Latest / ABC Cast / ABC Cast Conexões #4 - O cuidado humanizado na pediatria com Dra. Renata Aniceto
Transcript
- 0:04Olá, bem-vindo a mais esse episódio do ABC cast conexões, o
- 0:09podcast de entrevistas do portal ABC do ABC.
- 0:12É um prazer recebê lo recebê la hoje neste novo episódio.
- 0:17Esperamos que hoje nossa conversa possa render como tem
- 0:20rendido nos outros últimos encontros.
- 0:23Nós temos muito a conversar hoje, então pra não perdermos
- 0:26tempo, nós temos na verdade. É fazendo uma brincadeira, aqui
- 0:30nós temos é pouco tempo, porque em 60 minutos eu acho difícil a
- 0:34gente abordar tantos assuntos importantes.
- 0:36É na complexitude, na complexidade que é este assunto
- 0:41que vamos tratar hoje aqui. Então vamos já sem mais
- 0:44delongas, eu vou apresentar todos vocês, só lembrando o
- 0:47seguinte, como este aqui é um produto do portal ABC do ABC, é
- 0:52importante que você conheça também o portal, então acesse lá
- 0:54www.abcdoabc.com.br. É não se não se esqueça de se
- 1:00inscrever. Aquele papo que a gente sempre
- 1:02fala em todo podcast, né? Dá 5 estrelas, faz avaliação,
- 1:06faz comentários, nos ajude a chegar em mais pessoas.
- 1:10Então compartilhe esse episódio com aqueles que você achar
- 1:13interessante. Todo episódio do ABC cast,
- 1:16conexões, eu trago junto comigo, um colega, um jornalista, alguma
- 1:20pessoa que tem uma forte atuação aqui na região.
- 1:24Pra poder dividir essa bancada e me ajudar a fazer as perguntas.
- 1:27Então hoje estou aqui com ele, o Eli, tudo bem, Eli?
- 1:30OPA, tudo bem? Muito obrigado pelo convite.
- 1:33E estamos aí, né? Hoje vamos entrevistar, conhecer
- 1:35um pouquinho mais a doutora, né? Sobre o trabalho dela, né?
- 1:38E é isso aí. Ô Eli, pra aqueles que talvez
- 1:42não te conheçam, eu acho difícil alguém não te conhecer, mas
- 1:44aqueles que eventualmente ainda não te conheço, fala aí, onde
- 1:47você está trabalhando? É pra quem você escreve?
- 1:51Bom é, me formei faz um tempinho já, 2 anos e meio, mas é hoje em
- 1:56dia eu trabalho na TV SBC, né, que é um portal regional de São
- 1:59Bernardo do Campo, né? Escrevo, faço matéria, sou
- 2:02repórter, faço tudo, escrevo todas as as editorias, qualquer
- 2:05notícia, a gente tá lá fazendo e também, né?
- 2:07Eu trabalho no jornal evolução, mulher, determinada, grupo
- 2:11exata. Também já passei pela guardiã da
- 2:13notícia de Ribeirão Pires e São Paulo, já participei de um
- 2:17podcast lá. E vamos seguindo aí, fazendo uma
- 2:19carreira, né? A experiência que sempre é bom.
- 2:22Qual que é a sua rede social, o pessoal te seguir ali?
- 2:24Ó, ainda está com o meu nome, né?
- 2:26De batismo, né? Que é, arroba?
- 2:28É ELIWE. LTON de Lima mas o nome é Eli
- 2:33Lima, entendeu? Mas tá pra procurar, é esse aí
- 2:36aí. Sempre tem lá minhas matérias, o
- 2:37que eu faço, inclusive o podcast.
- 2:39Quando sair vai tá lá também, né?
- 2:41O pessoal vê. Muito bem.
- 2:43E pra você, Luiza, mulheres determinadas, você que me
- 2:47emprestou esse seu jornalista aqui, então eu agradeço você
- 2:51também. Se você estiver ouvindo a gente,
- 2:52muito obrigado. Um beijão pra você, Luiza, é e
- 2:56aí, gente, junto com Eli, vamos entrevistar?
- 2:59A doutora Renata aniceto. Aniceto.
- 3:04Falei, certo, né? Vamos entrevistar a doutora
- 3:06Renata aniceto. A doutora Renata é uma pediatra,
- 3:10mas não é uma pediatra comum, não é uma pediatra qualquer, é
- 3:13uma pediatra com uma especialização muito especial,
- 3:17na verdade, porque ela cuida de crianças, é é com síndrome de
- 3:21down, crianças neuro divergentes, e ela tem um
- 3:25trabalho desenvolvido nessa área.
- 3:27EEEEO trabalho dela é tão interessante e foi isso que nos
- 3:32motivou a trazê la aqui pra gente poder contar um pouco mais
- 3:35dessa história. É de de atuação dela.
- 3:38Então, doutora aniceto, muito obrigado pela presença.
- 3:42É. É um prazer poder recebê la aqui
- 3:44com a gente hoje. Eu que agradeço o convite, né?
- 3:47Trazer a luz um tema tão invisível, né?
- 3:52Eu sempre falo assim que se conhece, por exemplo, a síndrome
- 3:55de down. Há séculos já.
- 3:59E na realidade, a gente ainda olha para ela como a gente
- 4:02olhava lá atrás, né? É, quer dizer, é um tema tão
- 4:05invisível que quase não aparece, que estar aqui podendo conversar
- 4:10com vocês sobre isso é um prêmio para mim.
- 4:12Então eu queria agradecer para mim e para as famílias, né?
- 4:14Que vão, vão nos ouvir. É.
- 4:16E o objetivo desse podcast é justamente esse, é criar
- 4:19conexões com as pessoas. Eu sei que tem muita gente que
- 4:22talvez vai nos ouvir. Que vive uma situação assim, uma
- 4:26criança com síndrome de down ou uma criança com TDAH dentro de
- 4:30casa e precisa de mais conselhos, mais orientações de
- 4:34como cuidar disso? Mas eu tenho uma fatia muito
- 4:36grande de pessoas que vai nos ouvir que não não vive essa
- 4:39realidade, mas talvez conhece alguém que viva.
- 4:43E aí é importante essa esse momento, doutora, para a gente
- 4:46começar então, e a gente iniciar esse bate-papo, fala um
- 4:49pouquinho. Primeiro sobre sua formação, né?
- 4:52O que te qual? Qual foi a trajetória que você
- 4:54percorreu para chegar até esse ponto dessa especialização de
- 4:58cuidado com crianças com síndrome de down?
- 4:59A minha trajetória médica, eu costumo dizer que começou com 6
- 5:03anos de idade. Como todo mundo que acha que
- 5:05presta pra medicina, né? Ou a grande maioria parece que
- 5:09já nasce com aquela sementinha ali do quero cuidar, enfim, e eu
- 5:14tenho uma redação ali nas primeiras palavrinhas, o que eu
- 5:18quero ser quando crescer? Médica pediatra.
- 5:21E aí eu cresci, fiz todo o meu segmento, dos estudos, estudos
- 5:25até o ensino médio, que na época era o colegial, porque não sou
- 5:29tão jovem assim. E aí prestei pra medicina, né?
- 5:33Então isso se cumpriu. Numa primeira etapa, comecei a
- 5:36medicina. Eu fiz faculdade aqui na
- 5:38fundação da faculdade de medicina do ABC.
- 5:40Eu entrei em 1991 e saí em 96 de lá.
- 5:43Aí de lá eu prestei prova pra residência médica, pra
- 5:46especialização em pediatria, embora meu coração tenha
- 5:49balançado ali dentro da faculdade, entre várias
- 5:52especialidades. Aquele sonho lá de de criança
- 5:59ainda ficou por causa dessa conexão.
- 6:02Eu te digo não só com as crianças, mas com as famílias.
- 6:07E eu acho que esse olhar que eu tinha lá há 30 anos, né, de
- 6:12formada, vou fazer daqui a pouco.
- 6:14É de querer cuidar, de querer estar junto das crianças e
- 6:19dessas mães. Me trouxe até os dias de hoje
- 6:22porque eu olhava para as mães da pediatria, principalmente nas
- 6:25aulas de internação. Enfermaria, unidade de terapia
- 6:28intensiva. E eu sentia aquelas mães muito
- 6:31sozinhas naquela época, né? Tinha um médico que passava,
- 6:35dava alguma orientação, mas a dor da mãe é sempre a dor da
- 6:38mãe, não respeitando os homens e a dor do pai.
- 6:43A dor é aquela coisa de falta de conhecimento.
- 6:45Falta de conhecimento às vezes, as mães, elas, elas enxergam é a
- 6:51leem, né? Então, quando uma mãe chega para
- 6:53você e fala assim. Faz um, não é melhor fazer um
- 6:57exame AI, que tal um ultrassom, um raio XA?
- 7:00Gente como médico tem que apurar essa escuta, porque às vezes a
- 7:04gente tem esse esse patamar de poder, né?
- 7:07A gente está sentado do lado de cada mesa e quem comanda sou eu.
- 7:12Você está do lado de lá, você é o paciente, então você eu vou
- 7:15mandar e você vai fazer. E às vezes você escuta ativa,
- 7:19ela se perde e eu sentia que essas mães muitas vezes queriam
- 7:23ser escutadas. É idealizavam ou imaginavam
- 7:28coisas muito maiores, problemas muito maiores do que aquela
- 7:31criança realmente tinha. O homem.
