Latest / Conexão Geek / Ainda estou aqui
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- 0:00Alô, alô, Nerd! Eu sou George Ricardo e esse é o
- 0:06Conexão Geek, o seu Nerd Service semanal!
- 0:11Aqueles que vivem na presença da ausência, entre as sombras da
- 0:15história, os desaparecidos da ditadura militar permanecem como
- 0:20memórias suspensas no tempo. Seus rostos, risos e sonhos
- 0:25resistem nos retratos antigos e nas palavras ditas em voz baixa,
- 0:30como se a qualquer instante pudessem voltar.
- 0:33Eles habitam o coração de quem ficou, transformando a ausência
- 0:37em uma presença dolorosa, mas também cheia de ternura, como o
- 0:42perfume de uma flor que já não está no jardim.
- 0:46Para os familiares, o luto é uma canção sem refrão, uma espera
- 0:51infinita por respostas que nunca chegam.
- 0:54Cada aniversário não celebrado, cada cadeira vazia na mesa, é
- 0:58uma lembrança silenciosa de uma história interrompida.
- 1:02Ainda assim, eles guardam suas memórias como quem cuida de uma
- 1:06chama delicada, mantendo vivos os nomes e as histórias daqueles
- 1:11que, embora ausentes, jamais serão esquecidos.
- 1:15A grande esperança do cinema nacional esse ano é...
- 1:19Ainda estou aqui, filme que conta a história da família de
- 1:23Rubens Paiva, um ex-deputado que foi retirado de sua família em
- 1:27plena ditadura militar e nunca mais voltou.
- 1:31Pra me ajudar a falar desse filmaço e comentar tudo o que
- 1:34rolou essa semana, eles que semana passada fizeram greve
- 1:37pelo fim do Seis por Um e me deixaram no Cinco contra Um.
- 1:41Aqui é o Matheus e a frente é o Toretto, é parte de família,
- 1:45cara. Aqui é o Gabriel.
- 1:48E vocês viram a Fernanda Torres totalmente drogada.
- 2:12Estamos começando mais um programinha e eu queria pedir um
- 2:15favor pra vocês. Se você tá escutando a gente, dá
- 2:20uma força avaliando nosso podcast na sua tocadora de
- 2:23podcast favorita. É simples e fácil.
- 2:26É só deixar cinco estrelinhas pra que a gente ganhe reputação,
- 2:30domine o mundo e consiga pagar o aluguel.
- 2:33Além disso, você pode estar seguindo o podcast do CG para
- 2:37sempre receber um alerta de novidade todo domingo e também
- 2:41algum episódio especial que liberamos de tempos em tempos.
- 2:45Sem mais delongas, vamos falar de Ainda Estou Aqui.
- 3:11Onde que o senhor vai? Eu vou só ajudar esses senhores.
- 3:14E aí eu já volto, filha. Tá bom.
- 3:27Eu posso ir com ele? Seu marido já volta pra casa.
- 3:43Tá todo mundo lá fora falando da gente.
- 3:45A Vera não sabe o que tá acontecendo.
- 3:47Por que você tá mentindo pra gente?
- 3:57Você tá bem, mãe? Tô, filha.
- 4:00Tô bem. Tô bem.
- 4:30Três, dois, um... Não precisa sorrir.
- 4:33Por que não? O editor pediu.
- 4:36Pediu o quê? Uma foto menos feliz.
- 4:40Nós vamos sorrir. Sorriam.
- 4:49Ainda Estou Aqui é uma adaptação cinematográfica do livro
- 4:52autobiográfico de Marcelo Rubens Paiva, que narra a emocionante
- 4:57trajetória de sua mãe, Eunice Paiva, durante a ditadura
- 5:00militar no Brasil. Ambientada em A história retrata
- 5:05como a vida de uma mulher comum casada com um importante
- 5:09político muda drasticamente após o desaparecimento de seu marido,
- 5:13capturado pelo regime militar. Forçada a abandonar sua rotina
- 5:18de dona de casa, Eunice, vivida por Fernanda Torres, se
- 5:22transforma em uma ativista dos direitos humanos. lutando pela
- 5:25verdade sobre o paradeiro de seu marido e enfrentando as
- 5:29consequências brutais da repressão.
- 5:32O filme explora não apenas o drama pessoal de Eunice, mas
- 5:35também o impacto do regime militar na vida de milhares de
- 5:39famílias brasileiras. destacando o papel das mulheres na
- 5:43resistência. Com uma narrativa profunda e
- 5:46sensível, Ainda Estou Aqui traz à tona questões de perda,
- 5:50coragem e resiliência, enquanto revisita um dos períodos mais
- 5:54sombrios da história do Brasil. A obra é um tributo à força de
- 5:59Eunice Paiva, que contra todas as adversidades, se torna uma
- 6:03figura central na luta pelos direitos humanos no país.
- 6:07O filme teve um orçamento de oito milhões de reais e fez até
- 6:11agora, trinta e um milhões de reais no Brasil, mais oito ponto
- 6:16cinco milhões de dólares ao redor do mundo.
- 6:19As informações são do Adoro Cinema, mas como o filme ainda
- 6:22está em cartaz e tem tido procura alta, os números devem
- 6:26subir dentro e fora do país. Gente, primeiras impressões aí
- 6:31pra quem quer começar. Ah, eu vou começar, vou começar,
- 6:34cara. E sim, eu saí emocionado, cara.
- 6:38Eu chorei, eu chorei, real, eu chorei.
- 6:40Quando eu vi as fotos da família, cara, as fotos reais,
- 6:45eu quebrei, mano. Aquilo me pegou de uma maneira
- 6:48que eu não esperei. E sim, é um filme só de esperar,
- 6:52né, cara? O que depois, quando é o pior
- 6:54que já pode acontecer com você, né?
- 6:57Como é que é o dia depois de você ter ido no enterro, né,
- 7:00cara? E ainda pior, né?
- 7:02Quando é um enterro sem corpo, né?
- 7:04Você não sabe o que aconteceu. E você vê, né?
- 7:07Acompanhar ela até a chegada da comida, né, cara?
- 7:12E isso sozinha, né? Sem... sem contar pros filhos,
- 7:17sem ter um outro ponto de apoio, né, cara?
- 7:20Eu acho que dá pra você ver todas as vezes que a Fernanda
- 7:24Torres, né, por causa da Eunice, né, que é muito brabo de chorar,
- 7:28sabe? Mas ela não fez, né, cara?
- 7:30E sim, é incrível. Foi uma experiência maravilhosa,
- 7:35tipo, ver esse filme e eu senti muitas coisas, sabe?
- 7:39A gente vai escorrer isso, mas, assim, é maravilhoso, é um dos
- 7:42melhores do ano pra mim, cara. Cabe?
- 7:44Pra mim também. É um dos melhores filmes do ano.
- 7:48Com muita facilidade, inclusive. Acho que o cinema do Walter
- 7:51Salles, ele tá tão maduro aqui, tão gigante, né?
- 7:56Ele consegue contar a história a partir de imagem, né, cara?
- 8:00A imagem do filme fala muito sobre o filme, né?
- 8:03O filme começa bem solarado e a partir do momento que os agentes
- 8:06do Doi Kod chegam na casa, tudo fica escuro, tudo fica fechado,
- 8:10então os planos ficam fechados, né?
- 8:12Tudo se enclausura, né? E a atuação da Fernanda Torres,
- 8:17até mesmo do Salto Mello, viu? O Salto Mello, ele tá pouco em
- 8:20tela, mas é uma atuação muito marcante, né, cara?
- 8:23É uma atuação muito presente. E a Fernanda Torres tá um
- 8:27absurdo, é uma força da natureza mesmo a situação dela, né?
- 8:31Eu acho o filme pesadíssimo, pesadíssimo em alguns momentos,
- 8:35inclusive ele me lembrou muito o Zona de Interesse, que todo
- 8:40mundo odeia esses filmes. Eu acho...
- 8:43Eu acho que ele tá no mesmo estilo de filme, porque não é
- 8:47tudo jogado na tela, na sua cara, né?
- 8:50Tá tudo ali no meio que... É uma visão periférica, ela
- 8:55ouvindo alguma coisa, ela vendo alguma coisa, tá tudo ali...
- 8:58Porque o filme não constrói vilão característico, né?
- 9:03Aquele vilão cartunesco, o filme não se preocupa em construir
- 9:07isso. Até os agentes do Daikon que
- 9:08invadem a casa da Eunice, eles são bem mais contidos, não são
- 9:12monstros, né? A monstruosidade tá em quem sabe
- 9:16o que é a ditadura, tá ligado? Em quem já estudou sobre.
- 9:20É mais ou menos o que acontece nos anos de interesse.
- 9:23Os caras ali não são monstros em si, mas tudo que envolve o
- 9:27redor, e você sabe o que tá acontecendo porque é história,
- 9:30né, é mais ou menos isso que acontece então, puta, eu acho o
- 9:34filme brilhante nesse aspecto, né, eu acho que assim como Zona
- 9:38de Interesse ele tá lá no alto pra mim acho que os dois
- 9:42melhores filmes do ano com facilidade, cara Eu queria
- 9:45começar falando que eu concordo com uma coisa que o Gabi falou e
- 9:50foi até uma coisa que eu comentei com o Matheus quando
- 9:52ele veio falar do filme comigo, que o personagem do Selton
- 9:56Mello, ele vive muito na ausência, cara.
- 9:59Então, tipo assim, apesar dele aparecer muito pouco, as cenas
- 10:03que ele aparece, você sente falta dele assim como a família
- 10:06sente, né? E o fato da Eunice nunca falar
- 10:10sobre isso, que dá essa sensação que o Gabriel falou sobre o
- 10:13filme ser lúdico e não mostrar o que está por trás do sumiço
- 10:17dele, me lembra muito o dia que meus pais saíram de férias.
- 10:20Acho que é esse o nome do filme. O ano que meus pais saíram de
- 10:26férias, isso. Que também tem essa pegada de a
- 10:28gente olhar pelo olhar da criança, Então, você não
- 10:32consegue ver exatamente o que aconteceu com os pais dele, que
- 10:36foram ali torturados pela ditadura e tudo mais.
- 10:38Aqui também a Eunice, ela tem que lidar com tanta coisa, com
- 10:42tanta pressão, que ela, na verdade, não tem tempo pra falar
- 10:45sobre o que aconteceu com os filhos.
- 10:48E é um relato, inclusive, do filho do Rubens Paiva, Que ele
- 10:54diz isso, que ele falou, pô, a gente não entendeu que o nosso
- 10:57pai tinha morrido até maior de idade.
- 11:00Eu com vinte e dois anos, a minha irmã um pouco mais cedo,
- 11:03mas a gente não conversava sobre isso.
- 11:06Minha mãe nunca chegou pra gente e falou, ó, pessoal, o seu pai
- 11:09não vai voltar porque ele morreu.
- 11:11Isso tá muito bem retratado aqui porque a gente tá olhando pelo
- 11:16olhar do início que tá vivendo. Tá tendo que criar uma porrada
- 11:20de criança, sair da coisa de dona de casa, que era casada com
- 11:24um deputado, pra então ser a frontman, né?
- 11:31Ser a provedora da casa. Isso tudo meio que acaba
- 11:36causando a sensação, né, Gabi? Isso faz, né?
- 11:39Isso denota a força que essa mulher teve, né?
- 11:42Porque ela criou cinco filhos, um dos filhos se acidentou e
- 11:45virou cadeirante, né? Que é o Marcelo Vampire.
- 11:48E virou um escritor brilhante logo em seguida, né?
- 11:51Na sua adolescência, no seu tempo de vinte e vinte e dois
- 11:54ali. Virou um escritor absurdo.
- 11:57E aí, porra, ela virou uma referência na luta indígena, né,
- 12:02cara? Ela virou uma professora de
- 12:04faculdade, virou uma referência, bicho.
