Latest / ED Podcast [@arthurdantaslemos] / COISA DE RICO #XXII - O FINAL (CLUBE DO LIVRO)
Transcript
- 0:09Senhoras e Senhores, sejam muito bem-vindos enquanto eu tomo aqui
- 0:12um golinho aqui desse desse maravilhoso café.
- 0:17Vou fazer uma pergunta aberta aqui para Bruno Maia Soares.
- 0:21Você viu que vem um consultor NOS visitar aqui, né, Wesley?
- 0:23Um abraço aí para os nossos clientes e amigos de Aracaju
- 0:27estava em Recife. E Bruno entrou na sala porque a
- 0:31gente ia gravar aquele porra Bruno e tal.
- 0:33Pô, o cara está ficando importante aí cada vez mais.
- 0:36Aí Bruno não é Bruno, estamos aqui.
- 0:40Não sabemos ainda se esse é o último capítulo de fechamento do
- 0:43livro coisa de rico ou se a gente vai ter esse mais um, como
- 0:46é que você está se sentindo em relação a esta leitura?
- 0:50Excelente pergunta. Eu confesso que eu.
- 0:55Estou finalizando, não sei, ele pode surpreender mais aqui.
- 1:00Mas. Com um sentimento de que não
- 1:02precisava ser um livro. É interessante os pontos legal,
- 1:07mas não, não, talvez. Muita historinha que é legal de
- 1:15de de ler e tal, mas de forma objetiva assim para OOO que eu
- 1:18queria absorver dele. Eu acho que não precisava tudo
- 1:20isso. Esse é é mais Oo meu sentimento
- 1:22assim, mas tem muita coisa interessante isso Eu Não posso.
- 1:25Não posso negar de forma alguma, muita coisa interessante.
- 1:28Beleza, beleza parecido. Minha perceção também é
- 1:33inclusive alguns capítulos. Quem disse assim?
- 1:34Pô esse aqui dá para, né, ter uhum bem menos páginas, mas está
- 1:40bom, vamos nessa, vamos. Deixa eu aproveitar Oo gancho
- 1:43para trazer também a opinião aqui do Sílvio Oliveira filho.
- 1:47Que é um falou 11 ouvinte nosso e que mandou essa essa Mensagem?
- 1:52Ele disse, ó olha, estou acompanhando a leitura do coisa
- 1:54de rico. Ganhei da minha esposa de Natal,
- 1:57cara na discussão sobre quem é o Público desse livro.
- 1:59Penso que o vendedor. Quem quer vender algo para
- 2:02alguém que faz parte do Público ou até melhor para quem acha que
- 2:05faz o rico de verdade de que o livro fala eu, por exemplo, não
- 2:09objetivo. Mas o cara que acha que é rico
- 2:12porque anda de Land Rover vira alguém mais vulnerável, pois o
- 2:15sonho dele é dominar as coisas de rico.
- 2:19Muito interessante e tá aí realmente o cara que que é o dia
- 2:24a dia dele é dialogar com essa pessoa e que dentro dos 2 tipos
- 2:29de rico abordados no livro, talvez esteja mais para Claudete
- 2:32e Mário Jorge aqui como emergentes, né?
- 2:35Na classificação do próprio autor?
- 2:39Essa pessoa, ela vai extrair mais valor do livro.
- 2:42Não é porque entender um pouco essa cabeça que isso ajuda.
- 2:45Isso isso. Ajuda do ponto de vista da venda
- 2:48de perceber essa vulnerabilidade no sentido do que é que o cara
- 2:50deseja, o que é que ele enxerga? A valor boa Sílvia, estamos
- 2:53juntos bem, vamos lá. Eu acho que eu recomeço
- 2:56rapidamente aqui o veredito. Sim, acho que é importante.
- 3:00Para a gente paramos aqui bem. A dificuldade das elites locais
- 3:02em assumir a riqueza deve-se a um Max e é uma base tão simples
- 3:05que talvez o leitor não precisasse ler o livro inteiro
- 3:08para chegar nessa conclusão, que é o seguinte.
- 3:10No Brasil, ser rico não é uma condição, é uma relação.