- 7:32Ele é mais prático, né? Ele é Preto no Branco.
- 7:36Então os pais, eles têm um raciocínio mais prático, a mãe
- 7:39sofre mais e eu quis fazer pediatria.
- 7:43Na minha entrevista para residência de pediatria, eu
- 7:45falei que eu queria fazer porque eu queria estar junto a essas
- 7:48mães, cuidar dessa solidão, desses pensamentos que as mães
- 7:53tinham. E gostava de criança.
- 7:55Então aí eu fiz minha residência no instituto da criança, no
- 8:00hospital das clínicas, aqui em São Paulo, né?
- 8:02Que é um serviço da da faculdade de medicina da Universidade de
- 8:05São Paulo. Eu na época eram 2 anos de
- 8:09pediatria e eu fiz mais 3 de oncologia.
- 8:14Sempre nessa busca da mãe junto com a criança.
- 8:18Porque na oncologia? Essas mães são especiais também,
- 8:22né? Não que as outras não sejam, mas
- 8:24elas têm dores maiores. O fato é que eu trabalhei 13
- 8:28anos com oncologia pediátrica e não tive coração com as
- 8:32crianças, né? Então, AA nossa profissão, ela é
- 8:36um aprendizado pra gente mesmo, né?
- 8:39Eu sofria muito com a com as perdas da oncologia.
- 8:43É, foi difícil pra mim, um. Preparo mental pra.
- 8:46A gente faz. Todos os médicos ali do grupo
- 8:49faziam terapia, né? Nos seus particulares.
- 8:54Muita gente desiste da oncologia no meio da profissão porque
- 8:59requer muita habilidade emocional pra todos os lados.
- 9:03E nesse momento eu voltei para a pediatria geral.
- 9:06Né? Eu falei, olha, eu cumpri meu
- 9:08papel, eu aprendi um Monte de coisa lá, mas eu não quero isso
- 9:11pra todos os dias da minha profissão.
- 9:14Eu vou voltar pro meu consultório, eu vou sentar e eu
- 9:17vou atender as crianças ali. Aí eu fui fazendo cursos, pós
- 9:22graduação, enfim, coisas para melhorar a minha pediatria.
- 9:25Então eu fiz Nutrologia, trabalhei muito tempo com a
- 9:29alimentação dentro das consultas pediátricas como um forte, até
- 9:35que. Eu já estava há 7 anos no
- 9:38consultório, fiquei grávida e nasceu minha primeira filha.
- 9:42Tenho 2 filhos 1/21/17 e a minha primeira filha, Laura, veio com
- 9:48a síndrome de down, com hoje chamada crissomia do 21, né, que
- 9:53a gente chama de t 21. E naquele primeiro momento tudo
- 9:57foi difícil pra mim, igual é para todas as mães que recebem.
- 10:01O momento da notícia foi péssimo.
- 10:03Ficou 4 anos na minha cabeça. Foi tudo complexo no começo, né?
- 10:09Até a gente se encaixar naquela nova realidade e fluiu, tinha
- 10:14que fazer. Só que assim, numa época que não
- 10:16tinha internet, porque ela tem 20 anos, a gente não tinha rede
- 10:19social, não tinha grupo de WhatsApp, não tinha troca.
- 10:23Eu sou um grupo privilegiado, que consigo levar minha filha a
- 10:28médicos diferenciados que possam estar cuidando disso, né?
- 10:31Mas assim, quem nasceu naquela época e não teve aquele acesso?
- 10:35Talvez tenha sofrido um pouco mais.
- 10:37Agora que naquela época ganhei um preconceito, era muito
- 10:39grande, né? O pessoal não tinha tanto
- 10:41conhecimento como hoje, né? Sim, eu vou dizer pra você que o
- 10:44preconceito ainda é grande, mas melhorou muito, porque hoje a
- 10:47gente tem abertura de falar, né? Eu tô aqui no podcast falando
- 10:50sobre isso. A gente vê na televisão, a gente
- 10:53vê o personagem na novela. Então a coisa andou, com
- 10:57certeza. Mas é, eu tive uma solidão muito
- 11:00forte. De informação, né que eu?
- 11:03E mesmo e mesmo você atuando nos 2 lados, né?
- 11:06Como uma pediatra e como uma mãe de uma pessoa com síndrome de
- 11:10down, então, mesmo com acessos a informação, você se sentiu?
- 11:15Sozinho. E aí que tá, né?
- 11:17Um outro viés da história, a gente.
- 11:19Eu passei por grandes entidades assim de estudo, e a gente vê
- 11:24muito pouco sobre AA triissomia, sobre a síndrome de down, quase
- 11:29nada. Então, hoje, se a gente imaginar
- 11:32os pediatras, a maioria não tem essa formação.
- 11:35E eu não tinha também. E aí Ela Foi crescendo e foi
- 11:39dando certo. O que me orientavam, aquela
- 11:42busca que eu comecei a ter um pouco maior, foi dando certo,
- 11:45mas eu ainda estava lá no meu cantinho.
- 11:47Fazendo a minha boa pediatria e floricultura, até que meu
- 11:51consultório eu falo que AA síndrome de down entrou pelo meu
- 11:54consultório pela é metendo o pé na porta, né?
- 11:58Ah, com o nascimento da Laura, aí veio um Monte de mãe, não,
- 12:03ela ela deve entender melhor porque ela tem uma filha.
- 12:07Não era nem porque eu tinha uma especialidade.
- 12:09Eu tinha uma filha, então. Meu consultório começou a lotar
- 12:12de mães com filhos com síndrome de down e aí eu falo que o
- 12:17autismo entrou na minha vida pelo buraco da fechadura, porque
- 12:20eu não tenho filho autista, mas como eu atendia bem e orientava
- 12:26as terapias, enfim, toda todo o critério da vida ali pra eles
- 12:30ficarem melhores nas síndrome de down.
- 12:33Veio autismo, TDH tudo atrás que hoje a gente tem, entro porção,
- 12:38um número até maior, né? Do que da própria síndrome.
- 12:42E eu fui me especializando pra correr atrás dessa demanda que
- 12:45caia no meu colo, porque essas mães, né?
- 12:49Voltando a história das mães, elas tinham sim dores imensas.
- 12:55Gigantes, né? Até da própria aceitação.
- 12:59Porque comigo, o que que eu fiz? Como que eu vou lidar com uma
- 13:03criança que não tem nada escrito em lugar nenhum que eu tenho que
- 13:06fazer? Então, muitas angústias e aí eu
- 13:09acho que conectou, né? Isso que eu já trago da
- 13:12pediatria de toda a minha história, aí eu fiz é pós
- 13:17graduação com o doutor zamustak, que é uma referência em síndrome
- 13:21de down no Brasil e no mundo, né?
- 13:23Ele tá em São Paulo, ele tem, acho que hoje a única.
- 13:28Única pós graduação na área é e depois também me envolvi com a
- 13:34questão do da dos seus sonhos de neurodesenvolvimento.
- 13:37Eu faço parte de uma certificação já há 3 anos que a
- 13:41gente discute todas as demandas do neurodesenvolvimento
- 13:45diariamente, que é a certificação doutor Thiago
- 13:47Castro. Ou seja, você não para de
- 13:50estudar. É uma condição médica, né?
- 13:54Eu acho que a medicina é uma coisa que evolui todos os dias.
- 13:57Tem uma novidade e aí a gente tem a demanda no consultório.
- 14:01Outro dia tava lendo uma entrevista da folha de São
- 14:04Paulo, de um pediatra lá, do instituto da criança, falando
- 14:07que até 2030 a demanda dos consultórios pediátricos vai ser
- 14:11de obesidade e saúde mental. A gente não estuda muito, não
- 14:16estuda quase nada de saúde mental Na Na especialização, na
- 14:19residência médica. Então é.
- 14:22Nem hoje as residências médicas abraçam saúde mental como
- 14:26deveria, então a gente tem que correr atrás, né?
- 14:29Doutora, sabe que você falando sobre saúde mental me faz pensar
- 14:33numa pergunta aqui, que é o momento do diagnóstico, né,
- 14:37quando a família que vai receber aquele comunicado de que você, a
- 14:42partir desse momento, tem uma criança com síndrome de down na
- 14:45sua casa ou você tem uma criança autista na sua casa?
- 14:49A forma de comunicar isso às famílias é impacta nesse
- 14:55bem-estar emocional da família, ou talvez até melhorando um
- 14:59pouco essa pergunta, qual é a melhor forma pra poder ajudar
- 15:03aquela família a receber o diagnóstico da melhor maneira
- 15:06possível? Impacta completamente até em
- 15:09como essa família vai conduzir o resto desses primeiros anos de
- 15:13vida ao lado dessa criança. Então hoje que a gente tem.
- 15:16É uma realidade meio dura, né? Então, no caso da síndrome, que
- 15:20é algo que uma boa parcela dos diagnósticos estão sendo feitos
- 15:24no período pré Natal, porque temos exames no pré Natal pra
- 15:27isso hoje, mas ainda tem uma boa parcela que é sala de parto, né?
- 15:32Aquele momento que às vezes a mulher esperou tanto, idealizou
- 15:35tanto e nasce aquela criança com características diferentes, que
- 15:40vai traçar um outro universo hoje.
