Latest / Ultravioleta Podcast / Ep.8 - Queering políticas públicas, desafiando o status quo
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- 0:05Ultravioleta o teu podcast além do visível, sejam bem vindos a
- 0:11mais um episódio do ultravioleta, como sempre, uma
- 0:14vez lembro, me outra vez esqueço, me aproveito para pedir
- 0:17para ativares o sininhos das notificações e para seguires o
- 0:22podcast também nas plataformas em que nos ouves, porque isso
- 0:24ajuda nos a crescer. E já agora, se nos fores
- 0:28classificar a nota mínima é 5 estrelas, como é óbvio.
- 0:32No Instagram, se quiseres segue nos em ultravioleta, pode, pode,
- 0:36porque aí já podes mandar mensagens interagindo connosco e
- 0:40também ver as antevisões dos episódios.
- 0:44Para o episódio de hoje temos um querido amigo meu Diego Galego.
- 0:49Vamos ter um episódio um pouco mais académico isto.
- 0:52Como sabem, os episódios vão variando bastante.
- 0:55Essa é uma das para mim, uma das grandes vantagens deste podcast.
- 0:58E vamos falar de um livro. Que neste momento ainda está no
- 1:03prelo, que é um livro que o Diego vai lançar nos Estados
- 1:07Unidos. Já vamos saber mais mais
- 1:08detalhes sobre isso. Diego muito bem-vindo aqui a
- 1:12este podcast. Olá Miguel, muito obrigado pelo
- 1:16convite poder estar aqui com o Miguel agramonte, que é um autor
- 1:21que eu também já tenho seguido há um certo tempo e admiro.
- 1:25Também a sua escrita e os seus detalhes, a sua precisão na
- 1:28língua portuguesa, então, ou seja, é uma satisfação e um
- 1:31prazer estar aqui. Vá muito, muito obrigado.
- 1:34Isso são só aqui uma troca de galhardetes, mas que fica sempre
- 1:37bem. Vamos fazer aqui. 11 introdução
- 1:41à à à vida do Diego, para os nossos ouvintes conhecer lhe um
- 1:44pouco melhor o Diego, ele começa os seus estudos, os estudos
- 1:48superiores, num seminário. Portanto, é uma instituição
- 1:51religiosa onde ficaste mais de 7 anos, creio eu.
- 1:54Sim, 7 anos e meio. E aí tiveste a licenciatura
- 1:57filosofia, não foi? Tens.
- 2:02Mais do que uma. Comecei a segunda licenciatura
- 2:04em Coimbra, mas completei. Muito bem.
- 2:07A loucura da pessoa de querer tirar uma segunda licenciatura
- 2:11em línguas modernas, e não, não fazia sentido.
- 2:15Licenciatura no Brasil esse seminário foi foi no Brasil.
- 2:19O Diego vem então para Portugal, vem para Aveiro, onde eu o
- 2:22conheci. Tirar o mestrado foi o mestrado.
- 2:25Em quê, Diego? De Aveiro dá depois um Salto até
- 2:30à Bélgica, certo? Sim, e aí sim, aí vou para
- 2:34lovaina, universidade católica de lovaina, para fazer o
- 2:39doutoramento em ciência política, mas com foco muito
- 2:43específico em políticas públicas.
- 2:46E é aí que começa o tema todo que dá origem a este episódio,
- 2:50porque da tese do seu doutoramento, o que é que
- 2:54aconteceu? Há depois uma discussão.
- 2:56Há depois ali uma ideia, como é que hei de dizer, vamos lá
- 2:58começar aqui AA contar a história aos nossos ouvintes?
- 3:02O livro, esse livro atual, não é que eu, que eu, que eu estou
- 3:05agora aqui? AA terminar de fazer toda a
- 3:07parte de revisão desse livro. Não é o pearing public policy.
- 3:11Ele tem origem, sim, no nos meus estudos do doutoramento, que
- 3:16também tem o mesmo nome, crein public policy, mas
- 3:20especificamente sobre o Brasil, esse foi o tema do doutor.
- 3:23E agora eu tive um. Eu tinha uma disputa muito
- 3:27forte, uma das avaliadoras do do do comitê avaliador, né?