- 3:13Do ponto de vista nativo, ninguém é rico, mas está rico em
- 3:17relação a então tem 2 coisas. Na verdade, não é um Estado
- 3:19dinâmico, não é não estático, então eu estou rico, não sou
- 3:23rico, é EE estou ou não estou em relação a alguém, não é?
- 3:28Então é é Estado e é comparativo.
- 3:31Eu já vi Oo Michel falando sobre isso, isso eu acho interessante
- 3:35que ele ele fala exatamente assim.
- 3:38Ninguém é rico, a pessoa é rica de forma absoluta.
- 3:42Ela ela é rica em relação a alguém.
- 3:44Ela é rica de alguém, o pobre para alguém também.
- 3:47É e aí tem essa tem essa dinâmica agora uma outra coisa
- 3:49também que eu lembrei que eu também já ouvi.
- 3:51Ele falando é que é ele traz esse esse reforço, né?
- 3:55Que no Brasil é assim, porque em outros países é Você tem AA
- 4:00dinâmica de falar sobre dinheiro de uma forma mais aberta e aqui
- 4:03é menos, então é os os objetos, não é os símbolos ali, eles
- 4:08acabam, acabam falando também sobre isso.
- 4:10E aí tem a tem essa. Isso é é teve um podcast velho
- 4:15que eu vi. Com um cara que ele é, ele tem
- 4:19um Business muito grande. É, Eu Não sei se foi o Ricardo
- 4:23faria, talvez tenha sido, mas Eu Não tenho certeza, então não vou
- 4:27atribuir a ele aqui e ele estava contando a história dele.
- 4:32Aí ele disse assim, não. Nessa época, o negócio era é
- 4:35presota. A gente faturava 10000000 por
- 4:38por de dólar por mês. Você vê assim, tipo?
- 4:41Na Visão do cara que tem um Business bilionário, uma empresa
- 4:44que fatura 10000000 de dólares, Eu Não sei qual era o câmbio da
- 4:49época, é que ele tinha essa empresa que tinha esse nível de
- 4:53faturamento. Vamos supor que fosse.
- 4:56Um para 2 não é é porra e que fizesse muito tempo e tivesse
- 5:01uma correção a valores de Hoje, não importa, mas foi uma empresa
- 5:04que fatura, Sei Lá, 4050 60000000 por mês.
- 5:06A empresota não é? Então é um é um pouco disso
- 5:09também não é na comparação, é é é.
- 5:13Depende muito do ponto de vista de quem está analisando.
- 5:16Podemos. Podemos é só para
- 5:18recontextualizar o leitor aqui. Se tudo isso, porque no capítulo
- 5:22anterior ele estava falando da separação do casal e que a
- 5:25mulher pediu lá cerca de 2000000 de de é de reais ao ano, Né?
- 5:29Pra pra os custos dela básicos, né?
- 5:31Ela não queria nenhum luxo, né? EE aí o cara respondeu, o que é
- 5:34que ela está achando? Ela está pensando que eu sou
- 5:36rico e na verdade ela só estava trazendo ali, o que já refletiu
- 5:39o padrão de vida deles, então não era nada.
- 5:42Na Visão dela demais, não? É o Teleb EEE é péssimo que Eu
- 5:47Não sei essa frase porque ela é maravilhosa, né?
- 5:49Mas ele diz assim. É, quanto mais se distancia de
- 5:54mim? Mas eu quero uma lógica de de
- 6:00economia de mercado e de individualismo.
- 6:04E o contrário é o oposto, então assim eu quero ser é socialista.
- 6:12Com a minha família. E é depois tem uma camada para
- 6:18os meus amigos. Depois, pô, é.
- 6:22Minha meu bairro ou o condomínio que eu moro e daqui a pouco para
- 6:27todo o resto das pessoas, eu cara cada um para o seu por si
- 6:31não é mas pouco com a minha família.
- 6:32Eu quero podendo pagar a festa de final de ano para todo mundo
- 6:38e todo mundo pode tudo e tal EEE está tudo certo, então.
- 6:43Puto, o que é que eu? O que é que eu ia comer?
