Latest / Devaneios de uma Bruxa Solitária / O medo do pentáculo ⛥ | Ep03
Transcript
- 0:04SPEAKER_00: Olá a todas as bruxas do meu jardim,
- 0:07SPEAKER_00: sejam bem-vindas e bem-vindos ao podcast de Baneios de uma Bruxa Solitária.
- 0:14SPEAKER_00: Eu sou a Morgana e hoje quero trazer-vos aqui um tema relacionado com
- 0:19SPEAKER_00: um símbolo muito utilizado na bruxaria que é o Pentágono.
- 0:24SPEAKER_00: Então hoje vamos conversar um bocadinho sobre esta aversão,
- 0:29SPEAKER_00: este medo que se instaurou no inconsciente coletivo Da população e
- 0:36SPEAKER_00: que muitas vezes faz com que nós,
- 0:39SPEAKER_00: bruxinhas e bruxinhos de plantão,
- 0:42SPEAKER_00: soframos com alguns despautérios,
- 0:46SPEAKER_00: vamos dizer assim, no meio da rua quando utilizamos o símbolo.
- 0:51SPEAKER_00: Isso significa que muitos de nós podem sofrer um bocadinho de represálias
- 0:55SPEAKER_00: quando usamos e abusamos do símbolo,
- 0:58SPEAKER_00: principalmente nas nossas convivências e nas dinâmicas Com outras pessoas.
- 1:07SPEAKER_00: Então, eu anotei aqui no meu caderno,
- 1:09SPEAKER_00: porque afinal de contas eu decidi começar a colocar tópicos do
- 1:15SPEAKER_00: que eu vou me lembrando acerca do determinado tema,
- 1:18SPEAKER_00: num caderninho,
- 1:20SPEAKER_00: que deixou de ser tópicos,
- 1:21SPEAKER_00: deixaram de ser os tópicos e passaram a ser uma página e meia,
- 1:25SPEAKER_00: uma folha e meia, na verdade.
- 1:27SPEAKER_00: Mas em tópicos, em tópicos.
- 1:29SPEAKER_00: Portanto, os tópicos só cresceram um bocadinho e ficaram extensos.
- 1:33SPEAKER_00: Mas, enfim, dá perfeitamente para fazermos aqui a nossa conversa.
- 1:39SPEAKER_00: Então, eu gostaria de começar,
- 1:40SPEAKER_00: obviamente,
- 1:41SPEAKER_00: isto em termos de reflexão,
- 1:43SPEAKER_00: porque eu não fui averiguar o contexto histórico e nada disso.
- 1:48SPEAKER_00: Na verdade, foi mesmo uma reflexão minha.
- 1:51SPEAKER_00: Relativamente ao Pentáculo,
- 1:53SPEAKER_00: relativamente a este símbolo e relativamente a...
- 1:56SPEAKER_00: porque é que me lembrei disto, não é?
- 1:57SPEAKER_00: Porque fiz um vídeo,
- 2:00SPEAKER_00: preparei um vídeo para o canal e o canal de YouTube e,
- 2:04SPEAKER_00: portanto, comecei a pensar, mas porquê é que as pessoas têm tanto medo do Pentáculo?
- 2:09SPEAKER_00: Não tem nada de extraordinário, maligno ou maléfico relacionado com o Pentáculo?
- 2:17SPEAKER_00: Então comecei a pensar nisto.
- 2:19SPEAKER_00: Então, de onde é que isto poderá vir?
- 2:23SPEAKER_00: Eu imagino que este símbolo é um dos mais utilizados, não é?
- 2:29SPEAKER_00: E eu imagino que este medo deste símbolo,
- 2:32SPEAKER_00: principalmente,
- 2:34SPEAKER_00: venha de filmes,
- 2:36SPEAKER_00: obviamente,
- 2:37SPEAKER_00: filmes hollywoodianos sobre bruxas que seriam más e feias e que a imagem
- 2:43SPEAKER_00: da bruxa é utilizada Para distorcer a visão sobre essa mulher,
- 2:52SPEAKER_00: esse tipo de mulher e associam determinados símbolos,
- 2:58SPEAKER_00: porque não é somente o símbolo do pentáculo ou do pentagrama,
- 3:02SPEAKER_00: nós estamos a falar de outros tantos símbolos que são associados a esta bruxa,
- 3:07SPEAKER_00: esta mulher que seria feia, normalmente gorda, não é?
- 3:12SPEAKER_00: Que seria também do diabo, amante do diabo e pecadora.
- 3:18SPEAKER_00: Estamos a falar também normalmente de uma associação a trabalhos que eram chamados
- 3:24SPEAKER_00: de magia negra e agora podem ser chamados de magia trevosa ou enfim.
- 3:30SPEAKER_00: Então a imagem da bruxa foi construída durante décadas de uma forma em que teriam
- 3:39SPEAKER_00: que associar a esta versão maligna,
- 3:45SPEAKER_00: maléfica, E,
- 3:46SPEAKER_00: obviamente,
- 3:47SPEAKER_00: todo o seu ambiente,
- 3:49SPEAKER_00: todos os instrumentos,
- 3:50SPEAKER_00: as ferramentas que a bruxa utiliza,
- 3:54SPEAKER_00: a forma de pensar,
- 3:55SPEAKER_00: a forma de falar,
- 3:56SPEAKER_00: a forma de agir até,
- 3:59SPEAKER_00: foi construída e criada uma narrativa para associar a bruxa e todos
- 4:06SPEAKER_00: os seus símbolos, as suas ferramentas a uma imagem diabólica.
- 4:11SPEAKER_00: Então, isto não vem propriamente da...
- 4:16SPEAKER_00: Eu estou a associar somente aos filmes,
- 4:18SPEAKER_00: mas acredito a filmes e séries e por aí fora,
- 4:24SPEAKER_00: mas isto muito provavelmente vem muito séculos antes disto.
- 4:31SPEAKER_00: Portanto,
- 4:32SPEAKER_00: isto ficou muito conectado ao inconsciente coletivo de uma forma
- 4:40SPEAKER_00: Em escala muito maior por causa da globalização das redes sociais agora,
- 4:47SPEAKER_00: dos filmes que começaram a viajar de Hollywood para o resto do mundo e
- 4:53SPEAKER_00: que então criou-se esta narrativa de que quem utiliza este símbolo,
- 4:58SPEAKER_00: principalmente as mulheres que utilizam este símbolo,
- 5:01SPEAKER_00: são amantes do diabo, do capeta, sei lá eu do que.
- 5:06SPEAKER_00: Então nós também Hoje em dia, nós vemos, eu digo hoje em dia, mas não é tão agora, tão atual.
- 5:15SPEAKER_00: Estou a falar,
- 5:16SPEAKER_00: por exemplo,
- 5:17SPEAKER_00: de filmes,
- 5:18SPEAKER_00: alguns filmes que saíram ali na década de 80, de 90,
- 5:22SPEAKER_00: que trouxeram uma caracterização da bruxa e de todas as suas simbologias de
- 5:28SPEAKER_00: uma forma mais bonitinha.
