Latest / ED Podcast [@arthurdantaslemos] / COISA DE RICO #XVI - A RINHA (CLUBE DO LIVRO)
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- 0:08Senhoras e Senhores, muito sejam muito bem-vindos.
- 0:12Vamos aqui para mais um episódio, coisa de rico comigo,
- 0:16uma pessoa muito rica. Bruno Maia Soares, como é que
- 0:19nós estamos? Vamos nessa é.
- 0:21A gente vai entrar agora num num trecho do livro chamado Arrinha,
- 0:24não é a quarta parte do livro. E emendando aqui, né?
- 0:27Chegando próximo do final, porque depois dessa parte vão
- 0:29ter alguns capítulos curtos, inclusive.
- 0:32A gente vai entrar depois na parte chamada os ricos de
- 0:35verdade, e aí é caminhando realmente para o fechamento,
- 0:38então passamos da metade. Então vamos lá bem medo o fato
- 0:43de operarmos a diferença com os pés fincados no manejo das
- 0:47coisas de rico amigos, redes de relações, experiências, objetos,
- 0:50situa os engenheiros brasileiros entre 2 dilemas, um da ordem do
- 0:54permeável, o outro do paranoico. Vamos entender o que é que ele
- 0:57quer dizer com isso? O primeiro é fácil de entender,
- 0:59ao contrário do modelo francês ou americano.
- 1:02A operação da diferença à brasileira.
- 1:05É mais aberta a novos entrantes, um cartão de crédito com limite
- 1:09generoso para bancar as parcelas de uma coisa de rico já é um
- 1:12passo na garantia de reconhecimento.
- 1:14No entanto, a facilidade com que os ar revistas se metem no
- 1:19grémio provocam a paranoia nas elites.
- 1:22Eis aqui o segundo dilema, sabendo que com a posse e o
- 1:25manejo correto das coisas de ricos, os de fora terão a chance
- 1:28de disputar reconhecimento em seus círculos.
- 1:32As elites fazem de tudo para conservar seus modos e estilos
- 1:35de vida o mais Longe possível dos outros grupos sociais.
- 1:38Contato é contágio, já sabe, né? Tombo topada, queda e formiga é
- 1:44tire queda. É uma casa tomada por formigas.
- 1:48É uma vida presta ruir pela inveja.
- 1:50Precisa acabar com elas, escuta, emendou numa pausa longa, antes
- 1:55que elas acabem com você. o Conselho poderia ter saído da
- 1:58boca de Augusto Tessão e Lair, pesquisador francês em viagem ao
- 2:02Brasil no século 19, mas foi dito por doutor ou de Aurora,
- 2:08dona Aurora, perdão, Senhora de mais de 90 anos, acionista de um
- 2:13banco privado na varanda de uma mansão no Morumbi, na capital
- 2:16paulista. Há 200 anos, aí só lembrando né
- 2:20que Oo. Oo Conselho de Dona Aurora foi
- 2:23já sabe, não é? Tomo topada aqui, é de formiga,
- 2:26é tira e queda uma casa tomada por formigas é uma vida presta
- 2:29ruir pela inveja, precisa acabar com elas, tá?
- 2:33Então é há 200 anos em uma longa viagem para catalogar fauna e a
- 2:38flora brasileira, San e Lair deixou como herança um axioma
- 2:42que NOS acompanha até Hoje, ou o Brasil acaba com a saúva ou a
- 2:46saúva acaba com o Brasil? A ideia caiu tão bem no
- 2:49pensamento brasileiro que vez ou outra, as saúvas voltam a boca
- 2:52do povo. Lá estavam elas no centro dos
- 2:55tormentos de Policarpo Quaresma, personagem da obra de Lima
- 2:59Barreto. Depois de tomarem o seu sítio e
- 3:02colocarem em risco o seu patrimônio e de novo nas
- 3:05elucubrações de Macunaíma, o herói sem caráter de Mário de
- 3:08Andrade ao resumir o destino nacional pouca saúde e muita
- 3:13saúva, os males do Brasil. O ponto comum ao pensamento de
- 3:19dona Aurora e de seus antecessores, mora na ideia de
- 3:22que onde há saúva, há risco de perda material em suas múltiplas
- 3:27versões. A narrativa mítica dá a esses
- 3:30insetos um lugar especial no imaginário brasileiro.
- 3:33Eles são mais do que meros figurantes na fauna.