- 12:06Então, você vê a força dessa mulher depois dos quarenta anos,
- 12:09cara. Depois dos quarenta anos, ela se
- 12:11reinventou. com a morte do Rubem, né, cara?
- 12:14E isso é brilhante, sim. Acho que o filme aborda de uma
- 12:17maneira maravilhosa. É, a gente até vê isso, né,
- 12:21Gabi? Naquela cena da praia, né, que
- 12:23ela toma um banho, meio que é um batismo, sabe?
- 12:25Ela meio que aceita esse fardo na vida dela e...
- 12:29E com o filme, não tem como não ficar emocionado, sabe?
- 12:32Não tem como você não olhar pra ela e pensar, caralho, mano.
- 12:37Basta você numa situação dessa, sabe?
- 12:39Não tem como pensar, né? Puta merda, mano.
- 12:42Eu acho que o que me emociona mesmo no filme não é nem as
- 12:46cenas que ela tá na prisão lá do Taekwondo, ou as cenas que ela
- 12:51volta, ou a cena que ela pega lá, ou a cena do final...
- 12:54Não são cenas que me emocionam. A cena que me emociona, sabe
- 12:57qual é? São cenas que eu vivi, sabe?
- 12:59Com a minha família. E isso tem também num outro
- 13:02filme brasileiro que é o Aquários.
- 13:04Aquários. Cena dessa, assim, do...
- 13:06Cena dessa, assim, do Salto Amelo botando um compacto pra
- 13:09tocar e dançando com as filhas e a família toda reunida.
- 13:12Aquela festa é muito presente, assim, na casa de qualquer
- 13:16brasileiro, sabe? Qualquer brasileiro ali dos anos
- 13:19oitenta, noventa, sabe como que funcionavam as festas?
- 13:22E isso me pega, eu me peguei emocionado no filme, com uma
- 13:25cena que acho que ninguém estava nem aí, sabe?
- 13:29E eu estava chorando, cara. É uma cena que me traz uma
- 13:33nostalgia, que me traz um conforto.
- 13:36E saber que aquele era o último momento, por exemplo, do Rubem
- 13:39Paiva, assim, com a família, sabe?
- 13:41Puta, aquilo machuca mais do que qualquer outra coisa do filme
- 13:45pra mim, cara. A produção do filme tem um
- 13:49trabalho, assim, espetacular quando você fala de detalhes,
- 13:52né? Porque, assim, a gente era
- 13:54pequeno, mas a gente sabe, tipo, alguns detalhes ali que tinham
- 13:57antes da internet. Que é muito foda você ver como
- 14:01eles tomaram cuidado, assim, não tem quase...
- 14:03Eu acho que eu, pelo menos, não peguei nenhuma falha técnica de
- 14:05ver alguma coisa. Os caras...
- 14:07O Walter Salles, ele recriou o trânsito nos anos setenta,
- 14:10assim. É isso que eu ia falar, os
- 14:12carros. Ele fez todo um bagulho de
- 14:13figurino, fez todo um bagulho de carro, fez todo um trabalho pra
- 14:18você recriar o doicote, tá ligado?
- 14:20Ele foi, cara, ele foi brilhante aqui, ele foi fundo, né?
- 14:25Foi fundo mesmo, porque eu me senti nos anos setenta, eu me
- 14:28senti nos anos de chumbo, na época da ditadura, cara, eu me
- 14:31senti mesmo. E aí tem algumas coisas também
- 14:35que eu acho que tornam a personagem da Eunice muito
- 14:38forte. E acima de tudo, ela não é uma
- 14:42heroína ou uma vítima. Eu considero que ela é muito
- 14:45humana. E tem uma cena que me deixou
- 14:48pensando muito nisso. Que é uma cena que ela briga com
- 14:50os filhos. Ela dá um grito lá, surta.
- 14:54E aí eu fico esperando que ela vai pedir desculpa.
- 14:58Mas a vida não para. Na vida real a gente não pede
- 15:00desculpa. Só segue, daqui a pouco muda a
- 15:03cena, eles tão conversando de novo, e aquilo ali ficou.
- 15:06Porque é assim na vida real também.
- 15:08Quando você tá, tipo, vivendo uma coisa dessa, você não tem
- 15:10tempo pra parar, reunir todo mundo, ó, a mãe errou, desculpa.
- 15:14Não, a Eunice não pedia desculpa.
- 15:17É engraçado isso, ela tava muito ocupada sendo forte, ela não
- 15:22tinha tempo pra parar, pra conversar, pra contar que o pai
- 15:25morreu e também não tinha tempo pra pedir desculpa por um grito
- 15:28que ela deu, por um destempero. Isso é uma coisa que torna a
- 15:32personagem mais viva e mais humana e a gente acaba meio que
- 15:36se identificando também, né? No fim das contas, sim.
- 15:43Eu acho que a vida é muito dura, né, cara?
- 15:46A vida é dura demais e... A Eunice ainda era uma pessoa
- 15:51que tinha grana, sabe? Uma pessoa que tinha grana.
- 15:54Então, pensa só, ele sumiu, mas você consegue vender um terreno,
- 15:58sabe? Você consegue se reestruturar em
- 16:01outro lugar. Agora, pensa uma mãe solteira...
- 16:05Não digo nem cinco filhos pra criar, mas com dois, sem nada,
- 16:08só pagando aluguel, sabe? Acho que a força da Eunice é
- 16:13esplêndida, é absurda, mas o retrato da nossa realidade é um
- 16:17pouco mais doloroso do que o da Eunice, na minha opinião, né?
- 16:22Acho que quem mora na favela sabe como que a favela funciona
- 16:25e sabe como é muito, muito doloroso.
- 16:28E a Eunice ainda teve sorte de conseguir se reestruturar, né?
- 16:34Conseguir ter bens pra vender e tal.
- 16:37Era muito pior, né? Era muito pior.
- 16:40Outro ponto que eu quero destacar é que é um trabalho que
- 16:45o Walter Salles não fazia há algum tempo, trabalhar com esse
- 16:48tipo de filme. Se eu não me engano...
- 16:51Na verdade, ele não trabalha até em dez anos já.
- 16:54Não, então, mas eu acho que com esse tipo de pegada de mais
- 16:59ficcional e tal, eu acho, se não me engano, doze anos, Gabi.
- 17:02Se eu não estiver enganado, o último filme foi até um filme
- 17:04americano. O On The Road é um filme...
- 17:07Na estrada é um filme biográfico, cara.
- 17:09É um filme do Jack Kerouac, lá do Movimento Beat.
- 17:13É um filme biográfico, ele também retrata a realidade, né?
- 17:17É o último filme do cara, tem, sei lá, já tem, sei lá, eu...
- 17:20É, acho que deve estar por aí. Doze anos!
- 17:24Doze anos, viu? Ah, chutei, mas acertei.
- 17:27E aí tem essa retomada que é emocionante também, que é com a
- 17:31Fernanda Montenegro, que foi o filme que catapultou o nome dele
- 17:36pra fora do país, né? Porque ele concorreu ao Oscar e
- 17:38tal... E aqui a gente tem ela de novo.
- 17:40E aí vem uma curiosidade pra quem tá assistindo a gente.
- 17:44Lá fora rola muito papo, quando divulgaram essa imagem aqui que
- 17:48eu tô mostrando, de que, nossa, esse filme tem que concorrer à
- 17:51melhor maquiagem. Fantástico o trabalho de
- 17:54maquiagem do Brasil! É sério, esse papo rola lá fora.
- 17:59E ninguém sabia que era uma outra atriz.
- 18:01Porque a Fernanda Torres tá a cara da Fernanda Montenegro
- 18:04jovem, cara. Então, tipo assim, não tem
- 18:08maquiagem. É só ela que tá velha.
- 18:11Esse trabalho também é... É como se ela fosse filha da
- 18:15Fernanda Montenegro, né? Não, que o trabalho de maquiagem
- 18:24não esteja excelente, gente, porra.
- 18:25Sim, sim. Vamos reconhecer aqui.
- 18:27As fotos que o Matheus fala no final do filme, aparece o Rubens
- 18:31Paiva verdadeiro, porra. Recriaram uma foto dele num
- 18:34carro, com um chapéu. O Selton Mello tá igualzinho,
- 18:38cara. Igualzinho, cara.
- 18:40É assustador, é muito assustador, sabe?
- 18:43E as maquiagens do filme mesmo, assim, dos anos setenta pros
- 18:48noventa, cara… A maquiagem da Fernanda Torres tá bem feita, dá
- 18:52pra sentir que ela envelheceu, sabe?
- 18:54É boa, bem feita a maquiagem do filme, não é algo de se falar,
- 18:59nossa, não, tá mal feita, não, tá bem feita.
- 19:02É, cara, porque, tipo, é aquela casa de vó, sabe?
- 19:05É a casa da minha avó e da minha avó.
- 19:07Na estética mesmo, né? O espaço.
- 19:10É muito, muito louco, né? Porque você olha pra trás e não
- 19:14tem erro, não tem erro. De continuidade, assim, não vai
- 19:17aparecer nenhum maluco na câmera, sabe?
- 19:18E é muito difícil, cara, porque realmente não tem nada, né?
- 19:22Eu tava falando de gladiador, né?
- 19:24Gladiador tem. Até gladiador tem esses erros aí
- 19:27pequenininhos, né? A gente até dá uma zoada depois,
- 19:30mas aqui... É maravilhoso isso, sabe?
- 19:32Isso aí fica totalmente inverso na história.
- 19:34E mais, né? E mais, o filme é muito bem
- 19:37montado, né? Quando você pega as imagens de
- 19:40câmera Super-Oito, que o Walter Salles filmou com a câmera
- 19:44Super-Oito, né? Então, durante o filme, você tem
- 19:46essas inserções da família. Às vezes até confunde a nossa
- 19:49cabeça, achando que é da família Paiva mesmo, né?
- 19:52Os bagulhos antigos que eles refizeram e tal.
- 19:55Não, o Walter falou que teve uma câmera Super-Oito. e que ele
- 19:58filmou em Super Oito em alguns momentos pra montar dentro do
- 20:01filme. Isso faz total sentido com a
- 20:03narrativa da história. O que vem é a direção de arte.
- 20:08O diretor de fotografia desse filme é brilhante.
- 20:11As cenas do... Pode falar, Gilson.
- 20:15Porque você falou da fotografia, cara, e eu queria aproveitar só
- 20:18pra não esquecer de uma cena que eu anotei aqui, que é uma coisa
- 20:22que não tinha no material original, e nem aconteceu na
- 20:26história original também, claro, e foi uma ideia total do
- 20:30diretor, que é a inclusão da cena do dente enterrado na
- 20:33praia, que é uma metáfora pra como o Rubens Paiva some.
- 20:38E ao mesmo tempo ele também coloca um outro elemento, que é
- 20:41o cachorro. Que é a forma de lidar com o
- 20:44luto no filme e que o cachorro não existiu, eles nunca tiveram
- 20:48um cachorro. Então esses dois elementos é uma
- 20:51coisa da sensibilidade do diretor também, né?
- 20:56E além disso, né? A fotografia dele é muito
- 21:00interessante, cara. Porque ele consegue construir a
- 21:04luz desaparecendo, mas mesmo assim ele ainda consegue colocar
- 21:08a luz na Eunice. Então quando você vê os agentes
- 21:11do DOPS entrando na casa, fechando as cortinas, eles ficam
- 21:14no escuro. Eles estão sempre anti-luz, né?
- 21:18Eles estão sempre no escuro. Mas a Eunice não.
- 21:20A Eunice tá sempre com luz, até mesmo quando ela tá nos iCodes.