- 5:32SPEAKER_00: E temos alguns filmes,
- 5:33SPEAKER_00: eu estou-me a lembrar agora de um que vai sair o segundo filme,
- 5:36SPEAKER_00: 30 anos depois, praticamente, não é?
- 5:40SPEAKER_00: Vai sair o filme que é o The Practical Magic,
- 5:44SPEAKER_00: acho que é isso,
- 5:45SPEAKER_00: Practical Magic,
- 5:46SPEAKER_00: assim uma coisa, pronto,
- 5:46SPEAKER_00: vocês sabem que filme é que eu estou aqui a falar,
- 5:48SPEAKER_00: que tem a Sandra Bullock com a outra moça,
- 5:56SPEAKER_00: não me lembro do nome agora,
- 5:57SPEAKER_00: mas vocês devem saber quem é que ela é,
- 5:59SPEAKER_00: aquela loira, loira não, aquela ruiva, não me lembro do nome, enfim.
- 6:03SPEAKER_00: Eu sou péssima para nomes,
- 6:05SPEAKER_00: eu não sei se devo a perceber,
- 6:06SPEAKER_00: por isso é que eu não consigo fazer um,
- 6:08SPEAKER_00: nem posso também,
- 6:09SPEAKER_00: eu não tenho muito interesse,
- 6:10SPEAKER_00: mas para fazer um canal de fofocas de pessoas,
- 6:16SPEAKER_00: de celebridades, porque realmente eu não acompanho, então é difícil, enfim.
- 6:22SPEAKER_00: Mas vocês sabem qual é o filme a que eu estou a referir,
- 6:25SPEAKER_00: e esse filme trouxe essa imagem da bruxa bonitinha,
- 6:31SPEAKER_00: Se nós formos comparar,
- 6:32SPEAKER_00: por exemplo,
- 6:32SPEAKER_00: com aqueles filmes que saem da Disney,
- 6:36SPEAKER_00: os filmes de contos de fada,
- 6:39SPEAKER_00: das princesas e tudo mais,
- 6:41SPEAKER_00: normalmente a bruxa tem certas características que remetem sempre a uma mulher feia,
- 6:49SPEAKER_00: a uma mulher gorda, a uma mulher que é maliciosa ou até com segundas intenções.
- 6:58SPEAKER_00: Pronto.
- 6:59SPEAKER_00: E traz sempre esta conotação mais não desejável para uma mulher.
- 7:05SPEAKER_00: E não é propriamente o foco do nosso episódio de hoje falarmos sobre o papel
- 7:10SPEAKER_00: da mulher enquanto bruxa,
- 7:13SPEAKER_00: nem coisa do género, mas poderíamos entrar por esse caminho também.
- 7:19SPEAKER_00: Então nós temos aqui uma estética de bruxa que aparece como a bruxa gratiluxo.
- 7:27SPEAKER_00: A bruxa boazinha,
- 7:29SPEAKER_00: a bruxa que é bonita,
- 7:31SPEAKER_00: porque tem os traços da mulher que é tipicamente padronizada e que é querida,
- 7:39SPEAKER_00: querida no sentido de que é aceitável.
- 7:44SPEAKER_00: Então ela traz aqui uma estética muito mais limpa e nós não vemos tanto
- 7:50SPEAKER_00: uma associação dos símbolos Com aqueles rituais,
- 7:55SPEAKER_00: digamos, pesados, que se poderiam considerar mais pesados.
- 8:01SPEAKER_00: Então nós vamos ver aqui um tipo de bruxa,
- 8:05SPEAKER_00: um tipo de mulher que pratica a feitiçaria,
- 8:09SPEAKER_00: pratica a bruxaria, mais limpa, mais clean.
- 8:14SPEAKER_00: E é curioso porque eu estou a ler um livro,
- 8:16SPEAKER_00: que ele vai ser também parte de uma análise,
- 8:19SPEAKER_00: de uma review, sei lá,
- 8:20SPEAKER_00: uma revisão,
- 8:21SPEAKER_00: uma resenha,
- 8:22SPEAKER_00: como quiserem chamar,
- 8:23SPEAKER_00: lá para o canal também,
- 8:26SPEAKER_00: que fala justamente,
- 8:29SPEAKER_00: é uma romantasia,
- 8:31SPEAKER_00: é o título,
- 8:32SPEAKER_00: o género que colocam é esse,
- 8:34SPEAKER_00: romantasia,
- 8:35SPEAKER_00: romantasia,
- 8:37SPEAKER_00: que é novo,
- 8:38SPEAKER_00: portanto eu não costumo ler este tipo de livros relacionado com a bruxaria,
- 8:43SPEAKER_00: mas como eu estava numa ressaca literária, eu pensei, tenho que ler qualquer coisa
- 8:50SPEAKER_00: Muito diferente daquilo que eu costumo ler,
- 8:52SPEAKER_00: porque eu não estou a conseguir sequer terminar os livros,
- 8:55SPEAKER_00: eu estou a engonhar muito,
- 8:58SPEAKER_00: ou seja,
- 8:58SPEAKER_00: a enrolar muito para ler,
- 9:00SPEAKER_00: então estou há muito tempo para ler um livro que seria rápido de ser lido.
- 9:05SPEAKER_00: Então eu pensei,
- 9:06SPEAKER_00: vou ler um livro completamente diferente,
- 9:09SPEAKER_00: vou à livraria, vou ver o que é que tem lá, que me chama a atenção e lá vamos nós.
- 9:15SPEAKER_00: Então eu comecei a ler este livro,
- 9:17SPEAKER_00: agora tem uns poucos dias, E,
- 9:19SPEAKER_00: de facto,
- 9:20SPEAKER_00: a ressaca literária desapareceu,
- 9:22SPEAKER_00: porque é um livro envolvente,
- 9:25SPEAKER_00: obviamente pela sua narrativa,
- 9:27SPEAKER_00: mas porque eu escolhi especificamente da nossa área bruxaria,
- 9:32SPEAKER_00: sobre a bruxaria, sobre bruxas em si.
- 9:33SPEAKER_00: Então este livro é especificamente sobre a caça às bruxas,
- 9:37SPEAKER_00: mas trazendo um molde fantasioso, claro.
- 9:41SPEAKER_00: E o que eu tenho reparado é que,
- 9:45SPEAKER_00: Até onde eu estou quase a meio do livro e até onde eu li não há um único ritual
- 9:53SPEAKER_00: que tenha o símbolo, por exemplo.
- 9:56SPEAKER_00: Então o que eu percebo é que nos filmes e tal,
- 10:01SPEAKER_00: e nas séries,
- 10:02SPEAKER_00: que eu estou me a lembrar de uma outra série que eu assistia muito nos anos 90,
- 10:06SPEAKER_00: que é a série Sabrina,
- 10:07SPEAKER_00: não sei se vocês conhecem,
- 10:09SPEAKER_00: A série Sabrina,
- 10:10SPEAKER_00: que ela,
- 10:12SPEAKER_00: que era com uma,
- 10:14SPEAKER_00: também não me lembro do nome dela,
- 10:15SPEAKER_00: pois claro,
- 10:17SPEAKER_00: não me lembro do nome da atriz,
- 10:19SPEAKER_00: mas era,
- 10:20SPEAKER_00: eu acho que o nome da série é Sabrina,
- 10:23SPEAKER_00: a bruxinha feiticeira,
- 10:26SPEAKER_00: ou a adolescente feiticeira,
- 10:27SPEAKER_00: ou a adolescente bruxa,
- 10:28SPEAKER_00: é assim uma coisa, pronto, a bruxinha adolescente, é uma coisa assim, pronto.
