Latest / Comunidade Ágil / Episódio #202 - Neurodivergentes: Conhecendo e Potencializando com Andressa Chiara
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- 0:12Olá pessoal, olá comunidade ágil.
- 0:14Eu sou o Cláudio barison e eu estou aqui com a minha amiga
- 0:17Cíntia Ruiz. Oi, oi e.
- 0:20Estamos trazendo mais uma vez mais uma convidada super
- 0:24especial, Andressa Chiara, que esteve aqui recentemente.
- 0:27Ela esteve aqui com a gente do nosso episódio 192 e esse que
- 0:31nós estamos gravando é o 202, então foi apenas a 10 episódios
- 0:35atrás. Mas a Andressa é uma pessoa
- 0:38super especial, somente na comunidade de ágil, é sempre
- 0:41legal, é sempre importante. Ouvi la e no último episódio ela
- 0:45contou um pouco pra gente. Eu vou pedir Pra Ela se
- 0:46apresentar de novo, né? Então vocês vão ver que ela tem
- 0:4911 currículo extenso, né? Várias atividades, mas uma delas
- 0:53ela tem uma iniciativa com trabalho.
- 0:56Sobre neurodivergência e a gente queria trazer esse assunto que a
- 1:00gente acha importante hoje em dia, falar sobre diversidade e
- 1:04inclusão. São assuntos muito relevante e
- 1:07que a gente precisa entender melhor.
- 1:08A gente precisa criar essa uma maior cultura sobre esses
- 1:11assuntos também nas nossas empresas, porque até algum tempo
- 1:14atrás eram assuntos que a gente nem escutava nas nossas
- 1:17empresas, tabu super grande, a gente nem contratava pessoas
- 1:21ligadas ao tema. E hoje em dia é muito comum a
- 1:24gente ter pessoas em nossos times.
- 1:26Que eventualmente precisam de 11 carinho.
- 1:29Eu não vou falar especial, mas talvez com cuidado, talvez um
- 1:32pouco diferente. E aí eu acho que a Andressa pode
- 1:35nos ajudar a dar luz pra esse assunto e a gente entender
- 1:39melhor como é que a gente pode lidar melhor com essas
- 1:41situações. E é isso.
- 1:43Então, Andressa, vou te pedir pra você se apresentar primeiro
- 1:45e depois falar sobre esse tema, que pra gente é não sei se é um
- 1:49tabu ainda, mas é um tema difícil, né?
- 1:51É meu. Nome é Andressa, kiara galera eu
- 1:55tenho. 20 anos aí de carreira de produto, de gestão de negócios,
- 2:01de criar produtos digitais, de liderar time de alta performance
- 2:07e tem alguns livros publicados, alguns de produto ágil, alguns
- 2:11de liderança. E recentemente, um de a
- 2:15descoberta da neurodivergência, né?
- 2:16Que tem a ver justamente com esse processo que a gente vai
- 2:19discutir aqui. E o bari já trouxe alguns pontos
- 2:22que eu acho legal a gente até. Dá uma desmistificada, né?
- 2:25Legal, porque quando a gente fala de diversidade, é
- 2:30importante lembrar que a gente não quer diversidade porque é
- 2:34politicamente correto. A gente quer diversidade porque
- 2:39dentro das empresas, e aí eu vou vou ser bem fria.
- 2:41Agora, dentro das empresas, times diversos geram mais
- 2:45resultado. Sem dúvida, a gente traz visões
- 2:47diferentes. Né, Andressa?
- 2:49São mais criativos, são melhores em resolver problemas, são
- 2:52melhores em empatizar com o cliente, enfim, tem uma série de
- 2:55benefícios. E então não é por filantropia.
- 2:59Essa é a primeira coisa que eu acho importante a gente
- 3:00desmistificar aqui, porque quando a gente fala de
- 3:02diversidade, é muito fácil as pessoas começarem a falar.
- 3:05É politicamente correto. E o bari trouxe uma coisa que eu
- 3:08achei muito interessante, que é a gente não costumava falar
- 3:12disso, mas eu que eu vejo são ondas, sabe?
- 3:17Teve uma época em que a galera falava muito de politicamente
- 3:20correto, na década de 90, e aí teve uma retração violenta para
- 3:26o caminho do, do, do reacionário.
- 3:28Aí depois teve outra liberação e a galera voltou a falar de
- 3:31diversidade, de politicamente correto.
- 3:33E aí, recentemente a gente já viu outra outro movimento
- 3:36reacionário. Então existe é, são ondas.
- 3:39E, no fim das contas, eu tenho a Esperança de que quando a gente
- 3:43pega e bota. Uma lente de dar vários passos
- 3:47para trás e olhar 50 anos. A gente vê a evolução, graças a
- 3:49Deus, né? Mas o objetivo disso é criar um
- 3:55trabalho melhor para todo mundo e que gera mais resultado.
- 3:58Ponto fim. Acabou isso dito contexto, né?
- 4:03Eu sempre fui um bicho estranho, porque eu sempre recebi feedback
- 4:08de ser intensa demais, de me preocupar demais com as coisas,
- 4:12de questionar demais. Inclusive, boa parte da minha
- 4:14carreira foi porque as pessoas não sabiam onde me enfiar.
- 4:18Eu fui me movendo porque eu não encaixava exatamente onde as
- 4:21pessoas tinham me colocado, e eu ficava questionando as outras
- 4:24coisas que não eram minha função.
- 4:25E aí as pessoas iam me movendo para um lugar para ver se eu
- 4:28resolvi o diabo do problema, sabe?
- 4:31E eu só fui diagnosticada com autismo TDHE superdotação com 38
- 4:37anos, 40 anos, certo? Então eu passei a vida inteira.
- 4:43Achando que todo mundo estava fazendo o mesmo esforço que eu e
- 4:46que eu só era pior em lidar com os meus desconfortos.
- 4:51Então, quando você olha estatisticamente, que você olha
- 4:54as pesquisas e você olha diagnóstico tardio de
- 4:58neuroergência, o que você percebe é que as pessoas que são
- 5:02diagnosticadas tardiamente, elas frequentemente são
- 5:04diagnosticadas como ansiedade e depressão.