- 21:24que tem um feixe de luz que ela fica olhando e aquela luz tá
- 21:27sempre batendo nela. Mesmo na situação mais bizarra
- 21:32possível, que é essa situação bizarra do Toy Code invadir na
- 21:36casa da pessoa, sabe? E ela ainda com uma dignidade
- 21:39pleníssima, ainda oferece comida pro cara, sabe?
- 21:43É de um... Cara, é de deixar com ódio,
- 21:48sabe? É um filme que te deixa com
- 21:49ódio. E você sabe o que tá acontecendo
- 21:52ali, não é que você não tá sabendo, cara.
- 21:54E é um tapa na cara dessa sociedade que depende a volta da
- 21:58ditadura. Porra, assim...
- 22:01Bicho, a ditadura acabou com a família, gente.
- 22:04Esse pessoal que depende de ditadura, que é a favor da
- 22:07família, cara, a ditadura acabou com a família, cara.
- 22:10A família foi destruída, bicho. Sabe?
- 22:13Então, é o que eu tava dizendo aqui no começo, eu até acho que
- 22:18é um filme vaziado de política, na real, que é pra mais gente se
- 22:22identificar, porque... Não fica muito claro o que o
- 22:26Rubem Paiva fez pra ser preso e pra ser torturado.
- 22:30Não fica muito claro isso no filme, né?
- 22:34Não fica. Nem na vida real ficou muito
- 22:36claro, né? Não ficou claro.
- 22:39A gente sabe que ele era metido com política e defendia partido
- 22:42comunista e tudo. E por isso que ele foi caçado
- 22:44quando a ditadura estourou. Mas ele saiu do país, ele foi
- 22:49exilado. E quando ele voltou, ele tava na
- 22:50boa. Ele tava só trabalhando de
- 22:52engenheiro e tava fazendo aquelas coisas de escrever
- 22:56cartas, assim, falando pra família que a pessoa morreu.
- 23:00Basicamente era isso que ele tava fazendo, bicho.
- 23:03E mesmo assim, cataram o cara e sumiram com o cara, sabe?
- 23:06Então, a impressão que eu tenho é que o Walter, ele esvaziou o
- 23:11filme politicamente falando, Pra colocar todo mundo naquela
- 23:15situação. Tipo, e se fosse com você, sabe?
- 23:18É uma família normal. É uma família com pessoas
- 23:21normais ali, sabe? E o DOP simplesmente invadiu a
- 23:24casa e ficou com foda-se, saca? Então, acho que tem um pouco
- 23:28disso e acho que é por isso que o filme atinge tantas pessoas.
- 23:31Ele faz tanto sucesso. Porque ele...
- 23:34Ele é político. Ele é político.
- 23:39Não assim, é lógico que ele tem um lado, o lado é contra a
- 23:42ditadura, é óbvio isso, que a ditadura é horrível, isso é um
- 23:45lado muito claro, mas ele não é um cara que está defendendo o
- 23:49comunismo, durante o filme isso fica bem claro para mim, então
- 23:53tem um pouco disso para falar do sucesso do filme.
- 23:57Trinta e oito milhões de reais, só que no Brasil é um número bem
- 24:01expressivo, os números dizem que cerca de um ponto oito milhões
- 24:06de pessoas já viram o filme até agora e como eu tava conversando
- 24:09com o Gabriel, eles tão sabotando o cinema nacional
- 24:13porque, tipo, tem lugar aí que não tá bom, por exemplo, uma
- 24:15sessão em uma sala por dia. É muito pouco, cara.
- 24:21Eu assisti o filme duas semanas depois dele estrear, bicho.
- 24:24E mesmo assim, a sessão estava lotada.
- 24:27Disputadíssima, inclusive. Um cinema que tá passando Venom,
- 24:31né, cara, ainda. Então, porra...
- 24:34Eu acho que isso vai abrir um pouco mais os olhos de alguns
- 24:38exibidores, porque eu nunca imaginei que esse filme ia
- 24:40estrear aqui no Shopping Taboão, por exemplo.
- 24:42Pra mim foi uma grande surpresa. Só de estrear aqui já é uma
- 24:45coisa... Pra mim já é uma vitória.
- 24:48Ter uma, duas salas desse filme aqui no Taboão, cara, pra mim
- 24:51foi sensacional, sabe? Acho que existe uma bolha sendo
- 24:55curada aí, com filmes um pouco mais... mas intelectuais mesmo,
- 25:00né? Porque não é um filme de fácil
- 25:02acesso e tal, mas não é um filme que passaria aqui com tanta
- 25:06facilidade em outras épocas. Aqui o que passa é Ingrid
- 25:09Guimarães e Leandro Hassum, né? Eu tenho...
- 25:13Eu tenho uma curiosidade, Matheus, de saber o porquê que o
- 25:16gringo tá tão fixado nesse filme.
- 25:20Porque, assim, é um filme, como o Gabi falou, ele conversa muito
- 25:24com o que a gente viveu, com a nossa experiência particular de
- 25:27ditadura, né? Sobre como era essa época.
- 25:31Não era uma ditadura clássica, como a gente já teve em outros
- 25:33lugares. Como era da Argentina, por
- 25:35exemplo. Tanto é que apelidaram a nossa
- 25:37ditadura de ditabranda, né? Tipo, era uma coisa...
- 25:40Eles fingiam que não era uma ditadura.
- 25:43Então, tipo, tinha toda essa coisa bem específica.
- 25:48Mas muita gente lá fora tem gostado de ser identificado,
- 25:51mesmo sem entender. Então, assim, como o Gabi falou,
- 25:52acho que é um trabalho bom do Murilo Hauser, que é o cara que
- 25:55traduziu o livro pra um roteiro. de ter conseguido transformar
- 25:59esse livro, que é uma coisa muito pessoal do Marcelo Rubens
- 26:03Paiva, pra um filme que funciona pra quem conhece e quem não
- 26:07conhece a história. Sei lá, eu pelo menos entendo
- 26:10assim. Até porque o livro é
- 26:11fragmentado, né? O livro, ele não é linear, nem o
- 26:16filme. Acho que o filme é muito por ser
- 26:18linear. O livro não, o livro começa com
- 26:20a certão de óbito dele, né? Então é muito diferente o
- 26:23material do... Então, é interessante isso,
- 26:27porque o pessoal lá fora, cara, é muito atual com o nosso
- 26:30cinema, né? O pessoal faz um barulho na
- 26:32cidade do Brasil, depois fez um barulho no Caramburu, depois na
- 26:35cidade de Deus, depois na época de Elite, né?
- 26:38A galera que tem cinema que tá lá fora mesmo, né?
- 26:41Eles sabem, eles sabem. Eles sabem o que o nosso cinema
- 26:44tem de bom, né, cara? E é até engraçado, né?
- 26:46Porque eles estão estudando fora, né?
- 26:49O valor do cinema brasileiro, né?
- 26:51Muitos críticos estrangeiros dão mais valor do que a gente, né?
- 26:55e foi até uma questão lá que o lá em dois mil e dezenove, né, o
- 26:58Gonjo falou, né, pra pessoal tirar esse limite dessa barreira
- 27:02de vóia e de linguagem, né. Mandou os malucos ler legenda.
- 27:06Essa foi a pergunta. E eu acho que por estar mais
- 27:11difundido mesmo hoje em dia, cara, eu acho que a gente tem
- 27:14muitas chances aí no Oscar, né, cara?
- 27:19A gente tem chances. Finalmente.
- 27:22Até porque... Até porque tem esse sentimento,
- 27:25primeiro, né, de injustiça, e o Oscar, ele adora esse negócio de
- 27:29injustiça e... E refazer a merda que fez e dar
- 27:35o prêmio. Por exemplo, eu acho muito claro
- 27:38que a indústria adora o Walter Salles.
- 27:41Walter Salles, não só a indústria brasileira, como a
- 27:43americana também. Não sei se porque o cara é um
- 27:45bilionário. Não sei se porque o cara tem
- 27:48dinheiro pra dar com pau, né? Não sei se porque ele é um
- 27:51branco safado, mas não sei. Mas os caras gostam dele, né?
- 27:55E ele já passou perto do Oscar umas quatro vezes, no mínimo.
- 27:59Então, você tem um cara ali que a indústria gosta.
- 28:03E eu acho que chegou a hora desse cara ser reconhecido, né?
- 28:08Tanto que escreveram... A gente estourou aqui pra oito
- 28:12prêmios. E sendo que dois, parece que vai
- 28:15ganhar. Parece que é favorito.
- 28:18O roteiro adaptado e direção, os caras já estão botando na conta
- 28:22dele, já, cara. Maquiagem não vai não, Fernando
- 28:25Montenegro? Acho que não.
- 28:29Talvez pinte aí uma atriz, um filme internacional, mas pra mim
- 28:35tá claro que roteiro adaptado não tem pra ninguém, né, cara?
- 28:38Até agora eu não assisti filme melhor do que ainda estou aqui
- 28:43em termos de adaptação de filme. Eu acho que esse é um prêmio que
- 28:48o Brasil pode trazer. Agora, sobre o filme
- 28:51internacional, não sei. Tem um filme iraniano aí também
- 28:54que fala um pouco de ditadura, mas um negócio mais moderno, né?
- 28:57Então, não sei. Parece que tem forte também.
- 29:01Eu não vou lembrar o nome agora, mas a própria Fernanda
- 29:03Montenegro falou que, tipo assim, que eles estão com o pé
- 29:07bem no chão, assim, porque eles foram assistir também um
- 29:10filme... Eles citaram o nome de um filme
- 29:12lá que tá concorrendo com eles, nesse melhor roteiro adaptado, e
- 29:15eles falaram que é difícil competir com um filme desse,
- 29:17de... Ela citou o valor do orçamento
- 29:20do filme e tal. Eu acho que é difícil.
- 29:23Eu acho que é difícil, sabe por quê?
- 29:24Porque é difícil fazer os gringos da academia assistirem
- 29:26um filme como esse. Eu não sei se é difícil porque a
- 29:29gente tá falando de um cara que tem uma fortuna de trinta bi e
- 29:33tem o suporte de uma Sony Pictures, tá ligado?
- 29:35Ele tá sozinho nessa. Então, ele tem dinheiro
- 29:39suficiente pra fazer uma campanha decente.
- 29:41E o filme é bom. E esse filme é Globo Filmes, né?
- 29:45Ele é um... Globo Filmes, cara.
- 29:47Ele é Globo Filmes. O que, aliás, Globo, vai tomar
- 29:49no cu. Se você fizer essa porra virar
- 29:51minissérie, não, vai se fuder. Não, então, a Globo anunciou,
- 29:56mas o Marcelo Rubens Paiva foi impressionado.
- 29:59Ele já deu caralho. Onde que eu não vi esse
- 30:01material? Não tem quatro horas de material
- 30:05pra fazer uma minissérie. O Globo tá louco?
- 30:06Deixa eu te dizer. Nesse tipo, ele mandou uma dessa
- 30:10no Twitter, então... Né?
- 30:13Não vai rolar não, né? Não sei que tem um material de
- 30:18extra, assim, de gente falando da ditadura, alguma coisa do
- 30:21tipo, né? Ou vão trazer de outro filme,
- 30:24sei lá. A Globo é foda, né?
- 30:26Gente, tem... A gente já está no tempo
- 30:29avançado, mas tem tanta coisa pra gente falar, eu queria pelo
- 30:31menos tocar aqui na trilha sonora.
- 30:33Que é uma coisa também que pra mim chama muita atenção, porque
- 30:36tem Caetano Veloso, Gal Costa, Mutantes, cara.
- 30:40É preciso dar um jeito, meu amigo.
- 30:41É preciso dar um jeito, meu amigo.
- 30:43Os caras resgataram o Erasmo Carlos.
- 30:46Resgatar os caras, puta merda, cara.
- 30:48A trilha sonora também é sensacional pra transportar a
- 30:51gente pra anos setenta, né, cara?