- 3:32E a professora de Bruxelas, ela é politóloga também.
- 3:38E, mas com uma visão muito específica da ciência política,
- 3:41que era o feminismo mais radical da ciência política.
- 3:46E ela dizia que as teorias que eu estava a utilizar, que é a
- 3:49teoria queer, a teoria queer era uma teoria muito recente.
- 3:54A teoria queer não tinha ainda estruturas e bases consolidadas.
- 4:00E as teorias feministas já tinham por mais, muito mais
- 4:04tempo, já eram muito mais. Consolidasse.
- 4:06E ela dizia que então as teorias finistas já poderiam me ajudar a
- 4:10compreender a dinâmica, o processo, como que as queer eram
- 4:15formuladas, criadas, desenvolvidas ou implementadas.
- 4:20E, entretanto, isso era a parte teórica, né?
- 4:22Essa era essa. Esse era o nosso debate teórico,
- 4:25porque depois o que eu dizia era que mas a realidade que eu tenho
- 4:29analisado, que era a realidade brasileira naquele período, não
- 4:33me dá. Os resultados não me não me
- 4:35demonstra realmente isso que a teoria feminista tem me forçado
- 4:40a ver. Ou seja, a teoria feminista
- 4:43então tem me ajudado a compreender a realidade a partir
- 4:46da da perspectiva da realidade em si mesma.
- 4:49A teoria feminista tem me me forçado a ver uma realidade que
- 4:54não é necessariamente é existente, né, na prática?
- 4:58É, eu aqui vou ter que pedir 11, pausa.
- 5:00Para nós começarmos a introduzir estes conceitos para os nossos
- 5:03ouvintes. O que é que é a teoria
- 5:05feminista? E que falhas é que tu
- 5:07identificaste na teoria feminista para a aplicares
- 5:12àquilo que se chamas realidade é a realidade de queer.
- 5:15Vamos lá, então, 2 perguntas não somam.
- 5:18É perfeito. Ou seja, a grande diferença de
- 5:22da teoria feminista para a teoria queer é, quer dizer, a
- 5:25teoria queer é derivada da teoria feminista.
- 5:29Ok, a teoria feminista surge com os movimentos sociais dos anos
- 5:3360 e setentas, que é analisar o mundo com uma perspectiva também
- 5:40da do feminismo, ou seja, que existe desvantagens em relação a
- 5:47mulheres e a pessoa, a feminina na sociedade e tem muitas
- 5:52desvantagens, ou seja, o mundo é basicamente.
- 5:55Visto que o homem é o principal em tudo para fazer política,
- 6:01para fazer negócios, ou seja, a questão econômica.
- 6:03Questão política, ou seja, quem são os políticos e a questão
- 6:07social. A prioridade do mundo era sempre
- 6:10raramente masculina, ou seja, tudo que nós tínhamos e víamos
- 6:15era como uma perspectiva muito masculina.
- 6:17E a teoria feminista vem então rebater essa perspectiva.
- 6:21Porque o mundo era feito por. E para o homens?
- 6:25Essa era muito a visão, exatamente e, ou seja, quando
- 6:29que mulheres ou quando que sim. É isso, quando que as mulheres
- 6:33têm, por exemplo, direito a voto?
- 6:35Quando que mulheres deixam, ou seja, saem da cozinha e do
- 6:39tanque de lavar roupa pra ir também trabalhar?
- 6:43EE se mostrar na sociedade com a autonomia, com empoderamento,
- 6:48com uma perspectiva mais independente.
- 6:52A partir desse momento que existem os os movimentos
- 6:55feministas, que vão então criar essa nova, digamos, Liberdade,
- 7:00né? Que inclusive são reconhecidos
- 7:02como movimentos. É liberacionistas, tanto do lado
- 7:07feminista quanto depois do movimento LGBTE, também nesse
- 7:12período setentas oitentas, né? E aí vamos ter depois a questão
- 7:17do Hive, da AIDS, que dar mais visibilidade ao movimento LGBT.
