Latest / InovaTec Update / Cientistas finlandeses usam ultrassom para guiar água e partículas pelo ar sem nenhum cano
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- InovaTec Update. Um pouco de amanhã no seu hoje. Mecânica. Cientistas finlandeses usam ultrassom para guiar água e partículas pelo ar sem nenhum cano. Da redação do site Inovação Tecnológica, publicado em 21 de outubro de 2026. Imagine um fio de água correndo pelo ar. Ele faz curvas, sobe, desce e muda de direção, sem nenhum cano por onde passar. Parece truque de ilusionista, mas é física. E quem faz o trabalho pesado é o som. O feito é de uma equipe da Universidade de Helsinque, na Finlândia, liderada pelo pesquisador Dmitrii Nikolaev. O grupo montou um aparelho com duzentos e cinquenta e seis pequenos alto-falantes. Juntos, eles conduzem um fluxo de matéria pelo ar, como se ela estivesse dentro de um tubo invisível. O estudo saiu na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences. Para entender como isso funciona, vale lembrar o que é ultrassom. É um som tão agudo que o ouvido humano não consegue perceber. Mesmo assim, ele é uma onda que empurra o ar. Quando vários alto-falantes emitem esse som de forma coordenada, a força somada consegue mover objetos pequenos e até fazê-los flutuar, vencendo a gravidade. É a chamada levitação acústica, que deixou de ser curiosidade de laboratório e ganha cada vez mais usos práticos. A novidade da equipe finlandesa é transformar essa levitação em transporte contínuo. Um cilindro coberto de alto-falantes envolve o fluxo, a uns cinco centímetros de distância. As ondas vibram cerca de quarenta mil vezes por segundo. Elas formam um corredor por onde a matéria passa sem tocar em nada. Por isso, os pesquisadores chamam o aparelho de tubo sem paredes. E não é só água. O sistema pode guiar os quatro estados da matéria. Sólidos passam na forma de partículas. Líquidos seguem gota a gota. Gases também podem ser conduzidos. E até o plasma, um gás tão energizado que conduz eletricidade. Aliás, o grupo do professor Ari Salmi, que também assina o estudo, já tinha usado ondas sonoras para guiar eletricidade pelo ar. O controle é bem fino. Basta mudar a forma como os alto-falantes são acionados para dobrar ou girar o tubo. Cada tipo de substância pede um arranjo próprio das ondas. O fluxo também muda de rumo na hora. Num dos testes, a água foi desviada para um novo destino, como se passasse por uma válvula, e dividida entre dois recipientes. Também é possível soltar o material com precisão, uma gota ou uma partícula de cada vez. O próprio Salmi contou que, de todos os experimentos que já viu, este é o que mais se parece com mágica. Quanto ao uso prático, os pesquisadores apontam possibilidades. O tubo poderia mover substâncias corrosivas ou muito grossas, que causam problemas em canos comuns. Também poderia transportar materiais delicados, como amostras biológicas. Sem paredes, não haveria superfície para contaminar o que está sendo levado. Por enquanto, essas aplicações são sugestões da equipe, e não usos já em funcionamento. Essa notícia foi publicada no site Inovação Tecnológica, um serviço jornalístico especializado em divulgação científica e tecnológica, o maior em língua portuguesa e no ar desde 1999. Você pode ler esse artigo e muitos outros acessando o link na descrição deste episódio. A narração do InovaTec Update usa voz sintética, gerada por inteligência artificial.