- 30:53Pois é, mano. É que, de novo, pra gente, essa
- 30:59música de vó, a música de vó, e você vê...
- 31:02A música de vó, a música de vó...
- 31:03Eu tava ouvindo o Carlos semana passada, cara.
- 31:06Eu tenho um disco que eu preciso dar um jeito pro meu amigo, eu
- 31:08tenho aqui, cara. O Erasmo é um disco meio
- 31:11amarelado com o Erasmo de Chapéu, tá ligado?
- 31:13Da Fazenda. Música de boa, cara.
- 31:15Eu tenho música de boa aqui, caralho.
- 31:18É muito legal, cara, porque estava no cotidiano do pessoal,
- 31:23né? Porque muitos deles, tipo o
- 31:24Cartano Veloso também foi replicado, né?
- 31:27da época mesmo, né, por conta da ditadura, né, a galera vazou,
- 31:30tipo, uma galera vazou e, no caso, o Rubens foi peido depois,
- 31:34né, como vocês falaram, e a música tá disso, né, cara?
- 31:39Galera contra a ditadura também, né, no fim das contas, os nossos
- 31:42músicos aí, nossos queridos. Depende do músico, né, o Roberto
- 31:47Carlos não era. Claro, o Roberto Carlos tava de
- 31:51caminhão, tava de caminhão porque ele não prestava, né,
- 31:53mano? Tem alguns aspectos, né, cara?
- 31:58Então, deixa quieto, né? Tem algumas coisas que tem no
- 32:05livro, que eu até andei dando uma pesquisada, que é uma fala
- 32:09do Marcelo Rubens Paiva, cara, que eu achei sensacional, que
- 32:11ele fala que o desaparecimento forçado são ferramentas de
- 32:14regimes autoritários que precisam ser constantemente
- 32:17denunciadas. E aí, ele entra num tema de que
- 32:22o pai dele morreu, segundo os dados oficiais, três anos depois
- 32:26de ser desaparecido. Ele foi torturado durante três
- 32:29anos, cara. Então, tipo, essa informação
- 32:33torna pra mim o filme mais forte, Gabi, porque quando eu vi
- 32:35ela ir pro Del Code lá, fazer aquela canseira que davam nela,
- 32:40ele tava provavelmente numa porta ali, sendo torturado,
- 32:44enquanto ela tentava saber... Tem uma passagem muito
- 32:47interessante de uma voz cantando, acho que ali era o
- 32:50Salton Mello, duvido que não seja o Salton Mello cantando
- 32:53ali. E aí mandaram ele calar a boca e
- 32:55a Eunice até escuta. Eu acho que ali era o Rubens
- 32:59Saiba ali cantando, fazendo aquele somzinho ali.
- 33:02Fazendo aquela puxada, né? Não, e o mais bizarro, né,
- 33:05Jorge, dessa história é que, tipo assim, os restos mortais
- 33:08deles foram jogados ao mar, né, cara?
- 33:10Não acharam até hoje. Não existe, tipo, não tem
- 33:14revista de que ele morreu, sabe? Então, tem que dialogar com esse
- 33:17assunto, né, cara? Porque isso tá tanto no seu
- 33:20coração, né? Como é que...
- 33:23Você lida com isso, sabe? Você não consegue nem ter os
- 33:25restos mortais para a pessoa descansar.
- 33:27No fim das contas, isso que me deixa revoltado na ditadura
- 33:31brasileira. Por quê?
- 33:31Porque qualquer ditadura da América do Sul, assim que ela
- 33:35acabou, os caras foram julgados, tá ligado?
- 33:37Assim que ela acabou, os caras foram caçados, foram presos e
- 33:40foram punidos, né? Alguns fugiram aqui para o
- 33:44Brasil. O do Paraguai, que era o
- 33:46Strausser, ele fugiu. Ele montou uma casa lá, tem uma
- 33:50casa dele lá em Guaratuba, tá ligado?
- 33:54O Brasil fez mal, assim que a ditadura acabou, os caras que
- 33:59participaram da ditadura e prenderam todos eles, todos eles
- 34:01foram punidos, sabe? E aí quando você vê o caso do
- 34:04Marcelo Rubem Paiva, que identificaram quem fez a tortura
- 34:08dele, quem matou ele posteriormente...
- 34:11E esses caras não foram presos, né?
- 34:13E nenhum presidente do Brasil foi preso naquela época, nenhum
- 34:17foi julgado, nada aconteceu, teve lá em dois mil e dezessete,
- 34:21dezesseis, dezessete, alguma coisa, tipo, teve lá o negócio
- 34:24da ditadura, ninguém foi preso, ninguém foi punido.
- 34:27Sabe? Só abriram o cofre lá, né?
- 34:30Da ditadura. Só abriram a caixa preta.
- 34:33Mas ninguém foi punido no fim das contas.
- 34:35E o final do filme me revolta por conta disso, né?
- 34:38Porque o filme termina com isso. Até hoje ninguém foi punido.
- 34:42Sobre a morte do Rubens Paiva. Nem do Stuart Anger, nem do
- 34:46Herzog, sabe? Então, puta que pariu, cara.
- 34:50A gente... Deixou passar, deixou passar, e
- 34:54é por isso que esse sentimento, ah, a ditadura era boa, ah, a
- 34:58ditadura é isso, tem uns amantes da ditadura aí querendo que
- 35:01volte, velho. Nossa, vai tomar no cúmulo.
- 35:04Não tem julgamento adequado, sabe?
- 35:08As pessoas não foram avisadas que a ditadura era má, saca?
- 35:13Pra algumas pessoas a ditadura era revolução, entende?
- 35:17E acho que o filme deixa um pouco mais claro o que era a
- 35:20ditadura, né? Se tava turvo pra algumas
- 35:23pessoas, agora quando eu ainda estou aqui chegando no
- 35:27mainstream que, por exemplo, o batismo de sangue não chegou,
- 35:30Cara, acho que vai ficar muito mais claro, né?
- 35:32Pois é. O mais triste, né, Gabi, é que
- 35:35nesse sentido ele acaba sendo um filme atemporal, porque a
- 35:38qualquer momento a gente vai ter que jogar na cara de algumas
- 35:40pessoas que a gente tá dando com ele, sabe?
- 35:44E se ele sai em um ano e dezoito, ele ia ser um filme
- 35:47cancelado, literalmente, sabe? Pela diretíssima.
- 35:52Esse filme só ganhou a luz do dia por causa que a gente saiu
- 35:56desse obscurantismo, né? O cinema tá vendo uma retomada
- 36:00do cinema brasileiro. E acho que ainda estou aqui, um
- 36:04dos grandes diretores desse país, acho que já é o exemplo
- 36:08disso, sabe? É o exemplo de que pode-se fazer
- 36:10filmes muito bons com muito pouca grana, sabe?
- 36:13Oito milhões não é pouca grana aqui no Brasil, sim, sabemos,
- 36:16mas... Lá fora isso é dinheiro de
- 36:18pinga. O cara fez o filme com um milhão
- 36:20de dólares, tá ligado? É isso.
- 36:22Basicamente isso. E é importante falar, eu e o
- 36:27Gabi tava brincando outro dia, a gente gravou alguns filmes
- 36:31nacionais aí, uma análise, né, e a gente tava brincando falando,
- 36:34nossa, cara, tá saindo um filme bom esse ano, eu acho que esse
- 36:37ano é um dos últimos dez aí, é o ano que mais saiu filme bom
- 36:41brasileiro, nacional, assim, uma quantidade enorme de filmes
- 36:44nacionais saindo e filmes diversificados e bons, cara.
- 36:48Não só filmes, depois eu até vou indicar uma série aqui
- 36:51brasileira. E eu acho que tá tendo um leque,
- 36:54né, Gabi? Muito diverso, abrindo pra
- 36:56vários lados. O Walter Salles é um cara já
- 37:00mais clássico, um cara já carimbado internacionalmente e
- 37:04tudo mais. Mas a gente tá vendo surgir
- 37:07coisas novas, né? Vendo os atores saindo da zona
- 37:09de conforto, vendo diretores aparecendo pra trabalhar aqui,
- 37:14fazer trabalhos aqui. Eu acho que é um ano muito
- 37:17importante aí pro cinema nacional.
- 37:18É, gente, vamos lá. Quantos cafezinhos vale Ainda
- 37:20Estou Aqui? Oxe, tem café?
- 37:20Tem? Tem.
- 37:21Você quer uva? Não, quero café.
- 37:22Vale quantos cafezinhos? Pô, cara, cinco cafezinhos, né?
- 37:33Cinco cafezinhos, maravilhoso do começo ao fim.
- 37:36E me fez chorar, cara. Já tinha cinco coisas que me
- 37:39fazem chorar, sabe? Eu quero muito ver de novo,
- 37:42assim, uma situação mais tranquila, exatamente pra eu
- 37:47poder chorar de novo. Ele me emocionou muito, a
- 37:51direção é perfeita e... As Fernandas, né?
- 37:54Fernanda Torres, Fernanda Montenegro, cara, tudo de bom.
- 37:56Tudo de bom pra elas e, assim, Oscar pra gente agora.
- 38:00Oscar de dois mil e cinco anos. É isso.
- 38:03Gabi? É, eu tô com o Matheus, eu acho
- 38:06o filme cinco cafezinhos, sem sombra de dúvida, não tenho o
- 38:10que falar, pra mim é cinema de muita qualidade, é cinemão
- 38:14mesmo, sim, o Walter Salles é um cara que sabe utilizar os
- 38:18artifícios do cinema clássico como ninguém aqui no Brasil,
- 38:21acho que no Brasil ele é o cara mais clássico que a gente tem em
- 38:25termos de cinema, né? Acho que a narrativa dele é
- 38:27perfeita, o jeito dele de contar a história é perfeito, ele
- 38:33consegue agregar fotografia como parte intrínseca do filme para
- 38:37contar a história. Eu acho isso brilhante, porque
- 38:39cinema é imagem, e ele conta as histórias pela imagem.
- 38:42Então, brilhante o filme, acho sensacional.
- 38:45A Fernanda Torres está brilhante, o Santo Melo está
- 38:47brilhante. Fernanda Montenegro aparece em
- 38:50dois minutos de filme. Dois minutos, é.
- 38:52É foda, porque ela não fala uma palavra no filme e você sabe o
- 38:55que ela tá sentindo, então é muito bom.
- 38:57Eu achei um filme brilhante, achei um filme foda.
- 39:00E diferente do Marighella, por exemplo, que é um filme
- 39:04realmente comunista, é um filme que tem uma voz de esquerda
- 39:07fortíssima. Esse aqui consegue ser
- 39:10econômico, não é um filme panfletário que nem foi o
- 39:13Marighella, por exemplo, e por isso talvez esteja atingindo
- 39:17mais pessoas. E acho que isso já é uma lição
- 39:20para os caras de esquerda, atingirem mais pessoas.
- 39:24Às vezes você só tem que contar uma boa história e as pessoas
- 39:28vão entender o que foi uma ditadura, por exemplo, sem
- 39:31precisar panfletar o filme inteiro.
- 39:33Menos é mais, né, Gabi? É, às vezes você precisa ter uma
- 39:38voz que agregue todo mundo e não só agregue uma bolha em si, né?
- 39:44Acho que o Walter Salles foi brilhante nisso, que o filme é
- 39:47esse processo que é pra contar. Eu...
- 39:49Acho que a gente conversou antes aqui de começar a coisa que era
- 39:53impossível a gente discordar muito desse filme, porque ele...
- 39:57De formas diferentes, ele consegue ser... muito, muito
- 40:01bom, e a gente tem um pacto aqui interno do CG, de quando a obra
- 40:07é brasileira, a gente releva algumas coisas, porque a gente
- 40:10sabe que o orçamento é muito mais baixo, então a gente tem
- 40:13esse negócio também, a gente dá um boom quando o filme é
- 40:15brasileiro, mas eu acho que esse aqui, mesmo se a gente não desse
- 40:18esse boom, eu acho que eu daria cinco cafezinhos.
