Latest / ED Podcast [@arthurdantaslemos] / COISA DE RICO #XIX - DESDE SEMPRE (CLUBE DO LIVRO)
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- 0:09Senhoras e Senhores, muito bom dia.
- 0:12Boa tarde, boa noite comigo. Bruno Maia Soares sejam muito
- 0:15bem-vindos brunão, tudo certo. Nessa coisa de rico, vamos
- 0:18entrar no capítulo agora chamado desde sempre O Tempo dos
- 0:21tradicionais, a gente falou dos emergentes no último episódio,
- 0:23verdade é, e esse é o último. Capítulo antes da gente entrar
- 0:27Na Na parte final do livro, então, caminhando aí para a Reda
- 0:29final, se embora animado para a gente finalizar mais um.
- 0:32Vamos nessa. Num canto da sala da mansão de
- 0:36um empresário na Gávea dos conhecidos ex ex-embaixadores
- 0:40ostentavam o crachá de lobista desde os anos 2000.
- 0:43Tinha virado costume oferecer cargo NOS Conselhos de grandes
- 0:46empresas a diplomatas e Ministros do Estado.
- 0:49A burguesia tem seus rituais de reciprocidade.
- 0:51Os empresários se comprometiam em encher o bolso dos
- 0:55aposentados de dinheiro em troca da influência e do LIVRE
- 0:58trânsito pelos palácios de Brasília.
- 1:01O esquema funcionou apesar dos ganhos financeiros conquistados
- 1:04com a Aposentadoria, os 2 estavam indignados com as
- 1:07transformações da diplomacia Lula ainda no seu mandato como
- 1:10Presidente, impôs inovações cujas reverberações são sentidas
- 1:15até Hoje. O Bojudo Careca e com uma Papa
- 1:20caindo sobre O Nó da gravata reclamava com desprezo ao colega
- 1:24Magro com pernas compridas e queixo pontudo.
- 1:28Ele falava o seguinte, Ah, o queixo pontudo tão grande quanto
- 1:32seus membros inferiores dos últimos anos do Itamaraty, não
- 1:35é? Então, ele estava reclamando.
- 1:36Juntos pareciam a versão rica de o gordo e magro.
- 1:41No outro dia não vem um sujeito simpático apresentar as
- 1:43credenciais para me pedir uma indicação ou um colega da ONU,
- 1:48pois veio, parecia bem formado, mas não sabia o básico de uma
- 1:51prestação por básico. Ele esperava mocassim Church ou
- 1:55de outra marca italiana terno bem cortado camisa com as
- 1:58iniciais bordadas e gravata termess para arrematar.
- 2:03Numa hora dessas, é só perguntar qual turma?
- 2:07O magro seguiu com a conversa e eu perguntei, meu caro?
- 2:11Ele me disse sem nenhuma cerimônia, falou-me ainda com um
- 2:14certo grau de orgulho. Sou da turma de 2008.
- 2:19Aquele ano da Loucura que eles colocaram 115 dentro do
- 2:23Itamaraty. Não foi?
- 2:24Sim, sim, eu fui claro. Olha.
- 2:27Essa sua turma é muito complicada, a gente não sabe
- 2:30Quem é Quem precisa averiguar, averiguarei.
- 2:34É claro que não o chamei, não havia condições eu interessado
- 2:37NOS detalhes da conversa, me meti no assunto complicado como
- 2:41até os anos 2000. A carreira diplomática era um
- 2:43projeto gerido pelas famílias tradicionais.
- 2:46Uma casta fechada com casamentos entre sobrenomes conhecidos,
- 2:51disposta a preparar os rebentos para repetir a tradição
- 2:54familiar. Os novatos sabiam que bastava
- 2:57não cometerem erros que sem muito esforço, ocupariam, depois
- 3:01de décadas, cargos de destaque nas representações brasileiras
- 3:05espalhadas pelo planeta ao final da vida, andariam pelas ruas das
- 3:09cidades e seriam cumprimentados com a devida reverência.
- 3:11Bom dia, seu embaixador, como vai embaixador?
- 3:14Passar bem embaixador, como bem mostrou a antropóloga a Cristina
- 3:19patriota de Moura, filha neta e sobrinha de diplomatas, era
- 3:22comum até mesmo desejável que os profissionais fossem filhos de
- 3:27embaixadores de outrora. Para além dos conhecimentos
- 3:30técnicos, era esperado dos novatos o domínio de um conjunto
- 3:34de regras não ditas e impossíveis de serem ensinadas
- 3:37nas salas de aula do Instituto Rio Branco.
- 3:39Era de bom tom que o hábitos viesse de casa com os pais,
- 3:46aprendia-se o importante da profissão, o cuidado com a
- 3:49entonação, a escolha acertada do vocabulário, a maneira
- 3:52equilibrada como tergiversar sobre problemas complexos, o
- 3:58jeito de sentar se à mesa um pretenso fascínio pelas artes e
- 4:02a sobriedade no vistice. E com os colegas de trabalho,
- 4:06professores e embaixadores, o básico, tudo ao contrário.
- 4:10Afinal, como ouvido, bojudo, não ficaria bem ver os grandes da
- 4:15instituição ensinando os novatos sobre regrinhas de Dress code,
- 4:19imaginem a cena meninos atenção às segundas e terças terno
- 4:23escuro, preferencialmente cor de chumbo ou azul-marinho precisa
- 4:27ser de cor escura as quartas terno Príncipe de Gales, um
- 4:31quadriculado de Bom Gosto, as quintas cores claras para.
- 4:36Às sextas-feiras saiam. Um paletó mais escuro, com calça
- 4:40clara ou vice-versa, eles pareceriam aquela Senhora do
- 4:45fantástico, a tal da Glorinha Kalil Chiques.
- 4:49O magro repetiu o bordão da consultora de moda, aos risos.
- 4:52Escolha simples, quem não aprendi em casa passava
- 4:55vergonha, não havia saída. Os ensinamentos passados de pai
- 5:00a filho. Fundamentais a distinção
- 5:02seguiram em pleno funcionamento, enquanto a tradição de
- 5:06substituição dos pais pelos filhos se manteve NOS corredores
- 5:09dos ministérios das Relações Exteriores.