- 7:22Vai criar também muitas outras, muitos estigmas, muitas
- 7:27segmentações, problemas também. Mas tem também uma parte de
- 7:32benefício em termos de que olha o movimento LGBT que era
- 7:35completamente esquecido na sociedade ou que era.
- 7:39Não necessariamente. Esquecido era exato.
- 7:42Ou seja, vivia em guetos. Vivia invisibilizado, então.
- 7:47Agora a sociedade não tem como mais e mais não enxergar a
- 7:52realidade. Existe uma epidemia, e que foi a
- 7:55epidemia do HIV, da artes, né? Dos dos oitentas até mais
- 8:00proemirantemente noventas, né? Uns 10 anos até que conseguiram
- 8:04conter, então. Ou seja, isso já não é mais algo
- 8:07que pode se manter invisível. E a teoria queer surge a partir
- 8:13da teoria feminista que é, ou seja, a teoria feminista.
- 8:17Conceptualiza o mundo com a visão ainda binária.
- 8:21Existem o homem e a mulher, o feminino e o masculino.
- 8:26Os estudos gay e lésbicos também tem muitas.
- 8:30Ainda tinha essa muito essa perspectiva do feminino, do
- 8:34masculino, do homem e da mulher. A teoria queer.
- 8:37O que vem trazer é uma visão mais radical.
- 8:42E mais crítica sobre a questão de sexo, sexualidade,
- 8:46identidade, que é, ou seja, nós não temos só um sexo 11
- 8:52identidade, ou seja, temos aqui algo que é mais fluido.
- 8:57E a partir dessa fluidez é que então se pode?
- 9:01Não, não, não temos uma visão binária do mundo.
- 9:04E só existe homem e mulher? Não, nós temos aqui uma é, é
- 9:09mais abrangente, ou seja, em questão de identidade é muito
- 9:11mais abrangente. Porque, por exemplo, eu citar
- 9:14alguns nomes, Michel Foucault que foi um dos dos primeiros,
- 9:18né? AA, trabalhar as questões do
- 9:20poder e as questões do sexo, da sexualidade na sociedade e
- 9:25depois a Judith Butler, que vão fazer o quê?
- 9:28Vão ter uma ideia de que é sexo. Identidade são construções
- 9:33sociais. Então são questões
- 9:37necessariamente, que é que era? Muita teoria é dominante no
- 9:41sentido de que é criação de Deus, ou seja, Deus criou homem
- 9:46e mulher. EE basta.
- 9:48É isso. E esses teóricos vão argumentar
- 9:51que não olha. Nós temos uma sexualidade, nós
- 9:55temos uma identidade, temos 111 sexo que não necessariamente é
- 10:01algo que que é, por exemplo, Oo garantido, digamos, no nosso
- 10:08nascimento. É algo que foi criado, gerado
- 10:11socialmente. E a partir dessa crítica, então,
- 10:14teoria é queer. Vai se desmembrar um pouco dessa
- 10:18teoria feminista mais binária? E vai desenvolver uma
- 10:22perspectiva mais radical e também um pouco mais crítica em
- 10:26relação ao como que nós vemos o mundo.
- 10:29Porque as instituições. E aí entra muita questão, o
- 10:32feminismo e o heteronormativismo que é, ou seja, as instituições
- 10:38que nós tínhamos e que ainda temos, porque existem muitas,
- 10:41muitas coisas remanescentes, elas se comportam, elas são
- 10:46criadas. Com uma perspectiva de que o
- 10:50heterossexual ou a heteronormatividade e o
- 10:54binarismo, ou seja, o aquilo que nós temos, homem e mulher, é o
- 10:59normal, é o sistema, ou seja, isso é o natural, o natural é
- 11:04nascermos homem ou mulher e termos a nossa identidade de
- 11:09gênero, ou a nossa expressão sexual ou a nossa intenção
- 11:15sexual, aquilo que nós. Conseguimos, né?
- 11:18Caracterizar nesse sentido tem que ser então, de acordo com o
- 11:22nosso, o nosso físico e a nossa identidade sexual.
- 11:27EOA heterossexualidade, então é, existe, né?
