Latest / E se...? / E se recriássemos o Telejornal?
Transcript
- Pedro Figueiredo: Olá, bem-vindos aqui a mais episódio do podcast E se...? O meu nome é Pedro Figueiredo. Então, antes de mais, de alguma forma pedir desculpa pela grande ausência na gravação de novos episódios. período de grande interrupção, com férias lá pelo meio, com tempo também para refletir-se se realmente valeria a pena continuar, de que forma, com que temas... E, exatamente por causa das férias... porque normalmente no meu dia a dia eu não vejo o telejornal, primeiramente porque não há muito tempo e tomam-se outras decisões para esse período e depois porque na verdade, durante as férias aí sim, houve hipótese de estar a acompanhar dia ou outro telejornal ou até mais do que telejornal e ficar com uma sensação que não sei se é só minha, se é partilhada por mais alguém. de que é período de tempo que perdi. É o que eu sinto. Porquê? Porque na verdade a maioria das notícias que eu vi não me serviram de muito, não me inspiraram, não me motivaram. Eu não senti que a informação que foi partilhada realmente depois me pudesse de alguma forma... apoiar ou ajudar nas minhas decisões no meu dia a dia. É, basicamente, entre período do telejornal, que é de entretenimento, quando supostamente o telejornal terá sido criado para fazer serviço público de informação e até de educação, e de repente as notícias que eu vejo são sempre, vamos dizer assim, de miséria. de coisas negativas, de muitos temas ou aspectos desses temas sobre os quais aquilo que eu sinto é que eu não posso realmente fazer nada, que eu estou aqui simplesmente ao sabor desse vento e das consequências disso e que não há nada que eu possa fazer. Muitas vezes a própria informação que é partilhada de alguns temas é informação que... é de tal maneira específica que para a maioria das pessoas aquilo, rigorosamente, não só não serve para muita coisa, como talvez haja uma até incapacidade de compreensão e de entender porquê estarem a partilhar connosco tantos detalhes de alguns temas que, de facto, não servem para nada. E, portanto, Fiquei a pensar que, claramente, acho que para mim tomei uma decisão boa que é, durante o meu dia a dia, não ir ver o telejornal, vejo notícias sim, mas de uma outra forma, muito mais seletiva, sou eu que faço a pesquisa dos temas que eu quero e através de outros meios, e não, se calhar, a duração toda de telejornal onde eu retive, se calhar, uma coisa interessante ou... Talvez nem isso. Portanto, fiquei eu a pensar quando fui exposto a essas duas ou três sessões de telejornal e se eu fizesse e se eu criasse telejornal. E com isso o meu cérebro começou a pensar primeiramente qual é que é ou qual é que será a verdadeira missão de telejornal. E eu penso que enquanto espectador, enquanto cidadão, Porque eu tenho uma programação de canais que me dão programas de diversos tópicos, com diversas abordagens. Portanto, tenho programas de informação, tenho programas, muitos programas de entretenimento, tenho programas que não sei bem o que é que e é só qualquer coisa. Talvez até para encher a agenda, não percebo. Tenho outros que é só para vender também alguma coisa. E eu chego ali ao Telejornal e penso, este é momento super importante, porque o Telejornal é programa que está nos horários que a maioria das pessoas têm disponível para estar na televisão, seja de manhã, hora de almoço ou mais à noite. E portanto, como é horário premium aquilo que estamos a dar aos espectadores realmente deveria contribuir e acrescentar valor para, neste caso, fazer o seu papel de serviço público. E então, como é óbvio, e isto é só uma hipótese, daí o podcast também ser, e se? E se recriássemos telejornal, neste caso, condicionado por aquilo que é a minha visão, porque sou eu que neste momento estou a pensar, se eu recriasse telejornal, como é que ele seria? Mas aquilo que eu pensei então foi... eu quero de alguma forma ter a noção do que se passa. De uma forma primeiramente objetiva. E quando eu digo que quero saber aquilo que se passa, eu estou a não só coisas que se calhar são muito importantes, porque têm impacto no mundo todo e portanto é importante saber notícias que estão para lá, nossas fronteiras, se essas notícias... principalmente tem impacto para nós, seja enquanto humanidade, seja enquanto país, sociedade, onde nós estamos inseridos. Portanto, isso seria a primeira. E depois, de alguma forma, eu gostava de sentir que com essa informação isso gerava alguma palavra que me vem à cabeça, as palavras de responsabilidade ou agência, ou seja, eu sinto que posso fazer alguma coisa com essa informação. Ou que, pelo menos, agora que eu a tenho, eu posso se calhar até alterar alguma coisa no meu dia a dia, que pode até só ter impacto mim, mas fazer diferente porque agora, olha, nunca tinha pensado sobre isto, agora estou mais informado, percebo que isto funciona assim, ou que está a acontecer isto, e que eu posso fazer A ou B ou C. E eu sinto que tenho algum poder de decisão. E depois, claramente eu gostava que... de sentir que no final de telejornal eu estava... Eu gosto destas palavras