- 6:44Qual foi o teu comentário agora? Talvez por conta da relação com
- 6:47a mulher, não é que quando eles eram casados, aquilo ali para
- 6:50ele era. Total, enquanto eu estou casado,
- 6:53seja quem for, o financiador é. Porra, eu pelo contrário.
- 7:00Eu quero dependendo de quem é a pessoa, é me dá mais prazer,
- 7:05vamos, vamos pegar esse caso. É o cara que é o financiador e a
- 7:08mulher me dá mais prazer gastar com a minha mulher ou em coisas
- 7:11para a minha mulher do que para mim.
- 7:13Mas na hora que eu separo? E essa lógica se desfaz.
- 7:20Por mais que exista o vínculo do filho.
- 7:23Agora perdeu é é a lógica que se desfez Como Eu comentei, não é?
- 7:27Então onde que eu estou querendo chegar aqui?
- 7:29É por mais que não tenha sido originalmente uma separação
- 7:32traumática, tipo assim, se descobrir uma traição, um Sei Lá
- 7:36ou alguma coisa é se separou pelo desgaste e somos, queremos
- 7:41ser amigos, mas porra é muito. É muito comum que a questão
- 7:47financeira se torne um problema, porque você.
- 7:49Viola essa regra, não é? Bem, eu vejo pouca gente falando
- 7:53sobre isso. Vamos seguir a leitura.
- 7:56No entanto, apesar da aparente ingenuidade da equação,
- 8:00colocá-la em prática é um desafio.
- 8:02É um trabalho duro, delicado, cheio de incertezas e marcado
- 8:06por instabilidades. A posição na estrutura social
- 8:08está sempre a escapar entre os dedos.
- 8:10Isso se deve à centralidade das coisas de rico no modelo de
- 8:14distinção em voga na sociedade brasileira, a posse das coisas
- 8:18de rico por si só não é suficiente para garantir a
- 8:22entrada nas altas rodas. É preciso saber usá-las,
- 8:25entender se elas estão em pleno funcionamento e tem eficiência e
- 8:28tem eficácia de catapultar seus donos para o grandmound.
- 8:33Sem recibos de eficácia sem prova do funcionamento desses
- 8:36objetos encantados, os endinheirados nunca sabem se
- 8:39estão sendo reconhecidos. Eles jamais têm plena certeza de
- 8:44se estão a performar a riqueza. Bem, outro ponto está
- 8:49diretamente atrelado ao esquema classificatório.
- 8:52Se as coisas de rico funcionam, os endeirados são catapultados a
- 8:55um território ainda mais exclusivo, rodeados de gente com
- 8:57mais posses. Ao final, como se trata de uma
- 9:01posição relacional, acabam convencidos de que são os os
- 9:05pobres em questão. Catarina se chocou com o impacto
- 9:08da mudança de escola na vida dos filhos, depois de muita guerra.
- 9:13Impôs ao marido a matrícula dos rebentos em uma escola com uma
- 9:16proposta inovadora. Ainda mais custosa a avenirs foi
- 9:22fundada em Nova Iorque, nos Estados Unidos, em 2012, para
- 9:24atender os filhos de famosos e bilionários americanos.
- 9:27Em pouco tempo abriu filiais no vale do Silício, na China, e por
- 9:30aqui, como parte de um plano de expansão ambicioso por atender à
- 9:35demanda das elites globais. Segundo os jornais, era a escola
- 9:38mais cara do Brasil. Na chapa School, que era a
- 9:42escola anterior, todo mundo vivia bem, me contou Catarina
- 9:46com conforto emendei, mas na Avenida já falei para os
- 9:49meninos, a gente é pobre. Eles precisam ter consciência
- 9:53disso com o aceite e a matrícula feita.
- 9:58E a consequente entrada em um espaço ainda mais exclusivo, a
- 10:02família entendeu que tinha um padrão de vida bem mais Modesto
- 10:04do que os colegas. Logo na primeira semana de aula,
- 10:08a Catarina ficou confusa quando a filha, perto dos 15 anos,
- 10:11pediu autorização para ir à festa de debutantes de uma amiga
- 10:14dali há 1 mês. De pronto, a mãe respondeu, sim,
- 10:17está liberada, mas vai precisar da assinatura do Papai também.