- 5:07Elas muitas vezes, quando elas têm um nível alto de
- 5:10mascaramento. E aí que eu estou falando de
- 5:11autismo, eu já explico o que é mascaramento.
- 5:14Você tem uma ideação suicida muito forte, certo?
- 5:19E a taxa de pessoas que está nesse cenário e tenta se matar é
- 5:23tipo, eu não, não vou lembrar do número de cabeça, mas é tipo 9
- 5:26vezes mais do que o normal, sabe?
- 5:28E é bizarro porque é. É bizarro porque quando você
- 5:31olha gênero. O que a gente tem na população
- 5:35normal é que os homens tentam se matar numa taxa muito maior do
- 5:39que as mulheres. E a gente tem uma série de
- 5:41motivos do porquê que isso acontece.
- 5:43Os principais são o machismo, o fato dos homens não poderem
- 5:47expressar a emoção, não poderem ser vulneráveis, etcetera.
- 5:50E olha que interessante, quando a gente fala de pessoas,
- 5:54diagnóstico é de pessoas que são diagnosticadas tardiamente.
- 5:59Esse número ele se inverte entre homens e mulheres.
- 6:02A taxa de pessoas que tem ideação suicida ou tenta de fato
- 6:07se matar é maior em mulheres. Por quê?
- 6:10Porque o mascaramento em mulheres é muito mais alto.
- 6:12Homens autistas podem ser autistas, e as pessoas viram e
- 6:17falam, Ah, ele é esquisito, ele é excêntrico.
- 6:19Mulheres autistas, elas são completamente esculhambadas pela
- 6:24sociedade, então? Essa sensação de inadequação e
- 6:28de que você não faz nada direito e que você está sempre errada,
- 6:31ela vai gerando essa ansiedade, essa depressão e eventualmente,
- 6:35esse pensamento suicida. Ter o diagnóstico tardiamente
- 6:40que aí na minha vida, fazer sentido em retrospecto.
- 6:42E, mais importante do que isso, entender como eu funciono e como
- 6:47isso é diferente da população normal, me tornou uma pessoa
- 6:52mais Serena, mais tranquila. Uma pessoa que entende as suas
- 6:57forças e maneja as suas fraquezas de um jeito que eu
- 7:01nunca tinha feito. Legal, mas o Andressa até então,
- 7:05como é que você enxergava isso? Eu só não sabia funcionar como
- 7:09um ser humano normal. Todo mundo fazia o mesmo esforço
- 7:12que eu. Todo mundo tinha os mesmos
- 7:14incômodos que eu, mas eu era péssima em lidar com eles por um
- 7:17defeito meu. Eu literalmente acreditava, por
- 7:19exemplo, que as pessoas escutavam o que eu escutava.
- 7:23Vou, vou dar um exemplo. Que é fácil de medir.
- 7:27Eu tenho como se fosse uma super audição.
- 7:30Isso é a característica do autismo, não é todo autista,
- 7:33porque é um espectro. Mas eu particularmente tenho uma
- 7:36audição muito, muito, muito aguçada e isso é bom pra.
- 7:41Por exemplo, já aconteceu de eu diagnosticar um vazamento na
- 7:46parede que ninguém mais ouvia. Nossa, mandar quebrar a parede,
- 7:49descobrir o vazamento e assim todo mundo me chamando de
- 7:52maluca, é todo mundo me chamando.
- 7:54De maluca, pode quebrar ali, pode quebrar ali.
- 7:57Foi exatamente isso. Chegou num momento em que AAO
- 7:59barulho de água estava me irritando tanto e me deixando
- 8:02tão louca, que eu chamei o bombeiro e assim eu já tinha
- 8:05chamado uma amiga minha. Ela não escutava nada.
- 8:07Chamei meu marido, não escutava nada, chamei outras pessoas,
- 8:09ninguém escutava nada. Era só eu achando que eu estava
- 8:12perdendo a mensanidade mental. E aí chegou 1 hora que eu falei,
- 8:15cara, eu vou contratar um cara para quebrar a parede, nem que
- 8:17seja para eu me convencer de que não tem um vazamento.
- 8:20E aí eu fui seguindo o barulho e eu encostei a orelha onde estava
- 8:25a fonte do barulho e botei um post em cima.
- 8:27Falei, é aqui. E aí quando o pedreiro veio, ele
- 8:30quebrou e falou, cara, ainda bem que que você chamou?
- 8:34Porque, tipo, a conta de água de vocês IA vir e IA ter programa
- 8:38na fundação e IA ter tipo, enfim, IA dar uma merda federal
- 8:43e ninguém acreditava em mim. Agora, você imagina essa super
- 8:45audição aplicada a um ambiente extremamente barulhento?
- 8:51Você acha que eu vou conseguir me concentrar como uma pessoa
- 8:53normal? Eu descobri, depois do
- 8:56diagnóstico, que boa parte das crises que eu tinha, depois de
- 9:00eventos com muita gente, nem era por causa da socialização.
- 9:03Apesar da socialização ser um ponto, era o barulho.
- 9:07O barulho me deixava tão sobrecarregada que eu sentava e
- 9:09chorava no fim do dia. E aí eu comecei a usar abafador
- 9:14de ruído e eu comecei a conseguir evento.
- 9:17Se você não sabe o que que você tem de diferente, como é que
- 9:20você pode manejar? Fora isso que você deve ficar
- 9:23fazendo, que você é completamente maluca, né?
- 9:25Falando em termos genéricos, que você é completamente maluca
- 9:27porque você tá sentindo uma coisa que você acha que tá todo
- 9:29mundo sentindo também, quando na verdade não é só.
- 9:32Você tá sentindo exatamente. Isso vale pra todos os sentidos,
- 9:37isso isso vale inclusive pra forma como você raciocina,
- 9:40então? Aí vou falar de outra
- 9:43neurodivergência, né? É, vamos falar de superdotação.
- 9:46Quando eu não entendo como algo funciona, é como se o meu
- 9:48cérebro coçasse. Eu não consigo desviar minha
- 9:52atenção daquilo, e é desesperador porque eu adoraria
- 9:55desviar minha atenção daquilo, entendeu?
