Latest / NABOA / NABOA vivendo a COP30 | Final
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- 0:03Último episódio desse especial na boa, vivendo a cop 30,
- 0:07afinal, hoje também encerra esse evento tão potente.
- 0:11Foi intenso, desafiador, complexo, mas, acima de tudo,
- 0:15esperançoso. Não sei se foi porque eu vivi
- 0:18todos esses últimos dias a bordo de um navio chamado banzeiro da
- 0:21Esperança, mas definitivamente vivenciar um encontro dessa
- 0:25magnitude e encontrar tantas pessoas.
- 0:28Dos mais diversos perfis e que, ao mesmo tempo, tem tanto em
- 0:31comum com todos ali presentes, é de se esperançar.
- 0:35Lembrando que nesse episódio ainda não dá para falar de tudo
- 0:39que aconteceu ou ficou decidido. Para isso, eu acho que
- 0:42precisaria de mais uma temporada para esmiuçar tudo que eu
- 0:45presenciei. Aliás, este especial é sobre
- 0:48isso, a minha percepção e vivências.
- 0:52Então vem comigo nesse último episódio, onde, diferentemente
- 0:55dos outros, eu vou falar um pouco mais da minha experiência
- 0:58agora como painelista e moderadora.
- 1:01No evento, durante a travessia no banzeiro da Esperança de
- 1:07Manaus para Belém, já foi acontecendo diversas rodas de
- 1:10conversa e discussões em torno da sustentabilidade.
- 1:13Como a maioria ali presente se tratava de povos indígenas e
- 1:16ribeirinhos, eu fui convidada para falar sobre o meu papel de
- 1:19aliada dessas pessoas. E da pauta?
- 1:22Sustentabilidade. Junto com o André Palhano,
- 1:25fundador da virada sustentável, conversamos sobre essa
- 1:28comunicação que não só apresenta, mas conecta universos
- 1:32tão diferentes e que leva informações e visões das pessoas
- 1:37diretamente envolvidas, quebrando estereótipos e
- 1:41preconceitos. E para que isso aconteça, é
- 1:44fundamental exercer algo muito simples e ao mesmo tempo tão
- 1:47difícil de se ver ultimamente, a escuta.
- 1:51Se tem uma mensagem que se repetiu inúmeras vezes durante
- 1:55essa cop, em todos os painéis que eu assisti foi essa
- 1:58necessidade latente e urgente por escuta do fazer junto, fazer
- 2:04com as pessoas e não para as pessoas.
- 2:07Já em Belém, participei de outros painéis que, apesar de
- 2:10temas diversos, também reforçaram a importância da
- 2:13escuta na mediação sobre cultura que move clima.
- 2:17Úrsula Vidal, a secretária de cultura do estado do Pará, deu
- 2:20um exemplo que ilustra bem o quanto muitas vezes estamos
- 2:24desconectados com a realidade, numa pesquisa feita sobre o
- 2:28perfil das pessoas que consomem cultura na capital paraense, o
- 2:32público 60 mais não foi incluído por não terem representantes
- 2:37suficientes e chegarem à falsa conclusão de que se trata de
- 2:41indivíduos que não se interessam ou consomem cultura.
- 2:45Só faltou contar pros executores dessa pesquisa que estamos
- 2:48falando de um público com hábitos apenas diferente dos 60,
- 2:52mais de São Paulo, por exemplo, que a cultura do norte é
- 2:56ancestral e acontece dentro dos territórios das comunidades em
- 3:00cada esquina e que essas pessoas não precisam ir até espaços
- 3:04culturais, mas elas sim já são a própria cultura.
- 3:09Em cada saber, tradição ou cerimônias que justamente as
- 3:13pessoas mais velhas não estão deixando morrer e passando de
- 3:17pais para filhos, netos e bisnetos, é preciso escutar
- 3:21essas pessoas antes de transformá las ou não em dados.
- 3:26Em outro Painel, também com a presença da Úrsula e mais a
- 3:29Natália Duarte, diretora executiva da virada sustentável.