- 5:11Mas entre 2013 2010, a megalomania de Lula se juntou à
- 5:16rebeldia do Chanceler escolhido, Ministro Celso Amorim.
- 5:20A pequena quantidade de embaixadas espalhadas pelo
- 5:22planeta. E o mirrado, corpo diplomático
- 5:26brasileiro não estavam à altura dos planos da dupla, guiado pelo
- 5:30interesse de ocupar territórios pouco valorizados na geopolítica
- 5:33mundial, o então Presidente tinha ambições de levar o Brasil
- 5:37para além dos disputados postos na América do Norte e na Europa,
- 5:42a exemplo dos mais de 50 países do continente africano e outras
- 5:47dezenas de nacos de terras banhados.
- 5:50Pelo Oceano Índico e pelo Pacífico.
- 5:52Para dar conta de tamanha ousadia foi preciso aumentar a
- 5:55admissão de novos diplomatas. A tradição de contratar no
- 5:59máximo 25 novos Membros sem pressa de começar uma carreira
- 6:02lenta e cheia de etiquetas foi pelo ralo de 2006 a 2010.
- 6:07A oferta de vagas quadruplicou de 25 foram abertas 100 e depois
- 6:12sucessivamente, 101 a 115105108. Ninguém sabia mais quem era
- 6:16filho de quem. Vejam bem esse mesmo sujeito da
- 6:20turma do 1008, nem pai tinha, não tinha o nome do pai na
- 6:23certidão. É uma transformação muito grande
- 6:25para um corpo como o Itamaraty. Um dia a gente conhece, sabe
- 6:30quem é? A família já cruzou com os pais
- 6:32pelas ruas, pelas Casas dos Amigos, no outro aparece um
- 6:35cidadão sem pai. Não obstante, fica claro, esse
- 6:40problema foi causado pelas novas turmas.
- 6:43E os senhores de qual turma são de quando voltei a conversa,
- 6:46ouvi de pronto, desde sempre de berço e sozinho.
- 6:51Afinal, não era a primeira vez, nem a última que eu me via
- 6:55diante daquela resposta NOS encontros na Suíça, NOS jardins
- 6:59ou NOS salões do Jardim Europa, os apartamentos de Nova Iorque
- 7:03NOS prédios do Leblon e de Ipanema.
- 7:05Sempre que eu inquiria um rico tradicional sobre sua própria
- 7:08história, eu pedia que me apresentassem, alguem
- 7:10respondiam, tem vez nasceu em berço de ouro do que você ri?
- 7:14Me perguntou o Embaixador, Bojudo.
- 7:16Um sobressalto deixei escapar, é que vocês sempre precisam de uma
- 7:19coisa para definir quem são. Olha para Michel.
- 7:24A surpresa vinha, de fato, vinha do fato de que, até para
- 7:27relembrar as próprias Origens, os ricos precisam de um objeto,
- 7:31de uma coisa de rico para se posicionar na estrutura
- 7:34hierárquica brasileira. Ter berço é uma expressão usada
- 7:39comumente para qualificar o tipo de riqueza de outrem.
- 7:43Em geral, é um atributo positivo conferido a quem admiramos por
- 7:47ser herdeiro de um dinheiro antigo, mas também por gozar dos
- 7:51privilégios de uma maneira correta e admirada tanto.
- 7:54Entro quanto pelos de fora? Os de berço são vistos como
- 7:59aqueles com Bom Gosto, elegância e naturalmente chiques, porque
- 8:04aprenderam a transitar com maestria no mundo dos ricos
- 8:07desde a infância. Alguém que tem berço ou nasceu
- 8:12em berço de ouro, sem qualquer esforço, vê a própria distinção
- 8:15como algo natural. Toma como dada a desigualdade
- 8:19social do país e se livra de qualquer peso moral oculto.
- 8:24Afinal, como ouvi tantas vezes ao longo da pesquisa, não tenho
- 8:28culpa de ter nascido numa família boa.
- 8:30A gente não escolhe onde nasce a vida, é assim mesmo, uns tem
- 8:33sorte e outros não. Uso de uma coisa de rico para
- 8:36definir quem pertence às camadas altas não é fruto do acaso, mas
- 8:40parte central do esquema Classificatório das elites.
- 8:43De partida, reforça o vínculo com os objetos na construção das
- 8:46fronteiras das fronteiras simbólicas na operação da
- 8:50diferença brasileira. Além de deixar claro que entre
- 8:54os Endinheirados há quem aprendeu a lidar com as coisas
- 8:56de rico antes mesmo de balbuciar as primeiras palavras são eles,
- 9:00os ricos tradicionais. O problema como aprendemos, como
- 9:04os historiadores Eric rosbal e tarenter é que toda a tradição é
- 9:09inventada, é fruto de um trabalho intenso dos grupos
- 9:13sociais por introjetar certos valores e formas de se comportar
- 9:16NOS indivíduos com apelo suficiente para lhes vincularam
- 9:20um passado imaginário no Brasil. Esse processo se dá em torno do
- 9:23manejo das coisas de rico quando assumiram postos internacionais,
- 9:28os embaixadores foram de mala e cuia.
- 9:30ISTO é, levaram consigo as esposas, os Fil.
- 9:33A externação, mas também quadros, tapetes, garfos,
- 9:36colheres, xicrinhas de porcelana, porta retratos,
- 9:39paninhos de mesa e o resto da modilha da mobília para se
- 9:42sentir em casa aonde fossem, assim como outros herdeiros,
- 9:47eles se preocupam em vestir a casa com móveis e objetos de
- 9:51decoração de decoração caros à família, assim como outros
- 9:56herdeiros. Eles se preocupam em vestir a
- 9:57casa com móveis e objetos de decoração.
