Latest / Rádio Livre com Nonato Lima / Programa Rádio Livre - 17 de dezembro de 2024
Transcript
- 0:01A gente está no ar pra se informar, saber o que é que há,
- 0:05pra se ajudar. A gente está no ar pra se
- 0:07comunicar. A gente está no ar pra se
- 0:12divertir, pra falar e ouvir, pra dançar e rir, pra ficar feliz,
- 0:14pra ser livre. Rádio Livre.
- 0:15Rádio Livre. Os destaques do Rádio Livre
- 0:53desta terça-feira, dezembro de dois mil e vinte e quatro.
- 1:00Inquérito das fake news no Supremo Tribunal Federal é
- 1:03prorrogado por mais seis meses e vai investigar o gabinete do
- 1:07ódio. Isenção do imposto de renda para
- 1:11até cinco mil reais beneficia trinta e dois por cento dos
- 1:15trabalhadores que ganham mais de dois salários mÃnimos.
- 1:18Música Lançado em Fortaleza o livro Vaspe, um meia oito
- 1:24verdades e lutos sobre o primeiro grande acidente aéreo
- 1:28do Brasil. Vamos conversar com a autora, a
- 1:31pesquisadora, psicóloga, professora da Universidade
- 1:34Estadual do Ceará, LaÃsa Castelo Branco Mendes.
- 1:44Rádio Livre, apresentação Nonatuma.
- 1:50Bom dia, estamos começando ao vivo aqui na Universitária FM,
- 1:54em cento e sete vÃrgula nove megahertz, o programa Rádio
- 1:58Livre. Este programa vai ao ar também
- 2:00no podcast Rádio Livre com Nonato Lima.
- 2:03A gente agradece, então, a você que nos acompanha aqui ao vivo,
- 2:06diariamente, a partir das sete e meia, e a você que nos acompanha
- 2:10no podcast Rádio Livre com Nonato Lima.
- 2:17O Brasil registrou cem milhões de trabalhadores no mercado
- 2:21formal e informal de trabalho até setembro deste ano.
- 2:30Cem milhões de trabalhadores. Sessenta e oito por cento. ou
- 2:35seja, mais ou menos setenta milhões de trabalhadores e
- 2:38trabalhadoras, recebem até dois salários mÃnimos.
- 2:43Trinta e dois por cento dos trabalhadores brasileiros seriam
- 2:45beneficiados pela proposta de ampliar a faixa de isenção do
- 2:49imposto de renda, atualmente de até dois salários mÃnimos, dois
- 2:53mil oitocentos e vinte e quatro reais, e a mudança atingiria,
- 2:58com isenção do imposto de renda, os trabalhadores com até cinco
- 3:02mil reais de salário. Tem gente criticando essa medida
- 3:06porque diz que os que ganham até cinco mil só são trinta e dois
- 3:10por cento. Mas os que estão criticando essa
- 3:13medida esquecem que os que ganham até dois mÃnimos já iam
- 3:17pagar imposto de renda. Aliás, o imposto de renda em
- 3:20primeiro de janeiro de dois mil e vinte e três já ia pegar a
- 3:24faixa de salário mÃnimo e meio. Ou seja, daà a pouco o
- 3:27desempregado ia ficar devendo imposto de renda para quando
- 3:30conseguir seu emprego. Então, esse é o primeiro ponto
- 3:33que é preciso destacar. Trinta e dois por cento da força
- 3:37de trabalho não é pouco. Segundo ponto que é preciso
- 3:41destacar. A isenção do imposto de renda
- 3:45não seria prejuÃzo nenhum para a arrecadação federal de imposto.
- 3:49Por quê? Porque atualizar a tabela de
- 3:53imposto de renda deveria ser a obrigação do governo atual e de
- 3:57todos os outros. Todos os preços do mercado
- 4:01sobem. O salário não acompanha a
- 4:04evolução dos preços, isso é fato.
- 4:08Mas ele tem que acompanhar o aumento do imposto de renda em
- 4:14função da não atualização da tabela.
- 4:17Esse é um ponto, é o ponto central da discussão.
- 4:21Não é que as pessoas que ganham até cinco mil reais passariam a
- 4:24ter o privilégio de não pagar imposto de renda.