- 10:34SPEAKER_00: E era uma série que passava, acho que na RTP2, não é?
- 10:37SPEAKER_00: Porque na altura não tínhamos TV a cabo, não é?
- 10:41SPEAKER_00: Ainda não estava,
- 10:44SPEAKER_00: acho eu que ainda não estava distribuída como nós temos hoje, então passava na RTP2.
- 10:52SPEAKER_00: Ela também,
- 10:53SPEAKER_00: eu não me lembro de a ver a fazer rituais,
- 10:56SPEAKER_00: rituais,
- 10:57SPEAKER_00: não me lembro dela fazer rituais,
- 10:59SPEAKER_00: mas ela as utilizava,
- 11:00SPEAKER_00: assim como uma outra série,
- 11:02SPEAKER_00: que depois tornou-se um filme,
- 11:03SPEAKER_00: mais recentemente com a mesma protagonista do The Practical Match,
- 11:09SPEAKER_00: Magical Practical,
- 11:10SPEAKER_00: assim uma coisa,
- 11:11SPEAKER_00: enfim, não me recordo o nome do filme, mas vocês sabem o filme, não é?
- 11:16SPEAKER_00: Que é a mesma protagonista que ela fez,
- 11:20SPEAKER_00: também não me lembro do nome, Bewitched, Bewitched, acho que é isso, em inglês.
- 11:26SPEAKER_00: E havia uma série também antiga,
- 11:29SPEAKER_00: eu acho que ela era dos anos 60,
- 11:31SPEAKER_00: dos anos 50, talvez, que eu assisti a essa série também da bruxa, não é?
- 11:36SPEAKER_00: Que era a bruxa que se casou com um mortal e a partir daí começou a viver toda
- 11:41SPEAKER_00: a sua vida, uma vida mortal.
- 11:44SPEAKER_00: Ignorando, entre aspas, porque ela não conseguia ignorar tudo, da sua bruxaria.
- 11:49SPEAKER_00: E em nenhum momento,
- 11:50SPEAKER_00: portanto,
- 11:50SPEAKER_00: de tudo o que eu estou aqui a falar, em nenhum momento nós vemos os rituais.
- 11:56SPEAKER_00: O que eu assisto,
- 11:57SPEAKER_00: normalmente,
- 11:58SPEAKER_00: o que eu consigo perceber é que há a magia,
- 12:03SPEAKER_00: há a feitiçaria, mas é, por exemplo, a desenhar Estou a tentar descrever, não é?
- 12:11SPEAKER_00: A desenhar o símbolo, os símbolos no ar.
- 12:15SPEAKER_00: E não tem propriamente,
- 12:17SPEAKER_00: por exemplo,
- 12:17SPEAKER_00: dessa série mais antiga que eu estou aqui a falar,
- 12:20SPEAKER_00: ela, também tinha algumas temporadas, ela torceu o nariz, não é?
- 12:26SPEAKER_00: Portanto, não há uma ritualística.
- 12:28SPEAKER_00: É como se a própria bruxa A imagem,
- 12:34SPEAKER_00: a figura da bruxa não utiliza símbolos,
- 12:37SPEAKER_00: portanto,
- 12:37SPEAKER_00: ninguém consegue perceber que aquela pessoa,
- 12:40SPEAKER_00: aquela mulher é bruxa, porque ela não tem símbolos.
- 12:44SPEAKER_00: Então, parece que há aqui uma diferença entre a bruxa que utiliza os símbolos,
- 12:51SPEAKER_00: o pentáculo,
- 12:52SPEAKER_00: que é má,
- 12:52SPEAKER_00: que é maléfica,
- 12:53SPEAKER_00: que faz rituais,
- 12:56SPEAKER_00: porque não satânicos,
- 12:57SPEAKER_00: ligados ao diabo,
- 12:59SPEAKER_00: ao capeta,
- 13:00SPEAKER_00: E temos as outras bruxas com uma estética clean,
- 13:06SPEAKER_00: que são ditas normais,
- 13:09SPEAKER_00: que estão dentro do padrão,
- 13:11SPEAKER_00: de mulheres aceitáveis,
- 13:13SPEAKER_00: mas que têm esse pequeno defeitozinho que é a bruxaria,
- 13:17SPEAKER_00: a feitiçaria, lançar feitiçozinhos com os dedos no ar.
- 13:24SPEAKER_00: Muito parecido com o Harry Potter.
- 13:27SPEAKER_00: O Harry Potter utiliza a varinha,
- 13:30SPEAKER_00: Mas no sentido,
- 13:31SPEAKER_00: nesse mesmo sentido,
- 13:33SPEAKER_00: então não se vê propriamente uma ritualística com velas e aquela bruxaria mais nua
- 13:42SPEAKER_00: e crua do sacrifício animal.
- 13:46SPEAKER_00: Antes que comecem com coisas,
- 13:47SPEAKER_00: eu não estou a concordar nem a discordar,
- 13:49SPEAKER_00: só estou a dizer aquilo que a bruxaria foi e é em muitas tradições, certo?
- 13:56SPEAKER_00: Então, Nós ainda,
- 14:00SPEAKER_00: neste rol de filmes e séries,
- 14:03SPEAKER_00: nós temos também,
- 14:04SPEAKER_00: e é-nos trazido também,
- 14:06SPEAKER_00: a ideia do pentáculo ou do pentagrama invertido e que quase sempre,
- 14:14SPEAKER_00: eu não quero utilizar a palavra sempre,
- 14:16SPEAKER_00: porque eu não assisti todos os filmes,
- 14:17SPEAKER_00: todas as séries,
- 14:19SPEAKER_00: mas quase sempre,
- 14:21SPEAKER_00: do que eu me lembro,
- 14:22SPEAKER_00: de alguns filmes assim de terror que nós consideraríamos de terror,
- 14:29SPEAKER_00: Eles vão trazer,
- 14:31SPEAKER_00: vão acompanhar,
- 14:33SPEAKER_00: portanto,
- 14:33SPEAKER_00: o símbolo do pentáculo ou
- 14:35SPEAKER_00: do pentagrama invertido acompanha quase sempre rituais considerados satânicos com
- 14:44SPEAKER_00: um ambiente, uma estética mais escura, mais negra, quizá até sanguinária, não é?
- 14:53SPEAKER_00: Porque tem os sacrifícios animais ou outros sacrifícios.
- 14:59SPEAKER_00: E o pentáculo,
- 15:04SPEAKER_00: ou os símbolos associados à bruxaria,
- 15:07SPEAKER_00: à feitiçaria, estão representados nesta visão do mal e do mal.