- 3:36As formigas são seres do entre. Apesar de transitarem
- 3:41tranquilamente pelas casas, não podem ser consideradas animais
- 3:44domésticos. Estão tão distantes dos pets
- 3:47como a Terra dos céus, mas também estão Longe de serem
- 3:50vistas como animais selvagens. Convivem com as baratas, os
- 3:53ratos, as traças, os as moscas, os cupins e os mosquitos, todos
- 3:57na mesma situação, limiar, liminar, perdão.
- 4:01Mas ao contrário dos vizinhos de categoria, elas só oferecem
- 4:04perigo quando estão em bando um único rato, uma barata ou os
- 4:10Unidos de um mosquito solitário pode NOS enfrentar NOS fazer
- 4:13enfrentar noites em claro sem piscar os olhos, mas uma formiga
- 4:17sozinha é só uma formiga, não tire o sono de ninguém.
- 4:20As formigas só despertam medo se aparecerem aos Montes
- 4:23organizadas como um exército com general soldados e recrutas.
- 4:28Elas comem pelas beiradas, agem aos sussurros, surrupiam
- 4:31patrimônio de pedacinho em pedacinho.
- 4:34As vítimas restam 3 alternativas, destruir o
- 4:37formigueiro, demarcar bem as fronteiras ou, por fim, se
- 4:41fortar demais abandonar o bem em nome da própria sanidade.
- 4:46Os gicos brasileiros lidam com os de fora, como se eles fossem
- 4:49saúvas sozinho. Um pobre ou remediado é
- 4:54inofensivo aos Montes, são um perigo e podem colocar em risco
- 4:58o funcionamento do mundo dos ricos.
- 5:00Olha aí. Assim como as formigas, eles são
- 5:03dominados por uma sanha impossível de satisfazer quando
- 5:06o objetivo é distinção, 1 hora ou outra, o exército se embrenha
- 5:10pelos bairros nobres e copia os hábitos dos Endinheirados,
- 5:13devorando a capacidade imaginativa das coisas de rico
- 5:17de maneira silenciosa. Resta às elites o desafio de
- 5:20manter ativa a operação de diferença para detê Los, como
- 5:23fazem com os insetos. Eles agem de 3 modos.
- 5:27Trabalham ativamente para acabar com o foco do problema, se unem
- 5:31para levantar os muros invisíveis da distinção ou se
- 5:35não houver mais jeito, deixam para trás antigas formas de
- 5:38viver e partem em busca de outras.
- 5:42Ao longo da vida, por algumas vezes, dona Aurora deixou para
- 5:46trás a rotina com medo do ataque das Saúvas.
- 5:49Filha da elite da Terra de Araraquara, no interior de São
- 5:52Paulo, ela morou em um casarão na Avenida Paulista durante a
- 5:55infância, com um sopro de modernidade pós Segunda Guerra
- 5:58Mundial, a família decidiu se mudar para os enormes
- 6:00apartamentos no centro da cidade, tidos como modernos e
- 6:03conectados aos modos de vida da metrópole.
- 6:06Pouco tempo depois, viram a incursão das camadas médias ao
- 6:10bairro. Novos edifícios com apartamentos
- 6:12de um ou 2 dormitórios sem suntuosidade das primeiras
- 6:16construções tomaram aquela região.
- 6:18Foi o suficiente para a debandada.
- 6:21Parte dos bem nascidos disparou em fuga para o sossego de
- 6:24Higienópolis, bairro próximo. Outro grupo seguiu para os
- 6:27jardins. Em uma última leva, debandou
- 6:29para o Itaim Bibi, enquanto os saudosos dos tempos das mansões
- 6:33ocuparam os quarteirões do Jardim Europa.
- 6:36Na Na derradeira fuga NOS anos de 80980, dona Aurora deixou o
- 6:42edifício prudência na Avenida Higienópolis, o mais chique do
- 6:45bairro. E acompanhou.
- 6:52O mais chique do bairro e acompanhou o fluxo dos vizinhos
- 6:54ricaços que já não suportavam conviver com gente sem sobrenome
- 6:58filhos de imigrantes das camadas médias.
- 7:01Cansada, dona Aurora seguiu para o Morumbi vendido como um
- 7:05Paraíso blindado contra foram ela, acreditou Hoje como estamos
- 7:09aqui no Morumbi, ilhados no meio do Paraisópolis.
