Latest / Café com Dungeon / Lições de Elden Ring pro D&D #0032
Transcript
- 0:00Você corre com a sua armadura pelo meio de
- 0:03milhares de lápis amontoadas, entremeadas de
- 0:06raízes, de imensas árvores secas, que parecem ter
- 0:10falhado em tomar o espaço que a civilização hoje em
- 0:15ruínas, Poutrora, tomou. Morreram
- 0:19as árvores porque o nutriente era malduçoada.
- 0:22Logo, você alcança uma arena
- 0:25empossada com uma ilha circular feita de pedra do
- 0:31piso, bem pequenininha ali no meio, com uma estátua
- 0:36em cima dela, de um imenso cavaleiro, colocado bem ao
- 0:41centro, em seu peito atravessado uma espada que
- 0:45parece importante, imponente, cravado ao chão do seu
- 0:49lado, um machado que tem três vezes o seu tamanho.
- 0:54Você alavanca o seu peso e
- 0:57retira a espada da estátua, e conforme algo vivo se
- 1:02move como uma serpente negra que usa o corpo do
- 1:06cavaleiro como lar, você sente a lamina saindo com
- 1:10ela um líquido negro jorrando, denunciando que
- 1:13aquilo é um organismo, antes instases inerte, mas
- 1:18que de repente se prova vivo e perigoso. Você
- 1:22começa a brandir sua espada pelo ar acertando a
- 1:25criatura enquanto ela se recompõe depois de um longo
- 1:28sono, mas em três movimentos geratórios com a
- 1:31sua imensa lamina de machado, você percebe que a
- 1:35sua cabeça foi separada do corpo sem qualquer
- 1:38cerimônia. Esse era o tal Dark Souls 3, e
- 1:44eu apanhei muito. Eu não consegui a passada
- 1:47primeira luta com esse cara do machadão. Eu
- 1:51confesso que eu não tenho sido, nos últimos anos,
- 1:54talvez na última década, um pouco mais, um cara dos
- 1:57jogos eletrônicos, mas o Wild 'n 'Ring realmente me
- 2:00fisgou, como há muito tempo um jogo de videogame não
- 2:03me fisgava. Eu tenho essa dinâmica de
- 2:06pegar vários jogos na Steam, experimentar vários
- 2:09deles, mas no máximo algumas horas ali. Eu
- 2:13nunca me alongava muito em nenhum jogo. Eu
- 2:15só experimentava para ver o que ele trazia de novo, se
- 2:18tinha alguma coisa legal ali. Eu
- 2:20não escondo o quanto que o jogo não finiste de suando,
- 2:23por exemplo, não influenciou na criação do Wild 'n
- 2:25'Fantasy, nem como do Arthur Fortress, que me gera
- 2:29reflexão, sempre que eu vejo ele funcionando, nem
- 2:33como o Wol, o World of Warcraft mesmo, que tomou
- 2:35minha vida por anos, como líder de uma guilda, que
- 2:39bombou, mas que me deu mais dor de cabeça do que
- 2:42amigos. Te dei várias experiências
- 2:45importantes dela, mas eu falo pouco de jogos
- 2:49eletrônicos aqui no Café Condangem, porque eu não me
- 2:51sinto mais um conhecedor, ainda que eu seja um
- 2:56apaixonado por jogos de forma geral. Por
- 2:59outro lado, esse pato que não consegue vencer a
- 3:02primeira luta do Dark Souls 3, já foi jogador de
- 3:06colocar recorde em revista de videogame real, eu já
- 3:10fiz isso, tirava foto de Score e mandava foto
- 3:14analógica mesmo, porque eu não tinha celular na época.
- 3:17Eu notava código de password
- 3:20de fase nova dos jogos, eu debulhava os jogos, escrevia
- 3:24o walkthrough para mandar para a revista, tudo mais,
- 3:28e eu até mesmo descobri a poderes especiais em jogos
- 3:32de luta que eu alugava e a alucadora que
- 3:34contrabandeava às vezes os jogos, ela não tinha
- 3:37manual, e eu criava o manual ali, eu descobria
- 3:40porque tinha de comandos especial, eu notava no
- 3:42papel e deixava dentro da fita que a alucadora
- 3:48alugava, e aí quem pegava o jogo tinha ali de
- 3:52próprio punho os comandos que podia seguir para fazer
- 3:55o especial. Eu era bom nisso, era zerador
- 3:59de jogos, eu arrebentava geral, até com o Zangue F,
- 4:03o R -Type, que era um jogo de nave, não era nada para
- 4:10mim, Mega Man, Sonic, Contra, Metroid, Castlevania,
- 4:14pô, não era nada para mim, eu mandava muito bem
- 4:16naquilo que dirá nos supermários da vida, eu
- 4:20zerava Civilization em nível altíssimo, em nível God
- 4:23desde o primeiro cara, eu jogava num nível médio para
- 4:27mim e achava sem graça aquilo, nem dava jogo, e
- 4:30olha que eu nem ficava voltando nos saves, para
- 4:33mim eu jogava e segundo o decimal eu não voltava o
- 4:36save não, e embora, mas como é que esse garoto
- 4:39marrento, que se dava muito bem com o jogo, zerava
- 4:42tudo, hoje com seus 40 anos eu não consegue nem
- 4:46passar da primeira luta no Dark Souls 3? Cara,
- 4:50o jogo é cruel, é inclemente, ele te deixa
- 4:54puto, mas deu para sentir, mesmo nas minhas derrotas,
- 5:00que se você jogasse ele, se você insistisse, você ia
- 5:03vencer, era isso que eu dizia para mim, esse papo
- 5:07me comprou, ele mexeu com o meu brilho, que nem
- 5:11aquele discurso do clove de barros lá falando que, se
- 5:15o Cante escreveu aquilo ali, se ele escreveu um
- 5:18texto como eu não vou conseguir ler, ah eu vou
- 5:21conseguir ler, eu vou entender a questão de
- 5:23honra, eu vou sentar minha bunda na cadeira e vou ler
- 5:26até entender, e para mim o Dark Souls 3 mexeu comigo,
- 5:31mexeu com meu brilho, ou se alguém criou esse jogo
- 5:33eu vou conseguir passar da primeira luta, pelo menos
- 5:36da primeira luta, então investir, eu comprei um
- 5:40controle de Xbox para o PC para não precisar jogar no
- 5:42teclado, que é muito ruim, comecei a usar um PC
- 5:45desktop ali com placa de vídeo, o jogo começou a
- 5:48ficar mais aceitável, mais palatável, e eu até
- 5:51progredi, para achar o jogo ainda mais fantástico, mas
- 5:56eu não consegui manter, não zerei, não platinei nem
- 5:59nada, mas de um jeito ou de outro, eu senti que
- 6:02cara, se eu praticasse mais, se eu jogasse ele
- 6:06todo dia, pelo menos três vezes na semana, isso ia
- 6:10se pagar, eu ia me dar melhor, eu ia conseguir
- 6:12chegar no final do jogo, só que eu não tinha esse
- 6:13tempo naquele momento, vale lembrar que na época o
- 6:17Café com Dungeon saía todo dia, e na maioria das
- 6:21vezes eu ainda era o editor do jogo, era o
- 6:24editor do podcast, então tive que aceitar, eu não
- 6:29sou mais esse pinball wizard que eu já fui, ou
- 6:32trora, e nem todo jogo que eu curti a partir desse
- 6:36momento eu vou zerar, eu tive que aceitar isso, na
- 6:39real, poucos jogos eu vou zerar daqui para frente, e
- 6:44eu tenho que aceitar isso. O
- 6:46game designer Tino Guen, que eu costumo falar as
- 6:49vezes dele aqui no Café com Dungeon, ele está
- 6:51apresentando bastante talk, tem usado bastante o
- 6:56YouTube, tem botado bastante conteúdo nos simpósios e
- 7:00tal, esse cara, a partir da leitura do Bernard
- 7:03Sulps, do Grasshopper, ele fala que olhando para os
- 7:08jogos ele consegue entender dois tipos de jogadores, os
- 7:11que querem conquistar seus objetivos e os que querem
- 7:15lutar pelos objetivos. Eu penso que agora eu tenho
- 7:19que me acostumar a ser do segundo tipo, o cara que
- 7:22se contenta em lutar pelos objetivos, não
- 7:27necessariamente de vencer, mas que gosta do desafio
- 7:29da coisa. Hoje em dia eu jamais estaria
- 7:33no time de alta performance do War na minha guild,
- 7:36visserando e óbissar um em progresso. Enfim,
- 7:41a galera ali prendendo respiração, o time fazendo
- 7:43história, isso é muito legal, mas não é mais para
- 7:45mim, eu não tenho mais como alcançar esse nível.
- 7:47Eu acho que essa coisa de
- 7:49separar os jogadores em tipos, essa coisa não
- 7:52existe muito, eu acho que os tipos de jogadores se
- 7:55misturam e a nossa vontade também. Eu
- 7:58não gosto muito dessas tinções, o jogador ativer e
- 8:03o jogador que gosta do struggle, que gosta de
- 8:07lutar pelos objetivos, eu acho que as pessoas são
- 8:12muito variadas, os jogos são muito variados e que
- 8:15as coisas acabam se misturando dentro dessas
- 8:19taxonomias. Mas essa lente do tin game me
- 8:23serviu bem para me perceber frente aos jogos naquele
- 8:26momento. Eu sou esse cara que tem que
- 8:29se contentar em lutar pelos objetivos e não
- 8:32necessariamente em alcançá -los. O
- 8:34game design tem uma relação íntima com o mercado,
- 8:38inclusive eu acho que tem a ver com isso. Se
- 8:40você quer continuar fazendo jogos, é bom que você
- 8:42traga um jogo para que as pessoas gostem dele, porque
- 8:46senão você não vai conseguir produzir o próximo
- 8:48jogo. O que a gente olha é o jogo
- 8:50como produto, é natural que a gente se importe com a
- 8:53dificuldade, com a frustração que esse jogo
- 8:55vai trazer para quem joga. Se
- 8:57o jogador acha fácil demais, engaja pouco, não
- 9:00dá valor, não é fisgado, você vai perder o jogador
- 9:03ali. Da mesma forma, se o jogo é
- 9:05difícil demais, se a gente não sente progresso, a
- 9:09gente tende a largar o jogo. É
- 9:11o famoso estado de flow, que o Mihai Tick sem Mihai
- 9:14traz, que é o psicólogo que estudou esse estado que
- 9:18a gente entra quando a gente joga. Bom
- 9:20jogos. E é quando a gente perde
- 9:23essa noção do tempo, quando a gente fica completamente
- 9:25imerso no círculo mágico do jogo e a gente se isola
- 9:29do mundo real. Esse estado mental vem desse
- 9:35equilíbrio entre sentiços e habilidades fazendo
- 9:38diferença, sem, no entanto, enfrentar o desafio fraco
- 9:41demais. É nessa vereda que a gente
- 9:45alcança o flow. Quando a gente fala de jogos de
- 9:49alto investimento, a gente tá falando também de jogos
- 9:51de grande performance, de mercado almejado, ou seja,
- 9:56quanto mais se investe no jogo, mais a gente quer
- 9:58que ele retorne. Então você não vai modelar a
- 10:02experiência do seu jogo sem mirar no flow, sem mirar
- 10:06nesse estado. É um grande risco você
- 10:09admitir que seu jogo passa por outras veredas que não,
- 10:12por essa ideal. E mais até a gente quer
- 10:17blindar o jogador do sentimento de que a coisa
- 10:21tá fácil demais. Mas, beleza, sentir que tá fácil
- 10:26demais não chega a ser um problema tão grande quanto
- 10:28se frustrar. Quando a coisa vai para frustração
- 10:32esse animal cruel, essa atrocidade, o buraco fica
- 10:36mais embaixo. Se o jogo é fácil demais,
- 10:39você ainda tem a simpatia por ele, porque ele ainda
- 10:43te libera para pegar o próximo jogo. Você
- 10:45sai se sentindo vitorioso, capaz. E
- 10:48aí você passa para o próximo na lista da
- 10:51estinda, aqueles milhões de jogos que você achava que
- 10:53não quer jogar e aqui você dá até uma sensação boa,
- 10:56você fala, beleza, tá sempre próximo. Ainda
- 10:58que aquele jogo não vai te marcar, porque é frão de
- 11:01contas de você não salasse, não entrou naquele barato
- 11:05do jogo tão forte. Mas, cara, quando você termina,
- 11:11ainda tem aquele retrogosto de marmelada e tudo bem.