- 40:22Existe um trabalho aqui de todas as partes que são muito bons, a
- 40:25gente não falou tanto da dinâmica da família, mas as
- 40:26crianças também estão sensacionais no filme, é...
- 40:30São crianças que não são tão conhecidas, pelo menos eu não
- 40:32lembro de nenhum trabalho de cabeça delas, e elas estão muito
- 40:35bem. O Selton Mello, que aparece
- 40:38muito pouco, eu até comentei que ele vive ali na ausência dele,
- 40:43então tipo, você... Parece que ele tá no filme
- 40:44inteiro, porque ele aparece muito pouco, mas você fica vendo
- 40:47ele no filme inteiro, mesmo ele não estando em tela.
- 40:50E ele fez um trabalho não só de atuação, mas físico também muito
- 40:55bom, porque como o Gabi falou, tem cenas que eles reproduzem
- 40:58que ele tá a cara do Rubens Paiva que não tem nada a ver com
- 41:01ele. Ele engordou acho que mais de
- 41:02vinte quilos pra fazer o papel, tem a questão da maquiagem
- 41:06também, mas assim, é um trabalho perfeito. e a questão da
- 41:12Fernanda Montenegro no filme que muita gente lá fora acha que é a
- 41:16mesma atriz maquiada e tal mas é engraçado tem uma fala da
- 41:21Fernanda Montenegro que a Fernanda Torres trouxe numa
- 41:23entrevista que ela falou assim a minha mãe disse eu tenho a cara
- 41:27de todas as personagens que eu já fiz Sim.
- 41:51E acho que é muito importante dizer que a Fernanda Torres, ela
- 41:54tá super lúdica nas entrevistas, sabe?
- 41:56Ela foi falar sobre o Oscar, né? Falaram sobre o Oscar pra ela,
- 41:59se ela tá ansiosa. Ela falou, cara, isso é um
- 42:01prêmio de indústria, eu não me importo com isso.
- 42:03O verdadeiro prêmio é as pessoas falarem que eu tô bem no filme.
- 42:06Pra mim, isso basta, sabe? Mas se ela ganhar, vai encher o
- 42:10cu de droga. Ela tem pena das pessoas de lá
- 42:12de fora. com certeza ela falou que tem pena das pessoas lá fora
- 42:21que desconhecem a literatura brasileira por exemplo, falar
- 42:24sobre Machado de Assis sobre Luiz Melodi é muito triste as
- 42:28pessoas não conhecerem o Machado de Assis que é o maior escritor
- 42:31de todos os tempos ela tá super lúdica ela tá super lúcida ela é
- 42:35muito foda né cara Ele é uma pessoa inacreditável, assim, ela
- 42:43é muito... Muito Brasil, né?
- 42:47Gente, deixa eu agradecer aqui todo mundo que mandou mensagem.
- 42:51O Gabriel Duarte perguntou se tem chance de se ganhar Oscar.
- 42:54A gente já falou aqui, a gente torce, mas a gente sabe que a
- 42:57indústria é a indústria, então também tem essa questão, né?
- 43:01Vamos com o pé no chão pra... Mas a gente sabe, homônimo, a
- 43:04gente sabe, homônimo, que o nosso, que o diretor que a gente
- 43:08trouxe aqui é um milionário. E talvez ele fale, quer saber?
- 43:12Eu quero ganhar um Oscar. Eu quero ganhar o Oscar.
- 43:15Do nada, assim, sabe? Às vezes o cara vai lá e compra
- 43:18uma galera, faz uma campanha filme e é isso, né?
- 43:22Exatamente. Tem essa possibilidade dele ser
- 43:24o Tony Stark brasileiro. Vamos torcer pra isso acontecer.
- 43:29Tem um comentário do Lu também dizendo aqui que essa mulher
- 43:31conseguiu a certidão de morte há pouco tempo.
- 43:34Eu li um bagulho desse mesmo. Tem uma imagem dela segurando a
- 43:37certidão de óbito do marido. Acho que uns anos atrás aí.
- 43:40Foi bem pouco tempo mesmo. Pra você ver como que demora
- 43:43essas coisas, né? Agora vamos para aquele momento
- 43:46que a gente comenta tudo o que rolou na semana.
- 44:05O primeiro é o Denzel Washington, que está sendo
- 44:08boicotado, diz aí o site de notícias, por brasileiros na
- 44:13internet após ser grosseiro com uma crítica de cinema.
- 44:16Os fãs brasileiros decidiram boicotar o filme, é o que diz
- 44:20aí, por exemplo, sites como UOL, Gladiador II, após fala polêmica
- 44:24de Denzel Washington. O astro concedeu uma entrevista
- 44:27para falar sobre o longa, que está nos cinemas e causou
- 44:30revolta no público. Isso porque ele teria dado uma
- 44:33resposta seca para a crítica de cinema brasileira Isabela
- 44:37Boscovi. No vídeo publicado em seu canal
- 44:40no YouTube, a jornalista exibiu bastidores do filme, incluindo a
- 44:42entrevista com o elenco. Mas o momento que viralizou
- 44:45rapidamente nas redes sociais foi o da conversa dela com
- 44:49Denzel. Na entrevista, a comunicadora
- 44:51quis saber como foi a experiência de gravar o filme em
- 44:53Roma, mas foi surpreendida com a resposta seca do ator.
- 44:57Vou abrir aspas aqui para ficar bem no contexto.
- 44:59Você tem que me fazer as perguntas.
- 45:02Em seguida, ele disparou. Eu estava ocupado, na verdade.
- 45:06Eu estava focado no que estava fazendo.
- 45:09Não estava lá pra brincar. Então, não.
- 45:11Não é assim. E aí, Gabi?
- 45:13Vou começar por Gabi, porque eu sei que ele tem uma opinião mais
- 45:15favorável ao Denzel. Vai, Gabi.
- 45:18Você acha que ele foi tão grosso assim?
- 45:21É pra tanto? Ah, não é pra tanto, gente.
- 45:25Gente, pensa assim. A Isadama Boscovi foi uma das
- 45:28jornalistas que ganhou dez minutos pra conversar com o
- 45:30Denzel. E o Denzel, ele fica fazendo
- 45:33isso o dia inteiro. O dia inteiro respondendo esse
- 45:35tipo de pergunta idiota. Então se coloquem na posição do
- 45:39cara, tendo que falar, ai meu Deus, ai é isso, isso, aquilo.
- 45:43Ele tava de saco cheio. Dava pra ver na cara do cara que
- 45:46o cara tava de saco cheio, então...
- 45:47Quando chega uma... alguém, não é Moscovich, que eu acho muito
- 45:52competente e tal, mas vem e faz uma pergunta estúpida dessa,
- 45:55porra, o cara tá cansado, entendeu, de ouvir essas...
- 46:02Nessas mesmas perguntas, um pouco mais ríspido, né?
- 46:04Ele falou, óbvio, eu tava lá pra trabalhar e não pra brincar.
- 46:07Eu não vi como que é a Roma. E aí a galera toma um partido
- 46:11meio estranho, né? Fala que ele foi idiota e tal,
- 46:13não. Idiota ou Vin Diesel, velho?
- 46:16Idiota ou Vin Diesel? Ele foi muito personal, cara.
- 46:20Matheus? Cara, eu concordo com o Davi
- 46:23totalmente, mano. No real.
- 46:24Ele é um ser humano, tá ligado? Ele tá lá pra triunfar e...
- 46:27E assim, é muito egocêntrico, né?
- 46:30Não, eu tô aqui fazendo uma entrevista e não é isso, sabe?
- 46:33É comigo. Entrevista aqui e foda-se você.
- 46:37Ah, mano, pergunta como é que tá o dia dele.
- 46:39Um abraço, Jorge. Se não tivesse, o cara seria
- 46:43meio cuzão, né? Até porque é o business, né?
- 46:45Ele trampa com isso, ele deve saber, né?
- 46:47Que não tem porquê estar atacando as pessoas gigantescas,
- 46:50especialmente a pessoa que tá trabalhando com ele, né?
- 46:53O cara, sabe? Ele não tá assediando ninguém,
- 46:57sabe? Ele não ficou...
- 46:59Matheus, eu acho que... Não, mano.
- 47:08Matheus, acho que você tá travando, cara.
- 47:10Gabi, tá travando pra você o Matheus ou não?
- 47:11Não, eu tô ouvindo o Matheus bem, cara.
- 47:17Ah, então deve ser... Eu tô ouvindo todo mundo bem aí,
- 47:19mano. Até as reações, eu tô ouvindo
- 47:24bem. Pô, Jorge, que isso, mano?
- 47:25Que isso? Calma aí, cara.
- 47:26Tudo bem, cara, tudo bem. Isso é muita falta de
- 47:28funcionamento. Deve ser...
- 47:31Deve ser o meu... Deve ser o meu...
- 47:35Deve ser o meu fone, então. É, mas é...
- 47:39Eu entendo o que vocês estão falando.
- 47:41Mas o cara também sabe que ele vai pra lá pra responder
- 47:44cinquenta mil entrevistas e que metade dessas entrevistas são
- 47:47rasas. Nem é o caso tanto da Boscovia.
- 47:49A Boscovia geralmente ainda trabalha de uma forma mais do
- 47:53crítico profissional antigo ali, né?
- 47:56Mas, por exemplo, imagina o que essa mina não faria se pegasse
- 47:59esses malucos que hoje em dia chegam lá e perguntam Van
- 48:02Diesel, você usaria uma peruca? Tem uns caras que metem umas
- 48:07perguntas dessas, tipo, tá ligado?
- 48:09Aí eu acho que essa pergunta enche o saco, né?
- 48:11Talvez ele já tivesse de saco cheio de outras coisas, né?
- 48:14E ele não conhece também todas as quem é quem ali, tipo, na
- 48:18coisa. Porque como o Gabi falou, é
- 48:19cinco minutos que eu acho que dá duas perguntas.
- 48:23Ou uma pergunta, não sei. Tipo, é uma coisa muito... entra
- 48:26e sai, entra e sai, né? É um negócio muito rápido, né?
- 48:28É. Então a gente sai de muita
- 48:30gente, os caras ficam porra, oito, nove horas fazendo essa
- 48:33junkie o dia inteiro. Recebendo vídeo chamado o dia
- 48:35inteiro, imagina. Denzel Washington cheio de
- 48:39birita pra tomar, tá ligado? Ele lá no seu arém e...
- 48:44Sendo que o João não via a Isabela Boscovi perguntar como
- 48:46foi Roma, o cara tá louco. Ah, parece velho, caramba,
- 48:48velho. Eu lembro lá daquelas
- 48:51entrevistas com a Scarlett Johansson dos Vingadores, o cara
- 48:53pergunta... Ah, tipo, era complicado isso
- 48:57daqui? Seu mundo ficava grande com essa
- 48:58roupa aqui? É, não é?
- 49:00É, então, tipo... A galera caiu em cima dela
- 49:06exatamente porque a pergunta não foi nada demais, né?
- 49:09Mas se tivesse sido uma pergunta escrita, tipo, eles estavam
- 49:12caindo em cima dela, né? É, provavelmente.
- 49:15Mas vamos girar aqui e vamos falar agora de uma coisa que a
- 49:19gente tava até meio que comentando aqui, mas no
- 49:21bastidores e entra no assunto. Cara de Barro vai ganhar um
- 49:24filme dirigido pelo Mike Flanagan.
- 49:27O filme do Cara de Barro pode estar avançando na Warner Bros.