- 9:58Mas eu não consigo. Enquanto eu não desvendar o que
- 10:01diabo está acontecendo, é como se tivesse uma voz falando, mas
- 10:04outra coisa, mas outra coisa, mas outra coisa, mas outra
- 10:06coisa, entendeu? Eu não sei.
- 10:09Exato. E se eu não sei que isso é 11,
- 10:12condição neurológica, porque o cérebro do superdotado, ele é
- 10:15literalmente assim, fisicamente diferente.
- 10:21A parte branca, que é a parte de interconexão onde tem a mielina,
- 10:24né? Tipo, você tem.
- 10:25Quando você olha o cérebro, você tem que descrever para quem tá
- 10:28ouvindo. Quando você olha o cérebro do
- 10:30lado de fora, ele é cinza, mas se você cortar ele no meio e
- 10:34olhar para dentro, ele é branco. Certo, por quê?
- 10:37Porque Na Na camada externa do cérebro você tem OOO corpo do
- 10:41neurônio, OOO núcleo dele, o corpinho dele, e pra dentro você
- 10:46tem o axônico, que é o rabinho do neurônio e que um conjunto de
- 10:51axônios gera um nervo. O rabinho é onde tem a mielina,
- 10:55a mielina, que é branca, entendeu?
- 10:57Então a parte branca é a parte da interconexão.
- 10:59E aí você imagina alguém que tem o cérebro fisicamente diferente
- 11:02que essa toda essa interconexão é muito maior.
- 11:05É desesperador, certo? Não tem 1 minuto de paz, sabe?
- 11:10E a gente tem vários problemas na nossa sociedade, porque, como
- 11:13de das 3 neurodivergências que eu tenho, a superdotação é que
- 11:16incomoda menos as pessoas. A gente não tem nem Cide pra
- 11:19isso, nem Oo código Internacional de doenças pra
- 11:22isso, certo? Por quê?
- 11:24Porque é como se a ciência dissesse, mas superdotado, não
- 11:27tem nenhum prejuízo, não tem nenhum sofrimento.
- 11:30Muito. Pelo contrário, né?
- 11:31Quando você pensa que você pergunta.
- 11:33Só para manter a gente? Né?
- 11:37Exato. É uma coisa é desesperador.
- 11:40E você? Não consegue socializar direito
- 11:41porque todo mundo acha que você é arrogante.
- 11:43Porque que todo mundo acha que você é arrogante?
- 11:45Porque você vira tipo alguém fala poxa, que legal, você viu
- 11:48tal coisa, inclusive isso me lembra, é schopenhauer.
- 11:51E aí você tá mega empolgada falando da parada porque você
- 11:54conectou alguma coisa aleatória e a pessoa tá achando a gente,
- 11:57André, você é louca, louca, entendeu?
- 12:00Mas o meu cérebro, ele pega as coisas e vai embora, sabe?
- 12:04O que é assustador nesse processo é que a gente estima.
- 12:08No censo de 2022, foram identificados 2 ponto 4000000 de
- 12:12autistas no Brasil. Mas se a gente pegar a
- 12:16prevalência do CD? 1%, 1% mais ou menos, né?
- 12:19É? Um pouquinho mais de 1%?
- 12:21Sim, é, mas se a gente pegar a prevalência do CDC, que é dos
- 12:25Estados Unidos, que é onde a gente tem.
- 12:27A gente tem 2 lugares que tem muito monitoramento e muita
- 12:30métrica OCDCEA. Galera da Suécia, se eu não me
- 12:33engano. Por quê?
- 12:34Porque o SUS da Suécia é todo informatizado e eles têm todos
- 12:37os dados históricos da vida inteira de todo mundo.
- 12:40Então, quando você vai fazer uma pesquisa Na Na Suécia, você só
- 12:42vira e fala assim, me puxa, puxa, puxa a base de dado aí,
- 12:45entendeu? E aí você consegue ter tipo,
- 12:47todas as informações históricas de todo mundo.
- 12:49E é muito legal quando você pega a prevalência do CDCA,
- 12:53prevalência que OCDC corrigiu em 2025.
- 12:57Era de uma em cada 31 crianças sendo autistas, e isso dá uns 3
- 13:01vírgula alguma coisa por cento. Ou seja, tem aí os 3000000 de
- 13:07autistas pelo menos não identificados.
- 13:09E aí a pergunta por que que eles não estão identificados?
- 13:12É porque eles não tem sintomas de autismo?
- 13:14Ou é porque eles marcaram muito bem os sintomas de autismo?
- 13:18Porque esse é o motivo pelo qual uma pessoa não é diagnosticada?
- 13:21E olha que interessante, quando você mede o diagnóstico para
- 13:25cada. 3 meninos diagnosticados ou 4 meninos diagnosticados, às
- 13:30vezes uma menina diagnosticado, mas quando você faz grupos de
- 13:33controle você descobre que a prevalência é praticamente um
- 13:36pra um. Então, pra cada 3 meninos
- 13:40diagnosticados, eu tenho uma menina diagnosticada e 2 que não
- 13:43são diagnosticadas, mas são úteis.
- 13:45E na Suécia você vê um efeito que eles chamam de ketchup, que
- 13:50é o seguinte, os meninos todos sendo diagnosticados na
- 13:53infância, na primeira infância. E as mulheres sendo
- 13:57diagnosticadas próximas dos 20? Isso não é porque elas não são
- 14:00autistas, isso é porque os critérios diagnósticos são
- 14:04orientados a gênero. Então você pega o critério
- 14:07diagnóstico, ele fala assim, Ah, tem alta atenção a detalhes, por
- 14:10exemplo, rodinhas de um caminhão.
- 14:12E aí você olha a menina autista, tá ela com os sapatinhos de
- 14:15Barbie, entendeu? Fazendo coleção 111 fila de
- 14:19sapatinho de Barbie, mas não é rodinha de caminhão.
- 14:21Veja bem. É o.