- 10:21Como assim, filha? Em Nova Iorque, a gente vai na
- 10:23sexta à noite. A festa é no sábado e volta no
- 10:25domingo direto pra escola. O deslocamento seria feito no
- 10:29jatinho da aniversariante. A festa aconteceria no triplex
- 10:32de Tribeca, bairro descolado da ilha, recém-comprado pelo pai da
- 10:36Aluna, sócio de uma construtora, e a hospedagem também ficaria
- 10:41por conta dos anfitriões. A filha do casal só precisava de
- 10:44uma autorização formal, mais nada.
- 10:47Já falei pro pai dela, a gente precisa ter um apartamento fora
- 10:49também. O terceiro elemento dificultador
- 10:52do reconhecimento deve se à imaginação.
- 10:54Nós, brasileiros, crescemos com um imaginário de que os ricos
- 10:59vivem rodeados de supérfluos, redundância e exageros.
- 11:03Enfim, um mundo repleto de luxos.
- 11:04No entanto, essa classificação não existe a priori, mas varia
- 11:08de acordo com o contexto, a exemplo do implante de silicone
- 11:11de Catarina. Mesmo tendo como aliada a
- 11:14recomendação médica para a troca algo básico e necessário, o
- 11:18ex-marido via no pedido da mulher um luxo.
- 11:21Eu Não Vou Ficar pagando peito para outro.
- 11:23Marmanja aproveitar Henrique, repetir aos 4 cantos do ponto de
- 11:26vista nativo. Básicas são as coisas que não
- 11:30cobram justificativa moral dos indivíduos que as compram.
- 11:35Eles podem consumir sem perder tempo, explicando as razões da
- 11:38compra, uma vez que quem tem tem porque precisa já os supérfluos
- 11:42quando consumidos, cobram esforço extra.
- 11:45Os ricos precisam gastar energia justificando com argumentos as
- 11:49razões dos seus desejos. O cálculo passa Longe do valor
- 11:52ou da exclusividade do produto ou do serviço desejados.
- 11:55Não tem a ver com preço enquanto eram casados diante da queda da
- 12:00autoestima da mulher e do possível impacto na relação
- 12:03sexual do casal. Henrique concordou em pagar pela
- 12:06cirurgia naquele momento, um item de primeira necessidade.
- 12:10Depois da separação, virou supérfluo se manuais de
- 12:13psicologia do consumo e é hierarquiza uma necessidade como
- 12:17o mais importante do que a outra.
- 12:19Os ricos brasileiros embaralham as peças ao gosto da situação.
- 12:24Algo básico pode virar um luxo. Entra naquela mesma categoria
- 12:29que não é o brasileiro, é não é? O supérfluo vira item de
- 12:33necessidade básica. O debate se deu por conta da
- 12:36flexibilidade contextual dos básicos e supérfluos.
- 12:39Bem na semana mais intensa da disputa litigiosa do casal,
- 12:43outro encontro confirmou a maleabilidade com que os ricos
- 12:48lidam com tais categorias. Encontrei um empresário do ramo
- 12:52de beleza. O homem era apresentado nas
- 12:54capas dos jornais como um self-made man do laboratório na
- 12:58garagem de casa, inventou um produto desejado pelas
- 13:00consumidoras de baixa renda e fez fortuna a ponto de incomodar
- 13:05os concorrentes internacionais. Pouco tempo depois, um grupo
- 13:08estrangeiro fez uma proposta irrecusável pela empresa.
- 13:10Com a fortuna no bolso, decidiu fretar um jatinho privado para
- 13:15levá-lo do Rio à capital paulista junto dos advogados
- 13:19para a assinatura do contrato. Antes de assinar a papelada.
- 13:23O comboio decidiu almoçar em um restaurante italiano italiano na
- 13:27faria Lima. O dono da festa pediu um
- 13:29papardelli com molho vermelho, o jeito expansivo e a alegria
- 13:32momentânea somados a um bocado de taças de vinho caro lhe
- 13:36fizeram ainda mais distraído um esbarrão na ponta da mesa, levou
- 13:42o prato às alturas em pleno voo, molho de tomate e lascas de
- 13:46parmesão tombaram sobre seu Colo o terno escolhido a dedo.