- 4:26Não, não é isso. à que a tabela do imposto de
- 4:28renda que não é atualizada... precisa ser atualizada, deve ser
- 4:33atualizada, para enfrentar minimamente, no básico, a
- 4:40crueldade tributária, que é o modelo tributário brasileiro.
- 4:45Agora, o que o governo está propondo para a isenção do
- 4:48imposto de renda até cinco mil reais é que os que ganham mais
- 4:51de cinquenta mil reais por mês, na média, que ganham, portanto,
- 4:59Rp. seiscentos mil por ano, teriam uma taxação, uma alÃquota
- 5:06a mais para quem ganha acima de Rp. cinquenta mil, que é uma
- 5:12faixa de um por cento. Esse dinheiro corresponderia a
- 5:16mais ou menos Rp. trinta e cinco milhões, que compensaria a
- 5:19isenção de imposto de renda até Rp. cinco mil.
- 5:24Ou seja, finalmente o governo se dispõe, o atual, a enfrentar a
- 5:32crueldade tributária. O atual governo recebeu do
- 5:34anterior a taxação de pessoas que estavam já a partir de um
- 5:42salário mÃnimo. Um pouquinho acima do salário
- 5:44mÃnimo já ia começar a pagar imposto de renda.
- 5:47O governo decretou para o paÃs não passar vergonha para o
- 5:49mundo, a isenção do imposto de renda até dois salários mÃnimos,
- 5:53brutos. Por que dois salários mÃnimos?
- 5:56Tira o INSS, aà já dá oito e meio por cento, por aÃ, né?
- 6:01E vão tirando transporte para ir para o trabalho, o salário vai
- 6:04lá para baixo. Então é isso.
- 6:09O enfrentamento da situação tributária brasileira, para dar
- 6:13equilÃbrio tributário sem mexer com as seitas do governo, o
- 6:18grande problema é à que todo mundo é a favor de pagar
- 6:21imposto, desde que não pague. E a isenção até cinco mil reais
- 6:26não é nenhum privilégio. Aliás, cinco mil reais não é
- 6:30rico, viu? Se você está desconfiando disso,
- 6:34não fique encabulado, não. Você não é rico.
- 6:38Cinco mil reais são três salários mÃnimos e meio.
- 6:43Três salários mÃnimos e meio. à muito pouco.
- 6:46Ã quase nada do ponto de vista do que significa o trabalho para
- 6:50a geração de riqueza no paÃs. Claro que isso é melhor do que
- 6:54um mÃnimo, dois mÃnimos, três mÃnimos.
- 6:56Mas não é. Justiça e tributo não se faz
- 6:58assim. Aliás, essa discussão que faz
- 7:02agora em desfavor da isenção do imposto de renda até cinco mil
- 7:08reais é esquisita. Porque há pouco tempo o
- 7:12Congresso Nacional se recusou a discutir a taxação dos super
- 7:17ricos. Era meio por cento. que os super
- 7:23ricos iam pagar. Mas sabe o que é um super rico?
- 7:25Você pensa que é você ou eu? De jeito nenhum.
- 7:28Nós não somos nem ricos, na verdade.
- 7:30Nem super, então nem pensar. Na verdade, o super rico é o
- 7:36sujeito que está mais ou menos na faixa acima de dez milhões de
- 7:39reais. Não dá nem para a gente imaginar
- 7:42o que é isso. Era isso.
- 7:44Porém, esse pessoal foi protegido pelo Congresso
- 7:48Nacional. O Congresso Nacional não
- 7:49aceitou. Não aceitou discutir o assunto.
- 7:53Por quê? Vamos perguntar aos
- 7:58congressistas, né? Por que que eles não querem?
- 8:02Por que que tanto empenho em manter a cobrança de imposto
- 8:05sobre os mais pobres e evitar a cobrança de imposto sobre os
- 8:09mais ricos? Eu nem vou falar da isenção
- 8:11fiscal, que são seiscentos e quarenta bilhões de reais por
- 8:14ano para setores empresariais poderosos.
