
- 59:40lindamente. Qual a finalidade do teu jogo?
- 59:44Será que vale a pena você investir numa campanha?
- 59:49Às vezes a gente está afim de um party game.
- 59:51O RPG tem os seus party games, tem os seus jogos de panfleto
- 59:54que se encerram em pouco tempo. Às vezes o nosso objetivo é mais
- 59:58socializar ali com aquelas pessoas do que jogar uma
- 1:00:01campanha de anos e anos. Às vezes a gente está querendo
- 1:00:04flanar por títulos diferentes, por jogos diferentes, por várias
- 1:00:09propostas, eu mesmo vivo fazendo isso.
- 1:00:12Às vezes eu deixo de lado a minha obsessão momentânea e vou
- 1:00:16jogar jogos diferentes e conhecer jogos diferentes, o que
- 1:00:19é muito importante. E quando você tá com essa vibe,
- 1:00:24é melhor você jogar ali o one shot, ou de repente você jogar
- 1:00:27aventuras ali de três, quatro sessões, cinco sessões, mas não
- 1:00:31passar muito daí pra você poder conhecer vários jogos.
- 1:00:36Às vezes, por outro lado, o grupo tá querendo contar uma
- 1:00:38história em conjunto. E aí, o que é melhor?
- 1:00:41Será que é melhor você pensar... num app, pegar um Adventure Path
- 1:00:48de Pathfinder, ou pegar uma campanha, uma aventura de D&D,
- 1:00:52um Strad, um Curse of Strad, o que é melhor nesse momento,
- 1:00:57quando você está querendo criar uma história?
- 1:00:59Será que se criar a história é uma coisa mais... jogar uma
- 1:01:03criação de história, aí pode ser fiasco, e às vezes duas horas
- 1:01:07resolvem. Mas se você quer vivenciar um
- 1:01:09mundo e seus perigos, provavelmente uma campanha tem
- 1:01:12mais a sua cara. Ou algum jogo que tenta emular
- 1:01:15ali a experiência de uma campanha numa sessão mais curta.
- 1:01:19Ou em experiências mais curtas. A gente pode dar um exemplo.
- 1:01:23Em vez de você jogar uma campanha de anos... de Rune
- 1:01:26Cyclopedia você pode de repente pegar Freebooters on the
- 1:01:28Frontier que traz ali pro Dungeon World uma experiência
- 1:01:32mais curta de jogo mas que traz aí um pedaço dessa experiência
- 1:01:36que você pode jogar com a D&D de uma campanha longeva pra caramba
- 1:01:41E, bom, às vezes não é nem isso. Às vezes você está só querendo
- 1:01:45criar vínculos criativos e longevos com seus amigos e aí um
- 1:01:49jogo de porão também resolve ou uma campanha longeva também
- 1:01:52resolve. O fato é que você parar para
- 1:01:56pensar o que você quer pode ajudar você a entender como você
- 1:02:02vai estruturar ali o seu jogo ao longo do tempo ou ao longo das
- 1:02:06estruturas que você quer trazer para o seu jogo, seja numa
- 1:02:08campanha, ou seja num épico, ou seja numa saga, como eu falei
- 1:02:12ali nos escopos maiores, ou seja numa sessão, one shot, ou em
- 1:02:18aventuras de mais sessões que se interliguem entre si, ou que uma
- 1:02:23aventura mais longa com mais sessões que vai resolver uma
- 1:02:27linha narrativa só, um arco narrativo só e tá bom, ou
- 1:02:30unshots com experiências mais pontuais.
- 1:02:33Vale a pena pensar nisso e vale a pena pensar em como você vai
- 1:02:36jogar o seu próximo jogo. No mais, é muito importante às
- 1:02:40vezes até a gente pensar que certos jogos não são feitos até
- 1:02:44para determinadas experiências. Não tem como você jogar uma
- 1:02:47sessão ou três sessões de AD&D e achar que você entendeu o jogo.
- 1:02:53O AD&D tem estrutura o suficiente para se alargar ao
- 1:02:56longo do tempo, você precisa de tempo para curtir o AD&D.
- 1:03:00Ele é de uma outra época, em que os jogos demoravam mais, eles
- 1:03:02tinham a ânsia da campanha. Vários insights sobre AD&D e
- 1:03:10sobre o AD&D clássico eu só passei a ter quando eu passei a
- 1:03:14jogar jogo de porão ao longo de anos a fio. várias decisões de
- 1:03:20design foram tomadas com esse intuito e se você nunca jogou
- 1:03:23dessa forma você nunca vai entender Você pode até fazer um
- 1:03:27esforço, pode até entender através da experiência de
- 1:03:29outros. Mas você mesmo, sem ter
- 1:03:32experiência, é difícil você vivenciar aquilo.
- 1:03:37Então, vale a pena a gente ter essa ideia em perspectiva quando
- 1:03:43a gente está pensando em entender melhor um jogo.
- 1:03:47Essa é uma lente que a gente pode usar.
- 1:03:50Aliás, essas são lentes que a gente pode usar.
- 1:03:53No mais, muito obrigado você que ficou ouvindo a gente até agora.
