Latest / Chá de coragem, com Elisama Santos. / Ep. 44 - DEIXANDO O PASSADO NO PASSADO. Chá de Coragem com Elisama Santos
Transcript
- 0:00Será que o passado ele passa mesmo?
- 0:02E quando parece que ele está amarrando a gente, impedindo de
- 0:06seguir em frente? Será?
- 0:09Será mesmo que dá para viver sem olhar para trás?
- 0:13Aceita o chá de coragem? Olá, elislama, tudo bem?
- 0:31Tenho acompanhado o chá de coragem.
- 0:33As ruas reflexões tem me ajudado a colocar nomes, sentimentos que
- 0:36por muito tempo eu só sabia sentir, mas não entender.
- 0:41Por isso eu resolvi te escrever. Namorei durante 8 anos com uma
- 0:45mulher, éramos muito jovens e crescemos juntas no sentido de
- 0:49amadurecer individualmente, mas não o suficiente para amadurecer
- 0:53dentro da relação. Vivíamos uma dependência
- 0:57emocional muito forte. Daquelas que confundem amor com
- 1:01necessidade. A gente se amava, mas se
- 1:04sufocava. Apesar disso, foi um
- 1:07relacionamento bom, cheio de carinho e de parceria, mas
- 1:11também marcado por episódio de traição da minha parte, que me
- 1:14feriram e fizeram mal por muito tempo e por uma dinâmica de
- 1:17manipulação que vivíamos uma pela outra.
- 1:21Hoje eu estou em um novo relacionamento, saudável, leve,
- 1:25com uma mulher incrível, com que tem construído uma vida de
- 1:27verdade. Mas, ao mesmo tempo, às vezes
- 1:31parece que estamos lutando o tempo todo para fazer dar certo,
- 1:34como se o amor estivesse ali, mas o encaixe exigisse esforço
- 1:39demais. Comecei a fazer terapia alguns
- 1:41anos. Tenho aprendido a entender os
- 1:43limites. O que eu aceito eu não aceito
- 1:46mais em mim e nas relações. Tenho tentado me olhar com mais
- 1:50honestidade, com o mesmo julgamento e com mais coragem,
- 1:54mas mesmo assim. Há um cordão invisível que me
- 1:58liga a minha ex. É como se eu seguisse
- 2:01caminhando, mas sempre olhando para trás, buscando entender o
- 2:04que ficou, o que faltou, o hotel que ainda me prende.
- 2:08Não é sobre querer voltar, é sobre ainda olhar para trás.
- 2:12É sobre uma parte de mim que parece ter ficado lá e eu não
- 2:16consigo acessar a subjetividade na minha vida.
- 2:18Para entender o motivo, eu gostaria de ouvir sua opinião,
- 2:22como seguir caminhando sem olhar para trás?
- 2:24Ou talvez entendesse. Esse olhar constante significa
- 2:28tentando seguir com a pessoa errada.
- 2:30Agradeço de coração por dedicar tempo e sensibilidade a tantas
- 2:34histórias. A sua forma de acolher e
- 2:36provocar reflexão é, de verdade, um respiro para quem tá tentando
- 2:39se entender com carinho. Será que o passado passa a
- 2:45gente? Por vezes sim.
- 2:46Uma ilusão de que as coisas que nós vivemos, elas vão ficar lá
- 2:50para trás? E tem coisa que parece que fica,
- 2:53né? Tem coisa que a gente olha e
- 2:54fala, nossa, isso foi em outra vida, nem parece que foi aqui,
- 2:57nem parece que fui eu, porque não foi você, foi uma outra
- 3:00versão sua, mas tem coisa que fica com você por muito mais
- 3:05tempo. Eu quero primeiro falar algo
- 3:08sobre o trauma, as situações, vamos entender trauma com aquela
- 3:12situação dolorida que você passa e que deixa uma marquinha, o
- 3:16trauma ele, ele fica aqui, ele deixa um feridinho em você.
- 3:20Alguns traumas a gente vai cuidar, a gente vai conseguir
- 3:23tratar e vai ficar cicatriz, uma cicatriz daquelas que às vezes
- 3:27dói quando faz frio, mas que está aqui.
- 3:30Outros traumas, eles ficam doendo por muito tempo da nossa
- 3:36vida. O trauma.
- 3:39Ele não respeita nem a noção do tempo, nem a noção de espaço.