- 11:15Agora, se você passa três dias na
- 11:17mesma luta e começa a sentir incapaz, isso mexe
- 11:20com o seu brilho. É alguém sussurrando no teu
- 11:23ouvido ali, do ex -humano, sabe? É
- 11:27sugiro que você talvez esteja a quem do desafio
- 11:31proposto pelo jogo e isso revolta muita gente. A
- 11:35gente não é criado para perder, para falhar, para
- 11:38não alcançar, a gente é criado para vencer, a gente
- 11:42é criado para ter vitória. Na
- 11:43sociedade que a gente vive, principalmente, a gente quer
- 11:47isso, a gente almeja isso e é difícil admitir outro
- 11:50cenário. A gente nasce para ser todo
- 11:54mundo especial, cada um com a sua própria divina
- 11:56providência, cada um com a sua... cada
- 12:01um campeão da sua própria vida. Os
- 12:04anos 90 já se foram e Radiohead, hoje em dia,
- 12:08toca na Antena 1 Lite FM, é lá que você vai ouvir o
- 12:11Radiohead tocando. Ou seja, esse sentimento de,
- 12:16eu sou um perdedor, ele já não cabe mais nos dias de
- 12:20hoje. E era necessário, alguém
- 12:23corajoso, para postar numa experiência menos modelada
- 12:27nessa busca do flow, num jogo grande, num jogo
- 12:32triple A. Que reconheça a importância da
- 12:34falha para dar mais sabor para a vitória. Que
- 12:38permita que vários jogos e jogadores experimentem a sua
- 12:42própria curva desprendizado. Que
- 12:44façam a curadoria um pouco mais da própria experiência
- 12:47em relação a isso. Ainda que muitos entendam e
- 12:49eventualmente não se entendem jamais, que nem
- 12:52todo o jogo é feito para ser platinado. Falar
- 12:55em jogos é falar em interatividade, em desafio.
- 13:00É isso que dá sentido a tudo
- 13:02mais que pode acontecer ali dentro daquele espaço
- 13:04núdico. O que diferencia os jogos com
- 13:06uma experiência é a possibilidade da falha. Se
- 13:09a gente comparar com o cinema, se a gente comparar
- 13:11com outras mídias, dificilmente a gente vai
- 13:13sair do cinema com um sentimento de gente falhou.
- 13:16Eu não consigo lembrar de
- 13:17quando isso acontecer na minha vida. Talvez
- 13:20quando eu ter gasto dinheiro demais no cinema,
- 13:22num filme muito ruim, mas acho que nem vem ao caso.
- 13:27Quando a gente falha no jogo,
- 13:28principalmente quando isso encerra a nossa experiência,
- 13:32game over, a gente tem que admitir uma coisa
- 13:35indesejada, a gente tem que admitir a falha. Em
- 13:39vez de falhar de forma policêmica, em vez daquela
- 13:42falha que no fundo é um sucesso, porque torna o seu
- 13:44personagem mais interessante. Não,
- 13:46você perdeu, velho, acabou. Largo
- 13:49controle. Você pode até tentar de novo,
- 13:52mas perdeu o seu progresso. Eu
- 13:54sinto que nos RPGs, as pessoas se arrepiam com a
- 13:57possibilidade de falhar, de se frustrar. Mas
- 14:00odeiam qualquer verso, qualquer coisa que não seja
- 14:02a copia. Tudo até a falha se transforma
- 14:05em boa história, sabe? Nada pode ser um fracasso, nada
- 14:09pode ser uma coisa que você se deu mal, sabe?
- 14:11Não, vamos ver como é que a
- 14:13coisa vai para frente, né? Vamos
- 14:15ver como é que a gente... Mesmo
- 14:16quando você falha, você ganha um ponto de
- 14:18experiência, sabe? A morte de um personagem,
- 14:22principalmente, eu acho que quando a coisa fica mais
- 14:24estanca, quando você perde o progresso dele, ela
- 14:28somente é bem aceita, de forma geral, quando ela é
- 14:32boa para a narrativa, senão ela é encarada como um
- 14:35momento tóxico do jogo. O Elden Ring ensina a gente
- 14:40a perder e também a ganhar, em consequência
- 14:44disso. E as duas coisas acabam dando
- 14:47significado para os jogos, né? Até
- 14:50para as histórias que os jogos trazem, para a
- 14:52exploração do mundo, para a cooperação, para os
- 14:55enfrentamentos que acontecem no jogo. Eu
- 14:57acho que a gente tem muito a aprender enquanto
- 15:01jogadores de RPG com esse jogo, com o Elden Ring e
- 15:06com os Soulslike de forma geral. Mas
- 15:08o Elden Ring é especial para mim. O
- 15:10café de hoje é sobre esse jogo e sobre as lições que
- 15:13a gente pode trazer dele. Bom
- 15:30dia, amigos do Café Pondângel. Estamos
- 15:32aqui para mais um episódio do seu podcast matinal
- 15:35favorito, trazendo sempre muito RPG. Meu
- 15:38nome é Rafael Balbi e hoje eu estou bebendo um café
- 15:41ao Velha Negra, especial abençoado por Marica, que
- 15:45está me deixando totalmente revitalizado para encarar o
- 15:49resto da semana e, quem sabe, tentar mais umas
- 15:52vezes matar o espírito da árvore tóxica na tumba do
- 15:57herói da periferia. Bom, se você quiser conhecer o
- 16:02viu podcast tomando um café delicioso como o meu, é o
- 16:05café ao Velha Negra. Você pode ir lá em ovelha
- 16:08negracafés .com e utilizar o cupom CCD, tudo o minuto
- 16:13que é o cupom para o 20 do café Pondângel você
- 16:15consegue um desconto. Se você for um assinante, aí
- 16:19você tem descontos progressivos de acordo com
- 16:21seu nível de apoio, chegando até mais de 20 %
- 16:24de apoio e, além disso, você participa de sorteios,
- 16:28inclusive de quase 2 quilos de café que a gente
- 16:31sorteia para os nossos assinantes. Então,
- 16:33chega aí e pode se tornar um assinante em apoia .ac
- 16:37.café .comdângel, você, além disso tudo, recebe o
- 16:40conteúdo extra e ajuda a gente a bater as nossas
- 16:43próximas metas, aumentando o número de podcasts na
- 16:46semana. Já imaginou aí voltar a ter 5
- 16:49café Pondângel na semana? Então,
- 16:51apoia. Bom, antes de a gente cair no
- 16:55episódio de hoje, que são as lições que a gente pode
- 16:59trazer de Alden Ring para o RPG, eu queria dar uma
- 17:01repassada no último episódio, que é o Mestre
- 17:08Contra Jogadores. E eu perguntei, você gosta da
- 17:11ideia do Mestre atuar contra os jogadores? Foi
- 17:14muito disputada, talvez a mais disputada até agora
- 17:17das enquete no café Pondângel e 55 % disseram
- 17:21que sim, que gostam dessa ideia, mas ficou bem
- 17:24apertado. E é interessante ver isso,
- 17:27porque no episódio eu fiz uma defesa do Mestre Contra
- 17:30Jogadores, e tenho certeza que essa defesa impactou em
- 17:33algum ponto, em algum nível essa discordância, porque eu
- 17:38lembro da última vez que eu abordei o assunto, foi
- 17:40um pouco sensível a maioria das pessoas dizendo que
- 17:43não, que não gostam dessa ideia. Então,
- 17:46acredito que a argumentação tenha sido fiel dessa
- 17:49balança e ficou bem apertado. Nos
- 17:52comentários, a gente teve bastante comentário
- 17:54inclusive, os comentários longos, profundos, então
- 17:58postei bastante, obrigado por queimando, mas eu vou
- 18:00pegar três aqui para não ocupar o episódio inteiro
- 18:02de comentário, beleza? Primeiro
- 18:05lugar, vou ler o do Marcio Moreira, que é Mestre do
- 18:08Perdiz no Play, e grande abraço Marci, inclusive a
- 18:11gente vai começar uma live hoje no Perdiz no Play,
- 18:15quinta -feira agora, uma live de cuturo, passados
- 18:18nos anos 80 no Rio de Janeiro, imperdível comigo
- 18:22com o Rafael Hamon, do PNP, com o Igor também do
- 18:27PNP, com a Athena Gamer, e com o Edu da DM Sparry,
- 18:33então cara, uma galera muito maneira aí, pra gente
- 18:35curtir um cuturo, eu vou estar participando com o
- 18:39Shangri -La, um dono de motel. Então,
- 18:43quem quiser, curtir, chega lá no Perdiz no Play, no
- 18:47YouTube, que vai estar passando lá na parte da
- 18:49noite, umas nove, acredito, dá uma checa do honorário.
- 18:54Mas o Marcio comentou o
- 18:55seguinte, episódio maravilhoso, permita -me
- 18:57fazer uma provocação, o Mestre não apenas desafia,
- 19:01mas também se expõe a ser desafiado, pois também
- 19:03precisa jogar. Pense no Mestre como um cara
- 19:05jogando bocha contra ele mesmo, o meu pior é tentar
- 19:09chegar o mais próximo possível da mosca, sem
- 19:11encostar nela, por isso a importância do Mestre
- 19:14arbitrar regras pra ele mesmo também. O
- 19:16barato do Mestre é colocar a prova e o desenho da
- 19:19sua pista de corrida, que será assim graças se tiver
- 19:21só curvas fechadas ou picos. Cara,
- 19:24tem alguns pontos importantes aqui, mas antes
- 19:27de comentar, eu vou complementar aqui com um
- 19:30pedaço do email, até não foi nem pelo Spotify, mas
- 19:34um email que o Luciano Menezes me mandou,
- 19:37comentando também o episódio, que ele
- 19:38complementou o seguinte, o RPG consegue articular
- 19:41líticamente contradições e negras da capacidade humana
- 19:44de resolver problemas, à medida que novos problemas
- 19:46se desenrolam das consequências das ações dos
- 19:49personagens e jogadores. Acho
- 19:52que uma coisa importante de trazer aqui, é que essa
- 19:55coisa do Mestre não desafia apenas, mas também se expõe
- 20:00pra ser desafiado, eu entendo que esse aqui não
- 20:02é um papo sobre a agenda do jogo. Quando
- 20:04a gente tá falando de agenda do jogo, é a
- 20:06prioridade que o jogo dá, onde a gente tá mirando,
- 20:09onde a gente quer que os participantes mirem. E
- 20:12no caso, tanto Mestre quanto jogador estão mirando
- 20:14no desafio, o Mestre tem um papel desafiante,
- 20:18jogadores no papel dos desafiados. Essa
- 20:20foi minha proposta, isso não quer dizer que haja
- 20:23vários desafios atralados a isso, como o Mestre, por
- 20:26exemplo, se desafiar, por exemplo, se guia geretrisos
- 20:29de oil fantasy, um estilo, ou não quebrar a gente dos
- 20:32jogadores, aplicar da melhor forma, essas lá, as regras,
- 20:37etc., etc., tem vários desafios, e aí cada pessoa
- 20:39vai ter a sua própria construção, o desafio dentro
- 20:43disso é natural. O que eu tô falando é como
- 20:45isso impacta na agenda de jogo, como a gente vai
- 20:47colocar isso em como prioridade da relação gúdica
- 20:50que a gente tá construindo e principalmente que a
- 20:54gente tá racionalizando aqui, que a gente tá
- 20:56propondo de forma mais racional, mais objetiva,
- 20:59então passa muito por aí. Seu
- 21:01comentário é pertinente, Márcio, mas eu acho que
- 21:03nesse ponto aqui vale o núcleo do episódio, para
- 21:07entender a agenda do jogo, não a agenda pessoal de
- 21:12cada pessoa, porque cada jogo, cada um acaba tendo
- 21:15a sua própria prioridade, eu quero me sentir
- 21:17desafiado, mas eu quero me divertir, eu quero se
- 21:19socializar, enfim, acho que aí é uma outra questão,
- 21:22sabe? A anologia da bossha é muito
- 21:25boa, né? Eu acho que no caso aqui você
- 21:27fala que o jogador tá jogando, o Mestre tá
- 21:31jogando uma bossha com ele mesmo, ele quer que a bola
- 21:32chegue mais próximo possível da outra bola, mas sem
- 21:35tocar, que seria a anologia do Mestre tentando desafiar
- 21:38o máximo possível, mas sem quebrar algumas coisas ali,
- 21:41e no caso que você bota ali, o Mestre coloca na
- 21:45prova, desenha da sua pista de corrida, que é sem
- 21:49graça, se ele tivesse sua cor fechada, isso é coisa
- 21:52do sem graça que é o problema. O
- 21:55sem graça é muito relativo, é muito difícil dialogar em
- 21:58cima de sem graça, de divertido, de justo, etc.,
- 22:01etc., e isso é o que a gente estabelece parâmetros
- 22:03mais objetivos pra isso em cima de risco, em cima de
- 22:07limitações do Mestre em relação à agência e em
- 22:10relação principalmente à verossimilhança nesse ponto.
- 22:13Então, acho que eu botaria de
- 22:15forma mais objetiva esse sentimento. Reusfoneando
- 22:19um pouco do Lúcio Ano Menezes, que ele falou da
- 22:21contradição do Mestre, nesse caso do Mestre querendo ser
- 22:25justo, né? Árbitro imparcial, etc., etc., ao
- 22:28mesmo tempo querendo desafiar, acho que é
- 22:31importante que a gente tire essa contradição da frente.