- 11:31Inclusive um conceito de que é a heterossexualidade compulsória,
- 11:36de que nós, quando desde quando nascemos, já nos designam de uma
- 11:41maneira, já nos vestem com roupas, com uma determinada cor,
- 11:45com determinados padrões. E que já nos indica como é
- 11:50menino masculino, homem e mulher.
- 11:52É é menino? É menina, então.
- 11:55Ou seja. Essa é exato.
- 11:59Toda essa, essa visão muito pré definida, né?
- 12:03Muito física, não? É e a teoria?
- 12:05Muito física, muito biológica e a teoria crítica, todas essas
- 12:11visões que são deterministas, ou seja.
- 12:15Nós não somos assim porque sexualidade é muito mais fluida.
- 12:18Idade sexual é muito mais abrangente.
- 12:21Expressões de sexualidade não são só feminino e masculino, ou
- 12:26seja, tem toda uma gama por trás, né?
- 12:29Toda 11 visão e uma perspectiva que nós temos que ter de que o
- 12:33mundo não é binário. Basicamente, essa é a grande
- 12:37crítica da teoria queer, conectando isso com as políticas
- 12:42públicas. Né?
- 12:43Que aí esse é o ponto digentral e principal do do do livro, que
- 12:48é justamente a desconstrução dessa perspectiva, dessa visão
- 12:54heteronormativa de como as políticas públicas são
- 12:58desenvolvidas, são criadas. Mas por que?
- 13:01Por que que isso é importante, não é, ou seja, políticas
- 13:04públicas. Que que as políticas públicas
- 13:06têm a ver com heteronormatividade?
- 13:09Que que as políticas públicas têm a ver com o binarismo, não
- 13:12é? Ou seja, que que que que isso
- 13:14tem a ver, ou seja, políticas públicas, né?
- 13:16As pessoas têm políticas para tudo.
- 13:19Exato. Exatamente por isso, as
- 13:21políticas públicas também é uma, ou seja, é uma área de estudos
- 13:25EE prática de trabalho que surge no pós guerra, ou seja, depois
- 13:31da segunda guerra. Então não é assim uma área de
- 13:34investigação. Muito antiga, como filosofia,
- 13:38com outras áreas que são muito mais, podemos dizer que são
- 13:42muito mais sólidas, né? E ciência política, por exemplo,
- 13:46políticas públicas, digamos, é relativamente recente.
- 13:50Quantas políticas públicas? As principais teorias, as
- 13:53principais, os principais enquadramentos de políticas
- 13:56públicas são criados. Elas são criadas muito com uma
- 14:00perspectiva heteronormativa. Com essa visão de que o mundo é
- 14:06binário e que a solução para os problemas sociais, para os
- 14:10problemas econômicos, políticos, culturais, ela é muito binária e
- 14:16é binária com a visão ou a perspectiva muito heterossexual.
- 14:21Essa é uma das uma das grandes críticas do livro, né?
- 14:24Ou seja, o porquê que nós precisamos de políticas que
- 14:27sejam queer. Era isso que eu IA pedir, que
- 14:30concretizasses um pouco mais, né?
- 14:32As políticas públicas LGBT até agora foram criadas com base
- 14:36nessas nesses enquadramentos heterossexuais, hetero,
- 14:39normativos. Infelizmente, essas políticas
- 14:43têm desenvolvido, têm criado muito uma questão que é o
- 14:49assimilacionismo, ou seja, existe 1 mi?
- 14:52Então nós também queremos e vamos exigir termos uma família
- 14:57homossexual. Isso é muito.
- 15:00É um é um conceito que é o associacionismo, ou seja, o que
- 15:04o hétero tem, o homossexual também quer ter.
- 15:08Eu uso o conceito homossexual só para fazer a questão da do, do
- 15:12do paralelismo, digamos, né, o heterossexual homossexual.
- 15:16E então, ou seja, essa perspectiva tem desenvolvido já
- 15:20há muito tempo, que é esse assimilacionismo e esse
- 15:24assimilacionismo tem criado ao invés de criar.
- 15:27Processos, sistemas e mecanismos inclusivos tem criado, na
- 15:34verdade, processos, sistemas e enquadramentos que tem aumentado
- 15:41ainda mais as injustiças sociais e criando exclusões.