- 10:01Caros à família os tradicionais não seguem um lema Casa nova
- 10:04todo novo, diferentemente dos emergentes, quando se transferem
- 10:07para outras residências, levam junto toda a ordem de
- 10:10quinquilharias que serão devidamente posicionadas.
- 10:14NOS cômodos da residência, como se aquilo sempre existisse,
- 10:18pouco importa se viajaram para de Brasília a São Paulo, Paris,
- 10:23Nova Iorque ou Dubai. A casa é construída com
- 10:25histórias de outras gerações. Há sempre a cadeira da Vovó, a
- 10:29baixela da madrinha, prataria da Bisa, o lenço de uma tia
- 10:33solteirona, quadros e obras de arte transmitidos entre os
- 10:37membros da família e tratados como relíquias.
- 10:41Mesmo que não se saiba quem foi o artista.
- 10:44Ela se veste para pautar as dinâmicas cotidianas para
- 10:46emoldurar os comportamentos e o palco para a Transmissão de
- 10:49valores centrais ao mundo dos ricos, sem que ninguém precise
- 10:52sacar uma lousa ou um livro de bons costumes do bolso.
- 10:55As coisas ensinam Daniel Miller, especialista em cultura
- 11:00material, lembra que as coisas são instrutoras humildes, ao
- 11:04contrário dos coachs ou das professoras de etiqueta, os
- 11:08objetos NOS ajudam. Docilmente a aprender como agir
- 11:12de forma apropriada. Dirigem nossos papos e NOS
- 11:16enviam mensagens importantes de forma sutil.
- 11:19É lidando com eles que vamos aprendendo a pensar e dar
- 11:22limites ao nosso corpo e NOS construir enquanto indivíduos
- 11:26ter berço é contar com essas influências.
- 11:29Desde o Nascimento, foi a casa da avó de um amigo, também viúva
- 11:32de um embaixador no ponto mais valorizado da Lagoa Rodrigo de
- 11:35Freitas, região nobre do Rio de Janeiro, sentado em uma poltrona
- 11:38da sala à espera da dona da casa, via a foto da minha
- 11:40anfitriã se repetir NOS porta retratos do aparador.
- 11:45De baixa estatura muito magra, com cabelo grisalho bem curto.
- 11:48Ela era a protagonista dos cliques em safaris, na África.
- 11:53Em sociedades tribais da Ásia em repetidos jantares com o
- 11:56ex-Presidente, sempre com os sorriso discreto tipo das
- 12:00madames de outrora, eu ainda olhava as fotos quando dona
- 12:03Lúcia entrou no salão, depois de ter sido anunciada pela
- 12:07Governanta Rsrs, dona Lúcia vem aí, é interessante de supetão.
- 12:14Me levantei meu atrapalhado para cumprimentá-la.
- 12:16Foi quando tropecei no tapete sobre meus pés e por culpa das
- 12:19leis da física. Acabei por derrubar uma montanha
- 12:22de livros velhos amontoados na outra ponta do tecido Belo
- 12:27começo me desesperei. Minha reação tinha suas razões
- 12:31semanas antes, na mansão de outra ricaça em São Paulo.
- 12:34Eu vira o espanto da dona da casa quando uma criança começou
- 12:38a brincar com um Rolo de metal gigante.
- 12:40Jogado num canto da sala, como se fosse um macarrão de piscina
- 12:44a mirim, como não mais de 5 anos, sentava sobre o canudo,
- 12:48cavalgava e quando se cansou, passou a rolar no chão misturado
- 12:51com a peça. Quem é a mãe dessa criança?
- 12:55É uma Tunga, é arte. Quem é a mãe dessa criança é um
- 12:59Tunga, é arte, é arte, dizia. Na tentativa de salvar uma obra
- 13:03avaliada em centenas de milhares de reais, todos riram com o
- 13:06atrapalho da mãe ao repreender em inglês a filha matriculada em
- 13:10uma escola americana ao estilo do meme da Socialite, Narcisa,
- 13:14também de Guai Don touch, It's Arts don't touch IT.
- 13:18No apartamento da embaixatriz tenso com o acidente, Dani, a
- 13:22pergunta é a arte dona Lúcia não menino, fique tranquilo.
- 13:27É parte da coleção de livros da biblioteca do Papai.
- 13:30Papai também foi embaixador e até meados de 60960, morou
- 13:35durante anos em um palacete às margens da Lagoa.
- 13:38A residência tinha quartos confortáveis para abrigar os 4
- 13:42filhos, 2 salões, além de uma ampla biblioteca iniciada NOS
- 13:46tempos de estudante em Coimbra, já aposentado com os filhos fora
- 13:50de casa, o velho decidiu vender a morada para uma incorporadora.
- 13:56Da negociação saiu com uma bolada de dinheiro em um
- 14:00apartamento para cada rebento. Não teve tempo de ver o prédio.
- 14:04Pronto morreu antes do fim da obra.
- 14:07Foi quando dona Lúcia teve a ideia de doar parte dos livros
- 14:10para os moradores do novo prédio, ela desejava ter um
- 14:13pouco do pai em cada apartamento, em respeito à
- 14:15Memória da família, boa parte dos novos habitantes manteve a
- 14:19instalação. Não era arte, mas tinha
- 14:22história. Depois do meu deslize, dona
- 14:25Lúcia fez questão de reforçar seu apreço pelo mobiliário
- 14:28herdado. E pelos outros móveis garimpados
- 14:31nas viagens pelo mundo, embrenhados em um labirinto de
- 14:35narrativas sobre a história de cada objeto.
- 14:38Chegamos a uma gaiola do tamanho de uma criança.
- 14:41Vazio o gradil servia de morada a mais um porta retrato, dessa
- 14:46vez no centro da foto havia 2 homens, um de terno e gravata e
- 14:50outro com a farda militar e um bicho apoiado no antebraço de um
- 14:54deles. É o papai, o Marechal Rondon e a
- 14:58nossa arara, o grande Marechal Rondon, muito amigo da nossa
- 15:02família e a gaiola perguntei, Arara veio dentro dessa gaiola?
- 15:06Foi um presente na volta de uma das expedições do Marechal.