- 15:18SPEAKER_00: Os filmes que eu estava-me a referir de terror,
- 15:20SPEAKER_00: por exemplo,
- 15:21SPEAKER_00: podemos ver nos exorcismos,
- 15:23SPEAKER_00: que normalmente quem é o exorcista é,
- 15:26SPEAKER_00: daquilo que eu me lembro,
- 15:26SPEAKER_00: atenção,
- 15:27SPEAKER_00: porque eu não fui pesquisar termos técnicos nem coisa do género,
- 15:30SPEAKER_00: mas daquilo que eu me lembro,
- 15:32SPEAKER_00: o exorcista é o padre ou o religioso,
- 15:36SPEAKER_00: o líder religioso,
- 15:37SPEAKER_00: normalmente do cristianismo,
- 15:39SPEAKER_00: que não é cristianismo,
- 15:40SPEAKER_00: que é o catolicismo,
- 15:41SPEAKER_00: mas enfim,
- 15:43SPEAKER_00: e que normalmente ele vai exorcizar Uma pessoa
- 15:49SPEAKER_00: que está possuída pelo próprio capeta,
- 15:52SPEAKER_00: pelo próprio demónio,
- 15:53SPEAKER_00: ou por até um espírito maligno,
- 15:55SPEAKER_00: porque o catolicismo não vê com bons olhos uma pessoa que fala com os mortos.
- 16:01SPEAKER_00: Portanto,
- 16:02SPEAKER_00: as bruxas normalmente falam com os mortos,
- 16:03SPEAKER_00: têm acesso às mortos, têm acesso ao plano dos mortos.
- 16:07SPEAKER_00: Então, como o catolicismo assume que os espíritos,
- 16:11SPEAKER_00: os mortos,
- 16:13SPEAKER_00: são inferiores,
- 16:15SPEAKER_00: vamos dizer assim,
- 16:16SPEAKER_00: Há os anjos,
- 16:17SPEAKER_00: porque o são,
- 16:18SPEAKER_00: efetivamente,
- 16:19SPEAKER_00: mas assume que quem conversa com os mortos é quem está amantizado com o capeta,
- 16:25SPEAKER_00: com o diabo, com os atarás, não é com o demónio.
- 16:28SPEAKER_00: Então, uma pessoa que fala ou que tenha conversas ou que até incorpora uma entidade,
- 16:37SPEAKER_00: qualquer que seja ela,
- 16:39SPEAKER_00: está possuída pelo demónio,
- 16:41SPEAKER_00: porque o catolicismo sempre vai acreditar que Nós trabalhamos com anjos e com Deus.
- 16:49SPEAKER_00: Nunca, jamais, em hipótese alguma, nós vamos trabalhar com o plano dos mortos.
- 16:55SPEAKER_00: O satanismo, portanto, filmes de terror como exorcismos.
- 16:59SPEAKER_00: O satanismo, em que mostram muito explicitamente o pentáculo pentagrama invertido.
- 17:09SPEAKER_00: E, portanto, as processões também, e vamos sempre, isto pode estar tudo no mesmo, não é?
- 17:15SPEAKER_00: E nós sempre vamos, então,
- 17:17SPEAKER_00: ver estas associações,
- 17:18SPEAKER_00: até pela estética do filme,
- 17:21SPEAKER_00: pelas cores, pelo ambiente, pela forma ritualística que se faz, não é?
- 17:25SPEAKER_00: Que se cria o filme.
- 17:28SPEAKER_00: Nós vamos sempre criar no inconsciente coletivo essa figura de que os símbolos
- 17:36SPEAKER_00: da bruxaria,
- 17:37SPEAKER_00: que representam a bruxaria,
- 17:39SPEAKER_00: E aqui, de uma forma bem abrangente, vão ser sempre negativos.
- 17:45SPEAKER_00: Então, uma pessoa,
- 17:47SPEAKER_00: e vamos chegar ao nosso ponto daqui do nosso episódio,
- 17:51SPEAKER_00: uma pessoa que vai na rua,
- 17:55SPEAKER_00: que vê uma outra pessoa a utilizar,
- 17:58SPEAKER_00: que normalmente acontece muito,
- 18:01SPEAKER_00: Uma pessoa,
- 18:02SPEAKER_00: normalmente,
- 18:02SPEAKER_00: quando se veste gótico,
- 18:05SPEAKER_00: normalmente usa alguns símbolos invertidos,
- 18:07SPEAKER_00: o crucifixo invertido,
- 18:09SPEAKER_00: pode, não quer dizer que toda a gente o faça, mas pode utilizar.
- 18:13SPEAKER_00: E, normalmente,
- 18:15SPEAKER_00: uma pessoa que vê uma outra pessoa utilizar um símbolo que ela sabe que é
- 18:21SPEAKER_00: um símbolo negativo do mal,
- 18:24SPEAKER_00: porque no inconsciente dela é isso, foi isso que ela aprendeu, não é?
- 18:31SPEAKER_00: Não vai ter propriamente medo da pessoa que o utiliza, mas vai ter medo do arquétipo.
- 18:41SPEAKER_00: E isto pode ser um sinónimo,
- 18:45SPEAKER_00: não é um sinónimo,
- 18:48SPEAKER_00: mas uma demonstração de que a pessoa que tem medo, na verdade, desconhece.
- 18:55SPEAKER_00: Desconhece.
- 18:57SPEAKER_00: Tanto desconhece que não se dá o direito sequer de ir ver,
- 19:02SPEAKER_00: pesquisar, estudar sobre esse símbolo ou sobre isso que ela tanto tem medo.
- 19:11SPEAKER_00: E agora aqui um parênteses, nós fazemos isso com muitas coisas.
- 19:15SPEAKER_00: Nós muitas vezes não enfrentamos os nossos medos,
- 19:18SPEAKER_00: não sabemos muito bem de onde é que eles vêm,
- 19:21SPEAKER_00: mas também muita gente não enfrenta o próprio medo para Diminuir o poder que
- 19:28SPEAKER_00: o medo tem sobre a própria vida.
- 19:30SPEAKER_00: Espero não ter ficado muito confuso este raciocínio.
- 19:34SPEAKER_00: Então,
- 19:34SPEAKER_00: a maioria das pessoas acaba por nem saber distinguir o que é o pentáculo chamado,
- 19:39SPEAKER_00: ou o que eu chamo às direitas, do pentáculo, do pentagrama invertido.
- 19:44SPEAKER_00: As pessoas simplesmente não conhecem,
- 19:46SPEAKER_00: não sabem,
- 19:47SPEAKER_00: elas só veem,
- 19:49SPEAKER_00: quase que nem se percebem que está lá o pentagrama de uma forma e o pentagrama
- 19:56SPEAKER_00: De outra forma,
- 19:57SPEAKER_00: quanto mais irem à procura de informação sobre aquele símbolo,
- 20:04SPEAKER_00: o que é que aquilo representa.
- 20:08SPEAKER_00: Então talvez isto diga muito mais sobre a pessoa em si,
- 20:12SPEAKER_00: portanto a pessoa que tem o medo,
- 20:14SPEAKER_00: que carrega o preconceito,
- 20:15SPEAKER_00: que carrega toda a crença, do que do próprio símbolo e de quem o usa.