- 8:18Alguns até que nem têm a contribuição que dizem ter para
- 8:24o paÃs. Rádio Livre A Receita Federal
- 8:36intensificou fiscalização sobre o comércio de cigarros
- 8:38eletrônicos, proibido no Brasil desde dois mil e nove.
- 8:43Essa vigilância da Receita é por determinação da Agência Nacional
- 8:47de Vigilância Sanitária. A venda clandestina de cigarros
- 8:51eletrônicos expostos abertamente em vitrines de shoppings
- 8:55populares e centros comerciais agora está sujeita a penalidades
- 8:59severas como suspensão e até cancelamento do Cadastro
- 9:03Nacional de Pessoa JurÃdica, o CNPJ, de estabelecimentos
- 9:08reincidentes, A nova vendida começou a ser aplicada em
- 9:11outubro e já resultou em vinte e duas suspensões de CNPJs em
- 9:17operações no estado de São Paulo.
- 9:19O cigarro eletrônico está já constatado.
- 9:24à um veneno mais agressivo até do que o cigarro comum.
- 9:30Tem gente que pensa que não, mas é.
- 9:32Isso é dito por pesquisadores, estudiosos do assunto.
- 9:34Então, o cigarro eletrônico é tão prejudicial à saúde quanto o
- 9:40cigarro comum. Aliás, tem até efeitos mais
- 9:45arriscados, como, por exemplo, explosão, etc.
- 9:48Então, além de ser proibido, é extremamente prejudicial Ã
- 9:53saúde. Por isso é que a ANVISA, a
- 9:54Agência Nacional de Segurança Sanitária, proÃbe.
- 9:57A comercialização e evidentemente que recomenda que
- 10:00não se use esse tipo de cigarro. Sete e quarenta.
- 10:10O ministro Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal
- 10:12prorrogou por mais de cento e oitenta dias o inquérito das
- 10:16fake news que apura a disseminação de conteúdo falso
- 10:21na internet e ataques a ministros do Supremo Tribunal
- 10:25Federal e as instituições do paÃs.
- 10:28A decisão foi divulgada. Ontem, Alexandre de Moraes
- 10:32também determinou que mais vinte pessoas sejam ouvidas no
- 10:38inquérito das fake news. O foco da extensão desse
- 10:42processo, mais cento e oitenta dias para investigar, é para
- 10:46aprofundar as investigações sobre o chamado gabinete do
- 10:49ódio, que teria funcionado durante o governo do
- 10:53ex-presidente Messias. O objetivo, então, é investigar
- 10:58como era que funcionava esse gabinete do ódio, que, pelo que
- 11:00se diz até agora, operava, inclusive, dentro do Palácio do
- 11:05Planalto, quando o senhor Messias era o presidente da
- 11:12República. A PolÃcia Federal já relatou ao
- 11:15Supremo a existência de uma milÃcia digital que atuava
- 11:19contra a democracia e contra as instituições integrantes dessa
- 11:24milÃcia, teria usado a estrutura do chamado Gabinete do Ãdio.
- 11:27Então, mais cento e oitenta dias, mais vinte depoimentos e
- 11:30mais investigação sobre o inquérito, no inquérito das fake
- 11:35news. Sete e quarenta e dois.
- 12:02O Supremo Tribunal Federal declarou que é inconstitucional
- 12:08a cobrança de imposto de transmissão, causa mortes e
- 12:12doação sobre os volumes depositados em planos de
- 12:15previdência privada. Com a decisão da Corte, fica
- 12:18proibido aos Estados taxar recursos que estão em contas dos
- 12:22planos VGBL e PGBL e foram repassados aos herdeiros após a
- 12:27morte do titular. A questão foi decidida durante
- 12:30julgamento virtual, finalizado na sexta-feira.
- 12:33Por unanimidade, os ministros rejeitaram o recurso protocolado
- 12:36pelo Estado do Rio de Janeiro para garantir a cobrança.
- 12:39Há pouco tempo eu falei sobre isenção e algumas coisas
- 12:43relacionadas com justiça fiscal. Pois é, esses planos têm alguns
- 12:48benefÃcios ao longo do perÃodo em que a pessoa faz a aplicação.
- 12:52BenefÃcios fiscais. Agora o benefÃcio vai...