- 22:34A relação lúdica não é quem
- 22:36vai resolver a contradição, não é o jogo, não é o
- 22:39RPG que consegue articular lúdicamente contradições
- 22:43inerentes da capacidade humana de resolver
- 22:44problemas, não é? É você, Mestre, que vai
- 22:47resolver e o sistema vai ajudar você ou não. E
- 22:51o sistema aqui eu tô falando de forma ampla, né?
- 22:53Até de coisas fora do próprio
- 22:54sistema ali, das regras, etc., que são as condições
- 22:57de jogo que você tá montando, os princípios de
- 22:59jogo que você tá montando, e acredito que isso tudo
- 23:01vai informar como você vai atuar. Então,
- 23:04o jogo pode te atrapalhar ou te facilitar pra você
- 23:08articular essas contradições, caso seria o Mestre, ao
- 23:11mesmo tempo você torcer pelos jogadores, supere que
- 23:14eles superem e ao mesmo tempo desafiar eles, né? Se
- 23:17a gente resolve isso lúdicamente, se o jogo
- 23:19trabalha isso lúdicamente, fica mais fácil e é isso
- 23:22que eu sinto com a Eufentes, essa foi minha
- 23:24busca, beleza? O Murilo Mendes trouxe que
- 23:27gostou muito do episódio, porém ele ficou pensando em
- 23:29algumas coisas. Quantos desses conceitos que eu
- 23:31trouxe não são de certa forma mistratos também, é
- 23:34no caso ele tá falando de risco, né? O
- 23:35que é risco? Quando o risco está claro, enfim,
- 23:38vou experimentar na mesa. Obrigado.
- 23:40Bom, cara, o risco, né? Você
- 23:42vai antecipar o risco, né? Como
- 23:44eu falei, você vai dar informações mínimas sobre
- 23:46ele pro jogador, então você vai sinalizar, mesmo que de
- 23:49forma sutil pro jogador, para que eles possam
- 23:52investigar melhor e apurar esse risco, então isso vai
- 23:54ser estabelecido no debate. Já
- 23:57a diversão, o que é criativo, ou qualquer outro
- 24:00parâmetro, que seja muito mais abstrato do que risco,
- 24:03e que você não consiga pontificar, não consegue
- 24:04botar o risco em cinco chances em seis, ou duas
- 24:07chances em seis, eu não consigo dizer o dado da
- 24:09diversão, né? Dez chances em... Sete
- 24:12chances em dez, você se divertir, não tem como.
- 24:15Então a gente acaba... O
- 24:17risco é parabitrizável, e a gente consegue informar
- 24:21sobre ele dentro das descrições que a gente faz
- 24:25no jogo, entendeu? É muito por aí. O
- 24:27Rafael Baselá trouxe que ele não acha que o papel
- 24:29do desafio é necessariamente um positivo durante o jogo.
- 24:32Você pode propor um desafio
- 24:33mesmo assim, arbitrar as áreas de forma neutra, com
- 24:36o intuito de manter o desafio à realidade
- 24:37ficcional. Bom, nesse ponto cabe aquilo que
- 24:40eu falei, né? Se você traz pra você,
- 24:43imediatemente, duas funções que são divergentes em
- 24:48vetor, né? Da sua vontade, uma que você
- 24:50quer desafiar, outra que você quer que eles superem
- 24:52o desafio, uma que você quer ser o cara que vai
- 24:55morder, e na outra função você é o cara que vai
- 24:58arbitrar de forma neutra, você tá impondo pra você
- 25:02atuar em papéis que pedem pensamentos diferentes, e
- 25:06isso é contraproducente. Acredita
- 25:09em mim que se você jogar com uma função só, e com
- 25:12um vetor só de desafiar os jogadores, e o resto são
- 25:15limitações que você vai ter impostas pra sua atuação,
- 25:18isso fica mais claro, fica mais fácil você assumir
- 25:21menos responsabilidades em relação a isso. Até
- 25:24porque você ser neutro e chegar na neutralidade é
- 25:28uma coisa que dificilmente você vai chegar, é um
- 25:32ideal. Então, é uma responsabilidade
- 25:35grande que você assume. Isso
- 25:36é uma coisa que todo mundo pode assumir junto, arbitrar
- 25:40de forma neutra, etc. E essa neutralidade vem
- 25:44justamente do embate, você enquanto desafiante, vai
- 25:47trazer algumas propostas de arbitragem, de rejuzo de
- 25:50regra, etc. E os jogadores como desafiados
- 25:52também podem negociar em cima disso, então a
- 25:54arbitragem termina neutra porque ela é debatida,
- 25:58negociada. Você botou também, além disso,
- 26:02usar o gato mecânico é uma forma bem viável de definir
- 26:07quando o mestre deve ser positivo em situações em
- 26:09que o desafio preparado ou ficcional já não está
- 26:12presente. Não necessariamente tem que
- 26:13aguardar uma precha pra morder. Olha
- 26:15cara, o que eu trouxe no episódio é o não -afasta
- 26:18gatilhos mecânicos pro mestre vir com o desafio
- 26:23dele já pronto. No caso aqui, um exemplo
- 26:26normal disso é no Hexcrawl, chance de contrariatório.
- 26:29Quando saiu em contrariatório, o
- 26:31grupo se expôs esse risco por conta das possibilidades
- 26:34que o mundo oferece de risco pra ele naturalmente
- 26:37sem que o mestre tenha em catuar. No
- 26:38dia em que saiu em contrariatório, o mestre é
- 26:40acionado pra fazer isso. Então
- 26:42é um gatilho mecânico. Mas fora desses gatilhos
- 26:43mecânicos, tem toda a dinâmica de posturas do
- 26:46mestre que a partir do momento que ele não tem um
- 26:49desafio em mãos, a sua postura é de provocar os
- 26:52jogadores pra que eles enriqueçam a ficção o
- 26:55suficiente pra que ele tenha os elementos
- 26:56necessários pra imprimir um bom desafio e morder. Então
- 26:59uma coisa não anula a outra, tá? E
- 27:02importante também botar que o mestre jamais vai ser
- 27:04punitivo, morder aqui, no caso, não é punir os
- 27:06jogadores, não é sobre isso. É
- 27:08sobre você desafiar o máximo possível. E
- 27:11isso é muito interessante porque tem a ver com o
- 27:12episódio de hoje, que é o den ring e as lições que
- 27:16ele pode trazer pro nosso RPG. Vamos
- 27:19cair dentro? Aventureiros
- 27:45numa busca por mais episódios na semana, te
- 27:48convidam a fazer parte do grupo de Telegram,
- 27:51participar de sorteios e enriquecer seu jogo.
- 27:57Esquente a água, mola os grãos e
- 28:00pegue os dados. Apóia ponto S .E. barca,
- 28:08fé com dângio. Contamos com você. Eu
- 28:25rolo. Bom, a gente pode cair logo na
- 28:29polêmica do desafio do Elden Ring. E
- 28:33isso é um debate que sempre aparece. Sempre
- 28:35que saia um Dark Souls novo, uma DLC, alguma
- 28:38notícia sobre o jogo, as pessoas debatem sobre o
- 28:41desafio presente no Dark Souls. Isso
- 28:45acontece muito porque o desafio do Dark Souls, ele
- 28:47passa muito por um caminho de frustração. Você
- 28:53tentar e tentar e tentar e tentar muitas vezes o mesmo
- 28:56desafio, sem que no mesmo momento, no mesmo dia, na
- 28:59mesma sentada, você não consiga resolver aquele
- 29:01desafio, leva muita gente a frustração, principalmente em
- 29:05um paradigma em que os jogos tendem a modelar a
- 29:08sua frustração. Ou seja, eles podem começar
- 29:10ali, botando uma dificuldade, com o tempo
- 29:12você vai perdendo, eles te ajudam, te dão uma
- 29:14mãozinha, facilitam o jogo, facilitam você superar o
- 29:17desafio para que você continue jogando. Isso
- 29:20feito de uma maneira quase subliminar na própria
- 29:23mecânica interna do videogame. Então,
- 29:27a gente vai se acostumando com isso, a gente vai se
- 29:29acostumando com os desafios que a gente pode superar e
- 29:32o jogo entregar isso. Os jogos ficam meio que
- 29:36tachados de muito difíceis ou de extremamente
- 29:39frustrantes, quando eles saem. Mesmo
- 29:42os jogos muito bons, porque a pessoa que fica frustrada
- 29:46não consegue às vezes olhar por outros lados do jogo e
- 29:49ela abandona e fica puta da vida porque perdeu,
- 29:53morreu porque não progrediu. E
- 29:55o Dark Souls passa muito por isso, sim. Muita
- 29:59gente fala que precisa ter um easy mode no jogo, que
- 30:02precisa ter um modo fácil para que você possa engajar
- 30:05com o jogo e superar os desafios. Muita
- 30:07gente fala, ah, mas você não precisa necessariamente
- 30:09fazer o jogo ficar ridículamente fácil. Na
- 30:13verdade, você pode só aumentar o tempo de
- 30:16imunidade quando o personagem rola, diminuir o
- 30:19hitbox dele, etc. Fazer essas coisas técnicas assim
- 30:22que sejam quase invisíveis mas que facilitem o jogador
- 30:26a vencer o jogo, a passar por uma parte difícil, etc.
- 30:29Pra quem não tem muito tempo,
- 30:31pra quem não tem muita possibilidade de se entregar
- 30:34ao treino praticamente do jogo Souls. Isso
- 30:40gera muito debate. A galera mais fama, mais
- 30:45purista do jogo, dizendo que não, que isso
- 30:47arruinaria a experiência que não é sobre isso, Jô. E
- 30:52gente dizendo que isso é a Gatekeeping, que é uma
- 30:55fanbase tóxica, que não quer ver gente 9 entrando,
- 30:59que não quer ver gente que não tem tempo, que isso é
- 31:02pra quem é riquinho e não precisa trabalhar, etc. Eu
- 31:05entendo todos esses lados socioculturais em torno de
- 31:09um jogo difícil. Por outro lado, tem outros
- 31:12aspectos socioculturais também que são importantes
- 31:13de trazer, que é justamente como é difícil lidar com a
- 31:16frustração na sociedade em que a gente vive, sendo
- 31:18que a frustração é pra ser algo natural na vida.
- 31:22Então, com muitas questões, muitos
- 31:24lados nessa discussão. Se a gente jogar um pouco o
- 31:27microfone aqui pro Miyazaki, provavelmente a gente vai
- 31:31ter um insight. E ele, numa entrevista pro
- 31:32The Guardian, que eu vou deixar linkado no indivíduo
- 31:35do episódio, ele falou que se tivéssemos adotado essa
- 31:38abordagem do Easy Mode, achou que o jogo não teria
- 31:41feito o que fez, porque a sensação de realização que
- 31:46os jogadores ganham ao ultrapassar esses obstacos é
- 31:50uma parte fundamental da experiência. Reduzir
- 31:52a dificuldade e retiraria do jogo essa alegria, o
- 31:56que é meu ver, quebraria o próprio jogo. Não
- 31:59pretendemos isso em outra entrevista, ele deu um meu
- 32:01trago pra complementar aqui, não pretendemos criar um
- 32:03jogo difícil. Decidimos criar um jogo desafiador. E
- 32:08isso é muito interessante da gente ver, a diferença
- 32:10entre um jogo desafiador e um jogo difícil. A
- 32:15gente vai ver mais pra frente, que eu vou comentar
- 32:16sobre isso, mas o desafiador é que o jogo
- 32:19propõe um desafio complexo, propõe um desafio que tem
- 32:23muitos lados, um desafio profundo, interessante, e
- 32:25ele se constrói em torno desses desafios que ele
- 32:29propõe. Se é difícil ou se é fácil,
- 32:33o ADB dos Caminhos do Jogador toma, do quanto ele
- 32:36se dedica e de outras questões ali. A
- 32:39gente vai ver isso mais pra frente, mas o fato é
- 32:41que ele disse que faz parte da experiência que
- 32:44ele quer passar, essa coisa de você achar o jogo
- 32:48difícil, de você ter uma dificuldade percebida, que é
- 32:53mais alta, e que isso é fundamental pra experiência,
- 32:57ao ultrapassar esses obstáculos. E
- 32:59ele dá uma palhinha de que quando você tem essa
- 33:02dificuldade, e você sente que o jogo não vai te
- 33:05entregar o sucesso, que você tem um sentimento de
- 33:08conquista maior, porque você teve que conquistar esse
- 33:10sucesso. E isso eu experimentei, isso
- 33:13eu experimento no jogo que eu entendo perfeitamente.
