Latest / TIC, Educação e Web / A explosão universitária esconde uma crise profunda
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- 0:00Bem, nos últimos 24 anos, o número de estudantes
- 0:03universitários a nível global não sofreu apenas um mero
- 0:06crescimento, sofreu uma explosão absoluta.
- 0:09Uma explosão, sem dúvida. Pois é, passámos de 100000000 de
- 0:13alunos no ano 2000 para a marca impressionante de 269000000
- 0:18agora em 2024. É o número que custa a
- 0:20processar, não? É exato.
- 0:22E quando ouvimos isto, a primeira reação é celebrar.
- 0:26Parece o triunfo definitivo da educação global, claro.
- 0:29A prova de que finalmente democratizamos o conhecimento,
- 0:33mas a nossa análise detalhada de hoje obriga nos a olhar para lá
- 0:37desse entusiasmo superficial. Pois usamos como base o
- 0:40relatório inaugural de 2020 6 da unesco, o informe mundial sobre
- 0:45tendências da educação superior e temos connosco dados massivos
- 0:49do Observatório de políticas de educação superior.
- 0:52Dados que cobrem 146 países, convém sublinhar.
- 0:55Exatamente. E a verdade é que este número
- 0:58gigantesco, os 269000000, esconde um sistema profundamente
- 1:03fraturado. Bem, os 269000000 dão, no fundo,
- 1:06uma falsa sensação de segurança. Quer dizer, o ensino superior
- 1:11chegou a um ponto de viragem crítico.
- 1:14Ao espreitarmos para debaixo do capô deste motor de crescimento,
- 1:18deparamo nos com uma crise estrutural silenciosa.
- 1:21Uma crise que os números escondem, lá está.
- 1:23Nem mais. Há fossos gigantescos na
- 1:25equidade de acesso, modelos de financiamento completamente
- 1:29esgotados e uma recolha de dados tão deficiente que muitos
- 1:33governos estão a operar às cegas.
- 1:35Operam sem saber em quem está a ficar irremediavelmente para
- 1:38trás. É precisamente isso.
- 1:40Então, o nosso objetivo nesta exploração é pegar nesse caos de
- 1:46dados e extrair o que realmente importa.
- 1:49Para quem procura estar bem informado, temos de perceber, se
- 1:52matricular o dobro das pessoas significa realmente oferecer o
- 1:56dobro das oportunidades. Essa é a grande questão.
- 1:59Vamos começar por olhar para a Geografia desta explosão, porque
- 2:03a tirar o número de 269000000 para o ar esconde uma realidade.
- 2:08Pois esconde o. Crescimento não está a acontecer
- 2:10em todo o lado ao mesmo tempo. Longe disso, longe disso.
- 2:13A estatística oficial diz nos que a taxa bruta de inscrição
- 2:16global ronda os 43%. Isto engloba licenciaturas e
- 2:20também cursos curtos, certo? A questão é que uma média global
- 2:25não serve de muito quando as disparidades regionais são tão.
- 2:27Extremas, porque mascaram os extremos.
- 2:29Exato. Se olharmos para a Europa e para
- 2:31a América do norte, estamos a falar de taxas a bater nos 80%.
- 2:35O acesso é praticamente a norma. Uau, 80%.
- 2:39Pois mas quando movemos a agulha para a África, subsariana essa
- 2:43taxa de espenhas por uns meros de 9%.
- 2:46OK, vamos lá desconstruir isto é como se tivessem aberto as
- 2:51portas de um estádio gigante para um concerto gratuito.
- 2:55Boa analogia. Parece que toda a gente
- 2:56conseguiu entrar e a festa está cheia, mas quando olhamos com
- 3:00atenção, a secção vip está reservada para os mesmos
- 3:03continentes de sempre. Lá está, enquanto a grande
- 3:06maioria da população mundial está lá fora a tentar espreitar
- 3:09por cima do muro. É uma imagem muito precisa.