- 49:31Segundo o jornalista Daniel Hitchman, o projeto teria
- 49:33ganhado sinal verde desses filmes, com o diretor Mike
- 49:36Flanagan de Doutor Sono. E também, acho que se não me
- 49:38engano, ele fez o Exorcista, o último Exorcista, né?
- 49:41O Insider afirma ainda que Flanagan teria terminado...
- 49:45O Insider afirma ainda que Flanagan teria terminado de
- 49:56escrever o roteiro e que o longa começará filmagens já no
- 49:59primeiro semestre do ano que vem.
- 50:01Flanagan disse em seu Twitter que não pode comentar a notícia,
- 50:06mas que o personagem deve ser visto antes de um suposto filme
- 50:09solo. Aí fica a dúvida que eu converso
- 50:11com vocês. Você acha que eles vão meter
- 50:12isso no The Batman? Ou você acha que eles vão
- 50:15colocar, por exemplo, ele no filme novo do James Gunn?
- 50:18O que você acha que é mais provável?
- 50:20Eu acho que o mais provável é que ele vai estar no universo do
- 50:23James Gunn, né, cara? O cara de barro, o Clayface, ele
- 50:26é o inimigo mais ruim do Batman, né?
- 50:29Ele tem um ter, sabe? Então, a gente tava até pensando
- 50:32isso no off, né? De tirar esse foco do Coringa,
- 50:35né? O que é o foco do Coringa aí,
- 50:36né? O cara de barro aí, tipo...
- 50:39Mas ele é muito fantástico, né cara?
- 50:41Eu acho que ele encaixa melhor mesmo no universo de Gamescom
- 50:44que vai ter. Vai ter super-homem, né?
- 50:46Que vai ter aí... Evento de volume, Evento de
- 50:49mortal, Evento de poderzinho, né?
- 50:52Então, eu acho que ele encaixa muito no The Batman, né?
- 50:56E sendo o Mike Flanagan, ele pode ser um projeto diferente do
- 50:58Ultramore, talvez, né? Eu só espero que resgatem o
- 51:03lúdico, né? Porra, chega de bagulho muito
- 51:05real, né? Chega de realidade.
- 51:07A realidade tá estragando os filmes de super-heróis, chega
- 51:10disso. Vamos colocar um Batman aí num
- 51:13mundo mais surrealista, sei lá, um negócio mais lúdico mesmo,
- 51:18né? Porra, chega, vamos botar o Mr.
- 51:21Freeze aí, vamos botar o cara de barro mesmo, vamos botar o
- 51:25crocodilo, porra... Crocodile, porra...
- 51:29Inclusive né Gabi, uma das coisas que eu acho que é mais
- 51:31legal no Batman é que ele é um humano se fodendo contra tipo
- 51:35uns metas humanos fodidos assim e ganhando.
- 51:37Aí você coloca esse negócio do pé no chão demais, né, o pé no
- 51:41chão, o pé no chão, o pé no chão, a realidade.
- 51:43Gente, o Batman não existe, não precisa.
- 51:45Eu não entendo essa porra de... O Nolan fez uma escola maldita,
- 51:49tipo de... A gente se fala, por que o
- 51:51Coringa do Nolan fez tanto sucesso?
- 51:53Porque o Batman era muito ruim. Essa é a minha opinião.
- 51:56O Batman do Christian Bale, com aquele cabelo lavado de shampoo
- 52:00toda vez, lutando de noite, sempre com o cabelinho bonito,
- 52:03né? Não me vende.
- 52:06E aí eu acho que os vilões se destacam, tá ligado?
- 52:08É diferente, por exemplo, de um Batman do... do, caramba, acabei
- 52:13de esquecer acabei de falar dele e esqueci, mas do do Tim Burton
- 52:18onde a Gotham compunha a personalidade do Batman então a
- 52:22Gotham tinha uma vida própria, onde o pinguim era o animal
- 52:26mesmo, exatamente aquilo é o pinguim Aquilo é um pinguim.
- 52:31O background do pinguim era bem diferente do clássico, mas
- 52:35assim, o pinguim era um cara que era feio, ele foi abandonado e
- 52:39criado por pinguins no esgoto, cara.
- 52:41Muito lúdico, o que é mais lúdico que isso?
- 52:43O que é mais lúdico que isso? Você puxou essa questão do
- 52:48pinguim, cara, e de Gotham mesmo, e...
- 52:53No Batman do Nolan, ali não tem nada de Gotham ali.
- 52:58O Batman até tenta, mas tem um pouco também, trazer a Gotham,
- 53:03clássica, né? Tem?
- 53:06Acho que... Sei lá, eu acho que desde dois
- 53:09mil e cinco eles falham com o Batman, né?
- 53:12Acho que o Batman, ele precisou se renovar desse jeito, mas
- 53:16perdeu o lúdico. Perdeu o lúdico, fica com esse
- 53:19negócio de realidade. Todo filme de herói agora, ah, e
- 53:22se fosse na realidade? Não, gente, não.
- 53:24Pelo amor de Deus. É isso que fez o universo do
- 53:27Snyder fracassar, entendeu? E se o Superman estivesse na
- 53:29realidade? Ah, cara, mas aí o The Bat...
- 53:37Acho legal, tipo, pô, você vê o pinguim ali, esse pinguim aí,
- 53:42ele tá muito retro, né, cara? Então, o The Batman do Matt
- 53:44Reeves bebe da mesma fonte do Nolan.
- 53:47Pra mim é o Nolan dois ponto zero ali, é o Nolan melhorado,
- 53:50sabe? Tem um pouquinho mais de lúdico,
- 53:54mas ainda as brigas políticas, as brigas com a máfia, o próprio
- 53:58charada mesmo, tá muito num contexto de realidade, né?
- 54:02E eu realmente gostaria que um personagem mais lúdico, mais
- 54:07surtado, aparecesse. Tipo uma Era Venenosa, por
- 54:10exemplo. Se fosse lá uma Era Venenosa,
- 54:13pô, ia ser muito interessante. Joga o Mr. Freeze mesmo, poço.
- 54:17Acho que falta, acho que falta. Os caras têm um pouquinho mais
- 54:20de imaginação e menos copiar a família Soprano, sabe?
- 54:23Porque, no fim das contas, o Pinguim parece uma continuação
- 54:27espiritual do Tony Soprano, velho.
- 54:29O Pinguim literalmente tem o background de Tony Soprano, né,
- 54:33galera? É um mafioso de fudida.
- 54:36Não é nem que isso me incomoda e eu acho ruim.
- 54:38Eu acho muito bom. Mas, porra, é um universo de
- 54:41super-heróis, sabe? Podia ser um pouco mais lúdico.
- 54:46Mas eu acho, Gabi, que essa galera fica tentando pagar de
- 54:51inovadora e tal, mas, por exemplo, a gente pega o filme do
- 54:54Coringa, o primeiro, nem falo do segundo, falo do primeiro, que
- 54:56foi um sucesso. Você mesmo fala que eles
- 55:00praticamente chuparam um outro filme e colocaram o Coringa como
- 55:03personagem, entendeu? Tipo, eles pegaram um clássico,
- 55:06colocaram o Coringa ali e falaram, ó...
- 55:09Eu acho que tem muito pouco de Coringa no filme do Coringa.
- 55:12Ele não é o Coringa, bicho, sabe?
- 55:15Pra mim aquilo ali é a historinha do Rei da Comédia.
- 55:20É o mesmo filme, bicho. Só que colocaram uma espinha de
- 55:22coringa. Pra inventarem alguma coisa que
- 55:26é baseada no quadrinho e tal. Não é, cara.
- 55:28Não tem nada de coringa ali. Não tem nada de quadrinho ali.
- 55:30Não tem, não tem. Também acho que faltou, cara.
- 55:34E aí, já partindo, só pra gente finalizar, o cara de barro, eu
- 55:39conheço pouco, conheço mais da série animada do Batman, das
- 55:43antigas, eu achava ele um personagem interessante.
- 55:46Fizeram uma repaginada nele, nessas novas animações, né?
- 55:50Tipo, por exemplo, na animação da Arlequina, que é mais dezoito
- 55:53aí, onde ele é mais pra comédia, ele é um ator que quer se... se
- 55:57fantasiar, então ele consegue se transmutar em outras pessoas,
- 56:00né? Ele consegue mutar o corpo dele
- 56:02pra se transformar em outras pessoas.
- 56:04Não sei se isso seria alguma coisa a ser trabalhado num filme
- 56:08dele. E o Mike Flanagan, ele é um cara
- 56:10do terror. Não sei como ele trabalharia
- 56:12isso. Seria um filme de terror,
- 56:13talvez? Não sei.
- 56:16Fica aí a pergunta que eu não tenho resposta, na real.
- 56:20Mas... Alguém quer comentar mais alguma
- 56:22coisa? Pode girar.
- 56:22Pode girar. Pode girar, pode girar.
- 56:26Então vamos girar a roda. E vamos falar agora de Wicked.
- 56:30Nos Estados Unidos estão tendo problemas com pessoas cantando
- 56:33dentro da sala de cinema. Olha a merda que a gente chegou.
- 56:36Wicked é um dos maiores filmes de dois mil e vinte e quatro e
- 56:39promete alcançar uma bilheteria estrondosa para a Universal
- 56:42Pictures. Porém, Parece que os cinemas
- 56:44americanos estão tendo que lidar com os fãs do musical, que sabem
- 56:49todas as letras de Co. Um dos maiores fenômenos da
- 56:52Broadway, Wicked chegou aos cinemas brasileiros na
- 56:55quinta-feira, dia vinte e um, com Ariana Grande e Cynthia
- 56:57Erivo nos papéis principais. Encantando ao cantarem as
- 57:02músicas clássicas do musical, os fãs estão soltando a voz com
- 57:06elas nas sessões, e isso gerou uma resposta dos cinemas
- 57:09americanos. No X aí, um post viralizou de
- 57:14uma das maiores indústrias americanas de cinema postando um
- 57:16cartaz proibido cantar dentro da sala.
- 57:23Gente, isso é um fruto dessa era, né?
- 57:25A gente tinha falado que antigamente a gente era proibido
- 57:27até falar. Hoje em dia o pessoal bate
- 57:29palma, grita. Olha o Nichols!
- 57:32O Nichols! O Sonic!
- 57:33O que que tá acontecendo, gente, pra vocês?
- 57:38Peraí, peraí, que o Jorge, o Jorge foi uma pessoa que puxou
- 57:42palmas no cinema no Jogadores, gente.
- 57:44Isso eu não sei se você tá... Ele puxou palmas pro Thor
- 57:48chegando no Wakanda. Ah, isso é verdade.
- 57:53Ah cara, muito problema, isso atrapalha o filme mesmo no
- 57:57geral, mas até na musiquinha o pessoal tá cantando, isso não
- 58:01faz sentido na real, eu acho que o pessoal tá muito em choque
- 58:06porque o que tá acontecendo lá, se for aqui no Brasil é bem
- 58:08pequeno, o pessoal falar no filme, o pessoal gritar quando
- 58:11tem alguma cena que se empolga, quando tem alguma música que o
- 58:15pessoal conhece. Esse filme eu acredito que
- 58:20esteja sendo pra adolescente, né?
- 58:22Que a Ariana Grande, né? Então, tipo, é o estilo dos
- 58:26poppers aí, né? Galera que curte pop.
- 58:28Eu não acredito. É chato, às vezes, nesse
- 58:32sentido, sabe, cara? É só uma coisa...
- 58:35No fim das contas, o filme tem um público cativo.
- 58:38Tem um público que vai lá pra ver e cantar as músicas mesmo,
- 58:41velho. Eles vão pra interagir com o
- 58:43filme, né? O que eu acho um pouco estranho,
- 58:45né? Porque o filme não é uma peça
- 58:47teatral, né? O filme tá sendo projetado ali,
- 58:50não tem ninguém ouvindo você e tal.