- 33:16Essa coisa de trazer o easy
- 33:17mode não é sobre... sobre acesso inclusive, muitas
- 33:22pessoas falam que é um problema de acessibilidade,
- 33:25o jogo ser muito difícil. E
- 33:27não é uma questão de acessibilidade, eu acho que
- 33:29falar que acessibilidade até diminui um pouco o assunto,
- 33:32a acessibilidade que é muito importante, é muito
- 33:34caro pro mundo dos jogos. A
- 33:37acessibilidade é você permitir que pessoas
- 33:40diversas tenham acesso ao jogo, e nesse caso aqui,
- 33:43pessoas diversas, a gente tá falando de alguém que
- 33:45por exemplo tem da autonomismo, ou que tem
- 33:47baixa visão, alguém que tem problemas motores, e nesse
- 33:51caso, obviamente todo o jogo pode melhorar sempre
- 33:53nesse ponto, tenho certeza que Dark Souls também pode,
- 33:57mas que você vai tentar fazer com que essas pessoas
- 34:00tenham as mesmas condições de jogo que alguém que não
- 34:03tem esses desafios motores, ou visuais etc etc. Isso
- 34:09é acessibilidade, eu sei que você pode até querer
- 34:12discutir acessibilidade social, alguém que trabalha
- 34:15o dia inteiro etc etc, e que não tem tempo de jogar
- 34:18Dark Souls, a ponto de ficar bom. Mas
- 34:22aí eu pergunto, você que tem plenas condições de
- 34:26jogar o jogo, você gostaria que o jogo, ele tirasse a
- 34:31própria experiência para que você se sentisse vitorioso,
- 34:34que ele abandonasse algo fundamental à própria
- 34:37experiência segundo o game designer, que é você
- 34:41falhar, você sentir que o jogo tem um nível de
- 34:44dificuldade específico, que o jogo não manipula isso a
- 34:47seu favor, você acha que você se sentir vencendo,
- 34:51você se sentir ajudado nesse ponto. Eu
- 34:53particularmente, eu não ligo tanto para ver a história
- 34:56do jogo, para platinar o jogo e ver o jogo inteiro,
- 34:59se eu me sinto levado, eu gosto de conquistar isso. E
- 35:04acredito que muito do que o Miyazaki propõe dentro do
- 35:08jogo, tem significado dentro dessa conquista. Então
- 35:12o que eu vou trazer, primeira dica do Dark
- 35:15Souls, do Dark Souls, um desculpa, do Alden Ring,
- 35:18para o RPG é o seguinte, imprima o desafio que você
- 35:23quer propor no jogo, como ele é. E
- 35:26se esforça para imprimir ele como ele é, como você
- 35:28pensou, no máximo dentro dessa verossimilhança e da
- 35:31agência do jogador, mas faz ele funcionar da pior forma
- 35:35possível, da forma mais desafiadora para o jogador,
- 35:38se você pensou no desafio, executa ele no melhor
- 35:41possível. Como eu até mencionei no último
- 35:44episódio do Café com o Dângio, sobre mestre contra
- 35:46os jogadores. E aí a ideia é que você
- 35:50nunca facilite, uma vez que você propôs o perigo, você
- 35:53propôs o risco, que você não facilite essa superação.
- 35:56Não tenha medo que os jogadores
- 35:58falhem, não tenha medo que os jogadores falhem ou
- 36:01percam os personagens, caso tenham arriscado o fracasso,
- 36:06suas escolhas e decisões informadas. Se
- 36:09os dois jogadores estão cientes dos riscos, isso
- 36:12que ele sofre um impacto de terem arriscado. O
- 36:15jogo é isso, o jogo é arriscar. E
- 36:19dessa forma, com esse proceder, se isso vira uma
- 36:22praxis sua, a vitória dos jogadores vai ter muito
- 36:26mais sabor, porque perder era realmente possível. Isso
- 36:31acho que a primeira grande lição que a gente toma do
- 36:34Alden Ring para cá, trazer a falha para sua
- 36:37experiência, entender o papel da falha e entender
- 36:41o que é uma boa falha. Uma
- 36:42boa falha é aquela que o jogador olha para trás, ele
- 36:45entende porque falhou, ele entende onde ele arriscou.
- 36:49E ele entende que o risco
- 36:50que ele correu foi esse logo. Se
- 36:52ele falhou, ele está pagando por isso. E
- 36:54é natural desse jogo que aconteça dessa forma. Se
- 36:57você começa a quebrar isso, o jogador começa a sentir
- 37:00que ele não tem impacto no jogo, que as suas decisões
- 37:03não importam tanto. Sempre vai ter uma paradora,
- 37:08sempre vai ter uma amortecedora, uma cama
- 37:10elástica, que vai proteger o jogador das próprias
- 37:14falhas, dos próprios riscos que correu isso, de certa
- 37:18forma, prejudica muito um jogo. Principalmente
- 37:22se ele for focado, bem focado em desafio. E
- 37:26é uma coisa que a gente tem que botar aqui, que
- 37:28isso não é um problema de acessibilidade. Agradar
- 37:32mais pessoas ou menos pessoas no mercado não é
- 37:34acessibilidade. Acessibilidade você permitir que pessoas
- 37:37experimentem, apesar de terem desafios, de terem
- 37:41deficiências, ou alguma coisa que empeça, a
- 37:44princípio de ter a mesma experiência que outras
- 37:46pessoas, que eles atinjam a mesma possibilidade, mesmo
- 37:50um patamar inicial de jogo, e eles possam experimentar,
- 37:53justamente a mesma dificuldade que outras
- 37:55pessoas vão experimentar ali, dentro da experiência
- 37:57proposta pelo Game Designer. Isso
- 38:02é a primeira coisa que eu senti. Eu
- 38:05morro, morro, morro, mas quando eu venço em Elden
- 38:09Ring, é delicioso. Dark Souls 3 também foi sempre
- 38:12para mim, não joguei os outros jogos Souls, mas
- 38:14Dark Souls 3 foi assim para mim. E
- 38:16cara, é indictível depois que você percebe que o
- 38:20jogo não te ajudou nisso, sabe? É
- 38:23diferente você jogar Mario Kart, Mario Kart e o jogo
- 38:25modelo ali, a tua dificuldade ou facilidade em
- 38:30jogar, e até sua posição, ele facilita que você ganhe
- 38:33posições ou perca posições durante a corrida, para que
- 38:38haja sempre disputa no jogo. Isso
- 38:40me tira muito o tesão do jogo, eu falo, cara, eu
- 38:43estou jogando de fato o que eu estou decidindo
- 38:46importa. E acho que isso é a primeira
- 38:48lição que fica. Leve isso para o RPG. Obviamente
- 38:52que tem outros RPGs que não querem dar com desafio
- 38:54dessa forma, enfim, são outros jogos, eu estou
- 38:57abordando jogos que ligam para o desafio, que se
- 39:00importam com desafio de fato. Outra
- 39:04lição importante que a gente pode trazer aqui do
- 39:06Elden Ring, é que os problemas e obstáculos, eles
- 39:10admitem várias soluções e abordagens e trazem
- 39:14diferentes impactos possíveis dentro disso. Mais
- 39:18uma vez trazendo aqui um coach do Miyazaki, na
- 39:21entrevista sobre a DLC do Shadow of the World 3, a
- 39:25última DLC aí do Elden Ring, ele falou o seguinte,
- 39:29queremos criar uma experiência desafiadora que
- 39:32teste os jogadores e que lhes dê uma sensação de
- 39:34satisfação e realização ao superar essas dificuldades.
- 39:38No entanto, queremos subrinar
- 39:40que ainda existe liberdade de abordagem e amplitude de
- 39:44estratégia nesses encontros. E
- 39:46isso significa como você os aborda se quiser enfrentar
- 39:49esses desafios ou voltar a eles mais tarde, contorná
- 39:53-los e encontrar outra maneira de enfrentá -los e
- 39:55voltar quando finalmente estiver pronto. Essa
- 39:58mesma filosofia é adotada em Shadow of the World 3.
- 40:04Isso é muito legal, né, gente?
- 40:07Eu acredito que isso é um
- 40:08partido de design muito honesto nesse ponto. Você
- 40:13vai botar desafios grandes, desafios pesados e tal, mas
- 40:17você não quer pautar como ele será resolvido. Se
- 40:21o jogador, sei lá, ele resolve o encontro, ele
- 40:25encontrou um monstro e ele resolve utilizar de meios
- 40:28ali que não estão planejados, ele resolve
- 40:30pegar um item e usar o item fora do seu uso
- 40:32primário, mas isso permite que ele derrote a criatura
- 40:36ou que supere o obstáculo de uma forma muito fácil.
- 40:39Tá ótimo, não tem problema
- 40:41nenhum. Grande parte dos desafios no All
- 40:44The Ring você vai conseguir resolver de maneiras
- 40:47diferentes, assim, e dá para perceber isso jogando.
- 40:50Você pode enfrentar as lutas
- 40:52mais brabas sem muito equipamento, em nível mais
- 40:56baixo, não tem problema, você consegue, dá para
- 40:58vencer. Você pode deixar para depois
- 41:01também e voltar para as lutas quando você estiver
- 41:02mais poderoso, você pode curtir o mundo, você pode
- 41:05enfrentar outras criaturas mais tranquila, você pode
- 41:08ir melhorando o seu equipamento para voltar
- 41:10depois quando você estiver mais forte. Você
- 41:12pode usar itens craftados, buscar táticas diferentes,
- 41:16isso tudo funciona. Algo comum é você ter um
- 41:20inimigo ali no mundo e você, de repente, encontra
- 41:22um lugar no cenário ali e você se posiciona muito bem
- 41:27e tal e leva uma vantagem tremenda na luta. Então
- 41:31tem criaturas ali que você vê que são, acho que é
- 41:33grossa mesmo, mas você fica em cima de uma pedra ali
- 41:37que a criatura não tinha acesso ou que ela tinha
- 41:39que dar uma volta muito grande para acessar, para
- 41:41poder te filir. E quando ela finalmente
- 41:43encontra aquele local lá e sobe para te enfrentar, ela
- 41:46já está nas últimas que você executa. Tem
- 41:49um momento do jogo ali em que tem um cavaleiro
- 41:52andando no pátio com um torcheiro do lado e eu
- 41:55estava num telhado, comecei a atacar ele com magia,
- 41:58ele subiu, mas até ele subia escadinho a chegar
- 42:00onde eu estava, ele já estava sem energia, então,
- 42:03executei, foi muito fácil passar por aqui. Eu
- 42:09acho isso muito interessante. E
- 42:13o jogo, ele não fica ressentido com isso. Ele
- 42:20não tenta fazer você passar obrigatoriamente para aquele
- 42:23esforço para superar aquele obstáculo. Não,
- 42:26se você conseguir passar de uma forma ridiculamente
- 42:29fácil, bom para você. Tem um momento também que tem
- 42:32uma bola de corpos imensa dentro de um castelo, não
- 42:35vou falar muito para não dar spoiler, mas que eu
- 42:37estava na sacada de um segundo andar ali e também
- 42:39na magia, com paciência, fui matando a criatura e
- 42:42nem enfrentei, mas eu imagino que enfrentar ali
- 42:44ia ser carrem de pescoço, isso ia ser uma criatura
- 42:47bem complicada. Principalmente
- 42:49porque eu fico mais de longe, eu jogo com uma
- 42:54classe que eu acho até mais fácil jogar com essa
- 42:56classe, especificamente do que dar outra vez que eu
- 42:59joguei, que eu joguei com uma classe mais porradeira
- 43:03de me lir, enfim. Mas eu sei que tem combates
- 43:06que são mais difíceis também, elas por elas, mas
- 43:10eu sinto que até tem certos gargalos de
- 43:15experiência no jogo, no Elden Ring. Isso
- 43:18não está natural para um videogame, é um produto
- 43:21inclusive, com códigos e tudo mais, isso tem que
- 43:26ser entregue como uma experiência e há certos
- 43:30momentos em que você afunila a experiência. Mas
- 43:33você consegue adiantar os desafios em torno desses
- 43:39momentos de gargalo. Vou dar um exemplo, o Margit,
- 43:44o Acuro Caído, que é um dos primeiros boss ali
- 43:48também, depois tem o Godric, que é o Enchertado,
- 43:52e são duas criaturas muito importantes do jogo, se
- 43:55acaba meio que enfrentando as duas próximas, pelo
- 43:57menos as minhas experiências foram assim, e elas
- 44:00desbloqueiam vários assuntos do jogo, elas dão acesso à
- 44:06parte do jogo importante, e eu acho que a partir do
- 44:10momento que eu superei eles, o jogo se abriu
- 44:12bastante para mim. Mas nada impedida, eu explorar
- 44:16muito e vivência a outros desafios e tudo mais, antes
- 44:21de enfrentar eles, então eu podia ter chegado muito
- 44:23melhor, com o meu personagem muito melhor ali
- 44:25em cima. Então a dica que eu dou, é que
- 44:28isso tudo se relaciona muito com aquela máxima,
- 44:33que tanto você vai ver em dica de RPG dentro da
- 44:37esfera OSR, por exemplo, o Diogo Nogueira, o Justin
- 44:40Alexander falou disso no Alexander, que é, prepare
- 44:44na sua aventura, prepare situações apenas, que é bom
- 44:49você evitar pensar numa forma ideal, que o desafio
- 44:52vai ser superado, porque a tendência é que você comece
- 44:54a influenciar os jogadores a seguirem a sua solução,
- 44:57em detrimento de outras possíveis, que você entenda,
- 45:01que você parametrize o desafio, que você vai
- 45:05propor, em vez de delimitar e parametrizar as soluções,
- 45:08ou seja, entendo o desafio, em vez de ficar tentando
- 45:11abordar a solução na sua preparação, foca em
- 45:15desafiar, solucionar o problema dos jogadores, você
- 45:18só precisa estar aberto realmente as soluções. Isso
- 45:22inclusive, vai levar os jogadores a terem
- 45:24possibilidades suficientes de resolução, para que eles
- 45:30tenham até escolhas difíceis, gestão de
- 45:32recursos, quando que eles vão fazer isso, isso tudo
- 45:36são escolhas, então eles terem possibilidade, eles
- 45:38têm jogo, vai trazer interesse para outras partes
- 45:43do jogo também. As diferentes soluções também
- 45:47que os jogadores vão trazer, elas devem impactar
- 45:51o mundo de diferentes formas, se as soluções são
- 45:55diferentes entre si, o impacto delas também tem
- 45:59que ser, e você e o mestre deve aproveitar essas
- 46:02diferenças em jogo. Então, se o grupo conquista um
- 46:05forte, em feitiçando o líder do bando que estava
- 46:08ocupando esse forte, isso tem que pactar o mundo
- 46:11sensivelmente diferente do grupo que chega lá no
- 46:15forte, seifando geral na Fireball. No
- 46:19RPG, isso tem que ser mais verdade ainda do que no
- 46:21Alden Ring, porque traz mais liberdade e você
- 46:24consegue conduzir esse impacto de uma forma mais
- 46:27tranquila, você não tem que programar coisas, etc.