- 3:11E o que me faz confusão nesta estatística é o contraste.
- 3:14África subsariana tem apenas 9% de taxa de inscrição, mas o
- 3:18relatório sublinha que foi à região com o maior aumento
- 3:21absoluto na última década. SIM, 1 Salto de 62%.
- 3:25A Sério, o que é que está a alimentar esta pressão brutal de
- 3:29entrada? Bem, é uma tempestade perfeita.
- 3:31No fundo, uma mistura de demografia e de políticas de
- 3:35base. A África subsariana está a
- 3:37passar por um boom de população jovem que é gigantesco
- 3:42historicamente. O estrangulamento acontecia logo
- 3:44no ensino secundário, mas nas últimas 2 décadas houve um
- 3:48esforço enorme para universalizar o secundário por
- 3:50lá. Então essa onda de jovens acabou
- 3:53o secundário e agora bata à porta das universidades.
- 3:57Nem mais. E num contexto em que o ensino
- 3:59superior foi, durante décadas, um privilégio ultra restrito,
- 4:04conseguir um diploma hoje não é visto apenas como prestígio.
- 4:07É sobrevivência. Exatamente para as famílias, é
- 4:10um bilhete de sobrevivência económica.
- 4:12E para os governos locais, expandir o ensino superior é a
- 4:16única forma de criar uma base fiscal sustentável.
- 4:18Uma classe média funcional. Precisamente.
- 4:21Espera mas se a demografia está a empurrar a África subsariana
- 4:24para números recorde, o que está a acontecer na Europa central e
- 4:28de leste? Há aí um contraste interessante.
- 4:31Pois porque os dados mostram um declínio de 12% no número de
- 4:35estudantes inscritos lá na última década, as pessoas
- 4:38deixaram de ver valor nas universidades por lá.
- 4:40Não, na verdade. É pura matemática populacional.
- 4:44Ah, não? Tem a ver com o abandono?
- 4:45Não, a contração não tem a ver com perda de interesse ou
- 4:48abandono de políticas de acesso. Simplesmente, há muito menos
- 4:52jovens a nascer e a chegar à idade universitária nessas
- 4:54regiões. A base da pirâmide encolheu.
- 4:57Encolheu imenso. Isto mostra, de forma implacável
- 5:00como a demografia dita as regras do jogo, a massificação do
- 5:04ensino pode estagnar ou retroceder.
- 5:06Unicamente porque não há pessoas físicas suficientes para encher
- 5:09as salas. Isso obriga nos a olhar não só
- 5:11para onde estão estes novos alunos, mas para quem eles são.
- 5:15Sem dúvida. Porque a mudança demográfica
- 5:17dentro das próprias universidades é drástica,
- 5:20especialmente no que toca à presença feminina.
- 5:23O relatório da unesco usa os níveis da classificação
- 5:26Internacional tipo da educação para medir isto.
- 5:28Os chamados níveis sim, nem. Exato, e nos primeiros degraus,
- 5:31as mulheres estão claramente a dominar.
- 5:34No nível 6, que corresponde às licenciaturas, representam 52%.
- 5:38E a subir? Pois é.
- 5:39No nível 7, os mestrados sobem para os 55% e até a taxa de
- 5:45graduação. Ou seja, quem efetivamente
- 5:47termina o curso com sucesso é superior nelas, sim. 30% contra
- 5:5227% nos homens. Lá está à primeira vista, a
- 5:55narrativa óbvia é de que a corrida da educação foi ganha
- 5:58pelas mulheres. O que é fascinante aqui é como
- 6:01as aparências iludem quando não olhamos para a estrutura,
- 6:04completa. Pois há sempre um mês.
- 6:07Há um mais gigante. É inegável que a entrada massiva
- 6:10de mulheres nos ciclos iniciais é um dos maiores êxitos das
- 6:14últimas décadas, mas esse domínio bate num teto de vidro
- 6:18muito espesso. Onde é que isso acontece?
