Latest / Corrida no Ar News / ELA VENCEU A SÃO SILVESTRE e REALIZOU seu SONHO de INFÂNCIA
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- 0:07Pessoal, voltando aqui no test summit, na Sala São Paulo, um
- 0:11lugar incrível, maravilhoso, e poxa, tô com uma honra incrível.
- 0:14Ele tá com a Maria zeferina balday aqui comigo, vencedor de
- 0:17são Silvestre, vendedor do Maria, de São Paulo, uma pessoa
- 0:20incrível. Então, pô, Mari, pô, eu já pedi
- 0:22a bênção hoje pra você? Poxa, é uma honra incrível.
- 0:25Muito obrigado por ter esse prazer de falar com você.
- 0:28Eu que agradeço essa oportunidade.
- 0:30Obrigado pelo carinho e muita emoção, né?
- 0:34Muitas emoções, muitas emoções. Bom, vamos começar aqui.
- 0:37Poxa, a gente tem uma geração muito grande de corredores,
- 0:41então acho legal que você possa contar um pouco da sua história
- 0:44pra gente. Você é de ser tãozinho.
- 0:45Você corria canavial, né? E se tornou atleta.
- 0:48Como é que foi? Como é que foi a descoberta da
- 0:50corrida na sua vida? Olha, eu sou mineira de Nova
- 0:54Módica, Minas Gerais. Meus pais foram para Sertãozinho
- 0:57para trabalhar no corte da cana naquela época, e eu tinha 3
- 1:01aninhos EAO esporte entrou na minha vida.
- 1:06Eu tinha 12 anos. Foi quando eu assisti a são
- 1:10Silvestre na casa da vizinha. E aí eu vi a rosa Mota, né?
- 1:18A rosa Mota vencer, né? Aquela época passava meia-noite.
- 1:22E aí sim, era da Vila do. Ouro é?
- 1:23Eu tinha que comemorar o réveillon IA pra TV, quem que
- 1:25vai ganhar o seu Silvestre? Isso.
- 1:27E aí eu corri. Eu lembro que assistia a cara da
- 1:29vizinha, a gente não tinha televisão.
- 1:30Aí eu corri para casa e falei, mãe, mãe, uma mulher, mãe, uma
- 1:33mulher. Rosa rosa Mota ganhou a corrida
- 1:36em São Paulo. Será que um dia eu também posso
- 1:39ir nessa corrida lá, nessa são Silvestre e participar para
- 1:43poder ajudar a família? Cara, né, 12 anos.
- 1:47Isso não, não foi o seu pensamento, isso.
- 1:50Ajudar a minha família, minha família, sim, porque a gente
- 1:53veio. É uma família muito humilde, né?
- 1:55Veio de Minas Gerais para trabalhar no corte da cana, meus
- 1:57pais, e era muito difícil naquela época, 1974, 1975.
- 2:01Era uma época que não não tinha creche para os pais deixar os
- 2:05filhos. E desde cedo minha mãe levava
- 2:08nós criança, né, para roça. E ali eu aprendi desde cedo a
- 2:16chacolé amendoim para em algodão.
- 2:18Mais tarde, com 10 para 11 anos, capinar e o corte da cana, então
- 2:24era assim, muita dificuldade, o dinheiro que ganhava para pagar
- 2:27aluguel e comprar comida. Eu lembro assim que era uma
- 2:30época que carne era coisa de luxo.
- 2:32A gente comia carne uma vez no mês só nos pagamentos, só nos
- 2:36pagamentos. Arroz também era só no
- 2:39pagamento. O restante do mês era quirela
- 2:42que a minha mãe socava o milho no pilão.
- 2:44E era isso que dava pra gente. Minha mãe teve 9 filhos.
- 2:48Qual é então? Era assim.
- 2:50A. Segunda a segunda, então as
- 2:54dificuldades foram muito grandes e desde cedo eu aprendi AO
- 2:59ofício dos meus pais e assim, assistindo essa corrida lá em
- 3:03casa da vizinha, eu. Falei isso com a minha mãe,
- 3:08falei porque eu vi as dificuldades da minha mãe, o
- 3:10sofrimento e a desses 9 irmãos eu tenho um que ele é
- 3:13deficiente, ele não anda, nem fala, chama Fabiano, aí mais um
- 3:17motivo para querer ajudar a família, tá?
- 3:19Aí eu falei, será que um dia eu posso ir nessa ação Silvestre?