- 46:30Então, não somente você dá
- 46:33amplitude de soluções para os desafios, mas que essas
- 46:37diferentes soluções impactem o mundo de forma diferente
- 46:40também. Todos já ouviram as lendas do
- 46:49Norte, mas ninguém sabe o certo que tem lá.
- 46:52Maldições, criaturas terríveis, tesouros
- 46:55mágicos e quezas esquecidas, é o que as histórias
- 46:58contam. Depois da Grande Muralha, nas
- 47:03tavernas dizem que a companhia dos Biltres se
- 47:06instalou nos limites do mundo, e está financiando
- 47:08aventureiros para explorar essa terra maldita. Já
- 47:11vai fazer um ano a maláquias que muitos
- 47:13partiram para o Norte, deixando Valetim e viajando
- 47:17sete dias por esses veículos. Bom,
- 47:20morriado o céu, eu também estou partindo. Eu
- 47:22conheci dessa vida de merda, meu amigo. Mas
- 47:25então, maláquias, me fala, você vai vir também, eu
- 47:29vou passar o resto dessa tua vida patética, batendo
- 47:31carteiras. Eu não sei você, mas eu quero
- 47:33morrer rico, meu amigo. Fala,
- 47:37galera do Café, aqui é o Hikaru e eu queria fazer
- 47:39um convite para vocês. Fim de Esterra é uma mesa de
- 47:42Hexcrawl, que usa o Caves and Hex, espirado no Bestie
- 47:44de 81 que todo mundo ama, e é uma campanha que
- 47:47acontece no estilo mesaberto, o Cusin Ferco é
- 47:49um pô de colar, jogar com a gente, são sessões
- 47:51ebsóficas, quem pode jogar no dia, a gente monta um
- 47:54time e esse time sai para explorar. Então,
- 47:56queria fazer esse convite para vocês virem explorar
- 47:58esses hermos malditos, descobrir os segredos de
- 48:01cartelos abandonados, atravessar espelhos mágicos,
- 48:04encarar as brumas prateadas, tomar o chá da minha
- 48:06estrela, e vir buscar esses tesouros que foram
- 48:09esquecidos pelo tempo, em Finisterra. Essa
- 48:12mesa também, galera, usa o estilo de jogo, olha, eu
- 48:15fantase, e quem é o vinte do café, está ligado, o
- 48:18que eu sei. Então, espero vocês lá e valeu,
- 48:20Balby. Bom,
- 48:37terceira coisa que eu notei aqui de Alden Ring, uma
- 48:40lista bem limitada, mas acho que é uma lista
- 48:42interessante, é que o desafio no jogo, ele dá
- 48:46sentido à história e vice -versa. Existe
- 48:51uma história no Alden Ring, por trás desse jogo. Ele
- 48:55é um planeta ali, que está num momento de ruína, ali,
- 48:58em processo de se deteriorar completo, tem
- 49:01toda uma trajetória de deuses e semideuses, enfim,
- 49:06entidades, heróis com seus dramas de corrupção, que
- 49:10são muito evidentes no jogo, mas que você não
- 49:13precisa entender dessa história para os ofreio do
- 49:15jogo. Você pode passar pelo Alden Ring
- 49:17inteiro, sem você nem se ligar no papel de cada
- 49:20personagem naquela história, sem entender a trajetória
- 49:23do mundo, o passado de cada boss, de cada arma,
- 49:26de cada local. Você não precisa saber o que
- 49:29que diabos é um Alden Ring em si, mas você vai sentir
- 49:33um impacto estético disso tudo. Um
- 49:37exemplo palpável disso é o Godric, ele é um semideus
- 49:41descendente de Marica, que é uma deusa ali, é a
- 49:46entidade muito importante do mundo. Ele
- 49:50consegue, com o seu exército de desertores, ele
- 49:53consegue ganhar bastante poder, mas tem que fugir,
- 49:57ele passa a ser perseguido. Ele
- 50:01foge com esse exército de desertores e ele se
- 50:03estabelece num castelo chamado Storm Veil. E
- 50:07lá, sob pressão, ele investe o seu poder e a
- 50:10sua linhagem, os seus ascendentes ali, que ele
- 50:14idolatra, ele quer honrar essa ascendência dele, e
- 50:18ele investe isso tudo numa técnica de enxertar, no seu
- 50:22próprio corpo, pedaços dos inimigos vencidos, ainda
- 50:26vivos no seu corpo para aumentar o poder. Então
- 50:30ele começa nesse expediente para tentar ganhar poder,
- 50:32impressionar os seus ascendentes e fazer sua
- 50:35história, etc. E virar o maior da sua
- 50:36linhagem, esses baratos. E fica uma coisa grotesca
- 50:41demais, esses enxertos dele. Isso
- 50:43vira um símbolo muito interessante desse
- 50:45personagem, que é esse cara que subjuga os demais para
- 50:50se impor, um comportamento das pessoas, que a gente
- 50:55consegue pintar dessa forma, numa anulogia muito
- 50:57interessante. E também de como as gerações
- 51:00de poder irradiam e derivam. Então,
- 51:04por isso, o Godric dá origem a outros seres
- 51:06enxertados, verdadeiras aberrações, às vezes ainda
- 51:10mais sinistras do que ele. Só
- 51:14que você não precisa saber do relacionamento do Godric
- 51:17com Godfrey, com seu ancestral ali, e você não
- 51:21precisa saber que ele quer honrar esse ancestral,
- 51:23superar esse ancestral, que ele quer se apossar da
- 51:27linhagem dele, você não precisa saber que ele foi
- 51:30forçado a humilhação para o Meroína, e que, frente aos
- 51:33seus comandados, duvidando da sua potência, ele
- 51:36resolveu eliminar todo mundo, e se isolando na
- 51:39sua loucura, conforme ele fagocita quem conseguiu
- 51:43subjugar. Você não precisa nada disso.
- 51:46Você vai ver no castelo, quando
- 51:48você entra, os corpos ambulantes ali, esquecidos
- 51:52pelos corredores, os mortos vivos, você vai ver membros
- 51:56e partes de corpos de criaturas diversas,
- 51:59penduradas no teto pelos ganchos e cenas tétricas,
- 52:05você vai ver corpos imensos sendo devorados por cães,
- 52:09zumbis, coisas assim que deixam claro. Você
- 52:13vai ver bolas de carne caóticas, de enxertos que
- 52:17devem ter dado muito errado, você vai ver isso
- 52:19no jogo, você vai sentir isso. Como
- 52:22diria o David Lynch, você não precisa entender, você
- 52:26só precisa sentir. Mas se você quiser entender,
- 52:29tem uma lore muito rica que informou toda essa
- 52:32construção estética, criada pelo próprio George Martin,
- 52:36do Game of Thrones, ele escreveu esse cenário, e
- 52:40que essa escrita, essa história, serviu de
- 52:42substrato para informar esteticamente, e trazer
- 52:46muitas ideias estéticas pro jogo. E
- 52:50você sente isso, você não precisa saber da história
- 52:53para sentir isso tudo. E acaba que você entra em
- 52:57contato com essa história, com essa estética,
- 53:00denunciando essa história, ainda que por caminhos já
- 53:04às vezes não racionais, você não vai ouvir a
- 53:09história sendo contata, você vai sentir que há essa
- 53:11história ali, e isso se dá através do desafio, você
- 53:15tentando superar os desafios que o Miyazaki botou pra
- 53:18você. Então esse desafio vai dar
- 53:20sentido pra história. E eu mesmo, que não sou de
- 53:24me importar muito com lore dos jogos eletrônicos, eu
- 53:26me peguei buscando depois de um tempo informações
- 53:29sobre essas criaturas, sobre esses bosses, sobre esse
- 53:32mundo, e tentando evitar as poucas cutscenes que tem no
- 53:36jogo e os diálogos de história, porque eu passei
- 53:40a achar interessante aquilo, aquilo me fisgou, e de
- 53:43certa forma em retorno, isso também enriquece o
- 53:47próprio desafio do jogo. É a diferença entre você
- 53:50matar um dragão, vermelho, bizarro, lá da DLC, porque
- 53:55aquilo é um desafio foda, e a diferença disso pra
- 53:57você matar o mesmo dragão, mas que por... você
- 54:01tá matando ele por vingança, você tá vingando
- 54:03um herói que você encontrou antes, e que você vê ele
- 54:06caído, você vê ali, ele subjugado. Assim
- 54:11como você tantas vezes se sentiu, tantas vezes você
- 54:15parou de jogar porque você foi derrotado, derrotado,
- 54:17derrotado, e esse herói parou, e você se identifica
- 54:19com ele e compra a luta com o dragão de uma outra
- 54:22forma. Então, o ciclo se fecha, o
- 54:27desafio informando a narrativa e a narrativa
- 54:29enriquecendo o desafio também. E
- 54:32a dica aqui, né, para o seu RPG, é que não é RPG
- 54:36focado no desafio, como é o Elden Ring no videogame,
- 54:39o seu foco não é contar história, mas não por isso
- 54:42não há narrativa no seu jogo. Você
- 54:44pode usar de construção narrativa de modo
- 54:47utilitário, de forma dá umidade e dialogar com o
- 54:52seu desafio, umidade de sentido, de construção
- 54:56narrativa para o seu desafio, enriquecendo esse
- 54:58desafio, e também dando uma outra camada para a ficção
- 55:03do jogo, que não precisa necessariamente ser
- 55:05experienciada enquanto narrativa, mas que pode ser
- 55:08experienciada também de forma estética, porque ela
- 55:11existe, porque ela está ali, né, e que é natural
- 55:15que exista, né, que pode ser bem trabalhada assim
- 55:18como é em Elden Ring. Isso acontece muito em DCC, por
- 55:21exemplo, Dungeon Crawl Classics. Tem
- 55:23dungeons ali que têm um lore por trás, tem deuses
- 55:26diferentes e tal, mas você vai andando pela dungeon e
- 55:30aquilo ali não necessariamente precisa ser
- 55:31entendido para você superar o desafio, mas até se você
- 55:33às vezes entende um pouco a história que acontece por
- 55:37trás daquela situação ali, e aquilo pode trazer até
- 55:40alguns ensaís para você superar desafios, então as
- 55:43coisas sim laçam, porque é muito interessante, né.
- 55:48Outro ponto que eu queria abordar
- 55:49aqui do Elden Ring é que os props do jogo carregam
- 55:52o seu legado, porque é muito maneiro, né, e aqui
- 55:56estou falando dos props, estou falando dos itens,
- 56:00estou falando, sei lá, estou falando de itens
- 56:03específicos, estou falando de itens gerais de armas,
- 56:05estou falando de algumas peças de cenário, estou
- 56:09falando desse tipo de coisa, o que está em volta
- 56:11dos personagens, mas até os personagens, assim, a gente
- 56:13pode dizer, os personagens carregam também o legado do
- 56:17jogo, o que é que eu quero dizer com esse
- 56:19legado, né. Eles denunciam a história, eles
- 56:24se relacionam com o mundo, e eles trazem também
- 56:27funcionalidades e possibilidades de uso dentro
- 56:31do jogo, que te levam a jogar de outra forma,
- 56:36pivotar certas táticas ou abordagens que você possa
- 56:39ter, porque você foi influenciado, porque você
- 56:42viu possibilidades diferentes a partir daqueles elementos
- 56:47do jogo. Até mesmo em character design,
- 56:52mas também no design dos props, dos itens e tudo
- 56:54mais, isso é muito interessante. Tem
- 56:56uma customização muito grande possível também a
- 56:59partir dos itens que você recebe, dos crafts que você
- 57:01faz, e acaba que eles ao mesmo tempo pautam como
- 57:07você joga, mas também são melhorados e retrabalhados a
- 57:10partir do seu jogar, então você vai melhorando a sua
- 57:12espada, você pegou uma espada e achou que a
- 57:14espada é boa, então isso impacta o jeito que você
- 57:17vai jogar a partir de agora, você achou maneiras,
- 57:19às vezes não é tão boa, mas é maneira, essa espada
- 57:21é legal a jogar com essa espada, você resolve jogar
- 57:23com ela, e aí o jogo te traz a possibilidade de
- 57:26melhorar essa espada, e você vai atrás de outras
- 57:29coisas também em cima disso. É
- 57:32muito interessante você ver essa evolução e como você
- 57:35responde a ela e como uma coisa também vira um ciclo.