- 1:03:56Vou deixar uma enquete pra você, uma pergunta na enquete, né?
- 1:04:00Você é de campanha, de aventura ou é de one shot?
- 1:04:04Responde aí pra gente, né? E, por extenso, pode deixar pra
- 1:04:08gente aí qual foi a experiência mais longeva de RPG que você
- 1:04:12teve. Qual foi o sistema, qual foi o
- 1:04:14jogo, como é que funcionou? Conta aí pra gente.
- 1:04:17No mais, vou deixar os links citados no episódio aí, o
- 1:04:20Elusive Shift do John Patterson, que fala aí da gênese do D&D e
- 1:04:25de como a vontade de contar história e de jogar as coisas
- 1:04:30para outros modelos veio mudando ao longo do tempo do RPG. ao
- 1:04:36longo da história do RPG, então cola aí Elusive Shift, é um
- 1:04:38livraço. E deixar também o link pro A
- 1:04:41Tale of Two Sandboxes, do Mythic Mountain Musings, que é o blog,
- 1:04:46o substack, na verdade, que eu citei, que foi compartilhado
- 1:04:50pelo Grilo lá no RPG Dojo. Então vou deixar o link pra
- 1:04:53vocês também. Tem o link do próprio RPG Dojo,
- 1:04:57desse ciclo atual de mistérios pra você seguir.
- 1:05:00E tem também o link de Biergotten, caso você queira
- 1:05:03jogar com a gente, a nossa mesa de porão, nossa campanha aberta.
- 1:05:07É de graça, é só chegar. Beleza?
- 1:05:09No mais, apoia o Café com Dungeon.
- 1:05:11Vai lá em apoia.se barra Café com Dungeon.
- 1:05:14Se você quer... o Café com Dungeon volte a ter cinco
- 1:05:17episódios semanais, a gente agora já vai voltar a ter dois,
- 1:05:20então tá mais próximo de ter cinco episódios, já pensou
- 1:05:23nisso? Então ajuda aí, considera apoiar
- 1:05:25o projeto em sua expansão, apoia.se barra Café com Dungeon.
- 1:05:29Se você gostou especificamente do Café com Dungeon de hoje,
- 1:05:32deixa pra gente uma gorjeta, manda o seu pix de qualquer
- 1:05:35valor aí pra cafécomdungeon arroba gmail.com, a gente conta
- 1:05:38com você. Se você tem uma empresa ou uma
- 1:05:41marca e quer ter o dia da semana financiado do Café com Dungeon,
- 1:05:46assim como o RPG Dojo está fazendo, você pode financiar um
- 1:05:50episódio semanal nosso e fazer a alegria da massa RPGista.
- 1:05:52Então pode consultar a gente em cafécomdungeon.com e a gente tem
- 1:05:55uma proposta especial para você. Você pode consultar a gente
- 1:05:58também sobre parcerias e anúncios.
- 1:06:00A gente trabalha com marca de RPG e também com...
- 1:06:03De outros ramos aí, como café, jogos, tecnologia, mídia.
- 1:06:06Então, manda um e-mail pra gente.
- 1:06:08Quer colaborar? A mesma coisa. cafécomdungeon
- 1:06:11arroba gmail.com. Agradecendo a galera que torna
- 1:06:13possível essa aventura lá no Apoia-se.
- 1:06:15Então, obrigado aí ao pessoal que apoia no nível incentivo,
- 1:06:19inclusive o Lúcio Pimentel. Valeu, Lúcio.
- 1:06:23Valeu demais ao pessoal do nível de apoio comunidade, incluindo o
- 1:06:26Pedro Sloboda Jorge, o Leonardo Paixão e o Renan Critelli.
- 1:06:31Muito obrigado. Um salve especial para os
- 1:06:33assinantes do nível RPG Dojo, entre eles Denis Oliveira, Vitor
- 1:06:37Hugo Martins, Rafael Garotti, Marcos Alves Gonçalves Jr. e o
- 1:06:41Pedro Oliveira Obliziner. Um abraço aos membros do
- 1:06:45treinamento Oil Fantasy, então aí, Abílio Júnior, César
- 1:06:48Machado, Daniel Aydar, Diego Sextito, Douglas Baense, Léo
- 1:06:51Gasparotto, Matheus Piqueira, Rafael Bardal, Bruno Cobb, João
- 1:06:54Burlamaque e Gui Providello. E um imenso agradecimento, um
- 1:07:00abraço apertado ao grande psiquiatra, psiquiatra, não,
- 1:07:04desculpa, psicólogo aí, Thiago Augusto, que me linkou
- 1:07:09recentemente algumas matérias interessantes, alguns artigos
- 1:07:13interessantíssimos sobre autismo e RPG.
- 1:07:16Valeuzaço pelos links, Thiago. Grande abraço.
- 1:07:20Bom, é isso. Abraço e até a próxima, galera.
- 1:07:58Socorro! Alguém me ajuda?
- 1:08:02Eu só vim jogar uma one shot, eu tô há anos editando um podcast
- 1:08:07de RPG.