- 13:50Para a ocasião ficou tomado pelo tempero do chef, causou comoção.
- 13:54O que fazer? Pensaram perplexos os
- 13:57convidados. Ué, vamos comprar outro a tempo
- 14:01da reunião. Há tempo e a altura da reunião.
- 14:05Eis o problema. A assistente ligou imediatamente
- 14:08para o hermenegi do Zenha. Loja italiana Classuda 2 pisos
- 14:12acima do restaurante no shopping chique da cidade.
- 14:15O gerente atendeu e convocou seus aviados para ajustes rápido
- 14:19em um terno azul-marinho do melhor tecido disponível no
- 14:22estoque da loja para pronta entrega, bainha, punho,
- 14:25colarinho da camisa e outros detalhes menores iam sendo
- 14:27ajustados no corpo do bilionário sob a batuta do relógios gritos
- 14:30do chefe do Chefe. Em 2 horas, tudo pronto se não
- 14:34fossem os mais de 90000 BRL deixados no caixa da loja.
- 14:37Alguns diriam ter sido um milagre. 90000 BRL.
- 14:42Eu surpreso com o tamanho da conta, me lembrei do terno usado
- 14:46por mim um modelo simples também azul-marinho, comprado em um
- 14:49outlet na Flórida por não mais do que 300 USD.
- 14:52Quanta diferença, sabendo da importância das coisas de rico
- 14:55NOS momentos cruciais da vida das elites?
- 14:57Apesar do choque, eu entendi que o executivo não tinha escolha.
- 15:02O dia cobrava uma vestimenta de tal preço, não se assina um
- 15:06contrato bilionário diante da imprensa e dos acionistas
- 15:09gringos conternam comprado em uma loja de fast fashion.
- 15:13Quando fazemos uma avaliação dos nossos hábitos e da nossa
- 15:16rotina, tomamos como parâmetro o nosso padrão de vida.
- 15:21Sendo assim, vemos em qualquer hábito de consumo.
- 15:24Não importa o custo, um item de primeira necessidade se NOS
- 15:28ajuda a performar um padrão e NOS posiciona dentro do jogo
- 15:30social, dado que sem eles não temos lugar social, não importa
- 15:35se estamos NOS referindo a um prato feito em uma padaria de
- 15:39rua ou ao menu degustação de um restaurante estrelado.
- 15:42Aquilo. Que é fundamental a manutenção
- 15:45da performance de um determinado padrão é básico, o que foge é
- 15:48supérfluo. Desse modo, chegamos a um
- 15:51impasse, as incertezas quanto AA eficácia das coisas de rico, a
- 15:55força da catapulta capaz de fazer gente com dinheiro,
- 15:58acreditar-se pobre e a flexibilidade contextual das
- 16:01coisas de rico levam à mesma conclusão, sem sombra de
- 16:05dúvidas, rico é sempre o outro. E aí tem um aqui que é risca no
- 16:11chão. Acho que a gente vai, não é
- 16:12brunão. Como é que você está aí no?
- 16:14Não é só isso. Aqui é para fechar fechar com
- 16:16chave de ouro. Veja.
- 16:19O litígio entre Catarina e Henrique seguiu.
- 16:21Eles não conseguiram chegar a um acordo nem sobre o peito, nem
- 16:25sobre o resto. O embate foi adiante para
- 16:27Brasília no meio de uma guerra judicial.
- 16:29É como advogados contratarem especialistas em geral, peritos,
- 16:31psicólogos, administradores de fortunas, juristas, cobram caro
- 16:35por pareceres NOS quais defendem um ponto de vista ou outro
- 16:40pretensamente científico sobre o assunto por razões óbvias.
- 16:44Os, que reforçam o argumento dos advogados, são anexados ao
- 16:47processo na batalha em torno do responsável pelo silicone, Luiz
- 16:51Felipe resolveu me convocar como consultor.
- 16:54Meu caro, chegamos a um ponto de difícil solução.
- 16:58A outra parte insiste em dizer que o peito é luxo, mas me
- 17:03lembrei que tenho um especialista próximo aqui, não
- 17:05é? The antropólogo do luxo.