- 3:22Aí minha mãe falou, quando tem fé, quando você tem um sonho e
- 3:26você acredita e corre atrás, tudo é possível.
- 3:29Aí eu joguei essas palavras para dentro e pensei, um dia eu vou
- 3:32nessa ação Silvestre. E aí eu lembro que eu IA
- 3:35trabalhar na roça e aí na hora do almoço, meus pais paravam
- 3:38para almoçar todo mundo e eu ficava correndo no meio dos
- 3:41carreador. Não acredito, que sensacional.
- 3:44Eu ficava correndo ali no meio. Eu pensava, quanto mais eu
- 3:46correr eu vou ficar. Não tinha noção, mas eu marcava
- 3:49de um carreador no outro. Aí eu corria, achava que quanto
- 3:52mais eu corresse, melhor eu IA ficar.
- 3:54E nisso eu corri durante 10 anos, eu e Deus, sozinha, sem
- 4:00treinador, sem nada. Vou correr aqui, correr, vou.
- 4:04Ficar é. Trabalhava o dia inteiro, né?
- 4:06Que IA para a roça às 5 da manhã, voltava às 5 da tarde, aí
- 4:09quando eu chegava, ainda saia correndo pelo pelo bairro onde
- 4:12eu morava, pela rodovia ali para poder treinar e.
- 4:17Fui ter um treinador depois de 10 anos que veio e como?
- 4:20É que aconteceu. Isso essa, como é que?
- 4:22Aconteceu essa descoberta, alguém que se descobriu, pô, mas
- 4:25essa menina? Corre muito.
- 4:26Então aí na época eu lembro que eu trabalhava, aí teve uma
- 4:29gincana no grupo de jovem e eu participei dessa gincana.
- 4:33Aí era uma corrida de 3 km. Eu corri descalça porque né, não
- 4:37tinha tênis, claro, e de calça Comprida, dobrei a barra da
- 4:40calça, tirei a sandalinha e corri.
- 4:42Aí venci essa corrida. Você lembra em quanto tempo você
- 4:45fez? Ah, eu não lembro não, não tem
- 4:48não, não. Na época não tinha relógio,
- 4:52fazia um risco na rua E soltava todo mundo.
- 4:54Aí eu ganhei e nessa corrida tinha um rapaz que ganhou a
- 4:58prova, o nome dele é Antenor, e ele corria descalço também, ele
- 5:02é conhecido como Pezão de Ribeirão Preto.
- 5:04É, e eu corri descalço, né? Aí ele falou assim, menina, você
- 5:08leva jeito, né, você tem jeito pra corrida, eu vou lá conversar
- 5:12com seus pais. Foi na casa dos meus pais,
- 5:14conversei com meus pais para me deixar correr.
- 5:16Aí meus pais falou, não, ela não pode, que ela trabalha na roça,
- 5:19é de segunda a sábado, então não pode.
- 5:21Aí ele falou não, mas a menina tem futuro.
- 5:23Ela correu a primeira corrida, venceu não, mas meu pai falou
- 5:27não tem como. E aí ele falou, não, mas eu não
- 5:29vou desistir. Aí ele continuou insistindo.
- 5:32Aí quando tinha as corrida na região, ele IA com a perua da
- 5:34prefeitura, minha mãe deixava eu ir, me acompanhava de domingo.
- 5:39Aí tudo bem OKE. Aí eu comecei a participar das
- 5:43corrida na região e isso foram 10 anos trabalhando.
- 5:47É, trabalhei de. Quantos anos você tinha quando
- 5:49isso aconteceu? 12 tinha 1212 e a partir daí foi
- 5:53que a corrida entrou na minha vida.
- 5:54Porque você? Ganhava prova, trazia o.
- 5:56Dinheirinho para casa? Não, não, naquela época não
- 5:58tinha dinheiro, só troféu, era medalha, medalha para os 50
- 6:02primeiro, né? E aí, como eu era a única mulher
- 6:05correndo, eu ganhava, medalha, trazia.
- 6:07Aí mais tarde começou a vir os troféus, ganhava os troféuzinho
- 6:10também, trazia para casa, tá? Foi.
- 6:12Depois de 10 anos eu conheci meu treinador, que foi o Cláudio
- 6:14Ribeiro, de Ribeirão Preto. Por quê?
- 6:17Teve uma corrida na USP de Ribeirão, que era uma seletiva
- 6:21para são Silvestre. Acho a famosa seletiva são
- 6:24Silvestre, como a Gonzaguinha é também.