- 58:52Mas as pessoas querem fazer parte de alguma coisa, né?
- 58:56Fazer parte de uma catarse, né? Enfim, eu acho que o filme
- 59:01entrega essa catarse que o pessoal queria ver, né?
- 59:04O pessoal queria cantar as músicas...
- 59:06O que é isso que tá acontecendo? O pessoal queria ver a Ariana
- 59:08Grande? E pronto, o pessoal canta, vai
- 59:11fazer o quê, cara? Não tem muito o que falar, não.
- 59:14É assim, eu acho estranho o cara que gosta de cinema ir lá
- 59:21assistir o Wicked, né? Todo mundo sabe que o Mágico de
- 59:27Oz que vale é o de trinta e nove, o resto é tudo uma bosta
- 59:29mesmo, sabe? Tu vai conseguir ver o Batman de
- 59:34trinta e nove numa sessão especial do Petras aí, né, Gabi?
- 59:37Não tem como. Não, mas o pior que passou, teve
- 59:43noitão com o Mágico de Oz original e o Wicked, né?
- 59:46Então, eu não sei qual foi a surpresa, deve ter sido o Mágico
- 59:50de Oz lá do James Franco, o Oz Mágico.
- 59:53Nossa, eu não sei. Deixa o pessoal cantar, velho,
- 1:00:01sabe? Deixa o pessoal cantar.
- 1:00:03O Gabi fala do teatro, cara, mas assim, no teatro eu acho que
- 1:00:05eles são até menos permissivos sobre isso, né, Gabi?
- 1:00:08Porque eu lembro de ter ido, sei lá, anos dois mil e cinco, por
- 1:00:12aí, eu fui assistir o Rock in Rio musical, quando teve a peça
- 1:00:17aqui, e eu lembro que, tipo, tinha umas pessoas cantando,
- 1:00:20assim, junto com as músicas, e aí o cara que cantava Marvin,
- 1:00:24cara, ele não esqueceu, é o cara que dublou o Rei Leão, que
- 1:00:28dublou o Simba aqui no Brasil, ele parou e falou assim, quer
- 1:00:32cantar? Você quer cantar?
- 1:00:35Mano, fez a pessoa passar uma vergonha e parou o espetáculo
- 1:00:39por causa disso. Mas assim, no teatro é foda, né,
- 1:00:43cara? No teatro, é isso que eu tô
- 1:00:45falando, Gê. No teatro, você tem uma
- 1:00:47interação com o público, sabe? Se o público te atrapalha, você
- 1:00:51vai ser impactado pelo público, sabe?
- 1:00:56Você vai se sentir incomodado com alguma coisa.
- 1:00:58Se o Roberto Carlos manda calar a boca...
- 1:01:01Imagina o ator que tá lá tentando atuar, velho.
- 1:01:04Porra, não dá, né, cara? E no teatro, você tem que se
- 1:01:07adaptar, cara. Exatamente pelo teatro ser mais
- 1:01:10interativo, né? Tem muito que ser a plateia,
- 1:01:13sabe? E aí, você atrapalhar o cara que
- 1:01:17tá atuando naquele momento, é meio foda.
- 1:01:19Não dá nem pra falar que o Icaro Silva é estranhinho nesse caso,
- 1:01:22né, porra? É o Icaro Silva, ele mesmo.
- 1:01:24Eu lembrei do nome dele agora, né?
- 1:01:28Ricardo Silva, e assim, mas eu imagino, eu até entendo a
- 1:01:33questão do fã, mas por exemplo, eu e o Gabriel, às vezes a gente
- 1:01:37vai lá assistir um filme, não porque necessariamente a gente
- 1:01:39quer assistir aquele filme, porque a gente vai falar do
- 1:01:41filme, acaba sendo uma coisa que a gente traz até pelo programa.
- 1:01:46Aí eu lembro que uma vez a gente foi, se eu não me engano, eu não
- 1:01:48sei que filme que a gente foi assistir, que, cara, a galera
- 1:01:51ficava gritando, o filme inteiro, conversando, gritando,
- 1:01:56Porra, isso aqui não é interação.
- 1:01:58E o coletivo? E o coletivo?
- 1:01:59Se comparar com a experiência que eu tive no Shopping Tá Bom
- 1:02:03pra assistir o Ainda Estou Aqui, Deus do céu.
- 1:02:06Teve uma hora que eu virei e falei, porra, cala a boca, pelo
- 1:02:09amor de Deus. Porra, a menina não parava de
- 1:02:12falar, cara. Tudo ela perguntava.
- 1:02:14O que é isso? O que tá acontecendo?
- 1:02:18E quem era ex-presidente dessa época?
- 1:02:20Caralho, velho. É por isso que a história do
- 1:02:22Brasil é uma merda. Por isso que o Brasil tá uma
- 1:02:23merda. Ninguém estudou história nessa
- 1:02:25porra, velho. Sabe nem quem era a porra do
- 1:02:27presidente na época da ditadura, cara.
- 1:02:29Vai tomar no cu com a foto do cara aparecendo, sabe?
- 1:02:31Então tem coisa no cinema que irrita mesmo, cara.
- 1:02:34Mas... ainda estou aqui e Wicked são filmes muito diferentes um
- 1:02:38do outro pra público muito diferente um do outro mas esse
- 1:02:43que é o problema virou um padrão ficar gritando no cinema virou
- 1:02:47um padrão mesmo tem gente gritando com o Sonic eu fui
- 1:02:50assistir Turma da Mônica com a Alice tinha gente gritando Olha
- 1:02:55só! É o Chico Bento!
- 1:02:56Aaaaaah! Tem gente fazendo isso!
- 1:02:59É isso, pô. É filme pra criança, sabe?
- 1:03:02Mas não é só as crianças, Matheus.
- 1:03:03É isso que eu tô falando, cara. Ah, não, não.
- 1:03:06Eu sei do que você tá falando, Jorge.
- 1:03:07Você tá falando daquele cara com mais trinta anos, barbudo, que
- 1:03:11tá gritando porque tá vendo Shadow, né?
- 1:03:13É, Shadow, tipo, é isso. É, por exemplo, a gente foi,
- 1:03:18muitos anos atrás, a gente tinha a estreia de Liga da Justiça, a
- 1:03:21primeira, sem ser do Zack Snyder, do Joss Whedon.
- 1:03:23E aí a nossa amiga, no meio do filme, falando, nossa, mas por
- 1:03:26que o Sean Bale tá diferente? Nossa, dá um salve pra Isabel.
- 1:03:33Oi, Isa. Te amo, Isa.
- 1:03:35Te amo, Isa. Mas vamos girar aqui, vai.
- 1:03:38Vamos girar, que daqui a pouco começa o assunto principal.
- 1:03:41Mas ainda não. Vamos falar agora de por que
- 1:03:43Liga da Justiça Sem Limites chegou ao fim na terceira
- 1:03:46temporada. Nos anos dois mil, o mundo foi
- 1:03:49agraciado com várias excelentes séries animadas da DC.
- 1:03:52E dentre todos esses desenhos, Liga da Justiça e sua sequência,
- 1:03:56Liga da Justiça Sem Limites, se destacam como melhores animações
- 1:04:00da DC. O fim dessas duas obras causa
- 1:04:03até hoje... Quinze anos depois, uma grande
- 1:04:05saudade entre os fãs da DC. Além dessa franquia ter sido
- 1:04:09ótima, os desenhos da Liga da Justiça lembram a infância e a
- 1:04:13juventude para muitos, especialmente os brasileiros.
- 1:04:16Foi revelado recentemente pelo Bruce Timm, idealizador da
- 1:04:19animação, que a série acabou porque empresas que eram donas
- 1:04:22de alguns personagens já restringiam bastante sua
- 1:04:26utilização, como por exemplo o Batman, que não podia ter um
- 1:04:29Robin, não podia aparecer o Robin, não podia aparecer o
- 1:04:31Alfred e nem o Gordon. É...
- 1:04:33Eles entraram com ações pra... Querer mais dinheiro pra poder
- 1:04:37liberar agora os personagens principais.
- 1:04:38Então isso meio que como a liga tinha muito herói, né?
- 1:04:41Tipo, e cada episódio focava em um.
- 1:04:43Eles acabaram achando que não era viável...
- 1:04:47É... Renovar essa série.
- 1:04:49É... E aí...
- 1:04:51Queria saber de vocês, o que isso lembra pra vocês?
- 1:04:53Vocês gostavam? Vocês eram do tipo que chegavam
- 1:04:55da escola e assistiam esse Liga da Justiça?
- 1:04:58Cara, eu amava, cara. Acho que esse pra mim é o desvio
- 1:05:01da minha infância, cara. Eu amava o Liga da Justiça e o
- 1:05:04Sem Limites, cara. Eu adorava, eu chegava cedo, eu
- 1:05:06chegava correndo. Foda-se, eu queria ver.
- 1:05:11É a adaptação de quadrinhos que você tem pra tela, sabe?
- 1:05:15Tá tudo lá, as personalidades estão lá.
- 1:05:17A do Ivan, que a gente adora, né?
- 1:05:20Do Briggs aí. Do Batman, né?
- 1:05:28Cara, me marcou, tipo, sabe, eu nunca esqueço, assim, eu nunca
- 1:05:31esqueço dessa história, nunca fiz, cara, e assim, é bem
- 1:05:35possível agora de ver falando dessas questões de não poder
- 1:05:39aparecer os personagens, né, o malabarismo que eles faziam, né,
- 1:05:42cara, tinha episódios que você, tipo, não tinha nenhum dos
- 1:05:45personagens aparecendo, sabe, episódios que aparecia só o
- 1:05:48senhor do nível, ou tinha episódios que só aparecia o
- 1:05:50afogo, né, que é aquela heroína brasileira do fogo verde, né,
- 1:05:54que dava em cima do flash, e assim...
- 1:05:57E o Flash não era o Barry Allen, né?
- 1:06:00Flash era o outro lá, ó. É o Wally.
- 1:06:03Wally West. É.
- 1:06:06É Flash, na verdade, tá, cara? Assim como o Lanterna Verde não
- 1:06:09era. Era o George Washington.
- 1:06:11Não era o Hal Jordan, né? Mas o Hal Jordan aparece.
- 1:06:14Ele aparece em alguns episódios. Tem um episódio que...
- 1:06:17Não, ele aparece no episódio do Amazo, lá quando o Amazo volta,
- 1:06:20sabe? A tropa dos Lanternas quer
- 1:06:22destruir o planeta, cara. Olha isso, mano.
- 1:06:26Eu gosto. Pra mim, são os dois melhores
- 1:06:28episódios dessa animação, do Amazo.
- 1:06:31Cara, o Amazon é um personagem inacreditável, bicho.
- 1:06:35E ali o Lex Luthor, né, usando ele e tal.
- 1:06:39E quando ele volta, ele volta atrás do Lex Luthor.
- 1:06:41E o Lex Luthor fica desesperado, tá ligado?
- 1:06:46Você lembra que a base secreta do Lex Luthor era numa
- 1:06:54barbearia, cara? Pois é, cara.
- 1:06:55Esse episódio é muito foda. Ele daria uma bela adaptação.
- 1:06:58Se fossem adaptar uma Liga da Justiça só, que já todo mundo
- 1:07:02conhece a porra dos heróis e tal, adapta o Amado, sabe?
- 1:07:05É a melhor história possível. Também tem uma apresentação lá,
- 1:07:09eu acho que no começo da primeira temporada lá, do
- 1:07:13Aquaman, velho. Porra, o Aquaman ali é muito
- 1:07:15foda, né, cara? Excelente.
- 1:07:16E tem o episódio também do super-homem com aquela emissão
- 1:07:20de Krypton, né? Que é o homem que tinha...
- 1:07:22E ele vê a vida dele inteira passando, sabe?