- 15:09A arara se foi, mas nós mantemos a Memória guardando a gaiola.
- 15:16O Marechal Cândido Mariano da Maria da Silva Rondon foi um
- 15:18engenheiro militar EE sertanista, conhecido por suas
- 15:21explorações e aventureiras no Matogrosso e na Bacia Amazônica,
- 15:25onde teve contato com populações indígenas no Brasil profundo
- 15:29desenvolveu um fascínio pela relação dos homens com a
- 15:31natureza e se transformou em hábitos defensor dos nativos
- 15:34brasileiros em uma dessas idas e vindas entre a céu e o Rio de
- 15:38Janeiro, então capitão o então capitão da República.
- 15:42Trouxe uma arara vermelha já domesticada pelos indígenas,
- 15:46depois de expô la NOS salões do poder, deixou o animal no
- 15:49palacete da Lagoa Rodrigo de Freitas sobre os cuidados do
- 15:52embaixador. Desde então, cabe ao filho mais
- 15:55velho de cada geração o dever de cuidar do bem.
- 15:59Inicialmente a arara, agora a gaiola na falta dos vivos, é
- 16:04importante manter pelo menos a Memória viva é coisa da minha
- 16:07família, não tenho como abrir mão disso.
- 16:10De coisa de família César Carvalho, antropólogo,
- 16:13especialista em arranjos familiares, entende bem em suas
- 16:16pesquisas sobre as disputas de herdeiros cariocas pelo espólio
- 16:19dos antepassados, Carvalho NOS lembra de que as coisas da
- 16:21família são mais do que uma coleção de bens ou patrimônio,
- 16:24como gostam de acreditar os advogados e os tributaristas.
- 16:27Elas funcionam como plataformas de atualização dos valores, são
- 16:31depositários de sentido, suportes de uma totalidade
- 16:34perdida e o mais importante, Carvalho, acrescenta, as coisas
- 16:37de família são. A indicação de um tempo
- 16:40transformado em Memória. Ao reafirmar experiências que
- 16:44nunca viveram os vivos dialogam com O Tempo legitimador e criam
- 16:48com a ajuda dos objetos, um lugar em histórias das quais
- 16:51nunca fizeram parte. João, meu amigo e neto de Dona
- 16:54Lúcia, gostava de contar os efeitos, os feitos do velho
- 16:57embaixador, com eloquência capaz de fazer qualquer um acreditar
- 17:01que os 2 conviveram por muitos anos.
- 17:03Mas o velho morreu 30 anos antes do neto nascer.
- 17:06Ele via na pilha de livros jogados no canto da sala, o que
- 17:09não foi capaz de ver. Os olhos dele passaram por cada
- 17:13uma dessas páginas. Tem marca de café, tem anotação.
- 17:16Eu pego. Um, nessa montanha de livros e
- 17:19me imagino lendo como ele a saudade que João sente de tempos
- 17:23que jamais viveu, tem nome a nostalgia imaginada NOS termos
- 17:27de Ajun apadurai inverte a forma como costumamos NOS valer da
- 17:32imaginação no cotidiano. Se a imaginação pode ser
- 17:36entendida como uma fantasia sobre o futuro, um exercício de
- 17:40previsão do que poderá acontecer naquele caso, ela se transforma
- 17:44em ferramenta de conexão com quem já morreu.
- 17:47Na invenção de um vínculo intenso como o passado misturado
- 17:51a nostalgia, ela dá origem a uma Memória especulativa e cria um
- 17:54lugar na cena para os ricassos vivos, quando se lembram de um
- 17:58evento do passado, os ricos tradicionais se negam a contá-lo
- 18:01de maneira cronológica ao estabelecer conexões diretas com
- 18:04outro fato. As narrativas reforçam sempre um
- 18:08grande feito, mas sem precisar quando tudo aconteceu, na medida
- 18:12em que eles não têm clareza das Origens da história dos seus
- 18:16sobrenomes, os fatos aparecem borrados no tempo sobre a
- 18:20categoria, desde sempre. Esse artifício é intencional, é
- 18:23parte da estratégia de legitimação da própria posição
- 18:26no mundo dos ricos. Desde sempre eles frequentam os
- 18:29mesmos clubes e estudam nas mesmas escolas, casam nas mesmas
- 18:32igrejas, moram NOS mesmos bairros e etc.
- 18:35Né enfim, desde sempre são ricos e, por consequência,
- 18:39tradicionais. Depois de ostentarem as coisas
- 18:42da família dona Lúcia e o neto que me acompanhava naquela
- 18:45visita, sentaram-se à cabeceira da Mesa de 16 lugares na ampla
- 18:50sala de jantar do apartamento. Juntos, reclamavam das
- 18:53transformações vividas no Rio de Janeiro desde a mudança da
- 18:55capital da nossa. Ainda não superei a mudança da
- 18:59capital. Vejam vocês o que fizeram com a
- 19:03Guilhermina? Uma família importante na cidade
- 19:06levou saraivada de bolas pretas no country e tudo ficou por isso
- 19:09mesmo. Perderam respeito porque chegou
- 19:11primeiro. Nós estamos falando dos guinli,
- 19:15veja bem, há quanto tempo eles estão aí, não é mesmo?
- 19:18Emendou o neto, a trajetória da família guinley é um bom exemplo
- 19:23de como comerciante de uma loja de rua, depois de ganhar
- 19:26dinheiro. Inventaram estirpe e tradição.
- 19:30Eles se transformaram em símbolo da alta sociedade brasileira por
- 19:33administrar bem O Tempo legitimador e fazer todos
- 19:37acreditarem que são ricos desde os tempos bíblicos.
- 19:39Não é o que conta a história. Segundo a pesquisa de Cláudio
- 19:42Bulcão, biógrafo da família, o primeiro guinny brasileiro
- 19:46nasceu no Rio, no Rio Grande do Sul, em 1846.