- 14:24Esperado, né? É o esperado que uma mulher seja
- 14:26detalhista, que ela seja atentado.
- 14:28Enfim. É isso?
- 14:30Exato. Então os sintomas de autismo,
- 14:32eles facilmente passam como Ah, a menina é normal ser assim
- 14:37mesmo. E por isso que Eu Acredito, né?
- 14:40Pela estatística mesmo, tudo leva a crer que hoje, enquanto a
- 14:47gente tá, é sendo ouvido. Provavelmente tem pessoas neuro
- 14:51divergentes não diagnosticadas ouvindo a gente.
- 14:54Tá, com certeza, com certeza. E o motivo pelo qual eu comecei
- 14:59uma iniciativa, no final das contas, eu sou uma grande
- 15:03resolvedora de problemas, né? Quando me perguntam assim,
- 15:05Andressa, como é que você se define?
- 15:06Eu falo, eu sou uma resolvedora de problemas compulsiva.
- 15:10E todos os livros que eu que eu publiquei, por exemplo, foi
- 15:13porque eu olhei pro pro mercado. Eu olhei pro dia a dia.
- 15:16Eu olhei para as pessoas e falei assim, cara, eu não aguento mais
- 15:18repetir a mesma coisa. Eu preciso ter um jeito melhor
- 15:21de alcançar as pessoas. E aí eu fazia algum tipo de
- 15:24conteúdo, ou criava um treinamento, ou escrevia um
- 15:27livro e tal. Em 2020, eu tava na plena
- 15:33pandemia e uma mentorada minha. Ela tinha uma escola de música e
- 15:40pandemia, tudo fechado. Ela precisava achar um jeito de
- 15:42conseguir aluno. E aí eu falei, cara, vai para o
- 15:45TikTok. Eu nunca tinha baixado o TikTok
- 15:47na minha vida. Mas eu tive que baixar pra ver e
- 15:50dar feedback. O algoritmo do TikTok é muito
- 15:52esperto, muito melhor do que o do Instagram.
- 15:55Inclusive ele piorou agora, depois do TikTok shop, mas ele
- 15:58era muito, muito bom. Rapidamente ele entendeu que ele
- 16:01não adiantava mostrar dancinha, não adiantava me mostrar
- 16:03conteúdo raso, mas a galera da sociopolítica, a galera da
- 16:08economia, tipo todo mundo, eu gostava e rapidamente Oo
- 16:12algoritmo entendeu que olha, Andressa tem esses interesses.
- 16:17Quem também tem esses interesses é essa galera que assiste esse
- 16:20conteúdo aqui sobre diagnóstico de autismo e mulheres tardio.
- 16:24E aí ele começou a me mostrar os conteúdos e eu assim, isso é
- 16:28muito estranho que. Coisa, Hein, e eu?
- 16:31É. E aí eu tropecei numa lista que
- 16:34é a lista da Samantha craft de é uma lista não oficial de
- 16:39sintomas de autismo e mulheres. Eu peguei o título da lista, eu
- 16:43omiti o título da lista, fui atrás do duba meu marido e falei
- 16:45assim, você lê essa lista pra mim?
- 16:46Me diz, o que que você acha? Eu e os experimentos, né?
- 16:50Aí ele falou, tá, aí ele leu, aí eu falei, que que você acha?
- 16:55Ele falou, eu acho que outra pessoa te conhece, é assustador,
- 16:58tem uma câmera, sabe? Aí eu falei, beleza, eu vou
- 17:00levar pra minha terapeuta, levei pra minha terapeuta, aí ele
- 17:02falou assim, detalhe, antes de levar pra minha terapeuta, como
- 17:06eu tava muito insegura, lembra a parte de me sentir, me sentir
- 17:10louca, né? Eu falei, cara, eu vou
- 17:11catalogar, eu preciso de um dossiê.
- 17:13E aí a primeira lista que eu fiz de sintomas tinha 161 sintomas.
- 17:17Meu Deus, mas. Isso você já já era
- 17:20diagnosticado ou ainda não em 2020?
- 17:22Não, não era não, tá? Isso Era Eu descobrindo que
- 17:27autismo poderia ocorrer em mulheres e não ser diagnosticado
- 17:30até tardiamente, né? E é isso é tipo meu cérebro, ele
- 17:34coça. E aí eu entro num negócio
- 17:38chamado hiper foco, que é um estado de é um estado de flow,
- 17:44mas. Ele chega a ser nocivo porque
- 17:46você esquece de ir ao banheiro, você esquece de beber água, você
- 17:48esquece de comer, você esquece de dormir.
- 17:50E você fica tipo, com uma hiperenergia pesquisando,
- 17:54furiosamente ou fazendo furiosamente alguma coisa.
- 17:56E aí depois você mandei ele de novo, que.
- 17:58Esse é o sintoma mais comum entre aspas que as pessoas, de
- 18:01uma maneira geral, conhecem de autismo, né?
- 18:03Que é o hiperfoco? É, é.
- 18:05Você tem hiperfoco nos 3, né? Você tem hiperfoco no autismo,
- 18:08no TDHE, na superdotação. Então você imagina que não é
- 18:11gostoso pra mim, é. 3 meses mais.
- 18:15Tá ótimo o melhor exemplo de hiperfoco que eu que eu conheço,
- 18:18que é positivo, porque tem um exemplo negativo que é um que
- 18:20você sai passando mal, mas é quando Oo Tony Stark, Homem de
- 18:24Ferro, ele vira tipo, em que momento você virou um
- 18:26especialista em física quântica? Ele, ontem à noite é exatamente
- 18:30assim, entendeu? Você não sabia nada sobre o
- 18:32assunto. 12 horas depois de você consegue dar uma palestra de 2
- 18:35horas sobre todos os detalhes do assunto e ninguém quer ouvir a
- 18:38palestra, é óbvio, é, e aí eu levei para ela a lista.
- 18:44Aí ela olhou pra mim e falou assim, Andressa, eu nunca tinha
- 18:47pensado em autismo pra você, mas faz muito sentido.
- 18:48E mesmo que não fizesse só de você fazer uma lista de 160 e um
- 18:55item, aí eu, né? E ela perguntou se eu queria ir
- 18:59atrás do diagnóstico formal e tal.