- 1:07:24Ele crescendo em Krypton. Que é muito...
- 1:07:27Cara, são episódios incríveis, sabe?
- 1:07:29Tem adaptação também do Nos Tempos de Savage.
- 1:07:36O episódio que eu mais gosto é aquele que começa, acho que é
- 1:07:40Epílogo o nome, que começa com o Batman do futuro e ele fala com
- 1:07:43a Amanda Waller, aí ela conta pra ele uma história do Batman
- 1:07:47com a As, como a As morreu. Que ele fica sozinho, cara.
- 1:07:51Nossa, esse episódio é filha da puta, cara.
- 1:07:56Sim, ela fala pra ele, né, Batman, você pode ficar comigo
- 1:07:58até o final? Aí ele pega assim, só dá a mão
- 1:08:01pra ela assim, cara, e ela vai morrendo.
- 1:08:03Puta que pariu. Aí ela volta, ele sai com ela no
- 1:08:06colo assim. Esse era o tipo de homem que o
- 1:08:08Batman era, tá ligado? Amanda Waller tem esse negócio
- 1:08:11legal também nessa animação, que eu acho que eles não conseguiram
- 1:08:13capturar tanto, né? Essa relação meio dúbia com o
- 1:08:16Batman. Ela era inimiga do Batman, mas
- 1:08:18ela era uma das pessoas que mais conhecia o Batman, no final das
- 1:08:20contas. Tipo, isso aqui transmite
- 1:08:22bastante na coisa. E tem uma curiosidade que eu até
- 1:08:27pesquisei. E que pouca gente sabe, mas a
- 1:08:30animação ela continuou uns anos depois em quadrinho, cara.
- 1:08:35Um quadrinho intitulado Justiça League Infinity.
- 1:08:38Que acho que foi em quatro anos depois.
- 1:08:44É, cara. Esse quadrinho ele termina
- 1:08:48exatamente onde terminou lá a terceira temporada com o
- 1:08:52Darkseid morrendo, né? Junto com o Lex Luthor.
- 1:08:56E aí só que começa uma guerra em Apocópolis e eles decidem que
- 1:09:02quem matar a Liga da Justiça vai ser o novo Darkseid.
- 1:09:05Aí um cara consegue matar, ele vira o Darkseid.
- 1:09:08Quem consegue matar a Liga? Um Superman.
- 1:09:11E ele vira o Darkseid. É, e ele vira literalmente o
- 1:09:15Darkseid, tá ligado? Tem um negócio dos heróis
- 1:09:18negros, tem uma Liga da Justiça só de negros no multiverso.
- 1:09:22Tem uns negócios assim, umas sacadas interessantes.
- 1:09:25Mas é isso gente. Acho que todo mundo sente
- 1:09:27saudade, mas isso não vai voltar.
- 1:09:29O Gabi falou outro dia que, por exemplo, era impossível pensar
- 1:09:34um Roger Rabbit hoje em dia por conta dos direitos autorais.
- 1:09:36Hoje em dia é pior ainda. Imagina uma Liga da Justiça
- 1:09:38dessa, com cem heróis. Impossível, né, Gabi?
- 1:09:41Muito direito jogado aqui e ali pra fazer acordo com tudo isso
- 1:09:45de empresa é impossível, né? Pode ser que volte.
- 1:09:48Esse é um acordo melhor porque a DC tá toda no guarda-chuva da
- 1:09:53Warner, né? Então é mais fácil você fazer
- 1:09:57todo esse aparato, essa negociação.
- 1:09:59É porque a Warner não quer pagar o direito dos caras que criaram
- 1:10:04os heróis, tá ligado? Esse aqui é o problema.
- 1:10:07Os caras que criaram. Porra, o Superman até então...
- 1:10:12A Warner tava sem o direito de Superman, de usar o nome
- 1:10:16Superman. Por isso que o filme do...
- 1:10:18Homem de Aço. Não é Superman, tá ligado?
- 1:10:23Não pode usar a porra do nome, saca?
- 1:10:25Então tem um pouco disso também, a Warner não quer pagar os
- 1:10:28criadores originais do rolê, sabe?
- 1:10:31Encerrando aqui, o que vocês tem pra indicar pra gente hoje?
- 1:10:35Eu vou continuar aí na família, né?
- 1:10:37Vou continuar aí no Cláudio Torres, cara.
- 1:10:39Não sei se vocês gostam do Cláudio Torres, né?
- 1:10:42Eu particularmente, eu amo o Cláudio Torres.
- 1:10:44Ele tem muito charme nos filmes dele.
- 1:10:46O Mulher Invisível, né? O Homem Futuro.
- 1:10:49E eu vou te cair em um aí que eu vi recentemente, né?
- 1:10:53Que tá no Golo... Muita porra.
- 1:10:56Quase nem sai aqui. Que é o Redentor, cara.
- 1:10:59Eu filmei com o Pedro, cara. Não funciona em mim.
- 1:11:01E com o Fernando Montenegro e o Fernando Antônio também, né?
- 1:11:03Porque eles sabem que um cara que, depois de perder aí a casa,
- 1:11:07naquelas parcelas que você encontra a alma, né?
- 1:11:10Ele começa a ouvir a voz dos próprios livros, falando com
- 1:11:13eles pra retificar essa situação, cara.
- 1:11:17Ele é um filme... Eu não, ele é bem denso, ele é
- 1:11:19bem diferente dos filmes que eu já tinha visto mesmo, né, do
- 1:11:23Cláudio Torres. Eu adoro, cara, não é que o
- 1:11:26Felipe Cardoso, né, quem aí não lembra do Agostinho, né,
- 1:11:29Agostinho Carrara, né, o grande homem, um dos melhores do
- 1:11:32Brasil, né. E se você está lendo em torno do
- 1:11:35Cláudio Torres, tem no Globoplay, tipo, vai ser uma boa
- 1:11:38viagem, vai ser uma boa viagem, eu acho que vai ser bem.
- 1:11:42Eu ia indicar o Pinguim, mas provavelmente eu fui o último a
- 1:11:46ver, porque todo mundo já viu essa porra.
- 1:11:48Então eu vou ficar com um filme nacional também, que eu acho que
- 1:11:50essa semana, chama Falsa Loura. massa, absurdo, eu fui esperando
- 1:11:56nada e o filme entregou tudo, é um é uma espécie de conto de
- 1:12:00fadas meia brasileirada, né, com uma operária que vai sonhar um
- 1:12:05pouco e se depara com uma outra realidade, eu só acho Falsa
- 1:12:09Loura um filme massa, cara, ele tá no Youtube aí, fácil pra todo
- 1:12:13mundo ver tem a menina que faz lá a professorinha Helena no
- 1:12:15Carro Céu Novo, tá aparecendo com muito frontal, o que assusta
- 1:12:19muita gente, eu acho, né Ah, eu curti pra caramba, cara.
- 1:12:26Eu acho que o Mastro... Os bagulhos toscos, tipo o
- 1:12:29Maurício Massaro, ele é brega. Tem algumas horas que ele é
- 1:12:32brega, assim. Faz sentido ele ser do jeito que
- 1:12:36é. Falsa loura, gente.
- 1:12:38Eu estou emocionado porque desde que meu amigo Gabriel foi
- 1:12:40magoado anos atrás, ele não indica uma comédia romântica.
- 1:12:44Então eu estou aqui. Isso significa que ele está
- 1:12:47curado. Pera, Falsa Loura não é uma
- 1:12:50comédia romântica, gente. Você acabou de dar a sinopse de
- 1:12:56uma comédia romântica. Uma operária que você falou.
- 1:12:59Não, eu estou dando a sinopse de um conto de fadas à la
- 1:13:03brasileira. Isso não quer dizer que seja uma
- 1:13:06comédia. Vamos lá ver Pauta Loura, que
- 1:13:08esse filme é um filmaço. Ah tá, então o Gabriel continua
- 1:13:12com o coração peludo, gente. Não foi dessa vez que a gente
- 1:13:14conseguiu. Mas continuemos.
- 1:13:17Eu vou indicar uma série brasileira.
- 1:13:19A gente tá falando de ter muito trabalho aí, bom.
- 1:13:22E eu achei uma... A Disney lançou essa semana uma
- 1:13:25série chamada Amor da Minha Vida, que é uma comédia
- 1:13:27romântica, de fato. Que ela pega todos os clichês
- 1:13:30que eu amo. Tipo, How I Met Your Mother.
- 1:13:32É quinhentos dias com ela. Tem várias referências a
- 1:13:34quinhentos dias com ela e tal. E é dirigida pelo René Simões.
- 1:13:38E co-dirigida pela Bruna Marquezine.
- 1:13:40Que também estreia na co-direção. com o Sérgio
- 1:13:45Malheiros atuando com ela também, como os dois atores
- 1:13:49principais. E conta a história de uma mina
- 1:13:51que é totalmente desapegada, ela fica com o cara, depois ela
- 1:13:54termina, e ela nunca quer ter nada sério, quando o cara vai
- 1:13:58começar a se apaixonar por ela, ela termina, e foda-se, ela é
- 1:14:00cuzona mesmo, e já era. E o melhor amigo dela, que é o
- 1:14:03Sérgio Malheiros, é um cara que era casado, e ele é muito
- 1:14:07tranquilão, e ele ama a rotina, Tipo, de ser paradona e tal.
- 1:14:11E aí, do nada, ele descobre que a mulher dele traiu ele e ele
- 1:14:14vira solteiro. E aí, vira uma comédia romântica
- 1:14:16maluca dele sempre que se gostarem, mas nunca perceberem.
- 1:14:19São seis episódios. É da Disney, mas tem no frontal,
- 1:14:23Gabriel. É porque é Star Plus, né?
- 1:14:24Agora, eu esqueci. A Starzilla.
- 1:14:28É, a Star Plus agora é a Disney, né?
- 1:14:30Mas tem no frontal, tem vários peitinhos aí à vontade pra
- 1:14:33vocês. Assistam aí, então.
- 1:14:36Amor da minha vida na Disney. Gente...
- 1:14:38O melhor é a gente indicando as coisas, tá ligado?
- 1:14:40A gente indica as coisas falando, ó, tem no frontal, tem
- 1:14:42peitinho, tem isso, tem isso. É isso aí.
- 1:14:47É isso. É pro pessoal ir preparado.
- 1:14:49Tem romance, mas tem peitinho, entendeu?
- 1:14:53Tem que saber do que eles estão falando.
- 1:14:55É isso aí, gente. Não vejo com a família, né,
- 1:14:56Jorge? Não vejo com a família, não.
- 1:14:58É, não vejam com a família. Eu vou já adiantar pra vocês.
- 1:15:01Felizmente, já tenho aqui a agenda de próximos filmes.
- 1:15:04Semana que vem, a gente vai falar de Sorria II, que já vazou
- 1:15:07o torrent aí. Então, fiquem espertos.
- 1:15:10E na outra semana, pra alegria...
- 1:15:12Eu adoro como o Jorge, ele é muito espirituoso, assim, com as
- 1:15:18distribuidoras, tá ligado? As distribuidoras não vão apoiar
- 1:15:21o CG, porque a gente apoia a pirataria aqui muito.
- 1:15:24É, é. um torrent. Mas assim que rolar um
- 1:15:30patrocínio, eu começo a ir no cinema e a gente troca, inverte
- 1:15:33a moralidade do programa. Não tem problema, não.
- 1:15:36E logo depois, na outra semana, a gente vai falar de Gladiador
- 1:15:38II, que já tem previsão de torrent vazada aí.
- 1:15:41Então, fiquem tranquilos. Vai dar tempo.
- 1:15:47Ridley Scott, te amo. Beijo.
- 1:15:50A gente vai falar disso. Então é isso, gente.
- 1:15:52A gente volta na semana que vem, né?
- 1:15:54Um abraço e até lá.