- 57:38Eu lembro quando eu peguei o
- 57:39dragão que o Godric acoplou no seu braço, ele enxertou
- 57:42um dragão no braço dele, isso é um spoilerzinho, mas
- 57:45acho que nada demais, e cara, é muito legal você
- 57:49poder, tipo, depois que derrota o Godric, se você
- 57:52pega a herança que você teve dele lá e leva em um
- 57:54lugar específico, você consegue trocar aquilo por
- 57:57um item, que é um dragão que você acopla, é um
- 58:00enxerto que ele tinha, você pega pra você. Eu
- 58:03fiquei obcecado com aquilo, eu falei que cara, que eu
- 58:05quero muito usar esse enxerto, cara, e deu
- 58:09vontade de mudar tudo pra poder jogar com aquilo.
- 58:13Isso é muito interessante, a
- 58:14gente começa a catar essas possibilidades também, não
- 58:17somente a evolução do nosso personagem por si só, mas
- 58:20pela evolução das coisas do mundo, por pedaços do
- 58:24cenário que são interessantes, que você acha
- 58:26maneiro por coisas do itens e coisas do ambiente, então
- 58:30essas coisas vão impactando o jogo de um jeito muito
- 58:33marcante. E obviamente, você pode fazer
- 58:38o grind pra conseguir mais runas, que é tipo XP do
- 58:41jogo, faz você lever lá, você pode fazer um grind
- 58:43pra conseguir mais runas, aí você melhorar seus
- 58:46estatísticas, mas você pode também ir atrás de
- 58:48relíquias, talismãs, feitiços, e outras coisas
- 58:51que vão ajudando você a construir o seu poder, não
- 58:55seriamente dessa forma ter um vertical do leveling,
- 58:58mas por outros caminhos. E a tua própria personalidade
- 59:02do jogo vai sendo construída em cima disso,
- 59:04não tem muito interessante ver como você modifica o
- 59:08seu jogar a partir disso. E
- 59:11o legado do jogo que eu estou falando é porque isso
- 59:13tudo é escorado, é bem escorado na história, é bem
- 59:21escorado no mundo de aventura, como ele é
- 59:25construído nesse mundo simulado, esse mundo de
- 59:29aventura ele reflete muito bem essas opções que você
- 59:32vai tendo, porque quando você pega um item, esse
- 59:35item não é somente um item qualquer, ele é um item
- 59:38que foi utilizado por alguém no passado, que era
- 59:41muito importante, que se você for atrás você vai
- 59:43ver que tem uma história, e essa pessoa se relaciona
- 59:46com outra coisa que você vai fazer, ou se relaciona
- 59:48com aquele local que você foi lá de descobrir, e
- 59:51isso é muito gostoso de você ver que tudo isso vai
- 59:54carregando, esse legado do jogo vai reforçando essa
- 59:58verossimilhança na sua cabeça, você passa a morar
- 1:00:01naquele ambiente, você passa a se revestir daquilo que
- 1:00:04é muito gostoso. Eu mesmo tenho evoluído no
- 1:00:08jogo sem muito farm, sem muito grind, não tenho
- 1:00:11feito muito leveling assim, eu não fiquei catando muita
- 1:00:15runa, eu fui jogando o jogo e ele vai trazendo as
- 1:00:19runas suficientes para eu fazer o leveling, mas eu
- 1:00:22não fico farmando muito, então você acaba podendo
- 1:00:25jogar de forma mais fácil se você ficar focando nessa
- 1:00:28melhora do personagem, antes de enfrentar as maiores
- 1:00:31lutas, mas você pode também ir no ritmo das coisas que
- 1:00:35aparecem no mundo, você pode ir peladão sem ter
- 1:00:38nenhum, se você se garante, até a galera fala, por que
- 1:00:43eu vou usar armadura sem nem acertar do você? Se
- 1:00:46você se garante, isso vai ser armadura mesmo, mas é
- 1:00:48legal montando o seu personagem e vendo a
- 1:00:52evolução do visual dele, o chapéu, pegar um capacete,
- 1:00:56ele quer uma cabeça de um goblin, um gargola, isso é
- 1:00:59muito maneiro, os itens são muito maneiros, eles trazem
- 1:01:02uma estética, tudo se enlaça, é muito gostoso. E
- 1:01:06a dica que eu dou em relação a isso no RPG, é
- 1:01:08que você dê espaço para os jogadores se misturarem com
- 1:01:11o mundo, com esse legado do seu mundo, não trata o
- 1:01:14mundo, a história como se fosse alguma coisa separada
- 1:01:17da agência dos jogadores, você tem que estimular e
- 1:01:21permitir e promover que eles se misturem, que o
- 1:01:25jogador use uma arma que ele tirou do inimigo
- 1:01:27derrotado, que de repente era um zílots, um fanático
- 1:01:30da verdade, com V, mais guscro, e que ele estava
- 1:01:34acima do bem e do mal, então você teve que
- 1:01:36enfrentar essa figura, e de repente se usa a lâmina
- 1:01:39que você pegou dele ali para derrotar um semi -deus
- 1:01:41da mentira e dos sortilégios, mas tem que ir
- 1:01:44além disso, não é só usar isso uma coisa contra a
- 1:01:46outra, você de repente dá impacto nisso, permita que
- 1:01:50os jogadores negociem de repente bondos mecânicos
- 1:01:53para esse enfrentamento, temático que acontece, mas
- 1:01:57melhor do que isso, que isso seja usado na batalha
- 1:02:00pela ficção, conforme os jogadores batalham com o
- 1:02:04mestre pela ficção, como ocorre no RPG, que os
- 1:02:07próprios saclas de repente do Deus da Mentira, do
- 1:02:10caô, que eles temam essa espada, essa lâmina
- 1:02:14brilhando da verdade, de repente o Deus da Mentira
- 1:02:18já entra na luta com muito mais respeito, que tem
- 1:02:20receio em enganar quem impunha essa lâmina, trema
- 1:02:24na voz, é importante que se deixe que os jogadores
- 1:02:27tragam isso, em vez de você ficar pautando, deixa
- 1:02:31que os jogadores tragam isso, enquanto eles não
- 1:02:34trazem você toca o terror, mas eles vão chegando
- 1:02:37nessas soluções, eles vão percebendo essas conexões e
- 1:02:41esse legado, e vão utilizando esse legado,
- 1:02:43conforme eles vão utilizando esse legado, eles passam a
- 1:02:45fazer parte desse legado, que é o sentimento de
- 1:02:49pertencimento que o Wildling trais, que você pode trazer
- 1:02:52para o seu mundo. Outra coisa agora é voltando para
- 1:02:55o assunto do desafio um pouco, é que o desafio ele
- 1:02:58dá sentido a simulação e vice -versa, do mesmo jeito
- 1:03:02que a história, a simulação que eu estou falando é
- 1:03:04esse espaço simulado, esse mundo simulado, se você
- 1:03:07olhar ali o mundo, você tem ali um mapa, esse mapa
- 1:03:11é um mapa real do mundo, só que ele é um pouco
- 1:03:13abstrato, você não tem tantos detalhes assim, mas
- 1:03:17ele tem ali, o mapa você consegue perceber as
- 1:03:19regiões, você consegue perceber alguns marcos e
- 1:03:21tal, mas o fato é que você não consegue
- 1:03:23necessariamente perceber todos os caminhos do mapa,
- 1:03:27então às vezes você quer chegar numa parte do mapa,
- 1:03:29mas existem caminhos que você precisa percorrer,
- 1:03:31senão você não chega, então tem abismos no local, tem
- 1:03:35coisas que você não consegue acesso por
- 1:03:36determinadas regiões, mas por outras você consegue, e
- 1:03:39isso já vai trabalhando um desafio de locomoção muito
- 1:03:42importante no jogo, e que traz bastante coisa porque
- 1:03:47leva você a caminho de exploração também. Uma
- 1:03:52coisa interessante é que tudo que você vê, as
- 1:03:54paisagens do jogo são deslumbrantes, as cores, os
- 1:03:57temas, a melancolia da coisa toda, e é tudo muito
- 1:04:01deslumbrante, ou até quando é dark, deslumbrante, mas
- 1:04:06pode ser extremamente dark, pesado, visual também, e só
- 1:04:10que tudo que você olha de forma geral no jogo, eu
- 1:04:13sinto que você pode ir até lá, você pode alcançar
- 1:04:16aquele lugar, nada está pintado só para ilustrar,
- 1:04:21nada está pintado só para deixar você, olha que
- 1:04:23legal, sabe que bonito, não é isso, as paisagens são
- 1:04:27deslumbrantes, mas os detalhes são elementos de
- 1:04:30jogo, eu lembro quando eu estava olhando uma paisagem
- 1:04:34com o meu boneco ali, parei num parapeto, olhando
- 1:04:36uma bíjama, fiquei olhando uma paisagem, de repente eu
- 1:04:38percebi que tinha uma caverna ali, e eu dei um
- 1:04:42jeito de cruzar aquele abíjama, fui do outro lado,
- 1:04:44desci na caverna, e tinha uma danja, uma maneira ali
- 1:04:47com um item legal que eu acabei pegando, foi muito
- 1:04:49legal sentir isso acontecer e ver que aquilo ali não
- 1:04:53era uma pintura de um cenário, é o cenário mesmo,
- 1:04:56você vai até lá, isso a gente pode sentir em
- 1:05:01birgotem, jogando birgotem, a campanha aberta que a
- 1:05:04gente joga com a galera do café, é que teve um
- 1:05:08momento ali que a personagem da Fanta, da
- 1:05:13fantasma do comunismo lá do Twitter, e do Chico, que é
- 1:05:19um mago do grupo, a Clériga e o Magro, que
- 1:05:23estavam olhando pela primeira vez um forte, eles
- 1:05:26entraram no forte, dominaram um forte, um forte que
- 1:05:28fica numa colina, e a primeira vez que eles
- 1:05:31olharam, eles perceberam a paisagem do local, ele é
- 1:05:35um forte que fica num estreito, numa região muito
- 1:05:40ingrima e bem longe do litoral, e o Chico, o
- 1:05:44mago, uma hora ele olhou esse forte ali na Serra da
- 1:05:48Luneta, chamou de forte da Luneta, e ele falou assim,
- 1:05:52caralho, contra o que será que essa galera estava se
- 1:05:55protegendo aqui nesse forte? E
- 1:05:58isso foi uma pergunta muito emblemática para mim, porque
- 1:06:00o que ele estava fazendo? Ele
- 1:06:02estava olhando o ambiente, eu escrevi uma paisagem
- 1:06:04para ele, mas ele estava o tempo todo tentando entender
- 1:06:06como aquilo se traciona no mundo, e como a gente está
- 1:06:10falando de jogo, aquilo se traciona no mundo através
- 1:06:13do desafio, ele estava pensando no desafio que
- 1:06:17pode ter pela frente, e talvez até ainda as
- 1:06:19oportunidades que esse desafio vai trazer. E
- 1:06:22isso que eu chamo de contemplação, quando a gente
- 1:06:25fala contemplação na vida real, quando a gente para
- 1:06:28e olha coisas, medita em cima, pensa a respeito e
- 1:06:32admira as coisas, em jogos eu acredito que essa
- 1:06:35admiração, isso acontece muito através de um olhar
- 1:06:39tracionado pelo desafio, pela interatividade, de como
- 1:06:43aquilo vai levar a mais jogo, como aquilo vai
- 1:06:48aprofundar o jogo. Então no Aldo e Nuri, como você
- 1:06:50está vivendo a paisagem, existe esse lado de você
- 1:06:54admirar a paisagem, mas é tudo ali você pensando,
- 1:06:56caraca, tem uma coisa para lá, que será aquela árvore
- 1:07:00ali? Que será aquela fumaça que está
- 1:07:02a distância? Quem será aquele cedo de
- 1:07:05cambalhante para lá? Tudo isso é jogo. Então
- 1:07:08o tempo todo está considerando o que aquilo
- 1:07:10significa dentro dos seus valores de gestão de risco
- 1:07:15e de entender a sua agência ali dentro. E
- 1:07:19é isso que dá significado dentro do jogo. A
- 1:07:22dica que eu trago daí é que a simulação dentro do
- 1:07:27RPG é um espaço imaginário do jogo, mas ele não é um
- 1:07:31fim em si. Você ficar descrevendo com muito
- 1:07:34detalhe, muita minúcia, tudo que os jogadores veem e
- 1:07:37tocar o mundo e tocam dentro do mundo sem buscar
- 1:07:40um sentido, o jogo passa e o engajamento é o mesmo
- 1:07:43que você vai ter se você ler as milhares de árvores
- 1:07:46que o Tolkien descreve nas jornadas lá da companhia do
- 1:07:49Anel, no Senhor dos Anéis. São
- 1:07:52inscrições que vão passar por você, mas que não vão
- 1:07:54empregnar na tua cabeça porque não tem um sentido,
- 1:07:58eles não têm um sentido dentro do jogo. É
- 1:08:01diferente de você olhar, você de repente olhar a
- 1:08:06flora de uma região que você está trafegando no
- 1:08:09jogo e você sabe que isso tem a ver com uma busca
- 1:08:12desesperada por uma planta específica que pode
- 1:08:15neutralizar o veneno que está se abatendo sobre um
- 1:08:18aliado seu. E aí você passa a
- 1:08:21internalizar a descrição desse ambiente de outra
- 1:08:23forma. Por quê? Porque
- 1:08:25está sendo dado um sentido dentro disso, que dentro de
- 1:08:28jogos é dado por essa interação na busca de
- 1:08:32superar o desafio. E isso é muito interessante.