- 3:46Ele atravessa tudo isso. Como assim?
- 3:50Quando você vive em alguma situação que te traumatizou, a
- 3:54tua memória vai te fazer lembrar da situação.
- 3:57Muitas vezes, quanto mais latente, quanto mais doloridinho
- 4:01ainda está. Mas você vai lembrar dele, mais
- 4:05coisas vão tocar nele e você vai fazer a é.
- 4:09Tá doendo muito, tá doendo muito mais cuidado.
- 4:11Você vai precisar ter mais situações, você vai viver que
- 4:15vão te fazer se sentir exatamente como aquele dia.
- 4:20Eu dou um exemplo que eu falo que são os roxinhos emocionais.
- 4:24Sabe o hematoma que quando você bate na Quina da mesa, que você
- 4:28toma outra pressão, fica aquela marca roxa.
- 4:31Ela normalmente não dói, né? Mas aí se alguém toca sem querer
- 4:36nessa marca roxa, você dá um grito só.
- 4:39Doeu daquele tanto para você dar um pinote na hora porque tocou
- 4:44na manchinha roxa. Se tivesse tocado em outro lugar
- 4:46da sua pele, que não tivesse doido.
- 4:49Que não tivesse um lugar sensível, aquele toque não IA
- 4:51doer daquele tanto. Óbvio que existem toques que vão
- 4:55causar novos traumas e criar novos roxinhos, mas eu estou
- 4:58falando do toque normal todo dia que ele vai lá e inflama de
- 5:03novo. Então, existem situações, fatos,
- 5:09histórias da gente que enfiam o dedo na ferida que dói.
- 5:14O que aconteceu dói o dedo. Mas dói profundamente.
- 5:17E você lembra do dia da ferida e você lembra de cada detalhe
- 5:20daquele machucado? EE, dói demais, dói demais, dói
- 5:22demais. Nem sempre a gente lembra todos
- 5:25os detalhes do machucado. Às vezes a gente só sente a dor
- 5:27absurda e não sabe nem onde foi. Mas digamos que no caso, no seu
- 5:30caso, que se fala em tua relação, se lembra de todos os
- 5:32detalhes do machucado e aí você se sente a dor de alguém ter
- 5:38encostado e relembra a dor do outro dia, a dor de quando
- 5:41aquilo aconteceu. Por isso que o trauma ele não
- 5:44respeita nem tempo no espaço. Porque não é uma dor de agora
- 5:47somente que você está sentindo que a gente a dor de agora e a
- 5:51dor de quando causou e todas as situações na sua vida que se
- 5:55assemelharam, elas vão inflamando mais aquilo dali.
- 5:58E fica aquele acúmulo de dores, sabe?
- 6:01Fica aquela pele muito, muito, muito sensível.
- 6:03Aquele machucado muito grande aqui passado não passa porque
- 6:08ele ainda está aqui. Ele segue sendo machucado.
- 6:12O rostinho ainda tá aqui, o hematoma ainda tá aqui, a marca
- 6:16ainda tá aqui. Ela não tá lá no passado, no
- 6:18tipo assim, Ah, bati lá e acabou e não penso mais nisso porque
- 6:22ficou lá no lá no passado. Não se virou um trauma, se foi
- 6:25algo que te traumatizou, o que te machucou profundamente, tá
- 6:29com você. Faz parte desse teu corpo
- 6:32emocional hoje, às vezes somente como uma cicatriz já cuidada, já
- 6:38bem de sarada. Nunca com uma pele normal,
- 6:42porque vai ficar a marca. A gente tem as marcas da vida,
- 6:45às vezes como cicatriz, às vezes conferida, às vezes conferida,
- 6:50ainda que ainda magoa, né, que ainda está inflamada, tá?
- 6:55Esse é o primeiro ponto que eu quero que você pense, o trauma,
- 6:59ele fica com você. Ele é atemporal, ele não
- 7:03respeita os passos dos limites físicos, ele vem.
- 7:08Diversas vezes coisas lembram gente, uma situação difícil que
- 7:12você viveu, a fala de alguém, o jeito que aquela pessoa faz, o
- 7:16jeito que alguém comentou, um cheiro, um perfume.