- 7:12A essa altura, na minha idade Eu Não saio mais.
- 7:14Esse é um problema sem solução. Devemos ter agido antes.
- 7:19É o que andam fazendo os chicassos NOS bairros nobres da
- 7:22capital paulista, agindo antes de o problema não ter solução,
- 7:25enfim, fazendo o possível para deter o formigueiro.
- 7:27Em 2010, o Governo do Estado de São Paulo decidiu ampliar a
- 7:30malha metroviária na capital. O plano prevê inaugurar no
- 7:33Coração de anópolis a estação Angélica.
- 7:36Como repete, como repete o Fábio Curi, Presidente de uma
- 7:39construtora especializada em prédios populares, o gicasso, o
- 7:43gicassos perdão. Defendem o progresso, mas not in
- 7:48my backward, my backyard, ou seja, não no meu quintal.
- 7:51A associação defende Higienópolis fez o esperado
- 7:54organizados, os líderes saíram pelas ruas do bairro colhendo
- 7:57assinaturas bateram à porta de judeus, filhos de imigrantes
- 7:59italianos, diretores de cinema, artistas plásticos, escritores
- 8:02renomados, políticos do PSDBE, outros moradores espalhados
- 8:05pelos prédios dos tempos áureos da arquitetura paulistana.
- 8:09O abaixo assinado pedia o fim das obras do metrô.
- 8:12Segundo o documento, o transporte Público traria um
- 8:15intenso fluxo de torcedores e espectadores de shows ao Estádio
- 8:18do Pacaembu, um bando de camelões e certamente uma
- 8:21enxurrada de roubos. Dos assaltos a porta dos
- 8:24intocáveis formigas em entrevista à folha de São Paulo,
- 8:27Guiomar Ferreira, morador é morador e psicóloga, com um
- 8:31consultório no bairro, resumiu a perceção dos assinantes do
- 8:34documento abre aspas, Eu Não uso metrô e não usaria isso vai
- 8:37acabar com a tradição do bairro. Você já viu o tipo de gente que
- 8:40fica ao redor das estações de metrô drogados, mendigos, um
- 8:43agente diferenciado. A sinceridade de guiomar não é
- 8:47comum entre os ricos brasileiros.
- 8:49Eles pensam, mas não falam ainda mais de forma pública.
- 8:53Em geral, eles se valem de subterfúgios para camuflar o
- 8:55desespero pelo afastamento dos mais pobres, sempre com algum
- 8:59álibi técnico neutro ou científico sobre as mangas.
- 9:02Quem cumpriu bem o mandamento foi Mário Carvalho, síndico de
- 9:05um prédio do bairro. Na confusão, A Caça de uma
- 9:08desculpa técnica se lembrou do velho diploma de engenheiro com
- 9:11ares de doutor disse ser contrário ao prosseguimento das
- 9:15obras por razões. Puramente técnicas, Eu Não sou
- 9:19contra o metrô passar pelo bairro, mas essa estação fica a
- 9:22menos de 1 km da estação Higienópolis.
- 9:24A proximidade, inclusive, aumenta custos de manutenção dos
- 9:27trens devido ao arranque e a frenagem em curto espaço de
- 9:30tempo. Àquela altura, a fantasia de
- 9:33antropólogo de luxo já me rendia além da oportunidade.
- 9:37Além, já me rendia perdão, além de oportunidade de pesquisa,
- 9:40alguns trocados como ocasional. O consultor de negócios aluguei
- 9:44um apartamento próximo aos dos quatrocetões da cidade por
- 9:48proximidade. Às vezes me deixava levar pelo
- 9:50discurso nativo, pelas explicações dos moradores para o
- 9:53próprio comportamento, até que a verve.
- 9:56De pesquisador voltava, meus vizinhos estavam dispostos a
- 9:59tudo para manter os muros de pé. Ao lado das associações de
- 10:03moradores e seus representantes, eles estavam ali para deter
- 10:06qualquer mudança capaz de colocar em risco a força das
- 10:11cancelas guaritas e fronteiras. Essa não é uma especificidade
- 10:15paulistana na Gávea e em Ipanema, bairros da zona sul
- 10:18carioca foi também pública a revolta de moradores com a
- 10:21possível chegada do Metrô. Eles se diziam contra o uso do
- 10:25Tatuzão, uma escavadeira faminta por tirar Terra, pedra e areia
- 10:30para a construção dos túneis e saíram em defesa de um punhado
- 10:33de árvores na Praça nossa Senhora da paz, ponto central do
- 10:36Rio. Ponto central do bairro perdão,
- 10:39mas todos sabiam que o real interesse era barrar A Chegada
- 10:42dos forasteiros. Até Hoje.