assim, parece... Mas eu gostava de me sentir empoderado e motivado e inspirado para dizer assim... Ok, vamos a isso, vamos à vida! Porque eu agora tenho mais capacidades para ir para a vida. Então, pensei... Ok, então informação... Portanto, eu quero saber... Depois eu quero saber o que fazer e depois quero me sentir... motivado ou inspirado para fazer. Como é que isto poderia se estruturar num telejornal? E o meu cérebro começou então a pensar, bom isto tem que ter alguma estrutura, porque senão é só uma anarquia completa. E pensei que na parte da informação, porque temos tempo limitado, como é óbvio, e de alguma forma isto poderia, há sempre coisas que estão a acontecer no momento e há essa urgência de partilhar, mas que ao longo da semana... os episódios do Telejornal, os dias, poderiam estar organizados por aquilo que muitas vezes na área até do desenvolvimento pessoal, mas isto é uma coisa completamente pragmática, são as áreas da nossa vida. É a educação, são as finanças, é o trabalho, são as relações, é a saúde, são os hobbies, todas as áreas que a nossa vida tem e por isso... Se calhar, para cada episódio isto poderia dar tempo para abordar duas ou três áreas da nossa vida, com alguma notícia para cada uma delas, que fosse realmente atualizada e que começasse, primeiramente, por uma perspectiva objetiva, que é aquilo que é factual e que ainda nem sequer foi sujeito a nenhuma opinião, como, sei lá... está a x grau. X graus é X graus. Foi medido e eu posso dizer que estão X graus de temperatura. Por exemplo, ou aconteceu o eclipse. Aconteceu. Toda a gente viu, é factual, é objetivo. Porque há coisas que são objetivas, aconteceram, estão comprovadas e são interessantes de saber para entender tudo o que está a passar. Então, talvez... Há alguma informação muito objetiva que esteja a acontecer sobre algo sobre as finanças, sobre a política, sobre a saúde, decisões políticas, todas essas áreas. E, portanto, aconteceu isto. E agora, sobre algo que aconteceu, que quando se faz telajornal e se tem convidados, e muitas vezes até mais do que convidado para cada tema, que a maneira como fosse conduzida, e isto implicava realmente uma cultura completamente diferente por trás do telejornal, estas pessoas não fossem lá tentar ganhar o que quer que seja. E fossem, acima de tudo, a expor visões e opiniões diferentes depois na análise do que aconteceu. As consequências, os porquês... Aqui sim... Poderia haver espaço para subjetividade, opiniões, mas não para tentar mandar abaixo a outra opinião e simplesmente dizer assim, ok, essa é a tua opinião, diferente da minha, provavelmente, vou expor a minha. Nem sequer vou começar a dizer mal da tua. São só duas, três opiniões diferentes. Porque isto é o que estimula nos cidadãos a capacidade de reflexão. Senão a única coisa que estamos a estimular é a disputa, a guerra, a polarização e das duas uma, ou estou do lado A ou B, se estou do lado A, de certeza absoluta que estou contra o lado B. Portanto, há maneiras e maneiras de se dialogar, de se discutir num tema e esse tinha que ser, literalmente, maneira como funcionaria a parte subjetiva desta... componente do telejornal dedicada à informação. E lá está, para diferentes áreas e depois ao longo da semana. Hoje falamos desta área, desta área e talvez duas ou três. Amanhã já vamos tocar nesta, nesta e nesta, se calhar no dia seguinte já estamos outra vez naquelas. E vamos assim apanhando bocadinho de todas as áreas, todas as semanas e vamos abrangendo assim. Porque o que eu vejo nesta parte da informação é... Informação super repetitiva, não acrescenta nada de novo, só causa mais ruído. Informação que... pronto, é como eu disse e peço desculpas para estar sem repetitivo, mas que não acrescenta. E depois, quando se pede a alguém uma opinião, é alguém literalmente só defensor da sua e completamente contra todas as opiniões diferentes e que vai tentar ao máximo... vender a sua opinião. E, portanto, temos muitas vezes até faltas de respeito, nem sequer estamos a ter bom exemplo do que é dialogar ou fazer discurso ou uma discussão na televisão. Não, estamos a ver uma guerra, uma troca de galhardetes, que no final muitas vezes nem sequer se foi ao cerne da questão e ninguém ficou a perceber quase nada. Portanto, este seria o bloco de informação que terminaria... depois de informação e depois de opiniões e subjetividade, com a colocação exatamente de uma hipótese ou de algumas hipóteses que é o que é que agora com esta informação os cidadãos podem fazer? Será que os cidadãos sabem que podem ir manifestar a sua opinião numa petição pública, alguma coisa? Será que eles sabem que isto depois podem casa fazer qualquer coisa diferente para... Será que daqui para frente, no seu dia a dia, portanto, algo que traga responsabilidade e que traga potencial da ação. E fecharia assim bloco. Outro bloco que não tem propriamento, pode parecer parecido, mas bocadinho mais específico seria o bloco de educação. Educação do quê? Há uma forma, eu acho, seria daquelas disciplinas que nós nunca tivemos na vida, na escola, e que deveríamos ter tido. Nunca ninguém