Latest / TIC, Educação e Web / Nativos versus ingénuos digitais
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- 0:00Bem vindos a mais uma análise detalhada.
- 0:03Hoje vamos mergulhar direto num tema que, honestamente, nos diz
- 0:06respeito a todos. O foco, um relatório
- 0:08verdadeiramente marcante publicado pela acwei em abril de
- 0:122026. Ora, para quem não sabe, a acwei
- 0:15é literalmente um dos pesos pesados na avaliação do sistema
- 0:17de ensino britânico. E este estudo em particular
- 0:20envolveu mais de 5000 pessoas, entre estudantes, pais e
- 0:23professores. A ideia, perceber aquela
- 0:25relação, um bocadinho complexa entre os jovens e a tecnologia.
- 0:29E preparem se, porque os dados que vamos explorar hoje desfazem
- 0:32por completo tudo aquilo que assumíamos como uma verdade
- 0:34absoluta sobre as novas gerações e os ecrãs.
- 0:37Isto leva nos de imediato, à grande questão central de toda
- 0:40esta exploração, serão os jovens de hoje verdadeiramente nativos
- 0:44digitais, com aquele domínio inato que todos imaginamos, ou
- 0:48serão, na verdade, simplesmente ingénuos digitais?
- 0:51É uma pergunta, no mínimo provocatária, não é?
- 0:53Reparem, a tendência é vermos um jovem a deslizar por uma rede
- 0:56social a uma velocidade vertiginosa.
- 0:58E assumirmos logo que ele domina toda a tecnologia.
- 1:01Mas será que esse domínio é real ou é apenas uma ilusão super bem
- 1:04construída pela familiaridade com as aplicações de
- 1:06entretenimento? Ora bem, vamos começar por
- 1:09analisar de onde vem isto? A famosa expressão nativo
- 1:12digital não é nova, foi cunhada lá atrás, em 2001, pelo Mark
- 1:16prensky e na altura, fazia todo o sentido, era a forma de
- 1:20descrever a primeira geração a crescer rodeada de computadores
- 1:23e internet em casa. O problema é que isto gerou uma
- 1:26suposição, um bocadinho perigosa.
- 1:28Criou se este mito global de que lápis crescer colado a um ecrã.
- 1:31Isso traduz se automaticamente numa competência digital a
- 1:34Sério. E este relatório vem pura e
- 1:36simplesmente destruir essa ideia.
- 1:38Passar horas online não ensina de todo como a tecnologia
- 1:42funciona por trás da cortina e é exatamente aqui que o fosse se
- 1:45torna evidente. Há um contraste gigante, mas
- 1:48mesmo gigante, entre aquela fluência superficial de quem
- 1:51passa a vida nas redes sociais e uma ingenuidade quase total no
- 1:55que toca ao uso da tecnologia no mundo real.
- 1:57No fundo, os jovens sabem perfeitamente carregar nos
- 2:00botões certos para publicar um vídeo viral, mas falta lhes as
- 2:03competências, críticas e profissionais básicas que as
- 2:06empresas exigem. Usar a tecnologia para
- 2:08entretenimento rápido não tem, francamente, nada a ver com
- 2:11compreender a tecnologia para produzir valor real.
- 2:14Agora, o que é realmente interessante e até um pouco
- 2:16chocante é olhar para a disparidade dos dados.
- 2:19Quando questionados sobre que aplicações utilizam, uns
- 2:21impressionantes 79% dos jovens dizem usar o TikTok
- 2:24regularmente. Sem surpresas aí, certo?
- 2:27Mas quando olhamos para as ferramentas essenciais para o
- 2:29mercado de trabalho, o cenário muda drasticamente.
- 2:32Apenas 36% referem utilizar o Excel, 36%, ou seja, as
- 2:39ferramentas que qualquer empregador da universidade
- 2:41espera que eles dominem de olhos fechados estão a ser deixadas
- 2:44completamente para trás. E para dar alguma perspetiva a
- 2:47estes números, há uma confissão fantástica e super honesta de um
- 2:50estudante do secundário. Neste relatório, o estudante diz
- 2:53o seguinte. Sinto me muito confiante nas
- 2:55redes sociais, mas quando se trata de aplicações diferentes,
- 2:58como words ou Excel, torna se um pouco difícil.
- 3:01É quase palpável, não é? A confiança no lazer está lá em
- 3:04cima. Mas a ponte para ferramentas
- 3:05funcionais é um autêntico obstáculo.
- 3:08É prova viva de que brincar no mundo digital não cria, por
- 3:10magia, nenhum tipo de profissionalismo digital.
- 3:13Agora, se a falta de competências profissionais vos
- 3:16parece preocupante, a falta de segurança online é, diria
- 3:19francamente, alarmante, 34%. Guardem bem este número.