- 6:20Quando avançamos para o nível Cine 8, que representa os
- 6:23doutoramentos e o topo da investigação académica, aí as
- 6:27mulheres sofrem uma queda abrupta e passam a ser minoria.
- 6:31Baixam para os 47. Por cento exatamente fixam se
- 6:34nos 47%. Isso é uma ironia incrivelmente
- 6:37amarga. Quer dizer, o sistema acolhe as
- 6:40nos níveis de consumo de conhecimento, mas quando chega à
- 6:44fase de efetivamente produzir conhecimento novo?
- 6:48Elas começam a desaparecer das estatísticas, porque é que O
- 6:51Mecanismo falha precisamente no topo.
- 6:54Bem, porque um doutoramento exige dinâmicas muito diferentes
- 6:57de uma licenciatura? Como assim?
- 6:59Nas licenciaturas, o percurso é estruturado, assiste, se aulas,
- 7:02fazem, se exames, tira, se a nota tudo muito linear.
- 7:05Certo. Mas, no nível de doutoramento, a
- 7:08progressão passa a depender enormemente de redes de
- 7:11contactos, da escolha de mentores, da inserção em grupos
- 7:15e do acesso ao financiamento. Ah.
- 7:18A velha rede de conhecimentos. Pois é, e esses círculos de
- 7:22poder académico são historicamente muito informais e
- 7:25dominados por homens. Criam se ali, Barreiras
- 7:27invisíveis. E presumo que a maternidade
- 7:30também jogue um papel. Aí, sem dúvida, a exigência de
- 7:33dedicação exclusiva nesta fase coincide frequentemente com
- 7:37pressões sociais sobre a maternidade e as instituições
- 7:40não oferecem os apoios necessários para equilibrar a
- 7:42balança. O que resulta na perda de
- 7:45perspetivas diversas na inovação.
- 7:48E mais uma vez, a Geografia vem embaralhar os dados, não é?
- 7:52A África subsariana volta a ser A Exceção.
- 7:55É verdade, é a única região onde os homens ainda superam as
- 7:58mulheres em número de matrículas gerais.
- 8:00Mas o ritmo de mudança lá é frenético.
- 8:03O crescimento feminino foi de 78% na última década.
- 8:07É um Salto gigante. Exatamente em forte contraste
- 8:10com a América Latina e o Caribe, onde a presença feminina atinge
- 8:14os 58% do total. Uma liderança esmagadora.
- 8:17Sim, fica muito claro que quem se senta na sala de aula é um
- 8:21reflexo direto do momento cultural de cada região.
- 8:24Bem, falamos muito sobre quem entra na sala de aula, mas
- 8:28matricular 269000000 de pessoas é uma coisa.
- 8:32Garantir que saem de lá com um diploma na mão é outra
- 8:35completamente diferente. Completamente diferente a.
- 8:38Diferença entre o acesso e o sucesso é abismal.
- 8:42A taxa bruta de graduação global subiu apenas uns modestos 5%.
- 8:47Passou de 22% para 27% em 10 anos.
- 8:50É muito pouco. Pacos 27% dá a sensação de que
- 8:54os sistemas de ensino superior estão a operar como aqueles
- 8:57ginásios em janeiro, repara? Essa é boa, como assim?
- 9:01Fazem grandes campanhas, inscrevem toda a gente, vendem o
- 9:05entusiasmo no primeiro dia. Mas depois, não há um único
- 9:09treinador no pavilhão para ajudar as pessoas a levantarem
- 9:12os pesos. E as pessoas desistem.
- 9:13Exato, a esmagadora maioria acaba por desistir
- 9:16silenciosamente de lá para março.
- 9:18A metáfora do ginásio traduz na perfeição a ineficiência.
- 9:22Sistémica que o relatório denuncia porque repara.
- 9:25Para um governo, abrir vagas é uma medida política barata e com
- 9:29grande retorno de imagem. Fica bem no cartaz eleitoral.