- 17:08Vou precisar de um parecer seu coisa simples é luxo ou não é
- 17:13luxo? A pergunta sem resposta me fez
- 17:16entender o porquê de o jico só terem me me aceitado.
- 17:20Depois de eu ter virado um antropólogo do luxo.
- 17:23Sem saber, eu desempenhava um papel importante no esquema.
- 17:28Apesar de investir em tempo e fortuna nas coisas de rico pela
- 17:32natureza desses objetos sozinhos, os Endinheirados não
- 17:34tinham provas de sua eficácia. No entanto, por si só, a
- 17:38presença do antropólogo do luxo resolvia o problema.
- 17:42Eles me queriam junto porque acreditavam que meu conhecimento
- 17:45era a certeza. Um terceiro garantidor de
- 17:49sentido NOS termos de Charles Pierce, o antropólogo do luxo
- 17:54era o juiz capaz de vaticinar a eficácia de comprovar se meus
- 17:58interlocutores eram ricos o suficiente para serem
- 18:01reconhecidos como tais. Neguei o parecer ao advogado.
- 18:05Ele insistiu, é luxo ou não? É luxo?
- 18:07Pois é simples, só dizer isso é luxo ou não é luxo.
- 18:09Dali em diante passei a repetir para qualquer rico aquilo que
- 18:14eles mais gostam de ouvir. A razão de terem me aceitado
- 18:18junto de si queridos. Vocês são um luxo chiques, um
- 18:23luxo. E aí ele conclui aqui e já entra
- 18:26no epílogo. Eu vou avançar aqui para a gente
- 18:29fechar os pensamentos finais do Michel em relação.
- 18:34Por ironia do destino, o antropólogo teve de se encontrar
- 18:37com o antropólogo de luxo. Como mandam os rituais
- 18:39acadêmicos depois de meses de escrita?
- 18:41Finalmente foi marcada a data da da defesa da tese de doutorado.
- 18:45Origem deste livro o texto fora enviado a uma banca de 5
- 18:49professores com longa trajetória em pesquisa e ensino da
- 18:51antropologia. Eles avaliaram Se Eu estava à
- 18:54altura de sair por aí, ostentando o título de doutor em
- 18:56antropologia como qualquer rito de passagem.
- 19:00Casamento trote de faculdade, batismo, etc.
- 19:04É um momento tenso. Quem pleiteia uma mudança de
- 19:07posição precisa assumir certa vulnerabilidade a citar a
- 19:10condição e responder com humildade os questionamentos dos
- 19:13arquidores. O problema é que Maria Helena ou
- 19:16que é que Helena Martins decidiu organizar um pequeno encontro
- 19:19para executivos de marcas internacionais no velas mall
- 19:23shopping de luxo, na barra da Tijuca, justamente no dia da
- 19:26defesa da tese. E eu era o palestrante
- 19:28convidado. Claudete e Mário Jorge foram
- 19:32convidados. Olívia comprou uma passagem para
- 19:35o Rio Rebeca, a loira do capacete de laquê me mandou
- 19:38flores ornela me enviou uma caneta de luxo de presente
- 19:42Peçanha em Noronha se dispuseram a voar no jatinho da família
- 19:46para acompanhar o evento no templo dos ricos.
- 19:48O dilema era identitário, identitário, né?
- 19:52De identidade. O intervalo entre a banca e a
- 19:55palestra era apenas O Tempo de deslocamento de um ponto para o
- 19:57outro. Não havia tempo suficiente para
- 19:59trocar a fantasia. Foi quando cometi uma heresia,
- 20:04fui para a Universidade vestido de antropólogo do luxo, calça e
- 20:08Camisas Sociais sob medida, sapatos de cor italiano, relógio
- 20:11de marca Suíça e outros penduricalhos no Antebraço, algo
- 20:14muito distante da imagem típica de um estudante prestes a
- 20:17defender o próprio trabalho diante de um grupo de
- 20:19professores universitários. Na chegada um rebuliço, uma
- 20:22professora herdeira daquelas que tinha o sobrenome da família
- 20:25estampado em placas escolas e palácios da cidade.