nos ensinou sobre o cérebro, sobre emoções, sobre relações, sobre finanças, sobre saúde, prevenção. Na área da saúde, nunca ninguém nos falou sobre nada disto, porque isto parece não é interessante. O que interessante é saber de geografia, de química, de física. tudo aquilo que nós, certeza absoluta, aplicamos no nosso dia a dia, com muita frequência. E, portanto, mais uma vez, de alguma forma, rodando tópicos, isto são tópicos, mais uma vez, das áreas da nossa vida, hoje, se calhar, talvez desse tempo para ou dois tópicos, eu iria dizer assim, vamos abordar hoje tópico específico sobre a saúde, como, por exemplo, o sono. Ok, vem especialista ou dois, apresenta-se aquilo que se sabe cientificamente, os estudos mais atuais, o que é que se sabe e, de alguma forma, depois de partilhar o que se sabe, o que se pode fazer? E estamos a educar todos os cidadãos para melhorar a qualidade do seu sono, para terem mais saúde, com isso, se calhar, faltam menos ao trabalho, são mais produtivos, estão mais felizes, desenvolvem menos doenças. e por aí fora. Será que isto não interessa? Portanto, seja agora este exemplo do sono, poderia ser sobre investimentos. Não há interesse ensinar os cidadãos sobre o que deveriam fazer para proteger o seu património ou para fazê-lo crescer de forma mais segura, para proteger os filhos, etc. Será que isso não tem interesse? Há tanta coisa, tanta, tanta coisa que se pode abordar, falar... ensinar a todos desde os 5 anos ou com uma minima idade de compreensão até aos cento e tal anos, que todas as pessoas beneficiariam. Haveria de certeza absoluta crianças a olhar para telejornal a aprender tanto como alguns adultos. Portanto, haveria então na minha visão bloco muito interessante só de educação com o que está comprovado. o que se sabe e o que se pode fazer já. E depois, foi uma ideia que me ocorreu, para terminar grande o Telejornal, haveria a partilha de uma ou outra história inspiradora. Inspiradora quer dizer quando nós vemos que se calhar aqui, mesmo aqui ao lado, ou se for preciso do outro lado do planeta, não interessa, há alguém... de forma individual ou comunidade ou com a sua empresa realmente fez algo de extraordinário, de positivo, que teve impacto ou no planeta, na natureza, noutras pessoas, numa só pessoa, não interessa. Qualquer coisa que a pessoa termina e diz assim. Assim vale a pena. Assim vale a pena realmente continuar porque há este lado positivo do ser humano de cooperação, de empatia, nos momentos que é mais difíceis fazer qualquer coisa diferente. aquilo que eu vejo muitas vezes no telejornal é que eu saio quase depressivo, porque para além de saber o que é que alguém na aldeia Y fez ao seu filho, porque estava perturbado, e vamos agora todos debater aqui o porquê que esta pessoa... O que é que terá levado aquela pessoa a fazer bem, fazer mal lá naquela aldeia? O que é que isso a mim? O que é me estão a ensinar? Se houvesse alguma no final disso tudo, realmente alguma educação? Ok. Mas não há. Estamos só literalmente a consumir tragédias. Que nos tiram, das duas uma ou nos colocam medo, ou nos colocam depressivos, ou até, digamos, desanimados para aquilo que é... a vida sociedade. Portanto, fica aqui uma sugestão do que poderia realmente ser telejornal. Como é óbvio, é só uma sugestão. De certeza que há muitas mais e muito mais interessantes do que a minha. Esta foi a que me ocorreu, porque é criada com base no meu cérebro, naquilo que é a minha experiência, naquilo que eu sinto e naquilo que eu gostava de vir a sentir e observar. é por causa disto, exatamente por aquilo que eu gostava de sentir e de aquilo que eu gostava depois de... é a redundância novamente, mas de sentir-me capaz de fazer logo a seguir, que eu fujo cada vez mais do telejornal e vou realmente pesquisar este tema. Se calhar num episódio de podcast, entrevista específica com aquela pessoa. Ok, deixa-me ver. E agora, o que é eu posso fazer? Deixem-me ver pessoas que estão dentro da área e que já fizeram diferente. Só que isto, como é óbvio, implica tempo, implica disponibilidade para andar a pesquisar, para andar há muito tempo, se calhar, num telejornal, que é programa acessível, grátis, nos horários que mais pessoas consomem. Poderia ser programa de real interesse, programa familiar, e programa inspirador. Fica aqui a sugestão. Quem sabe até dia se juntam aqui uma série de pessoas e se faz realmente pedido para que o telejornal possa mudar. O problema, claro, que nós ligamos a RTP, SIC, a TVI ou outra coisa qualquer e as notícias são as mesmas, inclusive as frases que os nossos... interlocutores e os mediadores do telejornal utilizam, são muitas vezes iguais e portanto não interessa se está de canal ou de outro. O que nós estamos a colher é praticamente a mesma coisa, o resultado é praticamente o mesmo, as sensações são praticamente as mesmas e como é óbvio isto acontece porque talvez haja interesse que seja assim. Mas seria realmente muito interessante numa espécie de mundo novo, que o telajornal realmente tivesse este impacto positivo nas nossas vidas. Até a próximo episódio e até lá, cuide de si.