- 19:00Eu falei, cara, eu não sei não. Eu tava muito insegura e a gente
- 19:05foi aos poucos trabalhando isso. Mas quando chegou abril de 2021,
- 19:10eu tava. Eu recebi uma notificação no
- 19:12Facebook e um amigo meu. Tinha postado um vídeo, um amigo
- 19:15meu de 15 anos atrás, tá, gente? E aí eu fui ver o vídeo dele e
- 19:18ele estava falando não, porque eu sou autista, que não sei o
- 19:20que lá, eu oi, aí eu mandei mensagem Pra Ele, falei, como
- 19:23assim você é autista? Aí ele eu meio que sempre soube,
- 19:28porque ele ele é mestre em Imunologia, et cetera e tal, ele
- 19:31é de biomédicos, é aí ele falou, eu sempre soube, mas depois que
- 19:34eu tive um filho e ele claramente era autista, eu fui
- 19:36atrás do meu diagnóstico por causa dele.
- 19:39Aí eu tá, eu acho que eu também sou ele aham, claro que você é.
- 19:42Todos os nossos amigos são neurodivergentes, aí eu nossa.
- 19:45Ele já diagnosticou assim tão rápido?
- 19:48Aí eu como assim? Aí ele.
- 19:50Andressa, na década de 90, os critérios diagnósticos que a
- 19:53gente tem hoje não existiam. Inclusive, você não podia ser
- 19:56diagnosticado com TDHE autismo. Eles eram excludentes, entendeu?
- 20:00Então os os os critérios diagnóstico vem melhorando e vem
- 20:04ficando mais preciso. A gente não tinha como ser
- 20:07diagnosticado na infância. A gente fala aí eu, eita, porra.
- 20:13Eu falei, cara, isso faz muito sentido.
- 20:16E aí eu comecei a lembrar de coisas da minha infância do tipo
- 20:18durante 8 anos eu tinha uma garrafa térmica e um dia minha
- 20:23garrafa térmica quebrou, rachou, e aí ela vazava.
- 20:25Aí eu falei, eu preciso de outra garrafa.
- 20:29Revirei a casa, achei uma mamadeira daquelas lacradas.
- 20:32Assim, tipo, ficou da minha infância, da minha época de
- 20:36bebê, e ela estava tipo lacrada. Então eu falei, pô.
- 20:39Tá tranquilo, eu desmontei o negócio, cortei Oo bico da
- 20:43mamadeira, usei ela com uma garrafa e fui linda pro pro
- 20:46colégio. Chega na hora do do do Recreio,
- 20:49eu pego a mamadeira, pleníssima, eu começo a tipo tomar a
- 20:52mamadeira com eles todos virou um inferno.
- 20:56Coordenadores chamaram meus responsáveis, viram um caos e eu
- 20:59não consegui entender. Gente, eu tinha uma garrafa e eu
- 21:04troquei por outra garrafa porque isso é um problema, certo?
- 21:08Eu não consegui entender que a convenção social é irracional e
- 21:12que existe 11 imaginário de infantilidade associado a um
- 21:16tipo um formato específico de garrafa, entendeu?
- 21:19Isso é a coisa mais autista que você pode ter numa criança, né?
- 21:23E mesmo assim eu não tinha sido diagnosticada.
- 21:25E aí, beleza? E quando esse meu amigo
- 21:27conversou comigo em 2021, era abril de 2021.
- 21:30Ele falou, Andressa, a gente tá No No mês de conscientização,
- 21:34você é tão boa em comunicação, por que que você não faz vídeo?
- 21:37Eu? Tá, eu vou ser honesta e falar
- 21:40que eu não tenho diagnóstico. Aí ele não beleza, faz parte.
- 21:43Inclusive é bom você dividir com as pessoas essa jornada aí.
- 21:46Eu OK? Foi aí que eu comecei a fazer
- 21:49vídeo que que eu queria. Eu queria que pessoas como eu,
- 21:52na época não tinha nenhum vídeo em português sobre isso.
- 21:55Pessoas como eu tivessem acesso a informação que eu tive para
- 21:59que elas conseguissem se reconhecer do jeito que eu me
- 22:01reconheci. E eu criei essa plataforma.
- 22:04Hoje a gente está com mais de 250000 seguidores, que legal que
- 22:07é o neuro divertindo. E chegou um momento final do ano
- 22:12passado que assim explicando, não é o produto. 2 pontos
- 22:17primeiro ponto, quando você olha a jornada de diagnóstico tardio,
- 22:20você tem OA boca do funil, que é conteúdo na internet, o deserto
- 22:25do real. E aí lá no fundo do funil você
- 22:28tem uma avaliação neuropsicológica que pode custar
- 22:30entre 3 a 5000 BRL. Caro, né?
- 22:33É caro. Mas faz sentido ser caro porque
- 22:35são tipo 10 a 12 sessões e tem testes que são pagos em dólar,
- 22:39então quando você faz a conta, o dinheiro faz sentido que.
- 22:42Você paga tipo joia, né? Pelo teste, né?
- 22:44Como se fosse um exato de testes psicológicos, né?
- 22:47Exato, são testes neuropsicológicos de psicometria
- 22:50mesmo, beleza? E aí eu falei, cara, esse esse
- 22:53funil não tá fazendo sentido porque é o deserto do real,
- 22:55sabe? Tipo a pessoa.
- 22:57Ou tem uma informação muito rasa ou tem uma informação que tipo
- 23:01ela não? Como é que ela decide que vale a
- 23:03pena investir? Eu preciso preencher esse funil.
- 23:06E aí na em 2020, eu tinha criado uma ferramenta para mim, porque
- 23:09eu sou um bicho extremamente visual e eu precisava organizar
- 23:11os 161 sintomas de um jeito que acabou virando muito mais do que
- 23:14161 sintomas, mas eu precisava organizar de um jeito que
- 23:17fizesse sentido e eu conseguisse explicar para as pessoas.