- 7:19Quantas vezes um perfume faz o coração da gente doer porque
- 7:23você lembrou de alguém que usava aquele perfume que foi tão
- 7:25importante na tua história e via lágrima no olho sem você nem
- 7:28perceber músicas. Quantas coisas trazem aquela
- 7:34memória vívida, como se você tivesse passando por aquilo
- 7:36agora? Que você me diz que você teve
- 7:40uma relação, que essa relação era muito intensa e era uma
- 7:45relação de codependência, uma relação em que vocês viviam
- 7:50misturadas. E agora você olha pra relação e
- 7:53fala, nossa, a gente é tão legal, a gente é tão bacana, mas
- 7:55não sei, não é daquele jeito. E aí, amores, a gente precisa
- 8:03parar pra pensar, se não é daquele jeito, eu vou.
- 8:05Não sei daquele jeito, já que aquele jeito é meio doente, né?
- 8:09A gente precisa lembrar do episódio que eu falei aqui sobre
- 8:12o apego, quais são as minhas memórias sobre o amor?
- 8:18O que é que eu nomeei como amor, como estou custada a me
- 8:22relacionar? Porque às vezes essa
- 8:25preocupação, se o outro fez ou não fez o ciúme, a briga, a
- 8:30tensão, o corpo sempre tenso, a respiração sempre aqui na
- 8:33garganta que não desce para o peito, ausência total de
- 8:36relaxamento. É misturada com a noção de amor
- 8:40na relação. E eu penso, eu só sinto isso
- 8:42porque eu amo. Você aprendeu que o amor ele te
- 8:47deixa em alerta, que o amor ele te deixa assustada, assustado,
- 8:53que o amor é algo que mexe com o teu sono, com a tua fome.
- 8:59Que ele tem uma intensidade tão grande de perturbar a tua mente
- 9:02de um jeito tão intenso que se isso não acontece, não é amor.
- 9:08E você sai de uma relação que era doentia, que te tirava o
- 9:12sono, que te tirava a paz, e vai para uma relação que tem esse
- 9:17negócio que chama paz, em que você não precisa pensar o tempo
- 9:21inteiro o que que a outra pessoa tá fazendo?
- 9:23Porque vocês conversam em que a outra pessoa não te demanda
- 9:28emocionalmente. O que essa energia de tá falando
- 9:31o tempo inteiro de tá brigando, não tem?
- 9:35E gente? A gente estranha.
- 9:39Veja, a gente não se acostuma só com o que é bom, não tá?
- 9:42A gente não se acostuma só com o que é custoso, não, a gente se
- 9:47acostuma com o que é normal para nós.
- 9:50E essa noção de normal é uma noção construída pela tua
- 9:56história, por onde você nasceu, as pessoas com quem você
- 9:58conviveu, papai, mamãe de tia, Vovó, todo mundo aqui ajudou a
- 10:03te construir o que é normal. O que é normal para você não é
- 10:08necessariamente normal para mim, normal não é saudável, normal
- 10:12não é o que é bom, normal não é o que é melhor, normal não é o
- 10:15que é mais potente. Normal é só o que é a norma, e a
- 10:19norma nem sempre é maravilhosa. E aí quando a gente está falando
- 10:23de relações amorosas, quando a gente está falando de apego,
- 10:26quando a gente está falando de não só apego, não só nas
- 10:29relações amorosas, porque a gente se apega ao trabalho, a
- 10:31gente se apega aos amigos, a gente se apega.
- 10:34A forma de apego, gente, ela tá em tudo.
- 10:36Ela não tá só como você namora alguém, ela tá em como você se
- 10:40dedica as suas relações e tudo é relação.
- 10:43Nós estamos em relações o tempo inteiro, então eu preciso
- 10:45entender o que é que é a norma para mim das relações.
- 10:48E se eu acho que o que eu entendo como uma norma, o que eu
- 10:52entendo como comum, é o que eu quero levar para a vida, é o que
- 10:57é saudável, é o que eu quero nutri, é o que eu quero ver
- 10:59crescer. Se o que eu aprendi, que é o
- 11:02comum, que é o normal, é o que eu quero ver brilhar na minha
- 11:11vida, que se é o que eu quero regar em nutri da minha vida,
- 11:17talvez a sensação de ausência de paz na realidade, de paz na
- 11:23relação, a sensação de tranquilidade na relação.
- 11:26A gente olha e pensa, nossa, mas é uma relação tão morninha?