- 3:33Também ficou muito claro o poder da cultura como ferramenta de
- 3:36mobilização e conscientização, e não poderia ser diferente na
- 3:40cop. A gente tem tido uma cop em que
- 3:42as expressões culturais estão no dia a dia, no cotidiano,
- 3:47influenciando e sendo pauta também das negociações.
- 3:51A gente tá falando sobre a cultura como um objetivo do
- 3:55desenvolvimento sustentável, a ser incluído na revisão da
- 3:58agenda de 2030. A gente tá falando sobre cultura
- 4:02como um elemento estruturante e transversal na pauta climática,
- 4:07assim como é em todas as áreas da sociedade, né?
- 4:13Eu tenho trabalhado com projetos culturais que que trabalham na
- 4:17interseccionalidade, na conversa, na troca entre arte e
- 4:22cultura, impacto social, sustentabilidade e ecologia.
- 4:27E nessa cop tem sido muito incrível a gente ver.
- 4:31É uma grande revolução cultural aqui na cidade.
- 4:35A gente tem visto equipamentos culturais abrindo, a gente tem
- 4:39visto delegações internacionais conversando.
- 4:43É também no lugar da troca identitária cultural.
- 4:47A gente tem visto a cultura dos territórios, dos povos
- 4:51originários, as muitas exposições.
- 4:54E a pauta das conversas desse lugar nesse momento?
- 4:58Então, tem sido uma cop que Eu Acredito que vá levar também, vá
- 5:05deixar um legado da narrativa, da troca.
- 5:09Falar dos impactos da cultura na cop 30 é realmente afirmar que
- 5:13ela transcende, é o entretenimento.
- 5:19Assim, falar dos impactos da cultura na cop 30 é afirmar.
- 5:24O papel estratégico que a cultura ocupa, né, que é
- 5:27mobilizador de consciência, de inovação, de valorização de
- 5:32justiça social e participação nas decisões sobre o futuro do
- 5:35planeta. Falando em futuro do planeta, a
- 5:38cúpula dos povos, uma mobilização de diversas frentes
- 5:41sociais e ambientais do Brasil, que se reúne desde 2023 para
- 5:45construir uma representação unificada de quem a compõe,
- 5:49apresentou sua declaração final com mais de 70000 pessoas
- 5:53envolvidas. E eu tô falando de povos
- 5:55quilombolas, ribeirinhos, indígenas, pescadores,
- 5:59extrativistas, mulheres, jovens, afrodescendentes, povos da
- 6:04floresta, do campo, das periferias, dos mares, rios,
- 6:07lagos e mangues. É muita gente, mas ao mesmo
- 6:11tempo, uma unidade na diversidade.
- 6:15Dentre as propostas, contestaram o uso do ar, das florestas e das
- 6:19águas como propriedade privada. Reivindicaram por uma maior
- 6:23participação e protagonismo nas tomadas de decisão, já que são
- 6:27eles os mais atingidos e os menos responsáveis por todos os
- 6:30impactos que temos visto e sentido fomento a agroecologia,
- 6:35a construção de cidades mais justas, ao fim dos combustíveis
- 6:39fósseis e reparação dos danos, finalizam com a mensagem de que
- 6:43é tempo de unificar nossas forças e enfrentar o inimigo
- 6:46comum. Essa grande manifestação dos
- 6:49povos sai ainda mais fortalecida dessa cop.
- 6:52Mas eu também gostaria de mencionar uma mensagem muito
- 6:55potente do Paul Watson, um dos maiores ativistas ambientais e
- 6:59um dos fundadores também do Greenpeace.
- 7:02Precisamos de 7% das nossas pessoas engajadas para virar o
- 7:07jogo. Foi assim com os direitos das
- 7:09mulheres, com os direitos civis e agora será com os direitos de
- 7:13todas as formas de vida na Terra.
- 7:15E já que o Brasil é o país das redes sociais, muita Esperança
- 7:19se deposita na legião de comunicadores que eu vi
- 7:22traduzindo tudo que está acontecendo de forma didática,
- 7:25inteligente, interessante e engraçada, e para os mais
- 7:30diversos públicos. Ainda não é possível mensurar os
- 7:33impactos da cop 30, mas para mim, ela já foi muito vitoriosa.