- 23:19E eu criei um negócio chamado ferramentas factro originalmente
- 23:21no mural e eu publiquei isso para as pessoas gratuitamente.
- 23:24Eu falei, cara, usem. Só que as pessoas tinham muita
- 23:27dificuldade para usar. Por quê?
- 23:29Porque ele foi feito para o meu caso e ele não era uma
- 23:31ferramenta interativa e tal, e eu não tinha dedicado energia
- 23:35para tornar isso um produto. E aí na virada do ano passado
- 23:39para esse ano, eu falei, cara, eu acho que tá na hora de criar
- 23:41um produto de fato. E aí é, juntou eu, meu marido e
- 23:46mais uma pessoa que a gente conhece, que é autista e que é
- 23:49engraçado porque a área dela é direito, mas ela programa drones
- 23:53na hora, horas vagas, porque sim.
- 23:56É EE, ela não tem diagnóstico de superdotação e eu olhando assim
- 23:59pra cara dela assim não, né? Tem não, né?
- 24:03É, é, você não tem porque você não faz teste só por isso.
- 24:07Aí a gente criou essa ferramenta e a lógica é a seguinte, você
- 24:12entra na ferramenta, você responde 48 perguntas e a
- 24:16ferramenta ela não te diz você É Ou Não É autista?
- 24:19Você É Ou Não É TDH? Você É Ou Não É superdotado?
- 24:22O que ela faz é te dar um mapa em formato de radar com 12
- 24:25pilares, com sintomas legal. E esses sintomas?
- 24:29O radar, ele mostra se eles são sintomas só de autismo, só de
- 24:33TDH, só de superdotação ou se tem algum tipo de overlap.
- 24:36Outra coisa que o relatório te mostra é quais desses pilares
- 24:40podem ser ativados por causa de outra condição.
- 24:44Tipo, Ah, você tem um Pilar de regulação emocional muito
- 24:47ativado. Você tem problemas de regulação
- 24:49emocional, você sofre muito com a sua regulação emocional.
- 24:51Mas isso pode ser outra coisa, isso pode ser bipolaridade, isso
- 24:54pode ser orderline, isso pode ser ansiedade.
- 24:56Enfim, e o relatório fala isso justamente pra você entender
- 25:00como é que você funciona e quais são as hipóteses.
- 25:03E é muito legal, porque a gente lançou isso em março e a gente
- 25:08já tem mais de 3000 clientes. Legal.
- 25:11Qual o nome? Andressa?
- 25:12Só pra depois a gente botar também na descrição aqui.
- 25:15É ferramenta espectro e o nosso site eneurodivertindo.com.
- 25:20O site, ele é tipo um hub, então tem tudo lá.
- 25:22E aí quando a gente lançou a ferramenta, a gente começou a
- 25:24receber a demanda do tipo lá, legal, eu fiz a ferramenta, eu
- 25:27entendi o meu problema, mas como resolve?
- 25:29E aí a gente criou o guia de mecanismos de suporte.
- 25:32Aí as pessoas estavam tendo dificuldade de interpretar o
- 25:35gráfico, porque descobri eu que as pessoas, elas não têm
- 25:38letramento, interpretação de gráfico, tipo, as pessoas olham
- 25:42para o radar e não sabe o que que o radar quer dizer.
- 25:45E aí a gente criou um bote chamado neurônio, que explica.
- 25:49O resultado da do, do, do, do teste Pra Ela.
- 25:52E aí agora, recentemente a gente lançou um blog que tem uma
- 25:56assinatura e basicamente tem a versão que é free e tem a versão
- 25:59com assinatura. E a versão com assinatura é
- 26:01muito focada em dar passo a passos de mecanismos de suporte
- 26:04a um baixíssimo custo. Então hoje, por exemplo, eu
- 26:07fiquei muito feliz porque eu recebi um e-mail de uma cliente
- 26:11que assinou o blog e ela falou assim, cara, o os posts que
- 26:15vocês fizeram sobre como usar e a.
- 26:17Como mecanismo de suporte para pessoas neurodivergente estão
- 26:20mudando a minha vida. Por quê?
- 26:22Porque a pessoa neurodivergente, ela tem muita disfunção
- 26:24executiva, e aí agora a gente conecta com o trabalho, você
- 26:28quer fazer uma coisa, você sabe, você precisa fazer a coisa, você
- 26:30não consegue fazer a coisa. Isso é uma baixa de dopamina no
- 26:33seu cérebro. Os neurônios que deveriam estar
- 26:35produzindo dopamina, eles não estão produzindo dopamina no
- 26:38nível que precisa, e isso geralmente é uma característica
- 26:41de TDH que as pessoas não conseguem conectar porque as
- 26:44pessoas acham que TDH é sempre hiperativo.
- 26:46E é sempre você se movimentando muito.
- 26:48Então se você tiver 11, hiperatividade cerebral não, não
- 26:50vale, entendeu? Então tá sendo uma jornada muito
- 26:53legal criar essa essas soluções para as pessoas.
- 26:57E para esses posts também do blog, fiquei com essa dúvida
- 26:59também, você tem estudado por conta própria, postado lá ou
- 27:03você tem contato com outras pessoas também?
- 27:05Com não sei, psicanalistas? Pessoas que conseguem ajudar
- 27:08nesse sentido também. Eu tenho contato, mas eu tenho
- 27:13mais recorrência. De profissionais que usam o meu
- 27:17conteúdo. Do que eu usar o conteúdo dos
- 27:19profissionais. Por quê?
- 27:21Porque eu, eu, gente, eu sou aquela pessoa que eu sou muito
- 27:24apegada à ciência. Então todo conteúdo do blog tem
- 27:27as Fontes. Justíssimo, entendeu?
- 27:30Você estudou muito, né? Eu não escrevo vozes na minha
- 27:31cabeça. Então você.
- 27:32Estudou muito, muito, muito. É isso a gente estuda.
- 27:36Marie kringer, do da do TDAH, eu também.
- 27:42Exato, que transforma dados científicos, que normalmente são
- 27:45mais complexos de entender mesmo para um grande público, um
- 27:48conteúdo de mais fácil acesso para as pessoas, né?