- 3:25Este é o número de estudantes que admitem já ter partilhado
- 3:27informações super sensíveis. Coisas como o seu nome completo
- 3:31ou a localização exata, ou a escola onde andam com Perfeitos
- 3:34Desconhecidos online. E pior, entre os mais novos, na
- 3:38faixa dos 11 aos 13 anos, esse número só para os 38%.
- 3:42Estamos a falar de crianças a interagir num mundo aberto, sem
- 3:45qualquer tipo de filtro ou defesa para perceberem os cregs
- 3:48óbvios. E atenção, esta ingenuidade
- 3:51alastra se também à forma como consomem informação.
- 3:54O pensamento crítico é, na melhor das hipóteses, escasso.
- 3:57Apenas 59% dos jovens se sentem minimamente confiantes para
- 4:02distinguir uma notícia verdadeira de uma farsa.
- 4:04E o dado que mais assusta, 30% dos estudantes admitem partilhar
- 4:08frequentemente informações online sem perderem um segundo a
- 4:12verificar se são reais. Sem querer, acabam por ser peças
- 4:15incrivelmente ativas na gigantesca máquina de espalhar
- 4:18desinformação para entenderem este ponto cego.
- 4:21Ouçam bem o que diz um outro estudante, mais velho.
- 4:24Muitas pessoas pensam, ó, não me pode acontecer a mim, sou
- 4:27demasiado inteligente. Por isso não prestam atenção.
- 4:31E é exatamente isso. Há uma falsa, mas muito forte
- 4:34sensação de invulnerabilidade a velha ilusão de que os roubos de
- 4:37identidade e as fraudes só acontecem aos outros.
- 4:40Toda esta complacência, muito alimentada pela ilusão de que
- 4:43são nativos digitais, tornam se despresas fáceis em esquemas que
- 4:47são cada vez mais difíceis de detetar, até mesmo para os
- 4:50adultos. Então, o ponto crucial aqui e o
- 4:52que realmente precisamos de ter é o impacto colossal de tudo
- 4:55isto no mundo real. Esta lacuna de competências não
- 4:58é de todo só um problema académico, é um problema
- 5:01económico gravíssimo. Para terem uma noção, estima se
- 5:04que este défice custe todos os anos cerca de 63000 milhões de
- 5:09libras, a economia do Reino Unido.
- 5:10Sim, ouviram bem, 63000 milhões é o preço astronómico de termos
- 5:15uma geração inteira a entrar no mercado de trabalho movida de
- 5:17dados e a inteligência artificial sem as ferramentas
- 5:20mínimas para lá sobreviver, o que nos leva à primeira parte
- 5:24desta equação. Professores sob pressão a grande
- 5:27questão que se impõe é, será que a culpa é das escolas, dos
- 5:30professores? Nem por sombras.
- 5:32Os dados provam que não há qualquer resistência do lado dos
- 5:35docentes, pelo contrário. 84% dos professores, uma esmagadora
- 5:40maioria, quer desesperadamente que novos conteúdos de literacia
- 5:44digital sejam introduzidos. Eles vêm as lacunas todos os
- 5:47dias, desde alunos anão conseguirem formatar um simples
- 5:49trabalho até à ingenuidade com que citam Fontes não fiáveis.
- 5:52A vontade de intervir e de ajudar está definitivamente lá,
- 5:55mas a vontade esbarra muitas vezes contra uma parede chamada
- 5:59falta de recursos. Um professor resumiu isto na
- 6:01perfeição, a confessar. Enquanto educadores nomes são
- 6:04dados os instrumentos, nem a formação para compreender o
- 6:06impacto que a inteligência artificial pode ter.
- 6:08Acho que muitas escolas estão a recuar.
- 6:10É impossível não ter empatia por isto.
- 6:12A tecnologia avança a uma velocidade super sónica e os
- 6:15professores são deixados para trás, desamparados.
- 6:18Se não têm ferramentas nem informação contínua, como é
- 6:20suposto guiarem os alunos num mar de inovações complexas.
- 6:23Somar a isto temos Barreiras sistémicas extremamente
- 6:27concretas, restrições severas de financiamento para comprar
- 6:30material e infraestruturas. A total falta de espaço num
- 6:33horário escolar que já rebenta pelas costuras e, claro, a
- 6:36necessidade urgentíssima de dar formação.
- 6:39Fica muito claro que não basta simplesmente exigir que as
- 6:41escolas façam mais para resolver esta crise, a própria fundação
- 6:45do sistema tem de ser repensada. E é exatamente isso que
- 6:48abordamos na parte 2, repensar o currículo.