- 6:26Claro também. E a gente?
- 6:27Isso aconteceu antigamente, as provas que selecionavam a elite,
- 6:30para quem IA largar na elite? Isso para quem é para sair na
- 6:33elite, perfeito. E eu como corria só as prova
- 6:36menor, jogos regionais, corrida na região, ninguém te conhecia,
- 6:40ninguém não, não era a Maria conhecida como Maria, a Maria
- 6:43Maria é a Maria do Sertãozinho. E aí quando teve essa corrida eu
- 6:47fui, porque eu pensei a são Silvestre, a minha chanzinha
- 6:49nessa são Silvestre, o meu sonho, meu sonho, vou lá, fui,
- 6:53participei dessa seletiva, ganhei.
- 6:56Foi. A.
- 6:57A velha pum ganhou? Isso e ali o Cláudio estava lá e
- 7:02ele me viu correr. Aí ele falou, foi conversar
- 7:05comigo, né, Maria? Como se eu não não treino com
- 7:08ninguém, corro já, né? Há 10 anos, sozinha, mas como
- 7:12não Marco de um poste no outro, de uma árvore na outra?
- 7:15É assim que é meu treinamento. Nem sei a.
- 7:17Distância que eu tô, não, nem sei a distância.
- 7:19Aí ele falou, não, eu tô aqui em em Ribeirão, é?
- 7:23Vou dar treinamento pela cava do bosque.
- 7:26É um projeto. Adote um atleta, né?
- 7:28E você não quer fazer parte. Falei, ó, eu trabalho já.
- 7:33Doméstica babá, auxiliar de produção, serviços gerais.
- 7:36Trabalhava tudo isso de segunda a sábado, isso chegamos no
- 7:39domingo, ganhava as provas. Ganhava as prova.
- 7:42Aí ele começou a me treinar. Foi assim que começou.
- 7:44Daí começou, é realmente sistematizado.
- 7:47Isso tudo certinho, bonito e nunca tinha colocado um tênis no
- 7:50pé, sempre corria durante esses. 15 anos descalça, porque não
- 7:55tinha tênis, meus pais não tinha condições de comprar, então era
- 7:58descalça. Mas desenvolveu sua técnica de
- 8:00corrida descalça. Descalça.
- 8:01E aí quando eu conheci ele, por ele também ter sido um grande
- 8:04atleta profissional, ele me emprestou o tênis dele, falou,
- 8:08não, a partir de agora você vai tentar começar a treinar de
- 8:10tênis. Só que levou uns 2 anos para
- 8:12acostumar, claro, né? Colocar o vida à tona correndo
- 8:15mais de 10 anos correndo descalço.
- 8:16Descalço. De repente, um tênis no pé.
- 8:18Eu lembro que o primeiro treinamento que eu sei para
- 8:20fazer, eu caí no canavial, caí no canavial, levantei, tirei o
- 8:26tênis e fui descalço. Terminei Oo treino descalço.
- 8:29As competições eu largava de tênis, chegava com tênis na mão
- 8:32ou se não jogava para alguém segurar.
- 8:34E chegava. Não conseguia.
- 8:37Eu demorei uns 2 anos para adaptar.
- 8:39É, mas aí começou o treinamento com ele, as competições.
- 8:43Ele falou, você tem futuro, né? Você tem futuro, porque todos os
- 8:47treinos que ele passava eu fazia, né?
- 8:49Não reclamava, entregava os treino.
- 8:52E aí comecei outras provas também na região com ele, porque
- 8:56ele tinha contatos. E aí eu fui melhorando, fui
- 8:59melhorando minhas marcas, aí já ele pegava meus tempo com o
- 9:03Cronômetro ali e já. Entrava o dinheiro, tinha
- 9:06dinheiro de premiação já nessa. Fase, não, ainda não, ainda
- 9:09tinha, é, tinha mais. Pensando como o convencimento
- 9:12dos seus pais? Olha, sim, é, tinha, mas eu não
- 9:14pegava. Eu chegava lá atrás, então, o
- 9:17dinheiro. Era o?
- 9:17Nível de competitivo diferente, isso diferente, maior.
- 9:20Então, quando IA para as prova que tinha dinheiro, eu não
- 9:22conseguia pegar ainda. Tá, né?
- 9:23Então aí os anos foram se passando até que eu lembro.