- 27:51Sim, sim, muito legal. Mas é isso.
- 27:54Todo todo artigo do blog termina, tipo, tem Fontes aí
- 27:56você tem lá os links dos estudos, de onde saiu o estudo,
- 27:59como é que ele funcionou? Se ele é revisado por pares ou
- 28:02não, tem tudo lá. Legal muito.
- 28:04Bacana o? O Andressa, a gente está
- 28:06chegando aqui no final, mas esse é um assunto muito relevante e
- 28:10eu acho que ainda é muito desconhecido, né?
- 28:11Você, você deu um mergulho, mas o fato é que tem muita gente que
- 28:16não conhece, né, que não conhece, que é ignorante mesmo,
- 28:18né? Você mesmo estava falando sobre
- 28:20as pessoas que não têm o diagnóstico?
- 28:22Muitas, até mesmo, tanto as pessoas quanto os pais, são
- 28:25ignorantes nesse assunto, em achar que eventualmente o filho.
- 28:28Concordo, é, é. Isso.
- 28:30Né? Então, assim, o que que você
- 28:32pode falar para essas pessoas? EE, não apenas para essas
- 28:35pessoas que eventualmente podem se sentir um pouco diferentes,
- 28:38que talvez fosse um pouco como você se sentisse, né?
- 28:40Aí eu acho que eu sou um pouco diferente.
- 28:42Eu não sei direito o que que é. Mas além do recado pra essas
- 28:46pessoas, se é que a palavra recado num ambiente de trabalho,
- 28:49como é que você acha que esse ambiente deve lidar com essa
- 28:53situação? Como é que os colegas podem
- 28:56entender, ou podem contribuir, ou podem facilitar ou podem
- 29:00exercitar a empatia pra essas situações, mesmo em casos onde a
- 29:05pessoa ela não se declare como neurodivergente, né?
- 29:10Tá, deixa eu colocar alguns pontos legais sobre isso que
- 29:12você trouxe. Adorei sua pergunta.
- 29:14Primeiro ponto, existe um mito e eu posso falar durante horas
- 29:19sobre isso, mas não é o caso. Hoje existe uma pesquisadora
- 29:22chamada lutafri que é extremamente controversa.
- 29:25Ela criou uma teoria chamada teoria da mente junto com outros
- 29:28pesquisadores, e a teoria da mente diz que, por exemplo, o
- 29:32autista, ele não consegue ter empatia e entender.
- 29:35Não é nem exatamente a empatia que é o problema, mas ele não
- 29:37consegue entender o que se passa na cabeça de outra pessoa.
- 29:39Muito resumidamente, eu poderia explicar melhor, mas assim, tipo
- 29:43muito rápido, é esse o ponto. E depois dela veio um cara que
- 29:49eu acho que o David Watson. Não lembro o nome dele, mas ele
- 29:52criou uma outra teoria que é o double imput e problem, né?
- 29:55O problema da dupla empatia. Ele é autista.
- 29:58E ele comprovou nos testes dele que o problema de empatia e da
- 30:02teoria da mente, ele não é o no autista.
- 30:06Ele é entre autista e não autista.
- 30:09Mas quando você pega neuro divergentes entre si, eles não
- 30:12tem problema nenhum de comunicação de aspas, teoria da
- 30:15mente. E quando você pega é é
- 30:17neurotípicos e tenta fazer eles entenderem os autistas, os
- 30:20neurodivergentes, eles não entendem.
- 30:22Então essa, essa empatia que a gente diz que o neurotípico tem,
- 30:25ela é balela. É só que é como se você
- 30:29estivesse falando outra língua. Imagina o seguinte, você está
- 30:32num time e você está trabalhando com o seu time.
- 30:35Tem 5 pessoas, e uma dessas pessoas é um francês.
- 30:38Os franceses são extremamente duros na comunicação deles e
- 30:42eles ficam tipo, fazendo bufando, etcetera, fazendo
- 30:45coisas que para nós, brasileiros, são muito
- 30:47esquisitas. Você vai hostilizar essa pessoa.
- 30:51Não, né, porque. Porque é isso que você.
- 30:53Está fazendo com autista, entendeu?
- 30:56Ou você vai entender que é uma cultura diferente, que tem uma
- 31:00forma de funcionamento diferente, experiências
- 31:02diferentes, e você vai tentar fazer uma tradução simultânea
- 31:06entre a cultura da pessoa e a sua.
- 31:08No fim das contas, é isso porque eu garanto que se eu puser um
- 31:11neurotípico num num time de autistas, esse neurotípico vai
- 31:14se sentir extremamente mal e excluído, porque os autistas não
- 31:19tem problema de socialização entre eles.
- 31:20Inclusive, se você votar os autistas os TDHSE, os
- 31:23superlotados, juntos, eles não tem.
- 31:24Problema de de socialização entre eles quando você insere o
- 31:28neurotípico é que vira uma questão.
- 31:31No entanto, a gente tem métrica dizendo que os neurodivergentes
- 31:36eles são entre 90 e 141% mais produtivos do que a média dos
- 31:39neurotípicos. Seja porque o universo OA
- 31:43sociedade forçou a gente a ser assim, seja porque a gente tem
- 31:48uma e aí outra coisa que eu posso falar durante horas que é.
- 31:51Existem testes científicos que mostram que o autista ele tem um
- 31:56senso de moral interno que não varia com Como Ele É percebido.
- 32:01Então fizeram um teste onde colocaram neurotípicos EE
- 32:04autistas e observaram se essas pessoas, como é que essas
- 32:08pessoas doavam dinheiro, faziam Caridade quando elas eram e
- 32:11quando elas não eram observadas? Os autistas não variavam de
- 32:14comportamento, os neurotípicos variavam.
- 32:17Quando eles eram observados, eles doavam muito mais.
- 32:21Então, a Caridade, nesse cenário pro neurotípico, ele é sobre
- 32:25como é que você vai ser percebido pro autista, sobre
- 32:27fazer a coisa certa. Qual é o benefício que a gente
- 32:30tem se a gente tem pessoas dessas no tipo, percebe?