- 1:08:36E é isso que eu trago para
- 1:08:36você. Eu acho que é importante de
- 1:08:38certa forma você trazer, você misturar esse momento
- 1:08:43da contemplação, quer dizer, não é nem contemplação,
- 1:08:47você misturar esse momento de observação, de admiração,
- 1:08:50de despissão do ambiente com o jogo, com o desafio,
- 1:08:54com os elementos de interatividade importantes
- 1:08:57para o jogo. E isso leva para o último
- 1:09:01ponto que eu queria trazer aqui, de dica, que é a
- 1:09:04constituição do desafio em si. O
- 1:09:07desafio no ordering é foda, mas não necessariamente a
- 1:09:10dificuldade, como o próprio Miyazaki falou. O
- 1:09:13desafio alcerne desse jogo. Isso
- 1:09:15você acredita, diferente de mim, que jogos devem ser
- 1:09:20jogados como concebidos, como o game designer
- 1:09:24pensou. Só por aí já dá para pensar
- 1:09:27que o easy mode dentro do ordering já vai
- 1:09:31diametralmente na direção aposta, já é contra
- 1:09:35completamente o criador propõe dentro do ordering,
- 1:09:40dentro do jogo Souls, porque mitiga o desafio que
- 1:09:43é o foco do jogo dele. Mas
- 1:09:45que desafio é esse? O desafio nesse caso é você
- 1:09:49medir o jogo, você entender os caminhos, e superar o
- 1:09:54desafio por esses caminhos possíveis, que você percebe,
- 1:09:58e que pode ser tão fácil ou tão difícil quanto você
- 1:10:01quiser, dependendo do caminho que você escolher.
- 1:10:05Você mesmo, como jogador, vai
- 1:10:07fazer muito a coradoria da própria experiência dentro
- 1:10:10do desafio que o jogo propõe, dada a liberdade
- 1:10:13que o jogo propõe. Isso é possível porque o jogo
- 1:10:16escancara o desafio, ele deixa o desafio muito
- 1:10:19claro, ele não te esconde nada, ele não modela o
- 1:10:23desafio para aumentar e diminuir de forma dinâmica,
- 1:10:26de acordo com o como você tem desempenhado ali, ou
- 1:10:29como o de acordo com os seus humores, para te
- 1:10:33agradar. Ele não diminui a sua hitbox,
- 1:10:37ou a tua perda de vida, de acordo com o momento
- 1:10:40que você está vivendo para enfiar você no estado de
- 1:10:43flow, artificialmente, para você entrar nesse estado de
- 1:10:47flow de uma maneira artificial, ele não quer te
- 1:10:49induzir a isso, ele deixa que você chegue lá. Você
- 1:10:52pode entrar no estado de flow, mas sem que o jogo
- 1:10:56necessariamente fique te dando uma muleta para isso,
- 1:10:58sem que o jogo fique ali modulando a tua experiência
- 1:11:01nesse nível, ele deixa que você mesmo faça um pouco
- 1:11:05da sua coradoria ali conforme você joga. Então
- 1:11:08ele não vai te facilitar isso, ele vai só promover
- 1:11:12o ambiente para que você busque a sua diversão do
- 1:11:15jeito que você quiser. Eu, por exemplo, estou jogando
- 1:11:18Elden Ring com uma classe que dizem que é a WISI
- 1:11:21mode, eu estou jogando de caster, estou jogando ali
- 1:11:24de mago, eu sou astrólogo, e de fato é muito mais
- 1:11:29fácil do que da outra vez que eu estava jogando, que
- 1:11:31eu estava jogando com um espada chinha, é outro
- 1:11:35lance, é outro lance bem mais fácil. Ainda
- 1:11:38que tem momentos mais difíceis, isso já me traz
- 1:11:40várias facilidades para o jogo, e dado que eu tenho
- 1:11:43até menos tempo, foi o jeito que eu encontrei,
- 1:11:45estou fazendo minha coradoria. Eu
- 1:11:47sei que tem clássicas que devem ser divertidíssimas de
- 1:11:49jogar, mas até às vezes mais difíceis de pegar a
- 1:11:52dinâmica, que você tem que usar muito Perry, muito
- 1:11:55Block, muita coisa assim que eu ainda não tive que
- 1:11:58encarar tanto assim, só pontualmente ali no jogo,
- 1:12:02eu tive que encarar, porque escolhi uma classe que, de
- 1:12:04certa forma, tem suas vantagens ali no range, na
- 1:12:08distância que ela enfrenta, que é uma coisa particular
- 1:12:12do Audemaring em relação aos outros Souls que eu
- 1:12:15vi. E tudo bem, isso é possível
- 1:12:18porque o jogo escancara esse desafio e te permite
- 1:12:21ter jogo em cima disso, e ele vai te modelar para
- 1:12:24que você, independente da sua classe, tenha que
- 1:12:27passar pelo mesmo tipo de altos e baixos em cada
- 1:12:31encontro. Os inimigos, então, sinalizam
- 1:12:35os perigos que eles representam. Suas
- 1:12:37ameaças fazem sentido com o seu tamanho, com a dimensão
- 1:12:41do sprite do boneco ali, com a armadura que ele
- 1:12:45usa, com o equipamento que ele usa, se ele está a
- 1:12:47cavalo, se ele é uma besta, se ele tem uma
- 1:12:50labarda, se é um monstro giganteixo que pode matar
- 1:12:53por desmagamento, então ele se joga em cima de você,
- 1:12:55sabe? Esse tipo de coisa faz diferença
- 1:12:57no jogo, ele é muito bem amarrado em torno disso,
- 1:13:00então você vai entendendo o que esperar dos desafios
- 1:13:04daquele monstro. Você tem um ataque especial, o
- 1:13:07jogo chega a te dar três sinais de antecipação, ele
- 1:13:11telegrafa, a criatura se mexe de um jeito
- 1:13:14específico, o ambiente responde com os sinais, o
- 1:13:18barulho, o som, o entorno, sinalizam que vai vir
- 1:13:22alguma coisa pela frente, para cada golpe, para cada
- 1:13:25coisa. Então, por exemplo, tem uma panta
- 1:13:26carnívoro gigante do mundo, assim, um nada especial,
- 1:13:31mas que, além de jogar veneno no ambiente, no
- 1:13:34polém, isso é danunciado por uma névoa verde, que
- 1:13:38está o tempo todo ali pairando, ela estica o
- 1:13:41caule com um pescoço, né, no caule dela, e o
- 1:13:45silêncio na região aumenta, você consegue ver, de
- 1:13:48repente, pequenas luzes em volta de você, que de
- 1:13:51repente viram feixes de luz, escortam o ar na área
- 1:13:54sinalizada e acabam contigo. Se
- 1:13:57você resolve ficar ali naquela área, para tentar,
- 1:14:00de repente, dar mais um golpe, e você fica tentando
- 1:14:02ficar até o último momento ali, pode ser que não dê
- 1:14:05tempo de você sair, e aí você vai tomar um dano
- 1:14:07pesado, você pode morrer ali, mas a luta é fácil
- 1:14:11de forma geral, mas você às vezes falha nisso, você
- 1:14:14fala que ele queria dar só mais um golpe, e aí você
- 1:14:16ficou exposto aqui, e aí morreu, né, só que, cara,
- 1:14:22os golpes também seguem sequências específicas, às
- 1:14:26vezes até repetidas, né, e é quase como se cada
- 1:14:29oponente tivesse uma personalidade também, sabe,
- 1:14:32você consegue usar isso e as entrepassões a seu
- 1:14:35favor, por mais difícil ou fácil, que seja determinada
- 1:14:38a luta, principalmente a conta que eu sou a classe,
- 1:14:41o seu nível de poder, etc. E
- 1:14:43o caminho que você escolheu, as táticas que
- 1:14:45você escolheu. Então, nada escondido, tá tudo à
- 1:14:49mostra, você só precisa lidar com tudo que compõe
- 1:14:51esse desafio, e isso às vezes é difícil e
- 1:14:55suficiente, mas de modo geral você sente progresso,
- 1:14:58porque você vai conhecendo melhor, você vai
- 1:15:00investigando melhor, você vai nutrendo mais
- 1:15:03informações sobre aquele conflito, aquele obstáculo,
- 1:15:06né, e não é imediato, muitas vezes é pesado,
- 1:15:09muitas vezes você sabe o que você tem que fazer,
- 1:15:13mas você fica nervoso, e aí você erra, e isso é
- 1:15:16frustrante, né. E um dos maiores desafios é
- 1:15:19justamente você manter a calma, né, você usar o que
- 1:15:21você vai conhecendo, manter o juízo no combate, e é
- 1:15:25gostoso de ver que essa confiança, essa calma você
- 1:15:29vai desenvolvendo, e às vezes sem começar do zero,
- 1:15:32porque de repente uma luta se desestabilizou, né, e aí
- 1:15:35você tem que aprender novamente, desenvolver
- 1:15:37novamente essa calma, e isso muitas vezes é... é
- 1:15:40estressante mesmo, você fica frustrado, né. Quantas
- 1:15:45vezes eu tava lhe lutando o mundo invadido, né, tem
- 1:15:48esse negócio de um NPC fodão, de repente invade o
- 1:15:51mundo, você fica preso ali com aquela criatura, essa
- 1:15:54lá, eu já enfrentei, por exemplo, a Nastácia, a
- 1:15:56devoradora manchada, morri, morri, morri, morri, e lá
- 1:16:00pelas tantas eu tava vencendo ela, eu tava com
- 1:16:02um fiozinho de life de vida ali, eu falei, puta,
- 1:16:05eu vou dar um crítico nela aqui, e aí acabou, sabe,
- 1:16:09GG, investi tudo pra tentar dar o crítico nela, e
- 1:16:13acabei sendo ambicioso demais e deu abertura pra
- 1:16:16ela me trucidar com duas porradas, e dali foram
- 1:16:19mais, sei lá, mais uns seis, sete tentativas até
- 1:16:22eu conseguir voltar a quase matar ela, né, então, penei
- 1:16:28pra caramba pra matar mais Matei, foi interessante, foi
- 1:16:30uma luta que eu fiquei muito feliz de ter passado,
- 1:16:33sabe. Então, eu apanhei, mas eu sei
- 1:16:37onde errei, sabe, isso é o suficiente. Então,
- 1:16:41a dica que eu dou pra RPG, a partidão Aldo e Nui
- 1:16:44aqui nesse caso, é antecipe o desafio, o telegraph, não
- 1:16:47tenha medo de entregar muito, não tenha medo de
- 1:16:50errar pra cima, isso é muito desejável, é você
- 1:16:54sinalizar o perigo, nunca é demais, né, ele pode ser
- 1:16:59de menos, mas demais nunca vai ser. O
- 1:17:02Ben Milton mesmo fala sobre isso, e ele advoga o Ben
- 1:17:06Milton lá do Quest in Beast, do Nave e tal, Maze
- 1:17:10Rats, ele fala sobre isso, ele advoga até você pular
- 1:17:13a detecção de armadilha, por exemplo, pra você
- 1:17:15deixar que os jogadores lidem com elas já sabendo
- 1:17:19que elas estão ali, né. E aí o mestre pode utilizar,
- 1:17:22né, o fato dessa armadilha tá ali como elemento de
- 1:17:24pressão, uma partida tentativa de desarmar ou de
- 1:17:26lidar com o que tem em volta, quando os jogadores
- 1:17:29entendem que ali é um perigo, né, então eles têm
- 1:17:31que entender que aquele perigo faz parte do
- 1:17:33ambiente, eles têm que lidar com aquilo. Groudon
- 1:17:36Ring tem aquele trem da morte na tumba do herói,
- 1:17:39né, da periferia, que é um tipo, não sei lá, parece
- 1:17:44um trem fantástico, um tremzão, assim, um bagulho
- 1:17:47que vai te atropelando, te mata mesmo, mas cara, é
- 1:17:51muito óbvio, essa armadilha é muito óbvia, sabe, ela
- 1:17:54ainda é gigante, ela é barulhenta, né, mas não
- 1:17:57menos mortal por isso. Tem um artigo também do Goblin
- 1:18:01Punt, que não é tão radical quanto o Ben
- 1:18:04Milton, mas defende que as melhores armadilhas são
- 1:18:07aquelas que são esplanadas, que você já sabe que tá
- 1:18:10ali. E isso vale pra armadilha,
- 1:18:12mas também pra monstro, né, e pras lutas dos monstros,
- 1:18:15esses poderes especiais, o contexto em que eles estão,
- 1:18:19em que eles vivem, as ameaças que eles representam
- 1:18:21e as oportunidades também. E
- 1:18:24aqui, vale lembrar que Alden Ring também ensina
- 1:18:27pelo erro, né, nada é perfeito, e ele falha,
- 1:18:30muitas vezes, em antecipar as recompensas, né. Muitas
- 1:18:36vezes ele não tem boas iscas pra ajudar você a
- 1:18:39fisgar o jogador pra topar o desafio, né. Num
- 1:18:42jogo como Alden Ring, ou principalmente como RPG que
- 1:18:45te dá muita liberdade, é importante que o jogador
- 1:18:49tenha essa isca pra assumir perigos, né, aquele top dos
- 1:18:53desafios. É curioso que no Alden Ring
- 1:18:56você vai ver muita mensagem colocada ali por outros
- 1:18:59jogadores, avisando, né, visivelmente frustrados com
- 1:19:02o loot, falando tipo, tudo isso por um cogumelo, sabe.