- 15:43A os médicos estão muito pouco preparados pra essas notícias,
- 15:47então a notícia é dada de uma maneira pessimista.
- 15:50Então eles chegam assim, isso tem dado estatístico.
- 15:54Eles chegam assim e falam, olha, que pena, né?
- 15:57Nasceu diferente, possivelmente é uma síndrome de down, o
- 16:02olhinho é meio assim, orelhinha pequena, não sei o que começa a
- 16:05falar, começa pelos detalhes da diferença.
- 16:10Não fala assim que a criança nasceu bem saudável, né?
- 16:14Que apesar da síndrome, poderia ter uma cardiopatia.
- 16:18Aqui hoje a gente tem um universo de estimulações.
- 16:22De terapias que hoje eles estão nas escolas, nas universidades,
- 16:26no mercado de trabalho ou no caso do transtorno do espectro
- 16:30autista, né? Que aí já essa família já se
- 16:33coligou a essa criança, porque o diagnóstico vem um pouco depois,
- 16:37não é em sala de parto. Então, assim, quando você dá um
- 16:40diagnóstico de autismo, parece que você está desmontando assim
- 16:43um lego, né? Aquele lego mais difícil de
- 16:46montar, de 10000 peças, você dá um chute assim, parece que vai
- 16:49desabar. Mas não, não é isso, né?
- 16:52De diagnóstico, ele abre possibilidades.
- 16:57Isso eu trouxe da oncologia, porque quando eu era muito jovem
- 17:01e tinha que dar um diagnóstico ruim de uma leucemia, e aí um
- 17:06dia um professor falou assim para mim, você fica, você fica
- 17:08péssima. Porque eu dava o diagnóstico, eu
- 17:11saía, tinha que tomar um café, chorava no banheiro, voltava com
- 17:14o rosto de choro. Aí um dia um professor mais
- 17:17experiente olhou para mim e falou assim, quando você dá o
- 17:20diagnóstico, você dá Esperança, porque se ninguém dá o
- 17:24diagnóstico, vai morrer daquele jeito ou não vai desenvolver.
- 17:28No caso do neuro desenvolvimento, quando você
- 17:31fala o que tem, você abre as portas para tratamentos,
- 17:36terapias e hoje a gente consegue realmente.
- 17:40Com diagnóstico mais precoce, mudar a história desse autismo,
- 17:45mudar níveis de suporte. Doutora, como que você costuma?
- 17:50Quais são alguns argumentos que você costuma usar para informar
- 17:53a família sobre esse? Se forem síndrome de down, para
- 17:55mim é fácil. A minha própria fi vivência, né?
- 17:58Mas assim, pra quem não tem isso na sua vivência, é primeiro eu
- 18:03preciso como profissional, seja uma enfermeira, um médico ou
- 18:06pediatra, conhecer a síndrome. Né?
- 18:10Porque a partir do momento que eu conheço as capacidades que a
- 18:13síndrome tem de aprender, de realmente desenvolver, eu vou
- 18:17quebrar o meu preconceito e eu vou conseguir conversar com essa
- 18:21mãe com olhar de positividade. Então assim, olha, tá vendo?
- 18:26A gente mostra mesmo. Tem a pele mais macia, tem os
- 18:31olhinhos assim, a orelha menor, o nariz menor, tal.
- 18:35É tudo indica, porque o diagnóstico é clínico, que tenha
- 18:38uma síndrome aqui. E me lembro, é muita síndrome de
- 18:41down, que é uma síndrome super próspera, né?
- 18:45Que a gente vai fazer terapia, vai começar a terapia cedo de
- 18:49fisio, de fono, vai ter esse acompanhamento de perto e vai
- 18:54desenvolver. Olha, tenho exemplos para te
- 18:56mostrar, então acho que essa coisa de parear exemplos, né?
- 19:00Quando eu falo para vocês assim, síndrome de down.
- 19:04Quando o dólar eu falo isso, síndrome de down, vem aquele
- 19:07estereótipo, né? Aquele indivíduo baixinho,
- 19:10encurvado, de braço dado com a mãe, andando assim 100%
- 19:15dependente. Esse é o estereótipo lá do
- 19:18século passado. John Landau, que foi quem
- 19:21descreveu a síndrome, descreveu assim. 1800-1700 e alguma coisa,
- 19:28entendeu? Então a pessoa vê isso também
- 19:31quando você fala seu filho tem síndrome de down.
- 19:33Ela puxa estereótipo, que foi o que ela aprendeu.
- 19:35Os preconceitos dela vem à tona. E ainda continua até hoje,
- 19:39assim, você acredita? Até hoje, assim, completamente.
- 19:44Eu atendo todos os dias, casos novos todos os dias, e eles
- 19:50chegam com o arcabouço assim. Não é possível que isso
- 19:55aconteceu comigo, tal é. É uma quebra, porque eu tenho um
- 19:58filho idealizado e eu encontro do real.
- 20:01Tem um choque nisso, concordo, mas é, a gente tem que diminuir.
- 20:07Eu falo, o primeiro preconceito que tem que cair é o do pai, da
- 20:11mãe, pra conseguir levar o restante se.
- 20:14Você acha que essa essa, vamos dizer assim, essa desumanização
- 20:18na hora de informar? O os pais, quando a criança
- 20:21nasce, então, ali, na hora do parto mesmo, essa desumanização
- 20:25é uma forma de falta de formação, é uma falha na
- 20:31formação do profissional. É uma falha na formação que leva
- 20:35a gente, como médico, naquele momento, a ativar as crenças que
- 20:39a gente aprendeu com a nossa avó, né?
- 20:41Porque eu eu estou frente a algo inesperado.
- 20:45Eu tenho que jogar ali o que eu sei.
- 20:47Então o que eu sei às vezes não é técnico, é pessoal, falta na
- 20:51formação. Então, se a gente pensar que
- 20:54algum dia a gente possa ter uma formação lá atrás na faculdade,
- 20:59ou quem possa fazer essa formação depois, é você entender
- 21:04quem é essa criança que nasceu. Você vai conseguir.
- 21:08É quebrar o seu preconceito, essa crença antiga, e abrir mão
- 21:12de técnica, né? De conhecimento técnico, até de
- 21:15saber o que falar para essa mãe. Na hora que você fala assim, tem
- 21:18que fazer terapia. Ela, ela, ela se sente ocupada,
- 21:21né? Ela percebe que ela tem um
- 21:22trabalho a ser feito. Então, para de pensar também é
- 21:27coisas que são inverdades. Agora, como que os profissionais
- 21:31hoje, e talvez a gente vai usar o seu exemplo, né, estão fazendo
- 21:35para poder? Cobrir essa lacuna, né?
- 21:38Que se existe uma lacuna na formação, a gente vai falar de
- 21:41currículo acadêmico de todas as faculdades de medicina, Brasil e
- 21:45mundo afora. Então existe uma lacuna.
- 21:47A gente não somos nós que vamos conseguir tapar essas lacunas.
- 21:50Agora, o profissional, individualmente, ele consegue
- 21:53reconhecer que falta alguma coisa e ir atrás de algo para
- 21:57poder suprir aquela lacuna. Quais são algumas opções que
- 22:01hoje o profissional de saúde tem?
- 22:03Que ele pode cobrir? Isso hoje é uma facilidade.
- 22:06Primeiro, primeiro ponto, as redes sociais ajudaram muito,
- 22:10né? Incluindo tudo, YouTube,
- 22:13Instagram, TikTok. Apesar de quando se fala em
- 22:16síndrome de down, a minha é a maior rede, né?
- 22:19Porque eu invisto nesse tema alguns anos é, mas hoje ali você
- 22:23encontra uma série de informações que lá atrás a gente
- 22:27não encontrava. E tem, por exemplo, a minha rede
- 22:30é tem muito profissional, médico que está ali, que me encontra e
- 22:34fala, olha, eu adoro porque me ajuda muito no consultório, não
- 22:39é só pra mãe, tem fisio, fono, terapeuta ocupacional, porque é
- 22:44ruim pra todo mundo. E aí, pegando esse gancho ao
- 22:47longo dos anos, eu criei no ano passado um guia prático pra
- 22:52médicos, né? No atendimento inicial.
- 22:55Dessas crianças, na verdade, eles vão entender exatamente
- 22:58isso, quem é o indivíduo com t 21, como funciona esse
- 23:02metabolismo, quais são as necessidades, alimentação,
- 23:06suplementação, terapias, os exames por idade, porque a
- 23:11coleta de exames é essa prevenção em saúde que a gente
- 23:15precisa fazer. Para eles é diferente.
- 23:18A gente já reconhece coisas que podem estar acontecendo ainda na
- 23:21infância. Que eu tenho que ter um olhar
- 23:24melhor, mais específico. Então é é um curso prático,
- 23:29porque eu vi essa necessidade, eles me mandavam mensagem e a
- 23:33gente tá na terceira turma já fazendo os pediatras entram,
- 23:37participam, ele é gravado, tem 2 mentorias ao vivo, que eu entro
- 23:42com eles para tirar dúvida, discutir caso clínico.
- 23:46E os feedbacks são sensacionais. Eu encontrei esse fim de semana
- 23:50num curso, num curso de outra coisa, uma pediatra que fez o
- 23:53nosso guia e ela falando como que mudou a questão.
- 23:58Chega aquela criança, ela não se apavora, né?