- 20:24SPEAKER_00: Obviamente que quem usa um pentáculo às direitas
- 20:28SPEAKER_00: ou invertido vai ser sempre rebelde,
- 20:33SPEAKER_00: eu já vou entrar um bocadinho sobre isso,
- 20:37SPEAKER_00: vou falar um bocadinho sobre isso,
- 20:37SPEAKER_00: vou entrar um bocadinho mais sobre esta rebeldia,
- 20:41SPEAKER_00: porque a pessoa que usa escolhe ir contra o que é o padrão.
- 20:50SPEAKER_00: Então o arquétipo acaba por estar instalado No inconsciente coletivo como
- 20:57SPEAKER_00: uma representação de coisas malignas.
- 21:01SPEAKER_00: E que, como eu falei,
- 21:03SPEAKER_00: quem utiliza este tipo de símbolos,
- 21:08SPEAKER_00: qualquer símbolo associado à bruxaria,
- 21:11SPEAKER_00: à feitiçaria,
- 21:12SPEAKER_00: acaba por ser muito mais ousado e até rebelde,
- 21:19SPEAKER_00: Lá está,
- 21:19SPEAKER_00: porque vai contra as massas,
- 21:20SPEAKER_00: vai contra o padrão,
- 21:21SPEAKER_00: mesmo sabendo que irá ser,
- 21:23SPEAKER_00: provavelmente,
- 21:25SPEAKER_00: achincalhado na rua,
- 21:27SPEAKER_00: que vai ser alvo de críticas,
- 21:30SPEAKER_00: alvo de julgamentos e,
- 21:32SPEAKER_00: nos tempos que ocorrem, poderemos até ser não apedrejados, mas quase, não é?
- 21:40SPEAKER_00: Agora,
- 21:41SPEAKER_00: um outro arquétipo que me faz lembrar Também está muito associado a um tipo de linha
- 21:51SPEAKER_00: de pensamento ou de ideia dentro da própria bruxaria, é o arquétipo da serpente.
- 22:00SPEAKER_00: E que só,
- 22:01SPEAKER_00: e agora vou falar por mim,
- 22:02SPEAKER_00: pela minha experiência,
- 22:04SPEAKER_00: só depois de aprofundar no seu estudo,
- 22:07SPEAKER_00: portanto do estudo da serpente,
- 22:10SPEAKER_00: E de todo o seu arquétipo é que nós começamos e que eu comecei a tirar as camadas
- 22:17SPEAKER_00: e camadas de crenças que eu nem sabia que eles tinham.
- 22:20SPEAKER_00: Porque nunca foi propriamente um símbolo ou um arquétipo que eu refletisse sobre.
- 22:28SPEAKER_00: Simplesmente nós sabemos que aquela pessoa invejosa é uma cobra,
- 22:32SPEAKER_00: é uma serpente, aquela colega de trabalho.
- 22:35SPEAKER_00: É uma serpente, não é?
- 22:37SPEAKER_00: É uma víbora, com aquela língua afiada, certo?
- 22:41SPEAKER_00: Então isso já está no inconsciente coletivo,
- 22:45SPEAKER_00: de uma forma generalizada,
- 22:47SPEAKER_00: e que nós associamos uma serpente,
- 22:49SPEAKER_00: e eu estou-me a lembrar aqui,
- 22:50SPEAKER_00: no Baralho Cigano ou no Lenormand,
- 22:53SPEAKER_00: por exemplo,
- 22:54SPEAKER_00: é um sistema oracular,
- 22:58SPEAKER_00: que acredito que quem ouçou o podcast do episódio sabe muito bem o que é
- 23:02SPEAKER_00: o Lenormand, não é?
- 23:03SPEAKER_00: Mas eu lembro-me muito de um Lenormand,
- 23:08SPEAKER_00: de um baralho específico que eu tenho,
- 23:10SPEAKER_00: de Lenormand,
- 23:11SPEAKER_00: em que a serpente,
- 23:12SPEAKER_00: quando nós olhamos para ela,
- 23:14SPEAKER_00: ela traz-nos,
- 23:16SPEAKER_00: remete-nos exatamente a essa energia de víbora,
- 23:20SPEAKER_00: de aquela serpente que vai abocanhar, que vai ser traiçoeira, não é?
- 23:27SPEAKER_00: Então até Em sistemas oraculares nós podemos ver estes conceitos mais intrínsecos
- 23:35SPEAKER_00: e ligados,
- 23:36SPEAKER_00: conectados àquilo que nós consideramos e achamos sobre o símbolo arquétipo.
- 23:43SPEAKER_00: E agora entrando um bocadinho no mito ou na mitologia católica,
- 23:47SPEAKER_00: nós temos a serpente que dá, não é que tenta Eva, a comer a maçã.
- 23:57SPEAKER_00: A serpente aqui também está carregada de uma conotação, de tentação, de traição, certo?
- 24:08SPEAKER_00: Portanto,
- 24:09SPEAKER_00: parece-me que é mais uma crença sobre os arquétipos,
- 24:16SPEAKER_00: os símbolos,
- 24:17SPEAKER_00: propriamente ditos,
- 24:18SPEAKER_00: e as pessoas nem refletem muito,
- 24:20SPEAKER_00: as pessoas nem pensam muito sobre isso,
- 24:23SPEAKER_00: porque Não lhes cabe ainda porque não se interessam,
- 24:28SPEAKER_00: porque não se fala sobre o assunto, enfim.
- 24:34SPEAKER_00: E por falar em crenças,
- 24:36SPEAKER_00: eu gostava também de conversar sobre algumas crenças que temos
- 24:40SPEAKER_00: e agora aqui vamos entrar numa seara do próprio caminho da bruxaria
- 24:43SPEAKER_00: de quem é bruxa e de quem está no caminho.
- 24:47SPEAKER_00: São algumas crenças que nós temos enquanto bruxas E que,
- 24:52SPEAKER_00: no meu caso,
- 24:52SPEAKER_00: eu nunca fui propriamente católica e praticante,
- 24:57SPEAKER_00: a não ser na infância, porque era obrigada.
- 25:00SPEAKER_00: Então, eu venho de uma família católica,
- 25:05SPEAKER_00: e quando eu digo uma família católica,
- 25:06SPEAKER_00: eu não estou a falar de uma família típica que vai só às missas,
- 25:10SPEAKER_00: aos domingos, de vez em quando.
- 25:12SPEAKER_00: Eu estou a falar da família toda.
- 25:16SPEAKER_00: Católica que pertence aos grupos de jovens,
- 25:19SPEAKER_00: tem não sei quantas pessoas que são acólitas,
- 25:22SPEAKER_00: tem pessoas que participam do compasso,
- 25:25SPEAKER_00: hoje em dia não sei muito bem como é que isso funciona,
- 25:27SPEAKER_00: mas antigamente, vou falar como se fosse muito velha, não é?
- 25:31SPEAKER_00: Pronto.
- 25:32SPEAKER_00: Mas, aqui há uns anos,
- 25:35SPEAKER_00: as pessoas participavam na vida,
- 25:40SPEAKER_00: na vida religiosa, e eram muito, como se diz, ratos de sacristia.
- 25:47SPEAKER_00: Não é?
- 25:48SPEAKER_00: Enfim, eu sou a única bruxa.