- 9:32Fica ótimo. Os dados confirmam isso, 84% dos
- 9:36planos nacionais definem o promover o acesso como a sua
- 9:39prioridade máxima. Mas abrir a porta não garante a
- 9:42permanência. Claro que não, apenas 16% dos
- 9:45países possuem leis de cotas efetivas ou mecanismos de
- 9:48integração profundos. E o resto?
- 9:50O resto apoia se em iniciativas pontuais.
- 9:53Coisas periféricas que secam rapidamente após a primeira
- 9:56semana de aulas. E o estudante fica entregue a si
- 9:58mesmo. Quero dizer, se não conseguir
- 10:00pagar a renda do quarto, se tiver que trabalhar por turnos
- 10:03ou se a saúde mental ceder sob a pressão, o.
- 10:06Sistema simplesmente encolhe os ombros, é?
- 10:08Assustador. A consequência direta é o
- 10:10abandono ou o prolongamento infinito do.
- 10:15Curso, porque é um desperdício colossal quando os países
- 10:18abraçam a massificação sem criar estruturas de suporte.
- 10:21Estão literalmente a deitar recursos públicos ao lixo.
- 10:24Para não falar das poupanças das famílias que vão à vida.
- 10:28Sem dúvida, o relatório é categórico a afirmar que
- 10:31precisamos de deixar de olhar para o ensino superior como uma
- 10:34fotografia do primeiro dia e outra do último.
- 10:36É preciso filmar o processo. Filmar as interrupções, as
- 10:40transferências? Exato.
- 10:41Sem dados sobre retenção, as universidades não conseguem
- 10:44diagnosticar onde estão a falhar e porquê.
- 10:47E a ironia disto tudo é que quem consegue navegar este sistema
- 10:51sem desistir, tenta muitas vezes encontrar melhores condições
- 10:56fora do seu próprio país. A mobilidade Internacional.
- 10:59Pois há um movimento constante além Fronteiras, mas.
- 11:05Será esta internacionalização algo verdadeiramente partilhado
- 11:09ou é apenas uma autoestrada num único sentido?
- 11:13Aí é que as coisas ficam realmente interessantes.
- 11:15Ficam sim, senhora. Nós gostamos de pensar que
- 11:18vivemos num mundo hiper conectado, onde as ideias viajam
- 11:22por fibra ótica. Mas os cérebros físicos não,
- 11:24não. É exato, os jovens talentos
- 11:27continuam a ser aspirados por um número muito restrito de países
- 11:30desenvolvidos. E os dados sobre isso são.
- 11:32Impressionantes houve um aumento superior a 300% na mobilidade
- 11:37estudantil desde o ano 2000. 300%.
- 11:40Sim, culminando em 7,3 milhões de estudantes internacionais em
- 11:442023. E se ligarmos isto ao Panorama
- 11:47geral, percebemos que o fluxo do conhecimento obedece a regras de
- 11:50gravidade económica. O dinheiro puxa o talento.
- 11:53No fundo, sim, mais de metade deste total mundial, uns
- 11:56massivos 54%, acaba por ser absorvido pela Europa e pelos
- 12:00Estados Unidos. É uma transferência de talento
- 12:03tremenda do sul global para o norte global.
- 12:06Mas há um grupo específico de pessoas neste trânsito
- 12:09Internacional cujos números são muito dolorosos.
- 12:12De ler. Estás a falar das populações
- 12:13refugiadas? Sim.
- 12:15Atualmente, apenas 9% das pessoas com estatuto de
- 12:19refugiado têm acesso ao ensino superior.
- 12:21Pois. E podemos argumentar que é uma
- 12:23melhoria gigantesca em relação a 2019, que era de míseros 1%.
- 12:29Certo? Mas se a média mundial é de 43%,
- 12:32os 9% mostram que o sistema Internacional está a deixar o
- 12:36talento destas pessoas apodrecerem Campos de trânsito.