- 20:30Me imprensou rinha de rico, disse o seguinte, foi
- 20:33enfeitiçada pelos nativos Michel.
- 20:36Perguntou, me olhando dos pés à cabeça, identificando as coisas
- 20:38de rico que eu carregava comigo. Ficou rico, Michel?
- 20:42Antes de eu esboçar qualquer reação, Thais Lemos Duarte,
- 20:46socióloga e grande amiga contemporânea de doutorado, me
- 20:48defendeu. Um rico diz que o outro é rico,
- 20:52porque imagina que esse tem mais dinheiro do que aquele.
- 20:56O acusado nega, mas fica feliz por ser visto como tal.
- 21:00No fim, tanto um quanto outro estão de olho nas coisas de
- 21:05rico. O argumento da tese faz sentido,
- 21:08trata se de um fenômeno social e facilmente identificável aos
- 21:12olhos dos presentes. Tese aprovada.
- 21:16E aí a gente finaliza aqui a leitura de coisa de rico, não é?
- 21:20É? E ele vai para esse evento.
- 21:23Essa palestra não é dizendo o seguinte, Estou muito feliz,
- 21:26acabei de virar doutor em antropologia com a tese a partir
- 21:32da qual eu trago ensinamentos que eu vou compartilhar com
- 21:34vocês nessa fala de agora. É isso deve ter começado mais ou
- 21:37menos assim, vai bem, chegamos ao final, estou vendo aqui, só
- 21:40tem as notas de rodapé. E concluímos mais um livro, Né?
- 21:46Legal aqui o fechamento foi nesse episódio que eu te
- 21:50perguntei a perceção geral. Do acho que foi no início, EE
- 21:52ele me deu a resposta aqui, não é Se Eu Se Eu quisesse.
- 21:56É detalhes mais técnicos, eu tenho que procurar a tese dele,
- 21:59doutorado e não livro, Né? É aqui o livro, é uma coisa
- 22:02comercial. Eu tenho que ser, tem que ser
- 22:03assim mesmo. Bom, a grande contação de
- 22:05história leve. E sabe como diz assim, pô, tem
- 22:10filme que você fala assim caralho, puta que pariu e tal.
- 22:16É filmes com finais surpreendentes, tem filmes que
- 22:20você. É pô aprende muito os negócios
- 22:25para a vida e tal não é. E tem aquele filme meio que putz
- 22:28aqui. Eu vou assistir meio dormindo
- 22:31ali no Domingo à Tarde, sem prestar muita atenção e tal.
- 22:35Então isso não é uma crítica no sentido negativo,
- 22:39necessariamente, mas esse esse é o livro que o cara por está
- 22:42tomando um e está lendo ali meu vai dar umas pescadas e tal se
- 22:47não, não precisa nenhuma concentração, é muito.
- 22:49História meio leve e tal, então assim, comparado aos livros que
- 22:52a gente se propõe a ler aqui no clube do livro, são livros de
- 22:55finanças de negócios que tem mais conteúdo e tudo.
- 23:02Não se compara, não é é, mas um livro legal, não é leve.
- 23:08Diria que um livro leve. Acho que é um livro que faz você
- 23:11enxergar um pouco o mundo de uma forma diferente assim é, é a as
- 23:15histórias que ele traz aqui a gente.
- 23:18É a partir daqui, observando mais o as coisas que estão ao
- 23:21seu redor, a gente vai conseguir perceber muita, é muitas
- 23:25similaridades e eu acho que ajuda AA enxergar de forma
- 23:27diferente é, mas é isso um livro realmente bem leve, bem bem
- 23:32legal de de de ler. E eu fiquei nesse final aqui eu
- 23:38fiquei me colocando no lugar dele assim, né?
- 23:41Acho que. Em algum momento do tempo ele
- 23:44deve ter parado assim e pensado, meu amigo, que Loucura é essa?
- 23:47Hã que eu estou vivendo assim, de passou por um.
- 23:51Depois de tudo isso, ele virar essa grande referência no mundo
- 23:55dos ricos e tudo mais e. E ele e ele não, não esconde,
- 23:59não é ele. Ele coloca muito, muito claro
- 24:01aqui que isso é meio que a fantasia não é?