- 15:46Sistemas de exclusões, as políticas públicas existentes
- 15:51com o enquadramento que nós temos atuais.
- 15:54E são anacrônicos. E aí falam.
- 15:56Tento descrever que assim, enquadramentos de políticas
- 15:59públicas que é criado nos anos 60, nos anos 70, tinha uma
- 16:03perspectiva de mundo, uma visão global e que é anacrônica para a
- 16:09realidade política e econômica que nós temos no século 21.
- 16:14E quando pensamos mais especificamente sobre a questão
- 16:19das políticas LGBT. E isso se torna mais evidente
- 16:23ainda porque a visão que nós temos hoje, no século 21, sobre
- 16:28o que é sexualidade, identidade, expressão de sexual, expressão
- 16:33sexual, gênero já é. É muito mais avançada do que a
- 16:38visão que nós tínhamos nos anos 60, nos anos 70.
- 16:42Por isso, nós precisamos criar enquadramentos.
- 16:45Teóricos práticos que sejam também mais coerentes com a
- 16:50nossa realidade atual, e aí eu faço toda uma crítica em relação
- 16:55a esses enquadramentos anteriores que são
- 16:58exclusionários, ou seja, que criam processos de exclusão e
- 17:03desenvolvam um enquadramento teórico com a com base na teoria
- 17:06queer, com base na teoria da interseccionalidade.
- 17:11E com base nos movimentais de como nós necessitamos criar
- 17:15políticas públicas que sejam mais concretas, tendo em conta a
- 17:19vida, a experiência, a realidade das comunidades queer, a
- 17:26realidade das pessoas queer. EE, eu faço isso com o queering,
- 17:31por isso que é um queering. Queering é a ação de fazer algo
- 17:35e não necessariamente o queer, porque o queer em si só.
- 17:41E aí, né, eu recorro alguma alguns recursos que ultimamente
- 17:45tem sido muito esquecidos, por exemplo, o dicionário, né, eu
- 17:48vou ao dicionário pra tentar entender, mas olha qual a
- 17:52diferença de uma de um conceito com o outro, certo?
- 17:56Então, ou seja, eu fui no Cambridge, no dicionário da
- 17:58Cambridge e quando encontro, por exemplo, o conceito queer.
- 18:02O conceito queer tem 3 definições principais, né?
- 18:06Uma é como um adjetivo, como substantivo e como verbo.
- 18:11Como substantivo e adjetivo, é muito relacionado a questão da
- 18:16identidade de gênero e a sexualidade, que são não
- 18:20necessariamente conformativas as ideias profissionais de gênero e
- 18:25sexualidade como existe no mundo, digamos, hetero.
- 18:29Normativo, né? E quando eu vou então e vejo a
- 18:33terceira categoria, que é a categoria da do verbo.
- 18:37O verbo em si já é. Uma ação, ou seja, praticar uma
- 18:42ação. E eu fico com essa definição.
- 18:45Ou seja, a partir dessa definição, que é a ação Na Na
- 18:49questão das do queering public policy, é justamente essa
- 18:53mudança de algo que não necessariamente está relacionado
- 18:58a um gênero específico. Um é menino masculino, mas que
- 19:05transpassa essa essa ideia adicional.
- 19:09O que que é gênero, sexualidade, identidade.
- 19:13Ou seja, vai para, vai muito mais além do que só entender o
- 19:17mundo com uma visão primária. E esse essa ação de transpassar,
- 19:23essa perspectiva heteronormativa.
- 19:27O que então depois vai se desenvolver numa num
- 19:30enquadramento teórico e prático de como que as políticas
- 19:36públicas LGBT poderiam ser. Melhor desenvolvidas, melhor
- 19:41aplicadas para as realidades e para as necessidades das pessoas
- 19:46LGBT em diferentes sistemas políticos.
- 19:52Muito bem, Diego. Então estamos então ainda em
- 19:54Bruxelas, quando tu apresentas e defendes a tua, a tua tese.