- 11:30Tão sem gracinha assim é sem graça, né?
- 11:34Não tira a minha fome, não me deixa louca, não me deixa
- 11:35nervosa, não me faz surtar, não me faz gritar, não me faz.
- 11:39Então, assim, será que esse amor dá para ser amor sem ser um
- 11:43surto? Dá para ser amor sem ser uma
- 11:46cobrança absurda. E tem um lugar que a gente
- 11:51precisa enxergar na culpa, na nossa vida, porque a culpa ela
- 11:58aprisiona a gente nas relações também.
- 12:01E aí você me fala que houve uma traição da sua parte.
- 12:05O quanto você consegue nomear os seus erros, entender os seus
- 12:11erros e saber que aquele erro não te define e que aquele erro
- 12:16não tem que te aprisionar a uma situação.
- 12:20Porque quando a gente causa o fim da relação.
- 12:25Quando a gente toma uma atitude, que é a atitude que culminou o
- 12:30fim de uma relação, quando a gente faz algo que a gente
- 12:33considera completamente a inapropriado, porque assim a
- 12:38gente o que é a culpa? Tem muitas noções de culpa, tá?
- 12:43Tem muitos autores que falam sobre culpa.
- 12:46Eu vou utilizar aqui uma. Uma mistura além do do que o
- 12:52Freud falava, do que Abraham e Brown fala que é a culpa.
- 12:56Sou eu vivendo o desacordo das minhas atitudes com que Eu
- 13:02Acredito que eu deveria, de como Eu Acredito que eu deveria me
- 13:05comportar. Então a culpa ela é um
- 13:08desencontro do que eu penso, que eu deveria agir, com a forma que
- 13:13eu deveria agir, não. Então tá batendo.
- 13:17E aí quando eu penso o nosso certo de agir, aqui é assim.
- 13:21Mas eu agi de uma outra forma, eu sinto culpa.
- 13:26A culpa seria 11 sentimento importante, um termômetro pra
- 13:34gente também ajustar os nossos passos diante da vida em
- 13:37comunidade. Então é importante de vez em
- 13:39quando eu perceber que, caramba, Eu Acredito nisso.
- 13:42Eu agi assim, olha, fui incongruente, senti um pouco de
- 13:45culpa, respirar, entender que é putz.
- 13:50Quero ajustar o passo, a culpa seria esse, ó, acorda, menina,
- 13:53não é assim não, você fez aqui, você não gosta disso daqui não,
- 13:56não quer agir assim. A Brena Brown ela separa a culpa
- 14:01da da vergonha, né? Ela fala que a culpa é esse
- 14:04sentimento do eu fiz um erro, eu cometi um erro, ela incomoda,
- 14:09ela dói, eu não queria ter dito assim, a vergonha vem com essa
- 14:13carga maior de eu sou o erro, eu não cometi um erro, eu sou o
- 14:17erro. Eu não agi assim.
- 14:19Eu sou essa atitude. Só pessoas horríveis agem de
- 14:25acordo com essa atitude. Isso seria vergonha.
- 14:30A culpa, a vergonha também. Mas assim, ambas às vezes fazem
- 14:36com que a gente fique achando que o erro que a gente cometeu
- 14:42precisa de uma reparação. Que é tão grande que você fica
- 14:46ali se chicoteando por muito tempo.
- 14:50O que teria acontecido se eu não tivesse errado?
- 14:53O que teria acontecido se eu não tivesse agido assim, o que teria
- 14:57acontecido? Sabe?
- 14:58E aí você fica preso ou presa em relações, em situações que você
- 15:06não tem mais como ser porque você já agiu, você já já
- 15:09aconteceu. O que você pode fazer é lidar
- 15:12com as consequências. Do teu erro, da tua falha, do
- 15:15teu, da tua humanidade. Porque assim você vai falhar,
- 15:18você vai errar, você vai agir da forma que você não queria agir.
- 15:23É importante a gente olhar para entender se a gente está se
- 15:27sentindo preso a algo ou alguém por conta da culpa.
- 15:32Eu te falei agora que você precisa ver qual é a tua noção
- 15:36de amor, se a tua noção de paz. É se a paz anda com amor pra
- 15:44você, pra muitos de nós ela não anda.
- 15:49A gente não aprendeu a ter paz e a ter tranquilidade no amor.