- 12:56Passar para os herdeiros. Como se chega à justiça
- 12:59tributária dessa forma? Sete e quarenta e três.
- 13:11Lançado há poucos dias em Fortaleza, o livro
- 13:14VASP-U-M-E-A-O-ITO, Verdades e Lutos, de autoria da professora
- 13:19da Universidade Estadual do Ceará, psicóloga LaÃsa Castelo
- 13:23Branco Mendes. A obra é resultado de um projeto
- 13:26de pós-doutorado no Programa de Pós-Graduação em Psicologia da
- 13:31PontifÃcia Universidade Católica do Rio de Janeiro, a PUC-Rio.
- 13:35Em oito de junho de mil novecentos e oitenta e dois, o
- 13:37voo U-M-E-A-O-ITO de um boi da aviação aérea de São Paulo,
- 13:44VASP, saiu de Congonhas, São Paulo, com destino a Fortaleza,
- 13:48mas não chegou ao destino. Colidiu com a Serra da Aratânia,
- 13:51em Pacatuba, a vinte e cinco quilômetros de Fortaleza.
- 13:54Uma tragédia que tirou cento e trinta e sete vidas, sendo cento
- 13:59e vinte e oito passageiros e nove tripulantes.
- 14:02Quarenta anos depois, a pesquisadora Professora,
- 14:06doutora, psicóloga LaÃsa Castelo Branco Mendes, ao estudar a
- 14:11reconfiguração de familiares e parentes das vÃtimas, publica
- 14:17uma obra de quinhentas e setenta e seis páginas, que além de
- 14:20cumprir o objetivo principal da pesquisa, revela aspectos que
- 14:24redimensionam a história daquele que foi o primeiro grande
- 14:28acidente aéreo da história do Brasil.
- 14:31E nós convidamos a professora LaÃsa Castelo Branco para
- 14:33conversar com a gente aqui no programa.
- 14:35Bom dia, professora LaÃsa. Bom dia, Nonato.
- 14:39Professora, eu queria primeiro que a senhora me dissesse,
- 14:42dissesse para nós aqui no programa, qual foi o motivo
- 14:45principal que ele levou a levar a uma pesquisa de doutorado,
- 14:50praticamente quarenta anos depois, esse caso aà da
- 14:54VASP-U-M-E-A-O-I-T-O, Verdades e Lutos?
- 14:58Nonato, eu... Como psicóloga que trabalhava
- 15:02com criança, eu sempre pensei na importância de estudar famÃlia.
- 15:06Então, eu primeiro procurei um programa de famÃlia para fazer o
- 15:09pós-doutorado, que foi na PUC do Rio.
- 15:11Então, quando eu comecei, a minha professora orientadora
- 15:15perguntou o que eu queria estudar sobre famÃlia.
- 15:17E estava fazendo exatamente quarenta anos do acidente, né?
- 15:23Foi quando eu sugeri a ela, posso estudar as reconfigurações
- 15:27familiares, de como ficaram as famÃlias enlutadas após quarenta
- 15:32anos, porque no mundo inteiro não existe uma pesquisa como
- 15:35essa. A gente tem muita pesquisa sobre
- 15:37luto. Mas o luto mais imediato, esse
- 15:41luto tardio que vai se estendendo, que vai se
- 15:44prolongando devido às peculiaridades do acidente, não
- 15:48ter havido corpo, o enterro ser coletivo, os rituais fúnebres
- 15:53que são necessários aos processos de luto não ter
- 15:55acontecido de forma individual, particular, que é muito
- 15:59importante que teria sido. Então, tudo isso contribui para
- 16:02um luto prolongado. Então, eu queria saber, após
- 16:06quarenta anos, eu pesquisei em vários lugares, não tem pesquisa
- 16:10como essa. Como é que está o luto após
- 16:13quarenta anos? Então, o inÃcio da pesquisa foi
- 16:16essa. Agora, quais as principais
- 16:19conclusões que a senhora conseguiu do ponto de vista das
- 16:23famÃlias? E a gente sabe que há um dado
- 16:27novo, importante, em relação ao próprio acidente, que eu queria
- 16:30que também depois a senhora falasse.