- 20:00Dás o nome à tua tese de quiring public Paula c precisamente e
- 20:06depois vais para os Estados Unidos, onde te encontras hoje
- 20:10como professor assistente Na Na escola de public fairs e
- 20:15administração. Nós tivemos antes desta
- 20:17gravação, estivemos a tentar traduzir o public fairs poderiam
- 20:20ser políticas públicas, mas não bem.
- 20:22Portanto, vou manter OOO termo em inglês Na Na rentguses
- 20:27University, que é a universidade do estado de Nova Jersey.
- 20:30Em New York, no, no, no, nos Estados Unidos.
- 20:33E é aí que depois, tu baseando, baseando te nesse termo que
- 20:40aliás me vai explicar onde é que ele surge.
- 20:43Julgo que é uma professora canadiana, não é?
- 20:47Resolves. Então, colocar tudo isto num
- 20:50livro e com aplicações práticas, não só o Brasil que foi, vá lá,
- 20:56OOO país que te serviu. De base para o para o
- 21:02doutoramento, mas estender ainda ao México, à África do Sul e aos
- 21:07próprios Estados Unidos da América, diz algum disparate?
- 21:11Não está muito coerente e é mesmo isso?
- 21:14Foi foi muito isso que aconteceu.
- 21:17Da professora canadiana. Esse quering né?
- 21:23Quering public policy. Ele surge muito antes,
- 21:28obviamente, da da da teoria queer.
- 21:31Surge 80, ou seja, como 11 área de pesquisa, como uma linha de
- 21:37investigação, né? Só que, entretanto, a associação
- 21:41da da teoria queer com as políticas públicas foi feita por
- 21:46uma professora canadiana chamada Miriam Smith, que em 2007
- 21:50publica o primeiro artigo. Sobre o quering public policy
- 21:55com uma perspectiva canadiana, ou seja, e ela analisa essa as
- 22:00políticas LGBT no país e tenta, ou seja, o que ela faz é, ela
- 22:05cria uma definição muito teórica e conceitual sobre o que que
- 22:10seria essa quering public policy, né?
- 22:13EE, na definição dela é muito, ou seja, é um questionar,
- 22:19contestar essa perspectiva. Organizacional das políticas
- 22:23públicas que, sim, são heteronormativas, ou seja, as
- 22:28políticas públicas LGBT no Canadá, em 2007, quando ela
- 22:32publica, ela diz, criadas com uma perspectiva muito
- 22:36heteronormativa, ok, o que ela faz é justamente isso.
- 22:40Ela cria uma visão para esse conceito.
- 22:44Só que, entretanto, o que ela não faz?
- 22:47E aí é que entra. O processo do porquê desse
- 22:49livro, a necessidade desse livro, que é o como que esse
- 22:53queering das políticas públicas acontece?
- 22:58Quem são os atores essenciais para esse Queen?
- 23:03Essa ação de desconstrução, essa ação de reformulação de
- 23:08políticas públicas ou uma perspectiva queer.
- 23:12E não só porque eu tenho tentado expandir um pouco mais,
- 23:16inclusive essa, essa. Esse enquadramento para
- 23:20comunidades vulneráveis, vários tipos de comunidades, por
- 23:24exemplo, a comunidade afro ou a as mulheres, especificamente,
- 23:29pessoas em condições de vida que, por exemplo, vivem na rua,
- 23:33pessoas que têm um salário muito inferior àquele que é, seria que
- 23:39seria AAA norma ou AA média da, da, da sociedade, comunidades
- 23:44rurais migrantes, ou seja. Não só pessoas queer, embora AA
- 23:52estrutura e toda essa esse enquadramento teórico tem sido
- 23:55desenvolvido com base na teoria queer, mas isso também poderia
- 23:59ser aplicada para outras comunidades vulneráveis.
- 24:03O que ela não faz é justamente nos dar o passo a passo.
- 24:07Qual é O Mecanismo? Qual é o processo?
- 24:10Qual é o sistema? Como que nós conseguimos
- 24:13realmente, digamos, furar essa bolha hetero normativa das
- 24:18políticas públicas e introduzir essa teoria, essa visão?