- 7:36E não apenas pelos acordos, debates ou compromissos formais.
- 7:40Mas porque fez eclodir em todo o Brasil o tema da
- 7:44sustentabilidade? De repente, essa pauta deixou de
- 7:47ser restrita a especialistas, ativistas ou pessoas diretamente
- 7:52envolvidas. Ela atravessou Fronteiras,
- 7:55entrou em conversas de família, apareceu na mídia, no comércio,
- 7:59nas escolas, nas ruas. Quem nunca tinha parado para
- 8:02pensar em sustentabilidade passou a pensar, nem que fosse
- 8:06para um período curto de tempo. E isso sim, por si só, já
- 8:11representa um enorme avanço. Mas o que realmente marcou para
- 8:14mim estando lá foi testemunhar algo que nunca tinha acontecido
- 8:18em nenhuma outra cópia, a convivência genuína entre
- 8:22pessoas tão diferentes dividindo o mesmo espaço, a presença viva
- 8:27da sociedade civil, povos de diferentes etnias, culturas,
- 8:31nacionalidades, crenças religiosas e posições políticas
- 8:35circulando lado a lado. Dialogando, aprendendo,
- 8:39compartilhando, todos juntos por uma causa comum, proteger o
- 8:43planeta que é de todos nós. Se isso não é o retrato do
- 8:47sucesso, eu não sei mais o que é.
- 8:49E quem reforça o couro comigo é o meu grande parceiro desse
- 8:53especial, o André Menezes, fundador da banco cop.
- 8:56Não é 11 festa, né? Mas também não precisa ser um
- 9:00enterro como? Disse a secretária da cultura,
- 9:03Úrsula Úrsula Vidal, que. Participou de?
- 9:06Vários painéis conosco e eu acho que.
- 9:08Belém mostrou. Isso um pouco, né?
- 9:09Como é que a gente pode juntar a?
- 9:10Cultura. E as conexões que a cultura
- 9:13traz, o entretenimento paralela, cope pra poder fazer melhores
- 9:18relacionamentos melhor, fechar melhores negócios em prol do
- 9:21clima. Na cop 29, a gente tinha
- 9:24basicamente a bluzone e a greenzone como ferramentas e
- 9:27instrumentos de negociação e de conexão.
- 9:30É green zone bem vazia inclusive, né?
- 9:32O grande movimento era na bluzônia, movimentava a cidade
- 9:35um pouquinho, mas era mais uma discussão temática.
- 9:39É relacionado ao clima dentro da bluzônia e das negociações.
- 9:44Na cop 30 foi bem diferente, né? A green zone foi aberta ao
- 9:47público. A gente tinha várias outras
- 9:49zonas, como a frizone, montada por jovens numa praça, a inzone,
- 9:54focada em empreendedorismo, feito pelo Sebrae, a gente tinha
- 9:57a grizone, feito pela Embrapa, focada no mercado agro.
- 10:00A gente tinha mais de 90 casas em Belém trabalhando uma agenda
- 10:05rica, muitas das vezes mais completa e mais fundos de funil,
- 10:10como a gente gosta de falar, do que as ações que estavam sendo
- 10:13discutidas na green zone e Blu zone.
- 10:15E eu acho que foi muito legal trazer essa Riqueza da das
- 10:20pessoas, da do povo de Belém, né?
- 10:23Foi um Marco. Essa copa não tem acontecido em
- 10:26São Paulo, Rio, que seriam cidades tradicionalmente.
- 10:29Mais estruturadas para receber um evento de esporte.
- 10:32E o quanto que a gente consegue deixar de legado quando a gente
- 10:35leva para uma cidade que, na verdade, vive e respira no dia a
- 10:39dia o problema do clima, né? Eles estão no coração da
- 10:42Amazônia, que é uma pauta que é muito discutida em todas as
- 10:45Copas. O Brasil não é feito só de
- 10:46Amazônia, né? Ele tem cerrado, tem caatinga,
- 10:49ele, vários mata Atlântica e vários outros relevos.