- 10:44A Gávea não tem estação de metrô por lá, todos dormem em paz
- 10:47sobre os túneis já prontos vazios por debaixo da Terra. no
- 10:52Brasil, quando o mundo dos ricos roça NOS de fora, a vida é
- 10:55tomada por tensão. As elites protestam, param
- 10:59obras, congelam investimentos e estimulam ondas conservadoras,
- 11:02derrubam presidentes, não golpes, batalham enfim, tudo
- 11:05isso para manter as coisas como sempre foram.
- 11:07Essa no seu devido lugar? Em geral, a tensão se traduz em
- 11:11um cardápio de um discurso de medo em um estalar de dedos.
- 11:15Os órgãos de comunicação, os encontros NOS clubes, as
- 11:17reuniões na nas mesas dos se levels, das multinacionais.
- 11:23As conversas abriram A Piscina e os antigos artigos dos
- 11:26formadores de opinião viram porta-vozes de um medo extremo,
- 11:29Louise herdeira, de um dos maiores grupos exportadores de
- 11:32papel e celulose da América Latina.
- 11:35Estava indignada quando NOS encontramos em um restaurante no
- 11:37Leblon. A razão do balmor da jovem
- 11:40artista era o problema de uma amiga por aqueles dias, a Atriz
- 11:43Guilhermina Guinle tinha levado bola preta no country Club.
- 11:47Juntei minha ignorância com os índices alarmantes da violência
- 11:51urbana no Rio de Janeiro e danei a lamentar uma suposta saraivada
- 11:54de tiros da qual a atriz fora vítima.
- 11:56Errei que tira o garoto, que tiro muito pior do que isso.
- 12:01Ela tomou bola preta de quem viu ela nascer.
- 12:05Falsidade pura, você não está entendendo nada a bem da
- 12:09verdade. Eu Não estava mesmo.
- 12:10Eu Não fazia ideia de que a poucos quilômetros dali, por
- 12:14detrás dos altos muros do número 1597 da rua prudente de Morais,
- 12:17o quarteirão mais caro da América Latina estava um dos
- 12:20espaços mais exclusivos do país. Criado em 1916, inspirado nas
- 12:24agremiações dos Cavaleiros ingleses, o Country Club mantém
- 12:26a aura de PETI comitê. Um certo ar de intimidade de
- 12:35quem se conhece as gerações. Os herdeiros fazem dos jardins
- 12:38da piscina e das quadras de tênis uma extensão das salas de
- 12:41estar EE transitam de um canto a outro com a Tranquilidade de
- 12:46quem não precisará lidar com estranhos de lá para cá, a
- 12:50quantidade de títulos segue a mesma.
- 12:52São 850 sócios predestinados ao privilégio.
- 12:57Isso porque, como me contou Louise, para transitar pelos
- 13:0012000 m do country. É preciso mais do que dinheiro é
- 13:04destino, Michel. Mesmo que você ganhe na Loteria,
- 13:08conquiste o prêmio do Big Brother Brasil e tenha dinheiro
- 13:11suficiente para comprar um dos títulos.
- 13:13A venda precisará enfrentar uma minuciosa avaliação das Origens,
- 13:17um olhar cuidadoso sobre a trajetória e o rigoroso
- 13:19escrutínio dos outros sócios, como manda a tradição importada
- 13:24da Inglaterra. Depois de comprarem um título,
- 13:26os novatos têm de articular as relações, devem ligar para boa
- 13:31parte dos tradicionais frequentadores para os membros
- 13:35do Conselho e apresentar as próprias credenciais.
- 13:38Quando tiverem apoio suficiente, uma ficha com os dados pessoais
- 13:41dos novos entrantes será afixada na pedra nome dado.
- 13:46Ao quadro de avisos na entrada da sede na data combinada, o
- 13:50aceite será avaliado pelos conselheiros.
- 13:53Uma urna passará de mão em mão na reunião do grupo para que
- 13:55cada votante possa dar seu veredito.