- 24:00Chega um com centendal, porque eles se apavoram.
- 24:02O que que eu faço agora não se apavora.
- 24:05Então pelo menos esse início aí se complicar um pouco mais, ela
- 24:10pode encaminhar pra algum especialista que são poucos, né?
- 24:15Mas é assim, a gente vai sanando.
- 24:18Então eu só tenho a opção de buscar rede social, fazer uma
- 24:22pós graduação inteira de 23 anos e pra quem quer se tornar
- 24:27especialista mesmo como eu fiz, ou fazer um curso que hoje AA
- 24:32internet online nos possibilita pra te embasar nesse primeiro
- 24:36atendimento. Interessante o até falando um
- 24:39pouco mais sobre esse guia que você desenvolveu é?
- 24:45Pensando aqui nas pessoas até que estão nos assistindo, agora,
- 24:48aquelas que não são profissionais da saúde, né?
- 24:51E eventualmente aqueles que também são profissionais
- 24:54médicos, é com sua especialização, capacidade,
- 24:57etcetera, né? Como que é?
- 24:59Quais são algumas dicas práticas que existem no seu guia, no guia
- 25:03que foi desenvolvido, né? Que a gente poderia assim abrir.
- 25:07Como os primeiros passos a dar no momento do diagnóstico ou no
- 25:11nos primeiros passos da própria criança, né?
- 25:13Do acolhimento no lar, no acolhimento no consultório.
- 25:16Quais são algumas dessas coisas que a gente encontra no seu guia
- 25:19e que pode, eu sei que. Não dá pra gente entrar com
- 25:22todos os detalhes aqui, porque a gente tem pouco tempo até, né,
- 25:24mas dá pra falar alguma coisa sobre?
- 25:25Isso dá. E eu queria até dizer assim que
- 25:27muitos pais tentam entrar no curso dos médicos e perguntou,
- 25:30OOOOOOO linguajar? Os termos são muito técnicos e
- 25:36são porque é o curso feito para médicos.
- 25:39E aí eu tenho a comunidade tribo 21, que.
- 25:43É um acesso que eles têm com conteúdos semelhantes, mas com
- 25:48com 111. Conversação mais com o público
- 25:51em geral, né? Então é sempre mais fácil,
- 25:53sempre oriento. Que bacana isso é nas suas redes
- 25:56sociais? Como é que é?
- 25:57Consegue o acesso através do link da bio nas redes sociais.
- 26:01Agora, resumindo assim, o que que acontece essa criança?
- 26:05Primeiro que ela eu sempre falo para os pais.
- 26:08Você tem que ver enxergar a criança antes da síndrome.
- 26:13É muito importante porque fica assim, ele tem isso porque ele é
- 26:16síndrome de down. Ele vai fazer isso porque ele é
- 26:19síndrome de down. Ele ele é uma criança, ele vai
- 26:22ser um adolescente, vai ter as mesmas vontades, vai ter que
- 26:26levar uma bronquinha, né? Vai ter que vou ter que puxar a
- 26:29orelha de vez em quando. Então é uma criança como
- 26:33qualquer outra, então eu falo para eles, olha, legal, não era
- 26:36o que vocês esperavam? Mas dá para a gente fazer um
- 26:40trabalho maravilhoso. E eu vou dizer para vocês, vocês
- 26:42vão se apaixonar, porque eles são altamente carismáticos.
- 26:47Não generalizando, tem o chato emburrado também, porque senão
- 26:52eu falo assim, aí todo mundo é carismático, menos o meu, não
- 26:55tem, mas no geral, eles são eles têm esse, esse, esse
- 27:00diferencial, então vai ser sensacional.
- 27:03Mas para isso. A gente precisa de alguns
- 27:06cuidados. Por exemplo, primeira consulta,
- 27:08às vezes a criança tem 7 dias, 10, um mês, vai para uma
- 27:13avaliação de fisioterapia e de Fonoaudiologia.
- 27:17Ah, mas tá mamando super bem. Vai para uma avaliação porque
- 27:21onde estão os principais, as principais questões, os
- 27:24principais problemas relacionados ao desenvolvimento?
- 27:27Neles, eles precisam de estimulação precoce.
- 27:31Imagina o nosso cérebro? Ele tem árvores.
- 27:34Eu gosto das analogias, né? E neurodesenvolvimento, isso
- 27:37funciona bem para as crianças, aí eu trago pros adultos o nosso
- 27:42cérebro, por exemplo, ele tem árvores frondosas com aquelas
- 27:46Copas gigantes onde uma gruda na outra.
- 27:50Então pra eu passar a informação que seriam as sinapses
- 27:54neurológicas, eu passo fácil, porque tá uma copa do lado da
- 27:58outra e tá fluindo, eu vou aprendendo.
- 28:01Aquilo vai sendo transmitido e se formando, ok.
- 28:05A criança com síndrome de down, ela tem as árvores lá todas, só
- 28:11que é como se fossem Pinheiros magrinhos e meio desorganizados.
- 28:17Então a terapia, porque às vezes eu acho que eu vou na terapia
- 28:20para fortalecer minha perna, meu músculo, que é mais hipotônico,
- 28:24para aprender a mastigar, que no futuro eu vou comer alimento
- 28:28mais sólido, mais pastoso também.
- 28:30Mas a terapia, ela tem um papel de fazer esses Pinheiros
- 28:34crescerem e ficarem mais frondosos e essa comunicação ser
- 28:38mais rápida, quanto mais antes, quanto quanto antes.
- 28:41Eu começo, eu pego um cérebro mais molinho, eu falo que é que
- 28:45nem argila, né? Você pega aquela argila mole,
- 28:49você vai lá, vai trabalhando argila do jeito que você quer.
- 28:53Passou um tempo, ela vai endurecendo, ela vai
- 28:55endurecendo, aí depois só quebrando.
- 28:57Você vai conseguir também, mas você vai ter que fazer, vai ter
- 29:01que lapidar de um outro jeito. Então a gente fala que essa
- 29:05grande janela de oportunidade de desenvolvimento para todas as
- 29:09crianças, mas quando eu falo em crianças que precisam de maior
- 29:12apoio, mas ainda é até uns 3 anos.
- 29:16Então assim chegou com 10 dias no meu consultório já sai
- 29:20fisioterapia neurológica, né? Fonoaudiologia, para começar a
- 29:25fazer esse trabalho motor. Porém, neurológico também, leite
- 29:30materno. Leite materno tem coisas que
- 29:35nenhum outro leite vai conseguir ter.
- 29:36As fórmulas infantis, que são os substitutos que a gente indica,
- 29:41são maravilhosas. Elas, a cada ano eles galgam um
- 29:45degrau a mais e trazem alguma novidade brilhante, muito melhor
- 29:49do que. O leite de vaca, o leite
- 29:53condensado, né? Vocês sabem que antigamente
- 29:55diluía assim um leite condensado para dar para os bebês muito
- 29:59melhor. Mas tá bem longe do leite
- 30:02materno. E aí pra gente pensar em
- 30:06desenvolvimento infantil, a gente tem que pensar nesses
- 30:09nutrientes. Então é apoio ao leitamento
- 30:11materno, que às vezes tá despedaçado.
- 30:15Uma mãe que olha para aquele filho que não enxerga direito o
- 30:18filho. Que tá triste, que tá chorosa,
- 30:22então tem. E a fono nos ajuda nisso.
- 30:25Tem que ter o apoio ao aleitamento materno e tem que
- 30:27ter terapia para criança e às vezes para os pais, né?
- 30:34Porque eu falo, tudo vai depender.
- 30:37Eu, eu sempre falo para eles. Isso para mim é muito nítido
- 30:40assim, alimentação, terapia e família.
- 30:45Então não tem como dar tudo para criança se a família não tá
- 30:48junto, acompanhando e fazendo o processo andar, né?
- 30:52E às vezes esse pai e sua mãe não estão, não estão bem nesse
- 30:57nessa fase inicial. Ô doutora, nessa sua carreira,
- 31:00na sua experiência, você tem percebido isso?
- 31:03Os casais quando recebem o diagnóstico de uma criança
- 31:08divergente, né? Eles se aproximam mais.
- 31:13Eles se distanciam. Eles não sabem o que fazer.
- 31:15Como que está hoje a relação dos casais que recebem um
- 31:19diagnóstico desse dentro do lar? Estatisticamente, eles se
- 31:22separam numa proporção de 80%, 80% das mães são solo.
- 31:29Homem não tem coragem de encarar um desafio.
- 31:31Eu ainda tenho uma estatística de consultório bacana.
- 31:35Eu tenho muitos casais e pais realmente envolvidos com a
- 31:39questão, que é importantíssimo, mas para o homem é mais difícil
- 31:44segurar essa. Por isso que eu falo essa coisa
- 31:47da dor da mãe. Na realidade é diferente, como a
- 31:50gente sente, né? Como é essa relação?
- 31:53Não que não seja importante hoje, por exemplo, a relação da
- 31:57Laura com o pai. É muito mais estreita do que
- 32:00comigo. Tudo é o pai, tudo é o pai, tudo
- 32:03é o pai. Tudo bem que tenha a as questões
- 32:06psicológicas, emocionais aí no. Meio as mães resolvem o
- 32:08problema, os pais que colhem os os benefícios, né?