- 24:03É e ainda. Mas mas ele também fala de de
- 24:05uma simbiose, né? Tipo ele, ele ele fala no ele,
- 24:10ele ele. Conta a história como pô, mas
- 24:13não fui eu que fui aceito, foi o outro.
- 24:16Não é até que no final ele fala dessa dessa junção do que o
- 24:21antropólogo nesse capítulo agora, né?
- 24:24Na história que é ele se. Se eles se encontram, né?
- 24:27Começa a dizer que eles se encontraram, não.
- 24:29É se fundiram, né? E é e é eu.
- 24:33Eu achei interessante também a honestidade com a qual ele traz
- 24:37a perceção dele, de qual o papel que ele ocupa, né?
- 24:40Porque isso isso isso. Comercialmente ou
- 24:45estrategicamente poderia ser algo mais preservado, né?
- 24:47Mas eles assim é. Eu entendi o meu papel, eu sou
- 24:50um validador, não é? Eu sou o cara que é, é.
- 24:56Posso dizer se é ou se não é de rico ou se é de dentro, se é de
- 25:00fora, se é luxo ou se não é luxo eu.
- 25:02Achei isso fantástico também, porque teoricamente isso poderia
- 25:05diminuir ele, né? Mas na verdade, eu acho que
- 25:07essa. Esse reconhecimento e ele tornar
- 25:10isso Público. Talvez até isso coloquem ele
- 25:13numa postura, não, ele não está nem preocupado se se as pessoas
- 25:15vão, é isso, isso sim, interessante.
- 25:18É muito bom. O final foi muito bom.
- 25:20É bem e tem e tem uma coisa aqui nas entrelinhas que é é Oo,
- 25:25risco positivo que você corre ao se dedicar a algo.
- 25:30Com afinco, não é porque a partir do momento que ele
- 25:33começou a entender tanto desse universo.
- 25:37Ficou mais fácil para ele participar desse universo.
- 25:40E daqui a pouco ele uniu isso a. Antropologia desde o início, mas
- 25:46cada vez mais e aí falando de carreira.
- 25:51A impressão que você tem é que, cara?
- 25:53Esse é um cara agora que tem um cachê alto que tem demanda pra
- 25:55caralho é e que é um cara que vai cada vez ser mais rico,
- 25:59porque é ele passa a ter um ativo.
- 26:05E uma fala que que que é especial, que é a única e logo
- 26:08escassa e logo tem valor, não é? Então bem, temos mais um livro
- 26:13no nosso clube do livro, não é? Daqui a pouco a gente vai poder
- 26:17ter uma pequena biblioteca do clube do livro, não é?
- 26:20Já temos a biblioteca virtual, não é?
- 26:22Inclusive, para quem não conhece www.clube do livroed.com.br.br
- 26:26você consegue encontrar lá todos os livros que nós já passamos
- 26:29por aqui. É quem quem chegou agora não é
- 26:33No No coisa de rir como primeiro a primeira leitura no clube do
- 26:35livro tem mais de. Se você fosse recomendar Bruno,
- 26:392 livros que a gente já leu aqui no clube do livro.
- 26:43Quais seriam? Rapaz não tem jeito, não é?
- 26:48A psicologia financeira é top um e.
- 26:50Se você gostar, já vai para AA arte gastar dinheiro, que é o
- 26:54segundo e se não gostar tanto, eu acho que o almanaque de de
- 26:58aval na vida. Putz o almanaque.
- 27:01Almanaque também é muito bom. Ótima leitura.
- 27:04Bem, obrigado pelo seu tempo, não é?
- 27:06Espero encontrar com você no próximo episódio onde nós vamos
- 27:09começar uma próxima leitura que nós não sabemos ainda qual é.
- 27:13Então, se você estiver ouvindo a tempo, por favor, NOS mande
- 27:18recomendações pelo Instagram. Arroba, Arthur Dantas, Lemos,
- 27:23Arthur com THE Arroba Bruno Maia Soares.
- 27:27Muito obrigado pelo seu tempo e até o próximo episódio.