- 1:19:06E é legal ver isso, porque
- 1:19:07você vê que às vezes foi mal sinalizado, ou não tem
- 1:19:11muito uma isca pra você, né. E
- 1:19:14no RPG legal você botar essas iscas pra justamente
- 1:19:16poder você brincar com esses elementos de pressão.
- 1:19:20Então antecipa os perigos das
- 1:19:23criaturas, né, antecipa, coloca sequências, dela tem
- 1:19:27aquele livro lá do kit, não sei das quantas que
- 1:19:32ele se nome agora, os monstros sabem o que eles
- 1:19:34fazem, os monstros sabem o que eles estão fazendo, que
- 1:19:37era um blog até, e que ele explica tácticas pros
- 1:19:40monstros, né, de acordo com suas características
- 1:19:42fisiológicas, com seus melhores ataques, sequências
- 1:19:45e tal. E é legal você tentar
- 1:19:47entender, né, como construir esse monstro, esse desafio,
- 1:19:52essa armadilha de forma que o ambiente se comunique por
- 1:19:56ela, que você consiga antecipar os riscos que os
- 1:19:59jogadores consigam medir esses riscos e investigar
- 1:20:02até mais, ainda que sob pressão eventualmente, e que
- 1:20:05isso possa permitir que eles entendam o risco, que
- 1:20:09eles trabalhem com esse risco uma vez presente,
- 1:20:12porque aí quando eles morrem, quando eles se dão
- 1:20:13mal, quando eles falham, eles sabem que eles toparam
- 1:20:17o desafio, que eles foram atrás, que eles arriscaram
- 1:20:20alguma coisa, que eles botaram alguma coisa em
- 1:20:23risco que se deram mal, e também quando eles se dão
- 1:20:25bem, eles sabem que você não afrochou. Então
- 1:20:28acho que essa é a última dica, que você conecta com
- 1:20:31a primeira de todas, mas é como construir legal o seu
- 1:20:35desafio. Droga, droga! Ninguém
- 1:20:44está ouvindo minhas mal -dissências! Mestre,
- 1:20:51invadir os sonhos das pessoas com pressários e
- 1:20:54mensagens cifradas não funciona tão bem para você
- 1:20:58espalhar a sua maldição e botar o mundo a seus pés?
- 1:21:03Posso dar uma sugestão? Mas
- 1:21:06que petulante! Você? Uma sugestão? Conde
- 1:21:14milacai? Qual a sua ideia? Os
- 1:21:17caminhos oníricos são muito tortuosos e geram muitas
- 1:21:22dúvidas. Ninguém entendeu suas pragas,
- 1:21:26Mestre. Você é incrível, ímpar,
- 1:21:29magnânimo, mas precisa transformar sua experiência
- 1:21:35em influência. Já pensou em falar para um
- 1:21:39público muito maior, de forma mais clara e
- 1:21:43construir mais credibilidade? Ha!
- 1:21:47Você está sugerindo que eu crie um podcast lacayo? Mas
- 1:21:52qualquer um tem um podcast hoje em dia. É
- 1:21:55só pegar o microfone, meia boca e botar no ar. Eu
- 1:21:58não sou qualquer um. Eu preciso de um diferencial!
- 1:22:04Sim, Mestre, precisamente isso.
- 1:22:08Eu fiz recentemente uma
- 1:22:09descoberta, cara, entre nós, que pode ser o seu
- 1:22:12interesse. Veja, veja só isso. Olá,
- 1:22:20você já conhece o MKPE Studio? É
- 1:22:23o estúdio de onde o Boi e o Balbi gravam suas lives
- 1:22:26de Quinta com Johnny Telles, diretamente do
- 1:22:29Butantan, em São Paulo. O MKPE conta com equipamento
- 1:22:32de ponta, câmeras incríveis, microfones excelentes, um
- 1:22:37espaço facilmente adaptado às suas necessidades e tudo
- 1:22:41mais que você precisa para uma transmissão de
- 1:22:43qualidade. Seja podcast, videocast, cursos e
- 1:22:46lives. Transforme a sua experiência e
- 1:22:50influência. Acesse o Instagram, MKPE Underline
- 1:22:55Studio e confira o portfólio. Aí
- 1:22:59é só consultar o Johnny sobre como fazer a magia
- 1:23:02acontecer. E aí, Mestre, o que achou da
- 1:23:07sugestão? Só respondo, Seforno, super
- 1:23:12chat! Para
- 1:23:33concluir, acho que frustração faz parte da
- 1:23:35vida, gente. Eu sei que a vida pode ser
- 1:23:37dura, muitas vezes a gente busca fuga nos jogos e
- 1:23:40tudo bem se você quer jogar um jogo que te pegue
- 1:23:42pela mão até a vitória. Mas
- 1:23:45jogos também podem ser ambientes seguros de falha,
- 1:23:48de fracasso, de frustração e principalmente de
- 1:23:51superação. É gostoso demais você triunfar
- 1:23:54quando o desafio é real, quando o risco é de
- 1:23:58verdade, sem a possibilidade de um clímax, o clímax é
- 1:24:03muito atenuado. E isso é um dos pontos onde
- 1:24:06o RPG brilha e o Elden Ring também. Pode
- 1:24:10não ser a sua pira, tem jogos diferentes que
- 1:24:13trabalham a falha de maneira polisêmica, que
- 1:24:16trocam o seu fracasso amargo por uma marmelada
- 1:24:20super doce, mas esse certamente não é o meu
- 1:24:23rolê. Bom, para terminar aqui, vou
- 1:24:27deixar uma inquete, uma pergunta para você. Você
- 1:24:30acha que jogos, souls, Tiam que ter Easy Mode, você
- 1:24:35acha que Elden Ring tinha que ter Easy Mode? E
- 1:24:38outra pergunta que eu deixo para você escrever a
- 1:24:40respeito, pode botar nos comentários, pode comentar
- 1:24:43coisas além disso também, mas quais outras lições
- 1:24:46você pode trazer dos videogames, não
- 1:24:49necessariamente dos souls, do Elden Ring, mas você
- 1:24:52pode trazer dos videogames para os RPGs. Comenta
- 1:24:55aí e divide com a gente essa tua experiência.
- 1:24:59Lembrando que vou deixar os links
- 1:25:01citados no episódio, o link para o Elden Ring na
- 1:25:04Steam, para a entrevista do Miyazaki que eu citei, vou
- 1:25:09deixar um link para o artigo Some Traps do Goblin
- 1:25:13Punch, vou deixar um link para o vídeo Stop Hiding
- 1:25:18Traps do Ben Mewton, os dois em inglês, deixar um
- 1:25:21link também para o conteúdo aberto do Café com Dungeon,
- 1:25:23que tem as mesas abertas que vocês ouviram nas
- 1:25:26vinhetas, então vocês podem clicar lá para ver o jogo
- 1:25:29gratuito que você pode jogar com a gente, testar
- 1:25:31o nosso jogo. Vou deixar também o livro do
- 1:25:35Kit Amang, que é os monstros sabem o que estão
- 1:25:40fazendo. Então é isso aí. Lembre
- 1:25:43que você pode apoiar o Café com Dungeon, você quer
- 1:25:46o Café Volte a ter cinco episódios de semana, então
- 1:25:50ajuda a gente a ir. Considere
- 1:25:51apoiar o projeto na expansão do Café com
- 1:25:55Dungeon lá no apoia. Se apoia .se, barra Café com
- 1:25:58Dungeon, torna -se um assinante, e aí você recebe
- 1:26:00o conteúdo extra, que nem o último agora que a gente
- 1:26:02teve no nível treinamento Oil Fantasy, a gente pode
- 1:26:05estudar bastante Hexcrawl, a gente pode estudar Hexcrawl
- 1:26:10aos olhos de Oil Fantasy, entender a calibragem da
- 1:26:14preparação do mapa, etc. Então
- 1:26:16foi muito legal. O conteúdo como esse você vai
- 1:26:18ter, dependendo do nível de seu apoio lá no apoia .se,
- 1:26:22barra Café com Dungeon. Além
- 1:26:23de tudo, você recebe o conteúdo extra, você
- 1:26:25participa de sorteios dos nossos parceiros, e recebe
- 1:26:28cupons especiais para você utilizar nas lojas dos
- 1:26:31nossos camaradas. Se você curtir especialmente o
- 1:26:35Café com Dungeon de hoje, deixa para a gente uma
- 1:26:37orgeta. Você pode mandar um pixel para
- 1:26:39cafécondungeonrubagmail .com, a gente conta com você. Se
- 1:26:43você tem uma empresa ou uma marca que quer ter um
- 1:26:45dia da semana no Café com Dungeon, você pode financiar
- 1:26:48um ou mais episódios semanais no podcast e fazer
- 1:26:51a alegria da massa RPGista. Consulta
- 1:26:53a gente em cafécondungeonrubagmail .com,
- 1:26:55a gente tem uma proposta especial para você. Você
- 1:26:58pode consultar também a gente sobre parcerias e
- 1:27:00anúncios. Então a gente trabalha não só
- 1:27:02com marcas de RPG, mas também de outros ramos,
- 1:27:05como café, jogos, tecnologia, mídia, etc. Se
- 1:27:09você é um produtor de conteúdo, game designer
- 1:27:11dependente, acadêmico, fã e quer participar do nosso
- 1:27:13projeto, conta um pouco sobre você, e a gente pode
- 1:27:16ver como a gente pode colaborar, como você pode
- 1:27:20participar do episódio e de outras ações. Beleza?
- 1:27:24Da mais, que agradecer a galera que torna possível
- 1:27:27essa aventura. Então obrigado aos acinantes do
- 1:27:29Nivel Incentivo, incluindo o Enes Susuki, valido demais
- 1:27:33ao pessoal do nível de apoio comunidade, incluindo
- 1:27:36a grande Pátibrito Rogério Páiva e a Artur Electo,
- 1:27:41Valeu pelo apoio Artur. Um salvo especial para os
- 1:27:44acinantes do Nivel RPG dojo, dentre eles, o Dennis
- 1:27:47Do Leverer, o Leo Morais, o Luis Guilherme Dígersorza,
- 1:27:50o Pedro Erle, e Vinícius Caldas. Um
- 1:27:53abraço também aos membros do treinamento Oil Fentaz e
- 1:27:56eles são Abilio Júnior César Machado, Daniel Aidar,
- 1:27:59Diego Cestito, Douglas Baínse, Léo Gasparuto,
- 1:28:02Matheus Piqueira, Rafael Bardal, Bruno Cope, João
- 1:28:04Burlamac e Gui Providelo. Um
- 1:28:07imenso agradecimento também aos membros do Café com
- 1:28:10Balbi, no caso aqui é o Thiago Augusto e muito
- 1:28:13obrigado cara pelo teu apoio. É
- 1:28:15isso galera, um abraço e até a próxima. Tá
- 1:28:26bom, então quer dizer que ele vem na minha direção
- 1:28:28com tudo, em carga assim, é isso? Bom,
- 1:28:33o que faz o seguinte então, eu boto os dois pés
- 1:28:36no chão firme, empunho a espada, boto o escudo na
- 1:28:39frente e eu rolo.