- 24:23Um mundo muito mais global, muito mais fluido, muito mais
- 24:29acolhedor e inclusivo. Como ela não faz esse processo,
- 24:36então, ou seja, o livro que que que eu tenho que dizer que vai
- 24:39sair agora em fevereiro é justamente para compensar essa
- 24:45falta desse processo. Então eu desenvolvo toda uma
- 24:48estrutura, toda 11 framework, né?
- 24:51Ou seja, um enquadramento no qual eu tenho indicadores
- 24:55específicos e dimensões que vão ajudar teóricos.
- 25:01Ou políticos. Ou então de especialistas a
- 25:07poderem desenvolver ou aconselharem o desenvolvimento
- 25:12de políticas públicas para para questões LGBT com uma
- 25:17perspectiva muito mais abrangente do que só a questão
- 25:21heteronormativa a porque pensemos, por exemplo.
- 25:28Um tema muito complicado, que é a questão do casamento de
- 25:33pessoas do mesmo sexo ou casamento homoafetivo.
- 25:36Pessoas sim, casamento homoafetivo, né?
- 25:40O casamento homoafetivo. Ele foi muito desenvolvido com
- 25:44uma visão assimilacionista em vários países e que beneficiou
- 25:49muito a comunidade LGBT em vários aspectos.
- 25:53Não há sombra de dúvidas. Sobre o benefício dessa dessa
- 25:57política pública, entretanto, ela também cria alguns
- 26:03mecanismos e alguns processos de exclusão, porque temos que que
- 26:08que ver AA as estatísticas, né? Ou seja, quem tem acedido ou tem
- 26:15tem tem utilizado dessa política pública.
- 26:19Os diferentes países, em geral são pessoas.
- 26:22De classe média, um pouco mais alta.
- 26:25Em geral são pessoas que têm 11 certa conformidade com o seu
- 26:31gênero e com a sua identidade. Em geral são homens gays ou
- 26:37mulheres que são lesbianas e uma grande por cento das pessoas que
- 26:43têm sim contraído matrimônio são pessoas, mas com 1/01/1 classe
- 26:49social. E também racial, mais, ou seja,
- 26:53branca e não necessariamente pessoas que são de outras
- 26:58comunidades. Isso cria uma certa perspectiva
- 27:03que também é ó, estamos muito bem.
- 27:05Já temos direito ao casamento homossexual?
- 27:09Temos direito, ou seja, direitos, ok, mas quem realmente
- 27:14se beneficia desses direitos? Né?
- 27:17Então. Ou seja, quando a política
- 27:18pública LGBT é criada, é formulada, ela é criada com uma
- 27:23perspectiva. E essa perspectiva que tem sido
- 27:26perpetuada até agora tem sido muito a perspectiva de que
- 27:30aquilo que que funciona para um casal heterossexual poderia
- 27:35funcionar também para um casal que é homossexual e que não é
- 27:40verdade. Ou seja, a realidade não é essa.
- 27:43Quando pensamos outra vez na questão do casamento
- 27:46homoafetivo, ou seja, onde entra a comunidade trans, a comunidade
- 27:51não binária? Onde entram aqui pessoas que
- 27:55realmente têm 2 sexos, ou seja, pessoas que são 2 sexos, então,
- 28:00ou seja, isso tudo cria um problema por trás dessa política
- 28:04pública. E que a política pública, ao
- 28:06invés de proporcionar a solução. Passa a ser mais parte do
- 28:12problema. E esse é um dos argumentos
- 28:15também, ou seja, listamos por é estruturas de políticas públicas
- 28:21que sejam criadas a partir da visão da realidade das
- 28:27comunidades as quais essa política pública vai atender, e
- 28:31não necessariamente só de uma visão generalista.
- 28:35Porque as políticas públicas são criadas com uma visão muito
- 28:38genérica, ou seja, todos tem que ser enquadrados nessa
- 28:43perspectiva, nessa visão, outros que querem se casar, então tem
- 28:47que seguir esse protocolo. E o protocolo serve para todos,
- 28:51ou seja, homossexuais ou heterossexuais.
- 28:55Entretanto, isso cria mecanismos de exclusão e nem todos.