- 15:53E muitas vezes a gente acredita que a paz e tranquilidade no
- 15:57amor são na realidade. É que eu não estou tão
- 16:00interessada assim, porque se eu estivesse interessada de
- 16:02verdade, eu estava assim, sem ar, com minhas pernas tremendo,
- 16:05dormindo, sendo pesando, outra pessoa ligando pra 15 vezes no
- 16:08dia. Se eu não estou fazendo isso é
- 16:09porque eu não gosto tanto assim. Talvez seja só porque não você
- 16:12está seguro e você não sabe porque ficar seguro.
- 16:14E aí eu te falei para você olhar isso para você, observar a
- 16:20culpa. E tem uma ilusão que a gente tem
- 16:26de que o amor ele vai ser fácil. E se ele está pedindo algum
- 16:31esforço para dar certo, então não é amor.
- 16:35Ô, gente, não é assim que funciona.
- 16:41Relações pedem esforço, elas não tem que pedir esforço demais a
- 16:47ponto de demandar tanta energia que você faz.
- 16:50Eu não dou conta, não tem condição.
- 16:52É mais um trampo na minha vida, mas não dá para acreditar que,
- 16:56nossa, se fosse para gente estar junto mesmo, estar junta mesmo,
- 17:01putz, IA ser muito fluido, IA ser muito tranquilo, IA ser
- 17:04muito fácil. Até porque as relações passam
- 17:08por fases, né? Tem fase que a relação tá fácil
- 17:13e fluida. E tem fase que tá mais difícil,
- 17:15que tá mais demandante, porque tem fase que a gente também tá
- 17:18fácil, que o outro tá fácil e tem fase que a gente tá mais
- 17:21demandante. E o au?
- 17:24O quanto nós estamos aceitando que relacionamentos são a junção
- 17:31de pessoas imperfeitas, atrapalhadas, constantes,
- 17:37infelizmente. Pessoas que erram, pessoas que
- 17:43acham que querem muito uma coisa.
- 17:45E aí depois descobrem que nem era o que elas queriam e mudam
- 17:48de ideia. E que sem você, você se
- 17:53relacionando com você, já não é um negócio fácil.
- 17:56Lidar com a sua própria inconstância, lidar com os seus
- 17:58próprios medos, lidar com a sua própria angústia, já não é um
- 18:00negócio fácil. Você pensa em ajustar.
- 18:04As minhas angústias lidar com elas enquanto eu lido com o
- 18:07outro que também está lidando com as angústias dele, que AI
- 18:10gente, entendeu? Relação com o negócio complexo,
- 18:15com o negócio que demora esforço, porque é um encaixe
- 18:18complexo, gente. Não existe encaixe perfeito,
- 18:23esse é o ponto. Aqui não existe encaixe
- 18:26perfeito. A gente se encaixe e desencaixa,
- 18:31encaixe e desencaixa. Junta aí, atrapalha aí e a gente
- 18:36vai nessa dança aqui. Que bom que não tem caixa
- 18:39perfeito, que bom que não está faltando parte em você, porque
- 18:46quando a gente fala assim, nossa, encaixa perfeitamente, só
- 18:50encaixa perfeitamente o que está faltando.
- 18:52Uma parte, né? Não está faltando parte em você,
- 18:57ninguém tem que encaixar perfeitamente, a gente vai andar
- 19:00junto você inteirinha. A outra inteirinha também.
- 19:08Eu inteirinha também inteirinha assim, né?
- 19:12Com as minhas avarias de ser humano.
- 19:15Mas eu não tenho que te completar, nem você me
- 19:18completar. A gente não tem que se encaixar.
- 19:20A gente precisa ter disposição para entender o que é que
- 19:27precisa para a gente ficar junto, ter a vontade e a
- 19:31disposição. Para fazer os ajustes são
- 19:34necessários e que serão necessários inúmeras vezes na
- 19:38vida, muito mais do que o que a gente gostaria.
- 19:42Eu sempre digo que quanto mais longeva a relação, quanto mais
- 19:45longa a relação, mais ajustes a gente vai fazer, vai precisar
- 19:49fazer. Não é assim.
- 19:50Se a gente for olhar 11 todo, vou dar um exemplo, você aluga
- 19:54uma casa, né? Você alugou aí a casa por uma
- 19:57temporada, você não vai precisar.