- 25:51SPEAKER_00: Eu sou a única bruxa.
- 25:52SPEAKER_00: Eu sou a única que se rebelou, não é?
- 26:00SPEAKER_00: Contra o catolicismo.
- 26:02SPEAKER_00: Então, eu misturo-me muito bem.
- 26:04SPEAKER_00: Eu acho que já falei isto em alguns... em outro episódio e em alguns vídeos do canal.
- 26:10SPEAKER_00: Eu misturo-me muito bem.
- 26:11SPEAKER_00: Portanto,
- 26:12SPEAKER_00: eu consigo conversar Com as pessoas sem que elas percebam que eu estou a falar
- 26:18SPEAKER_00: de bruxaria.
- 26:20SPEAKER_00: E consigo passar a minha mensagem sem que elas se apercebam que eu estou
- 26:25SPEAKER_00: a falar especificamente de bruxaria.
- 26:27SPEAKER_00: Obviamente que eu não vou falar coisas muito específicas do nosso estudo,
- 26:32SPEAKER_00: porque isso estaria a ser muito clara, não é?
- 26:35SPEAKER_00: E eu escolhi as minhas batalhas, não é?
- 26:38SPEAKER_00: Por enquanto estamos assim.
- 26:41SPEAKER_00: Mas o que eu quero dizer é que quando eu comecei a navegar,
- 26:45SPEAKER_00: a querer navegar um pouco mais pela bruxaria e a adentrar um pouco mais na bruxaria
- 26:51SPEAKER_00: em si, o que acontece é que eu percebi crenças que vêm do catolicismo.
- 26:59SPEAKER_00: Portanto,
- 27:00SPEAKER_00: quando nós fazemos a transição e mesmo que nós já estejamos dentro de uma família
- 27:07SPEAKER_00: que não seja católica,
- 27:08SPEAKER_00: nós lidamos com Pessoas católicas com uma cultura e com
- 27:14SPEAKER_00: uma sociedade muito religiosa em termos de catolicismo.
- 27:19SPEAKER_00: Então mesmo que eu percebo isso em mim,
- 27:22SPEAKER_00: mesmo que eu tenha outras práticas,
- 27:26SPEAKER_00: eu sempre vou ter que estar e vou ter que lidar com coisas,
- 27:32SPEAKER_00: com expressões,
- 27:34SPEAKER_00: com o próprio calendário que nós seguimos Ele está muito voltado para
- 27:40SPEAKER_00: os feriados religiosos, para coisas e festividades religiosas católicas.
- 27:46SPEAKER_00: Se vocês olharem para o calendário,
- 27:48SPEAKER_00: eu estou a falar aqui em Portugal, que é onde eu tenho conhecimento de causa, não é?
- 27:53SPEAKER_00: Mas eu acredito que isso aconteça também no Brasil.
- 27:56SPEAKER_00: Embora no Brasil eu acredito que tenha uma abertura espiritual muito maior,
- 28:03SPEAKER_00: portanto há mais Mais abertura para haver tradições diferentes,
- 28:10SPEAKER_00: isso não significa que não continue a haver,
- 28:15SPEAKER_00: enfim, julgamentos, se é que eu posso chamar a isto julgamento, mas pronto.
- 28:21SPEAKER_00: O que acontece é que nós,
- 28:24SPEAKER_00: mesmo que queiramos fugir,
- 28:27SPEAKER_00: não conseguimos,
- 28:28SPEAKER_00: porque está tudo tão entranhado,
- 28:31SPEAKER_00: está tudo tão na forma das pessoas falarem,
- 28:34SPEAKER_00: viverem, De se relacionarem, está
- 28:41SPEAKER_00: entranhado como se fosse mesmo um veneno.
- 28:44SPEAKER_00: Eu estou-me a lembrar aqui de um outro baralho que eu tenho,
- 28:47SPEAKER_00: que tem assim uma pitada de catolicismo,
- 28:49SPEAKER_00: mas bem diferentão,
- 28:53SPEAKER_00: que eu não utilizo tanto nas consultas,
- 28:57SPEAKER_00: nas leituras e tal,
- 28:59SPEAKER_00: porque Enfim,
- 29:01SPEAKER_00: tem assim umas coisas que lá está,
- 29:04SPEAKER_00: as pessoas como não conhecem têm medo ou não gostam.
- 29:09SPEAKER_00: Mas eu estou-me a lembrar desse baralho em específico porque ele traz,
- 29:13SPEAKER_00: tem uma carta em que temos a serpente que ela lança o seu veneno para uma copa,
- 29:22SPEAKER_00: uma copa que seria um copo.
- 29:26SPEAKER_00: Como quem diz, envenenas as tuas emoções.
- 29:30SPEAKER_00: Tu própria envenenas as tuas emoções.
- 29:34SPEAKER_00: Então eu vejo o catolicismo não só,
- 29:38SPEAKER_00: mas vamos falar do catolicismo porque é aquela religião que eu tive acesso
- 29:43SPEAKER_00: que eu estou, mesmo que não queira, estou inserida, não é?
- 29:50SPEAKER_00: Mas tem outras que nós nascemos e já somos daquela religião, não é?
- 29:56SPEAKER_00: Portanto, Curiosamente são as três abrahâmicas, curiosamente.
- 30:03SPEAKER_00: Portanto,
- 30:04SPEAKER_00: mesmo que nós não queiramos,
- 30:10SPEAKER_00: nós estando dentro da bruxaria,
- 30:13SPEAKER_00: nós vamos sempre ter crenças relacionadas com os arquétipos,
- 30:20SPEAKER_00: portanto,
- 30:20SPEAKER_00: neste caso com o pentáculo e o pentagrama,
- 30:23SPEAKER_00: porque a sociedade A qual nós estamos inseridos tem esse preconceito e essa ideia,
- 30:33SPEAKER_00: não é?
- 30:33SPEAKER_00: Tem esse medo.
- 30:36SPEAKER_00: Então é necessário, uma vez que nós convivemos, certo?
- 30:42SPEAKER_00: Nós convivemos com os feriados católicos,
- 30:45SPEAKER_00: não tem uma outra religião,
- 30:46SPEAKER_00: não tem uma outra tradição no calendário,
- 30:49SPEAKER_00: é só os feriados católicos, num estado que se diz laico.
- 30:54SPEAKER_00: Num estado que se diz laico, não deveríamos ter feriados religiosos de nenhuma tradição.
- 31:02SPEAKER_00: Então cada pessoa,
- 31:03SPEAKER_00: e aqui entraria a tolerância que está bem, pronto, está mal das pernas, não é?
- 31:10SPEAKER_00: Tolerância para com o outro,
- 31:13SPEAKER_00: para com a diferença do outro,
- 31:14SPEAKER_00: isto aqui em todos os âmbitos,
- 31:19SPEAKER_00: está muito,
- 31:20SPEAKER_00: está mal das pernas,
- 31:21SPEAKER_00: portanto as pessoas não têm sequer tolerância para Um empregador,
- 31:25SPEAKER_00: um patrão,
- 31:28SPEAKER_00: considerar,
- 31:29SPEAKER_00: por exemplo,
- 31:30SPEAKER_00: que um
- 31:33SPEAKER_00: Beltane poderá ser um feriado para uma pessoa que tem determinada tradição
- 31:40SPEAKER_00: que segue determinada tradição, que é pagan e que celebra esse dia.