- 19:48Filho de pais franceses das elites tradicionais europeias,
- 19:50Eduardo Guinle virou caixeiro viajante e fez negócios pelas
- 19:54Pampas gaúchas. Em uma dessas transações,
- 19:56conheceu Candido, ganfres ou gafres de Bagé, que se tornaria
- 20:02seu sócio em dezenas de empreitadas futuras.
- 20:08Juntos migraram para o Rio de Janeiro em 70 870, abriram um
- 20:12armarinho na rua da quitanda. O gafré.
- 20:15A loja começou a comprar e vender tecidos, mas logo se
- 20:19especializou na importação de produtos de luxo para uma elite
- 20:22carioca faminta pelas novidades da Europa.
- 20:24O negócio voou deu rios de dinheiro ficaram ricos.
- 20:27Eles só precisavam ser reconhecidos como tais.
- 20:30A solução foi expandir os negócios.
- 20:32A dupla passou a investir na construção de estradas de ferro,
- 20:36depois tornaram-se empreiteiros do Rio de Janeiro, em São Paulo,
- 20:39Alagoas, Pernambuco. Anos mais tarde entraram no
- 20:41lucrativo ramo do café e no setor fabril como uma fábrica de
- 20:45fósforos, até que concorreram. Para a construção do Porto de
- 20:51Santos, em São Paulo. A essa altura já eram os
- 20:53emergentes da vez na cena nacional.
- 20:56No entanto, nem gile e nem gafres tinham sobrenomes
- 20:59conhecidos para o então reconhecidos na então capital do
- 21:02país eram. Tão estranhos para as elites
- 21:06cariocas quanto Priscila? A blogueira em ascensão era o
- 21:09capacete de laquê alorado de Rebeca na clínica de
- 21:12emagrecimento. Não mantinham amizades no
- 21:15círculo mais restritivo do Império, não conviviam com a
- 21:17corte tão pouco com o imperador e a família real.
- 21:20Enfim, lhes faltava o primordial para resolver o problema,
- 21:23decidiram buscar sócios que lhes conferissem credibilidade,
- 21:27prestígio e confiança entre os poderosos da cidade.
- 21:31A dupla se juntou a um dos conselheiros do imperador, o
- 21:35filho de um próspero capitalista de São Paulo.
- 21:37Foram aceitos nas altas rodas. O acordo foi selado na mansão da
- 21:42família guinle, cuja propriedade ocupava um quarteirão inteiro em
- 21:46Botafogo. O palacete de arquitetura
- 21:49francesa tinha jardins à inglesa quartos para os empregados,
- 21:54cocheira e garagem. A propriedade servia de cartão
- 21:57de visita não apenas pelos objetos caros de decoração, mas
- 22:00principalmente pelas dimensões exageradas para o padrão da
- 22:02época. Coisa de rico os sócios não só
- 22:05fizeram a modernização do Porto de Santos, como ganharam os
- 22:07direitos de explorar os serviços de armazenamento e fazer uma
- 22:10nova expansão. Sem concorrência pública dali
- 22:13partiram para a reconstrução do centro do Rio de Janeiro e nesse
- 22:15momento, a fama se consolidou NOS grandes salões.
- 22:18Viúvas dos barões do Império do Império Danaram a repetir se o
- 22:22Rio de Janeiro estava sem se o Rio de Janeiro estava se
- 22:25civilizando muito, devia aos guinli que, com aguçado senso
- 22:30estético, erguiam prédios de inegável beleza, ajudando a
- 22:33transformar a cidade depois de mais de 30 anos.
- 22:37Finalmente, a família virou sinônimo de tradição, Bom Gosto
- 22:40e cultura. Eram enfim tradicionais como
- 22:43Pontou Nelson Rodrigues, escritor e dramaturgo em umas
- 22:46suas crônicas no jornal o Globo. O dinheiro não explica a grande
- 22:49e obsessiva presença dos guinny na vida brasileira.
- 22:52O que realmente fascinava era uma certa atmosfera ou Sei Lá um
- 22:57certo comportamento social e humano.
- 23:00A soma de certos valores espirituais, a aura singular,
- 23:04percebida pelo dramaturgo pernambucano, é fruto do projeto
- 23:08de metamorfose social bem-sucedido e executado pela
- 23:11família por mais de 8 décadas, assim como todas as famílias
- 23:15tradicionais brasileiras, os antepassados dos.
- 23:18De Guilhermina assumiram um lugar de destaque entre os
- 23:21emergentes do final do século 19 e depois foram reconhecidos como
- 23:25símbolo de tradição. Nessa empreitada, é preciso agir
- 23:29sobre as coisas de rico, de modo que auxiliem a inventar vínculos
- 23:33com o passado, reconstruir laços com amigos para criar a sensação
- 23:37de que são próximos desde sempre e saber lembrar e esquecer com o
- 23:42intuito de reforçar a posição no mundo dos ricos.
- 23:46É justamente nessa tessitura que reside a eficácia do tempo
- 23:50legitimador. Esse movimento em geral não
- 23:53demora mais de 2 gerações, tempo suficiente para herdeiros
- 23:56esquecerem quem fez o dinheiro. Primeiro, ao contrário da
- 24:00aristocracia francesa, que é capaz de lembrar com detalhes,
- 24:04nomes, títulos e feitos dos antepassados por até 5 gerações.
- 24:08No Brasil, o ricos tradicionais lembram no máximo que foram seus
- 24:11avós, os outros são apagados, deixados de lado.
- 24:15Quem pôde inventar a tradição com fotos com personalidades
- 24:18históricas, honrarias, livros, gaiolas e anedotas, como as
- 24:22contadas por Lúcia, não enfrenta dificuldades.
- 24:26Quem não tem essa chance? Arruma um jeito, é o que
- 24:29justifica o desespero das camadas médias brasileiras por
- 24:32recuperar um passaporte europeu desde o fim da pandemia.
- 24:36A procura pelo vínculo cresceu mais de 35%.
- 24:40Só entre os descendentes de italianos.
- 24:42O processo é simples para dar conta da nostalgia imaginada, os
- 24:47rebentos precisam provar com certidões de Nascimento e outros
- 24:51documentos que são parentes diretos do primeiro aventureiro.