- 9:26A minha primeira prova que eu ganhei dinheiro foi poços de
- 9:29calda, a volta do Cristo. Eu amo essa prova, eu já corri
- 9:33umas 5. 6 vezes eu também. Eu acho que eu já corri mais de
- 9:3510 vezes. Ela é maravilhosa.
- 9:37Nossa. Cidade é uma delícia
- 9:38maravilhosa. Então você ganhou?
- 9:40Outra vez, não foi segunda. Ah, foi segunda, fui segunda.
- 9:43Teve o dinheiro, peguei o dinheiro, corri lá e comprei meu
- 9:46no meu tênis, meu primeiro tênis.
- 9:49Aí eu comprei o. Seu tênis meu?
- 9:51Tênis e o restante levei para minha.
- 9:53Mãe, e foi assim que eu comecei nas grandes provas e com um
- 9:58sonho de 1 dia poder vir para são Silvestre.
- 10:00Só que aí o meu treinador, Claudinho, falava assim para
- 10:03mim, Maria, correr a são Silvestre, ir lá para
- 10:06participar, para sair lá atrás para festa, é uma coisa.
- 10:10Você ir para tentar é levar o nome do patrocinador, obrigar a
- 10:15entrar. 5 você tem que ser na elite.
- 10:17Aí nós só vamos em são Silvestre quando você tiver marca, você
- 10:21tiver tempo isso pra pra largar lá na elite.
- 10:25Aí eu falei, tudo bem? Aí continua os treinamentos,
- 10:28tudo, corri várias outras provas e sempre buscando um
- 10:31patrocinador. E o Patrocínio muito difícil.
- 10:34Foram 15 anos. 15 anos batendo a porta é não.
- 10:38Atende o pessoal? Não, não, não é.
- 10:41Isso é coisa para homem, não é coisa para mulher, esporte não é
- 10:43coisa para mulher. Eu vim de uma época que tudo era
- 10:46mais difícil, era tudo mais difícil, aí eu falava, não, mas
- 10:50Deus acredita em mim, minha família, eu, então um dia alguém
- 10:54vai acreditar, só que eu não tinha resultados, tá?
- 10:57E hoje eu entendo que tudo na vida é resultados sim.
- 11:01Aí os anos foram se passando, várias provas na região com o
- 11:04Cláudio. Até que eu fui correr a maratona
- 11:07Internacional de Curitiba, foi em 2019/11/2000.
- 11:12Aí foi onde tudo aconteceu. Cheguei lá no puts a elite,
- 11:15porque eu não tinha marcas, não tinha tempo.
- 11:18Larguei lá atrás, venci a prova e bati o recorde.
- 11:22Nossa. Bati o recorde.
- 11:23Da bati o recorde da a maratona a maratona Internacional de
- 11:26Curitiba. Que é aqui, ó, é uma maratona
- 11:28plana, né? Super planinha.
- 11:30Não. Acho super plano, não acho que é
- 11:33a mais difícil de estar. Livre de Brasil.
- 11:35Pra caramba, menina, você não tem ideia.
- 11:37Consideraram ficar mais difícil. E aí foi onde que as portas se
- 11:41abriram em termos que veio meu tão sonhado patrocinador, que
- 11:46foi a usina Santa Elisa, lá em Sertãozinho.
- 11:48E saí na elite das provas. Aí eu comecei a sair na elite de
- 11:52todas as provas. Graças a Deus, minha vida mudou,
- 11:56transformou, mudou minha. Vida, ajudar sua família.
- 11:58Com tudo isso, claro. Aí a partir daí eu corri durante
- 12:02o foi 19/11/2000, aí veio né, 2001 já com o Patrocínio eu
- 12:08corri várias provas, nível de Brasil e fora do Brasil, e com
- 12:11esse apoio eu pude mudar, ajudar.
- 12:14Minha família vinha ajudando. Todo mundo, minha família, meus
- 12:17irmãos e outras pessoas. E meu treinador falou, agora
- 12:20está mais perto da gente chegar na são Silvestre e foi um ano
- 12:24assim que eu corri muitas provas e graças a Deus, no dia 31 eu
- 12:28consegui o tão sonhado realizar meu sonho.
- 12:31Que foi a são Silvestre? E como foi essa coisa de você
- 12:35estar na largada, a são Silvestre, depois daquilo que
- 12:37sua mãe falou quando você era criancinha e falava, menino,
- 12:40mãe, eu posso assim, se houvesse uma rosa.
- 12:42Ou como é que foi chegar naquela largada?
- 12:44Nossa, foi uma mistura de muitas.