- 31:46SPEAKER_00: Dá para perceber isto?
- 31:47SPEAKER_00: Portanto, nós convivemos numa sociedade
- 31:52SPEAKER_00: Que ainda se rege pelo catolicismo, mesmo que nós sejamos bruxas.
- 31:59SPEAKER_00: E agora,
- 31:59SPEAKER_00: a pergunta é,
- 32:01SPEAKER_00: como é que nós sustentamos genuinamente uma prática de bruxaria sabendo
- 32:05SPEAKER_00: que codificou não só o símbolo,
- 32:09SPEAKER_00: que foi codificado não só o símbolo,
- 32:11SPEAKER_00: como também a própria bruxaria em si, como maligna?
- 32:15SPEAKER_00: Como é que nós sustentamos esta prática?
- 32:19SPEAKER_00: Isto aqui,
- 32:19SPEAKER_00: nós entramos aqui um bocadinho já no final do nosso episódio de hoje,
- 32:24SPEAKER_00: leva-nos para outros pontos que nós poderíamos explorar também.
- 32:28SPEAKER_00: Por exemplo,
- 32:29SPEAKER_00: praticar bruxaria,
- 32:30SPEAKER_00: eu anotei aqui no meu caderno,
- 32:31SPEAKER_00: praticar bruxaria mesmo que de forma silenciosa,
- 32:35SPEAKER_00: como um ato de resistência, que é, por exemplo, o que me acontece a mim.
- 32:40SPEAKER_00: Eu estando e vivendo numa cidade que até o Presidente da Câmara Não sei o atual,
- 32:47SPEAKER_00: mas o anterior a este,
- 32:50SPEAKER_00: ele publicava nas suas redes sociais que ia à missa,
- 32:54SPEAKER_00: que participava nas procissões e,
- 32:57SPEAKER_00: por um certo lado, já estou aqui a misturar política, não é?
- 33:01SPEAKER_00: Mas faz parte.
- 33:03SPEAKER_00: Até por um certo lado faz sentido,
- 33:05SPEAKER_00: porque é o que está na sociedade,
- 33:07SPEAKER_00: é o que as pessoas querem, é o que a maioria das pessoas vive.
- 33:11SPEAKER_00: Mas, por outro lado,
- 33:13SPEAKER_00: será que nós poderemos misturar a nossa Tradição religiosa com política,
- 33:21SPEAKER_00: com nossos afazeres políticos e publicar numa página que seria pública de todos,
- 33:28SPEAKER_00: portanto, se é de todos, deveria incluir todos, católicos, não católicos.
- 33:36SPEAKER_00: Então, eu vivendo numa cidade que até o Presidente da Câmara faz o grande favor de
- 33:42SPEAKER_00: se misturar nas procissões e tal coisa,
- 33:49SPEAKER_00: Eu sei,
- 33:50SPEAKER_00: e eu não tenho aqui à minha volta pessoas que pratiquem o paganismo ou a bruxaria de
- 33:56SPEAKER_00: uma forma mais nua, mais crua.
- 33:58SPEAKER_00: Portanto, eu tenho gratiluz, não é?
- 34:00SPEAKER_00: Gente gratiluz.
- 34:02SPEAKER_00: E que opta muito mais por ser uma mastreta, que eu costumo chamar.
- 34:08SPEAKER_00: E, portanto, eu escolho fazer a minha prática de forma mais silenciosa.
- 34:13SPEAKER_00: Mas não tem que ser silencioso.
- 34:15SPEAKER_00: Portanto,
- 34:16SPEAKER_00: nós podemos praticar a bruxaria mesmo como um ato de resistência sem ser silencioso,
- 34:24SPEAKER_00: em que eu vou me vestir e vou ser e comportar-me exatamente como
- 34:29SPEAKER_00: a minha crença pede.
- 34:33SPEAKER_00: Depois,
- 34:33SPEAKER_00: outro ponto aqui seria o inconsciente coletivo Como algo que molda e influencia
- 34:39SPEAKER_00: a nossa prática e isto é o motivo ou é exatamente aquilo que eu estava
- 34:46SPEAKER_00: a falar há pouco de uma vez que nós vivemos inseridos na sociedade e
- 34:50SPEAKER_00: se essa sociedade segue variados religiosos que está no calendário,
- 34:57SPEAKER_00: sei lá, obrigatório, não é?
- 35:01SPEAKER_00: Isso significa que nós vamos ter que ter aqui dois calendários.
- 35:04SPEAKER_00: Eu, um calendário lunar,
- 35:06SPEAKER_00: no qual eu sigo,
- 35:07SPEAKER_00: que é mais celta,
- 35:09SPEAKER_00: mas é híbrido, portanto não é genuinamente ou não é inteiramente celta.
- 35:13SPEAKER_00: Porquê?
- 35:14SPEAKER_00: Porque não tem como eu alienar-me de tudo e simplesmente ir para o meio da floresta
- 35:23SPEAKER_00: e ficar lá a respirar prana, a viver de prana.
- 35:28SPEAKER_00: Não tem como eu fazer isso.
- 35:30SPEAKER_00: Na realidade não tem como fazer isso.
- 35:32SPEAKER_00: Portanto,
- 35:33SPEAKER_00: eu tenho que criar e nós,
- 35:35SPEAKER_00: eu acredito que a maioria vive na cidade,
- 35:38SPEAKER_00: portanto é bruxa urbano, não é bruxa urbana.
- 35:42SPEAKER_00: Então,
- 35:43SPEAKER_00: nós sempre temos que nos ir moldando e moldar a nossa prática àquilo que é possível
- 35:50SPEAKER_00: no lugar onde nós estamos,
- 35:51SPEAKER_00: com as pessoas com quem convivemos e até na casa onde nós habitamos.
- 35:58SPEAKER_00: Então, Isto também pode trazer limitações e restrições à nossa própria prática.
- 36:05SPEAKER_00: Porque eu,
- 36:06SPEAKER_00: Morgana,
- 36:07SPEAKER_00: que vos falo, teria muito gosto em ir até ao meu jardim, ao meu campo, não é?
- 36:16SPEAKER_00: Que é um terreno onde tem espaço para cultivo próprio.
- 36:21SPEAKER_00: E adoraria pegar no meu caldeirão, não é?
- 36:24SPEAKER_00: E lá fazer os meus feitiços, os meus rituais à meia-noite.
- 36:29SPEAKER_00: Mas eu posso fazer isso?
- 36:31SPEAKER_00: Poder posso, estou na minha propriedade.
- 36:33SPEAKER_00: A questão aqui é vizinhos,
- 36:37SPEAKER_00: porque normalmente vivo num centro urbano,
- 36:42SPEAKER_00: que não é propriamente no centro em si, mas é urbano.