- 32:12Mas nesse começo, essa aceitação, essa quebra de
- 32:17preconceitos é muito mais difícil para o homem e essa é
- 32:21uma estatística que quebrando os preconceitos de quem cuida.
- 32:26De quem está no hospital, desses médicos, talvez a gente consiga
- 32:29resgatar mais pais, né? Pra pra relação.
- 32:32E quando não separa, eles estão ausentes.
- 32:35Então assim, a mãe. Alimenta a mãe, leva nas
- 32:38terapias, a mãe ainda trabalha, cuida da casa dos outros filhos
- 32:42e cadê esse pai? Não participa só na pensão, né?
- 32:44Só? Isso é.
- 32:45Então às vezes eu falo assim, pai, chama o pai para vir a
- 32:48consulta, porque eu quero dar esse motivacional para ele.
- 32:51É importante, né? Porque às vezes não é culpa do
- 32:54pai, às vezes o pai não sabe, não percebe, porque ele não
- 32:57participa. Então ele não tem a chance de
- 32:59escutar, de ver a evolução do filho, porque está evoluindo.
- 33:04Mas para ele está atrasado. Uhum, né?
- 33:06Complicado. Quando acontece isso, você vê AA
- 33:09melhora, você vê os pais participando.
- 33:11Como é que é? Muda totalmente.
- 33:13Muda totalmente. Você acreditar que o seu filho é
- 33:17capaz é a fórmula mágica, porque terapia é isso, eu sei isso está
- 33:23lá na internet, você abre lá minha página, você vai ver o que
- 33:26as pessoas, o que tem que fazer, onde tem que ir e tal.
- 33:29Mas esse envolvimento familiar é a cereja do bolo, é o que vai
- 33:33fazer diferença. Às vezes é às meses chegam para
- 33:35mim e falam assim. Como que você explica esse Monte
- 33:38de influencer com OT 21 que tem Na Na internet?
- 33:42Tem uns dirigem, outros vão pra universidade, outros não sei o
- 33:46que é trabalha EE, aquele que continua que tem a mesma idade,
- 33:51na mesma era e é dependente. Eu falo família porque a
- 33:57dificuldade está em todos, né? E porque uns tem menos e outros
- 34:03mais, porque a gente vê onde está a dificuldade, a gente vai
- 34:05trabalhar. Jogar um pouquinho no fogo, né?
- 34:08Pra pra eles se virarem também, não tirar essa superproteção.
- 34:13Então a família pra mim é a cereja do bolo, por isso que a
- 34:16gente tem que trabalhar desde o começo, né?
- 34:18É EE assim, a gente pode até sair desse desse aspecto da da
- 34:23das crianças com t 21 com autismo, para as crianças
- 34:27regulares também. O desenvolvimento acadêmico, por
- 34:31exemplo, deles é muito fortemente impactado.
- 34:34Com o quanto os pais acompanham aquele desenvolvimento?
- 34:37É aí me permite uma viagem neurológica.
- 34:42Nós estamos vivendo um mundo da pandemia pra cá que a gente
- 34:45achou que tudo IA melhorar e alguém achou que melhorou.
- 34:49Não sei. Eu acho que a os relacionamentos
- 34:52a gente está vivendo uma era de muita conexão, eu com meu
- 34:55aparelho eletrônico. Mas ao mesmo tempo de péssima
- 35:00comunicação, as pessoas não estão conseguindo se comunicar
- 35:03adequadamente, né? E aí que que aconteceu com a
- 35:07pediatria geral? Desconectou porque todo mundo
- 35:10fala da tela na infância, mas é ninguém fala da tela no pai e na
- 35:16mãe, que às vezes eu chego em casa.
- 35:18É muito mais fácil eu dar o celular para o meu filho e eu
- 35:20ficar olhando o meu, o marido olhando o dele e ninguém brincar
- 35:23com a criança. E aí quando eu entro nesse mundo
- 35:26neurodivergente, como você falou, a primeira orientação que
- 35:30a gente dá para todas as famílias é a orientação que a
- 35:33gente deveria dar para todas, não só as da neurodivergência
- 35:39que é desligue o celular, desligue a televisão, nós vamos
- 35:43ter que estimular a criança. Excesso de tela para eles é
- 35:47prejudicial para aquele crescimento das nossas árvores.
- 35:51Ele hoje tem 1000. 1500 trabalhos científicos mostrando
- 35:57as perdas neurológicas que a gente tem nessa fase de
- 36:01neuroplasticidade, né? Do início da vida.
- 36:04Então a gente é que fala assim, desliga tudo, nós estamos
- 36:07andando para trás, né? E ao mesmo tempo, essa sociedade
- 36:11está tendo que aprender a se comunicar com essa essa
- 36:15população neuro divergente, que chega, por exemplo, olhar para o
- 36:18autista. Entender porque ele tá
- 36:21desregulando, porque ele teve uma crise de desregulação.
- 36:25E você porque que ele tá assim? Se ele não fala, é uma crise de
- 36:30comunicação. A gente tá tendo que reaprender
- 36:32a comunicação em todas as suas esferas.
- 36:35Então isso serve pra todo mundo. Você sabe, doutora, a gente hoje
- 36:40usa o termo neuro divergente. Mas acho que vai chegar um
- 36:43momento que a gente vai usar o termo neuro convergente, né?
- 36:47Que na verdade eu acho que nenhum.
- 36:48É. A minha fala é entender que todo
- 36:50mundo é igual, né a. Minha fala é assim, a gente vai
- 36:53ter inclusão de verdade quando a gente não enxergar mais a
- 36:58diferença. Exatamente, exatamente.
- 36:59Você não vai precisar usar neuro divergente.
- 37:01Está todo mundo ali. Aquele está na cadeira de roda,
- 37:05aquele tem t 21. Eu sou eu, eu sou.
- 37:08Chata, né? Tipo sua seletiva alimentar.
- 37:11Cada um vai ter a sua característica, né?
- 37:14Então eu acho que inclusão, por isso que eu acho que tem muito
- 37:17para percorrer, né? Inclusão de verdade é quando a
- 37:20gente não perceber a diferença, não é verdade.
- 37:22Perfeito, é isso? É.
- 37:24A gente vai agora para um rápido intervalo.
- 37:27Pessoal, você que você tá gostando muito aqui dessa
- 37:30conversa, mas não sai daí. Escuta só esse recadinho e a
- 37:33gente já volta. Olá pessoal, eu sou o Celso
- 37:37Rodrigues e apresento ABC Quest ao lado dela.
- 37:41Eu sou a Suzana Rezende e hoje a gente está aqui para te fazer um
- 37:45convite muito especial, o. Compilado de notícias diário,
- 37:49vai ao ar de segunda a sexta-feira.
- 37:51As principais. Notícias do ABC.
- 37:53Da região metropolitana de são. Paulo.
- 37:55E a capital Paulista do Brasil? No mundo?
- 37:58E a gente está disponível em todas as plataformas, é no
- 38:01Deezer, novazon music, no YouTube, no Spotify, onde você
- 38:06preferir. É só nos encontrar e dar play.
- 38:09Então se você perdeu aquela notícia importante que para você
- 38:12tem relevância, ela está aqui no ABC Quest e siga nos nas redes
- 38:15sociais arroba ABC do ABC underline oficial.
- 38:20Esperamos lá. Obrigado pessoal por ter
- 38:23escutado esse esse recado. Agora vamos.
- 38:26Continuar com a nossa conversa. Contraponto.
- 38:35E agora com quadro especial, vou chamar agora o quadro
- 38:38contraponto. É onde eu deixo o tempo todo
- 38:41para o Eli poder fazer as suas perguntas do jeito que quiser,
- 38:45sem roteiro. É com você, Eli.
- 38:47OPA, vamos lá então, doutor, é, eu vou pegar num ponto mais
- 38:50íntimo seu. Aí, como você falou, é durante
- 38:52aí o podcast, né? Você tem uma filha que tem
- 38:55síndrome de dar uma Laura, né? Mas eu queria saber para você é
- 38:58com ela, como foi que a forma que ela te ajudou a você
- 39:01conhecer mais sobre a síndrome de down é, durante todo esse
- 39:04tempo de carreira, como é que ela te influencia?
- 39:06Cada pergunta, né? Todo dia.
- 39:10Porque assim hoje eu entendo cada queixa, cada dificuldade.
- 39:14Não é porque ela é a filha da médica pediatra que ela fez
- 39:17diferente. Tivemos.
- 39:20Todas as dificuldades, as ansiedades.
- 39:22Então Laura bebezinha teve dificuldade para mamar peito e
- 39:26precisou de fórmula infantil. E eu falo, aqui tem que fazer
- 39:31aleitamento materno, mas eu entendo a mãe que tá com
- 39:34dificuldade. Quais são as dificuldades e até
- 39:37a tristeza de não conseguir amamentar?
- 39:40É, Laura andou com 2 anos e 3 meses, né?
- 39:44Eu eu lembro de histórias assim, nossa, a gente vai fazer
- 39:46aniversário de 2 anos Pra Ela e ela ainda não anda.
- 39:50E isso incomodava, porque a gente vem de uma sociedade que é
- 39:55Preto no Branco, né? Tem que ser naquela idade, é seu
- 39:58filho já fez, seu filho não fez, então você se sente assim.