- 16:32Pronto. Quando eu comecei a entrevistar
- 16:35os familiares, foi uma busca espontânea, eu anunciei a
- 16:39pesquisa nas redes sociais e as pessoas me procuraram e foi
- 16:43quando eu comecei as entrevistas.
- 16:45Então, quando eu perguntava sobre famÃlia e reconfiguração
- 16:48familiar, que era a pergunta inicial, as pessoas tinham uma
- 16:52necessidade de falar sobre o acidente, E sobre falar, muitos
- 16:57dos entrevistados falaram sobre a hipótese de suicÃdio.
- 17:00Comentavam, por que foi suicÃdio, né?
- 17:03Era mais ou menos o comentário. E isso começou a me chamar a
- 17:06atenção, porque eu sou filha de uma das vÃtimas, né?
- 17:10Meu pai faleceu nesse acidente. Então, eu cresci escutando um
- 17:14boato de que aquilo foi suicÃdio.
- 17:17Aquilo foi suicÃdio, né? Então, e cresci escutando um
- 17:21boato que também é um boato que A namorada dele estava no avião
- 17:25e que era aeromoça. Na verdade, em dois mil e doze,
- 17:30por acaso, eu conheci um senhor que tinha sido funcionário da
- 17:35VASC na época do acidente. Ele já estava bem idoso, talvez
- 17:38quase com noventa anos, e ele disse, foi uma casa da vida
- 17:42quando eu o conheci, e ele comentou assim, minha filha,
- 17:44aquilo ali foi um suicÃdio, só que me proibiram de falar.
- 17:48Eu trabalhava na VASP na época, mas me mandaram ficar calada.
- 17:52Aquilo me chamou a atenção, mas ficou guardada a informação.
- 17:56Quando eu comecei a escutar de vários familiares, eu pensei,
- 17:59poxa, a ausência da verdade atrapalhou o processo de luto.
- 18:04Foi quando eu comecei a pensar, nossa, eu tenho que coletar essa
- 18:11verdade. Nesse...
- 18:15Nessa caminhada, eu consegui acesso a familiares da
- 18:20companheira do piloto. E é isso que eu explico na
- 18:22história. Ela não era aeromoça e não era
- 18:25namorada dele. Ela era uma companheira de união
- 18:27estável. E o que eu consegui de
- 18:32informação nas minhas entrevistas é que ela sofria
- 18:35violência doméstica, principalmente a violência
- 18:38psicológica, que é esse controle acirrado da vida da mulher, né?
- 18:44Considero violência patrimonial o fato dele ter proibido ela de
- 18:48trabalhar ou de estudar, né? Então, viver sobre o controle
- 18:52dele. Ele obrigava ela a fazer todas
- 18:54as viagens de avião que ele fazia como piloto com ela.
- 18:58Por isso que as pessoas pensavam que ela era aeromoça, porque ela
- 19:01estava sempre viajando com ele, né?
- 19:04Então, eu esclareço essa história, inclusive deixando...
- 19:09deixando uma menção a essa senhora, pela qual eu tenho o
- 19:16maior respeito, porque é uma senhora que vinha sofrendo nas
- 19:20mãos desse piloto antes do acidente.
- 19:25Agora, eu fui ao lançamento do seu livro, lá na Universidade
- 19:28Estadual do Ceará, há alguns dias, uma semana, um pouco mais
- 19:31de uma semana. E uma das coisas que, no seu
- 19:35relato, na hora do lançamento, chamou a atenção foram as
- 19:39conclusões do CENIPA, que investiga o acidente aéreo pelo
- 19:44lado técnico, especÃfico, inclusive para evitar novos
- 19:49acidentes. E aà eu fui ler, tem o QR Code
- 19:51no livro, né? E eu fui ler o relatório também
- 19:54e fiquei um pouco impressionado como ele é vago e como ele
- 19:59converge para as suas conclusões.
- 20:02Eu queria que você falasse um pouco sobre esse aspecto, porque
- 20:06foi o maior acidente, naquele momento, foi o primeiro grande
- 20:10acidente aéreo, com cento e trinta e sete vidas perdidas.
- 20:14E o relatório tem seis páginas, não é?