- 12:39Da verdade e repara o entrave. Muitas vezes nem é falta de
- 12:43capacidade ou vontade de estudar dessas pessoas.
- 12:46É o quê, então? O problema é burocrático e
- 12:48geopolítico, quando uma pessoa foge de um cenário de guerra.
- 12:52Raramente consegue levar consigo os certificados universitários
- 12:55autenticados. Pois ninguém vai procurar o
- 12:57diploma enquanto foge. Claro que não.
- 12:59E sem papéis, os sistemas rígidos de acolhimento
- 13:02simplesmente rejeitam nos. É por isso que uma das
- 13:04recomendações mais urgentes do relatório é a adoção do
- 13:07passaporte de qualificações da unesco.
- 13:09O. Que é isso concretamente?
- 13:11É um mecanismo desenhado para validar informalmente as
- 13:13competências de refugiados. Permite que as credenciais
- 13:16voltem a atuar como um passaporte e não como um muro
- 13:19intransponível. Faz todo o sentido o que nos
- 13:22leva o alicerce invisível de. Tudo isto?
- 13:24Sim, falamos de milhões de estudantes, dos que desistem,
- 13:28dos que viajam e do papel das mulheres, mas para que esta
- 13:32engrenagem monumental não colapse, precisamos de dados
- 13:36rigorosos e professores motivados nos bastidores.
- 13:39São 2 coisas que estão em falta. Pois o que a unesco descobriu
- 13:43nos bastidores chega a ser perturbador.
- 13:45O índice de disponibilidade de dados do relatório funciona
- 13:48quase como um exame médico aos governos e o diagnóstico é
- 13:51francamente mau. Como assim?
- 13:53Em média, os países reportam menos de metade da suas
- 13:55estatísticas vitais ao instituto de estatística da unesco.
- 13:59Menos de metade. Sim, temos regiões como a Europa
- 14:02e a América do norte com taxas de reporte na ordem dos 76%, mas
- 14:06voltando à África, subsariana. A capacidade de comunicar dados
- 14:09cai para os 27%. Mas como é que explicamos esta
- 14:12falta de dados, porque o relatório compara explicitamente
- 14:15os Estados Unidos com a Índia? É um ótimo exemplo prático.
- 14:18Nos Estados Unidos, exige com um sistema chamado iPad.
- 14:22Na Índia usam OASHA. Qual é a diferença que dita a
- 14:28qualidade da informação? A diferença, de forma muito
- 14:30crua, é a força da lei e o dinheiro a Sério, sim.
- 14:35Nos Estados Unidos, o sistema iPad não é um pedido simpático.
- 14:39É uma exigência federal rigorosa.
- 14:41Se uma universidade quer ter acesso aos valiosos fundos do
- 14:44governo, é obrigada a preencher os relatórios com rigor.
- 14:47O financiamento está preso aos dados.
- 14:50Completamente condicionado na Índia com OASHO reporte é
- 14:55amplamente voluntário. Pede se às instituições que
- 14:58enviem os números. E como o trabalho administrativo
- 15:01já é esmagador? Ninguém faz exato.
- 15:04Sem uma penalização ou incentivo financeiro, claro, a burocracia
- 15:07simplesmente ignora o pedido. Então, o que significa tudo
- 15:11isto? O que acontece na prática se não
- 15:13temos dados? O relatório aponta que a lacuna
- 15:16mais grave a nível mundial é a falta de informação sobre as
- 15:20Fontes de financiamento. É um buraco negro.
- 15:22Pois como é que é possível desenhar políticas a longo prazo
- 15:25se nem sequer sabemos de onde vem o dinheiro, quem o gasta e
- 15:29onde ele falta? Não é possível a máxima inegável
- 15:32de gestão aplica se aqui. Não se pode gerir o que não se
- 15:35pode medir, certo? Sem o mapeamento do
- 15:37financiamento. Os apoios estudantis são
- 15:40distribuídos com base em intuições políticas, não na
- 15:43necessidade real das pessoas. E este vazio reflete se, na
- 15:46forma como o sistema trata os professores, o facto de menos de
- 15:5015% dos governos colocar as condições de trabalho do pessoal
- 15:53docente como uma prioridade. É um sintoma desse mesmo
- 15:56desnorte menos de 15% é assustador.