- 40:02Eu não fui convidada pra participar dessa festa, essa é
- 40:06uma frase que me acompanha. Quando você está lá no processo
- 40:11desse desenvolvimento, indo pra terapia tal, você está fazendo
- 40:14parte de um outro grupo, mas não é o grupo da escola que ela
- 40:18frequenta, das crianças, do prédio, do condomínio, então a
- 40:22sensação como mãe é que eu não estou fazendo parte.
- 40:27Dessa festa. E eu quando a mãe chega para mim
- 40:30É Ela repete tudo isso, né? Eu não me sinto fazendo parte
- 40:35ela, ele ainda não anda, ele ainda não fala AI quando que vai
- 40:39ser isso? Eu estou, eu estou ansiosa.
- 40:42Então eu diria para você que assim, 20% é conteúdo técnico
- 40:48aprendido na medicina, pós graduação, tudo mais estudos do
- 40:53dia a dia e 80% é vida prática. E outra?
- 40:57Dúvida também que eu queria saber é sobre o diagnóstico
- 40:59tardio, né? Da síndrome de down.
- 41:00O que isso pode afetar? Como é que é se a pessoa
- 41:03descobre um pouco tempo depois? Olha, são raros os.
- 41:07Casos que a gente não diagnostica.
- 41:09Logo ali na sala de parto existe.
- 41:11Eu tenho esses pacientes comigo. Acho que o paciente que houve
- 41:14mais tempo assim da atualidade é tinha 45 meses.
- 41:20Quando falaram não deve ser. Vamos fazer um cariótipo para
- 41:23confirmar, mas é raro. O que eu posso te dizer é que
- 41:27tem uma história, tem 11. Agora eu esqueci.
- 41:32Ela escreveu um livro. Minha mãe tem síndrome de down.
- 41:35A gente pode pesquisar depois o nome dela.
- 41:38EEA. Mãe dela cresceu numa família de
- 41:42muitos filhos, mais de 10. E as?
- 41:46Dificuldades dela passaram desapercebidas e ela tinha
- 41:49síndrome de down e essa menina cresceu, virou mulher, casou.
- 41:54Teve filhos e só foi ter o diagnóstico porque entrou um dia
- 41:58num num hospital, numa numa, num pronto atendimento, porque não
- 42:03estava bem. Alguém resolveu acolher um
- 42:04cariótipo dela e ela já tinha construído a vida.
- 42:07O que que a gente aprende com essa história?
- 42:10Que o limitador é o preconceito, é eu, como família, falar assim,
- 42:14AI, ela tem síndrome de down, ela AI, será que ela vai
- 42:17conseguir? Eu acho que ela não vai
- 42:19conseguir, porque quando eu não tenho o limitador do
- 42:23preconceito, eu faço tudo. Faz tudo exatamente.
- 42:26E hoje ela. Tem netos?
- 42:28Ela cuida dos netos e os filhos deixam e ela dá conta de tudo,
- 42:35entendeu? É uma outra.
- 42:37Geração. Mas é voltando só um pouco a sua
- 42:40pergunta, não deixaria ninguém sem o acompanhamento hoje só por
- 42:45causa dessa história, que é uma história de uma outra geração,
- 42:50é, eles desenvolvem, sim, mas com um atraso muito, muito
- 42:55grande e uma capacidade principalmente de funções
- 42:59executivas, então de planejamento, de memória, de
- 43:04trabalho, de controle, inibitório das situações, né?
- 43:07Ah. Eu não posso chegar aqui no
- 43:09podcast, subir na mesa e começar a pular.
- 43:12Eu tenho que estar sentada conversando com vocês, é isso, é
- 43:15o controle inibitório, né? Eu tenho vontade de ir ao
- 43:18banheiro, mas eu vou ter que esperar.
- 43:20Então, essa criança dificilmente ela vai andar.
- 43:23Ela pode até falar, mas dificilmente ela vai desenvolver
- 43:26essas funções executivas. Plenamente.
- 43:29E vai cair mais naquele nosso estereótipo lá de trás.
- 43:32Interessante é também outro outra.
- 43:34Dúvida é sobre o autismo, né? Já no autismo, muitas pessoas
- 43:37ainda são é, são diagnosticadas tardiamente, né?
- 43:40Sim, demais. Saiu.
- 43:42Um censo do do IBGE agora, que é de 2022, mas publicado esse ano,
- 43:47agora em maio, né? Onde eles fizeram?
- 43:49Era um. É um censo sobre pessoas com
- 43:51deficiência no país. E eles fizeram um recorte dos
- 43:54autistas. Então são. 2 2400000 autistas
- 44:00que eu ainda acho que é um número aquém.
- 44:02Uhum, porque a gente subnotifica muito.
- 44:04É basicamente eu acho que é da população.
- 44:06Eu acho que é mais AAA, comunidade médica científica,
- 44:10acha que é mais ainda. Inclusive muitas pessoas depois
- 44:12de adultas estão sabendo. Que são, né?
- 44:15E a maior idade? Do que vem o diagnóstico ali
- 44:18pela estatística, que é uns 26% entre 5 e 9 anos de idade, e
- 44:23isso é tardio. Né?
- 44:25Hoje a gente sabe que com o treino do olhar, ferramentas
- 44:30específicas, a gente consegue fazer diagnóstico clínico de
- 44:34autismo sem precisar de exames, a partir dos 2 anos, às vezes
- 44:38até antes, um ano e meio, 2 anos.
- 44:41E cai naquela questão do estímulo, quanto antes, melhor
- 44:45do desenvolvimento. A audiência quer saber?
- 44:56Posso, posso seguir? Posso tomar seu tempo aqui é
- 45:01porque. Não é só você que tem perguntas,
- 45:03não sou só eu que tenho perguntas.
- 45:04A gente foi como eu falei as ruas, perguntar para as pessoas
- 45:08é o que ela se elas tivessem assim na frente da da doutora, o
- 45:12que elas perguntariam, né? Sobre esse assunto?
- 45:14Então vamos colocar uma das primeiras perguntas aqui, por
- 45:16favor. Olá, eu sou o Marcos fidelli,
- 45:21sou de. Diadema e eu também tenho uma
- 45:22pergunta, aliás, parabenizar pela iniciativa sobre inclusão,
- 45:26um tema super relevante e a minha pergunta é, como
- 45:30identificar um bom profissional para trabalhar, para fazer a.
- 45:34Terapia, o acompanhamento de uma criança.
- 45:37Com transtorno em neurodesenvolvimento.
- 45:41Excelente. Pergunta, essa é uma dor forte
- 45:44do consultório. Eu estou levando na fisio,
- 45:46fonoterapia ocupacional, psicopedagogia, será que tá
- 45:49funcionando? A gente não tem essa formação
- 45:53pra olhar pro profissional, então é assim, como que eu sei,
- 45:57primeira indicação, né? Eu acho que se eu puder ir em
- 46:00profissionais com indicação sempre é melhor.
- 46:03Nem sempre é possível numa realidade tão diversa como a do
- 46:07Brasil. Né?
- 46:08Às vezes eu tenho que ir numa pai e eu tenho que ir num num
- 46:11sistema público de saúde. A criança tem que evoluir.
- 46:16Então eu falo para mãe, assim se passou, se passaram, se 6 meses
- 46:21naquela técnica de terapia e não teve nenhum ganho no
- 46:25desenvolvimento, seja fala, comunicação, motor, enfim, o que
- 46:31está sendo trabalhado. Reveja, converse com o
- 46:34profissional e busque até uma segunda opinião.
- 46:37A gente cansa de pegar crianças que estão há 1 ano, 2 anos em
- 46:42terapia. No mesmo ponto.
- 46:44Alguma coisa não está funcionando, tem que andar
- 46:47independente do diagnóstico. Então essa supervisão é super
- 46:53importante, a família conversar com o terapeuta, a família
- 46:58entrar na terapia. Que hoje não é uma prática.
- 47:02As famílias ficam do lado de fora.
- 47:04A família entrar na terapia para aprender o que está sendo feito
- 47:08ali e fazer uma troca com esse profissional.
- 47:11Profissional, o que que eu faço? Fono, o que que eu posso fazer
- 47:14em casa, como eu posso brincar, como eu posso oferecer um
- 47:17alimento para treinar o ponto que a gente está?
- 47:20Então, conexão. Família, profissional e evolução
- 47:25são 2 métricas que a gente consegue ter, aquele
- 47:28profissional que não te não comunica com você, não deixa
- 47:30você entrar na sala de terapia, não te dá lição de casa e o seu
- 47:36filho não. Caminha ali.
- 47:37No No processo tem que ser reavaliado.
- 47:41Muito interessante. Temos mais tempo para uma.
- 47:43Pergunta tem, né? De vou pedir para colocar mais
- 47:45uma aí. Olá pessoal, eu me chamo Milene
- 47:54caran e eu gostaria de saber quais são os primeiros passos
- 47:58que uma família deve dar após receber o diagnóstico de
- 48:01síndrome de down. Obrigada.
- 48:05Isso vai depender muito de quem é essa criança.
- 48:09Primeiro a criança, depois a síndrome, né?
- 48:11Então eu tenho 50% das crianças com síndrome de down nascendo
- 48:16com cardiopatia congênita. Com alteração anatômica do
- 48:20coração e, consequentemente, funcional.
- 48:23Desse grupo que nasce com alteração, 50% vai precisar de
- 48:27cirurgia cardíaca. Então, essa criança é muito
- 48:31diferente daquela criança que vamos supor, nasceu bem, né?