- 20:16Seis, seis páginas. O relatório, ele deixa uma
- 20:20conclusão sobre... Ele deixa uma conclusão sobre...
- 20:29A conclusão do relatório é como se o piloto tivesse se distraÃdo
- 20:33com as luzes de Fortaleza, mas isso é uma coisa que nós
- 20:35precisamos esclarecer. Inclusive, ele conheceu a
- 20:38companheira de união estável dele num voo para Fortaleza.
- 20:43Ou seja, oito anos antes, ele já fazia essa rota para Fortaleza
- 20:48com muita facilidade, de forma muito tranquila, porque
- 20:52inclusive ele era considerado um piloto muito respeitado.
- 20:56Então, ele tinha experiência com Fortaleza.
- 20:59O relatório dizer que foi uma distração do piloto com as luzes
- 21:03de Fortaleza... Ã um pouco considerar como se
- 21:10todas as pessoas leigas fossem ingênuas para acreditar nisso.
- 21:14Eu acho desrespeitoso para as famÃlias que um relatório de um
- 21:17acidente tão grande tenha seis páginas apenas.
- 21:20Pois é, eu fui ver algumas indicações de relatórios de
- 21:23acidentes, até de pequenos acidentes, chamemos assim, até
- 21:28sem vÃtima, não de avião, mas de carro, por exemplo, que tem
- 21:33vinte, trinta, quarenta páginas. Ou seja, os peritos têm um
- 21:37cuidado rigoroso com os dados. E ali dá uma indicação.
- 21:44Diz, inclusive, que o copiloto advertiu...
- 21:48Que os equipamentos alertaram e o piloto continuou.
- 21:52E ainda assim, na verdade, ele descumpriu.
- 21:55E o próprio relatório diz isso, constituindo ambivalência.
- 21:59Porque o relatório fala de todas as falhas dele.
- 22:03Inclusive, cita em uma frase que ele estava com problemas
- 22:06psicológicos, familiares e financeiros.
- 22:09Tem uma frase dizendo isso apenas.
- 22:11O que eu acho também diz respeito a nós familiares.
- 22:14Porque... Se os investigatórios perceberam
- 22:21que ele estava com problemas psicológicos, financeiros e
- 22:23familiares, é porque eles tiveram acesso às informações,
- 22:26seja na ficha técnica dele de exames médicos, que todo piloto
- 22:30tem que fazer constantemente. Mas eles deixam a informação
- 22:34muito vaga para causar realmente uma certa ambivalência na cabeça
- 22:38da gente. E lá eles são também de erros de
- 22:41descumprimento do que a torre de comando mandou fazer, então ele
- 22:46estava com a velocidade maior do que a permitida, ele desceu mais
- 22:51do que a torre de comando permitiu, a torre de comando
- 22:53pediu para ele avisar quando ele começasse a descida, ele não
- 22:56avisou, além dos alertas, foram dois alertas na cabine, os
- 23:02alertas não são baixos, Não é um despertador de celular quando
- 23:05você vai acordar, é um alerta estrondoso, como um alerta de
- 23:07incêndio, né? à muito alto.
- 23:10Então, dizer que o piloto se distraiu depois desses alertas
- 23:14na cabine é... à até não levar em consideração
- 23:19a inteligência das pessoas, dos familiares, das vÃtimas.
- 23:23Agora só, que a gente estava falando da década...
- 23:26Hoje, qualquer pessoa consegue acessar esse relatório online.
- 23:30Então, na década de... Enfim, inÃcio de oitenta, a
- 23:32gente estava no final da ditadura militar...
- 23:35Então, quem dava autorização de voo para os pilotos eram os
- 23:38militares, quem estava ainda no comando do governo estadual de
- 23:42São Paulo era um partido que era um partido que dava continuidade
- 23:47ao partido da época, o partido da ditadura, né?
- 23:51Então, governador eleito de forma indireta, a VAP era uma
- 23:56estatal de São Paulo, ou seja, se...
- 24:01A Vax era uma empresa privada e o que aconteceu foi que, vários
- 24:07anos antes, ela estava falindo e o Estado de São Paulo comprou.