- 6:51Uma mudança de paradigma ora, a essência do que AA propõe aqui é
- 6:55uma mudança de visão genial. Historicamente, atira se tudo o
- 6:58que tem a ver com ecrãs para a disciplina de informática e
- 7:01assunto arrumado, certo? Completamente errado.
- 7:03O relatório demonstra que isso já não chega.
- 7:06A literacia digital tem de deixar de ser uma disciplina
- 7:08isolada e passar a ser uma necessidade transversal, tem de
- 7:11estar em todas as matérias. Pensem nisto, nós não ensinamos
- 7:14a ler e a escrever só e apenas para aula de português.
- 7:17O pensamento crítico digital também tem de estar espalhado
- 7:19por todo o lado e isto ilustra de forma brilhante como não é
- 7:22preciso transformar cada professor num especialista em
- 7:25programação para a coisa funcionar.
- 7:27Há cada exemplos muito práticos. Nas aulas de português, por
- 7:29exemplo, pode analisar se a retórica e a persuasão de textos
- 7:33em redes sociais, em ciências, focar na avaliação de Fontes da
- 7:36internet, nas línguas estrangeiras, porque não
- 7:39criticar traduções feitas por inteligência artificial e em
- 7:42cidadania? Debater profundamente o impacto
- 7:44que os algoritmos têm nas eleições e na sociedade.
- 7:47Como podem versão passos super naturais e lógicos dentro do
- 7:50currículo que já existe, e esta visão é aplaudida e partilhada
- 7:53por quem está na linha da frente, outro professor referiu.
- 7:57Apercebermo nos de que as competências que se podem ter
- 7:59aprendido através de diferentes tecnologias podem ser aplicadas
- 8:03em diferentes disciplinas, de diferentes formas.
- 8:05É exatamente esta a chave, mostrar que o conhecimento
- 8:08tecnológico não vive fechado numa caixa.
- 8:10Ao cruzar estas ferramentas com outras áreas, cria se uma
- 8:13agilidade mental que vai ser crucial para resolver problemas
- 8:16no mundo real. Então como é que aplicamos isto
- 8:18na prática? Vamos avançar e ver como se
- 8:21constrói a estratégia e da AKPQ em 4 espaços bitais, passe um.
- 8:24Integrar a literacia em todo o currículo, como acabamos de ver.
- 8:28Passo 2, desenvolver um quadro estrutural a nível nacional,
- 8:31para que as escolas saibam exatamente o que e quando
- 8:34ensinar. Passo 3, focar incansavelmente
- 8:36em reforçar a formação de professores com recursos prontos
- 8:39a usar e, por fim, o passe. 4 dar suporte prático a toda esta
- 8:43mudança de mentalidade no sistema, incluindo o avanço para
- 8:45as avaliações digitais, o que nos leva à parte 3 e final
- 8:49soluções globais, porque a verdade é que não precisamos de
- 8:53inventar a roda do zero. Há excelentes casos de sucesso
- 8:55além Fronteiras que provam que esta integração transversal
- 8:58funciona a 100% olhemos para a Finlândia e a sua incrível
- 9:02filosofia da digital building, onde a tecnologia está ligada ao
- 9:05desenvolvimento moral e cívico desde a cres.
- 9:08Na Irlanda, a literacia digital passou a ser tratada como um
- 9:11Pilar central ao mesmo nível de importância que a matemática.
- 9:14E na Austrália, as tecnologias digitais são integradas de forma
- 9:18inteligente por todas as áreas de aprendizagem.
- 9:20A prova de que funciona está aí à vista de todos.
- 9:23E com isto, chegamos à mensagem fulcral de toda esta exploração,
- 9:27temos de uma vez por todas de deitar fora o mito de que a
- 9:30geração atual já nasce com sabedoria tecnológica
- 9:33incorporada. A literacia digital não é um
- 9:36bônus simpático de se ter. É literalmente uma competência
- 9:40de sobrevivência fundamental para a vida Moderna, tal como
- 9:43saber ler, escrever ou fazer contas.
- 9:46Proteger dados pessoais escrutinar o que é falso e
- 9:49dominar software básico profissional exige que isto seja
- 9:51ensinado de forma estruturada, explicita e contínua.
- 9:54Para rematar esta nossa exploração do relatório, deixo
- 9:57vos com um pensamento um pouco provocatório para digerirem, à
- 10:00medida que entregamos cada vez mais as chaves das nossas
- 10:03economias, das nossas infraestruturas e até das nossas
- 10:06democracias à tecnologia, se dependermos de uma geração
- 10:09inteira, que afinal é ingénua do ponto de vista digital para
- 10:12gerir esse mundo. Como é que será o nosso futuro?
- 10:15É uma pergunta pesada, não é? O desafio educacional está
- 10:18lançado e a sociedade, de forma global, não se pode dar ao luxo
- 10:21de o ignorar. Fica a reflexão.