- 24:55Feito isso sem saber nenhuma palavra em italiano ou conhecer
- 24:59a grandiosidade. Dos heróis da nação, eles saem
- 25:02por aí dizendo ser meto italiano porque possuem.
- 25:07Passaporte não é que é uma espécie de coisa de rico?
- 25:12A maioria dos mais de um ponto 4000000 de italianos que vieram
- 25:15para o Brasil de 1874 a 1920, não fez a viagem por paixão
- 25:19pelos trópicos. Ao contrário, aqui desembarcaram
- 25:20porque a vida das pequenas propriedades.
- 25:29Do Norte da Itália lembrava o inferno de Dante.
- 25:32Os dias eram atravessados por calamidade climática, fome e
- 25:37instabilidade política na Itália recém unificada, o que fazia da
- 25:41Dolcevita um prato amargo demais para se enfrentar sem
- 25:46perspectivas, a ralé italiana se meteu NOS navios para substituir
- 25:50a mão de obra dos negros escravizados.
- 25:53Assumiram os barracões e viraram empregados de patrões
- 25:57acostumados a mandar com o açoite.
- 26:01No entanto, a Memória é vigarista e seleciona só aquilo
- 26:04que legitima AA, distinção que legitima a distinção todo o
- 26:09resto. Ela esquece se o primeiro
- 26:11imigrante a chegar no Brasil for um bisavô, o máximo que um que
- 26:15um descendente lembrará é o país de origem para não errar o
- 26:19consulado, onde deve requerer a certificação de vínculo
- 26:22familiar, eles não sabem falar ou não querem sobre a região,
- 26:27como era a situação familiar antes da partida.
- 26:30Como foi A Chegada? O que vieram fazer aqui ou por
- 26:32quais razões largaram o conforto paradisíaco da Europa rumo a um
- 26:36Rincão do Brasil? Mas sempre que podem insistir em
- 26:40reforçar a origem Europeia e o documento Eu sou italiano.
- 26:43Também tenho passaporte se puderem, reforçariam desde
- 26:46sempre se pudessem, não é? Diriam que era desde sempre
- 26:52outra saída. Ainda nesse Tema é apostar nas
- 26:55coisas de rico com ares de antiguidade.
- 26:57Então, antes de mudar o Tema aqui.
- 27:02É verdade essa história do desespero da classe média pelo
- 27:08passaporte e tal, mas volta para Dani okayman como tudo é
- 27:13enquadramento, não é? Vamos lá, vamos supor que você
- 27:17descobre que é o seu bisavô. Muita gente não sabe nem o nome
- 27:23do bisavô, não é? Então que seu bisavô, que você
- 27:27não conheceu. É americano e que por isso você
- 27:33pode, não é mediante um pleito. É conquistar dupla cidadania.
- 27:41Zero condições normais de temperatura e pressão 100% das
- 27:45pessoas fariam esse pleito. Né que tenham acesso à
- 27:50informação condições financeiras para dar entrada na coisa e tal.
- 27:54Se fosse o contrário? Não é um americano descobrisse e
- 27:58tal não sei o que ele poderia ter.
- 28:00Dupla cidadania EEE ter o passaporte brasileiro também.
- 28:07Menos de 100% das pessoas fariam questão disso não é?
- 28:10Então, dada a posição do Brasil, Se Eu descubro que eu poderia
- 28:14ter cidadania italiana? Ou sueca ou holandesa ou
- 28:20americano canadense. A assimetria é favorável aqui,
- 28:25né? Inclusive por quê?
- 28:26Pô, mas se sou um cidadão da União Europeia, isso.
- 28:32Pode ter algum tipo de facilidade de repente para o meu
- 28:35filho estudar numa escola lá ou numa viagem alguma coisa ou não
- 28:38para, então eu só estou colocando aqui, tipo assim.
- 28:42É do jeito que é escrito, parece assim 11 desespero meio tolo
- 28:48para poder dizer que eu sou nobre.
- 28:51Enquanto que ao mesmo tempo pode ser encarado como uma decisão
- 28:53meramente irracional, não é? Podemos seguir.
- 28:58É esse livro, ele tem algumas conexões assim que.
- 29:03É, podem ser vistas como um pouco forçadas, não é?
- 29:05Por exemplo, ainda nesse capítulo, quando ele fala dos
- 29:09das coisas de família, eu acho que isso não se restringe também
- 29:12a quem é rico. Isso é uma lembrança.
- 29:14Enfim, é uma coisa que ajuda muitas vezes a lidar com o luto
- 29:17e tal, então. É é isso, só que óbvio, né?
- 29:21Dentro desse contexto, aqui, talvez uma família que realmente
- 29:24tenha uma história, o cara tinha ali uma foto com Marechal Rondon
- 29:27e tinha uma arara que ele trouxe.
- 29:29Não sei de onde e a arara ficou muitos anos na família.
- 29:31Óbvio, é uma história que ela é mais rica, digamos assim, né?
- 29:34Por conta do do enredo, mas é isso, está presente e acho que
- 29:37em todos, todos os lares, não é? É praticamente é, então tem tem
- 29:42um pouco de forçação aqui, mas mas OK, vamos seguir.
- 29:45Vamos seguir. Bem, outra saída é apostar nas
- 29:49coisas de rico com áreas de antiguidade, né?
- 29:51Grant mccraek é na antropólogo canadense especialista em
- 29:54consumo, defende que os bens têm um papel de agir como ponto de
- 29:57acesso para os mundos desejados. Eles fazem com que Sonhos se
- 30:00tornem realidades praticáveis. Aquilo que seria de outra
- 30:04maneira improvável no mundo real se torna uma possibilidade com a
- 30:06ajuda de um cartão de crédito NOS antiquários, eu me
- 30:09surpreendi com. Os atendentes e o pouco que
- 30:13sabiam sobre seus produtos, não precisava de mais.
- 30:17Aqui é o seguinte velho. Antiquário.
- 30:22É vender história se o cara não contar a história do produto, o
- 30:26produto não vale nada, né? Bem?