- 24:10Então, se eles fossem revelar a verdade, é como se fosse um tiro
- 24:15no pé, né? Mas, enfim, tem outro detalhe
- 24:18nessa história, um tiro no pé da ditadura civil militar que já
- 24:24vinha em decadência. Então, como que eles assumiriam
- 24:29a responsabilidade de um acidente aéreo tão grande?
- 24:31Então, o outro dado importante é que, ao ter acesso a familiares
- 24:40da companheira do piloto, Eu me deparei com a situação de
- 24:45violência doméstica e ela vinha num processo de anunciar
- 24:49gradativamente que talvez se separasse para a famÃlia, para
- 24:54ele próprio, ao ponto dele chegar a dizer para ela que vai
- 24:59dar tudo certo, você não precisa mais viajar comigo, a gente vai
- 25:02ficar bem e essa vai ser a última viagem que você vai fazer
- 25:05comigo. Então, ele chegou a dizer isso
- 25:07para ela. E dizia, e um dos capÃtulos do
- 25:12livro tem esse tÃtulo, porque todos os capÃtulos têm frases
- 25:16retiradas das entrevistas, um dos capÃtulos é, se você morrer,
- 25:19eu morro junto, porque ele anunciava isso para todo mundo,
- 25:23que um dia morreria com ela. Não era uma informação que ele
- 25:28tinha vergonha de dizer, não era.
- 25:33Professor LaÃs Castelo Branco Mendes, gostaria de saber, nessa
- 25:36altura, muita gente está interessada em ler o seu livro,
- 25:39como eu estou lendo agora. Onde é que pode ser adquirido o
- 25:44livro? Nonato, tem um link, que nesse
- 25:47link tem um formulário onde a pessoa preenche, porque o
- 25:53lançamento foi sábado, sábado passado, tem aproximadamente dez
- 25:57dias, eu não consegui ainda me organizar para fazer uma venda
- 26:02por sites. Então, a venda ainda está de
- 26:04forma privada comigo, então tem um link onde a pessoa preenche E
- 26:11ao preencher esse link, já coloca o endereço, ela já pode
- 26:15anexar o comprovante de pagamento e a gente manda enviar
- 26:18para o endereço da pessoa. fora de Fortaleza, qualquer cidade, a
- 26:23gente envia para qualquer cidade do Brasil, ou seja, aqui em
- 26:28Fortaleza, nós também estamos entregando dessa forma.
- 26:32A gente faz chegar a casa da pessoa o livro.
- 26:35Certo. Agora, qual é o canal de acesso
- 26:38ao link? O link, eu posso... fornecer
- 26:42para você, se você fizesse esse favor de colocar para mim e para
- 26:47as pessoas que desejam comprar no Instagram da rádio.
- 26:51E eu tenho também o Instagram do Google, que é...
- 26:56Vou vasto em um meia oito. Eu fiz esse Instagram que foi o
- 27:00meio pelo qual eu consegui ter acesso às pessoas que me deram
- 27:03entrevista. Então, eu vou postar hoje também
- 27:07nesse Instagram. Não tinha havido tempo depois do
- 27:10lançamento para eu conseguir editar o Instagram.
- 27:14Então, hoje ainda eu coloco o link disponÃvel.
- 27:17Então, as pessoas já podem... acessar esse Instagram, né,
- 27:22volvaspe um meia oito, e podem seguir a página, e aÃ, hoje
- 27:27ainda, eu vou colocar esse link. Certo, é volvaspe um meia oito,
- 27:30é o Instagram para acessar, então, para adquirir o livro,
- 27:34né? Isso, até o final do dia eu vou
- 27:36colocar esse link direitinho. Certo, agora, uma informação
- 27:39importante, virão mais dois livros sobre o mesmo tema?
- 27:42Isso, exatamente, Nonato, porque o que aconteceu?
- 27:47Como eu disse, essa é uma pesquisa inédita no mundo.
- 27:50FamÃlia sem entrevistada, quarenta anos depois.