- 13:58Bolas brancas em diferenças, cubos vermelhos, aprovação e
- 14:01cilindros e cilindros, cilindros pretos, rejeição, caberá ao
- 14:06grupo definir se os novatos estão ou não predestinados a
- 14:09transitar pelos corredores do clube.
- 14:11Guilhermina, filha de sócio, foi em paz na busca pela própria
- 14:15titularidade. Jamais imaginou o abate.
- 14:18Herdeiro dos guindi. Os contos os construtores de do
- 14:22Copacabana Palace e Bisneta de Carlos Sampaio, antigo prefeito
- 14:28da então capital federal e fundador do Country.
- 14:30Ela transitava pelos corredores da agremiação desde a barriga da
- 14:34mãe. Tinha certeza de que a tradição
- 14:37seria um empurrão suficiente para a aprovação.
- 14:40Não foi? Levou 5 bolas pretas e teve a
- 14:44entrada negada. Louise e Guilhermina se
- 14:47conheceram no deque da piscina do clube ainda quando crianças
- 14:51são mais de 40 anos de amizade com o passar dos anos
- 14:55continuaram próximas porque decidiram assentar com
- 14:58generosidade as escolhas diferentes uma da outra.
- 15:02Na entrada da fase adulta, uma optou por ser artista plástica,
- 15:05curadora de exposições, se casar com um colega da escola e cuidar
- 15:09dos filhos numa mansão na Gávea. A outra virou atriz de novela,
- 15:13figura fácil nas capas de revista, 3 casamentos e uma vida
- 15:16fora dos. De descrição dos frequentadores
- 15:19do country. Foi isso que complicou a vida
- 15:21dela, me disse a Luiza. Jamais, eles aceitariam uma
- 15:24atriz, muito menos uma atriz. Casa descasa casa, descasa com o
- 15:27título no clube, quem seria o próximo a encontrar na piscina
- 15:30do clube? Fábio Júnior já foi José Wilker
- 15:32também tem um advogado de agora. Quem será o próximo?
- 15:36A revista veja foi atrás da história.
- 15:38O problema era o marido da vez, Leonardo Pietro Antonelli
- 15:42costuma. Constava ao lado de Guilhermina
- 15:44na ficha depositada para avaliação na pedra, filho de uma
- 15:48família de classe média do leme. O advogado ficou rico pela
- 15:52clarividência tributária. Assim como gurus veem espíritos
- 15:56de mortos, ele descobre brechas na lei e faz seus clientes
- 15:59driblarem as garras do leão e economizarem milhões de reais em
- 16:03impostos do montante. Leva uma parte dinheiro
- 16:06suficiente para bancar uma vida de sultão em um Palácio no topo
- 16:09de um prédio de Ipanema. Apesar de compartilhar o CEP com
- 16:13o clube, os sócios não o queriam dentro dos muros do country.
- 16:17Alguma distância precisava ser mantida.
- 16:20Antonelli tinha dinheiro, mas não tinha uma origem à altura
- 16:23dos confrates. Ele é uma revista, um
- 16:27nouveauish, um novo rico era como o ranço de classe, tomava a
- 16:31boca dos tradicionais quando o mundo dos de fora trisca nas
- 16:36altas rodas. Alguém tem de organizar um
- 16:38levante para deter o desafeto, as narrativas de medo.
- 16:42E junto delas as primeiras tentativas de restaurar as
- 16:44distâncias e uma intensa batalha para definir Quem é Quem
- 16:48inicia-se uma enxurrada de boatos e histórias sobre a
- 16:51trajetória. Do Postulante para que o medo se
- 16:54instaure na maior parte das vezes, os boatos se apresentam
- 16:57de forma fragmentada numa fofoca no meio de uma piada.
- 17:01Perdidos em um comentário bobo em algum debate ou com uma
- 17:04brincadeira na boca de Presidente da associação de
- 17:06moradores Fajuta, até que, depois de serem repetidas
- 17:09exaustivamente, assumem o centro das Narrativas sobre a vida
- 17:13quotidiana e criam a ideia do perigo do outro.
- 17:17As narrativas do medo entre os ricassos brasileiros são muito
- 17:20mais do que anedotas ou xistes descompromissados.
- 17:24São formas antecipatórias do agir e do pensar.
- 17:28Elas antecedem as práticas sociais no sentido de abrir um
- 17:32campo para elas, como bem mostrou o historiador francês
- 17:34Michel de Sorteaux. No caso de Antonelli, o
- 17:37burburinho se deu em torno de uma festa no iate pink Fleet, do
- 17:41bilionário Eike Batista. Como se não bastasse a junção da
- 17:45palavra festa com emergente mal visto.