- 30:28Durante a venda, eles se esforçavam apenas por reforçar o
- 30:32local de origem de maneira muito vaga e o período de fabricação é
- 30:35francês do século 18. É aí aí o antiquário.
- 30:41E as clientes saiam satisfeitas com a informação dispostas a
- 30:44pagar caro pelas peças sem cobrar qualquer comprovação era
- 30:47suficiente. Então.
- 30:50Vamos dar razão para antiquário, está funcionando assim, né?
- 30:53Mas poderia estar, estar, estar, está indo melhor bem.
- 30:56De igual modo as poltronas isso só faz de designers do período
- 31:00modernista brasileiro, eram objeto de desejo os móveis de
- 31:03Sérgio Rodrigues, as poltronas de Niemeyer e Paulo Mendes da
- 31:07Rocha é as cadeiras de terreiro de Lina Bo Bardi, zázupim e a
- 31:13tapeçaria Jean Jilon eram muito procurados e tinham lugar de
- 31:17destaques nas casas. O valor depositado nesses
- 31:19objetos. Criados por designers
- 31:22reconhecidos, está na sua atemporalidade desde sempre e
- 31:25não na antiguidade. Há quanto tempo?
- 31:28Aqui é um conceito interessante, não é?
- 31:30A categoria nativa desde sempre brinca com O Tempo ao gosto do
- 31:36dinheiro velho, reforça a longevidade e a permanência e a
- 31:41estabilidade nas altas rodas, mas despreza O Tempo como algo a
- 31:44ser levado em consideração. É como se dissesse, faz tanto
- 31:48tempo que não vale nem a pena contar se os novos ricos estão
- 31:51desesperados por enfatizar os grandes Marcos da ascensão com
- 31:55pontos de virada, os tradicionais vão reforçar que.
- 31:58Estarem no mundo dos ricos há tanto tempo, essa nem é mais uma
- 32:02variável importante a ser disputada.
- 32:05É coisa para quem chegou agora as altas rodas e mais se os
- 32:09primeiros se valem da identidade postiça no ciclo de
- 32:12autotransformação, os tradicionais se agarram à
- 32:16estabilidade das coisas de rico atemporais, sejam elas, amigos,
- 32:19espaços, títulos, passaportes, entre outros, para convencer os
- 32:21de fora de quem são. Na mansão da Gávea repleta de
- 32:26tapetes persas, quadros com retratos, esculturas, imóveis
- 32:29herdados, segui grudado NOS 2 embaixadores, o gordo e o magro,
- 32:34com o objetivo de entender melhor a importância e as
- 32:37agruras de quem nasceu com berço certa hora para cumprimentar o
- 32:42empresário recém chegado, o magro se levantou, segui com o
- 32:45boju do que com os copos de uísque e uma certa intimidade,
- 32:48dando a falar. Você sabe que ele mudou de nome,
- 32:51né? Ele é trans, perguntei sabendo
- 32:53do absurdo, mas interessado em agravar ainda mais a gravidade
- 32:57do que me era dito trans o quê do que você está falando?
- 32:59Garoto? Homem trans, respondi, claro que
- 33:02não, que pergunta idiota. Ele tinha 2 sobrenomes, um
- 33:06italiano e outro espanhol. Entrou com um processo na
- 33:09justiça para adicionar ao nome português que se perdeu no
- 33:13tempo. Isso mudou a carreira dele lá no
- 33:15Itamaraty mudou. Agora tá igual os Amorim os
- 33:19patriotas de Mourão, os Leitão, os amados de Oliveira Campos, os
- 33:22Viana, os Corrêa de Lagos. Só nata foi.
- 33:27Eu sigo italiano e encerrou o assunto com a aproximação do
- 33:30colega. Me custou mais de 10 anos de
- 33:34contato contínuo com o Gikos Mundo afora para entender como a
- 33:37troca de sobrenomes do diplomata magricelo.
- 33:41Haviam ajudado a avançar na tortuosa carreira burocrática do
- 33:45Itamaraty sem o sobrenome português ou sem pertencer a uma
- 33:49família com algum valor naquelas rodas.
- 33:51Certamente ele enfrentaria dificuldade maiores para
- 33:54alcançar postos privilegiados nas principais embaixadas.
- 33:58Uma coisa de rico o argumento faz sentido na lógica da
- 34:01distinção à brasileira. Sabemos que os primeiros
- 34:04italianos partiram. Em 3/01/74 do Porto de genova a
- 34:08bordo do La Sofia, rumo ao Espírito Santo no Brasil, em
- 34:13busca de uma vida melhor nas fazendas de café.
- 34:16Tanto tempo atrás, os portugueses chegaram antes pelos
- 34:19idos de 1500 e aqui seguem desde sempre, não é?
- 34:24E aí sim ricos de verdade, a gente vai.
- 34:32Para a última parte do nosso querido livro, será que ele vai
- 34:36falar das profissões aqui? Ele vai entrar com o advogado?
- 34:42Aí, depois tem o risco, o litígio.
- 34:46O veredicto. Então.
- 34:48Não e risca no chão. Não são, não são profissionais.
- 34:52Esse é outro capítulo, não é fazendo aqui a nossa avaliação,
- 34:56como a gente costuma fazer que eu eu é assim quando você.
- 35:03Entende muito de um assunto pesquisa estuda bastante um
- 35:06assunto é você normalmente tem prazer em falar desse assunto.
- 35:09E você quer quando vai fazer uma apresentação?
- 35:14Dar vários exemplos, falar de cada detalhe e tal.
- 35:17Esse é um grande desafio, por exemplo.
- 35:20Um processo de é construção de uma prestação comercial, não é?
- 35:24Então a gente estava falando aqui do do The Departed antes de
- 35:27começar, que é o 111, modelo de negócios para as pessoas
- 35:32empreenderem. E as primeiras as primeiras
- 35:38Apresentações. Quando eu estava desenhando lá
- 35:40eram prestações de 1 hora e 30, 1 hora e 20, aí fiz super
- 35:44esforço para vim para 50 minutos e mesmo assim é difícil.