- 48:34Ela só tem a síndrome. Falando da criança que só tem a
- 48:38síndrome, primeiro passo é encontrar um bom pediatra se ele
- 48:43tiver algum curso, alguma visão maior.
- 48:47De ter 21 melhor, porque ele vai conseguir orientar com mais
- 48:52praticidade. Mas eu Caio de novo naquela
- 48:54questão. Um bom profissional que apoia o
- 48:58aleitamento materno e que saiba indicar as 2 primeiras terapias,
- 49:02que são fisioterapia e Fonoaudiologia, pra começar
- 49:07muito bem o. É interessante?
- 49:10Todas. Essas esses pontos, porque aos
- 49:13poucos a gente vai desmistificando.
- 49:15O cenário porque, a princípio, quando AA família talvez recebe
- 49:19esse momento na vida dela e ela sabe que a vida dela vai mudar
- 49:22pra sempre a partir daquele ponto x, né?
- 49:25Ela pode achar que é tudo um grande desafio.
- 49:27De fato é desafiador, mas você hoje tem uma série de
- 49:31ferramentas profissionais. É uma série de coisas que pode
- 49:35tornar tudo muito mais inclusivo.
- 49:37Tudo, não vou dizer que é, vai facilitar porque de fato, nada é
- 49:41muito fácil, mas. Torna tudo muito possível, né?
- 49:44Tudo muito informação muda tudo, né?
- 49:47É conhecimento, é poder, então quando a gente pode falar sobre
- 49:53conhecer, buscar Fontes seguras, porque tem muita fonte que.
- 49:58Muita fake news, né? É você?
- 50:00Atrapalha. Toque pra gente poder se
- 50:02informar. Seja, não seja.
- 50:04Fake não tenha fake news. Falando nisso, falando nisso,
- 50:08vamos. Fazer o seguinte é, nós temos
- 50:10aqui o nosso selo Ed de veracidade, né?
- 50:13Ele, o Ed é o nosso diretor geral aqui.
- 50:16Ele ficou de olho em tudo que a gente conversou.
- 50:19E fala aí, Ed, tem algum ponto que a gente precisa se
- 50:23aprofundar melhor nesse assunto que tratamos até agora?
- 50:27Olha, eu vou dizer que eu estou. Chocado com alguns dos dados que
- 50:30foram citados e eles serem realmente verdadeiros, sabe?
- 50:36A gente realizou aqui as. Pesquisas durante a conversa e
- 50:39realmente 80% dos pais neuro divergentes.
- 50:43Acabam se divorciando a questão também do do número de pessoas
- 50:47no Brasil que foram diagnosticadas com tea também,
- 50:51tá, tá? Tá tá conferindo, né?
- 50:55E sobre o livro é minha mãe, que foi de down.
- 50:58Ele foi escrito pela Cristina Maria Cândida da Silva e já
- 51:02tinha escutado. Sobre esse?
- 51:03Livro maravilhoso e ela possa. Vocês estavam falando agora
- 51:07sobre conteúdo, redes sociais, ela divulga alguns conteúdos,
- 51:10ela alimenta, atentes dela, que é o arroba.
- 51:13Minha vida inclusiva é sempre trazendo à tona esse debate, que
- 51:17é muito bacana, mas eu queria aproveitar aqui.
- 51:20Também. Oo espaço, doutora.
- 51:23É, a gente conversou muito aqui tem muita coisa clarecida, né?
- 51:27Nós sabemos que muitos atendimentos especializados eles
- 51:30ainda se concentram nas grandes cidades, então que tipo de
- 51:34caminho você enxerga para levar esse modelo de acolhimento e
- 51:37capacitação médica também para áreas que não tem tanto acesso?
- 51:41Voltando a esse Brasil. Gigante.
- 51:43Né, que a gente tava falando é, esse é o grande desafio, né?
- 51:47Na realidade. É porque ele é um desafio de
- 51:50política pública, né? Hoje eu não vejo mais.
- 51:53Quando a gente está falando de 300, 1300-1000 pessoas com t 21,
- 51:57que é o dado que a gente tem no Brasil e a gente fala de 2400000
- 52:01pessoas, é com o transtorno do espectro autista, ele já não é
- 52:06mais A Exceção. Hoje ele é uma realidade de
- 52:09política pública que a gente não tem.
- 52:15Então eu atendo muito online, 40% do do meu segmento de
- 52:20atendimento está no tele atendimento.
- 52:22Essa esse, essa criança tem um pediatra ali na região onde ela
- 52:26está e amanhã entra em consulta comigo para fazer o alinhamento
- 52:31da síndrome de down. Mas não é uma realidade para
- 52:35todos, né? Então, hoje o que a gente
- 52:38precisa de mais é. O processo da saúde,
- 52:42diagnósticos mais rápidos, encaminhamentos mais rápidos.
- 52:47Imagina uma criança que nasceu síndrome de down num hospital do
- 52:51SUS e ela precisa procurar um pediatra.
- 52:54E esse pediatra indicar, fiz. E o fono?
- 52:57Ela não vai chegar até 3 meses de vida, que é o que a gente
- 52:59pede. É nesse nessa terapia, nessa
- 53:03estimulação. Às vezes, ela vai levar um ano
- 53:05para chegar, então a gente precisa de uma reestruturação
- 53:09para que esses pelo menos esses primeiros passos de cuidados
- 53:13terapêuticos é exames tal, estejam ali alinhados para que
- 53:18as pessoas tenham esse acesso inicial.
- 53:22É a educação. Hoje, AA questão da educação é
- 53:26pior do que a da saúde, tá? É.
- 53:29Os professores estão sofrendo. Os pais estão exigindo e tá todo
- 53:35mundo com razão, mas precisa se colocar.
- 53:38AA educação especial, que não é nem educação inclusiva.
- 53:41Educação especial dentro das universidades, na formação da
- 53:46pedagogia, na formação desse professor, seja quem for, quem
- 53:50vai lidar com a criança, é e adaptar.
- 53:54A gente tem uma lei robusta de inclusão, né?
- 53:57Adaptar. A todos aqueles pilares da lei
- 54:01pra que essa criança não fique solta.
- 54:03Eu acho que assim, falar de educação, inclusive, é um outro
- 54:05podcast, porque é gigante, tá, mas assim é, é, é uma
- 54:11reformulação de todo o processo. Hoje a gente tá numa crise desse
- 54:16tema, tanto em saúde quanto educação, então precisa ser
- 54:20revisto muito bem. Obrigado pela participação.
- 54:23Ed. Entrevista reversa.
- 54:29A gente bem, o tempo corre, né? A gente tá tá chegando nos
- 54:33finalmentes e eu fico até meio sem risco de pedir isso pra pra
- 54:36doutora Renata, porque é são 30 anos de carreira, 30 anos de
- 54:41carreira. São, é, é.
- 54:42São muitos anos de experiência. É uma vida inteira desenvolvendo
- 54:46uma profissão. E ela chega num podcast aqui com
- 54:482 pessoas que ela nem conhecia antes.
- 54:50E a gente pede Pra Ela assumir uma outra profissão, né?
- 54:52Então é complicado. Esse aqui é o quadro da
- 54:54entrevista reversa. Nesse momento, doutora, nós
- 54:58viramos os seus entrevistados e você tem o privilégio de fazer
- 55:02qualquer pergunta que você quiser.
- 55:03Jura? Tentar.
- 55:05Responder na mesma altura. Que você conseguiu responder,
- 55:08vamos ver se você. Consegue se sair com uma boa
- 55:11jornalista? E a gente como como
- 55:13entrevistado, acho que não como uma boa.
- 55:15Jornalista para ser uma? Não.
- 55:17Não sou uma boa jornalista, sou uma boa médica.
- 55:20Mas vamos lá. Ou para começar com você, tá
- 55:23bom? Como é que você acha?
- 55:25Como que você entende que o seu papel como comunicador pode
- 55:29impactar nesse processo inclusivo, nesse mundo?
- 55:33Nossa, é uma boa pergunta. É, eu entendo que, pelo menos em
- 55:39parte, os jornalistas são são vozes, né?
- 55:43São canais de distribuição de informação.
- 55:46Então, assim. É reconhecer que, de fato, o que
- 55:49a gente fala quando a gente tem um microfone, o que a gente fala
- 55:53com letras, né? Por meio de 11 site, um jornal,
- 55:55uma revista, et cetera, tem um poder de influenciar pessoas.
- 55:59Logo, eu preciso entender muito daquilo que eu estou querendo
- 56:03dizer. Então, se eu dou, se eu abro
- 56:05espaço para falar sobre educação inclusiva, sobre é espectro,
- 56:11autistas, sobre. É síndrome de down?
- 56:15TDAH. Eu preciso estudar sobre isso.
- 56:18Eu preciso buscar boas Fontes, eu preciso pra preparar uma boa
- 56:21reportagem, eu preciso ir atrás das melhores Fontes e dar voz a
- 56:24essas Fontes e transformar isso numa comunicação que seja
- 56:27palatável para as pessoas entenderem.
- 56:29Então eu tenho que ter aquela responsabilidade de que a
- 56:32comunicação não é só falar do que está acontecendo lá no
- 56:34Congresso Nacional, não é só falar da agenda do presidente da
- 56:37República, não é só falar das da guerra no exterior.