- 29:00São, vamos dizer, nem todos vão se encaixar dentro dessa, dessa,
- 29:05dessa caixinha, né? Ou então, ou seja, não é
- 29:07possível criar uma política pública que seja abrangente
- 29:12assim, tão neutra e abrangente o suficiente que seja inclusiva.
- 29:18E o queer infor black policy tem essa intenção de criar uma
- 29:22estrutura de que, ou seja, as políticas públicas para as
- 29:26questões LGBT, inclusive, são criadas.
- 29:30Sem somente consultar as pessoas LGBTs, ser as próprias
- 29:35beneficiárias dessa política e essa nova visão, essa nova
- 29:40perspectiva de como criar políticas públicas LGBT,
- 29:44obviamente que tem que incluir o que a perspectiva das realidades
- 29:48LGBTSE, que não só é a realidade de um gay branco.
- 29:56Com o ensino superior e de classe média alta.
- 30:00Ou seja, não porque em geral essa também tem sido 11.
- 30:04Isso tem sido um Panorama constante em alguns países.
- 30:08E aí depois, quando eu entro nos casos específicos, ou seja, o
- 30:11Brasil, o México, os Estados Unidos e a África do Sul, esses
- 30:17também são. Ou seja, são fatores que, sim,
- 30:19tem influenciado as políticas LGBT nesses 4 países, né?
- 30:24E mas depois posso falar porque é que porque é que eu selecionei
- 30:28esses 4 países? Não é porque esses. 4 países têm
- 30:34isso vai seria 1 hora mais do que 1 hora.
- 30:37Seria mais é isso, meu querido. Olha, tentámos O Impossível, que
- 30:41foi, em meia hora, falarmos de um tema que eu acho admirável,
- 30:46mas muito complexo como eu, óbvio, e tentar desmistificá lo
- 30:50um pouco mais. Naturalmente que este episódio
- 30:52ficou um pouco mais denso do que o normal.
- 30:55Alguns dirão um pouco mais esotérico do que o normal.
- 30:59OK, mas é mesmo, é mesmo isto pretendido?
- 31:03É bom, é bom, é excelente, é excelente, meu querido.
- 31:07E mas é mesmo isso Oo pretendido?
- 31:09Porque eu desconfio que daqui muito, muitos nerds, destas
- 31:12coisas que eu gosto muito de investigar, passaram a ter
- 31:15muitos pontos novos, muitas revisões novas para agora
- 31:20começarem. A aprender e investigar e ir
- 31:23atrás de de tantos conceitos que tu nos trouxeste para aqui, meu
- 31:28querido, eu aguardo ansiosamente a publicação deste teu livro.
- 31:33Não sei se será traduzido para português ou se está previsto
- 31:36tal coisa para já. Tu queres lançá lo em inglês?
- 31:39Presumo eu. Sim, sim, por agora é porque
- 31:43inclusive é uma editora, é britânica.
- 31:45Então. Ou seja, quando me pediram para
- 31:47escrever o livro, já Era Para Ser em inglês, e não.
- 31:51Não, mas não descarta a possibilidade da tradução, mas.
- 31:55Isso muito bem. Terei um exemplar em em em
- 31:58inglês e depois, quando tiver, farei questão que tu me me
- 32:02ensines. E agora, a última pergunta,
- 32:04muito rapidamente, que nome tu darias a este episódio do
- 32:08podcast? Que nome eu daria para esse
- 32:12episódio que eu eu sugeriria que esse episódio se chamasse cream
- 32:17políticas públicas desafiando o status quo.
- 32:21Muito bem, meu querido. Muito obrigado.
- 32:23Como te disse, aguardo ansiosamente poder ler o teu
- 32:26livro. Muito obrigado a ti, muito
- 32:28obrigado aos ouvintes que nos ouviram e até ao próximo
- 32:32episódio. Muito obrigado. eSIM, podemos
- 32:35seguir com essa conversa, que é um tema que sim, acho que faz
- 32:40muito sentido. Depois seguir ainda mais.
- 32:43Sim, há muita coisa que ficou por dizer um beijo.
- 32:48Tchau.