- 27:52Porque hoje a literatura cientÃfica sobre luto fala que
- 27:57aproximadamente depois de dois anos, se esse luto continua, ele
- 28:00se torna um luto prolongado. Há correntes da psiquiatria que
- 28:03acham até que se tornam uma psicologia. esse luto
- 28:08prolongado, embora eu não concorde muito com isso, eu acho
- 28:10que perder uma pessoa muito querida, amada, é difÃcil
- 28:14processar e dois anos é muito pouco, mas enfim, o que eu quero
- 28:18dizer com isso é que Pelo fato de ser uma pesquisa inédita, foi
- 28:23muito material coletado, tanto material que eu não consegui
- 28:27compilar num livro só. Então, esse primeiro livro trata
- 28:31sobre o acidente e eu estou me comprometendo para, em dois mil
- 28:35e vinte e cinco, publicar o segundo volume, que é sobre...
- 28:40Esse primeiro trata sobre o acidente, como foi o acidente e
- 28:43as verdades em torno dele. O segundo livro vai tratar
- 28:46especificamente dos processos de luto, sintomas, as fases do
- 28:53luto, e o terceiro sobre famÃlia, que eu acho que fecha
- 29:00essa trilogia no sentido de mostrar que onde tem amor, onde
- 29:05as famÃlias se uniram, onde as famÃlias estiveram juntas e se
- 29:08cuidaram, houve o processo de superação.
- 29:12Então, o terceiro livro vai falar sobre famÃlia e a ideia é
- 29:15que seja em dois mil e vinte e seis.
- 29:17Ok, professora LaÃs, muito obrigado pela sua passão,
- 29:20parabéns pelo trabalho, trabalho que tem uma amplitude que vai
- 29:24muito além da história em si, que tira de algo tão doloroso
- 29:30uma contribuição para a ciência e para as pessoas, para as vidas
- 29:34das pessoas. Nonato, deixa eu só dizer mais
- 29:37uma coisa, e o que eu quero chamar a atenção também do
- 29:39livro, dentro dessa perspectiva das violências que mulheres
- 29:43sofrem, o culto que um agressor capaz de chegar quando ele quer
- 29:50se dar com a vida da esposa, da companheira, da namorada dele.
- 29:53A gente vem falando cada vez mais sobre feminicÃdio, temos a
- 29:57lei do feminicÃdio agora que deve estar perto de fazer dez
- 30:01anos, mas... Ã preciso que esses debates
- 30:06sejam ampliados, porque uma pessoa, para tirar a vida da sua
- 30:11companheira, pode fazer o que ele fez, é capaz de fazer o que
- 30:15ele fez, que é a convida de muitas outras pessoas juntos.
- 30:20Muito obrigado. Um abraço.
- 30:22Um abraço, Leonardo. Muito obrigada pela oportunidade
- 30:25de estar aqui neste debate. Bom dia para você.
- 30:27Bom dia. Conversamos então com a
- 30:34professora psicóloga, professora da Universidade Estadual do
- 30:37Ceará, LaÃsa Castelo Branco Mendes, falando sobre o livro
- 30:41VASP-U-M-E-A-O-T, Verdades e Lutos, que foi lançado
- 30:45recentemente, que já está disponÃvel.
- 30:49Nós vamos colocar o contato, a informação, como ela pediu, no
- 30:54nosso Instagram, Rádio Peleja, do Rádio Livre, para que você
- 30:59tenha essas informações. Chegamos ao final do Rádio
- 31:10Livre. Bom dia, um abraço, obrigado
- 31:12pela companhia. Amanhã a gente se encontra aqui
- 31:14ao vivo, às sete e meia, no Universitário FM e também no
- 31:17podcast Rádio Livre com Nonato Lima.
- 31:20Aliás, se você quiser reouvir a entrevista de hoje com a
- 31:24professora LaÃsa Castelo Branco... você pode, daqui a
- 31:27pouco a gente vai disponibilizar no podcast Rádio Livre com
- 31:31Nonato Lima o programa inteiro e você pode reouvir então a
- 31:34entrevista, a de hoje e as demais entrevistas, né?
- 31:36Os próximos ficam disponÃveis a cada dia no podcast Rádio Livre
- 31:41com Nonato Lima. Assis Lima e eu voltamos amanhã.
- 31:45Um abraço. Obrigado.
- 31:48A Universitária FM apresentou Rádio Livre.