- 56:41Eu preciso dedicar parte do meu tempo, do noticiário, falando
- 56:43daquilo que está impactando a vida das pessoas o tempo todo.
- 56:47Então, em algum momento, claro, eu vou ter que falar do preço do
- 56:50gás que subiu. Mas em outro momento eu tenho
- 56:52que falar dicas importantes para os pais que tem crianças
- 56:56especiais dentro da sua casa e como eu vou facilitar a vida
- 56:59delas com a informação, né? Então é uma responsabilidade que
- 57:01nós jornalistas temos que ter e que às vezes a gente está tão
- 57:04focado naquela notícia que está. Bombando por aí, né?
- 57:08Tá todo mundo falando, então eu preciso falar disso também,
- 57:10porque meu público quer saber disso, mas eu preciso entregar
- 57:13mais do que. E não é só o que o meu público
- 57:15quer saber, o que ele precisa saber também, né?
- 57:18É isso muito bem. Agora é a sua.
- 57:25É. Você que tá nesse meio, acredita
- 57:29que a gente tenha representatividade já tanto na
- 57:33questão t 21 quanto autismo. É na fala, inclusiva nos meios
- 57:39de comunicação. Eu Acredito que não, não vejo
- 57:42muito. Que nem a gente comentou no off
- 57:44sobre a Lívia, né? Uma influenciadora de São
- 57:46Bernardo do Campo, eu mesmo. Quem fez AA matéria foi minha
- 57:50chefe. Eu acabei conhecendo ela Por
- 57:52Ela, mas Eu Acredito que tem que ser melhorado sim, que eu não
- 57:55vejo muito ainda. E é um assunto que tem que ser
- 57:58cada vez mais diversificado, né? Mais difundido e tem que ter
- 58:01sim. Porque aí é que nem você falou,
- 58:03é, o preconceito é grande ainda, você precisa ter mais
- 58:05conhecimento, as pessoas precisam conhecer, precisa ter
- 58:07mais espaço pra esse assunto, pra pra essas pessoas, né?
- 58:11E isso é muito, eu tava vendo, pesquisando sobre, né, vir
- 58:13também uma moça também que tirou AA carta com cinzima de down,
- 58:17então cada vez mais tem que ter mais espaço para todo mundo,
- 58:20para a gente conhecer, né, que a Teo também não conhecia muito,
- 58:22você vê hoje eu tô aprendendo muito com ela, com você, né?
- 58:25Então é isso. Muito bem, é pessoal.
- 58:29Nosso tempo tá acabando, vamos encerrar.
- 58:31Eu vou passar o tempo pra pra doutora, só pra suas
- 58:34considerações finais. E aproveita também e fala onde a
- 58:36gente pode te encontrar, encontrar conteúdo que você
- 58:39produz então suas redes sociais, onde tem o consultório, formas
- 58:42de contato, pode falar isso e o tempo é todo seu.
- 58:45Quanta coisa vocês. Podem me encontrar é no meu
- 58:49Instagram, arroba. Doutora d, pode falar olhando
- 58:52aqui, ó, pessoal, tá te olhando aí.
- 58:54Eu tô. Sem óculos?
- 58:57Vocês podem encontrar todo esse meu.
- 58:59Conteúdo no Instagram arroba doutora Dra.
- 59:03Ponto Renata aniceto no TikTok também mesmo endereço é meu
- 59:09consultório é em São Bernardo do Campo, no Jardim do mar.
- 59:12Lá No No link da bio do Instagram tem tudo sobre o
- 59:16consultório, o guia prático para os médicos.
- 59:19A comunidade tribo 21 é um movimento que eu comecei com
- 59:23muita força no pós pandemia. Para trazer voz, dar voz a essa
- 59:28invisibilidade que eu comecei falando no início do podcast,
- 59:31né? A gente só fica invisível se a
- 59:33gente quer. E conhecimento é poder.
- 59:35Quanto mais conhecimento eu passo, transmito para quem está
- 59:39do outro lado, mais poder. A gente ganha na voz dos ditos
- 59:45invisíveis, né? Que não estão ficando mais.
- 59:47E isso que eu sempre reforço que a gente já falou no podcast, mas
- 59:51que eu gosto de encerrar, é inclusão verdadeira.
- 59:54É quando a gente não perceber as diferenças, não perceber que o
- 59:58diferente tá ali no meio. Isso é inclusão real.
- 1:00:01E é lá que nós vamos chegar. Não é muito bem, muito obrigado.
- 1:00:05Vocês ouviram aqui a doutora Renata niceto?
- 1:00:08É essa especialista, essa pediatra especialista em T21 é
- 1:00:14que nos deu uma grande aula aqui.
- 1:00:17Se eu falar especialista em T20, parece pouca coisa, né?
- 1:00:19Mas a gente, bem, se você não entendeu a grandeza da doutora
- 1:00:22Renata, pô, volta de novo, esse pode ter desde o começo, escuta
- 1:00:25de novo, porque é, é, é extraordinário, né?
- 1:00:28Eu agradeço também a presença do Eli.
- 1:00:29Eli, sem você essa entrevista não seria a mesma, viu?
- 1:00:32Muito obrigado pela participação.
- 1:00:34Quer mandar um recado final pro pessoal?
- 1:00:36É, então eu quero agradecer aqui.
- 1:00:38A vocês, né? Pela pelo convite.
- 1:00:40A doutora também adorei. Aprendi bastante, né?
- 1:00:42Muito conhecimento sempre é bom e é isso.
- 1:00:45Espero ser convidado mais vezes aí no futuro.
- 1:00:47Ah, com certeza teremos, teremos.
- 1:00:49Toda semana nós temos um assunto diferente, né?
- 1:00:52Já falamos aqui sobre como um pneu muda a vida de crianças e
- 1:00:55adolescentes em Mauá, em Santo André.
- 1:00:57Nós já falamos aqui sobre como um empresário de Taiwan.
- 1:01:02Que trouxe Uber e 99 para o Brasil, está desenvolvendo uma
- 1:01:06solução que está resolvendo um problema de muitos pequenos e
- 1:01:09médios comerciantes. Nós hoje falamos sobre crianças
- 1:01:12com síndrome de down e espectro autista.
- 1:01:16Toda semana nós falamos de assuntos dos mais variados
- 1:01:19possíveis para mostrar que existe uma conexão entre esses
- 1:01:22assuntos e você que está no nos ouvindo ou nos assistindo.
- 1:01:25Então toda semana nos acompanha aqui.
- 1:01:27Tenho certeza que cada assunto é importante para você.
- 1:01:31Por mais diverso que esse assunto possa parecer.
- 1:01:34E o meu recado final hoje vai ser pra você que é pai de uma
- 1:01:37criança, é que está com nesse processo de
- 1:01:40neurodesenvolvimento. Então, se você é pai, não, não a
- 1:01:44mãe, né? O pai mesmo, né?
- 1:01:45Seja mais presente na vida do seu filho.
- 1:01:47O você como pai faz uma contribuição muito grande.
- 1:01:52Estando mais próximo, eu sei que pode ser desafiador, mas que
- 1:01:55esteja mais próximo, como a doutora falou mais cedo.
- 1:01:58Acompanhe lá nas consultas, seja presente, converse com a sua
- 1:02:02esposa sobre o desenvolvimento dessa criança, porque ela
- 1:02:05depende tanto de você e você tem muito o que aprender com ela
- 1:02:09também. Agora, se você não é pai de uma
- 1:02:11criança neste processo de neurodesenvolvimento cara, o
- 1:02:15recado é o mesmo, então você tem que se aproximar dessa criança
- 1:02:19também é e ser um pai presente. Esse é o recado final que
- 1:02:22deixamos para vocês. Não se esqueçam, por favor, de
- 1:02:24nos acompanhar nas redes sociais do canal.
- 1:02:27Do do portal ABC do ABC, então ABC do ABC, underline oficial
- 1:02:31você vai achar a gente no Instagram, é claro, né?
- 1:02:33Na no próprio portal abcdoabc.com.br.
- 1:02:37Essa entrevista aqui vai gerar uma matéria especial lá no
- 1:02:40portal, então vocês podem acompanhar mais informações que
- 1:02:43os nossos repórteres estão preparando.
- 1:02:46É, enfim, nos vemos então na próxima semana.
- 1:02:49Muito obrigado a todos e um agradecimento especial a essa
- 1:02:51produção maravilhosa que nos acompanha aqui na produção desse
- 1:02:54podcast até mais pessoal. Apresentação, Thiago Quirino.
- 1:03:01Jornalista convidado, Eli Lima. Entrevistada, doutora, Renata
- 1:03:05aniceto, edição, Rodrigo Rodrigues.
- 1:03:08Captação de áudio e vídeo estúdio da assisa associação
- 1:03:12comercial e industrial de Santo André.
- 1:03:14Produção, Ed baroni. Checagem, Ed baroni assistência
- 1:03:18de produção, Celso Rodrigues e Susana Rezende.
- 1:03:22Direção, Thiago Quirino. Direção geral, Alex faria.
- 1:03:26As opiniões manifestadas pelo entrevistado não refletem
- 1:03:29necessariamente o posicionamento do portal ABC do ABC.
- 1:03:33Para se manter informado sobre tudo o que acontece na região,
- 1:03:35acesse www.abcdoabc.com.br.