- 12:45Emoções? Muito, muito, porque eu lembro
- 12:48assim, foi um ano. Eu corri ela em 2000, tá?
- 12:51Eu corri eu. Só que foi assim a minha
- 12:53primeira vez em São Paulo. Eu nunca tinha ido para São
- 12:55Paulo. E eu lembro que deu a largada,
- 12:58eu corri olhando para os prédios, aqueles prédios enorme,
- 13:02maravilhada. E aí eu fui 11ª.
- 13:04E aí quando foi em 2001 novamente, estar ali e já ter
- 13:08corrido várias outras provas com Brasil e fora do Brasil, mais
- 13:12experiente, foi emocionante, porque foi um ano que o nível
- 13:19foi fortíssimo e todo mundo dizia que era impossível uma
- 13:21brasileira ganhar, porque fazia muitos anos que uma brasileira
- 13:23não ganhava. E todo mundo, Ah, pode ir lá
- 13:27participar, mas ganhar vai ser difícil, né?
- 13:29É uma, é impossível. Eu falava, não, difícil, pode
- 13:32ser, mas impossível para Deus, nada impossível.
- 13:35E o Claudinho me mostrou vários vídeos das queniana treinando e
- 13:40eu vi o treinamento delas lá no Quênia.
- 13:43É uma vida difícil, é e parecida com a minha, perfeito, aquele.
- 13:48Treinar tudo? Que eu passei um treinamento na
- 13:51Terra, estradas de Terra. E aí eu falei, não, elas treinam
- 13:56e se elas ganha é é o reconhecimento do trabalho
- 13:59delas, claro. Então eu acho que não é difícil.
- 14:01E aí eu fizemos todo um treinamento parecido, estradas
- 14:05de Terra, igual eu já treinava muitas, subida no horário da
- 14:09largada da prova. Ah, também muito.
- 14:11Específica é o. Que é específico para ela.
- 14:13E aí quando eu cheguei no hotel, encontrei todas, a pessoal ali.
- 14:18Aí você abraça, cumprimenta. Ah, é muita emoção.
- 14:22E no dia da prova eu lembro que o aquecimento ali, todo mundo,
- 14:26eu cheguei no meu treinador, treinador e falei assim,
- 14:29Claudinha, agora o que que eu faço, né?
- 14:32Por quê? Porque quando era uma prova de
- 14:3310 km, eu falei, Ah, Maria, você sai no 8 porque você não é um
- 14:37atleta veloz, tá? Então você sai no 8, não leva as
- 14:40meninas para chegada, você era 5 km, fala Maria, você sai no 3 e
- 14:44ali era 15. Aí eu falei, Claudinho, faltava
- 14:46coisa de. Menos de 3 minutinhos para
- 14:49largada eu corri lá a Claudinha, agora o que que eu faço em né?
- 14:53Em que quilômetro eu saio? Aí eu lembro que ele falou
- 14:55assim, Maria, agora é 15, ó, tá vendo aquela ali, aquela menina
- 15:00ali, aquela atleta ali, ó, aquela queniana é a Margareth,
- 15:03okay? Ela ganhou a maratona de Nova
- 15:06Iorque 2 vezes, ela é A Favorita, você vai correr
- 15:09olhando no cangote dela, onde ela tirar o pé dela, você põe o
- 15:12seu, é isso que você vai fazer. Fui para lá, beleza?
- 15:17Deu a largada colei na Margareth e onde ela IA?
- 15:20Eu IA a prova inteira. Dali todo mundo largou.
- 15:24Aí eu lembro que no quilômetro 9 por 10, só tinha 4 atletas.
- 15:28Era a Margareth, uma outra queniana, e eu e a
- 15:31marciennarlock. A marci é um.
- 15:34Atleta incrível. Também.
- 15:35E vai, e vai. Aí, quando desceu que IA para
- 15:39pegar a brigadeiro, só estava eu e a Margareth.
- 15:42E aí já tinha ficado e aí vai, vai.
- 15:46Aí começou a subir e ela IA para lá, eu IA, onde ela IA, eu IA do
- 15:50jeito que o treinador falou. Só que chegou um momento ali
- 15:53debaixo do viaduto, ali no quilômetro 13.
- 15:56Eu lembro que ela deu, esticou, ela esticou e foi.
- 16:00E aí eu fiquei. Aí nesse momento veio, passou um
- 16:04filme na minha cabeça. Nesse momento veio a lembrança
- 16:07da de tudo, de quando eu comecei com 12 anos.