- 35:47Porquê? Como o modelo é muito legal,
- 35:50você fica querendo dar detalhes, dar exemplo da simulação, falar
- 35:53de cada micro minúncia ali e tudo.
- 35:57E, obviamente isso interessa mais a você do que ao
- 35:59interlocutor, não é? Então, esse capítulo aqui pela
- 36:02segunda vez. Especificamente um capítulo.
- 36:06Isso passa pelo livro como um todo, mas aqui mais destacado,
- 36:10eu fiquei com essa sensação que aqui putz ele.
- 36:12Ele podia ter passado essa ideia do pô desde sempre.
- 36:15Então os objetos, as histórias, elas cumprir esse papel.
- 36:18Não é que é Oo neto, contando do avô como se tivesse vivido
- 36:23junto, mas na verdade, o avô morreu 30 anos antes do cara
- 36:25nascer e tal, e isso meio que legitima que eu sou tradicional.
- 36:30É porra dá para fazer isso com 20% do tamanho desse capítulo,
- 36:35não é? Mas é um pouco do pô.
- 36:36Eu fiz a pesquisa e eu quero trazer aqui obviamente que.
- 36:42Cada leitor tem uma experiência, né?
- 36:44Então talvez alguém de uma família clássica ou um
- 36:47jornalista ou alguém que se identifica muito com a pesquisa
- 36:49em si, né? Esse foi um passeio aqui, né?
- 36:53Mas eu eu fiquei com essa sensação assim, um capítulo um
- 36:55pouco mais arrastado por conta disso.
- 36:57Brunão, observações. Talvez ele tenha ele faça isso
- 37:00como uma estratégia. Eu estava pensando aqui, ele não
- 37:03fala o nome das pessoas, né? De alguns alguns ele fala o nome
- 37:06correto, outros não, mas ele dá muitas características.
- 37:09E aí é talvez para um pequeno grupo que sabe quem são essas
- 37:13pessoas. Fica essas.
- 37:14É é essa essa extensão do capítulo tenha valor porque ele
- 37:18compartilha detalhes da conversa.
- 37:19E aí, talvez isso eleve um pouco ali, né?
- 37:22Ao nível de, Sei Lá a autoridade dele para para falar sobre o
- 37:25assunto, enfim. Mas acho que nunca saberemos,
- 37:28não é? Talvez.
- 37:28Agora sim, se puder falar engraçado que ele fez essa
- 37:31pesquisa e ele fica brincando que é, pô, Eu Não consegui
- 37:35acessar me tornar um insider, não é um de dentro, não é?
- 37:38Foi o outro cara que é o antropólogo do luxo e tal não
- 37:40sei o que e esse cara realmente se tornou um de dentro assim,
- 37:44porque imagina você com com Michel ao?
- 37:48Conforado. Imagina você num num evento?
- 37:52Com gente rica. Parando para conversar com esse
- 37:54cara. Até para o cara que é rico de
- 37:57berço, deve ser uma palestra por não é só de história que ele
- 38:01conta do que ele teve acesso do que ele viu e tal no processo de
- 38:04pesquisa. E aí, quanto mais?
- 38:08Ele é interessante, ele é convidado e ele vivencia outras
- 38:12coisas e conhece outras pessoas e acessa outras histórias.
- 38:15E por ter uma história a compartilhar muito interessante.
- 38:19As pessoas querem conversar com ele e ele acessa mais e é esse
- 38:22cara, acertou. Acertou bem acertado, acertou
- 38:26mesmo, não é bem e aí volta para uma coisa, eu estava, eu estou
- 38:30lendo, agora eu vou acabar agora NOS próximos dias eu comentei
- 38:34com o brunão normalmente, quando a gente antes de começar a
- 38:37gravar, a gente bate um papo sobre o que é que.
- 38:39Lendo, não é? E eu estou concluindo, aqui é de
- 38:430 a 11 livro do Peter Thiel, não é que é 11 considerado?
- 38:47Ele não é muito famoso no Brasil, mas é nos Estados
- 38:49Unidos. Considerado uma das bíblias do
- 38:50empreendedorismo. Que o subtítulo é é o que o vale
- 38:56do Silício tem a assinar sobre empreendedorismo, então ele ele,
- 38:59ele fundou o PayPal com o Elon Musk, primeira empreitada do
- 39:03Elon Musk. E aí Paul ganharam muito
- 39:05dinheiro, mudou um, montou um fundo de capital de risco.
- 39:09E aí? Acertou muitas grandes teses.
- 39:12Uma delas foi o Facebook, tem várias outras EE se tornou
- 39:15conselheiro. É um cara super respeitado.
- 39:17E aí uma das coisas que esse cara fala e que aí Eu Não sei
- 39:20se. Por ele ser esse ícone do
- 39:24empreendedorismo lá se foi ele que falou em primeiro lugar ou
- 39:26se foi muito antes dele. Eu sei que é uma coisa que muita
- 39:28gente repete, que é o tal do follow the Money, não é?
- 39:32Então é aqui um exemplo clássico de pô, onde que circula dinheiro
- 39:38em gente muito rica, então vou me inserir lá de alguma maneira,
- 39:42não é? E no caso dele, deu bastante
- 39:45certo. Bem comentário feito é um
- 39:49episódio mais longo, bem mais denso, não é?
- 39:51Até até para mim. Na leitura, confesso que foi 111
- 39:54episódio um pouco mais denso, mas missão cumprida.
- 39:57Segundo Bruno, agora vem a melhor parte do livro porque só
- 39:59tem sites maravilhoso porras, provocações inteligentes
- 40:03engraçadas. Não é isso, brunão?
- 40:05Espero que sim, espero que sim. Espero que sim.
- 40:08Então lá vamos cumprir esse livro.
- 40:09A gente não vai cortar, não vamos até o final.
- 40:11A gente se encontra no próximo episódio.
- 40:12Muito obrigado pelo seu tempo. Espero que tenha valido a pena e
- 40:14até a próxima.