- 36:46SPEAKER_00: Então a maioria de nós que vivem no centro urbano não se vai propriamente atrever
- 36:50SPEAKER_00: a fazer determinadas ritualísticas para que os vizinhos,
- 36:54SPEAKER_00: porque nós sempre vamos ter o vizinho da frente,
- 36:57SPEAKER_00: de trás,
- 36:58SPEAKER_00: do lado direito,
- 36:58SPEAKER_00: do lado esquerdo,
- 36:59SPEAKER_00: de cima,
- 36:59SPEAKER_00: debaixo do raio que os parta,
- 37:01SPEAKER_00: então nós sempre vamos ter olhos postos em nós,
- 37:06SPEAKER_00: mesmo que num primeiro ritual as pessoas não se apercebam,
- 37:10SPEAKER_00: mas vão começar,
- 37:12SPEAKER_00: em algum momento vão começar a perceber Porque estão acordados até aquela hora
- 37:17SPEAKER_00: e vão começar a perceber que ali aquela pessoa está a fazer alguma coisa
- 37:21SPEAKER_00: que é contra o catolicismo.
- 37:23SPEAKER_00: Lá vai ela para o inferno.
- 37:26SPEAKER_00: Olha que pecadora.
- 37:27SPEAKER_00: Enfim.
- 37:30SPEAKER_00: E muito menos eu posso fazer exatamente como fazem os católicos.
- 37:33SPEAKER_00: A procissão.
- 37:34SPEAKER_00: Eu não posso simplesmente fechar as ruas.
- 37:37SPEAKER_00: Para fazer,
- 37:37SPEAKER_00: ou seja,
- 37:38SPEAKER_00: fechar a minha rua e ir para o meio da estrada fazer o meu ritual com
- 37:43SPEAKER_00: as minhas velas pretas.
- 37:44SPEAKER_00: Eu posso fazer isso?
- 37:45SPEAKER_00: Não posso?
- 37:46SPEAKER_00: Porquê?
- 37:48SPEAKER_00: Porquê que eu não posso fazer isso?
- 37:50SPEAKER_00: Então nós sempre vamos ter aqui também,
- 37:52SPEAKER_00: e há que refletir sobre isto,
- 37:53SPEAKER_00: as limitações e as restrições dentro da nossa própria prática.
- 37:57SPEAKER_00: Em que não somos totalmente livres para praticarmos a nossa bruxaria.
- 38:04SPEAKER_00: E se vocês até podem estar a pensar, ah, mas eu vou para o meio do mato.
- 38:07SPEAKER_00: Exato, nós vamos para o meio do mato,
- 38:09SPEAKER_00: escondidos,
- 38:10SPEAKER_00: num momento em que não está muita gente,
- 38:12SPEAKER_00: por exemplo,
- 38:12SPEAKER_00: agora no verão,
- 38:14SPEAKER_00: é muito complicado uma pessoa ir para o mato fazer um ritual qualquer.
- 38:18SPEAKER_00: Porquê?
- 38:19SPEAKER_00: Vários motivos, mas um deles é que só tem gente no raio do mato.
- 38:23SPEAKER_00: Toda a gente lembra-se de ir para o raio do mato.
- 38:25SPEAKER_00: Fazer piqueniques.
- 38:26SPEAKER_00: Não é?
- 38:27SPEAKER_00: Desculpem quem está com os fones, isso eu gritei muito, guerrei muito.
- 38:32SPEAKER_00: Mas pronto.
- 38:33SPEAKER_00: Um outro ponto,
- 38:34SPEAKER_00: um terceiro ponto aqui,
- 38:37SPEAKER_00: fala-nos também sobre,
- 38:38SPEAKER_00: e este também é um outro ponto que vale a pena refletir,
- 38:41SPEAKER_00: até pode ser uma temática, um tema de um próximo episódio.
- 38:46SPEAKER_00: Necessitar da aprovação alheia para continuar a acreditar no que se acredita.
- 38:53SPEAKER_00: Porque uma vez que nós estamos na bruxaria e que nós vamos contra a maré,
- 39:00SPEAKER_00: nós nadamos contra a corrente,
- 39:05SPEAKER_00: Eu sinto que nós precisamos de ter uma validação,
- 39:10SPEAKER_00: uma alta validação e uma autoaprovação muito fortes.
- 39:16SPEAKER_00: E isso não é propriamente algo que nós já nascemos com ela.
- 39:22SPEAKER_00: Nós vamos aprendendo a lidar e vamos aprendendo a criar uma casca mais grossa em relação a isso.
- 39:31SPEAKER_00: Portanto, vamos utilizar um palavrão, não é?
- 39:35SPEAKER_00: É como se eu tacasse o foda-se, ligasse o botão do foda-se e é isso.
- 39:40SPEAKER_00: E é a minha crença.
- 39:42SPEAKER_00: Quem gosta, gosta.
- 39:43SPEAKER_00: Quem não gosta, que vá, como se diz aqui no Norte, na minha zona, que vá por caralho.
- 39:50SPEAKER_00: É basicamente isso.
- 39:52SPEAKER_00: Então eu sinto que quando nós,
- 39:56SPEAKER_00: e o meio,
- 39:57SPEAKER_00: lá está,
- 39:57SPEAKER_00: o meio envolvente também vai ter a sua cota-parte de responsabilidade nisto,
- 40:02SPEAKER_00: porque Se nós vivemos num meio,
- 40:05SPEAKER_00: e estou a falar de pessoas com as quais nós vivemos,
- 40:09SPEAKER_00: convivemos,
- 40:11SPEAKER_00: amizades,
- 40:12SPEAKER_00: familiares,
- 40:13SPEAKER_00: estamos a falar também de trabalho,
- 40:16SPEAKER_00: e que nós sempre temos que nos esconder,
- 40:21SPEAKER_00: é muito mais importante,
- 40:22SPEAKER_00: nós temos muito bem definidas as nossas crenças,
- 40:27SPEAKER_00: Em que é que eu acredito,
- 40:29SPEAKER_00: em que é que nós acreditamos para que o meio envolvente não comece a descredibilizar
- 40:36SPEAKER_00: a nossa crença e nós comecemos também a duvidar de nós próprios e da nossa crença.
- 40:42SPEAKER_00: Então aqui há um reforço,
- 40:44SPEAKER_00: eu considero que ser muito importante haver aqui um reforço,
- 40:49SPEAKER_00: De auto-aprovação e auto-validação sem precisarmos necessariamente de alguém de fora
- 40:56SPEAKER_00: para nos validar e validar a nossa própria prática.
- 40:59SPEAKER_00: Portanto,
- 41:00SPEAKER_00: para finalizarmos aqui o nosso episódio,
- 41:02SPEAKER_00: e agora gostaria da vossa participação também,
- 41:04SPEAKER_00: para deixarem nos comentários,
- 41:07SPEAKER_00: o que é que vocês consideram ou quais são as vossas reflexões sobre a pergunta
- 41:12SPEAKER_00: que eu vou deixar aqui no ar.
- 41:14SPEAKER_00: E depois com isso me despeço.
- 41:16SPEAKER_00: Como é que continuas a acreditar na bruxaria,
- 41:18SPEAKER_00: com convicção,
- 41:20SPEAKER_00: sabendo que a sociedade à tua volta ainda associa isso ao mal,
- 41:25SPEAKER_00: sem essa associação afetar-te ou fazer-te duvidar de ti própria?