- 16:12Toda a sua história. Toda a história, o que a minha
- 16:14mãe sempre falou para mim, não, não desista, tenha fé, acredita
- 16:19em poder ajudar minha família. Eu lembro que essa ficada para
- 16:23trás, vem esse filme na minha cabeça.
- 16:26Aí de repente eu comecei a buscar, a aumentar o ritmo e a
- 16:31buscar. Aí eu lembro de eu ter
- 16:33ultrapassado ela. Eu esse momento eu lembro depois
- 16:37eu não lembro de mais nada. Eu só lembro assim, na hora que
- 16:40eu virei a Paulista ali eu vi o coquinho, que o coquinho tava
- 16:43ali trabalhando na época ali, e ele vai, Maria, vai, Maria, vai,
- 16:47Brasil. E aí eu vi os vultos, as
- 16:49bandeiras, chacoalhar aquele vulto do pessoal, Brasil,
- 16:53Brasil, Brasil. E aí aumentando o ritmo.
- 16:56Aí quando eu vi, eu cruzei a linha, aí eu cruzei a linha.
- 17:02E aí é muita emoção. Aí todo mundo me abraçando.
- 17:07Cumprimentando meu treinador, Claudinha ali, nós conseguimos,
- 17:11nós conseguimos e eu, eu, é eu, eu consegui, Maria, nós
- 17:17ganhamos, nós vencemos são Silvestre.
- 17:19Mas era um momento assim que sabe?
- 17:24Eu abracei todo mundo, cumprimentei, fui recepcionar as
- 17:27outras meninas que foram chegando ali, a própria
- 17:29Margarete, a marcinha, a Selma reis, Adriana de Souza.
- 17:34Sabe todas as que estavam chegando aí?
- 17:37Assim, hoje, para mim, não dá para acreditar.
- 17:42Não sei se é de ter ouvido tantos não, que seria
- 17:45impossível. Hoje, para mim, parece que a
- 17:47minha ficha ainda não caiu, que eu venci a são Silvestre, que é
- 17:52uma. Prova que fez você começar a
- 17:53querer, começar a correr, e daí você vai lá?
- 17:55Ganha a prova e ganha a prova. Eu queria assim participar ali,
- 18:00tentar um dos 5. Lugar no pode, senão só de
- 18:02porctar. Já era uma grande Vitória.
- 18:04E de repente me consagrar assim, campeã igual minha grande ídola.
- 18:08A rosa Mota é só gratidão a Deus por tudo, por tudo, por.
- 18:13Tudo. Nossa, não tenho nem o que
- 18:14falar. Que história, que emoção tá e
- 18:17cara que mas só pra gente fechar, que que conselho você
- 18:22pode dar pra fazer? É porque, cara, porque você é
- 18:25uma vencedora, assim como mulher, como negra e de tudo,
- 18:27sabe que é de uma Conquista enorme.
- 18:30Que conselho você pode dar para as meninas que querem seguir
- 18:33esse caminho? Que quer, que pode se inspirar
- 18:35na tua história? Que que você pode falar para
- 18:37elas, pode falar? Aqui ó, nessa câmera para elas.
- 18:39Aqui o conselho que eu dou para essa nova geração, né?
- 18:43Que está aí, que quer seguir um esporte, uma modalidade, é que
- 18:48não desistam, é que tenha fé, que acredite mais nos sonhos.
- 18:54E que corram atrás, porque eu demorei assim 15 anos, eu
- 18:59busquei o meu sonho e a minha luta.
- 19:01Eu não desisti, até porque muita gente falava que era impossível.
- 19:05Eu sempre falei, pode ser difícil, mas impossível, jamais.
- 19:08E hoje eu estou aqui. Hoje eu sou prova viva de tudo,
- 19:12é possível quando a gente quer, quando a gente acredita, quando
- 19:15a gente tem fé, a gente acredita nos sonhos, corre atrás, a gente
- 19:19consegue realizá Los e hoje eu sou prova viva de que é
- 19:23possível. Então, não desistam, continuem
- 19:25lutando, batalhando. Se uma porta bater em uma abrir,
- 19:28bata na outra. Insista, persista, mas nunca
- 19:32desista, porque quando a gente quer, a gente consegue.
- 19:36Nossa, muito obrigado, viu? Nossa incrível, muito obrigado
- 19:39mesmo. Eu.
- 19:40Não tenho nem o que falar, não sei palavras agora.
- 19:42Obrigado, obrigado.