- 10:53Mas é esse destaque foi muito importante pra gente poder
- 10:56entender um pouquinho mais na prática do que que a gente está
- 10:59falando. E viver é viver sentindo, né?
- 11:05Indo numa ilha de cumbu, fazendo uma visita no na Amazônia e
- 11:08poder levar vários povos pra entender um pouquinho, inclusive
- 11:11da gastronomia local. Eu gosto muito de uma visão que
- 11:15um documentário é que chama Strange rock traz que ele fala
- 11:20sobre entrevista 8 astronautas? Que voltar para casa, para eles,
- 11:26é voltar para o planeta Terra. São as únicas pessoas que têm
- 11:29essa visão. Porque quando a gente mora em no
- 11:32interior de Minas, né, voltar para casa é voltar para o
- 11:34interior de Minas. Quando a gente mora em Belo
- 11:37Horizonte, voltar para casa é voltar para Belo Horizonte.
- 11:40Mas quando a gente tá No No Rio de Janeiro, voltar para casa é
- 11:45voltar para Minas. Quando a gente está no na
- 11:49Europa, né, voltar pra casa e voltar pro Brasil, mas quando a
- 11:51gente está fora do planeta, voltar pra casa e voltar pro
- 11:54planeta. E é mais fácil a gente ir nesse
- 11:56lugar se entender como um povo único, Unido, que precisa
- 11:59resolver os problemas complexos da sociedade sem a teoria das
- 12:03Fronteiras, né? Essa questão de o fato de eu ter
- 12:06nascido ou não num. Território, eu sou melhor ou
- 12:08pior que o outro, ou por causa da cor da pele ou por.
- 12:11Causa do gênero, esse entendimento de.
- 12:13Todas as pessoas. Entendendo que clima?
- 12:17Isso é legal e importante a gente estudar o clima, porque
- 12:20são impactos feitos por nós, seres humanos.
- 12:22EE, pelo motivo da gente viver no planeta, que vai fazer a
- 12:26gente pensar em como a gente sobrevive, porque o planeta ele
- 12:30sempre vai estar aí, né? Sem o que vai acontecer, vai.
- 12:33Seria a sexta extinção do em massa, né?
- 12:37Da vida no planeta. Mas o planeta não vai ser,
- 12:40provavelmente. É eliminado, né?
- 12:43O que seria eliminado seria a nossa raça humana.
- 12:45E pensar o clima com foco nas pessoas é uma necessidade que às
- 12:51vezes é pouco tangibilizada quando a gente olha sobre o
- 12:53ponto de vista da Europa e muito mais percebida quando você entra
- 12:57num país como o Brasil, que tenham diversas, né?
- 13:01Raças misturadas e a importância que a gente precisa.
- 13:04Dar para as? Pessoas e para temas como
- 13:06desigualdade social, principalmente OA parte social
- 13:09do socioambiental. Para mais informações sobre a
- 13:13banco, visite o perfil arroba banco com 2 as e um k no final.
- 13:18Obrigada por me acompanhar nesse episódio do naboa cop 30.
- 13:23Foi um privilégio fazer esse trabalho.
- 13:26E finaliza lo com chave de ouro, ou melhor, com o troféu de ouro
- 13:30do prêmio MPB de melhores podcasts do Brasil, na categoria
- 13:34natureza e meio ambiente. O naboo é feito com muita
- 13:37persistência, zelo, curadoria, mas, acima de tudo, amor e
- 13:42convicção de que cada um de nós é um baita agente de
- 13:46transformação. Voltamos com a nossa programação
- 13:49normal, com episódios quinzenais, ativa e o sininho
- 13:53pra ser avisado sempre que sair um novo episódio.
- 13:55E continuo falando de impacto socioambiental também nas minhas
- 13:59redes sociais. Você me encontra no arroba
- 14:01Silvia Castro BC, até breve.