- 15:59E essa negligência cruza se com um dado alarmante.
- 16:02E é importante dispor isto de forma factual, tal como os
- 16:05números o demonstram, mantendo total neutralidade, certo?
- 16:09A Liberdade académica a nível global regrediu para níveis que
- 16:13já não eram vistos desde os anos 70.
- 16:15E os dados? Expostos sobre este ponto,
- 16:17transcendem qualquer debate ideológico, o que a métrica
- 16:20avalia é estritamente estrutural.
- 16:22Explica lá isso para quem nos ouve.
- 16:24Avalia até que ponto investigadores e professores
- 16:26sentem segurança institucional para explorar temas polémicos?
- 16:30Publicar descobertas e desafiar o consenso.
- 16:32Tudo isso sem receio de represálias ou demissão.
- 16:35Sem medo, perderem o financiamento lá está e os
- 16:38números provam o retrocesso generalizado há meio século.
- 16:41Se a mente de quem ensina se encontra refém da precariedade,
- 16:44a qualidade do ensino será devastada.
- 16:46E não importa se temos 269000000 ou 500000000 de alunos.
- 16:50A inovação estagna na mesma. É quase uma ilusão de ótica
- 16:54gigante. Construímos a maior máquina de
- 16:56diplomas de sempre, mas estamos a poupar nos parafusos que a
- 17:00mantêm a funcionar. É uma excelente forma de resumir
- 17:03a questão. E entender este Panorama é
- 17:05crucial para qualquer pessoa que invista o seu tempo em educação.
- 17:08Ao compreender o fosso entre matricular se e a verdadeira
- 17:11qualidade do ensino, passamos a ser mais exigentes.
- 17:14Percebemos que o objetivo não é ter uma cadeira.
- 17:16Mas ter uma estrutura que suporte o sucesso até ao fim.
- 17:19Sem dúvida, essa é a grande lição do relatório.
- 17:23A massificação foi a Conquista da geração passada.
- 17:26O desafio agora é a engenharia do ecossistema.
- 17:28Integrar quem entra e apoiar quem ensina?
- 17:31Nem mais. E o próprio relatório dá nos o
- 17:33mote, porque aí vem com uma menção breve que nos deve deixar
- 17:36a pensar. Hoje falamos dos desafios
- 17:38físicos, Barreiras financeiras e imigração.
- 17:41Tudo no mundo físico. Pois, mas existe no Horizonte a
- 17:46inteligência artificial, num mundo onde, paradoxalmente, 1/3
- 17:51da população global vive sem internet.
- 17:54É um paradoxo brutal. E a reflexão provocadora que
- 17:57deixamos hoje é esta, se o ensino superior tradicional tem
- 18:02taxas de retenção baixíssimas, é caro e moroso.
- 18:07ECAIA promete democratizar o acesso ao conhecimento.
- 18:11Será que a universidade, tal como a conhecemos, caminha para
- 18:16obsolescência? Uhum uma questão de peso.
- 18:18Num futuro próximo, os diplomas poderão já não depender de
- 18:22carimbos nacionais, mas de certificações digitais
- 18:25descentralizadas. Fica o desafio para quem não se
- 18:29conforma com as respostas fáceis.
- 18:31Continuem com curiosidade, questionem as vossas Fontes de
- 18:34aprendizagem e preparem se. Ter um diploma já não É o Fim da
- 18:38linha? É apenas o princípio no mundo
- 18:41que vai mudar as regras do jogo. Continuaremos à procura de
- 18:45respostas na nossa próxima análise até lá.