- 32:34Então é uma coisa muito inexplorada.
- 32:36E eu não quero que a gente entre numa Seara de dizer, tenha
- 32:40paciência com amiguinho, não é isso?
- 32:42O que eu quero é que a gente entenda o tamanho do asset que a
- 32:45gente tem quando a gente tem uma pessoa neurodivergente no time.
- 32:49Eu, por exemplo, amo trabalhar com pessoas TDAHO, que
- 32:52normalmente seria considerado um inferno.
- 32:55Mas por quê? Porque eu gosto de fazer
- 32:56curadoria de desafios. Então eu jogo pra pessoa, TDAH,
- 32:58qual é? Qual é o incêndio do dia que ela
- 33:01vai resolver? E aí ela sai tipo curiosa,
- 33:04resolvendo tudo, mas é outro modelo de gestão, entendeu?
- 33:09Então EE é outro entendimento, né, que é o que você falou, eu
- 33:12achei isso ótimo. Não é tolerar a pessoa ou agir
- 33:16com empatia, é diferente, é uma outra coisa, o desafio é outro,
- 33:20né? E você pode potencializar isso
- 33:22de uma maneira incrível. Se você não tratar como o
- 33:25coitadinho, cuida, diferente, não é isso não é disso que a
- 33:29gente tá falando, né? E eu achei isso fantástico.
- 33:32Aproveitando, eu queria só te agradecer porque foi uma super
- 33:35aula mesmo pra gente. Eu acho que é muito importante
- 33:38levar essa informação pra mais pessoas.
- 33:40Eu acho que muita gente precisa passar por esse tipo de
- 33:43letramento, né? Que a gente não tem.
- 33:45Dificilmente as empresas tocam sobre esse assunto ou no máximo
- 33:49vão pedir pra tomar cuidado ali com aquela pessoa que ela é um
- 33:51pouco especial e tal. E quando você tá mostrando aqui
- 33:55um universo totalmente diferente, um potencial incrível
- 33:58e que a gente precisa de fato entender isso pra poder lidar
- 34:02melhor. Então assim, super obrigado.
- 34:04Foi demais. A cada dia que eu converso com
- 34:06você, eu fico mais fã de você. Então assim eu te agradeço.
- 34:09Eu já. Era e deixa eu contar um calço
- 34:11muito rápido aqui pra gente fechar o nosso episódio.
- 34:13Como eu descobri que a Andressa tinha os diagnósticos dela?
- 34:16Foi muito engraçado. Foi no LinkedIn, eu já
- 34:18acompanhava a Andressa, e aí a Andressa foi em algum evento,
- 34:20alguém fez um baita testão falando, Ah, tem uma galerinha
- 34:23aí da agilidade famosa que não fala com as pessoas, não sei o
- 34:25que, a Andressa foi lá e comentou assim, gente, desculpa,
- 34:28eu sou legal, eu sou autista. Foi.
- 34:31Alguma coisa assim? O resumo do comentário dela era
- 34:35isso, gente, desculpa se você falou comigo e eu não te
- 34:37respondi. Aí ela explicava exatamente essa
- 34:39história que ela contou, que ela usava um abafador para melhorar
- 34:41dos dos sintomas dela, enfim. A pessoa chama meu nome, eu não
- 34:44vou ver. É isso, e aí a pessoa reclamou
- 34:47horrores falando, falando horrores do tipo, essa galera é
- 34:49muito Estrela, não atende ninguém, não sei o que, e a
- 34:52Andressa foi lá todo mundo, gente, desculpa, eu só né, não
- 34:54ouvi e tal, foi, foi, foi como eu descobri, enfim, e eu também
- 34:59amo os seus conteúdos e por mim também.
- 35:00A gente podia falar horas e horas sobre isso e aqui na
- 35:03comunidade de ágil a gente ainda vai falar mais sobre isso, né
- 35:05bari? A gente já tem episódios
- 35:07agendados aqui. Para falar mais sobre isso, EE,
- 35:10assim, eu não tenho nenhuma pretensão de ter nenhuma dica
- 35:13aqui sobre isso, mas o que eu tenho visto é, principalmente eu
- 35:16tenho visto muito mais crianças identificadas dentro do espectro
- 35:20ou com TDAH. Então, assim, eu acho que nesse
- 35:22momento, nessa onda, como disse a Andressa, os pais têm
- 35:25procurado mais informação sobre isso, pelo menos para os seus
- 35:28filhos. Mas eu acho que o recado que a
- 35:29gente pode deixar aqui, se você é adulto, tá ouvindo a gente,
- 35:31né? Porque eu acho que.
- 35:32Então vai ter exatamente muitas crianças ouvindo a comunidade
- 35:34ágil. Procure sobre você também, sabe?
- 35:36Procure se entender também e enfim, talvez procure um
- 35:40diagnóstico, sabe? Vai te ajudar AAA acontecer o
- 35:42que aconteceu com a Andressa, ela achar que ela não é maluca,
- 35:46não é isso, é só a cabeça dela, que funciona de um jeito
- 35:48diferente e tá tudo certo. Funciona Amil, né?
- 35:51Amil? Funciona.
- 35:52Muito, né? Funciona muito e pode.
- 35:54Funcionar. Oo legal é que assim se você
- 35:57souber manejar os seus sintomas, cara, você vai ser tão mais
- 35:59feliz e tão mais produtivo e vai ajudar mais pessoas, sabe?
- 36:03Do que se você estiver sofrendo com coisas que você nem entende,
- 36:05nem sabe quais são. Então, obrigada, eu vou deixar o
- 36:09link. Nada que isso.
- 36:10Obrigada. Obrigada você por ter topado
- 36:12voltar para conversar com a gente.
- 36:13Enfim, por mim você poderia voltar.
- 36:15Uma vez por mês. Estava não eu.
- 36:17É só via agenda. A gente vê a.
- 36:20Nossa, a gente junta a nossa com a sua e marca novamente.
- 36:23Combinado, gente a. Gente, deixa o link aqui.
- 36:25Eu agradeço o episódio pra vocês entrarem.
- 36:28Tchau, beijo gente, tchau, tchau.