- 17:49Lembram do cancelamento do casamento de Eike com com a
- 17:51patricinha bem, tudo isso em um barco jumbo ostentação.
- 17:56Os boatos carregavam as tintas em uma suposta briga entre o
- 18:00advogado e a ex mulher juíza do Tribunal de Justiça do Estado do
- 18:04Rio de Janeiro é roçando na língua de Camões, trabalhando o
- 18:07verbo que diante do medo, os indierários brasileiros reforçam
- 18:10a distinção, impõem separações, constroem muros, delineam e
- 18:15encerram espaços, estabelecem distâncias, segregam,
- 18:18diferenciam, impõem proibições. Multiplicam regras de regras de
- 18:24exclusão e de evitação e restringem movimento.
- 18:27Como demonstrou Tereza Caldeira em cidade de muros.
- 18:30Se o contato desorganiza o modelo classificatório das
- 18:33elites, as narrativas de medo e do perigo o reorganizam e
- 18:37restabelecem as fronteiras entre os de dentro e os de fora.
- 18:40Ponto central da distinção brasileira.
- 18:42O medo é a última tentativa para deter o avanço das saúvas.
- 18:46Quando soube Antonelli tentou se defender, não adiantou bola
- 18:50preta neles. É sensação que esse capítulo
- 18:55poderia ter a metade do. Do do tempo aqui, porque assim
- 19:00acho que a ideia já já tinha sido passada, concordo.
- 19:04Ele passou a ideia no início do capítulo, inclusive depois ele
- 19:06trouxe esse exemplo que eu acho que é um exemplo muito.
- 19:10Talvez muito fora da curva, não é assim OOO efeito.
- 19:13Que não, mas assim o foi mal Oo exemplo, OK?
- 19:16Não é que assim porra vai estar putasse A Bola preta country Oo
- 19:21clube aqui não é sim é é porra só os de dentro tem filtro, não
- 19:26é para qualquer um, mesmo que o cara tenha dinheiro não garante
- 19:29e tal é OK mas o. Aí por todos os detalhes de vai
- 19:35de como foi e tal não sei o que EE.
- 19:36Enfim, achei analogia brilhante da Saúva, Né?
- 19:40Das formigas, então um OK, mas puta merda, daqui a pouco vai
- 19:45vir um metrô para cá ou muitos ou aham né.
- 19:47Aí aí está, está está invadindo meu espaço, não quero, não é.
- 19:50Eu quero operar essa diferença aqui.
- 19:51Eu quero preservar isso. Mas você vê que tem.
- 19:56Tem um olhar? Social, mesmo assim, de de como
- 20:00pensam, não é como se comportam. E aí daqui achei que a gente ia
- 20:04falar da de filhos, mas não é filhos, não é?
- 20:06O próximo capítulo, é finos. Não é isso isso?
- 20:08Isso isso. Beleza temos um episódio, não é
- 20:13brunão? Algum comentário adicional?
- 20:15Não. Não era só reforçar mesmo essa
- 20:16ideia do da dessa parte social. Achei interessante AA leitura
- 20:19dele EOO exemplo. É um é um exemplo, não é dessa
- 20:25questão social, mas eu acho que também é uma coisa muito
- 20:26específica para de um grupo fechado.
- 20:28Ali não é? Enquanto quando ele fala a
- 20:30relação a um bairro, por exemplo, é algo muito mais.
- 20:33Percetível aplicável Sei Lá. É uma coisa interessante, é?
- 20:39Coisas que tem aquele o que você vê é tudo que há, não é o
- 20:43visiate, não é? Então é como, por exemplo.
- 20:48Em algum momento houve uma briga matrimonial?
- 20:54Importante, talvez até uma rutura.
- 20:58Por quê? É o cônjuge percebeu que ele
- 21:03estava tendo dificuldade de acesso por conta do cônjuge.
- 21:09Isso é maluco, né velho e acontece, certamente acontece
- 21:14bem. Ficamos aqui nós com as nossas
- 21:16reflexões e a gente se encontra no próximo capítulo do coisa de
- 21:20rico para continuar entendendo como que estes funcionam, pensam
- 21:24e operam a diferença. Espero encontrar com você no
- 21:26próximo episódio um forte abraço.