- 20:01Anão ser que você dê muito azar de entupir alguma coisa, quebrar
- 20:03alguma coisa, você provavelmente você vai passar 34 dias.
- 20:05Você não precisava mexer em nada.
- 20:07Mas se você morar na casa, você vai precisar, depois de um
- 20:11tempo, desentupir algo, consertar algo.
- 20:13E quanto mais tempo você passar, você vai precisar retocar
- 20:15pintura, você sabe, vai ter um Monte de ajustes que você vai
- 20:19fazer, porque o tempo, o uso, faz com que a gente precise de
- 20:24ajustes. Relacionamentos pedem ajustes.
- 20:29E isso não quer dizer que o relacionamento não é bom, não é
- 20:32saudável. Quais são esses ajustes que a
- 20:36relação está pedindo? São ajustes que que me fazem
- 20:41bem. São ajustes que me incomodam,
- 20:45mas que eu percebo que fazem parte do meu crescimento.
- 20:50São coisas que eu cedo, mas que eu recebo tanto do outro também,
- 20:54que essa troca nossa é tão justa e equilibrada.
- 20:59O que que a gente faz aqui? Lembrando que o equilíbrio é
- 21:05movimento, tá? Não existe o ponto em que eu
- 21:10encontrei o equilíbrio perfeito em qualquer relação, não existe
- 21:13o equilíbrio é uma dança, a gente mexe pra um lado pro
- 21:16outro. Hoje eu fui pro lado de casa e
- 21:18dizer, epa, né? Vamos ficar aqui como a gente tá
- 21:22dançando esse equilíbrio da vida, da relação da negociação.
- 21:28Do passado e para encerrar, a gente vai olhar para trás e é
- 21:33importante olhar para trás. Seu carro tem retrovisor?
- 21:35Se você tiver carro, todo carro tem o retrovisor, a gente vai
- 21:38olhar para trás, olhar para trás e ver o que está acontecendo, o
- 21:41que aconteceu e aprender. Faz a gente crescer, sabe?
- 21:47Mas não dá para dirigir olhando para trás, não dá para seguir só
- 21:52olhando para o retrovisor. O retrovisor é um auxílio e eu
- 21:57olho para ele para. Entender uma coisa ou outra,
- 21:59aprender. Mas a gente tem que olhar para
- 22:02frente. Você tá dirigindo, olhando para
- 22:04o retrovisor, como você queria arrancar o retrovisor e só olhar
- 22:08para frente? E tá criando uma expectativa aí,
- 22:11real, porque eu não tenho como te falar se você tá com a pessoa
- 22:16certa e eu quero te falar um negócio assim.
- 22:20Não existe pessoa certa. Essa é uma ilusão romântica, não
- 22:26existe pessoa certa. Existem encontros especiais que
- 22:30a gente cuida, que a gente tem uma troca saudável, que às vezes
- 22:35ficam meio difíceis. Tenho 16 anos de casamento, mas
- 22:39já tive vontade de ir embora para nunca mais voltar.
- 22:42Algumas vezes já tive motivos para ficar, tantas, outras já
- 22:46tive fases incríveis e fases que eu pensei, nossa, a gente não
- 22:49comemora mais 1 ano e é isso. Em relações, elas oscilam.
- 22:56É a gente entender se a dança ainda tá fazendo sentido, se a
- 23:02dança não tá me machucando. Mas olha para frente, não as
- 23:07piscadinha olhando para trás para ver aprender, mas o sentido
- 23:10da vida é outro, tá bom? Se você, meu bem, quer o meu
- 23:15pitaco na sua história, manda um e-mail tá aí na descrição, tá na
- 23:20descrição do podcast, tá na descrição do episódio, tá?
- 23:24Eu não que tá aqui a nossa história também, porque eu
- 23:25adoro. Adoro optar com a história
- 23:27alheia, tá bom, manda esse episódio pra todo mundo que você
- 23:31conhece, tá? Porque assim a pessoa não pode
- 23:34não ter vivido essa história parecidinha, mas aí tem um
- 23:38negócio que caramba, cabe, então manda episódio, ou então só
- 23:42divertimento mesmo. Ver a história dos outros é
- 23:43legal, não é legal, nós somos um país fofoqueiro mesmo, vamos a
- 23:46história dos outros para pessoa, tá bom, um beijo e até o próximo
- 23:50episódio.